Leiden & Keukenhof

Keukenhof

Tulipas at Keukenhof

Este ano não quisemos perder a oportunidade de visitar a Holanda durante a Primavera. Por apenas umas semanas o famoso campo de tulipas, Keukenhof, está aberto ao público para um espetáculo mágico de flores e cores. Keukenhof esteve fechado durante 2020 e 2021 devido ao COVID, tendo só possível visitá-lo virtualmente. Mas nunca é a mesma coisa do que experienciar ao vivo. Para um fim-de-semana grande no fim de Abril marcámos os nossos voos para Amesterdão pela Easyjet.com. Ainda ponderámos ir pela Eurostar que liga a estação de St. Pancras em Londres a Amesterdão, mas os preços não compensavam. Acomodação para esta viagem não foi necessário marcar uma vez que ficámos com amigos que vivem na zona de Leiden. Se quiserem visitar Keukenhof e já que estão nesta área do país também porque não visitar Leiden, eu diria que pelo menos uma noite em Leiden e depois o resto em Amesterdão ou noutra cidade que queriam visitar. Podem encontrar boas opções no Booking.com o nosso site de preferência ou em algumas viagens marcamos pelo airbnb.com.

Com cerca de um mês de antecedência da data da nossa viagem marcámos os bilhetes para Keukenhof. Em 2022 o campo de tulipas esteve aberto entre 24 de Março a 15 de Maio e os bilhetes custavam 18.50 euros por adulto e 9 por criança. Podem ver mais sobre o campo de tulipas e as datas para 2023 cliquem no website oficial: https://keukenhof.nl/en/.


Leiden

Como já tínhamos visitado Amesterdão (esperem pelos próximos post), nesta viagem virámo-nos para Leiden, uma cidade na província na Holanda do Sul. Leiden é a quarta cidade mais populacional desta zona da Holanda e também onde se encontra a universidade mais antiga dos Países Baixos, tendo sido fundada em 1575. A atmosfera de Leiden é completamente diferente de Amesterdão, menos focada na vida boémia e turistas. Contudo, há imensas pessoas. No Sábado que passámos em Leiden estava um tempo solarengo e havia o mercado, o que contribuiu ainda mais para as pessoas saírem às ruas ou mais dizendo aos canais. Em cada canto havia um barco parado ou a cruzar os canais do rio que atravessa a cidade.

Quando entrámos pela cidade fomos visitar Hartebrugkerk, a igreja católica de nome oficial “Nossa Senhora Imaculada Conceição”. A igreja foi construída em 1836 quando a liberdade religiosa foi aprovada. Até então os cristãos em Leiden realizavam as suas cerimónias religiosas em “igrejas abrigo” ou “igrejas clandestinas”. Estas igrejas normalmente estavam localizadas em edifícios e armazéns que pelo seu lado exterior não se assemelhavam com igrejas.

Depois da curta visita à igreja, fomos descendo pelo canal ao pé do mercado até ao local onde íamos tomar o brunch, ROOS -Taste & Smile. Sentámo-nos à esplanada que fica em cima de um barco no próprio canal. A comida? Deliciosa. O difícil era decidir o que pedir. Servem sopas, saladas, e diversos tipos de sandes que foi o que escolhemos. E as porções eram enormes. Como acabei de dizer, o difícil foi escolher!

Sandes Dun gesneden biefstuk
Sandes Kippendij

Mal sabia eu o que estava planeado no seguimento do dia – provar as delícias da gastronomia holandesa pelo mercado. Começámos com “Haring” – arenque cru servido com cebola crua. Agora, claro que estando na Holanda tínhamos que o comer de forma tradicional, que é pegar no peixe pelo rabo (com cabeça e as vísceras removidas, mas ainda assim cru), cobri-lo com a cebola crua, deitar a cabeça para trás e meter o peixe todo na boca. É um dos pratos mais famosos da Holanda.

A famosa delícia holandesa – Haring

O que posso dizer do prato? O meu marido adorou até nem se importava nada de voltar a comer. Eu digo, uma vez foi quase demais. Foi bom para experimentar e tal porque depois “ah morres sem saberes” e essa coisa toda que se diz, mas sim uma vez foi suficiente principalmente para saber que não vou repetir. A seguir experimentámos o peixe frito – tipo volta de 180ºC, muito bom, melhor que o peixe frito de Inglaterra. Aliás era isso que eu pensava que o “Haring” era. Nem imaginam a minha cara quando me deram peixe cru polvilhado de cebola crua.

Peixe frito servido com molho tártaro

Para algo mais doce fomos provar as bolachas acabadinhas de fazer com xarope de açúcar – as chamadas stroopwafles. Eu diria que uma bolacha chega para dois porque depois acaba por ser um bocadinho doce demais. Mas também já tínhamos comido imenso, talvez com fome uma bolacha inteira marcha bem. Principalmente aqueles que não comem muito para ter espaço para a sobremesa.

Bolacha acabada de fazer com xarope de açucar

Para queimar algumas calorias de toda a comida ingerida fomos ao Burcht van Leiden. Este castelo no topo da colina remonta ao século XII. Este é hoje um dos castelos mais antigos na Holanda.

A entrada é gratuita e apesar de hoje em dia ser apenas um círculo de paredes ainda erguidas, a vista sobre a cidade de Leiden é maravilhosa. Também fizemos uma visita rápida a Hooglandse Kerk, uma igreja gótica, a que se vê de Burcht (fotografia em cima à esquerda). A entrada é gratuita e a igreja é bastante mais impressionante na sua parte exterior que interior, que se revelou bastante modesta.

