Este é o último post da viagem de novembro 2023. Passámos por Pompeia, ilha de Capri e Nápoles. Foram 5 dias cheios de emoções e descobertas que deixaram muitas memórias. Este último post passará pelo nosso último dia e meio em Nápoles, quando chegámos da ilha de Capri até o nosso voo de regresso a casa.
Um dos locais que quisemos visitar mas que no final não conseguimos foi o Museo Capella Sansevero, conhecido por uma estátua em particular, o ‘Cristo Velato‘ (Cristo Velado). Não o conseguimos visitar por ser um dos locais mais procurados de Nápoles e os bilhetes no dia em que o quisemos visitar tinham já esgotado. A estátua em mármore em tamanho real (humano) representa Jesus Cristo morto coberto por uma mortalha transparente feita do mesmo bloco do da estátua. Neste museu e capela existe muito mais para ver como por exemplo as esculturas das dez Virtudes. O bilhete de entrada para o museu custa 10 euros e podem-no adquirir através do site oficial: https://www.museosansevero.it/. É evidente que a compra atempada destes é aconselhada.
Como não conseguimos visitar o museu fomos explorar as ruas ali à volta, acabando por entrar na Chiesa del Gesù Nuovo (igreja do Novo Jesus). A visita é gratuita e é uma das igrejas mais importantes da cidade sendo talvez a mais bonita.
No século XV foi construído ali um edifício que funcionou como palácio. Este tornou-se famoso pela sua beleza interior devido aos variados e fantásticos frescos. Este palácio tornou-se um grande exemplo do Renascimento Napolitano e do Barroco. A igreja sofreu várias alterações durante o tempo e foi completamente reconstruída no século XVI. Durante a segunda guerra mundial, esta igreja sofreu danos severos quando uma das bombas atravessou o tecto sem detonar. A bomba ainda hoje se encontra na igreja. A última grande obra de restauração aconteceu em 1975 e é hoje um dos locais muitos procurados por visitantes e cristãos.
Agora nós cheios de fome e ainda a querer colocar as malas no quarto antes de ir jantar decidimos que estava mais do que na altura de comer qualquer coisa. E foi assim que experimentámos mais uma das delícias da comida Napolitana, também esta considerada como ‘comida de rua‘ (street food) – a pizza portaflogio, uma pizza margherita dobrada. Estas pizzas são vendidas por toda a cidade e é uma opção brilhante para quem quer algo rápido e continuar a seguir caminho. Com a fome com que estávamos soube-nos pela vida.
Pizza portafoglio
A nossa última noite foi passada no B&B Tecla. Como o tínhamos reservado pelo trip.com tal como em Capri, tivemos de contactar o dono para nos abrir a porta. Aconselho mais uma vez a fazerem-no com antecedência e não apenas quando chegam à porta para entrar, como nós. Felizmente os donos encontravam-se nas redondezas e a espera demorou menos de 10 minutos. Este é um bom local para quem é fanático por histórias de terror e quer vivê-las na vida real, porque o edifício era mesmo um cenário ideal para filmes com fantasmas. Nós ainda hoje pensamos que o local era antes um mosteiro ou uma cavalaria ou um outro qualquer edifício de grandes dimensões transformado em apartamentos, mas deixando a estrutura original. A única coisa que se destacava era o elevador que tinha um ar bastante mais moderno do que as grandes e altas portas de madeira carunchosa.
Vista do quarto laranja no B&B Tecla
Vista do quarto laranja no B&B Tecla
Talvez tenha sido o local para dormir mais fracote de toda a viagem, especialmente depois de andarmos durante a noite à luta com uma melga, mas pelo lado positivo o quarto tinha uma bonita paisagem para a Basilica dello Spirito Santo e para a colina onde a cidade se estendia até às catacumbas de San Gennaro. Mas atenção não estou a dizer que o B&B Tecla não é um local que não deva ser considerado, afinal a cama era enorme e o quarto estava limpo e agradavelmente decorado. É deveras um local com as suas peculiaridades.
Sendo a nossa última noite em Nápoles tínhamos que escolher da nossa longa lista de comidas o que queríamos ainda experimentar. Uma das coisas que não queríamos perder eram os cones – ‘cuoppo’. Talvez os mais conhecidos são os de peixe (di mare) que incluem camarão, lulas, mexilhão e anchovas. Também há o cuoppo di terra com croquetes, arroz, curgete. E depois existem várias variações. Tudo isto é frito, por isso não esperem uma coisa leve para o coração. Nós comemos o cuoppo di mare na Pizzeria e Friggitoria Del Purgatorio. E gostámos bastante, eu apesar de estar um bocado receosa dos peixinhos, acabei por gostar imenso. E um cuoppo deu bem para os dois, já que isto não era o jantar apenas a entrada. E aproveito para mostrar na imagem abaixo a característica oferta da comida de rua em Nápoles que inclui pizza frita (que experimentámos em Pompeia), frittata (que nunca chegámos a experimentar) e a pizza portafoglio.
Para jantar fomos ao restaurante Tandem para comer o famoso ragù napolitano, que na sua essência é carne com um molho de base de tomate muito saboroso. Nós pedimos a sandes de ragù chamada de Cuzetiello mas o pão era um bocadinho rijo demais, por isso aconselho a provarem o ragù mas com massa ou gnocchi. No entanto, não deixem de provar o ragù. Existem vários restaurantes da cadeia Tandem espalhados pela cidade de Nápoles, basta encontrarem o mais perto. Nós não tínhamos feito reserva mas sendo uma segunda-feira à noite o restaurante não estava movimentado e rapidamente arranjámos mesa.
Il cuoppo di mareSandwich no Tandem
Para acabar a noite fomos a um dos bares com a melhor selecção de bebidas da cidade, OAK Napoli Vino e Birra Artigianale. O bar é bastante pequeno mas ainda assim encontrámos dois bancos num dos balcões e uma lista imensa de bebidas. Pareceu-nos um lugar bastante popular e um bom local para passar ali um bocado.
Durante a noite tivemos uma luta à procura de uma melga mas sem barulho constante das buzinas o que foi um plus depois da nossa última noite em Nápoles na Via Casanova. De manhã tomámos um pequeno-almoço leve no B&B e partimos para as nossas últimas horas em Nápoles. Havia dois sítios que queríamos visitar, duas catacumbas, e descobrimos depois que na compra do bilhete para uma delas se pode visitar a outra sem valor acrescido. Esta oferta ou promoção tem uma validade de um ano se não conseguirem visitar os dois locais no mesmo dia. Começámos pelas catacumbas di San Gaudioso. Estas encontram-se no Quarteirão Stella, que há cerca de 10 anos era uma das zonas mais perigosas da cidade e um grande foco da máfia italiana, a Camorra. Isto mesmo nos foi explicado durante a tour. Sim, porque para visitar tanto umas catacumbas como as outras, é obrigatório participar numa tour com guia. Ambas as catacumbas são propriedade do Vaticano e portanto não é permitido filmar.
Primeiro talvez é importante saber quem foi San Gaudioso?
San Gaudioso, também conhecido como o Africano, foi bispo de Abitina na Tunísia, tendo chegado a Nápoles depois de ser expelido do seu país. Em Nápoles, San Gaudioso contruiu o mosteiro de Caponapoli, introduziu a Regra de Santo Agostinho no mosteiro, instruções escritas sobre a vida monástica desde o século V até aos dias de hoje, e foi também o responsável por transferir parte das relíquias de Santa Restituta para Nápoles, que hoje se encontram na catedral da cidade. Apesar de não ser certo, pensa-se que San Gaudioso morreu entre 451 e 453 DC sendo sepultado no cemitério que ficava fora das muralhas da cidade. A sua sepultura tornou-se rapidamente local de devoação.
Posteriormente, as catacumbas tiveram de ser ampliadas e são hoje as segundas maiores de Nápoles. Durante o século XVII neste local encontravam-se principalmente sepulturas de aristocratas e clero. Envolvido nas sepulturas havia primeiro um processo de drenagem – os cadáveres eram furados e colocados em nichos para que perdessem os fluidos. Ainda hoje se podem ver os frescos das sepulturas pintados por Giovanni Balducci, um artista que se recusou a ser pago e por sua vez pediu para ser enterrado nestas catacumbas. O fresco que mais me marcou foi o da morte com os vários elementos em cada canto inferior. O seu significado: ‘ a morte está acima do poder, da coroa, do conhecimento e do tempo’.
No final da visita, tivemos o prazer de visitar ‘Il Presepe Favoloso’ – o presépio fabuloso – acreditem que só esta peça artística vale a pena a visita. Cada vez que olham para o presépio encontram mais um pormenor super interessante, naquele que é uma peça cultural da vida quotidiana combinado com um dos mais importantes eventos católicos, o nascimento de Jesus.
Sobre as origens de San Gennaro há algumas incertezas, mas pensa-se que nasceu por volta de 272 DC e que foi bispo de Benevento. San Gennaro foi preso durante o século IV por professar a fé cristã e foi morto por decapitação em 305 DC. O sangue de San Gennaro foi preservado em dois frascos.
E sabem que mais? Este sangue ainda hoje tem um grande impacto. Pois de acordo com a tradição em determinadas datas, 19 de setembro, 16 de dezembro e o primeiro sábado de maio, o santo faz um milagre, o seu sangue transforma-se em líquido. De acordo com a tradição, se o sangue não se liquefizer um desastre iminente vai acontecer. Se liquefizer, o dito ‘milagre’, então há um bom presságio. Verdade ou talvez não, mas as últimas vezes que não se liquefez foi em 1939 e 1940 que coincidiu com o início da segunda guerra mundial e novamente em setembro de 1943 altura em que Itália foi invadida pelos nazis. Também em 1980 quando Irpinia, localizada a 50Km de Nápoles foi atingida por um terramoto devastador. Última vez em 2020, um aviso mais ou menos atrasado do COVID? Como disse o guia, muitos sabem que não é real, ou pelo menos há várias dúvidas sobre a sua veracidade, mas faz parte da cultura naquela parte do mundo e isso tem que se respeitado, acreditemos nós ou não.
As catacumbas de San Gennaro tem dois pisos, o núcleo original remonta ao século II DC. Provavelmente começou por ser o túmulo de uma família nobre, que cedeu espaço à comunidade cristã, para também ali serem sepultados. Esta catacumba segue uma estrutura reticulada. Também aqui existe uma pia batismal encomendada pelo bispo Paulo II que se refugiou nestas catacumbas e realizou eventos cristãos como o baptismo neste mesmo local, quando tais actos eram proibidos. O piso superior, o local de sepultamento dos bispos, iniciou-se no século V quando os restos mortais de San Gennaro foram movidos para estas catacumbas. Devido aos seus restos mortais a catacumba superior tornou-se um local de peregrinação.
Estas duas tours são indispensáveis e estão apenas disponíveis devido ao grande esforço que têm havido nos últimos anos em transformar aquela zona da cidade numa zona mais segura, turística e assim melhorar a vida dos moradores que viviam, e certamente muitos ainda vivem sobre os domínios da Camorra. Em ambas as tours os guias mencionam, claro como parte do script, que são os turistas como nós que ajudam a melhorar aquela zona, ao participarmos naquelas tours, contribuímos para que os jovens que nasceram ali e que ali querem ficar o possam fazer, como por exemplo o aumento do turismo levou à possibilidade de terem contractos de trabalho permanente, expandir a equipa, etc. Penso que foi a primeira vez que ouvi falar do impacto positivo que o turismo pode ter, pois o negativo é imensas vezes discutido. E por isso faço aqui um apelo, se forem a Nápoles, não percam a oportunidade de visitar estas duas catacumbas, não só pela sociedade mas também porque são fascinantes, mostrando que as cidades romanas e gregas afastadas por milénios espreitam em vários pontos na cidade actual.
Depois de estas duas fantásticas visitas era altura de irmos para o aeroporto de Nápoles, e decidimos apanhar o autocarro. Confesso que não cheguei a perceber muito bem como funciona o sistema de autocarros na cidade. Mas chegámos ao aeroporto depois de uma viagem bem apertada. Já no aeroporto comprámos umas sandes com burrata e foi uma das melhores coisas que comemos na viagem. Vale tudo até ao momento da partida!
Hoje vamos falar de Nápoles – que cidade! que vibe! que gente! que atmosfera!
Nápoles será para sempre uma das cidades que nos marcou, chocou no início mas com tempo passou a ser vista com outros olhos e com um enorme respeito. Talvez tenha sido das muitas explicações sobre as origens e a cultura da cidade que fomos ouvindo durante os dias que aqui estivemos, mas se foi então conseguiram o seu propósito, o de explicar e fazer da confusão aceitação daquilo que é hoje a cidade de Nápoles.
A nossa visita a Nápoles foi meia que desfasada, visitámos a cidade depois de virmos do Monte Vesúvio já à tarde e no dia seguinte enquanto esperávamos para saber se o ferry partia ou não para a ilha de Capri. Depois de voltarmos de Capri foi acabar o dia em Nápoles e aproveitar uma parte do dia seguinte, o último, antes do nosso voo para visitar o restante. Acho que conseguimos ver os pontos principais mesmo que no final pareça que tenhamos visitado a cidade só de passagem.
Primeiro dia em Nápoles
Apanhámos o comboio para Nápoles (estação Napoli Centrale) de Pompeia e chegámos no início da tarde à cidade. Primeiro quisemos ir meter a tralha que trazíamos às costas no local onde tínhamos marcado a nossa primeira noite, o B&B FReBI’s Home. Enquanto andávamos em direcção à morada pretendida, Via Casanova, tivemos as primeiras impressões da cidade. E foi do tipo, ‘Mas onde é que viemos parar?!’. As ruas cheias de lixo, os prédios com mais aspecto de estarem prontos para a demolição do que parar albergar alguém e a confusão de trânsito, foi o choque total. Estávamos mesmo em Nápoles? O que se tinha ali passado? Tinha a cidade acabado de sair de uma guerra?
Quarto no B&B FReBI’s HomeSala de pequeno-almoço
Aparentemente esta zona à volta da estação Napoli Centrale é uma das zonas menos seguras da cidade e onde a pobreza é mais evidente. E sim estas foram as nossas primeiras impressões, mas não melhoraram muito quando chegámos ao prédio do B&B. Subimos as escadas até ao último andar, um prédio a precisar de sérias remodelações. O proprietário tinha mandado já instruções por mail de como abrir a caixa-cofre onde estavam as chaves tanto para abrir a porta do prédio como a do apartamento. Encontraríamos a chave do quarto na porta deste. Já conhecíamos este tipo de sistema em que as chaves são colocadas num ‘cofre’ que fica na parede ao lado da porta do apartamento e o código é mudado ou todos os dias ou com regularidade suficiente para que os antigos hóspedes não possam reentrar no apartamento. O apartamento tinha sido renovado e o nosso quarto era de tamanho razoável, limpo e com as condições necessárias. Não reflectia de todo as instalações do prédio. Mal posámos as nossas malas fomos para o coração da cidade. Ainda não tínhamos saído da Via Casanova e já tínhamos reparado no barulho…em cada segundo havia pelos três a quatro buzinadelas das várias scootters, carros e carrinhas. Os condutores naquela cidade nunca devem ter as duas mãos no volante, mas NUNCA. Imagino na aula de condução em Nápoles o instrutor a dizer ‘colocas uma mão no volante e outra em cima da buzina e vais carregando a cada 5 segundos’. E isto acontece em qualquer ponto da cidade. É um barulho contínuo. E nas ruas estreitas da parte histórica por exemplo na Via dei Tribunali aprende-se a ser assertivo…é que não interessa se uma scootter vem em direcção a ti, tens de te meter à frente, seguir e nunca parar. O erro é parar. Há ali um acordo entre scootters e pedestres em que ambos circulam ao mesmo tempo e cada um se desvia apenas o suficiente para não ir parar com o focinho ao chão.
Porta Capuana (lado direto) e igreja de Santa Caterina a Formiello (edifício frontal)
É que até para o carro da polícia apitam! Na Via Casanova o carro da polícia não estava a circular o rápido o suficiente (aparentemente) e foi uma cacofonia imediata de várias buzinas. Ficámos logo ali avisados, se apitam assim para os carros da polícia é porque ninguém está livre da ira dos condutores. O primeiro sítio que queríamos visitar chamava-se Napoli Sotterranea – ou em português, Nápoles subterrânea. Não tínhamos bilhetes pré-marcados, mas mesmo assim entrámos na tour seguinte. No entanto, acho que os bilhetes comprados com antecedência são mais baratos. Para visitar é obrigatório a presença de um guia e compreende-se pois há túneis e zonas que ainda não foram explorados e são de acesso negado ao visitante. E já se sabe se não há controlo é exactamente para aí que as pessoas se vão meter. Não é uma crítica, simplesmente uma característica inerente ao ser humano.
Adorei a tour, no início estava com algum receio pois há uma parte da visita em que o túnel estreita bastante e é necessário primeiro agachar e depois andar de lado (tipo egípcio). Também é preciso lanterna, o que actualmente qualquer telemóvel tem. Mas mesmo sendo claustrofóbica não foi assim muito mau, a parte agachada é por uma questão de segundos e mesmo tendo de andar de lado o tecto é imensamente alto e isso ajuda imenso.
