Milão e Lago Como

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Milão


Uma das músicas italianas mais conhecidas

Agora que já criei uma atmosfera mais belíssima (sim vai haver muitas referências à língua italiana) começo então por falar de 3 dias passados na zona norte de Itália, mais exatamente em Milão e Lago Como. Ainda antes de ir fomos avisados de alguns maneirismos da cidade e que confirmámos durante a viagem.

  • Primeiro – sim, as pessoas falam muito com as mãos. Gesticulam e falam a uma velocidade impressionante como se tivessem muito lá dentro para dizer e não houvesse tempo para dizer tudo. Nós a pensarmos que se fizéssemos o movimento mais conhecido de Itália que nos dariam um sopapo, mas afinal se o tivéssemos feito só teriam pensado ou que eramos italianos ou turistas a tentar integrar na cultura. O maior exemplo foi durante a viagem de comboio de Milão ao Lago Como. Uma hora inteira em que duas mulheres não se calaram nem para respirar. Depois de 45 minutos eu estava francamente surpreendida como havia pessoas com tanto para dizer.
  • Segundo, em Milão é preciso ter cuidado com carteiras, telemóveis e afins. Se levarem passaporte e cartão de cidadão, aconselho a deixar um no hotel e andar com o outro. Na verdade, andem com o menos possível. Eu por exemplo, andava com uma mala a tiracolo debaixo do casaco com o fecho da mala sempre virado para mim. O mais evidente foi a frente da catedral onde vários homens deambulavam por ali fazendo sinais uns aos outros. Por coincidência ontem vi no Facebook uma portuguesa a queixar-se que tinha sido assaltada em Milão e perguntava como poderia regressar sem documentos. O que mais me impressionou é que houve um ser humano que perguntou se ela tinha sido roubada ou furtada. Fiquei a saber que são coisas diferentes em que ao ser-se roubada também se leva na boca. Eu até pensava que furtado era brasileiro “ele furtou” – se disseram com sotaque vão ver que parece brasileiro. Mas pelos vistos é tudo na boa ficar sem identificação e levar um murro na boca, o que não é aceitável é dar-se pontapés no vocabulário português.
  • E não pensem que os roubos são só em “termos” ilegais. Também tínhamos sido avisados para verificarmos todas as faturas nos restaurantes aonde fossemos. Por exemplo houve em um que pedimos uma cerveja – não veio – pedimos outra vez – não veio. Depois na conta para pagar já veio as duas cervejas – falamos com a empregada – conta emendada agora a pagar uma cerveja – falamos com outro empregado. Pelos vistos é tão normal que pedir desculpa nada e ainda se riram com aquele riso falso do tipo “ah ah ah afinal eles não se deixaram enganar”. Apesar de tudo o restaurante não era mau e falarei dele mais tarde.
  • E por último fomos avisados que Milão é uma cidade cara. Não seria Milão a cidade da moda. Nós tivemos bastante cuidado onde fomos jantar e tentamos não gastar mais do que tínhamos planeado. No entanto, caro fica sempre – agora podem escolher entre pouco caro, médio-caro ou muito caro. Claro que há o exorbitantemente caro como eu vi em que pessoas (juro que isto e verdade) com 5 sacos de compras e nenhum deles era da Primark. Só isto mostra que em Milão não estão para brincadeiras E eu vi uma Primark, por isso escolhem de propósito comprar em sítios caros. O meu marido descobriu como a moda se faz em Milão em 2023, e fica aqui a dica se forem lá durante o Inverno – botas de cano alto, um casaco comprido felpudo e o que quiserem por debaixo tendo em conta que não se veja por debaixo do casaco. Se tiverem friozinho metam uma calças de cabedal que também fica tudo bem.

Como disse que ficou caro vou dizer que gastámos mais ou menos 300 euros durante o fim de semana, não contando com alojamento e voos. Gastámos mais porque fomos ao lago Como e a várias cidades à volta do lago e isso levou-nos cerca de uns 100 euros. Mas como poderão ver não fomos a restaurantes caros, muito pelo contrário. Antes que avance há algo muito importante – comprem os bilhetes com antecedência se querem visitar a Catedral e o quadro da última ceia. Nós para o quadro já só conseguimos através de uma tour guiada porque já não havia bilhetes através do site oficial. E isto foi em janeiro por isso durante alturas mais movimentadas eu diria que comprarem os bilhetes com 3 semanas de antecedência não será exagerado. Eu darei os links à medida que for falando dos locais durante a nossa viagem.


A chegada

Nós voámos de aeroporto de Heathrow para o aeroporto de Linate. De Lisboa penso que o mais comum é voar para o aeroporto de Malpensa. Malpensa fica mais longe de Milão que Linate, mas existe transporte público direto a cada 30 minutos e demora cerca de 1 hora. De Linate há o autocarro 73 que demora cerca de 30 minutos. Como já chegámos por volta das 10 da noite e não tínhamos jantado e a paragem de autocarro ficava longe do nosso alojamento fomos de Uber (notaram as mil desculpas para não apanhar o fresco da noite?) E em Milão claro que o Uber era um carro executivo em que o condutor estava mais bem vestido que os clientes (nós). E ficou-nos caro, cerca de 70 euros, mas era o melhor que se arranjava àquela hora (e para a nossa disposição para aventuras). O nosso conselho – não cheguem tão tarde a uma cidade que não conhecem.Ficámos hospedados da Casa Calicantus a 5 minutos do Arco della Pace (Arco da Paz) e a triliões de quilómetros do centro da cidade. Dizer que andámos muito é não dar o devido valor aos nossos pés e joelhos e ancas e todos os pequenos músculos que trabalham para o simplesmente movimento de por um pé à frente do outro.

