Chiltern Hills

O que pode encontrar nesta página

A propriedade de Ashridge, Ashridge Estate em Inglês, foi fundada em 1283 juntamente com a casa Ashridge (Ashridge House). A casa começou como mosteiro envolvido por uma propriedade extensa habitada por veados. O mosteiro foi posteriormente dissolvido em 1539 tornando-se propriedade do rei Henry VIII. O seu papel como propriedade real acabou quando adquirida por Thomas Egerton no início do século XVII.

Quando em 1921 a família Bronlow, a actual proprietária, pôs Ashridge Estate à venda, os residentes iniciaram um movimento de angariação de fundos, ‘Pennies for Ashridge‘. Este movimento tinha o objectivo de ajudar a National Trust tornar-se dona da propriedade. E foi devido a ‘Pennies for Ashridge’ que em 1926 a propriedade de Ashridge no condado de Hertfordshire em Inglaterra tornou-se parte da National Trust. A National Trust para quem não sabe é a maior organização de conservação sem fins lucrativos na Europa sendo o seu foco principal conservar e preservar a beleza natural, locais históricos e habitat naturais.

Parte do trilho ‘Forests’ Walk’ com vista para Ashridge House

A propriedade de Ashridge cobre uma área de 2 mil hectares por onde existe uma enorme diversidade de paisagens destacando-se a floresta de faias e carvalhos antigos e as planícies extensas de calcário. O website oficial da National Trust com toda a informação útil sobre a propriedade de Ashridge pode ser acedido a partir do link: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/essex-bedfordshire-hertfordshire/ashridge-estate

Areas of Outstanding Natural Beauty

A propriedade de Ashridge faz parte geograficamente das Chiltern Hills que pertencem ao grupo das áreas categorizadas como ‘Areas of Outstanding Natural Beauty’ (AoBN). Estas áreas têm um inestimável valor tanto a nível paisagístico como cultural para o país e como tal é onde há um maior esforço de conservação e preservação. No Reino Unido existem 46 AoNB espalhadas pelos 4 países, Inglaterra, Irlanda do Norte, País de Gales e Escócia. Já visitámos outras AoNB como Durdle Door e as falésias Seven Sisters no sul de Inglaterra e a Calçada dos Gigantes na Irlanda do Norte.

Em Ashridge Estate é onde se pode visitar uma floresta de valor inestimável onde se podem encontrar árvores ancestrais como é o exemplo do carvalho da fotografia acima ao qual deram o nome de Bob’s Oak que tem pelo menos 400 anos. Na altura em que passámos por esta árvore estava em processo gradual de desbastamento para permitir a chegada de mais luz e ar ao solo, o que ajuda a prolongar a vida da árvore. O cascalho em volta da base do carvalho tinha dois objectivos, o de reter a humidade do subsolo e de prevenir que as raízes fossem pisadas por pedestres.

Bridgewater Monument

A forma mais fácil de aceder aos trilhos marcados disponíveis ao longo da propriedade de Ashridge é estacionar na estrada Monument Drive. O parque de estacionamento é extenso e o pagamento de 2 libras é voluntário. Ao fundo da Monument Drive encontra-se uma torre estreita alta.  

Monumento de Bridgewater

Esta torre, a Bridgewater Monument, foi construída em 1832 em homenagem ao 3º duque de Bridgewater, Francis Egerton, como reconhecimento do seu papel na construção da rede de canais durante a Revolução Industrial. Isto antes da propriedade passar para a família Bronlow já no século XIX. O monumento, uma coluna de granito com 172 degraus, pode ser visitada e do seu topo é-vos oferecida uma vista panorâmica sobre a propriedade. De momento, o monumento está encerrado para trabalhos de conservação e espera-se a sua reabertura na Primavera de 2025.

Visitor Centre e Monument Cafe

Mesmo ao lado do Bridgewater Monument e parte do National Trust encontra-se o Monument Cafe onde se vendem refeições ligeiras e bebidas quentes. No Visitor Centre pode-se encontrar não só informação sobre o local incluindo fauna, flora e história, mas também productos de produção regional. E porque isto também é importante saber é aqui que se encontram as casas de banho.

Trilhos de Monument Drive

A partir do Monument Drive existem 5 trilhos marcados ou seja, trilhos onde ao longo do caminho se vão encontrando indicações sobre a direcção a seguir. Os trilhos entre si têm distâncias diferentes desde o mais curto de 3.2Km até ao mais longo de 12.8Km. Para quem é mais aventureiro existe um trilho de cerca de 27Km, o Boundary Trail, que também pode ser divido em dois, trilho norte e trilho sul. Para mais detalhes sobre o Boundary Trail vejam: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/essex-bedfordshire-hertfordshire/ashridge-estate.

