Cogumelos e pimentos com ovos mexidos

Tempo de preparação: 20 minutos

369 Kcal/Porção

4 porções


Ingredientes:

– 2 Pimentos cortados em tiras, sem sementes

– 4 Cogumelos frescos inteiros de tamanho médio, com os talos separados dos chapéus

– 6 Ovos

– 4 Colheres de sopa de leite

– 2 Colheres de sopa de margarina

– 12 Tomates-cerejas cortados em metades

– 4 Tortilhas

– Pimenta, sal q.b.


Preparação:

Grelhe os pimentos e os chapéus dos cogumelos por 4-5 minutos, virando-os uma vez. Bata os ovos com o leite. Pique os talos dos cogumelos. Derreta a manteiga numa frigideira anti-aderente e junte os talos dos cogumelos com a mistura de ovos batidos com o leite. Vá mexendo com uma colher de pau até fazer ovos mexidos. Quando quase cozinhados, junte os pimentos, os tomates-cereja e tempere com sal e pimenta a gosto. Deixe cozinhar por mais uns segundos.Entretanto, aqueça as tortilhas. Em 4 pratos reparta os ovos mexidos e coloque um chapéu de cogumelo em cada um deles. Sirva acompanhado com uma tortilha.

Strandhill – “onde o sol nunca deixa de brilhar”

A pouco e pouco ia chegando o final da nossa viagem. Tínhamos já perdido a conta das terras, condados, cidades e vilas por onde passámos. Partimos de Cork e depois de 4 dias a viajar pela estrada chegávamos ao nosso destino final – Strandhill.

Sligo

Para almoçar fomos a Sligo, a cidade mais perto de Strandhill. Tanto Sligo como Strandhill são locais bem conhecidos por uma das pessoas que participou nesta viagem visto esta ser a sua terra natal. Passeando pelas ruas bonitas, memórias de infância chegavam com alguma melancolia. Como a nossa ideia era petiscar fomos descendo ao lado do riacho, à procura de um restaurante que nos chamasse a atenção.

Acabámos por primeiro tentar visitar as ruínas da Abadia de Sligo, mas infelizmente encontrava-se (e ainda se encontra) fechada. Pelas fotografias parece ser um lugar interessante por isso se tiverem sorte de encontrar os portões abertos não percam a oportunidade de a visitar. Também outro marco histórico presente em Sligo é o memorial da Grande Fome – época histórica de que vos falei no primeiro post sobre esta viagem.

Para almoçar parámos no “The Blind Tiger” um pub que também inclui o restaurante tailandês “Camile Thai Sligo”. Pedimos Pad Thai que tenho que confessar estava delicioso. Recomendo muito, apesar de ter achado o preço demasiado exagerado para o local. No entanto, aviso que a Irlanda não é um país barato, especialmente restaurantes e bares. Mas como disse, o sabor compensou.


Strandhill

A minha colega tinha-me dito que em Strandhill o sol nunca deixa de brilhar. Claro que não é bem assim, afinal ainda é da Irlanda que estamos a falar – um país que chove dias e meses sem parar. Mas uma coisa é certa, se fosse só a contar com a minha experiência em Strandhill tenho que dar a mão à palmatória – enquanto aqui estivemos o sol brilhou.

Strandhill é uma pequena vila costeira conhecida pelos surfistas e por amantes de caminhadas. Como nós ficámos na casa de família da minha colega não vos posso dar uma opinião do sítio onde ficámos. No entanto posso-vos indicar Strandhill Lodge and Suites, um resort que inclui banhos de algas. Este resort está muito bem avaliado no TripAdvisor e é considerado 3º melhor hotel da Irlanda.

A praia em Strandhill é lindíssima, se calhar com mais pedras do que estamos habituados em Portugal, mas mesmo assim lindíssima. Caminhar junto ao mar terminava a nossa longa viagem de uma forma perfeita. Reparámos várias vezes que na Irlanda especialmente nos pontos turísticos ou importantes havia postes de ferro com o nome do local. Vimos estas sinalizações em vários lugares como nas falésias, em cidades e agora aqui na praia de Strandhill.

Quando começou a arrefecer e o dia escurecia fomos para o Strand Bar para bebidas. Para jantar tentámos o The Venue Bar and Restaurant, para além de estar bem avaliado pareceu-nos que teríamos uma ótima vista para o mar. Mas como já devíamos ter esperado o restaurante estava lotado para aquela noite. Acontece bastante quando não se é bem organizado. Mas também acho que se perde oportunidades e ganha-se outras. Às vezes acaba-se num local melhor do que o esperado. Nesta ocasião, pareceu-nos que o restaurante tinha valido a pena, por isso já sabem marquem mesa com antecedência. Com esta tentativa falhada decidimo-nos por um take away que acabou por ser no Jade Garden Oriental, um restaurante chinês perto da praia. A adição de mais umas garrafas de vinho compradas no minimercado da zona fizeram o nosso serão bastante confortável e relaxante.
No dia seguinte, o último dia da viagem, aliás havia voos para apanhar no final do dia fomos explorar Strandhill. Para pequeno-almoço fomos até ao Shells Cafe. Em Strandhill fica tudo muito perto umas coisas das outras.

Tentámos comer no paredão, mas foi impossível. Sabem em Portugal quando nos queixamos que as moscas não nos largam? Pois, em Strandhill são abelhas. A sério, nunca tinha visto nada assim – onde nos sentávamos 4 ou 5 abelhas apareciam e andavam ali à volta. Tivemos mesmo que ir para casa comer.

Planos para Strandhill – se tiverem tempo aproveitem para subir o monte Knocknarea. O monte ainda é grandito por isso contém com um dia para a caminhada (ida e volta). Existem vários pontos de interesse como a floresta Glen, um cemitério do megalítico e também a tumba Queen Maeve’s Grave. Se tivéssemos passado aqui mais tempo, esse teria sido um dos planos. Com tempo mais limitado fomos até à praia e seguimos o caminho de areia até Killaspugbrone, as ruínas de uma igreja.

Existe uma história associada a esta igreja. Se é apenas uma lenda não sei, mas é contada como verdade. São Patrício, segundo consta, visitou esta igreja no século VI. Devido ao terreno acidentado São Patrício caiu e perdeu um dente. A Bronus, o bispo local e quem construi a igreja, foi lhe dado o dente em sinal de amizade.

