Em Perast, Montenegro

Conteúdo desta página

  1. No último post
  2. Vale a pena ficar em Perast?
  3. Apartamento Jovanović Perast
  4. Restaurante Armonia
  5. Pequeno desastre
  6. Tarte de Perast para pequeno-almoço
  7. Ilha da Nossa Senhora das Rochas
    1. História da ilha e da igreja
  8. Igreja de São Nicolau
    1. Igreja de São Nicola
    2. Tripo Kokolja (1661-1713)
    3. Marko Martinović (1663-1716)
    4. Matija Zmajević (1680 – 1735)
  9. Ponto panorâmico Boka Kotorska
  10. No próximo post

No último post

No último post estivemos a falar do parque nacional de Lovćen e da nossa visita a Budva ao final do dia. Isto depois de termos passado pela cidade mais conhecida de Montenegro, Kotor, onde visitámos várias igrejas, as muralhas da cidade e subimos ao topo do forte. Neste post, vamos falar de outra cidade costeira, Perast, onde ficámos alojados antes de irmos para norte em direcção ao parque nacional de Durmitor.

Vale a pena ficar em Perast?

Perast é uma cidade costeira perto de Kotor, apenas a 15km de distância. Nós decidimos ficar em Perast por dois motivos, primeiro para começarmos a fazer parte do caminho que nos levaria até ao parque nacional de Durmitor e segundo para visitarmos a ilha da Nossa Senhora das Rochas, a actividade mais popular desta região. Perast é uma cidade bastante pequena, nem sei bem se é cidade ou vila, com ruas muitas pitorescas que nasceu à volta da baía. O seu grande crescimento aconteceu durante o período em que Montenegro esteve sob o domínio da República de Veneza especialmente a partir de 1482.

Perast na baía de Kotor

Nós depois de pararmos em Kotor para uma rápida pausa e comer os burek do supermercado iDEA viemos para Perast onde iríamos ficar alojados naquela noite. Quando lemos sobre o estacionamento em Perast, pareceu-nos que muitos viajantes tiveram vários problemas e por isso escolhemos um local para passar a noite que incluísse também estacionamento. Não sei se para meados de novembro tal era necessário porque Perast à noite e de manhã cedo estava completamente vazia, mas pelo menos tivemos isso assegurado. E o local onde ficámos não foi de todo mau para além que o dono do apartamento foi bastante atencioso estando à nossa espera quando chegámos para nos indicar o estacionamento.

Apartamento Jovanović Perast

O apartamento Jovanović Perast fica na estrada principal com vista para a baía. Há dois apartamentos que podem ser arrendados no andar debaixo da vivenda enquanto o dono mora com a sua mãe no andar de cima. O nosso apartamento era bastante grande, sendo a sala cozinha e quarto juntos num espaço aberto. O que não me pareceu foi que a higiene fosse uma das maiores prioridades. Nada que nos fizesse sentir nojo, mas notava-se nos detalhes, pó aqui, uma mancha ali. Mas como disse nada que nos deixasse preocupados em passar aqui a noite. Para além do apartamento tínhamos um terraço comum a ambos os apartamentos onde havia mesas e cadeiras onde nos podíamos sentar e disfrutar a paisagem.

O nosso apartamento de Jovanović Perast

A noite no apartamento Jovanović Perast ficou-nos a 45 euros que marcámos no habitual Booking.com. O pagamento foi feito a dinheiro, o qual fizemos na manhã seguinte antes do check-out. Para fazer reservas através desta plataforma vejam o seguinte link: Apartamento Jovanović Perast

Restaurante Armonia

Em seguida fomos à procura de um restaurante onde pudéssemos jantar. Mas ainda antes fizemos um pequeno passeio de reconhecimento por Perast. Do apartamento Jovanović Perast até ao cais tivemos de descer vários lanços de escadas e curiosamente alguns deles passavam por terraços de casas privadas. Posso dizer que foi um pouco estranho passar um destes terraços na manhã seguinte enquanto o dono da casa tomava ali o seu pequeno-almoço. Mas durante a noite encontrámos mais gatos do que pessoas – Perast era uma cidade-fantasma. Mas isso não diminuiu em nada a beleza das ruas pitorescas e dos vários barcos que pousavam nas águas calmas e escuras da baía.

Perast à noite

Para jantar eu queria experimentar um prato tradicional que mais uma vez reflecte a influência da cozinha italiana em Montenegro – risoto preto (crni rižot) com chocos e tinta de choco o que lhe dá a característica cor escura. Este risoto é um prato tradicional mais da zona costeira do que do interior de Montenegro e felizmente encontrámos um restaurante aberto que tinha este item no menu, o restaurante Armonia.

O restaurante estava vazio e assim esteve durante toda a refeição. E pareceu-nos que os empregados do restaurante até nos queriam ver pelas costas para eles próprios puderem irem-se embora. Não que tivessem sido rudes, nem antipáticos, simplesmente o serviço pareceu-nos um pouco apressado. Pedimos o risoto e também um prato de chocos grelhados que veio acompanhado com couves e batatas cozidas. Apesar dos chocos estarem bem cozinhados o prato não nos pareceu que valesse o preço. Quanto ao risoto só posso dizer que era muito bom. Nós dividimos os pratos entre os dois, e o risoto foi claramente o vencedor. E apesar de ser um prato bastante pesado, a adição do limão fez com que o risoto não se tornasse enjoativo. Durante a refeição também tivemos direito a uma queda de luz que foi rapidamente resolvida pelos empregados. O que não tivemos direito foi a sobremesa, que nem sequer nos perguntaram se queríamos ver a carta.

Crni rižot (risoto preto) do restaurante Armonia em Perast
Prato de chocos grelhados do restaurante Armonia em Perast

Quando saímos do restaurante fomos andar mais um pouco junto ao cais e quando voltámos para trás, 10-15 minutos depois de sairmos, passámos pelos empregados do restaurante e confirmámos o que suspeitávamos, eles queriam que nos fossem embora para fecharem o restaurante. Mas como digo, nunca foram indelicados, nem sentimos que estávamos a ser forçados a comer a correr. E se até gostaria de ter visto as sobremesas, a verdade é que foi uma desculpa para comer um bolo no dia seguinte ao pequeno-almoço. E se também querem experimentar o risoto, recomendo sem dúvida este restaurante.

Instagram do restaurante Armonia em Perast: Instagram Armonia

Para o resto da noite só nos restava passear um pouco mais pelas ruas de Perast, dar umas festas a um gato que por ali andava e voltar a subida a escadaria até ao apartamento. Afinal o dia seguinte era para começar bem cedo.

Pequeno desastre

E começou. Ainda não eram 8 da manhã e já estávamos novamente a descer as escadas em direcção ao cais. Isto porque esta parte do itinerário era para ter sido feita no dia anterior, mas como quisemos visitar o mausoléu de Njegoš tivemos de mudar a visita a Perast e à ilha da Nossa Senhora das Rochas para hoje de manhã. E no final do dia tínhamos que estar em Žabljak, no parque nacional de Durmitor, onde tínhamos o próximo alojamento reservado.

No entanto, àquela hora não se via ninguém por ali e os barcos continuavam parados no cais. Andámos a passear um bocado pela estrada junto à água, agora à luz do dia, e a certa altura pensei que queria sentir a temperatura da água. Afinal não me podia ir embora sem tocar no mar Adriático. E assim foi, dirigi-me para uma zona onde havia dois degraus sem me aperceber do quão escorregadios estavam. Pois é que nem deu tempo para pensar, bastou pôr o pé no segundo degrau para deslizar imediatamente para dentro de água e ficar a experimentar bem a temperatura do mar Adriático da cintura para baixo. E não foi mais porque o meu marido teve a presença de espírito de me agarrar imediatamente e puxar-me para fora. É que eu nem conseguia sair de dentro de água sozinha. Já cá fora no início disse que não era preciso ir mudar de roupa como estava sol que bastava andar um bocado. Esta convicção nem 10 minutos durou e passado pouco tempo estávamos novamente a subir as escadas para o apartamento.

Depois de mudar de calças, meias, sapatos e até de roupa interior eis que descíamos novamente para o cais de Perast. E foi nesta descida que passámos pelo senhor que tomava calmamente o café da manhã no seu terraço. No meio disto tudo a única coisa boa é que ninguém andava pelo cais àquela hora ou teria visto um triste espectáculo.

Tarte de Perast para pequeno-almoço

Mas mesmo com o contratempo quando voltámos para baixo ainda não se viam barcos prontos para partir ou a fazer a travessia entre Perast e a ilha. Como também a igreja de São Nicolau que queríamos visitar estava fechada (e que por sinal esteve sempre fechada enquanto estivemos em Perast) fomos tomar o pequeno-almoço já que depois o mais certo era não termos tempo para o fazer. Para isso fomos até ao restaurante Šijavoga que já estava aberto e no qual tínhamos reparado no dia anterior, ou melhor reparámos no sinal à porta, do combo bolo Perast e expresso. Preferimos sentar-nos à esplanada que naquela altura ainda não estava arranjada para receber clientes, mas felizmente o empregado arranjou-nos uma mesa. Se foi do desagrado dele ter de vir arranjar a esplanada, não deixou transparecer (muito).

Tarte de Perast do restaurante Šijavoga

Pedimos o combo do bolo de Perast eu com um café expresso, o meu marido com chá, que acabou por ser o mesmo preço. O bolo de Perast afinal era uma tarte de amêndoa bastante simples, mas deliciosa. Afinal nunca se deve perder a oportunidade de experimentar as delícias locais. E foi ali a apanhar sol que começámos a apercebermo-nos de movimento no cais.

Instagram do restaurante Šijavoga: Instagram Sijavoga

Ilha da Nossa Senhora das Rochas

Para visitar a ilha teríamos de apanhar um táxi (barco). Quando estive à procura de como chegar à ilha da Nossa Senhora das Rochas encontrei várias opções disponíveis no GetYourGuide até para quem prefere partir de Kotor e fazer uma viagem mais longa, mas também li que era bastante fácil arranjar um barco no cais de Perast que fizesse a travessia na hora. E assim foi, passámos por um ou dois barcos que ainda não estavam prontos para partir até que fomos abordados por um rapaz que nos perguntou se queríamos ir até à ilha que o barco já estava pronto. O preço seria de 20 euros, 10 euros por pessoa. Eu timidamente ainda tentei baixar o preço para 15 euros, mas eu sou péssima a regatear preços e foram os 20 euros. Combinámos  também a hora para nos virem buscar o que marcámos para as 10 horas por pensarmos ter tempo mais do que suficiente para a visita, afinal ainda eram 9 da manhã.

Igreja da Nossa Senhora das Rochas

A viagem de barco foi bastante rápida durou cerca de 10 minutos e rapidamente estávamos atracados na famosa ilha da Nossa Senhora das Rochas. E afinal erámos as primeiras pessoas a chegar a esta ilha naquele dia. Não havia outros turistas, a igreja ainda estava fechada e por 15 minutos tivemos a ilha só para nós. A igreja e o museu supostamente abriam às 9, mas como o rapaz que nos trouxe de barco nos disse durante a época baixa este horário é bastante mais flexível e a verdade é que acabou por abrir às 09:45 quando já outro barco bastante maior tinha chegado cheio de pessoas para visitar a ilha. Mas aqueles 15 minutos só para nós foram um completo sossego e pudemos tirar as fotografias que quisemos incluindo ao pequeno ilhéu que fica em frente desta ilha, o ilhéu de São Jorge (Sveti Đorđe) que se encontra fechado ao público e onde o mais notável é o edifício do mosteiro beneditino de São Jorge e a torre da igreja.

Ilha de São Jorge

Quando a porta da igreja se abriu dirigimo-nos para lá e descobrimos que a entrada era paga, o que foi uma surpresa pois tinham-nos dito que só o museu era pago. Pelos vistos tínhamos sido mal informados pois mesmo se quiséssemos visitar a igreja, mas não o museu que fica no mesmo edifício teríamos de pagar a entrada que custava 5 euros. Já dentro da igreja reparámos numas placas de prata que cobriam as paredes e o meu marido quis que perguntasse à empregada o seu significado. Normalmente vamos à internet procurar este tipo de informações, mas como não tínhamos acesso a ela acabei por perguntar à empregada que não só nos explicou o significado destas placas como a história da igreja e nos levou pelo museu dando várias explicações e detalhes dos artefactos em exposição. Acabámos por ter direito a uma tour guiada completamente inesperada e gratuita. A história da igreja e da ilha são fascinantes e eu vou deixar aqui as partes de que mais me lembro das explicações dadas durante a visita.

História da ilha e da igreja

A ilha foi criada principalmente por pescadores depois da descoberta de um quadro da virgem Maria com Jesus ao colo numa pequena rocha neste lugar aproximadamente em 1450. Este é o quadro que agora se encontra no mostruário principal da igreja e para a qual foi construída em 1650 uma protecção em prata feita com os donativos dados pela população de Perast. Actualmente o quadro não está coberto e esta capa de protecção está exposta numa das paredes da igreja. Agora as placas que tínhamos visto à volta da igreja e que foram o motivo do início da conversa foram o pagamento de promessas feitas à Virgem Maria, uns a pedir um filho, outros a pedir melhorias de uma doença, muitas destas placas com o desenho de navios que os marinheiros trouxeram depois de regressarem a casa sãos e salvos das suas viagens.

No museu há várias peças em exposição a maioria doações de capitães de navios. A peça central deste museu é um quadro feito pela mulher de um capitão que esperou 25 anos para que este voltasse a casa. Para completar o quadro usou o seu próprio cabelo e pode-se ver o seu envelhecimento à medida que os cabelos passam de castanho a branco. Não se sabe se o capitão alguma vez voltou, mas o mais provável é nunca ter regressado a casa.

No final da tour já mesmo à saída foi nos feito notar a estrutura da ilha que representa a proa de um barco. Afinal uma ilha feita pelos homens para o mar. O quadro que deu origem a esta ilha era muito provavelmente um sobrevivente de algum naufrágio, que foi interpretado como um milagre. A ilha foi construída pela acumulação de restos de navios e rochas que os pescadores de Perast foram trazendo até chegar à superfície onde se construiu a igreja.

Mas ainda mais impressionante do que a história da ilha foi a forma como ela nos foi contada. A paixão pela origem e pelo significado daquela igreja transparecia na voz da empregada, que nos mostrou o que é trabalhar em algo por que se tem verdadeiro carinho.

Igreja de São Nicolau

Durante a visita guiada confesso que me sentia um bocadinho stressada porque estava a ver a hora que combinámos com o barco a chegar e nós ali dentro a ouvir a senhora. Mas afinal não havia razões para estar assim, já que vieram buscar-nos às 10 e 20 altura em já estávamos cá fora a tirar as últimas fotografias. Provavelmente deram-nos mais tempo sabendo que a igreja tinha aberto mais tarde do que o esperado. Voltámos para Perast e ainda antes de regressarmos ao apartamento para ir buscar as nossas malas e fazer o check-out fomos verificar se podíamos ou não visitar a igreja de São Nicolau – não podíamos, continuava de portas fechadas.

No entanto deixo aqui uma breve história da igreja e dos 3 bustos que estão na praça em frente e que representam Tripo Kokolja, Marko Martinović e Matija Zmajević. Em baixo fica a tradução da informação disponível na praça em frente da igreja, ao lado dos bustos.