Arco della Pace

Claro está que a razão para ficar na Casa Calicantus foi o preço – no centro da cidade é preciso dar uma perna, o que a ver agora se calhar não é mau, já que não vais precisar dela para andar tanto, mas mesmo assim escolhemos a Casa Calicantus. E não nos arrependemos porque se tivéssemos ficado no centro da cidade era preciso andar para a estação de comboios, para a o castelo e para ver o arco. E apesar de já ter passado da hora de check-in, receberam-nos a hora tardia. Agora a senhora não falava praticamente inglês nenhum e nós não falamos italiano – então toda a explicação foi como ensinar chimpanzés a abrir portas – uma mistura de repetição de movimentos e grunhidos. E depois ela disse para lá mais umas coisas que não percebemos patavina e que afinal incluía uma taxa qualquer de 6 euros por noite – só descobrimos já no check-out quando ela pediu 18 euros. No entanto, a mulher foi simpática e o quarto era enorme, a casa de banho enorme e também havia uma sala que mal usámos.

A zona era calma, apesar de ser perto de linhas ferroviárias, mas nada a dizer. O tamanho do quarto foi uma agradável surpresa. O pequeno-almoço era simples. Não digo que era mau, não era, mas simples. Alguns cereais (o leite ainda estamos a tentar perceber onde estava), fatias de pão, panetone (um bolo tradicional com frutas cristalizadas, surpreendente bom), iogurtes, manteiga e uns queijos, fiambre e mortadela. Chegou para aquilo que precisávamos, mas não foi algo que tenha ficado para a história. Descobri que em Itália o melhor é a charcutaria – o fiambre, o presunto, a mortadela eram deliciosos, tinha um sabor intenso mas muito bom. Vou atirar-me e dizer que foi o melhor de toda a viagem. No pequeno-almoço havia sempre a opção de café, cappuccino ou chá – o cappuccino era bom e havia uma boa variedade de chás.

Pequeno-almoço na Casa Calicantus

Como chegámos tarde a Milão muitos dos restaurantes já estavam fechados ou quase a fechar ou não serviam comida. Por isso fomos a um sítio super chique, que gritava “Milão” no esplendor da palavra – uma roulotte ao pé do castelo. Tenho a dizer que tenho essa roulotte em alta consideração pois salvou-nos a noite – pedimos batatas fritas, surpreendente boas, e eu pedi um panini com queijo, presunto e salada, que me soube pela vida. O meu marido pediu um hambúrguer e apesar de haver uma parte que estava meio para o cru, foi tudo. Foi um sítio para o desenrasca mas consigo dar melhor review à roulotte do que ao restaurante mais “chique” que fomos (eu deixo este para outro post para não estragar já a viagem).


O primeiro dia (primeira parte)

Depois do pequeno-almoço fomos em direção ao ponto principal da cidade – a Catedral! Se procurarem em qualquer social media com a localização de Milão conseguirão vislumbrar a catedral por detrás da pessoa que pensa que é modelo do Instagram ou que ser fotografado é a razão da vida deles. Eu ontem fiz uma pesquisa sobre o lago Como só para ver se tinha perdido alguma coisa de especial durante a viagem. Em 100% dos posts só vi mulheres. Alguns homens, mas muita mulher. E pouca paisagem que é aquilo que vale a pena ver quando se vai a outro país. Mas todos devem concordar que já devem ter reparado que as pessoas nem olham mesmo com olhos de ver para o que estão a visitar. Ou estão a tirar selfies ou a tirar fotografias aos amigos/família e a pensar na próxima selfie. O mesmo se passa quando se procura pela catedral, vê-se a fachada ao fundo mas sempre tapada por vestidos, pernas e cabelos.

Comprámos os bilhetes através do site oficial https://www.duomomilano.it/en/ e escolhemos o Duoma Pass Stairs que nos deu acesso aos telhados (pelas escadas), à catedral, à zona arqueológica e ao museu. Cada bilhete ficou-nos a 15 euros. Marcámos para as 10 da manhã e no site aconselhava a chegar uns 15 minutos antes da hora marcada. Acredito que no Verão haja muita confusão, mas sendo Janeiro chegámos ainda uns minutos antes das 10 e entrámos logo de seguida. Começou-se a visita pelo telhado e a subida pelas escadas fez logo subir o batimento cardíaco. Já a suar em bica e a perguntar-nos porque não tínhamos dado mais 5 euros para subir de elevador chegámos finalmente ao cimo. Primeira impressão da catedral? Horrível, horrível (sarcasm alert!) – muitos pináculos e santos e rendilhados. Detestei tanto que tenho cerca de 50 fotografias a comprovar o quanto não vale a pena. É que nem sabia para onde me virar com toda coisa feia.