Um dos muitos túneis vedados a visitantesA construção de 3 casas umas por cima das outras
Este foi um dos pontos altos da viagem, o nosso guia era estudante de arqueologia e começou por explicar a origem daqueles túneis, como antes se encontrava ali lençóis de água e para aceder à água tinham-se aberto vários poços à superfície da cidade. Também explicou os problemas de saneamento numa altura em a água foi contaminada por fezes. Também que houve homens que vinham limpar os túneis e aproveitavam para assaltar as casas privadas entrando através destes tais poços. Que ainda hoje há casas na cidade que são de difícil venda porque se dizem ‘assombradas’ devido às visitas destes homens a quem as pessoas davam à sua presença um significado sobrenatural uma vez que desapareciam de repente (através dos poços). Incrível como a fama se prolongou ao longo do tempo. Também nos foi explicado que aqueles túneis, quando já sem água, se tornaram numa lixeira. No entanto, na segunda guerra mundial para servirem de bunkers todo o lixo foi removido. Há muito mais que é explicado durante a tour e foi aqui que entrámos chocados com o que tínhamos visto de Nápoles e saímos com um novo respeito pela cidade. Basicamente a cidade foi sendo construída por cima da cidade que antes ali se encontrava. As casas de hoje estão em cima de ruínas da cidade romana e da cidade que foi construída depois da cidade romana. A tour também inclui visita a uma casa onde a actual cave era antigamente parte de um teatro romano. Compra-se uma casa e ganha-se 3! Ou pelo menos ruínas de 2 e talvez um fantasma.
Símbolo do papel que túneis tiveram na segunda guerra mundial
Achámos isto incrível e não quero deixar de reforçar que a nossa ideia sobre a cidade mudou imenso. Aconselho mesmo a não perderem esta tour. Em seguida fomos à catedral (Duomo di Napoli) e é uma das igrejas mais bonitas que já tive o prazer de visitar. Os frescos são espetaculares – as fotografias não lhe fazem justiça. A construção deste edifício sagrado iniciou-se no século XIII e hoje tem o nome oficial de catedral metropolitana de Santa Maria Assunta.
Esta catedral tem três naves com duas capelas laterais, a basílica di Santa Restitua e a Capella di San Gennaro. A entrada é gratuita, sendo apenas paga a entrada para o museu do tesouro de San Gennaro. Também é possível visitar a cripta onde no tecto se encontram trabalhados incríveis.
Depois destes dois fantásticos locais fomos ao Aperol Spritz, uma bebida muito apreciada em Itália e em Nápoles os preços eram mais apetecíveis como por exemplo 2 a 2,5 euros o copo. Um pouco por toda a parte da cidade encontram esta bebida.
Para continuar na prova da cozinha italiana quisemos experimentar um dos bolos mais conhecidos, a sfogliatella. Antes de irmos jantar quisemos ir ainda ao hotel e passámos por uma pastelaria que nos chamou a atenção chamada de Sorella (Antica Pasticceria Sorella dal 1920), onde escolhemos uma sfogliatella de pistacchio e ainda um bolo de tiramisu. De caixa na mão fomos para o quarto. Podíamos ter ficado na pastelaria, mas quisemos carregar os telemóveis e encontrar um local para jantar. Gostei bastante da sfogliatella com a sua casquinha crocante, mas mais ainda do bolo tiramisu.
Para jantar fomos outra vez para o centro histórico de Nápoles. Depois de um grande debate, decidimos experimentar um dos restaurantes mais conhecidos da cidade, o Gino Sorbillo. E era essa a intenção, mas afinal acabámos num restaurante com o mesmo nome ‘Sorbillo’ mas Antonio Sorbillo. É ‘engraçado’ como escolheram o mesmo nome da pizzaria mais conhecida da zona. É que a verdadeira pizzaria Sorbillo fica na mesma rua a cerca de 30 metros. A verdade é que devido a esta confusão com o nome há uma mistura de reviews referindo-se a um restaurante quando na verdade se queriam referir ao outro. E eu não experimentei a pizza da verdadeira ‘Sorbillo’ por isso não posso falar da qualidade, mas da pizzeria que experimentámos a pizza não era nada de especial. Na verdade, enquanto a pizza ia arrefecendo mais a massa da pizza ficava elástica, uma das críticas mais comuns às pizzas deste restaurante. Não sendo um verdadeiro fracasso, não foi a experiência que esperávamos, a da verdadeira pizza napolitana. Até na ilha de Capri a pizza que comemos foi melhor. Apesar de muitos comentarem sobre o mau atendimento, nós não tivemos essa experiência e o restaurante em si é bastante agradável, não fosse a mesa de miúdos aos gritos mesmo ao nosso lado. Concluindo, não digo para não virem, assim não terão a fila de uma hora à espera de mesa como no Gino Sorbillo, mas não esperem de ficarem maravilhados com a comida.
Para ajudar a digestão fomos dar uma volta pela cidade até à Piazza Dante e pelas outras ruas do centro histórico até ser hora de voltarmos para o nosso quarto.
Piazza Dante
No dia seguinte fomos tomar o pequeno-almoço cedo para apanhar o ferry para Capri (o que aconteceu muito mais tarde como podem ler no post anterior) mas também não dava para dormir. Sendo o quarto virado para a Via Casanova o barulho era tremendo. Toda a noite os carros e scooters não pararam de apitar. Não faço ideia como as pessoas vivem ali, ou furam os tímpanos de desespero ou usam uns super tampões. É impossível aquela lengalenga do ‘depois de um tempo já nem noto’ porque o barulho é constante e verdadeiramente maçador. O pequeno-almoço não foi mau, havia umas sandes de fiambre e de salame com maionese, que apesar de não soar apetecível para pequeno-almoço atingiu o ponto. Com um croissant de chocolate para adicionar extra energia estava na hora de abalarmos.
Pequeno-almoço no B&B FReBI’s Home
Faço aqui um aviso que agora é bastante comum em todas as acomodações dentro das cidades cobrar ‘taxa da cidade’ ou ‘city tax’. Quando marcarem os vossos locais para dormir, seja em que plataforma for confirmem se o valor que estão a pagar inclui o tal city tax ou se têm de pagar na altura em que estiverem hospedados. Nós tivemos de pagar em Pompeia e em Nápoles. E também tivemos que pagar em Milão quando fomos em janeiro e agora em Veneza que está previsto para finais do próximo janeiro. Em alguns locais aceitam pagamento com cartão, mas outros como em Pompeia, apenas aceitam dinheiro.
Saímos então do B&B e pusemo-nos a andar pela cidade desde a Via Casanova até ao porto. Foram cerca de 45 minutos a andar bem, mas deu para conhecer outras zonas da cidade como por exemplo o monumento Vittorio Emanuele II e o Palazzo dell’Immacolatella. Depois de nos dizerem que o ferry das 9 estava cancelado e para voltar a verificar mais tarde, por volta das 11 e meia, decidimos explorar a zona de Nápoles agora junto da costa. Começámos pelo castelo mais perto, o Castel Nuovo que naquele dia se encontrava fechado. Tirámos as fotografias ao seu imponente exterior e seguimos pelo jardim ‘Giardini del Molosiglio‘, onde se têm uma bonita vista da costa napolitana. Continuando pela costa fomos até ao Castel dell’Ovo, mas estava tanto vento que os pingos vindos das ondas do mar chegavam até nós. Este castelo também se encontrava encerrado para visitas. O porquê de estes castelos estarem encerrados não soubemos na altura, mas também não tínhamos muito tempo para entrar e os explorar como deve ser. Mas aconselho o passeio pela costa independentemente se acabarem ou não por visitar algum dos castelos, ou outros edifícios como o palácio real ou o teatro de São Carlos.
Castel Nuovo
Vou terminar este post com uma breve descrição de ambos os castelos começando peloCastel Nuovo, o castelo da cidade, construído entre 1279 e 1282. Foi inicialmente habitado por Carlos II de Nápoles, sofrendo mais tarde vários danos na altura da invasão húngara em 1347 e francesa em 1494. O Castel dell’Ovo é mais antigo do que o Castel Nuovo, tendo este sido construído em 1128. Este edifício teve vários papéis como o defensivo, prisional e residencial para a família real. A visita é gratuita, apesar de o termos encontrado encerrado (de momento encontra-se temporariamente encerrado para renovações) mas é impossível perdê-lo, um castelo a entrar pelo mar dentro.
Castel dell’Ovo
E aqui ficamos no primeiro post sobre Nápoles. Uma cidade com múltiplas dinâmicas e com muitos locais para explorar. No próximo post vamos falar de catacumbas, igrejas e de mais comida tradicional.
A ilha de Capri é um daqueles locais tirados directamente de um filme, paisagens magníficas, vilas pitorescas, resorts de sonho e villas majestosas. Para muitos Capri é uma viagem de um dia, mas nós decidimos que a ilha merecia passarmos ali uma noite para a explorar um pouco mais. Nem imaginávamos o quanto esta decisão iria ter um impacto imenso naquilo que iríamos conseguir visitar! Em novembro não sendo esta época alta era esperado que o número de turistas fosse reduzido, mas se o número era de facto reduzido nem quero imaginar (nem presenciar) Capri em época alta.
Mas começando do início – como chegar a Capri e os nossos preparativos iniciais
Pode-se ‘facilmente’ chegar a Capri a partir de Nápoles, mas também a partir de Sorrento apanhando o ferry. A ilha de Capri fica a sul do Golfo de Nápoles, mesmo em frente a Sorrento. Os ferrys partem várias vezes por dia em ambas as direções. A viagem demora cerca de 50 minutos para cada lado, se partirem de Nápoles. Se partirem de Sorrento a viagem será mais rápida.
Acomodação: Apesar da altura do ano, ou seja, mesmo em novembro a escolha não era muita ou melhor era mas não para o preço que estávamos dispostos a pagar. A ilha de Capri é composta por duas vilas principais, Capri, a que dá o nome à ilha (ou vice-versa) e a que fica mais perto do porto chamado de Marina Grande, e Anacapri que fica da outra ponta da ilha. E foi em Anacapri que decidimos ficar.E foi em Anacapri que decidimos ficar. O local escolhido foi Relais Villa Anna,e apesar de ser classificado como um estabelecimento de 3 estrelas aparenta ser melhor do que o padrão, incluindo piscina, quartos recentemente renovados num local calmo, bonito e sem barulho. Fica a mais ou menos 10 minutos a pé do centro de Anacapri. Nós marcámos através do trip.com como tínhamos cashback. Mas se também o fizerem lembrem-se antes do dia do check-in de confirmar se precisam de contactar o proprietário, porque o trip.com marca o quarto através de terceiros o que pode criar alguma confusão. Por exemplo quando chegámos e falámos com os proprietários disseram-nos que nos tinham tentado contactar, mas não tinham os nossos contactos e que até tinham contactado a Expedia. No entanto nós tínhamos feito a reserva através do trip.com e claro está que a Expedia não tinha os nossos contactos. Bem, um imbróglio, mas os proprietários foram 5 estrelas, puseram-nos à vontade e deram-nos várias indicações para restaurantes e como chegar a diversos pontos da ilha. O nosso quarto era espaçoso, limpo e o pequeno-almoço apesar de não ter sido como o de Pompeia (que também foi meios que exagerado) foi bastante bom.
Visita de barco à volta da ilha: Uma das atrações principais, que não se pode perder na ilha de Capri é fazer uma tour à volta da ilha para conhecer as muitas grutas escavadas na rocha, as falésias imponentes e uma gruta em especial, chamada de gruta azul. É possível visitar o interior da gruta azul, mas apenas de barco. Só se pode comprar os bilhetes à entrada e podem não escolher ir numa tour e ir ao local da gruta azul e visitar apenas esta gruta. Nós como queríamos conhecer um pouco mais, marcámos uma tour à volta da ilha. Se vierem na altura menos procurada a compra adiantada dos bilhetes não é assim tão urgente, mas se vierem por exemplo nos meses de Verão comprem os bilhetes assim que marcarem a viagem ou poderão não ter oportunidade de o fazer. Nós comprámos os nossos bilhetes através deste website: https://www.capri.com/en/l/capri-boat-tours, onde podem escolher qual das excursões mais vos agrada.
Bilhetes de ferry: Claro que talvez o mais importante é comprarem os bilhetes do ferry. Nada será feito se não chegarem a Capri – talvez escolher uma excursão que vá a Capri a partir de Nápoles, mas o preço talvez não seja tão apetecível. Nós escolhemos a empresa Caremar, mas há várias que fazem o percurso entre portos. Vou deixar apenas o site aqui e vou já já de seguida falar da nossa experiência e vocês decidem se também querem ou não usar esta empresa. Nós comprámos os bilhetes por aqui: https://shop.caremar.it/en/. Mais uma vez, se forem em novembro provavelmente não terão problemas em termos de bilhetes esgotados, principalmente se tiverem alguma margem de manobra relativamente a horas de partida, mas durante o Verão aconselho vivamente a irem um bocadinho mais preparados, já com bilhetes na mão.
Agora a nossa experiência em Capri
Tal como aconteceu no Monte Vesúvio no último post, também em Capri encontrámos várias eventualidades com as quais não estávamos a contar. A primeira foi logo de manhã para apanhar o ferry em Nápoles. Uma grande tempestade era esperada para aquele dia e disseram-nos logo que não haveria NENHUM ferry a partir de Nápoles para Capri durante o dia. Tudo nos caiu, é que nem sequer tínhamos sítio para dormir naquela noite. Mas o que é preciso é ter cabeça fria. Fomos confirmar a um dos guichet e disseram-nos que ‘achavam‘ que o ferry tinha sido cancelado. Perguntámos o que podíamos fazer, disseram-nos para pedir o reembolso através do website do Caremar. Como não gostei do ‘achava‘ fomos ao local oficial onde iríamos apanhar o ferry. Ah, já agora é melhor mencionar que teve de ser um taxista a informar-nos que não era ali que se apanhava o ferry, mas na ‘Porta di Massa‘, que ficava a 5 minutos dali. Fomos então para o local correto onde havia ecrãs com os vários ferrys para os diferentes destinos. Não havia nada a confirmar que o nosso tinha sido cancelado, mas reparámos que nenhum dos ferrys tinha realmente saído do porto. Fomos ao guichet e aí é que começa a verdadeira experiência do atendimento ao cliente italiano. Atende-nos um homem sentado na cadeira com a posição de quem está antes no sofá a ver televisão. Diz-nos que está o ferry das nove da manhã (o ferry que tínhamos marcado) está cancelado, que o mar está demasiado revolto e que não sabia de mais nada. Para um reembolso contactar a empresa através do website (parece que ele não sabia que trabalhava para essa mesma empresa). Vimos então no ecrã que havia outros ferrys marcados para mais tarde, voltámos ao guichet para perguntar se podíamos voltar mais tarde e se algum dos próximos ferrys saísse se poderíamos usar os mesmos bilhetes. Desta vez atende-nos um rapaz mais novo que nos diz que com aqueles bilhetes não dava, que tinha que se pedir um reembolso, mas para ir verificando que talvez os próximos saíssem se o mar amainasse. Enquanto este rapaz nos está a dar alguma informação que se aproveite, o do lado, o primeiro que nos atendeu, começa a mandar vir com o rapaz a perguntar o que ele estava para ali a dizer. Jóia de homem.
Então até às 2 da tarde foi voltar à hora para qual estava marcado o próximo ferry e confirmar se esse partia ou não. Felizmente só havia ferry ao meio-dia e outro às 2. Enquanto esperávamos íamos visitando umas partes de Nápoles rente à costa. O do meio-dia não partiu, mas o das 2 sim. Felizes com os bilhetes da mão entrámos no ferry. Pensámos que chegaríamos antes das 4 e que ainda dava para fazer alguma coisa. Infelizmente estivemos mais de 1 hora dentro do barco antes de finalmente partir e já chegámos de noite à ilha. Mas o mar estava bravo. Em relação aos primeiros bilhetes já mandámos uns 5 e-mails e AINDA estamos à espera do reembolso. Mas pronto, sempre chegámos à ilha de Capri. E a viagem é bastante bonita, se não forem no ferry mais rápido, que esse é todo coberto, mas se forem no mais lento este tem uma parte a descoberto onde podem ir tirando fotografias à costa desde Nápoles a Sorrento. E a chegada a Capri é um sonho. Quando chegámos já estava lusco-fusco e apanhámos logo a primeira camioneta que saía para Anacapri. A paragem de autocarro fica mesmo ao lado do porto na Marina Grande.
Chegando a Anacapri fomos de seguida a pé até à Relais Villa Anna. Quando chegámos não sabíamos onde era entrada, nem vimos ninguém que nos pudesse receber, entregar as chaves do quarto, etc. E depois de um dia daqueles a paciência já não era muita. Ainda por cima o número de telefone que tínhamos na reserva não funcionava, mas se também vos acontecer verifiquem no website do Relais Villa Anna, que foi o que fiz e assim entrámos em contacto com o proprietário que nos recebeu de uma forma muito simpática. Ele tinha-nos tentado ligar pois não sabia se conseguiríamos chegar à ilha devido ao mau tempo. Aconselhou-nos dois restaurantes,Il Boccone e La Tablita, e mal nos repusemos decidimo-nos pelo ‘Il Boccone’ por ser o mais perto. Na verdade não fazia muita diferença, Anacapri é uma vila e o centro histórico é bastante pequeno. Os preços na ilha de Capri, não apenas em Anacapri, não se comparam àqueles que encontram em Nápoles ou em Pompeia. Mas o restaurante foi uma boa escolha, escolhemos pizzas e eram bastante boas. Acho que o dono do restaurante preferia que tivéssemos escolhido massas e pratos que aumentassem a conta no final, mas para o fim deste dia, as pizzas eram o que precisávamos.
Depois do jantar fomos dar uma volta por Anacapri, focando-nos mais na zona histórica. Afinal não teríamos muito tempo para vê-la durante o dia, mas senão tívessemos escolhido passar ali a noite provavelmente nunca teríamos visitado a ilha. Para além do mais tínhamos a tour de barco marcada para a manhã seguinte na Marina Grande. Mas deu para perceber que Anacapri é uma zona onde as pessoas vivem bem e onde se sente a característica vibe da bella vita italiana. Mesmo de noite gostei imenso de passar pelas ruazinhas.
No dia seguinte, depois de uma noite bem repousada, e de um bom pequeno-almoço, decidimos que para explorarmos um pouco da ilha íamos a pé de Anacapri até Marina Grande. Ainda se demora cerca de 1 hora e pouco de Anacapri mas tivemos assim oportunidade de parar em pontos panorâmicos e descer a famosa Scala Fenicia com os seus 921 degraus que até o século XIX era a única maneira de chegar a Anacapri por terra.
