Lisboa oferece opções para todos os gostos, seja passear para natureza, pela cidade ou junto ao mar. No último post falei de como passar um fim-de-semana em Sintra e nada melhor do que acabar esse mesmo fim-de-semana a descer pela costa portuguesa. Vou começar pelo Cabo da Roca descendo junto ao mar até Lisboa.
Ainda há bem pouco tempo havia um autocarro da empresa Scotturb que fazia a rota desde Sintra ao Cabo da Roca e a Cascais. Infelizmente o serviço do autocarro 403 encerrou permanentemente. Sendo assim a melhor opção talvez seja alugar um carro para terem alguma flexibilidade e também maior conforto. No entanto, há outros autocarros como o 1253 e o 1624 que vos leva do centro de Sintra ao Cabo da Roca. O autocarro 1624 vai também a Cascais, mas não passa junto à costa. No entanto, para quem não conduz ou não o deseja fazer há formas de deslocação usando transportes públicos. Todos os sítios mencionados neste post já foram visitados, alguns até bem mais do que uma vez e em diferentes alturas do ano. No entanto, poderão verificar que não interessa quando se vai que a paisagem é simplesmente sublime.
Cabo da Roca
O Cabo da Roca é o ponto mais ocidental do continente europeu. Se viajarem a partir de Lisboa demora-se cerca de 45 minutos de carro a chegar aqui. O Cabo da Roca fica a 150 metros acima do nível do mar e tem uma vista panorâmica sobre a serra de Sintra e a costa. O mar, o céu e as rochas formam um cenário fantástico. Já tive oportunidade de visitar o Cabo da Roca em diferentes estações do ano e não interessa quando se vai, desde que se tenha oportunidade de visitar este posto importante de Portugal.
Praia do Guincho
Eu vou mencionar esta praia porque é a mais conhecida, mas descendo pela costa existem imensos sítios e praias para parar e tanto se pode decidir andar pelo areal, pelos passadiços ou aventurar-se pela água adentro. Tenham atenção ao estado do mar, uma vez que a maré no Guincho é por vezes enganadora e/ou demasiado forte especialmente para quem não esta habituado a nadar no mar com ondulação forte. As ondas enormes faz da praia do Guincho uma das escolhidas por muitos surfistas.
Boca do Inferno
Mesmo à entrada de Cascais encontramos a chamada Boca do Inferno. A Boca do Inverno apresenta duas formações rochosas, um arco e uma falésia resultantes da erosão da rocha pela força do oceano Atlântico. A Boca do Inferno era originalmente uma cave marinha que com a erosão marítima desabou deixando para trás as formações rochosas presentes no dia de hoje. O dramático nome foi-lhe dado pelo som que se ouve durante violentas tempestades onde a água explode de uma forma semelhante à lava num vulcão em erupção.
O passeio entre a Boca do Inferno e a marina de Cascais é ideal para aqueles fins de tarde dourados e relaxantes.
Passeio Marítimo de Oeiras
Passear junto ao mar, atirar-se de cabeça para as ondas ou aproveitar a piscina oceânica de Oeiras. Tudo isto pode ser feito enquanto se passeia pelas várias praias que completam a linha de Cascais desde a praia da Torre, Carcavelos, Praia de Tamariz ou Praia da Rainha. Os passadiços que seguem juntam à costa são ótimos para quem adora correr, passear e apanhar aquele ar com aquele cheiro maravilhoso a mar. As praias aqui são bem menos perigosas do que no Guincho uma vez que o mar é bastante mais calmo. Mas por exemplo na praia de Tamariz, ao pé do casino do Estoril, a água é muita fria. Mas quase sem ondas. Carcavelos é talvez a praia mais movimentada por ser também uma das mais acessíveis em termos de transportes públicos/parque de estacionamento.
Capricciosa Carcavelos
E já que estão ao pé da praia de Carcavelos nada melhor do que almoçar ou jantar com vista para o mar. A nossa escolha é a Capricciosa Carcavelos, um restaurante italiano fantástico. Podem escolher entre saladas, pizzas, massas ou apenas pelos doces. Nós viemos aqui uma vez só para comer os crepes com gelado. Ficámos na esplanada e apesar de ser na altura Março estava um dia bonito daqueles onde o Verão começa a espreitar. Capricciosa é uma ótima opção para comer bem e ter uma vista espetacular.
Mercado de Algés
Outra opção para jantar principalmente para aqueles que fazem o trajeto Cabo da Roca –> Lisboa é o Mercado de Algés. Este é um local bastante descontraído com mesas de madeira longas corridas e à volta encontram-se vários restaurantes onde podem escolher o que mais apetecer no dia. Desde cozinha italiana, portuguesa à asiática há opções para todos os gostos e bolsos.
Aquario Vasco da Gama
Se quiserem experimentar os dois restaurantes acima mencionados poderão sempre fazer a caminhada junto à praia ou podem visitar oAquário Vasco da Gama. Ou fazer as duas coisas para queimar as calorias. Este aquário pertence à marinha portuguesa e faz conjunto com o museu da Marinha e o Planetário ambos em Belém (novo post em Belém a ser publicado brevemente). Os três locais fazem parte da Comissão Cultural da Marinha e todos eles são locais que devem ser visitados. Hoje falo do Aquário Vasco da Gama onde podem ser encontradas espécimes animais e vegetais de água doce, salgada, salobra de ambos os Hemisférios, Norte e Sul. No lugar de destaque deste aquário fica a fauna da costa portuguesa. A costa marítima portuguesa, banhada pelo Oceano Atlântico situa-se na ponta ocidental da Europa e pela sua localização geográfica abriga espécies típicas da fauna atlântica e mediterrânea. Temos também os dois arquipélagos, a Madeira e os Açores com características geográficas bem diferentes de Portugal continental, com características subtropicais. Vários exemplos dessas espécies podem ser visitados no Aquário Vasco da Gama. Ainda aqui há a possibilidade de interagir virtualmente com o oceano e “mergulhar” nas profundezas do mar através de um ecrã gigante “Janela para o Oceano”.
