Marselha: Navettes, Le Panier e Ciel Rooftop

Índice desta página

  1. Onde ficámos no último post
  2. Os tradicionais bolos de Marselha, Navettes
  3. No bairro Le Panier
  4. Jantar a céu aberto no Ciel Rooftop
  5. Próximo post

Onde ficámos no último post

Este é o terceiro post sobre a nossa viagem à cidade de Marselha. Depois das considerações, dicas e preparações para uma viagem ao sul de França (ver aqui), começámos no último post a falar sobre o nosso primeiro dia em Marselha. E começámos por 3 locais históricos, a catedral ‘La Major’, o porto velho e o castelo de If. Hoje, vamos focar-nos na parte final deste primeiro dia, desde os bolos tradicionais de Marselha, as Navettes, àquilo que ficámos a conhecer do bairro Le Panier, hoje muito procurado, mas que nem sempre foi assim e finalmente ao restaurante Ciel Rooftop, onde conseguimos jantar mesmo sem ter marcação.

Os tradicionais bolos de Marselha, Navettes

Depois de terminarmos as nossas bebidas no pub Le O’Malley’s fomos a uma pastelaria que ficava do outro lado do porto, La Panetteria. Esta pastelaria está bastante bem avaliada no Google e pela variedade de bolos, doces e folhados da montra não é de espantar. Viemos a esta pastelaria para experimentar os bolos secos tradicionais de Marselha, as Navettes. Estes bolos secos têm a forma de um barco e são normalmente preparados para a festa da Candelária que decorre no dia 2 de fevereiro em Marselha. Felizmente para nós, as Navettes são vendidas durante todo o ano ou não as teríamos podido experimentar.

As Navettes são criação de Monsieur Avyrouse desde 1781. Os ingredientes tradicionais contam com farinha de trigo, açúcar, ovos e flor de laranjeira. Foi na padaria ‘Four des Navettes’ onde estes bolos apareceram pela primeira vez, padaria essa que ainda hoje está aberta na rua Sainte junto à abadia de Saint Victor. E estes bolos são tão importantes na cultura de Marselha que parte da festa da Candelária consiste em uma procissão que começa na abadia e vai até a esta padaria onde o forno de mais de 200 anos recebe a bênção do arcebispo de Marselha.

Nós não fomos às ‘Four des Navettes’, mas fomos à pastelaria de La Panetteria onde experimentámos estes bolos secos, bastante rijos, diga-se de passagem. Para além das Navettes também comprei uma fatia de tarte tatin de alperce que me deixou de muito bom humor. Mas tudo na montra parecia absolutamente delicioso e os preços bastante em conta. Para quem anda à procura de uma boa pastelaria em Marselha não deixe de vir à La Panetteria que certamente encontrará algo que lhe encha as medidas. O difícil é mesmo encontrar o equilíbrio entre experimentar os melhores bolos e doces de França e não ganhar diabetes pelo meio.

No bairro Le Panier

Para queimarmos as calorias dos bolos fomos passear pelo bairro mais antigo de Marselha, Le Panier. E este bairro foi nem mais nem menos o local onde os gregos se instalaram 600 anos antes de Cristo, ou seja, é aqui o berço de Massalia. E hoje em dia é um lugar recheado de ateliers, peculiares cafés e ruas estreitas com extravagante arte urbana. E o que se vê hoje, resultado de uma renovação extrema da zona no início do século XXI, esconde a má fama com que este bairro viveu nos séculos passados..

Durante o século XIX e início do século XX, Le Panier não era um lugar recomendado para passeios, era antes um bairro onde os habitantes viviam em condições precárias, e notório pela prostituição. E a má reputação continuou depois da razia que os alemães fizeram a esta zona durante a segunda guerra mundial, mais especificamente em 1943, a qual deixou mais de 30000 pessoas desalojadas e 1500 edifícios destruídos.

Felizmente, os tempos agora são outros e Le Panier é um dos bairros mais incríveis de Marselha, especialmente para os amantes de arte, de cultura e de lugares pitorescos.

Jantar a céu aberto no Ciel Rooftop

Depois de uma rápida ida ao hotel voltámos à zona do porto velho, desta vez para tentarmos a nossa sorte no famoso restaurante Ciel Rooftop. E claro que é preciso fazer reserva, já que neste momento é um dos restaurantes mais na vanguarda em Marselha. Afinal quem não gostaria de jantar com uma vista maravilhosa naquele que é o edifício mais alto da cidade e com a catedral da Notre-Dame de la Garde mesmo de frente?

Restaurante Ciel Rooftop

Um ‘não, só com reserva’ foi a primeira resposta que o segurança nos deu à entrada do prédio onde ficava o restaurante. Estivemos depois ali a olhar uns para os outros sem saber o que fazer quando o meu amigo perguntou ao segurança se podíamos subir apenas para beber um cocktail. Suponho que o segurança tenha tido pena de nós e acabou por nos deixar entrar. Subimos pelo elevador até ao telhado descoberto onde ficava o restaurante. Levaram-nos até uma mesa alta (suponho que era uma mesa só para bebidas) e recebemos um outro ‘não’ quando perguntámos se haveria a possibilidade de jantarmos ali. Pedimos então as nossas bebidas até que fui ao website do restaurante e vi que havia uma reserva disponível para jantar um pouco mais tarde. Quando inquiri sobre isto, apesar dos empregados não terem sido os mais amigáveis, a verdade é que depois de nos mandarem esperar fomos levados até a uma mesa. E foi assim que acabámos por conseguir o que queríamos, apesar de ter me sentido uma pedinte e de ter recebido algum destrato.

E eu consigo perceber a fama do restaurante – super moderno, vista incrível, atmosfera de sonho especialmente ao pôr-do-sol. Mas não é preciso tratarem potenciais clientes com desdém. Quanto ao tipo de comida é inspirada na italiana e decidimos que merecíamos uma refeição com 3 pratos. Eu escolhi para entrada arancini, para prato principal gnocchi com tomate e queijo stracciatella e tiramisu para sobremesa. Enquanto os arancini e o tiramisu foram de encontro às expectactivas, os gnocchi não foram de todo. Infelizmente, tinham um sabor enfarinhado que deixavam uma sensação desagradável de tipo pó na boca.

No final dou um 7.5 por toda a refeição; a comida teve os seus altos e baixos, o serviço podia ter ser mais prestável, mas claro que o ambiente foi o ponto alto:

  • Ambiente e paisagem – 9/10
  • Serviço: 7/10
  • Entrada e sobremesa: 8.5/10
  • Prato principal: 6.5/10

Mas até vos digo que subo a classificação para 8 apenas pela maneira como me senti enquanto estive sentada à mesa até depois das 11 da noite. Afinal passámos um serão super agradável à conversa e a rir. E pela paisagem quase valeu a pena termos de pedir uma mesa por favor.

Para terem apenas a melhor parte da experiência basta fazerem reserva antecipada – mas aviso que tem de ser feita com mais de uma semana de antecedência. Por exemplo vendo hoje (terça-feira) para o próximo fim-de-semana já não há reservas disponíveis para jantar no sábado e apenas uma aberta (às 21:30) na sexta-feira. E estou a escrever isto em abril altura que não é considerada como época alta para o turismo. Para reservas vejam aqui: https://www.ciel-rooftop.com/

Próximo post

Para a próxima semana vamos entrar nos detalhes do segundo dia em Marselha. Neste dia fomos visitar o palácio Longchamp, a basílica de Notre-Dame de la Garde e como foi mais um dia de calor decidimos ir até à bonita vila costeira de Cassis, a qual adorámos e onde se pudéssemos teríamos ficado bastante mais tempo.

Locais históricos em Marselha: catedral, porto e castelo

Conteúdo desta página

  1. A chegada a Marselha
  2. Começo do primeiro dia
  3. Catedral de Marselha (Cathédrale la Major)
  4. Porto velho de Marselha (vieux port de Marseille)
  5. Castelo d’If
    1. Travessia de barco
    2. A visita ao castelo
    3. Ligação entre o livro ‘O Conde de Monte Cristo’ e o castelo d’If
  6. Plage des Catalans
  7. Próximo post

A chegada a Marselha

Como aterrei bastante tarde no aeroporto de Marselha, naquele dia já não havia muito mais para fazer além de ir para o hotel e dormir. Por isso o primeiro dia oficial da viagem começava no dia seguinte, no domingo. Mas ainda sobre a chegada a Marselha, apesar de já passar da meia-noite ainda havia autocarros, o A1, que faziam o percurso entre o aeroporto e a estação de comboios, Marseille Saint-Charles. O autocarro vinha cheio mesmo àquela hora tardia.

Para ficar mais barato comprei o bilhete de ida e volta que custou 15 euros (ficava a 20 euros se comprasse estes bilhetes separadamente) e permitia voltar tanto de Marselha como de Provença, como fiquei a saber no último dia. Este autocarro parte do aeroporto a cada 20 minutos e a viagem demora cerca de meia hora, talvez mais se for durante o dia quando há mais trânsito.

Começo do primeiro dia

O primeiro dia começou com o pequeno-almoço. Como já mencionei (último post) ficámos todos no mesmo quarto no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd e depois de nos arranjarmos estava na hora de comer. A sala de pequenos-almoços estava practicamente vazia e conseguimos uma mesa ao lado da janela. O tipo de pequeno-almoço oferecido por este hotel é do tipo continental com opções quentes como ovos mexidos e salsichas e opções frias como baguetes, queijos, folhados e cereais. Do hotel o que me ficou foi sem dúvida o pequeno-almoço.

Pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd

Quando saímos para a rua, perto das 10 da manhã, o calor ainda não se fazia sentir e até havia uma brisa agradável. As primeiras impressões de Marselha foi de ser uma cidade grande e limpa, mas não demasiado movimentada. Contudo, a impressão principal com que fiquei era que a cidade era muito bege. A maioria dos edifícios, novos e antigos, pareceram-me favorecer os tons amarelos-claros. Não o digo num tom crítico, aliás na zona do porto velho que vou falar em seguida, deu-me até ares de uma cidade saída da Guerra dos Tronos.

E para as primeiras horas em Marselha iríamos visitar locais históricos como a catedral ‘la Major’, o porto velho e o castelo de If.

Catedral de Marselha (Cathédrale la Major)

Cathédrale la Major

O primeiro edifício que visitámos, e que não podia ser ignorado pelas suas dimensões, foi a catedral de Marselha, nome original: Cathédrale de la Major’. Esta catedral de estilo romano-bizantino é uma das maiores do mundo com 142 metros de comprimento e 20 metros de altura que aumenta para 60 metros quando se inclui as torres e sobe para 70 quando falamos da cúpula. As dimensões desta catedral são comparáveis às da basílica de São Pedro no Vaticano.

A catedral levou 40 anos a ser construída durante o século XIX (1852-1893). As grandes dimensões da catedral iam de encontro ao crescimento económico exponencial que a cidade de Marselha vivia na época. E o local da sua construção foi escolhido por uma razão: para que quem chegasse à cidade de barco a visse de imediato. O estilo arquitectónico da catedral e os materiais utilizados oriundos de várias partes do mundo, tinham (e têm) o objectivo de reflectir a reputação multicultural de Marselha.

Visitar a catedral é completamente gratuito e o seu interior é tão imponente como o seu exterior em termos de tamanho, apesar de ser bastante simples, ainda assim bonita. No entanto, não penso que muitos discordaram quando digo que o exterior da catedral é mais marcante do que o seu interior.

Porto velho de Marselha (vieux port de Marseille)

Visitar o porto velho de Marselha acaba por ser obrigatório, não só pelo seu valor histórico, mas também por ser o centro cultural de Marselha de onde parte a maioria das excursões de barco como as que vão para o castelo de If ou para os calanques, dois locais muito procurados.

O porto velho de Marselha foi onde a cidade nasceu no ano 600 a.c. quando os gregos, oriundos da cidade de Foceia, aqui se fixaram e chamaram esta zona de Massalia. O porto é, portanto, considerado como sendo o berço da cidade. A proteger este porto existem dois fortes, o forte de São Nicolau e o de São João ambos construídos no século XVIII.

Porto de Marselha

Em 1844 foi aprovada a construção de um novo porto na baía de Joleitte uma vez que o porto velho ao longo do tempo tinha-se tornado incapaz de receber todo o comércio marítimo que chegava diariamente a Marselha. Os dois portos estão hoje unidos pela Rue de la République. Também é no porto velho que fica o museu das civilizações Europeias e Mediterrâneas, MuCEM. Apesar de nós não termos visitado o museu, pois tivemos ocupados com outros planos, certamente que é um dos locais a serem considerados.

Castelo d’If

Travessia de barco

Depois de andarmos pelo porto, fomos tentar perceber como podíamos apanhar o barco para visitar o castelo d’If. E não demorou muito a encontrar a resposta no porto onde havia uma barraquinha da companhia ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ a vender bilhetes. O preço da viagem e da visita ao castelo custou 7 euros por pessoa.

Para mais informações vejam: Compagnies Maritimes

Há outra companhia que também faz este percurso, a ‘le bateau’, que para além de ir ao castelo também pára na ilha de Frioul. O preço dos bilhetes são mais caros; se for para parar no castelo de If e na ilha de Frioul o bilhete fica a 16.70 euros, se for só para a ilha de Frioul (excluindo o castelo), o bilhete custa 11.10 euros.

Para mais informações vejam: le bateau

Castelo de If

Para dizer a verdade se nós soubéssemos que havia as duas companhias provavelmente teríamos escolhido a ‘le bateau’ porque assim poderíamos ter feito praia na ilha de Frioul depois da visita ao castelo. O que deveria ter sido melhor do que a praia à qual fomos mais tarde. Mas como não sabíamos comprámos os bilhetes na primeira companhia que vimos que foi a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’.

Fica assim a dica – se for só para visitar o castelo, escolham a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ já que o preço fica mais em conta, mas se para além do castelo procuram também um sítio para fazer praia, então escolham a ‘le bateau’. Também fica aqui para consideração que a companhia ‘le bateau’ não faz o percurso directo de regresso entre o castelo de If e Marselha, tendo sempre de parar na ilha de Frioul depois de sair do castelo e antes de regressar a Marselha.

A visita ao castelo

A viagem de barco passou num ápice, a qual nos deu a conhecer uma diferente perspectiva do porto velho de Marselha e da cidade em geral. Nós passámos cerca de 1 hora e meia a visitar tanto o interior com o exterior do castelo de If tendo sido os ‘grafitis’ gravados nas paredes pelos prisioneiros a parte que mais me marcou.

