Inverness, Loch Ness & Cairngorm National Park

Tenho a certeza de que qualquer pessoa que goste de viajar (faça-o frequentemente ou não) já ouviu falar e falar bem das terras altas da Escócia – as chamadas Highlands. Eu da Escócia só conhecia até à data a cidade de Edimburgo, e para mim era e ainda é a cidade mais bonita que já visitei.

É aquela cidade que está escondida na memória como cidade onde gostaria de viver um dia. Por isso a expectativa para esta viagem era grande. Queríamos ver aquelas paisagens lindas das montanhas, dos lagos e ruínas de castelos antigos que as muitas horas de pesquisa nos espicaçava a vontade de ir. Mas…esta era a nossa primeira viagem de 2022 e janeiro no Reino Unido muito raramente significa bom tempo. Mesmo assim planeámos a viagem e como queremos conhecer bem as Highlands dividimo-las em 3 partes e desta vez íamo-nos focar na parte Este – Inverness e Cairngorm National Park.

As reviews que tínhamos de Dundee era que não valia lá ir e Aberdeen também não nos puxou. Tendo Inverness um aeroporto e voos que partem de Londres, a solução de onde centrar a nossa viagem ficou escolhida. Dividindo as Highlands em três partes dar-nos-á a oportunidade de ver a Escócia em diferentes estações do ano – Inverno, Primavera e Outono.

Preparações para a viagem – alugar um carro. Para visitar apenas a cidade de Inverness não é preciso carro, mas para visitarem o parque nacional e o lago Ness aconselho vivamente a alugarem um carro. Nós reservamos o “nosso” SUV na Budget Car Hire através do site do Booking.com. Como esperávamos mal tempo, lama, neve e muita chuva escolhemos um carro que aguentasse todo o tipo de temporais. O aluguer do carro por 4 dias ficou-nos a 110 libras. Para dormidas, escolhemos passar uma noite em Inverness, duas noites em Cairngorm National Park (Aviemore) e uma noite ao pé do aeroporto pois no Domingo de manhã tínhamos que entregar o carro. Fizemos todas as nossas marcações também no site Booking.com. Num voo de uma hora e 15 que partiu de Heathrow (Londres) chegámos a Inverness. O aeroporto de Inverness é pequenino e se viajarem de Inglaterra ou da Irlanda nem sequer os passaportes vos pedem porque é considerado um voo doméstico.

Fomos pela British Airways, eu pela primeira vez nesta companhia aérea, e gostei do toque de oferecerem uma garrafa de água e um snack. Quem voa sempre pelas companhias low cost não está habituado a estes gestos. Aterrando no aeroporto e tendo a chave do nosso carro na mão, fomos para a nossa primeira paragem do dia – Cairn Clava. Cairn Clava é um cemitério construído na idade do Bronze. Existem aqui 4 tumbas em forma de círculo feito de pedras e três círculos de pedras singulares. Estas tumbas foram construídas pelos fazendeiros do vale de Nairn para sepultar os membros mais importante da sua comunidade há cerca de 4000 anos. Não existe registo do porquê o cemitério ter esta forma. No entanto, arqueólogos têm encontrado pistas e vestígios que permitem perceber o nível de complexidade intelectual desta comunidade.

Entrada para uma das tumbas

Vou confessar que não passámos muito tempo por aqui, mas é um sítio bonito de passagem associado a um grande simbolismo. Não fosse por isso um local que tem sido preservado ao longo dos tempos. O nosso próximo local não precisa de grandes introduções. Acredito que muitos de vós já tenham ouvido falar do grande e mítico monstro do loch Ness. Loch em escocês significa lago, e sim era à volta dele que iríamos passar grande parte do nosso dia. Não vimos monstro, mas vimos muita comércio à volta deste mítico ser. Fomos visitar o castelo de Urquhart que fica na margem oeste do lago Ness. O bilhete de entrada foi £9.60 por pessoa. Comprámos os nossos bilhetes à entrada do castelo sem problemas e sem multidões, mas acredito que seja relacionado com a pandemia e pela altura do ano em que aqui viemos. Em alturas mais movimentadas talvez seja melhor comprar o bilhete no website oficial – https://www.historicenvironment.scot/visit-a-place/places/urquhart-castle/.

