




O que está incluído nesta página?
- A escolha do destino
- Preparativos
- Reflexões
- Chegada a Marselha
- Primeiro dia: Marselha
- Segundo dia: Marselha e Cassis
- Terceiro dia: Calanques e Marselha
- Quarto dia: Aix-en-Provence
- Adeus, França!
A escolha do destino
Ir a França era uma conversa que eu e dois amigos vínhamos a ter há algum tempo. A nossa viagem anual normalmente levávamo-nos à Irlanda, mas em 2025 decidimos visitar outro país. A ideia inicial era visitar Bordeaux, a cidade do vinho, mas devido ao preço dos voos da Irlanda para Bordeaux, Marselha foi a escolha final. E é normalmente um problema quando se viaja em grupo, ou pelo menos acontece-me quando eu viajo em grupo – encontrar um destino que seja adequado a todos quando as pessoas do mesmo grupo partem de diferentes países ou até dentro do mesmo país, mas de diferentes aeroportos. Seja por causa do preço dos voos, ou por não haver voos diários ou então pelas horas díspares de chegada e partida.

Eu nunca tinha pensado visitar Marselha, mas pensei porque não? Afinal era uma cidade que nunca tinha conhecido e até nunca tinha estado no sul de França. E Marselha sendo uma das cidades mais baratas da região era uma opção viável que no final mostrou ter bastante para oferecer. Eu confesso que ao contrário do que é normal vinha para esta viagem completamente ‘às escuras‘. Quando aterrei em Marselha não tinha nenhuma ideia sobre os locais a visitar, o que fazer na cidade e onde comer. Felizmente um dos meus colegas tinha andado a ver os pontos altos de Marselha, mas se por algum motivo o itinerário dos 4 dias vos parecer errático já sabem a razão.
Preparativos
E como tal os preparativos para a viagem foram mínimos. Para além dos voos e do hotel não marcámos mais nada com antecedência. Mas acabámos por ir aos locais que queríamos fosse ele de autocarro ou de barco como ir a Cassis, aos Calanques de Marselha e ao castelo de If. Talvez a única coisa onde poderíamos ter sido mais organizados foi nos restaurantes. Porque apesar de no final ter corrido tudo bem e termos jantado nos locais que queríamos experimentar, no do primeiro dia foi apenas por sorte. Mas aprendemos a lição e fizemos reserva no segundo restaurante para o dia seguinte. Dos restaurantes, experiência, ambiente e comida falarei na altura devida. Portanto pela experiência que tive recomendo a fazerem a marcação nos restaurantes com antecedência principalmente no restaurante Ciel Rooftop.
Hotel
Marcámos o hotel com uns 4 meses de antecedência, mas aconselho a fazerem-no ainda com mais tempo. Porque mesmo assim quando fomos escolher o hotel onde ficar os preços estavam mais caros do que aquilo que esperávamos. Nós queríamos um hotel no centro de Marselha e acabámos por escolher o ibis Marseille Centre Euroméd. Marcámos um quarto para os três já que não nos importamos de partilhar o quarto com pequeno-almoço incluído. No total ficou pelas 4 noites 535 libras (aproximadamente 600 euros), ou seja cerca de 200 euros a cada.

Se fosse agora, sabendo que no final de junho as temperaturas em Marselha rondam os 35ºC tinha gasto um pouco mais para ficar num hotel com piscina, mesmo que isso significasse ficar fora do centro da cidade, já que Marselha tem óptimos acessos em termos de transportes públicos. Para além que apesar do hotel ibis ser limpo, ter uma decoração engraçada, o quarto era demasiado pequeno para 3 pessoas. Não estaria a dizer isto se fôssemos só dois, mas para 3 pessoas era demasiado apertado. Não havia espaço para todos para por exemplo guardarmos as nossas roupas e os produtos de higiene que tiveram de ficar dentro das malas. Achei mesmo que não ia de encontro às expectativas em termos de espaço. Por outro lado, o pequeno-almoço era bastante satisfatório, variado, numa sala com janelas enormes de vidro, onde começámos o dia a aproveitar o ar condicionado.
Ou seja, no final o hotel deu bem para o que queríamos, a cama era confortável, não havia muito barulho e a localização era óptima. Se calhar as nossas expectativas é que eram demasiado altas. Mas atenção, como disse para duas pessoas, a estadia neste hotel é ideal para uma opção mais económica.
Aqui fica o website para marcações e mais informações sobre este hotel de 3 estrelas: Ibis Marseille Centre Euroméd
Roupa e acessórios
Aqui vou confessar que fui ingénua, claro que no final de junho ia estar muito calor! E o calor forte fazia-se sentir a partir de meio da manhã até ao final da tarde. Todos os dias que estivemos em França as temperaturas rondaram entre os 35ºC e os 40ºC. Daí eu ter falado do hotel com piscina. Por isso para esta altura do ano o que não pode faltar é um protector solar bem forte, um chapéu e roupas leves. Sendo Marselha uma cidade junto à costa, há várias praias ou clubes de praia disponíveis e por isso também é importante não esquecer de trazer o fato-de-banho e chinelos.

No entanto, para visitar a cidade e para jantar não usem chinelos. Para andar pela cidade aconselho sapatos confortáveis, até porque os locais de maior interesse não estão perto uns dos outros e em muitos casos é preciso subir e descer colinas, o que não é engraçado de o fazer se o calçado não for apropriado. Também para jantar aconselho uns sapatos mais formais como sandálias (também pode ser ténis de cores neutras) principalmente para comer em certos restaurantes como os dois que nós fomos, o Cielo Rooftop e Chez Jeannot.
Deslocar-se na cidade
Como disse para andar a pé é trazer sapatos confortáveis. Alternativamente Marselha oferece uma óptima rede de transportes públicos. Nós por exemplo andámos de autocarro que nos levou até Cassis (viagem de 20 minutos) e teríamos apanhado o eléctrico que parava mesmo em frente ao nosso hotel não nos tivéssemos atrasado imenso, tendo de apanhar o Uber para chegarmos a tempo ao restaurante.


Outra opção que também experimentámos foi alugar bicicletas usando a aplicação ‘Le Vélo’ que custou 1 euro por meia hora. Se tivesse usado a bicicleta por mais do que 30 minutos, teria pago adicionalmente 0.05 euros por minuto. A única coisa a ter em atenção é que na primeira vez que se usa uma das bicicletas é retirado da vossa conta um depósito de 15 euros que é devolvido 7 dias depois. O depósito era algo que não estávamos a contar e ficámos surpreendidos e até um pouco alarmados quando vimos o pagamento, mas felizmente o dinheiro foi devolvido sem problema nenhum.
Para mais informações sobre este serviço de aluguer de bicicletas: https://levelo.ampmetropole.fr/en/
Reflexões
Temperaturas
As temperaturas altas foram sem dúvida das coisas que mais tiveram impacto nesta viagem. Com menos 15ºC visitar Marselha tinha sido muito mais fácil do que andar pelas ruas da cidade naquele calor insuportável. Por outro lado, fez com que procurássemos outros locais como Cassis, uma bonita vila da costa a menos de 20 minutos de Marselha.

