As primeiras igrejas de Roma acompanhadas por maritozzo

Índice desta página

  1. Os primeiros momentos em Roma
  2. Chiesa di San Bernardo alle Terme – panteão de Roma em ponto pequeno
  3. Chiesa di Santa Maria della Vittoria: a imponência do barroco
  4. Maritozzo do Bar Pasticceria D’Amore
  5. Chiesa dei Santi Silvestro e Martino ai Monti: um tecto de azul e dourado
  6. Parco del Colle Oppio e delle terme di Traiano
  7. Próximo post

Os primeiros momentos em Roma

Depois de dar todas as dicas de preparação para uma viagem a Roma (ver post aqui) vou agora falar do que fazer e ver quando se chega à cidade. Como disse anteriormente, para chegar do aeroporto à estação de comboios vim no autocarro da Terravision e depois de uma caminhada de 15 minutos fazia o check-in no hotel Quirinale na via Nazionale.

Depois de pôr as malas no quarto e de verificar todos os cantos da acomodação, estava na hora de aproveitar aquela tarde para conhecer a cidade. Como no dia a seguir começava a conferência que se estenderia até sexta-feira, todos os minutos estavam a contar. E uma das primeiras coisas que queria fazer era comer um maritozzo. O que eu aprendi desde que comecei a viajar sozinha, normalmente em trabalho, é que o meu estilo de viagem é andar pelas ruas, ver uma coisa ou outra enquanto experimento vários pratos tradicionais daquela cidade ou país. Acho que posso dizer que sou também uma foodie, uma apreciadora de comida, não apenas uma turista de fazer quilómetros. E podem crer que tinha uma grande lista de pratos, salgados e doces, que queria experimentar enquanto estivesse em Roma.

Por isso a primeira parte do itinerário era visitar algumas igrejas enquanto estivesse a caminho da pastelaria Regoli, um dos locais mais aclamados para experimentar o tal bolo. Depois de passar quase duas semanas a ver vídeos nas redes sociais dos quais muito mostravam o bolo maritozzo, tinha de ser a primeira coisa que ia comer.

Outra coisa que tinha lido sobre Roma e que completamente apoio é que entrem em todas as igrejas, mesmo aquelas das quais nunca ouviram falar. Pelo que li, em Roma há cerca de 900 igrejas espalhadas pela cidade e claro que algumas são mais famosas do que outras, mas mesmo as menos conhecidas não deixam de ser lindíssimas. Por isso, se virem uma igreja é simples, é entrar. Para mais a entrada para qualquer igreja é gratuita, excluindo talvez a basílica de San Pietro que como disse no outro post (ver aqui) talvez decidam comprar bilhete para evitar longas filas de espera ou a capela Sistina que faz parte da visita aos museus do Vaticano.

Sobre as igrejas que visitei não vou dar grandes pormenores sobre a sua história, senão esta página tornar-se-ia enorme, mas farei referência a todas as igrejas que entrei e às que pensei entrar, mas não o fiz, com detalhes sobre as características únicas de cada uma.

Chiesa di San Bernardo alle Terme – panteão de Roma em ponto pequeno

Esta foi a primeira igreja que visitei em Roma, e era uma daquelas que não estava no itinerário, entrei apenas por passar por ela ao acaso. E ainda bem que o fiz, porque esta igreja é uma espécie de panteão de Roma em ponto pequeno. Tal como o panteão, esta igreja também não tem janelas, recebendo apenas luz solar pela abertura circular no centro da cúpula.

À volta da igreja existem 8 nichos onde estão estátuas de 3 metros, cada uma representando um diferente santo, criadas por Camillo Mariani por volta de 1600. Estes nichos, 4 de cada lado, são interrompidos por dois retábulos do século XVIII de Giovanni Odazzi.

Chiesa di Santa Maria della Vittoria: a imponência do barroco

Esta é uma das igrejas que são muitas vezes mencionadas como uma das igrejas a não perder em Roma. Ainda antes de chegar à igreja passei pela bonita fonte dell’Acqua Felice construída entre 1585 e 1589, onde a estátua de Moisés recebe o lugar central. Esta fonte foi construída onde antes ficava a secção final do acqueduto Felice que abastecia água para as colinas de Quirinale, Virinale e Esquilino.

Mal se entra na igreja de Santa Maria della Vittoria apercebemo-nos logo porque esta é uma das igrejas mais mencionadas nos roteiros turísticos. Uma igreja de estilo barroco construída entre 1608 e 1620, devota a Santa Maria depois da vitória do exército católico em 1620 naquela que se chamou a batalha da Montanha Branca. Estátuas detalhadas, arcos decorados com mármore e colunas (capitéis coríntios) douradas formam um conjunto de completa imponência.

Talvez a estátua mais conhecida desta igreja seja a ‘Êxtase de Santa Teresa de Ávila’, que representa a visão de Santa Teresa do momento em que um anjo transpassa o seu coração com uma flecha dourada.

Depois de todas as igrejas que conheci em Roma, também eu recomendo que venham visitar esta igreja e já que aqui estão, também a fonte dell’Acqua Felice.

Maritozzo do Bar Pasticceria D’Amore

Ainda antes de chegar ao meu destino para finalmente provar o bolo maritozzo, passei pelo edifício magnífico da Basilica Papale di Santa Maria Maggiore que se destaca pela torre que de certo modo faz lembrar o campanário de São Marcos em Veneza. Não entrei na igreja naquele dia, deixando a visita para uma altura em que estivesse com o meu marido. Mas fiquei impressionada pelo detalhe das estátuas representadas na parte exterior da igreja.

Finalmente cheguei à rua onde fica a pastelaria Regoli apenas para descobrir que estava fechada, porque afinal este estabelecimento encerra às terças-feiras. Apesar da decepção eu estava determinada em provar aquele bolo naquele dia e por isso cruzei a estrada, Via dello Statuto, e escolhi a opção que tinha diante de mim, a pastelaria D’Amore. Esta pastelaria não está tão bem avaliada como a pastelaria Regoli mas a maior parte dos comentários negativos é do atendimento ser um pouco frio. Já quase a salivar nem pensei duas vezes.

Eu entrei e vi logo uma bancada enorme de vidro com maritozzo’s que são bolos tipo brioche abertos ao meio e recheados (e bem) com natas. O creme não é tão doce como o chantilly, mas a textura é bastante parecida. O tradicional é apenas com as natas, mas há várias opções como por exemplo com pistachio ou como neste restaurante com framboesas e açúcar em pó que é opção mais procurada nesta pastelaria.

Maritozzo da pasticceria D’Amore

Eu escolhi o tradicional mas no último dia comi um maritozzo de pistachio já no mercado da estação de Roma e para mim esta versão, a tradicional, foi a melhor. Claro que podem ter a certeza que estava toda deliciada a comer finalmente o maritozzo, o bolo tradicional de Roma. O bolo custou-me 3 euros e era de tamanho ‘normal’, mas havia também maritozzo’s de tamanho gigante que custavam entre os 5-6 euros.  

Chiesa dei Santi Silvestro e Martino ai Monti: um tecto de azul e dourado

Depois do lanche, continuei a explorar a zona mais a sul do centro de Roma e foi na igreja dei Santi Silvestro e Martino ai Monti onde entrei a seguir. Os frescos, os quadros e outros elementos decorativos estavam sob um processo de restauração e por isso muitos deles estavam tapados, mas mesmo assim a beleza da igreja era notável.

Esta igreja é uma das mais antigas de Roma, sendo a sua origem do século IV. A igreja e o convento adjunto passaram por vários eventos de restauração, alguns eles depois períodos de destruição por exemplo devido a guerras, mas a restauração mais relevante da igreja actual foi na segunda metade do século XVII onde vários artistas foram convidados a participar no projecto.

Parco del Colle Oppio e delle terme di Traiano

Já com o sol a pôr-se e a pensar onde iria jantar, acabei por ir parar ao parque del Colle Oppio onde encontrei um parque urbano com várias ruínas romanas que afinal eram as ruínas das termas di Traiano. Para além das ruínas inesperadas também encontrei uma zona onde foi construída uma pista de skate e onde naquela altura vários adolescentes aproveitavam para mostrar as suas habilidades em cima de rodas.

Pista de skate do parque del Colle Oppio com o coliseu a fazer parte do pano de fundo

E a melhor surpresa era que daqui tinha-se uma vista panorâmica do coliseu de Roma. Penso até que este miradouro, se assim se possa chamar, não seja muito conhecido porque não vi muitos turistas, vi mais locais a andarem por ali. E foi assim o meu primeiro vislumbre desta construção icónica de Roma.

Próximo post

E é neste pôr-do-sol com uma paisagem inesperada para o coliseu que termino este post. Para a semana continuarei a falar das seguintes igrejas que visitei antes de ir jantar, que foi num dos restaurantes mais falados nas redes sociais. Todos os detalhes disponíveis na próxima semana.

A oportunidade de conhecer Roma

Índice desta página

  1. Roma, Roma, Roma
  2. O que ter em consideração antes da viagem?
    1. Vestuário, calçado e regras nas igrejas de Roma
  3. Rome tourist card
    1. As escolhas para o nosso Rome Tourist Card
    2. Bilhetes para visitar a basílica de San Pietro
    3. Agora, vale a pena comprar o Roma Tourist Card?
  4. Onde fiquei alojada em Roma?
    1. Hotel Quirinale
      1. Pequeno-almoço
      2. Buffet de almoço e jantar
      3. Quartos
  5. Aquarius Inn
    1. Quarto
    2. Pequeno-almoço
  6. Do aeroporto para a cidade
  7. Próximo post

Roma, Roma, Roma

Tenha-se ou não visitado esta cidade a verdade é que todos nós já ouvimos o nome ‘Roma’, tanto mais porque ela faz parte de alguns ditados portugueses como por exemplo ‘todos os caminhos vão dar a Roma’ ou ‘Roma e Pavia não se fizeram num dia’. E afinal quem nunca ouviu falar dos romanos, um povo ao qual até muitas vezes são atribuídas descobertas arqueológicas de outros povos.

Coliseu de Roma, um marco histórico da cidade

Hoje Roma é a capital de Itália onde também se encontra outro país, país esse independente de Itália, o Vaticano. Motivos históricos, culturais, religiosos ou de lazer trazem milhões de turistas a Roma todos os anos. E por isso vir a Roma é esperar encontrar multidões pelas ruas e pela minha experiência isto acentua-se ao fim-de-semana depois do meio-dia. Apesar de Roma não ter sido parte dos meus planos de viagens para 2026, a oportunidade de visitar a cidade acabou por aparecer inesperadamente. Pois esta viagem foi um pouco diferente do usual já que a oportunidade surgiu quando numa reunião de trabalho me disseram que ia a uma conferência em Roma apresentar resultados de um trabalho de pesquisa. E assim foi. Estive em Roma de terça a segunda, sendo que de quarta até ao meio-dia de sexta foi em trabalho. E por isso durante estes dias apenas conheci a cidade depois das 6 da tarde quando a conferência e os eventos sociais acabavam.

Mas ainda bem que assim foi, porque a minha primeira sensação quando comecei a visitar Roma foi de assoberbamento. A melhor palavra para explicar é em inglês ‘I felt overwhelmed’, e isto porque a cidade atira-nos muita informação ao mesmo tempo. Há tanto, mas tanto, para ver; lembro-me de estar numa rotunda e de ver três igrejas para visitar só naquele círculo, ou de andar pela cidade e ver de repente um pequeno conjunto de colunas em ruínas. Sem dúvida nenhuma que Roma é o sinónimo de ‘museu aberto’, é constante as coisas que há para visitar seja uma igreja para entrar, ou edifícios para admirar. Por isso ainda bem que tive aqueles primeiros 3 dias para me ambientar à cidade, sem expectactivas, sem itinerários e sem horários.

Roma, o verdadeiro significado de um museu ao ar livre

E é assim que esta viagem vai ser dividida, o que visitei em Roma durante a conferência, a maior parte já depois do sol se pôr, e depois o que visitei quando a conferência acabou, de sexta-feira à tarde até segunda-feira à noite. Claro que acabou por haver algumas coisas que fui ver duas vezes, primeiro sozinha e depois com o meu marido, mas isto também me deu a oportunidade de conhecer o local em situações diferentes. Por exemplo, a fonte Trevi, a fonte mais conhecida de Roma, visitei-a pelo menos 3 vezes, duas à noite e uma durante o dia. E recomendo a virem visitá-la depois das 10 da noite, pois nessa altura já não pagam para chegar ao patamar inferior e têm muito menos gente. E para dizer a verdade houve vários locais dos quais preferi a sua versão à noite do que de dia. Mas vou dando a conhecer a minha preferência à medida que vou falando dos vários locais que visitei.

Mas primeiro vou falar de algumas das considerações a ter quando se vem a Roma e dos preparativos que organizei antes de viajar para além dos locais onde fiquei instalada.  

O que ter em consideração antes da viagem?

Como disse acima Roma é uma das cidades mais turísticas do mundo e por isso uma viagem a esta cidade requer alguma preparação atempada. Especialmente a compra dos bilhetes para visitar os diversos locais como o coliseu, a basílica de San Pietro e os museus do Vaticano (onde se encontra a famosa capela sistina). Por exemplo nós comprámos os bilhetes com mês e meio de antecedência e atenção que a viagem era para meio de março e mesmo assim já só havia dois bilhetes para visitar os museus do vaticano naquela manhã de sábado.

