Hampton Court Palace

Hampton Court Palace, perto de Londres, Reino Unido faz parte dos Historic Royal Palaces (palácios históricos da realeza). Do mesmo grupo faz parte a London Tower, Banqueting House, Kensigton Palace, Kew Gardens e Hillsborough Castle.


Bilhetes e viagem

Os bilhetes, para cada um destes monumentos, podem ser comprados on-line através do site oficial: https://www.hrp.org.uk/hampton-court-palace, mas se se tornarem membros podem visitar cada um destes locais as vezes que quiserem. Por enquanto – e até ver – o preço anual por membro custa 55 libras por ano. Se quiserem visitar mais do que um dos monumentos pertencentes ao grupo já vale a pena tornarem-se membros, já que nós pagámos 28 libras, cada um, pela nossa visita ao Hampton Court Palace.

Para chegar a Hampton Court Palace vindos de Londres o mais fácil é apanharem o comboio em Waterloo que demora mais ou menos 50 minutos. A estação de comboios em Hampton Court fica a 5 minutos do Palácio. Uma das coisas a ter em conta quando visitam o palácio, independentemente da altura que vão, é o tempo. No mesmo dia podem ter chuva, trovoada, sol e tudo o que fica entre os dois, o que foi o nosso caso. Tivemos chuva miudinha de manhã substituído pelo sol que apareceu entre as nuvens para dar lugar a uma tarde solarenga. Se fica mais bonito com sol, fica, mas não se preocupem que a chuva não rouba a beleza ao local.

Em Hampton Court Palace durante os diferentes meses do ano vão acontecendo diferentes eventos, mas o que nos chamou a atenção foi o festival das tulipas que decorre apenas por 3 semanas entre meados de aabril e inícios de maio. São mais de 110,000 tulipas de várias espécies, cores e feitios criando um ambiente colorido espetacular que mostra o trabalho elaborado, cuidadoso e maravilhoso dos horticultores que aqui trabalham. O festival das tulipas acontece todos os anos durante a mesma altura do ano, normalmente depois da Páscoa, altura em que onde outro evento decorre – a descoberta dos ovos da Páscoa.


História

A surpresa do dia foi a história relacionada com o palácio – o rei e as suas seis esposas – para não falar da criação de uma nova religião para o rei simplesmente se puder divorciar da sua primeira mulher porque esta não lhe deu filhos homens – um gentleman, não vos parece?

Durante a visita pelo interior do palácio podem assistir a um vídeo, bastante bom, onde é explicada a história associada a Hampton Court Palace, ao rei e às suas esposas. Depois do tal vídeo e enquanto se avança pelas várias salas encontram-se os retratos das várias esposas com a respetiva legenda que inclui o nome e o seu destino.

Afinal o que aconteceu em Hampton Court Palace durante o reinado do rei Henry VIII?

Todas as fotografias colocadas neste post sobre as mulheres do rei e do rei foram retiradas do site oficial de Hampton Cour Palace: https://www.hrp.org.uk/hampton-court-palace/

Catarina de Aragão (1485 -1536) – Divorciada

Catarina de Aragão foi a primeira mulher do rei Henry VIII. Desde o casamento que o rei estava obcecado em dar continuação à sua linhagem real. Infelizmente depois de muitos abortos e de nados-mortos eis que nasce a Fevereiro de 1516, Maria. Claro que para o rei uma filha não significava nada, o que ele queria era um filho. E por isso decidiu-se divorciar de Catarina de Aragão e casar-se com uma segunda mulher. A religião católica não permitia o divórcio e por isso o pedido do rei foi negado em Roma. Foi nesta altura que o rei decidiu criar a Igreja Anglicana, uma religião que permitia a sua separação de Catarina de forma legítima.

Anne Boleyn (1501-1536) – Decapitada

Tenho a certeza de que depois de lerem o destino que Anne teve confirmam que Catarina teve sorte. Depois de criar a religião Anglicana, o rei e Anne casam-se a janeiro de 1533. Anne engravida no mesmo ano e dá à luz uma menina a quem deu o nome de Elizabeth. O rei manteve a esperança de que Anne ficasse novamente grávida e que lhe desse o tão desejado barão. No entanto, depois de vários nado-mortos, o rei perde o interesse na esposa de tal maneira que se vira para outras mulheres. O rei decide terminar o relacionamento com Anne e desta vez, em vez de criar uma religião que lhe fosse favorável, o rei Henry VIII decide acusar Anne de adultério e traição. Anne foi decapitada a 19 de maio de 1536 e como tal o casamento anulado.

Jane Seymour (1508-1537) – morreu com complicações pós-parto

Para terem uma boa noção da linha do tempo, Anne foi decapitada dia 19 de Maio e o rei casou-se com Jane a 30 de Maio do mesmo ano. Jane foi a terceira mulher do rei e deu-lhe o que ele mais queria – um filho do sexo masculino – aquele que viria a ser o futuro rei Edward VI. Jane sofreu de complicações pós-parto e morreu em menos de duas semanas depois de dar à luz. Jane foi a única mulher que teve um funeral e que foi enterrada ao lado do rei Henry VIII na capela de St George, no castelo Windsor.

Anne of Cleves (1515-1557) – Divorciada

O casamento com Anne foi politicamente estratégico. O casamento durou apenas 6 meses, após o qual o rei pediu a sua anulação. É a esposa sobre quem se sabe menos, mas foi a esposa que viveu até mais tarde. Deste relacionamento não houve nem filhos nem filhas. Um dos aspetos interessantes foi que antes do casamento, o rei pediu vários retratos de potencias esposas para escolha e Anne por lhe parecer a mais lisonjeira foi a sorteada. Não terá sido a cara do rei quando viu Anne pela primeira vez, uma vez que Anne não se parecia nada com a sua pintura – social media nesta altura já era enganadora!

Catherine Howard – Decapitada (1523-1542)

Catherine era uma das damas de companhia de Anne of Cleves e teria cerca de 17 anos quando se casou com o rei. Há que prestar atenção que nesta altura o rei estava bastante acima do peso e incapaz de se mover. Ao que dizem o rei estava bastante embebecido pela sua nova esposa – enchendo-a de presente luxuosos. No entanto, em menos de um ano após o casamento começaram rumores de infidelidade. Com várias evidências que Catherine era no mínimo promíscua, Catherine foi executada no Tower Green a 13 de Fevereiro de 1542.

Catherine Parr (1512-1548) – A esposa que sobreviveu a Henry

Catherine foi a última esposa do rei Henry VIII que viveu 1 ano e 8 meses depois da morte do rei que ocorreu a 28 de janeiro de 1547. A rainha teve quatro casamentos, 2 antes do rei e um que decorreu 4 meses depois da morte do rei Henry. Catherine foi não só rainha de Inglaterra como também rainha da Irlanda.


Há que apontar que ao contrário dos vários retratos do rei onde este aparece numa posição de poder e todo pomposo na verdade o rei era muito gordo, rude e bastante violento. Podem ter a certeza que não foi apenas Anne of Cleves a única a forjar a sua aparência de uma forma bastante lisonjeadora.


Curiosidade:

Existem várias séries baseadas na história do rei Henry VIII, do seu reinado e casamentos. A série mais recente talvez seja a de 2022 da Netflix: Blood, Sex & Royalty. Outra série chamada The Tudors de 2007-2011 também retrata este período da história inglesa.

Afinal quem não gosta de um bom drama?!


Depois da vossa visita ao palácio, tirem um bocadinho para passear por Hampton e pelos jardins junto ao canal. Podem sempre acabar o dia ou fazer uma pausa a meio e almoçar no Canela Café que fica a 5 minutos do palácio.

Um dia fora de Londres que merece entrar em qualquer itinerário a Inglaterra. Vejam também outros locais perto de Londres para visitar num dia!


Braga, a capital do Barroco

Dia de visitar Braga, uma cidade que deixou muitas memórias, saudades e um deslumbramento imenso do norte de Portugal.