Assim deixo-vos em Cascais uma zona muito conhecida por ser uma zona descontraída, bonita e também muito cara. No entanto, é uma zona maravilhosa para passear quer sejam ou não turistas. No próximo post vou fazer um update ao post que já foi publicado anteriormente, focado em Belém, antes de nos embrenharmos finalmente em Lisboa e mais tarde um post sobre viagens de um dia a sítios “menos conhecidos” perto de Lisboa. Porque está na altura de começar a pensar onde vamos marcar as ferias para o Verão de 2023!
A quem visita Lisboa eu sempre recomendo sempre tirarem um dia (pelo menos) para visitarem Sintra. Eu até diria que Sintra merece para aí uns 3 dias para se puder ver tudo ao pormenor, mas qualquer que seja o tempo passado nesta vila é certamente tempo bem passado.
Do centro de Lisboa a Sintra a viagem fica a cerca de 1 hora. O mais fácil é apanhar o comboio da CP para Sintra que parte várias vezes durante o dia do Rossio. Será mais tempo em dias de greve que visto estarmos a falar de Portugal é sempre um bom costume verificar. A estação de comboios em Sintra fica a cerca de 5-10 minutos do centro da vila e desde o momento em que saímos do comboio percebemos o porquê de Sintra ser tão aclamado. A casa amarela de estilo castelo levanta a ponta do véu do que Sintra tem para oferecer (fotografia em baixo à esquerda).
Se podem vir de carro? Podem, mas apenas se tiverem paciência e alguma teimosia. A maior parte da cidade está interdita à circulação de carros, não contando com os milhares de pessoas que acham que andar a passo lento no meio da estrada é de bom gosto. Depois também há aqueles ruazinhas que se forem de duas direções é para os tempos em que o que circulava eram carroças e dois burros. Ou quatro, dependendo de quem ia em cima das carroças.
O meu conselho é – se vierem para visitar a vila e a floresta venham de transportes. Se quiserem apenas visitar algo em particular que não tenha de passar pelo centro da Sintra podem trazer o carro. A última vez que estive em Sintra deslocamo-nos de comboio e depois com a ajuda de um Uber. Foi uma viagem muita mais fácil de fazer do que quando se veio de carro em vezes anteriores.
Padaria Saloia
Agora chegam a Sintra e o que têm de fazer? Eu diria que tomar o pequeno-almoço na Padaria Saloia – o pão de queijo e fiambre feito na hora é de morrer e chorar por mais, mas para mim nada bate o pão com farinheira. Para alguns pode ser uma escolha inadequada para o pequeno-almoço mas que põe um sorriso na cara, ai isso podem crer. Ainda antes de lambuça fomos ao posto de turismo a cerca de 5 minutos, ou talvez menos, da estação de comboios onde comprámos os bilhetes para o que queríamos visitar nesse dia. A escolha é difícil entre o Palácio Nacional de Sintra, o Palácio da Pena, o Palácio de Monserrate e a Quinta da Regaleira. Falarei de todos porque felizmente já tive oportunidade de visitá-los alguns até mais do que uma vez.
Palácio Nacional
E comecemos pelo Palácio Nacional de Sintra, mesmo no coração da cidade, também conhecido como Palácio da Vila. Há uma maneira muito fácil de reconhecer este palácio, pelas suas duas grandes chaminés.
Apesar de se desconhecer a data certa de quando foi construído o primeiro edifício deste palácio, pensa-se que foi por volta do século X ou XI, quando Sintra pertencia ao domínio islâmico. Sendo Sintra uma zona de muita caça e com um clima mais fresco do que a capital, este era um local de eleição de monarcas portugueses. A visita acaba num pequeno jardim e em frente têm uma maravilhosa vista para o castelo dos Mouros, outro ponto importante na cidade que falarei mais a frente.
Piriquita
Estando no centro de Sintra depois da visita ao Palácio era altura de recarregar energias e nada melhor que a Piriquita. Numa estrada apertada eis que encontram este pequeno paraíso da doçaria portuguesa. Entre várias escolhas como as queijadas e pastéis de Sintra às nozes douradas tudo enche o olho. Os doces mais tradicionais neste local são os travesseiros de Sintra e foi isso que escolhemos – massa folhada polvilhada com açúcar, uma fantástica delícia ali no meio de uma vila repleta de história e beleza.
A Piriquita é talvez a padaria mais conhecida da vila fundada em 1862. O nome da padaria veio da alcunha atribuída ao reio D. Carlos I devido à sua baixa estatura. Este rei era um grande apreciador de queijadas que se tornaram um sucesso imediato da padaria. O travesseiro de Sintra foi criado na década de 40 e tal como nós, muitos são os fãs do doce de ovos envolto numa massa folhada polvilhada de açúcar. É impossível resistir.