Vestuário, calçado e regras nas igrejas de Roma

Para visitar Roma vai ser obrigatório andar, e andar bastante e andar entre várias multidões, por isso em relação ao calçado, esqueçam a ideia de sapatos altos ou chinelos de enfiar no dedo. O que vão querer mesmo são uns ténis ou no mínimo uns sapatos sem salto que sabem que não vos vai fazer bolhas nos pés. Nada estraga mais uma viagem do que calçado ou roupa inapropriada. Por isso em Roma calçado confortável é obrigatório.

Agora em relação à roupa – a minha viagem foi em meio de março, na semana a entrar na Primavera. Apesar de durante a noite ter usado um casaco comprido de inverno durante o dia estava calor. Por isso nada de roupa muito quente, talvez camisolas de manga comprida de meia estação, ou então de manga curta, com um cardigã à mão se for preciso. Mas não mais que isso, eu na sexta-feira a meio da tarde andava de vestido de cavas sem casaco. Claro que se visitarem a cidade no inverno ou no outono aconselho sempre a darem uma espreita num site de meteorologia só para saberem se vai chover. Agora se vierem no Verão, mentalizem-se que vai estar muito calor. Por exemplo, estou a escrever este texto no dia 21 de junho e são esperadas temperaturas entre os 35ºC e os 37ºC para toda a semana.

No entanto, têm de ter em atenção que na maioria das igrejas em Roma há um código de vestuário (ou de vestimenta) sendo proibido entrar-se com calções ou mini-saias/vestidos acima do joelho. Há mesmo locais onde não é permitido mostrar a barriga ou mostrar os ombros, sendo este último requerimento resolvido se tiverem um lenço que possam pôr à volta dos ombros quando entrarem na igreja. Também evitem chinelos de enfiar no dedo, pois a probabilidade de não vos deixarem entrar especialmente nas igrejas mais proeminentes de Roma é alta. Para não perderem a oportunidade de entrar nas igrejas em Roma, que são mesmo de uma beleza surreal, lembrem-se destes pormenores. Afinal as igrejas de Roma pertencem ao Vaticano, o centro da religião católica, uma religião bastante conservadora.

Rome tourist card

Quando comecei à procura do que queria visitar em Roma sendo que o coliseu, os museus do Vaticano e a basílica de San Pietro eram aqueles que eu definitivamente não queria perder, rapidamente apercebi-me que para quase todos estes locais era preciso pagar entrada. O único local que não requeria entrada paga, a menos que quisesse subir à torre era a Basílica de San Pietro. Mas mesmo assim acabámos por pagar 7 euros para puder reservar o dia e a hora e evitar uma demorada espera para entrar. Um pouco mais à frente na pesquisa adicionei o panteão e um talvez para o castelo de Sant’Angelo.

Foi nesta altura que comecei a ver de cartões de turismo que incluíssem vários destes locais e calcular a entrada para cada um deles e comparar se valia ou não a pena adquirir um dos cartões. Há várias opções disponíveis, algumas incluem transporte público ou o autocarro turístico hop on hop off. As várias opções estão explicadas neste website: Rome City Pass & Rome Tourist Cards.

As escolhas para o nosso Rome Tourist Card

Como nós não estávamos interessados em transporte público ou no tal autocarro turístico, a opção que fazia mais sentido era o Rome Tourist Card. Com este pass teríamos então:

  • Bilhete de entrada para o Coliseu
  • Bilhete de entrada para o Fórum Romano e o Monte Palatino
  • Bilhete de entrada para os Museus do Vaticano e Capela Sistina
  • E bilhete de entrada para um destes locais: 
    Panteão, Castelo de Santo Ângelo ou Basílica de São Pedro

Dos três locais que se tinha de escolher, escolhemos o Panteão uma vez que era um dos locais que queríamos visitar e a entrada para a basílica só valia a pena se fôssemos à cúpula.

Bilhetes para visitar a basílica de San Pietro

Nós adoramos quando o bilhete de entrada é gratuito, mas como lemos que para entrar na basílica sem qualquer reserva a espera podia ser de horas, comprámos os bilhetes no website oficial que ficaram a 7 euros a cada um com dia e hora marcados (se não marcarem os bilhetes online e os quiserem adquirir à entrada, os bilhetes são gratuitos, mas mais uma vez é preciso contar com a possibilidade de uma longa espera). Apesar de não haver a possibilidade de fugir às filas por completo, com os bilhetes online a fila de entrada é bastante mais pequena e rápida. Mas mesmo assim ainda estivemos quase uma hora à espera até entrarmos finalmente na basílica. Talvez seja também importante mencionar que com a compra destes bilhetes online tivemos acesso a um guia áudio. Quanto ir ao topo da cúpula – não penso que valha a pena já que há outros locais em Roma que oferecem uma vista magnífica da cidade como a Villa Borghese ou o Giardino degli Aranci (jardim das laranjas) sem ter de pagar nada por isso.

Entrada para a basílica de San Pietro

Eu como estava à espera de encontrar no website da basílica a opção de reservar os bilhetes sem ter de pagar nada, já que a entrada era gratuita, estive um pouco confusa até me aperceber que não dava. Apenas dá para reservar dia e hora da visita se se pagar os 7 euros o que fizemos através desta página: Basilica di San Pietro bilhetes

Agora, vale a pena comprar o Roma Tourist Card?

Antes de comprar o Roma Tourist Card fiz as contas do quanto gastaríamos neste cartão, 84.50 euros a cada um, comparado com o que gastaríamos se comprássemos os bilhetes individualmente que afinal no total ficaria a 137 euros. Por isso, valia a pena, e comprámos o Roma Tourist Card. Com a compra destes bilhetes tivemos de marcar os dias para a visita aos museus e ao coliseu, e ficou então assim: no sábado de manhã visitaríamos os museus do Vaticano uma vez que estes não se encontram abertos ao Domingo, e o coliseu no Domingo de manhã que soubemos no dia era o dia da maratona em Roma.

Outros lugares que ainda pensámos em visitar e que teria entrada paga, mas depois acabámos por não ter tempo para o fazer foi o castelo Sant’Angelo cujo bilhete custa 20 euros e a Galleria Colona que custa 25 euros. Esta última não tivemos oportunidade de ver uma vez que só está aberto ao público sexta e sábado de manhã, e se na sexta estava na conferência em trabalho, no sábado tínhamos a visita aos museus do Vaticano.

Se preferirem visitar o castelo Sant’Angelo ou se tiverem a certeza de que vão visitar o castelo e o panteão aconselho a escolherem o castelo em vez do panteão no Rome Tourist Card, uma vez que a entrada para o castelo custa 16 euros e para o panteão 5 euros. Compram o bilhete para o panteão à parte (por exemplo no GetYourGuide: Roma: Ingresso de Entrada no Panteão e Audioguia Oficial) e assim ficar-vos-á mais em conta.

Como o coliseu e os museus do Vaticano (tal como a basílica) são os locais mais populares para visitar em Roma, aconselho a marcarem as vossas visitas para o mais cedo possível já que as multidões vão crescendo à medida que as horas passam. Nós marcámos os bilhetes para os museus do Vaticano e para o coliseu o mais cedo que conseguimos – os museus do Vaticano ficaram marcados para as 9:30 da manhã de Sábado e o coliseu para as 08:45 da manhã de Domingo.

Onde fiquei alojada em Roma?

Como esta viagem teve duas partes, uma em trabalho e outra em lazer, fiquei alojada em dois lugares diferentes – o primeiro local foi marcado pela conferência e o segundo por nós. Apesar de ser de caras qual deles foi marcado por nós, não se enganem pelas aparências que tive menos problemas com aquele que foi escolhido por nós. Mas já passo a explicar.

Hotel Quirinale

O hotel Quirinale, hotel de 4 estrelas, foi onde fiquei nas primeiras três noites, de terça a quinta. A localização do hotel era perfeita, a 10 minutos da estação de comboio, a 20 do coliseu e a 15 da fonte Trevi. A fachada do edifício pode até não parecer nada de especial, mas tudo muda quando se entra dentro do hotel. Este hotel com mais de 150 anos, inaugurado em 1874, está decorado com mobiliário de estilo imperial e mantém a elegância desde a sua inauguração.

As estátuas, a escadaria e os quartos mostram o quanto este hotel mantém a tradição italiana com o esplendor característico da segunda metade do século XIX. Este hotel encontra-se no local onde antes ficava o palácio Quirinale, que funcionava como residência de verão para o papa Gregório XIII tendo mais tarde se tornado a residência oficial do Presidente da República. Como a conferência foi também neste hotel tive a oportunidade de visitar não só os quartos e a sala de pequeno-almoço, mas também as salas de reuniões.

Pequeno-almoço

O pequeno-almoço era na sala ao pé dos jardins, por isso a manhã começava logo de forma especial. Em termos de comida, não achei que houvesse uma variedade enorme, apesar de para mim ter sido mais do que suficiente.

Pequeno-almoço no hotel Quirinale

Aliás no primeiro dia tive a oportunidade de comprovar que os croissants e as miniaturas doces eram deliciosas, mas estando em trabalho não quis exagerar e por isso foi a granola com fruta fresca que ganharam destaque nas duas manhãs em que tomei o pequeno-almoço neste hotel.

Buffet de almoço e jantar

Como durante a conferência as refeições foram proporcionadas pelo restaurante do hotel Quirinale, tive a oportunidade de comer vários pratos que foram oferecidos em formato de buffet. Sendo um hotel italiano com um menu italiano as opções em cada refeição incluíam sempre um prato de massa, sandes com variados queijos e fatias/quadrados de pizza como podem ver nas fotografias abaixo.

As minhas preferências foram para o queijo fresco, o rolo de mozarela e espinafres e a salada mediterrânea com croûtons. Mas quem ganhou o prémio foi uma das sobremesas, uma tarte de pistacho que foi talvez o melhor de todos os pratos que comi durante esta viagem (fotografia acima à direita).

Quartos

Neste hotel acabei por ficar em dois quartos diferentes. E ambos tinham os seus pontos fortes e fracos. O primeiro quarto onde fiquei as duas primeiras noites foi o melhor, a decoração era lindíssima, com um espaço enorme, um closet e uma casa-de-banho completamente renovada. Um quarto que para mim passava as expectativas que tinha para um hotel de 4 estrelas em Roma. Era um quarto apropriado à vibe ‘la vita è bella‘.

Então porque é que mudei de quarto? Barulho, imenso barulho. Este quarto ficava voltado para a estrada principal, a Via Nazionale, e mesmo do outro lado da estrada ficava este restaurante, o Miami pub. O que acontecia então? A partir das 10 da noite até às 2 da manhã havia música ao vivo que atravessava as paredes daquele quarto, e ia mesmo em direcção aos meus ouvidos. Quando finalmente a música parava começava o trânsito incluindo autocarros e os carros do lixo. Por isso, depois de passar duas noites quase sem pregar olho e com uma apresentação para fazer no último dia da conferência pedi para mudar para um quarto que ficasse numa zona mais sossegada.

E assim foi, na última noite não se ouvia nada de nada. O lado negativo? Não só o quarto era mais pequeno como a casa de banho mostrava a idade do hotel. Apesar de limpa, a torneira do lavatório não fechava como deve ser e a banheira tinha um aspecto bastante usado. Pior ainda era que a possibilidade de a sanita ficar entupida era bastante grande. Confesso que ao chegar a este quarto fiquei um pouco desiludida, mas pelo menos naquela noite o barulho não foi um problema. E mesmo a decoração deste quarto continuava a mostrar a elegância do hotel.

Apesar do barulho e de ter que mudar de quarto, recomendo a considerarem este hotel se quiserem ficar perto do centro da cidade num hotel histórico, com uma decoração maravilhosa, ou mesmo vir almoçar ao restaurante do hotel, já que a minha experiência a esse nível foi bastante positiva. Para mais informações sobre este hotel vejam: Hotel Quirinale Roma

Aquarius Inn

Depois da conferência terminada estava na hora de fazer o check-in no local onde tínhamos feito a reserva, a guesthouse Aquarius Inn. Este local fica um pouco mais longe do centro da cidade do que o hotel Quirinale, talvez uns mais 10 minutos a andar, mas bastante perto da estação de comboios. Claro que os preços para hotéis, guesthouses e apartamentos em Roma podem se tornar muito elevados, especialmente se forem como nós e não fizerem a reserva com muita antecedência. Mas isto também se deveu ao facto de não ter sabido sobre a conferência com muita antecedência.

O Aquarius Inn ficou-nos a 364 euros por 3 noites (mais 15 euros de city tax por pessoa) e quando fizemos a reserva decidimos pagar um pouco mais para ter o pequeno-almoço incluído. Quanto a esta escolha fico um pouco dividida, mas mais abaixo falarei do pequeno-almoço e julgarão vocês se vale a pena ou não pagar mais pelo pequeno-almoço. Por outro lado, quando fiz o check-in conheci a dona, Rossana e ela foi super querida, deu-nos imensas dicas como viajar na cidade e de locais onde ir. Também deu recomendações onde comer ali na zona, até nos deu uns vouchers para um restaurante que ficava na mesma rua do apartamento que nos daria uma sobremesa grátis. E todos os dias quando chegávamos ao quarto tínhamos umas fatias de bolo ou biscoitos que ela mesma fazia.

Quarto

Não tenho qualquer queixa do nosso quarto, sim podia não ter a luxuosidade do hotel Quirinale, mas era sossegado, cómodo e espaçoso. A única coisa a ter em atenção quando se marca este lugar é que apenas um dos quartos tem casa de banho dentro do quarto. Nos outros quartos, a casa de banho também é privativa, mas fica fora do quarto.

