4ª Paragem no Gerês: Fafião, uma aldeia de lobos

Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês


Fafião é uma das mais pitorescas aldeias de Montalegre, no parque Nacional do Gerês, que da nossa viagem se tornou uma das nossas preferidas. Navegar dentro da aldeia nem sempre foi fácil deparando-nos com algumas estradas tão estreitas que o que nos valeu foi o nosso carro ser pequeno. Fosse um carro maior ou mais largo temo que tivéssemos ficado ‘presos’ dentro de Fafião.

Fafião – paisagem do Miradouro da Eira da Galega

Fafião – locais de interesse e valor histórico

Fafião é uma das nossas recomendações como local para passar uma noite já que estando bastante perto do trilho do Poço Verde, da Ponte da Pigarreira, das cascatas Tahiti e do miradouro de Fafião, torna-se um ponto central. Os locais de interesse mencionados foram aqueles que visitámos no dia anterior (ver post). Mas a aldeia de Fafião tem um outro valor histórico, este associado aos lobos mais especificamente ao fojo dos lobos. Fojo é o que se chama às antigas armadilhas de lobos usadas numa tentativa de proteger o gado caprino e bovino deste predador. O fojo consiste numa estrutura de granito com paredes convergentes, formando uma cova de planta circular. Hoje em dia, não só os fojos caíram em desuso, como existe um movimento de preservação da comunidade dos lobos ibéricos na região.

O esforço de manter a tradição e a de preservação está de tal forma presente na região que em seu nome todos os anos se organiza um festival comunitário, o festival Aldeia dos Lobos, nas aldeias de Fafião, Cabril e Serra do Gerês que em 2024 vai na sua quarta edição. Este festival realizar-se-á nos dias 12 e 13 (hoje e amanhã) de julho em 2024. É também em Fafião onde se pode visitar o mais bem preservado fojo dos lobos na Península Ibérica.


Fafião – onde ficar

Devido à sua localização com vários pontos de interesse em seu redor escolhemos Fafião para o nosso terceiro alojamento. Reservámos o quarto no Guest House Fojo dos Lobos, um local bastante moderno, com quartos de bom tamanho, limpos e com uma vista local soberba. O alojamento não tem estacionamento próprio e não tentem levar o carro para o pé da porta de entrada (como nós fizemos, só para depois termos de fazer o mesmo percurso de marcha atrás uma vez que não há espaço para fazer inversão de marcha). Para estacionar o carro basta seguirem a estrada principal e encontrarão lugares de estacionamento disponíveis.

Nesta Guest House encontrámos um local onde houve uma atenção cuidada ao detalhe como por exemplo se pode ver pelas toalhas personalizadas oferecidas pelo alojamento. Também foi na Guest House Fojo dos Lobos que tomámos o melhor pequeno-almoço da viagem, onde encontrámos uma variedade e qualidade bastante superiores às nossas expectativas. Este acabou por ser um dos meus locais preferidos de alojamento.


Fafião – onde comer

Fizemos o check-in às 4 da tarde e como não tínhamos almoçado, e o pequeno-almoço na AL Casa da Banga tinha sido bem cedo, quisemos ir petiscar qualquer coisa antes do jantar. Mesmo ao lado da Guest House encontrámos o Café Fojo dos Lobos, que acabou por ser a maior surpresa (na positiva) da viagem. O café estava practicamente vazio quando chegámos, mas enquanto aqui estivemos fomos nos apercebendo que é ponto de paragem de tours turísticas assim como ponto de paragem para os locais depois do trabalho.

Hambúrguer Peleiroso e dose de batatas fritas no café Fojo dos Lobos

Pedimos cerveja para acompanhar o hambúrguer Peleiroso, um hambúrguer com cebola roxa, presunto e molho de mostarda e mel. Assim como uma dose de batatas fritas. O hambúrguer custou 5.5 euros e uma dose de batatas 1.70. Foi uma das melhores refeições da viagem, atrevo-me a dizer que se não a melhor, a segunda melhor. E por um preço impensável. Foi uma infeliz decisão não termos também jantado aqui, mas vimos depois do jantar para uns cocktails que também nos surpreenderam. É um dos locais aos quais voltaria sem pensar duas vezes.

Para jantar, porque quisemos também experimentar o restaurante Fojo dos Lobos, fizemos reserva de uma mesa através da recepcionista da Guest House. Mas afinal não era necessário fazer reserva atempada, pois quando chegámos o restaurante estava vazio, e só mais uma mesa além da nossa foi ocupada nessa noite. O restaurante só estava aberto das 8 às 9 e meia e uma das coisas que não nos apercebemos é que alguns dos pratos que estão no menu têm de ser marcados com antecedência (até às 7 da tarde do mesmo dia). E aquele que nos atraiu mais, o Bacalhau Especial no Forno, era um deles. Acabámos por pedir a Posta Grelhada, mas não foi tão boa como a que tínhamos comido no restaurante do Hotel Adelaide na Serra do Gerês. A carne era bastante mais rija, faltava-lhe sal e o prato em geral precisava de um molho, pois tornava-se bastante seco. Quando digo que o melhor do prato foram os vegetais que vieram como acompanhamento já podem ver que não ficámos muito impressionados. O melhor da refeição acabou por ser a entrada, moura com ananás, que para o meu marido foi o melhor que comeu durante a viagem ao Gerês.

Entrada moura com ananás no restaurante Fojo dos Lobos
Posta grelhada acompanhado de batata à murro, arroz branco e couve branca cozida

E foi durante a refeição que nos arrependemos de não termos ido jantar ao café. A comida teria sido muito melhor e ter-nos-ia ficado bastante mais barato.


Fafião – miradouros

Já mencionei em cima vários pontos de interesse perto de Fafião. Mas visitar a aldeia em si tem o seu próprio charme oferecendo a possibilidade de conhecer uma aldeia típica da região. E foi explorando um pouco as ruas de Fafião que passámos o tempo entre a nossa refeição no café e voltarmos para o quarto para nos prepararmos para jantar. Descendo a estrada de empedrado escuro até ao largo da Sobreira do Chão fomos de encontro aos tanques onde antigamente se lavava a roupa. Pelo menos penso que já não seja práctica comum nos dias de hoje.

Tanques em Fafião

Mais abaixo virámos à esquerda para a Rua da Eira da Galega que sem sabermos foi dar ao miradouro da Eira da Galega. O miradouro é recente na aldeia, tendo sido construído em 2023, e ainda não figura em muitos dos websites de viagens. Mas certamente que começará a aparecer pela bela paisagem que oferece. Quando voltámos para o largo da Sobreira do Chão acabámos por ir dar à paragem de autocarro onde se encontra um mural representativo da fauna local, a espécie de gado bovino proeminente da zona.

Paisagem do miradouro Eira da Galega
Os tradicionais canastros da região

Outro miradouro a não perder, o qual visitámos já no dia seguinte depois do pequeno-almoço, é o Miradouro de Fafião. Este é com todas as certezas um miradouro de design instagramável. Este miradouro construído em 2021 é um local de paragem obrigatória. Da Guest House do Fojo dos Lobos até este miradouro é preciso andar cerca de 15-20 minutos. Mas ao contrário do que tínhamos encontrado na maior parte do Gerês, o caminho não era difícil de percorrer.

Miradouro de Fafião
Miradouro de Fafião depois de passar a ponte suspensa

Mas o miradouro talvez não seja aconselhável para quem tem medo de alturas. Um miradouro formado por duas grandes pedras de granito ligadas por uma ponte suspensa oferece uma experiência inesquecível já que a ponte suspensa se vai movendo à medida que passamos por ela. A vista é magnífica tanto do lado do miradouro tal como a que nos acompanha pelo caminho até ele.

Paisagem do Miradouro de Fafião
Paisagem pelo caminho até ao miradouro de Fafião

Estas são então as nossas recomendações para Fafião, espero que tal como nós apreciem esta aldeia que tanto tem para oferecer.

Receita de Fajitas Vegetarianas com Batata-Doce e Grão

Tempo de preparação: 40 minutos

4 porções

567 Kcal/porção


Ingredientes

  • 500gr de batata-doce descascadas, cortadas em cubinhos e lavadas
  • 1 lata (400gr) de grão
  • 420gr de mistura de vegetais do mediterrâneo (pimentos vermelhos, pimentos amarelos, cebola roxa, curgetes, beringela e tomates-cereja)
  • 110gr de queijo feta
  • 4 tortilhas com sementes
  • 6 colheres de sopa de maionese
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • 30gr de mistura de especiarias para fajitas
  • Alho em pó e folhas aromáticas secas q.b.

Preparação

Pré-aqueça o forno a 200ºC.

Num tabuleiro que possa ir ao forno, junte as batatas e tempera-as com 10gr (1/3) das especiarias para fajitas e 1 colher de azeite. Misture bem e leve ao forno por cerca de 15 minutos.


