Dos penhascos de Kerry às falésias de Moher

Aqui vai o segundo post sobre a road-trip pela costa sul-este da Irlanda. Até aqui já visitámos Cork, Killarney e Kenmare. Em Kenmare depois de um abastecimento de água e comida embrenhámos ainda mais no famoso Ring of Kerry (anel de Kerry). A nossa ideia era ir parando pelo caminho e aproveitar as bonitas paisagens que vimos nas várias pesquisas realizadas em casa. E teríamos parado muito mais se o nevoeiro não tivesse entrado em cena. Ainda tentámos tirar umas fotografias, mas podem ver que não se via muito da paisagem.

Tentativa de fotografia a meio do caminho

Foi um bocado chato porque o Ring of Kerry tinha sido uma das razões principais para esta viagem, mas aqueles que viajam com alguma regularidade sabem que o tempo é uma das coisas que não se consegue controlar. É aceitar e aproveitar ao máximo. Um dos locais que queríamos e quisemos parar foram os penhascos de Kerry (Kerry Cliffs). Perto dos penhascos há um parque de estacionamento e também casas de banho – ambos muito importantes em viagens pela estrada. O bilhete para entrar na zona dos penhascos custa 4 euros. Kerry cliffs têm uma altura de 300 metros. Eu diria que pelo menos 1 hora – 1 hora e meia para passear por ali, se quiserem apreciar com tempo a paisagem natural e dramática. Para os que gostam ou têm como hobby observação de aves, este é um local único.

Os penhascos de Kerry é o local mais próximo das ilhas de Skelling, ambas conhecidas por terem como habitantes uma enorme e diversificada população de aves. A maior ilha, chamada de Skellig Michael é considerada Património Mundial pela UNESCO devido ao mosteiro que ali existe.

Para almoçar fomos até a Portmagee, a cidade que fica mais perto dos Kerry cliffs. Escolhemos o barThe Moorings. Eu pedi o Cajun Chicken Burguer, um hambúrguer de frango com queijo brie e geleia de cebola roxa que estava muito saboroso. Um dos meus amigos disse que a Guiness que lhe tinham servido era uma das melhores que ele até então tinha bebido – e ele é irlandês por isso a sua opinião vale de alguma coisa.Saindo do Ring of Kerry fomos para Dingle. Como sugestão digo-vos que supostamente Dingle tem uma vibrante vida noturna, nós não o confirmámos tanto porque não ficámos hospedados em Dingle como porque como vos disse no último post, as restrições relativamente ao COVID ainda estavam em vigor e, portanto, todos os estabelecimentos encerravam ás 11 da noite. Em Dingle, também existe a correnteza de casas coloridas todas de uma cor diferente.

Mas talvez o facto mais conhecido de Dingle é a estátua de um golfinho. Desde 1983 um golfinho a quem deram o nome de Fungie vinha muitas vezes até à baía local procurando contacto com os humanos. O golfinho foi avistado pela última vez em 2020 e em sua memória criaram a estátua que representa esse mesmo golfinho.

Estátua do golfinho Fungie

Nos restaurantes locais ainda tentámos arranjar mesa para jantar, mas infelizmente estava tudo cheio. No entanto, conseguimos uma mesa para cocktails num sítio chamado An Droichead Beag. Pedimos as bebidas a um empregado, que sorrir não era com ele e o que não tenho a certeza era se pensar também não era com ele. Depois da primeira rodada de bebidas pedimos mais, mas ele pareceu não entender que estávamos a pedir mais bebidas. E acreditem que não era um problema de linguagem. Depois de pelo menos 5 minutos a anotar o pedido desapareceu por algum tempo até voltar para dizer que agora tínhamos que pedir as bebidas noutro sítio do bar. Com isto pensámos que talvez o melhor fosse mesmo irmos para Tralee, onde íamos passar a noite. Bom sítio para bebidas e para experiências bizarras.