O nosso quarto no Aquarius Inn

O nosso quarto também tinha uma pequeníssima varanda (ver fotografia mais acima), mas nunca chegámos a dar muito uso a ela. Concluindo, o Aquarius Inn é um lugar que recomendo para uma opção mais económica e com uma anfitriã super prestável.

Pequeno-almoço

O problema que temos por vezes com os pequenos-almoços é que às vezes escolhemos a acomodação por ter pequeno-almoço incluído, por ser mais cómodo, e na maioria das vezes é a escolha certa. No entanto em países como Espanha, Itália e mesmo Portugal, fica mais barato ir tomar o pequeno-almoço ao café da esquina do que pagar mais pelo pequeno-almoço no local onde ficámos alojados. E em Roma foi isso que sucedeu. Não que o pequeno-almoço fosse mau, era apenas bastante simples. Tínhamos todas as manhãs para cada um: um pacote de tostas outro de bolachas, um croissant (não fresco, daqueles tipo bollycao) e duas fatia de pão. Também havia cereais, leite e iogurtes. E claro café, cuja cafeteira tradicional aprendi a usar com a Rossana.

Pequeno-almoço no Aquarius Inn

Por isso como podem ver nem a variedade era muita, nem a quantidade dava para escapar o almoço, o que normalmente é a nossa intenção ao ter o pequeno-almoço incluído. Por isso digo que não achei que valesse a pena pagar mais pelo pequeno-almoço que tivemos aqui.

No entanto, considero o Aquaris Inn uma boa opção como alojamento e deixo aqui a página do booking.com para lerem mais sobre esta guesthouse e fazerem marcações: Aquarius Inn (booking.com)

Do aeroporto para a cidade

Há dois aeroportos em Roma, o aeroporto internacional Leonardo da Vinci – Fiumicino, que foi para onde eu voei de Londres, e o aeroporto de Ciampino. A escolha para qual aeroporto se vai, normalmente é ditado pela cidade da qual se parte. Por exemplo, eu não tive outra escolha sem ser voar para Fiumicino, enquanto a minha colega que também veio à conferência não teve outra opção que voar para Ciampino a partir de Manchester. Mas de ambos os aeroportos chegar à cidade é bastante fácil.

Bilhete de ida e volta do aeroporto Fiumicino para a estação Roma Termini (autocarro Terravision)

De Fiumicino há duas opções para chegar a Roma, ambas económicas e confortáveis. Pode-se apanhar o comboio que demora cerca de meia hora e o bilhete tem um custo de 14 euros através da companhia Trenitália. Há comboios a sair a cada 15 minutos do aeroporto.

No entanto, eu escolhi o autocarro Terravision que sai do aeroporto a cada 20 minutos e que tal como o comboio vai ter à estação de Roma Termini. Comprei o bilhete de ida e volta no guichet à frente da paragem de autocarro que ficou desta forma a 15 euros. A viagem de autocarro demora normalmente 1 hora. Eu normalmente escolho o autocarro porque assim aproveito para começar a conhecer a cidade antes de chegar ao destino, mas percebo que para quem não queira perder tempo o comboio seja a melhor opção.

Durante a viagem de autocarro do aeroporto Fiumicino para Roma

Próximo post

Nas próximas semanas vamos falar de como foi conhecer a cidade de Roma, as várias igrejas onde entrámos, os vários locais por onde passámos e claro a comida que pudemos experimentar.

Um dia a conhecer Aix-en-Provence

Índice desta página

  1. Posts anteriores sobre esta viagem
  2. Chegar a Aix-en-Provence de Marselha
  3. Visitar a cidade
    1. AixLockers
    2. Fontes em Aix-en-Provence
      1. Place des Quatre-Dauphins
      2. Fontaine des Prêcheurs
      3. Fontaine de la Rotonde
      4. Fontaine Moussue
    3. Igrejas em Aix-en-Provence
      1. Paroisse Cathédrale Saint Sauveur Aix-en-Provence
      2. Maison de Fondation des Missionnaires Oblats
    4. Cemitério de Saint-Pierre
    5. Rue Le Cours Mirabeau
      1. Almoço no IT-italian trattoria Aix-en-Provence
  4. Adeus, França!

Posts anteriores sobre esta viagem

Nas últimas semanas temos falado da nossa viagem a Marselha, no sul de França. Foram três dias de muito calor que nos levou a procurar a praia da cidade, Les Catalans, uma vila costeira bastante perto de Marselha, Cassis, sem deixarmos de ficar a conhecer a parte mais histórica de Marselha, como o porto velho, a catedral, e o castelo d’If. Neste último dia fomos visitar outra parte de França, não muito longe de Marselha, Aix-en-Provence, conhecida pelos locais como Aix.

Chegar a Aix-en-Provence de Marselha

Antes de voltarmos para casa que seria no final daquele dia, íamos deixar Marselha, depois do pequeno-almoço tomado e do check-out no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd completo. Íamos hoje viajar de comboio até à cidade Aix-en-Provence a cidade principal da região de Provença. A viagem de comboio entre as duas cidades demorou menos de 1 hora e custou 21 euros. Chegámos a Aix-en-Provence já depois do meio-dia e meia e devo dizer que o calor era quase insuportável. Para este dia eram esperadas temperaturas muito elevadas, perto dos 40ºC, o que fez que a visita a esta cidade não fosse a mais confortável. Mas fizemos o possível para ver os pontos altos de Aix.  

Estação de comboios em Aix-en-Provence

Algo que talvez seja importante mencionar é que visitar Aix não significa o mesmo que visitar Provence. Sim, Aix-en-Provence fica na grande região de Provença. mas não na zona onde se encontram os extensos campos de lavanda que é uma das actividades mais famosas da região. Por seu lado, Aix-en-Provence é uma cidade elegante com um grande peso histórico especialmente por ter sido a cidade natal do pintor Paul Cézanne do qual falarei mais à frente. Não estou a dizer que não vale a pena vir a Aix-en-Provence mas sim a ajustarem as vossas expectativas ao que a cidade tem para oferecer. Aliás Aix-en-Provence é conhecida como a cidade das 1000 fontes e pelas suas águas termais cujos benefícios foram reconhecidos pelos romanos que fundaram esta cidade no ano 123. O que no fundo quero dizer é que visitar Aix-en-Provence é uma experiência citadina.

Visitar a cidade

AixLockers

A primeira coisa que fizemos quando chegámos a Aix-en-Provence foi livrarmo-nos das nossas malas. Para isso utilizámos o serviço do AixLockers alugando uma das unidades de armazenamento, o que se pode chamar de cacifo, onde ficariam as nossas malas guardadas por umas horas. O local está aberto desde as 6 da manhã até às 11 da noite e dependendo do tamanho do cacifo assim é o preço. O cacifo mais pequeno, que foi o que nós usámos, custou-nos 5.90 euros por 24 horas. Os cacifos e até a porta de entrada para o espaço onde estão os cacifos estão trancados sendo preciso um código para aceder primeiro à área dos cacifos e depois ao cacifo que reservámos.

Sala com os cacifos de vários tamanhos do AixLockers

Todo o processo foi bastante rápido, tanto em colocar como em retirar as malas do AixLockers. Para além disso o local fica bastante perto do centro da cidade e a um preço bastante simpático. Até porque o cacifo era grande o suficiente para o dividirmos entre nós as duas.  

Fontes em Aix-en-Provence

Como disse acima Aix-en-Provence é conhecida como a cidade das 1000 fontes. Actualmente deve existir cerca de 1/4 desse número, mas durante a Idade Média até 1676 havia imensas casas com poços para aceder às águas das várias nascentes que corriam por baixo da cidade. E muitos desses poços foram transformados em pequenas fontes, conhecidas como fontêtes. Depois com o desenvolvimento de sistemas para abastecimento de água, estes poços deixaram de ser utilizados. Mas ainda existem várias fontes e nós passámos por algumas durante a nossa visita. E a primeira foi quando ainda íamos a caminho para os Aix Lockers, a Place des Quatre-Dauphins, que é uma das mais famosas da cidade.

Place des Quatre-Dauphins

Esta fonte foi construída em 1667 pelo escultor Jean-Claude Rambot e nela estão representados exactamente aquilo que o seu nome evoca – quatro golfinhos. Esta fonte é um exemplo da arte barroca na cidade, localizada no bairro Mazarin que é conhecido pelas suas ruas estreitas e pela elegante arquitectura das casas senhoriais. E foi esta zona que nos deu as boas-vindas a Aix-en-Provence.

Fontaine des Prêcheurs

Esta foi outra fonte que nos chamou a atenção agora já sem malas às costas. Esta fonte foi construída em 1757 pelo escultor Jean Chastel e a parte que sem dúvida chama mais a atenção é o alto obelisco central que no topo segura uma esfera, que por sua vez segura uma águia de asas abertas. Aqui a águia representa a lei estando o seu olhar voltado para o local onde eram antes executados os criminosos, o cadafalso de Aix.

Fontaine de la Rotonde

Uma das ruas por onde acabámos por passar mais vezes durante o dia foi a Rue Le Cours Mirabeau, que é a rua mais famosa da cidade com imensos restaurantes, cafés e claro fontes. Nesta rua ficam 4 fontes, a Fontaine de la Rotonde, a Fontaine Mousse, a Fontaine du Roi René e a Fontaine des Neuf-Canons e são das duas primeiras que vamos falar em mais pormenor.

Fontaine de la Rotonde

A primeira fonte é a da la Rotonde que fica numa das pontas da Le Cours Mirabeau. Esta fonte foi construída em 1860 e simboliza o valor da água para Aix, e, portanto, é uma das fontes mais importantes da cidade. Nesta fonte estão representadas três mulheres e cada uma simboliza uma actividade diferente. E cada estátua está voltada para a zona relevante da actividade que representa: a da justiça está voltada para o palácio da justiça, a do comércio e da agricultura para a cidade de Marselha e a das artes para Avignon onde ficam as universidades.

Fontaine Moussue

Esta fonte esta envolta por um mistério. A fonte foi construída em 1667 e ninguém sabe como esta fonte é decorada. Isto porque à volta da fonte nasceu musgo que cobre a fonte na sua totalidade, tendo por isso lhe sido atribuído o nome de fonte musgosa. Este musgo desenvolveu-se devido às águas termais que abastece a fonte e é foco de interesse para vários biólogos.

Fontaine Moussue

Igrejas em Aix-en-Provence

Paroisse Cathédrale Saint Sauveur Aix-en-Provence

Visitámos duas igrejas em Aix-en-Provence enquanto passeávamos pelas ruas do centro da cidade e a entrada para ambas era gratuita. Esta igreja em particular chamou-nos a atenção pela sua fachada de estilo gótico acompanhada pela alta torre sineira.

No interior da igreja visitámos as três naves de estilos arquitectónicos diferentes, românico, gótico e barroco, que ladeiam a pia baptismal cujo pedestal data o século V. Aliás acredita-se que esta catedral, de dimensões humildes, foi construída onde antes se encontrava um antigo templo dedicado a Apolo, erguido entre o século V e o século XVIII.

Maison de Fondation des Missionnaires Oblats

Esta segunda igreja que visitámos faz parte de um antigo mosteiro carmelita. A visita acabou por ser rápida uma vez que o seu interior era bastante simples.

Fachada principal da Maison de Fondation des Missionnaires Oblats

A visita a estas igrejas foi entre a passagem pelas várias fontes das quais mencionei acima e depois de admirarmos o bonito edifício pertencente ao complexo escolar de Sainte-Catherine de Sienne (Ensemble scolaire Sainte-Catherine de Sienne). Edifício esse que faz parte de um convento do século XVII. Outro ponto importante onde parámos por alguns instantes foi no Place des Cardeurs, construído em 1963, onde durante a Idade Média ficava o antigo bairro judeu. Hoje em dia é um local para encontros e jantaradas, devido ao grande número de restaurantes e cafés que abriram nesta zona.

Cemitério de Saint-Pierre

Depois de andarmos pelo centro histórico da cidade fomos agora visitar o cemitério. Sim, eu sei que talvez este não seja o primeiro lugar que vem à cabeça quando se pensa em viajar, mas viemos até aqui para visitar a campa do famoso pintor Paul Cézanne. Este cemitério foi criado em 1824 depois de terem sido comprados os terrenos adjacentes a dois cemitérios que já ali existiam, um israelita e outro protestante, o que resultou no cemitério de Saint-Pierre com 7 hectares.

Cemitério de Saint-Pierre

Para além de Paul Cézanne, muitos outras figuras importantes foram aqui sepultadas, como Darius Milhaud, compositor e professor francês do século XX, e François Zola, engenheiro italiano do século XIX. Paul Cézanne será provavelmente a figura mais conhecida de Aix-en-Provence no campo das artes. Cézanne nasceu em Aix em 1839 e durante toda a sua vida focou-se na pintura, sendo Cézanne considerado o propulsor do impressionismo do século XIX para o cubismo do início do século XX. Cézanne foi fonte de inspiração para grandes famosos pintores como Matisse e Picasso, a quem o chamavam ‘o pai de todos nós’ (‘Cézanne, c’était le père de nous tous’).