Igreja de São Nicola

‘A igreja de São Nicolau está localizada na praça central da cidade. Embora a estrutura actual date 1616, os registos históricos indicam que já existia uma igreja no mesmo local em 1564. Junto à igreja ergue-se a sua torre sineira de 55 metros de altura, construída em 1691. Foi projetada por Giuseppe Beati, um arquiteto da República de Veneza. O maior sino da torre, fundido em 1713, foi uma oferta dos arcebispos Andrija e Vicko Zmajević. O relógio, trazido de Veneza, foi instalado em 1730.

Tripo Kokolja (1661-1713)

‘Tripo Kokolja foi um dos maiores pintores barrocos do Adriático Oriental, tendo estudado em Veneza sob a orientação do seu conterrâneo de Perast e arcebispo, Andrija Zmajević. Quando Kokolja regressou à sua cidade natal, pintou o interior da Igreja de São Nicolau e a capela da Nossa Senhora do Rosário, bem como inúmeras igrejas por toda a Baía de Kotor. A sua obra mais importante é a pintura que se encontra no interior da Igreja da Nossa Senhora das Rochas que fica na ilha com o mesmo nome. Os dez anos de trabalho que Kokolja investiu nesta igreja, um santuário para os marinheiros da Baía de Kotor, resultaram num dos mais belos conjuntos de pinturas mariológicas da região.’

Marko Martinović (1663-1716)

Marko Martinović foi capitão e comerciante marítimo. Marko ensinou as suas habilidades marítimas a inúmeros marinheiros de Perast na sua casa na cidade, provando ele ser um educador habilidoso ao combinar com sucesso o seu conhecimento teórico com a prática. É recordado como o fundador da primeira escola marítima das Balcãs. No final do século XVII, a pedido do Czar russo Pedro, o Grande, o Senado Veneziano organizou formações para jovens nobres russos com o objetivo de estabelecer uma força naval báltica. Martinović foi um dos professores que coordenou parte desta formação em Perast.’

Matija Zmajević (1680 – 1735)

‘Após uma carreira marítima de sucesso como comandante e construtor naval, Matija Zmajević deixou Perast e ingressou na Marinha Russa no Mar Báltico. Matija distinguiu-se em inúmeras batalhas, sendo a Batalha de Ganguit em 1714 a mais importante da sua carreira quando a Suécia e a Rússia lutaram pelo domínio do Mar Báltico. Matija Zmajević subiu na carreira até ao posto de almirante que lhe foi atribuído durante o reinado da Imperatriz Catarina, a Grande. Foi condecorado com a Ordem de Santo Alexandre Nevsky pelas suas muitas contribuições no desenvolvimento da Marinha Russa. Passou os últimos anos da sua vida no Mar Cáspio, a trabalhar na criação da frota do Mar Negro.’

Ponto panorâmico Boka Kotorska

Ainda antes de deixarmos a costa de Kotor parámos num dos mais bonitos pontos panorâmicos, Boka Kotorska. Daqui pudemos ver pela última vez a ilha onde tínhamos estado naquela manhã, a Nossa Senhora das Rochas e ao lado a de São Jorge.

De acordo com o meu marido quando parámos neste miradouro havia um homem mais à frente ao pé do seu carro a fazer as suas necessidades fisiológicas e que era nessa direcção que eu estava a ir. É o que acontece quando nos deixamos absorver pela paisagem e não nos apercebemos do que se passa à nossa volta. Felizmente não dei por nada senão ainda teria mais um episódio a adicionar à lista de eventos caricatos em Montenegro. Eu vejo isto como sinal de que a paisagem era mesmo bonita. Afinal eu estava a ir naquela direcção apenas pela paisagem da baía de Kotor para um último adeus.  

No próximo post

Para o próximo post vamos começar a falar da parte da viagem em Montenegro longe da costa. Começaremos por um local muito importante para a religião ortodoxa, o mosteiro de Ostrog, que fazendo uma comparação com a religião católica tem um significado semelhante a Fátima. Depois desta visita vamos finalmente falar dos dias passados no parque nacional de Durmitor no norte do país, um local que adorámos ficar a conhecer.

Em Montenegro: mausoléu de Njegoš em Lovćen e o pôr do sol em Budva

Índice desta página

  1. Do que já falámos sobre Montenegro
  2. Parque nacional de Lovćen
    1. Mausoléu de Njegoš
      1. Quem era Petar II Petrović-Njegoš?
        1. Petar II no contexto político
        2. Petar II como poeta
      2. Breve história sobre o mausoléu de Njegoš
    2. Ponto panorâmico na estação de teleférico de Kotor
  3. Budva
  4. No próximo post

Do que já falámos sobre Montenegro

Estivemos uma semana a viajar em Montenegro, passando por várias zonas do país. Até então falámos dos preparativos e as peculiaridades de viajar em Montenegro, da nossa chegada a Podgorica, as várias paragens em redor do Lago Skadar e da visita às ruínas da cidade velha de Stari Bar. Mais recentemente temos estado a falar da costa de Montenegro, começando por Bar, passando por Sveti Stefan e por último em Kotor. Neste post, vamos falar do que fizemos depois de deixar Kotor, uma tarde que foi adicionada ao nosso itinerário como resultado do mau tempo do dia anterior. Foi por isso que voltámos ao mausoléu de Njegoš e acabámos a ver o pôr do sol em Budva.

Parque nacional de Lovćen

Deixando Kotor para trás, fomos tentar novamente a nossa sorte com o mausoléu de Njegoš tendo que para isso entrar novamente no parque nacional de Lovćen. Para chegarmos aqui desde Kotor tínhamos duas opções, ou subimos pela serpentina de Kotor onde tínhamos uma maior probabilidade de encontrar ou estar envolvidos num acidente como o do dia anterior ou então poderíamos ir pela costa até Budva e depois passar por Cetinje e aí entrar para o parque nacional. A diferença era não só no tipo de estrada, sendo sem dúvida o melhor caminho o da costa, mas também a distância. Enquanto indo pela serpentina de Kotor a distância era de 35Km com uma duração estimada de 1 hora, passando por Budva a distância subia drasticamente para 75Km com uma duração de 2 horas. Eu sei que pela lógica ir pela serpentina de Kotor era a melhor opção, mas depois de termos passado pela serpentina e estado 1 hora à espera que resolvessem o acidente no dia anterior, decidimos ir por Budva.

Bilhetes de entrada para o parque nacional de Lovćen

Desde o momento que passámos por Budva até entrarmos no parque nacional de Lovćen, o céu azul tornou-se cinzento e quando chegámos ao mausoléu o nevoeiro tinha chegado. Ao contrário do dia anterior, à entrada do parque nacional estava lá o guarda que nos cobrou os bilhetes de entrada, 3 euros a cada um que teve de ser pago a dinheiro. O mausoléu felizmente estava aberto, mas como estava nevoeiro a vista panorâmica era inacessível e por isso naquele dia a entrada era gratuita, o que nos fez poupar 16 euros (bilhete de entrada custa 8 euros por pessoa). Pelo menos não esteve tudo perdido.

Mausoléu de Njegoš

Deixámos o carro no mesmo sítio do dia anterior e fomos em direcção à entrada do mausoléu um pouco a medo, a perguntar-nos se teríamos gasto 2 horas de caminho para encontrar o mausoléu fechado. Mas hoje não havia nenhuma corrente a impedir a entrada. De nevoeiro cerrado à nossa volta começámos a subir a escadaria de 461 degraus. Ainda antes passámos pela entrada de um restaurante e de uma loja de recordações que penso ser onde se vendem os bilhetes para visitar o mausoléu.

Entrada para o mausoléu de Njegoš

O mausoléu fica a uns impressionantes 1660 metros acima do nível do mar sendo este o mausoléu mais alto de todo o mundo. O mausoléu em si tem dois andares, no primeiro encontra-se à entrada duas estátuas enormes de mulheres que alguns historiadores pensam ser a mãe e a irmã de Petar II Petrović-Njegoš. No interior encontra-se a estátua de Petar II, poeta e líder político de Montenegro e no piso inferior o túmulo onde os seus restos mortais repousam. Do mausoléu tem-se acesso a uma estrutura circular de pedra que em dias de bom tempo oferecem uma paisagem panorâmica de 360º podendo-se não só avistar a região envolvente, o lago Skadar e até as montanhas do parque nacional de Prokletije mas também a Albânia, as montanhas da Sérvia e a costa de Itália.

A meu ver o nevoeiro deu ao mausoléu uma dimensão de grande austeridade, criando uma atmosfera ainda mais impressionante principalmente à entrada onde se encontram as grandes estátuas como guardas do túmulo.  

Quem era Petar II Petrović-Njegoš?

A vida de Petar II Petrović-Njegoš é fascinante e vale certamente a pena conhecer um pouco sobre ela. Eu vou deixar aqui linhas muito breves como um simples apanhado de uma vida cheia.

Petar II Petrović-Njegoš foi o líder espiritual e político de Montenegro (um título designado por Vladika) entre 1830 e 1851 depois da morte de seu tio, Petar I. Apesar de Petar II ter ocupado o lugar de Vladika a verdade era que tal parecia improvável no início da sua vida tendo Petar II dois irmãos mais velhos que eram os herdeiros deste título. No entanto, o irmão mais velho morreu bastante cedo e o irmão ‘do meio’ quis ficar na Rússia quando este foi mandado para o país na intenção de receber a devida educação. Petar II, nome de nascença Radivoje, foi então enviado para o mosteiro de Cetinje para receber a educação apropriada como sucessor de Petar I. Quando o seu tio morreu este não tinha oficialmente nomeado o seu sucessor e muitos da região não concordavam que Radivoje fosse o herdeiro certo para o posto. No entanto Radivoje acabou por ser eleito pelas tribos da região e assim nasceu Petar II.

Petar II no contexto político

O reinado de Petar II Petrović-Njegoš ocupou um período da história que contou com distúrbios constantes, como a guerra entre as tribos da região e os turcos, a guerra com a Áustria e com a intervenção constante da Rússia que fez pressão para a criação do Senado Governante cujos membros eram escolhidos pelo governo russo. O objectivo do Senado Governante era o de limitar o poder de Vladika e influenciar nas decisões a favor da Rússia. É também preciso contextualizar Montenegro de 1830, uma sociedade primitiva formada por um aglomerado de tribos rivais.

Uma das medidas impostas por Petar II durante o seu reinado foram as taxas, tipo impostos, que claro não foram bem recebidas pelas tribos, muitas das quais recusaram em pagar-lhe. No entanto, a sua implementação foi para tentar diminuir a dependência financeira da Rússia e potenciar o crescimento de Montenegro.

Petar II como poeta

Apesar do seu lugar na política, Petar II ficou mais conhecido pelas suas obras literárias como poeta, sendo ele para a Sérvia como Skakespeare para Inglaterra. A sua maior obra, Gorski Vijenac (‘a coroa da montanha’ em português) foi alvo de uma popularidade incomparável a qualquer outra obra de um escritor desta parte do mundo. Gorski Vijenac foi traduzido em várias línguas, incluindo em inglês, o que foi feito em 1930.

Túmulo de Petar II Petrović-Njegoš

Quem introduziu Petar II à poesia e à arte de escrever foi Sima Milutinović que veio para Montenegro em 1827 como secretário de Petar I. Os horizontes literários de Petar II foram mais tarde alargados durante as suas viagens à Rússia e à Áustria onde teve contacto com vários escritores, poetas e outros artistas.

Breve história sobre o mausoléu de Njegoš

O mausoléu de Njegoš foi construído em 1971 onde antes existia uma igreja ortodoxa. Essa igreja tinha sido construída em 1845 a mando de Petar II dedicada a seu tio, Petar I. Era nesta igreja que Petar II desejava que os seus restos mortais fossem depositados.

Quando Petar II morreu em 1851 o seu corpo foi levado para o mosteiro de Cetinje. Mais tarde em 1855 foi movido para esta igreja no topo do parque nacional de Lovćen onde permaneceu até 1916. Durante a Primeira Guerra Mundial os seus restos mortais retornaram ao mosteiro de Cetinje como estratégia política por parte da frente Áustria-húngara. Mais tarde, já na Segunda Guerra Mundial, a igreja ortodoxa foi severamente danificada. Em seu lugar, construiu-se o mausoléu de Njegoš em 1971 e finalmente os restos mortais de Petar II foram tresladados para esta localização em 1974, ano em que o mausoléu de Njegoš foi oficialmente inaugurado.

Ponto panorâmico na estação de teleférico de Kotor

Depois da visita ao mausoléu metemo-nos novamente no carro agora em direcção a Budva. Confesso que tenho alguma pena de não ter tido oportunidade de fazer um trilho ou outro no parque nacional de Lovćen, mas mesmo de carro a viagem foi bastante bonita. Pelo menos ainda houve oportunidade de tirar uma ou outra fotografia pelo caminho.

Parque nacional de Lovćen
Parque nacional de Lovćen

À saída deste parque nacional ainda parámos na estação de teleférico de Kotor, naquela altura infelizmente fechada, onde dizem ser um dos melhores pontos panorâmicos sobre Kotor. Contudo não tivemos muita sorte, mesmo com o nevoeiro dissipado as nuvens baixas não nos permitiram ver a cidade. Mas parece-me valer imenso a pena vir aqui especialmente quando o teleférico e o café Monte 1350 Bar estão abertos.

Sendo assim só nos restava ir para Budva e tentar ver o pôr do sol o que em novembro acontece às 4 e meia da tarde.

Budva

Budva estava no nosso itinerário com um ‘?’ sendo um daqueles lugares que iríamos se tivéssemos tempo. Pelo que lemos e depois confirmámos quando aqui estivemos, Budva tornou-se numa cidade de resorts mais virada para o turismo perdendo um pouco a sua alma local. Contudo, gostámos de passear pela cidade velha, como se estivéssemos entrado num mundo à parte. Pela sua atracção ao turismo estacionar em Budva pode ser bastante complicado e/ou caro por isso nem tentámos ir com o carro para o centro da cidade. Felizmente conseguimos parque de estacionamento gratuito ao pé do restaurante Vista Vidikovac. Há aqui um parque de estacionamento que é reservado apenas para os clientes do restaurante, mas pode-se estacionar livremente numa pequena faixa de terra. Não há é muito espaço, talvez dê para 8 carros no máximo e bem apertadinhos. Para alguns este parque de estacionamento não lhes vai agradar porque para chegar ao centro da cidade velha é preciso andar, primeiro a descer e depois no regresso a subir. Mas nós não nos importámos, já que o que nos interessava era arranjar lugar de uma maneira relativamente fácil. Não posso dizer que fiquei a conhecer bem Budva já que só passámos aqui duas horas, mas o que sei é que o pôr-do-sol que vimos foi lindíssimo.

De acordo com fontes históricas, a cidade medieval de Budva é uma das cidades mais antigas do Adriático contando com mais de 2500 anos, tendo sofrido vários danos durante os terramotos de 1667 e 1979. Dentro da cidade velha encontra-se a murada citadela cujos relatos colocam a sua existência desde o século V a.C.

Quanto à nossa visita passeámos pelas ruas bonitas, estreitas e empedradas da cidade velha até chegarmos perto da costa. Não fomos dentro da citadela já que era preciso pagar entrada e ficámos na praça rodeados pela igreja de São Sabba, o Santificado e pela igreja da Virgem Maria. Daqui também se podia avistar a igreja da Santíssima Trindade. Àquela hora o mar a bater nas rochas, o céu a pintar-se de rosa e a música tocada por uma guitarra tornaram aquele pôr-do-sol bastante especial.