Os 5 trilhos marcados que partem de Monument Drive são os seguintes:

  • Forests’ Walk (4.8Km)
  • Ranger’s Ramble (4.8Km)
  • Wildlife Walk (12.8Km)
  • Family Cycle trail (trilho para bicicleta) (6.4Km)
  • Mobility Trails (3.2Km) – este trilho é o apropriado para pessoas com problemas de mobilidade motora incluindo pessoas de cadeira de rodas e para carrinhos de bebés
Mapa de Ashridge Estate com vários pontos de interesse e os diferentes trilhos. Mapa retirado de: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/essex-bedfordshire-hertfordshire/ashridge-estate

Destes trilhos já fiz dois, o Ranger’s Ramble onde tive a oportunidade única de encontrar um cervo a meio do caminho e o Forest’s Walk que passa junto à casa de Ashridge. Ambos os trilhos dão a oportunidades de passar por florestas de árvores ancestrais, por áreas históricas e zonas muito pinturescas. Cada um destes trilhos demora cerca de 2 horas se se for a passo moderado.

Ashridge House

Apesar de Ashridge House se encontrar na propriedade, esta não faz parte da National Trust. A casa está transformada em espaço para casamentos, conferências e outros eventos. Os 190 quartos disponíveis na casa estão reservados para aqueles que pretendem atender estes eventos.

Não me vou estender muito sobre a casa de Ashridge uma vez que nunca lá entrei, nem na casa, nem no restaurante, nem no café ou jardins. Mas o seu exterior é impressionante. A entrada para os jardins, quando não estão a decorrer determinados eventos, estão abertos ao público tendo um custo de entrada de 14 libras por pessoa.

Fachada principal da Ashridge House

A história da casa segue a da propriedade, uma vez que até 1926 pertenciam ambas ao mesmo proprietário. O mosteiro mencionado no início desta página construído em 1283 chamava-se College of Bohommes Monastery sendo dissolvido em 1539 quando se tornou propriedade privada do rei Henry (Henrique) VIII. A casa de Ashridge foi a casa deste rei por 11 anos e mais tarde herdada pela sua filha Elizabeth.

A casa passou de casa real para casa privada em 1604 e assim o é até aos dias de hoje. Durante este longo período a casa de Ashridge teve vários papéis na história de Inglaterra desde ser centro de treino para o braço conservador político (Conservador Party) e de hospital na 2ª Guerra Mundial.

O website oficial da Ashridge House pode ser acedido através do link: https://www.ashridgehouse.org.uk/

Berkhamsted era antigamente uma cidade importante para o comércio e por isso é categorizada como a historic market town. Hoje em dia Berkhamsted é uma cidade vibrante com imensos restaurantes e bares com vários locais para visitar, como o castelo e as trincheiras. Esta cidade pode fazer parte de um itinerário de um dia ou de um fim-de-semana que inclua explorar Ashridge Estate do qual falei a semana passada.

Como chegar

Transportes públicos

Para chegar a Berkhamsted a partir de Londres basta apanhar um comboio em Euston. A viagem demora cerca de 30 minutos. A estação de comboios em Berkhamsted fica mesmo ao lado das ruínas do castelo e a mais ou menos 10 minutos a pé do centro da cidade.

Carro

Se vierem de carro para Berkhamsted, o que aconselho se também quiserem visitar outros locais como a Casa de Ashridge ou Berkhamsted Commons ou até Tring, podem deixar o carro no parque de estacionamento ao pé do canal. No Google Maps este parque de estacionamento chama-se ‘Free Parking by canal in Berko’. Estacionar aqui é completamente gratuito nas primeiras 4 horas. Se se vierem de Londres a viagem pode demorar até uma hora, mas se por exemplo partirem do norte de Londres como Watford a viagem é de apenas 20 minutos.

O que visitar em Berkhamsted

Grand Union Canal

O canal que divide a cidade de Berkhamstead liga Londres a Birmingham com uma extensão de 220Km. Este canal é a razão pela qual a cidade tinha um papel comercial tão importante. Até porque este canal era uma das principais formas de transporte. Se o tempo deixar uma das melhores coisas para fazer é passear junto ao canal. O conjunto de várias pontes, barcos e casinhas proporcionam bonitos cenários. Se o fizerem aproveitem para passar pelo Totem Pole erguido em 1968. Este é um genuíno totem canadiano encomendado por William Jonh Aslford como agradecimento aos residentes da ilha de Vancouver por terem salvo o seu irmão. O Totem Pole é de cedro vermelho com uma altura de 9 metros.

Castelo

s ruínas do castelo de Berkhamsted podem ser visitadas gratuitamente e é um dos pontos de paragem obrigatória na cidade. O castelo foi construído no final do século XI como um castelo de motte-and-bailey (castelo de mota). Os castelos de mota foram os precursores dos castelos de pedra da Idade Média. Estes castelos eram formados por duas partes, a mota, um monte de terra em forma cónica e um recinto fortificado. Uma grande parte das pedras que formavam o castelo foram roubadas durante o século XVI deixando as ruínas que ainda hoje ali se erguem.