Campa do famoso pintor Paul Cézanne no cemitério Saint-Pierre

Talvez Cézanne não tenha ficado tão conhecido como Picasso, mas a verdade é que em Aix-en-Provence a marca de Paul Cézanne encontra-se espalhada pela cidade. Não só se pode visitar a sua campa no cemitério, como também o seu estúdio (Atelier des Lauves), o local onde viveu (Bastide du Jas de Bouffan) e passar pelos vários locais que funcionaram como fonte de inspiração para Cézanne como as pedreiras de Bibémus (Carreiras de Bibémus). Também no museu principal de Aix-en-Provence, Museu Granet, se encontram vários quadros pintados por Cézanne.

Rue Le Cours Mirabeau

Depois do cemitério só nos faltava uma coisa antes de deixarmos a cidade – almoçar. Para isso voltámos à rua mais conhecida de Aix, rue Le Cours Mirabeau. Para além das 4 fontes das quais falámos na secção acima, nesta rua vale também a pena olhar para os muitos edifícios históricos construídos por famílias nobres no século XVII. A maioria destas antigas residências luxuosas foram transformadas em hotéis, que mantém a sua arquitectura magnificente. Esta é uma das ruas mais visitadas por turistas e locais e nós mesmo sem o fazermos de propósito foi onde passámos mais tempo.

Almoço no IT-italian trattoria Aix-en-Provence

Então para finalizar a nossa visita à cidade fomos comer qualquer coisa. Assim não só comíamos como também fugíamos ao calor. E foi este restaurante italiano a nossa escolha. Àquela hora, a meio da tarde, não havia muitos clientes por isso pudemos não só escolher a mesa como o serviço foi bastante rápido. Primeiro ainda nos sentámos à esplanada, mas rapidamente nos mudámos para o interior do restaurante, onde o ar fresco do ar condicionado foi muito recebido. No interior o restaurante pode-se dizer estar dividido em duas salas, a da entrada mais informal e a do interior com um convidativo décor e um bar enorme.

Pizza Margaherita di Burrata no restaurante IT-italian trattoria Aix-en-Provence

Para comer decidimos dividir uma pizza e pedimos a Margaherita di Burrata. E ficámos ambas bastante surpreendidas pela positiva – a pizza era deliciosa. Talvez uma das melhores que tenha comido nos últimos tempos.

Para verem o menu deste restaurante ou outras informações cliquem em: https://it-trattoria.fr/.

Para além deste restaurante em Aix-en-Provence, outros restaurantes da mesma franchise encontram-se espalhados por França.


E foi pelo restaurante que ficámos até chegar a hora de irmos buscar as nossas malas para depois apanharmos o autocarro que nos levaria até ao aeroporto. Felizmente o bilhete de autocarro que tinha comprado à chegada, de ida e volta, podia ser usado tanto de Aix-en-Provence como de Marselha (ver bilhetes de autocarro aqui: https://www.marseille-airport.com/access-car-parks/access/bus)

Para mais informações sobre o que fazer em Aix-en-Provence ou na zona em redor vejam o website oficial de turismo onde encontrarão várias sugestões: https://www.aixenprovencetourism.com/

Adeus, França!

E assim terminava a nossa viagem ao sul de França que incluiu paragens em Marselha, Cassis e Aix-en-Provence. Tinham sido dias de muito calor com COVID misturado pelo meio, mas também ficaram muitas memórias felizes, divertidas e inesquecíveis. Apesar de nunca ter considerado viajar para Marselha, a verdade é que pela minha experiência não só a cidade merece ser visitada como merece perder a má fama que a segue. E vou concluir esta viagem repetindo-me; se vierem durante os meses de Verão não deixem de passar uns dias da viagem numa das vilas costeiras do parque nacional de Calanques, como por exemplo Cassis. Acreditem que não se arrependerão!

Parque nacional de Calanques, clube de praia e tapas em Marselha

Conteúdo desta página

  1. Viagem de barco ao parque nacional de Calanques
    1. Excursão de barco
    2. Parques nacionais em França
    3. Acesso ao parque nacional de Calanques
    4. A nossa experiência
  2. Estátuas no porto velho de Marselha
  3. Clube de praia Le Bistrôt Plage
  4. Jantar no restaurante L’oli Bé

Viagem de barco ao parque nacional de Calanques

O terceiro e último dia em Marselha começou exactamente como os dois anteriores, na sala de pequenos-almoços do Hotel ibis Marseille Centre Euroméd. Para este dia tínhamos guardado a viagem de barco ao parque nacional de Calanques, uma experiência que não podia faltar estando nós em Marselha. Se já tínhamos entrado no parque nacional por terra quando fomos a Cassis, agora iríamos fazê-lo por mar.

Excursão de barco

Mas aqui mais uma vez fizemos a escolha errada. É que devíamos ter comprado bilhetes para fazer uma excursão a este parque nacional que incluísse uma paragem para pudermos ir à água, ou fazer qualquer actividade marítima. Este foi o segundo grande erro da viagem, o primeiro foi o de não termos ido às ilhas Frioul, e este foi o segundo. E acreditem que durante esta viagem de barco que demorou quase 3 horas, muitas foram as vezes que desejei puder atirar-me borda fora, tal era o calor que se fazia sentir. E era uma tortura passar por aquelas águas límpidas de um azul lindíssimo e não as poder sentir. Como se diz: tão perto e ao mesmo tempo tão longe.

Saída de Marselha para o parque nacional de Calanques, em destaque o palácio do Pharo e o monumento aos heróis e vítimas do mar

Nós comprámos os bilhetes na mesma companhia com a qual visitámos o castelo d’If ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ comprando os bilhetes no guichet que ficava no porto velho de Marselha, mas mais valia termos escolhido uma das excursões do GetYourGuide, como por exemplo uma das opções disponíveis nesta página: The BEST Calanques National Park activities. E sim, se calhar até teria ficado mais caro, mas acreditem que teria valido a pena.

Pela companhia que escolhemos os nossos bilhetes ficaram a 25 euros por pessoa já que a minha amiga usou o cartão de estudante para comprar os três bilhetes (senão teriam tido um custo de 27 euros). O barco partiu às 11 da manhã e teve uma duração de aproximadamente 2 horas e 15 minutos. Por esta companhia há duas opções para visitar o parque nacional de Calanques, a ‘Essentiel des Calanques’ que foi a viagem que fizemos e que passa pelos 6 maiores calanques da região ou então a ‘Intégrale des Calanques’ que visita 12 calanques e que tem uma duração aproximada de 3 horas e 15 minutos (para saber mais detalhes vejam: Parc national des calanques).

Chegada ao porto velho de Marselha

Em justiça da companhia onde comprámos os bilhetes, eles fazem excursões que incluem uma paragem para nadar, uma paragem de 30 minutos, mas devido às restrições do parque nacional estas excursões apenas estão disponíveis durante os meses de julho ou agosto ou em certas datas fora deste período como podem ver no website oficial da companhia Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If. Estas tours têm uma duração de 3 horas e meia.

Parques nacionais em França

No total existem 11 parques nacionais em França e o de Calanques faz parte desta lista desde 2012. Todos os parques nacionais são altamente regulamentados com o objectivo de proteger o seu património natural, paisagístico e cultural. Isto claro que inclui toda a fauna e flora que aqui vive. Para tal, há várias restrições de acesso para equilibrar a protecção do parque nacional e o número de visitantes.

Parque nacional de Calanques

Em cada parque nacional há duas zonas, a zona central do parque, também chamada de núcleo, que é a zona mais protegida e em Calanques 90% dessa zona é marítima. Depois há a zona de amortecimento, da qual fazem parte territórios envolventes ao núcleo que se comprometem a promover o desenvolvimento sustentável trabalhando em conjunto com o respectivo parque nacional. Em relação ao parque nacional de Calanques as áreas de amortecimento são as de Marselha, Cassis e La Penne-sur-Huveaune.

Acesso ao parque nacional de Calanques

O acesso ao parque nacional de Calanques segue várias regras. Por exemplo, entre 1 de junho e 30 de setembro, o acesso é continuamente monitorizado devido ao alto risco de incêndio. Diariamente o mapa do parque nacional é actualizado e as várias zonas marcadas a verde e laranja, zonas cujo acesso é permitido naquele dia, e zonas a vermelho cujo acesso é proibido. Este mapa pode ser acedido através da aplicação My Calanques ou online através deste link: Risque prevention incendie.

Parque nacional de Calanques

Para viagens de carro, há regras adicionais. Por exemplo, as estradas Gardiole e Cap Croisette estão encerradas ao trânsito motorizado durante todo o ano. Por outro lado, sendo que a zona central do parque de Calanques é marítima, também o acesso por mar é altamente regulamentado. É fácil de perceber que apenas barcos que tenham autorização do parque nacional para navegar nestas águas o possam fazer. E têm de estar sempre devidamente assinalados como tal.

A nossa experiência

Apesar de todas estas regras, como turista, não senti que havia assim tantas limitações. E estas regras são para proteger as paisagens deslumbrantes, as falésias e os picos rochosos de cor clara e as ilhotas engraçadas que tivemos a oportunidade de ver. O que faltou foi mesmo o mergulho naquelas águas límpidas.

Estátuas no porto velho de Marselha

Quando regressámos a Marselha os meus amigos quiseram ir petiscar qualquer coisa antes de irmos para o próximo local que tínhamos em mente. Para não irmos mais longe fomos a um café-restaurante que ficava perto do porto velho, o Wood la cantine gourmande. Pelo caminho passámos por duas estátuas que nos chamaram a atenção, uma de um leão e outro de um touro, ambas colocadas em cima de andas que por sua vez estavam em cima de bidons. Ao que parece estas estátuas de arquitectura moderna foram ali colocadas em 2013. Estes animais, o touro e o leão, estão representados no brasão da cidade de Marselha. Se o leão representa força, poder e vigilância o touro representa trabalho, paciência e agricultura.

Estas são duas estátuas fora do vulgar que vale a pena ver quando se vem ao porto de Marselha.

Clube de praia Le Bistrôt Plage

O que queríamos fazer naquela tarde era ir à água, fosse como fosse. Como não tínhamos ficado fãs da praia da cidade ‘Plages des Catalans’ arranjámos uma outra opção, o clube de praia Le Bristôt Plage. O Bristôt Plage fica mesmo ao lado do monumento ‘aux morts de l’Armée d’Orient’ e funciona como restaurante e como bar de praia onde se pode alugar espreguiçadeiras e ter acesso à praia privativa formada por uma pequena enseada natural no meio das rochas. Não vou puder falar da comida porque não a experimentámos, mas posso falar do serviço em geral.

As espreguiçadeiras podem ser alugadas pelo dia todo com um custo associado de 27 euros, ou então fazer como nós, alugá-las por metade do dia que fica a 16. Para contar como metade do dia, o aluguer (uso da espreguiçadeira) só pode começar a partir das 3 da tarde.

Praia privativa do Le Bistrôt Plage

Foi durante a nossa estadia no Le Bistrôt Plage que me apercebi da aversão que os franceses sentem pelos ingleses. Como vínhamos todos a falar inglês, afinal eu vinha acompanhada por um inglês e por um irlandês, os empregados devem ter suposto que éramos todos nacionais do Reino Unido. E a recepção apesar de educada foi bastante seca. Depois já nas espreguiçadeiras esperámos e esperámos e esperámos que o empregado viesse tirar o nosso pedido de cocktails. Esperámos tanto que eu acabei por me fartar e fui falar com os vários empregados que estavam à conversa. Bem no momento em que souberam que eu era portuguesa, não só receberam o pedido dos cocktails como estes apareceram num piscar de olhos. Até me indicaram um dos empregados que falava português se precisasse de mais alguma coisa. É que não foi só na rapidez do serviço que houve uma diferença, mas mesmo no tom da conversa que se tornou muito mais amigável. Não deveria ser assim, não deveria haver um tratamento diferente dependendo da nacionalidade, mas certamente que neste caso teve influência (pela positiva) em ser portuguesa.

Na espreguiçadeira a apanhar sol e a beber cocktails no Le bistrôt Plage

Não é preciso dizer que passámos o resto da tarde entre banhos de mar, banhos de sol e cocktails deliciosos. E só não jantámos aqui porque um dos meus amigos tinha o voo de regresso marcado para aquela noite.

P.S. A informação mais recente do Google é que este lugar fechou permanentemente. E para além da nossa experiência não ter sido tao má como a de algumas reviews que li, a verdade é que o serviço foi um pouco discriminatório. Como tenho dito o melhor é mesmo incluir alguns dias numa das vilas da costa como Cassis para dias de praia.

Jantar no restaurante L’oli Bé

Vir a este restaurante foi um acaso. Para aquele dia ao contrário dos dias anteriores não tínhamos uma ideia fixa de onde ir comer. Encontrámos este restaurante, L’oli Bé, enquanto tentávamos encontrar uma caixa de multibanco para ir a outro restaurante do qual eu nem sequer me lembro do nome (a ironia, certo?). Enquanto andávamos para frente e para trás nas ruas de Marselha passámos por este restaurante e se a esplanada nos chamou a atenção, o menu prendeu-nos e quando o dono meteu conversa ficou decidido que era aqui que jantaríamos.

Tapas do restaurante L’oli Bé

Sentámo-nos à esplanada, o ideal para aquele fim de tarde, e escolhemos tapas para dividir e mais uma rodada de cocktails. O menu do restaurante inclui também pratos principais, mas foi o menu das tapas que mais nos chamou a atenção. Pedimos então patatas bravas, batatas fritas, bruschetta com tomate e calamares fritos. O preço de cada prato ficou entre os 3 e os 5 euros, tendo sido o prato mais caro o dos calamares que custou 8 euros. Devo dizer que foram preços bem simpáticos para Marselha e para a qualidade da comida.