Chegámos a Tralee já bastante mais tarde do que o suposto. Se vocês se aventurarem a uma road-trip do estilo tenham atenção às distâncias entre os locais que querem parar e fazer uma estimativa em e entre cada paragem. Em alguns pontos desta viagem pareceu-nos que não tivemos tempo suficiente para simplesmente aproveitar o momento. Em Tralee ficámos em Tralee Townhouse. Como já chegámos tarde tivemos que ir buscar as chaves do quarto ao pub Sean Ogs Bar & B&B“. Como nos pareceu que o ambiente estava animado dentro do pub mal pusemos as malas no quarto  foi para lá que voltámos. Arranjaram-nos mesa mesmo nas entranhas do pub. Porquê digo nas entranhas do pub? Porque depois da sala do pub havia um grande salão, parecia uma espécie de celeiro separado com várias tábuas. O ambiente estava animadíssimo e sim, aqui as restrições em relação a distanciamento social estavam bem mais aliviadas. Mas, ainda assim às 11 da noite deixaram de servir e à meia-noite o estabelecimento fechou. Como acabámos por não encontrar sítio para jantar ainda fomos a comer um kebab a uma das poucas lojas ainda abertas àquela hora “tardia”.

No dia seguinte, fomos ao pequeno-almoço, que estava incluído com a marcação do quarto. O pequeno-almoço foi o tradicional pequeno-almoço irlandês que para quem não conhece parece-se bastante com o pequeno-almoço inglês. Aliás tudo é igual – tomates, bacon, salsichas, ovos, feijões etc., mas o que diferente é o chamado “white pudding”. O white pudding é o mesmo que black pudding mas sem sangue. O black/white pudding é uma basicamente uma mistura de cereais e especiairias com gordura de porco – muito parecido às nossas “morcelas de sangue”. No British full breakfast não há o white pudding apenas o black pudding (versão que contém sangue de porco), na versão irlandesa servem os dois.

A informação que nos tinha sido dada antes de virmos nesta viagem era que Tralee era uma cidade pouco segura e sem algum interesse. No entanto, depois da noite bem passada no pub e de dar uma volta pela cidade não nos pareceu assim tão má.

Próxima cidade – Limerick. Limerick é conhecida como sendo o condado administrativo. A cidade de Limerick tem um passado bastante ligado à guerra, tendo sido cercada 3 vezes durante o século XVII. O edifício mais prominente de Limerick é o castelo do Rei João que foi construído em 1197.

Apesar de ter sido construído no século XII o castelo do Rei João é dos mais preservados na Europa. Ainda hoje os muros, torres e fortificações permanecem de pé. Mesmo ao lado do castelo pode-se ver o rio Shannon. Não chegámos a entrar dentro do castelo, mas demos um passeio pelas ruas da cidade.

E em seguida íamos a outro local muito esperado nesta viagem – as falésias de Moher. Aconselho aqui a contarem passar uma manhã ou uma tarde a passear pelas falésias. A entrada para as falésias não é paga como em Kerry, no entanto se forem de carro só há um local possível para estacionar que é ao lado do centro de visitantes. Portanto, com isto acabam por ter que pagar na mesma. A menos que venham numa excursão, mas claro que essa também não será de borla. Eu tenho ideia que se pagou 10 euros por pessoa – mas podem ver no site oficial das falésias aqui.

Uma coisa que estava era vento e forte. Por isso aconselho cuidado e roupa apropriada se não tiverem a sorte esplêndida de um sol radiante e tempo ameno. A extensão das falésias são 14 km (8 milhas) e a altura máxima de 214 metros. Anualmente passam por aqui 1 milhão de visitantes. As paisagens dramáticas das escarpas a pique até ao mar mostram o porquê deste local ser tão conhecido na Irlanda.

Para segurança dos visitantes os trilhos pedonais estão bem marcados e com cordas a delimitar onde é seguro andar e onde não é. Claro que muitos de nós temos Instagram ou outras redes sociais e todos queremos aquela fotografia sensação. Nós e outro milhão de pessoas. E como é óbvio há quem se entusiasme e coloque-se em situações de risco por vezes com consequências graves. É por isso que existe uma placa a meio do caminho com o nome de “Selfie death” (a selfie da morte) com o nome daqueles que morreram porque acidentalmente caíram das falésias. Não sei o quanto vale arriscar a vida por uma fotografia no Instagram. Para mais penso que quando uma pessoa cai, o telemóvel também e por isso a grande fotografia nunca aparecerá. Um problema da atualidade num local mais antigo e grandioso que todos nós.

E a culpa não é das falésias é da idiotice!

Próxima paragem: Galway

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