As ruínas do castelo com o lago à volta formam uma paisagem muito bonita. Existem várias placas espalhadas pelas várias ruínas que vão explicando os locais onde estávamos e a história relacionada com o próprio castelo. Este castelo foi construído por volta de 1200. Em 1400s muitos dos edifícios dentro das muralhas do castelo foram destruídos durante a luta entre os Senhores das Ilhas (Lord of the Isles) e a Coroa que durou 150 anos. Apesar de algumas tentativas de reconstrução o castelo entrou em decadência e em 1715 uma violenta tempestade destrui a Torre principal do castelo. As ruínas do castelo passaram a ser parte do Estado em 1913 e são hoje consideradas um importante marco histórico sendo um dos castelos mais visitados na Escócia.

Descendo mais um pouco pelo lago fomos até à cascata de Invermoriston (Falls). Deixámos o carro no parque de estacionamento gratuito Invermoriston Falls. Para chegar até à cascata ou melhor até ao ponto panorâmico para a cascata embrenhámo-nos na floresta, e numa caminhada rápida de 5 minutos chegámos a uma casinha de pedra chamada “Summer House”. Daqui o panorama é muito pitoresco – a cascata, a ponte e a montanha ao fundo.

Mais um bocadinho de carro e fomos até à cascata Allt na Criche. Como já começava a escurecer só parámos o carro para tirarmos a imprescindível foto. Mas enquanto o meu marido montava o tripé e toda o conjunto de instrumentos que precisa para tirar fotografias eu andei por ali e descobri que neste local começa um trilho de 2.9Km. Apesar de ser menos que 3Km de distância avisam que o trilho é difícil com subidas a pique. O trilho em média leva 1 hora a completar. Nós quando chegámos a Allt na Criche já passava das 2 e meia e por isso nem sequer considerámos seriamente a opção de completar esta caminhada. Não, não foi só por ia ser uma subida díficil, o tempo limitado de horas de luz solar também contaram.

Até porque tínhamos mais duas paragens na nossa agenda e uma era destinada especificamente para ver o pôr do sol. Seguimos pela estrada até às próximas cascatas, Falls of Foyers. Eu nesta altura estava a conduzir e por isso não vi, mas há um ponto panorâmico – “Suidhe Viewpoint” – que o meu marido disse várias vezes que deveríamos lá ter parado. E a verdade é que este local está avaliado na Google em 4.8. Fica aqui a dica. Para chegarmos até às Falls of Foyers deixámos o carro no parque de estacionamento gratuito com o mesmo nome e fomos descendo. Penso que no total o caminho de ida e volta foi cerca de 20 minutos. Descemos e descemos até às duas varandinhas com vista para a cascata.

E chegava a altura de irmos para Dores, uma vila a 10 Km de Inverness. Das reviews que lemos este local é muito bem avaliado como ponto panorâmico para ver o pôr do sol. Isto porque da praia de Dores têm-se uma vista fantástica do lago Ness e das montanhas. E o mais incrível é que mesmo indo em janeiro tivemos direito a um lindíssimo pôr do sol na praia. E se parecia um conto de fadas, mais especial se tornou quando um pato pousou na água mesmo a nossa frente e balançava ao sabor das ondas. Se há certos momentos que nos trazem boas memórias, este é decididamente um deles.

E nesta nota alta a noite chegou. Como disse acima, nesta altura do ano, anoitece bastante cedo, às 4 e meia já é completamente de noite. Fomos então em direção a Inverness, para o nosso alojamento – Dunhallin Guest House. Batemos à porta e os donos ao nos verem ficaram muito espantados. Então não é que se esqueceram que iam ter hóspedes naquela noite? Mas foram super prestáveis e simpáticos e numa rápida espera de 5 minutos estava o nosso quarto pronto. E um belo quarto, com espaço de estar com sofá e televisão. Achei bastante querida a decoração da casa-de-banho.