Trincheiras de Primeira Guerra Mundial

As trincheiras é outro dos locais a não perder devido ao seu valor cultural. É possível visitar as trincheiras a pé – do centro da cidade demora-se mais ou menos meia hora. Se se for de carro a viagem demora menos que 5 minutos. Para estacionar basta virar à esquerda no cruzamento que fica em frente ao memorial de guerra (uma coluna branca alta). O parque de estacionamento é de terra batida e gratuito. As trincheiras ficam mesmo ao lado do campo de golfe.

Durante a Primeira Guerra Mundial toda esta zona envolvente de Berkhamsted foram transformadas em campo e base de treino do corpo militar britânico (Army Service Corps), que aqui em Berkhamsted eram apelidados como Devil’s Own (em português: próprio do diabo). Perto da estação de Berkhamsted estabeleceu-se um acampamento que albergava mais de 2000 pessoas, e que se foi estendo para muitos dos edifícios da cidade. Como se pode imaginar o impacto na cidade foi imenso, com recrutas a passarem vários meses em treino intensivo antes de serem enviados para outros regimentos. Em 1918, mais de metade dos 12.000 oficiais foram vítimas da guerra contando entre estes 2200 mortos.

Para estes recrutas a estadia em Berkhamsted era a última antes de serem enviados para os horrores da guerra. As trincheiras em Berkhamsted com cerca de 12KM eram usadas como exercícios de campo que incluíam aprendizagem em tácticas de ataque e uso de equipamento.

Restaurantes e bares em Berkhamsted

Giggling squid

Giggling Squid é uma rede de restaurantes de cozinha tailandesa em Inglaterra. Em Berkhamsted, Giggling Squid fica no centro da cidade e é uma óptima opção para uma refeição local. Aconselho o salt and pepper squid (lulas com sal e pimenta) para entrada. Este é um dos pratos mais conhecidos e pedidos do restaurante. Para prato principal existem imensas opções e o difícil é escolher. E não só a comida é de grande qualidade, mas também a decoração faz desta refeição uma experiência bastante especial.

Raising Sun Freehouse

Raising Sun Freehouse fica também perto do centro da cidade, a cerca de 5 minutos do castelo. Este bar fica mesmo ao lado do canal e por isso é uma óptima opção para os dias de sol. Existem imensas opções de cervejas, cidras e outras bebidas. Quando visitámos este pub decidimos ficar nas mesas da esplanada e por isso não posso dizer como é a atmosfera dentro do pub, mas é com certeza um dos mais procurados pelos locais de Berkhamstead e arredores. Na esplanada encontrámos a verdadeira essência inglesa – uma pint na mão e a aproveitar cada bocadinho de sol.

The Three Horseshoes

Para aqueles que queiram fazer um longo passeio ao longo do canal, aconselho uma paragem no pub The Three Horseshoes. Este pub ficando mesmo junto ao canal forma um cenário encantador. Também é possível chegar ao pub de carro. Para quem visita Inglaterra uma das experiências obrigatórias é experimentar a comida de pub – como o fish and chips (peixe frito com batatas fritas), ou se vierem no Domingo o famoso Sunday roast com carne assada, vegetais e o famoso yorkshire pudding (uma espécie de pão em forma de uma pequena tigela – esta é a melhor forma que tenho para descrever). Mas para quem procura só uma bebida, este pub também é o local ideal especialmente quando o sol aparece.

A 50Km de Londres, no meio do condado de Hertfordshire, encontra-se a bonita cidade de Tring. Tring, tal como Berkhamsted and Ashridge Estate, fica nas colinas Chiltern (Chiltern Hills), considerada uma das ‘areas of outstanding natural beauty’, zonas essas consideras de uma grande riqueza cultural e paisagística. Perto de Tring também encontramos o Grand Union Canal, o canal de água que liga Londres a Birmingham numa extensão de mais de 200Km.

Visitar Tring e os seus arredores é um dos melhores passeios a partir de Londres para quem quer fugir às multidões e conhecer outras zonas menos conhecidas, mas igualmente bonitas de Inglaterra.

Transportes públicos

Para quem vem de Londres e de transportes públicos a melhor maneira é apanhar o comboio na estação de Euston até Hemel Hempstead e em seguida o autocarro (por exemplo, o X5 que é o autocarro que faz o percurso mais vezes durante o dia). A viagem demora entre 1 hora e 15 a 1 hora e meia.