Já na Marina Grande entrámos no barco depois de encontrarmos a nossa excursão. Mas mais uma vez tivemos que engolir um sapo, a gruta azul estava fechada devido ao estado do mar. Apesar da tempestade do dia anterior ter passado e de o dia estar lindíssimo, o mar estava demasiado revolto para ser seguro entrar pela pequena passagem. Mesmo assim, valeu a pena a viagem pela costa, e tirámos imensas fotografias. No entanto, houve quem se sentisse mal e passasse a viagem toda a vomitar. Eu estive quase o caminho todo com um medo irracional (será que era assim tão irracional?) que a mulher largasse o saco com o vómito e este voasse pelo ar.
Como a gruta azul estava fechada a excursão acabou mais cedo e tivemos tempo para visitar a vila de Capri. Primeiro fomos até ao Giardini di Augusti, um pequeno jardim botânico com vista para o mar de entrada gratuita. Apesar de estarmos em Novembro havia várias flores e todo o ambiente era digno de um quadro.
Passámos por uma pequena banca e comprámos granita da qual tinha ouvido falar muito. Havia vários sabores, mas escolhemos a tradicional de limão e foi o que nos valeu enquanto explorávamos aquele bocadinho de ilha, pois o sol raiava com força e as lembranças da tempestade dissipavam-se a cada momento. Como ainda tínhamos tempo até o nosso ferry de volta a Nápoles fomos fazer um dos trilhos a Piazzetta delle Noci até à costa. Um trilho mergulhado nas ruas calmas da ilha. Pelo menos assim foi quando o percorremos.
No final, ficaram algumas coisas para ver daquilo que tínhamos pensado inicialmente como por exemplo as Villas Jovis e Lysis e o famoso teleférico até ao topo do Monte Solaro. Apesar de todas as inconveniências ficámos felizes por termos visitado Capri, uma ilha que na segunda metade do século XIX se tornou um popular refúgio a artistas, escritores e celebridades. Mas não foi só recentemente que Capri se tornou uma ilha procurada por muitos, também durante o Império Romano os Imperadores Augustus e Tiberius viverem neste pequeno pedaço de sonho guardado ao longe por Nápoles e Sorrento.
Quem tenta fugir das multidões de turistas que assola todos os bocadinhos do planeta durante os meses de Verão, escolhe as suas férias para os meses menos procurados. São aqueles turistas que não têm filhos, não têm paciência para multidões e que preferem preços que não requeiram um rim para pagar os valores exorbitantes que só o Verão proporciona. Para nós os meses em alta, relativamente a viagens, costuma ser de novembro até inícios de junho, mas com grande foco entre novembro e fevereiro. Isto porque há aniversários e ocasiões especiais que pedem uma escapadinha para fora do país. Mas viajar nos meses mais propícios a chuva e frio leva sempre a grandes percalços. Quando acontecem o que é preciso é ter alguma flexibilidade e aceitar que nem sempre os planos correm como o esperado. Apesar de reconhecer que às vezes é preciso batalhar contra aquele sentimento de frustração.
Anfiteatro em Pompeia
E nesta viagem foi preciso muita luta. Mas no final foi uma boa viagem e como sempre prefiro ter ido a Itália, pela segunda vez em 2023, mesmo com precalços do que não ter ido de todo (dá para perceber o pensamento do ‘copo meio cheio’, nāo dá?). O ponto principal pelo qual escolhemos este destino foi Pompeia. E vimos Pompeia, por isso ao menos essa parte foi conquistada. Há medida que for mencionando os vários pontos pelos quais fomos passando, vou explicando os preparativos antes da viagem e como foi a experiência. Partimos numa sexta de manhã (bem cedo) e voltámos na terça a meio da tarde. A intenção ao chegar ao final desta viagem é o de voltar para visitar outros sítios e talvez termos oportunidade de fazermos o que não conseguimos desta vez.
Assim comecemos por Pompeia
Preparativos
Comprar os bilhetes. Em novembro não há grandes filas, mas para alturas com mais pessoas a querem também visitar Pompeia aconselha-se a comprar os bilhetes com antecedência. Comprámos os bilhetes no site oficial: http://pompeiisites.org/en/. Quando estiverem a fazê-lo o próprio website leva-vos para um outro (https://www.ticketone.it/en/artist/scavi-pompei/) onde poderão efetuar a compra. O preço do bilhete por adulto custa 22 euros. No website oficial podem verificar as horas em que abrem e em que encerram, uma vez que os horários sāo diferentes durantes os meses de Verão e os meses de Inverno.
Transporte. Os transportes em Itália são muito bons. E isto é algo de muito positivo deste país, para além de uma série de outras coisas claro. Tanto quando fomos ao Lago Como quando visitámos Milão, como agora do aeroporto de Nápoles para Pompeia, os transportes foram pontuais e partiam da estação com bastante frequência.
Mapas das linhas de comboio em NápolesA compra dos bilhetes se alguém também ficar confuso como nós
Para ir de Nápoles a Pompeia apanha-se o comboio em Napoli Centrale diretamente para Pompeia. Nós como partimos do aeroporto ainda tivemos de apanhar um autocarro para o centro de Nápoles. Podem apanhar o Alibus que são 5 euros e que sai do aeroporto a cada 15 minutos. Existem outros autocarros que talvez fiquem mais em conta, mas que param em todas as paragens e como estávamos um tanto como que apressados para podermos aproveitar Pompeia esta foi a melhor opção. Nós não tínhamos comprado os bilhetes nem de autocarro nem de comboio adiantadamente, mas podem comprar os bilhetes eletrónicos que provavelmente será mais rápido e mais cómodo. Antes de comprar tenham a certeza de que conseguem apanhar o comboio à hora que escolherem. Talvez assim, sem ter que ir às máquinas, não tenham que ouvir a mesma voz a avisar vezes sem conta sobre os potenciais roubos.
Acomodação: Ficámos na Maison De Luxe e não poderia recomendar mais este local. Acabou por ser o melhor sítio em que ficámos hospedados em toda a viagem! Como sempre usámos o booking.com para fazer a reserva: https://www.booking.com/hotel/it/maison-de-luxe.fr.html. A localização era ótima, fomos recebidos por uma senhora muito simpática, o quarto estava limpo e nāo se ouviu barulho durante a noite toda. Acreditem que a ‘falta de barulho’ faz muita diferença, especialmente comparando com a noite seguinte em Nápoles. O pequeno-almoço então fez-nos arregalar os olhos. A nossa mesa de pequeno-almoço dava e bem para 6 pessoas. Quando cheguei à sala pensei que essa era a mesa de onde se ia buscar a comida, mas não, afinal era a nossa mesa. Infelizmente eu de manhã não sou muito de doces, mas mesmo se fosse nunca tinha visto uma coisa assim. E ainda nos deram sacos de plásticos para levarmos a comida connosco. Nós só levámos dois bolos para o dia. Uma completa loucura de coisas boas numa mesa de pequeno-almoço!
A nossa mesa de pequeno-almoçoPorque não comer pizza ao pequeno-almoço?
Agora a nossa experiência em Pompeia. E porquê Pompeia?
Uma das ruas de Pompeia
Pompeia é uma cidade com uma atmosfera de vila, onde se guarda um grande tesouro cultural, a antiga cidade de Pompeia que foi devastada pelo vulcão do Monte Vesúvio. A antiga cidade de Pompeia faz parte do Património Cultural da Unesco e a preservação das suas estruturas permitem aos visitantes conhecer como era a vida no ano 79 Depois de Cristo (DC). Foi neste ano, no dia 24 de Agosto (não há um ditado em Portugal em que se diz que neste dia o diabo anda a solta?) que a erupção destrutiva do vulcão eliminou grande parte da vida humana na cidade de Pompeia preservando-a coberta por um manto de cinzas incandescentes. Ao contrário do que se pensa a erupção não aconteceu no vulcão Vesúvio, mas sim na montanha adjacente, o monte Somma. O vulcão Vesúvio dos dias de hoje resultou de erupções do monte Somma. Durante a erupção de 79DC que levou a terramotos, edifícios foram destruídos e a população esmagada pelos detritos vulcânicos que atingiu a cidade. Para aqueles que sobreviveram encontram um final terrível – asfixiação pelas nuvens de gases extremamente quentes que se libertaram. Foi neste manto de cinzas e pedras-pomes que a cidade permaneceu adormecida durante séculos. Conta-se que das 13.000 pessoas que viviam em Pompeia 15% a 20% morreu neste desastre.
Em 1748, um grande grupo de exploradores descobriram Pompeia debaixo da camada de cinzas e pedra-pomes. Ali encontraram uma sofisticada cidade greco-romana congelada no tempo. Villas, anfiteatro, teatros, praça central, casas, bordéis, lavandarias são apenas alguns dos muitos edifícios que foram sendo descobertos. E dentro destes edifícios encontraram os moldes feitos em cinzas agora endurecidas dos corpos humanos. A matéria biológica tinha desaparecido tendo sido ocupada pelas cinzas que mantiveram as formas dos corpos. O que é ainda mais incrível é que depois de tantos anos ainda exista 1/3 da cidade que não foi explorado. Para além do desejo de explorar mais, há uma prioridade que se sobrepõe, a necessidade de preservar o que já foi encontrado. Ainda em 2023 foram encontrados dois corpos de dois homens. Os restos mortais revelaram que estes dois homens não morreram asfixiados pelas cinzas, mas sim esmagados durante a destruição de edifícios.
Conseguem imaginar os segredos enterrados naquele 1/3 de cidade ainda não explorado? Quanto a isso só podemos esperar. E enquanto se espera nada como aproveitar para visitar as secções abertas ao público. E não é assim tão pouco como isso, mesmo depois de um dia a explorar chega-se ao fim sem se ter conseguido visitar todos os recantos e sem se ter visto todas as curiosidades.
Agora da minha experiência pessoal – o que encontrei foi diferente do que esperava? – Sim, em alguns aspetos, por exemplo pensava que tinham mantido os corpos dentro das casas onde estes foram encontrados. Mas é claro que não é preciso pensar muito que num local onde famílias percorrem com crianças aquelas ruas e pessoas mais suscetíveis a explorar Pompeia é preciso sensibilidade para não chocar, para a todos dar uma experiência única sem traumatizar. No entanto não se enganem, se procurarem irão encontrar aqueles que ficaram paralisados durante séculos por um vulcão que a população em 79DC nem sabia que existia até a destruição se abater sobre a cidade de Pompeia.
Algumas curiosidades extra:
Antes da erupção de 79DC, o vulcão não tinha entrado em atividade havia cerca de 1800 anos e por isso a população não sabia que estava a viver perto de um vulcão
Os corpos que se encontram em Pompeia não são mesmo corpos, mas sim moldes de gesso. Durante as escavações em 1860 aperceberam-se que os espaços vazios que continham os restos humanos eram as formas dos corpos. Para as preservar foi injetado gesso de forma a preencher os espaços vazios e assim preservar a forma dos corpos no momento da sua morte.
Outra cidade, esta mais pequena, que também foi devastada pela mesma erupção foi Herculaneum. Eu não tive oportunidade de a visitar, mas apesar de ser mais pequena, o seu estado de preservação é ainda mais notável do que em Pompeia. Uma sugestão para a vossa e para a minha próxima viagem ao Monte Vesúvio.
Nós decidimos ficar uma noite em Pompeia tanto porque achámos que voltar para Nápoles ia ser cansativo e porque queríamos visitar o Monte Vesúvio no dia seguinte. Mas é possível fazê-lo. A viagem de comboio entre Pompeia e Nápoles dura cerca de meia hora. Não aconselho é a tentarem fazer o Vesúvio e Pompeia no mesmo dia, vão ficar de rastos.
Agora em relação à comida! Para almoçar queríamos uma coisa rápida e Nápoles é conhecida pela sua tradicional comida de rua (street food). Como podem imaginar eu tinha uma grande lista de comidas que queria experimentar – e, apesar de não ter dado para tudo, começámos o almoço com uma pizza frita. Aviso já que a comida de Nápoles não é para um coração fraco. Mas anda-se muito, por isso quase que um contrabalança o outro. A comida é deliciosa e mesmo o que soa menos bom é delicioso como acabou por ser a pizza frita num estabelecimento mesmo em frente de uma das entradas para a antiga cidade de Pompeia, ‘Pizzeria da zio Carmine di fagà Adolfo e Paolo‘. Itália consegue o subtil sucesso que é a pizza frita o que não foi bem-sucedido durante a nossa estadia na Escócia cuja experiência não consistiu só em pizza (congelada) frita, mas também em Mars frito. Não se pode comparar experiências. A Escócia que se deixe estar com o seu black pudding e haggis. Para acabar fomos provar um gelado à pastelaria De Vivo,mas ficámos meio desapontados. Apesar do bom aspeto os gelados não eram nada de especial, aliás um dos gelados nem sequer muito sabor tinha. Uma pena, pois a expectative era enorme.
Depois de passearmos um pouco pela cidade, passando pela praça principal onde se encontra o Santuário de Nossa Senhora do Rosário e de uma paragem no nosso quarto, escolhemos o local para jantar e um bar para descontrair. Acabámos por ir ao bar antes e depois do jantar. Fomos ao Pub27, um bar com bom ambiente e uma boa coleção de bebidas, especialmente de cervejas. No dia em que fomos era o aniversário do bar e por isso havia promoções especiais para celebrar a data. É que já nem se quis experimentar mais nenhum bar. E o ambiente, a música e as bebidas puxavam-nos para ficar. Bebemos uma cerveja e depois fomos jantar, já com a ideia de voltar.
Acabámos no restauranteLe Delizie Pompei via Roma 83. Esta foi uma decisão escolhida já em Pompeia pela promoção que oferecem. Dois pratos, mais dois acompanhamentos, pão e uma garrafa de água a 15 euros. Acreditem que para a comida que foi valeu bem o preço. Nós experimentámos gnocchi alla sorrentina, tagliatelle alla bolognese, parmagiana di melenzane e scaloppina al limone. No início ainda andámos a mirar os doces, mas depois desta grande refeição já não havia espaço para mais!
No final do jantar mais uma ida para o pub27. Não ficámos até muito tarde que o dia seguinte começava cedo. Era a nossa ida até ao monte Vesúvio antes de irmos para Nápoles.
Monte Vesúvio
Com um pequeno-almoço de leões ou mais de transformar gladiadores em diabéticos de uma só assentada eis que nos víamos prontos para deixar Pompeia e partir até ao monte Vesúvio. Tínhamos já o percurso feito e as horas contadas. Quando estávamos a chegar à paragem de autocarro os empregados do posto de turismo que ficava ao lado da estação disseram-nos que o topo do Monte Vesúvio estava fechado devido ao mau tempo. No início duvidámos, sim tinha chovido no dia anterior, mas não tinha sido nada de especial (a nosso ver), para além que o dia se apresentava limpo e o sol brilhava. Mas perguntámos tantas vezes que acabaram por nos convencer. Sem plano juntámo-nos a uma daquelas excursões que incluía a subida ao vulcão. A excursão parava num miradouro, num local para provar limoncello e ainda ia ao cimo do vulcão, a zona onde fica o tal posto de turismo. Custou-nos 20 euros e não penso que tenha valido a pena. Já que estava fechado mais valia termos feito uma paragem para visitar Herculaneum. Eu não achei o miradouro nada de especial, apesar de haver imensas pessoas a tirar fotografias à costa napolitana. Mas suponho que se está num miradouro mais vale tirar a fotografia. Quanto à prova de limoncello foi interessante, havia limoncello de vários sabores, o meu preferido foi o de melão. Havia limoncello de queijo mozzarella que eu detestei, mas o meu marido disse que era bom, talvez seja eu que tenha mau gosto.
O posto de turismo de onde se parte para o topo do vulcão estava mesmo fechado. Foi uma grande desilusão e ficou assim marcado uma re-visita ao vulcão (esperemos que dessa vez aberto). E esta foi a nossa primeira desilusão da viagem (sim, porque houve mais). Se também planearem vir ao topo do Monte Vesúvio lembrem-se que têm de comprar o bilhete primeiro, ainda antes de entrar no autocarro. Então acabo este post com os preparativos necessários para a visita à caldeira do vulcão do Monte Vesúvio.
Comprar bilhetes com antecedência. No posto de turismo no topo do vulcão onde se entra para o último trecho até à caldeira não vendem bilhetes e a conexão de internet é bastante fraca. Se vierem de carro dão de caras com este problema neste ponto. Se vierem de autocarro desde Pompeia como nós, o motorista só vos deixa entrar já com bilhete. comprado Para comprar os bilhetes visitem o website oficial: https://vesuviopark.vivaticket.it/
Os bilhetes têm hora marcada mas podem entrar 40 minutos antes e até 100 minutos depois da hora marcada
O autocarro para o Vesúvio desde Pompeia é o 808 e o custo do bilhete é 3 euros. O autocarro demora cerca de 50 minutos o que têm de considerar dependendo da hora que marcaram a visita à caldeira. Se essa parte estiver encerrada, como aconteceu quando o visitámos, o autocarro não vai à paragem que fica ao lado do posto de turismo.
Infelizmente não sei quanto tempo se demora a subir, a descer e a tirar fotografias. Espero que tenham a sorte que nós não tivemos, mas não se pode esperar sempre bom tempo quando se viaja em Novembro. Pelo que ouvi ir no Verão também tem as suas complicações, pois o calor é bastante forte.
Durante a excursão foi nos dito que se olharmos com atenção encontraríamos a cara de um homem. Consequem vê-la?
Próximo post será sobre Capri, uma ilha lindíssima, e depois passaremos a Nápoles e sobre esta cidade só posso dizer WOW, é um outro estado de vida! Mas isso fica para mais tarde.
Este post é sobre alguns dos locais onde tenho passado mais tempo em Londres. A maioria das vezes para jantares e saídas à noite, mas também como local de escolha para passear. O post vai ser uma amalgama de dias diferentes, uns em que vim apenas visitar a National Gallery (Galeria Nacional) outros em que vim pelas luzes de Natal. Portanto, as fotografias apanham várias estações do ano.