Castelo d’If

O castelo d’If foi a primeira fortaleza real de Marselha a ser edificada por ordem de Francisco I de França em 1529. O objectivo era proteger o porto de Marselha, um dos principais portos de comércio em França. O castelo de If funcionou como prisão temporária entre 1541 e 1945. Um dos primeiros prisioneiros, detido em 1580, foi acusado de conspiração contra a monarquia. Em 1685 foram encarcerados neste castelo protestantes, já em 1848 foram presos os revolucionários de 1848, seguidos por 304 republicanos em 1852, estes presos por serem opositores a Napoleão III. Em 1871 foi a vez dos insurgentes de Marselha a serem aqui encarcerados enquanto que os últimos prisioneiros foram alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

O castelo de If fazia parte de um conjunto de 4 prisões em Marselha, todas elas temporárias. Estas prisões eram instaladas rapidamente de forma a fazer face a situações de crise como insurreições levantadas por certos grupos, mas muitas vezes com condições inadequadas para os prisioneiros. O que faz o castelo de If tão especial são os memoriais que foram aqui criados pelos prisioneiros políticos. Estes memoriais como por exemplo inscrições nas paredes foram autoria de dois grupos de prisioneiros, os ‘revolucionários de 1848’ (22 de junho de 1848 a 2 de junho de 1849) e os ‘Comunas de Marselha’ (8 de abril a 2 de agosto de 1971). Para a construção destes memoriais os Chefes de Departamento foram essenciais ao serem eles a fornecer materiais como ferramentas e guardas adicionais. O objectivo desta iniciativa era de criar um ambiente calmo a qualquer custo, naquele que seria um ambiente de constante tensão entre prisioneiros.

Ligação entre o livro ‘O Conde de Monte Cristo’ e o castelo d’If

Esta é a tradução da informação disponível no castelo d’If sobre o contributo do livro de Alexandre Dumas para a fama do castelo.

‘No século XIX, o sucesso do livro ‘O Conde de Monte Cristo’ de Alexandre Dumas, publicado no Journal de Débats em 1844, revelou ao mundo a existência da prisão de If, ​​​​que rapidamente adquiriu reputação internacional. Os leitores começaram a visitar a ilha assim que os primeiros episódios foram publicados e quando chegavam ficavam maravilhados. Tudo o que liam estava lá: as masmorras onde os dois heróis tinham sido presos e até o túnel do Abade Faria. O escritor, curioso com esta paixão pela ilha de If, ​​foi lá pessoalmente e ouviu, entre meio divertido, meio surpreendido, o relato do guarda. Nenhuma das visitas entre 1844 e 1880 foi oficial, apesar de se saber que barcos se disponibilizavam a levar visitantes até à ilha. A decisão de ali manter prisioneiros políticos em 1848 e depois em 1871 não alterou em nada a procura. Os visitantes continuaram a visitar a prisão ainda mais determinados. Era, de certa forma, uma peregrinação emocional, onde reviviam os sentimentos que tinham sentido durante a leitura do romance. O livro de Alexandre Dumas ainda hoje contribui para a fama do castelo de If.’

Plage des Catalans

Como infelizmente não comprámos os bilhetes para visitar o castelo d’If pela companhia ‘le bateau’ não pudemos ir até à ilha Frioul para fazer um bocado de praia, restando-nos a opção de voltar para Marselha e procurar uma alternativa na cidade.

Plage des Catalans

Foi por isso que viemos à praia perto do porto velho, a Plage de Catalans, uma praia de areia dourada que naquele momento estava a abarrotar de gente. Contudo conseguimos arranjar um cantinho para pôr as nossas coisas e revezando-nos pudemos ir à água. A praia felizmente também tinha chuveiros exteriores e casas-de-banho onde pudemos mudar de roupa. Apesar da maravilhosa sensação de nos refrescarmos na água, esta acaba por ser uma praia de cidade, o que normalmente significa enormes multidões em dias como aquele de grande calor e água que nem sempre é a mais limpa. Eu que não sou muito dada ao exercício de ‘fazer praia’ sinto-me sempre desconfortável neste tipo de praias, no entanto esta era a única opção que tínhamos disponível naquela altura. Daí que a sugestão sobre a ilha Frioul deve ser tida em conta! E sim, aparentemente depois de meses passados ainda estou a remoer nisto.

Depois da praia decidimos ir beber qualquer coisa fresca. Apesar de já ter passado nesta altura o meio da tarde o calor ainda era bastante. Ao contrário do costume, que é tentar encontrar um lugar mais local, acabámos num pub irlandês, Le O’Malley’s.

Pub irlandês Le O’Malley’s

Depois de uma pint de Guinness acabámos na esplanada a bebericar aperol spritz. Apesar deste pub ficar perto do porto velho, a paisagem da esplanada não era nada de especial, mas o mais importante era que a esplanada ficava à sombra. E como sempre se espera de um pub irlandês, a variedade de bebidas era bastante e o ambiente descontraído.

Próximo post

E é por este pub irlandês que acabamos este post. O primeiro dia da viagem deu-nos a conhecer o lado histórico da cidade de Marselha, mas ainda muito tínhamos para explorar. No próximo post vamos continuar por este primeiro dia em Marselha, altura em experimentámos os tradicionais biscoitos, as Navettes, passeámos pelo peculiar bairro Le Panier e jantámos no muito procurado restaurante Ciel Rooftop.

Marsellha, França

Conteúdo desta página

  1. A escolha do destino
  2. Preparativos
    1. Hotel
    2. Roupa e acessórios
    3. Deslocar-se na cidade
  3. Reflexões
    1. Temperaturas
    2. Segurança
    3. COVID
  4. Itinerário da viagem
    1. Dia 1 (Marselha)
    2. Dia 2 (Marselha)
    3. Dia 3 (Marselha)
    4. Dia 4 (Aix en Provence)
  5. Próximo post

A escolha do destino

Ir a França era uma conversa que eu e dois amigos vínhamos a ter há algum tempo. A nossa viagem anual normalmente levávamo-nos à Irlanda, mas em 2025 decidimos visitar outro país. A ideia inicial era visitar Bordeaux, a cidade do vinho, mas devido ao preço dos voos da Irlanda para Bordeaux, Marselha foi a escolha final. E é normalmente um problema quando se viaja em grupo, ou pelo menos acontece-me quando eu viajo em grupo – encontrar um destino que seja adequado a todos quando as pessoas do mesmo grupo partem de diferentes países ou até dentro do mesmo país, mas de diferentes aeroportos. Seja por causa do preço dos voos, ou por não haver voos diários ou então pelas horas díspares de chegada e partida.

La Cathédrale de la Major (catedral de Marselha)

Eu nunca tinha pensado visitar Marselha, mas pensei porque não? Afinal era uma cidade que nunca tinha conhecido e até nunca tinha estado no sul de França. E Marselha sendo uma das cidades mais baratas da região era uma opção viável que no final mostrou ter bastante para oferecer. Eu confesso que ao contrário do que é normal vinha para esta viagem completamente ‘às escuras‘. Quando aterrei em Marselha não tinha nenhuma ideia sobre os locais a visitar, o que fazer na cidade e onde comer. Felizmente um dos meus colegas tinha andado a ver os pontos altos de Marselha, mas se por algum motivo o itinerário dos 4 dias vos parecer errático já sabem a razão.

Preparativos

E como tal os preparativos para a viagem foram mínimos. Para além dos voos e do hotel não marcámos mais nada com antecedência. Mas acabámos por ir aos locais que queríamos fosse ele de autocarro ou de barco como ir a Cassis, aos Calanques de Marselha e ao castelo de If. Talvez a única coisa onde poderíamos ter sido mais organizados foi nos restaurantes. Porque apesar de no final ter corrido tudo bem e termos jantado nos locais que queríamos experimentar, no do primeiro dia foi apenas por sorte. Mas aprendemos a lição e fizemos reserva no segundo restaurante para o dia seguinte. Dos restaurantes, experiência, ambiente e comida falarei na altura devida. Portanto pela experiência que tive recomendo a fazerem a marcação nos restaurantes com antecedência principalmente no restaurante Ciel Rooftop.

Hotel

Marcámos o hotel com uns 4 meses de antecedência, mas aconselho a fazerem-no ainda com mais tempo. Porque mesmo assim quando fomos escolher o hotel onde ficar os preços estavam mais caros do que aquilo que esperávamos. Nós queríamos um hotel no centro de Marselha e acabámos por escolher o ibis Marseille Centre Euroméd. Marcámos um quarto para os três já que não nos importamos de partilhar o quarto com pequeno-almoço incluído. No total ficou pelas 4 noites 535 libras (aproximadamente 600 euros), ou seja cerca de 200 euros a cada.

Pequeno-almoço no hotel ibis Marseille Centre Euroméd

Se fosse agora, sabendo que no final de junho as temperaturas em Marselha rondam os 35ºC tinha gasto um pouco mais para ficar num hotel com piscina, mesmo que isso significasse ficar fora do centro da cidade, já que Marselha tem óptimos acessos em termos de transportes públicos. Para além que apesar do hotel ibis ser limpo, ter uma decoração engraçada, o quarto era demasiado pequeno para 3 pessoas. Não estaria a dizer isto se fôssemos só dois, mas para 3 pessoas era demasiado apertado. Não havia espaço para todos para por exemplo guardarmos as nossas roupas e os produtos de higiene que tiveram de ficar dentro das malas. Achei mesmo que não ia de encontro às expectativas em termos de espaço. Por outro lado, o pequeno-almoço era bastante satisfatório, variado, numa sala com janelas enormes de vidro, onde começámos o dia a aproveitar o ar condicionado.

Ou seja, no final o hotel deu bem para o que queríamos, a cama era confortável, não havia muito barulho e a localização era óptima. Se calhar as nossas expectativas é que eram demasiado altas. Mas atenção, como disse para duas pessoas, a estadia neste hotel é ideal para uma opção mais económica.

Aqui fica o website para marcações e mais informações sobre este hotel de 3 estrelas: Ibis Marseille Centre Euroméd

Roupa e acessórios

Aqui vou confessar que fui ingénua, claro que no final de junho ia estar muito calor! E o calor forte fazia-se sentir a partir de meio da manhã até ao final da tarde. Todos os dias que estivemos em França as temperaturas rondaram entre os 35ºC e os 40ºC. Daí eu ter falado do hotel com piscina. Por isso para esta altura do ano o que não pode faltar é um protector solar bem forte, um chapéu e roupas leves. Sendo Marselha uma cidade junto à costa, há várias praias ou clubes de praia disponíveis e por isso também é importante não esquecer de trazer o fato-de-banho e chinelos.

É recomendado levar um chapéu para Marselha

No entanto, para visitar a cidade e para jantar não usem chinelos. Para andar pela cidade aconselho sapatos confortáveis, até porque os locais de maior interesse não estão perto uns dos outros e em muitos casos é preciso subir e descer colinas, o que não é engraçado de o fazer se o calçado não for apropriado. Também para jantar aconselho uns sapatos mais formais como sandálias (também pode ser ténis de cores neutras) principalmente para comer em certos restaurantes como os dois que nós fomos, o Cielo Rooftop e Chez Jeannot.

Deslocar-se na cidade

Como disse para andar a pé é trazer sapatos confortáveis. Alternativamente Marselha oferece uma óptima rede de transportes públicos. Nós por exemplo andámos de autocarro que nos levou até Cassis (viagem de 20 minutos) e teríamos apanhado o eléctrico que parava mesmo em frente ao nosso hotel não nos tivéssemos atrasado imenso, tendo de apanhar o Uber para chegarmos a tempo ao restaurante.

Outra opção que também experimentámos foi alugar bicicletas usando a aplicação ‘Le Vélo’ que custou 1 euro por meia hora. Se tivesse usado a bicicleta por mais do que 30 minutos, teria pago adicionalmente 0.05 euros por minuto. A única coisa a ter em atenção é que na primeira vez que se usa uma das bicicletas é retirado da vossa conta um depósito de 15 euros que é devolvido 7 dias depois. O depósito era algo que não estávamos a contar e ficámos surpreendidos e até um pouco alarmados quando vimos o pagamento, mas felizmente o dinheiro foi devolvido sem problema nenhum.

Para mais informações sobre este serviço de aluguer de bicicletas: https://levelo.ampmetropole.fr/en/

Reflexões

Temperaturas

As temperaturas altas foram sem dúvida das coisas que mais tiveram impacto nesta viagem. Com menos 15ºC visitar Marselha tinha sido muito mais fácil do que andar pelas ruas da cidade naquele calor insuportável. Por outro lado, fez com que procurássemos outros locais como Cassis, uma bonita vila da costa a menos de 20 minutos de Marselha.

Praia em Cassis

Se pudesse mudar a viagem ou viria numa altura com menos calor, talvez em maio, ou então ficaria alguns dias em Cassis ou noutra vila perto de Marselha onde pudesse desfrutar da praia de manhã, à tarde e à noite. Aliás nós quando estávamos em Cassis, desejámos que tivéssemos marcado uma noite ali para pudermos ficar mais tempo a explorar a vila.

Segurança

Quanto à cidade de Marselha, esta tem uma certa má fama, a de ser uma das cidades menos seguras do sul de França. No entanto, não senti em momento algum de que estava em perigo, ou com medo. E andámos a maioria das vezes a pé pela cidade incluindo à noite. Talvez foi porque não passámos pelas zonas menos aconselhadas da cidade, mas a verdade é que pela nossa experiência, a fama temível muitas vezes atribuída a Marselha não foi confirmada.

COVID

Outro pormenor que espero que não tenha afectado demasiado a minha opinião sobre a cidade e que só descobri quando cheguei a casa, foi estar com COVID. Desde o domingo de manhã (cheguei a Marselha sábado à noite) até me vir embora na quarta-feira que me sentia desconfortável, com febre, sensação que atribui às altas temperaturas, com dor de garanta e cabeça e sem energia. E apesar de tudo tinha uma fome desmedida, comia tudo o que me punham à frente. Penso que era o meu corpo a tentar atacar o COVID enquanto passava o dia de um lado para o outro no sul de França. E claro que o mal-estar que esteve presente em toda a viagem pode ter de certa forma nebulado a minha visão sobre Marselha.