Perguntámos onde havia por ali perto um bom local para jantar e foi-nos recomendado o restaurante no Fairways Golf Club. Com mesa marcada aproveitámos a caminhada de 10 minutos para esticar as pernas. O restaurante afirma oferecer um ambiente familiar. Gostaria imenso de dizer que a comida era espetacular, mas não. O hambúrguer do meu marido veio esturricado e o meu frango muito mas muito seco.

Como a comida foi uma desilusão decidimos ir explorar Inverness. Fomos a um bar The Piano and Whisky Bar Inverness. O ambiente também aqui estava um bocado morto, mas mesmo assim melhor de onde tínhamos vindo. Ainda deu para nos aquecermos com um French Martini e um whisky.

O primeiro dia em Inverness tínhamos aberto o apetite para nos atirar para os próximos dias. Só faltava era estar bom tempo e fazer-nos à estrada.


O segundo dia nas terras altas da Escócia.

Primeiro passo – o pequeno-almoço. A maior parte das guesthouses têm agora o mesmo sistema – entregam um papel com as opções de pequeno-almoço no dia anterior para escolhermos incluindo a hora que queremos comer. Há que ter em conta que mesmo reduzidas ainda existem várias restrições devido ao COVID que precisam de ser respeitadas. Como estávamos na Escócia queríamos provar os produtos e pratos tradicionais.

Escolhemos para entrada: salada de fruta e papas de aveia com banana, mel e canela. Para pratos principais escolhemos croissant com bacon e cogumelos e ovos mexidos com salmão fumado. Deste 4 pratos os pratos tradicionais da Escócia foram as papas de aveia e o salmão. Efectivamente, um dos produtos muito aclamados pela sua qualidade neste país é o salmão. Posso afirmar com toda a certeza que as papas de aveia que comi no Dunhallin Guest House foram as melhores com comi na vida. Muito cremosas com um sabor fantástico, o prato certo para uma manhã fria de Inverno. E apesar de frio estava um céu azul lindíssimo. Depois do pequeno-almoço pusemos as nossas malas no carro, despedimo-nos dos donos da casa e fizemo-nos à estrada em direçcão ao parque nacional de Cairngorm, onde mesmo ainda não sabendo, era onde nos íamos apaixonar pela paisagem. A viagem de Inverness até aos limites exteriores do parque nacional durou cerca de meia hora.

A nossa primeira paragem foi em Carrbridge, uma pequena vila com a ponte de pedra mais antiga das terras altas das Escócia. A ponte foi construída em 1717 e é certamente um dos pontos mais famosos de turismo nesta área. Cuidado com o GPS, nós pusemos “Carrbridge” no Google maps e acabámos por andar em terras privadas. Mesmo se procurarem agora no Google maps o ponto que indica é no meio de um descampado. A ponte que procuram (e que nós procurávamos) chama-se “Old Pack Horse Bridge“. Coloquem antes o nome da ponte e assim chegarão ao sítio correcto. A nossa sorte foi que a dona dos campos por onde passeávamos descontraidamente foi super simpática enquanto nos informava que aquele local não era público e a dar-nos as direcções correctas. No entanto, em outras circumstâncias não sei se haveria perigo de levarmos um tiro por trespasse.

Depois das muitas fotografias tiradas à ponte fomos para o lago Garten. Na verdade nesta zona são dois lagos um ao lado do outro – o lago Garten e o lago Mallachie. Aproveitámos o bom tempo para fazermos o trilho que liga os dois lagos. Como podem ver a paisagem é lindíssima. Este lugar é um bom local para quem é ornitófilo já que existem várias espécies especiais de pássaros que habitam nesta zona. O percurso à volta dos dois lagos e pelo bosque levou-nos cerca de uma hora. O percurso é fácil e nós fizemo-lo em uma hora em passo lento e parando aqui e ali para ir tirando fotografias.