Pôr do sol em Budva

Depois de estarmos aqui um bom bocado a vermos a paisagem começava a chegar a fome. Ainda voltámos às ruas de Budva mas ou não encontrámos nada que nos agradasse para petiscar ou os locais que queríamos estavam fechados. Já quase de noite subimos por escadas e rampas entre as casas de Budva, em vez de seguirmos pela estrada principal de regresso ao carro o que ofereceu uma experiência um pouco mais real da vida diária nesta cidade. Acabámos por ‘matar o bichinho’ já em Kotor com uma ida ao supermercado iDEA, em busca de bureks que tínhamos já experimentado no dia anterior e adorado.

No próximo post

A próxima cidade da qual vamos falar é de Perast. Ficámos aqui tanto para ‘fazer caminho’ já em direcção ao parque nacional de Durmitor como para visitarmos a ilha mais famosa da região, a ilha da Nossa Senhora das Rochas. Falaremos do nosso alojamento, do jantar, de mais uma sobremesa tradicional e da visita à ilha onde acabámos por ter uma tour guiada completamente gratuita. Afinal o entusiasmo de quem ama o seu trabalho fez esta visita bastante mais memorável. Todos os detalhes para a próxima.

Kotor (parte 2): fortaleza, catedral e um doce final

Contéudo desta página

  1. No post anterior
  2. Fortaleza de Kotor (forte de San Giovanni)
  3. Catedral de São Trifão
  4. Os gatos de Kotor
  5. Pastelaria Senso Kotor e bolo Krempita
  6. Muralhas da cidade
  7. No próximo post

No post anterior

Visitar Kotor em Montenegro é uma experiência que não se deve perder. A baía e a cidade medieval de Kotor, parte da UNESCO, devem pertencer a qualquer itinerário nem que seja pelo seu valor natural, cultural e histórico. A cidade medieval é uma das cidades do tipo mais bem conservadas do mediterrâneo e é fácil ficar-se rapidamente apaixonado por Kotor; pelas suas ruas estreitas, bonitas igrejas e deliciosa comida. Foi sobre isto que nos debruçámos no último post. Hoje vamos falar da manhã do dia seguinte ainda em Kotor que começou com a subida à fortaleza e que acabou com o passeio completo pelas muralhas à volta da cidade. Ambos os percursos nos deram diferentes perspectivas de Kotor. E sim, esta foi uma das nossas cidades preferidas da viagem, tal como era esperado pela sua fama, sendo esta a cidade mais conhecida em Montenegro.

Fortaleza de Kotor (forte de San Giovanni)

Subir até ao topo do forte de San Giovanni é uma das actividades mais populares em Kotor. Aliás é impossível não sentir o apelo ao olhar pela colina acima. O topo da fortaleza fica a 280 metros acima do mar e sobe desde Kotor por uma série de lanços de escadas com um total de 1350 degraus. A paisagem do topo é espectacular, tal como se espera, mas as bonitas paisagens de cidade e da baía vão aparecendo pelo caminho onde há vários pontos para parar.

Ruínas do castelo de San Giovanni no topo do forte de Kotor

Para começar (e acabar) este percurso há três opções, sendo apenas uma delas gratuita. O que surpreendentemente não foi a nossa opção devido a restrições de tempo já que queríamos voltar ao mausoléu de Njegos que não pudemos visitar no dia anterior devido ao mau tempo. Mas voltemos ao início. Saímos do apartamento Palata Bizanti às 7 horas da manhã com um céu azul e sem nuvens para uma cidade practicamente deserta àquela hora matinal. Para começar a subida pela fortaleza seguimos a entrada II como indica no Google Maps ‘Entrance (II) to Fortress’ que tem uma cancela que àquela hora estava aberta. Isto porque a cancela e os pagamentos para o acesso à fortaleza começam às 8 da manhã. Nós pagámos os 15 euros de acesso à saída.

Começámos a subir com vagar, sempre parando depois de cada lanço de escadas tanto para ver a paisagem, como para tirar fotografias como para descansar. E acabou por não ser uma subida tão difícil como temíamos. A subida demorou cerca de 1 hora, e a descida levou practicamente o mesmo tempo porque queríamos mesmo aproveitar aquele passeio único. Durante a subida também parámos junto à igreja da Nossa Senhora dos Remédios que pelo menos quando passámos estava de portas fechadas. No topo encontrámos as ruínas do castelo de San Giovanni (São João em português) onde passámos algum tempo a explorar.

Agora aquilo que todos querem saber: como se faz este percurso sem pagar?

Há um caminho que começa nas traseiras do centro comercial Kamelija e que sobe pelo lado detrás da fortaleza sendo a paisagem mais virada para as montanhas do que para a cidade. A certo ponto vão encontrar uma escada que sobe para a fortaleza sendo a entrada feita por uma pequena abertura, uma espécie de janela. Depois para voltar para trás têm de fazer o mesmo caminho senão vão encontrar a cancela onde se faz o pagamento. Podem também fazer como nós, ou seja, começar a subida antes das 8 da manhã e depois voltar pelo trilho usando a tal escada. Enquanto pesquisava o que fazer em Kotor li em alguns locais que a escada tinha sido removida, mas eu vi a escada quando passei por aqui em novembro de 2025.

Caminho para a fortaleza de San Giovanni onde não se paga

Se voltasse a fazer o percurso seria certamente isso que faria, sairia cedo o suficiente para não pagar e depois voltaria pelo outro caminho não só para não ter de pagar mas também para ter um tipo de paisagem diferente.

Agora quanto ao trajecto que fizemos, quando vínhamos a descer houve outro episódio caricato para juntar a esta viagem. Mesmo quando estávamos a chegar ao fim da descida reparámos que havia outro caminho que ir dar ao pé da igreja de Santa Maria Collegiate e decidimos ir por esse caminho. No entanto, ao chegar à saída estava um homem que se dizia ser o guarda com uma conversa bastante estranha, que senão tínhamos bilhetes não podíamos passar por ali e que ele tinha lá estado desde as 7 da manhã. No final acabou por dizer que se não queríamos pagar teria de chamar a polícia, e continuou com esta conversa em tom de ameaça mesmo depois de termos dito que queríamos pagar. Bem no final voltámos para trás e seguimos pelo caminho por onde tínhamos começado o percurso. E imaginem que na cancela pagámos os 15 euros sem qualquer problema nem receber nenhuma ameaça. Parece-me que aquele homem era mais um maluquinho de Montenegro.

Kotor

Fazendo então um achado da experiência, independentemente do caminho que se decida fazer, subir ao forte de San Giovanni é algo que recomendo para se ter a oportunidade de passar por aquela que foi a estrutura mais importante na estratégia defensiva da cidade e que mantém a sua forma original desde  a altura que Kotor estava sob o domínio da República de Veneza.

Catedral de São Trifão

Quando chegámos de volta ao centro de Kotor a cidade estava completamente mudada ou melhor, apinhada. Era pessoas por todo o lado. Quando começámos a subida tínhamos reparado (difícil de não o fazer) num cruzeiro que entrava pela baía de Kotor e que mais tarde atracou no porto. Pois eram as pessoas que vinham nesse cruzeiro que agora enchiam as ruas da cidade.

Para não perder tempo fomos directamente para a catedral de São Trifão onde já várias excursões esperavam a sua vez para entrar. Nós pagámos o bilhete que nos custou 4 euros para visitar tanto a igreja como o museu.

Paisagem da pequena varanda do museu pertencente à catedral de São Trifão

O nome da catedral, São Trifão, deve-se às suas relíquias que estão guardadas aqui desde o século IX. Ou melhor guardadas aqui em Kotor, que esta não é a catedral original. A primeira igreja que ficava mesmo ao lado da actual foi construída no século IX e posteriormente destruída por um incêndio. Em seu lugar foi construída esta igreja de maiores dimensões em 1166. Apesar da catedral ainda estar ali de pé, a verdade é que já passou por vários terramotos como o do século XVI e o de 1979 que lhe causou diversos danos, tendo sido restaurada após cada evento.

No museu que fica na parte superior encontram-se várias peças de ouro e de prata, frescos e claro as relíquias de São Trifão. Há que ressalvar que o museu desta catedral é um dos mais antigos da Europa.

Os gatos de Kotor

Depois da visita à catedral fomos andando por Kotor enquanto nos decidíamos o que fazer a seguir, se ir explorar as muralhas ou ir tomar o pequeno-almoço. Neste nosso passeio passámos por um pequeno jardim, o ‘parque dos gatos’, onde vários gatos estavam a ser alimentados por uma senhora que pensamos ser uma local. Parámos por momentos e acabámos sem querer por ouvir a conversa entre esta senhora e uma turista. A turista naquele momento estava a agradecer à senhora por estar a alimentar os gatos. O mais surpreendente, ou talvez não seja assim tão surpreendente, talvez eu é que seja ingénua, respondeu que ao contrário do que se pensa nem todas as pessoas na cidade de Kotor tomam conta dos gatos, na medida que nem todas as pessoas alimentam e acarinham estes animais.

No parque dos gatos em Kotor

E são os gatos importantes na cidade de Kotor? E porque há assim tantos? Bem os gatos tornaram-se num símbolo não oficial da cidade, já que o símbolo oficial é o leão de Veneza (e o que é um gato senão um leão em tamanho mais pequenino?). E há muitos gatos, por toda a parte. Se gostam de gatos então vão gostar de Kotor. E todos eles são muito meiguinhos e de certa forma pareceram-nos bem tratados.

Inicialmente, os gatos foram trazidos pelos pescadores para combater os ratos que estavam a invadir Kotor. Na verdade, os pescadores tinham os gatos para apanhar os ratos e as cobras que andassem pelos seus barcos e quando atracavam eram depois trazidos para a cidade pela mesma razão. Com o aumento da população de gatos, estes tornaram-se um símbolo de boa sorte e fazem parte do folclore de Kotor como salvadores da cidade. Por exemplo diz-se que os gatos salvaram a cidade da peste negra. No entanto, o crescimento da população felina tornou-se incontrolável, mas felizmente neste momento há algumas organizações que tentam não só controlar o número de gatos abandonados através da infertilizarão como dar-lhes melhor qualidade de vida oferecendo cuidados de saúde.

Eu creio que em regra geral pela aparência dos gatos e pelo seu comportamento que estes são bem tratados não só pelos locais, mas também pelos turistas. Mas acredito que este esforço seja parte da caridade e carinho que os residentes de Kotor têm pelos gatos e que talvez nem todos façam o mesmo esforço daí o comentário da senhora que os alimentava. Também há em Kotor o museu do gato, o qual gostaria de ter visitado, mas infelizmente o museu fecha durante a época baixa. Quem estiver em Kotor entre 1 de maio e 31 de outubro não deixe de visitar este museu.

Página oficial do museu do gato em Kotor: https://www.catsmuseum.org/

Pastelaria Senso Kotor e bolo Krempita

Ainda subimos às muralhas no mesmo sítio do dia anterior, mas logo decidimos que estava na hora de irmos comer qualquer coisa. No dia anterior tínhamos passado por uma pastelaria que nos tinha chamado a atenção especialmente o placard à entrada sobre um bolo tradicional em Kotor de nome Krempita. Pois bem, foi mesmo aí que fomos parar, na pastelaria Senso Kotor.

A pastelaria em si é bastante pequena, mas conseguimos arranjar os únicos dois lugares disponíveis naquele estabelecimento. Para além de Krempitas há também croissants, potes de iogurte e muesli e os famosos burek. Havia também na montra outros folhados em forma de argola que penso ser de maçã. Para mim tinha de ser um latte e um bolo krempita. Confesso que quando vi os tais bolos pensei, ‘mas isto é um mil folhas’ e é o que parece, e certamente o sabor também é bastante parecido. Mas não me arrependo nada de vir experimentar o Krempita, o creme de baunilha não era muito doce e combinava perfeitamente com as três camadas de massa folhada, o que parece ser uma das diferenças deste bolo com outros do género.

Em baixo podem encontrar a tradução da informação sobre o bolo Krempita que está à entrada da pastelaria Senso Kotor:

Kotor Krempita

Esta deliciosa massa folhada recheada com creme, conhecida localmente como Kotorska Krempita, é uma sobremesa tradicional muito apreciada na cidade velha de Kotor. Acredita-se que foi introduzida há séculos e tem sido preparada com carinho por gerações de famílias locais. O que torna a Kotorska Krempita única são as suas três camadas de massa leve e folhada recheadas com um creme de baunilha rico e sedoso – uma versão luxuosa em comparação com a clássica de duas camadas encontrada noutros locais. Ganhou fama em meados do século XX, quando era vendida na famosa padaria ‘Zdravljak’, na cidade velha de Kotor. Após o terramoto de 1979, continuou o seu doce legado perto da Praça de São Trifão, onde habilidosos padeiros transmitiram a receita original. Embora originalmente se chamasse Kotorska Pašta, a sobremesa ficou mais conhecida como Kotorska Krempita – um nome hoje reconhecido em toda a região.

Pode-se até pensar que o bolo Krempita não se distingue o suficiente dos outros mais conhecidos para vir até a esta pastelaria. O que é completamente errado. Para mim este pequeno-almoço não teve nada de mau e tudo de bom. Café e bolo, o quê mais se quer para se ser feliz?

Instagram da pastelaria Senso Kotor: https://www.instagram.com/sensokotor/

Muralhas da cidade

Antes de deixarmos Kotor fomos passear pelas muralhas da cidade agora entrando pelo lado oposto ao do dia anterior onde fica o bastião de Gurdić. O troço entre esta entrada e a torre de Kampana tem uma distância de cerca de 700 metros e passa por detrás de Kotor dando uma perspectiva da vida diária na cidade, talvez não tão glamorosa, mas mais real. Neste curto passeio vimos imensos gatos deitados ao sol ou também eles a fazerem este percurso dentro das muralhas, quem sabe se há procura ou à caça de um rato.

E foi aqui nestas muralhas que acabámos a nossa visita a Kotor. Uma cidade que certamente marcou a nossa viagem em Montenegro.

No próximo post

No próximo post irei falar da segunda parte deste dia depois de sairmos de Kotor, na esperança de termos uma melhor experiência no parque nacional de Lovćen voltando para isso ao mausoléu de Njegoš e acabando o dia com um maravilhoso pôr do sol na cidade velha de Budva.

Kotor (parte 1): acomodação, igrejas e pasta

Conteúdo deste post

  1. No último post
  2. Kotor
    1. Passado de Kotor
    2. As duas versões da cidade
    3. Apartamento Palata Bizanti
    4. Igrejas em Kotor
      1. Igreja ortodoxa de São Pedro de Cetinje
      2. Igrejas de São Lucas e São Nicolau
    5. Muralhas da cidade
    6. Restaurante La Catedral Pasta Bar
  3. Próximo post

No último post

No último post falámos da nossa viagem pela costa, da cidade de Cetinje e da nossa tentativa de visitar o mausoléu de Njegos. No final falámos da nossa chegada a Kotor, de onde estacionar na cidade e onde arranjar algo rápido para comer. A nossa estadia em Kotor vai ser dividida em duas partes, a primeira a que se encontra neste post, sobre o apartamento onde ficámos na cidade velha, das igrejas que visitámos e do restaurante onde fomos jantar o que por sinal foi uma escolha óptima. Na segunda parte sobre Kotor, falaremos do dia seguinte, com a subida ao forte, a catedral de Trifão e o passeio pelas muralhas da cidade.