Então o interior, os grandes painéis de vidros coloridos – detestável. Realmente é uma obra onde se vê que as pessoas não sabiam o que estavam a fazer. E tenho cerca de mais de 50 fotografias só do interior para o comprovar. Agora um bocadinho sobre a catedral, se quiserem confirmar que não vale a pena cá vir.


História do Duomo di Milano

A catedral chama-se Duomo di Milano e a sua construção pensa-se ter começado por volta do ano de 1386, altura em que o estilo Gótico estava no auge. A catedral foi construída sobre as basílicas de Santa Maria Maggiore e Santa Tecla. Os remanescentes destas basílicas podem ser ainda vistos na Área Arqueológica. A decisão de construir usando mármore em vez de tijolo (o que se vê em muitas das igrejas distribuídas pela cidade) foi uma enorme introdução da cidade ao estilo Gótico, o que trouxe arquitetos, escultores e artistas de várias parte da Europa a participar neste projeto. Devido ao grande número de participantes não é possível atribuir esta obra apenas a um autor.

No século XVI com a Reforma Católica foram introduzidas na catedral conceitos da arquitetura e mobiliário eclesiástico da Roma papal como se vê no presbitério, altares laterais, cripta, batistério e chão. O desenho da fachada principal, que é um dos ícones da cidade de Milão começou no final do seculo XVI e só foi finalmente concluída entre 1909 e 1965. Desde a segunda metade do século XX que tem havido um grande esforço na área da restauração de algumas partes do Duomo. Por exemplo durante a nossa visita havia obras de restauração numa das partes do telhado. Para preservar todos as partes da Duomo é preciso esforço, cuidado e dedicação.


Depois de umas duas horas a explorar todas as secções do Duomo incluindo a zona arqueológica e o museu, este último fica ao pé do Palácio Real, fomos confirmar que aquela cidade era para diferentes tipos de bolsos. Galleria Vittoria Emanuele II, arcadas que vos levam a passar por diferentes lojas. Em algumas há um empregado que te abre a porta, não aquele segurança que está sentado a olhar para o telefone ou que não tens bem a certeza se morreu de tédio ou se só adormeceu – não! São empregados de fato a abrirem-te a porta. Nomes como Gucci, Louis Vitton, Prada são apenas alguns dos mais conhecidos que habitam nestas galerias.

Existe uma tradição de pedir um desejo mesmo no centro da galeria. Supostamente tem de se dar 3 voltas na direção oposta à dos ponteiros do relógio onde no chão está a figura de um touro. Nós não o fizemos porque achámos que mesmo que dessemos muitas voltas nunca conseguiríamos ter dinheiro para ir às compras ali. Claro que vale a pena ir às galerias, fica-se não só a conhecer outro mundo como se vê no teto bonitas pinturas. Depois de uma volta às galerias fomos até à Plazza Mercanti onde era a praça central da cidade durante a Idade Média. Agora esta está diferente, mas foi giro ouvir música clássica e ver quem estivesse a dar tudo por aquela música (vejam o vídeo abaixo).

Afastando-nos um bocadinho do centro da cidade fomos ao Santuario di San Bernardino alle Ossa.

As primeiras origens da igreja de S. Bernadino e do ossário remontam ao século XIII. Nesta altura foi construído um hospital aqui ao pé tal como um cemitério para enterrar os que morressem no hospital. Como depois de alguns anos o espaço do cemitério era insuficiente (parece-me que era um hospital dos bons) criaram uma sala para colocar os ossos dos exumados do cemitério. Claro que durante muitos anos os ossos foram considerados de santos ou divindades, mas não, na verdade são a juncão de ossos de doentes que morreram no hospital, outros condenados à decapitação, prisioneiros que morreram durante o seu aprisionamento e que o seu cemitério também ficou lotado em 1622, membros da nobreza de Milão e cónegos da basílica de S. Stefano.

Uma curiosidade sobre esta igreja é que foi aqui que o rei de Portugal João V tirou a ideia para criar uma igreja parecida, esta em Évora, a conhecida Capela dos Ossos. Em vez de ter escolhido trazer para Portugal a arte da culinária, trouxe antes a sugestão de colocar ossos numa igreja. Atire primeiro uma pedra (ou um osso) quem não faria também o mesmo?! Até porque a entrada para esta igreja é gratuita, já o mesmo não se pode ser da Capela dos Ossos.

Andando mais um bocado por Milão fomos visitar Chiesa di San Maurizio al Monasterio Maggiore. Muitas palavras para dizer que é um igreja onde as freiras rezavam. A entrada também é gratuita e antigamente esta igreja de São Maurício estava ligada ao mosteiro das freiras Beneditas. Atualmente é possível visitar a igreja, no entanto o mosteiro é agora o museu cívico arqueológico, esse já de entrada paga.

A seguir foi a vez de fazer uma paragem na Alice a comer pizza. E foi aqui onde comemos a melhor pizza de toda a viagem. Eles têm várias pizzas e escolhe-se o tamanho das fatias e as pizzas que se quer. O preço é dependente do peso das fatias. Alice é uma franchise e encontra-se em vários locais espalhados pela cidade de Milão. Nós experimentámos a pizza de outono com abóbora e a pizza de cogumelos. Ambas muito boas. Recomendo a darem uma olhada no site deles (https://www.alicepizza.it/en/pizza/) e se forem a Milão descobrirem onde encontram uma Alice perto de vocês.