Breve história

Braga, ou como antigamente era conhecida, Bracara Augusta foi fundada no século XV/XVI Antes de Cristo pelo imperador Augusto. Bracara Augusta era a capital da província da Galécia onde as 6 “estradas” vindas de Roma conduziam a civilização latina até Braga.

Até aos dias de hoje viveu-se uma Braga medieval, altura em que a Sé era o epicentro da cidade e tivemos também uma Braga Renascentista na segunda metade do século XV e inícios do século XVI. Durante este período as ruas foram alargadas a mando de D. Diogo de Sousa e abriu-se praças, construi-se fontes e capelas. Mas o estilo mais evidente em Braga é o Barroco sendo Braga uma das zonas portuguesas com maior índice de obras de arte deste estilo. Por alguma razão Braga é considerada como a capital do Barroco. Um dos maiores ícones desta região deste estilo é o Santuário do Bom Jesus do Monte de que falarei mais a frente.

Braga, tal como todo o norte de Portugal é considerado por muitos um paraíso da gastronomia portuguesa, com comidas que vos deixarão satisfeitos e com uma moleza prazenteira. Tivemos oportunidade de experimentar apenas algumas dessas delícias, mas ainda ficou muito para a próxima vez como as papas de sarrabulho, o arroz de pato, cabrito assado e as frigideiras. Não é mesmo possível em apenas um dia marcar um certo em todos os elementos da lista. E mesmo assim puxámos os estômagos ao máximo até a barriga fazer já uma parábola.


Os santuários

O dia começou solarengo com um Verão de Maio que só Portugal consegue oferecer. Arranjados fomos ao pequeno-almoço por volta das 9 da manhã. Um pequeno-almoço capaz de deitar abaixo qualquer rabuge da manhã. O pão fresquíssimo e os croissants com calda de açúcar foram para mim os pontos altos.

Primeiro local de paragem depois de partirmos da quinta das Pedras de Baixo foi a Igreja de Santa Maria Madalena. Esta igreja só se encontra aberta ao Domingo, mas na altura que lá passámos a missa estava no auge e não parece muito bem aos fiéis aparecerem turistas armados com camaras fotográficas a interromper o pai nosso ou a toma da hóstia. Esta igreja é um bom exemplo do Barroco, estilo mencionado acima incluindo o uso da telha dourada no seu interior. Da igreja tem-se uma imensa vista sobre a cidade, como um aperitivo do que viríamos a conhecer em breve.

Não querendo disturbar a missa, nem esperar que ela acabasse, pusemo-nos a caminho até ao Santuário do Sameiro, o segundo maior santuário Mariano de Portugal. A primeira pedra foi lançada em 1873 para a construção da capela. No entanto, a primeira pedra para a construção do santuário seria colocada ali 17 anos mais tarde. Como não podia deixar de ser, este local tem um valor religioso enorme, mas o que mais impressiona é a sua parte exterior com os grandes pilares que ladeiam o início da escadaria, os monumentos do Imaculado Coração de Jesus e Coração de Maria.

O santuário tem sido palco de várias adições ao longo dos anos como a estátua do Papa João Paulo II, erguida depois da sua visita ao Sameiro que decorreu a 15 de maio de 1982. A visita ao santuário é gratuita, tal como o parque de estacionamento, e é certamente um dos sítios a não perder nos arredores de Braga.

A próxima paragem talvez seja o local mais famoso de Braga – O Bom Jesus do Monte ou também conhecido como o Bom Jesus de Braga. Basta olhar para uma fotografia da majestosa escadaria para imediatamente dizer – isto é em Braga. Todo o esplendor que hoje podemos visitar foi palco de um enorme trabalho que demorou mais de 600 anos. Pela escadaria temos a Viae Crucis conduzindo-nos através de pequenas capelas onde estão representadas coleções escultórias da Paixão de Cristo, fontes, esculturas de pedras e jardins.

Visitámos a igreja, descemos a escadaria da via Sacra e subimos novamente desta vez de funicular. Este é um lugar de valor incalculável não só a nível religioso, mas a nível da cultura portuguesa, arquitetura e paisagismo. Aviso que este local é bastante procurado e o parque de estacionamento estava um bocadinho movimentado. O parque de estacionamento não é pago, mas fica apenas 1 euro e podem passear o tempo que quiserem.


O almoço

Assim chegava a hora de ir para o centro de Braga e encontrar um restaurante para almoçar. Seguindo referências de quem vive na zona fomos almoçar ao restaurante Adega Malhoa que fica bastante perto da Sé de Braga. Mal entrámos, encontrámos um espaço acolhedor, rústico e intrigante. Todas as paredes estão forradas de papéis com mensagens de agradecimento, desenhos e até moedas. Mal nos sentámos a mesa sentimos que estávamos realmente num local tradicionalmente nortenho – e digo isto com todo o respeito possível. Os pratos escolhidos não podiam deixar de ser os típicos da região – começando por umas maravilhosas pataniscas de bacalhau seguidas de rojões á moda do Minho, Arroz pica no chão e vitela assada que estava uma delícia, a carne era tão tenra e saborosa. Foi uma das melhores refeições do fim-de-semana.

Estávamos a contar de seguida visitar a Sé de Braga para queimar todas aquelas calorias – mas a Sé estava fechada para um evento qualquer e não podia ser visitada naquele dia. Tenho a certeza que nunca está fechada, uma vez que é um dos locais mais importantes em Braga, mas claro que tinha de estar no ÚNICO dia em que visitávamos Braga. Para afogar as mágoas fomos ao café Frigideiras da Sé. Pedimos para sobremesa os famosos éclaires, mas não achei nada de especial. Infelizmente já não havia espaço para as frigideiras, com muita pena minha, já que dizem ser deliciosas. Estivemos por ali à conversa à volta de cafés e aperol spritz quando decidimos que era tempo de dar uma volta pela cidade. Sem grandes planos começámos a percorrer as várias ruas de Braga. E foi quando a cidade se abriu para nós.


A cidade

Sem pressas, sem destino e sem planos, foi assim que explorámos Braga. Entrámos na igreja de St. Cruz que fica ao lado do símbolo do nome da cidade que nos recebia tão abertamente.

Atravessámos a Avenida da Liberdade, coberta de flores e rodeada de muitas lojas. Subimos languidamente até ao chafariz da Praça da República onde virámos à direita para o jardim da Praça da República. Ainda entrámos na Basílica dos Congregados que faz parte do antigo convento dos Oratorianos. Embrenhámo-nos pelo meio do jardim e fomos recebidos por um grupo de músicos a tocar concertina e a cantar no meio deste belo cenário – no meio do jardim rodeado pelos edifícios da cidade com a fachada da Igreja da Lapa mesmo de frente e a água do chafariz a reluzir sobre a luz forte do sol.

Continuando na nossa exploração descontraída fomos visitar o jardim de Santa Bárbara, encontrando de passagem outro grupo de músicos onde a cidade dançava a seu tom. Para mim o jardim de Santa Bárbara foi um dos locais mais bonitos da cidade com a fachada do Paço Medieval de Braga a fazer de palco de fundo às imensas flores coloridas. Ainda descemos para visitar a Igreja do Pópulo, mas naquela altura já se encontrava encerrada.


O Jantar

E chegava a hora de jantar. E sabíamos exatamente onde queríamos ir!

Primeiro aviso: vão cedo porque não aceitam reservas e quando saímos era para aí 8 e meia e havia uma fila enorme cá fora. Tínhamos ido cedo porque tinha sido esse o conselho de quem já tivera o prazer de experimentar a Taberna Belga. O principal prato aqui talvez sejam as francesinhas, mas também há outros pratos como pregos, bifinhos com cogumelo e hambúrgueres. Mas foi a seleção diversa de cervejas belgas que nos encheu os olhos para imediatamente escolhermos este local para última refeição em Braga. A única coisa que foi pena foi a falta de fome depois do grande almoço que tivemos na Adega Malhoa. Acabámos por só pedir meia francesinha, mas mesmo assim houve que não conseguisse marchar com tudo. Mas realmente foi uma pena porque foi uma das melhores francesinhas que comi na minha vida, aquele molho era simplesmente divinal.