Trafalgar Square
Vou tentar que a ordem do post faça algum sentido. Vou começar por um pequeno-almoço que vai deliciar aqueles com uma preferência por doces. E começar o dia na pastelaria L’ETO Caffe é com certeza um dia especial. A pastelaria abre às 9 da manhã e fecha às 8 da noite, por isso sempre podem decidir tomar o brunch aqui de manhã e depois voltar para um chá e bolo à tarde. Falei dos que adoram doces porque o principal são os diversos e deliciosos bolos, mas de manhã também há várias opções desde bagels com salmão até panquecas. Se, no entanto, vierem pelos bolos existem sempre muitas opções e o difícil será mesma a escolha. Para acompanhar o bolo nós fomos para o chá e um bule deu bem para duas pessoas. Também podem ser atraídos pelos cafés oriundos de diferentes países ou pelos smoothies. A decoração é feminina, mas de uma maneira subtil.
Hora do chá no L’ETO Caffe
Para queimar essas calorias aconselho por começar em Trafalgar Square através das estátuas dos leões enquanto se dirigem para a National Gallery.E este é o museu que mais tenho visitado, seguido do British Museum. Há sempre exposições novas para visitar e nas permanentes há sempre algo que não se tinha reparado nas visitas anteriores. Está aberto todos os dias da semana entre as 10 da manhã até às 6 da noite, sendo as sextas-feiras exempção pois fecha mais tarde, às 9 da noite.
National Gallery
O que posso dizer sobre a National Gallery? Há mesmo muita coisa para ver…A entrada é gratuita o que é sempre um bónus. Com uma colecção que conta com mais de 2600 quadros é um dos museus mais visitados do mundo depois do museu do Louvre em Paris, do British Museum em Londres, incluído no post anterior, e do Met (museu metropolitano de arte) em Nova Iorque. Aqui vão encontrar quadros de Anthony van Dyck, Vincent van Gogh, Andrea di Bonaiuto da Firenze, Masolino e Rembrandt, apenas para mencionar alguns dos artistas representados. No total estão presentes quadros de 885 artistas de várias épocas e de várias regiões do mundo. Preparem-se para passar aqui umas boas horas e o desafio vai ser não se perderem nas imensas galerias onde encontram pinturas desde meados do século XIII até ao século XIX.
Saindo da National Gallery tem-se logo ao lado a Leicester Square, uma praça onde vão encontrar várias estátuas sendo que talvez a mais conhecida será a do urso Paddington. Contudo, é uma zona bastante animada da cidade e que vale a pena conhecer, mesmo que seja só de passagem. Seguindo a estrada encontrarão Piccadilly Circus, e vão rapidamente reconhecer esta praça pelo edifício coberto de ecrãs. Nesta zona costuma haver imensa gente, com especial atenção pela altura do Natal pois a partir daqui podem passear pela Regent Street, uma rua com imensas lojas desde Zara a Tommy Hilfiger a Michael Kors a H&M, e onde encontrarão os famosos anjos feitos de luzes de Natal ao longo da rua.
Chegada a Piccadilly Circus
Daqui vão ter a outra rua também muito aconselhada para quem gosta de fazer compras, a Oxford Street. Apesar de estes locais não terem muito para visitar apenas conhecê-los e ter a oportunidade de passar por eles é importante, pois são marcos da cidade de Londres.
Se, no entanto, preferirem ir mais para sul a partir do Trafalgar Square vão encontrar a mais famosa torre do relógio, o Big Ben. O Big Ben já está em pleno funcionamento, depois de 5 anos de trabalhos de restauro. A torre foi construída entre 1843-1859 contando actualmente com mais de 160 anos. O mais fantástico é que cada mostrador é composto de 324 peças de vidros, unidas por uma moldura de ferro fundido. O relógio da torre tem quatro mostradores por isso conta no total com 1292 peças individuais de vidro. Apesar de eu já ter feito o erro mais comum e ter chamado Big Ben a toda a torre, na verdade Big Ben é apenas o nome do sino. O nome oficial da torre é Torre Elizabeth em homenagem da Rainha Elizabeth II, nome dado quando decorrem as celebrações do Jubileu de Diamante (60 anos de coroação).
Estando aqui podem decidir se querem visitar o Palácio de Westminster, a Abadia de Westminster(onde normalmente decorrem as celebrações reais) ou o Palácio de Buckingham. Eu confesso que não visitei nenhum destes locais, apenas conheço a sua parte exterior. No entanto, já passei várias vezes pelo parque St James em frente do Palácio de Buckingham em dias que o sol espreitava. Todos estes locais são de entrada paga, a razão pela qual nunca os visitei, mas são certamente edifícios de valor cultural muito valioso para Inglaterra e que com se certeza se tiverem oportunidade valerá a pena a visita.
Mas não se preocupem se vierem sem tempo para ver tudo, mesmo vendo apenas o exterior destes locais fica-se com uma perspetiva bonita da cidade de Londres. Como já disse em outros posts, Londres é uma cidade bastante cara e por vezes temos que fazer escolhas, por isso pesquisem aquilo que querem fazer e escolham apenas o que mais vos agrada dos locais onde a entrada não é gratuita e aproveitem aqueles em que a entrada o é. Na volta para o Convent Garden, aproveitem para passar pelo Admiralty Arch, apesar de se encontrar temporariamente fechado a sua parte exterior vale a pena o pequeno desvio.
Admiralty Arch
Agora Convent Garden e Soho, dois bairros vizinhos com diferenças bastante notáveis. Ambos os bairros não têm pontos turísticos propriamente ditos, mas tanto um como o outro tem uma atmosfera animada, uma mistura variada de lojas, restaurantes, teatros e bares que faz com que ambos sejam bastante procurados. Soho é o centro LGBTQ+ em Londres enquanto Convent Garden continua a ser o coração do Teatro, sendo este também acompanhado por mercados de rua e interiores. Na altura do Natal, o Convent Garden enche-se de luzinhas e já agora aproveito para mencionar que existe também um pequeno mercado de Natal em Leicester Square.
Agora vou passar para restaurantes e sítios para beber. Assim a melhor maneira de organizar o dia é desta maneira:
Pequeno-almoço L’ETO
Trafalgar Square e National Gallery
Big Ben (opcional Palácio e Abadia de Westminster)
St Jame’s Park (opcional Palácio de Buckingham)
Picadilly Circus
Andar pela Regent Street e pela Oxford Street
Em Oxford Street parar para uns cocktails no Simmons Bar e aproveitem o Happy Hour que começa às 3 da tarde e termina às 8.
Em seguida passear pelo Convent Garden, tanto pelos mercados como pelas muitas lojas que se encontram espalhadas por esta zona.
Se vierem pela altura do Natal nada como aproveitar o mercado de Natal em Leicester Square e beber um vinho quente (mulled wine) ou deliciar-se com as muitas guloseimas que se vendem nas barraquinhas.
Para jantar podem escolher o restaurante Happy London em Piccadilly Circus, onde vão ter imensa escolha, desde as entradas às sobremesas. Desde hambúrgueres a massas a bifes e até a marisco. Outra boa opção e bastante aclamada pelos locais é o Soho Joe, um restaurante de comida libanesa.
Se procuram algo mais simples têm o All Bar One em Leicester Square. Aqui a comida é mais tradicional de pub, o que poderá ser exactamente aquilo que procuram – uma verdadeira experiência britânica. Porque acreditem quando digo que há um pub em cada esquina e não me refiro só a Londres. Nada é mais cultural do que ir a um pub especialmente como os das fotografias no final deste post.
Sei que também experimentei na zona de Soho um restaurante greco e uma pizzaria, mas não tenho fotografias nem sei o nome dos restaurantes. O que prova que Soho é uma óptima escolha para jantar e seguir para a farra a noite toda. Mas nesta zona podem rapidamente procurar um restaurante onde jantar, o difícil vai ser mesma escolher porque há uma imensa variedade de opções.
E assim acabo o dia a percorrer esta parte de Londres. Ainda faltam uns quantos posts e claro que faltam incluir imensos locais, por isso aviso que só estou a mencionar os mais conhecidos. Porque em Londres têm tudo o que possam imaginar e até aquilo que não conseguem imaginar.
Londres é uma cidade enorme e em cada canto há algo para ver ou viver. É-me difícil escolher e dizer para fazer isto ou aquilo quando vai depender muito dos gostos de cada um. E dependendo dos gostos assim vão ser os locais em Londres que mais vos agradará. Talvez um dos locais mais conhecidos, pela sua diferença, é Camden Town. Este é talvez um dos locais que mais tenho visitado em Londres. É uma zona que tem de entrar em qualquer roteiro turístico, não só pelas suas ruas com as muitas lojas chamativas pelo seu design, como o canal por onde se pode passear, mas também pelo mercado com imensa comida deliciosa. Camden Town é talvez uma das zonas onde a diversidade cultural é mais sentida pois é um local onde se mistura todos os estilos. Eu adoro esta zona exatamente por isso, independentemente do estilo, do que se gosta de vestir ou como se parece fisicamente, vai-se sempre integrar nesta comunidade. É por isso uma zona muito procurada talvez mais por uma geração mais nova, mas não deixa de ser um local a visitar e a apreciar como turista. Naquelas ruas encontra-se o significado puro de uma cidade multicultural.
Em Camden Town o mercado é talvez o sítio central para comer. Aqui encontrarão várias bancas de cozinhas diferentes e todos de preços bastante acessíveis. Eu recomendo as Halloumi Fries de banca Oli Baba’s para petiscar e para uma refeição mais substancial, se também se quiserem sentar, porque no mercado torna-se difícil, a Pizza Pilgrims. Também podem aproveitar a promoção do restaurante Tai Pan Alley, se quiserem um jantar com bebidas à descrição. Deixo aqui o website se quiserem experimentar: https://www.taipanalley.co.uk/bottomless-dinner
Mas sem dúvida, aproveitem para passear pelas ruas e ao longo do canal, especialmente se estiver um dia bonito. Também podem sempre parar num dos pubs para umas bebidas, como por exemplo no pub The Ice Wharfmesmo ao lado do canal ou noThe World’s End.The World’s End pode para muitos ser apenas um pub, mas é na verdade um marco na história no norte de Londres. O pub, no piso do rés-do-chão está disposto como a de um mercado, sendo um reflexo do mercado que outrora existia naquele mesmo local. Por baixo deste piso encontra-se TheUnderworld, o segundo bar onde há vários espetáculos de música, música esta que se pode dizer não apela a todos os gostos. É uma mistura de música eclética, e por isso mesmo o Underworld é muito procurado. Estes pubs têm uma longa história de pessoas famosas frequentadoras deste espaço, como por exemplo Charles Dickens.
The Regent’s Park
Mesmo ao lado de Camden Town e mudando completamente de vibe encontra-se The Regent’s Park, um jardim considerado como muitos a jóia da coroa britânica. O parque é um obra-prima de paisagismo e planejamento urbano projetado em inícios do século XIX por John Nash. Nash planeou a construção de várias casas residenciais que seriam altamente procuradas pela Regência para além de um palácio de Verão para o príncipe Regente. O palácio nunca se chegou a erguer e das casas apenas 8 foram construídas. No entanto, este passou a ser um Parque Real que apenas a partir de 1835 foi aberto ao público, no entanto apenas começando pelo lado leste do parque. Como podem imaginar, apesar dos planos de Nash não se terem realizado, esta é realmente uma das zonas caras de Londres.
Desde 1838 que a Royal Botanic Society (Sociedade Real Botânica) tem tido uma influência neste parque com a inclusão de o Inner Circle onde vão encontrar um lago e a coleção de rosas nos jardins Queen Mary’s Gardens, colecção esta que é mundialmente famosa. Também neste parque se encontra o Zoológico de Londres, no entanto nunca tive o prazer de o visitar.
Claro que dependendo da altura do ano a experiência da visita é diferente. Como podem ver pelas fotografias eu vim a meio do Outono, mas mesmo assim ainda consegui ver algumas rosas para além da magnífica panóplia de cores que esta estação do ano oferece.
Brunch & estações de St Pancras e King’s Cross
Começo-me a aperceber que este post devia ter começado ao contrário – do British Museum até Camden Town em vez de Camden Town até ao British Museum. Daí o título do post – já que já falei de locais para jantar quando ainda não falei do pequeno-almoço. E é por isso mesmo que o próximo local é para o brunch – The Sandwich Street Kitchen. Não aceitam reservas por isso não estranhem se encontrarem fila. Nós quando viemos já era mais perto de um almoço tardio do que propriamente de um brunch mas por isso não tivemos que esperar por mesa, apesar de estar várias pessoas chegarem quando entrámos. Para além de não aceitarem reservas prévias só terão mesa quando estiverem todos do vosso grupo. Isto apenas mostra o quanto popular é o sítio. Eu experimentei o Mediterranean Breakfast e para além de ser muito bom, trouxe imensas variedade de comida. Muito bom e não foi nada caro para o tabuleiro que nos chegou à mesa.
Este restaurante fica perto de duas estações de comboio (Euston e St Pacras) que fazem conexões com todo o país ou mesmo a nível internacional, como é o caso da estação de St. Pancras de onde podem apanhar o Eurostar para França ou Bélgica. A estação só por si vale a pena visitar e acreditem quando digo que é enorme como imensas lojas e até um piano se souberem tocar e estiverem para aí virados. E mesmo ali ao lado para aqueles que são fãs do Harry Potter encontrarão a plataforma 9 3/4. É verdade, a estação que aparece nos filmes de Harry Potter é a estação de King’s Cross. E se querem experimentar a sensação de estar num dos filmes nada como ir até lá e tirar uma fotografia com o carrinho que já está meio dentro da parede. Claro que se o fizerem não podem perder uma visita aos estúdios do Harry Potter em Watford – vejam o post aqui.
The British Museum
Para último e já nos dirigindo para os próximos ‘bairros’ do próximo post, deixo-vos no British Museum. A entrada para este museu é gratuita e é um dos museus mais conhecidos da cidade pela sua imensa variedade de exposições. Para terem uma ideia do tamanho deste museu e do seu valor cultural encontram-se mais de 60 galerias cobrindo a história de mais de 2000 anos. E como devem calcular no total, as exposições cobrem todo o mundo desde a Ásia, China e Índia, até Roma e Grécia antigas, até ao misterioso mundo do Egipto. Se adorarem arte vão passar muitos horas a percorrer os dois pisos deste museu. Eu já vi cá várias vezes e encontro sempre coisas fascinantes e nem sou muito apreciadora de arte. Para dizer a verdade o meu interesse vem mais do meu marido que é de conservação e restauro e que tem um conhecimento vasto sobre as várias civilizações e períodos da história, a maior parte deles retratados neste museu.
Para aqueles que não são dados a museus, posso sempre dizer que aconselho a ficarem com ele como opção em caso de estar a chover, o que é bastante provável. Também ali há um cafézinho e casas-de-banho para quem precisar.
Nando’s
Para jantar, se acharem que Camden Town fica longe de onde estão alojados e principalmente se estão a tentar encontrar uma coisa não muito cara, mas meio que saudável, existe esta franchise – Nando’s. Muitos vos dirão que o Nando’s é um restaurante português. Não é português, mas é bastante bom. Aliás em qualquer cidade de Inglaterra vão encontrar um restaurante desta companhia. Eu já jantei algumas vezes no restaurante ao pé da estação de Euston e aconselho a quem quiser experimentar uma refeição mais leve mas mesma assim cheia de sabor. E o frango que é o que é mais famoso do Nando’s é bastante bom.
Itinerário sugerido
Como disse acima o post está ao contrário ou talvez não na ordem mais lógica, apesar da ordem seguir de locais mais a norte de Londres até aqueles mais ao centro. Mas se quiserem organizar o dia como deve ser com as sugestões incluídas sugiro:
The Regent’s Park
Brunch no The Sandwich Street Kitchen
O British Museum
Estações St Pancras and King Cross
Chegar ao canal perto de St Pancras Gardens
Seguir o canal até Camden Town
Comer umas halloumi fries no Oli Baba’s
Passear pelas ruas e pelos mercados de rua em Camden Town
Parar no The Ice Wharf para uns cocktails
Jantar no Pilmigrims Pizza
Acabar a noite no pub The World’s End ou se quiserem uma coisa mais calma talvez ver um filme nos cinemas Odeon
E a seguir vamos mais para o centro de Londres – próximo post será sobre Soho, Convent Garden, National Gallery e muitos sítios para comer
Fazer um post sobre Londres é algo que está há muito tempo na minha lista. E quando digo há muito tempo refiro-me a anos. Mas nunca me sinto preparada para escrever sobre esta cidade. Porque ainda mesmo agora, depois de 8 anos, a visitar ocasionalmente Londres, e morando a meia hora de distância, ainda não sinto que possa dizer que conheço Londres. Na verdade, nem sei se alguém pode dizer que a conhece totalmente. Não é só pelo tamanho da cidade e pelos vários distritos que a dividem, de tal maneira que até já me disseram que cada zona de Londres tem sotaques diferentes, mas porque está sempre muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Todos os fim-de-semanas há feiras, espetáculos e experiências a acontecer, dependendo da altura do ano.
A pista de gelo ao lado do museu de história natural que está apenas aberta na altura do Natal
Eu tenho a felicidade de dizer que já visitei Londres em todas as estações do ano e não há uma melhor que a outra, desde o Verão com os vários jardins para explorar, ao Outono com os tons de laranja a colorir a cidade, ao Natal com as suas ruas decoradas com mil luzinhas até à Primavera com as árvores em flores. Em qualquer altura que venham vão gostar de conhecer a cidade, uma cidade que é uma das mais multiculturais do mundo e uma das mais procuradas em todo o mundo. Qualquer que seja o vosso gosto em viagens, Londres tem. Qualquer que seja a vossa cozinha preferida, Londres tem. O que quer que procurem, Londres tem.Vão encontrar uma cidade que anda sempre num ritmo de mil à hora, mas no fim da viagem vão ter memórias de uma cidade inesquecível.