Esta relíquia foi tratada com grande reverência por muitos séculos e eventualmente colocada num santuário de madeira decorado com peças de ouro, prata e âmbar. O santuário também tem a figura de uma harpa que representa o emblema irlandês. Este santuário encontra-se atualmente no Museu Nacional da Irlanda. Também para aqueles que não sabem, São Patrício é o santo padroeiro da Irlanda e na data da sua morte, 17 de março, por todo o país realizam-se grandes celebrações, como a que tivemos oportunidade de ver em Belfast.
Mesmo antes de partimos e como estava um sol radiante fomos para a gelataria da zona, Mammy Johnston. Gelados muito bons, recomendo a 100%. Foi incrível ver a vila a encher de gente, o sol estava alto, o calor sentia-se na pele e o som do mar mesmo ali ao lado. Foi com muita pena que tivemos que deixar Strandhill, que para nós foi definitivamente a terra onde sol nunca deixou de brilhar.

E assim acabava, mas… ainda tivemos tempo de fazer uma paragem rápida e andar até Castle Classiebawn Viewpoint – o local de onde se podia ver o castelo de Classiebawn.

E é isto a Irlanda, um misto de coisas boas, de locais de encantar, de locais encantados e aquela sensação de estarmos num mundo onde os duendes existem e os trevos escondem uma magia desconhecida.

Galway – uma cidade a voltar

Galway foi certamente de todas as cidades que visitámos na Irlanda a de que mais gostei e onde voltaria de bom grado para um fim-de-semana e já agora aproveitar para ir até à costa. Não o fizemos porque ficava a uma hora de viagem de Galway e já tínhamos uma grande de bagagem de quilómetros atrás de nós e mais uns quantos à nossa frente. Explorámos mais Galway do que todas as outras cidades e foi a melhor escolha. Ficámos instalados no hotel Menlo Park Hotel – hotel de 4 estrelas com um óptimo ambiente. O quarto que nos calhou era enorme e a casa-de-banho parecia ser tirada diretamente de uma revista de imobiliário. Talvez o único senão seja a localização pois não fica no centro da cidade. Mas rapidamente e facilmente se chega ao centro de Galway.

Chegámos no final do dia a Galway – depois do check-in e arranjarmo-nos para sair fomos de táxi para Galway. E que cidade! Estava ao rubro. Eram já 8 e tal por isso os restaurantes estavam cheíssimos. Acabámos sentados à mesa do restaurante italiano Trattoria Magnetti simplesmente pelo facto de este restaurante ainda ter mesas livres. Mas não deixem enganar-se pelo meu comentário – As pizzas eram muito boas. A calzone era enorme e foi só pena já não haver espaço para sobremesa. Talvez o que se poderia apontar era a velocidade do serviço, porque demorámos bastante tempo a ser atendidos e a comida a chegar. Não por falta da qualidade dos trabalhadores, mas sim mais pela quantidade. Sexta-feira à noite espera-se uma noite com muito movimento, mas quem nos atendeu desculpou-se várias vezes mencionando estarem com falta de pessoal.Por causa deste pequeno atraso, quando saímos do restaurante já passava das 9 e meia. (Tudo fecha às 11!!) Talvez para perceberem melhor a nossa escolha para o local seguinte informo-vos rapidamente que um dos meus amigos que vinha na viagem é homossexual – e ele estava a morrer para conhecer o único gay bar em Galway. E assim acabámos a noite no Nova Bar.

O bar é bastante pequeno principalmente para quem vem de Londres, mas isso não nos impediu de pedir bastantes shots e mais algumas bebidas.


Sábado de manhã começámos a explorar Galway agora à luz do dia. Primeiro fomos ao pequeno-almoço no hotel – o melhor da viagem digo já de passagem. Havia os pratos quentes como panquecas ou o pequeno-almoço inglês, e depois a parte continental com pão, queijo, frutas, etc. Definitivamente este foi o melhor hotel da viagem (mas também o mais caro). Depois de um rápido e eficiente check-out fomos para o centro de Galway.

Avançámos pelo Spanish Arch (arco espanhol) local que é hoje considerado um importante ponto histórico da cidade. O Arco Espanhol é um bastião que foi construído pela extensão das muralhas medievais da cidade. Concluído em 1584 tinha o objetivo de proteger e defender o cais, local de importante comércio com a Inglaterra e Europa. O Arco Espanhol era inicialmente conhecido como “Head of the Wall” (cabeça da muralha) mas com o tempo ficou mais conhecido por Arco Espanhol (talvez devido às grandes e importantes relações comerciais com a Espanha). Existiam 4 arcos nesta zona, mas só dois sobreviveram depois do tsunami que se originou em 1755 durante o terramoto de Lisboa.

Sugiro como próximo local de paragem a catedral de Galway. E que para aqui chegarem a partir do Arco Espanhol que sigam o rio acima (?abaixo) para terem paisagens encantadoras. A catedral de Galway é uma das mais recentes catedrais de pedra na Europa, tendo sido inaugurado a 15 de agosto de 1965. Chegámos foi à catedral numa má altura porque estava a decorrer a missa naquele momento. Como sinal de respeito não vimos muito bem a catedral por dentro, pois não íamos andar de um lado para o outro dentro da igreja feitos turistas parvos.

Para acabar a nossa paragem em Galway que tanto tínhamos gostado fomos passeando pelas ruas festivas da cidade. Encantadoras lojas de chá, ruas vibrantes e coloridas foi o que encontrámos em Galway.

Parámos no Eyre Square também conhecido por memorial de John F. Kennedy. Este último nome é lhe dado por ter sido neste parque que o presidente fez o seu discurso em 1963 numa visita a Galway. O que nos ficou deste sítio foi um pombo que voou diretamente para dentro da boca do meu amigo. Pombos em Galway são badass. Depois de termos quase morrido a rir com este episódio deixámos Galway para trás. Como disse no início deste post, Galway é uma cidade que não me importaria de revisitar especialmente em tempos menos críticos –  sem COVID – e aproveitar para visitar mais um pouco da “Wild Atlantic Coast” (costa selvagem do Atlântico).

Dos penhascos de Kerry às falésias de Moher

Aqui vai o segundo post sobre a road-trip pela costa sul-este da Irlanda. Até aqui já visitámos Cork, Killarney e Kenmare. Em Kenmare depois de um abastecimento de água e comida embrenhámos ainda mais no famoso Ring of Kerry (anel de Kerry). A nossa ideia era ir parando pelo caminho e aproveitar as bonitas paisagens que vimos nas várias pesquisas realizadas em casa. E teríamos parado muito mais se o nevoeiro não tivesse entrado em cena. Ainda tentámos tirar umas fotografias, mas podem ver que não se via muito da paisagem.