Próxima paragem: Lago Morlich. Aqui foi uma das mais bonitas paisagens da viagem – o lago, as montanhas, as pedras e…os muitos patos. Simplesmente de cortar a respiração. Acho que ninguém fica indiferente com a beleza deste país, eu certamente não consigo. Há um trilho de 6 Km à volta do lago de dificuldade fácil. Podem ver mais sobre o trilho em: https://www.alltrails.com/trail/scotland/highland/loch-morlich

Nós, no entanto, quisemos ir até às montanhas. Parámos na estação de esqui “Cairngorm Mountain”. Aqui existem várias opções em que duas são óbvias – fazer esqui – o que não escolhemos porque parece que 2022 não é o ano para esqui. A única zona que está aberta em Janeiro e de momento é a zona de aprendizagem – e subir a montanha. Agora, a grande montanha – Ben Macdui – com 1309 metros de altura e certamente com uma vista magnífica, não é associada a uma escalada de nível fácil. Na verdade, quando investiguei um bocadinho sobre subir Ben Macdui as palavras que li foram: extremamente difícil, requer experiência em escalada, e isto se estiver bom tempo. E acreditem que não foi preciso investigar muito para descobrir este bonito resumo de uma subida ao Ben Macdui. Este trilho em particular é constituído por uns simples 17,5 Km e dura “só” cerca de 8 horas a completar. Podem ver mais neste site: https://www.walkhighlands.co.uk/cairngorms/macdui-cairngorm.shtml. Tenho a certeza que alguém que ler isto ficará muito entusiasmo em embarcar nesta aventura. Nós não somos essas pessoas.

Vá, nós até que começámos a subir e tal, mas também passado meia hora já estávamos a ver que nao íamos chegar nem a meio da subida. De maneira nenhuma! Ainda tirámos umas fotografias para relembrar e porque a paisagem assim o merecia, mas agora subir aquela montanha é que não.

Vista para o lago Morlich da montanha Cairngorm

Antes de anoitecer fomos ao “Loch an Eilein“, um dos lagos da Escócia com uma determinada particularidade – no meio do lago encontram-se as ruínas de um pequeno castelo. Da história do castelo não se conhece muitos detalhes, mas pensa-se pelos documentos descobertos que o castelo foi construído no final do século XIV para protecção. Isto porque nas margens do lado oriente do lago havia uma estrada chamada de “Estrada dos Ladrões” onde os saqueadores pilhavam os locais por onde iam passando. O nível da água do lago subiu em 1700 para formar esta represa e actualmente, as ruínas dos castelo encontram-se rodeados pelo lago. Passeámos um bocadinho pelas margens e fomos até à última paragem do dia, antes de irmos para Aviemore, onde íamos passar a noite e provavelmente jantar.

Uath Lochans

Em Uath Lochans seguimos pelo trail que liga os três lagos, mas não fizemos o percurso completo porque estava a escurecer e tudo o que não queríamos era ficar presos no meio do bosque sem luz e sem saber onde estávamos. Até porque pelos vários lagos por onde passámos muitas vezes não se apanhava recepção de telemóvel ou internet por serem zonas bastante escondidas e isoladas. Talvez isso levou-nos a não nos embrenharmos muito pelos trilhos, especialmente aqueles que não tinham indicações muito claras. Havia também o factor de anoitecer bastante cedo, às 4 e meia era praticamente de noite e não queríamos estragar a viagem devido a uma incorrecta organização de tempo. Por isso chegando as 4 e meia estavámos na direcção de Aviemore, a vila onde íamos pernoitar por duas noites. Ficámos nas duas noites em Carn Mhor Lodge. O nosso quarto tinha 3 camas, mas não era muito grande, mas comfortável e bastante sossegado. O dono da casa recebeu-nos muito bem e já avaçando para o pequeno-almoço, ficámos bastante surpreendidos com a qualidade dos ingredientes que sabemos serem locais. O black pudding na Escócia é mil vezes melhor que em Inglaterra. Nós já experimentámos várias vezes o full breakfast e o black pudding nunca é algo que nos entusiasme, mas na Escócia posso dizer que se não é o melhor é definitivamente um dos melhores elementos do pequeno-almoço.No primeiro dia escolhi as panquecas com frutos vermelhos. Fofas, quentes e deliciosas. No dia seguinte pedi o pequeno-almoço inglês vegetariano. A única coisa que fiquei com pena foi de não ter incluído o black pudding (claro que não, visto que era vegetartiano!!) mas muito saboroso. E já viram o casaquinho amoroso que o pote de café trazia? Não pude deixar de tirar a fotografia.