Para acabar o nosso dia em Leiden focámo-nos em algo muito importante – bebidas! E por bebidas digo cerveja. Se lerem alguns dos meus posts sobre as nossas viagens já se devem ter apercebido que experimentar, degustar e opinar sobre a cerveja local é um dos grandes pontos. A Holanda não é diferente, apesar da experiência em Leiden ter sido bastante diferente da de Amesterdão neste ponto. Na nossa viagem a Amesterdão ficámos com a ideia de que a oferta de cerveja não era muita, experimentámos a Amstel de que até gostámos bastante, mas também um pouco cara. Em Leiden descobrimos que não é assim. A oferta de cerveja é bastante diversificada e aliás existem várias lojas com uma seleção fantástica de cerveja, vinhos e bebidas brancas.

Primeiro parámos em Het Stadsbrouwhuis, uma microcervejeira local com mais de 30 tipos de cerveja à pressão…e mais de 100 em garrafa e lata! Se quiserem vão à minha página de Instagram onde postei um vídeo do meu marido a experimentar uma cerveja daqui. A sua cara de espanto é uma preciosidade. Este local também serve comida e foi aqui que experimentámos o último petisco da gastronomia holandesa – Bitterballen – almôndegas fritas. Lá porque é tradicional não quer dizer que é saudável…aliás normalmente não é saudável – basta falar no cozido à portuguesa com aqueles enchidos “super healthy” que entopem veias se se comer mais do que 2 bocados.

Para acabar o dia e aproveitar o pôr do sol fomos andando junto aos canais. O jantar foi em casa dos nosso amigos mas não podemos de perder a oportunidade de comprar umas cervejas no supermercado Dirck III. E sim, demorou-se bastante tempo até se fazer a seleção final.


Oegstgeest

Se tiverem oportunidade de passear pelas pequenas cidades e vilas da Holanda encontrarão um país muito diferente daquele que nos é oferecido em Amesterdão. As vilas pitorescas, os seus canais e jardins revelam um país onde o conforto, a beleza e a tranquilidade andam de mãos dadas. Na nossa segunda viagem a Holanda, tivemos oportunidade de conhecer este lado do país. Instalados perto de Leiden e de Keukenhof, tivemos ainda oportunidade de explorar Oegstgeest.

E não há melhor maneira de explorá-la que de bicicleta. Depois de alguns anos sem praticar esta modalidade confesso que estava um pouco apreensiva. Ciclistas e carros que se atravessam, ter uma visão de 360 graus e controlar bem a bicicleta são apenas algumas técnicas necessárias para andar de bicicleta na Holanda. Não assim o poderia deixar de ser, sendo este o meio de transporte eleito pelos holandeses.

Oud Poelgeest – pode-se ver o terraço do bar no lado esquerdo do castelo

Primeiro fomos a Oud Poelgeest e aproveitámos também para passear pelo parque à volta. Oud Poelgeest que em português significa “Poesia Antiga” é um velho castelo no meio de um pequeno lago. O castelo foi agora transformado em um bar com terraço, nove salas para reuniões e uma sala de degustação de vinhos. Pertencente à mesma propriedade temos o Koetshuis onde se encontra o restaurante e o hotel. Em 1640, este castelo pertencia ao professor Boerhaave. Para quem não sabe ele foi o primeiro médico a introduzir o termómetro na prática clinica e o primeiro a separar a ureia da urina, um metabolito que ainda hoje é usado para monitorizar o estado dos rins.

Depois das bonitas fotografias tiradas, subimos novamente para as bicicletas e alas! a pedalar em direção à reserva protegida polders Poelgeest. Em 2007 esta área foi modificada tendo sido plantados juncos e criado um ambiente pantanal. Por essa razão é hoje em dia o habitat de diversas aves como garças, patos, andorinhas-do-mar, cegonhas, entre muitos outras espécies. Esta área é ideal para passear num dia solarengo (atenção que não podem trazer as bicicletas para dentro da reserva).

Tenham também cuidado a andar pela reserva porque apesar de nós não termos tido nenhum incidente, há várias pessoas a relataram encontros um pouco violentos com as várias aves que aqui habitam, especialmente na altura em que os pequenitos andam por ali à volta com as protetoras mães.

Aqui perto fica a marina onde os vários iates particulares estão estacionadas, sendo os barcos o segundo meio de transporte muito comum na Holanda, que não o é em outros países. Pelo que nos disseram há uma lista de espera para os donos do barco terem espaço para estacionamento!

Para último vou deixar uma sugestão de que não se vão arrepender se a seguirem. E essa sugestão chama-se “Luciano“. Esta é uma loja de gelados magnífica, ainda hoje fala-se muito do gelado de pistachio que experimentámos neste estabelecimento. Mas também o gelado de chocolate negro não ficou nada atrás, assim como o bolo gelado de caramelo salgado – sim, nós atirámo-nos de cabeça.

Existem várias lojas por isso vou deixar aqui o website oficial para procurarem a que fique mais perto durante a vossa estadia na Holanda: https://www.ijssalonluciano.nl/

E assim mais uma viagem se concretizou – conhecemos Leiden, os famosos campos de tulipas e ganhamos uma experiência enriquecedora sobre a Holanda.


“Não é preciso muito para ser feliz, basta olhar para o mundo, respirar e viver”