Kotor

Kotor e a sua baía são certamente as zonas mais conhecidas de Montenegro, e claro está para quem visita este país Kotor é de passagem obrigatória. Na verdade, para muitos Kotor é a única parte que ficarão a conhecer de Montenegro, especialmente se viajarem de cruzeiro. Porque em Kotor param diariamente cruzeiros turísticos no porto da cidade, e são essas pessoas que enchem as ruas durante o dia. E tendo eu mesmo passado um dia aqui reconheço que a fama de Kotor é-lhe merecida, sendo uma das mais bem conservadas cidades medievais do mediterrâneo.

Cidade medieval de Kotor

A cidade velha de Kotor faz parte do Património Mundial da UNESCO desde 1979, mas não só a cidade faz parte da UNESCO, toda a região de Kotor e a sua baía fazem parte do portfólio devido ao seu valor incontestável tanto natural, cultural como histórico.

Passado de Kotor

Kotor tem um passado bastante conturbado, como quase todas as cidades europeias, para dizer verdade, tendo sido palco de invasões, guerras e conquistas. Kotor esteve sob o domínio de vários povos e países como os romanos, sendo estes considerados os fundadores da cidade, seguidos pelos bizantinos, altura em que Kotor chamava-se Dekaderon. Mais tarde chegou a República de Veneza, o qual domínio foi voluntário da parte dos montenegrinos como estratégia defensiva contra os turcos, depois veio o império austríaco, o francês e mais recentemente a Iugoslávia seguida da União entre a Sérvia e Montenegro até à sua independência em 2006. Com tão diversificada afluência de povos é natural que certos costumes, gastronomias e culturas se tenham infiltrado e estabelecido na de Montenegro. O que torna a experiência em Kotor ainda mais única.

As duas versões da cidade

Chegámos a Kotor a meio da tarde e depois do check-in e mudanças de estacionamento a nossa visita à cidade começou já de noite cerrada. As primeiras impressões foi de uma cidade sossegada, talvez porque tivesse sido um dia de chuva. E quanto mais pela noite adentro entrávamos, mais deserta a cidade ficava. Depois do jantar, ainda demos uma volta pela praça principal e apenas encontrámos um punhado de pessoas. E foi esta a versão da cidade, mais intimista, até misteriosa que nos recebeu.

A versão mais intimista da cidade de Kotor

Tudo mudou no dia seguinte, a partir do meio da manhã. Logo de manhã quando começámos a subir a fortaleza de San Giovanni vimos um grande cruzeiro a entrar pela baía de Kotor e mais tarde a atracar no porto. Quando regressámos a cidade estava apinhada de gente, com várias excursões a passear pelas ruas e praças da cidade. Kotor tinha-se transformado completamente. Os restaurantes e cafés encheram-se, havia filas para entrar nas igrejas, uma cidade que parecia ter acordado de repente numa espécie de festa.

Pessoalmente prefiro a primeira versão, mais sossegada e sem caos. Mas reconheço que a cidade de Kotor precisa do financiamento económico que provém do turismo para manter o seu estado de preservação. Aconselho a se puderem passar uma noite em Kotor para ficarem a conhecer ambas as versões desta cidade.

Apartamento Palata Bizanti

Para passar a noite em Kotor quisemos ficar o mais próximo possível do centro da cidade medieval. Escolhemos o apartamento Palata Bizanti que ficava numa rua apertada bastante perto da catedral de São Trifão. Para entrar usámos os códigos que nos tinham sido enviados durante o dia, um para o portão que nos levava para dentro um pátio bastante pitoresco e outro para a porta do apartamento que era acedido através de umas escadas. Para quem tem problemas de mobilidade as escadas podem ser um problema, mas se não forem aconselho imenso a considerar este local como acomodação.

O apartamento Palata Bizanti foi sem dúvida um dos locais mais marcantes da viagem, talvez o segundo melhor, ficando o de Zabljak (parque nacional de Durmitor) à frente pois fiquei enamorada pela lareira. Quanto a este apartamento o que o mais o caracteriza é o espaço – era enorme! O quarto era grande, a sala então nem se fala. Certamente uma das partes mais impressionantes do apartamento. A decoração e a limpeza não davam qualquer hipótese à crítica. E a localização não podia ser melhor, porque mesmo estando no coração da cidade, a separação da rua pelo pátio dava uma certa privacidade que foi bem-vinda. A estadia neste apartamento ficou-nos a 72 euros (sem contar com a taxa de turismo – 2 euros por pessoa) que pagámos no dia deixando o dinheiro à entrada do apartamento como nos foi pedido.

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Igrejas em Kotor

Depois da parte prática resolvida, isto é, de pormos as malas no apartamento e arrumarmos as nossas coisas estava na hora de sair e tentar aproveitar as últimas horas desta tarde. Decidimos para isso visitar as igrejas incluídas no nosso itinerário.

Igreja ortodoxa de São Pedro de Cetinje

A primeira igreja foi a igreja ortodoxa de Montenegro dedicada a São Pedro de Cetinje, a qual pode passar facilmente despercebida sendo a entrada feita por umas escadas estreitinhas. A igreja em si também é bastante modesta em termos de tamanho, apenas uma sala simples com um bonito altar.

Igrejas de São Lucas e São Nicolau

Em seguida fomos visitar a igreja de São Nicolau e depois a de São Lucas. As igrejas ficam em frente uma da outra apenas separadas por uma pequena praça. A igreja de São Nicolau talvez seja a mais notável devido às torres laterais à entrada da igreja. Deixo aqui a ressalva que a entrada para estas duas igrejas tal como para a igreja mencionada acima, é completamente gratuita. Primeiro fomos à igreja de São Nicolau, considerada como a igreja ortodoxa mais importante de Kotor construída no século XX sob as ruínas da igreja que ali existia antes e que foi destruída num incêndio no século XIX.

Apesar da igreja de São Nicolau ser a mais imponente foi em frente da igreja de São Lucas que encontrámos um pequeno aglomerado de pessoas todas com a mesma intenção, a de entrar dentro da igreja. Esta igreja está associada a uma espécie de guerra de poderes entre a religião católica e a ortodoxa. A igreja de São Lucas foi originalmente contruída para os católicos da cidade no século XVII. No entanto, durante e após a guerra com os turcos houve uma rápida e significativa subida no número de pessoas de crença ortodoxa a viver em Kotor, especialmente entre 1657 e 1812. Devido à pressão religiosa esta igreja tornou-se num templo ortodoxo, que até aos meados do século XIX partilhava dois altares, um católico e outro ortodoxo.

Muralhas da cidade

Ainda tentámos visitar a catedral de São Trifão, mas tivemos de deixá-la para o dia seguinte. Àquela hora, isto 6 e meia da tarde, a igreja já não se encontrava aberta ao público, apenas para os devotos que quisessem rezar. Acabámos por dar mais uma volta pelas ruas estreitas de Kotor antes de subirmos às muralhas da cidade pela entrada que fica perto do teatro de Napoleão. Apesar das muralhas darem a volta à cidade fizemos apenas o troço que segue junto ao rio. Estas muralhas fazem parte da fortaleza de San Giovanni que sobem pela colina acima. Subida essa que tínhamos agendada para o dia seguinte de manhã bem cedo.

Depois do breve passeio e já sem mais locais que pudéssemos visitar naquele dia voltámos para o apartamento para nos arranjarmos para jantar.

Restaurante La Catedral Pasta Bar

Para jantar havia várias opções, mas queríamos principalmente um restaurante que ficasse perto do apartamento e que não fosse muito caro (que os 30 euros da multa pagos no parque de estacionamento dos quais falei no último post ainda estavam bem frescos na nossa memória). Acabámos por escolher La Catedral Pasta Bar. Este é um daqueles restaurantes que está espalhado por todas as redes sociais, e apesar de normalmente evitar ir a esses lugares desta vez fomos ver se a fama tinha razão de ser.

Chegámos ao restaurante, que na verdade é bastante pequeno apenas com mesas na parte exterior (penso que 8 mesas), numa zona coberta com aquecedores de pé alto e cobertores disponíveis para os mais friorentos. Eu que sou uma delas estive bastante confortável durante toda a refeição. Tal como o nome indica este restaurante especializa-se em pratos de massa, mas também oferece outras opções como saladas ou entradas como bruschetta. Nós escolhemos pratos de massa, ‘Sicilijana’ e ‘Pollo’ e posso dizer que foram os melhores pratos de massa que comi na vida. As porções eram enormes, muito saborosas e acabámos por dividir os dois pratos, o que permitiu ter uma experiência diferente de sabores. Os preços de cada prato variavam entre os 13 e os 15 euros os quais foram bastante razoáveis. Para além da comida, o serviço também foi rápido e atencioso. Sem dúvida, um dos locais ao qual voltaria em Kotor. Veredicto: a fama que tem nas redes sociais é merecida.

Instagram da La Catedral Pasta Bar: https://www.instagram.com/lacatedralkotor/

E até se pode dizer que a cozinha italiana faça de certa maneira parte da gastronomia de Montenegro devido aos laços históricos que une ambos os países.

Depois do jantar, completamente a abarrotar, fomos dar mais uma volta pela cidade. No entanto, não demorámos muito a voltar ao apartamento já que no dia seguinte teríamos de nos levantar bastante cedo para subir a fortaleza de Kotor.

Próximo post

A segunda parte da nossa experiência em Kotor ficará para o próximo post que contará com a subida à fortaleza, um passeio mais completo pelas muralhas da cidade, a catedral de São Trifão finalizando a visita com um bolo tradicional.

Ajudem se puderem:

Tal como nas últimas semanas deixo aqui um apelo a doações para a SPCA International: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/

Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.

Itinerário em Montenegro: Sveti Stefan, Cetinje e a chegada a Kotor

Conteúdo desta página

  1. Último post
  2. Sveti Stefan
  3. Mosteiro Praskvica
  4. Cetinje
  5. Parque nacional Lovćen
  6. Serpentina de Kotor
  7. A chegada a Kotor
  8. Próximo post

Último post

No último post focámo-nos na nossa experiência em Bar incluindo os pratos tradicionais que experimentámos. Isto depois da nossa aventura em Stari Bar e no lago Skadar. O post que se segue, o do segundo dia a explorar Montenegro, foi não UM mas O dia mais triste da viagem. Talvez não o mais triste, mas sim o mais murcho ou melancólico e tudo se deveu ao tempo já que esteve practicamente sempre a chover até ao final do dia. Mas como passámos por vários locais importantes em Montenegro mesmo com a chuva não poderíamos deixar de mencioná-los.

Sveti Stefan

Saímos de Bar ainda com o céu cinzento sem chuva, mas isso rapidamente mudou e o tempo foi piorando à medida que avançávamos pela costa de tal forma que quando chegámos à primeira paragem, Sveti Stefan, acabámos por passar muito pouco tempo aqui. Sveti Stefan é uma ilha onde se estabeleceu um resort de luxo, apenas permitida entrada aos hóspedes. A nossa ideia era então passear pela praia que fica de frente e assim ter acesso a várias paisagens desta ilha que é uma das mais fotografadas do mundo. No entanto, a chover a potes, apenas parámos o carro na berma da estrada para tirar uma fotografia rápida.

Sveti Stefan

Apesar de ter passado aqui apenas breves momentos, vou deixar um pouco da história fascinante da origem desta ilha e da sua comunidade. E vou começar pela lenda associada a Sveti Stefan. Para dizer a verdade a sua verdadeira história começa no século XV, pois até então a ilha era habitada por pescadores e as suas famílias. Segundo a lenda, a ilha de Sveti Stefan foi o local onde se estabeleceu as 12 tribos Paštrovići que ajudaram os residentes de Kotor a lutar contra o cerco feito pelos turcos a esta cidade. Durante esta expedição, os guerreiros Paštrovići descobriram navios turcos que não estavam devidamente protegidos e saquearam todas as riquezas que aqui estavam guardadas. Foi decidido que com este tesouro cada uma das 12 tribos contruiria a sua casa na ilha de Sveti Stefan e tornaria esta cidade fortificada para sua própria protecção. E assim nascia uma comunidade autónoma e privada.  

A parte do tesouro não pode ser confirmada e daí tratar-se de uma lenda, mas é verdade que houve uma comunidade formada pelas tribos Paštrovići em Sveti Stefan. No século XV esta ilha pertencia à República de Veneza e por isso era uma zona autómata, uma espécie de ilha protegida dos ataques turcos pelos Venezianos sendo em troca um local importante de comércio e outras actividades marítimas para a República. Tornou-se numa comunidade privada e isolada que com o passar dos tempos sofreu uma descida agravada no número de residentes devido à saída destes para outras cidades e países à procura de mais e melhores oportunidades de trabalho. Especialmente porque a protecção oferecida foi dissolvida com a caída da República de Veneza em 1797.

Mais tarde, em 1940, quando a ilha estava practicamente deserta, decidiu-se construir aqui um resort o qual já ganhou vários prémios e contou com a presença de várias figuras internacionais da realeza e das artes. Este resort ganhou o prémio de La Pomme d’Or (a maçã dourada) condecorada pela Federação Mundial de Jornalistas e Escritores de Turismo (FIJET) em 1972. Este prémio é como uma espécie de Óscar para turismo e Sveti Stefan recebeu-o como sendo o resort mais exclusivo do mundo.

Mosteiro Praskvica

O mosteiro Praskvica fica a norte de Stevi Stefan e daqui pode-se ver a ilha e as muitas casas que nela se encontram. Quanto a este mosteiro crê-se que foi construído em 1050, mas apenas há evidência real da sua existência a partir de 1307 quando o rei sérvio Milutin visitou Kotor. O nome do mosteiro, Praskvica, tem origem numa das características particulares da água de uma das nascentes dali perto, pois diz-se que a água tem um cheiro curioso a pêssegos (praskva em montenegrino). No recinto do mosteiro encontra-se a igreja principal, edifício esse que foi construído no século XIX sobre as ruínas da igreja original do século XV e que protege no seu interior os frescos da antiga igreja. Para além da igreja também existe um edifício que era antigamente uma escola de monges, outro com alojamentos e mais acima na colina um cemitério e um edifício dedicado à Santíssima Trindade construído no século XVII.

A visita ao mosteiro é gratuita tal como o estacionamento. Quando parámos aqui não A visita ao mosteiro é gratuita tal como o parque de estacionamento. Quando parámos aqui não tínhamos a certeza se o mosteiro estava aberto ao público, mas fomos tentar a nossa sorte. As primeiras pessoas que vimos foi perto da igreja onde três homens conversam entre si, sendo um claramente o padre pelas roupas que vestia. Depois de um breve cumprimento foi-nos confirmado que podíamos visitar a propriedade. No entanto, a cena que tínhamos acabado de presenciar, os dois homens em pé e o padre sentado completamente refastelado (como se diz na gíria ‘à patrão’) fez lembrar muitas cenas de filmes onde a religião tem o papel principal em vários negócios criminosos. E nem digo nada, porque o que vimos da religião em Montenegro tem muito que se diga, principalmente depois de visitarmos alguns dias mais tarde o Mosteiro de Ostrog.

Mosteiro Praskvica (paisagem do cemitério)

Quanto à nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde de facto Quanto a nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde se consegue avistar a ilha Sveti Stefan. Já quanto à nascente com cheiro a pêssegos, não vimos nenhuma. Felizmente enquanto visitámos o mosteiro, a chuva tinha feito uma pausa permitindo que fizéssemos a visita com calma.