Recomendo este restaurante a quem procurar um ambiente descontraído, comida deliciosa e bons preços. Para mais informações vejam a página oficial do restaurante: L’oli Bé.

E foi no final deste jantar com mais um cocktail pedido que começou a nossa despedida a Marselha já que no dia seguinte iríamos visitar Provença.

Sul de França: Cassis, pôr-do-sol em Marselha e Bouillabaisse

Índice desta página

  1. Segundo dia
  2. Cassis – praia, porto e vila
  3. Tartes do supermercado Auchan
  4. Pôr-do-sol perfeito em Marselha
  5. Bouillabaisse no Chez Jeannot
  6. Cocktails em CopperBay
  7. Terceiro dia

Segundo dia

No último post falámos da primeira parte do segundo dia em Marselha. Começámos por alugar bicicletas para ir até Palais Longchamp, um dos locais bonitos da viagem, para em seguida descermos a colina até à igreja ‘Les Refórmés’ que visitámos antes de apanhar o autocarro para a basílica Notre-Dame de la Garde. Neste post continuamos agora pela parte da tarde desde dia que começou com uma viagem de autocarro para Cassis, uma bonita vila no sul de França, parte do parque nacional de Calanques.

Cassis – praia, porto e vila

Para apanhar o autocarro para Cassis em Marselha tínhamos de chegar ao bairro de Castellane. Quando chegámos à paragem de autocarro este já aqui estava parado por isso foi entrar no autocarro, pagar o bilhete, e fazer a viagem de 40 minutos, que com o ar condicionado ligado foi bastante agradável. Em Cassis, saímos na paragem Cabrol Marne que fica na estrada principal. Tivemos depois de descer até à praia, o que demorou mais ou menos 20 minutos. E isto incluindo o tempo que passámos a tirar fotografias pelo caminho.

Descida da paragem de autocarro Cabrol Marne até ao centro da vila de Cassis

Para chegar à praia tivemos de passar pelo pequeno porto e ainda antes de chegarmos ao nosso destino já sabíamos que aquela experiência ia ser muito melhor do que a do dia anterior na praia de Marselha, Plage des Catalans. A praia não estava muito cheia, a areia dourada muito fofa enterrava-nos os pés e o mar azul límpido chamava por nós. E nós nem pensámos duas vezes, fomos quase a correr para a água. E a hora e meia seguinte foi possivelmente a melhor parte de toda a viagem. E teríamos ficado aqui bem mais tempo se não tivéssemos de estar de volta a Marselha para o jantar que estava marcado para as 9.

Praia de Cassis

Depois de várias idas e vindas à água fomos dar uma volta pela vila de Cassis. Já que aqui estávamos mais valia ficar a conhecer a vila. Cassis pareceu-me ser um local bastante turístico, e com toda a razão de ser, mas que apesar do turismo não perdeu a sua atmosfera de tradicional vila do sul de França, com cantos e recantos muito pitorescos, boutiques cheias de classe, e lojinhas de decoração amorosa. Mas imagino que em julho e em agosto, estas ruazinhas estejam a abarrotar de gente não só para aproveitar a praia mas também a zona em redor, uma vez que Cassis fica dentro do parque nacional de Calanques, oferecendo vários trilhos, paisagens deslumbrantes e experiências marítimas. Mais à frente falarei um pouco mais sobre o parque nacional de Calanques, especialmente da nossa viagem de barco que fizemos no dia seguinte.

Se soubéssemos que nos iríamos enamorar por Cassis teríamos marcado pelo menos uma noite aqui. Mas como não sabíamos tivemos de regressar a Marselha. Mas só apanhámos o autocarro das 6 da tarde depois de termos parado num dos muitos cafés junto ao porto de Cassis para uma bebida. Para quem estiver curioso sobre os preços das bebidas, por uma cerveja Affligem paguei 4 euros, enquanto que um copo grande de vinho custou 7.50 e um aperol spritz 11. Não achei que os preços fossem fora daquilo que era esperado, especialmente porque o estabelecimento ficava numa zona que podia ser considerada como ‘premium’ em Cassis.

Tartes do supermercado Auchan

Já em Marselha e antes de voltar para o hotel fiz um pequeno desvio para ir a um supermercado que ficava ali perto – surpresa das surpresas o supermercado era o Auchan. Afinal ainda faltava 2 horas para o jantar e a fome já ali andava. E como disse anteriormente, descobri quando voltei de França que estava com COVID e confesso que a partir de Cassis até voltar a casa não me sentia muito bem, acho que foi a partir deste momento que o vírus me começou a atacar com força. Estava sempre com uma sensação estranha, uma mistura entre esfomeada e enjoada. Mas como não sabia que era COVID pensava que era apenas uma constipação que ali vinha e que precisava de alimento.

Fui então ao Auchan onde comprei uma sandes mista e 2 tartes de fruta. E se comi a sandes pelo caminho também acabei por comer ambas as tartes depois no quarto de hotel. E sabem que mais? Souberam-me pela vida. O creme tinha um sabor suave, não muito doce, que contrastava maravilhosamente com o doce da fruta. E ambas as tartes e a sandes ficaram a 5.83 euros.

Tartes de fruta do supermercado Auchan

Ou seja, se não encontrarem uma pastelaria que vos agrade ou se estiverem a fazer uma viagem de baixo custo, não deixem de entrar num supermercado – como várias vezes descobrimos em vários países e em várias viagens, a melhor comida é por vezes aquela que se encontra nos supermercados. Afinal é nos supermercados que os locais vão fazer as suas compras. É por isso que há imensa gente que adora visitar os mercados e supermercados quando viajam para outros países. E há boas razões para isso – eu nesta viagem encontrei-as em duas tartes de fruta.

Pôr-do-sol perfeito em Marselha

Como erámos três pessoas e apenas tínhamos uma casa de banho, acabámos por nos atrasar para o jantar. Como não dava tempo para ir de eléctrico decidimos apanhar um Uber. E assim chegámos ainda com tempo e fomos ver o pôr do sol junto ao monumento majestoso de 1927 ‘aux morts de l’Armée d’Orient’ (aos mortos do exército do Oriente).

A paisagem daqui era absolutamente divinal tanto para a baía como para o castelo d’If. Este local acabou por nos oferecer um fim de tarde lindíssimo.

Bouillabaisse no Chez Jeannot

Em seguida, fomos para o restaurante onde tínhamos feito a marcação, Chez Jeannot. Este restaurante fica na zona ‘Vallon des Auffes’ cujo acesso se faz através de umas escadas estreitas na rua oposta ao monumento ‘aux morts de l’Armée d’Orient’. Nesta zona há vários restaurantes, todos eles junto ao pequeno porto. Ficámos com pena que a nossa mesa não fosse na zona da esplanada, no entanto ficámos junto às janelas de correr por onde soprava uma brisa agradável, característica daqueles fins de tarde depois de um dia quente.

Tínhamos escolhido este restaurante em específico para experimentar a tradicional sopa de peixe de Marselha, Bouillabaisse. Apesar de ser um prato típico desta cidade, nem todos restaurantes têm este prato no menu e a preços razoáveis. Neste restaurante este prato custava 35 euros (preços de 2025) e para ficar mais em conta decidimos partilhar a sopa e também uma pizza, que era a especialidade do restaurante. Para acompanhar a refeição pedimos um vinho rosé da localidade ‘Vallon des Auffes’.

A sopa chegou à mesa cozida dentro de uma espécie de massa folhada. Eu como já disse vária vezes andava com uma fome desmedida, penso que por causa do COVID, e nem dei tempo para tirar uma fotografia à sopa em si. No entanto, não achei a sopa nada de especial. Talvez por ser portuguesa e por termos na nossa cozinha a caldeirada. Porque ao experimentar a sopa foi isso que me pareceu – uma caldeirada à qual foi adicionada camarão. Mas claro que aconselho sempre a experimentar a cozinha local mesmo quando acaba por não ser nada de especial. Afinal o que conta é a experiência e neste caso ao menos pagámos 35 euros (dividido por 2 pessoas) em vez dos 70 que alguns restaurantes pedem. Agora quanto à pizza, a que pedimos era mesmo muito boa. Escolhemos a ‘L’Italienne’ com presunto, pesto e queijo stracciatella que acabou por ser o ponto alto da refeição.  

Pizza L’Italienne de Chez Jeannot

Website oficial do restaurante Chez Jeannot: https://www.pizzeriachezjeannot.com/

Cocktails em CopperBay

Antes de irmos para o hotel parámos em CopperBay, um bar com um extenso menu de cocktails. Pedimos um para cada incluindo um Miami Vice e um mojito. Não me lembro do nome do terceiro, mas sei que o meu amigo ficou bastante feliz com a sua escolha.

Cocktails em CopperBay

P.S. Infelizmente a informação mais recente que tenho sobre este lugar é que fechou permanentemente. No entanto, há outro CopperBay em Paris, da mesma companhia, que ainda se encontra em funcionamento. Se visitarem a capital de França não deixem de vir até CopperBay para beber um cocktail.

Website oficial de CopperBay: http://www.copperbay.fr/

Terceiro dia

Para o próximo post vamos falar do terceiro dia em Marselha, o último nesta cidade, já que no quarto dia decidimos visitar Aix-en-Provence. Antes de deixar Marselha não podia faltar uma viagem de barco para ficar a conhecer o parque nacional de Calanques. Um dia que acabou com mais uma ida a banhos e com aquele que foi o melhor jantar de toda a viagem.

A explorar Marselha: Palais Longchamp e igrejas históricas

Índice desta página

  1. Alugar bicicletas da Levélo
  2. Palais Longchamp
  3. Igreja São Vicente de Paulo
  4. Basílica de Notre-Dame de la Garde
  5. No próximo post

Alugar bicicletas da Levélo

O segundo dia em Marselha foi mais um dia de céu azul e de muito calor. E tal como o dia anterior começámos pelo pequeno-almoço no hotel onde o ar condicionado nos protegia do calor que já se fazia sentir de manhã.

De pequeno-almoço tomado saímos para a rua e a primeira paragem era em Palais (palácio) Longchamp. Para lá chegarmos decidimos alugar 3 bicicletas da companhia ‘Levélo’. Estas bicicletas estão espalhadas pela cidade em pontos próprios e para as usar basta fazer o download da aplicação e colocar os dados do cartão para fazer o pagamento. Através da aplicação podem aceder ao mapa que contém a informação de quantas bicicletas estão disponíveis em determinado local.

Como falei anteriormente (ver post aqui) os preços do aluguer podem ser encontrados no website: https://levelo.ampmetropole.fr/en/sharing. A nós ficou-nos a um euro, o valor do aluguer por 30 minutos. Se as tivéssemos usado por mais de 30 minutos cada minuto extra teria custado 0.05 euros. Para quem ficar na cidade por longos períodos também há outras opções como o pacote de 24 horas, o mensal ou o de uso ilimitado.

Bicicletas prontas para alugar da companhia Levélo

Para nós aquele euro foi bem empregue apesar de eu achar que a bateria da minha bicicleta (já agora são bicicletas eléctricas) estar em baixo porque eu fartei-me de pedalar, muito mais que os meus amigos, e mesmo assim eles iam bem mais rápido. E claro que como eu não estou habituada a andar de bicicleta, foi atrás de mim que se pôs um carro da polícia em marcha de emergência. É que eu nem sabia para onde me virar para sair da frente deles. Como sempre é a mim que acontecem estas coisas.

A única coisa a ter em atenção em relação ao aluguer das bicicletas é o depósito inicial de 15 euros que vos é retirado da conta, mas devolvido passado 7 dias. Apesar de não ter havido nenhum problema com a devolução esta informação não é dada em qualquer momento durante o processo do aluguer.

Palais Longchamp

Depois de devolvermos as bicicletas ao posto da leveló mais próximo do nosso destino, atravessámos a rua e chegámos à grandiosa fonte do Palais Longchamp. E este foi sem dúvida um dos lugares mais bonitos que visitámos em Marselha.

Palais Longchamp

Esta fonte foi construída entre 1862 e 1869 por Henri Espérandieu, também ele o arquitecto da basílica de Notre-Dame de la Garde, um dos locais que iríamos visitar mais tarde naquele dia. Esta fonte em Longchamp simboliza a chegada da água à cidade, o que foi conseguido através da construção de vários acquedutos entre 1839 e 1849 de forma a ligar o rio Durance a Marselha. A necessidade da água potável em Marselha foi identificada como sendo algo de urgente depois da epidemia de cólera que afectou a cidade em 1835. À fonte foi adicionada esculturas de animais e de frutos por diversos artistas para enaltecer o valor da água potável em Marselha e o potencial que representava para a cidade. Em cada ala à volta da fonte encontra-se um museu, de um lado o museu das Belas Artes e do outro o da História Natural.

Nós não visitámos nenhum dos museus nem o parque que fica pelo lado detrás da fonte, mas fica aqui a dica. Contudo, nós até passámos bastante tempo a admirar os vários detalhes da parte central da fonte, que é sem dúvida impressionante.

Igreja São Vicente de Paulo

A próxima paragem do nosso itinerário ‘meio-oficial’ era a basílica de Notre-Dame de la Garde. No entanto, quando vínhamos a subir a estrada de bicicleta tínhamos reparado nesta igreja, a igreja São Vicente de Paulo, também conhecida pela igreja ‘Les Refórmés’, e portanto quisemos visitá-la antes de apanhar o autocarro para a basílica.

