Para aqueles dias de bom tempo que convidam a passeios vagarosos existe uma opção muito adequada em Inglaterra. Duques, barões, condessas, princesas e reis deixaram para as gerações futuras as suas casas senhoriais. Muitas delas hoje em dia pertencem a English Heritage uma organização focada na conservação do património cultural em Inglaterra. Locais e artefactos históricos e a sua preservação são os maiores objetivos da English Heritage. Casas senhoriais e os seus jardins que são obviamente parte do património cultural do país são organizados, mantidos e conservados por esta organização. Um dos exemplos é a propriedade de Wrest Park.
Vista para os jardins da casa de Wrest Park
Wrest Park
Os “de Greys” eram uma das principais famílias nobres de Inglaterra. Wrest Park era a sua casa.
A casa de Wrest Park
A família teve grande destaque em 1463 quando o rei Edward IV proclamou Edmund Grey seu tesoureiro e mais tarde, em 1465, conde de Kent. Foi durante o século XVIII que os jardins tomaram a sua forma, a sua estrutura e características resultantes do trabalho de arquitetos e designers tais como Nicholas Hawksmoor, Thomas Archer, Batty Langley e William Kent. As várias gerações da família de Greys foram adicionando mais e mais pormenores aos jardins da propriedade que ainda hoje estão presentes.
Entrada para o edifício do laranjal
Em relação à atual mansão esta não é a original. Entre 1834 e 1839 depois de demolida a antiga casa, foi construída a mansão de arquitetura francesa característica do século XVIII, tendo exemplos de tal inspiração tanto no seu interior ou como no exterior. Também os jardins nesta altura foram renovados para complementar a arquitetura da recente mansão. No entanto, desde 1900, a propriedade de Wrest enfrentou uma série de desafios. A propriedade foi alugada ao embaixador americano, depois transformada em casa de convalescença e até em hospital militar na Primeira Guerra Mundial. Em 1916 um incêndio alastrou-se rapidamente levando ao evacuamento das tropas presentes. No entanto, o hospital nunca reabriu. Quando a propriedade foi vendida em 1917 entrou rapidamente em declínio.
Atualmente esta propriedade pertence à organização Engligh Heritage que tem em mãos um projeto de 20 anos com intuito de restaurar os jardins de Wrest Park como eram antes de 1917. Hoje em dia, o piso inferior da mansão pode ser visitado, incluindo a sua grandiosa biblioteca e a bonita escadaria com os quadros de família.Os jardins são ótimos para passear e aproveitar o sol. Existem vários pontos de paragem pelos jardins e no final podem descansar na esplanada. Eu diria que 2 horas é o tempo ideal para conhecer com tempo os jardins e a mansão.
Para saberem mais sobre preços, horários e mais visitem o website em baixo.
Visitámos Chatsworth durante a nossa viagem ao Peak District. Para verem mais sobre esta viagem cliquem aqui. Esta não é propriedade da English Heritage, mas faz sim parte das Treasure Houses of England (as casas do tesouro de Inglaterra). Incluídas nesta categoria encontra-se o castelo de Leeds, Hatfield House, Woburn Abbey e Chatsworth. Como tal estes locais se destacam pela maravilhosa arquitetura, riqueza e cuidado ao mínimo detalhe.
Entrada para os jardins de Chatsworth
Chatsworth
Chatsworth, herança da família Cavendish há 16 gerações, é atualmente propriedade do duque e da duquesa de Devonshire. Apesar de manter a riqueza e qualidade na sua arte, a propriedade evoluiu de acordo com os gostos e interesses de cada geração. Em Chatsworth encontram-se obras de arte com mais de 4000 anos, desde esculturas a obras-primas de Rembrandt e Veronese. A mansão tem mais de 25 salas que estão abertas ao público onde se podem admirar as mais bonitas e valiosas peças de arte.
Estátua nos jardins em frente da casa de Chatsworth
Os jardins são incríveis, com mais de 105 acres e o reflexo de uma dedicação cuidadosa que perdura há mais de 500 anos. Apesar de também os jardins terem mudado com as gerações, foram mantidas as suas características inicias.
Nestes jardins existem secções diferentes, com arquitetura e fauna biológica diferente em cada um deles, e por isso mesmo o ambiente muda em cada canto. Para visitar estes jardins e a mansão com o devido tempo eu diria que 3 a 4 horas é o ideal. Mas, se tiverem a possibilidade de passarem mais tempo a explorar Chatsworth, terão certamente um dia muito agradável.
Apesar de vivermos bastante perto de Londres andamos sempre à procura de locais fora da capital para visitar, comer e beber (este último sendo o assunto deste post). Não só os preços são menos acessíveis no centro de Londres, principalmente nos melhores lugares, também são mais reduzidas as probabilidades de se encontrar uma mesa livre quando se decide ir à última da hora – normalmente à Sexta-feira à tarde quando vem aquele pensamento que o que calhava mesmo bem era sair e beber qualquer coisa.
Em Inglaterra existem milhentos pubs onde se pode pedir uma “pint” mas sendo o meu marido adorador de cerveja belga e eu de um bom cocktail, andamos sempre a pesquisar locais com potencial para nos encher as medidas. Neste post vou dar-vos sugestões de alguns dos locais que andámos a experimentar ultimamente e que serão certamente locais de eleição agora que o Verão está a chegar.
The Old Cross Tavern
Começo por este pub em Hertford. Este local proclama manter a atmosfera e proporcionar a experiência dos pubs de antigamente – “Pubs the Way They Used to Be“. Nós viemos a meio de uma tarde de Domingo e encontrámos um ambiente confortável e relaxado. A decoração em madeira clara – mesas, cadeiras e paredes criavam um ambiente que facilmente se associa ao slogan que proclamam. Aqui é um local para beber e conversar.
Não servem comida, apenas uns snacks como batatas fritas e frutos secos se quiserem petiscar, mas a especialidade deste local e a razão da nossa vinda é a seleção de cerveja belga. Existem mais variedades de cerveja como por exemplo cerveja da Estónia que foi uma grande surpresa – Põhjala Must Kuld foi a minha preferida – mas também sou uma adepta da cerveja tipo Stout.
O pub não aceita reservas – a entrada é por ordem de chegada – mas deu-nos a ideia de que talvez Sextas e Sábados à noite este seja o local de eleição e talvez seja mais desafiador arranjar uma mesa livre. No entanto parar neste pub vale a pena pelos melhores motivos.
Sobre Watford já publiquei um post que incluía algumas sugestões de locais para bebidas. Desde a publicação desse post fomos a dois locais que merecem destaque – o primeiro sendo este bar “Anchor, Tap & Bottle”. Anchor, Tap & Bottle oferece uma grande variedade de cervejas, cidras e também vinhos – o menu das cidras e cervejas de pressão muda todos os dias, por isso há sempre opções diferentes. Também este é o local ideal para beber e conversar. O ambiente é um bocadinho mais requintado que o The Old Cross Tavern mas sem deixar de ser descontraído. Não oferecem pratos quentes apenas pequenos snacks, talvez o mais elaborado seja a tábua de queijos. Semanalmente ocorrem eventos nos diferentes dias da semana – à segunda-feira focam-se em cocktails, à terça na degustação de cerveja e penso que é à quarta que na compra de uma garrafa de vinho oferecem uma tábua de queijos – uma expêriencia do famoso “cheese and wine” muito apreciado em Inglaterra.