Itinerário da viagem

Este foi (por alto) o nosso itinerário dos 4 dias que passámos em Marselha e em Aix en Provence. Todos os detalhes estarão disponíveis nos posts das próximas semanas.

Dia 1 (Marselha)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Visitar a catedral de Marselha (Cathédral la Major)
  • Apanhar o barco e fazer a travessia até ao castelo de If
  • Passear pelo porto antigo de Marselha
  • Fazer praia na Plage des Catalans
  • Experimentar os biscoitos tradicionais, Las Navettes, na pastelaria La Panettoria
  • Passear pelo quarteirão Le Panier para ver os interessantes e coloridos murais
  • Jantar no restaurante Ciel Rooftop

Dia 2 (Marselha)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Ir de bicicleta até à fonte do Palais Longchamp
  • Visitar a igreja Saint-Vincent de Paul
  • Subir a colina até à basílica Notre-Dame de la Garde
  • Apanhar o autocarro para Cassis e em Cassis aproveitar a praia, explorar as ruas da vila e descansar numa esplanada dos muitos cafés da zona
  • Ver o pôr-do-sol na praça Lieutenant Danjaume já de regresso a Marselha
  • Jantar no restaurante Chez Jeannott
  • Cocktails no bar Copperbay Marseille

Dia 3 (Marselha)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Fazer passeio de barco pelos calanques de Marselha
  • Alugar cadeiras de praia no Bistro Plage e nadar nas águas do mar
  • Jantar no restaurante L’oli Bé

Dia 4 (Aix en Provence)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Apanhar o comboio para Aix en Provence
  • Passear pelas bonitas ruas das cidade
  • Visitar a catedral Saint Sauveur Aix-en-Provence
  • Passar pela fonte de la Rotonde
  • Visitar a capela des Oblats
  • Visitar o cemitério Saint-Pierre e a tumba de Paul Cézanne, influente pintor francês do século XIX
  • Almoçar no restaurante IT – Italian Trattoria Aix-en-Provence

Próximo post

Depois de discutir os preparativos e considerações a ter numa viagem a Marselha no final de Junho, vamos no próximo post falar do primeiro dia que começou com um bom pequeno-almoço e acabou com um jantar com vista panorâmica no Ciel Rooftop.

Restaurantes em Barnet e Bushey (norte de Londres)

Esta página contém informações sobre dois restaurantes, um em Barnet e outro em Bushey, duas cidades a norte de Londres. Estes restaurantes são as adições mais recentes à página já disponível neste blog: Barnet and Bushey

Quem vem a Londres vai muito provavelmente procurar lugares de alojamento perto do centro da cidade. Mas muitas vezes os preços de alojamento em Londres são proibitivos e não falo só de hotéis, mas também de Airbnb e Guesthouses. Uma das opções é ficar instalado em cidades um pouco mais afastadas do centro que tenham óptimos acessos a Londres, como Barnet e Bushey. Até porque os vários locais para visitar dentro da cidade estão afastados e para se ir de um ponto ao outro a melhor opção é por vezes apanhar o metro ou o comboio. Portanto, não é de todo impossível que acabem por ficar a conhecer Barnet ou Bushey. Aqui fica a sugestão de dois restaurantes, um em cada uma destas cidades, que foram adicionados à página deste blog onde sugerimos como passar um dia em Barnet e outro em Bushey.

The Arkley pub em Barnet

Este pub fica um pouco afastado do centro de Barnet, mas a uma distância que permite ir a pé. O ambiente no interior do The Arkley é entre o formal e o intimista sem ser desconfortável. No fundo é um pub, mas um pub mais elegante do que o pub local. Neste tipo de pubs como o The Arkley, o menu é mais refinado o que também se nota no serviço, tal como nos preços, confesso. Mas há maneiras de tornar os preços um pouco mais acessíveis, das quais vou falar a seguir.

De mesa reservada, sentámo-nos numa sala agradável, de luz intimista e cadeiras muitos confortáveis. Para beber pedimos uma garrafa de vinho rosé do qual gosto muito, Discovery Beach Zinfandel, e como era uma quinta-feira havia a possibilidade de escolher o menu económico que com 2 pratos custa 22.95 libras ou com 3 pratos 27.95 libras. Esta oferta está disponível de segunda a quinta e inclui entrada, prato principal e sobremesa se a escolha for os 3 pratos. Se for os 2 pratos ou escolhe-se entrada ou escolhe-se sobremesa com o prato principal. A nossa ideia inicial era os dos 3 pratos, mas depois das entradas e do prato principal não havia espaço para mais. O único ponto fraco é que este menu económico, se o quisermos assim chamar, oferece menos opções do que o menu principal. Para mim não fez diferença porque o que eu ia pedir estava neste menu mais limitado, mas por exemplo uma das minhas amigas decidiu-se pelo menu principal para o qual eu também tinha um desconto de 25%.

Entrada: choco frito

Para também terem direito a descontos e pouparem umas libras, se por acaso vierem a este pub façam o download da app Premium Country Pub Collection. A aplicação é gratuita e foi quando fiz o download que tive acesso a dois códigos de promoção, um dos quais já referi acima, o dos 25% de desconto, para além de um copo de champagne gratuito, o que pedi para finalizar a refeição. Vejam o seguinte link para puderem fazer o download da app: Download Premium Country Pub app

Quanto à comida não só era deliciosa como as porções eram bastante generosas, razão para não ter pedido a sobremesa. Como entrada pedi o choco frito (sea salt & black pepper squid) que estava de comer e chorar por mais e para prato principal a massa pappardelle com camarões, caranguejo e chouriço (king prawn, crab & chorizo pappardelle). Também tive oportunidade de experimentar ainda nas entradas a pizza de alho (stonebaked garlic & mozzarella pizzette) que não só deu para três pessoas como era muito, mas muito boa.

Prato principal: pappardelle com camarões, caranguejo e chouriço

Acho que já perceberam que fiquei a gostar bastante deste restaurante e que recomendo a visita para quem tiver a oportunidade. Para mais informações deixo aqui o website oficial: The Arkley Country Pub & Restaurant in Barnet


Bella Rosa em Bushey

Numa noite de dezembro em 2025 eu e uma amiga decidimos ir jantar a Bushey. Estávamos ambas indecisas entre dois restaurantes italianos, mas no final a decisão foi feita por nós. Um dos restaurantes era a Villa Bianca que quando chegámos à porta descobrimos que mesmo sendo um dia de semana não havia mesa disponível àquela hora. Fomos então ao segundo restaurante da lista, a Bella Rosa e felizmente apesar de também estar cheio havia uma mesa para duas pessoas junto à janela.

Prato prinicipal: pizza Fiorentina

O restaurante estava bastante animado, no entanto o som das conversas que atravessavam a sala estava a um nível que dava para termos uma conversa sem termos de elevar a voz. A decoração do restaurante era também bastante fotogénica com colunas de flores (falsas) a descer do tecto. O menu era variado com pizzas, massas, pratos de carne e peixe. Os valores ficavam entre os 15 e os 16 euros em relação às pizzas e massas que foi o que escolhemos. Para mim foi a pizza Fiorentina com espinafres, ovo e azeitonas que custava £14.90. A minha amiga também ficou satisfeita com o prato de massa que pediu (não me lembro qual foi) cuja porção era bastante decente.

A única coisa da qual não gostei muito foi o tiramisu, infelizmente um dos mais fraquinhos que já comi, seco e com pouco sabor. A minha amiga pediu a Torta di Mele, tarte de maçã com gelado de baunilha que pelos vistos foi uma melhor escolha. O que foi mesmo uma pena já que o aspecto do tiramisu prometia. Os valores das sobremesas ficavam entre as 8 e as 9 libras o que eu acho sempre caro, mas para dizer a verdade são os preços normais em Inglaterra.

Sobremesa: tiramisu

Para ver mais detalhes sobre este restaurante vejam a página oficial: Bella Rosa Restaurant in Bushey

Assim já sabem, se por obra do destino pararem em Bushey não deixem de experimentar o restaurante Bella Rosa que vale a pena.


Para mais informações sobre Barnet e Bushey como outros restaurantes e locais para visitar vejam a página: https://viajarcozinharedietar.com/barnet-and-bushey/

Cervejaria Rebellion Beer Co. Ltd em Marlow, Inglaterra

April 2026: Este post contém as alterações feitas na página Marlow e cervejaria Rebellion

O que está incluído neste update? Noites sociais, tour guiada pela fábrica e a nossa experiência como membros.

Cervejaria Rebellion

A cervejaria Rebellion foi a razão para visitarmos Marlow pela primeira vez. E desde que descobrimos este local já cá viemos vezes sem conta, pelo menos 1 ou 2 vezes a cada dois meses. E há sempre cervejas novas para experimentar.

A Rebellion Beer Co. Ltd brewery abriu em 1993, continuando assim a história da cerveja em Marlow, uma história que remonta a 1758 quando a fábrica de cerveja (brewery) Wethereds abriu portas até 1988. Como podem ver a Rebellion tinha uma grande responsabilidade, a de continuar um legado com mais de 260 anos. E parece-me que estão a fazer um óptimo trabalho pelo número de clientes que aqui se encontra a qualquer altura tanto durante a semana como nos fins-de-semanas, esteja a chover ou a fazer sol. Uma das principais razões para a qualidade da cerveja produzida na Rebellion é a zona geográfica de Marlow. Marlow fica entre as colinas calcárias, Chiltern Hills, que permite obter uma água rica em minerais e sais, ingrediente importante para a produção da cerveja e para a qualidade do produto final.

Um dia normal na Rebellion

No complexo da brewery encontra-se a fábrica onde é produzida a cerveja, a loja onde se pode comprar as cervejas em garrafa (1L) ou até em garrafões para além de outras bebidas como vinhos e gins. No entanto, para nós a melhor parte é a tenda e o pátio exterior, a chamada Tap Yard onde se vendem as cervejas de pressão, vinhos, gins e bebidas quentes tais como café e chá. Aqui encontramos sempre um ambiente agradável, descontraído especialmente em dias solarengos. Há várias cervejas à escolha, algumas são permanentes enquanto outras mudam a cada duas semanas ou pelo menos mensalmente. Portanto há sempre novas cervejas para experimentar.

Para nós a melhor até hoje foi a primeira que experimentámos quando viemos à Rebellion pela primeira vez – a white milk stout (cerveja preta que não é preta, como mostra a fotografia acima à esquerda – estranho, certo?). Esta foi uma daquelas cervejas especiais que duraram apenas umas semanas e desde essa altura que esperamos que ela volte a ser produzida!

A white stout foi a razão para voltarmos aqui vezes sem conta. Apesar de claro já termos bebido muitas outras das quais gostámos muito como a cerveja preta Eclipse. Para quem é mais indeciso, pode-se pedir um ‘beer tasting’ (degustação de cerveja) que inclui três cervejas à escolha.

Degustação de cerveja

De quarta a sábado há sempre uma roulotte a vender comida à entrada da cervejaria, sendo que a companhia (e o tipo de comida) muda todos os dias, podendo ser comida indiana, grega, mexicana, italiana ou britânica. A agenda para cada mês das companhias que vão marcar presença encontra-se no website oficial https://www.rebellionbeer.co.uk/). E nós claro que já experimentámos umas quantas.

O estacionamento na cervejaria Rebellion é gratuito, mas para quem prefere vir a pé ou está sem carro, a partir do centro de Marlow pode vir à cervejaria caminhando por uns 30 minutos.

Noites sociais na Rebellion

As noites sociais da Rebellion abertas ao público decorrem na segunda terça-feira de cada mês das 7 da tarde às 9 e meia. Para quem é membro pode vir a estas noites sociais ou então vir às noites sociais exclusivas para membros que decorrem na primeira terça-feira de cada mês.

Ambiente no início da noite social da Rebellion (Agosto 2025)

Para quem não é membro a entrada custa ou 20 euros com 5 bebidas incluídas ou 10 com 2 bebidas. Para quem é membro e queira nessa noite usar a noite social incluída no seu membership tem direito a bebida ilimitada e a entrada é gratuita. Contudo, se já se tiver usado as noites sociais do membership aplica-se os mesmos custos que aos que não são membros. Nós viemos numa dessas noites exclusivas para membros, mas o que acontece nesses eventos é exactamente o mesmo que nas noites abertas ao público. Nas noites sociais, a loja está aberta até mais tarde tal como a Tap Yard e as zonas com mesas e cadeiras estendem-se pela parte de trás da fábrica. Também durante estas noites, a Rebellion tem a sua própria roulotte com comida com hambúrgueres e cachorros quentes a 5 euros mas também participa nestes eventos uma roulotte de umas das companhias que costuma vender comida à entrada de quarta a sábado.

Na noite social da Rebellion em Agosto 2025

Nós viemos em agosto quando o tempo estava quente e o sol punha-se mais tarde. O ambiente era animado, descontraído, um daqueles serões de verão perfeitos. Mas na nossa honesta opinião, mais vale jantar em algum lado e depois vir aqui para a cerveja. Apesar de haver comida à venda e de a termos experimentado tanto o hambúrguer como o cachorro quente como a sandes de carne da roulotte da Rebellion e não fossem nada maus, achámos que pelo preço teríamos arranjado algo mais substancial que até é o ideal para absorver toda a cerveja (ou outras bebidas, também há vinhos, sumos, gins, e bebidas quentes) que se ingere naquelas 2 horas e meia.

Tour à fábrica

Na Rebellion fazem tours guiadas à fábrica todas as quintas-feiras e sábados por um custo adicional. Também nas noites sociais há a possibilidade de o fazer, apesar de ser uma tour mais curta que está incluída com a compra da entrada para o evento. A tour começa às 8 da noite e demora cerca de 1 hora. Aproveitámos a noite social para juntarmo-nos à tour que começou com a história da cerveja em si e de como esta bebida se tornou popular de tal forma que a certo ponto havia pelo menos uma taberna (os primórdios dos pubs) em cada rua de Inglaterra. Inicialmente estas tabernas eram dirigidas por mulheres e claro procuradas por homens. Depois a história mudou para a da cervejaria que estávamos a visitar, como se iniciou como um projecto entre dois amigos, como a cervejaria cresceu, como manteve a sua identidade de pequeno fabricante o que levou a certos desafios especialmente contra as grandes redes de pubs como a GreenKing (uma espécie de McDonalds dos pubs – estão por todo o lado). Felizmente para esta cervejaria, nos anos recentes tem havido um interesse crescente em cervejas artesanais, o que acho que também tem acontecido em Portugal, e as cervejarias de pequeno porte, chamemo-las assim, tem tido mais clientes, mais procura, o que permite também a eles crescerem como empresa e fazerem mais experiências, o que se reflecte na Rebellion pela constante mudança de cervejas a cada duas semanas. Nesta cervejaria até há uma espécie de laboratório de investigação para encontrar novas cervejas misturando novos sabores.