Se pudesse mudar a viagem ou viria numa altura com menos calor, talvez em maio, ou então ficaria alguns dias em Cassis ou noutra vila perto de Marselha onde pudesse desfrutar da praia de manhã, à tarde e à noite. Aliás nós quando estávamos em Cassis, desejámos que tivéssemos marcado uma noite ali para pudermos ficar mais tempo a explorar a vila.
Segurança
Quanto à cidade de Marselha, esta tem uma certa má fama, a de ser uma das cidades menos seguras do sul de França. No entanto, não senti em momento algum de que estava em perigo, ou com medo. E andámos a maioria das vezes a pé pela cidade incluindo à noite. Talvez foi porque não passámos pelas zonas menos aconselhadas da cidade, mas a verdade é que pela nossa experiência, a fama temível muitas vezes atribuída a Marselha não foi confirmada.
COVID
Outro pormenor que espero que não tenha afectado demasiado a minha opinião sobre a cidade e que só descobri quando cheguei a casa, foi estar com COVID. Desde o domingo de manhã (cheguei a Marselha sábado à noite) até me vir embora na quarta-feira que me sentia desconfortável, com febre, sensação que atribui às altas temperaturas, com dor de garanta e cabeça e sem energia. E apesar de tudo tinha uma fome desmedida, comia tudo o que me punham à frente. Penso que era o meu corpo a tentar atacar o COVID enquanto passava o dia de um lado para o outro no sul de França. E claro que o mal-estar que esteve presente em toda a viagem pode ter de certa forma nebulado a minha visão sobre Marselha.
Chegada a Marselha
Como aterrei bastante tarde no aeroporto de Marselha, naquele dia já não havia muito mais para fazer além de ir para o hotel e dormir. Por isso o primeiro dia oficial da viagem começava no dia seguinte, no domingo. Mas ainda sobre a chegada a Marselha, apesar de já passar da meia-noite ainda havia autocarros, o A1, que faziam o percurso entre o aeroporto e a estação de comboios, Marseille Saint-Charles. O autocarro vinha cheio mesmo àquela hora tardia.
Para ficar mais barato comprei o bilhete de ida e volta que custou 15 euros (ficava a 20 euros se comprasse estes bilhetes separadamente) e permitia voltar tanto de Marselha como de Provença, como fiquei a saber no último dia. Este autocarro parte do aeroporto a cada 20 minutos e a viagem demora cerca de meia hora, talvez mais se for durante o dia quando há mais trânsito.
Primeiro dia: Marselha
O primeiro dia começou com o pequeno-almoço. A sala de pequenos-almoços estava practicamente vazia e conseguimos uma mesa ao lado da janela. O tipo de pequeno-almoço oferecido por este hotel é do tipo continental com opções quentes como ovos mexidos e salsichas e opções frias como baguetes, queijos, folhados e cereais. Do hotel o que me ficou foi sem dúvida o pequeno-almoço.

Quando saímos para a rua, perto das 10 da manhã, o calor ainda não se fazia sentir e até havia uma brisa agradável. As primeiras impressões de Marselha foi de ser uma cidade grande e limpa, mas não demasiado movimentada. Contudo, a impressão principal com que fiquei era que a cidade era muito bege. A maioria dos edifícios, novos e antigos, pareceram-me favorecer os tons amarelos-claros. Não o digo num tom crítico, aliás na zona do porto velho que vou falar em seguida, deu-me até ares de uma cidade saída da Guerra dos Tronos.
E para as primeiras horas em Marselha iríamos visitar locais históricos como a catedral ‘la Major’, o porto velho e o castelo de If.
Catedral de Marselha (Cathédrale la Major)

O primeiro edifício que visitámos, e que não podia ser ignorado pelas suas dimensões, foi a catedral de Marselha, nome original: Cathédrale de la Major’. Esta catedral de estilo romano-bizantino é uma das maiores do mundo com 142 metros de comprimento e 20 metros de altura que aumenta para 60 metros quando se inclui as torres e sobe para 70 quando falamos da cúpula. As dimensões desta catedral são comparáveis às da basílica de São Pedro no Vaticano.
A catedral levou 40 anos a ser construída durante o século XIX (1852-1893). As grandes dimensões da catedral iam de encontro ao crescimento económico exponencial que a cidade de Marselha vivia na época. E o local da sua construção foi escolhido por uma razão: para que quem chegasse à cidade de barco a visse de imediato. O estilo arquitectónico da catedral e os materiais utilizados oriundos de várias partes do mundo, tinham (e têm) o objectivo de reflectir a reputação multicultural de Marselha.


Visitar a catedral é completamente gratuito e o seu interior é tão imponente como o seu exterior em termos de tamanho, apesar de ser bastante simples, ainda assim bonita. No entanto, não penso que muitos discordaram quando digo que o exterior da catedral é mais marcante do que o seu interior.
Porto velho de Marselha (vieux port de Marseille)
Visitar o porto velho de Marselha acaba por ser obrigatório, não só pelo seu valor histórico, mas também por ser o centro cultural de Marselha de onde parte a maioria das excursões de barco como as que vão para o castelo de If ou para os calanques, dois locais muito procurados.
O porto velho de Marselha foi onde a cidade nasceu no ano 600 a.c. quando os gregos, oriundos da cidade de Foceia, aqui se fixaram e chamaram esta zona de Massalia. O porto é, portanto, considerado como sendo o berço da cidade. A proteger este porto existem dois fortes, o forte de São Nicolau e o de São João ambos construídos no século XVIII.

Em 1844 foi aprovada a construção de um novo porto na baía de Joleitte uma vez que o porto velho ao longo do tempo tinha-se tornado incapaz de receber todo o comércio marítimo que chegava diariamente a Marselha. Os dois portos estão hoje unidos pela Rue de la République. Também é no porto velho que fica o museu das civilizações Europeias e Mediterrâneas, MuCEM. Apesar de nós não termos visitado o museu, pois tivemos ocupados com outros planos, certamente que é um dos locais a serem considerados.
Castelo d’If
Travessia de barco
Depois de andarmos pelo porto, fomos tentar perceber como podíamos apanhar o barco para visitar o castelo d’If. E não demorou muito a encontrar a resposta no porto onde havia uma barraquinha da companhia ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ a vender bilhetes. O preço da viagem e da visita ao castelo custou 7 euros por pessoa.
Para mais informações vejam: Compagnies Maritimes
Há outra companhia que também faz este percurso, a ‘le bateau’, que para além de ir ao castelo também pára na ilha de Frioul. O preço dos bilhetes são mais caros; se for para parar no castelo de If e na ilha de Frioul o bilhete fica a 16.70 euros, se for só para a ilha de Frioul (excluindo o castelo), o bilhete custa 11.10 euros.
Para mais informações vejam: le bateau

Para dizer a verdade se nós soubéssemos que havia as duas companhias provavelmente teríamos escolhido a ‘le bateau’ porque assim poderíamos ter feito praia na ilha de Frioul depois da visita ao castelo. O que deveria ter sido melhor do que a praia à qual fomos mais tarde. Mas como não sabíamos comprámos os bilhetes na primeira companhia que vimos que foi a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’.
Fica assim a dica – se for só para visitar o castelo, escolham a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ já que o preço fica mais em conta, mas se para além do castelo procuram também um sítio para fazer praia, então escolham a ‘le bateau’. Também fica aqui para consideração que a companhia ‘le bateau’ não faz o percurso directo de regresso entre o castelo de If e Marselha, tendo sempre de parar na ilha de Frioul depois de sair do castelo e antes de regressar a Marselha.
A visita ao castelo
A viagem de barco passou num ápice, a qual nos deu a conhecer uma diferente perspectiva do porto velho de Marselha e da cidade em geral. Nós passámos cerca de 1 hora e meia a visitar tanto o interior com o exterior do castelo de If tendo sido os ‘grafitis’ gravados nas paredes pelos prisioneiros a parte que mais me marcou.