Tentativa de fotografia a meio do caminho

Foi um bocado chato porque o Ring of Kerry tinha sido uma das razões principais para esta viagem, mas aqueles que viajam com alguma regularidade sabem que o tempo é uma das coisas que não se consegue controlar. É aceitar e aproveitar ao máximo. Um dos locais que queríamos e quisemos parar foram os penhascos de Kerry (Kerry Cliffs). Perto dos penhascos há um parque de estacionamento e também casas de banho – ambos muito importantes em viagens pela estrada. O bilhete para entrar na zona dos penhascos custa 4 euros. Kerry cliffs têm uma altura de 300 metros. Eu diria que pelo menos 1 hora – 1 hora e meia para passear por ali, se quiserem apreciar com tempo a paisagem natural e dramática. Para os que gostam ou têm como hobby observação de aves, este é um local único.

Os penhascos de Kerry é o local mais próximo das ilhas de Skelling, ambas conhecidas por terem como habitantes uma enorme e diversificada população de aves. A maior ilha, chamada de Skellig Michael é considerada Património Mundial pela UNESCO devido ao mosteiro que ali existe.

Para almoçar fomos até a Portmagee, a cidade que fica mais perto dos Kerry cliffs. Escolhemos o barThe Moorings. Eu pedi o Cajun Chicken Burguer, um hambúrguer de frango com queijo brie e geleia de cebola roxa que estava muito saboroso. Um dos meus amigos disse que a Guiness que lhe tinham servido era uma das melhores que ele até então tinha bebido – e ele é irlandês por isso a sua opinião vale de alguma coisa.Saindo do Ring of Kerry fomos para Dingle. Como sugestão digo-vos que supostamente Dingle tem uma vibrante vida noturna, nós não o confirmámos tanto porque não ficámos hospedados em Dingle como porque como vos disse no último post, as restrições relativamente ao COVID ainda estavam em vigor e, portanto, todos os estabelecimentos encerravam ás 11 da noite. Em Dingle, também existe a correnteza de casas coloridas todas de uma cor diferente.

Mas talvez o facto mais conhecido de Dingle é a estátua de um golfinho. Desde 1983 um golfinho a quem deram o nome de Fungie vinha muitas vezes até à baía local procurando contacto com os humanos. O golfinho foi avistado pela última vez em 2020 e em sua memória criaram a estátua que representa esse mesmo golfinho.

Estátua do golfinho Fungie

Nos restaurantes locais ainda tentámos arranjar mesa para jantar, mas infelizmente estava tudo cheio. No entanto, conseguimos uma mesa para cocktails num sítio chamado An Droichead Beag. Pedimos as bebidas a um empregado, que sorrir não era com ele e o que não tenho a certeza era se pensar também não era com ele. Depois da primeira rodada de bebidas pedimos mais, mas ele pareceu não entender que estávamos a pedir mais bebidas. E acreditem que não era um problema de linguagem. Depois de pelo menos 5 minutos a anotar o pedido desapareceu por algum tempo até voltar para dizer que agora tínhamos que pedir as bebidas noutro sítio do bar. Com isto pensámos que talvez o melhor fosse mesmo irmos para Tralee, onde íamos passar a noite. Bom sítio para bebidas e para experiências bizarras.

Chegámos a Tralee já bastante mais tarde do que o suposto. Se vocês se aventurarem a uma road-trip do estilo tenham atenção às distâncias entre os locais que querem parar e fazer uma estimativa em e entre cada paragem. Em alguns pontos desta viagem pareceu-nos que não tivemos tempo suficiente para simplesmente aproveitar o momento. Em Tralee ficámos em Tralee Townhouse. Como já chegámos tarde tivemos que ir buscar as chaves do quarto ao pub Sean Ogs Bar & B&B“. Como nos pareceu que o ambiente estava animado dentro do pub mal pusemos as malas no quarto  foi para lá que voltámos. Arranjaram-nos mesa mesmo nas entranhas do pub. Porquê digo nas entranhas do pub? Porque depois da sala do pub havia um grande salão, parecia uma espécie de celeiro separado com várias tábuas. O ambiente estava animadíssimo e sim, aqui as restrições em relação a distanciamento social estavam bem mais aliviadas. Mas, ainda assim às 11 da noite deixaram de servir e à meia-noite o estabelecimento fechou. Como acabámos por não encontrar sítio para jantar ainda fomos a comer um kebab a uma das poucas lojas ainda abertas àquela hora “tardia”.

No dia seguinte, fomos ao pequeno-almoço, que estava incluído com a marcação do quarto. O pequeno-almoço foi o tradicional pequeno-almoço irlandês que para quem não conhece parece-se bastante com o pequeno-almoço inglês. Aliás tudo é igual – tomates, bacon, salsichas, ovos, feijões etc., mas o que diferente é o chamado “white pudding”. O white pudding é o mesmo que black pudding mas sem sangue. O black/white pudding é uma basicamente uma mistura de cereais e especiairias com gordura de porco – muito parecido às nossas “morcelas de sangue”. No British full breakfast não há o white pudding apenas o black pudding (versão que contém sangue de porco), na versão irlandesa servem os dois.

A informação que nos tinha sido dada antes de virmos nesta viagem era que Tralee era uma cidade pouco segura e sem algum interesse. No entanto, depois da noite bem passada no pub e de dar uma volta pela cidade não nos pareceu assim tão má.

Próxima cidade – Limerick. Limerick é conhecida como sendo o condado administrativo. A cidade de Limerick tem um passado bastante ligado à guerra, tendo sido cercada 3 vezes durante o século XVII. O edifício mais prominente de Limerick é o castelo do Rei João que foi construído em 1197.

Apesar de ter sido construído no século XII o castelo do Rei João é dos mais preservados na Europa. Ainda hoje os muros, torres e fortificações permanecem de pé. Mesmo ao lado do castelo pode-se ver o rio Shannon. Não chegámos a entrar dentro do castelo, mas demos um passeio pelas ruas da cidade.