E com esta refeição final acabava a nossa aventura familiar em Braga. O serão foi passado ao pé da Quinta das Pedras de Baixo, a passear pela aldeia, junto à igreja e na conversa até que chegou a hora de dormir.

De manhã seguinte já foi só tomar o pequeno-almoço e voltar a fazer o percurso Braga – Abrantes – Lisboa.

Um fim-de-semana muito português, muito nortenho e muito bonito. Para quem não conhece ponham Braga e Guimarães na lista para viagens futuras.

Até ao norte de Portugal: Guimarães

Em início de maio e com o feriado ali mesmo a calhar bem à segunda-feira, decidimos que já estava na hora de pegarmos nos nossos pais e fazermos uma visita a uma parte de Portugal que ainda não conhecêssemos. E acreditem que são muitas! (uma vergonha, sim senhora!). Houve algumas dúvidas, mas rapidamente ficou escolhido que o destino seria Guimarães e Braga.


Alugar transporte

Os primeiros preparativos incluíram o aluguer de uma carrinha de 7 lugares para assim irmos todos juntos, tipo agência turística ou tráfico de emigrantes. O primeiro conselho que vos dou é que se precisarem de alugar um veículo que o façam num aeroporto, não só há mais escolha como também fica mais em conta financeiramente. Por exemplo estivemos ainda a ver alugar em Abrantes, já que tínhamos que por lá passar a buscar metade da malta, mas o aluguer da carrinha ficaria mais do dobro do valor, uma coisa ridícula de quase 1000 euros para além que a escolha de veículos daquele tamanho era miserável. Acabámos por escolher a companhia Budget por já a termos usado em outras ocasiões e podermos entregar a viatura em qualquer altura, mesmo que quiséssemos entregar no feriado. Marcámos a recolha e entrega no aeroporto de Lisboa e o processo nas duas ocasiões foi facilíssimo e nem sequer chegaram a tirar o depósito o que normalmente é requerido – e tenham cuidado porque algumas agências pedem valores incríveis acima dos mil euros (mesmo no aeroporto) como depósito. Depois de transporte organizado era preciso escolher a acomodação.

Acomodação

Vista da Quinta das Pedras de Baixo

Como queríamos visitar ambas as cidades, Guimarães e Braga, ficámo-nos pelo meio. Já que no meio está a virtude ou lá como se diz. Acabámos por alugar 4 quartos na Quinta das Pedras de Baixo e revelou-se uma ótima escolha. O sítio era lindo, sossegado e o anfitrião simpatiquíssimo. Em toda as minhas viagens nunca encontrei um anfitrião tão acessível, prestativo e culto. Para dizer a verdade foi ele que acabou por encaminhar a nossa viagem com sítios para visitar e onde deixar o carro (muito importante quando se conduz uma carrinha mais grandita). A quinta em si tem vários quartos, primeiro um edifício branco com sala, cozinha e três quartos cada um com a sua casa de banho privativa (chamada de Villa com 3 quartos). Foi neste edifício onde tomámos o pequeno-almoço – e aconselho se tiverem oportunidade de escolherem dormir aqui. Depois há um pequeno bungalow, mesmo em frente da piscina (onde eu e o meu marido ficámos) e mais 3 quartos uns ao lado dos outros numas acomodações reconstruídas (onde ficou o resto do pessoal).

Apesar de tudo o dono da quinta tinha oferecido para que se quisessem ficarem no edifício branco, mais moderno, podiam-no fazê-lo, mas só poderiam pôr as malas ao fim do dia já que haviam organizado uma festa de aniversário. Os quartos escolhidos eram confortáveis e acolhedores, mas comparando com os do edifício mais recente, os deste são acomodações mais modernas e digamos menos recetores de insetos (lembremo-nos que estamos no meio do campo!) para além de uma bonita vista para os arredores.

Como já mencionei, o anfitrião foi espetacular, deu-nos todas as indicações do que visitar em ambas as cidades e de maneira a não termos de andar com a carrinha de um lado para o outro. Também foi ele que nos serviu o pequeno-almoço de manhã, com pão fresco, café acabado de fazer e até estavam incluídas geleias caseiras como a de vinho tinto!

Sendo a localização e o serviço de grande qualidade a quinta costuma estar cheia e por isso tem que se marcar com antecedência, especialmente nos meses de Verão, onde a procura é maior. Pronto e assim tínhamos transporte e sítio para dormir – só faltava aviar as malas e partir!


Início da viagem

A nossa viagem foi um bocadinho mais comprida especialmente comparando se tivéssemos aterrado no Porto e conduzido até Guimarães. Mas também porque fomos de Lisboa a Abrantes, buscar metade dos viajantes e depois de Abrantes até à Quinta das Pedras de Baixo para tirar as malas, esticar as pernas antes de partimos para Guimarães.

Durante a viagem parámos uma vez numa estação de serviço e isto é uma daquelas coisas que Portugal tem muito para melhorar. Pessoas que fazem viagens longas e que queiram fazer uma pausa para o dito xixi e quiçá fazer uma refeição decente não têm muita escolha. Primeiro é melhor parar antes de estarem com a bexiga completamente cheia – apesar de quem desenhou as estações de serviço ter certamente pensado que seria engraçado meter as casas de banho em sítios meio escondidos para confundir as pessoas – na altura em que já se está com medo de largar a primeira pinga não acha muita piada andar às voltas à procura da casa-de-banho. Outra é a comida – há sempre aquele restaurante meio manhoso onde uma sandes com um pickle custa 5 euros (e já a ter um bom desconto em cima). E consigo dar-me conta que nisto Portugal tem muito a melhorar quando comparo com as estações de serviço em Inglaterra onde para além das bombas há sempre um edifício onde há comida acessível como McDonalds, Burguer King ou Subway. Atenção que disse acessível não saudável. Normalmente também há uma loja de café, como o Starbucks e onde se encontram as casas-de-banho. Já agora também menciono que normalmente há um daqueles casinos com máquinas de puxar a maneta – mas acho que também não precisamos de copiar tudo. Por isso isto é uma oportunidade de negócio para quem tem dinheiro a mais e queira investir em algo.

Depois deste à parte, chegámos à Quinta das Pedras de Baixo. O dono da quinta logo apresentou-se, mostra-nos os nossos quartos e aproveitámos para deixar as malas. De necessidades básicas finalizadas, o nosso hospitaleiro deu-nos um mapa sobre Guimarães e explicou-nos o que não podíamos perder na cidade que estávamos prestes a visitar.

Agora há quem vá dizer que não vimos quase nada de Guimarães e que precisávamos de mais uma semana e isso não é conhecer e blá blá blá. Contudo foi o que foi. Já estávamos a entrar pela tarde adentro por isso focámo-nos nas partes principais da cidade de Guimarães.


Montanha da Penha

O primeiro ponto foi a Penha. Como nos foi aconselhado deixámos a carrinha no Parque Lago das Hortas, que é gratuito, e subimos a montanha da Penha de teleférico, o que ficou a 7.5 euros por pessoa (ir e vir). Se for só de ida o bilhete fica a 4 euros. Também podem sempre levar o carro até ao topo da montanha, mas nós queríamos mesmo passar o menos tempo possível dentro do carro.

Felizmente não havia fila para o teleférico e num instante subimos a montanha naquele caixa suspensa. A vista do teleférico é mais ou menos, sobe-se por cima de estradas e casas. Sim, tem-se uma boa vista da cidade de Guimarães, mas não esperem de ficar completamente assoberbados com a viagem. Atenção que nesta viagem passa-se por uma casa que tem piscina e se os proprietários foram fans do nudismo a experiência passa a ter outro potencial. Mas nós o máximo que vimos foram dois burros (e não estou aqui fazer trocadilhos) no meio de um terreno de terra meio decrépito.

A subida é bastante rápida e num ápice chegávamos ao topo da Penha. Existem vários pontos de interesse na Montanha da Penha, como o Santuário da Penha de onde saia um casamento quando chegámos, a estátua de Pio IX, a gruta da Senhora de Lourdes, a capela de São Cristóvão, entre outros. Deixo em baixo o mapa com os pontos mais importantes, para saberem em que direção devem seguir. Do Santuário da Penha tem-se uma vista extensa da cidade de Guimarães e arredores. Na Penha podem também seguir pelos caminhos engraçados entre grandes pedregulhos de pedra, típicos da paisagem natural do norte de Portugal.