A continuar a vibe italiana…

Para fazer um pequeno intervalo aqui vai outra música italiana de um grande senhor, Andrea Bocelli. E quem não o conhece – shame on you!

E continuemos…

Para passar o tempo até ao jantar fomos visitar o Museu de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci. Tal como o nome indica, este museu é dedicada a outro grande senhor – Leonardo da Vinci. O museu existe desde 1953 e conta com coleções sobre todas as áreas da ciência e engenharia incluindo também arte e arquitetura, não fôssemos nós estar em Itália. Durante a visita vai-se passando de sala para sala conhecendo a história da engenharia aeroespacial, rodoviária, náutica, entre muitas outras. O bilhete de entrada para o museu é 10 euros por adulto. Para quem se enganou e também trouxe os filhos de férias, este museu tem várias atividades em muitas das salas para entreter os pequenos (e pelo que pareceu também os não tão pequenos e como tal não tão giro).

Para final do dia, antes do jantar, tínhamos marcado visita a outro ponto muito importante da cidade de Milão. Na semana antes da partida descobrimos os problemas de não organizar as viagens com adequada antecedência. Um dos locais a não perder em Milão é o mosteiro de Santa Maria delle Grazie. E como no site oficial já não havia bilhetes para os dias em que íamos estar em Itália, olhámos para as excursões privadas e também a maior parte já estava esgotada. Comprámos bilhetes para esta excursão marcada para as 5 da tarde – Milan: Last Supper 1-hour Skip-the-line guided tour (link: https://www.getyourguide.co.uk/milan-l139/milan-last-supper-1-hour-guided-skip-the-line-tour-t309218/).

E porquê que há assim tanta procura para visitar apenas uma igreja? Porque não é uma igreja qualquer e é daqui que vem o título deste post. São quase 300 pessoas, todos os “santos dias”, a quererem visitar por apenas 15 minutos a pintura original da Última Ceia de Leonardo da Vinci. Cada grupo só pode estar no máximo 15 minutos na sala onde se encontra a pintura que tantas perguntas, curiosidades e incertezas tem trazido sobre quem realmente era Jesus e quem realmente está sentado à sua esquerda. O verdadeiro, o original, aqui em Milão. E não me venham dizer que conhecem a pintura por causa do livro “O código da Vinci” porque mesmo os não religiosos já ouviram sobre a última ceia. E realmente estar ali presente à frente da obra única de um grande artista é algo que marca. É uma experiência de orgulho. Apesar de mais de 300 pessoas terem lá ido no mesmo dia que eu continuo a achar uma experiência única.

A guia disse “não tirem selfies” e para aproveitarem o quanto único eram aqueles 15 minutos. Mas claro que para os profissionais das selfies 15 minutos dá para 4575 fotografias com 150 filtros diferentes e por isso era tudo a tirar selfies com a última ceia ao fundo. #janteicomjesus, #jantarcomestesmalucos, #chamem-memadalena foram só alguns dos exemplos de hashtags usados pelos profissionais das redes sociais ali no momento.

Saímos da sala já de noite e com um frio de fazer bater dentes como castanholas (desculpem, país errado para a referência usada). Para jantar já sabíamos onde queríamos ir – Salsamenteria di Parma – restaurante italiano para finalmente provarmos um pouco mais desta cozinha que é conhecida e apreciada mundialmente. Não tínhamos marcado mesa, mas chegámos cedo, por volta das 7. Se quiserem jantar mais tarde aconselho a marcarem mesa porque passados uns 10-15 minutos depois de chegarmos as mesas já estavam completas e só aceitavam quem tinha feito marcação. O menu ao início pareceu-nos um bocado confuso, primeiro há as entradas e depois aconselham a escolher primeiro prato, um prato de massa, e depois um segundo prato como prato principal. A mim pareceu-me um bocado “tourist trap”, um menu feito para turistas. Nós escolhemos entrada e um prato para prato principal. Para beber, estando em Itália, não há nada como pedir um Aperol Spritz e confirmo que em Itália este cocktail sabe melhor. No final da viagem, bebemos Aperol em 3 estabelecimentos e todos eles sabiam ligeiramente diferente, mas mesmo assim todos eles eram melhores dos que já tinha bebido em outras ocasiões.