A igreja é conhecida por ‘Les Refórmés’ por ter sido construída no local onde antes ficava a igreja dos Agostinianos Reformados. Esta igreja demorou quase 30 anos a ser construída, tendo as obras começado em 1855, mas apenas finalizadas em 1886. Este atraso foi devido a problemas com o financiamento.

A parte mais impressionante da igreja e que foi o que nos chamou a atenção, são as torres de 70 metros de altura que rodeiam a entrada desta igreja. Mas não é só o seu exterior que merece ser admirado, também no seu interior os numerosos vitrais, obra de Édouard Didron, merecem a nossa atenção cobrindo a maior parte das paredes da igreja.

Basílica de Notre-Dame de la Garde

Em seguida fomos apanhar o autocarro para visitar esta basílica, afinal não podíamos vir a Marselha e não vir aqui. Como já disse anteriormente, os transportes públicos em Marselha são excelentes e em menos de nada estávamos dentro do autocarro 81 para sair na paragem ‘Place de la Corderie’ que fica ao pé do parque Pierre Puget. Para chegar à basílica tínhamos duas opções ou apanhar outro autocarro (60) ou então subir a colina. Escolhemos a segunda opção, até porque a basílica ficava a menos de 1km de distância, mas esquecemo-nos que com o calor que estava uma subida de 800 metros parece uma tortura de 10km. Mas lá chegámos ao topo e fomos recebidos por uma paisagem magnífica da baía de Marselha, do château d’If e das ilhas Frioul.

Estátua de Pierre Puget

À chegada à basílica, a primeira coisa que notámos foi a quantidade de pessoas que aqui se encontrava. De toda a viagem este foi o lugar mais caótico que visitámos. Estava tanta gente que à entrada e à saída da basílica tivemos de seguir em fila indiana. Foi por isso, para conseguirmos ver melhor o interior da igreja, que nos sentámos num dos bancos corridos. Para vermos melhor a igreja e também para vermos como poderíamos chegar a Cassis de autocarro que com aquele calor insuportável o queríamos mesmo era passar a tarde na praia.

Quanto à basílica como disse na secção sobre Palais Longchamp, o arquitecto foi Henri Esperándieu que em 1853 projectou este edifício seguindo um estilo romano-bizantino para representar Marselha como entrada para o Oriente. A basílica é também conhecida por ‘La Bonne Mère’ (a boa mãe). A basílica actual foi construída onde antes havia uma pequena capela dedicada à Virgem Maria desde 1214. Quando no século XVI, Francisco I ordenou a construção do château d’If e de uma fortaleza em redor desta capela para fortalecer a força militar em Marselha, a colina de la Garde tornou-se para além de lugar de peregrinação também de apoio militar sendo esta zona usada como campo de treino. De notar que esta capela e mais tarde a basílica foram os lugares da cidade escolhidos pelos marinheiros para practicar a sua devoção o que está representado pela nau no fresco do altar principal.

Quanto a nós, depois da visita à igreja, estivemos mais uma vez no terraço em frente à entrada da basílica a admirar a paisagem do ponto mais alto de Marselha. Entretanto um dos meus amigos ainda foi à carrinha de gelados que ali se encontrava numa tentativa de lutar contra o calor intenso. E depois de várias tentativas com cartões de débito lá foi recompensado com o gelado. Mas claro que não foi suficiente e pouco depois descíamos a colina para apanhar o autocarro que nos levaria a Cassis.

Paisagem do topo da colina de la Garde para o château d’If e ilhas Frioul

No próximo post

Penso que não seja difícil de adivinhar do que falarei no próximo post – será sobre Cassis, a bonita vila costeira no sul de França. Também falarei de onde ver um pôr-do-sol magnífico em Marselha e do restaurante onde experimentámos a tradicional sopa de peixe, Bouillabaisse.

Marselha: Navettes, Le Panier e Ciel Rooftop

Índice desta página

  1. Onde ficámos no último post
  2. Os tradicionais bolos de Marselha, Navettes
  3. No bairro Le Panier
  4. Jantar a céu aberto no Ciel Rooftop
  5. Próximo post

Onde ficámos no último post

Este é o terceiro post sobre a nossa viagem à cidade de Marselha. Depois das considerações, dicas e preparações para uma viagem ao sul de França (ver aqui), começámos no último post a falar sobre o nosso primeiro dia em Marselha. E começámos por 3 locais históricos, a catedral ‘La Major’, o porto velho e o castelo de If. Hoje, vamos focar-nos na parte final deste primeiro dia, desde os bolos tradicionais de Marselha, as Navettes, àquilo que ficámos a conhecer do bairro Le Panier, hoje muito procurado, mas que nem sempre foi assim e finalmente ao restaurante Ciel Rooftop, onde conseguimos jantar mesmo sem ter marcação.

Os tradicionais bolos de Marselha, Navettes

Depois de terminarmos as nossas bebidas no pub Le O’Malley’s fomos a uma pastelaria que ficava do outro lado do porto, La Panetteria. Esta pastelaria está bastante bem avaliada no Google e pela variedade de bolos, doces e folhados da montra não é de espantar. Viemos a esta pastelaria para experimentar os bolos secos tradicionais de Marselha, as Navettes. Estes bolos secos têm a forma de um barco e são normalmente preparados para a festa da Candelária que decorre no dia 2 de fevereiro em Marselha. Felizmente para nós, as Navettes são vendidas durante todo o ano ou não as teríamos podido experimentar.

As Navettes são criação de Monsieur Avyrouse desde 1781. Os ingredientes tradicionais contam com farinha de trigo, açúcar, ovos e flor de laranjeira. Foi na padaria ‘Four des Navettes’ onde estes bolos apareceram pela primeira vez, padaria essa que ainda hoje está aberta na rua Sainte junto à abadia de Saint Victor. E estes bolos são tão importantes na cultura de Marselha que parte da festa da Candelária consiste em uma procissão que começa na abadia e vai até a esta padaria onde o forno de mais de 200 anos recebe a bênção do arcebispo de Marselha.

Nós não fomos às ‘Four des Navettes’, mas fomos à pastelaria de La Panetteria onde experimentámos estes bolos secos, bastante rijos, diga-se de passagem. Para além das Navettes também comprei uma fatia de tarte tatin de alperce que me deixou de muito bom humor. Mas tudo na montra parecia absolutamente delicioso e os preços bastante em conta. Para quem anda à procura de uma boa pastelaria em Marselha não deixe de vir à La Panetteria que certamente encontrará algo que lhe encha as medidas. O difícil é mesmo encontrar o equilíbrio entre experimentar os melhores bolos e doces de França e não ganhar diabetes pelo meio.

No bairro Le Panier

Para queimarmos as calorias dos bolos fomos passear pelo bairro mais antigo de Marselha, Le Panier. E este bairro foi nem mais nem menos o local onde os gregos se instalaram 600 anos antes de Cristo, ou seja, é aqui o berço de Massalia. E hoje em dia é um lugar recheado de ateliers, peculiares cafés e ruas estreitas com extravagante arte urbana. E o que se vê hoje, resultado de uma renovação extrema da zona no início do século XXI, esconde a má fama com que este bairro viveu nos séculos passados..

Durante o século XIX e início do século XX, Le Panier não era um lugar recomendado para passeios, era antes um bairro onde os habitantes viviam em condições precárias, e notório pela prostituição. E a má reputação continuou depois da razia que os alemães fizeram a esta zona durante a segunda guerra mundial, mais especificamente em 1943, a qual deixou mais de 30000 pessoas desalojadas e 1500 edifícios destruídos.

Felizmente, os tempos agora são outros e Le Panier é um dos bairros mais incríveis de Marselha, especialmente para os amantes de arte, de cultura e de lugares pitorescos.

Jantar a céu aberto no Ciel Rooftop

Depois de uma rápida ida ao hotel voltámos à zona do porto velho, desta vez para tentarmos a nossa sorte no famoso restaurante Ciel Rooftop. E claro que é preciso fazer reserva, já que neste momento é um dos restaurantes mais na vanguarda em Marselha. Afinal quem não gostaria de jantar com uma vista maravilhosa naquele que é o edifício mais alto da cidade e com a catedral da Notre-Dame de la Garde mesmo de frente?

Restaurante Ciel Rooftop

Um ‘não, só com reserva’ foi a primeira resposta que o segurança nos deu à entrada do prédio onde ficava o restaurante. Estivemos depois ali a olhar uns para os outros sem saber o que fazer quando o meu amigo perguntou ao segurança se podíamos subir apenas para beber um cocktail. Suponho que o segurança tenha tido pena de nós e acabou por nos deixar entrar. Subimos pelo elevador até ao telhado descoberto onde ficava o restaurante. Levaram-nos até uma mesa alta (suponho que era uma mesa só para bebidas) e recebemos um outro ‘não’ quando perguntámos se haveria a possibilidade de jantarmos ali. Pedimos então as nossas bebidas até que fui ao website do restaurante e vi que havia uma reserva disponível para jantar um pouco mais tarde. Quando inquiri sobre isto, apesar dos empregados não terem sido os mais amigáveis, a verdade é que depois de nos mandarem esperar fomos levados até a uma mesa. E foi assim que acabámos por conseguir o que queríamos, apesar de ter me sentido uma pedinte e de ter recebido algum destrato.

E eu consigo perceber a fama do restaurante – super moderno, vista incrível, atmosfera de sonho especialmente ao pôr-do-sol. Mas não é preciso tratarem potenciais clientes com desdém. Quanto ao tipo de comida é inspirada na italiana e decidimos que merecíamos uma refeição com 3 pratos. Eu escolhi para entrada arancini, para prato principal gnocchi com tomate e queijo stracciatella e tiramisu para sobremesa. Enquanto os arancini e o tiramisu foram de encontro às expectactivas, os gnocchi não foram de todo. Infelizmente, tinham um sabor enfarinhado que deixavam uma sensação desagradável de tipo pó na boca.

No final dou um 7.5 por toda a refeição; a comida teve os seus altos e baixos, o serviço podia ter ser mais prestável, mas claro que o ambiente foi o ponto alto:

  • Ambiente e paisagem – 9/10
  • Serviço: 7/10
  • Entrada e sobremesa: 8.5/10
  • Prato principal: 6.5/10

Mas até vos digo que subo a classificação para 8 apenas pela maneira como me senti enquanto estive sentada à mesa até depois das 11 da noite. Afinal passámos um serão super agradável à conversa e a rir. E pela paisagem quase valeu a pena termos de pedir uma mesa por favor.

Para terem apenas a melhor parte da experiência basta fazerem reserva antecipada – mas aviso que tem de ser feita com mais de uma semana de antecedência. Por exemplo vendo hoje (terça-feira) para o próximo fim-de-semana já não há reservas disponíveis para jantar no sábado e apenas uma aberta (às 21:30) na sexta-feira. E estou a escrever isto em abril altura que não é considerada como época alta para o turismo. Para reservas vejam aqui: https://www.ciel-rooftop.com/

Próximo post

Para a próxima semana vamos entrar nos detalhes do segundo dia em Marselha. Neste dia fomos visitar o palácio Longchamp, a basílica de Notre-Dame de la Garde e como foi mais um dia de calor decidimos ir até à bonita vila costeira de Cassis, a qual adorámos e onde se pudéssemos teríamos ficado bastante mais tempo.

Locais históricos em Marselha: catedral, porto e castelo

Conteúdo desta página

  1. A chegada a Marselha
  2. Começo do primeiro dia
  3. Catedral de Marselha (Cathédrale la Major)
  4. Porto velho de Marselha (vieux port de Marseille)
  5. Castelo d’If
    1. Travessia de barco
    2. A visita ao castelo
    3. Ligação entre o livro ‘O Conde de Monte Cristo’ e o castelo d’If
  6. Plage des Catalans
  7. Próximo post

A chegada a Marselha

Como aterrei bastante tarde no aeroporto de Marselha, naquele dia já não havia muito mais para fazer além de ir para o hotel e dormir. Por isso o primeiro dia oficial da viagem começava no dia seguinte, no domingo. Mas ainda sobre a chegada a Marselha, apesar de já passar da meia-noite ainda havia autocarros, o A1, que faziam o percurso entre o aeroporto e a estação de comboios, Marseille Saint-Charles. O autocarro vinha cheio mesmo àquela hora tardia.

Para ficar mais barato comprei o bilhete de ida e volta que custou 15 euros (ficava a 20 euros se comprasse estes bilhetes separadamente) e permitia voltar tanto de Marselha como de Provença, como fiquei a saber no último dia. Este autocarro parte do aeroporto a cada 20 minutos e a viagem demora cerca de meia hora, talvez mais se for durante o dia quando há mais trânsito.

Começo do primeiro dia

O primeiro dia começou com o pequeno-almoço. Como já mencionei (último post) ficámos todos no mesmo quarto no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd e depois de nos arranjarmos estava na hora de comer. A sala de pequenos-almoços estava practicamente vazia e conseguimos uma mesa ao lado da janela. O tipo de pequeno-almoço oferecido por este hotel é do tipo continental com opções quentes como ovos mexidos e salsichas e opções frias como baguetes, queijos, folhados e cereais. Do hotel o que me ficou foi sem dúvida o pequeno-almoço.

Pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd

Quando saímos para a rua, perto das 10 da manhã, o calor ainda não se fazia sentir e até havia uma brisa agradável. As primeiras impressões de Marselha foi de ser uma cidade grande e limpa, mas não demasiado movimentada. Contudo, a impressão principal com que fiquei era que a cidade era muito bege. A maioria dos edifícios, novos e antigos, pareceram-me favorecer os tons amarelos-claros. Não o digo num tom crítico, aliás na zona do porto velho que vou falar em seguida, deu-me até ares de uma cidade saída da Guerra dos Tronos.