O castelo d’If foi a primeira fortaleza real de Marselha a ser edificada por ordem de Francisco I de França em 1529. O objectivo era proteger o porto de Marselha, um dos principais portos de comércio em França. O castelo de If funcionou como prisão temporária entre 1541 e 1945. Um dos primeiros prisioneiros, detido em 1580, foi acusado de conspiração contra a monarquia. Em 1685 foram encarcerados neste castelo protestantes, já em 1848 foram presos os revolucionários de 1848, seguidos por 304 republicanos em 1852, estes presos por serem opositores a Napoleão III. Em 1871 foi a vez dos insurgentes de Marselha a serem aqui encarcerados enquanto que os últimos prisioneiros foram alemães durante a Segunda Guerra Mundial.
O castelo de If fazia parte de um conjunto de 4 prisões em Marselha, todas elas temporárias. Estas prisões eram instaladas rapidamente de forma a fazer face a situações de crise como insurreições levantadas por certos grupos, mas muitas vezes com condições inadequadas para os prisioneiros. O que faz o castelo de If tão especial são os memoriais que foram aqui criados pelos prisioneiros políticos. Estes memoriais como por exemplo inscrições nas paredes foram autoria de dois grupos de prisioneiros, os ‘revolucionários de 1848’ (22 de junho de 1848 a 2 de junho de 1849) e os ‘Comunas de Marselha’ (8 de abril a 2 de agosto de 1971). Para a construção destes memoriais os Chefes de Departamento foram essenciais ao serem eles a fornecer materiais como ferramentas e guardas adicionais. O objectivo desta iniciativa era de criar um ambiente calmo a qualquer custo, naquele que seria um ambiente de constante tensão entre prisioneiros.


Ligação entre o livro ‘O Conde de Monte Cristo’ e o castelo d’If
Esta é a tradução da informação disponível no castelo d’If sobre o contributo do livro de Alexandre Dumas para a fama do castelo.
‘No século XIX, o sucesso do livro ‘O Conde de Monte Cristo’ de Alexandre Dumas, publicado no Journal de Débats em 1844, revelou ao mundo a existência da prisão de If, que rapidamente adquiriu reputação internacional. Os leitores começaram a visitar a ilha assim que os primeiros episódios foram publicados e quando chegavam ficavam maravilhados. Tudo o que liam estava lá: as masmorras onde os dois heróis tinham sido presos e até o túnel do Abade Faria. O escritor, curioso com esta paixão pela ilha de If, foi lá pessoalmente e ouviu, entre meio divertido, meio surpreendido, o relato do guarda. Nenhuma das visitas entre 1844 e 1880 foi oficial, apesar de se saber que barcos se disponibilizavam a levar visitantes até à ilha. A decisão de ali manter prisioneiros políticos em 1848 e depois em 1871 não alterou em nada a procura. Os visitantes continuaram a visitar a prisão ainda mais determinados. Era, de certa forma, uma peregrinação emocional, onde reviviam os sentimentos que tinham sentido durante a leitura do romance. O livro de Alexandre Dumas ainda hoje contribui para a fama do castelo de If.’
Plage des Catalans
Como infelizmente não comprámos os bilhetes para visitar o castelo d’If pela companhia ‘le bateau’ não pudemos ir até à ilha Frioul para fazer um bocado de praia, restando-nos a opção de voltar para Marselha e procurar uma alternativa na cidade.

Foi por isso que viemos à praia perto do porto velho, a Plage de Catalans, uma praia de areia dourada que naquele momento estava a abarrotar de gente. Contudo conseguimos arranjar um cantinho para pôr as nossas coisas e revezando-nos pudemos ir à água. A praia felizmente também tinha chuveiros exteriores e casas-de-banho onde pudemos mudar de roupa. Apesar da maravilhosa sensação de nos refrescarmos na água, esta acaba por ser uma praia de cidade, o que normalmente significa enormes multidões em dias como aquele de grande calor e água que nem sempre é a mais limpa. Eu que não sou muito dada ao exercício de ‘fazer praia’ sinto-me sempre desconfortável neste tipo de praias, no entanto esta era a única opção que tínhamos disponível naquela altura. Daí que a sugestão sobre a ilha Frioul deve ser tida em conta! E sim, aparentemente depois de meses passados ainda estou a remoer nisto.
Depois da praia decidimos ir beber qualquer coisa fresca. Apesar de já ter passado nesta altura o meio da tarde o calor ainda era bastante. Ao contrário do costume, que é tentar encontrar um lugar mais local, acabámos num pub irlandês, Le O’Malley’s.

Depois de uma pint de Guinness acabámos na esplanada a bebericar aperol spritz. Apesar deste pub ficar perto do porto velho, a paisagem da esplanada não era nada de especial, mas o mais importante era que a esplanada ficava à sombra. E como sempre se espera de um pub irlandês, a variedade de bebidas era bastante e o ambiente descontraído.
Os tradicionais bolos de Marselha, Navettes
Depois de terminarmos as nossas bebidas no pub Le O’Malley’s fomos a uma pastelaria que ficava do outro lado do porto, La Panetteria. Esta pastelaria está bastante bem avaliada no Google e pela variedade de bolos, doces e folhados da montra não é de espantar. Viemos a esta pastelaria para experimentar os bolos secos tradicionais de Marselha, as Navettes. Estes bolos secos têm a forma de um barco e são normalmente preparados para a festa da Candelária que decorre no dia 2 de fevereiro em Marselha. Felizmente para nós, as Navettes são vendidas durante todo o ano ou não as teríamos podido experimentar.


As Navettes são criação de Monsieur Avyrouse desde 1781. Os ingredientes tradicionais contam com farinha de trigo, açúcar, ovos e flor de laranjeira. Foi na padaria ‘Four des Navettes’ onde estes bolos apareceram pela primeira vez, padaria essa que ainda hoje está aberta na rua Sainte junto à abadia de Saint Victor. E estes bolos são tão importantes na cultura de Marselha que parte da festa da Candelária consiste em uma procissão que começa na abadia e vai até a esta padaria onde o forno de mais de 200 anos recebe a bênção do arcebispo de Marselha.
Nós não fomos às ‘Four des Navettes’, mas fomos à pastelaria de La Panetteria onde experimentámos estes bolos secos, bastante rijos, diga-se de passagem. Para além das Navettes também comprei uma fatia de tarte tatin de alperce que me deixou de muito bom humor. Mas tudo na montra parecia absolutamente delicioso e os preços bastante em conta. Para quem anda à procura de uma boa pastelaria em Marselha não deixe de vir à La Panetteria que certamente encontrará algo que lhe encha as medidas. O difícil é mesmo encontrar o equilíbrio entre experimentar os melhores bolos e doces de França e não ganhar diabetes pelo meio.
No bairro Le Panier
Para queimarmos as calorias dos bolos fomos passear pelo bairro mais antigo de Marselha, Le Panier. E este bairro foi nem mais nem menos o local onde os gregos se instalaram 600 anos antes de Cristo, ou seja, é aqui o berço de Massalia. E hoje em dia é um lugar recheado de ateliers, peculiares cafés e ruas estreitas com extravagante arte urbana. E o que se vê hoje, resultado de uma renovação extrema da zona no início do século XXI, esconde a má fama com que este bairro viveu nos séculos passados..


Durante o século XIX e início do século XX, Le Panier não era um lugar recomendado para passeios, era antes um bairro onde os habitantes viviam em condições precárias, e notório pela prostituição. E a má reputação continuou depois da razia que os alemães fizeram a esta zona durante a segunda guerra mundial, mais especificamente em 1943, a qual deixou mais de 30000 pessoas desalojadas e 1500 edifícios destruídos.
Felizmente, os tempos agora são outros e Le Panier é um dos bairros mais incríveis de Marselha, especialmente para os amantes de arte, de cultura e de lugares pitorescos.
Jantar a céu aberto no Ciel Rooftop
Depois de uma rápida ida ao hotel voltámos à zona do porto velho, desta vez para tentarmos a nossa sorte no famoso restaurante Ciel Rooftop. E claro que é preciso fazer reserva, já que neste momento é um dos restaurantes mais na vanguarda em Marselha. Afinal quem não gostaria de jantar com uma vista maravilhosa naquele que é o edifício mais alto da cidade e com a catedral da Notre-Dame de la Garde mesmo de frente?