Imagem retirada de https://www.visitguimaraes.travel/descobrir-guimaraes/fora-do-centro-urbano/montanha-da-penha/locais-de-interesse

Paço dos Duques, Castelo de Guimarães e D. Afonso Henriques

Em seguida fomos ao Paço dos Duques. O Paço dos Duques foi construído entre 1420 e 1433 a mando do primeiro duque de Bragança, D. Afonso. O Paço dos Duques foi primeiramente usado como residência dos duques de Bragança, o que lhe deu o nome que ainda hoje tem, mas foi deixado ao abandono no século XIX. Na altura das invasões francesas, este edifício funcionava como Quartel Militar. Entre 1937 e 1959, o Paço dos Duques foi reconstruído e inaugurado a 25 de junho de 1959, tornando-se a residência oficial da zona norte do país do Presidente da República de Portugal (tipo casa de férias eu diria).

O mais impressionante da visita ao Paço dos Duques são as muitas e majestosas tapeçarias representando cenas de caca, de tema religioso ou da história de Cipião. Apesar de as cores desvanecidas pode-se imaginar o quanto são preciosos estes têxteis e o quanto é importante conservá-los. Um reflexo do passado no presente.

Chegando o final da tarde, o castelo já se encontrava-se fechado e não tivemos oportunidade de visitar o seu interior. Pudemos sim ver a estátua do nosso primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que tem um valor histórico por se encontrar exatamente em Guimarães. Até porque Guimarães é muitas vezes mencionado como o berço de Portugal já que foi nesta zona o palco da batalha de S. Mamede (1128) onde D. Afonso Henriques saiu vitorioso o que foi decisivo para a independência do Condado Portucalense (e mandou-se os espanhóis apanhar gafanhotos).

D. Afonso Henriques foi reconhecido como o Rei de Portugal pelo papa em 1179 e assim se tornou o primeiro rei de Portugal.


Centro Histórico

Depois da visita ao Paço dos Duques, à estátua de D. Afonso Henriques e uma volta ao parque que rodeia o majestoso Castelo de Guimarães, eis que nos dirigimos para o centro histórico da cidade. Ainda pudemos dar uma espreita na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira antes de nos sentarmos na grande esplanada em frente à igreja. Aqui é o melhor sítio da cidade para sentar, beber um copo e conversar até à hora de jantar.

O restaurante escolhido foiA Buxa“, recomendado por uma amiga que vive em Guimarães. O restaurante fica no centro histórico por isso foram uns segundos que demorámos a mover-nos de um local para o outro. A decoração do restaurante é simples, mas agradável. O restaurante foi escolhido por servir comida tradicional da zona e por isso pedi “Bacalhau à Narcisa” que estava delicioso e eu normalmente não sou muito apreciadora de bacalhau porque normalmente vem bastante salgado, mais espinhas e peles e não sei o quê. E normalmente acabo por passar mais tempo a escolher espinhas e a ter a certeza de que nenhuma se vai espetar na traqueia do que a apreciar o prato. Mas o bacalhau estava bastante bom e recomendo. Apesar de ter de facto passado algum tempo a tirar as espinhas.

Bacalhau à Narcisa

Também provei a Torta de Guimarães, já que estava no sítio indicado para o fazer, e sim senhora, bastante boas, apesar de não terem bem aspeto de torta, mas mais de pastel. Mas muito boas de qualquer das formas. Neste restaurante também há opções vegetarianas, o que é cada vez mais importante. Houve alguns membros do nosso grupo que escolheram pratos de carne e que acharam que apesar de a comida ser boa, as doses não eram grandes. Agora não tenho bem a certeza se é porque realmente as doses não eram muito grandes ou porque não tinham almoçado e estavam esganados de fome. Da minha refeição não tenho nada a apontar.

Torta de Guimarães

Depois do jantar ainda pensámos em sentarmo-nos mais um bocadinho na esplanada exterior no centro histórico, mas depois de uma viagem longa havia quem já sonhasse em deitar-se e finalmente dormir.

Centro histórico de Guimarães à noite

E assim voltávamos a conduzir para a Quinta das Pedras de Baixo. No dia seguinte era a vez de Braga.

A nossa visita a Guimarães foi como os ingleses dizem “short and sweet” (rápida e doce), mas gostei bastante da cidade, pareceu-me pequena e por isso não digo que mais que um fim-de-semana seja necessário para visitar Guimarães. Mas se Guimarães não é enorme em tamanho é enorme em valor histórico, para nós portugueses que somos de Portugal.

Sopa verde saborosa

Tempo de preparação: 20 minutos

250Kcal/porção

6 porções

Ingredientes

  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 cebola picada
  • 500 gramas de bróculos
  • 1 chávena de abobóbora descascada e cortada aos cubinhos
  • 1 cubo para caldo de vegetais
  • 200 gramas de ervilhas congeladas
  • 200 gramas de espinafres congelados
  • 40 mL + 6 colheres de sopa de iogurte natural
  • Sal, alho em pó, pimenta preta q.b.

Preparação

  • Numa panela refogue a cebola no azeite por cerca de 5 minutos. Junte a abóbora e alho em pó, mexa e deixe refogar por mais 3-4 minutos.
  • Entretanto lave e corte os ramos dos bróculos em pedaços com cerca de 2cm. Junte-os à cebola e à abóbora, juntamente com o cubo para caldo de vegetais e 1 litro de água. Tempere com sal e pimenta preta.
  • Quando começar a ferver, baixe o lume e deixe cozinhar a lume brando durante 8 minutos.
  • Junte as ervilhas e deixe cozer por mais 5 minutos. Adicione os espinafres e 40 gramas de iogurte natural. Com cuidado retire para uma tacinha algumas das ervilhas e reserve.
  • Retire a sopa do lume e passe-a com a varinha mágica até obter uma mistura homogénea e espessa. Rectifique os temperos de sal e pimenta preta.
  • Sirva a sopa em tigelas decoradas com uma colher de iogurte natural e ervilhas.

Risotto com ervilhas, espinafres e queijo de cabra

Tempo de preparação: 30 minutos

440Kcal/porção

4 porções


Ingredientes

  • 300 gramas de arroz para risotto
  • 1 cebola picada
  • 2 cubos para caldo de vegetais
  • 3 colheres de sopa de sumo de limão
  • 200 gramas de ervilhas congeladas
  • 120 gramas de espinafres
  • 100 gramas de queijo de cabra
  • 2 colheres de sopa de folhas de hortelã picadas
  • Sal, pimenta preta, azeite e alho em pó q.b.

Preparação

  • Prepare o caldo de vegetais. Num tachinho coloque 1,2L de água e quando esta começar a ferver junte os cubos para o caldo de vegetais. Quando os cubos estiverem completamente dissolvidos baixe o lume para o mínimo para a água não arrefecer.
  • Descasque a cebola e pique-a. Numa frigideira antiaderente refogue a cebola em azeite por cerca de 5 minutos ou até a cebola ficar translúcida. Junte o arroz, mexa e deixe fritar por cerca de 2-3 minutos. Tempere com sal, pimenta preta e alho em pó.
  • Junte uma concha de caldo de vegetais ao arroz, mexa e quando o caldo tiver evaporado, adicione outra concha de caldo. Repita este processo até o caldo acabar ou quando o arroz estiver cozido. A cozedura do arroz demora cerca de 20 minutos. Mexa o arroz entre cada adição de caldo.
  • Entretanto, coloque as ervilhas num tacho com água temperada de sal e coze-as por cerca de 5 minutos. Junte os espinafres, mexa e retire o tacho do lume. Escorra a água e junte as ervilhas e os espinafres ao arroz, juntamente com 2 colheres de sumo de limão. Deixe o arroz cozer por mais 2 minutos, retire do lume e junte metade do queijo de cabra e 3/4 das folhinhas de hortelã.
  • Numa tigela junte o restante queijo, sumo de limão, as folhinhas de hortelã e uma colher de sopa de água. Misture.
  • Sirva o risotto decorado com uma colher de sobremesa da mistura de queijo de cabra, limão e hortelã.