A famosa Oxford Street com as suas maravilhosas luzes de Natal
Eu nunca fiz o clássico turismo em Londres, como por exemplo passar uma semana a conhecer a cidade. Normalmente vou só por um dia visitar algo específico ou encontrar-me com amigos, por isso os próximos posts vão ser de locais que visitei, restaurantes que experimentei, coisas que vi, mas não numa forma planeada para um dia ou para uma semana em Londres. Do que incluir neste blog depois podem escolher o que mais vos agrada ou incluí-los com outros locais que ainda não visitei. Eu, por norma, em relação a museus vou aqueles que são de entrada gratuita, o que vão ver que são bastantes. E aproveito aqui para dar um alerta – confirmar o que já se sabe – que Londres é caro. Não quero desanimar ninguém mas contem com isso. Aliás é conhecido entre os que cá moram, como piada, que basta de sair de casa em Londres para já se ter gasto 50 libras. Mas a experiência é única e para ajudar eu vou falar de locais que não vos vão deixar paupérrimos e que vos vão dar uma experiência clara do que é a cidade de Londres.
Os bonitos edifícios na parte sul de Londres
Tower Bridge
Eu vou tentar por nos posts locais que ficam relativamente perto uns dos outros para que possam assim organizar-se por dia. Se me perguntarem o tempo ideal para visitar Londres eu diria que se querem ficar só no centro e ficar a conhecer os locais mais turísticos para aí uns 4 a 5 dias. Também depende de como se vão querer deslocar, se for a pé vão demorar muito mais do que se forem de transportes públicos, mas isso também se aplica a qualquer outra cidade. Mas há várias partes da cidade que ficam longe umas das outras e aconselho a que visitem a cidade também a pé, vão passar por feiras, apreciar a paisagem, encontrar pequenas roulottes com comida. A experiência será mais enriquecedora. No entanto, aconselho a aproveitarem os transportes públicos, para puderem incluir mais na vossa viagem. Suponho que o ideal é encontrar um balanço entre andar a pé e ir de transportes.
Transportes públicos em Londres
O meio de transporte mais conhecido e o preferido da cidade é o metro. Abaixo tem o mapa do metro e logo concordam que coloca o de Lisboa a um canto, tal como um jogo de crianças. Eu sei que a início pode parecer confuso, mas na verdade só tem de saber para que estação querem ir e em que linha é que a estação fica. As estações estão bem sinalizadas e só é mesmo confuso pelo número de linhas e paragens. Mas é um dos melhores meios de transportes, rápido, eficiente e constante. Se perderem um metro passado uns minutinhos outro estará a chegar
Outra opção de transportes são os famosos autocarros vermelhos. Mas aviso desde já que o trânsito em Londres é terrível, por isso se a distância for curta aconselho a irem a pé pois há uma probabilidade muito grande de chegarem primeiro a pé do que o autocarro, especialmente à hora de ponta.
Trânsito numa rua de Londres
Na primeira vez que a nossa família nos veio visitar a Inglaterra, decidimos que para mostrar toda a cidade, sem ter de andar muito, apanhar os autocarros turísticosLondon Hop-on Hop-off. No entanto, não ficámos fãs da experiência! Primeiro o trânsito faz com que se perca muito tempo, tal como as filas para entrar nos mesmo autocarros que muitas vezes estavam apinhadíssimos! Aviso desde já que também o metro costuma estar muito cheio e que ao final do dia especialmente em dias de verão se encontra muitos desafios especialmente focados em cheiros e distância corporal. Mas claro que os tais autocarros vos leva a ter uma ideia sobre os vários locais centrais da cidade, pois passa por todos os pontos mais conhecidos. Apesar da minha opinião outros podem achar que é a opção ideal e por isso deixo aqui um link para várias empresas de autocarros turísticos: https://www.hop-on-hop-off-bus.com/london-bus-tours
Acrescento apenas que andar de metro em Londres é por si uma experiência turística. Este complexo de linhas é tão especial que até foi descoberto uma subespécie de mosquitos própria deste ambiente. Um microclima debaixo da cidade, onde milhares de pessoas percorrem estes túneis diariamente.
Hampstead Heath
Para entrar no mundo da vida londrina começar por mencionar um bom sítio especialmente se vierem no Verão – Hampstead Heath.
Para perceberem um bocadinho da cultura deste país, devido à imensa quantidade de dias por ano que não se vê sol, que chove, que está frio, mal há uma aberta azul no céu corre tudo para os parques. Durante um dia de Verão há gente espalhada por tudo o que é relvado, quer a fazer um picnic, quer a ler um livro, tanto sozinhos como com um enorme grupo de amigos. Se forem a Hamsptead Heath num sábado de manhã encontrarão imensa gente a correr, um hábito bastante comum de cá, ou a passear pelo parque com as crianças, cães ou amigos. E isto não se aplica só em Hampstead Heath mas a todos os locais com jardins como o Hyde Park ou mesmo Camden Town.
Vista sobre a cidade de Londres em Hampstead Heath
Hampstead Heath é um local muito especial, talvez mais conhecido pela paisagem lindíssima sobre a cidade de Londres e os seus altos edifícios, mas é especial porque apenas existe devido a uma longa e persistente luta no século XIX a fim de proteger um dos últimos ‘pulmões de Londres’. Quando vierem a Londres vão se aperceber o quanto é raro encontrar esta floresta com os seus lagos cobrindo mais de 3 Km2 a pouco menos de 6 Km do centro de Londres. Não é sem razão que este é um local bastante adorado por pintores, fotógrafos e até escritores. Outra coisa que podem fazer neste local é nadar. Sim nadar! Há uma zona dos lagos onde é permitido o fazer. E acreditem que mesmo em dias de frio há gente aventureira que o faz.
Venham com tempo para passear, mesmo que não queiram entrar dentro de água, ou fazer uma corrida, apenas aproveitar a paisagem panorâmica, num sítio tão improvável de ainda existir.
Ovos turcos no Silverberry
Para chegarem aqui apanham a linha de metro ‘Northern Line‘ e param na estação de Hampstead. Antes ou depois do passeio aconselho a que venham ao brunch em Silverberry. Este local não aceita reservas prévias, por isso muito provavelmente terão de esperar na fila. Mas vale imenso a pena. Eu experimentei os ovos turcos (imagem acima) e fiquei logo convencida, mas dos pratos que vi passar parece-me que qualquer escolha será uma boa escolha.
Para o próximo post vamos falar de Camden Town, Regents Park, British Museum e outro local para brunch que não podem perder….vamos já descendo para o centro de Londres!
Quando pensamos em Inglaterra vem-nos imediatamente à ideia imagens de Londres, a roda branca do London Eye que aparece sempre em noites de Ano Novo ou a torre do relógio que todos conhecemos como o Big Ben ou mesmo outras grandes cidades como Manchester, Liverpool, talvez mais conhecidas pela sua relação com o futebol. Vou já aproveitar para mencionar que é em Manchester que decorre um dos melhores mercados de Natal, aqui em Inglaterra, por isso preparam-se que para dezembro será aí que vamos passar uns dias. Mas isso só daqui a uns meses. Bem e, entretanto, distraí-me. O que queria dizer é o que este post foca-se em duas cidades mais pequenas, ambas perto de Londres e que são uma ideia para tanto aqueles que querem conhecer um pouco de Inglaterra, num ritmo mais calmo do que que Londres, e aproveitar para conhecer a cultura, a comida e já agora aprender/treinar um pouco da língua inglesa.
Eu adoro visitar estas pequenas vilas, normalmente bastante pitorescas, mas talvez seja porque moro aqui em Inglaterra. Mas mesmo da última vez que vieram cá os nossos familiares, tendo eles já conhecido Londres e tendo alguns deles algumas dificuldades em andar durante muito tempo e no meio de confusões, acabámos por explorar Barnet, uma cidade já pertencente ao concelho de Londres, mas com um ritmo menos intenso. Aliás podem até escolher outras cidades, que não estão incluídas neste post, mas das quais já mencionei, como Watfordonde se encontram os estúdios do Harry Potter ou Hitchin e os seus bonitos campos de lavanda. Ambas estas cidades também estão perto de Londres e num instante se chega a cada uma dela para um dia diferente, mas sem dúvidas com bastantes boas memórias.
Aliás estas cidades, mais pequenas, têm sempre pequenos recantos com jardinzinhos, lojinhas pitorescas, e algures um museu onde se conta a história da cidade, que nos leva ao passado com exposições de roupa que estava na moda em tempos idos, ou que mesmo nos leva aos tempos terríveis de guerra. Apesar de pequenos, estes museus têm um imenso valor cultural, e normalmente são de entrada gratuita.
Barnet
Neste post vou incluir duas cidades, Barnet e Bushey, ambas perto de Londres, para uma tarde ou uma manhã diferente. Primeiro, vou falar da cidade que está mais perto de Londres – Barnet – que fica a cerca de 10 milhas do centro da capital. Para chegar a Barnet basta apanhar o metro. Uma das primeiras sugestões é visitarem Barnet num Sábado ou numa Quarta-feira, dias em que o mercado é maior. Aconselho-vos menos a vir a Barnet na segunda-feira porque dois dos locais principais que vou mencionar abaixo (museu e pastelaria) encontram-se ambos encerrados.
Uma brevíssima história sobre Barnet
Barnet foi durante muito tempo conhecido pelo seu mercado, que foi mudando de localização ao longos dos tempos, começando no século XII. Hoje o mercado não é assim tão importante, mas ainda é um ponto de paragem com um valor cultural (e culinário) em Barnet. Mas talvez, o edifício mais prominente e que vão avistar mal chegam ao centro de Barnet é a Igreja de São Baptista. Pensa-se que esta igreja anglicana tenha sido construída por volta do ano 1250, claro que não no estado presente, tendo a igreja original passado por muitas remodelações e extensões para atender a todos aqueles que vinham aqui praticar a sua religião.
Na rua principal de Barnet, na High Street, poderão ver nos vários postes várias bandeiras com diferentes brasões. Cada brasão representa o batalhão que fez parte da Guerra das Rosas, outro marco importante em Barnet, uma vez que a 14 de Abril de 1417 travou-se a Batalha de Barnet. Esta batalha fez parte de um conjunto de lutas dinásticas entre as casas de York e Lancaster, pelo trono de Inglaterra. A Guerra das Rosas decorreu durante 30 anos (1455-1485).
Por onde começar a vossa visita mal cheguem a Barnet?
Nada como começar por tomar o pequeno-almoço ou almoço na Patisserie Joie de Vie. Nesta pequena pastelaria, pequena, mas onde há muita coisa deliciosa, podem escolher entre algo salgado ou doce ou ambos. Tanto os crepes, como as sandes ou os bolos tem um ar divinal. O serviço é rápido e o difícil é mesmo escolher. Depois de uma refeição que vos vai deixar felizes, o ponto seguinte é o museu de Barnet.
Como disse acima a entrada é gratuita e serão muito bem acolhidos. O museu encerra às segundas e às sextas, mas nos restantes dias está aberto entre as 2 e meia e as 4 e meia exceto aos sábados, dia em que abre às 10 e meia e encerra à hora habitual, 4 e meia. Normalmente nestes museus locais, há vários voluntários disponíveis para explicar a história da cidade, a disposição do museu e qualquer outra pergunta que tenham sobre as diferentes exposições. O museu de Barnet está aberto desde março de 1938. No primeiro piso, os destaques são a primeira e a segunda guerras mundiais, no piso do rés-do-chão encontra-se uma reprodução de uma cozinha, uma secção sobre a realeza britânica e a história de cidade. Por outro lado, no último piso, o da cave, é dedicado a roupas e bonecos, estes últimos doados por moradores da cidade.
Depois de explorar este pequeno museu, e se vierem em dia de mercado, como disse acima, não percam a oportunidade de o visitar e talvez de comprar algum docinho. No mercado há uma barraquinha que vende diferentes tipos de pão e pastelaria que deixa sempre os olhos a luzir, e com preços muitos em conta. No entanto, o meu conselho para já é que comprem, mas para depois. Mesmo ao lado do mercado há um pequeno centro comercial, The Spires. Não é um centro comercial grande, muito pelo contrário, mas vão aproveitando para esticar as pernas até porque a próxima paragem é cheia de calorias deliciosas. Em julho abriu esta pequena pastelaria, a Marley’s Bakery, e apesar de ter aberto há pouco tempo já lá se foi duas vezes, uma vez até com a família, porque achámos que não podiam perder a oportunidade. Podem aproveitar para tomar aqui o famoso afternoon tea, conhecido como o chá das 5, que fica a £25 euros cada pessoa e precisa de reserva antecipada. Mas também ficam muito bem apenas com um bolo, que vos garanto vos deixará bastante satisfeitos e também vos ficará mais em conta – no entanto, já que estão em Inglaterra não há nada como ter a verdadeira experiência britânica. A pastelaria é muita gira e acolhedora, posso dizer que com um toque bastante feminino, mas de forma suave. Se vierem a Barnet, por favor não deixem de visitar este local.
Para acabar a visita em Barnet, podem percorrer simplesmente as ruas da cidade, fazendo uma pequena visita a um pequeno parque, o Ravenscroft Gardens, onde passarão por uma mansão privada, que ainda estamos para descobrir se pertence apenas a uma família. Se estiverem com mais genica podem sempre andar mais um bocado (ou talvez apanhar um Uber) até ao Dinosaur Safari Adventure Golf, para uma sessão engraçada de mini-golf e já agora com paragem no pub Arkley no caminho de volta (ou talvez no caminho de ida e no de volta).
Bushey
Comparando com Barnet, esta talvez seja uma cidade com menos probabilidade de ser visitada. No entanto, se se encontrarem instalados em Watford para visitar os estúdios do Harry Potter, ou por outra razão qualquer, e não souberem o que fazer deixo-vos aqui esta ideia. Bushey fica no Sul de Watford e podem ou apanhar o autocarro que demorará cerca de 15 minutos se forem de Watford, ou se vierem de Londres, o melhor transporte neste caso é o comboio, que ficará mais ou menos a 45 minutos. Não acho que valha a pena vir a Bushey de propósito, mas se tiverem de passagem, porque não?
A criação do jardim das rosas foi um projeto pensado e discutido em 1913, depois da escola de arte ter sido demolida neste local em 1912. Quem pensou em criar este jardim foi o proprietário, Sir Hubert von Herkomer juntamente com Thomas Mawson, este um arquiteto paisagístico. No entanto, Herkomer morreu em 1914, antes do projeto puder ser realizado. Só em 1937, depois da propriedade ser adquirida pelo Bushey Urban District Council, se fez aqui o jardim das rosas aberto ao público desde o seu início. Apesar das dimensões do jardim serem um pouco reduzidas, se vierem na altura certa do ano, quando as roseiras estão cobertas pelas magníficas flores, podem apreciar diferentes espécies de rosas e ainda os claustros que são vestígios da Escola de Artes demolida em 1912, a Fonte, o Templo da Rosa e a Casa de Verão com informações sobre a história deste jardim. E claro está que se o tempo proporcionar, poderão sempre fazer um piquenique ou aproveitarem os bancos para apanhar um bocado de luz do sol que é algo que muitas vezes escassa em Inglaterra.
O segundo local que vos deixo para visitar em Bushey é o museu da cidade – Bushey Museum & Art Gallery. Aqui vão ter oportunidade de conhecer a história da cidade tal como visitar exposições de arte, tanto permanentes como temporários. Um exemplo de uma exposição permanente neste museu é a exposição sobre a vida e as obras de Hubert von Herkomer, que era um artista britânico com origens alemãs que teve impacto na criação do jardim das rosas como foi mencionado acima.
É sempre interessante conhecer pessoas que tiveram um real impacto naquela cidade que estão a visitar e como esse mesmo impacto ainda está presente depois de muitas décadas.
Deixo-vos com estas duas cidades, que talvez não sejam turísticas, mas não são menos interessantes de visitar. Conhece-se sempre novos pedaços da história do país e normalmente é nestas cidades que pequenos tesouros são encontrados como é o caso do jardim das rosas em Bushey e o Marley’s Bakery em Barnet.
Se passarem por Bushey não deixem de ir a Watford onde existem muitos bons restaurantes (vejam o post já publicado neste website), um grande centro comercial e muitos locais para passear e fazer caminhadas.
Saint Albans é uma cidade a cerca de 35 Km de Londres. Bonita, cultural e por isso mesmo um dos locais mais caros para viver em Inglaterra. O nome de Saint Albans refere-se ao primeiro Santo Britânico, Alban. É também uma cidade onde se encontram vários vestígios romanos, muitos deles espalhados pela cidade e no museu de Verulamium. Para visitar a cidade um dia é suficiente. Para quem visita Londres e quer um dia fora da grande cidade, Saint Albans é a perfeita escolha. Comecemos então pelas sugestões para um dia bem passado em St. Albans.
P.S. se quiserem ver tudo sobre Saint Albans, desde pequen-almoço até à noite cliquem em:
Para abrir o post vamos começar pelos cocktails. Um dos melhores locais é oPunchin’ Palooka. O menu de cocktails não é muito extenso, mas se quiserem outros cocktails que não constem no menu peçam-no. Foi assim que acabámos com cocktails de absinto na mesa! O local é mais pequeno apesar de também terem um pátio exterior e por essa razão reservas de mesa antecipadas são recomendadas.
Na nossa exploração constante de Saint Albans encontrámos um pub mesmo ao lado da torre do relógio, onde o ambiente é bastante animado e a seleção de bebidas razoável. The Boot é o nome do pub onde acabámos em grande uma noite em Saint Albans. Se procuram um local que reflete a cultura tradicional britânica, nada como este pub. O pub foi construído em 1420 e é hoje considerado um dos pubs mais antigos do Reino Unido. Um bocado de história onde a atmosfera atrai qualquer um.