Um ‘não, só com reserva’ foi a primeira resposta que o segurança nos deu à entrada do prédio onde ficava o restaurante. Estivemos depois ali a olhar uns para os outros sem saber o que fazer quando o meu amigo perguntou ao segurança se podíamos subir apenas para beber um cocktail. Suponho que o segurança tenha tido pena de nós e acabou por nos deixar entrar. Subimos pelo elevador até ao telhado descoberto onde ficava o restaurante. Levaram-nos até uma mesa alta (suponho que era uma mesa só para bebidas) e recebemos um outro ‘não’ quando perguntámos se haveria a possibilidade de jantarmos ali. Pedimos então as nossas bebidas até que fui ao website do restaurante e vi que havia uma reserva disponível para jantar um pouco mais tarde. Quando inquiri sobre isto, apesar dos empregados não terem sido os mais amigáveis, a verdade é que depois de nos mandarem esperar fomos levados até a uma mesa. E foi assim que acabámos por conseguir o que queríamos, apesar de ter me sentido uma pedinte e de ter recebido algum destrato.
E eu consigo perceber a fama do restaurante – super moderno, vista incrível, atmosfera de sonho especialmente ao pôr-do-sol. Mas não é preciso tratarem potenciais clientes com desdém. Quanto ao tipo de comida é inspirada na italiana e decidimos que merecíamos uma refeição com 3 pratos. Eu escolhi para entrada arancini, para prato principal gnocchi com tomate e queijo stracciatella e tiramisu para sobremesa. Enquanto os arancini e o tiramisu foram de encontro às expectactivas, os gnocchi não foram de todo. Infelizmente, tinham um sabor enfarinhado que deixavam uma sensação desagradável de tipo pó na boca.



No final dou um 7.5 por toda a refeição; a comida teve os seus altos e baixos, o serviço podia ter ser mais prestável, mas claro que o ambiente foi o ponto alto:
- Ambiente e paisagem – 9/10
- Serviço: 7/10
- Entrada e sobremesa: 8.5/10
- Prato principal: 6.5/10
Mas até vos digo que subo a classificação para 8 apenas pela maneira como me senti enquanto estive sentada à mesa até depois das 11 da noite. Afinal passámos um serão super agradável à conversa e a rir. E pela paisagem quase valeu a pena termos de pedir uma mesa por favor.
Para terem apenas a melhor parte da experiência basta fazerem reserva antecipada – mas aviso que tem de ser feita com mais de uma semana de antecedência. Por exemplo vendo hoje (terça-feira) para o próximo fim-de-semana já não há reservas disponíveis para jantar no sábado e apenas uma aberta (às 21:30) na sexta-feira. E estou a escrever isto em abril altura que não é considerada como época alta para o turismo. Para reservas vejam aqui: https://www.ciel-rooftop.com/
Segundo dia: Marselha e Cassis
Alugar bicicletas da Levélo
O segundo dia em Marselha foi mais um dia de céu azul e de muito calor. E tal como o dia anterior começámos pelo pequeno-almoço no hotel onde o ar condicionado nos protegia do calor que já se fazia sentir de manhã.
De pequeno-almoço tomado saímos para a rua e a primeira paragem era em Palais (palácio) Longchamp. Para lá chegarmos decidimos alugar 3 bicicletas da companhia ‘Levélo’. Estas bicicletas estão espalhadas pela cidade em pontos próprios e para as usar basta fazer o download da aplicação e colocar os dados do cartão para fazer o pagamento. Através da aplicação podem aceder ao mapa que contém a informação de quantas bicicletas estão disponíveis em determinado local.
Como já mencionei no início desta página os preços do aluguer podem ser encontrados no website: https://levelo.ampmetropole.fr/en/sharing. A nós ficou-nos a um euro, o valor do aluguer por 30 minutos. Se as tivéssemos usado por mais de 30 minutos cada minuto extra teria custado 0.05 euros. Para quem ficar na cidade por longos períodos também há outras opções como o pacote de 24 horas, o mensal ou o de uso ilimitado.

Para nós aquele euro foi bem empregue apesar de eu achar que a bateria da minha bicicleta (já agora são bicicletas eléctricas) estar em baixo porque eu fartei-me de pedalar, muito mais que os meus amigos, e mesmo assim eles iam bem mais rápido. E claro que como eu não estou habituada a andar de bicicleta, foi atrás de mim que se pôs um carro da polícia em marcha de emergência. É que eu nem sabia para onde me virar para sair da frente deles. Como sempre é a mim que acontecem estas coisas.
A única coisa a ter em atenção em relação ao aluguer das bicicletas é o depósito inicial de 15 euros que vos é retirado da conta, mas devolvido passado 7 dias. Apesar de não ter havido nenhum problema com a devolução esta informação não é dada em qualquer momento durante o processo do aluguer.
Palais Longchamp
Depois de devolvermos as bicicletas ao posto da leveló mais próximo do nosso destino, atravessámos a rua e chegámos à grandiosa fonte do Palais Longchamp. E este foi sem dúvida um dos lugares mais bonitos que visitámos em Marselha.

Esta fonte foi construída entre 1862 e 1869 por Henri Espérandieu, também ele o arquitecto da basílica de Notre-Dame de la Garde, um dos locais que iríamos visitar mais tarde naquele dia. Esta fonte em Longchamp simboliza a chegada da água à cidade, o que foi conseguido através da construção de vários acquedutos entre 1839 e 1849 de forma a ligar o rio Durance a Marselha. A necessidade da água potável em Marselha foi identificada como sendo algo de urgente depois da epidemia de cólera que afectou a cidade em 1835. À fonte foi adicionada esculturas de animais e de frutos por diversos artistas para enaltecer o valor da água potável em Marselha e o potencial que representava para a cidade. Em cada ala à volta da fonte encontra-se um museu, de um lado o museu das Belas Artes e do outro o da História Natural.


Nós não visitámos nenhum dos museus nem o parque que fica pelo lado detrás da fonte, mas fica aqui a dica. Contudo, nós até passámos bastante tempo a admirar os vários detalhes da parte central da fonte, que é sem dúvida impressionante.
Igreja São Vicente de Paulo
A próxima paragem do nosso itinerário ‘meio-oficial’ era a basílica de Notre-Dame de la Garde. No entanto, quando vínhamos a subir a estrada de bicicleta tínhamos reparado nesta igreja, a igreja São Vicente de Paulo, também conhecida pela igreja ‘Les Refórmés’, e portanto quisemos visitá-la antes de apanhar o autocarro para a basílica.
A igreja é conhecida por ‘Les Refórmés’ por ter sido construída no local onde antes ficava a igreja dos Agostinianos Reformados. Esta igreja demorou quase 30 anos a ser construída, tendo as obras começado em 1855, mas apenas finalizadas em 1886. Este atraso foi devido a problemas com o financiamento.


A parte mais impressionante da igreja e que foi o que nos chamou a atenção, são as torres de 70 metros de altura que rodeiam a entrada desta igreja. Mas não é só o seu exterior que merece ser admirado, também no seu interior os numerosos vitrais, obra de Édouard Didron, merecem a nossa atenção cobrindo a maior parte das paredes da igreja.
Basílica de Notre-Dame de la Garde
Em seguida fomos apanhar o autocarro para visitar esta basílica, afinal não podíamos vir a Marselha e não vir aqui. Como já disse anteriormente, os transportes públicos em Marselha são excelentes e em menos de nada estávamos dentro do autocarro 81 para sair na paragem ‘Place de la Corderie’ que fica ao pé do parque Pierre Puget. Para chegar à basílica tínhamos duas opções ou apanhar outro autocarro (60) ou então subir a colina. Escolhemos a segunda opção, até porque a basílica ficava a menos de 1km de distância, mas esquecemo-nos que com o calor que estava uma subida de 800 metros parece uma tortura de 10km. Mas lá chegámos ao topo e fomos recebidos por uma paisagem magnífica da baía de Marselha, do château d’If e das ilhas Frioul.