Sopa de tomate e pimentos assados

Tempo de preparação: 35 minutos

210 Kcal/porção

4 porções

Ingredientes:

  • 6 tomates de tamanho médio
  • 2 pimentos vermelhos
  • 1 pimento amarelo
  • 2 cebolas
  • 1 caldo Knorr de vegetais
  • 1 colher de sopa de vinagre de cidra
  • 1 Iogurte natural
  • Sal, pimenta preta, azeite, alho em pó e folhas de manjericão q.b.

Preparação

  • Pré-aqueça o forno a 220ºC.
  • Lave os tomates e os pimentos. Descasque as cebolas. Corte os tomates e as cebolas em 6 gomos e os pimentos em cubos (cerca de 2 cm). Coloque os vegetais num tabuleiro ou pirex que possa ir ao forno. Regue os vegetais com 2 colheres de azeite e tempere com sal e pimenta preta.
  • Coloque o tabuleiro ou pirex no forno pré-aquecido e deixe cozinhar por 20 minutos. Após este tempo tempere os vegetais com alho em pó, mexa os vegetais com a ajuda de uma colher de pau, e leve ao forno por mais 10 minutos.
  • Entretanto, ferva 750mL de água numa panela e junte o caldo de Knorr. Quando o caldo Knorr estiver dissolvido junte os vegetais assados e o vinagre. Passe tudo com uma varinha mágica até obter uma mistura homogénea.
  • Rectifique os temperos de sal e pimenta.
  • Sirva a sopa com duas colheres de iogurte natural e decorada com folhinhas de manjericão.

Locais menos conhecidos perto de Lisboa a não perder

Bem depois do título acho que não há surpresas… este post é sobre 3 sítios que visito muitas vezes e que ficam relativamente perto de Lisboa. São locais que vos darão um dia ou uma tarde espetaculares. Até se pode dizer que Sintra e o Cabo da Roca pertencem a este post, mas eles são por si só sítios que merecem uma maior atenção e foi por isso que decidi escrever post individuais para esses dois locais.

Os locais incluídos neste post são:

  • Palácio Nacional e Jardins de Queluz
  • Bacalhôa Buddha Edden
  • Aldeia típica de José Franco e praia do Magoito

Claro está que há muitos outros lugares nos arredores de Lisboa que também merecem ser visitados, mas estes são aqueles que conheço com mais detalhe e que de certa forma tenho uma opinião mais completa. E há bastantes sítios que gostava de conhecer, como visitar o Cristo Rei, o parque natural da Arrábida e a ilha das Berlengas. São locais que estão na lista para um futuro próximo.


Palácio Nacional e Jardins de Queluz

Devido à sua localização este palácio é menos conhecido, especialmente quando comparado com o Palácio da Pena ou mesmo com o Palácio Nacional de Sintra. Este palácio fica em Queluz, ao pé da Amadora, e podem chegar aqui ou de carro ou de comboio se saírem na estacão de Queluz (se vierem de Lisboa apanham o comboio com destino a Sintra). O palácio foi inicialmente construído como casa de campo em 1654, mas em 1794 o Palácio de Queluz tornou-se a residência oficial da rainha D. Maria I. Nesta altura, o Palácio de Queluz era o local onde a corte ia desfrutar de momentos de lazer e assistir a serenatas. Com a chegada das invasões francesas em 1807 a família real fugiu para o Brasil e o palácio deixou de ser habitado.

O general Junot, comandante das invasões francesas, visitou este palácio e até alimentou esperanças de este ser o local escolhido para o Napoleão Bonaparte se instalar. No entanto, tal não aconteceu e na geração seguinte o Palácio de Queluz é palco da morte de D. Pedro IV. Anos mais tarde, já em 1910, o Palácio de Queluz é classificado como Monumento Nacional e em 2020 o Palácio Nacional e os Jardins de Queluz são adicionados à “Rota Europeia de Jardins Históricos”.

Se por dentro o palácio é impressionante e faustoso muito mais são os seus jardins. A não perder nos jardins estão incluídos a cascata grande, o canal dos azulejos e o lago das medalhas. O jardim em frente do palácio então não há palavras para o descrever. Decididamente que este é um local a visitar, um palácio que desde 1957 recebe Chefes de Estado vindos do estrangeiro em visita oficial a Portugal.

Outras sugestões na zona:

Deixo-vos aqui dois restaurantes que recomendo se vierem a Queluz. Maria Azeitona ou O Quintal, dois restaurantes com ambientes íntimos e comida maravilhosa. Aconselho a fazerem marcação prévia uma vez que eles são extremamente concorridos.


Bacalhôa Buddha Eden

Dos 3 lugares mencionados neste post este é o que fica mais longe de Lisboa, já a 1hora e 15 de carro, mas é um local muito especial, diferente da cultura portuguesa, e por isso um lugar peculiar. O Bacalhôa Buddha Eden é um jardim oriental, fica dentro da Quinta dos Loridos no Bombarral, e conta com 35 hectares de jardins, estatuas e até de um lago. Estima-se que foram usadas cerca de 6 mil toneladas de mármore e granito para construir as várias estátuas de budas, de pagodes e de terracota.

O ponto principal do jardim é a escadaria central onde grandes estátuas de budas recebem os visitantes. A viagem até a este jardim até pode ser considerada demasiado longa para quem esta apenas interessado em conhecer Lisboa, mas para quem pode visitar o Bacalhôa Buddha Eden, por favor façam-no. A cultura, os diferentes jardins, e estátuas fazem-nos sentir que estamos noutro país. Apenas visitei este lugar uma vez, mas foi uma viagem que marcou e que espero que tenha o mesmo impacto a outros visitantes.

Este jardim foi construído como protesto contra a destruição dos Budas Gigantes de Bamyan que teve lugar em 2001 no Afeganistão. Neste ataque as mais altas estatuas de Budas do mundo feitas em arenito foram perdidas para sempre após a sua destruição. Este foi e ainda é considerado um dos maiores atos bárbaros contra a cultura, onde foram completamente apagadas obras primas da Arte de Gandhara.


Aldeia Típica de José Franco e Praia do Magoito

Estes dois locais fazem parte da viagem mais comum que fiz durante a minha infância e que me trazem mais recordações. Se era para fazer uma viagem de um dia já se sabia que era aqui que vínhamos parar.

Começávamos pela praia do Magoito, uma praia costeira a norte das Azenhas do Mar, mais em específico em São João das Lampas, ainda pertencente ao Parque Natural Sintra-Cascais. Apesar do nome não era para a praia que íamos, até porque o mar é bastante perigoso nesta zona da costa. Parávamos antes no paredão no topo da encosta e passeávamos por ali a respirar aquele ar maravilhoso de cheiro a mar. Muitas vezes havia por ali pescadores a tentar a sua sorte e tantos outros a aproveitar aquela vista maravilhosa de rocha, mar e sol. Já há algum tempo que não venho à praia do Magoito, mas é um ótimo local para nos sentarmos a ouvir as ondas a bater nas rochas, especialmente com um livro na mão, se forem amantes de leitura como eu.

Agora um sítio ainda mais especial – a Aldeia Típica de José Franco. Fica a 30 minutos de Lisboa, no Sobreiro ao pé de Mafra, e também é conhecido como Aldeia Saloia. A aldeia típica portuguesa foi construída pelo escultor e oleiro José Franco e por toda a aldeia estão representadas diferentes ocupações típicas do Portugal antigo – são pequenos espaços com esculturas e com os utensílios necessários para a ocupação que representa – a olaria, a azenha, a escola, a farmácia, o ferreiro, a carpintaria e até a loja da “Ti Lena” (mercearia) são alguns dos pontos de paragem nesta aldeia que é um autentico museu etnográfico.