Se gostarem de cocktails e se estiverem à procura de um local onde os preços sejam mais em conta nada como o Slug & Lettuce. O Slug & Lettuce é uma cadeia de restaurantes britânica, virado mais para os cocktails do que para a comida, uma vez que a maior parte do menu contém várias escolhas de pratos para partilhar ou petiscar. No entanto, podem sempre escolher vir ao brunch. Eu nunca comi no Slug & Lettuce em Saint Albans, mas já experimentei o de Watford. Como disse é um local mais virado para a bebida do que para a comida. Mesmo a comida sendo de qualidade média (nem muito boa, nem muito má), acreditem que podiam arranjar pior. A grande atração deste sítio é que vendem dois cocktails (iguais) pelo preço de um! A minha recomendação é o long island ice tea…e pelo preço de um têm dois!
Para jantar há várias opções, desde italiano, a libanês, a indiano. Mas nós acabamos sempre no mesmo sítio – Sushimania – uma rede de restaurantes japoneses. Nós gostamos muito do restaurante de Saint Albans, mas atenção nem todos os restaurantes desta companhia tem a mesma qualidade. Já experimentamos Sushimania noutro local e a experiência foi muito mais pobre. Mas se gostam de sushi venham ao Sushimania de Saint Albans e não se irão arrepender.
No entanto, em Saint Albans, se fizerem uma pesquisa rápida, existem muitos restaurantes muito bem avaliados. O problema é não sabermos nos organizar com antecedência, porque estes restaurantes estão sempre lotados. Um outro restaurante que experimentei e não está tão bem avaliado, mas do qual gostei muita da entrada que comi é o restaurante italiano Zizzi. Também este restaurante, tal como o Slug & Lettuce, faz parte de uma cadeira espalhada por todo o país. Em qualquer cidade em Inglaterra encontra-se um Zizzi numa esquina. Eu já tinha comido num destes restaurantes em Londres e não fiquei mal impressionada. Apesar do restaurante não ter uma cotação muito alta, gostei imenso da entrada especial daquele dia – pizza antipasti. Eu diria que era uma refeição completa apesar de estar listada como entrada. O Zizzi é conhecido pelas suas pizzas alongadas, mas também tem a escolha de pratos de massa, risotto, peixe e carne. E porque também não aproveitar e escolher um cocktail para acompanhar a refeição? Fica aqui a deixa.
Um lugar para quem quer uma coisa rápida, mas que seja saborosa e que como tal nos encha as artérias de colesterol é o Five Guys. Hambúrguer feito na hora com os acompanhamentos que quiserem adicionar como cogumelos, cebola assada, pickles, pimentos, e acabando por adicionar os molhos que preferirem como os tradicionais ketchup e maionese até ao molho de barbecue e molho picante. E como em todos os restaurantes da cadeia do Five Guys podem comer os amendoins que quiserem – leram bem amendoins. O Five Guys também é conhecido pelos seus milkshakes para uma maravilhosa extra dose de ataque cardíaco.
Para acabar numa nota doce, deixo-vos Darlish. Talvez o producto mais conhecido desta gelataria seja a sandwich de baklava com gelado. Baklava é uma sobremesa tradicional da Turquia feito com pasta de nozes, massa filo, mel, pistachio e avelãs que fazem deste um dos locais óbvios a experimentar para quem visita Saint Albans. Nós claro que viemos experimentar a baklava com gelado de pistachio. Houve opiniões diversas, houve quem achasse muito doce, mas todos concordámos que o gelado de pistachio era muito bom. Darlish oferece gelados de outros sabores, na maioria inspirados nos sabores do Meio Oriente. Por exemplo, no novo menu de 2023 podem escolher entre gelados com sabor a flor de laranjeira com pistachio ou açafrão com rosas e pistachio ou talvez leite de cenoura. Com estes sabores exóticos é impossível não se sentir tentado a experimentar.
Verulamium Park é um dos principais locais para encontrar ruínas romanas. De facto, aqui se encontram os vestígios da terceira maior cidade romana da Inglaterra. Esta cidade chamava-se Verulamium, dando nome ao parque e ao museu. Neste parque encontram-se grandes secções da muralha da cidade romana ainda intacta e um mosaico que fazia parte de uma grande casa.
Entrada para o Verulamium Park
Para conhecer ainda mais sobre Verulamium, mesmo ao lado do parque, temos o museu. Este museu foca-se em explorar e representar a vida quotidiana na cidade romana de Verulamium. Várias salas estão organizadas e expostas de maneira a visualizar-se facilmente como as pessoas teriam vivido naquela altura. Também é neste museu que se encontram alguns dos melhores mosaicos fora do Mediterrâneo. A entrada para o museu custa 6 libras por adulto. Também relacionado com os romanos que aqui viveram temos o Teatro Romano. Este é o único exemplo de teatro romano em Inglaterra, tendo sido este construído em 140 DC. O teatro foi usado primeiro para procissões e danças associados à religião, mas também para luta livre e combates.
Entrada para o teatro romano de Saint Albans
As ruínas do Teatro Romano que estão hoje à vista foram encontradas entre 1847 e 1935. Escavações posteriores revelaram alicerces de lojas, uma villa romana e um santuário. A entrada para o Teatro Romano custa 3 libras.
Saindo da vida dos Romanos e dos vestígios presentes temos duas igrejas que podem ser visitadas, St Michael’s church e a maravilhosa catedral de Saint Albans. A igreja de St Michael fica nas redondezas do museu de Verulamium.
Dentro da igreja existem vários pontos de interesse como a pia batismal construída no século XV. A pia batismal com o seu formato octogonal representa os visitantes de todos os cantos do mundo que param nesta igreja. A nave, o corpo principal da igreja, foi construída antes da conquista normanda. O ponto central da igreja de St Michael é, no entanto, o seu altar. A janela a Este do altar representa a transfiguração, o episódio bíblico em que Jesus revela a sua santidade aos seus discípulos. Do lado extremo Oeste da igreja há uma janela com três anjos. O anjo do meio representa Michael (ou Miguel), o padroeiro desta igreja.
A catedral de Saint Albans é sem dúvida o edifício mais prominente da cidade.
Como disse no início o nome de Saint Albans relaciona-se com o primeiro Santo da Grã-Bretanha, Alban. Esta catedral é um memorial notável a este Santo. Para perceber a importância de Alban vou falar um bocadinho da sua história de vida. Alban viveu no início do seculo III na cidade de Verulamium (a cidade romana). Alban deu abrigo a um padre cristão que estava a ser perseguido, uma vez que a liberdade religiosa nesta altura como se pode esperar, era inexistente. Alban, inspirado pela importância da fé para o padre, quis aprender mais sobre o cristianismo. A localização do padre cristão abrigado por Alban foi conhecida e para impedir que o padre fosse preso, Alban trocou a sua roupa com a do padre. O padre escapou e Alban foi preso. Como Alban se recusou a renunciar a crença cristã, este foi condenado como um cristão e decapitado.
Apesar de não se conhecer bem a história da primeira igreja construída sobre o túmulo de Alban, sabe-se que um mosteiro foi erigido em 793. A construção da abadia com a sua torre foi concluída em 1115. Até 1539 monges viviam na abadia produzindo manuscritos de bíblias e livros focados na ciência, música e clássicos. Em dezembro de 1539 a abadia foi encerrada. O santuário de St Alban foi destruído e as suas relíquias desaparecerem. Em 1877, depois do edifício ter sido restaurado a igreja tornou-se a catedral de St Albans e a sede do bispo desta cidade. A catedral hoje está aberta ao público, a entrada é gratuita e tanto o seu exterior como interior merecem toda a atenção. Se tiverem sorte de visitar Saint Albans com bom tempo podem aproveitar para se sentar no jardim que fica em frente à catedral e desfrutar do sol e da arquitetura prominente deste edifício.
Um último local para visitar que gostaria de mencionar é a Torre do Relógio de Saint Albans. Mesmo no centro da cidade, ergue-se a torre que foi acima de tudo uma declaração de protesto político contra o poder da religião em Saint Albans. A torre foi contruída em 1405 e permitia à cidade controlar as suas próprias horas, em vez da igreja, que até então detinha este poder, o de determinar as horas. É incrível como algo tão banal nos dias de hoje era algo tão importante e até usado como poder em eras passadas. Isto porque o ressoar do sino do campanário indicava a hora de recolher na cidade. O sino também funcionava como alerta em caso de fogo ou guerra. Em 1455 o sino tocou para alertar a população do que seria a primeira batalha de St Albans durante a Guerra das Rosas. É possível subir ao topo da torre para aproveitar a magnífica vista do topo. No entanto, de momento está em reparações, mas espera-se que abra novamente ao público.
E assim ficam aqui as sugestões para um dia passado em Saint Albans, uma cidade pequena, pitoresca, cheia de história e de locais para visitar e descontrair.
A ilha da Madeira: a nossa grande viagem de 2023. Todos os anos há sempre uma viagem que é considerada a grande viagem, não por significar mais que as outras, mas por ser a mais longa e normalmente a menos comum. Este ano escolhemos a Madeira. Em 2022 foi o Alasca, em 2021 a road trip pela Irlanda, em 2020 os Açores e 2019 a Noruega e assim por aí fora até 2017 quando a nossa primeira viagem à séria levou-nos à Islândia. Todas estas viagens estão neste blog e podem clicar nos nomes dos diferentes países que vos levarão à respectiva viagem. Mas estou a divagar – 2023 – a Ilha da Madeira.
Dia de tempestade na Madeira – Mesmo assim lindíssima
A Ilha da Madeira é um destino bastante conhecido, acredito que muitos já a tenham visitado e que tenham feito e visitado, durante a vossa viagem, coisas diferentes que nós – talvez melhores ou piores – porque há pelo menos trilhos suficientes para passar na ilha uns belos meses. Nós tivemos uma semana. E fica já aqui a informação que vamos de certeza voltar à Madeira para visitar a cidade do Funchal que infelizmente acabámos por não ter tempo para explorar como deve ser como por exemplo o jardim botânico. Um fim-de-semana destes pego no marido e lá vamos nós!
Do que vi da Madeira, posso dizer com toda a franqueza que é um sítio único. É uma ilha lindíssima para visitar onde merece que se desfrute ao máximo da imensa e bonita natureza, mas também um local que se pode facilmente tornar uma dor de cabeça. Agora para quem – perguntarão vocês. Eu sei que não perguntaram, mas eu vou dizer na mesma.
Para quem tem medo de voar
Para quem tem medo de alturas
Para quem sofre de claustrofobia (guilty!)
Para quem não gosta de andar
Para quem enjoa no carro (ou até para quem não enjoa)
Para quem tem medo de tempestades
Acho que pelo menos apanhei os principais grupos de pessoas cuja ansiedade vai facilmente subir acima dos níveis aceitáveis. Eu vou explicando aos poucos o porquê.
Quais foram os preparativos para a viagem? – ainda antes de sabermos bem ao que íamos. Vocês também são daqueles que pensam que uma semana dá para ver tudo e depois quando fazem o itinerário percebem que precisavam de pelo menos o dobro do tempo? A nós acontece-nos imenso. Mas foi uma semana e só uma semana. Primeiro de tudo foi preciso marcar voos, acomodação e carro. Porque se quiserem visitar a ilha é aconselhado alugar um carro. Podem sempre tentar fazer através de excursões ou transportes públicos, mas há certos lugares que são mais escondidos ou não param nos locais que querem visitar. Com o carro ficam com mais liberdade. E também mais abertos à aventura.
Voos
De Inglaterra há voos directos para o Funchal a partir do aeroporto de Stansted com uma duração aproximada de quase 4 horas. 6 horas se o serviço estiver a trabalhar como o normal ou seja, pelo menos uma hora de atraso. De Portugal há voos directos desde Lisboa e Porto. De Faro não há voos directos. De Portugal os voos demoram cerca de 2 horas.
E chegou a hora de irmos ao nosso primeiro grupo mencionado acima – pessoas que têm medo de voar.
O aeroporto da Madeira, agora também conhecido como o aeroporto internacional Cristiano Ronaldo é considerado meio que perigoso no que diz respeito à aterragem. A pista foi alargada em 2000, mas ainda assim a aterragem pode ser dramática. Primeiro – de um lado uma grande encosta do outro o oceano Atlântico que pode adicionar turbulência à aterragem uma vez que as rajadas de vento podem ser fortes e principalmente imprevisíveis. A pista foi alargada ou melhor alongada uma vez que não havia condições para uma aterragem completamente segura. No entanto, a pista foi construída sobre o mar. Apenas este pensamento pode provocar calafrios aos mais susceptíveis de viajar pelo ar. Nada como uma aterragem com o avião de lado para dar início a umas férias únicas.
Em várias ocasiões os voos são cancelados, desviados ou atrasados devido a ventos fortes, tempestades (o que aconteceu connosco, mas a experiência aterradora fica para o final da viagem). No entanto, quando chegámos já de noite e a chover, a aterragem foi suave e quase banal. Às 11 horas da noite o aeroporto estava quase vazio e como já era tarde fomos de Uber para o hotel. No entanto, existem durante o dia várias camionetas que ligam o aeroporto às várias partes da ilha.
Dia em que o aeroporto da Madeira fechou devido ao mau tempo
Hotel
Aqui acho que fizemos mal. Não porque o hotel era mau, nada disso. Mas escolhemos ficar toda a viagem no mesmo hotel e digamos que a ilha ainda é grande o suficiente para fazer sentido ficar em vários sítios durante a viagem, especialmente quando essa viagem inclui fazer a volta à ilha. Sinto que perdemos muito tempo apenas a conduzir porque estávamos numa ponta da ilha e tínhamos de voltar para a outra para regressar ao hotel. De qualquer das formas, o hotel onde ficámos foi uma boa escolha – Santa Cruz Village Hotel. Decidimos não ficar no Funchal para nos ser mais fácil ir buscar e deixar o carro no aeroporto. O Santa Cruz Village Hotel é um hotel de 4 estrelas com piscina, estacionamento e pequeno-almoço incluído. O quarto que nos calhou era grande, havia algum barulho, mas não o suficiente para ser desconfortável e em geral confortável para o que esperávamos.
O pequeno-almoço era muito bom – continental com diferentes tipos de pães, queijos, charcutaria variada e frutas. Mas também se podia escolher na hora omeletes, ovos cozidos, salsichas, panquecas, etc. Sei que a senhora que fazia estes pedidos era fantástica porque estava sozinha a realizar em tempo útil todos os pedidos de todos os hóspedes. Eu fiquei completamente fã das suas omeletes de queijo e cogumelos. O que posso apontar como negativo foi o estacionamento porque não havia espaços suficientes, muitas vezes chegámos e era difícil estacionar o carro ou sair com o carro de manhã. Houve até uma ocasião que não havia espaço e também não havia ninguém na recepção por mais de meia hora. Mas isto foi uma pequena coisa que não diminui a nossa experiência neste hotel. A localização era perfeita e adorámos Santa Cruz.
Aluguer de carro
Santa Cruz fica a cerca de 5 minutos de carro do aeroporto. Pedimos um táxi que nos ficou a cerca de 12 euros, mas temos que ver que 5 e tal euros já estavam marcados mal entrámos no táxi.
Alugámos o carro com a empresaInsularcar. Talvez não seja a empresa mais conhecida e eles até nem balcão têm no aeroporto. Tivemos que marcar hora para ir buscar o carro para o senhor estar lá para nos receber e o mesmo aconteceu quando entregámos o carro. No entanto, os senhores que nos receberam, tanto de uma vez como da outra foram super simpáticos, sem problemas, sem pagamentos inesperados. Tenham atenção porque algumas empresas pedem depósitos de quantias absurdas. Pedimos claro está um carrito dos mais baratos e foi um Renault Clio que nos calhou. Mas como disse sem problemas.
2 túneis em menos de 30 segundos!
De manhã, de carro na mão e de pequeno-almoço tomado a Madeira abria-nos as suas portas. E apesar de a previsão do tempo ser chuva para toda a semana, o céu apresentava-se azul com umas nuvens à distância. O decorrer completo do primeiro dia será para outro post, mas deixo-vos com outro grupo de pessoas que podem ter alguma dificuldade na Madeira – pessoas que enjoam no carro. E até mesmo para aquelas que por normal não enjoam. Mas atenção que neste momento a Madeira está muito melhor em relação a isto. Em vez de haver apenas estraditas pelo meio das vilas e cidades agora há uma rede de túneis que percorre o interior das montanhas. Contem passar quase tanto tempo dentro de túneis como no exterior quando percorrem as vias rápidas.
As condições das vias rápidas são óptimas e rapidamente se chega a qualquer lado. Ou melhor dizendo a qualquer lado que fique na costa, já que as vias rápidas dão a volta à ilha junto à costa. Agora quando falamos em atravessar a ilha pelo seu interior ou querer chegar a um lugar que não seja junto à costa, respirem fundo. São curvas e contracurvas seguidas imediatamente por curvas e contracurvas. Na Madeira foi a minha primeira vez. A primeira vez que enjoei num carro. Olhei só para um exemplo destes pequenos troços de caminho. É que nem dá para ir rápido porque as curvas são tipo 90º. São múltiplos de 180º em curvas durante 30 minutos. O meu conselho é que pratiquem rally antes de virem ou então não se safam. E claro que com isto adicionem mais 1 hora ou assim a qualquer percurso que queiram fazer durante o dia em que tenham de andar às voltas. Vejam só aquelas linhas amarelas a dar nós de pescador.
Mas não se enganem – a Madeira deixou-nos muitas memórias boas, as que apenas uma viagem maravilhosa nos pode dar.