E em seguida íamos a outro local muito esperado nesta viagem – as falésias de Moher. Aconselho aqui a contarem passar uma manhã ou uma tarde a passear pelas falésias. A entrada para as falésias não é paga como em Kerry, no entanto se forem de carro só há um local possível para estacionar que é ao lado do centro de visitantes. Portanto, com isto acabam por ter que pagar na mesma. A menos que venham numa excursão, mas claro que essa também não será de borla. Eu tenho ideia que se pagou 10 euros por pessoa – mas podem ver no site oficial das falésias aqui.

Uma coisa que estava era vento e forte. Por isso aconselho cuidado e roupa apropriada se não tiverem a sorte esplêndida de um sol radiante e tempo ameno. A extensão das falésias são 14 km (8 milhas) e a altura máxima de 214 metros. Anualmente passam por aqui 1 milhão de visitantes. As paisagens dramáticas das escarpas a pique até ao mar mostram o porquê deste local ser tão conhecido na Irlanda.

Para segurança dos visitantes os trilhos pedonais estão bem marcados e com cordas a delimitar onde é seguro andar e onde não é. Claro que muitos de nós temos Instagram ou outras redes sociais e todos queremos aquela fotografia sensação. Nós e outro milhão de pessoas. E como é óbvio há quem se entusiasme e coloque-se em situações de risco por vezes com consequências graves. É por isso que existe uma placa a meio do caminho com o nome de “Selfie death” (a selfie da morte) com o nome daqueles que morreram porque acidentalmente caíram das falésias. Não sei o quanto vale arriscar a vida por uma fotografia no Instagram. Para mais penso que quando uma pessoa cai, o telemóvel também e por isso a grande fotografia nunca aparecerá. Um problema da atualidade num local mais antigo e grandioso que todos nós.

E a culpa não é das falésias é da idiotice!

Próxima paragem: Galway

À procura da paisagem Irlandesa

Esta não foi a última viagem de 2021, mas foi certamente a mais longa. 3 amigos, 5 dias, 1 carro e milhares de quilómetros através da costa sul-este da Irlanda. Começámos em Cork e acabámos Strandhill. Foram muitas paragens, muitas conversas e obviamente muita chuva, como manda o bom tempo irlandês. Se acham que chove em Inglaterra o que se poderá dizer da Irlanda?! Afinal aqueles prados verdes e bonitos existem por uma razão – chuva. O que realmente faltou na viagem foi um bocado de sol e teria tornado as fotografias, a experiência e a Irlanda um país ainda mais bonito. No entanto, o mau tempo não deixou de dar um toque mais dramático às fotos, como poderão ver nos próximos posts (penso que serão por volta de 5) sobre a Irlanda. Já tinha tido oportunidade de conhecer Belfast e Dublin, mas já há muito que falávamos em fazer esta “road-trip”.

Temple Bar em Dublin
Calçada dos Gigantes na Irlanda do Norte

Na altura que fomos, setembro 2021, ainda havia bastantes restrições relativamente ao Covid – o certificado de vacinação ou PCR negativo era obrigatório para restaurantes e bares e tudo fechava às 11 da noite. Máscara era obrigatória em todos os recintos fechados assim como manter os conhecidos 2 metros de distância.É importante também perceber um pouco da cultura e história da Irlanda. Existe ainda hoje um grande conflito entre protestantes e católicos. Houve uma importante guerra na Irlanda a que foi chamada “The Troubles” entre os anos 60 e 1998. E o conflito não foi (é) só religioso ou relacionado com crenças religiosas, mas também políticas como acreditarem se a Irlanda do Norte deva ou não fazer parte do Reino Unido ou se deveria ser antes uma Irlanda unificada. Estes conflitos ainda existem apesar de menos agressivos, mas ainda se faz sentir e ainda existem manifestações um pouco por todo o país.

Outro ponto histórico que marcou bastante a Irlanda foi a Grande Fome (“The Great Famine“) entre 1845 e 1849. Muita gente morreu à fome. A dimensão desta pobreza extrema foi de tal forma que a população irlandesa diminui entre 20 a 25%. A causa foi uma praga que atingiu o cultivo de batatas, que era o principal alimento da população. Em memória daqueles que morreram existe em quase todas as cidades da Irlanda um memorial relacionado com a Grande Fome.

Num tom mais positivo, algo que também é conhecimento comum dos irlandeses é a sua afeção para a bebida. Whisky e a cerveja Guiness são duas bebidas muito apreciadas da Irlanda.

Começámos a viagem por Cork. Saímos do aeroporto e apanhámos o autocarro diretamente para o centro da cidade. Uma viagem de 20 minutos e chegávamos assim à capital irlandesa da comida. Como já chegámos a meio da tarde não tivemos muito tempo para explorar devidamente Cork. Um passeio rápido pela cidade com uma paragem para bebidas e comida no restaurante Nosta.

Ainda fomos até ao porto de Cork – sendo uma cidade perto do mar a pesca é um foco importante de comércio. Como vos disse e como podem ver pelas fotografias, o tempo não estava nada de jeito. Apesar de termos só passado umas horas em Cork deu para sentir que a vibe desta cidade é a de uma cidade europeia, negócio misturada com alguns edifícios de arquitetura antiga.

Como passava das 5 e meia da tarde não tivemos tempo para parar na chamada Pedra da Eloquência (The Blarney Stone). Esta pedra faz parte das ameias do castelo de Blarney e para aqueles que desejam obter a capacidade fascinante da eloquência ou do bem falar tem que beijar a pedra. Agora o beijo tem que ser feito de cabeça para baixo, visto que para chegar à pedra é preciso subir até ao topo do castelo e depois estender o corpo para trás. Normalmente está um funcionário de propósito para ajudar as pessoas a fazer esta acrobacia. Parece giro e temos pena de não termos lá ido, mas o castelo já estava fechado (fecha às 5).

Até porque tínhamos marcado a nossa primeira noite desta “road-trip” em Fossa Guest Accommodation em Killarney. De Cork até ao sítio onde iríamos pernoitar foi cerca de 1 hora e meia a conduzir e por isso é que a paragem em Cork teve que ser rápida e eficiente. Chegámos era noite cerrada, mas a dona da casa foi super comunicativa, simpática e prestável. Nós eramos 3 e reservamos um quarto conjunto com casa-de-banho privativa e pequeno-almoço incluído. O quarto era enorme e então a casa-de-banho ainda maior. Sendo esta uma casa de campo havia algumas restrições em termos de tomar banho – só antes das 11 da noite porque a bomba iria fazer barulho e causar distúrbios aos outros hóspedes. No entanto, fica num local muito bonito, com campos verdejantes à volta da casa. O pequeno-almoço também muito bom, talvez simples nada de pratos complicados mas a dona da casa muito prestável.