Segundo dia no parque nacional de Cairngorm e o terceiro nas terras altas da Escócia. E amanhecia mais um dia de céu limpo azul-claro. Todos os dias nos espantávamos por não termos dias de chuva, nevoeiro e neve. E cada dia sentíamo-nos sortudos por termos a possibilidade de visitar a Escócia cuja beleza natural parecia se realçar ainda mais com a luz do sol. Depois do pequeno-almoço de que já vos falei no dia anterior (o casaquinho amoroso completamente escocês à volta da cafeteira do café – ainda quero ver se compro um, mas primeiro também preciso da cafeteira – e panquecas saborosíssimas) saímos para um dia longo. Hoje tínhamos muitos quilómetros pela frente e deixo-vos já o conselho de se fizerem o mesmo percurso ou um percurso semelhante para passarem uma das noites do lado este do parque nacional.


Falls of Bruar

Falls of Bruar – uma cascata na zona sul do parque nacional. Deixámos o carro no parque de estacionamento que pertence à House of Bruar (casa do Bruar), um pequeno ajuntamento de restaurantes e lojinhas. Para chegar á cascata seguimos a placa, passámos pelas lojas e embrenhámo-nos na floresta. Demorámos cerca de 10-15 minutos a chegar à cascata que passava debaixo da ponte de pedra.

E assim outra magnífica paisagem ficava gravada nas nossas memórias. Para além das fotografias ainda andámos por ali a explorar um bocado – há uma pequena passagem feita de pedra que dá para outra cascata e a ponte de pedra que dá continuação ao caminho para dentro da floresta.


Muir of Dinnet

Em seguida fomos até à reserva natural Muir de Dinnet. Fomos parando pelo caminho onde achávamos que a paisagem merecia uma paragem para tirar fotografias e obviamente olhá-la com olhos de ver e não apenas de raspão. No entanto, demorámos quase cerca de duas horas das Falls of Bruir até à reserva natural Muir de Dinnet. Também aqui o GPS não foi grande ajuda, uma vez que no site oficial diz que os trilhos começam em “Burn o’Vat visitor center” mas quando se coloca este nome no GPS leva-nos a um local 8 milhas afastado do ponto onde se quer ir. Nós quando chegámos ao lugar onde o GPS indicava vimos logo que aquilo estava mal, visto que estávamos numa rua de casas residenciais e não havia quaisquer placas a indicar que fosse naquela zona o visitor center. Coloquem antes “Muir of Dinnet National Nature Reserve” que vão ter ao tal centro de visitantes de Burn o’Vat. Quando chegámos o centro de visitantes encontrava-se fechado, mas as casas de banho ainda estavam abertas. Seguimos primeiro pelo trilho para Burn O’Vat em direção a uma cascata escondida por pedregulhos. Apesar do trilho ser fácil e bastante pequeno, para terem acesso à cascata é preciso escalar pelas pedras e passar por um pequeno arco também ele de pedras.

A cascata é o ponto principal desta reserva natural, mas existem outros 3 trilhos disponíveis: Parkin’s Moss Trail, Little Ord Trail e Loch Kinord Trail. Todos eles de acordo com o site que podem ver aqui: https://www.nature.scot/enjoying-outdoors/scotlands-national-nature-reserves/muir-dinnet-nnr/muir-dinnet-nnr-visiting-reserve são de alguma dificuldade. Também podem ver que as distâncias entre os vários trilhos variam desde 3.2Km até 6.4Km e consequentemente também assim varia o tempo que se demora a percorrer cada trilho. Posso-vos dizer que nós não tínhamos esta informação, então fomos mais pelo mapa do google maps e as placas de indicação dos vários trilhos. Como decidimos ir ver a cruz celta – Kinord Cross– que fica perto das margens fomos seguindo a Little Ord Trail. Com a ajuda do GPS encontrámos tanto a cruz como o lago e aproveitámos para saborear o bonito pôr do sol.