1º Dia – Parte Nordeste da ilha
O nosso primeiro dia na Madeira, depois de um bom pequeno-almoço tomado no hotel Santa Cruz Village e de termos o nosso carro que fomos buscar ao aeroporto, começava imediatamente. Durante esta nossa semana na Madeira queríamos visitar a ilha toda e por hoje concentraríamo-nos na parte mais a Nordeste. Começámos na Ponta de São Lourenço, pois não há viagem à Madeira que não incluía este local. A maior parte do caminho até à Ponta de São Lourenço é feito pela via rápida – VR1 – e se partirem do Funchal fica a cerca de 40 minutos de caminho. Nós estando já no aeroporto estávamos mais perto.
Estacionamento há pouco ou melhor há pouco estacionamento nas áreas designadas para tal, depois podem seguir o exemplo de todos os outros que tal como nós estacionaram à beira da estrada. E assim começámos o nosso primeiro trilho PR8 – Vereda da Ponta de São Lourenço. São 3 Km para cada lado, 6 Km no total. Este é um trilho com paisagens fantástica do mar e rocha. O trilho é relativamente fácil, apesar de ter subidas e descidas, e ser oficialmente considerado com ‘Moderado’ em termos de dificuldade. A Ponta de São Lourenço é considerado como Reserva Natural da Madeira e alberga uma flora rara e fauna diversificada.
Na Madeira, sempre que forem andar por trilhos ou visitar locais no meio da natureza levem sapatos e roupa confortáveis e falo mesmo de calções, calças de fato-de-treino, uma t-shirt e ténis. E talvez um casado leve, mas impermeável – o tempo pode mudar rapidamente e também pode cair água em várias partes do percurso. Levem sempre uma mochila com vocês com água (indispensável), snacks, protetor solar (mesmo no Inverno) e fato-de-banho/biquíni/calções porque há em cada esquina oportunidades para um mergulho. Estas 4 coisas são muito importantes dando mais ênfase à água porque durante o caminho raramente há a possibilidade de arranjar água que não seja a que levaram com vocês. Nós comprámos 2 garrafas de litro e meio no supermercado e andávamos sempre a enchê-las quanto tínhamos oportunidade.
Com este aparte digo-vos para se deslumbrarem com a visita à Ponta de São Lourenço onde muito mais pessoas estão a fazer o mesmo percurso que vocês. Durante o caminho até encontrámos um guia turístico com quem estivemos à conversa e que nos foi dando umas dicas sobre o que não perder para os nossos próximos dias na ilha. Depois de voltarmos para o carro, com um calor arrasador, pusemos o nosso GPS em funcionamento e seguimos para o Miradouro da Portela. A imagem abaixo mostra a belíssima paisagem sobre a cidade de Porto da Cruz, o mar e a natureza circundante.
E com esta paragem rápida fomos ao próximo miradouro – o Miradouro do Guindaste. Para mim este foi um dos miradouros que ficou mais marcado na memória, principalmente as secções do miradouro com chão de vidro de onde se podia olhar para o mar e rocha que ficava mesmo debaixo dos nossos pés. Mesmo sabendo que não vamos cair, fica aquele friozinho no estômago quando damos o primeiro passo. Para quem tem medo de alturas, como o caso do meu companheiro de viagem, ainda é mais difícil dar o primeiro passo. Foi talvez aqui a primeira vez que comentámos o azul do mar na ilha da Madeira, um azul turquesa intenso com águas tão límpidas que parece quase artificial.
Já em Santana o que vínhamos visitar é um dos locais mais conhecidos da Madeira – As Casas Típicas de Santana. Aquelas casas coloridas de telhado em bico são imagens muito usadas em livros, postais, etc., usadas como ícones identificativos da Madeira. Estas casas típicas fazem parte do património da Madeira, com um papel cultural como histórico muito importante para a ilha. A maior parte dos visitantes vão as Núcleo das Casas Típicas onde numa delas se vendem produtos típicos da região.
Estas casas são tipicamente feitas de madeira, um material barato e abundante na região e de colmo, este proveniente das plantações de cereais como trigo e centeio, usada para o telhado. A madeira era usada para manter a temperatura do interior das casas, enquanto o formato inclinado dos telhados permitia uma drenagem eficiente das águas da chuva, ou seja, tinha um feito de impermeabilidade. Estas casas normalmente eram divididas em dois andares, o de cima usado como sótão para o armazenamento de produtos agrícolas e o piso térreo usado como habitação.
Não havendo muito parque disponível junto às casas, estacionámos o carro numa das ruas transversais em Santana e depois fomos a pé, aproveitando também para esticar as pernas e ver um bocadinho da cidade. Nós antes ainda tínhamos ido ao supermercado Continente para umas compras de última hora e há uma destas casinhas típicas mesmo no jardim em frente do supermercado. Fica aqui a dica se quiserem tirar uma fotografias num ambiente com menos densidade populacional à volta.
Sendo isto 3 horas da tarde ainda tínhamos tempo para as nossas primeiras levadas. Eu já explico o que são levadas. Menciono apenas que pelo caminho e aqui à volta de Santana existem imensos miradouros, todos eles com vistas espetaculares, mas o que vocês vão descobrir é que toda a ilha da Madeira é um constante miradouro. Como acabam por andar sempre a subir e a descer montanhas podem parar o carro onde vos bem entender, tendo em conta que não é proibido parar naquele sítio, e conseguem ter uma vista tremenda à vossa frente.
Agora as levadas…o que são?
A maneira mais fácil de explicar é a seguinte: um canal de transporte de água que segue junto a um percurso pedestre. E esta á a definição mais fácil de perceber. As levadas foram construídas a partir do século XV devido à necessidade de transporte de grandes quantidades de águas desde as zonas onde a água da chuva e fontes naturais eram mais abundantes (zona Norte da ilha) para onde a água era mais escassa (zona Sul). A água era assim ‘levada’ para zonas de plantação e poços. As levadas e os seus trilhos são atualmente pontos muito procurados para passear e entrar em contacto direto com a natureza. Lembram-se quando no post anterior disse que a Madeira pode criar alguma ansiedade a pessoas que têm medo de alturas e a pessoas que têm medo de sítios fechados? É porque é bastante comum que em certas partes dos trilhos o caminho se torne muito estreito e onde um dos lados do caminho desça a pique. Para além disso, alguns destes trilhos passam por dentro de túneis, sendo necessário o uso de lanternas. E atenção, há túneis onde espaço não é assim muito vasto.
Mas quem adora adrenalina – fantástico. Para pessoas com medo de alturas – traumatizante. E não pensem que não é sem razão, já que existem vários acidentes e mortes em algumas destas levadas TODOS OS ANOS. A levada que fizemos no dia de hoje era uma das mais fáceis, o caminho era a direito e bastante fácil de percorrer, mas a que fizemos no dia a seguir é uma daquelas onde mais pessoas escorregaram para a morte. Mas disto falarei mais quando chegar a altura. O que conselho que dou é simples – vão, mas vão com cuidado e respeito pela natureza.
Voltando ao nosso itinerário específico para o de hoje – estacionámos à frente do restaurante Ribeiro Frio no Parque Natural de Ribeiro Frio que fica em – não adivinham – Ribeiro Frio. Antes de seguirmos viagem fomos à nossa primeira poncha da viagem – sim houve várias! A poncha, se não souberem, é uma das bebidas mais conhecidas da Madeira feita com aguardante de cana-de-açúcar, açúcar ou mel e limão ou laranja ou ambas. Mas há algumas variações – a poncha do Pescador por exemplo é a poncha com limão, a poncha regional é normalmente com laranja, a poncha de maracujá é como o nome indica com maracujá e a poncha de tangerina. Estas são as mais tradicionais, mas há locais que vão mais longe e já fogem à tradição como a poncha de frutos vermelhos e de morangos. Não se enganem no entanto – a poncha é bastante forte e bastou-nos uma para irmos mais quente mas o PR 11 Vereda dos Balcões.
Como disse acima este trilho é de nível fácil com uma distância de 1,5Km para cada lado (3 Km no total). O trilho culmina no Miradouro dos Balcões com uma vista magnífica. Este miradouro é um ótimo local para observação de aves, e há vários passaritos bastantes amigáveis, especialmente se tiverem comida à mão. Imagino que quem seja entendido no assunto esta neste momento a ranger os dentes com o termo ‘passaritos’- vá o bis-bis, mas também há o papinho e o melro-preto e o pombo-trocaz.
Chegava a altura de voltar para o hotel e encontrarmos um sítio para jantar. Para primeiro dia queríamos uma coisa local e foi por isso que fomos jantar à Taberna do Petisco. Foi aqui que comemos o nosso primeiro bolo do caco – sim também houve muitos desses durante a nossa estadia na Madeira e apesar de alguém me ter dito que era pão de alho e que não sabia o que tinha de especial (eye roll), eu fiquei logo ali completamente perdida de amores por este pão. Tal como o nome indica, este restaurante é mais de petiscos e escolhemos o prato de polvo e de camarão. Ambos muito bons, mas talvez tenha gostado mais do de camarão.
Outra descoberta foi a cerveja/cidra tradicional da Madeira da marca Coral. E provavelmente verão muitas fotografias destas bebidas no curso destes posts sobre a Madeira. Posso-vos já dizer que se come muito bem na Madeira.
Para ajudar com a digestão fomos dar uma volta pela costa, junto ao mar, e acabámos a noite num café de família na praça de Santa Cruz, o Prego.
Um primeiro dia cheio de promessas desta ilha que seria a nossa casa por uma semana inesquecível.
2º Dia – Da levada das 25 fontes às piscinas naturais do Seixal
Para quem quer fazer um itinerário seguido pela Madeira, por exemplo Este – Norte – Oeste – Sul vai ficar um bocado confuso com o nosso. Porque acabou por não ser nada assim. E por duas razões – havia aviso de tempestade para a metade do penúltimo dia e para o último dia da nossa estadia. Portanto o que queríamos visitar que envolvesse caminhar ao ar livre tinha de ser feito antes da chegada da tempestade. A segunda razão foi o facto de termos ficado no mesmo hotel durante toda a nossa estadia. Se por um lado como disse logo de início achei que perdemos tempo a viajar para as diversas pontas da ilha, por outro lado deu-nos liberdade para escolhermos o nosso destino e alterarmos planos com o conviesse.
Uma paragem ao calhas e tem-se esta paisagem – Madeira, um miradouro constante
O nosso destino para hoje era uma das levadas mais escolhidas pelos turistas, pelos melhores motivos – a Levada das 25 fontes. Quando estivemos na Ponta de São Lourenço à conversa com o guia turístico ele, aconselhou-nos a deixar o carro no parque de estacionamento ao pé do túnel e fazer o percurso que inclui em parte de o trajeto passar por dentro de um túnel, uma vez que assim o caminho seria sempre a direito. Isto seria bem melhor em vez de deixar o carro onde todos deixam e depois andar por uma grande descida até ao trilho da levada e depois uma grande subida o que faz perder muito tempo. Pois fomos tão espertos que inicialmente tínhamos no GPS para o parque de estacionamento certo. Conclusão: mudámos o trajeto e fomos deixar o carro exatamente onde o senhor tinha dito para não o fazer. E sim, a descida é como o outro, agora subir aquilo tudo foi uma estafa. Então assim o que digo é deixem o carro no parque de estacionamento com a morada do Google Maps: ER211, 9370, Portugal e não no QV39+28, Calheta, Portugal. É um favor muito grande que vos estou a fazer. No entanto, se forem como nós e se enganaram também há a opção de pagar bilhetes para as carrinhas que fazem essa parte da travessia (subida/descida).
Levada das 25 fontes: vale a pena fazer este percurso?
Sabem que vou dizer que sim. Aliás este dia foi um dos melhores da viagem. No entanto, para o meu marido que tem medo de alturas foi bastante marcante e não pelas melhores razões. O trilho chama-se PR6 – Levada das 25 fontes e contem com cerca de 3-4 horas para completarem o percurso nos dois sentidos. Para cada lado são 4.3Km e a dificuldade é ‘moderada’. Eu adorei fazer o percurso que vos leva por dentro da floresta até o culminar da lagoa e da cascata das 25 fontes. Há alguns sítios para paisagens panorâmicas brutais da floresta Laurissilva. E não pensem que ter a oportunidade de entrar dentro desta floresta não é especial. A floresta Laurissilva é a floresta húmida subtropical da Madeira com cerca de 20 milhões de anos e que tal como um fóssil vivo, preserva as características de tempos tão remotos como por exemplo as árvores da família das Lauráceas. Esta floresta foi em 1999 considerado como Património da Humanidade pela UNESCO. A floresta Laurissilva ocupa cerca de 15 mil hectares, principalmente na parte Norte da ilha.
Devido à beleza indiscritível deste percurso este é um dos mais procurados por caminhantes. E talvez por isso também é palco de vários acidentes. Em algumas zonas o caminho torna-se bastante estreito, por vezes só dá para uma pessoa passar, e se não se tiver cuidado é possível escorregar para o penhasco numa descida mortal de mais de 50 metros. Se fizerem uma pesquisa rápida conseguem encontrar vários artigos sobre pessoas que escorregaram. Não é de forma alguma para desencorajar, apenas para respeitar a natureza. Principalmente a natureza numa forma tão crua como a desta floresta.
Depois desta grande aventura o resto do dia foi mais passear de carro. Fomos até ao Miradouro da Garganta Funda. Do estacionamento (ou melhor, meio da estrada) até ao Miradouro foram mais ou menos 15 minutos a andar. Este miradouro dá-vos uma paisagem que junta montanha, mar e uma cascata com 140 metros de altura.
Em seguida mais um miradouro com uma imensa vista para a costa, a Ponta do Tristão. Um outro ponto muito procurado (e com razão) são as piscinas naturais da Madeira. O local mais conhecido são as piscinas naturais de Porto Moniz. A entrada são 3 euros por cabeça para adultos e para crianças acima dos 3 anos. A entrada é gratuita para crianças com menos de 3 anos e metade do preço para estudantes ou adultos com mais de 65 anos.
Nós, no entanto, fomos para as piscinas naturais do Seixal. São gratuitas, menos conhecidas e por isso menos pessoas e ainda assim espetaculares. Adorámos nadar debaixo do arco de formação rochosa. O único cuidado é a entrar dentro da água – o chão é muito escorregadio. Todos os que entraram para a água enquanto lá estivemos (incluindo nós) fizeram um tipo de dança com o corpo e braços no ar e houve mesmo quem caísse de cu. Em seguida a paragem foi no Miradouro do Véu da Noiva. Deste miradouro vê-se uma elegante cascata.
E chegava a hora de jantar – ou melhor algo entre um almoço muito tardio e um jantar talvez cedo para a maioria. A 5 minutos de distância do Miradouro do Véu da Noiva em São Vicente fica orestaurante Caravela. Por sinal também é em São Vicente que se encontram as famosas grutas de São Vicente, mas encontram-se encerradas temporariamente. Ainda não sabíamos, mas foi neste restaurante foi onde tivemos a melhor refeição de toda a viagem.Começámos com um bolo do caco com manteiga e ervas e lapas grelhadas. Para acompanhar nada como uma brisa de maracujá, o sumo tradicional da ilha. Ambos tínhamos tido uma má experiência quando comemos lapas pela primeira vez nas ilha das Flores, nos Açores, e por isso estávamos reticentes. Mas sem medos. Neste restaurante passei a adorar este petisco. Também diria que foi aqui o nosso melhor bolo de caco.
Para prato principal escolhemos picadinho – e uma dose dá MUITO bem para duas pessoas. E ambas têm de comer bem para atacar aquela travessa. O picadinho é tradicionalmente com carne de vaca, mas também pode ser de frango, temperada com alhos e louro. Existem várias receitas e nós até voltámos a comer o picadinho noutro local e os sabores eram bastante diferentes. Este ganhou. Para acabar bem a refeição foi um semifrio de maracujá. Escolhemos sempre esta sobremesa nos restaurantes que fomos nos dias seguintes, mas este, deste restaurante, foi o melhor. Não tenho de voltar a dizer – adorámos este restaurante e saímos com grandes sorrisos…e barrigas cheias.
Em direção ao nosso hotel íamos passar por um local muito sugerido – a Taberna da Poncha. Fica numa rua a descer e estava cheíssimo. A poncha deste local, sim foi a melhor de toda a viagem, mas a grande descoberta foi a nikita. Uma bebida menos conhecida que a poncha, mas também ela tradicional da Madeira. Parece ser uma mistura estranha já que a nikita é feita essencialmente com cerveja (Coral) e gelado de ananás. Completamente perdida por esta bebida. E nós bebemos a nikita em vários locais, mas a melhor foi a da Taberna da Poncha. Neste momento podia voar até à Madeira e ir às praias do Seixal, jantar no restaurante Caravela e passar o serão na Taberna da Poncha a beber nikitas e seria uma pessoa realizada.
Como ainda tínhamos de conduzir até ao hotel não podemos apreciar muito da nikita ou da poncha. Voltámos para Santa Cruz, estacionámos o carro no hotel e fomos passar um bocado do serão ao restaurante Pizza Café com uma esplanada mesmo junto à costa. Já mais à noite acabámos o dia no restaurante snack bar, o Prego. Mais umas rodadas de Coral.
Mais uma paisagem enquanto se conduz pela Madeira
E o que tenho a dizer da Madeira depois deste dia? Que venha mais um…
3º Dia – Pico do Areeiro & Pico Ruivo
Paisagem durante o percuro PR1.2
Quando se fala em levadas na Madeira há uma que tem foco principal, por ser mais longa, a mais desafiadora e como tal a mais procurada. PR1 – Vereda do Areeiro – 7Km a começar no Pico do Areeiro até ao Pico Ruivo. Um trilho através dos picos mais altos da Madeira. Mas não é para todos e definitivamente não era para nós. Ou melhor, depois da experiência na ilha do Pico, nos Açores, ainda houve bastante discussão se íamos ou não o fazer, mas depois de vermos alguns vídeos foi decidido por unanimidade que não. Em alternativa fizemos a Achada do Teixeira – 6Km, 3Km para cada lado, que começa na Achada do Teixeira e acaba no Pico Ruivo. É um trilho muito mais fácil de fazer e que apanha a última parte do trilho PR1. Este trilho chama-se PR1.2 – Vereda do Pico Ruivo. Não digo que não há esforço envolvido, especialmente na parte final do trilho, mas é bastante mais fácil que o PR1. As paisagens durante o percurso são espetaculares, um trilho acima das nuvens. Fazer ida e volta contem com mais ou menos 2 horas a 2 horas e meia – 3, se quiserem fazer uma paragem na casa montanha transformada em café que fica no local onde se cruzam os dois percursos, PR1 e PR1.2.
