Locais históricos em Marselha: catedral, porto e castelo

Conteúdo desta página

  1. A chegada a Marselha
  2. Começo do primeiro dia
  3. Catedral de Marselha (Cathédrale la Major)
  4. Porto velho de Marselha (vieux port de Marseille)
  5. Castelo de If
    1. Companhias de barcos
    2. A visita ao castelo
    3. Ligação entre o livro ‘O Conde Monte Cristo’ e o castelo de If
  6. Plage des Catalans
  7. Próximo post

A chegada a Marselha

Como aterrei bastante tarde no aeroporto de Marselha, naquele dia já não havia muito mais para fazer além de ir para o hotel e dormir. Por isso o primeiro dia oficial da viagem começava no dia seguinte, no domingo. Mas ainda sobre a chegada a Marselha, apesar de já passar da meia-noite ainda havia autocarros, o A1, que faziam o percurso entre o aeroporto e a estação de comboios, Marseille Saint-Charles. O autocarro vinha cheio mesmo àquela hora tardia.

Para ficar mais barato comprei o bilhete de ida e volta que custou 15 euros (ficava a 20 euros se comprasse estes bilhetes separadamente) e permitia voltar tanto de Marselha como de Provença, como fiquei a saber no último dia. Este autocarro parte do aeroporto a cada 20 minutos e a viagem demora cerca de meia hora, talvez mais se for durante o dia quando há mais trânsito.

Começo do primeiro dia

O primeiro dia começou com o pequeno-almoço. Como já mencionei (último post) ficámos todos no mesmo quarto no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd e depois de nos arranjarmos estava na hora de comer. A sala de pequenos-almoços estava practicamente vazia e conseguimos uma mesa ao lado da janela. O tipo de pequeno-almoço oferecido por este hotel é do tipo continental com opções quentes como ovos mexidos e salsichas e opções frias como baguetes, queijos, folhados e cereais. Do hotel o que me ficou foi sem dúvida o pequeno-almoço.

Pequeno-almoço no hotel Ibis Marseille Centre Euroméd

Quando saímos para a rua, perto das 10 da manhã, o calor ainda não se fazia sentir e até havia uma brisa agradável. As primeiras impressões de Marselha foi de ser uma cidade grande e limpa, mas não demasiado movimentada. Contudo, a impressão principal com que fiquei era que a cidade era muito bege. A maioria dos edifícios, novos e antigos, pareceram-me favorecer os tons amarelos-claros. Não o digo num tom crítico, aliás na zona do porto velho que vou falar em seguida, deu-me até ares de uma cidade saída da Guerra dos Tronos.

E para as primeiras horas em Marselha iríamos visitar locais históricos como a catedral ‘la Major’, o porto velho e o castelo de If.

Catedral de Marselha (Cathédrale la Major)

Cathédrale la Major

O primeiro edifício que visitámos, e que não podia ser ignorado pelas suas dimensões, foi a catedral de Marselha, nome original: Cathédrale de la Major’. Esta catedral de estilo romano-bizantino é uma das maiores do mundo com 142 metros de comprimento e 20 metros de altura que aumenta para 60 metros quando se inclui as torres e sobe para 70 quando falamos da cúpula. As dimensões desta catedral são comparáveis às da basílica de São Pedro no Vaticano.

A catedral levou 40 anos a ser construída durante o século XIX (1852-1893). As grandes dimensões da catedral iam de encontro ao crescimento económico exponencial que a cidade de Marselha vivia na época. E o local da sua construção foi escolhido por uma razão: para que quem chegasse à cidade de barco a visse de imediato. O estilo arquitectónico da catedral e os materiais utilizados oriundos de várias partes do mundo, tinham (e têm) o objectivo de reflectir a reputação multicultural de Marselha.

Visitar a catedral é completamente gratuito e o seu interior é tão imponente como o seu exterior em termos de tamanho, apesar de ser bastante simples, ainda assim bonita. No entanto, não penso que muitos discordaram quando digo que o exterior da catedral é mais marcante do que o seu interior.

Porto velho de Marselha (vieux port de Marseille)

Visitar o porto velho de Marselha acaba por ser obrigatório, não só pelo seu valor histórico, mas também por ser o centro cultural de Marselha de onde parte a maioria das excursões de barco como as que vão para o castelo de If ou para os calanques, dois locais muito procurados.