Voltámos para o carro e como já eram 4 e meia começámos a viagem de volta para Aviemore. Aqui é que vos aconselho a marcarem acomodação por esta zona até porque as estradas a noite não têm luz e são bastante estreitas e isoladas.


Jantar em Aviemore

The Old Bridge Inn

Quando chegámos a Aviemore estava já na hora de jantar. Ainda não vos falei do restaurante onde jantámos na primeira noite porque infelizmente as nossas reviews não são as melhores. Marcámos mesa no “The Old Bridge Inn” que se repararem é dos locais mais bem avaliados em Aviemore.

No entanto, primeiro o atendimento não foi o melhor, tivemos algum tempo à espera de sermos atendidos e o prato principal se veio rápido para pedir a sobremesa fomos completamente ignorados e demorámos mais de 45 minutos. Tudo seria águas passadas se a comida tivesse sido deliciosa, mas ficou bastante aquém do que esperávamos. Pedimos a entremeada (pork belly) para prato principal – eu queria os gnocchi de beterraba, mas já não havia) e infelizmente a carne se assim se pode chamar era uma grande camada de gordura o que deixava um sabor um bocado estranho na boca. O meu marido odiou o molho, mas eu até gostei, parecia o molho do pato à Pequim. Mesmo os vegetais, as couves-de-bruxelas e as batatas não faziam deste prato no mínimo saboroso.Porque queria dar mais uma tentativa ao restaurante pedi a sobremesa que me soava uma maravilha – cheesecake de cereja com gelado de chocolate. Mas infelizmente o sabor do gelado não combinava com o cheesecake. Foi uma pena que assim fosse já que este era o meu jantar de aniversário. E foi por isso que não quis acabar o último post com o jantar, pois foi uma desilusão.


The Wiking Owl

No entanto, para compensar na noite seguinte o meu marido marcou mesa no pub “The Wiking Owl“. O atendimento foi completamente diferente, atenciosos, divertidos e rápidos. Desta vez pedimos também entradas – calamares com molho tártaro – se houvesse mais, mais tínhamos comido. Para prato principal o meu marido pediu salsichas com puré de batata e eu pedi uma coisa mais simples – Mac and cheese – que é massa macarrão com molho de queijo. Eu posso dizer que apesar de simples, o meu prato era muito, mas muito melhor que o da noite anterior e o meu marido simplesmente adorou a comida que lhe foi servida.

Pedimos ainda sobremesa, já que a da noite anterior tinha sido horrível, o meu marido pediu um crumble de maçã e canela e eu um gateu de chocolate. Divinal!

Em termos de bebidas, porque quando vamos a qualquer cidade também gostamos de experimentar as cervejas locais, provámos a Cairngorm Pale Ale, Black Gold e Wildcat. Eu se fiquei completamente rendida à Black Gold ainda mais fiquei ao Espresso Martini que era soberbo. Esta noite compensou em todos os pontos a noite anterior e por isso recomendo este pub se estiverem a visitar esta zona.

Ainda fomos passear por Aviemore para nos apercebermos da vibe desta pequena vila. E é isso mesmo, uma pequena vila, o meu marido tinha visto que havia uma discoteca, mas parece que já não está aberta. No entanto, o Mambo’s cafe parece ser o local de eleição dos residentes de Aviemore – o café estava cheíssimo e até havia um pequeno ajuntamento de pessoas à porta a fumar, a beber e a conversar.


O último dia em Cairngorm

Acho que não é preciso dizer que ficámos com imensa pena de deixar Cairngorm. Tínhamos tido tantas boas experiências, algumas não tão boas, mas a paisagem, o tempo, as montanhas, os lagos, as cascatas, iam deixar muitas saudades. Depois de um bom pequeno-almoço dissemos adeus a Carn Mohr Lodge. Ainda antes de voltarmos para Inverness, afinal ainda não tínhamos explorado a cidade fomos até à estação de esqui de Lecth. Primeiro parámos em “The Watchers” onde esculturas de pedra se erguem em frente a um belíssimo panorama. E a mensagem numa das pedras “Take a moment to behold” – “Tira um momento para contemplar” é o melhor conselho que aqui se pode dar. Todos sabemos o significado da mensagem e eu acho sempre uma pena quando as pessoas vão a lugar só para tirar a tal fotografia para meter nas redes sociais e mostrarem que tiveram ali sem nunca pararem para apreciar, seja uma paisagem, uma obra de arte ou um monumento.