Em seguida, visitámos o interior da fábrica, a zona de produção, de armazenamento e no final de empacotamento e distribuição. Uma das iniciativas voltadas para o meio ambiente está relacionada com as garrafas de vidro de 1L que se podem comprar na loja. Se se devolver a garrafa de vidro tem-se 30 pence de volta na próxima compra na loja. Ao que nos foi dito, este esquema tem tido um grande sucesso com quase total retorno destas garrafas à loja que podem ser depois reutilizadas pela cervejaria Rebellion.

Vale a pena tornar-se membro?

Como esta cervejaria é um dos locais onde vamos frequentemente aos fins-de-semana, em 2025 tornámo-nos membros, ou melhor, um de nós tornou-se membro o que é suficiente. E isto é porque basta uma pessoa do grupo ou do casal como no nosso caso apresentar o número de membro quando faz o pedido ou a compra tanto no Tap Yard como na loja que o desconto de 10% é aplicado a todas as bebidas ou itens do pedido.

A membership é válida por 12 meses e quando nos tornamos membros ou em cada renovação pode-se escolher um presente grátis da merchandise da cervejaria. Há quatro níveis de membership cujo diferença é no número de noites sociais exclusivas para membro para aqueles 12 meses (a entrada incluiu a pessoa que é membro e mais dois convidados). Os preços dos memberhips em 2026 são os seguintes:

  • Sem noites sociais – 41 libras
  • Com 1 noite social – 68 libras
  • Com 2 noites sociais – 95 libras
  • Com 3 noites sociais – 122 libras

Agora se vale a pena ser membro? Isso vai depender das vezes que se pretende vir a esta cervejaria. Para pessoas como nós que vêm aqui regularmente claro que sim. Agora para pessoas que estão de viagem ou só esperam vir aqui uma ou duas vezes, não penso que seja proveitoso. De qualquer das formas deixo aqui a nossa experiência e opinião de como é ser membro da cervejaria Rebellion.

Contudo, mesmo que a membership não pareça trazer benefícios, aconselho a virem até à cervejaria durante uma das suas noites sociais na segunda terça-feira do mês.

Podgorica, a capital de Montenegro

O que pode encontrar nesta página

  1. Viagem de 1 semana em Montenegro
  2. Chegar a Podgorica desde o parque nacional Prokletije
  3. Niagara Falls de Podgorica
  4. Parque da cidade, Gorica
  5. Ponte Millennium
  6. Templo ortodoxo da Ressurreição de Cristo
  7. Parques Njegosev e Kraljev
  8. Última refeição da viagem no Doner x Gryos by Rumi

Viagem de 1 semana em Montenegro

Chegámos assim ao final da viagem a Montenegro. Foram 7 dias de muitas emoções positivas e negativas. Mas tanto as experiências boas como as más e as inesperadas tornaram esta semana inesquecível superando tudo aquilo que tínhamos esperado deste país. Penso que o nosso itinerário permitiu ficar com uma boa ideia de como é viver em Montenegro e conhecer a sua diversidade. O itinerário com o mapa está disponível no primeiro post sobre Montenegro.

Neste post vamos falar das últimas horas em Montenegro passadas a explorar Podgorica a capital do país e onde no fim do dia teríamos o nosso voo de regresso a casa.

Chegar a Podgorica desde o parque nacional Prokletije

De Gusinje, no parque nacional Prokletije, a Podgorica há três caminhos possíveis, mas para nós só havia as alternativas de longa duração. Passo a explicar. O caminho mais curto com uma distância de 75km e tempo estimado de 1 hora e meia atravessa a fronteira com a Albânia. Para o fazer de carro é preciso uma autorização conhecida por ‘Green Card’ que penso que é pedida quando se faz a reserva com a companhia de aluguer de carros. Como nós não tínhamos essa autorização porque não considerámos a possibilidade de sairmos de Montenegro tivemos de fazer outro percurso, este mais longo de 118km que demorou 2 horas e pouco.

Para quem visita Montenegro como parte de uma rota que inclui vários países como a Albânia ou a Croácia ou a Sérvia, terá essa autorização. Para quem não tem essa autorização tem de fazer como nós e escolher percursos que não cruzem a fronteira com outros países.

Autoestrada entre Gusinje e Podgorica

Quanto aos percursos dentro de Montenegro há duas possibilidades, ambas muito parecidas tanto em distância como em tempo de viagem, a única diferença é que numa paga-se portagens (autoestrada A1) e na outra não (estrada nacional E80). A nossa ideia era seguir a E80, mas enganámos em alguma parte do caminho e acabámos por apanhar a autoestrada o que a ver não foi terrível, a portagem custou-nos 3.50 euros e a viagem foi muito mais tranquila e sem paragens o que não aconteceria se fôssemos pela nacional.

Niagara Falls de Podgorica

A primeira paragem em Podgorica ficava fora do centro da cidade, nas Niagara Falls de Montenegro. (Não confundir com as mais famosas Niagara Falls dos Estados Unidos da América). Nós não tínhamos grandes expectativas para Podgorica pois tínhamos lido que esta é por vezes referida como a ‘capital mais aborrecida da Europa’. Contudo, apesar de no final do dia não dizer que é preciso passar mais do que umas horas a explorar Podgorica, a verdade é que a cidade nos surpreendeu pela positiva. E as Niagara Falls foi um desses locais.

Niagara Falls de Podgorica

O estacionamento é gratuito e até há um pequeno café com esplanada junto ao riacho e à cascata. Nós estacionámos o carro numa das bermas na estrada principal e chegámos à cascata descendo por umas escadas. E não só se pode visitar a grande cascata como passear junto às rochas que seguem o curso da água onde outras cascatas mais pequenas se juntam formando bonitas paisagens. No verão este deve ser um lugar perfeito para tomar banho já que há zonas em que as rochas formam pequenas piscinas naturais.

Passeio junto às Niagara Falls

Este foi sem dúvida um dos meus locais preferidos em Podgorica que recomendo a visitarem se estiverem na zona. Também é fácil de aqui chegar sem carro, basta apanhar o autocarro 30 no centro de Podgorica que para mesmo ao lado das Niagara Falls ou então apanhar um Uber. Se de autocarro a viagem demora cerca de 20 minutos, de Uber demora 10.

Parque da cidade, Gorica

Já no centro da cidade começámos pelo grande parque, Gorica. Este é o maior parque da cidade e foi construído para dar aos locais um lugar fresco onde possam passear principalmente no verão. Podgorica é muito quente no verão, e imagino que assim o é, pois mesmo sendo meio de novembro eu andava de manga curta. As temperaturas aqui foram muito diferentes daquelas que sentimos nas montanhas. O parque tem vários trilhos de diferentes dificuldades, tem um café e várias actividades para os miúdos, como um zipline (com um tamanho bem mais modesto do que o do desfiladeiro Tara).

Nós não percorremos nenhum trilho em específico. Passámos pelo mausoléu Partizanskim borcima (combatentes partidários) que é um memorial em honra aos que combateram na Segunda Guerra Mundial. Este monumento de 10 metros foi inaugurado em 1957, e nele se encontram os restos mortais de 68 combatentes que morreram durante a guerra. Depois seguimos o caminho que subia o parque e acabámos por chegar ao ponto mais alto de Gorica onde se tem uma vista alargada da cidade e das montanhas que a rodeiam.  

Vista panorâmica de Podgorica do topo do parque Gorica

Este parque é sem dúvida um lugar procurado pelos locais pois durante todo o tempo que aqui estivemos e em toda a parte do parque por onde passámos encontrámos várias pessoas, miúdos e graúdos, a aproveitarem este que é chamado o ‘pulmão de Podgorica’.

Ponte Millennium

Outro local que queríamos visitar antes de partir era o templo ortodoxo da Ressurreição de Cristo e para isso tínhamos de atravessar a ponte Millennium. Esta ponte foi construída em 2005 simbolizando a modernização de Podgorica e é hoje um importante ponto de passagem entre as duas margens do rio morača.

Ponte Millennium

A ponte Millennium tem 173 metros de comprimento e 57 de altura. Esta pomnte suspensa é suportada por 36 cabos e segue uma arquitectura modernista tendo-se tornado rapidamente um marco importante na cidade após a sua inauguração.

Templo ortodoxo da Ressurreição de Cristo

É impossível ignorar o majestoso edifício do templo ortodoxo da Ressurreição de Cristo, edifício esse que parece ter sido montado com peças de lego num encaixe perfeito. Visitar o templo é completamente gratuito e é um dos locais a não perder em Podgorica.

Templo ortodoxo da Ressurreição de Cristo

Este templo levou 20 anos a ser construído entre 1993 e 2013 quando foi inaugurado. O actual edifício foi construído onde ficava o antigo templo este construído em 1869, que foi destruído e reconstruído múltiplas vezes ao longo dos anos. No seu interior é impossível não ficar surpreendido com os bonitos e coloridos frescos que cobrem as paredes e os tectos do templo.

Parques Njegosev e Kraljev

Depois de visitarmos o templo e já fazendo o percurso de regresso ao carro passámos por estes dois parques, bem mais pequenos do que o parque Gorica, mas não menos bonitos. Tivemos a oportunidade de atravessar a ponte velha de Ribnica também conhecida por ponte Adži-paša, ponte essa construída no século II pelos romanos e reconstruída durante o império Otomano no século XVIII. Também como marco do império Otomano em Podgorica encontram-se os vestígios do forte de Depedogen ao pé da ponte, este construído no século XV.

Ponte Adži-paša

Ainda pensámos em visitar a parte histórica da cidade, afinal tinha sido um dos pontos altos quando estivemos em Budva e em Kotor, mas acabámos por não entrar muito nessa zona de Podgorica por já não termos muito tempo antes do nosso voo. No entanto, fica aqui a dica.

Última refeição da viagem no Doner x Gryos by Rumi

Antes de irmos para o aeroporto fomos jantar pois o nosso voo só descolaria às 9 da noite e os preços no aeroporto são escandalosos. Aliás eu fiz o erro de comprar um café e um croissant enquanto esperávamos no aeroporto e paguei 2.60 euros pelo café e quase 5 pelo croissant. Enquanto que o jantar em Podgorica ficou-nos por 4.5 euros.

E voltando a Podgorica, depois de várias indecisões acabámos por ir ao Donor x Gyros by Rumi, não muito longe do Gora parque e perto de onde tínhamos deixado o carro. Eu fui a que estive mais indecisa em vir aqui porque o restaurante estava naquela altura vazio o que normalmente não é bom sinal. Felizmente a minha suposição estava errada.

Gyros no Donor x Gyros by Rumi

Pedimos um gyros com molho tzatikizi e posso garantir que este local foi a escolha acertada. Era absolutamente delicioso e para mais barato. Sim é verdade que o restaurante estava às moscas, havia mais empregados do que clientes, mas se calhar também porque ainda era cedo para jantar. Ou se calhar porque é mais um lugar para take-away do que para comer no local. Não sei qual a razão, mas foi perfeito para acabar esta viagem em Montenegro (não vou contar com o café e o croissant do aeroporto, porque eu sinto sempre que os aeroportos são ‘terra de ninguém).

Página do Instagrama: Doner x Gyros by Rumi


Montenegro é sem dúvida um país que vale a pena visitar, um país cuja popularidade está a aumentar e com razão de ser. No entanto, é um país que ainda se está a habituar ao turismo e que ainda não está preparado para receber muitas pessoas ao mesmo tempo, razão pela qual se vê tantos vídeos de turistas frustrados nas épocas altas. Não sei se recomendo visitar Montenegro em novembro apenas porque algumas das atracções já estavam fechadas como o teleférico de Kotor, alguns restaurantes e museus. Por isso início de outubro é a minha recomendação, quando as temperaturas ainda são amenas e que provavelmente permitem aproveitar as praias da costa, os estabelecimentos estão abertos e há menos turistas.

Espero que a nossa viagem a Montenegro vos ajude a moldar a vossa.

Parque nacional Prokletije

Índice desta página

  1. Do que já falámos sobre Montenegro?
  2. De Durmitor a Prokletije
  3. Kula Nekovic em Gusinje
    1. Check-in
    2. Quarto
    3. Pequeno-almoço
  4. Ali-Pasha Springs (nascentes)
  5. Vodopad Grlja (cascata)
  6. Oko Skakavice (nascente)
  7. Churrascaria Alipašini izvori em Gusinje
  8. Um aperto no adeus a Gusinje
  9. Plavsko jezero (lago)
  10. No próximo post

Do que já falámos sobre Montenegro?

Ao chegar ao parque nacional Prokletije estávamos a entrar na última parte da viagem já que no dia a seguir tínhamos o voo de regresso em Podgorica. Tinha sido uma semana a atravessar Montenegro desde a costa, a sul, até ao norte do país. Durante os últimos meses um post diferente sobre esta viagem tem sido publicado neste blog e este será o penúltimo. Todas as informações, detalhes e experiências estarão disponíveis numa única página que pode ser acedida através do menu principal. E se algo faltar ou quiserem mais informações não hesitem em entrar em contacto.

De Durmitor a Prokletije

Depois de toda a adrenalina do zipline sobre o desfiladeiro Tara voltámos para o carro para mais uma viagem de 2 horas e meia agora até Gusinje no parque nacional Prokletije. Chegámos por volta das 2 e meia da tarde e decidimos fazer o check-in antes de irmos visitar os locais anotados no nosso itinerário. 

Gusinje no parque nacional de Prokletije

Apesar de ter gostado de ficar a conhecer o parque nacional de Prokletije, o quarto parque nacional desta viagem depois de lago Skadar, Lovćen e Durmitor, este foi aquele onde tivemos menos tempo disponível. E apesar de acreditar que vale a pena visitar qualquer novo lugar, não sei até que ponto este desvio fez sentido em termos logísticos quando comparando o tempo extra de viagem e aquilo que vimos do parque nacional.