Quinta da Regaleira
Antes de nos aventurarmos por dentro da Serra de Sintra existe outro local cheio de simbolismo, aQuinta da Regaleira. Já visitei este local duas vezes e não me parece que vá ficar por aqui. António Augusto de Carvalho Monteiro, também conhecido por “Monteiro dos Milhões”, foi quem mandou construir esta quinta cuja construção teve início em 1904 até 1910. Nesta quinta estão espelhados os interesses culturais, filosóficos e científicos do proprietário milionário. O simbolismo e esotérica da Quinta da Regaleira ainda esconde mistérios que muitos tentam descobrir, adivinhar ou idealizar.
O palácio em si é o edifício mais imponente da quinta, mas há outros pontos interessantes como a torre, a capela da Santíssima Trindade, o patamar dos deus e talvez o mais conhecido e falado, o poço iniciático. A escadaria leva a 9 andares que se acredita fazer alusão ao 9 círculos do Inferno referenciado na obra da “Divina Comédia” de Dante. Também pensa-se que neste poço aconteciam rituais de iniciação à maçonaria, o que deu o nome ao poço. Pouco interessa se visitam a quinta para descobrir símbolos, encontrar pistas ou simplesmente para visitar um local de beleza imensa. Uma coisa é certa, a Quinta da Regaleira nunca pode ser deixada de lado para quem tem a sorte de se encontrar em Sintra.
Dentro da Mata de Sintra
Depois de meio-dia feito nesta maravilhosa vila, eis que nos embrenhámos na serra e “fugimos” ao centro da vila. Primeiro fomos até ao Palácio de Monserrate. Há várias maneiras de ir lá ter a partir do centro de Sintra – podem ir a pé que foi o que fizemos no regresso do palácio ao centro de Sintra, podem apanhar um Uber que foi a nossa escolha ou então podem aproveitar os autocarros turísticos que fazem o percurso entre as várias zonas da serra de Sintra. Existem dois autocarros o 435 e o 434. O 434 faz o percurso até ao Palácio da Pena. O percurso começa na estação de comboios e pára em vários pontos como o Castelo dos Mouros, Palácio da Pena, centro da vila e de volta à estação. Este é chamado “Percurso da Pena”. O 435 chama-se “Vila Express 4 Palácios”. O percurso também começa na estação de comboios de Sintra e passa pelo centro da vila, Quinta da Regaleira, Palácio de Seteais que hoje é um hotel e o Palácio de Monserrate. Tal como o autocarro 434 este faz a volta até à estação de comboios. O preço de cada bilhete de autocarro fica a cerca de 8 euros para o 434 e 6 para o 435. Mais barato ficará se juntarem o passe diário comboios CP e autocarros da Scotturb por 16 euros que inclui todos os circuitos da companhia. Qualquer que seja o percurso que escolham podem sair e entrar as vezes que quiserem nas paragens incluídas no vosso itinerário escolhido. Usar este serviço foi a nossa primeira opção, apenas alterado pela fila enorme de pessoas que esperavam por estes autocarros na paragem da vila. Desistimos logo e escolhemos um Uber, até porque ficou bem mais barato uma vez que pagamos menos de 10 euros por 3 pessoas até ao Palácio de Monserrate. Mas se quiserem visitar vários sítios fora do centro de Sintra no mesmo dia, talvez os autocarros não sejam uma ma opção. Eu deixo aqui o link para vossa consideração: https://scotturb.com/pt/.
Palácio de Monserrate
Já há bastante tempo que queria visitar este palácio de arquitetura magnífica. A história do palácio começa em 1540 quando o Frei Gaspar Preto mandou construir uma ermida dedicada à Nossa Senhora de Monserrate. A sua construção foi baseada no mosteiro de Montserrat na Catalunha. Desde o seculo XVII até 1846, o palácio e jardins envolventes passaram por diversos donos e vários anos de abandono. Mas mesmo em abandono muitos estrangeiros eram atraídos pela magnífica arquitetura do edifício. Em 1846 Francis Cook um comerciante e colecionador de arte inglês tornou-se dono da Quinta de Monserrate e torna-se o primeiro Visconde de Monserrate. E foi assim que nasceu o edifício que podemos hoje visitar, um edifício cheio de influências góticas, indianas e mouriscas.
Os jardins também tiveram uma transformação enorme onde espécies de várias partes do mundo foram trazidas para aqui e organizadas por áreas geográficas. Passear pelos vários jardins e pelo palácio com as suas diversas salas como a sala da música e pelos corredores com os seus muitos rendilhados é uma das melhores experiências que se pode aproveitar em Sintra.
Queijadas da Sapa
A meio da tarde nada como ir até ao Palácio da Pena. Se estiverem a passear em Sintra através da rota de autocarros Scotturb, recomendo que façam uma pequena paragem no centro da vila para comer uma Queijadas da Sapa. Este lugar reclama ser a origem das queijadas, criando este maravilhoso pastel desde 1756. As queijadas deliciosas e estaladiças fazem um pequeno lanche perfeito para quem está “entre palácios”.
Se tiverem no meio de Sintra num daqueles dias abrasadores nada como ir aos Gelados de Portugal onde podem escolher sabores tradicionais portugueses como ovos moles de Aveiro, Pastel de Nata e Bolacha Maria. O difícil é escolher.