Carro

Se vierem de carro, o que recomendo para visitarem também os arredores, demoram cerca de uma hora a partir de Londres. Para estacionar e se não se importarem de andar um bocadinho, podem deixar o carro nos parques de estacionamento pertencentes ao museu da história natural que são gratuitos.

Tring Memorial Gardens

Aconselho a começarem o dia a percorrer o centro de Tring a pé. Tring é mais uma vila do que uma cidade, mas independentemente do que a chamem o que é certo é que é muito pitoresca. Passear pelas ruas é um deleite especialmente para quem gosta de fotografia. Podem descer a rua principal, a High Street, onde vão encontrar imensas lojas e locais com bom aspecto e bem avaliados onde comer. Enquanto decidem onde parar podem aproveitar para passear pelo Jardins Memoriais de Tring (Tring Memorial Gardens), um lugar tranquilo construído em memória dos que perderam a vida durante a Segunda Guerra Mundial. Rapidamente conseguirão identificar a enorme sequoia que aos seus pés tem um lago que funciona como viveiro.

Nós depois de um rápido passeio pelo jardim decidimos experimentar o Nonna’s Super Club, um bonito café italiano que também faz de mercearia. O difícil foi escolher o que comer com tantas delícias a encherem-nos os olhos. As sandes são o ponto forte deste local, mas também há focaccia, antipasti, aracini e pratos quentes como cannelonni. Também há várias escolhas para quem quer algo mais doce como os cannoli. O meu marido achou caro para o que foi, mas não se enganem que os preços são os esperados para aquele tipo de café em Inglaterra.

Outros locais que também estão bem avaliados na mesma faixa de preços que parecem valer a pena a visita é o Beans n’ Brunch e o Black Goo Coffee, ambos também na High Street.

Museu da História Natural

Lince Ibérico

O Museu da História Natural em Tring (Natural History Museum) faz parte do museu em Londres com o mesmo nome, este conhecido pelo grande esqueleto pendurado no hall central. Se quase todos os que visitaram Londres também visitaram o museu na cidade, muito menos são aqueles que visitaram o museu em Tring. A entrada é gratuita para ambos os museus.

Antílopes

O museu em Tring tem 5 galerias, cada qual com a sua colecção, que no total conta com mais de 80 milhões de objectos. Destas coleções conta uma variedade imensa de animais desde o lince ibérico até ao orangotango e desde borboletas a tubarões. A cada galeria que se passa vai-se conhecendo mais e mais animais, muitos dos quais nem sonhávamos existir.

Este museu também é um óptimo local para levar a miudagem. Miúdos e graúdos dificilmente ficam indiferentes a elefantes e gorilas em tamanho real e cobras gigantes.

Parque de Tring

A poucos minutos do museu chegava-se ao parque de Tring (Tring Park), uma das áreas ecológicas mais importantes do condado de Hertfordshire. Sendo parte das Chiltern Hills passear por este parque de 250 hectares dá a oportunidade de ver paisagens fantásticas, atravessar florestas de árvores antigas e planícies calcárias. Agora que o Outono começa a chegar este parque é um dos locais indicados na região para desfrutar de paisagens em tons de amarelo, laranja e vermelho.

College Lake Nature Reserve (Reserva Natural)

Desde Tring em menos de 10 minutos (de carro) chega-se a esta bonita reserva natural. Esta reserva foi antes uma pedreira de giz, recuperada e aberta ao público em 2010, onde actualmente vive mais de 1000 espécies diferentes de animais selvagens. Este é um dos locais mais indicados para ornitólogos ou aficionados da actividade da observação de pássaros.

A parte mais evidente desta reserva natural é o pântano proporcionando um lar para uma imensa diversidade de aves tal como um local para reprodução das mesmas. Este pântano é habitado por diferentes espécies de aves consoante a altura do ano, muitas destas de espécies raras.

Pântano na College Lake Nature Reserve

Outro tipo de animal de espécie rara que se pode encontrar a sobrevoar os campos durante a primavera e o verão é a borboleta pequena azul. Esta acompanhada não só por outras espécies de borboletas, mas também de uma grande variedade de insectos.

Na College Lake Nature Reserve existem três trilhos, todos eles fáceis de percorrer:

  • Wild trail (trilho selvagem) de 3.5Km
  • Bird Trail (trilhos dos pássaros) de 1Km
  • Time Trail (Trilho do tempo) de 3Km

O parque de estacionamento e entrada para a reserva são gratuitas. Donativos são bem-vindos o que o podem fazer à entrada.

Pitstone Windmill (moinho)

O moinho de Pitstone está apenas aberto às sextas-feiras e fins-de-semanas com feriados. Nós apesar de não termos visitado o moinho, já que viemos num dia em que estava fechado, valeu a pena percorrer o caminho até ao moinho acompanhados pela bonita paisagem envolvente.