Kula Nekovic em Gusinje

Para esta noite houve uma alteração inesperada de planos. Inicialmente tínhamos marcado o nosso alojamento no Ethno Katun ROSI Agrotourism que ficava na zona mais rural, contudo no segundo dia em Montenegro recebemos uma mensagem através do Booking.com deste alojamento a informar-nos que iam fechar mais cedo para férias e que a nossa reserva tinha sido cancelada. Claro que achei isto não só indelicado como pouco profissional, pelo menos que nos tivessem informado com mais antecedência. Portanto passámos uma parte da nossa segunda noite em Montenegro a procurar uma alternativa e a escolhida foi Kula Nekovic no centro de Gusinje.

Check-in

Kula Nekovic não tem parque de estacionamento privado, mas felizmente havia espaço para deixar o carro num terreno mesmo ao lado. O problema foi para fazer o check-in, não estava lá ninguém para nos receber. O que nos valeu foi um senhor, um amigo do senhorio, que estava sentado numa das mesas à entrada e ao ver-nos aflitos começou a ligar para o dono do estabelecimento, tal como nós através do WhatsApp. Eventualmente o senhorio acabou por nos atender e em menos de nada entrávamos no quarto de chave na mão.

Quarto

O quarto era bastante espaçoso com duas divisões e até tínhamos 4 camas, duas de solteiro e uma de casal para além da casa-de-banho. A decoração é que era parca, apenas uma mesa, duas cadeiras e uma mesa de cabeceira como mobília.

O nosso quarto no Kula Nekovic em Gusinje

O quarto era razoavelmente silencioso tendo em conta que estava virado para a estrada principal. O ruído mais alto que ouvimos foram das rezas vindas da mesquita em frente às 6 da tarde e às 6 da manhã. E sobre isso o senhorio não pode fazer nada.

Pequeno-almoço

Para deixar toda a informação sobre este alojamento na mesma secção vou já falar do pequeno-almoço do dia seguinte que foi servido pelo senhorio no edifício que ficava ao lado ao dos quartos. O pequeno-almoço não era em formato de buffet apesar de ter a sensação de que podíamos ter pedido mais se assim fosse preciso. E o pequeno-almoço foi o tradicional da região, com queijo, tomates, pickles, ovos cozidos, rodelas de um enchido parecido com pepperoni, pão e claro o café turco.

Pequeno-almoço no Kula Nekovic

Erámos os únicos a tomar o pequeno-almoço e tenho a sensação de que até erámos os únicos hóspedes de Kula Nekovic naquele dia. Depois de nos servir, o senhorio acabou por ficar à conversa connosco. É sempre interessante saber como é a vida no país que visitamos e ele acabou por confirmar várias coisas algumas das quais já nos tínhamos apercebido, e outras das quais apenas tínhamos suspeitas como por exemplo Montenegro ser ainda um país em desenvolvimento, muito pobre, onde muitas pessoas passam dificuldades, e onde se encontra um dos maiores cartéis de droga da Europa. Nenhuma destas informações nos surpreendeu pois vimos alguns encontros estranhos enquanto conduzíamos pelas estradas do país. Claro que a sua história política da qual já falei neste blog tem uma grande influência no estado actual de Montenegro.

O pequeno-almoço acabou por ser bem mais interessante do que esperava, e é sempre revelador falar com os locais mesmo que por vezes os locais não tenham interesse em falar com os turistas. O que não foi de todo o caso aqui. Pois é nestas conversas que se aprende as coisas positivas e negatives do dia a dia e normalmente aquilo que o país tenta esconder dos turistas. Mas são essas coisas que constroem a realidade das pessoas que lá vivem.

Para mais informações e reservas vejam a página do Booking.com: Kula Nekovic

Ali-Pasha Springs (nascentes)

Depois do check-in feito saímos na expectativa de visitar 3 locais da região. Contudo, começávamos esta parte do dia um pouco mais tarde do que aquilo que desejávamos o que influenciou a visita ao último lugar, o Oko Skakavice.

Nascentes de Ali-Pasha

A primeira paragem era em Ali-Pasha’s Springs, ou em português ‘nascentes de Ali Pasha’, a menos de 5 minutos de carro de Gusinje. Aliás foi por os locais ficarem tão perto uns dos outros que tínhamos feito a reserva no outro alojamento, com a intenção de fazermos o percurso desta tarde a pé. Mas pronto, não deu e também não foi o fim do mundo. Quanto a Ali-Pasha, este é um dos lugares mais conhecidos do parque nacional de Prokletije onde a água brota directamente do solo formando o rio que segue o seu curso pelo vale Ropojana.

Aqui encontrámos um pequeno placard com detalhes deste lugar tal como a sua história, do qual deixo aqui a tradução:

‘Diz-se que o famoso Ali-Pasha de Gusinje costumava vir aqui todas as manhãs para apreciar a beleza e a serenidade deste local, onde uma magnífica obra da natureza criou uma grande nascente cársica composta por 25 nascentes mais pequenas. Estendendo-se por 300 metros, estas nascentes, dependendo da estação do ano, libertam entre 3 a 9 metros cúbicos de água por segundo, e a sua temperatura nunca ultrapassa os 6ºC. As nascentes de Ali-Pasha situam-se a apenas um quilómetro e meio a sul de Gusinje.

Ali-Pasha foi um famoso comandante militar do século XIX membro da família Šabanagić, que governou esta região durante quase duzentos anos. Junto às nascentes, Ali-Pasha construiu uma grande casa onde as pessoas mais proeminentes da zona se reuniam, fechavam negócios e resolviam as suas diferenças entre clãs, enquanto os viajantes que por ali passavam podiam refrescar-se e pernoitar se assim quisessem. No meio destas nascentes, existe um antigo moinho de água de pedra, um dos raros que, até aos dias de hoje, preserva um antigo mecanismo para moer os grãos que eram trazidos de toda a região das montanhas Prokletije. Este moinho de água é também especial por ter alojamento no piso superior. As raparigas de Gusinje costumavam vir aqui por volta do Dia de São Jorge recolher água num pote especial, que depois adornavam com flores primaveris.

Nascentes de Ali-Pasha

As pessoas reuniam-se perto destas nascentes desde os tempos antigos, principalmente ao ar livre. Simplesmente porque as condições aqui eram as ideais para tal. A rota das caravanas entre o Mar Adriático e Constantinopla passava por aqui. Até há cem anos, apenas cavalos eram utilizados para o transporte de pessoas e mercadorias. E numa longa viagem, os cavalos precisavam de comer, beber e descansar. Para além das moedas de ouro ganhas com o comércio, tesouros da igreja e da realeza, também era transportado dinheiro, joias, ouro e outros objetos de valor. Circunstâncias inesperadas, ataques repentinos, desastres e outros infortúnios podiam levar a que estes objectos fossem escondidos, muitas vezes enterrados, de uma forma não planeada e com urgência. Segundo a lenda, antigamente existia uma grande nogueira nas margens destas nascentes onde se acredita que haja um tesouro enterrado. Quanto às nascentes, estas não falam do tesouro enterrado naquela terra, mas sim da coisa mais valiosa: o amor. É por isso que ainda se acredita que quem se casa nas nascentes de Ali-Pasha viverá em felicidade e prosperidade.

Todos os verões, no dia 2 de agosto, os habitantes de Gusinje e Plav, vindos de todas as partes do mundo, reúnem-se aqui nas fontes de Ali-Pasha. Provavelmente, este é o maior encontro tradicional de famílias em Montenegro, com a presença de mais de 15.000 pessoas. Cantam-se canções antigas de Gusinje, dançam-se danças folclóricas tradicionais, reencontram-se amigos e, à noite, a festa continua por Gusinje.’

Vodopad Grlja (cascata)

A paragem seguinte era na cascata Grlja também conhecida por Gërla. Esta cascata fica ao pé de um pequeno parque de estacionamento gratuito a 10 minutos de carro das nascentes Ali-Pasha. A cascata é alimentada pela nascente Oko Skakavice (em português: olho de gafanhoto) e pelo degelo da neve que cobre as montanhas em redor. A cascata tem uma altura de 12 metros onde a água cai para o desfiladeiro de Grlja e acaba por se juntar à água vinda das nascentes de Ali-Pasha que vai depois desaguar no lago Plav.

Nós não passámos muito tempo ao pé da cascata, e por qualquer razão senti uma sensação estranha enquanto estive aqui. Eu não sou de presságios, pressentimentos ou sextos sentidos, mas senti o ambiente pesado. E era apenas uma cascata, algo que vemos practicamente em todas as viagens que fazemos, a menos que sejam viagens citadinas. É que nem conseguia olhar para onde a água caía sem ficar com pele de galinha. E podem pensar que foi devido ao pormenor que vou contar em seguida, mas já me sentia assim quando reparei na fotografia.

É que na rocha no ponto onde a água começava a cair estava a fotografia de um homem com duas datas por baixo, a data de nascimento e a da morte. Pelos vistos o homem tinha morrido em 2023. Agora o que não sei é se morreu de acidente ou se foi suicídio, mas apesar de esta fotografia ser um memorial a verdade é que adicionou uma camada de estranheza à visita à cascata. No entanto, esta cascata é com certeza um dos pontos onde parar neste parque nacional. E até pelo que li há vários trilhos que valem a pena ser feitos aqui à volta.

Oko Skakavice (nascente)

O último lugar que esperávamos visitar naquele dia era exactamente a nascente que alimenta a cascata Grlja, Oko Skakavice. No entanto as coisas não correram como o esperado. Já entre as nascentes de Ali-Pasha e a cascata Grlja reparámos que a estrada estava a ficar cada vez mais em pior estado com vários buracos cada vez mais pronunciados e isto piorou bastante quando tentámos chegar a esta nascente. De tal maneira que acabámos por estacionar o carro a meio caminho e seguir a pé.

Mas também a pé chegou a uma altura em que o caminho estava de tal forma enlameado e inundado pelas águas do riacho que acabámos por desistir e voltar para trás. E também por esta altura o sol já se estava a pôr e começava a escurecer. Infelizmente acabámos por não visitar esta nascente.

Churrascaria Alipašini izvori em Gusinje

Apesar de Gusinje ser a cidade principal deste parque nacional, não deixa de ser uma cidade modesta. E fomos avisados pelo senhorio que não havia muitos restaurantes, contudo estivemos indecisos entre algumas opções. A churrascaria Alipašini izvori acabou por vencer, e ainda bem que assim foi.

Esta churrascaria tem um menu variado com kebabs, hambúrgueres e carnes grelhadas o que é esperado, mas também tem pizzas e sandes. Nós queríamos acabar a última noite em Montenegro a comer comida tradicional e claro que os ćevapi satisfazia esse requerimento. Já tínhamos experimentado em Bar no início da viagem (ver aqui) e tínhamos gostado bastante, por isso porque não repetir?

Ćevapi no Alipašini izvori

Havia dois menus de ćevapi cuja diferença era na quantidade de carne, um era de 125gr e outro de 250gr que foi o que escolhemos. Em 2025, o menu mais pequeno custava em 3 euros e o maior 6. Ainda não acredito o quanto barato era. E o preço do prato incluía os vários molhos, couve e cebola raladas e pão. Para beber pedimos sumos já que não vendiam álcool neste estabelecimento. Foi a refeição mais barata da viagem e como podem ver na fotografia acima a quantidade de comida era óptima especialmente considerando o preço. Se fosse a apontar algo era de que gostei mais da carne dos ćevapi em Bar. E fiquei bastante surpreendida pois apesar de estarmos numa parte rural do país, o empregado falava um inglês perfeito.

Outro lugar que também recomendo nesta cidade é a padaria Pekara-Furra VIZION Gusinje. Nós viemos aqui comer qualquer coisa depois do passeio pelas nascentes e cascatas do vale Ropojana, quando ainda era demasiado cedo para jantar. Experimentámos uma espécie de pizza e um cachorro, e eram ambos deliciosos. E a preços tão baratos que era quase um crime.

Um aperto no adeus a Gusinje

O que eu não contei logo no início foi que ficámos a conhecer um cão mal chegámos a Gusinje. Bem era mais um cachorrinho do que um cão. Ele veio ter connosco quando estacionámos o carro ao lado de Kula Nekovic a pedir festas todo contente. Acabou por nos seguir até Kula Nekovic e ficar sentado perto do homem que nos ajudou no check-in. Quando nos vínhamos embora no dia seguinte, o cão veio a correr ter connosco mal nos viu mas agora eu já vinha preparada que no dia anterior quando fomos à padaria tinha também comprado um pão recheado com salsicha para lhe dar. Até o resto do pão do jantar do dia anterior ensopado no molho da carne embrulhado num guardanapo lhe trouxemos.

Cachorrinho de Gusinje

E não é que o cão começa a correr atrás do carro quando nos estávamos a vir embora? Não sei quantas vezes nesta viagem o meu coração se despedaçou. Quando cheguei a casa não conseguia deixar de pensar no cão e por isso decidi mandar mensagem ao senhorio de Kula Nekovic a perguntar se podia ajudar-me a encontrar-lhe um dono. Foi então que o senhorio de Kula Nekovic me disse que ele próprio trata dele dando-lhe comida várias vezes ao dia e abrigo dentro de casa. E que se chegasse uma altura em que não pudesse tratar do cão não o deixaria ao abandono.

Só penso que ainda bem que mandei aquela mensagem ao dono de Kula Nekovic porque o cão não me saía da cabeça e muito me alegro por saber que pelo menos aquele está a ser bem tratado. Mas a realidade não é essa para a maioria dos animais em Montenegro e por isso continuo a enviar todos os meses dinheiro para a organização Stray aid Montenegro. Pode ser pouco e de certa forma este gesto é egoísta da minha parte, como se eu assim fosse perdoada por não ter feito mais pelos cães com os quais me cruzei em Montenegro, mas mesmo assim acredito que é melhor do que não fazer absolutamente nada. Espero que pelo menos uma pessoa que leia esta post também o faça. Deixo aqui o link da organização: https://strayaidmontenegro.be/

Plavsko jezero (lago)

Antes de deixarmos o parque nacional de Prokletije fizemos uma última paragem em frente ao lago Plavsko (ou Plav), o lago onde vão desaguar as águas das nascentes Ali-Pasha e da cascata Grlja. Este lago glaciar tem cerca de 10.000 anos e cobre uma área de 1.99 km2.

Plavasko jezero

E com este lago dizíamos adeus ao parque nacional de Prokletije.