Castelo dos Mouros
Do centro da vila até ao Palácio da Pena e Castelo do Mouros é possível aventurarem-se por entre o bosque da serra. Se estiverem com tempo ou melhor ainda se estiverem a dedicar um fim-de-semana inteiro a Sintra, subir a serra é algo que recomendo imenso. Fi-lo várias vezes e não vale a pena pôr paninhos quentes – custa mas vale a pena. E podem sempre ir fazendo intervalos pelo caminho, aproveitando também para tirar fotografias à paisagem que se estende até ao mar. O Castelo dos Mourosergue-se em cima da encosta que tal como o nome indica foi construído pelos Mouros no século X. É bastante bonito passear por esta fortificação e explorar os vários caminhos à volta do castelo.
Palácio da Pena
E chegamos aoPalácio da Pena– a joia de Sintra – o colorido palácio que também ele esconde simbolismos, mistérios e beleza dentro de si. Este maravilhoso palácio foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e desde 1995 como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Desde 2013 o Palácio da Pena faz parte da Rede de Residências Reais Europeias e em 2020 começa a fazer parte da “Rota Europeia de Jardins Históricos” que integra as “Rotas Culturais do Conselho da Europa”.
O Palácio da Pena no cimo da encosta. Vista a partir da Quinta da Regaleira.
Acho que não me preciso estender muito o porquê deste ser o mais famoso palácio de Sintra. O palácio é um dos melhores exemplos do revivalismo romântico do século XIX em Portugal. Este foi construído onde antigamente estava erguido um mosteiro pertencente à Ordem de São Jerónimo. Foi o rei consorte, D. Fernando de Saxe Coburg-Gotha casado com a rainha D. Maria II, que adotou as formas arquitetónicas e decorativas que hoje se refletem no palácio juntando vários tipos arquitetónicos como neogótico, neomanuelino, neoislâmico e neorrenascentista. Se puderem, aconselho a verem de aqui o pôr do sol, no topo da serra, com a vila a vossos pés num palácio próprio de rainhas e reis.
Casa do Fauno
Se conseguirem passar a noite em Sintra, tenho duas sugestões para vos fazer. Na verdade, é mais uma sugestão misturada com uma segunda. Bem vou-me deixar de rodeios e passar ao que interessa. Casa do Fauno fica num recanto escondido, numa rua estreita e inclinada ao pé da Quinta da Regaleira. A Casa do Fauno é um pub medieval onde podem experimentar vários tipos de hidromel desde o tradicional ao hidromel com maçã, groselha, especiarias e até a versão picante, o chamado Bafo de Dragão. Neste pub há uma intensa atmosfera de ocultismo e magnetismo revolvendo sobre o facto de a serra de Sintra ser considerada sagrada. Este é um dos sítios que eu recomendo para passar uma noite em Sintra com uma refeição leve e bebidas diversas. A segunda sugestão que mencionei acima é organizada pela Casa do Fauno, uma caminhada guiada à noite pela Serra de Sintra.
Nós fizemos a tal Caminha Nocturna que começou na Casa do Fauno até ao interior da serra e de volta ao ponto de partida. Durante a caminhada a guia vai parando e contando lendas e histórias de fantasmas ou de mistérios que aconteceram nos vários pontos. Digo já que não é nada assustador e quando fomos até crianças se juntaram ao grupo. É giro caminhar pela serra à noite, um local onde desde pequena ouvia que se faziam rituais satânicos e bruxas dançavam à volta de fogueiras. Para se juntarem à próxima caminhada é preciso proceder a inscrição prévia e cada pessoa paga 15 euros. Normalmente estas caminhadas são feitas à Sexta-Feira entre as 9 e as 11 da noite. Passarão um serão diferente, mas nada é mais apropriado para a serra de Sintra.
Sugestões para itinerários
Eu fiz este post como se fosse para um dia só, mas para aproveitarem bem Sintra e a serra eu diria que 3 dias é o ideal. Para verem Sintra com calma, recomendo:
Primeiro dia
Padaria Saloia
Palácio Nacional de Sintra
Quinta da Regaleira
Queijadas da Sapa
Segundo dia
Caminhada pela serra de Sintra até ao Castelo dos Mouros
Palácio da Pena
Casa do Fauno
Terceiro dia
Piriquita
Palácio de Monserrate
Costa do Estoril: Cabo da Roca, passeio marítimo de Oeiras e Cascais (tudo no próximo post!)
Se quiserem ver toda a informacao sobre Saint Albans cliquem aqui.
Bebidas
Update 2023:
Desde meado de 2022 que o bar que menciono abaixo, Suckerpunch, se encontra encerrado. No entanto, os mesmos donos abriram um novo bar também ele em Saint Albans, o Punchin’ Palooka. O menu é mais reduzido mas se pedirem aos empregados um cocktail fora do menu eles também o fazem, incluindo cocktails com absinto que pertenciam ao cardápio de Suckerpunch. Os empregados de bar são os mesmos, por isso os cocktails sabem ao mesmo. O local é mais pequeno apesar de também terem um pátio exterior e por essa razão reservas de mesa antecipadas são recomendadas.
Agora vou deixar a parte mais cultural de Saint Albans e falar-vos de um sítio que não podem perder. Suckerpunch é o nome deste bar que abre entre as 4 e as 6 da tarde dependendo do dia de semana e aqui vão experimentar os melhores cocktails da vossa vida. Encontrámos este bar recentemente e bendita a hora que me apeteceu um cocktail no final de uma sexta-feira e encontrei este lugar através de uma pesquisa no google. Os cocktails são ótimos, o ambiente discreto e intimista, o conjunto perfeito para uma noite muito agradável. Recomendo a reservarem mesa principalmente ao fim-de-semana depois das 8-9 horas da noite.