Entretanto, num recipiente junte o grão escorrido, os vegetais e tempere-os com as restantes especiarias e azeite. Passados os 15 minutes, junte o grão e os vegetais ao tabuleiro com a batata-doce. Misture tudo e leve de novo ao forno por mais 20 minutos ou até as batatas estarem cozidas.


Numa tacinha, junte a maionese e tempere-a com alho em pó e folhas aromáticas. Combine todos os ingredientes e reserve.


Quando os vegetais estiverem cozinhados, coloque num prato uma tortilha, adicione 1/4 da misture de vegetais e espalhe por cima queijo feta esfarelado, o molho da maionese e polvilhe com ervas aromáticas. Repita o processo com as restantes tortilhas.


Alternativas

Para esta receita pode usar pão para kebab ou pão pita em vez das tortilhas. Pode também substituir a mistura de vegetais para uma que mais lhe agrade.

3ª Paragem no Gerês: da espera do padeiro à passagem pelos bois

Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês


AL Casa da Banga – Pequeno-almoço

O nosso terceiro dia no Gerês começou com algo que é pouco conhecido na cidade, mas que ainda é a realidade em muitas aldeias por Portugal fora. Falo da visita do padeiro à porta de cada casa. Esta práctica não será conhecida por muitos que vivam em cidades ou em vilas, mas em locais mais recantados onde o supermercado não está ao virar da esquina, é práctica comum. E foi assim que nos vimos no terraço da AL Casa da Banga, ao lado da senhora Maria José à espera do padeiro, ainda antes das 8 e meia. E assim começámos o dia, à espera do pão para o nosso pequeno-almoço – e quem não gosta daquele cheirinho a pão fresco? Sem falar do sabor!

Pequeno-almoço na AL Casa da Banga

Mas esperem que não é só a visita do padeiro que se espera nas aldeias, também a do peixeiro, dos congelados e até do talho. As visitas podem não ser diárias como a do padeiro, mas são visitas que decorrem durante a semana para todos puderem fazer as compras que aqueles que vivem nas cidades, como eu, temos como garantidas.

Apesar da espera, que não foi longa, ainda antes das 9 horas estávamos sentados à mesa para um bom pequeno-almoço. O pão era uma delícia, acompanhado com manteiga, queijo, fiambre e até de bolos caseiros. Tivemos ainda direito a uns ovos mexidos que estavam no ponto, assim muito fofos. E enquanto comíamos fomos falando do frasco de Tofina que estava na bancada, aliás não se pode chamar uma casa tradicional portuguesa se ainda não viu um frasco de Tofina para o café da manhã. Talvez as gerações mais novas não conhecem este tradicional (e atrevo-me a dizer essencial) alimento, mas que fazia parte de qualquer casa nacional. Apesar de nas minhas recordações o frasco ser menos estético, mais o da figura ao lado do que o da figura em baixo.

Bebidas disponíveis no pequeno-almoço na AL Casa da Banga. Nada como uma caneca de tofina para se sentir um verdadeiro português.

Trilho do Poço Azul

Para o dia de hoje a lista de locais que queríamos percorrer não era longa, mas no final este dia acabou por ser um dos mais inesquecíveis da viagem. E não apenas por bons motivos.

A percorrer o trilho do Poço Azul

O trilho do Poço Azul começa na Cascata do Arado e percorre uma distância de cerca de 9Km (4.5Km para cada lado). Mas para quem não tem um carro todo-o-terreno, o melhor, para salvaguardar o estado do carro, é deixá-lo ao pé do Miradouro das Rocas e percorrer o quilómetro de caminho de terra a pé até à Cascata. Isto adiciona mais dois quilómetros, um para cada lado, ficando assim a cerca de 11Km no total. Nós tínhamos visitado a Cascata do Arado no dia anterior, sem sabermos que hoje faríamos este caminho de novo. E quisemos arriscar em deixar o carro mais perto da cascata, já na estrada de terra. Não percorremos o quilómetro completo, porque realmente a estrada não está assim em tão bom estado, mas deixámos a meio, cortando um quilómetro da nossa caminhada (meio quilómetro para cada lado).

Se tiverem um carro todo-o-terreno podem estacionar o carro no parque de estacionamento que fica a cerca de 300-400 metros depois da cascata, já na primeira subida, poupando no total cerca 2,5Km incluindo uma parte da subida inicial. Mas não se iludam, que a pior parte tem de ser feita a pé na mesma. Até porque já se sabe que a dificuldade não é na distância, mas no trilho em si. E este pode-se dizer que é um desafio.

O trilho do Poço Azul não faz parte dos percursos pedestres (PR) oficiais como temos feitos até à data no Gerês, mas é sim antes considerado como um trilho selvagem. E atenção que alguns pontos deste percurso estão mal sinalizados. Contudo, este é um dos percursos mais procurados no Verão e o conselho geral é de virem bem cedo; começarem o trilho ainda antes das 9, porque rapidamente se enche, e com 10 pessoas o Poço Azul já se sente estar a abarrotar.

Mas afinal o que tantos procuram encontrar neste percurso?

Chegar à lagoa alimentada por uma cascata, lagoa essa não com uma cor azul como o nome indica, mas de cor verde. E sim, é possível nadar, mas aviso que a água é gelada, mesmo nos dias de calor. Não podes é pensar – ouvi uma senhora dizer à filha antes de se atirar à água.

O percurso que vou falar mais em detalhe foi aquele que nós fizemos ou seja, a partir de metade da estrada de terra que no total foram 11Km. A metade do caminho entre o Miradouro das Rocas e o Cascata do Arado será assim o Km 0, o ponto de partida.

  • Estacionámos o carro numa das bermas, à sombra e partimos com 2 litros de água cada um. Passámos pela ponte junte à cascata do Arado e a partir daqui foi subir. A subida é de cerca 1,2Km e é aqui nesta subida que vão passar pelo último parque de estacionamento. A subida poder-se-á dizer íngreme, mas não haverá mais subidas pronunciadas como tal durante o caminho.
  • Quando o caminho começar a nivelar, vão encontrar um cruzamento mais ou menos ao 1,6Km e aí vira-se à direita, seguindo pela rua da Malhadoura. Mais ou menos 200 metros à frente vão encontrar a Fonte do Curral da Malhadoura. Quando passámos por aqui, tanto na ida como na volta havia gente ao pé da fonte; quando íamos estavam a fazer lume para grelhar carne e quando voltámos estavam já a almoçar.
  • Depois da fonte continua-se a descer e depois claro como tudo o que desce também sobe, começa-se a subir sempre em frente. Ao chegar ao 2.6Km passa-se pelo Curral dos Portos que fica à esquerda.
  • A 200 metros à frente encontrarão outro cruzamento onde há uma placa a dizer ‘Tribela’. Aqui, o caminho mais rápido e fácil é virando à esquerda e esse é o caminho que recomendo, tendo nós feito, no regresso, o caminho que segue em frente neste cruzamento. Esta estrada, a que segue em frente, para quem vêm do Poço Azul não é má, é um bocado inclinada logo de início, mas vimos a descer. Agora imagino que subir aquele troço não seja nada divertido. Mas não pensem que é assim tão fácil este caminho que vos estou a aconselhar (virar à esquerda no cruzamento), talvez seja no início já que primeiro é a descer até à Ponte das Servas, mas depois é 50 metros a subir bem. No final da subida encontrar-se-ão de novo na estrada larga.
  • A boa notícia é que o caminho não é seguir a estrada que sobe, mas sim virar à esquerda na primeira oportunidade – por trilho bastante mais estreito. Incrivelmente é neste último quilómetro que a coisa aperta. O trilho em algumas partes não é de fácil passagem. Pelo caminho passámos por um grupo de escuteiros que estavam parados em exercícios. Nem sabíamos o quanto nos iam ajudar. Passámos pelos escuteiros, seguimos caminho até encontrarmos o primeiro verdadeiro obstáculo, um boi. Sim, um boi mesmo no meio daquele trilho estreito. E até acredito que alguém os ache fofinhos e mansos, mas naquele momento aqueles cornos afiados tinham um aspecto mortal. Felizmente, os escuteiros já lá vinham e o boi ao ver tanta gente junta acabou por subir a barreira (não sei bem como) e foi assim que pudemos passar.
  • Acabámos por fazer o resto do percurso ao lado dos escuteiros até chegarmos a um pequeno riacho o qual tivemos de atravessar. Andámos mais cerca de 200 metros quando finalmente chegámos ao poço azul. Ainda pensámos em ir à água, mas ela estava gelada. No entanto houve quem fosse bem mais corajoso que nós e se mandasse lá para dentro.

Agora faltava voltar para trás, pelo mesmo caminho de onde tínhamos vindo. E não erámos só nós apreensivos em fazer o mesmo percurso com receio de encontrar mais obstáculos animalescos a meio do trilho, porque ouvimos outras pessoas que chegaram depois de nós a perguntar aos escuteiros se seguindo o trilho em frente era mais fácil do que voltar para trás. Aparentemente não é!