Já em miniatura está representada uma aldeia piscatória onde o movimento da água faz mexer certas esculturas.A entrada é gratuita e depois aqui podem encontrar uma coisa deliciosa – pão com chouriço. Não estou a brincar quando digo que é o melhor pão com chouriço do mundo. Não há vez que aqui se vá que não se traga pão saloio recheado com chouriço.

Não tenho nada de mal a dizer sobre esta Aldeia Saloia, é na verdade um local que me é muito querido e que me traz imensas memórias.

Mais sugestões na zona

Se vieram passar um longo dia nesta bonita zona de Portugal, independente se se decidirem primeiro pelo Sobreiro e depois Magoito ou Magoito e depois Sobreiro, indico-vos aqui um restaurante para almoçar ou jantar – o restaurante Don Pedro Guedes. Este restaurante tem serviço de buffet e é um local extremamente concorrido por isso marcação prévia é mais que aconselhada. Desde queijos, a enchidos, a pratos de bacalhau, a pratos de carne assada até a variadíssimas sobremesas, há de tudo um pouco para todas as bocas. O difícil é escolher.


Lisboa menina e moça

Mais um dia em Lisboa, a explorar a cidade conhecida pela sua luz dourada e edifícios coloridos. Lisboa é mais do que uma cidade, é um estilo de vida, é procurar tesouros e encontrá-los a cada recanto, é ouvir rap numa rua e Amália a plenos pulmões na outra. É subir e descer, é bater com o mindinho na calçada e é dançar até de madrugada.

Lisboa

Hoje vamos procurar sítios menos conhecidos pela cidade de Lisboa. Mas primeiro vamos ao pequeno-almoço. Eu no final do post contar-vos-ei de um local que experimentei com a minha família, um daqueles locais onde se toma o brunch, mas que pelos vistos só aceitam pessoas jovens e em grupos de menos de 5 pessoas. Depois vejam no final, para não estragar já o post, depois de tanta inspiração no primeiro parágrafo. Então comecemos pelas delícias d’ A Padaria Portuguesa. Há muitos cafés da mesma companhia espalhados pela cidade de Lisboa mas aconselho começarem pelo que fica perto da Rua Augusta.

Doçaria da Padaria Portuguesa

Isto apenas para já nos encaminharmo-nos para o próximo destino – o Museu Nacional do Azulejo. Podem ir a pé mas eu aconselho a apanharem a camioneta na Praça do Comércio. Este é um dos museus que grita Portugal com toda a força. Nada é mais conhecido como tipicamente português do que um azulejo, principalmente aqueles a azul e branco. O mais impressionante neste museu é um longo painel de azulejos onde Lisboa está representada. O museu foi desenvolvido onde outrora era o antigo convento de Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor.

Na exposição permanente podem-se visitar azulejos desde o final do século XV até à actualidade. A grande maioria destes azulejos foram feitos em Portugal, tal como objectos tridimensionais, estes em cerâmica. A arte de fazer azulejos é admirável, especialmente porque apenas se vê a cor final depois do azulejo estar cozido. É um orgulho da cultura portuguesa que se encontra espalhada por todo o Portugal.

De volta ao centro de Lisboa, a pé ou de camioneta, é tempo de experimentar uns cachorros-quentes. Tanto podem escolher a Avenida da Liberdade onde encontrarão Hot Dog Lovers para o melhor cachorro-quente da cidade. São tão deliciosos que eu e os meus pais chegámos a fazer uma viagem de quase 1 hora (ida e volta) só para vir buscar estes cachorros-quentes. Até de pensar já estou a salivar (a teoria do cão Pavlov a ser mais uma vez confirmada).

Qualidade de fotografia em tempos que o que interessava era comer e não a fotografia para as redes sociais – o melhor cachorro – Hot Dog Lovers

Daqui podem apanhar o metro para a estação “Praça de Espanha” ou “São Sebastião”. No entanto, se estiverem mais numa de passear pela cidade a pé talvez possam antes ir aos cachorros-quentes do Frankie Hot Dog para uma refeição mais substancial (se estão a passear a pé, merecem-no!). Pelo caminho do Frankies até ao Jardim Zoológico podem ir até à Fundação Calouste Gulbenkian, criada em 1956, em homenagem a Calouste Sarkis Gulbenkian. A fundação conta com um museu onde está exposta a coleção de Calouste Gulbenkian. Eu estive prestes a dizer que era a coleção privada, mas já não é assim tão privada se a podem visitar a qualquer altura. Também podem aqui encontrar o Centro de Arte Moderna onde se encontra a mais importante e proeminente coleção de arte moderna e contemporânea portuguesa, a biblioteca de arte e arquivo, o instituto de investigação científica e um jardim maravilhoso. Eu visitei esta fundação quando fui assistir uma palestra sobre o ambiente, e há sempre vários eventos a decorrer dos quais vocês também podem desfrutar. Cliquem aqui para entrar no website da fundação e ver as exposições temporárias ou eventos que estarão a decorrer na altura da vossa visita.

Se estiverem virados para a animação é nesta zona que se encontra o Jardim Zoológico ou se estiverem mais virados para compras ou para visitas “dentro de portas” podem encontrar o El Corte Inglés. Eu já visitei os dois locais, mais do que uma vez, e seja qual for a vossa inclinação, será certamente uma boa escolha. E já que se encontram perto da estação de metro de “São Sebastião” saltem agora para a linha vermelha até “Oriente”.

E assim se encontram numa das zonas mais famosas de Lisboa, que já não é bem em Lisboa, o Parque das Nações. Podem não acreditar mas está é uma zona requalificada junto ao rio Tejo onde antigamente era ocupada por grandes infraestruturas industriais incluindo o Matadouro Industrial de Lisboa e o Aterro Sanitário. Toda esta zona foi transformada no agora magnífico Parque das Nações com um longo passadiço junto ao rio Tejo, um teleférico para longas vistas sobre a água, um grande centro comercial e muitos restaurantes. Em 1998, o Parque das Nações foi palco do grande evento conhecido como Expo 98, uma grande exposição internacional como tema “Os oceanos: um património para o futuro”. Hoje o Parque das Nações é uma zona de lazer onde se encontra o famoso Oceanário de Lisboa. Aqui vivem mais de 8000 criaturas marinhas em 7 milhões litros de água salgada. Desde aves a peixes a anfíbios, à parte vegetal, a visita ao oceanário é sempre especial.

Se em vez do Jardim Zoológico ou do El Corte Inglés decidirem passar a tarde no Parque das Nações também não se arrependerão, apesar de achar que o Jardim Zoológico é uma boa aposta. Uma visita ao oceanário, um passeio de teleférico e acabar o dia a jantar no terraço do centro comercial ou num dos muitos restaurantes espalhados pelas ruas, o dia para terminar a visita à cidade de Lisboa, não podia acabar melhor. Talvez apenas com um espetáculo no Pavilhão Atlântico, agora conhecido como Altice Arena. E só assim um aparte – a minha universidade fica a 5 minutos do Parque das Nações e não tenho nenhuma fotografia na zona sem pessoas a posar para as fotografias. As coisas que se aprende como se vivia antigamente – sem um telemóvel sempre na mão a apontar a câmara em todas as direções como se estivéssemos num carrossel descontrolado.

Palacete Chafariz D’El Rei, Lisboa

E assim acabo o terceiro post sobre Lisboa, começámos em Belém, atravessámos o centro de Lisboa até ao Parque das Nações. Foram 3 dias cheios de cultura, com muita comida à mistura e a acabar os dias com pôr de sol numa cidade inundada pela luz dourada de ternura.


Discloser: Em seguida vou dar uma crítica negativa a um dos locais que experimentei em Lisboa. Se quiserem deixar esta parte de fora, eu compreendo.