Na nossa exploração constante de Saint Albans encontrámos um pub mesmo ao lado da torre do relógio, onde o ambiente é bastante animado e a seleção de bebidas razoável. The Boot é o nome do pub onde acabámos em grande uma noite em Saint Albans. Se procuram um local que reflete a cultura tradicional britânica, nada como este pub. O pub foi construído em 1420 e é hoje considerado um dos pubs mais antigos do Reino Unido. Um bocado de história onde a atmosfera atrai qualquer um.
Agora passando para o almoço – que já me estava aqui a adiantar com o Bill’s. Na verdade, as opções de que vos vou falar agora tanto pode ser para almoço como para jantar como para um snack se assim quiserem. No centro de Watford existe imensos restaurantes, cobrindo todas as possíveis “cozinhas”. Se quiserem hamburguers têm o sempre Mcdonald’s, mas também o Burguer King, KFC e o Five Guys.
Depois também têm o Nando’s que é uma cadeia de restaurantes cuja especialidade é frango grelhado. O Nando’s tem influências portuguesas e da África do sul. Por outro lado, um dos restaurantes onde costumamos pedir imenso Take away é o German Doner Kebab – depois de experimentarem é difícil não ficarem fanáticos.
German Donner Kebab – Sim, a fotografia não está grande coisa porque estava com pressa para ir comer!!
Para quem quer italiano aconselho o Bella Italia, Ask Italian e L’Artista. As pizzas e massas são bastante saborosas e obviamente que as pizzas não sao do género take-away mas cozinhadas a forno de lenha.
Para quem é fan de caril e comida indiana (eu!) temos o Spicy Lounge que considero ser o melhor restaurante indiano da zona e como tal os preços são um bocadinho mais puxados. A minha segunda, mas também óptima opção para pratos indianos é o restaurante Kasturi.
Depois temos o Wagamama, especialmente para a quem está a apetecer noodles e a Tortilla para a quem está a apetecer comida mexicana.
Almoço na Tortilha
Para aqueles que o prato principal de uma refeicao é a sobremesa temos o Creams (um pecado completo) ou o Dessert Island.
Se ficarem por Leavesden então digo-vos que devem experimentar o Swan, um pub muito acolhedor e com uma decoração pitoresca. Este é o pub onde normalmente vamos comer e já perdi conta às vezes que viemos aqui jantar ou o famoso “tomar um copo”.
E falando em bebidas, porque elas tambem são importantes e fazem parte de qualquer viagem, temos o O’Neill, um pub mesmo ao lado da estação de comboios de Watford, o Slug and Lettuce, que tem uma brilhante promoção de dois cocktails pelo preço de um e digo-vos que são uma perdição. Nos dois locais também servem refeições e snacks.
Se fizerem uma pesquisa rápida sobre Watford sobre onde comer e beber de certeza que vos aparecerá The Florist, um local com uma decoração muito à menina, cheia de flores e cor-de-rosa, que faz com que este local seja actualmente um dos pontos alto em Watford. Por isso mesmo também é preciso marcar mesa com bastante antecedência, se quiserem aproveitar este maravilhoso espaço.
Update 2023:
Depois de experimentar este restaurante eu sabia que tinha de ser adicionado a este blogue. Il Pellegrino é um restaurante na rua principal de Watford – High Street – e é daqueles restaurantes onde a paragem é obrigatória. Como o nome indica é um restaurante italiano e um dos melhores que experimentei, e fomos aqui pela primeira vez depois da nossa visita a Milão (altas expectativas!). Nós experimentámos as pizzas com burrata e pesto e ficámos completamente rendidos. A decoração é bonita, os empregados eficientes e a comida deliciosa. Se passarem por Watford venham almoçar/jantar a Il Pellegrino que não ficarão desapontados.
Experimentámos o restaurante Las Iguanas que fica na mesma rua de Il Pellegrino. Aliás a maioria dos restaurante ficam na High Street e tem se visto um crescimento exponencial desta zona, com muitos restaurantes a apareceram também ajudado pela expansão do centro comercial, Atria. Las Iguanas é um restaurante de comida tradicional da América Latina desde pratos do Brasil, Argentina, México e até de Cuba. Melhor ainda é aproveitar o “Happy Hour” que se aplica a todas as horas do dia – e quem não gosta de ter 2 cocktails pelo preço de um?!
Domingo amanhecia e com ele o nosso último dia em Oxford. E sendo este o último dia tinha de ser bem aproveitado. E assim foi feito.
No dia anterior tínhamos tentado visitar o colégio e catedral Christ church mas para comprar bilhetes só on-line. Os bilhetes só ficam disponíveis de semana a semana e com hora marcada. Marcámos para esse dia às 2 e meia porque era a única hora que ainda estava disponível, mas também só marcámos naquele dia de manhã, por isso acho que não vale a pena apontar dedos. O que vale agora saber de quem é que foi a culpa de não haver bilhetes sem ser para aquela hora (nossa vs universidade de Oxford).
Se não quiserem (conseguirem) bilhetes para ir visitar a catedral e os aposentos dos estudantes há um grande parque à volta do edifício e o edifício sim senhor, dá cabo de qualquer faculdade em Lisboa. Por isso mesmo assim ficam a ganhar se forem só visitar a parte exterior. Ficam é a ganhar menos do que se fossem também visitar a parte interior porque vale muito a pena. Quem é que nunca quis ficar com aquela inveja dos estudantes que vivem numa das mais luxuosas universidades do mundo?