Este moinho de vento é um dos mais antigos da Inglaterra. Apesar de não se saber ao certo quando foi construído há documentação do seu funcionamento no século XVII. O moinho de vento de Pitstone moeu a farinha para a aldeia local durante quase 300 anos, até que no início de 1900 acabou danificado de tal forma durante uma tempestade que o seu reparo não era viavelmente económico. Em 1937, o moinho de Pitstone passou a fazer parte do National Trust, a organização de conservação e preservação do Reino Unido. Foi a partir desta altura que o moinho começou a ser restaurado por voluntários da região.

Moinho de vento de Pitstone

Ivinghoe Beacon (ponto panorâmico)

Outra zona de passagem que tal como o moinho fazem parte da propriedade de Ashridge é Ivinghoe Beacon. Este ponto panorâmico faz parte de um dos trilhos que sai de Monument Drive (ver post sobre Ashridge) percorrendo uma distância total de 12.8Km. Podem sempre fazer esse trilho ou tal como nós estacionar o carro no parque de estacionamento ‘Ivinghoe Beacon Circular Walk Car Park’ que fica a mais ou menos 2Km de distância. O percurso é fácil de percorrer sendo talvez a subida inclinada no fim do trilho para chegar ao topo a parte mais difícil.

Na Idade do Ferro Ivinghoe Beacon era um forte o que leva a esta zona a ter uma marcada importância em termos arqueológicos. Do topo do monte, num dia limpo, pode-se avistar até cerca de 6 condados.

Trilho para chegar ao topo de Ivinghoe Beacon

Deixei este local para último com um propósito; se fizerem o percurso tal como está descrito neste post aproveitem o resto do dia para fazer um picnic em Ivinghoe Beacon até serem acompanhados por um maravilhoso pôr do sol.

A cidade de Marlow

Marlow é uma cidade que recentemente tive a oportunidade de conhecer. É uma cidade que fica a cerca de uma hora de comboio a partir de Londres (ou 50 minutos se conduzir) e por isso é uma cidade bastante procurada por turistas que procuram fugir às multidões de Londres e ter uma experiência mais tipicamente britânica. Mas não só turistas, também pessoas que vivem em Inglaterra e que querem um dia calmo, mas bonito, escolhem Marlow para uma viagem de um dia. Mas não é ao acaso que Marlow é a cidade escolhida para uma espécie de refúgio.

Vista de Marlow da ponte suspensa

Marlow é uma cidade pitoresca com imensos restaurantes, cafés, pubs e bistros. Especialmente num dia de sol, nada bate uma esplanada junto ao rio Tamisa. O mesmo rio que atravessa Londres. E que dá a beleza à cidade de Marlow.

A ponte

A construção mais conhecida em Marlow é a sua ponte suspensa que atravessa o rio, ponte essa que liga dois condados, Berkshire e Buckinghamshire, desde 1832. Se visitarem a ponte vão encontrar uma placa branca (fotografia abaixo), onde se lê ‘Bridged with Budapest´ (ligação com Budapest usando um trocadilho com a palavra bridge = ponte). Esta placa revela a sua ligação com a ponte Széchenyi que atravessa o rio Danúbio em Budapeste, construída pelo mesmo arquitecto da ponte em Marlow, William Tierney Clark.

Placa na ponte suspensa a indicar a sua relação com Budapeste

A igreja

Mesmo em frente da ponte fica uma igreja que se pode visitar, a All Saints church (igreja todos os santos). Esta igreja tem quase 200 anos tendo sido construída para substituir a igreja anterior, alvo de inundações e danos que destruíram a torre de madeira resultando no colapso do pináculo.

Outras atrações

Em Marlow pode-se aprender a remar, ficando a escola mesmo em frente da ponte, ou onde se pode alugar um barco para passear pelo rio. Alternativamente podem passear pela margem e passar por dentro do Higginson Park, onde também vão encontrar o museu da cidade, este de entrada gratuita.

Fábrica de cerveja Rebellion Beer Co. Ltd

(actualizado em 2026)

Entrada para o pátio da Rebellion Co. Ltd brewery

lion foi a razão para visitarmos Marlow pela primeira vez. E desde que descobrimos este local já cá viemos vezes sem conta, pelo menos 1 ou 2 vezes a cada dois meses. E há sempre cervejas novas para experimentar.

Tap Yard (tenda e pátio exterior) da Rebbellion

A Rebellion Beer Co. Ltd brewery abriu em 1993, continuando assim a história da cerveja em Marlow, uma história que remonta a 1758 quando a fábrica de cerveja (brewery) Wethereds abriu portas até 1988. Como podem ver a Rebellion tinha uma grande responsabilidade, a de continuar um legado com mais de 260 anos. E parece-me que estão a fazer um óptimo trabalho pelo número de clientes que aqui se encontra a qualquer altura tanto durante a semana como nos fins-de-semanas, esteja a chover ou a fazer sol. Uma das principais razões para a qualidade da cerveja produzida na Rebellion é a zona geográfica de Marlow. Marlow fica entre as colinas calcárias, Chiltern Hills, que permite obter uma água rica em minerais e sais, ingrediente importante para a produção da cerveja e para a qualidade do produto final.