Cetinje

A próxima paragem já era em direcção à parte interior de Montenegro, numa cidade chamada Cetinje antes de nos embrenharmos pelo parque nacional Lovćen. Foi mais difícil encontrar estacionamento em Cetinje do que o esperado, e tivemos de deixar o carro numa berma da estrada mesmo ao lado do mosteiro de Cetinje, o que até calhou bem porque era um dos locais que queríamos visitar e mais uma vez estava a chover e bem. E sim, peço desculpa, como se devem ter apercebido o mau tempo vai ser o tema do dia.

Mosteiro de Cetinje

E foi a chuva a maior razão para que a visita ao mosteiro fosse breve já que não iríamos explorar a parte exterior. Também a igreja não é muito grande, sendo outra das razões para a rápida visita.

A história do mosteiro de Cetinje começa em 1484 como cumprimento de uma promessa feita por Ivan Crnojević quando este esteve em exílio temporário em Itália. A promessa era de que se voltasse novamente à sua terra natal mandaria construir um mosteiro dedicado à Virgem Maria. E foi o que fez, nascendo este mosteiro, que contava com a tal igreja, e também uma capela, essa dedicada a São Pedro. Foram também construídos edifícios esses com efeitos administrativos e residenciais.

Pátio que dá acesso á igreja no mosteiro de Cetinje

Depois do mosteiro, a nossa ideia era a de ir visitar o museu nacional de Montenegro, também ele em Cetinje. Na verdade, o museu fica mesmo ao lado do mosteiro. No Google de acordo com as informações o museu estava aberto, de acordo com a página oficial do museu, ele estava aberto. Mas a realidade é que demos duas voltas ao museu e não encontrámos nem nenhuma porta aberta nem qualquer sinalização a indicar a entrada. Portanto depois das duas voltas e com a chuva a cair desistimos de dar uma terceira. Gostaria imenso de dizer como era o museu, mas infelizmente não o posso fazer.

Parque nacional Lovćen

Depois de Cetinje, a próxima paragem era dentro do parque nacional de Lovćen. Por esta altura a chuva caia intensamente e depois de entrarmos no parque nacional juntou-se-lhe um nevoeiro que se adensou enquanto subimos até ao Mausoléu de Njegos. Para entrar neste parque nacional é preciso pagar o que é feito à entrada do parque onde há uma pequena casinha para o guarda se abrigar. A entrada para o parque custa 3 euros por pessoa. Não só é preciso pagar para visitar este parque nacional como também o parque nacional de Durmitor, cujo bilhete teve um custo de 5 euros. Neste dia como o tempo estava tão mau nem sequer havia guarda e passámos sem ter de pagar. Pouco nos serviu de contentamento já que quando chegámos ao mausoléu encontrámo-lo fechado devido ao mau tempo. Resignámo-nos ao que estava destinado para aquele dia e voltámos para o carro decidindo que tentaríamos voltar aqui no dia seguinte.

Serpentina de Kotor

Para chegarmos a Kotor desde o parque nacional de Lovcen tínhamos de passar por uma estrada que desce pela colina, chamada a serpentina de Kotor. Como o nome indica esta estrada é formada por curvas e contracurvas muito apertadas e em sequência. Para ser mais precisa são 16 curvas apertadíssimas que percorrem uma distância de 8.3Km.

Na fila à espera de que a polícia chegasse à serpentina de Kotor

Nós estávamos mesmo a fazer a última curva quando encontrámos uma fila de carros completamente parados. É que mesmo na curva tinha havido um acidente entre dois carros, acabando com um deles enfiado na estrutura metálica que protege a berma da estrada. E em Montenegro quando há um acidente é preciso chamar e esperar pela polícia. Aliás esse foi um dos avisos da Europcar quando fomos buscar o carro: que em caso de acidente não saíssemos do local, nem movêssemos o carro até que a polícia chegasse. O que demorou perto de uma hora. A sorte é como estava a chover não tínhamos nada planeado para o resto do dia.

Mas claro que quando se espera há sempre um ‘chico-esperto’ que pensa que é mais inteligente do que os outros. Nesta situação, foi um carro que estava atrás de nós que começou a fazer inversão de marcha. Bem começar, começou, acabar é que não acabou. Ele fez aquele trabalho de tal maneira que não só acabou trancado no meio da estrada como ainda bateu contra a estrutura metálica que estava na berma da estrada. E esteve muito perto de bater noutro carro. Podia dizer que isto era só em Montenegro, mas eu bem sei que há artistas destes em todo o lado.

A chegada a Kotor

Depois de finalmente nos vermos livres do acidente e de passarmos o último trecho da serpentina chegámos a Kotor perto das 3 e meia da tarde. E vou começar por deixar a melhor dica em relação ao estacionamento – não procurem mais, ponham esta rua no GPS ou na aplicação que estiverem a usar – para estacionar o carro em Kotor e sem pagar é na rua NJEGOŠEVA. Ao estacionarem aqui estão a evitar stresses e o trânsito caótico da cidade.

Chegada a Kotor

E nós é que fomos parvos por não o ter feito logo à chegada. Na verdade, erámos para deixar o carro aqui, mas na rotunda enganámo-nos na saída e fomos em direcção ao centro de Kotor. Acabámos por estacionar em frente ao centro comercial Kamelija onde se pagava. Outra dica, que eu sei que vão dizer que sabem e que não é novidade nenhuma, mas eu também sei que acontece – se estacionarem aqui tenham a certeza de que tiram o bilhete que sai da máquina. Sim, sim é normal em todo o lado e todos sabem isso e mais não sei quê. Mas o meu marido está convencidíssimo que não saiu nenhum bilhete (eu penso mais que ele não reparou) e nem se pensou muito nisso já que estávamos mais focados em tirar as malas e ir fazer o check-in no apartamento onde iríamos passar a noite. O que levou a que tivéssemos de pagar uma multa quando estávamos mais tarde para sair com o carro e levá-lo para a rua Njegoševa.

Como podem ver este dia estava a melhorar a cada hora que passava. É também para verem que viajar não é sempre magnífico como se quer fazer crer. O guarda do parque de estacionamento acabou por ter pena de nós, mas não tanto que nos deixasse ir embora sem pagar. Mas em vez de pagarmos 50 euros que era o valor da multa, como informa o placard à saída do parque, ele desceu o preço para 30 se pagássemos a dinheiro.

Antes desta história toda da multa se passar e depois de termos deixado as malas no apartamento Palata Bizanti onde iríamos ficar em Kotor, fui ao supermercado do centro comercial, o iDEA onde comprei 2 bureks já que a fome apertava por esta altura, um de queijo e outro de espinafres. Acabámos por comê-los no carro já depois da multa paga e de termos estacionado onde deveríamos ter feito logo quando chegámos. Por isso apesar da experiência mais azeda, a verdade é que os bureks nos souberam pela vida e posso dizer que foram os melhores da viagem (tanto que voltámos ao mesmo supermercado no dia seguinte, para comprar mais destes folhados).

Assim deixo aqui duas lições: primeiro que vejam bem as condições de estacionamento aonde quer que parem o carro e segundo que por vezes a melhor comida está no supermercado local.

Próximo post

Para o próximo post vamos falar da nossa estadia em Kotor, como por exemplo do apartamento onde ficámos, Palata Bizanti, um dos melhores da viagem, dos locais que visitámos na cidade medieval e da subida ao topo do forte. Tal como a nossa experiência gastronómica, que continuava a deixar-nos fãs deste país.

Ajudem se puderem:

Como nas últimas semanas deixo aqui um apelo para a angariação de doações que estou a organizar para a SPCA International: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/

Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.

Experiência gastronómica e cultural em Bar, Montenegro

Índice desta página

  1. Itinerário em Montenegro
  2. Bar
    1. Nota para quem viajar durante a época baixa
    2. Jantar em Banjalučki Ćevap
    3. Visita à igreja ortodoxa de St Jovan Vladimir
    4. Primeiro burek em Burekdzinica Fontana
  3. Próximo post

Itinerário em Montenegro

Nas últimas semanas temos estado a falar do nosso itinerário em Montenegro, começando pela nossa chegada a Podgorica, os vários pontos de paragem no lago Skadar e a nossa visita às ruínas em Stari Bar. Hoje continuamos, agora em Bar, a cidade escolhida para passar a segunda noite da viagem. No último post fechámos com a nossa opinião sobre o nosso quarto em Villa Kovacevik para o qual deixo aqui o link do booking.com: Villa Kovacevic em Bar (Booking.com).

Bar

Nota para quem viajar durante a época baixa

Desde o momento que chegámos a Bar que chovia a potes, mas o tempo melhorou com o cair da noite de tal forma que nos aventurámos a pé até ao restaurante que tínhamos escolhido para jantar perto do hotel, Domaca Trpeza. Enganados estávamos que a meio do caminho começa a cair aquela chuva miudinha irritante, mas fomos teimosos e não quisemos voltar para trás para ir de carro. Infelizmente quando chegámos ao restaurante as luzes estavam apagadas, não havia dúvida nenhuma que estava fechado. Apesar de dizer na internet, mesmo na página do restaurante no Instagram, indicar que estava aberto até às 11 da noite.

Zabljak, cidade no parque nacional de Durmitor onde muitos restaurantes fecham na época baixa

E não foi só em Bar, mas também em Zabljak e até em Kotor que encontrámos vários E não foi só em Bar, mas também em Zabljak e em Kotor que encontrámos vários restaurantes e atracções fechadas por ser época baixa. A primeira vez que tínhamos dado de caras com esta desvantagem de viajar fora da época turística foi nos Dolomitas em Itália e pelos vistos em Montenegro era igual; os locais aproveitam estes meses para férias ou renovações ou para uma merecida pausa. Em Bar rapidamente encontrámos outras opções disponíveis para jantar tal como durante a nossa estadia em Zabljak. No entanto, fiquei com bastante pena que o Kotor alpine coaster, uma espécie de montanha-russa exterior a norte de Kotor onde as paisagens são, ou pelo menos parecem ser, absolutamente espectaculares estivesse fechado desde o início de novembro. Eu confesso que estava bastante entusiasmada com a ideia de andar nestes carrinhos até que descobri que iria fechar uma semana antes de partimos e assim ficaria até abril. Parece ser fantástico, e até mesmo a viagem de teleférico parece valer a pena como podem ver nos vídeos disponíveis no Youtube: Kotor alpine coaster and cable car (Youtube)

Jantar em Banjalučki Ćevap

Como a primeira opção para jantar estava fora do baralho decidimos experimentar outro restaurante, o Banjalučki Ćevap. Era um pouco mais longe, mas pelo caminho fomos passando por alguns restaurantes que estavam abertos e que podiam ser opções se também encontrássemos a porta deste fechada. Contudo desta vez acertámos, não só estava aberto como havia mesas livres. O menu é bastante reduzido já que só há um prato e o que muda é apenas o tamanho, mas vale a pena vir aqui. O prato tradicional disponível é o cevapi, carne picada grelhada em forma de salsicha. Comemos cevapi em outros locais durante a viagem, mas o melhor foi daqui. Há 3 diferentes menus, um que traz 8 cevapi a 5 euros, ou 12 cevapi a 6.50 euros ou o maior com 16 cevapi a 7.50 euros. A carne vem acompanhada com couve branca picada, cebola roxa, um molho que penso ser sour cream e um pão que era absolutamente divinal.

Menu médio de cevapi no restaurante Banjalučki Ćevap

Nós pedimos o menu médio, com 12 cevapi, e cervejas para acompanhar. Acabou por este ser um dos pontos altos do dia especialmente depois dos momentos caricatos passados no lago Skadar e em Stari Bar. Fomos bem atendidos, a comida era deliciosa e a bom preço e no final acabámos a refeição com uma bebida tradicional Rakija (fotografia abaixo) que o empregado disse ser a ‘Sljvovica’ a preferida dele. Rakija revelou ser uma bebida bastante forte feita de ameixa, que lembra bastante o aguardente.

Bastou esta refeição para ficarmos logo bem mais satisfeitos e depois de uma noite bem dormida na Villa Kovacevik no dia a seguir de manhã estávamos prontíssimos para mais um dia. A manhã seguinte, depois de uma noite de chuva intensa, apresentava-se cinzenta, mas naquela altura sem chuva. No entanto este foi o dia mais murcho da viagem exactamente por causa do tempo, mas algum dia tinha de ganhar o prémio de ser o pior da semana.

Visita à igreja ortodoxa de St Jovan Vladimir

Antes de deixarmos Bar para trás quisemos fazer duas coisas, tomar o pequeno-almoço e visitar a igreja ortodoxa de St Jovan Vladimir de edifício imponente que nos tinha chamado a atenção no dia anterior. Saímos do nosso quarto eram 7 e meia e fomos logo para esta igreja que já tinha aberto há meia hora. A entrada para a visita é gratuita e mesmo àquela hora matinal já havia algum movimento.

Igreja ortodoxa St Jovan Vladimir

A primeira coisa que nos chamou a atenção foi o comportamento das pessoas quando chegavam à porta e depois no interior da igreja. À porta, ainda antes de entrar, benziam-se e davam um beijo e depois dentro da igreja faziam o mesmo ritual a cada estátua ou representação de santos. É obviamente uma religião que Deus protege porque não havia ali receios sobre COVID ou algo do género. E não pensem que é uma crítica, não é, talvez mais estranheza, já que em algumas das representações destes santos eram fotografias ou quadros cobertos por um vidro e neste vidro viam-se a marca de muitos lábios.

Quanto à catedral é tão ou mais bonita por dentro como por fora, as cores garridas de azul e de dourados são simplesmente espectaculares.

E esta catedral, igreja ou templo, como a queiram chamar tem uma história interessante por detrás da sua construção. A aprovação da catedral foi dada em 1991 depois de várias manifestações em Bar liderada pelo padre Bogić. Por entremeio, este padre lançou-se num protesto individual no qual passou três dias sem comer e sem beber. Agora o porquê destas manifestações? É que o primeiro pedido para a construção de um local de culto em Bar foi feito pouco depois do terramoto de 1979. No entanto naquela altura o governo de ideologia comunista não aceitou o pedido já que a religião era vista como um inimigo ideológico. Assim a igreja que hoje pode ser visitada é um símbolo de luta contra o estado, contra o sistema e importante símbolo de dedicação à religião ortodoxa em Bar. Há por isso muitas razões para incluir uma visita a esta igreja num itinerário em Montenegro.

Primeiro burek em Burekdzinica Fontana

Depois da visita à catedral estava na hora de irmos tomar o pequeno-almoço. Como em Montenegro ser-se montenegrino quisemos experimentar o pequeno-almoço tradicional, o famoso Burek. Burek é um folhado feito de massa filo que pode ter diferentes recheios, como queijo, carne, espinafres e até batata. E bureks foi talvez aquilo que acabámos por comer mais durante a viagem, de diferentes locais, em diferentes alturas do dia. Mas hoje íamos até ‘Burekdzinica Fontana’, um pequeno café junto ao mercado Zelena Pijaca que pelas muitas reviews era o melhor local para comer estes tais folhados.

Burek do Burekdzinica Fontana

Não tenho a certeza se este foi o melhor da viagem, mas a verdade é que enquanto aqui estivemos vimos locais a entrar, a sair, a sentar-se nas mesas, todos a comer o tal burek. Nós pedimos para beber limonada, já que não havia café, mas recusámos o iogurte. Contudo notámos rapidamente que é com o iogurte a forma mais tradicional de comer burek. No entanto, devo dizer que a limonada era deliciosa por isso não houve aqui qualquer arrependimento na escolha.