Como os bilhetes estavam só marcados para a tarde fomos visitar uma lojinha pequenina que fica de frente para entrada do parque (parque chamado Christ Church Meadow). Era esta a loja daAlice no País das Maravilhas. E porque é que esta loja é tão icónica? Porque foi em Oxford onde viveu a verdadeira Alice.
O autor da famosa história de crianças, Charles Dodgson aka Lewis Carroll, era tutor na Christ Church. E foi nesta altura que escreveu a história da Alice, personagem inspirada na filha do reitor da universidade de Oxford, Alice Liddell. Charles e Alice tornaram-se amigos e Charles tinha por costume criar histórias para entreter Alice e as suas irmãs. Num particular dia, a história contada por Charles era tão fascinante que Alice lhe pediu para a escrever. E foi assim escrita pela primeira vez a Alice no País das Maravilhas. Se vierem a esta lojinha de portadas vermelhas, a empregada dar-vos-á uma explicação de como a história surgiu e a sua origem. Também podem escolher levar uma recordação desta loja que como tal esperado tem a temática da história conhecida hoje mundialmente.
Para o resto da manhã tivemos que tomar uma decisão_ visitar o castelo e a sua prisão ou visitar os museus de História Natural e Pitt Rivers. Depois de uma breve discussão de preços, passámos pelo quarteirão do castelo e seguimos para os tais museus. O museu Pitt Rivers está integrado no museu de História Natural. O primeiro que visitámos foi o da História Natural onde existem varias secções sobre diferente espécimes e exposições que incluem 5 milhões de insetos, meio milhão de fósseis, rochas, minerais e mais de 250.000 animais. Também por aqui se encontra uma biblioteca com mais ou menos meio milhão de manuscritos. Como podem ver pelos números há muito para ver.
Em seguida, fomos ao Pitt Rivers museum. Aqui também posso dizer que estão expostas muitas coisas oriundas de muitas civilizações. Isso não posso desmentir. Mas quando entrei neste museu pareceu-me que tinha chegado, como hei-de dizer? – sabem quando vão a casa de alguém e esse alguém tem muita coisa de logica e tapetes e mobílias e têm que medir bem onde metem o pé esquerdo ao pé do jarrão de loiça branca com flores azuis e ao mesmo tempo tentar meter o pé direito num ângulo de 180 graus para não bater na estátua de palhaço em tamanho real que por alguma razão alguém achou que ficava bem ali? É que há tanta coisa que nem sabes bem para onde olhar e o que ver, numa mescla que ficou um bocado mais a feira da ladra do que a museu, que até está bastante bem avaliado. É como aqueles sítios em que vais comprar umas meias e sais de lá com um papagaio verdadeiro. E também com as meias. O melhor de tudo é que a visita aos dois museus foi gratuita, por isso é claro que a quinquilharia ganhou à visita às masmorras do castelo que custavam 17,50 libras cada pessoa.
Começa a chegar o meio-dia e meio e como queríamos ir comer ao mercado – The Covered Market – começámos a seguir nessa direção. Houve uma paragem para visitar omuseu da História da Ciência, que fica mesmo ao lado do teatro Sheldonian. A entrada também foi gratuita e havia para lá umas exposições de Albert Einstein e sobre o COVID. O museu é interessante, vê-se em 15 minutos e salvou-nos de uma molha e isso é que foi importante. Mesmo assim quase fomos a correr até ao mercado. Porque chuva que cai, atleta que foge. Se calhar devia por atleta entre aspas, mas gostei da expressão e vai ficar assim.
O mercado já foi mencionado no último post sobre Oxford, mas não contei que também aqui há uma temática na decoração do dito. E está relacionado exatamente com a Alice no País das Maravilhas e a sua origem nesta cidade. Porque se olharem para a fotografia abaixo, o grande coelho não engana a que história pertence.
No dia anterior Sasha’s Thai não tinha deixado saudades mas o mesmo não se passou com os sítios que experimentámos hoje. No dia anterior, depois de almoçarmos demos com este pequeno restaurante e escolhemo-lo imediatamente para almoço na primeira ocasião – Sartorelli’s Pizza.O nome italiano dá a dica do que aqui é servido, pizzas feita na hora em forno de lenha e ainda por cima a bom preço. O que se pode pedir mais? E as pizzas das melhores que já comi na minha vida. Ainda hoje penso em pegar no carro e ir a Oxford apenas para comer as tais pizzas. O sítio é bastante pequeno com algumas mesas à entrada, fazem take-away talvez por isso mesmo e vale imenso a pena. Nós pedimos uma pizza calzone e uma “Jack the ripper”. Melhor decisão de toda a viagem! O que é uma mulher sem a sua comida?!
Outro sítio de que tinha ouvido falar bastante era o Ben’s Cookies. Como tal, era obrigatório uma paragem para comprar estas tão famosas bolachas. E compreende-se a fama – são deliciosas e esgotam-se rapidamente. Porque o tempo estava bastante chuvoso e ainda com uma hora antes da nossa visita à Christ Church, ficámo-nos por um dos muitos cafés espalhados no mercado.
Depois de toda a gulosice e com um céu mais amistoso dirigimo-nos para a catedral Christ Church. Primeiro foi preciso ir ao Ticket Office, onde verificaram os bilhetes e nos deram os áudio-guias que foram relatando acontecimentos e detalhes das várias salas, escadarias e corredores por onde íamos passando. Foi no vão das escadas da imagem abaixo o palco de filmagem da entrada de Harry Potter pela primeira vez em Hogwarts. A grande sala da cantina, que de cantina Não tem de nada, foi a inspiração para o grande salão de jantar que aparece nos famosos filmes do rapaz que sobreviveu. A mesma tour guia-vos através da catedral e da parte exterior dos aposentos dos estudantes da universidade.