À chegada à basílica, a primeira coisa que notámos foi a quantidade de pessoas que aqui se encontrava. De toda a viagem este foi o lugar mais caótico que visitámos. Estava tanta gente que à entrada e à saída da basílica tivemos de seguir em fila indiana. Foi por isso, para conseguirmos ver melhor o interior da igreja, que nos sentámos num dos bancos corridos. Para vermos melhor a igreja e também para vermos como poderíamos chegar a Cassis de autocarro que com aquele calor insuportável o queríamos mesmo era passar a tarde na praia.
Quanto à basílica como disse na secção sobre Palais Longchamp, o arquitecto foi Henri Esperándieu que em 1853 projectou este edifício seguindo um estilo romano-bizantino para representar Marselha como entrada para o Oriente. A basílica é também conhecida por ‘La Bonne Mère’ (a boa mãe). A basílica actual foi construída onde antes havia uma pequena capela dedicada à Virgem Maria desde 1214. Quando no século XVI, Francisco I ordenou a construção do château d’If e de uma fortaleza em redor desta capela para fortalecer a força militar em Marselha, a colina de la Garde tornou-se para além de lugar de peregrinação também de apoio militar sendo esta zona usada como campo de treino. De notar que esta capela e mais tarde a basílica foram os lugares da cidade escolhidos pelos marinheiros para practicar a sua devoção o que está representado pela nau no fresco do altar principal.


Quanto a nós, depois da visita à igreja, estivemos mais uma vez no terraço em frente à entrada da basílica a admirar a paisagem do ponto mais alto de Marselha. Entretanto um dos meus amigos ainda foi à carrinha de gelados que ali se encontrava numa tentativa de lutar contra o calor intenso. E depois de várias tentativas com cartões de débito lá foi recompensado com o gelado. Mas claro que não foi suficiente e pouco depois descíamos a colina para apanhar o autocarro que nos levaria a Cassis.

Tarde em Cassis – praia, porto e vila
Para apanhar o autocarro para Cassis em Marselha tínhamos de chegar ao bairro de Castellane. Quando chegámos à paragem de autocarro este já aqui estava parado por isso foi entrar no autocarro, pagar o bilhete, e fazer a viagem de 40 minutos, que com o ar condicionado ligado foi bastante agradável. Em Cassis, saímos na paragem Cabrol Marne que fica na estrada principal. Tivemos depois de descer até à praia, o que demorou mais ou menos 20 minutos. E isto incluindo o tempo que passámos a tirar fotografias pelo caminho.

Para chegar à praia tivemos de passar pelo pequeno porto e ainda antes de chegarmos ao nosso destino já sabíamos que aquela experiência ia ser muito melhor do que a do dia anterior na praia de Marselha, Plage des Catalans. A praia não estava muito cheia, a areia dourada muito fofa enterrava-nos os pés e o mar azul límpido chamava por nós. E nós nem pensámos duas vezes, fomos quase a correr para a água. E a hora e meia seguinte foi possivelmente a melhor parte de toda a viagem. E teríamos ficado aqui bem mais tempo se não tivéssemos de estar de volta a Marselha para o jantar que estava marcado para as 9.

Depois de várias idas e vindas à água fomos dar uma volta pela vila de Cassis. Já que aqui estávamos mais valia ficar a conhecer a vila. Cassis pareceu-me ser um local bastante turístico, e com toda a razão de ser, mas que apesar do turismo não perdeu a sua atmosfera de tradicional vila do sul de França, com cantos e recantos muito pitorescos, boutiques cheias de classe, e lojinhas de decoração amorosa. Mas imagino que em julho e em agosto, estas ruazinhas estejam a abarrotar de gente não só para aproveitar a praia mas também a zona em redor, uma vez que Cassis fica dentro do parque nacional de Calanques, oferecendo vários trilhos, paisagens deslumbrantes e experiências marítimas. Mais à frente falarei um pouco mais sobre o parque nacional de Calanques, especialmente da nossa viagem de barco que fizemos no dia seguinte.


Se soubéssemos que nos iríamos enamorar por Cassis teríamos marcado pelo menos uma noite aqui. Mas como não sabíamos tivemos de regressar a Marselha. Mas só apanhámos o autocarro das 6 da tarde depois de termos parado num dos muitos cafés junto ao porto de Cassis para uma bebida. Para quem estiver curioso sobre os preços das bebidas, por uma cerveja Affligem paguei 4 euros, enquanto que um copo grande de vinho custou 7.50 e um aperol spritz 11. Não achei que os preços fossem fora daquilo que era esperado, especialmente porque o estabelecimento ficava numa zona que podia ser considerada como ‘premium’ em Cassis.
Tartes do supermercado Auchan
Já em Marselha e antes de voltar para o hotel fiz um pequeno desvio para ir a um supermercado que ficava ali perto – surpresa das surpresas o supermercado era o Auchan. Afinal ainda faltava 2 horas para o jantar e a fome já ali andava. E como disse anteriormente, descobri quando voltei de França que estava com COVID e confesso que a partir de Cassis até voltar a casa não me sentia muito bem, acho que foi a partir deste momento que o vírus me começou a atacar com força. Estava sempre com uma sensação estranha, uma mistura entre esfomeada e enjoada. Mas como não sabia que era COVID pensava que era apenas uma constipação que ali vinha e que precisava de alimento.
Fui então ao Auchan onde comprei uma sandes mista e 2 tartes de fruta. E se comi a sandes pelo caminho também acabei por comer ambas as tartes depois no quarto de hotel. E sabem que mais? Souberam-me pela vida. O creme tinha um sabor suave, não muito doce, que contrastava maravilhosamente com o doce da fruta. E ambas as tartes e a sandes ficaram a 5.83 euros.

Ou seja, se não encontrarem uma pastelaria que vos agrade ou se estiverem a fazer uma viagem de baixo custo, não deixem de entrar num supermercado – como várias vezes descobrimos em vários países e em várias viagens, a melhor comida é por vezes aquela que se encontra nos supermercados. Afinal é nos supermercados que os locais vão fazer as suas compras. É por isso que há imensa gente que adora visitar os mercados e supermercados quando viajam para outros países. E há boas razões para isso – eu nesta viagem encontrei-as em duas tartes de fruta.
Pôr-do-sol perfeito em Marselha
Como erámos três pessoas e apenas tínhamos uma casa de banho, acabámos por nos atrasar para o jantar. Como não dava tempo para ir de eléctrico decidimos apanhar um Uber. E assim chegámos ainda com tempo e fomos ver o pôr do sol junto ao monumento majestoso de 1927 ‘aux morts de l’Armée d’Orient’ (aos mortos do exército do Oriente).


A paisagem daqui era absolutamente divinal tanto para a baía como para o castelo d’If. Este local acabou por nos oferecer um fim de tarde lindíssimo.
Bouillabaisse no Chez Jeannot
Em seguida, fomos para o restaurante onde tínhamos feito a marcação, Chez Jeannot. Este restaurante fica na zona ‘Vallon des Auffes’ cujo acesso se faz através de umas escadas estreitas na rua oposta ao monumento ‘aux morts de l’Armée d’Orient’. Nesta zona há vários restaurantes, todos eles junto ao pequeno porto. Ficámos com pena que a nossa mesa não fosse na zona da esplanada, no entanto ficámos junto às janelas de correr por onde soprava uma brisa agradável, característica daqueles fins de tarde depois de um dia quente.