Próximo post

No próximo post vamos falar do que se sucedeu neste dia depois de deixarmos Bar e seguirmos pela costa com um desvio até ao parque nacional Lovćen e finalmente até à cidade mais conhecida de Montenegro, Kotor.

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A ruínas da cidade velha de Stari Bar e chegada a Bar

Conteúdo desta página

  1. Último post
  2. Stari Bar
    1. Na Cidade Velha de Stari Bar
    2. Obsessão pela romã montenegrina
  3. Bar
    1. Check-in em Villa Kovacevik 
      1. Quarto em Villa Kovacevik
      2. Saquetas de shampoo e gel de banho
  4. Próximo post

Último post

Na semana passada falámos da nossa chegada a Montenegro, da nossa recepção pela Europcar quando fomos buscar o carro e as várias paragens que fizemos à volta do lago Skadar. No post desta semana vamos continuar por este primeiro dia da viagem. Durante a tarde visitámos as ruínas da cidade velha de Stari Bar, parámos num dos muitos cafés da cidade e chegámos à nossa última localização do dia, Bar, a cidade junto à costa a sul de Stari Bar.

Stari Bar

Em Stari Bar iríamos centrar a nossa visita nas ruínas da cidade velha e ainda tentar avistar o aqueduto. Estacionámos a 10 minutos do centro da cidade, num parque de estacionamento ao lado de uma espécie de campo de futebol mesmo à entrada da rua Gretvanska Ulica. Decidimos parar o carro logo aqui para evitar qualquer complicação que já é esperada quando se tenta estacionar dentro de uma cidade, ou o estacionamento é extremamente caro ou está completamente lotado ou então é só caos.

Picture of the exterior side of the Škanjević mosque
Mesquita Škanjević

Para chegarmos ao centro de Stari Bar fomos subindo pela estrada até à mesquita Škanjević, mas só a podemos ver do lado de fora já que a mesquita, pelo menos àquela hora, estava fechada. Assim sendo, recuámos uns passos e passámos por debaixo de um arco de pedra para aquela que é uma das entradas para a cidade velha de Stari Bar. Pagámos os bilhetes que nos custou 5 euros a cada um e entrámos para aquele que é o maior local arqueológico medieval das Balcãs com mais de 600 edifícios em diferentes estados de conservação, que desde 2010 fazem parte do Património Cultural da UNESCO.

Na Cidade Velha de Stari Bar

Dentro das muralhas encontrámos igrejas, a citadela, a catedral de São Jorge ou o que resta dela, a torre do relógio que continua a ser um dos edifícios mais proeminentes desta cidade para além de outros locais mais da vida quotidiana como o ‘lapidário’ onde se cortava e manuseava a pedra. Apesar das primeiras evidências históricas serem do século X, calcula-se que a sua origem tenha sido por volta do século VI.

Picture of Stari Bar with the old city in the middle and the surrounding mountains
Stari Bar com destaque na cidade velha

O desenvolvimento da cidade de Stari Bar muito teve a ver com a sua localização a 151 metros acima do nível do mar e a 4km da costa. Não só os residentes de Stari Bar tinham uma boa visibilidade de quem quer que viesse na sua direcção como também uma das colinas a escondia da costa, protegendo-a de ataques de piratas. Estes factores associados a um clima ameno e fácil acesso a água doce contribuíram para que a cidade se desenvolvesse e se tornasse num local importante de comércio. Devido à distância da costa a sua actividade comercial não era associada à marítima, mas sim principalmente à da olivicultura. O azeite era o producto mais rentável, no entanto também os minerais como o chumbo, cobre, prata e outro extraídos das minas faziam parte deste comércio o que levou ao desenvolvimento e especialização do artesanato em Stari Bar.

Neste momento, devido ao seu estado de conservação, a cidade já não é habitável principalmente depois do forte terramoto de 1979 o qual provocou bastantes danos às estruturas da cidade velha. Felizmente desde então um projecto de conservação e reconstrução tem estado em curso de forma a preservar esta cidade.

Quanto a nós andámos bastante tempo pelas ruas empedradas da cidade a explorar vários edifícios havendo locais que nos prenderam mais a atenção como as ruínas da catedral de São Jorge construída no século XII e destruída numa explosão em 1881 quando esta fazia de mesquita e local de armazenamento de explosivos, a citadela onde pudemos ver o aqueduto através de uma das janelas e a torre do relógio. Esta torre tem um passado bastante conturbado que conta com ataques de canhão em 1877, a explosão de 1881 e três terramotos em 1905, 1968 e 1979.

Obsessão pela romã montenegrina

Durante a parte final da nossa visita à cidade velha tinha começado a chover e foi-se agravando de tal forma que quando saímos decidimos fazer uma pausa para beber qualquer coisa enquanto esperávamos que a chuva passasse. Mas digo-vos que há por vezes decisões que são mesmo mal tomadas, como foi a de escolher este local para ir tomar café. Fomos lá apenas porque à porta do estabelecimento Velja Vrata estava o dono que nos chamou para a rústica varanda coberta e acabámos por aceitar o convite.

Mas houve logo vários sinais de alarme que infelizmente ignorámos, o primeiro foi a cara de desapontamento quando o senhor se deu conta que afinal erámos estrangeiros o que se traduziu por uma mudança do tom de voz. Depois o meu marido pediu uma cerveja com sumo de romã que é bastante comum em Montenegro o que foi bem aceite, mas quando eu pedi um café foi óbvio que o pedido não foi do agrado do dono. Talvez fosse porque ele não sabia fazer o tal café já que esperou que a mulher chegasse à loja para ela o fazer.

Mas o pior foi que a cada 5 minutos ele vinha perguntar se eu queria sumo de romã, o que recusei de todas as vezes até que ele vem falar das romãs e eu puramente para fazer conversa estava para dizer que em Portugal as romãs fazem parte da tradição do Dia dos Reis, mas ele nem ouviu. Mal falei em Portugal cortou-me a palavra de forma bastante rude e começou a dizer que as romãs de Montenegro é que eram boas e que não queria saber das de Portugal ou das da Turquia. Bem depois deste episódio posso apenas dizer que não ficámos ali muito mais tempo. Mas ser rude deve fazer parte dele já que ele e a mulher também tiveram uma discussão bastante acesa enquanto ali estivemos. O meu conselho é que a menos que queiram beber sumo de romã não vão a este sítio. E ainda fiquei mais aborrecida quando depois de pagarmos os 6 euros pelo café e pela cerveja passarmos por bastante cafés e restaurantes com muito melhor aspecto.

Foi assim mais um episódio caricato neste dia em Montenegro depois do homem com a espingarda no lago Skadar (ler sobre este episódio aqui).

Bar

Quando chegámos a Bar, agora perto da costa e a sul de Stari Bar, chovia a potes. Com o tempo assim não havia nenhum programa melhor do que a de fazer o check-in em Villa Kovacevik onde iríamos passar a nossa segunda noite em Montenegro.

Check-in em Villa Kovacevik 

Para estacionar havia duas opções, nós escolhemos a mais barata. Então as opções eram: ou pagava-se pelo estacionamento que fica dentro da propriedade ou não se pagava estacionamento e deixávamos o carro na rua mesmo ao lado. Para dizer a verdade arranjar estacionamento foi bastante fácil e o carro ficou a menos de 50 metros da entrada para a Villa Kovacevik. O estacionamento pago ficava a 7 euros por dia, mas penso que o preço depende da altura do ano.

Igreja de St Jovan Vladimir em Bar

O check-in foi feito através do uso de códigos que nos foram enviados no dia pela acomodação no booking.com, a plataforma pela qual tínhamos feito a reserva: Villa Kovacevic em Bar (Booking.com). De códigos na mão e depois de estacionarmos o carro e nos resignarmos ao facto da chuva não ir parar fomos quase a correr para o quarto.

Quarto em Villa Kovacevik

A Villa Kovacevik é daqueles locais que no final se fica com uma mistura de opiniões. As primeiras, segundas e terceiras impressões do quarto não foram boas, mas no final da viagem foi onde dormimos melhor. Portanto, ainda continuo com opiniões contrárias em relação ao nosso quarto. E porquê?

Quando entrámos reparámos que o quarto era bastante pequeno. Depois quando nos começámos a acomodar reparámos que o ar condicionado não funcionava, a persiana da janela estava a desfazer-se já meio descaída como se tivesse desistido de existir, e o acesso ao wi-fi era uma espécie de ilusão, ora vinha ora ia, ora parecia que vinha, mas afinal não. No entanto, este foi a acomodação mais barata da viagem e por 25 euros não se podia pedir muito mais. E afinal como disse, passámos uma boa noite de sono. Acho que será mais problemático quando houver mais pessoas hospedadas porque cada vez que alguém entrava era uma barulheira, mas felizmente naquela noite só aconteceu três vezes e quando ainda estávamos acordados.

Para tomar banho também foi engraçado já que as toalhas de banho eram do tamanho de toalhas de mão. Mas o chuveiro tinha água quente que é um dos pontos mais importantes de qualquer sítio onde fique. Qualquer lugar que fique que me faça ou passar frio ou lavar-me com água fria perde-me de imediato.

Basicamente houve coisas boas e coisas más, mas em geral não digo para não ficarem aqui especialmente se estiverem a viajar com um baixo orçamento.

Saquetas de shampoo e gel de banho

Outra coisa da qual temos de falar é agora a mania de oferecerem shampoo e gel de banho em saquetas. Digo-vos já que não funciona, primeiro a quantidade de gel de banho não é suficiente para lavar o corpo todo. É suposto eu ter de decidir que metade do corpo vou lavar naquele dia? E segundo é que algumas destas saquetas são extremamente difíceis de abrir. Nada é mais triste e até vulnerável para um ser humano do que se ver todo nu dentro de um polibã à guerra com uma saqueta minúscula de shampoo.

É por já ter apanhado muitas destas, e até pior, que já tive em locais que gel de banho nem vê-lo que agora vou munida de shampoo, gel de banho, sabonete, creme de corpo e condicionador para o cabelo. Porque essa é outra, os shampoos dessas saquetas costumam tornar o cabelo numa espécie de esfregão de arame. Para não acabar cada viagem com falhas de cabelo agora vou munida com condicionador. E vá até vos deixem dizer que isto é coisas de mulheres, mas a verdade é que me senti muito presunçosa enquanto espalhava o creme de corpo que tinha trazido de casa depois de me limpar com uma toalha de mão. Se isto não é viver à grande também não sei o que é!

Próximo post

Acabo assim este post com esta frustração sobre tomar banho fora de casa. Na próxima semana vamos falar do que visitámos em Bar principalmente sobre a nossa introdução à culinária montenegrina😋

Vou também deixar aqui o link da angariação de fundos que está agora a decorrer para a organização SPCA International. Se puderem ajudem até porque a mais pequena quantia conta 🙏

O link directo para a angariação de fundos é o seguinte: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/

Podem também doar dinheiro directamente a uma das organizações que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias espalhados pelo país como esta da qual agora sou doadora: Stray Aid Montenegro

Roteiro de viagem em Montenegro: Podgorica e Lago Skadar

Conteúdo desta página

  1. Em Podgorica
    1. Apartmentos Aerodrom
    2. Aluguel do carro
  2. No lago Skadar
    1. Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’
    2. Rijeka Crnojevića
    3. Segundo ponto panorâmico (não o planeado)
    4. Terceiro ponto panorâmico (também não o planeado)
    5. Virpazar
  3. No próximo post

No último post, o primeiro sobre Montenegro, falámos de algumas das particularidades que é visitar este país tal como de sugestões para melhor se estar preparado para ele. Neste post, começamos com a chegada a Montenegro e a primeira parte do primeiro dia desde o aeroporto de Podgorica onde fomos buscar o carro alugado – experiência essa da qual também vou falar – até ao Lago Skadar e as suas bonitas aldeias.

Em Podgorica

Aterrámos em Podgorica já depois das 9 da noite. Voámos com a Ryanair mas não à hora inicialmente marcada. A nossa ideia era chegar a Podgorica de manhã para aproveitarmos o dia, mas fomos informados pela Ryanair da mudança de horários umas semanas depois de marcarmos os bilhetes. Felizmente ainda não tínhamos marcado nenhum dos alojamentos ou esta alteração teria causado algum transtorno.

Aeroporto de Podgorica

O aeroporto de Podgorica é bastante pequeno e foi uma sorte não estar cheio quando chegámos. E muito menos encontrámos máquinas automáticas de leitura de passaportes. Recebemos o carimbo no passaporte à saída, o qual para nós foi uma surpresa, mas felizmente o processo passou-se sem grandes filas ou frustrações. Digo isto porque ainda antes de partir vi alguns vídeos de verdadeiro caos nos aeroportos de Montenegro durante o verão. O que pelo tamanho deste aeroporto é fácil de perceber o porquê.

Apartmentos Aerodrom

O alojamento daquela noite não ficava muito longe do aeroporto, mas como ainda era meia hora a andar e já era de noite cerrada para além do mais àquela hora não havia transportes públicos que nos valessem, aceitámos a proposta do alojamento – a de nos virem buscar ao aeroporto por 10 euros. Se foi caro, já que foi uma viagem de 5 minutos? Sim talvez foi, mas foi a melhor e mais rápida opção disponível.

Depois de fazermos o check-in e de ficarmos a saber que tínhamos pequeno-almoço incluído com a reserva, entrámos no nosso apartamento. O apartamento ficava num edifício individual com direito a uma pequena varanda e jardim. O apartamento era constituído por uma cozinha, uma casa-de-banho e pela cama na zona que fazia de quarto. Tudo muito limpo, remodelado, e bem decorado. Como tinha estado a chover, infelizmente não conseguimos dar um uso apropriado à zona exterior, mas da parte interior podemos dizer que era muito confortável. Esta é certamente uma das nossas recomendações para ficar em Podgorica.

Durante a noite a única parte que não esteve do meu agrado foi o frigorífico que fazia um barulho ensurdecedor, o que se resolveu com uma rápida manobra que consistiu em tirar a ficha da tomada. De resto, não tive queixas e na manhã seguinte bem cedo estávamos prontos para o pequeno-almoço no edifício do restaurante onde tínhamos feito o check-in na noite anterior.

O pequeno-almoço seguiu uma dieta mediterrânea com um pratinho de azeitonas verdes e sumarentas, fatias de queijo de cabra e omeletes que eu pedi de queijo e o meu marido de vegetais que dividimos entre os dois.

Aluguel do carro

Depois do pequeno-almoço e antes do check-out fomos buscar o carro alugado ao aeroporto. Como partimos antes das 8 e meia conseguimos ir buscar o carro e voltar antes da hora do check-out às 11. Assim evitámos andar com as malas atrás, porque hoje sim íamos fazer o caminho entre o apartamento Aerodrom e o aeroporto a pé.