Um dia normal na Rebellion

No complexo da brewery encontra-se a fábrica onde é produzida a cerveja, a loja onde se pode comprar as cervejas em garrafa (1L) ou até em garrafões para além de outras bebidas como vinhos e gins. No entanto, para nós a melhor parte é a tenda e o pátio exterior, a chamada Tap Yard onde se vendem as cervejas de pressão, vinhos, gins e bebidas quentes tais como café e chá. Aqui encontramos sempre um ambiente agradável, descontraído especialmente em dias solarengos. Há várias cervejas à escolha, algumas são permanentes enquanto outras mudam a cada duas semanas ou pelo menos mensalmente. Portanto há sempre novas cervejas para experimentar.

Cerveja white stout (à esquerda) e gin de flor de laranjeira e mel (à direita)

Para nós a melhor até hoje foi a primeira que experimentámos quando viemos à Rebellion pela primeira vez – a white milk stout (cerveja preta que não é preta, como mostra a fotografia acima à esquerda – estranho, certo?). Esta foi uma daquelas cervejas especiais que duraram apenas umas semanas e desde essa altura que esperamos que ela volte a ser produzida!

A white stout foi a razão para voltarmos aqui vezes sem conta. Apesar de claro já termos bebido muitas outras das quais gostámos muito como a cerveja preta Eclipse. Para quem é mais indeciso, pode-se pedir um ‘beer tasting’ (degustação de cerveja) que inclui três cervejas à escolha.

Degustação de cerveja

De quarta a sábado há sempre uma roulotte a vender comida à entrada da cervejaria, sendo que a companhia (e o tipo de comida) muda todos os dias, podendo ser comida indiana, grega, mexicana, italiana ou britânica. A agenda para cada mês das companhias que vão marcar presença encontra-se no website oficial https://www.rebellionbeer.co.uk/). E nós claro que já experimentámos umas quantas.

Peixe frito com batatas fritas e pizza de alho que experiementámos de duas roulottes

O estacionamento na cervejaria Rebellion é gratuito, mas para quem prefere vir a pé ou está sem carro, a partir do centro de Marlow pode vir à cervejaria caminhando por uns 30 minutos.

Noites sociais na Rebellion

As noites sociais da Rebellion abertas ao público decorrem na segunda terça-feira de cada mês das 7 da tarde às 9 e meia. Para quem é membro pode vir a estas noites sociais ou então vir às noites sociais exclusivas para membros que decorrem na primeira terça-feira de cada mês.

Ambiente no início da noite social da Rebellion (Agosto 2025)

Para quem não é membro a entrada custa ou 20 euros com 5 bebidas incluídas ou 10 com 2 bebidas. Para quem é membro e queira nessa noite usar a noite social incluída no seu membership tem direito a bebida ilimitada e a entrada é gratuita. Contudo, se já se tiver usado as noites sociais do membership aplica-se os mesmos custos que aos que não são membros. Nós viemos numa dessas noites exclusivas para membros, mas o que acontece nesses eventos é exactamente o mesmo que nas noites abertas ao público. Nas noites sociais, a loja está aberta até mais tarde tal como a Tap Yard e as zonas com mesas e cadeiras estendem-se pela parte de trás da fábrica. Também durante estas noites, a Rebellion tem a sua própria roulotte com comida com hambúrgueres e cachorros quentes a 5 euros mas também participa nestes eventos uma roulotte de umas das companhias que costuma vender comida à entrada de quarta a sábado.

Na noite social da Rebellion em Agosto 2025

Nós viemos em agosto quando o tempo estava quente e o sol punha-se mais tarde. O ambiente era animado, descontraído, um daqueles serões de verão perfeitos. Mas na nossa honesta opinião, mais vale jantar em algum lado e depois vir aqui para a cerveja. Apesar de haver comida à venda e de a termos experimentado tanto o hambúrguer como o cachorro quente como a sandes de carne da roulotte da Rebellion e não fossem nada maus, achámos que pelo preço teríamos arranjado algo mais substancial que até é o ideal para absorver toda a cerveja (ou outras bebidas, também há vinhos, sumos, gins, e bebidas quentes) que se ingere naquelas 2 horas e meia.