E para as primeiras horas em Marselha iríamos visitar locais históricos como a catedral ‘la Major’, o porto velho e o castelo de If.

Catedral de Marselha (Cathédrale la Major)

Cathédrale la Major

O primeiro edifício que visitámos, e que não podia ser ignorado pelas suas dimensões, foi a catedral de Marselha, nome original: Cathédrale de la Major’. Esta catedral de estilo romano-bizantino é uma das maiores do mundo com 142 metros de comprimento e 20 metros de altura que aumenta para 60 metros quando se inclui as torres e sobe para 70 quando falamos da cúpula. As dimensões desta catedral são comparáveis às da basílica de São Pedro no Vaticano.

A catedral levou 40 anos a ser construída durante o século XIX (1852-1893). As grandes dimensões da catedral iam de encontro ao crescimento económico exponencial que a cidade de Marselha vivia na época. E o local da sua construção foi escolhido por uma razão: para que quem chegasse à cidade de barco a visse de imediato. O estilo arquitectónico da catedral e os materiais utilizados oriundos de várias partes do mundo, tinham (e têm) o objectivo de reflectir a reputação multicultural de Marselha.

Visitar a catedral é completamente gratuito e o seu interior é tão imponente como o seu exterior em termos de tamanho, apesar de ser bastante simples, ainda assim bonita. No entanto, não penso que muitos discordaram quando digo que o exterior da catedral é mais marcante do que o seu interior.

Porto velho de Marselha (vieux port de Marseille)

Visitar o porto velho de Marselha acaba por ser obrigatório, não só pelo seu valor histórico, mas também por ser o centro cultural de Marselha de onde parte a maioria das excursões de barco como as que vão para o castelo de If ou para os calanques, dois locais muito procurados.

O porto velho de Marselha foi onde a cidade nasceu no ano 600 a.c. quando os gregos, oriundos da cidade de Foceia, aqui se fixaram e chamaram esta zona de Massalia. O porto é, portanto, considerado como sendo o berço da cidade. A proteger este porto existem dois fortes, o forte de São Nicolau e o de São João ambos construídos no século XVIII.

Porto de Marselha

Em 1844 foi aprovada a construção de um novo porto na baía de Joleitte uma vez que o porto velho ao longo do tempo tinha-se tornado incapaz de receber todo o comércio marítimo que chegava diariamente a Marselha. Os dois portos estão hoje unidos pela Rue de la République. Também é no porto velho que fica o museu das civilizações Europeias e Mediterrâneas, MuCEM. Apesar de nós não termos visitado o museu, pois tivemos ocupados com outros planos, certamente que é um dos locais a serem considerados.

Castelo d’If

Travessia de barco

Depois de andarmos pelo porto, fomos tentar perceber como podíamos apanhar o barco para visitar o castelo d’If. E não demorou muito a encontrar a resposta no porto onde havia uma barraquinha da companhia ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ a vender bilhetes. O preço da viagem e da visita ao castelo custou 7 euros por pessoa.

Para mais informações vejam: Compagnies Maritimes

Há outra companhia que também faz este percurso, a ‘le bateau’, que para além de ir ao castelo também pára na ilha de Frioul. O preço dos bilhetes são mais caros; se for para parar no castelo de If e na ilha de Frioul o bilhete fica a 16.70 euros, se for só para a ilha de Frioul (excluindo o castelo), o bilhete custa 11.10 euros.

Para mais informações vejam: le bateau

Castelo de If

Para dizer a verdade se nós soubéssemos que havia as duas companhias provavelmente teríamos escolhido a ‘le bateau’ porque assim poderíamos ter feito praia na ilha de Frioul depois da visita ao castelo. O que deveria ter sido melhor do que a praia à qual fomos mais tarde. Mas como não sabíamos comprámos os bilhetes na primeira companhia que vimos que foi a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’.

Fica assim a dica – se for só para visitar o castelo, escolham a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ já que o preço fica mais em conta, mas se para além do castelo procuram também um sítio para fazer praia, então escolham a ‘le bateau’. Também fica aqui para consideração que a companhia ‘le bateau’ não faz o percurso directo de regresso entre o castelo de If e Marselha, tendo sempre de parar na ilha de Frioul depois de sair do castelo e antes de regressar a Marselha.

A visita ao castelo

A viagem de barco passou num ápice, a qual nos deu a conhecer uma diferente perspectiva do porto velho de Marselha e da cidade em geral. Nós passámos cerca de 1 hora e meia a visitar tanto o interior com o exterior do castelo de If tendo sido os ‘grafitis’ gravados nas paredes pelos prisioneiros a parte que mais me marcou.

Castelo d’If

O castelo d’If foi a primeira fortaleza real de Marselha a ser edificada por ordem de Francisco I de França em 1529. O objectivo era proteger o porto de Marselha, um dos principais portos de comércio em França. O castelo de If funcionou como prisão temporária entre 1541 e 1945. Um dos primeiros prisioneiros, detido em 1580, foi acusado de conspiração contra a monarquia. Em 1685 foram encarcerados neste castelo protestantes, já em 1848 foram presos os revolucionários de 1848, seguidos por 304 republicanos em 1852, estes presos por serem opositores a Napoleão III. Em 1871 foi a vez dos insurgentes de Marselha a serem aqui encarcerados enquanto que os últimos prisioneiros foram alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

O castelo de If fazia parte de um conjunto de 4 prisões em Marselha, todas elas temporárias. Estas prisões eram instaladas rapidamente de forma a fazer face a situações de crise como insurreições levantadas por certos grupos, mas muitas vezes com condições inadequadas para os prisioneiros. O que faz o castelo de If tão especial são os memoriais que foram aqui criados pelos prisioneiros políticos. Estes memoriais como por exemplo inscrições nas paredes foram autoria de dois grupos de prisioneiros, os ‘revolucionários de 1848’ (22 de junho de 1848 a 2 de junho de 1849) e os ‘Comunas de Marselha’ (8 de abril a 2 de agosto de 1971). Para a construção destes memoriais os Chefes de Departamento foram essenciais ao serem eles a fornecer materiais como ferramentas e guardas adicionais. O objectivo desta iniciativa era de criar um ambiente calmo a qualquer custo, naquele que seria um ambiente de constante tensão entre prisioneiros.

Ligação entre o livro ‘O Conde de Monte Cristo’ e o castelo d’If

Esta é a tradução da informação disponível no castelo d’If sobre o contributo do livro de Alexandre Dumas para a fama do castelo.

‘No século XIX, o sucesso do livro ‘O Conde de Monte Cristo’ de Alexandre Dumas, publicado no Journal de Débats em 1844, revelou ao mundo a existência da prisão de If, ​​​​que rapidamente adquiriu reputação internacional. Os leitores começaram a visitar a ilha assim que os primeiros episódios foram publicados e quando chegavam ficavam maravilhados. Tudo o que liam estava lá: as masmorras onde os dois heróis tinham sido presos e até o túnel do Abade Faria. O escritor, curioso com esta paixão pela ilha de If, ​​foi lá pessoalmente e ouviu, entre meio divertido, meio surpreendido, o relato do guarda. Nenhuma das visitas entre 1844 e 1880 foi oficial, apesar de se saber que barcos se disponibilizavam a levar visitantes até à ilha. A decisão de ali manter prisioneiros políticos em 1848 e depois em 1871 não alterou em nada a procura. Os visitantes continuaram a visitar a prisão ainda mais determinados. Era, de certa forma, uma peregrinação emocional, onde reviviam os sentimentos que tinham sentido durante a leitura do romance. O livro de Alexandre Dumas ainda hoje contribui para a fama do castelo de If.’

Plage des Catalans

Como infelizmente não comprámos os bilhetes para visitar o castelo d’If pela companhia ‘le bateau’ não pudemos ir até à ilha Frioul para fazer um bocado de praia, restando-nos a opção de voltar para Marselha e procurar uma alternativa na cidade.

Plage des Catalans

Foi por isso que viemos à praia perto do porto velho, a Plage de Catalans, uma praia de areia dourada que naquele momento estava a abarrotar de gente. Contudo conseguimos arranjar um cantinho para pôr as nossas coisas e revezando-nos pudemos ir à água. A praia felizmente também tinha chuveiros exteriores e casas-de-banho onde pudemos mudar de roupa. Apesar da maravilhosa sensação de nos refrescarmos na água, esta acaba por ser uma praia de cidade, o que normalmente significa enormes multidões em dias como aquele de grande calor e água que nem sempre é a mais limpa. Eu que não sou muito dada ao exercício de ‘fazer praia’ sinto-me sempre desconfortável neste tipo de praias, no entanto esta era a única opção que tínhamos disponível naquela altura. Daí que a sugestão sobre a ilha Frioul deve ser tida em conta! E sim, aparentemente depois de meses passados ainda estou a remoer nisto.

Depois da praia decidimos ir beber qualquer coisa fresca. Apesar de já ter passado nesta altura o meio da tarde o calor ainda era bastante. Ao contrário do costume, que é tentar encontrar um lugar mais local, acabámos num pub irlandês, Le O’Malley’s.

Pub irlandês Le O’Malley’s

Depois de uma pint de Guinness acabámos na esplanada a bebericar aperol spritz. Apesar deste pub ficar perto do porto velho, a paisagem da esplanada não era nada de especial, mas o mais importante era que a esplanada ficava à sombra. E como sempre se espera de um pub irlandês, a variedade de bebidas era bastante e o ambiente descontraído.

Próximo post

E é por este pub irlandês que acabamos este post. O primeiro dia da viagem deu-nos a conhecer o lado histórico da cidade de Marselha, mas ainda muito tínhamos para explorar. No próximo post vamos continuar por este primeiro dia em Marselha, altura em experimentámos os tradicionais biscoitos, as Navettes, passeámos pelo peculiar bairro Le Panier e jantámos no muito procurado restaurante Ciel Rooftop.

Marsellha, França

Conteúdo desta página

  1. A escolha do destino
  2. Preparativos
    1. Hotel
    2. Roupa e acessórios
    3. Deslocar-se na cidade
  3. Reflexões
    1. Temperaturas
    2. Segurança
    3. COVID
  4. Itinerário da viagem
    1. Dia 1 (Marselha)
    2. Dia 2 (Marselha)
    3. Dia 3 (Marselha)
    4. Dia 4 (Aix en Provence)
  5. Próximo post

A escolha do destino

Ir a França era uma conversa que eu e dois amigos vínhamos a ter há algum tempo. A nossa viagem anual normalmente levávamo-nos à Irlanda, mas em 2025 decidimos visitar outro país. A ideia inicial era visitar Bordeaux, a cidade do vinho, mas devido ao preço dos voos da Irlanda para Bordeaux, Marselha foi a escolha final. E é normalmente um problema quando se viaja em grupo, ou pelo menos acontece-me quando eu viajo em grupo – encontrar um destino que seja adequado a todos quando as pessoas do mesmo grupo partem de diferentes países ou até dentro do mesmo país, mas de diferentes aeroportos. Seja por causa do preço dos voos, ou por não haver voos diários ou então pelas horas díspares de chegada e partida.

La Cathédrale de la Major (catedral de Marselha)

Eu nunca tinha pensado visitar Marselha, mas pensei porque não? Afinal era uma cidade que nunca tinha conhecido e até nunca tinha estado no sul de França. E Marselha sendo uma das cidades mais baratas da região era uma opção viável que no final mostrou ter bastante para oferecer. Eu confesso que ao contrário do que é normal vinha para esta viagem completamente ‘às escuras‘. Quando aterrei em Marselha não tinha nenhuma ideia sobre os locais a visitar, o que fazer na cidade e onde comer. Felizmente um dos meus colegas tinha andado a ver os pontos altos de Marselha, mas se por algum motivo o itinerário dos 4 dias vos parecer errático já sabem a razão.

Preparativos

E como tal os preparativos para a viagem foram mínimos. Para além dos voos e do hotel não marcámos mais nada com antecedência. Mas acabámos por ir aos locais que queríamos fosse ele de autocarro ou de barco como ir a Cassis, aos Calanques de Marselha e ao castelo de If. Talvez a única coisa onde poderíamos ter sido mais organizados foi nos restaurantes. Porque apesar de no final ter corrido tudo bem e termos jantado nos locais que queríamos experimentar, no do primeiro dia foi apenas por sorte. Mas aprendemos a lição e fizemos reserva no segundo restaurante para o dia seguinte. Dos restaurantes, experiência, ambiente e comida falarei na altura devida. Portanto pela experiência que tive recomendo a fazerem a marcação nos restaurantes com antecedência principalmente no restaurante Ciel Rooftop.

Hotel

Marcámos o hotel com uns 4 meses de antecedência, mas aconselho a fazerem-no ainda com mais tempo. Porque mesmo assim quando fomos escolher o hotel onde ficar os preços estavam mais caros do que aquilo que esperávamos. Nós queríamos um hotel no centro de Marselha e acabámos por escolher o ibis Marseille Centre Euroméd. Marcámos um quarto para os três já que não nos importamos de partilhar o quarto com pequeno-almoço incluído. No total ficou pelas 4 noites 535 libras (aproximadamente 600 euros), ou seja cerca de 200 euros a cada.