No último outubro eu quis passar algum tempo em família e por isso decidi tirar uns dias para passear com os meus pais em Lisboa. Neste dia também a minha sogra e cunhada vieram de Abrantes, o que foi algo muito importante para mim. Para almoçar eu fiz a infeliz decisão de introduzir o brunch na nossa viagem. Escolhi o Seventh Lisboa Chiado pela boa pontuação e maravilhosas reviews. Quando chegámos havia fila, mas já tinha passado pelo mesmo no Canadá, no Jam Cafe, e em Gante no Luv l’Oeuf. Nestes locais também havia uma grande fila, o que era esperado, mas a organização dos locais não tem comparação. No Canadá esperámos cerca de meia hora e em Gante diria de 30 a 45 minutos. E nestes dois locais tinha valido a pena à espera, a comida era simplesmente divinal. Neste restaurante em Lisboa não se passou o mesmo. Primeiro tivemos à espera cerca de 2 horas para nos sentarmos, e quando chegámos à porta para entrar foi quando nos disseram que não aceitavam grupos de 5. Sem nenhum aviso à porta e depois de esperar tanto tempo é claro que ia haver mesa para o nosso grupo. No entanto, se eles preferem grupos de pessoas mais novas, deixam lá que o deram a entender com os vários olhares de julgamento que as empregadas nos lançaram. E pior de tudo – a comida não era nada de especial. Por isso a minha review é NÃO percam o vosso tempo aqui. Há escolhas bem melhores, com melhor comida, menos tempo de espera e a preço e empregados bem mais simpáticos.

Lá vai Lisboa

Lisboa é uma cidade muito especial, não só foi onde morei durante 26 anos mas também pela sua cor, luz e arquitectura. Demorei muito tempo a decidir que estava na altura de escrever sobre Lisboa, porque tenho a sensação que por muito que diga sobre a cidade, nunca ficará à altura da sua potencialidade.

Vista sobre Lisboa com a Sé do lado esquerdo e o castelo de São Jorge do lado direito (fotografia tirada do topo do arco da Rua Augusta)

No entanto vou começar com um aviso para aqueles que nunca estiveram em Lisboa – tenham pernas. Lisboa é conhecida pela cidade das 7 colinas e por alguma razão o é. Já tive colegas e amigos que vieram visitar Lisboa e que pediram ajuda e ideias de onde visitar e o que fazer, mas regressam sempre com a mesma frase – porque não nos avisaste que em Lisboa é tudo a subir?! É que para ir a qualquer lado é preciso escalar uma ruazinha inclinada com a famosa calçada portuguesa que aumentar o risco de partir uma pena em 100%. Ou de dar de caras no chão. Por isso talvez fazer umas caminhadas antes de visitar Lisboa não será uma ideia completamente absurda.


Começar o dia

Para não assustar já com subidas pela cidade fora vou começar por um local que eu gosto muito, o Terreiro do Paço, uma larga praça junto ao rio. Mesmo em frente encontra-se o Cais das Colunas com uma parede perfeita para nos sentarmos a olhar para o rio com a ponte 25 de Abril e a estátua do Cristo Rei no horizonte. No centro do Terreiro do Paço podem encontrar a estátua do rei D. José I. D. José I também conhecido como o Reformador teve um papel importante na reestruturação das leis, da economia e da sociedade transformando Portugal num país moderno para a época. Esta reorganização do país não poderia ter sido realizada sem o apoio do seu secretário de estado, o Marquês de Pombal. Ambos reconstruíram Lisboa depois do terrível terramoto e tsunami de 1755 que destrui grande parte da cidade.

Terramotos têm sido atualmente um tema bastante falado depois do terramoto na Turquia e Síria. Isto porque se eles têm um terramoto a comunicação social foi logo buscar que nós em Portugal também temos e um pode estar prestes a acontecer, como se fosse uma espécie de competição onde apenas o medo da população sai como resultado. E virem ainda políticos dizerem que Lisboa está muito, mas muito preparada para um terramoto é a mesma coisa que dizer que um barco furado está muito mas muito preparado para uma viagem transatlântica. Enfim.

Há entrada da cidade de Lisboa percorrendo o Terreiro do Paço encontra-se o Arco da Rua Augusta. Pode-se subir até ao topo do arco o que recomendo porque a vista sobre Lisboa é completamente fantástica. Atravessando o arco encontram-se na famosa Rua Augusta que é uma das mais conhecidas da baixa de Lisboa. Há várias lojinhas e restaurantes, mas aconselho a escolherem restaurantes mais escondidos entre várias ruazinhas estreitas, uma vez que estes para além de serem mais caros são também menos autênticos.

Pequeno-almoço

Para pequeno-almoço aconselho a Sacolinha. Apesar de nunca ter estado nesta pastelaria em Lisboa existe uma a 5 minutos da casa dos meus pais e é sempre uma delícia tanto os bolos como as miniaturas como os pães de leite, entre muitas mais tentações. Sempre que vou a Portugal há sempre uma paragem na Sacolinha.

E assim se encontram na zona do Chiado onde se encontram os famosos armazéns do Chiado agora transformados num centro comercial, o elevador de Santa Justa e também na zona do Delirium Cafe. Delirium cafe não é marca portuguesa, mas sim holandesa, no entanto é onde vão encontrar as mais diferentes cervejas e se forem gulosos como a minha mãe também vão encontrar doces. Ou se quiserem antes um gelado aconselho Amorino, uma gelataria italiana, sempre cheia, mas onde a espera vale a pena. Nos dias de 40ºC um gelado é sempre uma boa desculpa para fugir ao calor.


O que visitar durante o dia

Com energias renovadas sejam pelos doces da Sacolinha ou pela cerveja do Delirium começa-se então a subir até ao Museu Arqueológico do Carmo que fica no largo do Carmo.

Centro do largo do Carmo

O Museu Arqueológico do Carmo encontra-se junto às ruínas do Convento do Carmo, um antigo convento da Ordem dos Carmelitas da Antiga Observância, fundado em 1389 pelo D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável de Portugal. Infelizmente, parte da igreja e convento foram destruídos durante o terramoto de 1755. Ainda se deu início à reconstrução do edifício que não foi concluída de forma a que hoje se vê as grandes colunas a céu aberto como era o gosto romântico pelas ruínas e por antigos monumentos medievais do século XIX, altura em que se decidiu não completar as obras, formando este cenário idílico. No museu propriamente dito existem em exposição várias peças de valor histórico, arqueológico e artístico acompanhando uma viagem pelo tempo, desde a Pré-história à época contemporânea.

Metendo-nos mais pelas ruas estreitas de Lisboa avançamos até à Sé de Lisboa. A primeira vez que visitei a Sé foi em 2022 e é completamente magnífica. 1147 foi o ano em que a Sé de Lisboa começou a ser construída sendo hoje considerada a igreja mais antiga de Lisboa. Também parte deste edifício foi destruído no terramoto de 1755 (como podem-se aperceber foi uma grande catástrofe em Lisboa, que ainda hoje é recordada) e desde 1761 até 1940 houve várias obras de reconstrução e de renovação de várias partes da Sé como a Capela do Santíssimo, a torre sul, a cobertura da nave, abóboda da nave central e a rosácea central. Desde 1910 que a Sé de Lisboa é classificada como Monumento Nacional.

Para continuar o dia há duas boas escolhas: voltarem-se para as várias ruazinhas de Lisboa ou visitar o Castelo de São Jorge. Eu confesso que nunca o visitei, apesar de muitas vezes ter estado nos meus planos. O Castelo no cimo da colina de Lisboa é impossível de não chamar a atenção. No final do dia nada como ver o pôr do sol ou no Terreiro do Paço, junto ao Tejo, ou num dos muitos miradouros que se espalham pela cidade como o Miradouro de Santa Catarina ou o Miradouro de Santa Luzia.