Para entrada pedimos polenta frita com presunto e queijo. E, entretanto, trouxeram um cesto de pão com manteiga de alho e queijo e um molho com pimentos. Quando trouxeram o pão e os molhos disseram que eram oferta da casa, mas não se iludam, nada que vem para a mesa num restaurante italiano é oferta. E mesmo o que não vem para a mesa vem na conta no final. Quando fizemos o pedido, o meu marido pediu uma cerveja que nunca apareceu, pediu outra vez quando veio o prato principal e também nunca apareceu. No entanto, na conta já apareceram duas cervejas. Dissemos à empregada que não tinha vindo nenhuma cerveja, veio a conta só com uma cerveja para pagar. E lá tivemos que dizer outra vez que não tinha vindo nenhuma cerveja. Este deve ser o estratagema para apanhar os mais introvertidos que não vão dizer nada para “não parecer mal”. Agora sobre a comida – o presunto e o queijo, muito bom, a polenta, talvez se o rácio fosse mais polenta e menos óleo a coisa tinha sido melhor. A polenta vinha tão empapada que mais parecia pronta para olear um carro. Talvez se viesse debaixo de um papel absorvente em vez de papel de embrulho o óleo conseguisse escapar por algum lado em vez de bloquear veias. Para entrada principal pedimos gnocchi com molho de quejo gorgonzola e tagliatelle com molho de carne. Se eram maus? Não, não eram. Se já comi melhor? Sim, e não tive de ir a Itália. Por isso ficou assim um bocado aquém, mas o fator principal aqui foi a grande expectativa com que íamos, eu estava completamente convencida que ia ficar completamente de boca aberta e viciada em massas e pizzas. Ainda fomos para a sobremesa, tiramisu, e sim era a receita tradicional com mascarpone e café forte. Foi um dos pontos altos da refeição, mas também só por acaso custava quase tanto como um prato principal. Não quero que fiquem com a ideia que o restaurante era mau. Não era de todo, e mesmo o ambiente era descontraído e animado. E se voltava aqui? Depois de tudo em conjunto sim, voltava, especialmente para experimentar a salada com burrata.

Para ir curtir a noite que para nós foi até às 11, que depois disso também já é estar a contar com a sorte, fomos até ao bar/restaurante ao pé do Arco della Pace, Bhangrabar. Pareceu-nos que este é um restaurante muito escolhido por locais e estudantes universitários. O lugar estava a abarrotar até porque entre as 5 e as 10 da noite é “happy hour”, pelo buffet e uma bebida (alcoólica ou não alcoólica) paga-se 14 euros, se for uma bebida extra grande (chamadas maxi) paga-se 17 euros. Nós ficámo-nos pelas bebidas – o aperol – sim vão com força nele. A pina colada é que já não deixou desejos. Mas o aperol vão MAXI nele. A comida pelo que me pareceu era mesmo típica de buffet, suponho que pelo preço as pessoas vão mais pela quantidade do que qualidade. Não, emendo o que disse, as pessoas vão mais pela bebida do que pela comida. Mas não se guiem pela minha palavra, afinal não posso criticar o que não comi. E vi quem trouxesse 10 pratos para a mesa e acabá-los a todos. Ambiente 5* e os empregados super simpáticos. Mesmo que não venham para comer vale a pena vir pelas bebidas.

Nada como um conselho cheio de alcool para acabar o primeiro dia em Milao. Se quiserem fazer um intervalo cliquem no vídeo abaixo e aproveitam e já agora bebam um apperol (vá deixo a receita aqui: https://www.aperolspritzsocials.com/how-to-make-an-aperol-spritz/).


Esta confirmado, a musica e uma das melhores artes italianas

Com mais uma música para despertar vamos continuar com a descoberta sobre Milão.

Milão é uma cidade grande e ao mesmo tempo pequena – todos associam Milão à moda, ao luxo e ao deslumbramento. E há espaço para isso tudo em Milão, no entanto para turistas, o deslumbramento dura 1 dia. Apenas digo isto porque é possível ver-se todos os pontos principais  da cidade em 1 dia, dia e meio se quiserem explorar a cidade um pouco mais.

Depois do último pequeno-almoço na Casa Calicantus e do check-out que incluiu o pagamento de uma taxa qualquer – tudo foi muito bem explicado, mas em italiano, por isso digamos que é uma taxa de limpeza ou mais ou menos isso. A taxa de limpeza foi o que se conseguiu deduzir e também como perceber o que a senhora estava a dizer era nickles, vamos que foi essa a razão para os 18 euros.

Assim de malas em mãos fomos visitar o castelo. Apesar de não ter sido planeado a coisa até que não correu mal. Passo a explicar – como em todos os museus não se pode entrar com malas, deixámo-las nos cacifos do museu até à hora de ir para o aeroporto. Para chegar ao castelo da Casa Calicantus passámos pelo Arco della Pace e pelo parque Sempione, onde se encontra a arena cívica Gianni Brera, local onde se realiza jogos de futebol e provas de atletismo. Também neste parque se pode visitar o Acquario Civico e Stazione Idrobiologica di Milano. Nós apenas passeámos pelo parque onde se encontrou muita gente a correr, mas mesmo muita gente com força de vontade para sair de casa às 9 da manha no meio de um frio congelante. E pior, isto notou-se tanto no Sábado como no Domingo. Só pode ser dos hidratos de carbono das massas e pizzas que dão energias extra para estas brincadeiras.

Arco della Pace do parque Sempione

O castelo fica na parte sul do parque e é mais uma fortaleza medieval do que propriamente um castelo. Os bilhetes para entrar custam 5 euros por adulto e com ele tem-se acesso a todos os museus que fazem parte de Sforzesco. Os museus são mais que muitos e cobrem diferentes áreas como arqueologia, artes e diferentes culturas. Os museus estão conectados entre si e facilmente se passa de um museu para outro. Alguns exemplos de museus que podem aqui ser visitados são: museu arqueológico, museu de arte antiga, museu de artes decorativas, museu de instrumentos musicais entre muitos mais.