Este local não aceita reservas e já o vimos local completamente lotado – o que normalmente mostra a qualidade do estabelecimento. No entanto, se não quiserem esperar na fila podem comprar as bebidas que desejarem (em garrafa) e existe uma boa variedade à escolha e levam para casa. Nós fizemos as duas coisas – tivemos a experimentar as cervejas e cidras de pressão no local e para jantar comprámos uma garrafa da cerveja belga Delirium Tremens.
Este é o segundo local em Watford que gostava de mencionar – o restaurante não abriu há muito tempo, mas já é bastante concorrido. Las Iguanas oferecem dois cocktails iguais pelo preço de um durante todo o dia – aqui não existe “Happy hour” mas sim “Happy day all day“. Las Iguanas é um restaurante e por isso podem escolher só vir aqui para beber uns cocktails ou então para jantar – o restaurante centra-se em comida típica do México, Argentina, Brasil e Cuba. Nós experimentámos os cocktails e algumas das entradas. Até às 7 da tarde pode-se pedir 3 entradas por 18,95 libras – pedimos calamares, nachos e halloumi.
Os nachos e os calamares estavam óptimos – o molho de aioli que veio com os calamares era simplesmente soberbo. O halloumi não era mau, mas o molho agridoce tinha um travo estranho. Os cocktails eram bons – nós experimentamos o “Berry Colada” e “Passion Sour Bomb” – preferimos o primeiro e achámos que nos dois cocktails faltava um bocadinho mais de álcool.
A decoração do restaurante é muito feminina – conseguiram transformar aquilo que parece um barracão num espaço bonito cheio de flores, luzes e moderno mesmo no centro de Watford.
Saint Albans é uma pitoresca vila a mais ou menos meia hora do centro de Londres. A arquitectura, os jardins e a grande catedral completam a beleza de Saint Albans. Estou já há bastante tempo para fazer um post sobre esta vila uma vez que é um dos nossos locais preferidos para jantar fora, mas vou-me por agora focar no melhor – Sucker Punch.
Descobrimos este sítio há coisa de duas semanas e desde desse dia que pensamos em voltar – o que está para breve. Foram dos melhores cocktails que eu já experimentei na vida. Não, não é exagero – eram simplesmente deliciosos. Sucker Punch não tem serviço de restaurante por isso comer não é aqui, mas beber definitivamente é. Aconselho a marcarem mesa, por acaso tivemos sorte porque também fomos bastante cedo, por volta das 7, e tivemos lugar ao balcão. Mas mesmo os assentos ao balcão estavam reservados para depois das 9. A minha ideia era só sair para uma bebida, mas acho que no total ficámo-nos pelos quatro cocktails cada um. Os barman sabem bem o que estão ali a fazer.
A decoração rústica com a bonita luz das velas a iluminarem o espaço permite o ambiente acolhedor e um bocadinho misterioso deste local. Um dia passado em Saint Albans requer com certeza uma paragem aqui.
Afastando-nos um bocadinho mais de Londres temos a cidade de Birmingham. A maior das pessoas já ouviu falar em Birmingham uma vez que é uma das maiores cidades em Inglaterra. Eu já estive em Birmingham para aí umas três vezes, mas nunca se proporcionou a oportunidade de explorar a cidade como um turista e por isso o que conheço de Birmingham são um ou dois bares, alguns restaurantes e o mercado de Natal.
The Head of Steam no centro da cidade é uma ótima opção para quem adora beber – encontra-se aqui uma grande variedade de cocktails, cervejas (incluindo belgas), cidras e bebidas brancas. O espaço é bastante iluminado e muito movimentado. Viemos aqui depois do mercado de Natal (do que vou já falar abaixo) e apesar de termos encontrado uma mesa, o local estava apinhado e mais ainda pela noite dentro. Podem escolher jantar ou almoçar aqui até às 9 da noite, altura que param de servir comida. Não tivemos oportunidade de experimentar a comida, mas o intuito era mesmo conhecer este local pela variedade de bebidas que constam no menu. E sim, têm Sagres!
Como disse acima não conheço muito da cidade em termos de sítios para visitar e se é ou não uma cidade que acho que vale a pena visitar em Inglaterra, no entanto posso-vos garantir que se vierem a este bar ficarão bastante mais satisfeitos. Também a zona junto aos canais de água é uma área que recomendo para passear e para ir parandos nos vários bares e pubs que existem ali na zona.
Sim é um bocado cedo para falar no Natal, eu sei disso. Um bocado cedo ou um bocado tarde, dependendo da perspetiva. Neste momento pensamos nos dias Verão que estão a chegar e de ir à praia ou à piscina e apanhar sol. No entanto, há sempre aqueles que gostam de organizar as férias atempadamente. Eu sei que vocês estão aí!
O mercado de Natal de Birmingham é considerado um dos 10 melhores do Reino Unido – Edimburgo figura sempre em primeiro lugar, mas não fico espantada já que só a cidade em si é um sonho. Este mercado de Natal tem a particularidade de ser chamado o mais autêntico German market (mercado de Natal Alemão) fora da Alemanha e da Áustria. Existem várias barraquinhas com comida como salsichas, waffles e chocolates. Também vimos algumas barraquinhas a vender velas e sabonetes feitos a mão, mas só mesmo uma ou duas. Claro que experimentámos o cachorro-quente com uma salsicha de um metro, no entanto o meu marido experimentou depois uma segunda mais pequena e disse que era melhor. Sim, a frase pode ser levada noutro sentido, eu dei conta (contenham-se por amor de Deus).
Bebidas tínhamos os grandes canecões de cerveja tradicioanl alemã, mas também o mulled wine (vinho quente com especiarias típico da época natalícia), chocolate quente e as opções mais comuns. Nós aqui ficámo-nos pela cerveja – já que viemos de propósito a Birmingham por causa de um mercado de Natal alemão tínhamos que nos aventurar pelas delícias da cozinha alemã. Infelizmente devido às restrições do COVID o mercado de Natal fechou às 9 horas (ou pelo menos penso que foi por causa do COVID), mas isso deu-nos a oportunidade de visitar The Head Steam.
Claro que existem muitos mais locais onde experimentámos variadas bebidas alcoólicas e essas experiências estão incluídas nos vários posts que vou deixando aqui neste blog. No entanto, apesar de não termos ido “turistar” às cidades onde ficam os estabelecimentos mencionados neste post, estes bares e pubs incutiram tamanha curiosidade que nos fizeram sair de casa de propósito para os explorar. E posso-vos dizer que o repetiremos de novo.
Inverness é a maior cidade das terras altas da Escócia sendo considerada a capital cultural das Highlands. O que parece ser à primeira vista uma cidade de tamanho médio revelou ser muito mais que isso. Existem restaurantes, lojas e animação em cada canto da cidade, especialmente no centro.
Estacionámos no parque de estacionamento da catedral de St André (St Andrew). O parque de estacionamento é pago mesmo ao fim-de-semana, mas não quisemos procurar por um recanto que não fosse pago ou que não fosse apenas para residentes. Em vez de virarmos para o centro de Inverness fomos em direção às Ilhas Ness. Tinha lido em vários locais que este era um dos melhores sítios para visitar em Inverness.