No próximo post

Da viagem em Montenegro apenas falta falarmos de Podgorica, a capital deste país incrível. Podgorica não tem uma boa fama, aliás chamam-lhe a capital mais aborrecida da Europa, mas sabem que mais? Nós ficámos a gostar de Podgorica. Todos os detalhes no próximo post.

Parque nacional de Durmitor (parte II)

Índice desta página

  1. No último post
  2. Rota cénica (com mapa)
    1. Ćurevac (ponto B)
    2. Vidikovac Kanjon Tare (Ponto C)
    3. Nedajno-Susica canyon (Ponto D)
    4. Trsa (ponto E)
    5. Pišče (Ponto F)
    6. Vodeni Do (Ponto G)
    7. Sedlo (Ponto H)
    8. Picturesque viewpoint (Ponto I)
  3. De volta ao apartamento Duke
  4. Segundo jantar no restaurante O’ro
  5. Pequeno-almoço: mais díficil do que o esperado
  6. Zipline através do desfiladeiro Tara
  7. No próximo post

No último post

Nos últimos posts falámos sobre o parque nacional de Durmitor desde a chegada a Žabljak à nossa visita ao Crno Jezero (lago negro). Neste post vamos falar da rota cénica que fizemos de carro que foi uma das partes mais bonitas de toda a viagem a Montenegro e que absolutamente recomendo a fazerem.

Rota cénica (com mapa)

Depois de deixarmos o lago negro (crno jezero) voltámos ao apartamento Duke para uma rápida paragem. O que nos esperava era uma tarde de paisagens fantásticas e experiências inesquecíveis. A rota cénica que fizemos teve uma distância de cerca de 100km com 8 paragens. Passámos por desfiladeiros, pequenas aldeias e incríveis picos montanhosos.

Em baixo podem encontrar o mapa da rota cénica com as paragens que fizemos.

O ponto A e o ponto J no mapa representam a saída e a chegada ao nosso alojamento, o apartamento Duke em Žabljak.

Ćurevac (ponto B)

Ćurevac, o primeiro ponto de paragem da rota cénica

Ćurevac foi a primeira paragem e o primeiro miradouro deste percurso. Deixámos o carro no pequeno parque de estacionamento e subimos por um estreito carreiro de terra durante 10-15 minutos até ao miradouro para uma paisagem espectacular do desfiladeiro Tara.

Vidikovac Kanjon Tare (Ponto C)

O ponto C foi o segundo miradouro do mesmo desfiladeiro. Para chegar a este miradouro tivemos de passar perto de uma pequena aldeia, Mala Crna Gora, onde os campos eram pontados por pequenas casas. Se puderem parem aqui para tirar algumas fotografias porque ao chegarmos ao ponto C descobrimos que a paisagem perto da aldeia e durante a subida pela estrada que vai de Mala Crna Gora até ao miradouro era bastante mais bonita do que a do ponto panorâmico.

Nedajno-Susica canyon (Ponto D)

Desfiladeiro Tara do ponto panorâmico ‘Nedajno-Susica canyon’

Este foi o terceiro miradouro para o desfiladeiro, no entanto já na outra margem. Para chegar do ponto C ao D tivemos de descer o desfiladeiro para depois o subir e digo-vos que a estrada não é das mais fáceis de conduzir. Para além de ser uma estrada com curvas e contracurvas e estreita, havia imensas pedras no meio da estrada algumas de tamanho razoável de tal forma que houve uma ou duas vezes que tive de sair do carro para as retirar e assim pudermos passar em segurança. Neste troço da viagem até chegarmos ao ponto D não encontrámos nem pessoas nem carros, sinal de que estávamos numa parte mais escondida e menos turísticas de Durmitor. Contudo, a paisagem do desfiladeiro deste ponto D, Nedajno-Susica canyon, foi a minha preferida.

Trsa (ponto E)

Igreja da aldeia de Trsa

Trsa foi a única aldeia onde parámos durante este percurso. Subimos o pequeno monte até à igreja a pé onde de cada lado pontuavam pequenos aglomerados de casas. Para quem procura sossego, Trsa é certamente o lugar ideal. Se de um lado da estrada tínhamos a pequena aldeia do outro lado tínhamos campos e mais campos a perder de vista.

Pišče (Ponto F)

Pouco depois de passarmos Trsa parámos perto de outra pequena aldeia, Pišče. Não parámos bem na aldeia, mas sim um pouco mais à frente para tirarmos a fotografia com a paisagem em redor. Tal como Trsa, também Pišče é uma aldeia constituída por um pequeno aglomerado de casas e uma igreja. O mais incrível é que não vimos ninguém em nenhuma destas aldeias, nem a passear, nem a fazer compras; ambas as aldeias pareciam paradas no tempo.

Vodeni Do (Ponto G)

Uma das paisagens entre Vodeni Do e Sedlo

De Pišče a Vodeni Do entrámos na parte montanhosa de Durmitor. A partir daqui a paisagem mudou e por incrível que pareça para melhor. Parámos várias vezes ou conduzimos mais devagar apenas para puder ver a paisagem com mais tempo. E como não havia mais ninguém a fazer o mesmo percurso pudemos fazê-lo com o todo à vontade. Em Vodeni Do até havia um banco de madeira de frente para as montanhas ideal para interiorizar toda aquela paisagem de cortar a respiração.

Sedlo (Ponto H)

No banco de madeira a ver o pôr-de-sol em Sedlo

Em Sedlo também havia um banco de madeira e não há preço que pague pela experiência de estar ali sentada a beber café do termo enquanto via o pôr-do-sol. E esta é outra sugestão que deixo aqui, a de fazerem esta parte da viagem ao final da tarde. Acreditem que a luz dourada a bater nas montanhas adiciona uma outra camada de surreal à experiência. Quase como se estivéssemos sozinhos num outro planeta.

Picturesque viewpoint (Ponto I)

Picturesque viewpoint ou ponto panorâmico pitoresco é o nome que aparece no Google Maps para a nossa última paragem desta rota cénica, até porque por esta altura o sol desaparecia no horizonte. E confirmo que o nome deste ponto é-lhe bem atribuído.

Última paragem da rota cénica

Nem todas as paragens que fizemos entre o ponto G e o ponto I estão aqui descritas pois foram muitas as paisagens que quisemos ter tempo de apreciar e reter na nossa memória. Certamente que esta parte da rota merece ser adicionada a qualquer viagem a Durmitor. Senão podem fazer os 100km pelos menos fazem o troço entre Vodeni Do e Sedlo.

De volta ao apartamento Duke

Quando estávamos a chegar a Žabljak comecei a sentir uma certa vontade de comer algo doce. Depois de uma pesquisa rápida no Google encontrei uma pastelaria bem avaliada em Žabljak que ainda por cima estava aberta, a Shambhala Bakery & Restaurant. E tentámos estacionar por perto mas para além de haver pouco estacionamento disponível o que havia era pago. Decidimos deixar a ideia do bolo e seguir para o nosso apartamento que o dia tinha sido longo e o cansaço ganhava.

Poucos minutos depois de chegarmos ao apartamento a mãe da senhoria veio bater-nos à porta com nem mais nem menos um prato na mão com 4 bolos. Era a sua forma de nos agradecer por termos limpo a lareira de manhã e a abastecido de lenha. Na verdade, quem o fez foi o meu marido enquanto eu me arranjava. Nem imaginam o quanto fiquei agradecida, afinal ia comer bolo e ainda para mais em frente à lareira que nesta altura já estava acesa. Acabou por ser bem melhor do que em qualquer pastelaria.

Os bolos oferecidos pela mãe da senhoria

E ao contrário do que tinha lido – que os montenegrinos não gostavam de turistas – a verdade é que tanto em Durmitor como em Prokletije fomos imensamente bem recebidos.

Segundo jantar no restaurante O’ro

Para jantar nem tentámos encontrar outro restaurante diferente do dia anterior (ver aqui), iríamos voltar ao restaurante O’ro. Afinal era perto e podíamos ir a pé, a comida era deliciosa, o atendimento simpático e os preços não muito caros. E sabíamos exactamente o que íamos pedir, o Borrego de Durmitor e o Veado de Durmitor – uma espécie de guisado com carne e batata típico da gastronomia de Montenegro. No entanto, achei que para o preço (quase 20 euros cada) não era nada de especial tendo gostado muito mais da refeição do dia anterior. E aliás esta acabou por ser a refeição mais cara de toda a viagem, tendo ficado a 55 euros pelos dois com bebidas e sobremesa incluídas.

Veado de Durmitor (Durmitor Veal)

Ao contrário da noite anterior não pedimos entradas para termos espaço para a sobremesa. Da lista pedimos as panquecas recheadas que apesar de saborosas estavam um pouco secas tornando-se um pouco pesadas para final de refeição. Também se pediu Rakija como digestivo. Apesar de nos termos apaparicado um pouco mais com doce e bebida, preferimos a refeição da primeira noite.

Outra coisa que também foi diferente nesta noite foi a quantidade de clientes; enquanto no dia anterior o restaurante estava vazio hoje estava a abarrotar. Não sei qual a razão disto, mas parece-me que em alturas mais turísticas é aconselhável fazer-se reserva. Para mais informações sobre o restaurante deixo aqui o link da página oficial: Restaurante O’ro.

Panquecas recheadas

A noite terminou como a anterior, sentados ao pé da lareira, a beber as cervejas artesanais que tínhamos comprado no dia anterior no supermercado. E foi uma das melhores maneiras de quase dizer adeus ao parque nacional de Durmitor.

Pequeno-almoço: mais díficil do que o esperado

No dia seguinte de manhã saímos cedo com a ideia de ir tomar o pequeno-almoço a qualquer lado antes de avançarmos com o nosso itinerário que mais uma vez incluía algumas horas a conduzir, agora até ao parque nacional de Prokletije. Havia ainda um prato tradicional que queria experimentar, Priganice, que são umas pequenas bolas de massa frita. Perguntámos à empregada de um café na rua principal de Žabljak que nos indicou o restaurante Ukus Durmitora. E eles realmente tinham Priganice no menu o que me deixou bastante contente. No entanto, depois de fazermos o pedido e de terem vindo as bebidas quentes esperámos mais de meia hora e nada. Já um bocado fartos de estar à espera o empregado veio pedir desculpa, mas infelizmente a massa tinha saído mal e não nos podiam servir os Priganice.

Como já estávamos atrasados de acordo com a nossa agenda dissemos que não podíamos esperar mais. O empregado foi impecável e as bebidas ficaram por conta do restaurante. Acabámos por ir à mesma Pekara do dia anterior comprar outro burek agora de queijo e espinafres já que não queríamos perder mais tempo. Não só não provámos os Priganice como este burek foi o pior de toda a viagem, bastante oleoso de tal forma que nos sentimos um pouco enjoados depois de comer. O dia não começava da melhor maneira. Mas também isso mudou rapidamente ao chegar à ponte Đurđevića.

Zipline através do desfiladeiro Tara

A nossa última paragem em Durmitor era a ponte Đurđevića que passa por cima do desfiladeiro do rio Tara. E a experiência seria inesquecível.

O desfiladeiro do rio Tara faz parte do Património Mundial da UNESCO e é conhecido como a ‘lágrima da Europa’ pelas suas águas cristalinas. Este desfiladeiro é o mais profundo da Europa e o segundo do mundo, sendo apenas ultrapassado pelo Grand Canyon nos Estados Unidos da América. O desfiladeiro Tara tem uma profundidade máxima de 1300 metros e estende-se por 82km. Uma das principais atracções associada a este desfiladeiro é a ponte Đurđevića construída entre 1937 e 1940 com 365 metros de comprimento e 172 metros de altura. Mais impressionante ainda por ter sido construída essencialmente à base de trabalho manual com reduzido suporte de maquinaria. Esta ponte é sem dúvida um feito incrível de engenharia daquele tempo. Na altura em que visitámos a ponte ela estava a ser reforçada e portanto havia vários trabalhos a decorrer.

Ponte Đurđevića

Um facto curioso sobre esta ponte retrocede à Segunda Guerra Mundial quando os habitantes e tropas da região se viram obrigados a explodir com o arco central da ponte para impedir os avanços das tropas italianas, num gesto de bravura. A ponte foi reconstruída posteriormente e hoje em dia é uma importante via de passagem entre as duas margens do desfiladeiro.

Há várias actividades populares a fazer no rio Tara como o rafting (descer as águas do rio em botes de borracha) ou escalada. Eu decidi experimentar o zipline que atravessa o desfiladeiro de um lado ao outro. Já tínhamos discutido a possibilidade de fazer o zipline ainda antes de viajar, mas a decisão final só foi feita na hora. Se por um lado concordo que a experiência não é barata, já que custou 45 euros, por outro digo que vale a pena experimentar. Afinal o que é viajar se não experimentar coisas que não fazemos no nosso dia a dia? Não sei bem se havia apenas uma ou duas companhias abertas em novembro, mas nós fomos pela companhia Extreme Zipline que naquela altura do ano apenas tem um dos cabos a funcionar e claro era aquele que atinge uma maior velocidade.

Depois do pagamento feito e de ser levada de carro para o topo do zipline onde me foi colocado todo o equipamento vi-me numa viagem de cerca de 2 minutos a uma velocidade de 120km/hr a uma altura incrível sobre o desfiladeiro. A viagem de zipline começou depois de me serem explicadas todas as regras de segurança, como por exemplo como devia posicionar o corpo e do que fazer se não chegasse ao fim da linha. E também o que aconteceria quando chegasse ao final da viagem, o que seria muito simples já que haveria outro colega à minha espera para me ajudar a sair do zipline e a remover o equipamento. A viagem foi tão rápida, a experiência tão surreal que acho que o meu cérebro nem teve tempo de se ajustar ao momento. E aviso que a experiência é muito viciante.

Prestes a lançar-me no zipline

Deixo aqui um grande louvor ao empregado que me explicou todo o procedimento, foi super simpático, respondeu a todas as minhas questões (que não foram poucas) e me tranquilizou até me sentir confiante a experimentar o zipline. Porque posso confessar que estava um pouco receosa. Mas não havia razões para preocupações, se fosse para mudar alguma coisa era que pudesse repetir a mesma viagem logo a seguir. Se tiverem oportunidade de o fazer, nem pensem duas vezes.

Para mais informações sobre o Extreme Zipline Tara vejam o seguinte link: https://www.montenegroadventure.travel/tour/extreme-zipline-tara/

E como dissse acima, a decisão foi feita na hora, ou seja não foi preciso marcar o zipline com antecedência, mas mais uma vez esta viagem foi em novembro.