Pequeno-almoço no hotel ibis Marseille Centre Euroméd

Se fosse agora, sabendo que no final de junho as temperaturas em Marselha rondam os 35ºC tinha gasto um pouco mais para ficar num hotel com piscina, mesmo que isso significasse ficar fora do centro da cidade, já que Marselha tem óptimos acessos em termos de transportes públicos. Para além que apesar do hotel ibis ser limpo, ter uma decoração engraçada, o quarto era demasiado pequeno para 3 pessoas. Não estaria a dizer isto se fôssemos só dois, mas para 3 pessoas era demasiado apertado. Não havia espaço para todos para por exemplo guardarmos as nossas roupas e os produtos de higiene que tiveram de ficar dentro das malas. Achei mesmo que não ia de encontro às expectativas em termos de espaço. Por outro lado, o pequeno-almoço era bastante satisfatório, variado, numa sala com janelas enormes de vidro, onde começámos o dia a aproveitar o ar condicionado.

Ou seja, no final o hotel deu bem para o que queríamos, a cama era confortável, não havia muito barulho e a localização era óptima. Se calhar as nossas expectativas é que eram demasiado altas. Mas atenção, como disse para duas pessoas, a estadia neste hotel é ideal para uma opção mais económica.

Aqui fica o website para marcações e mais informações sobre este hotel de 3 estrelas: Ibis Marseille Centre Euroméd

Roupa e acessórios

Aqui vou confessar que fui ingénua, claro que no final de junho ia estar muito calor! E o calor forte fazia-se sentir a partir de meio da manhã até ao final da tarde. Todos os dias que estivemos em França as temperaturas rondaram entre os 35ºC e os 40ºC. Daí eu ter falado do hotel com piscina. Por isso para esta altura do ano o que não pode faltar é um protector solar bem forte, um chapéu e roupas leves. Sendo Marselha uma cidade junto à costa, há várias praias ou clubes de praia disponíveis e por isso também é importante não esquecer de trazer o fato-de-banho e chinelos.

É recomendado levar um chapéu para Marselha

No entanto, para visitar a cidade e para jantar não usem chinelos. Para andar pela cidade aconselho sapatos confortáveis, até porque os locais de maior interesse não estão perto uns dos outros e em muitos casos é preciso subir e descer colinas, o que não é engraçado de o fazer se o calçado não for apropriado. Também para jantar aconselho uns sapatos mais formais como sandálias (também pode ser ténis de cores neutras) principalmente para comer em certos restaurantes como os dois que nós fomos, o Cielo Rooftop e Chez Jeannot.

Deslocar-se na cidade

Como disse para andar a pé é trazer sapatos confortáveis. Alternativamente Marselha oferece uma óptima rede de transportes públicos. Nós por exemplo andámos de autocarro que nos levou até Cassis (viagem de 20 minutos) e teríamos apanhado o eléctrico que parava mesmo em frente ao nosso hotel não nos tivéssemos atrasado imenso, tendo de apanhar o Uber para chegarmos a tempo ao restaurante.

Outra opção que também experimentámos foi alugar bicicletas usando a aplicação ‘Le Vélo’ que custou 1 euro por meia hora. Se tivesse usado a bicicleta por mais do que 30 minutos, teria pago adicionalmente 0.05 euros por minuto. A única coisa a ter em atenção é que na primeira vez que se usa uma das bicicletas é retirado da vossa conta um depósito de 15 euros que é devolvido 7 dias depois. O depósito era algo que não estávamos a contar e ficámos surpreendidos e até um pouco alarmados quando vimos o pagamento, mas felizmente o dinheiro foi devolvido sem problema nenhum.

Para mais informações sobre este serviço de aluguer de bicicletas: https://levelo.ampmetropole.fr/en/

Reflexões

Temperaturas

As temperaturas altas foram sem dúvida das coisas que mais tiveram impacto nesta viagem. Com menos 15ºC visitar Marselha tinha sido muito mais fácil do que andar pelas ruas da cidade naquele calor insuportável. Por outro lado, fez com que procurássemos outros locais como Cassis, uma bonita vila da costa a menos de 20 minutos de Marselha.

Praia em Cassis

Se pudesse mudar a viagem ou viria numa altura com menos calor, talvez em maio, ou então ficaria alguns dias em Cassis ou noutra vila perto de Marselha onde pudesse desfrutar da praia de manhã, à tarde e à noite. Aliás nós quando estávamos em Cassis, desejámos que tivéssemos marcado uma noite ali para pudermos ficar mais tempo a explorar a vila.

Segurança

Quanto à cidade de Marselha, esta tem uma certa má fama, a de ser uma das cidades menos seguras do sul de França. No entanto, não senti em momento algum de que estava em perigo, ou com medo. E andámos a maioria das vezes a pé pela cidade incluindo à noite. Talvez foi porque não passámos pelas zonas menos aconselhadas da cidade, mas a verdade é que pela nossa experiência, a fama temível muitas vezes atribuída a Marselha não foi confirmada.

COVID

Outro pormenor que espero que não tenha afectado demasiado a minha opinião sobre a cidade e que só descobri quando cheguei a casa, foi estar com COVID. Desde o domingo de manhã (cheguei a Marselha sábado à noite) até me vir embora na quarta-feira que me sentia desconfortável, com febre, sensação que atribui às altas temperaturas, com dor de garanta e cabeça e sem energia. E apesar de tudo tinha uma fome desmedida, comia tudo o que me punham à frente. Penso que era o meu corpo a tentar atacar o COVID enquanto passava o dia de um lado para o outro no sul de França. E claro que o mal-estar que esteve presente em toda a viagem pode ter de certa forma nebulado a minha visão sobre Marselha.

Itinerário da viagem

Este foi (por alto) o nosso itinerário dos 4 dias que passámos em Marselha e em Aix en Provence. Todos os detalhes estarão disponíveis nos posts das próximas semanas.

Dia 1 (Marselha)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Visitar a catedral de Marselha (Cathédral la Major)
  • Apanhar o barco e fazer a travessia até ao castelo de If
  • Passear pelo porto antigo de Marselha
  • Fazer praia na Plage des Catalans
  • Experimentar os biscoitos tradicionais, Las Navettes, na pastelaria La Panettoria
  • Passear pelo quarteirão Le Panier para ver os interessantes e coloridos murais
  • Jantar no restaurante Ciel Rooftop

Dia 2 (Marselha)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Ir de bicicleta até à fonte do Palais Longchamp
  • Visitar a igreja Saint-Vincent de Paul
  • Subir a colina até à basílica Notre-Dame de la Garde
  • Apanhar o autocarro para Cassis e em Cassis aproveitar a praia, explorar as ruas da vila e descansar numa esplanada dos muitos cafés da zona
  • Ver o pôr-do-sol na praça Lieutenant Danjaume já de regresso a Marselha
  • Jantar no restaurante Chez Jeannott
  • Cocktails no bar Copperbay Marseille

Dia 3 (Marselha)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Fazer passeio de barco pelos calanques de Marselha
  • Alugar cadeiras de praia no Bistro Plage e nadar nas águas do mar
  • Jantar no restaurante L’oli Bé

Dia 4 (Aix en Provence)


  • Tomar o pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd
  • Apanhar o comboio para Aix en Provence
  • Passear pelas bonitas ruas das cidade
  • Visitar a catedral Saint Sauveur Aix-en-Provence
  • Passar pela fonte de la Rotonde
  • Visitar a capela des Oblats
  • Visitar o cemitério Saint-Pierre e a tumba de Paul Cézanne, influente pintor francês do século XIX
  • Almoçar no restaurante IT – Italian Trattoria Aix-en-Provence

Próximo post

Depois de discutir os preparativos e considerações a ter numa viagem a Marselha no final de Junho, vamos no próximo post falar do primeiro dia que começou com um bom pequeno-almoço e acabou com um jantar com vista panorâmica no Ciel Rooftop.

Restaurantes em Barnet e Bushey (norte de Londres)

Esta página contém informações sobre dois restaurantes, um em Barnet e outro em Bushey, duas cidades a norte de Londres. Estes restaurantes são as adições mais recentes à página já disponível neste blog: Barnet and Bushey

Quem vem a Londres vai muito provavelmente procurar lugares de alojamento perto do centro da cidade. Mas muitas vezes os preços de alojamento em Londres são proibitivos e não falo só de hotéis, mas também de Airbnb e Guesthouses. Uma das opções é ficar instalado em cidades um pouco mais afastadas do centro que tenham óptimos acessos a Londres, como Barnet e Bushey. Até porque os vários locais para visitar dentro da cidade estão afastados e para se ir de um ponto ao outro a melhor opção é por vezes apanhar o metro ou o comboio. Portanto, não é de todo impossível que acabem por ficar a conhecer Barnet ou Bushey. Aqui fica a sugestão de dois restaurantes, um em cada uma destas cidades, que foram adicionados à página deste blog onde sugerimos como passar um dia em Barnet e outro em Bushey.

The Arkley pub em Barnet

Este pub fica um pouco afastado do centro de Barnet, mas a uma distância que permite ir a pé. O ambiente no interior do The Arkley é entre o formal e o intimista sem ser desconfortável. No fundo é um pub, mas um pub mais elegante do que o pub local. Neste tipo de pubs como o The Arkley, o menu é mais refinado o que também se nota no serviço, tal como nos preços, confesso. Mas há maneiras de tornar os preços um pouco mais acessíveis, das quais vou falar a seguir.

De mesa reservada, sentámo-nos numa sala agradável, de luz intimista e cadeiras muitos confortáveis. Para beber pedimos uma garrafa de vinho rosé do qual gosto muito, Discovery Beach Zinfandel, e como era uma quinta-feira havia a possibilidade de escolher o menu económico que com 2 pratos custa 22.95 libras ou com 3 pratos 27.95 libras. Esta oferta está disponível de segunda a quinta e inclui entrada, prato principal e sobremesa se a escolha for os 3 pratos. Se for os 2 pratos ou escolhe-se entrada ou escolhe-se sobremesa com o prato principal. A nossa ideia inicial era os dos 3 pratos, mas depois das entradas e do prato principal não havia espaço para mais. O único ponto fraco é que este menu económico, se o quisermos assim chamar, oferece menos opções do que o menu principal. Para mim não fez diferença porque o que eu ia pedir estava neste menu mais limitado, mas por exemplo uma das minhas amigas decidiu-se pelo menu principal para o qual eu também tinha um desconto de 25%.

Entrada: choco frito

Para também terem direito a descontos e pouparem umas libras, se por acaso vierem a este pub façam o download da app Premium Country Pub Collection. A aplicação é gratuita e foi quando fiz o download que tive acesso a dois códigos de promoção, um dos quais já referi acima, o dos 25% de desconto, para além de um copo de champagne gratuito, o que pedi para finalizar a refeição. Vejam o seguinte link para puderem fazer o download da app: Download Premium Country Pub app

Quanto à comida não só era deliciosa como as porções eram bastante generosas, razão para não ter pedido a sobremesa. Como entrada pedi o choco frito (sea salt & black pepper squid) que estava de comer e chorar por mais e para prato principal a massa pappardelle com camarões, caranguejo e chouriço (king prawn, crab & chorizo pappardelle). Também tive oportunidade de experimentar ainda nas entradas a pizza de alho (stonebaked garlic & mozzarella pizzette) que não só deu para três pessoas como era muito, mas muito boa.

Prato principal: pappardelle com camarões, caranguejo e chouriço

Acho que já perceberam que fiquei a gostar bastante deste restaurante e que recomendo a visita para quem tiver a oportunidade. Para mais informações deixo aqui o website oficial: The Arkley Country Pub & Restaurant in Barnet


Bella Rosa em Bushey

Numa noite de dezembro em 2025 eu e uma amiga decidimos ir jantar a Bushey. Estávamos ambas indecisas entre dois restaurantes italianos, mas no final a decisão foi feita por nós. Um dos restaurantes era a Villa Bianca que quando chegámos à porta descobrimos que mesmo sendo um dia de semana não havia mesa disponível àquela hora. Fomos então ao segundo restaurante da lista, a Bella Rosa e felizmente apesar de também estar cheio havia uma mesa para duas pessoas junto à janela.

Prato prinicipal: pizza Fiorentina

O restaurante estava bastante animado, no entanto o som das conversas que atravessavam a sala estava a um nível que dava para termos uma conversa sem termos de elevar a voz. A decoração do restaurante era também bastante fotogénica com colunas de flores (falsas) a descer do tecto. O menu era variado com pizzas, massas, pratos de carne e peixe. Os valores ficavam entre os 15 e os 16 euros em relação às pizzas e massas que foi o que escolhemos. Para mim foi a pizza Fiorentina com espinafres, ovo e azeitonas que custava £14.90. A minha amiga também ficou satisfeita com o prato de massa que pediu (não me lembro qual foi) cuja porção era bastante decente.

A única coisa da qual não gostei muito foi o tiramisu, infelizmente um dos mais fraquinhos que já comi, seco e com pouco sabor. A minha amiga pediu a Torta di Mele, tarte de maçã com gelado de baunilha que pelos vistos foi uma melhor escolha. O que foi mesmo uma pena já que o aspecto do tiramisu prometia. Os valores das sobremesas ficavam entre as 8 e as 9 libras o que eu acho sempre caro, mas para dizer a verdade são os preços normais em Inglaterra.

Sobremesa: tiramisu

Para ver mais detalhes sobre este restaurante vejam a página oficial: Bella Rosa Restaurant in Bushey

Assim já sabem, se por obra do destino pararem em Bushey não deixem de experimentar o restaurante Bella Rosa que vale a pena.


Para mais informações sobre Barnet e Bushey como outros restaurantes e locais para visitar vejam a página: https://viajarcozinharedietar.com/barnet-and-bushey/