Inverness, a capital cultural das Terras Altas da Escócia

Inverness é a maior cidade das terras altas da Escócia sendo considerada a capital cultural das Highlands. O que parece ser à primeira vista uma cidade de tamanho médio revelou ser muito mais que isso. Existem restaurantes, lojas e animação em cada canto da cidade, especialmente no centro.

Estacionámos no parque de estacionamento da catedral de St André (St Andrew). O parque de estacionamento é pago mesmo ao fim-de-semana, mas não quisemos procurar por um recanto que não fosse pago ou que não fosse apenas para residentes. Em vez de virarmos para o centro de Inverness fomos em direção às Ilhas Ness. Tinha lido em vários locais que este era um dos melhores sítios para visitar em Inverness.

A caminho das Ilhas Ness
Caminho para as Ilhas Ness

As ilhas de Ness, assim chamadas devido ao rio Ness que atravessa a cidade, é um conjunto de pequenas ilhas ligadas por várias pontes. Passear por aqui deu-nos a impressão de entrar num pequeno bosque. Nós, como vínhamos com os olhos cheios de Cairngorm National Park, acabámos por não achar as ilhas Ness nada de especial, mas temos que ver que estamos a comparar um parque nacional com montanhas enormes e cascatas embrenhadas no meio do bosque e uma espécie de simulação de uma floresta mesmo ao lado de uma grande cidade. No entanto, a caminhada soube-nos bem. Voltando para trás, agora com intenção de ir comer qualquer coisa a Inverness, ainda parámos na catedral de St. Andrews, construída entre 1866-1869, com bonitos vitrais por todo a igreja.

Em Inverness fomos primeiro visitar o mercado de estilo Vitoriano que também é um dos pontos especiais de Inverness. Fomos depois ao Burguer King ao pé do centro comercial, já que queríamos algo rápido e barato. Apesar de tudo achei que podíamos ter arranjado um sítio melhor para comer, não é que não seja apreciadora desta linha de fast-food, mas há realmente muita escolha pela cidade e podíamos ter aproveitado a oportunidade para comer algo mais “local”. Ainda fui ao café Costa comprar um chai tea para combater o frio que se começava a fazer sentir.

Castelo de Inverness

O último ponto que quisemos visitar em Inverness foi o castelo. Atualmente o castelo não está aberto ao público mas o recinto à volta está, o que nos permitiu ter um vista abrangente da cidade de Inverness até ao mar.

Demos mais uma volta pelas ruas de Inverness que ainda tinham as decorações de Natal, iluminando as estradas, ruas e lojas.

Escolhemos para última noite um hotel perto do aeroporto de Inverness, uma vez que tínhamos que entregar o carro de manhã cedo, apesar de o nosso voo ser só ao final da tarde. Por isso ficamos no “The Star Inn”. Este local é um pub com um edifício adjacente com quartos.

O nosso quarto no The Star Inn

Na noite que aqui ficámos tínhamos o edifício todo para nós, porque para além de ser janeiro, os turistas preferem ficar no centro de Inverness. Também foi no “The Star Inn” que jantámos. Pedimos nachos para entradas e fish and chips (o tradicional prato inglês de peixe com batatas fritas). As porções que nos chegaram à mesa eram ENORMES, tanto que nós que não gostamos de deixar comida no prato e por isso comemos até não conseguirmos respirar, deixámos quase metade da comida.

A noite foi calma e no pequeno-almoço, servido no pub, também eramos os únicos clientes. A comida foi feita na hora, mas talvez não chegou ao padrão de que tínhamos sido acostumados nesta viagem.

Fomos entregar o carro ao aeroporto e tínhamos planeado ir visitar o forte George que ainda hoje está em funcionamento. Tenham atenção que em Inverness não existe Uber por isso se não tiverem carro e não tiverem escolha de transportes públicos terão que andar ou então apanhar um táxi.Nós decidimos ir até ao Fort George de táxi e depois vir a pé até ao “The Star Inn” para uma bebida ou duas e depois rumar em direção ao aeroporto, de novo de táxi.

O Fort George foi construído para proteger as terras altas da Escócia depois da revolta jacobita em 1745. A fortaleza nunca foi atacada, mas permaneceu em uso como guarnição. O quartel ainda está em uso nos dias de hoje como estabelecimento militar, mas muitos dos edifícios estão abertos ao público e pode ser visitado. No entanto, em novembro de 2016, o ministério da defesa anunciou que o fort seria fechado em 2032, uma vez que já não existem atualmente rebeliões nas Highlands da Escócia.

O bilhete de entrada foram 9 libras e com este teve-se acesso a todas as partes que estão abertas ao público no fort. Existem várias salas que vos dão fácil acesso à história da Escócia e efetivamente os “grandes feitos” militares e a sua participação nas várias guerras. Em pus de propósito grandes feitos entre aspas porque se para alguns parece ser uma exaltação ao poder e grandiosidade militar eu pessoalmente vejo perdas de vida desnecessárias.

Existe um ala que é focada na recuperação dos militares que perderam um membro ou cuja cara ficou desfeita – se é isso chamado um grande feito certamente não seguimos a mesma doutrina. Ou como este quadro com a seguinte descrição “Na noite de 8/9 de abril de 1917, após um forte nevão, o 1/4º Batalhão Seaforth Highlanders lançou um ataque durante a ofensiva em Arras. Quando o comandante, tenente-coronel J S Uthank, chegou às trincheiras da segunda linha alemã, ele encontrou dois Seaforth Highlanders que haviam sido mortos pela explosão de um projétil aéreo. Um permaneceu ajoelhado com seu Novo Testamento na mão, enquanto o outro ficou sentado com os braços estendidos.”

Guerra e religião, infelizmente duas coisas da sociedade atual que andam muitas vezes de mão dada, sem dar nada a ninguém.

Igreja no fort George

Mas pronto, apesar deste desabafo, o fort tem uma boa vista para o mar e para o outro lado da baía, para além que o passeio pela costa até Ardisier foi bastante agradável, apesar do vento forte. Havia vários sinais a indicar que naquele local se podia ver golfinhos, mas não tivemos essa sorte.

Quando chegámos a The Star Inn aproveitámos os grandes sofás para nos refasteláramos a beber e a aquecermos ao pé da lareira, que acesa dava um toque especial na atmosfera deste pub.

E acabava assim a nossa viagem a Inverness e a Cairngorm National Park, espicaçando ainda mais a nossa vontade de viajar, explorar o mundo e formar memórias.

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