Começámos então o caminho inverso, atravessámos de novo o riacho e eis que a poucos metros demos caras com o nosso pior receio, outro boi a meio do caminho, mas este numa atitude menos amistosa. Digamos apenas que o bater de pata no chão avisava que por ele não se passaria. Fizemos um desvio por dentro do mato e passámos devagarinho sempre com o olho no boi, não fosse ele atacar. O que faríamos se ele o tivesse feito não sei bem. E se nós olhávamos para ele, ele retribuía o gesto, seguindo-nos com o olhar. E mesmo depois de passarmos por ele e voltarmos ao trilho houve um momento de meio pânico quando o mesmo boi começou a vir atrás de nós, ou assim parecia, cada vez mais rápido. Eu já estava para começar a correr quando vimos pessoas a virem pelo caminho onde o boi tinha estado, atrás de um pastor que tinha com um grande cajado na mão. Não posso dizer que tenha gostado da experiência, aliás muito pelo contrário.

Fizemos o resto do estreito trilho sem percalços e quando chegámos outra vez à estrada larga, o menos que queríamos por esta altura era mais adrenalina e por isso decidimos descer sempre pela estrada em vez de segurimos outra vez pelo caminho que passava pela ponte das Servas. Talvez tenhamos feito mais meio quilómetro com esta alteração de percurso, mas pelo menos a estrada larga era bem melhor.

Chegámos ao entroncamento da ‘Tribela’ e continuámos o caminho inverso, mas tenho de confessar que a cada boi ou vaca que via, passava ao lado, mesmo ao longe, com uma certa apreensão. Chegámos ao carro inteiros, mas cansados. O caminho não tinha sido fácil e as dificuldades acrescidas tinham sido intensas. Se valeu a pena fazer aquele caminho? Epá se não tivesse sido a presença dos animais diria que sim, agora assim com um potencial risco de morte ou no mínimo de danos físicos não sei responder. Talvez se tivéssemos ido com um pastor como guia para lidar com os animais a experiência tivesse mais segura. E nós que nos tínhamos rido ao ver à venda um cajado por 10 euros. Afinal deve ser das coisas mais valiosas que se pode ter no Gerês.


Miradouro da Ermida

Depois de tirar uns momentos para descansar, beber água e recarregar baterias, fomos para a segunda paragem, um local muito mais calmo – o Miradouro da Ermida. O miradouro com cerca de 550 metros de altitude fica em Ermida, tal como o nome indica, uma aldeia tradicional do Gerês. O miradouro oferece uma paisagem típica da região.

Paisagem do Miradouro da Ermida

Este miradouro é o ponto de partida para o trilho PR14 – Trilho do Sobreiral da Ermida, o qual percorre uma distância de 14Km. Como se vão apercebendo, o que há mais no Gerês são trilhos e o difícil é escolher aqueles que se quer fazer, já que as pernas (pelo menos as nossas) não davam para todos. Claro que poderão sempre fazer o GR50, o trilho da grande rota que percorre 190Km através do Gerês. Nós em qualquer sítio que passávamos e que víamos ou a placa ou a marca vermelha e branca, comentávamos ‘Olha, por aqui passa o GR50’.


Cascatas de Tahiti

Saímos do Miradouro por volta das 2 e meia da tarde e começámos a ir para o nosso próximo alojamento, agora em Fafião, com ideias de ir parando pelo caminho. A primeira paragem foi nas cascatas Tahiti também conhecidas pelas cascatas de Fecha das Barjas. Encontrámos várias pessoas a tomar banho na cascata de Várzeas que pelos vistos tem sido palco de acidentes mortais. Eu sei, esta viagem começa a ter um lado mórbido. Não nos aventurámos muito, até porque a esta altura tinha um dos dedos dos pés tão inchado que mal conseguia andar (as consequências de não sabermos estar quietos nas férias).

Cascatas Tahiti

Infelizmente apesar dos avisos que estão nos placares alguém decidiu tirar a coleira ao seu cão e o cão escorregou na cascata. Não sei como é que não caiu. Mas acreditem que era morte certa. E podem confirmar nas notícias o perigo real destas cascatas. Aliás ficámos num hotel no dia seguinte onde o dono nos contou que um casal hospedado lá foi para estas cascatas nadar. A rapariga bateu com a cabeça e ficou a boiar na água enquanto o namorado dormia. Quando este acordou e a viu boiar de cabeça para baixo foi quando se apercebeu do que tinha acontecido. Não vale a pena dizer que o rapaz estava completamente desconsolado.

Mas nós quando saímos do carro apercebemo-nos que o local não devia ser seguro quando no parque de estacionamento há um lugar reservado a ambulâncias. Apenas um local onde a sua presença é requerida constantemente precisa. de um lugar reservado para estas viaturas.


Ponte da Pigarreira e Ponte de Várzeas

Acabámos por não ficar muito tempo nas cascatas e seguimos caminho. O último ponto de paragem antes do local de alojamento foi na ponte ao pé da Ponte da Pigarreira, na rua da Ponte de Várzeas. Tenho pena que o meu humor não estivesse no melhor estado quando aqui estivemos, porque o local é muito bonito. O humor não estava bom porque cada vez mais me doía o dedo e porque estava a começar a ficar com fome. E já se sabe quando uma mulher tem fome não há nada que faça o dia brilhar sem ser quando já estiver a comer. Eu confesso que sofro deste mal.

Mas reconheço que o local é muito bonito; fizemos um pequeno trajecto circular, passando pela Ponte da Pigarreira o que em si foi uma experiência. A ponte é uma ponte suspensa e por isso move-se à medida que se a vai atravessando. Também nesta zona se pode tomar banho e parece ser bastante mais seguro do que nas cascatas de Tahiti.


Próximo destino: Fafião!

E Fafião fica para a próxima semana porque eu gostei bastante desta aldeia, por várias razões, e merece um post focado apenas sobre ela.

Mas já começam a perceber porque digo que o Gerês é bonito mas não é para todos?

Tosta de húmus com ovos estrelados e queijo

Tempo de preparação – 10 minutos

6 porções

350 Kcal/porção


Ingredientes

  • 1 pão rústico com sementes de girassol e cenoura
  • 3 colheres de sopa de húmus com pimento vermelho
  • 3 colheres de sopa de húmus com cebola caramelizada
  • 6 ovos
  • 30 gr de queijo mozarella ralado
  • Pimenta e alho em pó q.b.
  • 2 colheres de sopa de azeite

Preparação

Numa frigideira antiaderente, aqueça o azeite com três colheres de sopa de água. Quando quente, parta os ovos e adicione-os à frigideira, evitando que a clara dos ovos se misture. Tempere a gema dos ovos com pimenta preta e alho em pó. Frite por 1 minuto. Passado este tempo espalhe o queijo ralado por cima das claras dos 6 ovos. Deixe fritar por mais 30 segundos ou até a clara estiver cozida. Retire do lume e reserve.

Corte o pão em 6 fatias com cerca de 2cm de largura. Barre três fatias de pão com o húmus com pimento vermelho e as outras três fatias de pão com o húmus com cebola caramelizada. Por cima de cada fatia coloque um ovo estrelado.

E está pronto a servir.


Alternativas

Todos os ingredientes desta receita podem ser alterados a gosto, tal como o tipo de pão, o sabor do húmus e o tipo de queijo ralado usado.

2ª Paragem no Gerês: Trilhos, mata e cascatas

Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês


Hotel Adelaide

Quarto

Acabei o último post quando chegávamos ao nosso alojamento na Vila do Gerês, o hotel Adelaide, depois de termos percorrido mais de 22Km no primeiro dia. Estávamos de rastos e o descanso era necessário, de forma imediata. Fizemos o check-in e entrámos para o nosso quarto. Apesar do quarto ser bem mais pequeno daquele onde ficámos na noite anterior, no Outeiro do Moinho, o espaço era agradável, sendo que o pior que tenha a dizer talvez seja da casa-de-banho que estava a precisar de uma renovação, mas nada do qual não conseguíssemos sobreviver. Especialmente quando passávamos para a varanda e tínhamos a vista maravilhosa sobre o vale estendendo-se depois da vila.

Massagens

O hotel Adelaide, um hotel de 2 estrelas, fica a cerca de 10-15 minutos a pé do centro da Vila do Gerês, a vila mais central e mais movimentada do parque nacional. Neste hotel também há um espaço de relaxamento, um serviço que inclui diferentes tipos de massagens. Como as marcações costumam estar lotadas, se se quer aproveitar é preciso marcar atempadamente. Desta vez não o fizemos, mas sendo este o local onde iríamos passar a última noite, a escolha de acabar a viagem com uma massagem foi logo aceite pelos dois. Mas da massagem falarei mais tarde quando falar do fim desta nossa passagem pelo Gerês.