O nosso carro alugado através da Europcar

Agora sobre o carro. Decidimos alugar aquele que seria o nosso meio de transporte em Montenegro pela companhia Europcar. Já a tínhamos usado em outras viagens e vendo as classificações das companhias disponíveis foi esta a nossa escolha. Não fizemos a reserva directamente no website da Europcar, mas através da Trip.com. E desta vez, ao contrário do nosso usual, comprámos também um seguro contra todos os riscos (full protection) já que lendo sobre Montenegro uma das maiores aventuras é conduzir. Mas houve um erro da nossa parte, porque para este ser válido tínhamos de apresentar um cartão de crédito, o qual não tínhamos, e os cartões de débito não eram aceites. E sim, esse foi erro nosso, não lemos bem as condições deste seguro e em Montenegro é obrigatório ter-se um seguro. Agora o que não é obrigatório é que esse seguro seja contra todos os riscos, mas sim um seguro contra terceiros. No entanto, não foi isto que nos foi dito na Europcar, aliás nem houve opção – ou adquiríamos o full protection da Europcar ou então não havia carro. Sabem quanto é que esta brincadeira nos custou? Mais de 300 euros para além do depósito. É que não houve mais nenhuma opção de valores, de tipos de seguros, de nada. E esta foi a primeira vez que fomos enganados em Montenegro. Bem-vindos ao nosso mundo dos pagamentos desnecessários em Montenegro.

E o mais engraçado é que tivemos de pagar pelo estacionamento do carro no aeroporto. Deviam ver as nossas caras quando entregámos o papel que nos tinham dado na recepção da Europcar e nos pedirem 3 euros pelo estacionamento. E sim, perguntei quando entregámos o carro se esse era o procedimento para receber um sim e uma espécie de sorriso sarcástico do empregado da Europcar. A única coisa boa de tudo isto é que nos devolveram o depósito logo depois de entregarmos o carro. Mas provavelmente foi só porque tínhamos o seguro contra todos os riscos. E claro que este episódio fez com que a viagem começasse de uma maneira mais azeda.

No lago Skadar

Depois de voltarmos ao apartamento para ir buscar as malas e de check-out feito seguimos em direcção ao sul, ao lago Skadar que faz parte de 1 dos 5 parques nacionais de Montenegro. Este parque nacional, o parque nacional do lago Skadar, foi criado no final do século XX com o objectivo de preservar e proteger o habitat natural incluindo a fauna e a flora. Este lago é o maior das Balcãs e o segundo maior da Europa ocupando uma área que varia entre os 370 e os 530 km e faz parte de 2 países, Albânia e Montenegro, sendo que 2/3 do lago está do lado montenegrino. Este lago tem-se tornado cada vez mais procurado especialmente por amantes da observação de pássaros já que este é o habitat de cerca de 270 espécies algumas delas raras como é o caso do pelicano-caranguejo.

Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’ do lago Skadar

Em relação ao turismo, a actividade mais procurada nesta zona é a viagem de barco que explora as águas do lago. Nós decidimos não fazer esta viagem e sim foi uma decisão tomada depois de ser ponderada, discutida e mutualmente acordada. Achámos que poderíamos usar o dinheiro da viagem para outras experiências, e de qualquer das formas iríamos parar em vários miradouros onde teríamos diferentes paisagens do lago.

Os preços das viagens de barco variam bastante, mas pelos preços que vimos os valores rondam os 70-80 euros, o que não tenho a certeza se era por pessoa ou por barco. No entanto, se quiserem fazer esta viagem podem sempre procurar excursões no GetYourGuide que ficará muito mais em conta comparado com os valores que vimos nas duas vilas por onde passámos, Rijeka Crnojevića e Virpazar. Mas digo que não me arrependo de não ter feito a viagem de barco, apesar de acreditar que é uma experiência bonita.

Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’

Este foi o primeiro lugar onde parámos para ver o Lago Skadar. O ponto panorâmico fica mesmo em frente ao restaurante Konoba Ceklin. Neste ponto consegue-se ver as montanhas ao fundo e uma das muitas curvas deste lago com pequenas ilhotas a espreitarem nas águas calmas. Há aqui um pequeno parque de estacionamento gratuito não havendo qualquer razão para não parar aqui e desfrutar a paisagem.

Rijeka Crnojevića

Depois desta rápida paragem fomos visitar uma das pequenas vilas piscatórias deste parque nacional, Rijeka Crnojevića. Apesar de pequena, esta aldeia tem um valor histórico imenso. Devido ao seu clima ameno quase sempre sem vento, uma das mais famosas dinastias montenegrinas, Petrović-Njegoš, que governou o país entre 1697 e 1918, estabeleceu aqui uma das suas residências de Inverno. Esta zona era particularmente favorecida pelos príncipes Danilo e Nikola. O príncipe Danilo mandou construir a bonita ponte que atravessa o rio em 1853, um dos pontos que nos fez vir visitar esta aldeia, enquanto que o príncipe Nikola mandou construir a ponte que liga esta aldeia a Virpazar já mais tarde em 1905. Rijeka Crnojevića não era só um dos locais favoritos dos seus governantes como durante o século XIX e início do século XX era o local mais importante desta zona para o comércio tendo sido aqui aberta a primeira farmácia do país.

Rijeka Crnojevića (com a ponte de Danilo ao fundo)

Hoje em dia a aldeia pode ser visitada, mas talvez por virmos num dia de semana cedo e ainda por cima em meados de novembro, não podemos dizer que a vila estava movimentada, muito pelo contrário. Contudo isto fez com que estacionar dentro da aldeia fosse fácil e que pudéssemos andar pelo passadiço junto às águas e visitar a ponte velha (também conhecida como ponte de Danilo em memória ao príncipe) sem multidões. Na verdade, o que mais se viu foram as ofertas das tais viagens de barco. Em relação a estas pareceu-nos que os preços nesta aldeia eram mais elevados do que os de Virpazar talvez por Rijeka Crnojevića se localizar numa zona menos central do lago. Não obstante, para quem gosta de bonitas paisagens e pitorescas aldeias, Rijeka Crnojevića é um local perfeito para visitar no lago Skadar.

Rijeka Crnojevića

Foi em Rijeka Crnojevića que nos começámos a aperceber da grande quantidade de gatos abandonados nas ruas, apesar de nesta altura não sabermos bem se eram abandonados ou se tinham dono, mas eram deixados a andar livremente pela aldeia. Infelizmente depois da minha experiência em Montenegro a primeira opção é a mais provável.

Segundo ponto panorâmico (não o planeado)

O ponto panorâmico que tínhamos no nosso itinerário chama-se no Google Maps ‘Beautiful Panorama of Rijeka Crnojevića’. Quando estávamos prestes a chegar a este ponto encontrámos um sinal junto a uma casa de onde saiu um senhor. Então o que se passava? Para visitar o tal ponto panorâmico era preciso pagar. O senhor deu várias opções se não estou enganada era 2 euros para ir até ao ponto panorâmico e se quiséssemos um licor qualquer eram 5 euros. Ou qualquer coisa assim parecida, eu confesso que o meu cérebro desligou no momento em ele disse que tinha de pagar para ir a um ponto panorâmico. E acho que a minha cara traduzia isso mesmo já que no final o senhor acabou por me aconselhar voltar à estrada de onde tínhamos vindo e parar junto a um banco de madeira no cimo de um morro já que a paisagem dali seria semelhante.

Ponto panorâmico (junto ao banco de madeira) do lago Skadar

E foi exactamente isso que fizemos. Não há razão nenhuma para ter de pagar por um ponto panorâmico. Eu percebo que provavelmente o caminho atravessa propriedade privada, mas há outras opções, muitos lugares onde se pode parar pelo caminho para ver a paisagem sem ter de gastar dinheiro.

Para chegar ao ponto panorâmico onde fica o tal banco de madeira podem procurar:

  • Pelas coordenadas: 42.345700339198864, 19.047305618994525
  • Pelo endereço no Google Maps: 82WW+7VH, Municipality, Cetinje, Montenegro

A paisagem deste ponto panorâmico foi realmente uma das mais bonitas que vimos, por isso vale a pena parar aqui.

Terceiro ponto panorâmico (também não o planeado)

Esta foi uma das situações mais caricatas que tivemos em Montenegro. O ponto onde queríamos ir chama-se ‘Poselijani-vandfaldet’ onde supostamente há uma cascata, uma ponte antiga e algumas casas. Mas afinal a estrada para onde tínhamos de virar tinha o símbolo de trânsito proibido. Para decidirmos o que fazer a seguir parámos o carro junto ao ‘monumento ai caduti’.

Um dos muitos pontos panorâmicos do lago Skadar

Do outro lado deste monumento estava parado outro carro com um homem sentado ao volante a ouvir rádio. Estávamos prestes a sair do carro para irmos à tal cascata a pé (o que é preciso fazer de qualquer das formas) quando o homem desliga o rádio, sai lentamente do carro, vai à parte de trás e tira uma espingarda. Em seguida senta-se com ela ao colo no degrau do monumento. Realmente tínhamos passado por vários caçadores durante o caminho, muitos deles sentados à beira da estrada, e sendo o meu pai, o meu sogro e o meu avô caçadores de caça pequena sei bem que a caça em Portugal acontece aos domingos e às quintas-feiras. Suponho que o mesmo aconteça em Montenegro. Contudo, aquele movimento não nos pareceu muito amigável, aliás foi bastante ameaçador, o homem sentado ao nosso lado de espingarda no colo e não é preciso explicar porque nos fomos embora sem sequer sair do carro. Se aquilo era um aviso, o aviso tinha sido dado.

Acabámos por não visitar a cascata, parámos mais à frente numa bifurcação da estrada principal para ver a paisagem, tirar a fotografia obrigatória, e tentarmos perceber o que raio se tinha acabado de passar.

Virpazar

Chegámos a Virpazar por volta do meio-dia e esta seria a última paragem no lago Skadar antes de irmos para sul em direcção a Stari Bar. Virpazar é uma das aldeias/vilas mais conhecidas da zona. Até porque é normalmente de Virpazar que as pessoas apanham o barco para visitar o lago. No final, nós passámos aqui menos tempo do que o esperado. Apesar do movimento naquele dia ser reduzido pareceu-nos este ser um local bastante turístico com vários restaurantes, postos de turismo e barraquinhas a publicitar as tais viagens de barco. Isto apenas para dizer que não achei Virpazar nada de especial. Demos uma volta pelo centro onde se encontra o monumento que comemora a revolta dos montenegrinos que começou a 13 de julho de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, e que resultou na libertação da cidade em 12 dias.  

Para além deste monumento também demos alguma atenção à paisagem sobre o lago onde várias canoas de madeira, algumas de aspecto mais rústico, pousavam nas suas águas.  Como não havia muito mais para ver voltámos para o carro e subimos Virpazar até outro ponto panorâmico (viewpoint Skadarske Jezoro). Ainda tentámos visitar a fortaleza de Virpazar, Tvrđava Besac, mas como no seu interior encontra-se agora um restaurante e uma loja que penso ser de recordações é preciso pagar para visitar a fortaleza. Com um tom educado, agradecemos a senhora que nos recebeu, mas rejeitámos a visita. E aqui tenho a certeza de que não me arrependo ter poupado alguns euros.

E deixando Virpazar para trás acabava assim a nossa visita ao bonito parque nacional onde se encontra o lago Skadar. Para chegar a Stari Bar apanhámos a M2, a autoestrada, cujo troço teve um custo de 2.50 euros que foram pagos à saída das portagens. Há uma estrada regional sem portagens, mas quando nos demos conta já estávamos na autoestrada e deixámo-nos ficar. Assim o caminho também foi mais rápido e antes das 2 da tarde já andávamos a passear pelas ruínas da cidade velha de Stari Bar.

No próximo post

Depois das primeiras horas em Montenegro, horas essas onde muito se tinha passado, entrámos assim na segunda parte deste dia. Visitámos as ruínas de Stari Bar, tivemos um encontro um pouco desagrável com um aficionado por sumo de romã (sim, é mesmo isso) e fizemos o nosso check-in em Bar (Villa Kovacevik). Para acabar o dia fomos jantar a um restaurante bastante tradicional onde experimentámos ćevapi (uma espécie de salsicha feito com carne picada).

P.S. Durante as semanas em que estou a falar sobre a nossa viagem em Montenegro estou a angariar fundos para a SPCA International, uma das muitas organizações que fazem um trabalho maravilhoso em ajudar animais abandonados.

O link para doações (as quais serão muito agradecidas) é o seguinte: https://www.facebook.com/donate/1528104408407321/26285399937729841/

Alternativamente podem tornar-se membros da organização montenegrina Stray Aid Montenegro e doar para esta organização que tem o objectivo de ajudar animais abandonados e dar-lhes um lar em Montenegro: https://strayaidmontenegro.be/

Montenegro

Conteúdo desta página

  1. Visitar Montenegro
  2. Particularidades do turismo
  3. Língua
  4. Gastronomia local
  5. Condução
  6. Animais
  7. Itinerário de uma semana (com mapa)

Visitar Montenegro

Nos últimos anos Montenegro tem sido um dos países que tem ganho popularidade como destino de férias. É um país pequeno, sim, mas tem imenso para oferecer, desde praias, a cidades medievais, a parques nacionais que fazem lembrar os Dolomitas em Itália. A parte mais conhecida de Montenegro é Kotor, uma cidade onde vários navios de turismo param todos os dias, dando a conhecer aos seus hóspedes uma das cidades medievais mais bem conservadas do mundo e parte do Património Mundial da UNESCO. No entanto, nós quisemos mais, quisemos ficar a conhecer as várias partes do país e foi por isso que marcámos uma semana de férias – sábado a sábado – e alugámos um carro para nos deslocarmos à vontade por Montenegro.

Kotor

Decidimos ir em novembro, que é a altura do ano em que chove mais, mas mesmo assim só apanhámos um dia com chuva, tendo no último dia até andado de manga curta pelo meio das ruas da capital, Podgorica. Mas tivemos de tudo, desde chuva, a bom tempo, a temperaturas amenas a temperaturas negativas. Em cada parte do país foi uma espécie de miniférias dentro das férias, tal era a diferença de cada experiência. Montenegro revelou-se um país bem mais surpreendente do que aquilo que esperava, para os ambos os lados, tanto para o lado positivo como para o lado negativo. Uma semana foi o tempo certo para ficar a conhecer este país e apesar da probabilidade de mau tempo, vir em novembro foi uma das melhores decisões que fizemos, já que os vídeos que vimos dos aeroportos e estradas durante a altura do verão eram de desespero e frustração. E percebe-se porquê – um país tão pequeno e ainda em desenvolvimento tem que forçosamente apresentar certas dificuldades perante o turismo desmedido. Também tínhamos lido que os locais por vezes mostravam algum desdém pelos turistas, que alguns até tinham sido maltratados, e sim conhecemos pessoas um pouco mais carrancudas, mas também conhecemos pessoas muito, mas muito simpáticas.

Bolos que a senhoria em Žabljak nos deu quando chegámos ao nosso apartamento no final da tarde como agradecimento por termos limpo a salamandra naquela manhã

Passámos por algumas situações caricatas, das quais irei falar nas próximas semanas que tornou esta viagem ainda mais memorável. Eu suma, se aconselho a visitar Montenegro? A resposta é imediata: claro que sim, mas venham preparados para surpresas.

Particularidades do turismo

Aeroporto

O aeroporto mais conhecido de Montenegro é o de Tivat, devido à sua localização perto de Kotor e, portanto, da costa. Curiosamente, a partir de outubro, não há voos de Londres para Tivat e não tivemos outra escolha senão voar para Podgorica, a capital de Montenegro. Para nós, ter apenas uma escolha não teve nenhum impacto já que tínhamos flexibilidade para ajustar o nosso itinerário.

Chegada ao aeroporto de Podgorica

Para entrar no país foi preciso mostrar passaporte uma vez que Montenegro não pertence à União Europeia. E foi assim que tive pela primeira vez um carimbo no passaporte. Mesmo quando fui ao Alasca e a Vancouver não tive direito ao carimbo, por isso esta foi a primeira surpresa da viagem. Voar com apenas o cartão de identificação, como o cartão de cidadão, não é suficiente para visitar Montenegro, sendo mesmo necessário o passaporte.