Se quiserem visitar tudo diria que 1 hora e meia a duas horas. Demorarão mais se quiserem olhar em pormenor para as várias peças de arte e ler todos os placares com informação sobre cada secção. Eu normalmente começo a ler uma frase, mas desisto sempre. Até que vou com garra e quero ler tudo, mas a vontade rapidamente desaparece e espero que eles saibam que a informação importante é para ser colocada logo no início do texto.

Não tirei muitas fotografias mas fiquei francamente impressionada com a fotografia abaixo. E tipo o último boss do jogo onde é preciso ter mais 2 mãos extra e uma armadura nível 500 para o matar. Vê la se aqui puseram uma fotografia de alguém a tocar – pois claro que não têm. É mais um vez a questão do manequim na vitrina de uma loja – a impingir padrões impossíveis a simples seres humanos!

Se tomaram atenção até devem ter reparado a rapariga no reflexo do vidro com ar de “mas isto era para tocar?” Perguntas sérias que nos assaltam no meio de um museu!

Havia uma coisa que eu queria muito fazer em Milão. Vocês perguntar-se-ão: Era visitar a catedral? Era ir ao lago Como? Era comprar uma mala de valor exorbitante? Pronto, isso também, mas não era a prioridade. O que eu queria mesmo era experimentar um cannoli. São as coisas mais simples que nos dão alegria, não são? Bem não diria que um cannoli é simples, porque acredito que há muita técnica lá envolvida, mas acho que perceberam o que quis dizer. Então depois de uma investigação intensa que levou 3 dias para me decidir onde queria ir experimentar o famoso cannoli, fomos a Ammu Cannoli Espressi Siciliani. Tal como a Alice existem vários estabelecimentos espalhados pela cidade e vejam só, não é tamanha coincidência que havia um não muito longe do castelo? Existem vários tamanhos de cannoli – pequeno (muito pequenino), médio e grande. Depois podem escolher entre pistachio, chocolate ou limão para os extremos do creme. Pediu-se com pistachio e lá nos sentámos a experimentar a iguaria. Eu gostei, mas acho que devia haver um tamanho entre o médio e o muito pequenino (que chamam apenas de  “pequeno”). Esse seria o tamanho ideal já que achei o médio um bocado enjoativo para o comer assim de uma ?aceitada ?asseitada. Mas gostei imenso, foi uma das coisas que atingiu as expectativas desta viagem, onde coisas mais óbvias não o conseguiram.

Porque vou deixar para o próximo post o nosso trajeto desde a Casa Calicantus to Como e todas as paragens que fizemos durante o dia, vou já falar do jantar do nosso segundo dia. Vínhamos do Lago Como e vínhamos cansados, esfomeados e esperávamos que a pizza neste restaurante nos restaurasse as energias (gostaram do trocadilho? Não foi intencional, mas deixei ficar).

Tínhamos passado pelo restaurante no dia anterior e reparado que os preços das pizzas não eram escandalosos, para mais o restaurante tinha na altura bastante clientela, o que normalmente indica que é um bom restaurante. O restaurante chama-se Convivium e porque não gosto de criticar um lugar principalmente quando só tive uma experiência nesse local vou apenas deixar um conselho – se quiserem muito vir aqui por qualquer razão, não escolham as pizzas. Acho que foi a primeira vez na minha vida que não engoli 100% de uma pizza e que ficou para aí 1/3 no prato. Se pararem neste restaurante experimentem outras coisas, ou simplesmente vão a outro local. Mas não comam as pizzas daqui. Foi uma grande desilusão e não ficou assim tão barato. Não pedimos entradas, mas trouxeram um cesto de pão e fatias de pão de alho que não tínhamos pedido, mas que era “oferta da casa” – e como disse num dos posts anteriores sobre Milão, a “oferta” é paga desde o momento em que chega à mesa. Por isso essas “ofertas” mais duas pizzas e uma garrafa de água ficou-nos a 37 euros. Acho que mesmo que voltasse a Milão não voltaria a dar uma segunda oportunidade a este sítio, mas a experiência pelo menos fica aqui contada, agora cada um faz as suas à sua vontade. (parece que agora um Ámen ficava bem aqui). Deixo isso a vocês.

Melhor pizza comeu-se no aeroporto de Linate – no restaurante Saporè Milano by Renato Bosco que até está mal avaliado no google. No entanto, a pizza tinha sido melhor que a da noite anterior. Também não façam o mesmo erro e vão ao Macdonald’s no aeroporto. A qualidade era muito de deixar a desejar. No entanto, fomos ao Macdonald’s na cidade de Milão e é como comparar dois restaurantes completamente diferentes.

Hamburguer com frango, abacate e bacon

Tenho de ressalvar a Italian Airways, depois de umas últimas más experiências com outras companhias áreas não estava muito confidente com esta viagem, onde já esperava mais atrasos e dores de cabeça. Tenho a dizer que tanto para Milão como de volta para Inglaterra não só partimos a horas como chegámos mais cedo uns 20 minutos – tanto para um lado como para o outro. Não sei se foi apenas sorte, mas fez muita diferença.