Tour à fábrica

Na Rebellion fazem tours guiadas à fábrica todas as quintas-feiras e sábados por um custo adicional. Também nas noites sociais há a possibilidade de o fazer, apesar de ser uma tour mais curta que está incluída com a compra da entrada para o evento. A tour começa às 8 da noite e demora cerca de 1 hora. Aproveitámos a noite social para juntarmo-nos à tour que começou com a história da cerveja em si e de como esta bebida se tornou popular de tal forma que a certo ponto havia pelo menos uma taberna (os primórdios dos pubs) em cada rua de Inglaterra. Inicialmente estas tabernas eram dirigidas por mulheres e claro procuradas por homens. Depois a história mudou para a da cervejaria que estávamos a visitar, como se iniciou como um projecto entre dois amigos, como a cervejaria cresceu, como manteve a sua identidade de pequeno fabricante o que levou a certos desafios especialmente contra as grandes redes de pubs como a GreenKing (uma espécie de McDonalds dos pubs – estão por todo o lado). Felizmente para esta cervejaria, nos anos recentes tem havido um interesse crescente em cervejas artesanais, o que acho que também tem acontecido em Portugal, e as cervejarias de pequeno porte, chamemo-las assim, tem tido mais clientes, mais procura, o que permite também a eles crescerem como empresa e fazerem mais experiências, o que se reflecte na Rebellion pela constante mudança de cervejas a cada duas semanas. Nesta cervejaria até há uma espécie de laboratório de investigação para encontrar novas cervejas misturando novos sabores.

Interior da fábrica (à esquerda) e o rótulo da garrafa de vidro a promover a devolução da garrafa de vidro (à direita)

Em seguida, visitámos o interior da fábrica, a zona de produção, de armazenamento e no final de empacotamento e distribuição. Uma das iniciativas voltadas para o meio ambiente está relacionada com as garrafas de vidro de 1L que se podem comprar na loja. Se se devolver a garrafa de vidro tem-se 30 pence de volta na próxima compra na loja. Ao que nos foi dito, este esquema tem tido um grande sucesso com quase total retorno destas garrafas à loja que podem ser depois reutilizadas pela cervejaria Rebellion.

Vale a pena tornar-se membro?

Como esta cervejaria é um dos locais onde vamos frequentemente aos fins-de-semana, em 2025 tornámo-nos membros, ou melhor, um de nós tornou-se membro o que é suficiente. E isto é porque basta uma pessoa do grupo ou do casal como no nosso caso apresentar o número de membro quando faz o pedido ou a compra tanto no Tap Yard como na loja que o desconto de 10% é aplicado a todas as bebidas ou itens do pedido.

Como membro tem-se direito a 10% de desconto em todas as cervejas e oferecem um presente da merchadise da Rebellion

A membership é válida por 12 meses e quando nos tornamos membros ou em cada renovação pode-se escolher um presente grátis da merchandise da cervejaria. Há quatro níveis de membership cujo diferença é no número de noites sociais exclusivas para membro para aqueles 12 meses (a entrada incluiu a pessoa que é membro e mais dois convidados). Os preços dos memberhips em 2026 são os seguintes:

  • Sem noites sociais – 41 libras
  • Com 1 noite social – 68 libras
  • Com 2 noites sociais – 95 libras
  • Com 3 noites sociais – 122 libras

Agora se vale a pena ser membro? Isso vai depender das vezes que se pretende vir a esta cervejaria. Para pessoas como nós que vêm aqui regularmente claro que sim. Agora para pessoas que estão de viagem ou só esperam vir aqui uma ou duas vezes, não penso que seja proveitoso. De qualquer das formas deixo aqui a nossa experiência e opinião de como é ser membro da cervejaria Rebellion.

Contudo, mesmo que a membership não pareça trazer benefícios, aconselho a virem até à cervejaria durante uma das suas noites sociais na segunda terça-feira do mês. fábrica ou cervejaria, como queiram chamar, fica a 30 minutos a pé do centro de Marlow.

No Reino Unido existem vários locais de interesse histórico, paisagístico ou cultural que fazem parte da National Trust. A National Trust é a maior organização não remunerada de conservação e preservação na Europa. O motto desta organização é: For everyone, for ever (para todos, para sempre). Esta organização protege e cuida de imensos locais fazendo parte deste legado mais de 250,000 hectares de terra, mais de 500 casas históricas, castelos, parques e jardins, quase um milhão de peças de arte e mais de 780 milhas (aproximadamente 1255 Kms) de zona costeira.

Neste blogue estão incluídos vários locais que fazem parte da National Trust, mas se querem saber mais sobre a organização assim como TODOS os locais incluídos visitem https://www.nationaltrust.org.uk/.

Entrada para a casa em Hughenden

A entrada para alguns destes locais é gratuita, para outros a entrada é gratuita, mas não o parque de estacionamento e noutros casos a entrada é paga. Convém sempre confirmar em qual destas opções se categoriza o local que se quer visitar, de maneira a evitar surpresas inesperadas.