A caminho das Ilhas NessCaminho para as Ilhas Ness
As ilhas de Ness, assim chamadas devido ao rio Ness que atravessa a cidade, é um conjunto de pequenas ilhas ligadas por várias pontes. Passear por aqui deu-nos a impressão de entrar num pequeno bosque. Nós, como vínhamos com os olhos cheios de Cairngorm National Park, acabámos por não achar as ilhas Ness nada de especial, mas temos que ver que estamos a comparar um parque nacional com montanhas enormes e cascatas embrenhadas no meio do bosque e uma espécie de simulação de uma floresta mesmo ao lado de uma grande cidade. No entanto, a caminhada soube-nos bem. Voltando para trás, agora com intenção de ir comer qualquer coisa a Inverness, ainda parámos na catedral de St. Andrews, construída entre 1866-1869, com bonitos vitrais por todo a igreja.
Em Inverness fomos primeiro visitar o mercado de estilo Vitoriano que também é um dos pontos especiais de Inverness. Fomos depois ao Burguer King ao pé do centro comercial, já que queríamos algo rápido e barato. Apesar de tudo achei que podíamos ter arranjado um sítio melhor para comer, não é que não seja apreciadora desta linha de fast-food, mas há realmente muita escolha pela cidade e podíamos ter aproveitado a oportunidade para comer algo mais “local”. Ainda fui ao café Costa comprar um chai tea para combater o frio que se começava a fazer sentir.
Castelo de Inverness
O último ponto que quisemos visitar em Inverness foi o castelo. Atualmente o castelo não está aberto ao público mas o recinto à volta está, o que nos permitiu ter um vista abrangente da cidade de Inverness até ao mar.
Demos mais uma volta pelas ruas de Inverness que ainda tinham as decorações de Natal, iluminando as estradas, ruas e lojas.
Escolhemos para última noite um hotel perto do aeroporto de Inverness, uma vez que tínhamos que entregar o carro de manhã cedo, apesar de o nosso voo ser só ao final da tarde. Por isso ficamos no “The Star Inn”. Este local é um pub com um edifício adjacente com quartos.
O nosso quarto no The Star Inn
Na noite que aqui ficámos tínhamos o edifício todo para nós, porque para além de ser janeiro, os turistas preferem ficar no centro de Inverness. Também foi no “The Star Inn” que jantámos. Pedimos nachos para entradas e fish and chips (o tradicional prato inglês de peixe com batatas fritas). As porções que nos chegaram à mesa eram ENORMES, tanto que nós que não gostamos de deixar comida no prato e por isso comemos até não conseguirmos respirar, deixámos quase metade da comida.
A noite foi calma e no pequeno-almoço, servido no pub, também eramos os únicos clientes. A comida foi feita na hora, mas talvez não chegou ao padrão de que tínhamos sido acostumados nesta viagem.
Fomos entregar o carro ao aeroporto e tínhamos planeado ir visitar o forte George que ainda hoje está em funcionamento. Tenham atenção que em Inverness não existe Uber por isso se não tiverem carro e não tiverem escolha de transportes públicos terão que andar ou então apanhar um táxi.Nós decidimos ir até ao Fort George de táxi e depois vir a pé até ao “The Star Inn” para uma bebida ou duas e depois rumar em direção ao aeroporto, de novo de táxi.
O Fort George foi construído para proteger as terras altas da Escócia depois da revolta jacobita em 1745. A fortaleza nunca foi atacada, mas permaneceu em uso como guarnição. O quartel ainda está em uso nos dias de hoje como estabelecimento militar, mas muitos dos edifícios estão abertos ao público e pode ser visitado. No entanto, em novembro de 2016, o ministério da defesa anunciou que o fort seria fechado em 2032, uma vez que já não existem atualmente rebeliões nas Highlands da Escócia.
O bilhete de entrada foram 9 libras e com este teve-se acesso a todas as partes que estão abertas ao público no fort. Existem várias salas que vos dão fácil acesso à história da Escócia e efetivamente os “grandes feitos” militares e a sua participação nas várias guerras. Em pus de propósito grandes feitos entre aspas porque se para alguns parece ser uma exaltação ao poder e grandiosidade militar eu pessoalmente vejo perdas de vida desnecessárias.
Existe um ala que é focada na recuperação dos militares que perderam um membro ou cuja cara ficou desfeita – se é isso chamado um grande feito certamente não seguimos a mesma doutrina. Ou como este quadro com a seguinte descrição “Na noite de 8/9 de abril de 1917, após um forte nevão, o 1/4º Batalhão Seaforth Highlanders lançou um ataque durante a ofensiva em Arras. Quando o comandante, tenente-coronel J S Uthank, chegou às trincheiras da segunda linha alemã, ele encontrou dois Seaforth Highlanders que haviam sido mortos pela explosão de um projétil aéreo. Um permaneceu ajoelhado com seu Novo Testamento na mão, enquanto o outro ficou sentado com os braços estendidos.”
Guerra e religião, infelizmente duas coisas da sociedade atual que andam muitas vezes de mão dada, sem dar nada a ninguém.
Igreja no fort George
Mas pronto, apesar deste desabafo, o fort tem uma boa vista para o mar e para o outro lado da baía, para além que o passeio pela costa até Ardisier foi bastante agradável, apesar do vento forte. Havia vários sinais a indicar que naquele local se podia ver golfinhos, mas não tivemos essa sorte.
Quando chegámos a The Star Inn aproveitámos os grandes sofás para nos refasteláramos a beber e a aquecermos ao pé da lareira, que acesa dava um toque especial na atmosfera deste pub.
E acabava assim a nossa viagem a Inverness e a Cairngorm National Park, espicaçando ainda mais a nossa vontade de viajar, explorar o mundo e formar memórias.
Segundo dia no parque nacional de Cairngorm e o terceiro nas terras altas da Escócia. E amanhecia mais um dia de céu limpo azul-claro. Todos os dias nos espantávamos por não termos dias de chuva, nevoeiro e neve. E cada dia sentíamo-nos sortudos por termos a possibilidade de visitar a Escócia cuja beleza natural parecia se realçar ainda mais com a luz do sol. Depois do pequeno-almoço de que já vos falei no dia anterior (o casaquinho amoroso completamente escocês à volta da cafeteira do café – ainda quero ver se compro um, mas primeiro também preciso da cafeteira – e panquecas saborosíssimas) saímos para um dia longo. Hoje tínhamos muitos quilómetros pela frente e deixo-vos já o conselho de se fizerem o mesmo percurso ou um percurso semelhante para passarem uma das noites do lado este do parque nacional.
O pequeno-almoço em Carn Mohr Lodge, Aviemore
Falls of Bruar
Falls of Bruar – uma cascata na zona sul do parque nacional. Deixámos o carro no parque de estacionamento que pertence à House of Bruar (casa do Bruar), um pequeno ajuntamento de restaurantes e lojinhas. Para chegar á cascata seguimos a placa, passámos pelas lojas e embrenhámo-nos na floresta. Demorámos cerca de 10-15 minutos a chegar à cascata que passava debaixo da ponte de pedra.
E assim outra magnífica paisagem ficava gravada nas nossas memórias. Para além das fotografias ainda andámos por ali a explorar um bocado – há uma pequena passagem feita de pedra que dá para outra cascata e a ponte de pedra que dá continuação ao caminho para dentro da floresta.