Depois de ter voltado a Inglaterra e para continuar o tema “Itália” fui a um restaurante italiano em Watford – Il Pelegrino – e foi uma das melhores pizzas que já comi (e com burrata!!!!). Os pontos de exclamação era do quanto eu estava excitada em ir finalmente experimentar este queijo. Afinal não precisava de ter ido tão longe à procura da massa perfeita, bastava ter decidido fazer mais uma visita aos estúdios do Harry Potter e parado em Watford.


Lago Como

Começo esta parte por fazer uma confissão: isto está prestes a ser criado apenas por obra do acaso. Ou porque Júpiter estava alinhado a capricórnio celeste ou algo assim. Lago Como é pelos vistos uma das zonas mais cobiçadas de visita no norte de Itália e eu nunca tinha ouvido falar no lago até vir a Milão. E a viagem a Milão inicialmente não contava com o lago Como até porque uma viagem em Janeiro na Europa sempre se conta é com mau tempo e incluir locais de visita dentro de portas. No entanto, o sol espreitava no segundo dia em Itália (como a meteorologia nos tinha dito na noite anterior) e por isso decidiu-se no primeiro dia, depois de percorrermos a cidade de Milão, que nos íamos aventurar para os lados do lago Como.

Lago Como é o terceiro maior lago de Itália e conta com inúmeras povoações nas suas margens que formam uma paisagem completamente excecional. É to bonito que faz-nos suspeitar o que se passa dentro portas. Porque nada pode ser assim tão perfeito!

A paisagem é de cortar a respiração e não poderia ser de outra forma, com os Alpes a espreitarem na parte norte do lago. As povoações são um completo quadro com as suas estradas estreitas, edifícios baixos e coloridos e natureza circundante. Para quem gosta de andar na confusão, o lago Como no Verão deve ser um mimo, mas para quem gosta de ver as coisas sem ter que furar entre multidões e dar cotoveladas como se estivesse num treino de luta livre aconselho mais Primavera ou se conseguirem ter um dia de sol no meio de janeiro, então no Inverno. Digo isto porque apesar de ser pico do Inverno, havia restaurantes completamente cheios especialmente nas povoações mais procuradas como Bellagio. Também havia muitos restaurantes e arriscando-me a exagerar mas digo que a maioria estavam encerrados.

Menaggio e os Alpes como pano de fundo

Para explorar o lago Como a partir de Milão é preciso apanhar o comboio bastante cedo, especialmente no Inverno onde a luz do dia termina por volta das 5. E essa acabou por ser uma das razões por não termos explorado mais a povoação de Como. Se acharem que não querem acordar assim muito cedo podem sempre passar uma noite em Varenna e assim começam o dia já no lago. Nós saímos da Casa Calicantus por volta das 9 da manhã (não se conseguiu mais cedo e mesmo assim doeu) e chegámos por volta das 10 à estação central de Milão. Pelo caminho foi-se conhecendo mais da cidade altura em que se teve ainda oportunidade de avistar o Bosco Vertical, dois prédios cobertos por árvores em todos os andares. Janeiro como todos sabemos é a melhor altura para apreciar “bosques” e por isso pudemos ver praticamente todas árvores sem folhas e as que se aguentavam tinham uma cor castanha muito murcha. Mesmo assim foi mais um ponto interessante da cidade que se viu.

Estação central de Milão

Chegados à estação central de Milão – Milano Centrale – encontrámos uma entrada enorme com duas estátuas imponentes de cavalos alados. Foi uma coisa tipo “Wow – mas é assim que são as estações de comboio em Itália?” Apesar da majestosa entrada a estação em si é bastante comum. As casas de banho deixam muito a desejar, apesar de custar 1 euro por pessoa – 1 euro!!! e às condições de higiene nem sequer uma estrela merecem. Pelo que ouvi na casa-de-banho dos homens ainda era pior em que havia pessoas prestes a vomitar devido ao belíssimo cheiro. Apanhámos o comboio por volta das 10:20 e o bilhete ficou-nos a 7 euros por pessoa.

O comboio partiu em direção à estação Varenna Eso. A viagem de comboio demorou cerca de 1 hora e podem aproveitar para olhar pela janela e ver a mudança de paisagem, de citadina para montanhosa, ou podem optar por ter uma conversa muito intensa e cheia de gestos e palavras como as senhoras que estavam ao nosso lado. Se a conversa era ao menos interessante, não fiquei a saber, mas que estavam investidas naquilo, isso era certo.

Varenna

Chegando a Varenna, os turistas que estavam no comboio apresentaram-se todos às portas da saída. O dia estava frio, mas um sol radioso e a casa de banho desta estação era grátis e em melhor estado (Varenna 1 – 0 Milão). A nossa ideia de vir ao Lago Como não era visitar isto ou aquilo, era mesmo apreciar a paisagem à volta do lago e ficar a conhecer este lugar tão apetecível de Itália. Conseguiram detetar a desculpa de não ter havido uma procura profunda sobre o que fazer no lago? Se não conseguiram, pronto também não vale a pena lerem outra vez para depois apontarem o dedo.