Voltando ao jantar fomos a pé até ao “The Golden Nugget Bar & Restaurant“. Devido às restrições do covid não se podia comer no interior, mas aqui arranjaram um telheiro com mesas e banco corridos de madeira num local bastante espaçoso. Eu gostei bastante do ambiente, calmo, acolhedor e ao mesmo tempo descontraído. Era mesmo o que precisávamos para acabar o nosso primeiro dia em viagem.

Ainda antes de voltarmos para a guest house tentámos ir beber um cocktail ao hotel de 5 estrelas “The Europe Hotel & Resort” mas infelizmente a entrada era só para os hóspedes do hotel. Pensamos que assim o é devido ao Covid. Aparentemente a fotografia no bar do hotel com vista para o mar é a fotografia que todos querem ter para o postar no Instagram. E eu fui com gente que liga muito ao Instagram e outras redes sociais.

No dia seguinte fomos à procura da cascata de Torc (waterfall Torc) em Killarney National Park. Confesso que mais que a pedra da eloquência, tenho pena de não ter explorado mais este parque nacional. Pelas fotografias parece que existem vários locais de interesse por onde passar e explorar.

Também é verdade que com chuva o convite a atividades exteriores é levada com menos entusiasmo (prometo que não falo mais vezes que choveu quase todos os dias) mas pareceu ser uma zona muito bonita da Irlanda. Mas fomos à cascata de Torc. Demos uma volta maior do que necessário porque deixámos o carro mesmo ao lado da cascata, mas fomos pelo lado contrário fazendo assim o trilho circular. A cascata em si, impressionante. Tem que se descer vários lanços de escadas e de rampas mas vale mesmo a pena.

Depois das esperadas mil fotografias voltámos para o carro e seguimos para Lady’s View já em direção do conhecido Ring of Kerry (Anel de Kerry). Aqui encontra-se um café de onde se tem a vista plena da Lady’s view. Este ponto panorâmico é assim chamado devido às damas de companhia da Rainha Victória que ficaram completamente pasmadas com a paisagem.

Placa em Lady’s View “duendes a atravessar”

Chegando a hora de almoço fomos para Kenmare. Kenmare é uma cidade muito gira, com as famosas casas todas de diferentes cores. Aparentemente as casas assim coloridas têm história e esta paisagem típica não se vê só em Kenmare mas em muitas mas mesmo muitas cidades, vilas e aldeias da Irlanda. Não sei se é mesmo verdade ou mais umas lendas por isso não aceitem o que vou dizer a seguinte como completo facto histórico. Mas a história é engraçada e revela um pouco como os irlandeses não gostam muito dos ingleses. Quando a rainha de Inglaterra, rainha Vitória, morreu em 1901, a Irlanda estava sobre a soberania de Inglaterra. Para mostrar o estado de luto foi dito aos irlandeses para pintaram as suas portas de preto. Mostrando o seu espírito rebelde, os irlandeses pintaram antes as suas casas de cores fortes, tornando as ruas da Irlanda um leque de cores.

Como disse em outras cidades também vimos estas casas pintadas de cores diferentes. Mas por agora deixo-vos enquanto tomo um cappuccino na casa de chá Poffs.

Ah, uma última curiosidade: A Primark na Irlanda é conhecida por Penny’s. É exactamente igual apenas o nome muda.

Ainda em Gante…

Gante é uma cidade que se vê em um dia, um dia e meio. Chegámos a Gante na sexta e partimos na segunda a meio do dia. E foi mais que tempo suficiente para visitar Gante. Na verdade, até poderíamos ter aproveitado um dos dias para visitar a Antuérpia que fica mesmo ali ao lado. Mas claro que assim também é mais um razão para voltarmos à Bélgica.


De qualquer das formas quisemos aproveitar bem o dia e para começar marcámos uma excursão gratuita oferecida pela empresa “Legends of Gent Free Walking Tours“. A tour não é paga, no entanto no final da tour, se assim o quiserem, podem dar gorjeta no valor que entenderem ao guia. Começámos pela 10 e meia da manhã e acabou cerca da 1 e meia. Durante a tour fomos parando em vários locais de interesse com a guia a explicar a história de edifícios, a arquitetura e até a famosa rua do Graffiti.

Nestas tours fica-se sempre a saber um pouco da história do cidade e pormenores de locais que de outra forma não se saberia. Uma das histórias que me ficou foi a do Museu do Design – o museu queria construir uma casa-de-banho para os visitantes, mas o governo disse que não tinha dinheiro para uma casa-de-banho. Então os responsáveis do museu perguntaram ao governo se eles não contribuíram antes para uma nova ala, afinal estavam a contribuir para a cultura de Gante. O governo, ao ver-se pressionado, disse “claro que nós contribuímos sempre com agrado para a cultura de Gante”. No museu foi construído a peça de arte em forma de rolo de papel higiénico. E sabem o que esta dentro dessa mesmo “peça de arte”? Tenho a certeza de que adivinham – pois claro, uma casa de banho.


Depois da tour fomo-nos juntar à fila à porta de Luv l’Oeuf para o brunch. Pelo que dizem, há sempre fila para entrar. E não conseguimos perceber completamente o porquê até comermos as melhores waffles da nossa vida. No menu há waffles com diferentes acompanhamentos, panquecas e outras alternativas, todas elas incluindo ovos tal como indica o nome do restaurante. Os pratos que chegaram à nossa mesa podem ser mesmo chamados de “pecado no prato”. As waffles eram maravilhosamente fofas e saborosas. Só não se pediu mais por vergonha. E acreditem a espera na fila valeu a pena.


E com isto já passava das três da tarde. Como já não havia assim mais nada que quiséssemos visitar, fomos dar uma volta pela cidade.