Muir of Dinnet
Em seguida fomos até à reserva natural Muir de Dinnet. Fomos parando pelo caminho onde achávamos que a paisagem merecia uma paragem para tirar fotografias e obviamente olhá-la com olhos de ver e não apenas de raspão. No entanto, demorámos quase cerca de duas horas das Falls of Bruir até à reserva natural Muir de Dinnet. Também aqui o GPS não foi grande ajuda, uma vez que no site oficial diz que os trilhos começam em “Burn o’Vat visitor center” mas quando se coloca este nome no GPS leva-nos a um local 8 milhas afastado do ponto onde se quer ir. Nós quando chegámos ao lugar onde o GPS indicava vimos logo que aquilo estava mal, visto que estávamos numa rua de casas residenciais e não havia quaisquer placas a indicar que fosse naquela zona o visitor center. Coloquem antes “Muir of Dinnet National Nature Reserve” que vão ter ao tal centro de visitantes de Burn o’Vat. Quando chegámos o centro de visitantes encontrava-se fechado, mas as casas de banho ainda estavam abertas. Seguimos primeiro pelo trilho para Burn O’Vat em direção a uma cascata escondida por pedregulhos. Apesar do trilho ser fácil e bastante pequeno, para terem acesso à cascata é preciso escalar pelas pedras e passar por um pequeno arco também ele de pedras.
A cascata é o ponto principal desta reserva natural, mas existem outros 3 trilhos disponíveis: Parkin’s Moss Trail, Little Ord Trail e Loch Kinord Trail. Todos eles de acordo com o site que podem ver aqui: https://www.nature.scot/enjoying-outdoors/scotlands-national-nature-reserves/muir-dinnet-nnr/muir-dinnet-nnr-visiting-reserve são de alguma dificuldade. Também podem ver que as distâncias entre os vários trilhos variam desde 3.2Km até 6.4Km e consequentemente também assim varia o tempo que se demora a percorrer cada trilho. Posso-vos dizer que nós não tínhamos esta informação, então fomos mais pelo mapa do google maps e as placas de indicação dos vários trilhos. Como decidimos ir ver a cruz celta – Kinord Cross– que fica perto das margens fomos seguindo a Little Ord Trail. Com a ajuda do GPS encontrámos tanto a cruz como o lago e aproveitámos para saborear o bonito pôr do sol.
Voltámos para o carro e como já eram 4 e meia começámos a viagem de volta para Aviemore. Aqui é que vos aconselho a marcarem acomodação por esta zona até porque as estradas a noite não têm luz e são bastante estreitas e isoladas.
Jantar em Aviemore
The Old Bridge Inn
Quando chegámos a Aviemore estava já na hora de jantar. Ainda não vos falei do restaurante onde jantámos na primeira noite porque infelizmente as nossas reviews não são as melhores. Marcámos mesa no “The Old Bridge Inn” que se repararem é dos locais mais bem avaliados em Aviemore.
No entanto, primeiro o atendimento não foi o melhor, tivemos algum tempo à espera de sermos atendidos e o prato principal se veio rápido para pedir a sobremesa fomos completamente ignorados e demorámos mais de 45 minutos. Tudo seria águas passadas se a comida tivesse sido deliciosa, mas ficou bastante aquém do que esperávamos. Pedimos a entremeada (pork belly) para prato principal – eu queria os gnocchi de beterraba, mas já não havia) e infelizmente a carne se assim se pode chamar era uma grande camada de gordura o que deixava um sabor um bocado estranho na boca. O meu marido odiou o molho, mas eu até gostei, parecia o molho do pato à Pequim. Mesmo os vegetais, as couves-de-bruxelas e as batatas não faziam deste prato no mínimo saboroso.Porque queria dar mais uma tentativa ao restaurante pedi a sobremesa que me soava uma maravilha – cheesecake de cereja com gelado de chocolate. Mas infelizmente o sabor do gelado não combinava com o cheesecake. Foi uma pena que assim fosse já que este era o meu jantar de aniversário. E foi por isso que não quis acabar o último post com o jantar, pois foi uma desilusão.
The Wiking Owl
No entanto, para compensar na noite seguinte o meu marido marcou mesa no pub “The Wiking Owl“. O atendimento foi completamente diferente, atenciosos, divertidos e rápidos. Desta vez pedimos também entradas – calamares com molho tártaro – se houvesse mais, mais tínhamos comido. Para prato principal o meu marido pediu salsichas com puré de batata e eu pedi uma coisa mais simples – Mac and cheese – que é massa macarrão com molho de queijo. Eu posso dizer que apesar de simples, o meu prato era muito, mas muito melhor que o da noite anterior e o meu marido simplesmente adorou a comida que lhe foi servida.
Pedimos ainda sobremesa, já que a da noite anterior tinha sido horrível, o meu marido pediu um crumble de maçã e canela e eu um gateu de chocolate. Divinal!
Em termos de bebidas, porque quando vamos a qualquer cidade também gostamos de experimentar as cervejas locais, provámos a Cairngorm Pale Ale, Black Gold e Wildcat. Eu se fiquei completamente rendida à Black Gold ainda mais fiquei ao Espresso Martini que era soberbo. Esta noite compensou em todos os pontos a noite anterior e por isso recomendo este pub se estiverem a visitar esta zona.
Ainda fomos passear por Aviemore para nos apercebermos da vibe desta pequena vila. E é isso mesmo, uma pequena vila, o meu marido tinha visto que havia uma discoteca, mas parece que já não está aberta. No entanto, o Mambo’s cafe parece ser o local de eleição dos residentes de Aviemore – o café estava cheíssimo e até havia um pequeno ajuntamento de pessoas à porta a fumar, a beber e a conversar.
O último dia em Cairngorm
Acho que não é preciso dizer que ficámos com imensa pena de deixar Cairngorm. Tínhamos tido tantas boas experiências, algumas não tão boas, mas a paisagem, o tempo, as montanhas, os lagos, as cascatas, iam deixar muitas saudades. Depois de um bom pequeno-almoço dissemos adeus a Carn Mohr Lodge. Ainda antes de voltarmos para Inverness, afinal ainda não tínhamos explorado a cidade fomos até à estação de esqui de Lecth. Primeiro parámos em “The Watchers” onde esculturas de pedra se erguem em frente a um belíssimo panorama. E a mensagem numa das pedras “Take a moment to behold” – “Tira um momento para contemplar” é o melhor conselho que aqui se pode dar. Todos sabemos o significado da mensagem e eu acho sempre uma pena quando as pessoas vão a lugar só para tirar a tal fotografia para meter nas redes sociais e mostrarem que tiveram ali sem nunca pararem para apreciar, seja uma paisagem, uma obra de arte ou um monumento.
The Watchers
Mais um bocadinho acima ficava a estação de esqui. Ainda perguntámos se o teleférico estava em funcionamento, mas infelizmente com a pouca neve só tinham aberta a pista para iniciantes.
Estação de Esqui em Letch
Já a começar a ir em direção a Inverness parámos ao pé de Well of Letch onde se encontra uma mina abandonada. Em 1730 esta mina era explorada para extrair ferro. No entanto, esta mina apenas esteve em funcionamento durante 7 anos antes de entrar em colapso. Foi reaberta em 1841 para a exploração de manganês, sendo esta a maior mina de manganês ativa na Escócia. A mina fechou em 1846 quando o preço do manganés tornou o negócio financeiramente insustentável. Hoje em dia a mina esta ao abandono, mas ainda de pé como marco histórico.
Mina abandonada no meio do vale
Por último parámos numa outra escultura “Still”, também esta posicionada num miradouro com uma paisagem magnífica. A escultura toda em espelho reflete de todos os ângulos a paisagem criando assim um interessante conceito.