No próximo post

Com o desfiladeiro do rio Tara deixámos assim o parque de nacional de Durmitor e seguimos em direcção a Gusinje no parque nacional de Prokletije. Neste parque nacional visitámos cascatas, montanhas e ficámos a conhecer um lado ainda mais rural de Montenegro. Os pormenores poderão ser encontrados no próximo post.

Parque nacional de Durmitor (parte I)

Conteúdo desta página

  1. Chegada à segunda metade da viagem
  2. Primeiras impressões de Žabljak
  3. Apartamento Duke
  4. Restaurante O’ro
  5. Pequeno-almoço em Žabljak
  6. Crno Jezero ou Lago Negro
  7. O que mais no marcou em Durmitor
  8. Próximo post

Chegada à segunda metade da viagem

Nas últimas semanas tenho descrevido a primeira metade da nossa road trip em Montenegro, desde a chegada a Podgorica até ao mosteiro de Ostrog. Durante esses dias visitámos Perast, Kotor, Sveti Stefan, Budva, Stari Bar e muitos outros locais que adorámos ficar a conhecer. Vamos agora entrar na segunda metade da viagem que incluiu dois parques nacionais, Durmitor e Prokletije. Ao contrário dos primeiros dias que foram mais à volta da costa, nesta parte da viagem tivemos direito a paisagens montanhosas, trilhos em florestas e experiências rurais. Este post em particular vai ser sobre a nossa chegada a Žabljak, o apartamento onde ficámos, o restaurante onde jantámos e o primeiro trilho no parque nacional de Durmitor.

Primeiras impressões de Žabljak

Chegámos a Žabljak ao cair da tarde ainda com luz do dia suficiente para ficarmos com uma ideia da cidade. Žabljak é a cidade principal do parque nacional de Durmitor e com uma localização perfeita para os locais que queríamos visitar nos próximos dois dias. Do que vimos gostámos muito, uma cidade que é grande em tamanho, mas rural na sua essência.

Žabljak

A primeira coisa que reparámos foi no grande número de edifícios que estavam em construção principalmente agrupamentos de pequenos chalets de madeira. Devido ao aumento do interesse turístico que está a crescer a cada ano em Montenegro, Žabljak prepara-se para receber mais visitantes.

Apartamento Duke

A primeira paragem foi no apartamento que tínhamos alugado para duas noites, o apartamento Duke que ficava bastante perto da estrada principal, de restaurantes e supermercados. E também bastante perto do lago negro (Crno Jezero) que era o local que iríamos visitar no dia seguinte de manhã. Não foi muito difícil de descobrir o apartamento, o piso inferior de uma vivenda com parque de estacionamento mesmo à entrada. Fomos recebidos pela mãe da dona do apartamento que foi supersimpática, mas não falava inglês. Ainda tentámos comunicar-nos usando o google tradutor, mas a senhora acabou por ligar à filha quando perguntámos sobre o city tax que ainda tínhamos de pagar. Ao telefone foi-nos explicado o processo do check-in e check-out e disponibilizou-nos o número para a contactarmos para aquilo que fosse preciso. Quanto ao apartamento, foi sem dúvida o meu preferido. Bastante acolhedor e acima de tudo com lareira. Basta uma lareira para ficar perdida de amores. A mãe da dona do apartamento tinha-nos deixado a lareira acesa e explicou-nos por linguagem gestual (a linguagem internacional) onde podíamos ir buscar mais lenha. E este conselho tinha razão de ser porque a temperatura em Durmitor nada tinha a ver com a de Perast. Aqui sim estava frio com temperaturas negative durante a noite. Para além da lareira também ligamos o aquecedor de parede que havia no nosso quarto para estarmos mais confortáveis quando fôssemos mais tarde para a cama.

Aproveitámos que tínhamos o número da dona do apartamento que, entretanto, tinha enviado mais instruções para lhe pedir sugestões de onde jantar. Foi-nos dito que muitos dos restaurantes fechavam durante a época baixa, e isso incluía novembro, mas que aconselhava o restaurante O’ro que estava aberto. E foi aí mesmo que fomos jantar. E mais, acabámos por voltar na noite seguinte, não por falta de escolha, mas por termos gostado bastante da refeição da primeira noite.

Para reservar ou obter mais informações sobre o apartamento Duke vejam a seguinte página do booking.com: Apartament Duke

Restaurante O’ro

O restaurante O’ro ficava na estrada principal a mais ou menos 10 minutos a pé do apartamento Duke. Durante a pequena caminhada ainda tivemos direito a ficar a conhecer um gato muito meigo que nos seguiu por uns minutos. Deitava-se no chão, esfregava-se nas nossas pernas, e nós claro que lhe demos festas. Quem conseguiria resistir? Depois dos dois dias em Durmitor sabemos agora que o mais provável é que o gato fosse abandonado, um dos grandes desgostos com que se fica em visitar não só de Durmitor, mas Montenegro em geral.

Chegámos pouco depois ao restaurante e felizmente àquela hora, seis e meia, havia várias mesas livres. O restaurante tinha um aspecto bastante acolhedor, aquele rústico chique, e o menu era exactamente o que procurávamos, focado em pratos tradicionais de Montenegro. Para entrada pedimos uma sopa, mais um caldo, eu de carne de veado o meu marido de vegetais. A única diferença entre as sopas era a adição da carne, que fez toda a diferença, pois a minha era muito mais saborosa. E na verdade, a sopa foi um dos melhores, senão o melhor, prato que experimentei neste restaurante.

Sopa de carne do restaurante Or’o

Pedimos dois pratos principais para dividir, o meu marido pediu a truta, um dos pratos de peixe mais tradicionais de Montenegro, que veio acompanhada por vegetais grelhados e salada. Para ele este foi o melhor prato de toda a viagem. Eu pedi Kačamak que era algo que eu queria muito experimentar. Este prato é um dos mais tradicionais de Montenegro e eu descrevê-lo-ia como uma espécie de puré espesso feito de farinha de milho, batatas, queijo e manteiga. Ou seja, tudo para ser um prato bastante pesado, mas delicioso especialmente para pessoas como eu que adoram queijo. Neste restaurante, como em muitos outros, o Kačamak leva algum tempo a ser cozinhado, tendo o menu neste restaurante um aviso de que demora 40 minutos. Como pedimos as entradas estávamos à vontade para esperar. E o que chegou à mesa foi uma dose enorme que dava bem para duas pessoas, acho que até para três. É realmente um prato para aqueles que procuram uma refeição substancial pois eu com 2/3 da dose já estava cheia. E apesar de ser uma pessoa que adora queijo chegou uma altura que já estava o estava a achar enjoativo. Não me interpretei mal pois adorei o sabor, mas este é daqueles pratos que para se gostar tem de se comer em moderação. Mas contudo fiquei feliz por ter tido a oportunidade de experimentar mais um dos pratos que tinha em mente para esta viagem.

Prato de truta do restaurante Or’o
Kačamak do restaurante Or’o

Depois das entradas e dos pratos principais (ainda bem que o prato de truta era bastante mais leve), já não havia espaço para sobremesa, o que deixámos para o jantar do dia seguinte. Como devem ter pressuposto nós gostámos imenso do restaurante, do ambiente, da comida, do serviço, para voltarmos no dia seguinte.

Ainda antes de irmos para casa fizemos uma breve paragem no supermercado em frente ao restaurante onde comprámos uma ou duas cervejas artesanais que bebemos em frente à lareira aconchegados no nosso apartamento.

Página oficial do restaurante O’ro: https://restaurantoro.me/

Pequeno-almoço em Žabljak

O sexto dia da road trip em Montenegro foi dedicado ao parque nacional de Durmitor. E começámos este dia bem cedo. Primeiro iríamos ao lago mais conhecido de Durmitor, o lago negro (Crno Jezero) mas ainda antes precisávamos de tomar o pequeno-almoço. Tínhamos reparado no dia anterior numa Pekara (padaria) que abria às 7 da manhã perto do supermercado.

Burek da Pekara em Žabljak

Quando chegámos à padaria ainda pensámos em comer numa das mesas, mas como não vendiam café comprámos os burek que tinham a forma de uma roda cortados em 4 fatias (tipo pizza) e trouxemo-los para o apartamento onde fizemos o mandatário café. Acabou por ser um dos melhores burek de Montenegro com um recheio de carne que sabia a pizza de fiambre ou de carne picada. Ainda bem que os bureks eram bons, já que a rapariga que nos atendeu não era muita dada a sorrisos. Não que tivesse sido rude, apenas carrancuda.

Esta é a morada da tal Pekara:  Njegoševa, Žabljak 84220, Montenegro

Crno Jezero ou Lago Negro

O dia tinha acordado com um céu azul, mas o frio fazia-se sentir e apesar de pudermos ter ido a pé até ao Crzno Jezero num passeio de meia hora decidimos levar o carro. Pensávamos que estávamos a ser espertos em deixar o carro num parque de estacionamento afastado do lago, mas ao chegarmos vimos que também aqui havia uma pequena cabana onde o guarda já lá estava a cobrar a entrada para o parque nacional, a qual nos custou 5 euros por pessoa. Vendo o lado positivo tivemos assim oportunidade de entrar dentro da floresta durante o caminho até ao lago.

Crno Jezero no parque nacional de Durmitor

E o lago àquela hora matinal (9 e meia) era como um espelho reflectindo a montanha de Durmitor nas suas águas azuis brilhantes. Por aquela altura não havia muitas pessoas por ali, apenas mais uma pessoa, contudo havia imensos cães abandonados. E quando digo imensos estou a falar de cerca de 15 a 20 cães alguns de grande porte. E pouco depois de chegarmos ouvimos vários cães a ladrar à distância e um homem a correr e a mandar pedras aos cães. No momento pareceu-nos que ele estava a defender-se dos cães que corriam e saltavam para cima dele (impressão que temos até hoje).

Quanto a nós, a ideia era percorrer o trilho circular à volta dos dois lagos que fazem parte do Crno Jezero (lago negro), o Veliko Jezero (grande lago) e o Malo Jezero (pequeno lago). Descobrimos o trilho e logo no início os cães vieram ter connosco, altura em que reparámos que os cães pertenciam a duas matilhas que se fixavam numa atitude pouca amistosa. Felizmente não se atacaram e a certa altura dispersaram enquanto avançávamos pelo trilho bem marcado. Acabámos por ser quase sempre acompanhados por um ou dois cães de uma das matilhas. A certa altura encontrámos uma pequena tira de terra que separava os dois lagos.

Lago Malo (pequeno) no Crno Jezero

Ainda tentámos seguir pelo trilho continuando pela margem do Malo Jezero mas pouco depois encontrámos um sinal de aviso a indicar que o caminho em frente era escorregadio com grande perigo de queda. Até o cão que vinha connosco começava a ganir sempre que fazíamos algum movimento de intenção de seguir em frente. Interpretámos o ganir como sinal para não seguirmos em frente e voltámos à tira de terra que ligava ambos os lagos para fazer um corta-mato e voltar a apanhar o trilho que seguiria até ao ponto onde tínhamos começado. Fizemos várias tentativas, mas não conseguimos encontrar o trilho. Numa destas tentativas já estávamos a caminhar por rochas que desciam a pique para dentro de água. Acabámos por desistir e regressar pelo mesmo caminho de onde tínhamos vindo, mas com um certo sentimento de frustração porque tínhamos a certeza de que havia um trilho que seguia pelo outro lado da margem, já que este trilho era supostamente circular.

Um dos cães que nos acompanhou no trilho à volta de Crno Jezero

É preciso notar que ao contrário de outros países onde já fizemos vários trilhos como nos Dolomitas ou em Inglaterra, e mesmo em Portugal, aqui não havia qualquer sinalização sobre os trilhos disponíveis na área ou placas com direcções.  

Em relação ao Lago Negro, este é o maior e mais profundo dos 18 lagos glaciais em Durmitor. O lago é alimentado por águas de inúmeros poços que fluem por um riacho, Otoka, e por rios subterrâneos. A água do lago grande, Veliko, segue para o Rio Tara, enquanto o do lago pequeno, Malo, para o rio Komarnica através de uma bifurcação subterrânea. 

Quando voltámos ao ponto de partida tentámos visitar um outro lago, o lago Barno. Como disse não havia nenhuma placa com direcções, mas reparámos num trilho que subia a colina e que parecia ir na direcção deste lago. Embrenhámo-nos por dentro da floresta até que chegámos a uma vedação que nos proibia seguir para onde supostamente queríamos ir. Estávamos por esta altura ao pé de uma pequena aldeia, Ivan Do, da qual já avistávamos umas casas. Foi aqui que aceitámos a derrota e voltámos para trás. Aproveitámos o passeio para tirar fotografias porque mesmo sem lago o interior da floresta merecia ser admirado.

E foi assim a nossa experiência um pouco falhada no Crno Jezero. Alguns podem chamá-la de frustrante, eu mesmo assim digo que valeu a pena vir aqui.

O que mais no marcou em Durmitor

Apesar da beleza deslumbrante do Crno Jezero o que mais nos marcou não foi algo de belo, bem pelo contrário. O que ainda não contei foi que quando estávamos a ir do carro para o lago houve um cão abandonado que veio ter connosco. Um cão a pedir festas, meio maluco, a saltar para cima de nós e a tentar morder-nos na brincadeira. Depois durante o percurso o cão acabou por desaparecer, mas quando estávamos a regressar ao carro voltou a aparecer e continuou a acompanhar-nos. Pois quando estávamos a entrar para o carro o cão começa a ganir, a saltar para o colo e a agarrar-nos nos braços com as patas. O cão estava a pedir para vir connosco, estava a pedir para lhe darmos um lar. E quando acabámos por ir embora o cão ali ficou de cauda caída. Posso dizer que desiludir uma pessoa é mau, mas desiludir um cão é muito, mas muito pior. E nós adoramos animais e sempre quisemos ter um cão. Termos a dádiva de sermos escolhidos por um cão para sermos a sua família e não podermos retribuir despedaçou-nos o coração. Foi um dos episódios que me fez vir no avião de volta para casa com lágrimas a correr-me pela cara. E mesmo agora sei que sempre me arrependerei de ter virado as costas, por mais razões lógicas que possa dizer, eu sei que é algo que nunca me perdoarei. E sim, não foi só este episódio que me traumatizou, mas foi aqui que começou. E é por isso que desde que voltei de Montenegro que todos os meses envio uma quantia a uma das organizações que ajudam animais abandonados em Montenegro: Stray Aid Montenegro.