The Watchers

Mais um bocadinho acima ficava a estação de esqui. Ainda perguntámos se o teleférico estava em funcionamento, mas infelizmente com a pouca neve só tinham aberta a pista para iniciantes.

Estação de Esqui em Letch

Já a começar a ir em direção a Inverness parámos ao pé de Well of Letch onde se encontra uma mina abandonada. Em 1730 esta mina era explorada para extrair ferro. No entanto, esta mina apenas esteve em funcionamento durante 7 anos antes de entrar em colapso. Foi reaberta em 1841 para a exploração de manganês, sendo esta a maior mina de manganês ativa na Escócia. A mina fechou em 1846 quando o preço do manganés tornou o negócio financeiramente insustentável. Hoje em dia a mina esta ao abandono, mas ainda de pé como marco histórico.

Mina abandonada no meio do vale

Por último parámos numa outra escultura “Still”, também esta posicionada num miradouro com uma paisagem magnífica. A escultura toda em espelho reflete de todos os ângulos a paisagem criando assim um interessante conceito.

“Still”

As duas esculturas “Still” e “The Watchers” fazem parte de miradouros da chamada “Snow Roads Scenic Route” – Rota paisagística das estradas da neve – que percorre 90 milhas e passa entre vilas, montanhas e tal como o nome indica, maravilhosas paisagens.

Mas uma coisa é certa – qualquer seja o itinerário que escolham, a Escócia proporcionar-vos-á boas recordações. E assim deixávamos Cairngorm National Park para trás em direção a Inverness. Porque infelizmente a nossa viagem estava a acabar.

Paisagem a partir da escultura “Still”

Inverness é a maior cidade das terras altas da Escócia sendo considerada a capital cultural das Highlands. O que parece ser à primeira vista uma cidade de tamanho médio revelou ser muito mais que isso. Existem restaurantes, lojas e animação em cada canto da cidade, especialmente no centro.

Estacionámos no parque de estacionamento da catedral de St André (St Andrew). O parque de estacionamento é pago mesmo ao fim-de-semana, mas não quisemos procurar por um recanto que não fosse pago ou que não fosse apenas para residentes. Em vez de virarmos para o centro de Inverness fomos em direção às Ilhas Ness. Tinha lido em vários locais que este era um dos melhores sítios para visitar em Inverness.

As ilhas de Ness, assim chamadas devido ao rio Ness que atravessa a cidade, é um conjunto de pequenas ilhas ligadas por várias pontes. Passear por aqui deu-nos a impressão de entrar num pequeno bosque. Nós, como vínhamos com os olhos cheios de Cairngorm National Park, acabámos por não achar as ilhas Ness nada de especial, mas temos que ver que estamos a comparar um parque nacional com montanhas enormes e cascatas embrenhadas no meio do bosque e uma espécie de simulação de uma floresta mesmo ao lado de uma grande cidade. No entanto, a caminhada soube-nos bem. Voltando para trás, agora com intenção de ir comer qualquer coisa a Inverness, ainda parámos na catedral de St. Andrews, construída entre 1866-1869, com bonitos vitrais por todo a igreja.

Em Inverness fomos primeiro visitar o mercado de estilo Vitoriano que também é um dos pontos especiais de Inverness. Fomos depois ao Burguer King ao pé do centro comercial, já que queríamos algo rápido e barato. Apesar de tudo achei que podíamos ter arranjado um sítio melhor para comer, não é que não seja apreciadora desta linha de fast-food, mas há realmente muita escolha pela cidade e podíamos ter aproveitado a oportunidade para comer algo mais “local”. Ainda fui ao café Costa comprar um chai tea para combater o frio que se começava a fazer sentir.

Castelo de Inverness

O último ponto que quisemos visitar em Inverness foi o castelo. Atualmente o castelo não está aberto ao público mas o recinto à volta está, o que nos permitiu ter um vista abrangente da cidade de Inverness até ao mar.