A ideia era depois irmos ao ponto de começo – Pico do Areeiro. Assim apesar de não fazermos o percurso, tínhamos visitado os pontos de chegada e partida. Se quiserem fazer o PR1 não se esqueçam que este não é um trilho circular, ou seja, se deixarem o carro numa ponta têm ou que fazer o percurso todo de volta ou apanhar um táxi.Se fizerem o PR1.2 há um parque de estacionamento gratuito, tal como o parque de estacionamento no Pico do Areeiro se fizerem o percurso PR1.
Antes de irmos ao Pico do Areeiro, fomos à levada de nível mais fácil – Um caminho para todos – um percurso de 2Km, que começa no Pico das Pedras até às Queimadas. Nestes percursos há uma coisa interessante – é que a distância destes trilhos não significa o mesmo para cada um deles. 2Km no PR1.2 não tem nada a ver com 2Km no caminho para todos. É uma experiência completamente diferente.
Fizemos o caminho para todos e é um trilho mesmo para todos, para aqueles que têm problemas de mobilidade, para quem leva crianças e bebés, ou para quem as pernas estejam a pedir descanso. No parque florestal das Queimadas encontram-se casas-de-banho, um café, mesas para comer e um viveiro com várias aves. Deste parque florestal parte o trilho PR9- Levada do Caldeirão Verde que dizem ser este um dos trilhos mais bonitos da Madeira. No entanto, depois da experiência nas levadas das 25 fontes, fomos pesquisar e ficámos a saber que o caminho para além de ser mais difícil também inclui mais problemas para quem tem medo de alturas. Foi então retirado do nosso trajeto. O parque de estacionamento aqui é pago, mas na verdade nós sem sabermos tínhamos deixado o carro na outra ponta do caminho para todos e acabámos por não pagar nada por estacionamento.
Parque florestal das Queimadas
Enquanto estivemos no pico do Areeiro havia bastante nevoeiro, mas também estávamos no terceiro ponto mais alto da Madeira, a 1818 metros de altitude – o ponto mais alto é o Pico Ruivo que conta com 1861 metros. Vimos várias pessoas a chegar do PR1 e foi neste momento que confirmámos que tínhamos decidido pelo melhor. A dor na cara das pessoas era bastante visível. Até vimos um rapaz que chegou e já via com as pernas à banda – sabem quando se andou tanto que já nem se consegue bem por uma perna à frente da outra? Quando chegou ao pé da família que esperava por ele, ele apenas fechou os olhos. Eu olhei para o meu marido e ambos sentimos a dor do rapaz – um momento profundo.
Ponto seguinte como tinha dito acima foi o Pico do Areeiro. Estacionámos o carro – apesar de o parque de estacionamento ser gratuito o uso das casas-de-banho não o é. Na verdade, esse foi um dos pontos comuns nas levadas que visitámos e que quisemos ir à casa-de-banho – o seu uso não é gratuito. Aconselho a terem umas moedas sempre convosco que também com notas não se amanham.
Como havia imenso nevoeiro e mal se via o que nos rodeava – mesmo assim tivemos um vislumbre de um trilho estreito com escapas altíssimas dos dois lados do caminho – decidimos que já tínhamos visto tudo o que queríamos. A bola branca da figura acima à esquerda é a Estação de Radar Nº4 da Força Aérea Portuguesa. Esta estação está operacional 24 horas todos os dias do ano e o seu objetivo é defesa área nacional.
Fomos até ao Miradouro da Eira do Serrado – e este parte do percurso entre o Pico do Areeiro até ao Miradouro foi o pior de toda a viagem – o caminho era feito todo às curvas estreitíssimas. Uma coisa que só mesmo visto. Então com nevoeiro e chuva nem se fala.
Miradouro da Eira do Serrado
O miradouro fica mesmo ao lado da Estalagem da Eira do Serrado que tem uma piscina interior com uma vista espetacular para a serra. É um local bonito, apesar do difícil caminho para aqui chegar, mas de onde a vista dos quartos deve de ser sem dúvida espetacular. Chegava assim o meio da tarde e a hora de irmos a um restaurante que queríamos experimentar, agora já na zona do Funchal – o Beer Garden. Foi o nosso segundo picadinho, uma vez que as reviews que li de antemão afirmarem que o molho era de comer e chorar por mais. Desta vez, para ser diferente do que tínhamos provado no dia anterior, no restaurante Caravela, escolhemos o picadinho de frango. Acompanhado com uma nikita e bolo de caco foi uma refeição perfeita para depois de um dia sempre a andar. O Beer Garden tem uma variada escolha de cerveja belga, sendo uma escolha ótima escolha para quem é apreciador desta bebida. E o molho confirma-se – delicioso.
Picadinho de frango
De barriga cheia estava na hora de voltarmos para o nosso hotel – Santa Cruz Village – para tomarmos um banho (depois das várias caminhadas estávamos bem precisados) – e de nos venturarmos por Santa Cruz. Tenho a dizer que gostámos imenso de explorar Santa Cruz. Houve dois sítios que ficaram como nossos preferidos e onde acabámos sempre os nossos serões – o Pizza Café – pela paisagem da esplanada do mar e das ilhas desertas e o restaurante snack bar – O Prego. E foi no Prego que ficámos a saber de algo que mudaria completamente o nosso trajeto do dia seguinte!
Já agora sobre as ilhas desertas – não tivemos oportunidade de as visitar, mas é possível fazê-lo através de excursões de barco que partem do Funchal. As ilhas desertas estão localizadas no prolongamento da Ponta de São Lourenço e são três: O ilhéu Chão, a Deserta Grande e o Bugio. Está na nossa lista para uma viagem futura à Madeira. Porque acreditem – quem visita a Madeira não o faz só uma vez.
4º Dia – A Floresta do Fanal e o Festival no Funchal
Este dia foi completamente diferente do que tínhamos planeado inicialmente. De tal forma de que todos os locais visitados apenas um constava na lista inicial. Este era o último dia antes da tempestade e apesar de na altura pensarmos que havia um exagero desmedido à volta da tal tempestade organizámos tudo de maneira que nos dias seguintes fôssemos visitar o menos possível.
Começámos pela Floresta do Fanal. Eu nem acredito que a tínhamos deixado de fora quando fizemos o itinerário ainda em casa. A floresta do Fanal é uma floresta mágica com o seu constante nevoeiro e árvores centenárias de feitios propícios à imaginação. A floresta do Fanal faz parte da floresta Laurissilva, onde o nível conservação da floresta indígena é impressionante. Há vários trilhos à volta da floresta, havendo por exemplo como opções o PR13 – Vereda do Fanal ou o PR14 – Levada dos Cedros. Se fizerem o PR13 terão oportunidade de caminhar no Paúl da Serra, o planalto mais longo da Madeira.
Para chegar à floresta do Fanal fomos ver qual o melhor caminho. Depois de 3 dias às curvas na Madeira já sabíamos que tínhamos de escolher qual era o melhor caminho invés ao caminho que era ´mais rápido´. Porque na Madeira a distância até pode ser menor mas ao andar às curvas demora-se o dobro do tempo do que aquele que o GPS estima.
Quando chegámos à floresta do Fanal não havia nevoeiro, mas rapidamente este apareceu e adensou-se. Caminhar na floresta com o nevoeiro envolvente e as vacas a pastar sem pressas tornou a experiência realmente do outro mundo. Talvez ainda mais impressionante seja a quantidade de rãs que habitam a lagoazita onde o som é quase ensurdecedor.
O próximo ponto de paragem, já em direção ao Funchal, foi a cascata dos Anjos. E não podíamos perder este ponto. Esta cascata é especial porque cai em cima da estrada, ou seja, podem ter a experiência de conduzir por debaixo de uma cascata ou atirarem-se a pé para debaixo dela (para debaixo da cascata, não do carro). Fomos ver a cascata, mas não conduzimos em cima dela porque nos foi avisado pelo madeirense no primeiro dia, na Ponta de São Lourenço, que já tinha havido vários acidentes em que rochas tinham caído e partido para-brisas. Para não arriscar deixámos o carro um bocadinho mais atrás e fomos a pé até esta cascata fenomenal. Fizemos em seguida uma paragem no Miradouro da Ponta do Sol, mas como foi meio difícil estacionar não ficámos muito tempo.
E em direção ao Funchal. Agora o que havia no Funchal? Nesta viagem descobri as vantagens de passar os serões num café de família onde a conversa em amena cavaqueira dá também algumas notícias surpreendentes. Então logo no primeiro ou segundo dia do nosso serão no snack bar O Prego ficámos a saber que nesse Domingo ia decorrer um festival patrocinado pelos hipermercados Continente – Festival Bom Para a Madeira.
A maior notícia para todos era que o Tony Carreira ia atuar ao vivo no final da tarde. Para nós foi saber que a meio da tarde o grupo os 4Litro iam atuar. Para quem não sabe os 4Litro são um grupo de 4 comediantes madeirenses. No canal de Youtube – cliquem aqui para ver – há imensos vídeos a satirizar a vida quotidiana madeirense, a fazer novas letras para músicas conhecidas, tudo para rir às gargalhadas. Nós não podíamos perder. Deixámos o carro a uns 20 minutos do centro do Funchal e descemos até à Praça do Povo. Mal sabíamos que a animação ia estar ao rubro – muitas barraquinhas a vender produtos regionais, gelados, bebidas e comida tradicional. Não podemos resistir a mais uma nikita e esta foi a segunda melhor de toda a viagem (a nikita da Taberna do Poncha está em primeiro). O espetáculo foi muito bom e valeu bem a pena a torreira ao sol durante quase uma hora. Não ficámos para o Tony Carreira, mas via-se a multidão a crescer ao aproximar-se da hora.
Nós decidimos ir jantar a um dos restaurantes mais conhecidos da Madeira – O Abrigo do Pastor. Porque não pode passar uma visita à Madeira sem experimentar a espetada regional. A carne era muito tenra e bastante saborosa. Não ficámos fãs do esparregado e do pão de batata-doce, mas gostei bastante do milho frito.
Ainda nos ofereceram uma poncha depois de um descuido com um café e foi a poncha mais forte que bebi – não só nesta viagem, mas em toda a minha vida. O Abrigo do Pastor é conhecido pela alta qualidade da carne que servem e bastante procurado por turistas e madeirenses.
Com isto chegávamos ao final do dia, um dia que foi planeado já na Madeira, mas um dia inesquecível por muitas razões.
5º Dia – A Madeira nas alturas e nas tempestades
Contávamos ainda ter algum tempo durante o dia para explorar a Madeira antes da tempestade chegar – a tempestade Óscar. Mas a tempestade no final foi uma coisa a sério e era o que se esperava pois havia avisos por todo o lado, não só na comunicação social mas nos locais onde passámos durante a manhã.
O primeiro local do dia foi a Fajã dos Padres. A Fajã dos Padres pode-se definir como um pequeno resort, mas mais rural. Para descer a falésia só de teleférico e quando descem encontram um lugar recluso com uma praia escondida e uma floresta de bananeiras e maracujás.
Também encontram um restaurante e se quiserem passar aqui a noite podem alugar um dos chalés disponíveis. Nós desta vez viemos apenas para passear e na compra do bilhete foi nos dito que contavam fechar mais cedo, por volta das 3, em vez das 7, por causa da tempestade, de outra forma deixaria de ser seguro de o fazer. E compreende-se principalmente quando se viaja naquele teleférico…a descida quase a pique que percorre os 300 metros de altura da falésia numa experiência espetacular, ou horrífica se tiverem medo de alturas. Nós infelizmente não tivemos oportunidade de fazer praia devido ao tempo, mas quando está sol e tempo mais ameno pareceu-me ser uma ótima escolha para quem procura um sítio mais acolhedor.
A segunda paragem foi num dos lugares muito procurados na Madeira – oCabo Girão. Muito procurado porquê? Para além de ser um espetacular ponto de observação, o chão é de vidro e a descida da falésia quase vertical, criando uma experiência vertiginosa. Têm de se pagar para entrar para o observatório e tem um custo de 2 euros por pessoa. Nós nem sequer o fizemos porque a esta altura havia um nevoeiro cerrado acompanhado com uma súbita carga de água. Achámos que nos irmos molhar sem pudermos ver nada de paisagem não valia muito a pena. Tentando fugir à chuva fomos até ao Cristo Rei da Ponta do Garajau. A grande estátua de Jesus Cristo, de braços abertos, voltada para o mar é o começo de um miradouro com uma vista sobre parte da baía do Funchal e do património natural do Garajau. Sem esquecer de mencionar uma paisagem extensa do Oceano Atlântico.
Não ficámos muito tempo porque as nuvens de tempestade encontravam-se cada vez mais perto. E com isto tivemos de dar com o nosso dia por meio que encerrado. Acabámos por voltar a Santa Cruz, onde estivemos no restaurante Pizza Café a ver o mar, cada vez mais violento e as rajadas de chuva que sacudiam as árvores. A meio da tarde fomos ainda provar um bolo à Confetaria dos Nietos e em seguida fomos para o quarto do hotel.
Durante o final da tarde a tempestade piorou, todos os voos foram cancelados e a televisão inundava-se de notícias sobre o que se estava a passar na ilha. Neste dia todos os trilhos nas levadas foram encerrados, mas infelizmente ainda houve pessoas que acharam que as regras não se aplicavam a eles e enfiaram-se pela meio da floresta quando a tempestade estava em força. Nada como testar o poder da natureza e ao mesmo tempo a das forças de autoridade na Madeira. E nós que tínhamos voo no dia a seguir já a pensarmos o que nos ia acontecer se este fosse cancelado.
Quando a tempestade Óscar começou…
Para jantar e não querendo sair de carro, nem muito da zona, acabámos no restaurante Bom Jesusonde experimentámos o famoso peixe com maracujá e banana, começando pelo polvo como entrada – acho que era o polvo de cebolada – e para finalizar mais um cheesecake de maracujá. Da refeição adorámos – preferimos o peixe com maracujá, mas sem a banana e adorámos a entrada de polvo. Apesar do mau tempo acabámos bem o dia.
Com a tempestade muitos restaurantes e cafés fecharam bastante mais cedo (por volta das 7/8), mas para não acabar o dia ali, ainda fomos passar mais um bocado na esplanada coberta do Pizza Café. Olhar para o mar revolto e a tempestade envolvente, apesar de perigoso não deixa de ser fascinante. Já em direção do hotel parámos no restaurante a Bilheteira para uma nikita mas não ficámos convencidos. Mas foi nestes três estabelecimentos durante o final do dia que percebemos que os madeirenses estavam com bastante receio da tempestade e dos estragos que podia causar. E até o mar já nem estava azul ou esverdeado, tornava-se cada vez de uma castanho devido às enxurradas de água que arrastavam enormes quantidades de terra. E no final tinham razão, no final houve pessoas que ficaram desalojadas e inúmeros estragos pela ilha como podem ver aqui
O mar a tornar-se castanho
No dia a seguir tínhamos pensado entregar o carro e depois visitar o Funchal, uma vez que o nosso voo era às 6 da tarde. Acordámos com talvez menos vento, mas a chuva continuava. Fomos entregar o carro ao aeroporto e entrámos dentro do aeroporto para ver o estado do nosso voo, se a informação nos diria que tinha sido cancelado. E foi aqui que nos bateu a realidade de viajar. Muitas, mas mesmo muitas pessoas deitadas em colchões míseros de cor azul forte, espalhadas pelo chão. Estas eram as pessoas que tinham tido os voos marcados para o dia anterior e que tinham sido cancelados. Esperavam ali para saber quando podiam viajar. O cheiro dentro do aeroporto era a suor e humidade. Não é o que se idealiza quando se viaja. Foi ali naquele momento que descobrimos que viajar não é só glamour como pode rapidamente tornar-se uma situação muito difícil e naquele momento só esperávamos que nessa mesma noite não nos encontrássemos na mesma situação. No final foram cancelados 72 voos em menos 48horas. E as coisas adensavam-se – por exemplo isto era terça-feira e houve um casal de idosos que só teria voo disponível no próximo Sábado. Nós sem pudermos fazer nada até à hora – ainda perguntámos se sabiam se o nosso voo estaria atrasado ou não mas disseram que não saberiam nada até à hora do voo. No total, em dois dias mais de 20mil pessoas foram impossibilitadas de viajar.
Assim, mesmo com mau tempo, apanhámos o autocarro que parte do aeroporto até ao Funchal, o Aerobus que custam 8 euros ida e volta. Chegámos ao Funchal e ainda estava a chover. E continuou a chover todo o tempo em que estivemos na cidade. Aliás, acabámos por não ver nada de jeito no Funchal e foi por isso que no primeiro post disse que uma viagem até ao Funchal está na lista para planos futuros. Passámos no mercado dos Lavradores, pela catedral do Funchal, e pronto foi isso. Por isso, prefiro esperar até à próxima viagem para poder falar como deve ser do Funchal.
E fomos para o aeroporto. Quando chegámos no placar havia mais uns quantos voos cancelados – havia mais cancelados do que a partir da ilha. Mas por volta das 5 da tarde, como numa espécie de filme, as nuvens saíram da ilha e o sol começou a brilhar – assim de repente como se nada se tivesse passado. Muitas foram as pessoas que começaram a sair de dentro do aeroporto para olhar para o céu. Garanto-vos que foi mesma cena a filme. E nós por uma imensa quantidade de sorte embarcámos no nosso voo e saímos da ilha que nos deixou uma experiência incrível – muita coisa boa, muita coisa má e tudo por entremeio.