“Still”
As duas esculturas “Still” e “The Watchers” fazem parte de miradouros da chamada “Snow Roads Scenic Route” – Rota paisagística das estradas da neve – que percorre 90 milhas e passa entre vilas, montanhas e tal como o nome indica, maravilhosas paisagens.
Mas uma coisa é certa – qualquer seja o itinerário que escolham, a Escócia proporcionar-vos-á boas recordações. E assim deixávamos Cairngorm National Park para trás em direção a Inverness. Porque infelizmente a nossa viagem estava a acabar.
Primeiro passo – o pequeno-almoço. A maior parte das guesthouses têm agora o mesmo sistema – entregam um papel com as opções de pequeno-almoço no dia anterior para escolhermos incluindo a hora que queremos comer. Há que ter em conta que mesmo reduzidas ainda existem várias restrições devido ao COVID que precisam de ser respeitadas.
Como estávamos na Escócia queríamos provar os produtos e pratos tradicionais.
Papas de aveia com banana, canela e mel
Escolhemos para entrada: salada de fruta e papas de aveia com banana, mel e canela. Para pratos principais escolhemos croissant com bacon e cogumelos e ovos mexidos com salmão fumado. Deste 4 pratos os pratos tradicionais da Escócia foram as papas de aveia e o salmão. Efectivamente, um dos produtos muito aclamados pela sua qualidade neste país é o salmão. Posso afirmar com toda a certeza que as papas de aveia que comi no Dunhallin Guest Houseforam as melhores com comi na vida. Muito cremosas com um sabor fantástico, o prato certo para uma manhã fria de Inverno.
Croissant com bacon e cogumelosOvos mexidos com salmão fumado
E apesar de frio estava um céu azul lindíssimo. Depois do pequeno-almoço pusemos as nossas malas no carro, despedimo-nos dos donos da casa e fizemo-nos à estrada em direçcão ao parque nacional de Cairngorm, onde mesmo ainda não sabendo, era onde nos íamos apaixonar pela paisagem. A viagem de Inverness até aos limites exteriores do parque nacional durou cerca de meia hora.
A nossa primeira paragem foi em Carrbridge, uma pequena vila com a ponte de pedra mais antiga das terras altas das Escócia. A ponte foi construída em 1717 e é certamente um dos pontos mais famosos de turismo nesta área. Cuidado com o GPS, nós pusemos “Carrbridge” no Google maps e acabámos por andar em terras privadas. Mesmo se procurarem agora no Google maps o ponto que indica é no meio de um descampado. A ponte que procuram (e que nós procurávamos) chama-se “Old Pack Horse Bridge“. Coloquem antes o nome da ponte e assim chegarão ao sítio correcto.
A nossa sorte foi que a dona dos campos por onde passeávamos descontraidamente foi super simpática enquanto nos informava que aquele local não era público e a dar-nos as direcções correctas. No entanto, em outras circumstâncias não sei se haveria perigo de levarmos um tiro por trespasse.
Depois das muitas fotografias tiradas à ponte fomos para o lago Garten. Na verdade nesta zona são dois lagos um ao lado do outro – o lago Garten e o lago Mallachie. Aproveitámos o bom tempo para fazermos o trilho que liga os dois lagos. Como podem ver a paisagem é lindíssima. Este lugar é um bom local para quem é ornitófilo já que existem várias espécies especiais de pássaros que habitam nesta zona.
O percurso à volta dos dois lagos e pelo bosque levou-nos cerca de uma hora. O percurso é fácil e nós fizemo-lo em uma hora em passo lento e parando aqui e ali para ir tirando fotografias.
Próxima paragem: Lago Morlich. Aqui foi uma das mais bonitas paisagens da viagem – o lago, as montanhas, as pedras e…os muitos patos. Simplesmente de cortar a respiração. Acho que ninguém fica indiferente com a beleza deste país, eu certamente não consigo. Há um trilho de 6 Km à volta do lago de dificuldade fácil. Podem ver mais sobre o trilho em: https://www.alltrails.com/trail/scotland/highland/loch-morlich
Nós, no entanto, quisemos ir até às montanhas. Parámos na estação de esqui “Cairngorm Mountain”. Aqui existem várias opções em que duas são óbvias – fazer esqui – o que não escolhemos porque parece que 2022 não é o ano para esqui. A única zona que está aberta em Janeiro e de momento é a zona de aprendizagem – e subir a montanha. Agora, a grande montanha – Ben Macdui – com 1309 metros de altura e certamente com uma vista magnífica, não é associada a uma escalada de nível fácil. Na verdade, quando investiguei um bocadinho sobre subir Ben Macdui as palavras que li foram: extremamente difícil, requer experiência em escalada, e isto se estiver bom tempo. E acreditem que não foi preciso investigar muito para descobrir este bonito resumo de uma subida ao Ben Macdui. Este trilho em particular é constituído por uns simples 17,5 Km e dura “só” cerca de 8 horas a completar. Podem ver mais neste site: https://www.walkhighlands.co.uk/cairngorms/macdui-cairngorm.shtml. Tenho a certeza que alguém que ler isto ficará muito entusiasmo em embarcar nesta aventura. Nós não somos essas pessoas.
Vá, nós até que começámos a subir e tal, mas também passado meia hora já estávamos a ver que nao íamos chegar nem a meio da subida. De maneira nenhuma! Ainda tirámos umas fotografias para relembrar e porque a paisagem assim o merecia, mas agora subir aquela montanha é que não.
Vista para o lago Morlich da montanha Cairngorm
Antes de anoitecer fomos ao “Loch an Eilein“, um dos lagos da Escócia com uma determinada particularidade – no meio do lago encontram-se as ruínas de um pequeno castelo. Da história do castelo não se conhece muitos detalhes, mas pensa-se pelos documentos descobertos que o castelo foi construído no final do século XIV para protecção. Isto porque nas margens do lado oriente do lago havia uma estrada chamada de “Estrada dos Ladrões” onde os saqueadores pilhavam os locais por onde iam passando. O nível da água do lago subiu em 1700 para formar esta represa e actualmente, as ruínas dos castelo encontram-se rodeados pelo lago.
Passeámos um bocadinho pelas margens e fomos até à última paragem do dia, antes de irmos para Aviemore, onde íamos passar a noite e provavelmente jantar.
Uath Lochans
Em Uath Lochans seguimos pelo trail que liga os três lagos, mas não fizemos o percurso completo porque estava a escurecer e tudo o que não queríamos era ficar presos no meio do bosque sem luz e sem saber onde estávamos. Até porque pelos vários lagos por onde passámos muitas vezes não se apanhava recepção de telemóvel ou internet por serem zonas bastante escondidas e isoladas. Talvez isso levou-nos a não nos embrenharmos muito pelos trilhos, especialmente aqueles que não tinham indicações muito claras. Havia também o factor de anoitecer bastante cedo, às 4 e meia era praticamente de noite e não queríamos estragar a viagem devido a uma incorrecta organização de tempo.