Restaurante

Quando fizemos o check-in disseram-nos que se quiséssemos podíamos jantar no restaurante do hotel, para qual não era preciso marcação prévia. Apesar da vila ficar pertinho não estávamos com vontade nem de andar nem de conduzir. Foi assim que acabámos instalados, depois de banho tomado e uns minutos de descanso na varanda do quarto, numa mesa com uma vista sobre o vale, a mesma que tínhamos do quarto. Aconselho imenso, se tiverem oportunidade claro, de se sentarem na parte mais exterior do restaurante para puderem apreciar a vista. Para entradas pedimos o queijo e melão com presunto e para prato principal, querendo embarcar na cozinha tradicional, escolhemos a Posta à Serrana. Acabou este por ser um dos meus pratos favoritos da viagem, a carne tenrinha e até os espinafres deliciosos.

Acabámos a refeição com o doce da casa, e foi nesta altura que descobrimos que o doce da casa naquela região era o mesmo, um doce de natas com pedaços de chocolate, muito parecido ao que tínhamos experimentado no dia anterior no restaurante Turista ao pé de Covide.

Bar

Para acabarmos o dia, antes de aterrarmos na cama, fomos nos sentar um bocado no bar do hotel, que fica mesmo ao lado da recepção. Querendo experimentar uma coisa mais regional acabámos por beber um gin (sim, também não esperava) que é feito na zona, o Gin Valley, cuja composição inclui não só as águas do Gerês, mas também várias ervas que aqui crescem como o zimbro, hortelã-pimenta, laranja e limão dando a este gin notas florais e cítricas tornando esta bebida muito agradável. Para uma bebida menos tradicional do Gerês, mas sim de Portugal, escolhemos também uma amêndoa amarga, bebida bastante apreciada por ambos.


Pequeno-almoço do dia seguinte

A primeira paragem deste segundo dia no parque nacional do Gerês foi o salão de pequenos-almoços, o mesmo onde tínhamos jantado na noite anterior. A escolha era bastante variada, desde vários pães, croissants, tortas, queijos e fiambre, ovos mexidos e cereais. Em poucas palavras, um bom pequeno-almoço era aquilo que nos esperava. Sentámo-nos outra vez numa das mesas ao pé da janela e descobrimos que apesar da hora matinal, o calor já se começava a sentir. Comemos, fizemos o check-out e voltámos a entrar no nosso Fiat 500 para mais um trilho.


Uma parte do Trilho da Preguiça

Hoje era mais um dia intenso, e começávamos por duas cascatas, a da Laja e a Leonte. Ambas fazem parte do PR10- Trilho da Preguiça. E a nossa ideia inicial era realmente fazê-lo na sua totalidade, mas depois de vermos que o primeiro quilómetro e meio era sempre a subir e a subir bem acabámos por fazer um pequeno encurtamento. O que queríamos deste percurso era visitar as cascatas, por isso começámos o percurso no sentido contrário. Assim o percurso em vez dos cerca de 4Km foi apenas de 2,5Km (ir e vir) evitando a grande subida.

Deixámos o carro onde o Trilho da Preguiça começa (e acaba), mesmo ao pé do Miradouro da Preguiça. Como viemos bastante cedo não havia mais nenhum carro estacionado, mas o mesmo não se pôde dizer quando voltámos. Começámos o nosso percurso ao pé da placa que indicava ser o fim do trilho e entrámos pela floresta andando junto ao riacho. Passámos primeiro pela cascata da Laja onde existe uma ponte de madeira. Tirámos as obrigatórias fotografias e seguimos pelo caminho até à cascata Leonte. Pelo caminho fomos passando por vários pontos de interesse como a Calçada Portuguesa e o Curral da Mijaceira.

Quando voltámos para trás para não fazer o mesmo caminho e também para chegarmos mais rápido ao carro acabámos por descer pela estrada, já não passando pela cascata da Laja.


Mata de Albergaria e a fronteira com Espanha

Próxima paragem era na Mata de Albergaria, uma mata com algumas particulares. Esta mata é um dos bosques mais importantes do parque nacional constituído predominantemente por um carvalhal secular; carvalhos galaico-portugueses da espécie Quercus robur e Quercus pyrenaica, havendo um significativo esforço de conservação e preservação da área. Também na mata se encontra ruínas da via romana Geira.

Com o aumento do turismo tem vindo a crescer o número de regras para assegurar o estado natural da mata e é por isso que existem várias normas a seguir quando se visita este local como por exemplo não se poder parar ou estacionar no troço dentro da mata sendo apenas possível parar na Portela do Homem, perto da fronteira com Espanha. Também a velocidade máxima é de 40Km/hora. O incumprimento destas regras poderá resultar em multa. Durante os meses de Verão, de 1 de junho até 30 de setembro encontra-se uma portagem na entrada da mata com o custo de 1,50 euros. Nós fomos no final de maio, altura do ano em que esta taxa não está em vigor. Mas claro que se pode visitar a mata o quanto se quiser a pé, existindo vários trilhos a escolher.

Nós percorremos a mata de carro até à Portela do Homem (lembram-se do nome do nosso quarto no Outeiro do Moinho? Era em relação a este local) e fomos primeiro até à fronteira, apenas para dizer que estivemos em Espanha. Muito pouco se passa daquele lado da fronteira. Por isso voltámos para trás e seguindo pela estrada, entrando dentro da mata, fomos até à cascata de São Miguel.


Miradouro da Pedra Bela

Albufeira da Caniçada (rio Cávado) do Miradouro da Pedra Bela

Depois de voltarmos a passar pela Mata de Albergaria o próximo ponto era num miradouro, o miradouro da Pedra Bela. Entrávamos nesta altura pela tarde deste segundo dia no Gerês. Este é um dos miradouros mais conhecidos e por muitas boas razões. A paisagem é parecida com a do Miradouro da Boneca, mas do outro lado do vale. Para mim a paisagem deste lado é muito mais bonita. Do lado norte do miradouro vê-se as montanhas, os picos mais altos da Serra do Gerês, enquanto a sul se vê as águas azuis e calmas do rio Cávado formando a albufeira da Caniçada. Todo o vale do Rio Gerês a nossos pés, num miradouro com 829 metros de altura. Este vale resultante da falha geológica Gerês-Lobios (Portugal-Espanha) é responsável pela rica composição da água da região. Neste miradouro também se pode aproveitar as mesas de pedras que formam uma espécie de parque das merendas.

Os mais altos picos da Serra do Gerês no Miradouro da Pedra Bela

Nada é mais português do que tirar da mala umas carcaças e umas fatias de chourição como vi um casal fazer. E não é que na altura também se fazia? Não comemos, mas aproveitámos as mesas para descansar um bocado e decidir o que fazer a seguir. Ah, e este foi finalmente um dos miradouros em que podemos estacionar ali ao pé sem termos de andar quilómetros para chegar à paisagem. Aliás a duas paisagens, porque existem dois miradouros na mesma zona – o Miradouro da Pedra Bela e também o chamado Miradouro Novo da Pedra Bela. Ambos a ser visitados.


Cascata do Arado

Apesar de não estar nos nossos planos para aquele dia, como estávamos perto da cascata do Arado foi para aí que fomos. E ainda bem que o fizemos que no dia seguinte, o dia em que éramos para visitar a cascata foi atribulado o suficiente. Mas isso fica para o próximo capítulo. Deixámos o carro ao pé do Miradouro das Rocas, e foi aqui que encontrámos o maior número de carros e de pessoas em toda a viagem. Podia-se deixar o carro mais perto da cascata, atravessando um caminho de terra. Mas a menos que se tenha um carro mais alto do que o nosso, talvez seja não seja boa ideia aventurar-se muito por este caminho. Também o caminho de terra é de cerca 1,1Km até ao Miradouro da Cascata do Arado.

A cascata do Arado tem uma altitude de 900 metros criando sucessivas cascatas que vão descendo pelas rochas. Para mim, claro que isto é opinião pessoal, a paisagem da ponte ao pé da cascata do Arado, para o lado das montanhas foi uma das mais bonitas que vi no Gerês. Repito, isto é apenas a minha opinião.


AL Costa da Banga

O calor a esta altura apertava e quando chegámos ao carro decidimos ir para o local onde iríamos passar a terceira noite, muito perto da Vila do Gerês, já em Vilar da Veiga, AL Costa da Banga, uma acomodação de 3 estrelas. Chegámos por volta das 4 da tarde, bastante mais cedo do que o normal, mas também tínhamos começado a caminhar às 9 da manhã. Estacionámos o carro e mal olhei para o terraço da casa vi uma piscina que sabia imediatamente que teria de experimentar.