Página no patreon da organização Stray Aid Montenegro para doações: https://www.patreon.com/c/strayaidmontenegro/posts

Próximo post

No próximo post vamos continuar o nosso dia por Durmitor focando-nos na rota cénica que atravessa o parque nacional. Foram 70km de inúmeras inacreditáveis paisagens, intensas experiências e inesquecíveis memórias.

Mosteiro de Ostrog e visita a diferentes lagos

Conteúdo desta página

  1. No último post
  2. Ponto panorâmico do Lago Slansko
  3. Mosteiro de Ostrog
    1. A nossa visita ao mosteiro
    2. Breve história do mosteiro de Ostrog
  4. A compra de maçãs em Šavnik
  5. Lago Vražje ou Lago do Diabo
  6. Próximo post

No último post

Na semana passada falámos da última paragem na baía de Kotor, Perast. Uma manhã que incluiu uma viagem de barco até à ilha da Nossa Senhora das Rochas, um pequeno-almoço com uma tarte tradicional e até um mergulho inesperado nas águas do Adriático. Hoje vamos falar de um locais mais mediáticos da religião ortodoxa em Montenegro, o mosteiro de Ostrog e algumas das paragens que fizemos pelo caminho antes e depois do mosteiro.

Ponto panorâmico do Lago Slansko

A distância aproximada entre Perast e o mosteiro de Ostrog é de 100km que leva em média 2 horas a percorrer. Essa foi uma das razões para fazermos esta paragem, isso e por este ser um miradouro, o miradouro do lago Slansko (ou Slano). Este lago artificial cobre aproximadamente 9 km2 de área construído em 1950 para fornecer energia hidroélectrica o que é conseguido através de uma pequena barragem que fica numa das suas margens. Apesar do lago não ser natural, a verdade é que as suas águas calmas e azuis e os pequenos ilhéus formam um cenário pitoresco.

Lago Slansko

Neste miradouro também havia uma espécie de bar de estrada abandonado com mesas e bancos corridos, que acredito ser bastante concorrido durante o Verão. Em novembro tivemos de nos contentar com a paisagem – o que afinal já não foi pouco. Este miradouro serviu-nos para esticar as pernas até ao próximo destino, o mosteiro de Ostrog, a cerca de 45 minutos.

Mosteiro de Ostrog

Como já tinha dito anteriormente conduzir em Montenegro é uma aventura e mais o é quanto mais para o interior de Montenegro se entra. E neste caso para chegar ao mosteiro de Ostrog até se teve direito a passar por mais uma estrada em serpentina. Afinal a serpentina de Kotor pode ser a mais famosa, mas não é certamente a única em Montenegro.

O mosteiro está dividido em dois nível, o inferior e o superior, e nós estacionámos o carro perto do nível superior, que é a parte mais conhecida do mosteiro. Em relação a este local vou primeiro relatar a nossa experiência e depois a breve história associada a ele.

A nossa visita ao mosteiro

A nossa visita acabou por ser um pouco inusitada. Tudo começou quando estávamos a entrar no recinto exterior do nível superior do mosteiro e ouvimos um carro a chegar com um bocadinho de velocidade a mais. Para nossa surpresa quando olhámos para trás vimos que era um carro preto sem matrícula estacionado agora numa das bermas da entrada, onde por sinal, não era um lugar de estacionamento. Mais admirados ficámos quando de lá de dentro sai um homem de vestes de cor preta. Ou seja, sai do carro um padre ortodoxo. O padre segue apressado para dentro do mosteiro e sobe por umas escadas que davam para uma pequena capela.

Mosteiro de Ostrog

Quanto a nós andámos primeiro por ali fora a tirar fotografias aos edifícios do mosteiro o que por sinal é bastante bonito, de tal forma que é como se o mosteiro fizesse ele mesmo parte da rocha. Decidimos entrar nos vários edifícios começando pelo que ficava do lado contrário ao parque de estacionamento. Ou seja, subimos pelas mesmas escadas por onde o padre tinha ido. Entrámos dentro da capela onde a iluminação era bastante diminuída e onde se sentia um cheiro forte a incenso. Quando eu avanço para o interior da capela deparo-me com a forma de um corpo deitado e o padre a rezar e a abanar a cabeça da pessoa que estava em frente ao corpo para trás e para a frente. A única coisa que me veio à cabeça foi ‘acabei de chegar a um velório’ e toco de voltar para trás para sair rapidamente da capela. O meu marido que vinha atrás quando se apercebe daquele ritual tem exactamente a mesma reacção. Ele ainda viu que o padre tinha colocado uns óleos na testa da pessoa antes de começar a reza, mas eu nem tive tempo para ver isso. Bem só vos digo que saímos da capela meio abananados meio esbaforidos a tentar perceber o que tínhamos acabado de presenciar.

E de repente apossou-nos uma sensação de estranheza que não nos abandonou até bastante mais tarde, depois de já nos termos ido embora. Ainda visitámos outras áreas do mosteiro incluindo uma grande e apinhada loja de recordações, uma sala com velas, voltando novamente ao recinto exterior onde àquela hora vários grupos de freiras aproveitavam para descansar à sombra das árvores. Quando saímos do mosteiro sentíamos que de alguma forma tínhamos feito parte de um culto proibido e de uma coisa estávamos certo, a religião ortodoxa ali tinha um poder sem igual.

Concluindo, o mosteiro de Ostrog é um lugar que deve ser visitado, seja-se religioso ou não. E aliás para a maior das pessoas esta visita não vai ter um impacto tão intenso como teve em nós, que ainda hoje tento perceber o que aconteceu ali naquela meia hora.

Breve história do mosteiro de Ostrog

O mosteiro de Ostrog é um lugar de reza, adoração e peregrinação da religião ortodoxa. Várias pessoas de todo o mundo procuram este mosteiro para cumprir promessas, receber a bênção dos padres e estar mais perto da sua religião. A melhor comparação que posso fazer é: o mosteiro de Ostrog é para a religião ortodoxa o que Fátima é para a religião católica. Há vários relatos de milagres que aconteceram a pessoas que visitaram este mosteiro como voltarem a andar ou saírem curadas das suas doenças. Tal como Fátima e o seu 13 de maio, também em Ostrog há um dia de grande celebração, o dia 12 de maio, que corresponde ao dia da morte de São Basílico.

Mosteiro de Ostrog

E é a São Basílico a quem o mosteiro de Ostrog é dedicado. São Basílico foi um monge e bispo ortodoxo que viveu no século XVII. São Basílico nasceu em Herzegovina a 28 de dezembro de 1610, baptizado com o nome de Stojan. Stojan desde muito cedo passou por vários mosteiros incluindo o de Cetinje e tudo começou por uma decisão feita pelos seus pais que o quiseram afastar daqueles que eles consideravam ser más companhias e que moldavam a personalidade de Stojan que antes da sua vida religiosa era considerada uma pessoa extremamente egoísta. Mas quando Stojan entrou no mosteiro a sua vida virou-se para Deus. Stojan acabou por ser expulso de Montenegro quando esteve em Cetinje por ser fervorosamente contra as negociações que decorriam na altura com o Papa numa tentativa de unir ambas as religiões, a ortodoxa e a católica. Stojan foi então admitido no mosteiro de Tvrdoš em Trebinje (Herzegovina) tendo sido aqui reconhecido pela sua devoção ao jejum e à oração. Foi por esta altura que Stojan tornou-se Basílico. Apesar de Basílico ter sido obrigado a tomar uma posição política durante a guerra contra os turcos tendo para isso de se aliar à igreja católica, a verdade é que nunca deixou de ser um defensor ferranho da igreja ortodoxa tendo sempre lutado contra a disseminação da fé católica na região.

Em 1651, São Basílico escolhe Ostrog para sua morada. Inicialmente havia apenas uma pequena igreja e foi São Basílico que quis expandir a propriedade até esta se tornar no mosteiro que é hoje. No nível inferior do mosteiro à igreja que já lá existia foi adicionado uma pequena casa para processamento de trigo e construídas habitações para os monges mais novos. No novo nível do mosteiro, o superior, foi construída uma zona de armazenamento, quartos de hóspedes e outra capela onde vários artefactos religiosos estão hoje guardados. Para puder aumentar a área do mosteiro, São Basílico aliado a outros dois irmãos crentes da religião ortodoxa adquiriram os terrenos envolventes. São Basílico morreu a 29 de abril de 1671 (12 de maio de acordo com o calendário gregoriano) e sepultado no mosteiro. Mais tarde, o seu corpo foi exumado e transferido para o relicário que fica no nível superior do mosteiro e onde reside até hoje. E são os seus restos mortais que eu calculo que tenha visto ao entrar na pequena capela da qual acabei por fugir a sete pés.

Para quem quer visitar este mosteiro, fica aqui a informação de que a entrada é gratuita. E sendo este um lugar de referência em Montenegro, este mosteiro é um dos locais mais populares no país para visitar e para quem quer rezar. Para mim valeu a pena a visita, não pelo lado religioso, mas sim pelo lado cultural. E para assim termos mais uma experiência sem igual para contar.

Para mais pormenores sobre este mosteiro vejam a seguinte página: https://www.visit-montenegro.com/monastery-ostrog/

A compra de maçãs em Šavnik

Entre o mosteiro de Ostrog e a próxima paragem, o lago Vražje, ficavam 90km de distância o que nos levaria mais duas horas de caminho. Ao chegar à última meia hora de viagem a fome dava o seu parecer e decidimos fazer uma paragem rápida num supermercado quando passássemos por uma vila ou cidade. O que acabou por ser na pequena vila, Šavnik, onde havia dois supermercados das redes iDEA e Voli. Fomos ao iDEA na esperança de puder comer mais uns bureks, mas foi aqui que ficámos a saber que esse tipo de productos não é vendido em todos os supermercados do país. Como não encontrámos nada que nos chamasse à atenção fomos tentar o Voli. Mas também aqui não havia nada de especial e por isso decidimos comprar maçãs e comê-las ao pé do lago Vražje.

Uma das paisagens nas estradas de Montenegro

E até a compra das maçãs acabou por se tornar num episódio cómico, pelo menos nós levámos o que se passou para a comédia. Mas é preciso saber o contexto. Primeiro o supermercado Voli não era muito grande, mas nós demos muitas voltas antes de decidirmos o que comprar.  Segundo, havia dois empregados, um na caixa e outro num pequeno balcão com queijos ou enchidos já nem sei bem que nos seguiu sempre com o olhar. Para comprar as maçãs era preciso colocá-las num saco e pesá-las para ter o recibo com o peso e o preço. Tal como em Portugal, mas a máquina era daquelas antigas, ou seja, o recido não saia automaticamente tinha de se carregar em certos botões para o papel sair. Como os botões não estavam em inglês, estivemos para ali a pasmar até que o tal empregado nos veio ajudar. No entanto, enquanto o fazia falava para a colega que estava ao balcão e que até acho que não o estava a ouvir. E daquilo que ele disse só apanhámos uma palavra: ‘turisti’. Apesar de não percebermos montenegrino pela fala e pelo tom devia estar a dizer algo do género ‘estes turistas vêm para aqui e nem pesar maçãs sabem‘.

Como disse levamos isto para a brincadeira e ainda hoje usámos o ‘turisti’ como inside joke (piada privada). Outra coisa bem evidente de este ser um mercado local foi o tempo que levou para sermos atendidos na caixa. Só estávamos nós e uma senhora que já estava a ser atendida quando chegámos e sem exagero estiverem mais de 5 minutos à conversa depois das compras pagas e empacotadas. Certamente de que falavam da vida do quotidiano e também era certo que não tinham pressa nenhuma em terminar a conversa, o que é completamente o oposto do que se costuma ver nas grandes cidades ou áreas comerciais onde cada cliente é atendido o mais rápido possível.

No meio disto tudo o importante a dizer é que as maçãs eram muito doces e sumarentas para além de enormes e por isso foram uma boa compra.  

Lago Vražje ou Lago do Diabo

Perto das 4 da tarde chegámos à última paragem do dia antes de fazermos o check-in no nosso apartamento, o lago Vražje ou lago do Diabo. Este lago é conhecido pela sua cor – azul claro nas margens que escurece para quase preto no centro. É este contraste que lhe dá o nome.

Paisagem da estrada do lado oposto ao lago Vražje 

Este lago formado por águas glaciares cobre uma área de 3.5 hectares e tem uma profundidade máxima de 25 metros. Este lago está envolvido por paisagens cénicas a uma altitude de 1500 metros acima do nível do mar. E com um nome assim tinha de estar forçosamente associado a lendas e mitos. A lenda mais famosa é que o diabo construiu um palácio de cristal no fundo do lago e que a cor das águas é o reflexo do palácio na superfície. Outra lenda também associada ao diabo, afinal o lago chama-se lago do diabo, conta que esta entidade demoníaca vive no fundo do lago e que causa infortúnios a quem se chega perto. Outras lendas dizem que no fundo do lago há uma cidade perdida, ou que uma princesa se suicidou ao não puder casar com o homem que amava ou que as águas do lago têm poderes curativos.

Quanto a nós, parámos junto ao lago a comer as nossas maçãs e apesar de onde estávamos não se ver bem o efeito do contraste de cores ainda assim conseguimos perceber onde as águas escureciam. Para ver melhor o efeito é estar em maior altitude e até há um pequeno monte mesmo ali ao lado que não parece ser muito difícil de subir. Nós, depois de um dia exaustivo que começou em Perast, continuou pelo mosteiro de Ostrog e com quase 200km feitos, ficámos apenas ali na margem do lago. Por isso as nossas fotografias não mostram bem o efeito da mudança de cores, mas facilmente encontrarão nas redes sociais imagens bem mais sugestivas do que as nossas, como por exemplo aqui: Instagram Vražje jezero

Montes onde do topo se pode ver melhor o efeito contrastante das cores do lago Vražje 

O destino final para este longo dia ficava agora a cerca de 10km de distância na cidade de Žabljak.

Próximo post

No próximo capítulo, o parque nacional de Durmitor vai ter toda a atenção desde a cidade de Žabljak onde ficámos alojados até à rota cénica que completámos depois de ficarmos a conhecer um dos lagos mais populares da zona, Crno Jezero (lago negro).