Esta tour grita a plenos pulmões o que a universidade de Oxford é – dinheiro, competição e gabarito. Tudo numa mistura onde os 3 ingredientes coexistem na mesma medida.
Para matar o resto da tarde fomos à procura de pubs. Começámos pelo Jericho Tavern à procura de boas cervejas e cocktails. Mas a atmosfera não era das mais vibrantes. Aliás não sei se era porque era domingo à tarde e durante tempo de aulas e por isso todos os estudantes estavam a estudar ou a descansar para a semana que começava no dia seguinte, mas a verdade é que todos os sítios que fomos antes do jantar estavam muito murchinhos. E vejam que Jericho é a zona boémia e descontraída da cidade. Por isso estávamos no sítio certo mas talvez na altura errada. Como disse começámos no Jericho Tavern onde vitrais espalhavam-se pela sala, espaço que já foi palco de várias atuações musicais ao vivo, recebendo bandas famosas como os Radiohead. Em seguida, para ficarmos ali na zona de Jericho foi a vez de experimentarmos Angels. Na verdade queríamos era ter ido a LJ – Love cocktails, o sítio mais bem avaliado da zona, mas encerra de domingo a terça. Entrámos em Angels e o bar estava vazio. Na verdade, mesmo depois de lá estarmos um bocado apenas mais um casal e um rapaz sentado no canto faziam a totalidade da clientela. Os cocktails não era maus, muito pelo contrário, mas acho que o espaço vazio e quase silencioso não sendo desconfortável também não era animador. Mas os cocktails eram bons, eu acho que o cruzeiro pelo Alasca deixou-nos mal habituados, porque os cocktails que experimentámos no barco eram de beber e chorar por mais. Mas vale a pena irem experimentar Angels e LJ, mas aconselho mais sexta à noite, onde anda tudo na rua. Angels está só aberto de sexta a domingo e ambos os estabelecimentos abrem depois das 4 da tarde.
Com o final da tarde a chegar decidimos ir beber mais qualquer coisa a outro pub e talvez acabar por jantar por lá. Foi a vez de fazer mais uma pequena caminhada pela zona até Rose & Crown PH. A história aqui também não acaba bem e foi um sítio onde não ficámos muito tempo. Provavelmente foi onde estivemos menos tempo. Pedimos mesa para jantar e disseram que tudo bem, levaram-nos a um pátio aquecido e tapado por isso corria tudo como nos conformes. Videiras completavam a decoração do espaço com mesas e assentos corridos de madeira. No entanto, sentaram-nos ao lado de um grupo de pessoas que claramente não nos queriam ali ao lado e ainda para mais ia começar em breve um grupo de jazz que ao ouvir o treino não iam claramente melhorar o humor. Então bebemos lá uma cervejita e um minuto antes da banda começar saímos.
Como a hora de jantar chegava fizemos uma das melhores decisões da tarde, irmos jantar não a um local requintado, mas aoAtomic Burguer. E o Atomic Burguer é nem mais nem menos um restaurante coberto de banda desenhada, figuras de ação e super-heróis e mais algumas personagens sem qualquer contexto para se juntar à confusão. Que o diga o homem aranha em tamanho real colado ao teto. A comida é simples, hambúrgueres, cachorros-quentes e nachos. Nada podia ter sido melhor. Os hambúrgueres deliciosos, a música a trazer-nos memórias e a decoração atraente. Bem, atraente para um bando de nerds. E digo-os que o restaurante esteve cheio durante toda a nossa refeição por isso não somos os únicos.
E com isto acabava o nosso fim-de-semana em Oxford. Uma cidade que nos revelou muito mais do que esperávamos, com uma atmosfera de outros tempos, e muitas histórias em cada recanto. Se vale a pena visitar Oxford? A resposta e simples: completamente.
O primeiro dia, Sábado, começou cedo, pelo menos para os nossos padrões. Gente que gosta de dormir até ao meio-dia tudo que seja levantar antes das 9 é igual a espetar pregos nos olhos. O pequeno-almoço foi tomado às 9 da manhã e às 9 e meia estávamos prontos para ir apanhar o autocarro. O pequeno-almoço foi simples mas mais do que suficiente que para além do pequeno-almoço continental com cereais. queijos, fiambres e afins ainda comemos umas torradas com ovos mexidos. Como eu nunca tomo pequeno-almoço sem ser durante as férias, este é normalmente um dos momentos mais apreciados pela sua raridade. E sim, também é verdade que se acordo ao meio-dia não preciso de pequeno-almoço.
Chegámos ao centro de Oxford ainda não eram 10 e fomos logo para uma das partes centrais da cidade, talvez um dos locais mais fotografados, a praça onde se encontra a Câmara Radcliffe. O edifício funciona como biblioteca e faz parte do complexo das bibliotecas Bodleian que falarei já de seguida. Esta livraria faz parte da universidade de Oxford, como basicamente 90% da cidade. À volta deste edifício que é um ponto obrigatório de paragem encontra-se a Igreja da Virgem Maria, a qual tivemos oportunidade de visitar. Lembro que a igreja também pertence à faculdade (esse vai ser o tema de qualquer local que tenhamos visitado, não seria a universidade de Oxford uma das mais conceituadas e conhecidas mundialmente).
