À procura da paisagem Irlandesa

Esta não foi a última viagem de 2021, mas foi certamente a mais longa. 3 amigos, 5 dias, 1 carro e milhares de quilómetros através da costa sul-este da Irlanda. Começámos em Cork e acabámos Strandhill. Foram muitas paragens, muitas conversas e obviamente muita chuva, como manda o bom tempo irlandês. Se acham que chove em Inglaterra o que se poderá dizer da Irlanda?! Afinal aqueles prados verdes e bonitos existem por uma razão – chuva. O que realmente faltou na viagem foi um bocado de sol e teria tornado as fotografias, a experiência e a Irlanda um país ainda mais bonito. No entanto, o mau tempo não deixou de dar um toque mais dramático às fotos, como poderão ver nos próximos posts (penso que serão por volta de 5) sobre a Irlanda. Já tinha tido oportunidade de conhecer Belfast e Dublin, mas já há muito que falávamos em fazer esta “road-trip”.

Temple Bar em Dublin
Calçada dos Gigantes na Irlanda do Norte

Na altura que fomos, setembro 2021, ainda havia bastantes restrições relativamente ao Covid – o certificado de vacinação ou PCR negativo era obrigatório para restaurantes e bares e tudo fechava às 11 da noite. Máscara era obrigatória em todos os recintos fechados assim como manter os conhecidos 2 metros de distância.É importante também perceber um pouco da cultura e história da Irlanda. Existe ainda hoje um grande conflito entre protestantes e católicos. Houve uma importante guerra na Irlanda a que foi chamada “The Troubles” entre os anos 60 e 1998. E o conflito não foi (é) só religioso ou relacionado com crenças religiosas, mas também políticas como acreditarem se a Irlanda do Norte deva ou não fazer parte do Reino Unido ou se deveria ser antes uma Irlanda unificada. Estes conflitos ainda existem apesar de menos agressivos, mas ainda se faz sentir e ainda existem manifestações um pouco por todo o país.

Outro ponto histórico que marcou bastante a Irlanda foi a Grande Fome (“The Great Famine“) entre 1845 e 1849. Muita gente morreu à fome. A dimensão desta pobreza extrema foi de tal forma que a população irlandesa diminui entre 20 a 25%. A causa foi uma praga que atingiu o cultivo de batatas, que era o principal alimento da população. Em memória daqueles que morreram existe em quase todas as cidades da Irlanda um memorial relacionado com a Grande Fome.

Num tom mais positivo, algo que também é conhecimento comum dos irlandeses é a sua afeção para a bebida. Whisky e a cerveja Guiness são duas bebidas muito apreciadas da Irlanda.

Começámos a viagem por Cork. Saímos do aeroporto e apanhámos o autocarro diretamente para o centro da cidade. Uma viagem de 20 minutos e chegávamos assim à capital irlandesa da comida. Como já chegámos a meio da tarde não tivemos muito tempo para explorar devidamente Cork. Um passeio rápido pela cidade com uma paragem para bebidas e comida no restaurante Nosta.

Ainda fomos até ao porto de Cork – sendo uma cidade perto do mar a pesca é um foco importante de comércio. Como vos disse e como podem ver pelas fotografias, o tempo não estava nada de jeito. Apesar de termos só passado umas horas em Cork deu para sentir que a vibe desta cidade é a de uma cidade europeia, negócio misturada com alguns edifícios de arquitetura antiga.

Como passava das 5 e meia da tarde não tivemos tempo para parar na chamada Pedra da Eloquência (The Blarney Stone). Esta pedra faz parte das ameias do castelo de Blarney e para aqueles que desejam obter a capacidade fascinante da eloquência ou do bem falar tem que beijar a pedra. Agora o beijo tem que ser feito de cabeça para baixo, visto que para chegar à pedra é preciso subir até ao topo do castelo e depois estender o corpo para trás. Normalmente está um funcionário de propósito para ajudar as pessoas a fazer esta acrobacia. Parece giro e temos pena de não termos lá ido, mas o castelo já estava fechado (fecha às 5).