No Outono de 2023, a National Trust fez uma espécie de promoção e dava a quem se inscrevesse num determinado link bilhetes gratuitos para visitar um dos locais da National Trust que participasse nesta promoção. Nós quisemos logo aproveitar e mal tivemos o código para os bilhetes fizemos uma rápida pesquisa e acabámos por nos decidir por Hughenden.

Hughenden faz parte do condado de Buckinghamshire em High Wycombe. A forma mais fácil de chegar a Hughenden é de carro mas também se chega através de transportes públicos. A partir de Londres apanha-se o comboio em Marylebone e depois um autocarro. Se vierem de carro o estacionamento é gratuito. Também é gratuito visitar os campos e os jardins em redor, o que se paga é a entrada para visitar a casa.

Um dos campos involventes em Hughenden

Eu confesso que adoro passear no Outono porque as cores da natureza são das mais bonitas do ano com os seus tons de castanho, amarelo, laranja e vermelho. Essa foi uma das razões para escolhermos Hughenden, teríamos assim oportunidade também de passear pela parte exterior à casa com os seus campos a estender-se longamente de vista.

E foi assim que num bonito fim-de-semana de Outono fomos visitar a casa de campo de um dos mais famosos homens de Estado da época victoriana, Benjamin Disraeli. Casa que mais tarde teria um papel importante na Segunda Guerra Mundial.

Exterior da casa (vista da retaguarda)

Breve história de Hughenden

Apesar da história deste local se focar mais já no século XIX, na verdade este local está registado desde 1086 no Domesday Book, inicialmente como uma fazenda. No entanto, Hughenden foi apenas considerado como uma ‘residência de cavalheiros‘ quando sofreu remodelações em 1738. Foi em 1848, que Benjamin Disraeli comprou a mansão depois da morte do anterior dono da casa, John Norris, numa compra o que o levou a contrair vários empréstimos. Afinal como futuro líder do Partido Conservador (Tory Party), Disraeli precisava de uma casa de campo a rigor do seu futuro cargo.

Desde 1862, que a sua mulher Mary Anne Disraeli, assumiu o papel principal como reformadora de Hughenden consultando para tal o controverso arquitecto gótico Edward Buckton-Lamb. Foi assim que Hughenden se transformou numa mansão de tijolos vermelhos deixando para trás o habitual estuque branco. Com esta transformação foram adicionadas chaminés, parapeitos com ameias, pináculos e elaboradas molduras nas janelas. Os terrenos à volta foram redesenhados e assim cresceu um jardim de estilo italiano com parterre, estátuas e terraços.

Drawing room (sala do desenho)

Mais tarde em 1937 a casa foi vendida a W.H Abbey, isto depois da morte de Benjamin Disraeli e do seu sobrinho Coningsby, herdeiro de Hughenden. Sendo W.H Abbey um fã do trabalho de Benjamin Disraeli, a mansão foi doada à Sociedade Disraeliana para a transformar em museu.

Benjamin Disraeli

Nascido em Londres em 1804 vindo de uma família de origem judia-italiana, Benjamin abandonou a sua primeira profissão como advogado para se tornar escritor. Benjamin era indecente e rapidamente ficava aborrecido, vestindo-se com roupas ostentosas e coloridas. Tornou-se o líder do partido conservador britânico e foi primeiro-ministro duas vezes. Benjamin teve um papel crucial na reforma do Partido Conservador tornando este o partido mais identificado com o Império Britânico e com a acção militar.

Escritório de Benjamin Disraeli

Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Ministério da Aeronáutica requisitou Hughenden e foi assim que aqui se estabeleceu a base ultrassecreta focada na elaboração de mapas. Esta operação foi de tal forma secreta que só depois de 60 anos se soube – curiosamente quando um dos voluntários em Hughenden ouviu um visitante a contar ao neto o que ali tinha vivido. E assim se ficou a saber do papel de Hughenden durante a Segunda Guerra Mundial.

Parte exterior da casa de Hughenden

Em 1947, Hughenden foi transferida para os cuidados da National Trust, e lembrem-se que nesta altura não se conhecia nada sobre o que ali se tinha passado na recente guerra mundial. A campanha de restauração começou em 1983. E foi por este esforço de restauração que tivemos a fantástica oportunidade de conhecer Hughenden em 2023.

Para além da casa, jardins e campos há também uma igreja onde a família Disraeli está enterrada. A primeira igreja foi construída no século XII. Na igreja actual ainda existem partes datadas como pertencentes aos séculos XIII e XIV. Se visitarem a igreja logo depois da missa de Domingo, poderão ter a sorte como nós, de oferecerem-vos café e chá – sem nenhum custo acrescido.

Igreja (interior)

Assim fica aqui mais uma sugestão para um passeio de um dia a partir de Londres – porque acreditem que Inglaterra não é apenas Londres – há muito e muito mais para descobrir!