O nosso quarto em AL Costa da Banga

Fizemos o check-in, a senhora Maria José, dona da casa, foi simpatiquíssima recebendo-nos da melhor maneira. Ficámos instalados num quarto do primeiro piso, um quarto enorme com 1 cama de casal e 1 cama de solteiro. Um quarto enorme, uma casa-de-banho moderna e uma piscina à espera. Talvez melhor era se o quarto tivesse varanda como o do Hotel Adelaide, mas também não se pode ter tudo. E aquilo que tínhamos chegava bem. Pusemos as malas no quarto, descansámos por uns minutos e ala para a piscina. Assim às 4 e meia andava eu no meio das águas da piscina a refrescar-me de um longo dia que ainda não tinha acabado.


Vila do Gerês

Mais ou menos uma hora depois com a barriga a começar a dar horas, afinal a última vez que tínhamos comido tinha sido no Hotel Adelaide, decidimos ir visitar a Vila do Gerês, já que não o tínhamos feito no dia anterior. A viagem de carro demorou cerca de 5 minutos, e estacionámos logo ao pé do restaurante Lurdes Capela, onde queríamos jantar seguindo o conselho de um amigo que já tinha visitado o Gerês. Mas ainda nem eram 6 por isso fomos mordiscar qualquer coisa antes do jantar. Assim também aproveitávamos para visitar a vila.

Entrámos no Lirio’s Coffee e pedimos cerveja Tango (cerveja com groselha), um lanche (merenda de queijo e fiambre) e um guardanapo. Nada como uma pausa com a pastelaria/padaria portuguesa. Bem mais satisfeitos fomos passear pelas ruas da vila, subindo a estrada principal até ao Jardim da Praceta Honório de Lima. Fomos passando por várias lojinhas assim como pelas termas do Gerês, local muito procurado não só pelas termas como também pelo spa. Não chegámos a experimentar este local, uma vez que queríamos experimentar as massagens no Hotel Adelaide. Se estiverem interessados podem sempre ver o que eles têm para oferecer no website: https://www.aguasdogeres.pt/

Depois de passearmos pelas ruas da Vila, fomos para o restaurante Lurdes Capela. Aconselho a virem bastante cedo porque este restaurante é bastante aclamado, enche rapidamente e não aceitam reservas. Lurdes Capela abre às 6 e meia para jantar e pouco mais disso passava quando chegámos. Entrámos, algumas mesas já estavam ocupadas, e sentámo-nos assim num restaurante de aspecto rústico e acolhedor. As entradas foram simples, umas manteigas e um queijo que era muito bom, afinal tínhamos comido há bem pouco tempo. Para prato principal quisemos experimentar mais um prato tradicional, o Bacalhau à Lurdes Capela, um prato de bacalhau em posta acompanhado com cebolada e batatas fritas às rodelas. Não vale a pena dizer que ficámos cheíssimos e nem espaço para a sobremesa houve. Também provámos a cerveja artesanal que apesar do preço aconselho a experimentar.

Depois do jantar e para queimar as calorias ingeridas fomos dar mais uma volta pela vila. Para acabar o dia, voltámos para AL Costa da Banga onde depois de estacionar o carro fomos dar uma volta pela estrada abaixo, onde ainda tivemos o prazer de ter como fundo o rio Cávado. E assim acabava mais um dia no Gerês. Bem mais calmo do que o anterior. Mas afinal os momentos mais perturbadores desta viagem ainda estavam para vir.

Paisagem em Vilar de Veiga

Pittas com halloumi e manga

Tempo de preparação: 25 minutos

6 porções

270Kcal/porção


  • 2 mangas
  • 225 gr de queijo halloumi
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 2 colheres de sopa de molho agridoce
  • 3 colheres de sopa de maionese
  • 6 pães pitta com sementes
  • 60 gr de folhas de alface

Comece por descascar as mangas e cortá-las em fatias de cerca de 1 cm de largura. Corte ta,bém o halloumi em 10 a 12 fatias de tamanho igual. Pincele o halloumi com uma colher de sopa de azeite.

Coloque um grelhador sobre lume médio e quando quente reduza o lume para médio-baixo. Coloque as fatias de halloumi e de manga no grelhador. Grelhe por cerca de 8 a 10 minutos, virando as fatias de queijo e de manga a cada dois minutos. Quando grelhados retire do lume e reserve. Salpique o pão pitta com umas gotas de água e leve ao microondas durante cerca de 30 segundos. Entretanto lave as folhas de alface e reserve.

Numa tigela junte a maionese e o molho agridoce e misture até obter um molho homogéneo.

Em cada pão pitta coloque folhas de alface, seguido pelas fatias de halloumi e manga. Por cima adicione o molho da maionese. E está pronto a servir.


Alternativas

Pode fazer esta receita com outro tipo de pão como pão fatiado ou pão kebab e com outras folhas verdes para salada como rúcula ou espinafres.

Se tiver possibilidade grelhe o halloumi e a manga numa grelha de churrasco por cerca de 6-8 minutos.

1ª Paragem no Gerês: Covide e Calcedónia

Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês


Começamos assim a nossa viagem pelo Gerês, depois de vos ter dado todos os preparativos que fizemos antes de partir (ver post anterior). Como fizemos o percurso Inglaterra -> Porto -> Gerês, já chegámos ao nosso destino perto do fim da tarde. Mas ainda antes de chegarmos à nossa primeira estadia tivemos um rápido vislumbre de como seria a nossa viagem através das aldeias e estradas no Gerês. Nada como uma paragem forçada por um rebanho de cabras para se saber que se chegou a outro mundo.

Espécie de cabras típicas da região do Gerês

Outeiro do Moinho

O local onde íamos passar a primeira noite, perto da aldeia de Covide, o Outeiro do Moinho, recebeu-nos com o melhor que o Gerês pode oferecer, a natureza. Ficámos instalados num dos quartos do rés-do-chão, mesmo em frente à piscina com as montanhas como plano de fundo. Fizemos o check-in e entrámos no quarto ‘Portela do Homem’.

Engraçado como cada quarto tinha o seu próprio nome, nome esse com um valor histórico e cultural da zona. Por exemplo, a Portela do Homem era um importante local de ligação entre Portugal e Espanha. E foi devido a esta fronteira que os moradores das Terras do Bouro foram obrigados por um contracto oneroso a serem defensores da Portela do Homem por conta própria. Os moradores desta região foram proibidos de se alistar para soldados, fazerem contribuições com as suas fazendas para a guerra, ou de as utilizar como trabalhos de fortificação ou de mantimentos durante os reinados de D. Dinis até D. João V.

A nós, no Outeiro do Moinho, o único problema foi a internet, a qual não conseguíamos aceder no nosso quarto. Problemas de primeiro mundo. Mas quando resolvemos finalmente dizer alguma coisa aos proprietários, já depois do jantar, eles trataram do problema rapidamente e eis que havia internet no quarto! O Outeiro do Moinho, um local sossegado e isolado, foi como uma abertura relaxante para o Gerês. Mais ainda porque eramos os únicos hospedados no Outeiro do Moinho nessa noite.


Restaurante Turismo

Depois de posarmos as malas, quisemos fazer o primeiro reconhecimento da área. Estávamos naquela hora que não é bem hora de jantar, mas que também já não dava para grandes aventuras. E queríamos esticar as pernas nem que fosse por um bocadinho, que as horas de viagem tinham sido longas. Como queríamos levantar dinheiro, afinal nem todos os locais no parque nacional aceitam cartão, como por exemplo o Outeiro do Moinho, onde ainda nos faltava pagar uma parte da estadia, decidimos caminhar até à vila Campo do Gerês. O Campo do Gerês e Covide são ambas as vilas mais próximas do Outeiro do Moinho, mas como o multibanco mais próximo ficava no Campo do Gerês e dava para ir a pé a escolha foi fácil. Foi um passeio rápido de cerca de 10 a 15 minutos para cada lado, mas que nos abriu o apetite e quando chegámos ao hotel foi altura de procurar onde ir jantar.

Havia algumas opções mas acabámos por escolher o restaurante Turismo, mesmo ao pé da vila de Covide. O restaurante estava bem avaliado e estava aberto. Talvez seja diferente no Verão, mas na altura em que visitámos o Gerês grande parte dos restaurantes nesta zona fechavam bastante cedo. Por exemplo, como o caso do restaurante Turismo que fechava às 9 da noite. O nome do restaurante deixou-me em dúvida se estávamos a fazer a escolha certa, mais ainda quando chegámos ao restaurante e vimos que estava vazio. No entanto no dia seguinte descobrimos que é neste restaurante que algumas tours turísticas param para almoçar e que à hora de almoço o restaurante enche. Como vínhamos para jantar, acabámos por ter o restaurante só para nós durante toda a refeição.

Para a primeira refeição, e como a esta altura a fome já estava a apertar, atacámos as entradas que incluiu chouriça assada, queijo seco e pão. Posso já dizer que estas entradas estiveram presentes em quase todos os nossos jantares.