Tínhamos escolhido este restaurante em específico para experimentar a tradicional sopa de peixe de Marselha, Bouillabaisse. Apesar de ser um prato típico desta cidade, nem todos restaurantes têm este prato no menu e a preços razoáveis. Neste restaurante este prato custava 35 euros (preços de 2025) e para ficar mais em conta decidimos partilhar a sopa e também uma pizza, que era a especialidade do restaurante. Para acompanhar a refeição pedimos um vinho rosé da localidade ‘Vallon des Auffes’.
A sopa chegou à mesa cozida dentro de uma espécie de massa folhada. Eu como já disse vária vezes andava com uma fome desmedida, penso que por causa do COVID, e nem dei tempo para tirar uma fotografia à sopa em si. No entanto, não achei a sopa nada de especial. Talvez por ser portuguesa e por termos na nossa cozinha a caldeirada. Porque ao experimentar a sopa foi isso que me pareceu – uma caldeirada à qual foi adicionada camarão. Mas claro que aconselho sempre a experimentar a cozinha local mesmo quando acaba por não ser nada de especial. Afinal o que conta é a experiência e neste caso ao menos pagámos 35 euros (dividido por 2 pessoas) em vez dos 70 que alguns restaurantes pedem. Agora quanto à pizza, a que pedimos era mesmo muito boa. Escolhemos a ‘L’Italienne’ com presunto, pesto e queijo stracciatella que acabou por ser o ponto alto da refeição.

Website oficial do restaurante Chez Jeannot: https://www.pizzeriachezjeannot.com/
Cocktails em CopperBay
Antes de irmos para o hotel parámos em CopperBay, um bar com um extenso menu de cocktails. Pedimos um para cada incluindo um Miami Vice e um mojito. Não me lembro do nome do terceiro, mas sei que o meu amigo ficou bastante feliz com a sua escolha.

P.S. Infelizmente a informação mais recente que tenho sobre este lugar é que fechou permanentemente. No entanto, há outro CopperBay em Paris, da mesma companhia, que ainda se encontra em funcionamento. Se visitarem a capital de França não deixem de vir até CopperBay para beber um cocktail.
Website oficial de CopperBay: http://www.copperbay.fr/
Terceiro dia: Calanques e Marselha
Parque nacional de Calanques
O terceiro e último dia em Marselha começou exactamente como os dois anteriores, na sala de pequenos-almoços do Hotel ibis Marseille Centre Euroméd. Para este dia tínhamos guardado a viagem de barco ao parque nacional de Calanques, uma experiência que não podia faltar estando nós em Marselha. Se já tínhamos entrado no parque nacional por terra quando fomos a Cassis, agora iríamos fazê-lo por mar.
Excursão de barco
Mas aqui mais uma vez fizemos a escolha errada. É que devíamos ter comprado bilhetes para fazer uma excursão a este parque nacional que incluísse uma paragem para pudermos ir à água, ou fazer qualquer actividade marítima. Este foi o segundo grande erro da viagem, o primeiro foi o de não termos ido às ilhas Frioul, e este foi o segundo. E acreditem que durante esta viagem de barco que demorou quase 3 horas, muitas foram as vezes que desejei puder atirar-me borda fora, tal era o calor que se fazia sentir. E era uma tortura passar por aquelas águas límpidas de um azul lindíssimo e não as poder sentir. Como se diz: tão perto e ao mesmo tempo tão longe.

Nós comprámos os bilhetes na mesma companhia com a qual visitámos o castelo d’If ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ comprando os bilhetes no guichet que ficava no porto velho de Marselha, mas mais valia termos escolhido uma das excursões do GetYourGuide, como por exemplo uma das opções disponíveis nesta página: The BEST Calanques National Park activities. E sim, se calhar até teria ficado mais caro, mas acreditem que teria valido a pena.
Pela companhia que escolhemos os nossos bilhetes ficaram a 25 euros por pessoa já que a minha amiga usou o cartão de estudante para comprar os três bilhetes (senão teriam tido um custo de 27 euros). O barco partiu às 11 da manhã e teve uma duração de aproximadamente 2 horas e 15 minutos. Por esta companhia há duas opções para visitar o parque nacional de Calanques, a ‘Essentiel des Calanques’ que foi a viagem que fizemos e que passa pelos 6 maiores calanques da região ou então a ‘Intégrale des Calanques’ que visita 12 calanques e que tem uma duração aproximada de 3 horas e 15 minutos (para saber mais detalhes vejam: Parc national des calanques).

Em justiça da companhia onde comprámos os bilhetes, eles fazem excursões que incluem uma paragem para nadar, uma paragem de 30 minutos, mas devido às restrições do parque nacional estas excursões apenas estão disponíveis durante os meses de julho ou agosto ou em certas datas fora deste período como podem ver no website oficial da companhia Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If. Estas tours têm uma duração de 3 horas e meia.
Parques nacionais em França
No total existem 11 parques nacionais em França e o de Calanques faz parte desta lista desde 2012. Todos os parques nacionais são altamente regulamentados com o objectivo de proteger o seu património natural, paisagístico e cultural. Isto claro que inclui toda a fauna e flora que aqui vive. Para tal, há várias restrições de acesso para equilibrar a protecção do parque nacional e o número de visitantes.

Em cada parque nacional há duas zonas, a zona central do parque, também chamada de núcleo, que é a zona mais protegida e em Calanques 90% dessa zona é marítima. Depois há a zona de amortecimento, da qual fazem parte territórios envolventes ao núcleo que se comprometem a promover o desenvolvimento sustentável trabalhando em conjunto com o respectivo parque nacional. Em relação ao parque nacional de Calanques as áreas de amortecimento são as de Marselha, Cassis e La Penne-sur-Huveaune.
Acesso ao parque nacional de Calanques
O acesso ao parque nacional de Calanques segue várias regras. Por exemplo, entre 1 de junho e 30 de setembro, o acesso é continuamente monitorizado devido ao alto risco de incêndio. Diariamente o mapa do parque nacional é actualizado e as várias zonas marcadas a verde e laranja, zonas cujo acesso é permitido naquele dia, e zonas a vermelho cujo acesso é proibido. Este mapa pode ser acedido através da aplicação My Calanques ou online através deste link: Risque prevention incendie.

Para viagens de carro, há regras adicionais. Por exemplo, as estradas Gardiole e Cap Croisette estão encerradas ao trânsito motorizado durante todo o ano. Por outro lado, sendo que a zona central do parque de Calanques é marítima, também o acesso por mar é altamente regulamentado. É fácil de perceber que apenas barcos que tenham autorização do parque nacional para navegar nestas águas o possam fazer. E têm de estar sempre devidamente assinalados como tal.
A nossa experiência
Apesar de todas estas regras, como turista, não senti que havia assim tantas limitações. E estas regras são para proteger as paisagens deslumbrantes, as falésias e os picos rochosos de cor clara e as ilhotas engraçadas que tivemos a oportunidade de ver. O que faltou foi mesmo o mergulho naquelas águas límpidas.
Estátuas no porto velho de Marselha
Quando regressámos a Marselha os meus amigos quiseram ir petiscar qualquer coisa antes de irmos para o próximo local que tínhamos em mente. Para não irmos mais longe fomos a um café-restaurante que ficava perto do porto velho, o Wood la cantine gourmande. Pelo caminho passámos por duas estátuas que nos chamaram a atenção, uma de um leão e outro de um touro, ambas colocadas em cima de andas que por sua vez estavam em cima de bidons. Ao que parece estas estátuas de arquitectura moderna foram ali colocadas em 2013. Estes animais, o touro e o leão, estão representados no brasão da cidade de Marselha. Se o leão representa força, poder e vigilância o touro representa trabalho, paciência e agricultura.