Apesar de pequena, Gante é mesmo uma cidade bonita. Como a meio da tarde estava a ficar bastante frio, fomos para o hotel para nos aquecermos e escolher o local para o jantar. Marcámos mesa no restaurante Asian Delight. Depois de um banho quente e de vestir roupas confortáveis e quentes aventuramo-nos para o frio da cidade. Já era de noite, aliás em novembro escurece bastante cedo. Como o restaurante ainda ficava a uns 20 minutos do hotel, fomos devagar a apreciar as luzes e o caminho pelo riacho. Chegámos ao Asian Delight, um pequeno restaurante com uma decoração interessante. O restaurante estava vazio o que nos preocupou um pouco, normalmente é mau sinal. Pedimos chili paneer para entrada. Paneer é um queijo indiano que já tínhamos tido oportunidade de provar em outras ocasiões e tínhamos ficado fãs. Para prato principal pedimos pad thai, eu com camarão e o meu marido com frango.

Se em Gante não há uma grande variedade de locais para visitar, a cidade compensa na qualidade da comida. O paneer foi talvez o melhor que alguma vez comi e o pad thai muito saboroso. Tinha valido a pena a caminhada até ali.


Para nos despedirmos de Gante, uma vez que no dia seguinte seria pequeno-almoço e apanhar o comboio para Bruxelas fomos para mais uma prova de cervejas. Desta vez fomos no bar Het Waterhuis aan de Bierkant ao pé do rio. Pareceu-nos um local onde muitos estudantes param por isso o ambiente era animado para além de uma ótima seleção de cervejas.


E assim deixávamos Gante – chegámos a esta cidade sem grandes expectativas, mas provou-nos ser uma lindíssima cidade, com deliciosa comida e uma grande variedade de cervejas. Mesmo que seja só para experimentar mais umas cervejas eu definitivamente não me importaria de voltar aqui.


Passagem rápida por Bruxelas


Já tínhamos visitado Bruxelas em 2017 e por isso só foi uma paragem de umas horas.

A paragem na verdade aconteceu porque queríamos ir ao Fritland, as melhores batatas belgas que já comemos na vida. Podem ver pelos posts que tenho sobre a Bélgica que temos andando a experimentar vários lugares, mas nada se compara ao Fritland e a fila de pessoas diz tudo. Andámos também pelo Grand Place, a praça mais conhecida de Bruxelas, fomos às waffles (porque é mandatário comer uma waffle quando se está na Bélgica) e também ao McDonalds. Sim, foi uma estranha combinação e completamente o contrário de uma alimentação saudável. Já agora fui ao McDonalds porque vi o anúncio de um dos hambúrgueres que tinha molho Samurai. Apesar de tudo, este molho parace ser algo específico da Bélgica.


De volta para Inglaterra apanhámos o Eurostar.


Do rescaldo da Bélgica fica que Bruges é a cidade mais pitoresca e “fofinha”, Gante a segunda cidade mais bonita com a sua arquitetura medieval e atmosfera vibrante. Para último fica Bruxelas. O que nos resta dizer? Agora falta Antuérpia!


Ate a próxima!

Um dia a explorar Gante

Depois do dia de reconhecimento da cidade de Gante, em arquitetura, comida e cerveja vinha o dia para conhecer a cidade mais a fundo. Depois de um pequeno-almoço no hotel Faja lobi com croissants e massa folhada recheada com doce saíamos para começar a explorar.

O frio fazia-se sentir, disso não havia dúvidas. Fomos pelo canal abaixo, passando pelo bonito edifício do banco nacional e seguimos o caminho à direção à torre que pertencia à igreja Sint-Macharius Kerk van Gent.

Banco nacional

Infelizmente quando lá chegámos a porta estava fechada. Reparámos que era mesmo ali ao lado que se encontravam as ruínas da abadia de St. Bavos. De acordo com o horário no website, o local estaria aberto durante a tarde e como pelas fotografias nos pareceu algo com potencial deixámos então as ruínas para de tarde. Mas já com o risco de me apressar e passar para a parte da tarde, digo-vos que o portão que dava para as ruínas também estava fechado à tarde, tornando-se um bocado a desilusão do dia.

Uma muralha das ruínas

Mas voltando para a parte da manhã, continuámos a passear languidamente pelas ruas da cidade, agora em direção ao centro e demos com o mercado na praça onde se encontra a estátua de Jacob Van Artevelde, um homem da rebelião em Gante que viveu entre 1290 – 1345. Começámos por explorar as barraquinhas do mercado e eu acabei por comprar um cachecol até porque o frio apertava e o meu marido, conhecido pelo seu amor por salsichas acabou por aproveitar uma roulotte e se saborear com um cachorro-quente. Apesar de ter afirmado não ter sido das melhoras salsichas, não houve bocadinho que ficasse para trás.

Depois do momento inesperado de compras seguimos para a igreja de São Nicolau. Tínhamos reparado que de momento na cidade havia algumas exposições em nome do famoso pintor Van Ecky. E um dos locais principais era exatamente esta igreja – que se leram o post interior também era a igreja de onde tinha saído fumo da torre na noite anterior, a chamada exposição – the big fire that never happened (o grande incêndio que nunca aconteceu) de Michael Langeder.

Visitámos primeiro a igreja, já que a entrada era gratuita. No entanto, fomos também ver a exposição “Lights on Van Eyck” – cada bilhete custa 11 euros. O espetáculo dura cerca de 30 minutos e é uma representação diferente das obras de Van Eyck.

A subida ao Het Belfort van Gent deu-nos uma bonita vista panorâmica de 360ºC da cidade. Aviso que para aqueles que têm medo de alturas, talvez não seja o local mais recomendado. No entanto, para aqueles que não padecem desse medo, vale a pena subir os muitos degraus para a vista da cidade de Gante. Mesmo em frente, fomos à igreja de St. Bavos. Os bonitos vitrais foram o que mais nos chamou à atenção.

Próxima paragem foi o castelo Gravensteen. O castelo nunca foi ocupado por inimigos da cidade. Apenas uma vez, 16 de novembro de 1949, 138 estudantes universitários barricaram-se dentro do castelo para protestarem. E sabem contra o que eles protestavam? Contra a subida de preço da cerveja. Posso parecer coisa pouca, mas no final conseguiram que a subida não fosse tão abrupta. No entanto, eles também protestavam contra os capacetes brancos dos polícias. Por razão ainda desconhecida queriam que os polícias usassem capacetes azuis como os carteiros para sem mais dificilmente reconhecidos.

Agora regressando à nossa viagem, ainda estivemos na fila para entrar no castelo, mas no final não nos pareceu que valesse a pena esperar na fila e gastar 12 euros por pessoa. Por isso acabámos por ficar pela fotografia do exterior e seguir viagem. Como já disse em cima as ruínas estavam fechadas e assim estava basicamente Gante vista. Ainda havia uns quantos museus, mas como não estávamos bem virados para aí, seguimos para a outra via – cerveja.