Para prato principal, a escolha acabou por ser difícil, mas a acertada. Fomos para a alheira com ovo, batata frita e salada. Estivemos ainda indecisos no bacalhau e na posta, dois pratos tradicionais da região, mas acabámos por escolher a alheira e houve oportunidades mais que suficientes para experimentar os outros dois pratos. Acabando a refeição com o doce da casa que no Norte é um doce de natas com bocadinhos de chocolate voltámos para o Outeiro do Moinho, onde então resolvemos o problema da internet e começámos a preparar-nos para o dia seguinte. Aliás, todas as noites acabaram assim, a preparar o trilho para o dia seguinte, fazendo o download do mapa, confirmar onde deixar o carro, etc.

Alheira com ovo, batatas e salada no restaurante Turismo

Primeiro dia

Com o amanhecer do primeiro dia chegou também o primeiro trilho. Mas primeiro a refeição mais importante do dia como muitos dizem, que para nós só o é durante as férias – o pequeno-almoço.

O pequeno-almoço em si foi o que esperávamos, mas foi mais que suficiente; havia queijo, fiambre, manteiga, cereais, pão, croissants, uns folhados em miniatura, uns pastéis de nata que talvez tenha sido o menos normal, e claro café e chá. Foi o suficiente e ainda restou duas carcaças às quais juntámos queijo (o meu marido também fiambre e ananás) e embrulhámos-lhas em guardanapos para o nosso almoço. E nós nem sabíamos o bem que nos ia saber!

Pequeno-almoço no Outeiro do Moinho

PR1 – Trilho da Cidade da Calcedónia

Depois do pequeno-almoço tomado e o check-out feito, que incluiu um episódio meio estranho em a senhora que nos recebeu as chaves insistiu em perguntar várias vezes se tínhamos tirado alguma coisa do mini-frigorífico (não tínhamos!), fomos para o nosso primeiro trilho, o PR1 Trilho da Cidade da Calcedónia, que cobre uma distância de 7Km.

Placa de indicação do trilho PR1

O desafio deste trilho não é a distância, mas sim o percurso em si. Já se sabe que quando se tem de rastear, usar as mãos para subir e descer rochas, o percurso não se pode dizer fácil. Mas tínhamos sido avisados – para quem procurava aventuras no Gerês este é o trilho indicado para tal.

Tinha feito o download do percurso (imagem abaixo) que está disponível neste website: https://turismo.cm-terrasdebouro.pt/listings/pr1-trilho-da-calcedonia/ na noite anterior. Neste mapa encontra-se informação sobre pontes de interesse durante o percurso e também os significados dos símbolos usando as linhas amarela e vermelha que vão indicando o caminho correcto.

Mapa do website https://turismo.cm-terrasdebouro.pt/listings/pr1-trilho-da-calcedonia/

Até que começámos o dia bem visto que ainda nem eram 9 e meia da manhã. Estacionámos o carro ao pé do restaurante Turismo, onde começa o percurso, e assim fomos pela fresca. No início o caminho era fácil, sim era um caminho era de terra, mas isso não era nada que não esperássemos. Pouco depois de começarmos já passávamos pelo primeiro ponto de interesse, a milha XXVI (Ponto 1 no mapa acima), o também chamado de Jeirinha: Lugar das Várzeas. Esta milha faz parte de um percurso romano, tendo assim o seu próprio valor histórico. E estávamos impressionados, tínhamos feito esta parte do percurso em bom tempo. Afinal o percurso dizia que durava 4 horas, mas indo naquele ritmo devíamos acabar mais cedo. O quanto estávamos enganados! O que isso significa é que íamos encontrar uma parte do caminho onde íamos demorar imenso tempo. E não devíamos nós já saber isso?

Paisagem no trilho PR1
Paisagem no trilho PR1

E o terreno mudou, especialmente depois da barragem (a imagem no mapa acima com uma espécie de quadrado e umas ondas), onde começámos a subir. E ainda bem que viemos cedo, que mesmo aquela hora o calor já começava a apertar. O caminho não é muito difícil durante a subida até nos encontrarmos entre as rochas, mais ou menos no ponto 2 do mapa. A partir daqui o caminho começava a estreitar, tendo-se mesmo de passar pelo meio das rochas que formam túneis. A parte mais difícil deste trilho, diria eu, é num túnel onde se tem de se escalar para continuar o trilho. Não sei bem como teria conseguido subir aquilo sem uma mãozinha do marido. Mas as vistas são magníficas e estas acompanharam-nos por todo o caminho. Agora uma coisa é certa, não pensem que descer é melhor que subir.

A expressão ‘todos os santos ajudam’ não significa que é mais fácil descer, significa é que todos têm de dar uma mão para não se escorregar e cair. Claro que foi na descida que mais se teve de dar uso às mãos para não cair, ter cuidado onde meter os pés para não escorregar e até rastejar para descer as pedras com mais segurança.

Nem parece que viemos de férias não é verdade? Mas fizemos os 7Km em cerca de 3 horas e meia. Ainda antes de chegar ao carro tivemos tempo para tirar a minha primeira foto aos espigueiros que são casinhas engraçadas muito típicas da zona e que servem para secar cereais (imagem abaixo).

Canastro ou Espigueiro

Sei eu isto agora que na altura não sabia e já tínhamos várias teorias sobre a sua funcionalidade. Teorias essas que incluía uma em que estas casinhas eram na verdade galinheiros e estavam altos para os lobos não chegarem às galinhas. Vá pronto, confesso, essa era a MINHA teoria. Mas agora já sei para que servem e que se chamam espigueiros ou canastros, sendo que o nome depende da zona da região onde se esteja.


PR5 – Trilho da Águia do Sarilhão

Depois de fazer o trilho PR1, que não tinha sido nada fácil, o que devíamos ter feito? Escolhido uma outra actividade, descansar um bocado, ir a banhos, mas claro que não. O que fomos fazer foi outro trilho, o PR5 – Trilho da Águia do Sarilhão, um trilho de 9Km que pensámos ser fácil – mas que de fácil afinal não tinha nada.

De toda a viagem provavelmente este é o trilho que não repetiria. Talvez tivesse outra opinião se o tivesse feito noutro dia, ou neste dia, mas só este trilho. Não me interpretem mal, o trilho é bonito, entram pela floresta adentro acompanhados em algumas partes pelo Rio Homem, mas sem nunca chegarem à sua margem, e conseguem mesmo ver a Barragem de Vilarinho de Furnas em alguns dos trechos. Mas apesar de tudo não sei se valeu a pena, o terreno em algumas zonas era difícil de percorrer, mas o pior foi estarmos sempre a subir e a descer como podem verificar no mapa abaixo.

Mapa do website: https://turismo.cm-terrasdebouro.pt/listings/pr5-trilho-da-aguia-do-sarilhao

Talvez tenha sido pior porque estávamos convencidos que encontraríamos fontes ao percorrer estes trilhos, mas nem no da Calcedónia nem neste encontrámos onde encher as garrafas e nos últimos quilómetros já estávamos a poupar na água, o que como sabem, principalmente aqueles que fazem trilhos regularmente, não é uma situação onde nos queiramos encontrar. E aprendemos com esta experiência, nos dias seguintes em vez de 1 garrafa de 1.5L por pessoa, levamos quase o dobro.

Claro que no final fizemos o trilho todo (que remédio!) e ainda houve tempo e paciência para tirar algumas fotografias pelo caminho. Quando chegámos ao final, já ao pé do Museu Etnográfico de Campo do Gerês, íamos cegos à procura de água. Quando estacionámos o carro tínhamos reparado que à frente havia um parque das merendas, mas infelizmente das torneiras não corriam água. Seguimos em frente entrando pelo Núcleo Museológico do Campo do Gerês onde encontrámos um café, o café Desafios, onde perguntámos se podíamos encher as nossas garrafas. Abençoadas mulheres! Deram-nos duas garrafas de água de graça que tinham enchido na vila! Disseram-nos que as garrafas não estavam lacradas, mas que eram delas que elas todas bebiam durante o dia.

Não é preciso dizer que matámos a sede logo que pudemos e como também precisávamos de descansar e comer, sentámo-nos nas mesas de pedra no parque das merendas, onde não só a água como a sandes feita ao pequeno-almoço nos alegrou o espírito, que estava a precisar de ressuscitação depois de percorrer dois trilhos. Nada como exagerar logo no primeiro dia!

Parque das merendas

Miradouro da Boneca

Nessa noite, a nossa estadia era no hotel Adelaide na Vila do Gerês, a vila principal e mais movimentada do parque nacional. Pensámos em ir parando nos vários miradouros pelo caminho de Covide até à Vila do Gerês. Mas ao contrário do que pensávamos também para chegar aos miradouros era preciso andar! A primeira tentativa foi o Miradouro da Junceda, mas quando vimos que se tinha de andar 3Km para cada lado decidimos deixar para outro dia. Nunca cá voltámos (e já explico porquê). Mas este miradouro talvez seja possível visitar de carro, se tiverem um carro alto que consiga passar facilmente por estradas de terra, o que não era o nosso caso. Assim fomos em seguida para o Miradouro da Boneca, e acabámos por o visitar uma vez que do local onde estacionámos o carro, ao pé da fonte de Lamas, até ao miradouro era 1.7Km (para cada lado).