Estas são duas estátuas fora do vulgar que vale a pena ver quando se vem ao porto de Marselha.
Clube de praia Le Bistrôt Plage
O que queríamos fazer naquela tarde era ir à água, fosse como fosse. Como não tínhamos ficado fãs da praia da cidade ‘Plages des Catalans’ arranjámos uma outra opção, o clube de praia Le Bristôt Plage. O Bristôt Plage fica mesmo ao lado do monumento ‘aux morts de l’Armée d’Orient’ e funciona como restaurante e como bar de praia onde se pode alugar espreguiçadeiras e ter acesso à praia privativa formada por uma pequena enseada natural no meio das rochas. Não vou puder falar da comida porque não a experimentámos, mas posso falar do serviço em geral.
As espreguiçadeiras podem ser alugadas pelo dia todo com um custo associado de 27 euros, ou então fazer como nós, alugá-las por metade do dia que fica a 16. Para contar como metade do dia, o aluguer (uso da espreguiçadeira) só pode começar a partir das 3 da tarde.

Foi durante a nossa estadia no Le Bistrôt Plage que me apercebi da aversão que os franceses sentem pelos ingleses. Como vínhamos todos a falar inglês, afinal eu vinha acompanhada por um inglês e por um irlandês, os empregados devem ter suposto que éramos todos nacionais do Reino Unido. E a recepção apesar de educada foi bastante seca. Depois já nas espreguiçadeiras esperámos e esperámos e esperámos que o empregado viesse tirar o nosso pedido de cocktails. Esperámos tanto que eu acabei por me fartar e fui falar com os vários empregados que estavam à conversa. Bem no momento em que souberam que eu era portuguesa, não só receberam o pedido dos cocktails como estes apareceram num piscar de olhos. Até me indicaram um dos empregados que falava português se precisasse de mais alguma coisa. É que não foi só na rapidez do serviço que houve uma diferença, mas mesmo no tom da conversa que se tornou muito mais amigável. Não deveria ser assim, não deveria haver um tratamento diferente dependendo da nacionalidade, mas certamente que neste caso teve influência (pela positiva) em ser portuguesa.

Não é preciso dizer que passámos o resto da tarde entre banhos de mar, banhos de sol e cocktails deliciosos. E só não jantámos aqui porque um dos meus amigos tinha o voo de regresso marcado para aquela noite.
P.S. A informação mais recente do Google é que este lugar fechou permanentemente. E para além da nossa experiência não ter sido tao má como a de algumas reviews que li, a verdade é que o serviço foi um pouco discriminatório. Como tenho dito o melhor é mesmo incluir alguns dias numa das vilas da costa como Cassis para dias de praia.
Jantar no restaurante L’oli Bé
Vir a este restaurante foi um acaso. Para aquele dia ao contrário dos dias anteriores não tínhamos uma ideia fixa de onde ir comer. Encontrámos este restaurante, L’oli Bé, enquanto tentávamos encontrar uma caixa de multibanco para ir a outro restaurante do qual eu nem sequer me lembro do nome (a ironia, certo?). Enquanto andávamos para frente e para trás nas ruas de Marselha passámos por este restaurante e se a esplanada nos chamou a atenção, o menu prendeu-nos e quando o dono meteu conversa ficou decidido que era aqui que jantaríamos.

Sentámo-nos à esplanada, o ideal para aquele fim de tarde, e escolhemos tapas para dividir e mais uma rodada de cocktails. O menu do restaurante inclui também pratos principais, mas foi o menu das tapas que mais nos chamou a atenção. Pedimos então patatas bravas, batatas fritas, bruschetta com tomate e calamares fritos. O preço de cada prato ficou entre os 3 e os 5 euros, tendo sido o prato mais caro o dos calamares que custou 8 euros. Devo dizer que foram preços bem simpáticos para Marselha e para a qualidade da comida.
Recomendo este restaurante a quem procurar um ambiente descontraído, comida deliciosa e bons preços. Para mais informações vejam a página oficial do restaurante: L’oli Bé.
E foi no final deste jantar com mais um cocktail pedido que começou a nossa despedida a Marselha já que no dia seguinte iríamos visitar Provença.
Quarto dia: Aix-en-Provence
Chegar a Aix-en-Provence de Marselha
Antes de voltarmos para casa que seria no final daquele dia, íamos deixar Marselha, depois do pequeno-almoço tomado e do check-out no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd completo. Íamos hoje viajar de comboio até à cidade Aix-en-Provence a cidade principal da região de Provença. A viagem de comboio entre as duas cidades demorou menos de 1 hora e custou 21 euros. Chegámos a Aix-en-Provence já depois do meio-dia e meia e devo dizer que o calor era quase insuportável. Para este dia eram esperadas temperaturas muito elevadas, perto dos 40ºC, o que fez que a visita a esta cidade não fosse a mais confortável. Mas fizemos o possível para ver os pontos altos de Aix.

Algo que talvez seja importante mencionar é que visitar Aix não significa o mesmo que visitar Provence. Sim, Aix-en-Provence fica na grande região de Provença. mas não na zona onde se encontram os extensos campos de lavanda que é uma das actividades mais famosas da região. Por seu lado, Aix-en-Provence é uma cidade elegante com um grande peso histórico especialmente por ter sido a cidade natal do pintor Paul Cézanne do qual falarei mais à frente. Não estou a dizer que não vale a pena vir a Aix-en-Provence mas sim a ajustarem as vossas expectativas ao que a cidade tem para oferecer. Aliás Aix-en-Provence é conhecida como a cidade das 1000 fontes e pelas suas águas termais cujos benefícios foram reconhecidos pelos romanos que fundaram esta cidade no ano 123. O que no fundo quero dizer é que visitar Aix-en-Provence é uma experiência citadina.
AixLockers
A primeira coisa que fizemos quando chegámos a Aix-en-Provence foi livrarmo-nos das nossas malas. Para isso utilizámos o serviço do AixLockers alugando uma das unidades de armazenamento, o que se pode chamar de cacifo, onde ficariam as nossas malas guardadas por umas horas. O local está aberto desde as 6 da manhã até às 11 da noite e dependendo do tamanho do cacifo assim é o preço. O cacifo mais pequeno, que foi o que nós usámos, custou-nos 5.90 euros por 24 horas. Os cacifos e até a porta de entrada para o espaço onde estão os cacifos estão trancados sendo preciso um código para aceder primeiro à área dos cacifos e depois ao cacifo que reservámos.

Todo o processo foi bastante rápido, tanto em colocar como em retirar as malas do AixLockers. Para além disso o local fica bastante perto do centro da cidade e a um preço bastante simpático. Até porque o cacifo era grande o suficiente para o dividirmos entre nós as duas.
Fontes em Aix-en-Provence
Como disse acima Aix-en-Provence é conhecida como a cidade das 1000 fontes. Actualmente deve existir cerca de 1/4 desse número, mas durante a Idade Média até 1676 havia imensas casas com poços para aceder às águas das várias nascentes que corriam por baixo da cidade. E muitos desses poços foram transformados em pequenas fontes, conhecidas como fontêtes. Depois com o desenvolvimento de sistemas para abastecimento de água, estes poços deixaram de ser utilizados. Mas ainda existem várias fontes e nós passámos por algumas durante a nossa visita. E a primeira foi quando ainda íamos a caminho para os Aix Lockers, a Place des Quatre-Dauphins, que é uma das mais famosas da cidade.
Place des Quatre-Dauphins


Esta fonte foi construída em 1667 pelo escultor Jean-Claude Rambot e nela estão representados exactamente aquilo que o seu nome evoca – quatro golfinhos. Esta fonte é um exemplo da arte barroca na cidade, localizada no bairro Mazarin que é conhecido pelas suas ruas estreitas e pela elegante arquitectura das casas senhoriais. E foi esta zona que nos deu as boas-vindas a Aix-en-Provence.
Fontaine des Prêcheurs
Esta foi outra fonte que nos chamou a atenção agora já sem malas às costas. Esta fonte foi construída em 1757 pelo escultor Jean Chastel e a parte que sem dúvida chama mais a atenção é o alto obelisco central que no topo segura uma esfera, que por sua vez segura uma águia de asas abertas. Aqui a águia representa a lei estando o seu olhar voltado para o local onde eram antes executados os criminosos, o cadafalso de Aix.
Fontaine de la Rotonde
Uma das ruas por onde acabámos por passar mais vezes durante o dia foi a Rue Le Cours Mirabeau, que é a rua mais famosa da cidade com imensos restaurantes, cafés e claro fontes. Nesta rua ficam 4 fontes, a Fontaine de la Rotonde, a Fontaine Mousse, a Fontaine du Roi René e a Fontaine des Neuf-Canons e são das duas primeiras que vamos falar em mais pormenor.