Primeira paragem: Ghent Gruut Brewery – A cervejaria Gruut

Escolhemos experimentar os 6 tipos diferentes de cerveja – White, Amber, Blonde, Brown e Inferno. Tal que nem conhecedores de cervejas fomos bebendo e colocando os copos em ordem de preferência. Como a Inferno ganhou foi essa a nossa segunda rodada.

Antes da segunda paragem, mais uma dose de batatas fritas desta vez numa pequena roulotte com molho de carne e molho samurai. O molho samurai é maionese picante bastante famoso pelos lados da Bélgica. Estas batatas fritas definitivamente ganharam às do dia anterior.

Segunda paragem: Trollekelder

Antes do jantar no Amadeus lá fomos a mais um bar, desta vez ao Trollekelder. Para além de ter mais de 300 cervejas diferentes, o ambiente é bastante íntimo. O bar tem três pisos em que o último é uma cave renovada. Não basta dizer que quando se saio daqui o frio já não se fazia sentir assim tanto.

Terceira paragem: Amadeus

Finalmente, finalmente, finalmente! As famosas costelinhas com molho barbecue. Mais as batatas com o molho de manteiga de alho de comer e chorar por mais. E mesmo quando não se tem espaço no estômago a gula fala mais alto e come-se mais um bocado. Adorei a decoração do restaurante cheio de vitrais coloridos, num ambiente bastante intimista. E claro que não podia deixar de ser, escolhemos mais umas cervejas para empurrar a comida para baixo. Não deixem de vir a este restaurante, seja em Bruxelas seja em Gante.

Paragem final: Cocktais no bar mesmo colado à Igreja de São Nicolau. Tanto por fora como por dentro parece ser um local bastante concorrido e animado, no entanto, foi provavelmente o pior expresso Martini que bebi na minha vida. No entanto, valeu pela companhia e como também já estava a ficar tarde, acabámos por dar uma volta rápida pela cidade antes de fecharmos mais um dia em Gante.

Um fim-de-semana em Gante

St Pancras International

Um dos países que escolhemos bastante para quando queremos um rápido fim-de-semana fora do país é a Bélgica. Na verdade, assim o é devido a proximidade com Inglaterra. E também porque aproveitamos para escapar às filas do avião e limitações de bagagem que não existem no comboio rápido – o Eurostar. Ok, confesso, é só por causa da cerveja. Pronto já disse! Sendo assim partimos de St. Pancras International na sexta-feira de manhã. Estava bastante mais apinhado do que o esperado, mas suponho mesmo com o COVID-19 bastante presente no nosso dia-a-dia o bichinho de viajar acaba sempre por ganhar. Em dois horas chegámos a Bruxelas, onde apanhámos o comboio local até Gante.


Agora porquê Gante? Sim, cerveja, ponto. Mas se conhecem ou se já ouviram falar um bocado de Bruxelas conhecem a famosa tríade de cidades mais conhecidas na Bélgica, na verdade é mais um quadrupede se incluirmos também a Antuérpia. No entanto, Bruxelas, Bruges e Gante fazem parte das 3 cidades top para visitar na Bélgica. Como já tínhamos visitado tanto Bruxelas como Bruges, Gante foi a escolhida. Estive dividida entre Gante e Antuérpia, mas pareceu-me que Antuérpia é uma cidade mais modernizada e Gante uma cidade vibrante devido a universidade, mas ainda com a sua face medieval preservada. As expectativas não eram grandes, aliás Gante é uma cidade pequena que se visita facilmente em 1-2 dias, e depois de encantados com Bruges pensámos que Gante não se iria igualar. No entanto, pelo contrário. Sim, Gante é uma cidade pequena, sim não tem a beleza pitoresca de encanto de Bruges, mas é uma cidade agradável, vibrante e com uma arquitetura lindíssima, principalmente no centro da cidade. E assim, para nós Gante tornou-se rapidamente e definitivamente a nossa segunda cidade favorita na Bélgica (Bruges estará sempre em primeiro lugar).

Á espera do comboio em Bruxelas para Gante

Da estacão de comboio de Gante até ao centro da cidade e neste caso até ao nosso hotel andámos cerca de 20 minutos. Eu gosto sempre de ter oportunidade de passear a pé pela cidade antes de me enfiar no quarto de hotel. A experiência permite conhecer um pouco da cidade, da cultura, costumes e reter uma expectativa real do que nos espera. Tínhamos escolhido o hotel “Vakantielogies Faja lob“. Os donos são responsáveis pelo café que fica no piso do rés-do-chão e pelos quartos dos andares superiores. Nós escolhemos este local pela localização, pois queríamos ver a cidade a pé e também porque marcámos esta viagem já um pouco em cima da hora e foi aquele que se apresentou com um valor mais em conta. Posso dizer que o quarto era sossegado, a cama enorme. O pequeno-almoço era o básico, alguns folhados, croissants e normal café/chá. Não diria que foi mau, mas talvez se voltasse a Gante não voltaria a ficar neste local. No entanto, atenção, como disse, consoante as propostas que tínhamos este local era o mais em conta em termos monetários.

Vista do nosso quarto

A nossa razão para visitar Gante, aliás para visitar qualquer cidade belga é a cerveja. E por isso mesmo mal pusemos as malas no quarto, procurámos os locais mais bem avaliados de batatas fritas, já em vista em juntar cerveja como acompanhamento. E foi assim que fomos parar a Frituur Tartaar. O espaço é simples e na altura que fomos estava com pouco movimento. O rapaz que nos atendeu foi bastante simpático e paciente, já que nos não fazíamos a mais pequena ideia do que queríamos. De certeza que conhecem e já foram aqueles clientes com um ar completamente desorientado a olhar para o menu. Sim e aquilo parecia chinês para nós. Quando não se sabe a língua tanto faz ser chinês como belgo. Não se sabe, não se sabe.

No entanto como bom português lá nos desenrascámos. Acabámos por pedir batatas fritas belgas com molho tártaro. A montanha de batatas que nos chegou à mesa definitivamente nos impressionou.

Aproveitámos logo também para começar na cerveja. Depois de mil calorias ingeridas fomos explorar o centro da cidade. Gante apresentou-se num estilo medieval, mas com imensos restaurantes, bares e lojinhas.