Fomos pelo caminho que segue até ao miradouro e apesar de ser um caminho de terra era de fácil caminhada. A vista que se tem do miradouro a uma altura de 750 metros tinha valido a pena o esforço extra, mas o corpo a esta altura já só pedia descanso. Começámos o caminho de volta para o nosso carro quando encontrámos um boi parado no meio da estrada. Foi aqui que realmente começou as nossas aventuras com os animais durante esta viagem. O boi não saia do meio da estrada, os cornos eram pontiagudos e sem saber o que fazer saímos do caminho e fizemos um desvio pelo meio do mato. Com o boi sempre a seguir-nos com o olhar.

O nosso primeiro encontro com a fauna bovina no Gerês

Mal sabíamos nós que este encontro tinha sido o mais ‘manso’ de todos daqueles que viríamos a ter. Chegámos ao carro e seguimos para a vila do Gerês. Passar pela estrada que liga este miradouro à Vila do Gerês é em si uma experiência; curvas muito apertadas numa estrada que mal dá para um carro (mas que é dos dois sentidos) levou-nos a tomar a decisão quando estacionámos no hotel de que se não tínhamos feito os miradouros também já não os faríamos. A evitar aquela estrada a todo o custo.

Sobre o hotel Adelaide, a deliciosa refeição que aqui tivemos e o que se seguiu será contado no próximo post. Afinal depois de voltar a reviver este dia, volto a precisar de uns segundos de descanso.

Guisado de salsicha vegetariana, batata doce e lentilhas

Tempo de preparação: 40 minutos

4 porções

450 Kcal/porção


  • 1 colher de sopa de azeite
  • 8 salsichas vegetarianas
  • 1 cebola picada
  • 500mL de água
  • 1 cubo de Knorr de vegetais
  • 1 lata de tomates picados
  • 1 lata de lentilhas verdes
  • 500 gr de batata doce cortada aos cubinhos
  • 6 colheres de sopa de polpa de tomate
  • 2 colheres de sopa de molho barbecue com mel
  • Sal, alho em pó, pimenta preta e ervas aromáticas picadas q.b.

Numa air fryer cozinhe as salsichas durante 18 minutes a 180ºC.

Numa panela, aqueça o azeite e refogue a cebola por cerca de 5 minutos. Junte as lentilhas, a batata doce, os tomates, a polpa de tomate, o cubo de knorr e a água. Tempere de sal, alho em pó e pimenta preta. Mexa e cozer a lume médio. Quando começar a ferver, baixe o lume, e deixe cozinhar por cerca de 15 minutos deixando a panela destapada. Mexa ocasionalmente.

Entretanto, corte as salsichas em rodelas grossas. Passados os 15 minutos, junte as salsichas ao preparado de vegetais com o tomate, adicione o molho barbecue e as ervas aromáticas. Retifique os temperos. Cozinhe por 5 minutos. E está pronto a servir.

Se quiser pode servir este guisado acompanhado com arroz branco simples.


Outras opções

  • Se não tiver air fryer, leve as salsichas ao forno durante o mesmo tempo (18 minutos) a 200ºC ou de acordo com as instruções do pacote.

Dicas práticas para visitar o Parque Nacional Peneda-Gerês

Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês


Já há muito tempo que queria visitar este parque nacional no norte de Portugal que ultrapassa a fronteira e entra por Espanha adentro tornando-se do lado de lá na Serra do Xurés. Parece até que já é outro parque, outra floresta, mas mesmo com um diferente nome, a floresta é a mesma. É a natureza a mostrar que as fronteiras erguidas pelos homens nada lhe interessam. Tinha algumas expectativas para esta viagem, afinal todos os que já lá foram garantiram-me que aquilo era realmente bonito. Nem sei porque as pessoas vão para fora quando têm algo assim mesmo no país delas! Cheguei eu a ouvir.

Ponte da Misarela

Por isso sim, tinha expectativas, mas mesmo com tantas seguranças dadas não tinha criado sonhos à volta desta viagem. Por vezes a antecipação é a melhor parte onde idealizamos e criamos expectativas, pois quando já estamos na viagem o tempo passa a correr, e mesmo que o tentemos agarrar, quando nos damos conta a viagem já acabou e o que nos fica são as memórias.

Pitões das Júnias

Fomos passar uma semana no Gerês e aproveitar para percorrer as várias partes do parque nacional. Não o percorremos todo, afinal tem cerca de 69,594 hectares ou seja, mais ou menos 695Km2. Mas conseguimos percorrer uma boa parte dele. No mapa abaixo está marcado as paragens onde dormimos e entre elas íamos parando pelo caminho para fazer os diversos trilhos que tínhamos escolhidos. Dos muitos que existem pelo Gerês. Como podem ver na imagem abaixo não visitámos a parte mais a Oeste do parque, algo que ficará para outra altura. Mas mesmo assim vimos imenso, foram 7 dias entre o incrível, o delicioso e o perigoso. E saio do Gerês a dizer que aquilo é bonito, sim senhor, mas não é feito para todos. Ainda estou para perceber se ele foi feito para nós ou melhor se nós fomos feitos para ele.

Percurso que fizemos entre as várias acomodações. Não está incluído os percursos onde conduzimos para os trilhos e locais que visitámos.

Das experiências que passámos, muitas das quais nunca pensei passar, vou falar ao longo dos próximos posts. No final fizemos 100Km a pé, muitos mais de carro, e aprendemos a respeitar a natureza em especial os animais. No final da viagem perceberão as minhas palavras.

Mas vamos aos factos práticos, os de preparação para a viagem assim como a forma como chegámos e nos deslocámos no Gerês.


Como chegar e cuidados a ter nas estradas no Gerês

1º – Avião ou comboio

Tanto se estiverem a vir do estrangeiro como de dentro de Portugal, a menos que vivam nas redondezas, têm duas opções sendo que a melhor vai depender do ponto de partida.

  • Como vivemos em Inglaterra, para nós o mais fácil e barato foi apanhar o avião para o Porto a partir de London Stanstead, um voo de cerca de 2 horas e 20 pela companhia Ryanair. Este foi o voo mais barato e era mais barato voar para o Porto do que para Lisboa, o que tanto foi melhor já que aterrar em Lisboa nos deixaria bastante mais longe do Gerês.
  • No entanto, se quiserem partir de Lisboa ou de uma parte mais a sul do país e não queiram apanhar o avião, podem apanhar o comboio que faz a travessia Lisboa-Porto várias vezes por dia. O meu conselho é que apanhem ou o comboio intercidades ou o alfa pendular. Não apanhem o regional senão demoram horas até chegar ao vosso destino! (CP comboios: https://www.cp.pt/passageiros/pt).
  • Claro que também poderão ir de carro do vosso ponto de partida e não apanhar transportes públicos, mas provavelmente a viagem ficará muito mais cara e mais cansativa. Porque depois de chegarem ao Gerês é que a prova de condução começa.

2º- Alugar um carro

Para irmos do Porto para o Gerês alugámos um carro. E convém terem um carro devido não só à sua conveniência, mas também porque não creio que os transportes públicos dentro do Gerês sejam uma opção. Desta vez alugámos o nosso carro, depois de muita ponderação, com a Europcar, pois já eramos seus clientes. Como voámos para o aeroporto do Porto foi na loja do aeroporto onde fomos buscar o carro. A maior parte das reviews, não só desta companhia de aluguer de carros, mas da maioria senão de todas, são sempre as mesmas sendo elas à volta do facto da pessoa que os atendeu tentar vender mais uns quantos seguros e mais isto e aquilo assim como no final, quando entregaram o carro, os clientes foram obrigados a pagar por estragos que já lá estavam, ou acusados incorretamente de terem causado danos nos carros. Por isso já íamos preparados.

O nosso carro da viagem

Primeiro foi o empregado a dizer-nos ou melhor a aconselha-nos um carro maior (ou seja, mais caro) porque se íamos para o Gerês o nosso carro era muito pequeno e baixo, se não queríamos um mais alto, maior, mais aconselhado para o tipo de estradas que existem no Gerês. Digam que não! Porque no final foi por termos um carro tão pequeno (Fiat 500) que não ficámos presos ou entalados em algumas das ruas dentro das aldeias do Gerês. E tirámos muitas fotografias ao carro quando este nos foi entregue, tantas que achámos que a pessoa que estava a ‘rever’ o carro antes de nos entregar não se esqueceu de marcar nenhum dano por mais insignificante no papel. O aluguer do carro ficou-nos a cerca de 100 euros pelos 7 dias com um depósito de 350 euros que nos foi devolvido depois de devolver o carro. Atenção quando alugam o carro, o valor pode ser bem menor que os 100 euros, mas confirmem o quanto pedem de depósito, nós chegámos a ver companhias a pedir 50 euros ou menos pelo aluguer, mas a requerer um depósito de 900 euros. Para chegar ao Gerês a partir do Porto é preciso conduzir por cerca de 1 hora e meia e atenção que passam por autoestradas com portagem.