Por isso chegando as 4 e meia estavámos na direcção de Aviemore, a vila onde íamos pernoitar por duas noites. Ficámos nas duas noites em Carn Mhor Lodge. O nosso quarto tinha 3 camas, mas não era muito grande, mas comfortável e bastante sossegado. O dono da casa recebeu-nos muito bem e já avaçando para o pequeno-almoço, ficámos bastante surpreendidos com a qualidade dos ingredientes que sabemos serem locais. O black pudding na Escócia é mil vezes melhor que em Inglaterra. Nós já experimentámos várias vezes o full breakfast e o black pudding nunca é algo que nos entusiasme, mas na Escócia posso dizer que se não é o melhor é definitivamente um dos melhores elementos do pequeno-almoço.
No primeiro dia escolhi as panquecas com frutos vermelhos. Fofas, quentes e deliciosas. No dia seguinte pedi o pequeno-almoço inglês vegetariano. A única coisa que fiquei com pena foi de não ter incluído o black pudding (claro que não, visto que era vegetartiano!!) mas muito saboroso. E já viram o casaquinho amoroso que o pote de café trazia? Não pude deixar de tirar a fotografia.
Tenho a certeza de que qualquer pessoa que goste de viajar (faça-o frequentemente ou não) já ouviu falar e falar bem das terras altas da Escócia – as chamadas Highlands. Eu da Escócia só conhecia até à data a cidade de Edimburgo, e para mim era e ainda é a cidade mais bonita que já visitei.
É aquela cidade que está escondida na memória como cidade onde gostaria de viver um dia. Por isso a expectativa para esta viagem era grande. Queríamos ver aquelas paisagens lindas das montanhas, dos lagos e ruínas de castelos antigos que as muitas horas de pesquisa nos espicaçava a vontade de ir. Mas…esta era a nossa primeira viagem de 2022 e janeiro no Reino Unido muito raramente significa bom tempo. Mesmo assim planeámos a viagem e como queremos conhecer bem as Highlands dividimo-las em 3 partes e desta vez íamo-nos focar na parte Este – Inverness e Cairngorm National Park.
As reviews que tínhamos de Dundee era que não valia lá ir e Aberdeen também não nos puxou. Tendo Inverness um aeroporto e voos que partem de Londres, a solução de onde centrar a nossa viagem ficou escolhida. Dividindo as Highlands em três partes dar-nos-á a oportunidade de ver a Escócia em diferentes estações do ano – Inverno, Primavera e Outono.
Preparações para a viagem – alugar um carro. Para visitar apenas a cidade de Inverness não é preciso carro, mas para visitarem o parque nacional e o lago Ness aconselho vivamente a alugarem um carro. Nós reservamos o “nosso” SUV na Budget Car Hire através do site do Booking.com. Como esperávamos mal tempo, lama, neve e muita chuva escolhemos um carro que aguentasse todo o tipo de temporais. O aluguer do carro por 4 dias ficou-nos a 110 libras. Para dormidas, escolhemos passar uma noite em Inverness, duas noites em Cairngorm National Park (Aviemore) e uma noite ao pé do aeroporto pois no Domingo de manhã tínhamos que entregar o carro. Fizemos todas as nossas marcações também no site Booking.com. Num voo de uma hora e 15 que partiu de Heathrow (Londres) chegámos a Inverness. O aeroporto de Inverness é pequenino e se viajarem de Inglaterra ou da Irlanda nem sequer os passaportes vos pedem porque é considerado um voo doméstico.
Fomos pela British Airways, eu pela primeira vez nesta companhia aérea, e gostei do toque de oferecerem uma garrafa de água e um snack. Quem voa sempre pelas companhias low cost não está habituado a estes gestos. Aterrando no aeroporto e tendo a chave do nosso carro na mão, fomos para a nossa primeira paragem do dia –Cairn Clava. Cairn Clava é um cemitério construído na idade do Bronze. Existem aqui 4 tumbas em forma de círculo feito de pedras e três círculos de pedras singulares. Estas tumbas foram construídas pelos fazendeiros do vale de Nairn para sepultar os membros mais importante da sua comunidade há cerca de 4000 anos. Não existe registo do porquê o cemitério ter esta forma. No entanto, arqueólogos têm encontrado pistas e vestígios que permitem perceber o nível de complexidade intelectual desta comunidade.
Entrada para uma das tumbas
Vou confessar que não passámos muito tempo por aqui, mas é um sítio bonito de passagem associado a um grande simbolismo. Não fosse por isso um local que tem sido preservado ao longo dos tempos. O nosso próximo local não precisa de grandes introduções. Acredito que muitos de vós já tenham ouvido falar do grande e mítico monstro do loch Ness. Loch em escocês significa lago, e sim era à volta dele que iríamos passar grande parte do nosso dia. Não vimos monstro, mas vimos muita comércio à volta deste mítico ser. Fomos visitar o castelo de Urquhart que fica na margem oeste do lago Ness. O bilhete de entrada foi £9.60 por pessoa. Comprámos os nossos bilhetes à entrada do castelo sem problemas e sem multidões, mas acredito que seja relacionado com a pandemia e pela altura do ano em que aqui viemos. Em alturas mais movimentadas talvez seja melhor comprar o bilhete no website oficial – https://www.historicenvironment.scot/visit-a-place/places/urquhart-castle/.
As ruínas do castelo com o lago à volta formam uma paisagem muito bonita. Existem várias placas espalhadas pelas várias ruínas que vão explicando os locais onde estávamos e a história relacionada com o próprio castelo. Este castelo foi construído por volta de 1200. Em 1400s muitos dos edifícios dentro das muralhas do castelo foram destruídos durante a luta entre os Senhores das Ilhas (Lord of the Isles) e a Coroa que durou 150 anos. Apesar de algumas tentativas de reconstrução o castelo entrou em decadência e em 1715 uma violenta tempestade destrui a Torre principal do castelo. As ruínas do castelo passaram a ser parte do Estado em 1913 e são hoje consideradas um importante marco histórico sendo um dos castelos mais visitados na Escócia.
Descendo mais um pouco pelo lago fomos até à cascata de Invermoriston (Falls). Deixámos o carro no parque de estacionamento gratuito Invermoriston Falls. Para chegar até à cascata ou melhor até ao ponto panorâmico para a cascata embrenhámo-nos na floresta, e numa caminhada rápida de 5 minutos chegámos a uma casinha de pedra chamada “Summer House”. Daqui o panorama é muito pitoresco – a cascata, a ponte e a montanha ao fundo.
Mais um bocadinho de carro e fomos até à cascata Allt na Criche. Como já começava a escurecer só parámos o carro para tirarmos a imprescindível foto. Mas enquanto o meu marido montava o tripé e toda o conjunto de instrumentos que precisa para tirar fotografias eu andei por ali e descobri que neste local começa um trilho de 2.9Km. Apesar de ser menos que 3Km de distância avisam que o trilho é difícil com subidas a pique. O trilho em média leva 1 hora a completar. Nós quando chegámos a Allt na Criche já passava das 2 e meia e por isso nem sequer considerámos seriamente a opção de completar esta caminhada. Não, não foi só por ia ser uma subida díficil, o tempo limitado de horas de luz solar também contaram.
Até porque tínhamos mais duas paragens na nossa agenda e uma era destinada especificamente para ver o pôr do sol. Seguimos pela estrada até às próximas cascatas, Falls of Foyers. Eu nesta altura estava a conduzir e por isso não vi, mas há um ponto panorâmico – “Suidhe Viewpoint” – que o meu marido disse várias vezes que deveríamos lá ter parado. E a verdade é que este local está avaliado na Google em 4.8. Fica aqui a dica. Para chegarmos até às Falls of Foyers deixámos o carro no parque de estacionamento gratuito com o mesmo nome e fomos descendo. Penso que no total o caminho de ida e volta foi cerca de 20 minutos. Descemos e descemos até às duas varandinhas com vista para a cascata.