A cidade em si é bastante pitoresca, talvez não como um conto de fadas como Bruges, no entanto muito melhor que Bruxelas. O que é muito comum na Bélgica e não podia deixar de haver em Gante, são as paredes pintadas em estilo desenho animado com cenas diversas ou personalidades.

Com a noite a chegar começámos a pensar onde íamos jantar. Já sabíamos que em uma das noites queríamos ir ao Amadeus. Já tínhamos ido em Bruxelas e as costelinhas tinham nos convencido e tínhamo-nos tornado fãs. No entanto, para Sexta já era impossível, só mesmo para a noite seguinte e já depois das 9. Mas o que interessa é que íamos lá jantar. Para aquela noite acabámos por marcar mesa no Giuseppe’s, um restaurante italiano com reviews bastante boas. Assim, arranjámo-nos e saímos de volta para a cidade, agora já de noite.

Ao dirigirmo-nos para o centro da cidade reparámos que da torre da igreja de Sao Nicolau (Sint-Niklaaskerk) saía fumo. Mas afinal era apenas uma demonstração de luzes. Nada de pensarem que estivemos presentes no famoso incêndio de 2021.

Em seguida, como ainda faltava algum tempo para a hora da nossa reserva fomos até ao Missy Sippy Blues & Roots Club para mais uma cerveja. Gostei bastante da vibe calma deste local, e a decoração do interior com o bonito e colorido vitral que derão um extra a este bar. O restaurante onde jantámos, o Giuseppe’s, revelou-se uma ótima escolha. As pizzas feitas a forno de lenha eram deliciosas. Eu escolhi a “Your sweet devil” com Nduja, um tipo de salsicha picante e com creme de abóbora. A combinação de sabores resultou bastante bem, tornando esta pizza muito boa.


Porque a noite ainda estava a começar fomos até a um bar muito peculiar em Gante – Dull Griet.

E peculiar por várias razoes, por um lado pode-se dizer que há quinquilharia por todo o lado. Encontra-se fantoches ao lado de placas de carro ao lado de anúncios de cerveja ao lado de um altar com Jesus. Por isso é uma mescla de items que não tem qualquer ligação entre si. Mas o mais giro deste local é que tens que dar um sapato para beberes um certo tipo de cerveja. Sim, dar um sapato. Ele tem no menu um copo com um formato engraçado, igual ao da cerveja Kwark, mas em tamanho enorme. Aparentemente, as pessoas gostavam de levar os copos com eles para casa. E por isso agora precisas de dar um sapato que é colocado num cesto enquanto bebes a dita cerveja. Quem do nosso grupo experimentou a cerveja relevou que é preciso diferentes técnicas dependendo do nível de cerveja que tens no copo.

Como gostámos imenso deste local – aviso que é bastante concorrido, por isso conta em estares um bocadinho à espera até arranjares mesa – acabámos por ficar até fechar que na altura que fomos devido ao COVID-19 era às 11 da noite. Ainda acabámos por ir a outro bar – a Gloria – também no centro de Gante, mas o espírito já não sendo o mesmo, acabámos por ali a noite.

Até porque no outro dia era o dia para aproveitar ver o máximo possível em Gante. E por isso vos deixo aqui – próximo post todos os sítios para visitar em Gante e também para aproveitar a bem famosa cerveja belga.

Massa com beringela e atum

Tempo de preparação – 40 minutos

510 Kcal/ porção

4 porções


Ingredientes:

– 1 cebola

– 2 dentes de alho

– 2 beringelas

– 1 lata de tomates picados

– 500 gr de massa

– 2 latas de atum escorrido

– Azeite, sal, pimenta e orégãos picados q.b.


Preparação:

Numa panela coza a massa em água fervente temperada de sal. Quando cozidas escorre-a e reserve.  Descasque e pique a cebola e os dentes de alho. Corte as beringelas em cubos com cerca de 2cm. Numa frigideira antiaderente refogue a cebola e o alho em azeite por cerca de 7 minutos. A meio tempo junte orégãos picados. Adicione os tomates, o atum e tempere com sal e pimenta. Deixe cozer a lume brando por cerca de 20 minutos. Numa outra frigideira coloque um fio de azeite e frite a beringela até ganharem uma cor dourada. Junte a beringela e a massa ao molho de tomate. Misture bem e está pronto a servir

Risotto de abóbora

Tempo de preparação – 1 hora e 20 minutos

599 Kcal/ porção

4 porções


Ingredientes

– 1.2 Kg de abóbora

– 20 gr de manjericão fresco

– 1.2L de caldo de vegetais

– 1 cebola

– 1 pau de aipo

– 300gr de arroz Arborio para risotto

– 150mL de vinho branco

– Sumo de ½ limão

– 50 gr de queijo ralado

– Uma colher de sopa de manteiga

– Sal, pimenta, alho em pó e azeite q.b.


Preparação

Aqueça o forno a 200ºC.

Descasque e corte a abóbora em quadrados pequenos. Tempere com sal, pimenta, alho em pó e o manjericão picado. Junte uma colher de sopa de azeite e misture. Coloque a abóbora num tabuleiro que possa ir ao forno e coza-se por cerca de 1 hora ou até estar cozida e caramelizada. Quando faltar cerca de 15 minutos para o fim de cozedura da abóbora, coloque o caldo de legumes ao lume e deixe ferver a lume brando.

Pique a cebola e o aipo e coloque-os num tacho juntamente com 1 colher de sopa de azeite. Deixe refogar por cerca de 10 minutos, mexendo ocasionalmente. Junte então o arroz e deixe fritar levemente por cerca de 2 minutos. Junte o vinho e misture até este ter completamente evaporado. Junte uma concha de caldo e misture até o arroz o tiver absorvido por completo. Junte outra concha de caldo e repita o processo até o arroz estar completamente cozido – cerca de 18 minutos. Quando a abóbora estiver cozida, esmague-a com a ajuda de um garfo. Quando o tempo da cozedura do arroz estiver a meio, junte a abóbora desfeita ao arroz e continue a adicionar as conchas de sopa de caldo de vegetais. Prove o arroz para confirmar se está cozido e se necessário retifique os temperos de sal e pimenta. Quando o arroz estiver cozido adicione caldo até o arroz ter um aspeto cremoso e junte o queijo e manteiga. Misture tudo e deixe repousar por 2 minutos antes de servir.