Até porque tínhamos marcado a nossa primeira noite desta “road-trip” em Fossa Guest Accommodation em Killarney. De Cork até ao sítio onde iríamos pernoitar foi cerca de 1 hora e meia a conduzir e por isso é que a paragem em Cork teve que ser rápida e eficiente. Chegámos era noite cerrada, mas a dona da casa foi super comunicativa, simpática e prestável. Nós eramos 3 e reservamos um quarto conjunto com casa-de-banho privativa e pequeno-almoço incluído. O quarto era enorme e então a casa-de-banho ainda maior. Sendo esta uma casa de campo havia algumas restrições em termos de tomar banho – só antes das 11 da noite porque a bomba iria fazer barulho e causar distúrbios aos outros hóspedes. No entanto, fica num local muito bonito, com campos verdejantes à volta da casa. O pequeno-almoço também muito bom, talvez simples nada de pratos complicados mas a dona da casa muito prestável.

Voltando ao jantar fomos a pé até ao “The Golden Nugget Bar & Restaurant“. Devido às restrições do covid não se podia comer no interior, mas aqui arranjaram um telheiro com mesas e banco corridos de madeira num local bastante espaçoso. Eu gostei bastante do ambiente, calmo, acolhedor e ao mesmo tempo descontraído. Era mesmo o que precisávamos para acabar o nosso primeiro dia em viagem.

Ainda antes de voltarmos para a guest house tentámos ir beber um cocktail ao hotel de 5 estrelas “The Europe Hotel & Resort” mas infelizmente a entrada era só para os hóspedes do hotel. Pensamos que assim o é devido ao Covid. Aparentemente a fotografia no bar do hotel com vista para o mar é a fotografia que todos querem ter para o postar no Instagram. E eu fui com gente que liga muito ao Instagram e outras redes sociais.

No dia seguinte fomos à procura da cascata de Torc (waterfall Torc) em Killarney National Park. Confesso que mais que a pedra da eloquência, tenho pena de não ter explorado mais este parque nacional. Pelas fotografias parece que existem vários locais de interesse por onde passar e explorar.

Também é verdade que com chuva o convite a atividades exteriores é levada com menos entusiasmo (prometo que não falo mais vezes que choveu quase todos os dias) mas pareceu ser uma zona muito bonita da Irlanda. Mas fomos à cascata de Torc. Demos uma volta maior do que necessário porque deixámos o carro mesmo ao lado da cascata, mas fomos pelo lado contrário fazendo assim o trilho circular. A cascata em si, impressionante. Tem que se descer vários lanços de escadas e de rampas mas vale mesmo a pena.

Depois das esperadas mil fotografias voltámos para o carro e seguimos para Lady’s View já em direção do conhecido Ring of Kerry (Anel de Kerry). Aqui encontra-se um café de onde se tem a vista plena da Lady’s view. Este ponto panorâmico é assim chamado devido às damas de companhia da Rainha Victória que ficaram completamente pasmadas com a paisagem.

Placa em Lady’s View “duendes a atravessar”

Chegando a hora de almoço fomos para Kenmare. Kenmare é uma cidade muito gira, com as famosas casas todas de diferentes cores. Aparentemente as casas assim coloridas têm história e esta paisagem típica não se vê só em Kenmare mas em muitas mas mesmo muitas cidades, vilas e aldeias da Irlanda. Não sei se é mesmo verdade ou mais umas lendas por isso não aceitem o que vou dizer a seguinte como completo facto histórico. Mas a história é engraçada e revela um pouco como os irlandeses não gostam muito dos ingleses. Quando a rainha de Inglaterra, rainha Vitória, morreu em 1901, a Irlanda estava sobre a soberania de Inglaterra. Para mostrar o estado de luto foi dito aos irlandeses para pintaram as suas portas de preto. Mostrando o seu espírito rebelde, os irlandeses pintaram antes as suas casas de cores fortes, tornando as ruas da Irlanda um leque de cores.

Como disse em outras cidades também vimos estas casas pintadas de cores diferentes. Mas por agora deixo-vos enquanto tomo um cappuccino na casa de chá Poffs.

Ah, uma última curiosidade: A Primark na Irlanda é conhecida por Penny’s. É exactamente igual apenas o nome muda.

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