Demos mais uma volta pelas ruas de Inverness que ainda tinham as decorações de Natal, iluminando as estradas, ruas e lojas.

Escolhemos para última noite um hotel perto do aeroporto de Inverness, uma vez que tínhamos que entregar o carro de manhã cedo, apesar de o nosso voo ser só ao final da tarde. Por isso ficamos no “The Star Inn”. Este local é um pub com um edifício adjacente com quartos.

O nosso quarto no The Star Inn

Na noite que aqui ficámos tínhamos o edifício todo para nós, porque para além de ser janeiro, os turistas preferem ficar no centro de Inverness. Também foi no “The Star Inn” que jantámos. Pedimos nachos para entradas e fish and chips (o tradicional prato inglês de peixe com batatas fritas). As porções que nos chegaram à mesa eram ENORMES, tanto que nós que não gostamos de deixar comida no prato e por isso comemos até não conseguirmos respirar, deixámos quase metade da comida.

A noite foi calma e no pequeno-almoço, servido no pub, também eramos os únicos clientes. A comida foi feita na hora, mas talvez não chegou ao padrão de que tínhamos sido acostumados nesta viagem.

Fomos entregar o carro ao aeroporto e tínhamos planeado ir visitar o forte George que ainda hoje está em funcionamento. Tenham atenção que em Inverness não existe Uber por isso se não tiverem carro e não tiverem escolha de transportes públicos terão que andar ou então apanhar um táxi.Nós decidimos ir até ao Fort George de táxi e depois vir a pé até ao “The Star Inn” para uma bebida ou duas e depois rumar em direção ao aeroporto, de novo de táxi.

O Fort George foi construído para proteger as terras altas da Escócia depois da revolta jacobita em 1745. A fortaleza nunca foi atacada, mas permaneceu em uso como guarnição. O quartel ainda está em uso nos dias de hoje como estabelecimento militar, mas muitos dos edifícios estão abertos ao público e pode ser visitado. No entanto, em novembro de 2016, o ministério da defesa anunciou que o fort seria fechado em 2032, uma vez que já não existem atualmente rebeliões nas Highlands da Escócia.

O bilhete de entrada foram 9 libras e com este teve-se acesso a todas as partes que estão abertas ao público no fort. Existem várias salas que vos dão fácil acesso à história da Escócia e efetivamente os “grandes feitos” militares e a sua participação nas várias guerras. Em pus de propósito grandes feitos entre aspas porque se para alguns parece ser uma exaltação ao poder e grandiosidade militar eu pessoalmente vejo perdas de vida desnecessárias.

Existe um ala que é focada na recuperação dos militares que perderam um membro ou cuja cara ficou desfeita – se é isso chamado um grande feito certamente não seguimos a mesma doutrina. Ou como este quadro com a seguinte descrição “Na noite de 8/9 de abril de 1917, após um forte nevão, o 1/4º Batalhão Seaforth Highlanders lançou um ataque durante a ofensiva em Arras. Quando o comandante, tenente-coronel J S Uthank, chegou às trincheiras da segunda linha alemã, ele encontrou dois Seaforth Highlanders que haviam sido mortos pela explosão de um projétil aéreo. Um permaneceu ajoelhado com seu Novo Testamento na mão, enquanto o outro ficou sentado com os braços estendidos.”

Guerra e religião, infelizmente duas coisas da sociedade atual que andam muitas vezes de mão dada, sem dar nada a ninguém.

Igreja no fort George

Mas pronto, apesar deste desabafo, o fort tem uma boa vista para o mar e para o outro lado da baía, para além que o passeio pela costa até Ardisier foi bastante agradável, apesar do vento forte. Havia vários sinais a indicar que naquele local se podia ver golfinhos, mas não tivemos essa sorte.

Quando chegámos a The Star Inn aproveitámos os grandes sofás para nos refasteláramos a beber e a aquecermos ao pé da lareira, que acesa dava um toque especial na atmosfera deste pub.

E acabava assim a nossa viagem a Inverness e a Cairngorm National Park, espicaçando ainda mais a nossa vontade de viajar, explorar o mundo e formar memórias.