A primeira fonte é a da la Rotonde que fica numa das pontas da Le Cours Mirabeau. Esta fonte foi construída em 1860 e simboliza o valor da água para Aix, e, portanto, é uma das fontes mais importantes da cidade. Nesta fonte estão representadas três mulheres e cada uma simboliza uma actividade diferente. E cada estátua está voltada para a zona relevante da actividade que representa: a da justiça está voltada para o palácio da justiça, a do comércio e da agricultura para a cidade de Marselha e a das artes para Avignon onde ficam as universidades.
Fontaine Moussue
Esta fonte esta envolta por um mistério. A fonte foi construída em 1667 e ninguém sabe como esta fonte é decorada. Isto porque à volta da fonte nasceu musgo que cobre a fonte na sua totalidade, tendo por isso lhe sido atribuído o nome de fonte musgosa. Este musgo desenvolveu-se devido às águas termais que abastece a fonte e é foco de interesse para vários biólogos.

Igrejas em Aix-en-Provence
Paroisse Cathédrale Saint Sauveur Aix-en-Provence
Visitámos duas igrejas em Aix-en-Provence enquanto passeávamos pelas ruas do centro da cidade e a entrada para ambas era gratuita. Esta igreja em particular chamou-nos a atenção pela sua fachada de estilo gótico acompanhada pela alta torre sineira.


No interior da igreja visitámos as três naves de estilos arquitectónicos diferentes, românico, gótico e barroco, que ladeiam a pia baptismal cujo pedestal data o século V. Aliás acredita-se que esta catedral, de dimensões humildes, foi construída onde antes se encontrava um antigo templo dedicado a Apolo, erguido entre o século V e o século XVIII.
Maison de Fondation des Missionnaires Oblats
Esta segunda igreja que visitámos faz parte de um antigo mosteiro carmelita. A visita acabou por ser rápida uma vez que o seu interior era bastante simples.

A visita a estas igrejas foi entre a passagem pelas várias fontes das quais mencionei acima e depois de admirarmos o bonito edifício pertencente ao complexo escolar de Sainte-Catherine de Sienne (Ensemble scolaire Sainte-Catherine de Sienne). Edifício esse que faz parte de um convento do século XVII. Outro ponto importante onde parámos por alguns instantes foi no Place des Cardeurs, construído em 1963, onde durante a Idade Média ficava o antigo bairro judeu. Hoje em dia é um local para encontros e jantaradas, devido ao grande número de restaurantes e cafés que abriram nesta zona.
Cemitério de Saint-Pierre
Depois de andarmos pelo centro histórico da cidade fomos agora visitar o cemitério. Sim, eu sei que talvez este não seja o primeiro lugar que vem à cabeça quando se pensa em viajar, mas viemos até aqui para visitar a campa do famoso pintor Paul Cézanne. Este cemitério foi criado em 1824 depois de terem sido comprados os terrenos adjacentes a dois cemitérios que já ali existiam, um israelita e outro protestante, o que resultou no cemitério de Saint-Pierre com 7 hectares.

Para além de Paul Cézanne, muitos outras figuras importantes foram aqui sepultadas, como Darius Milhaud, compositor e professor francês do século XX, e François Zola, engenheiro italiano do século XIX. Paul Cézanne será provavelmente a figura mais conhecida de Aix-en-Provence no campo das artes. Cézanne nasceu em Aix em 1839 e durante toda a sua vida focou-se na pintura, sendo Cézanne considerado o propulsor do impressionismo do século XIX para o cubismo do início do século XX. Cézanne foi fonte de inspiração para grandes famosos pintores como Matisse e Picasso, a quem o chamavam ‘o pai de todos nós’ (‘Cézanne, c’était le père de nous tous’).

Talvez Cézanne não tenha ficado tão conhecido como Picasso, mas a verdade é que em Aix-en-Provence a marca de Paul Cézanne encontra-se espalhada pela cidade. Não só se pode visitar a sua campa no cemitério, como também o seu estúdio (Atelier des Lauves), o local onde viveu (Bastide du Jas de Bouffan) e passar pelos vários locais que funcionaram como fonte de inspiração para Cézanne como as pedreiras de Bibémus (Carreiras de Bibémus). Também no museu principal de Aix-en-Provence, Museu Granet, se encontram vários quadros pintados por Cézanne.
Rue Le Cours Mirabeau
Depois do cemitério só nos faltava uma coisa antes de deixarmos a cidade – almoçar. Para isso voltámos à rua mais conhecida de Aix, rue Le Cours Mirabeau. Para além das 4 fontes das quais falámos na secção acima, nesta rua vale também a pena olhar para os muitos edifícios históricos construídos por famílias nobres no século XVII. A maioria destas antigas residências luxuosas foram transformadas em hotéis, que mantém a sua arquitectura magnificente. Esta é uma das ruas mais visitadas por turistas e locais e nós mesmo sem o fazermos de propósito foi onde passámos mais tempo.
Almoço no IT-italian trattoria Aix-en-Provence
Então para finalizar a nossa visita à cidade fomos comer qualquer coisa. Assim não só comíamos como também fugíamos ao calor. E foi este restaurante italiano a nossa escolha. Àquela hora, a meio da tarde, não havia muitos clientes por isso pudemos não só escolher a mesa como o serviço foi bastante rápido. Primeiro ainda nos sentámos à esplanada, mas rapidamente nos mudámos para o interior do restaurante, onde o ar fresco do ar condicionado foi muito recebido. No interior o restaurante pode-se dizer estar dividido em duas salas, a da entrada mais informal e a do interior com um convidativo décor e um bar enorme.

Para comer decidimos dividir uma pizza e pedimos a Margaherita di Burrata. E ficámos ambas bastante surpreendidas pela positiva – a pizza era deliciosa. Talvez uma das melhores que tenha comido nos últimos tempos.
Para verem o menu deste restaurante ou outras informações cliquem em: https://it-trattoria.fr/.
Para além deste restaurante em Aix-en-Provence, outros restaurantes da mesma franchise encontram-se espalhados por França.
E foi pelo restaurante que ficámos até chegar a hora de irmos buscar as nossas malas para depois apanharmos o autocarro que nos levaria até ao aeroporto. Felizmente o bilhete de autocarro que tinha comprado à chegada, de ida e volta, podia ser usado tanto de Aix-en-Provence como de Marselha (ver bilhetes de autocarro aqui: https://www.marseille-airport.com/access-car-parks/access/bus)
Para mais informações sobre o que fazer em Aix-en-Provence ou na zona em redor vejam o website oficial de turismo onde encontrarão várias sugestões: https://www.aixenprovencetourism.com/
Adeus, França!
E assim terminava a nossa viagem ao sul de França que incluiu paragens em Marselha, Cassis e Aix-en-Provence. Tinham sido dias de muito calor com COVID misturado pelo meio, mas também ficaram muitas memórias felizes, divertidas e inesquecíveis. Apesar de nunca ter considerado viajar para Marselha, a verdade é que pela minha experiência não só a cidade merece ser visitada como merece perder a má fama que a segue. E vou concluir esta viagem repetindo-me; se vierem durante os meses de Verão não deixem de passar uns dias da viagem numa das vilas costeiras do parque nacional de Calanques, como por exemplo Cassis. Acreditem que não se arrependerão!