Jantar e noite

Quando o sol se esconder e o próximo passo for comer nada como jantar num ambiente descontraído como o Time Out Market também ele conhecido como Mercado da Ribeira. O que há mais são escolhas para comer e beber. Claro que talvez vos agrade mais um rooftop bar, principalmente em dias quentes de Verão. Eu tive oportunidade de visitar o Le Chat que de momento se encontra encerrado mas abre brevemente. E quando reabrir é certamente um dos meus sítios recomendados para beber, comer e descontrair com uma vista espetacular sobre Lisboa. Entretanto existem outros rooftop bars na cidade talvez possam ver as recomendações do website TimeOut do qual deixo aqui o link: https://www.timeout.com/lisbon/bars-and-pubs/best-rooftop-bars-in-lisbon

E quem conhece os portugueses sabem bem que são pessoal sempre virado para a festa e por isso deixamos duas recomendações para passar a noite. A primeira está disponível todo o ano e é ele o Bairro Alto. Não há nada mais icónico do que passar a noite nas várias ruelas deste bairro a experimentar vários bares e bebidas. Aqui há uma atmosfera especial. E sim, como morada da zona grande de Lisboa, vim ao Bairro Alto muitas vezes – não perguntem a quais os bares fui mas também quem se lembra desses pormenores depois de uns quantos shots em cima. Bairro Alto é sem dúvida o local a não perder. Ah e já agora não se admirem se vos quiserem vender erva, várias vezes durante a noite, não é estranho por aqui, na verdade já faz parte da experiência.

Mais icónico do que o Bairro Alto talvez seja visitar Lisboa durante os festejo do santo padroeiro da cidade – Santo António. Festeja-se um pouco por toda a cidade durante o fim-de-semana de 13 de junho, dia que é feriado em Lisboa, mas onde se querem perder é em Alfama. Nas ruas estreitas onde o manjerico, a sardinha assada e a música são os reis. Não há nada como Lisboa na altura dos santos, onde há um mar de gente, alegria e comida.

E assim vos deixo neste segundo post sobre Lisboa. E talvez como cantava Amália Rodrigues:

Lá vai Lisboa com a saia cor de mar
Cada bairro é um noivo que com ela vai casar
Lá vai Lisboa com seu arquinho e balão
Com cantiguinhas na boca e amor no coração

Vamos até Lisboa – Belém

Eu vivi os primeiros 26 anos da minha vida nos arredores de Lisboa e por isso esta cidade tem um especial valor pessoal. Sempre que penso em Lisboa lembro-me de Belém, provavelmente por ser a parte da cidade que mais visitei. E é exactamente por Belém que vou começar na nossa viagem por Lisboa. Quando penso em Belém penso na torre de Belém, nos passeios lânguidos junto ao rio e claro os famosos Pastéis de Nata.

Claro que existe várias opiniões sobre este pastel. Afinal é ou nao é em Belém onde se come os melhores pastéis de nata no país? Como qualquer um de vós tenho a minha opinião pessoal sobre esse assunto, mas não quero levantar desacatos. Por isso ficamos-nos por: vale a pena comer um pastel de Belém na zona de Lisboa que lhe deu o nome.


Onde comer?

E falando já de comida começo por aqui. Eu e o meu marido adoramos um restaurante que por acaso fica mesmo ao lado da casa dos Pastéis de Nata chamado de Pão Pão Queijo Queijo. É um restaurante pequenino e por vezes é difícil encontrar mesa principalmente naqueles dias em que há uma fila enorme. Mas é um sítio com piada, acho muita graça aos vários azulejos com provérbios tradicionais portugueses. O tipo de comida pode-se dizer mediterrânea mas talvez seja mais focada no meio Oriente. As baguetes shawarma são as nossas preferidas sem qualquer dúvida e depois vêm acompanhadas com um molho de alho delicioso. Também podem escolher saladas e pitas com diferentes tipos de recheios mas para nós são mesmo aquelas baguetes a nossa escolha. Ali na zona também existe um Macdonald’s para quem estiver mais interessado em comida fast-food.

Para uma refeição mais completa tenho duas recomendações. Para um ambiente mais descontraído tem-se o mercado de Algés, onde há várias escolhas e o ambiente é sempre animado. Fica apenas a cerca de meia hora a pé mas se mesmo assim acharem longe, basta apanhar um Uber. Por outro lado, se forem como eu e adorarem sushi existe um restaurante muito bom, com vista para o mar em Paço de Arcos. O restaurante chama-se Mokuzai. Podem escolher ou não sushi “a la carte”.

Para docinhos e café, claro que quando se está em Belém, a recomendação são os Pastéis de Belém. A casquinha estaladiça com o molho cremoso não deixa ninguém sem água na boca.

Imagem retirada do website oficial https://pasteisdebelem.pt/

Se quiserem uma refeição junto ao rio Tejo, com uma vista espectacular entre monumentos a escolha é o Nosolo Italia. Mesmo que não queiram fazer uma grande refeição ou mesmo refeição nenhuma podem sempre escolher entre um gelado ou um cocktail. A vista compensa. Se quiserem umas tostas e uma bebida quente numa esplanada ao sol há tambem este café muito apreciado, o cafe À Margem. Outra boa opção para se sentarem com vista para o Tejo.


O que visitar?

Viremos-nos agora para o que visitar em Belém. E preparem-se porque há muita coisa.

Primeiro temos claro a Torre de Belém. Esta torre de estilo manuelino foi construída no século XVI e impõe-se como um marco da época dos Descobrimentos. Por dentro é muito simples mas o valor histórico é sem dúvida irrefutável.

Se continuarmos junto ao rio avistamos rapidamente o Padrão dos Descobrimentos, a sua forma que lembra a proa de uma caravela e o Infante D. Henrique à frente acompanhado de muitos nomes importantes da época dos Descobrimentos como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Bartolomeu Dias. No interior do Padrão dos Descobrimentos existem vários andares com diferentes exposições, mas o ponto alto é sem dúvida a vista do terraço. O rio, a outra margem com o Cristo Rei e a cidade de Lisboa mesmo ali ao lado, o que é preciso mais?

Passando a estrada existe outro monumento que todos de alguma forma já ouviram falar, o Mosteiro dos Jerónimos. Este mosteiro é um dos marcos mais importantes da arquitectura manuelina e não é preciso entrar para reconhecer a sua majestosidade. No entanto, ao entrar o detalhe dos claustros e a beleza dos jardins definitivamente requerem uma atenção extra. Dentro do Mosteiros dos Jerónimos existe o Museu Nacional de Arqueologia, onde se podem visitar várias exposições interessantes.

Mesmo ao lado existe outro museu que também vale imenso visitar e que mencionei ao de leve no post anterior. Este é o museu da Marinha que faz parte da Comissão Cultural da Marinha. A incrível colecção de caravelas, elementos náuticos e história portuguesa ligada à marinha fazem desta visita não só interessante mas também bastante agradável. Se quiserem entrada grátis venham visitá-lo de manhã nos primeiros domingos de cada mês e já agora aproveitem para visitar o Mosteiro dos Jerónimos com entrada grátis todos os domingos de manhã até às 2 da tarde.

Ao lado do Museu da Marinha temos o Planetário, também ele pertencente à Comissão Cultural da Marinha. Durante o dia há várias sessões diferentes, umas mais direccionadas para a pequenada e outras mais para adultos como por exemplo “O Fantasma do Universo – à procura da matéria escura”. Mas há várias sessões e também elas vão sendo que digamos “renovadas”. Eu já visitei o Planetário 3 vezes, uma vez em criança e duas já em idade adulta e a experiência é sempre fascinante. Na verdade, para quem tem algum interesse ou curiosidade sobre o cosmos acho que a informação apresentada e a explicação nas sessões consegue captar um grande interesse.

Mas um bocadinho acima temos o jardim Botânico Tropical. A entrada fica assim um bocadinho escondida e talvez por isso passe facilmente despercebido. No entanto, aqui encontram-se mais de 600 espécies de plantas, a maioria de zonas tropicais ou sub-tropicais. É um sítio que nos tira durante algumas horas da confusão da cidade e permite relaxar-nos em harmonia com a natureza.

Cruzeiro pelo Rio Tejo é a última experiência a fazer em Belém. E porquê eu digo a última? Porque nada como passear pelo rio Tejo e ver a luz dourada do pôr do sol a descer sobre a cidade de Lisboa. Eu comprei o bilhetes no site Viator para cruzeiro no rio Tejo ao pôr-do-sol com bebida e petiscos a sair de Belém (ao lado do Padrão dos Descobrimentos). Este cruzeiro é operado pela empresa Lisboa by boat. Não há nada melhor do que ver a cidade de outros prisma de copo na mão a ouvir as histórias dos pontos mais importantes na cidade das sete colinas – a famosa Lisboa.