E chegava a altura de irmos para Dores, uma vila a 10 Km de Inverness. Das reviews que lemos este local é muito bem avaliado como ponto panorâmico para ver o pôr do sol. Isto porque da praia de Dores têm-se uma vista fantástica do lago Ness e das montanhas. E o mais incrível é que mesmo indo em janeiro tivemos direito a um lindíssimo pôr do sol na praia. E se parecia um conto de fadas, mais especial se tornou quando um pato pousou na água mesmo a nossa frente e balançava ao sabor das ondas. Se há certos momentos que nos trazem boas memórias, este é decididamente um deles.
E nesta nota alta a noite chegou. Como disse acima, nesta altura do ano, anoitece bastante cedo, às 4 e meia já é completamente de noite. Fomos então em direção a Inverness, para o nosso alojamento – Dunhallin Guest House. Batemos à porta e os donos ao nos verem ficaram muito espantados. Então não é que se esqueceram que iam ter hóspedes naquela noite? Mas foram super prestáveis e simpáticos e numa rápida espera de 5 minutos estava o nosso quarto pronto. E um belo quarto, com espaço de estar com sofá e televisão. Achei bastante querida a decoração da casa-de-banho.
Perguntámos onde havia por ali perto um bom local para jantar e foi-nos recomendado o restaurante no Fairways Golf Club. Com mesa marcada aproveitámos a caminhada de 10 minutos para esticar as pernas. O restaurante afirma oferecer um ambiente familiar. Gostaria imenso de dizer que a comida era espetacular, mas não. O hambúrguer do meu marido veio esturricado e o meu frango muito mas muito seco.
Como a comida foi uma desilusão decidimos ir explorar Inverness. Fomos a um bar “The Piano and Whisky Bar Inverness“. O ambiente também aqui estava um bocado morto, mas mesmo assim melhor de onde tínhamos vindo. Ainda deu para nos aquecermos com um French Martini e um whisky.
O primeiro dia em Inverness tínhamos aberto o apetite para nos atirar para os próximos dias. Só faltava era estar bom tempo e fazer-nos à estrada.
Aqueça o azeite em uma panela e gentilmente coza o alho e a cebola por 3 minutos, até esta última ficar macia. Adicione o picante em pó e os tomates e deixe ferver. Junte o caldo, a polpa de tomate, os feijões e o milho. Misture e deixe ferver com a panela destapada por 15-20 minutos. Passado este tempo de cozedura junte os coentros ou a salsa e tempere com sal e pimenta. Sirva quente e, se quiser, acompanhado com uma fatia de pão integral
– 4 Cogumelos frescos inteiros de tamanho médio, com os talos separados dos chapéus
– 6 Ovos
– 4 Colheres de sopa de leite
– 2 Colheres de sopa de margarina
– 12 Tomates-cerejas cortados em metades
– 4 Tortilhas
– Pimenta, sal q.b.
Preparação:
Grelhe os pimentos e os chapéus dos cogumelos por 4-5 minutos, virando-os uma vez. Bata os ovos com o leite. Pique os talos dos cogumelos. Derreta a manteiga numa frigideira anti-aderente e junte os talos dos cogumelos com a mistura de ovos batidos com o leite. Vá mexendo com uma colher de pau até fazer ovos mexidos. Quando quase cozinhados, junte os pimentos, os tomates-cereja e tempere com sal e pimenta a gosto. Deixe cozinhar por mais uns segundos.Entretanto, aqueça as tortilhas. Em 4 pratos reparta os ovos mexidos e coloque um chapéu de cogumelo em cada um deles. Sirva acompanhado com uma tortilha.
A pouco e pouco ia chegando o final da nossa viagem. Tínhamos já perdido a conta das terras, condados, cidades e vilas por onde passámos. Partimos de Cork e depois de 4 dias a viajar pela estrada chegávamos ao nosso destino final – Strandhill.
Sligo
Para almoçar fomos a Sligo, a cidade mais perto de Strandhill. Tanto Sligo como Strandhill são locais bem conhecidos por uma das pessoas que participou nesta viagem visto esta ser a sua terra natal. Passeando pelas ruas bonitas, memórias de infância chegavam com alguma melancolia. Como a nossa ideia era petiscar fomos descendo ao lado do riacho, à procura de um restaurante que nos chamasse a atenção.
Acabámos por primeiro tentar visitar as ruínas da Abadia de Sligo, mas infelizmente encontrava-se (e ainda se encontra) fechada. Pelas fotografias parece ser um lugar interessante por isso se tiverem sorte de encontrar os portões abertos não percam a oportunidade de a visitar. Também outro marco histórico presente em Sligo é o memorial da Grande Fome – época histórica de que vos falei no primeiro post sobre esta viagem.
Para almoçar parámos no “The Blind Tiger” um pub que também inclui o restaurante tailandês “Camile Thai Sligo”. Pedimos Pad Thai que tenho que confessar estava delicioso. Recomendo muito, apesar de ter achado o preço demasiado exagerado para o local. No entanto, aviso que a Irlanda não é um país barato, especialmente restaurantes e bares. Mas como disse, o sabor compensou.
Strandhill
A minha colega tinha-me dito que em Strandhill o sol nunca deixa de brilhar. Claro que não é bem assim, afinal ainda é da Irlanda que estamos a falar – um país que chove dias e meses sem parar. Mas uma coisa é certa, se fosse só a contar com a minha experiência em Strandhill tenho que dar a mão à palmatória – enquanto aqui estivemos o sol brilhou.
Strandhill é uma pequena vila costeira conhecida pelos surfistas e por amantes de caminhadas. Como nós ficámos na casa de família da minha colega não vos posso dar uma opinião do sítio onde ficámos. No entanto posso-vos indicar Strandhill Lodge and Suites, um resort que inclui banhos de algas. Este resort está muito bem avaliado no TripAdvisor e é considerado 3º melhor hotel da Irlanda.
A praia em Strandhill é lindíssima, se calhar com mais pedras do que estamos habituados em Portugal, mas mesmo assim lindíssima. Caminhar junto ao mar terminava a nossa longa viagem de uma forma perfeita. Reparámos várias vezes que na Irlanda especialmente nos pontos turísticos ou importantes havia postes de ferro com o nome do local. Vimos estas sinalizações em vários lugares como nas falésias, em cidades e agora aqui na praia de Strandhill.
Quando começou a arrefecer e o dia escurecia fomos para o Strand Bar para bebidas. Para jantar tentámos o The Venue Bar and Restaurant, para além de estar bem avaliado pareceu-nos que teríamos uma ótima vista para o mar. Mas como já devíamos ter esperado o restaurante estava lotado para aquela noite. Acontece bastante quando não se é bem organizado. Mas também acho que se perde oportunidades e ganha-se outras. Às vezes acaba-se num local melhor do que o esperado. Nesta ocasião, pareceu-nos que o restaurante tinha valido a pena, por isso já sabem marquem mesa com antecedência. Com esta tentativa falhada decidimo-nos por um take away que acabou por ser no Jade Garden Oriental, um restaurante chinês perto da praia. A adição de mais umas garrafas de vinho compradas no minimercado da zona fizeram o nosso serão bastante confortável e relaxante. No dia seguinte, o último dia da viagem, aliás havia voos para apanhar no final do dia fomos explorar Strandhill. Para pequeno-almoço fomos até ao Shells Cafe. Em Strandhill fica tudo muito perto umas coisas das outras.