O porto velho de Marselha foi onde a cidade nasceu no ano 600 a.c. quando os gregos, oriundos da cidade de Foceia, aqui se fixaram e chamaram esta zona de Massalia. O porto é, portanto, considerado como sendo o berço da cidade. A proteger este porto existem dois fortes, o forte de São Nicolau e o de São João ambos construídos no século XVIII.

Porto de Marselha

Em 1844 foi aprovada a construção de um novo porto na baía de Joleitte uma vez que o porto velho ao longo do tempo tinha-se tornado incapaz de receber todo o comércio marítimo que chegava diariamente a Marselha. Os dois portos estão hoje unidos pela Rue de la République. Também é no porto velho que fica o museu das civilizações Europeias e Mediterrâneas, MuCEM. Apesar de nós não termos visitado o museu, pois tivemos ocupados com outros planos, certamente que é um dos locais a serem considerados.

Castelo de If

Travessia de barco

Depois de andarmos pelo porto, fomos tentar perceber como podíamos apanhar o barco para visitar o castelo de If. E não demorou muito a encontrar a resposta no porto onde havia uma barraquinha da companhia ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ a vender bilhetes. O preço da viagem e da visita ao castelo custou 7 euros por pessoa.

Para mais informações vejam: Compagnies Maritimes

Há outra companhia que também faz este percurso, a ‘le bateau’, que para além de ir ao castelo também pára na ilha de Frioul. O preço dos bilhetes são mais caros; se for para parar no castelo de If e na ilha de Frioul o bilhete fica a 16.70 euros, se for só para a ilha de Frioul (excluindo o castelo), o bilhete custa 11.10 euros.

Para mais informações vejam: le bateau

Castelo de If

Para dizer a verdade se nós soubéssemos que havia as duas companhias provavelmente teríamos escolhido a ‘le bateau’ porque assim poderíamos ter feito praia na ilha de Frioul depois da visita ao castelo. O que deveria ter sido melhor do que a praia à qual fomos mais tarde. Mas como não sabíamos comprámos os bilhetes na primeira companhia que vimos que foi a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’.

Fica assim a dica – se for só para visitar o castelo, escolham a ‘Compagnies Maritimes Calanques et Château d’If’ já que o preço fica mais em conta, mas se para além do castelo procuram também um sítio para fazer praia, então escolham a ‘le bateau’. Também fica aqui para consideração que a companhia ‘le bateau’ não faz o percurso directo de regresso entre o castelo de If e Marselha, tendo sempre de parar na ilha de Frioul depois de sair do castelo e antes de regressar a Marselha.

A visita ao castelo

A viagem de barco passou num ápice, a qual nos deu a conhecer uma diferente perspectiva do porto velho de Marselha e da cidade em geral. Nós passámos cerca de 1 hora e meia a visitar tanto o interior com o exterior do castelo de If tendo sido os ‘grafitis’ gravados nas paredes pelos prisioneiros a parte que mais me marcou.

Castelo de If

O castelo de If foi a primeira fortaleza real de Marselha a ser edificada por ordem de Francisco I de França em 1529. O objectivo era proteger o porto de Marselha, um dos principais portos de comércio em França. O castelo de If funcionou como prisão temporária entre 1541 e 1945. Um dos primeiros prisioneiros, detido em 1580, foi acusado de conspiração contra a monarquia. Em 1685 foram encarcerados neste castelo protestantes, já em 1848 foram presos os revolucionários de 1848, seguidos por 304 republicanos em 1852, estes presos por serem opositores a Napoleão III. Em 1871 foi a vez dos insurgentes de Marselha a serem aqui encarcerados enquanto que os últimos prisioneiros foram alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

O castelo de If fazia parte de um conjunto de 4 prisões em Marselha, todas elas temporárias. Estas prisões eram instaladas rapidamente de forma a fazer face a situações de crise como insurreições levantadas por certos grupos, mas muitas vezes com condições inadequadas para os prisioneiros. O que faz o castelo de If tão especial são os memoriais que foram aqui criados pelos prisioneiros políticos. Estes memoriais como por exemplo inscrições nas paredes foram autoria de dois grupos de prisioneiros, os ‘revolucionários de 1848’ (22 de junho de 1848 a 2 de junho de 1849) e os ‘Comunas de Marselha’ (8 de abril a 2 de agosto de 1971). Para a construção destes memoriais os Chefes de Departamento foram essenciais ao serem eles a fornecer materiais como ferramentas e guardas adicionais. O objectivo desta iniciativa era de criar um ambiente calmo a qualquer custo, naquele que seria um ambiente de constante tensão entre prisioneiros.