Conduzir no Gerês

Conduzir no Gerês é uma completa aventura, não só há curvas e contracurvas a seguir umas às outras na maior parte das estradas para chegar ao ponto B a partir do ponto A, como as estradas são estreitas e mal dá para passar dois carros (às vezes dá mal até para passar um carro), como as pessoas conduzem no meio da estrada. Se não se sentirem confortáveis em conduzir, ou não tiverem muita experiência, talvez faça algum sentido pensarem em adquirir um seguro que vos permita ir mais descansados para o caso de haver algum azar. Por acaso na altura em que fomos, meio a finais de maio, não havia muitas pessoas nas estradas, talvez porque as férias dos miúdos ainda não tinham começado, mas imagino que em julho e agosto haja bastante mais movimento. Até porque mesmo nesta altura conseguimos ver a diferença entre o fim-de-semana e os dias de semana.

Um exemplo dos muitos obstáculos encontrados nas estradas do Gerês

Outro ponto importante a ter em conta são os postos de gasolina. Dentro do Gerês não há muitas opções, por isso não deixem o carro chegar à reserva para depois começarem a procurar de uma opção. Tenham antes já um plano delineado. Por exemplo nós escolhemos uma tarde com menos coisas planeadas para irmos até à cidade de Montalegre e assim meter gasóleo e também repôr os níveis de bebida e comida.


Locais para dormir

No final dormimos em 6 locais diferentes, repetimos o hotel Adelaide na Vila do Gerês, uma noite na ida e depois uma noite na volta. E posso-vos dizer que todos onde ficámos foram bons locais, uns mais por umas razões outros por outras, mas não houve nenhum local que não tenha sido bom. Fizemos as nossas marcações através do site Booking.com com cerca de 2 meses de antecedência. Outra vez faço menção que não havia muitos turistas na altura em que fomos, aliás acho que na maior parte dos locais em que estivemos só nós estávamos hospedados para aquela noite, mas em alturas mais procuradas é capaz de ser mais complicado arranjarem bons lugares a bons preços.

Nós pagámos diferentes preços em cada local, mas tentámos ficar por volta dos 50 euros por noite. O mais caro foi cerca de 80 euros, mas não havia grande escolha na zona onde queríamos ficar (Fafião), e para dizer a verdade não foi dinheiro mal gasto já que no final foi um dos meus locais favoritos. Como sempre, tentámos ficar em locais com pequeno-almoço incluído e só em Pitões das Júnias (Casa d’Campo Ferreira) é que não tivemos pequeno-almoço, o que foi facilmente resolvidos já que foi no dia anterior que fomos até Montalegre meter gasóleo no carro.

Vou falar de cada local com mais detalhe à medida que for falando da viagem, mas para já fica a lista dos locais onde ficámos hospedados durante a nossa viagem ao Gerês.

Local onde ficámos (ponto no mapa acima)Website
Outeiro do moinho (A)https://www.outeirodomoinho.com/
Hotel Adelaide (B) https://adelaidehotel.pt/
AL Costa da Banga (C)https://sites.google.com/view/al-costa-da-banga/inicio
Guest House Fojo dos Lobos (D)https://www.fojodoslobos.pt/
Hotel Bela Vista do Gerês (E)https://www.vistabela.com/
Casa d’Campo Ferreira (F)https://www.booking.com/hotel/pt/casa-d-campo-ferreira.pt-pt.html
Hotel Adelaide (o mesmo do ponto B)https://adelaidehotel.pt/
Lista dos locais onde ficámos hospedados no Gerês

Trilhos

Preparação é tudo

O que têm de colocar na mala vai depender da altura do ano em que visitam o Gerês; se forem no Inverno, para a neve, o tipo de roupa que têm de levar é bastante diferente da que nós trouxemos. Penso, no entanto, que a altura em fomos vá de encontro com a maioria das pessoas que visita o Gerês, ou seja durante a altura de calor. Para quem vai fazer caminhadas e mesmo para quem não vai, mesmo quem queira só ir aos miradouros vai ter de andar, por isso levem uma mochila convosco com água (MUITA ÁGUA- nós levávamos cerca de 4,5L para os dois), snacks, lenços, telemóvel com GPS, protetor solar e claro um fato de banho e chinelos. Porque afinal vão ter oportunidade de nadar em vários, senão em todos, os trilhos. No entanto, a água está bem fria! Aconselho e não posso destacar isto o mais possível, a levarem calçado confortável para além da roupa, claro. Mas o calçado é indispensável, vão andar muitos quilómetros, o piso não é liso, nem nivelado, nem fácil de percorrer. Este é o maior conselho que posso dar a alguém que vá ao Gerês: Água e calçado confortável e já têm 90% chances de aquele ser um bom dia.

Trilho das 7 Lagoas

Trilhos no Gerês

O que há mais são trilhos no Gerês, o que é difícil é escolher os quais. Há trilhos com vários níveis de dificuldade, e tenho a dizer que mesmo os de nível fácil, não são assim tão fáceis. Mas talvez porque percorremos esses no meio da viagem quando os músculos doíam e os pés queixavam-se. No final da viagem o corpo já estava habituado, não havia dores que nos parasse! A maior parte dos trilhos no Gerês estão muito bem sinalizados, que poderá tornar a forma de placas a indicar a direção ou mais frequentemente com as linhas horizontais de cores amarela e vermelha a indicar que estão a percorrer o caminho certo (se for o trilho em amarelo e vermelho que estejam a percorrer). Passo a explicar, as marcas amarelas e vermelhas indicam trilhos PR, ou seja, Pequenas Rotas, sendo que cada PR é numerado. Por exemplo o PR1, o nosso primeiro trilho feito no Gerês, é o trilho da Calcedónia. Por outro lado, se virem marcas vermelhas e brancas, estas referem-se ao longo trilho os chamados GR (Grande Rota) sendo que no Gerês este é numerado como GR50 – Grande Rota Peneda-Gerês, que percorre uma distância total de 190Km com 19 paragens. Foi engraçado irmos encontrando os vários pontos deste trilho (GR50) ao longo do nosso percurso, apesar de o termos feito na sua maioria de carro. No entanto, acabámos por andar mais que 100Km, que mesmo assim, acreditem, não foi coisa pouca para nós. Em alguns dos trilhos também havia placas a marcar pontes de interesse como calçadas romanas ou abrigos de pastores.

Ajuda para os trilhos

Alguns dos trilhos que fizemos não se encontram tão bem assinalados. Para este usámos dois websites onde fizemos o download dos trilhos (na noite anterior) e deram-nos imenso jeito, para além que dão uma maior segurança do caminho que estávamos a percorrer. Os dois websites que usámos foram:

E assim estão aqui os preparativos da nossa aventura para o Gerês, da qual vou escrever durante as próximas semanas. O Gerês é realmente um local lindíssimo, onde se come muito bem, mas também muito desafiador. Mas os detalhes ficam para os próximos capítulos.

Massa com espinafres e mozzarella

Tempo de preparação – 20 minutos

4 porções

550Kcal/Porção


  • 300gr de espinafres
  • 15gr de folhas de manjericão
  • 100gr de queijo com alho e ervas aromáticas para barrar
  • 500gr de massa
  • 225gr de mozzarella fresca
  • 10gr de nozes descascadas
  • 2 colheres de sopa de sumo de limão
  • Sal, alho em pó e pimenta preta q.b.

Numa panela aqueça água temperada de sal. Quando a água estiver a ferver junte a massa e deixe cozer entre 8 a 10 minutos até a massa estar cozida. Escorra a massa e reserve.

Entretanto aqueça água numa panela e quando quente junte os espinafres. Deixe-os cozer por cerca de 3 minutos a lume alto. Passado este tempo escorra os espinafres e coloque-os num recipiente de plástico. Aos espinafres junte o queijo de barrar, as folhas de manjericão picadas, deixando algumas folhinhas para decoração, e tempere de sal e alho em pó.

Com a ajuda de uma varinha mágica junte todos os ingredientes até formar um creme homogéneo. Junte o creme à massa e misture bem.

Em 4 pratos distribua a massa, e por cima decore cada prato com miolo de noz picada, mozzarella cortada aos pedacinhos e meia colher de sopa de sumo de limão. Polvilhe cada prato com pimenta preta a gosto e decore com folhinhas de manjericão. Está pronto a servir.