Taxa de turismo

Só fiquei a saber sobre esta taxa quando já estávamos em Kotor, isto na terceira noite em Montenegro. Esta taxa é obrigatória e tem um custo de 1 euro por pessoa por dia ou 50 cêntimos se for uma criança até 12 anos. Em muitos dos locais esta taxa é chamada de ‘city tax’ e deve ser cobrada pelo alojamento. Tal como os donos do alojamento devem completar um documento com os dados pessoais dos hóspedes incluindo a duração da estadia e depois submeter este documento às autoridades. Se isto não acontecer o problema pode aparecer à saída do país na forma de uma multa. Há duas partes desta regra, a primeira é ser obrigatório avisar as autoridades até 48 horas depois de se entrar no país e a segunda é fazê-lo de cada vez que se muda de alojamento, o que para nós era basicamente todas as noites. Ao descobrirmos estas regras entrámos em contacto com os donos dos locais onde tínhamos ficado nas noites anteriores e felizmente estava tudo conforme a lei. Como fizemos as reservas no booking.com assumimos que estas burocracias tivessem sido feitas de acordo com o esperado, mas para quem faça as reservas através do Airbnb ou em caso de se ficar em casa de amigos ou familiares é preciso verificar qual o processo de forma a evitar problemas. Se isto não for feito pelo alojamento, aos olhos da lei a própria pessoa é responsável pelo pagamento desta taxa de turismo o que pode ser feito indo às autoridades ou a um balcão de turismo. Apesar de ter lido que as autoridades muitas vezes têm a atitude de não quererem saber e que na maioria das vezes isto não é verificado no aeroporto, é melhor prevenir do que pagar 200 euros no final da viagem. O que seria uma maneira desagradável de acabar as férias.

Multibancos

A verdade é que a maior parte dos restaurantes e dos locais que visitámos aceitavam pagamento com cartão de débito. No entanto, nos locais onde ficámos hospedados, em algumas padarias e nas entradas para os parques nacionais, os pagamentos tinham de ser feitos a dinheiro. O meu conselho é que tentem evitar fazer múltiplos levantamentos e quando o fazem levantem uma soma considerável que vos dê para grande parte da viagem. Isto porque os multibancos cobram uma taxa de levantamento que vai desde os 4.95 euros até aos 6-7 euros. E esta taxa é cobrada por cada levantamento. Acho que no total nós fizemos 3 levantamentos, um quando chegámos, outro em Kotor e outro já no penúltimo dia da viagem em Gusinje. E apesar de termos andado a ver qual era o multibanco que cobrava uma taxa menor, não vimos nenhum que não a cobrasse.

Língua

As origens da língua oficial de Montenegro, o montenegrino, estão intrinsecamente ligadas com a história do país. Montenegro ganhou a sua independência do estado Servo-montenegro depois do referendo de 2006, estado esse que se tinha formado quando a Iugoslávia se dissolveu em 1989. Curiosamente, Montenegro já tinha sido independente no século passado, mas em 1920 foi-lhe renegada a independência pelos países europeus e pelos Estados Unidos da América. Em 2006, o montenegrino passou a ser a língua oficial, esta que é quase como um dialecto do sérvio. Por isso para quem fala sérvio é perfeitamente entendido em Montenegro. Apesar de menos faladas, as seguintes línguas também são reconhecidas em Montenegro: o albanês, o bósnio e o croata.

Entrada para a cidade velha de Kotor, uma das zonas mais turísticas do país

Claro que eu não sei falar montenegrino, nem sérvio, e apesar de quase sempre puder usar o inglês como língua de comunicação houve algumas situações em que tivemos de usar o Google Tradutor para nos ajudar a comunicar. No entanto, tinha estudado um pouco de sérvio, apenas o básico tipo ‘bom dia’ ‘boa tarde’ ‘obrigado’ que apesar de ser pouco, acho que foi em algumas situações recebido de bom grado. Pelo menos tínhamos feito um pequeno esforço. Mas como disse, na maior parte dos sítios pudemos falar em inglês, principalmente nos restaurantes.

Para quem gosta também de aprender o pouco a língua local antes de viajar, para aprender sérvio usei a aplicação ‘Ling’ que para palavras e frases básicas o acesso é gratuito.

Gastronomia local

Eu confesso que uma das razões que me faz adorar viajar é puder experimentar as diferentes gastronomias locais. E em Montenegro o meu lado mais‘foodie’ foi bastante apaparicado. Em cada região há diferentes pratos tradicionais; mais centrado em peixe e marisco na parte junto à costa e mais em carne e lacticínios na zona das montanhas.

Burek, o pequeno-almoço tradicional de Montenegro

E apesar de não termos experimentado tudo o que queríamos, a verdade é que aproveitámos cada refeição para comer pratos típicos de Montenegro. Para dizer a verdade, mesmo que os dias não corressem da melhor maneira, por uma ou outra razão, a verdade é que o jantar voltava a pôr tudo nos eixos. Desde burek (massa filo recheada com queijo, batata ou espinafres) a risoto de choco a sopa de veado a cevapi (carne picada em forma de espetada servida com pão, salada e sour cream), tudo foi delicioso. Houve também oportunidade de experimentar vários doces e bebidas regionais. E aliás, foi em Montenegro que comi o melhor prato de massa da minha vida – e já comi massa várias vezes em Itália!

Prato de massa do La Cathedral Pasta Bar em Kotor

Os preços das refeições também foram bastante razoáveis, os burek não foram mais do que 3 euros e os jantares variaram entre 16 a 50 euros para duas pessoas. A refeição mais cara foi no parque nacional de Durmitor onde comemos uma espécie de guisado de borrego seguido de sobremesa e aperitivos. Os pormenores de todos os restaurantes, padarias e pastelarias onde comemos serão mencionados à medida que vou escrevendo sobre os vários dias que passámos em Montenegro.

Condução

Parece que sem querer deixei as partes que tiveram um maior impacto para o fim da lista. E conduzir em Montenegro é realmente uma experiência, uma espécie de jogo de sobrevivência sem regras e sem nexo. As regras na estrada são sugestões, não obrigações – esta foi a frase que definiu a nossa experiência nas estradas de Montenegro. Desde inversão de marcha em cima de passadeiras, de carros a buzinarem a pessoas que atravessavam a passadeira com o sinal verde, de ultrapassagens que faziam os carros que vinham do sentido inverso terem de se desviar para a berma, tudo se viu. E nem vale a pena mencionar que os montenegrinos têm uma aversão a conduzir do lado deles da estrada – e mais, quando vêm um carro na direcção deles que está na faixa correcta nem sequer fazem um esforço para se desviarem – se os outros estão incomodados que se mudem eles.

Rota cénica no parque nacional de Durmitor

Em cada curva, cada estrada apertada era sempre uma expectativa – mas apesar de ter havido vários sustos a verdade é que felizmente não tivemos grandes problemas. E no final só vimos um acidente, na serpentina em Kotor, uma estrada que é feita de curvas e contracurvas umas atrás das outras bastante apertadas. Por isso suponho que a condução se chame de caos organizado, em que eles têm enraizados as suas próprias regras. Outra coisa a apontar é os sinais de velocidade, pode-se passar de 30km/h para 70km/h depois para 50km/h depois para 70km/h e depois para 20km/h em apenas um pequeno trecho de poucos metros. E até vimos numa das estradas dois sinais juntos um de 50km/h e outro de 70km/h. Suponho que a velocidade era à escolha do condutor. Vimos também muitas paragens stop da polícia e fomos avisados algumas vezes de que a polícia patrulhava aquela zona pelo sinal de luzes feitos pelos carros que vinham no sentido contrário. Um sinal mundialmente reconhecido. Ou seja, conduzir é Montenegro não é para todos e muito menos para quem tem pouca experiência. Pode levar a alguns ataques de coração.

Animais

Esta foi a parte que mais me traumatizou e a que ficou comigo até hoje e penso que vá ficar por muito mais tempo – o número de animais abandonados que encontrámos em todas as partes do país. Em Kotor, foram mais gatos abandonados, enquanto no resto do país foram cães. E para quem tem uma adoração por cães como nós, acreditem que vêm de coração partido. Montenegro sendo um país ainda em desenvolvimento está bastante atrasado em termos de protecção dos animais – não há canis e as organizações que há, vivem apenas de donativos, há uma aversão à esterilização dos animais, já que há uma cultura enraizada de que este processo vai contra a natureza, e não há qualquer punição para os donos que abandonem os seus animais. Há imenso trabalho a fazer nesta área e a quantidade de cães a sofrer e a passar fome é destruidora.

Um dos cães abandonados que nos acompanhou pelo parque nacional de Durmitor

Em alguns locais os cães vivem na rua em grandes grupos como vimos no parque nacional de Durmitor, mais especificamente no Lago Crno e depois em Gusinje no parque nacional de Prokletije. Mas pelo caminho, vimos muitos cães abandonados no meio do nada, vimos em Podgorica uma cadela com 3 pernas que tinha um pequenito escondido atrás de um caixote do lixo. E os cães que encontrámos eram todos tão meiguinhos, a pedir mimos, a pedir uma casa. Um dos episódios que mais me marcou foi em Durmitor quando um cão que veio pedir festas no início do caminho, quase nos saltou para o colo quando estávamos para ir embora, a agarrar os nossos braços com as patas e a ganir. A pedir para lhe darmos um lar. Acreditem que é difícil desiludir uma pessoa, mas agora desiludir um cão a sensação é muito, mas muito pior. Também em Gusinje conhecemos um cãozinho que andava atrás de nós. Aí tive mesmo de ir comprar comida para lhe dar, o meu coração não conseguia mais lidar com isto. Depois de voltar a Inglaterra contactei o dono do local onde tínhamos ficado em Gusinje para saber se havia alguma coisa que se pudesse fazer tal como doar comida, tentar encontrar uma casa para o cão. Felizmente o dono do sítio onde ficámos assegurou-me que ele próprio lhe dá comida 3 vezes ao dia e que na altura do inverno o cão dorme dentro de casa. Mas nem todos têm esta protecção.

População de gatos de rua em Kotor a serem alimentados por uma local

Também em Kotor ouvimos uma senhora a dizer enquanto dava comida aos gatos que ao contrário do que se pensa, as pessoas não cuidam nem alimentam os gatos abandonados. Apesar de estes animais serem uma ‘imagem’ da cidade, a verdade é que não há muitas pessoas a cuidar deles. Os gatos foram trazidos para Kotor para ajudar na eliminação de ratos, um problema que estava a assaltar a cidade, mas hoje em dia, há uma criação desmedida de gatos pela cidade, sem leis para os protegerem.  

E é por isto que já comecei a doar dinheiro mensalmente para uma das organizações que tentam salvar o maior número de animais abandonados em Montenegro e dar-lhes uma casa. Se puderem, peço-vos que façam o mesmo, nesta ou em outra instituição: https://strayaidmontenegro.be/

E também é por isto que durante as semanas de que estarei a falar de Montenegro estarei a angariar dinheiro para SPCA international que ajuda também a organização em Montenegro. Se puderem dar nem que seja 1 euro, já estão a fazer a diferença. Para fazerem o vosso donativo vão ao meu perfil pessoal do Facebook: https://www.facebook.com/donate/1528104408407321/26285399937729841/

Eu farei um donativo por cada post que fizer sobre Montenegro neste blog para a SPCA international. Porque cada animal merece amor, respeito e uma vida sem medo de rejeição.

Itinerário de uma semana (com mapa)

Todos os detalhes da nossa viagem a Montenegro ficarão disponíveis nas próximas semanas. No entanto deixo aqui o mapa geral seguido do esqueleto do nosso itinerário.

Dia 1

  • Aterrar e dormir em Podgorica (check-in no Apartment Aerodrom)

Dia 2

  • Pequeno-almoço no Apartament Aerodrom
  • Explorar Lake Skadar – parámos em Rijeka Crnojevića e em Virpazar. Pelo caminho fomos também parando em certos locais panorâmicos (sugestões e dicas serão fornecidas no relevante post)
  • Visitar a cidade velha de Stari Bar
  • Dormir em Villa Kovacevik em Bar
  • Jantar em Banjalučki Ćevap

Dia 3

  • Visitar em Bar a igreja de St Jovan Vladimir
  • Pequeno-almoço em Burekdzinica Fontana (burek)
  • Visitar Sveti Stefan e o mosteiro Praskvica
  • Visitar o mosteiro em Cetinje e o mausoléu Njegoš (este último estava fechado devido ao mau tempo)
  • Check-in em Kotor (apartmento Palata Bizanti)
  • Visitar a cidade velha de Kotor (incluindo a igreja de São Nicolau, a igreja de São Lucas e a igreja de São Pedro de Cetinje)
  • Jantar no restaurante La Cathedral Pasta Bar

Dia 4

  • Subir a fortaleza de Kotor
  • Visitar a catedral de São Trifão em Kotor
  • Passear pelas ruas da cidade velha de Kotor
  • Parar na pastelaria Senso Kotor para provar o bolo tradicional – Krempita
  • Passear pelas muralhas de Kotor
  • Voltar ao parque nacional Lovcén para visitar o mausoléu Njegoš
  • Parar no ponto panorâmico Monte 1350 Bar
  • Visitar a cidade velha de Budva
  • Check-in em Perast (Apartments Jovanovic)
  • Jantar no restaurante Armonia

Dia 5

  • Pequeno-almoço no café Šijavoga
  • Visitar a ilha Lady of the Rocks (Senhora das Rochas)
  • Parar no ponto panorâmico do lago Slano
  • Visitar o mosteiro ortodoxo de Ostrog
  • Parar perto do lago Vražje (lago do diabo)
  • Check-in em Žabljak (apartamento Duke)
  • Jantar no restaurante O’ro

Dia 6

  • Pequeno-almoço de uma pequena padaria (Pekara) em Žabljak
  • Fazer o trilho à volta do lago Crno no parque nacional de Durmitor e explorar arredores
  • Subir o pequeno trilho para o ponto panorâmico de Ćurevac
  • Jantar no restaurante O’ro em Žabljak

Dia 7

  • Pequeno-almoço da Pekara de Žabljak
  • Parar na ponte Tara e fazer o zipline que atravessa o desfiladeiro
  • Conduzir até à vila de Gusinje no parque nacional de Prokletije
  • Check-in no Kula Nekovica
  • Visitar as nascentes de Ali Pasha
  • Visitar a cascata Grja
  • Jantar no restaurante Alipašini izvori

Dia 8

  • Pequeno-almoço no Kula Nekovica
  • Conduzir até Podgorica
  • Visitar a cascata de Niagara e a zona em redor
  • Explorar o grande parque Gorica na cidade de Podgorica
  • Visitar o templo ortodoxo da Resurreição de Jesus
  • Passear pelo parque Kraljev
  • Jantar no Gyros by Rumi
  • Apanhar o avião de volta para casa no aeroporto de Podgorica

Espero que todos os pormenores da nossa viagem vos sejam úteis para preparar a vossa até Montenegro. Tudo neste blog durante as próximas semanas.

Viagens de 2025

Ao chegar ao final de 2025, é tempo de rever as viagens que partilhámos neste blog ao longo dos últimos 12 meses. No total, escrevemos sobre 3 países e sobre 14 diferentes locais! Para 2026, só pedimos: mais viagens, mais experiências, mais memórias❤️✈️.

Inglaterra