Ligação entre o livro ‘O Conde de Monte Cristo’ e o castelo de If

Esta é a tradução da informação disponível no castelo de If sobre o contributo do livro de Alexandre Dumas para a fama do castelo.

‘No século XIX, o sucesso do livro ‘O Conde de Monte Cristo’ de Alexandre Dumas, publicado no Journal de Débats em 1844, revelou ao mundo a existência da prisão de If, ​​​​que rapidamente adquiriu reputação internacional. Os leitores começaram a visitar a ilha assim que os primeiros episódios foram publicados e quando chegavam ficavam maravilhados. Tudo o que liam estava lá: as masmorras onde os dois heróis tinham sido presos e até o túnel do Abade Faria. O escritor, curioso com esta paixão pela ilha de If, ​​foi lá pessoalmente e ouviu, entre meio divertido, meio surpreendido, o relato do guarda. Nenhuma das visitas entre 1844 e 1880 foi oficial, apesar de se saber que barcos se disponibilizavam a levar visitantes até à ilha. A decisão de ali manter prisioneiros políticos em 1848 e depois em 1871 não alterou em nada a procura. Os visitantes continuaram a visitar a prisão ainda mais determinados. Era, de certa forma, uma peregrinação emocional, onde reviviam os sentimentos que tinham sentido durante a leitura do romance. O livro de Alexandre Dumas ainda hoje contribui para a fama do castelo de If.’

Plage des Catalans

Como infelizmente não comprámos os bilhetes para visitar o castelo de If pela companhia ‘le bateau’ não pudemos ir até à ilha Frioul para fazer um bocado de praia, restando-nos a opção de voltar para Marselha e procurar uma alternativa na cidade.

Plage des Catalans

Foi por isso que viemos à praia perto do porto velho, a Plage de Catalans, uma praia de areia dourada que naquele momento estava a abarrotar de gente. Contudo conseguimos arranjar um cantinho para pôr as nossas coisas e revezando-nos pudemos ir à água. A praia felizmente também tinha chuveiros exteriores e casas-de-banho onde pudemos mudar de roupa. Apesar da maravilhosa sensação de nos refrescarmos na água, esta acaba por ser uma praia de cidade, o que normalmente significa enormes multidões em dias como aquele de grande calor e água que nem sempre é a mais limpa. Eu que não sou muito dada ao exercício de ‘fazer praia’ sinto-me sempre desconfortável neste tipo de praias, no entanto esta era a única opção que tínhamos disponível naquela altura. Daí que a sugestão sobre a ilha Frioul deve ser tida em conta! E sim, aparentemente depois de meses passados ainda estou a remoer nisto.

Depois da praia decidimos ir beber qualquer coisa fresca. Apesar de já ter passado nesta altura o meio da tarde o calor ainda era bastante. Ao contrário do costume, que é tentar encontrar um lugar mais local, acabámos num pub irlandês, Le O’Malley’s.

Pub irlandês Le O’Malley’s

Depois de uma pint de Guinness acabámos na esplanada a bebericar aperol spritz. Apesar deste pub ficar perto do porto velho, a paisagem da esplanada não era nada de especial, mas o mais importante era que a esplanada ficava à sombra. E como sempre se espera de um pub irlandês, a variedade de bebidas era bastante e o ambiente descontraído.

Próximo post

E é por este pub irlandês que acabamos este post. O primeiro dia da viagem deu-nos a conhecer o lado histórico da cidade de Marselha, mas ainda muito tínhamos para explorar. No próximo post vamos continuar por este primeiro dia em Marselha, altura em experimentámos os tradicionais biscoitos, as Navettes, passeámos pelo peculiar bairro Le Panier e jantámos no muito procurado restaurante Ciel Rooftop.

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