Tentámos comer no paredão, mas foi impossível. Sabem em Portugal quando nos queixamos que as moscas não nos largam? Pois, em Strandhill são abelhas. A sério, nunca tinha visto nada assim – onde nos sentávamos 4 ou 5 abelhas apareciam e andavam ali à volta. Tivemos mesmo que ir para casa comer.
Planos para Strandhill – se tiverem tempo aproveitem para subir o monte Knocknarea. O monte ainda é grandito por isso contém com um dia para a caminhada (ida e volta). Existem vários pontos de interesse como a floresta Glen, um cemitério do megalítico e também a tumba Queen Maeve’s Grave. Se tivéssemos passado aqui mais tempo, esse teria sido um dos planos. Com tempo mais limitado fomos até à praia e seguimos o caminho de areia até Killaspugbrone, as ruínas de uma igreja.
Existe uma história associada a esta igreja. Se é apenas uma lenda não sei, mas é contada como verdade. São Patrício, segundo consta, visitou esta igreja no século VI. Devido ao terreno acidentado São Patrício caiu e perdeu um dente. A Bronus, o bispo local e quem construi a igreja, foi lhe dado o dente em sinal de amizade.
Esta relíquia foi tratada com grande reverência por muitos séculos e eventualmente colocada num santuário de madeira decorado com peças de ouro, prata e âmbar. O santuário também tem a figura de uma harpa que representa o emblema irlandês. Este santuário encontra-se atualmente no Museu Nacional da Irlanda. Também para aqueles que não sabem, São Patrício é o santo padroeiro da Irlanda e na data da sua morte, 17 de março, por todo o país realizam-se grandes celebrações, como a que tivemos oportunidade de ver em Belfast. Mesmo antes de partimos e como estava um sol radiante fomos para a gelataria da zona, Mammy Johnston. Gelados muito bons, recomendo a 100%. Foi incrível ver a vila a encher de gente, o sol estava alto, o calor sentia-se na pele e o som do mar mesmo ali ao lado. Foi com muita pena que tivemos que deixar Strandhill, que para nós foi definitivamente a terra onde sol nunca deixou de brilhar.
E assim acabava, mas… ainda tivemos tempo de fazer uma paragem rápida e andar até CastleClassiebawn Viewpoint – o local de onde se podia ver o castelo de Classiebawn.
E é isto a Irlanda, um misto de coisas boas, de locais de encantar, de locais encantados e aquela sensação de estarmos num mundo onde os duendes existem e os trevos escondem uma magia desconhecida.
Galway foi certamente de todas as cidades que visitámos na Irlanda a de que mais gostei e onde voltaria de bom grado para um fim-de-semana e já agora aproveitar para ir até à costa. Não o fizemos porque ficava a uma hora de viagem de Galway e já tínhamos uma grande de bagagem de quilómetros atrás de nós e mais uns quantos à nossa frente. Explorámos mais Galway do que todas as outras cidades e foi a melhor escolha. Ficámos instalados no hotel Menlo Park Hotel – hotel de 4 estrelas com um óptimo ambiente. O quarto que nos calhou era enorme e a casa-de-banho parecia ser tirada diretamente de uma revista de imobiliário. Talvez o único senão seja a localização pois não fica no centro da cidade. Mas rapidamente e facilmente se chega ao centro de Galway.
Chegámos no final do dia a Galway – depois do check-in e arranjarmo-nos para sair fomos de táxi para Galway. E que cidade! Estava ao rubro. Eram já 8 e tal por isso os restaurantes estavam cheíssimos. Acabámos sentados à mesa do restaurante italiano Trattoria Magnetti simplesmente pelo facto de este restaurante ainda ter mesas livres. Mas não deixem enganar-se pelo meu comentário – As pizzas eram muito boas. A calzone era enorme e foi só pena já não haver espaço para sobremesa. Talvez o que se poderia apontar era a velocidade do serviço, porque demorámos bastante tempo a ser atendidos e a comida a chegar. Não por falta da qualidade dos trabalhadores, mas sim mais pela quantidade. Sexta-feira à noite espera-se uma noite com muito movimento, mas quem nos atendeu desculpou-se várias vezes mencionando estarem com falta de pessoal.Por causa deste pequeno atraso, quando saímos do restaurante já passava das 9 e meia. (Tudo fecha às 11!!) Talvez para perceberem melhor a nossa escolha para o local seguinte informo-vos rapidamente que um dos meus amigos que vinha na viagem é homossexual – e ele estava a morrer para conhecer o único gay bar em Galway. E assim acabámos a noite no Nova Bar.
O bar é bastante pequeno principalmente para quem vem de Londres, mas isso não nos impediu de pedir bastantes shots e mais algumas bebidas.
Sábado de manhã começámos a explorar Galway agora à luz do dia. Primeiro fomos ao pequeno-almoço no hotel – o melhor da viagem digo já de passagem. Havia os pratos quentes como panquecas ou o pequeno-almoço inglês, e depois a parte continental com pão, queijo, frutas, etc. Definitivamente este foi o melhor hotel da viagem (mas também o mais caro). Depois de um rápido e eficiente check-out fomos para o centro de Galway.
Avançámos pelo Spanish Arch (arco espanhol) local que é hoje considerado um importante ponto histórico da cidade. O Arco Espanhol é um bastião que foi construído pela extensão das muralhas medievais da cidade. Concluído em 1584 tinha o objetivo de proteger e defender o cais, local de importante comércio com a Inglaterra e Europa. O Arco Espanhol era inicialmente conhecido como “Head of the Wall” (cabeça da muralha) mas com o tempo ficou mais conhecido por Arco Espanhol (talvez devido às grandes e importantes relações comerciais com a Espanha). Existiam 4 arcos nesta zona, mas só dois sobreviveram depois do tsunami que se originou em 1755 durante o terramoto de Lisboa.
Sugiro como próximo local de paragem a catedral de Galway. E que para aqui chegarem a partir do Arco Espanhol que sigam o rio acima (?abaixo) para terem paisagens encantadoras. A catedral de Galway é uma das mais recentes catedrais de pedra na Europa, tendo sido inaugurado a 15 de agosto de 1965. Chegámos foi à catedral numa má altura porque estava a decorrer a missa naquele momento. Como sinal de respeito não vimos muito bem a catedral por dentro, pois não íamos andar de um lado para o outro dentro da igreja feitos turistas parvos.
Para acabar a nossa paragem em Galway que tanto tínhamos gostado fomos passeando pelas ruas festivas da cidade. Encantadoras lojas de chá, ruas vibrantes e coloridas foi o que encontrámos em Galway.
Parámos no Eyre Square também conhecido por memorial de John F. Kennedy. Este último nome é lhe dado por ter sido neste parque que o presidente fez o seu discurso em 1963 numa visita a Galway. O que nos ficou deste sítio foi um pombo que voou diretamente para dentro da boca do meu amigo. Pombos em Galway são badass. Depois de termos quase morrido a rir com este episódio deixámos Galway para trás. Como disse no início deste post, Galway é uma cidade que não me importaria de revisitar especialmente em tempos menos críticos – sem COVID – e aproveitar para visitar mais um pouco da “Wild Atlantic Coast” (costa selvagem do Atlântico).