Varenna

Fomos descendo as ruas desde a estação até ao ferry. Apenas neste pequeno passeio já sabíamos que a escolha em vir até ao lago tinha sido a acertada. Um dos pontos mais desejados em Varenna (e onde a maior parte dos posts das redes sociais é feito) chama-se Villa Monastero, um jardim botânico que infelizmente em janeiro está fechado. Mas pela paisagem não é preciso procurar sítios, mas simplesmente vaguear por dentro das povoações e junto a costa.

Viagem de ferry Varenna – Bellagio

Ao meio-dia apanhámos o ferry de Varenna para Bellagio. O bilhete foi 9,20 euros por pessoa. Uma das melhores experiências quando se vem ao lago Como são as viagens de barco, pois é daqui que se tem as melhores paisagens. Bellagio foi a povoação que explorámos mais, andámos pelo centro da vila, pela costa e até fomos ao outro lado da ilha e sim estivemos por alguns momentos perdidos, mas nada que um gps não resolva. Bellagio é tudo o que se pode esperar, ruas estreitas e muito pitorescas, paisagens em qualquer canto com o lago e as montanhas à volta e surpreendentemente muitos restaurantes fechados. Nem para um gelado conseguimos um sítio em Bellagio.

Decidimos ir a Menaggio, porque depois de um longo passeio ainda havia tempo para visitar outra povoação. Apanhámos outro ferry por volta das 13:45. Chegando a Menaggio fomos passeando pelas margens do rio. Menaggio pareceu-me uma vila mais grandita que Bellagio e Varenna e confesso que gostaria de ter explorado um bocado mais. Talvez se for para escolher um sítio para passar a noite, Menaggio será a melhor opção. No entanto, estávamos a contar apanhar o barco rápido para Como às 15:11. O bilhete entre Bellagio e Menaggio custou também 9,20 euros por pessoa.

Paisagem em Bellagio

Podia agora dizer que tínhamos ido à Cappella degli Alpini, uma igreja minúscula e em ruínas no meio do monte. Eu podia dizer que tinha lá ido e tinha sido uma aventura do caraças, com lutas contra ursos e italianos a gesticular muito com as mãos, mas não. Atenção que há quem lá vá que há fotografias a comprovar e a vista parece ser espetacular, mas com o tempo contado e a barriga a começar a pedir comida passeámos pelas ruas de Menaggio até entrarmos em Pesin tipo un bistrò“. Pelas fotografias no Google parece estar cheio no Verão, mas as maravilhas das férias de Inverno fizeram com o café estivesse vazio. Sentámo-nos e pediu-se mais um aperol, uma cerveja que foi a favorita da viagem e um tosta “la vale” com queijo, fiambre, maionese e manjericão. Gostei bastante da refeição e nada com um sítio quente para fugir ao frio que se começava a sentir com o avançar da tarde.

Às 15:11 fomos a correr para apanhar o barco – e a única opção já não era ferry, mas o barco de serviço rápido. O bilhete já ficou a 14 euros cada pessoa mas vão num barco que anda tão rápido que vai fora de água. Não estou a brincar, a parte da frente do barco vai no ar. Este barco é fechado, mas não me importei, porque agora o frio dos Alpes começava a entranhar-se nos ossos. Demorámos quase uma hora de Menaggio a Como porque o barco vai parando em vários locais como em Varenna. Se preferirem podem fazer o percurso contrário, apanhar o comboio em Milão para Como e depois subir o lago até Varenna e então aí apanhar o comboio de volta.

Barco rápido atracado em Como

Chegámos a Como por volta das 4 e meia da tarde e como só faltava meia hora até o pôr do sol fomos passeando junto ao lago, onde havia uma feira com algumas diversões. A feira ficava ao pé de Giardini del Tempio Voltiano e foi por aqui que andámos até escurecer e nos dirigirmos para a estação de comboios. O bilhete de comboio ComoMilão custou-nos 5 euros. Como tinha mencionado no início esta foi a vila que menos explorámos, mas também não tínhamos planeado visitar nenhum ponto em especial. Uma grande sugestão é jantarem um bocadinho mais cedo do que o habitual em Como antes de voltarem a Milão. Como, sendo uma vila muito turística, tem imensas escolhas, apenas não aconselho o Caffè Monti, onde as reviews são más e os preços aterradores.

Giardini del Tempio Voltiano

Um dia em Como pareceu-me suficiente para ter uma ideia dos vários sítios por onde passámos e guardar milhares de fotografias de cada canto. Algumas atrações e restaurantes estavam fechadas em janeiro mas a confusão foi muito menor e nunca tivemos qualquer problema em seguir no ferry que tínhamos escolhido entre povoações porque não havia filas.

Como
Como

Tal como nos aconselharam, agora aconselho eu – se forem a Milão tirem um dia para visitar Lago Como.

Episódio mais marcante do dia – não, não foi nenhuma paisagem nem edíficio nem comida. Foi antes durante a nossa espera para apanhar o comboio onde um dos futuros passageiros pergunta a duas raparigas se elas eram atrizes porno. Elas disseram que não, mas ele estava mesmo convencido que eram pela maneira como estavam vestidas. E não é que o comentário não as desagradou?! Dá-me a impressão que alguém conseguiu o objectivo do dia naquele momento. E com isto fecho a viagem a Itália Janeiro 2023!

Ciao!





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