Camâra RadcliffeInterior da Igreja da Virgem Maria
Apesar de não termos entrado dentro da Câmara Radcliffe fomos visitar abiblioteca Duke Humfrey, que fica mesmo ali ao lado e que também pertence ao conjunto das bibliotecas Bodleian. Para visitar a biblioteca apenas com guia e o preço do bilhete da tour que demora meia hora custa 9 libras por adulto. Outra particularidade desta tour é que é proibido tirar fotografias no interior da biblioteca. Eu sei que para os instragrammers e aficionados do facebook a partir deste momento a biblioteca já foi retirada da lista. Mas aconselho a visitá-la de qualquer das formas. E não para ir tirando fotografias à socapa para depois se ir gabar publicamente que conseguiram tirar fotografias onde é proibido o que apenas mostra que deve ficar em casa quem não sabe seguir regras básicas.
Entrada para o All Souls College na mesma praça da Câmara Radcliffe
Esta biblioteca é a mais antiga de Oxford tendo sido construída entre 1610 e 1612. As grandes mesas de madeira escura, os vitrais e as altas prateleiras cheias de livros antigos, raros e valiosos são um conjunto que vai fazer suspirar qualquer aficionado da leitura. Não vale a pena pensarem que se não conseguem tirar uma fotografia ao menos que levem um livro, porque todos os livros tem alarme. Esta biblioteca também tem a particularidade e, talvez esta seja a razão de muitas pessoas virem até cá, de ter sido palco de gravações dos filmes do Harry Potter. É nesta biblioteca onde se encontra a “secção restrita” da biblioteca em Hogwarts. Pelas histórias que se contam, o ator não ficou muito bem visto quando ao primeiro dia tirou um livro da prateleira e fez soar os alarmes.
Uma das cenas que foram gravadas na biblioteca Duke Humfrey
Uma sugestão é visitar esta livraria ao Sábado porque não há estudantes na biblioteca. Ou se pelo contrário quiserem ter contacto com a vida estudantil da universidade de Oxford visitem-na durante a semana chatear quem anda a fazer trabalhos e a estudar para exames.
Outro ponto da cidade a não perder, apesar de ser só de passagem é a ponte dos suspiros (Bridge of Sighs). Apesar de ser um ponto turístico, há muitas histórias (falsas) relacionadas com a ponte. Uma das lendas conta que a ponte foi erguida em 1914 como réplica da ponte dos suspiros em Veneza. No entanto, essa nunca foi a intenção. Na verdade, a ponte é mais parecida com a ponte Rialto em Veneza do que a ponte que partilha o mesmo nome. Outra história que também é falsa conta que a ponte foi construída por se considerarem que os alunos de Hertford College eram mais pesados do que alunos em qualquer outro colégio. A resposta da universidade foi construir esta ponte fazendo com os alunos tivessem que subir mais escadas e portanto fazer mais exercício físico. Esta história não só é falsa como facilmente é comprovada a sua falsidade, uma vez que o não uso da ponte faz com que os alunos tenham que subir mais escadas.Qualquer que seja a razão para a construção desta ponte, vale a pena passar por aqui e tirar uma fotografia.
Seguimos para Magdalen College. Há inúmeros colégios em Oxford e demoraria bem mais que um fim-de-semana se os quisesse visitar a todos. Não fiquem admirados, mas também este colégio faz parte da universidade de Oxford e como tal é extremamente competitivo estudar em Magladen College. Atualmente Magdalen College é o quarto colégio mais rico com doações de cerca de 332,1 milhões de libras. Sim, eu também acho uma ninharia, o que uma pessoa faz só com 332 milhões de libras? O Magdalen College foi construído num terreno vasto de 100 hectares e inclui parque de veados, a ribeira Addison e pequenos recantos pitorescos. Eu também quando andava na faculdade tinha o parque das Nações, aquele caminho da universidade ate à estação de comboios no Oriente, o rio Tejo e peixes mutantes. Acho que consigo comparar a minha experiência com a dos estudantes deste colégio. E nem tive de ter grandes notas para entrar para a universidade. Lisboa 1, Oxford 0.
Para visitar o colégio é preciso pagar bilhete de entrada, mas nós tivemos 10 minutos ali parados enquanto dois guardas olhavam e mexiam e remexiam na máquina dos bilhetes mas não conseguiram atinar com aquilo. O que para nós foi ótimo porque acabaram por desistir e deixar-nos entrar de graça. Foi pena termos visitado o colégio num dia de chuva, porque ao frio e molhados não conseguimos apreciar bem a parte exterior do colégio. Assim a nossa visita ao Magdalen College foi mais curta do que o seu potencial.
Com isto chegava a hora do almoço e não há sítio melhor e mais barato do que o mercado Oxford Covered Market. Na intensa pesquisa antes da viagem li em vários sites que o mercado era o local certo para quem gosta de comer bem e não ficar depenado. A nós só o facto de ser um edifício coberto já fez com que adorássemos, uma vez que naquela altura as nuvens tinham largado uma chuvada de fazer lembrar o porquê da fama do tempo de Inglaterra. Um dos restaurantes mais mencionados do mercado chama-se Sasi’s Thai.
O restaurante está muito bem avaliado na internet e ao chegarmos havia uma fila enorme. Para dizer a verdade o restaurante estava a abarrotar e talvez por isso eles também tenham a opção de take-away. Havia bastante escolha entre caris, noodles, arroz, pratos tradicionais chineses e as porções são bastante generosas. Um prato bem aviado ficou a cerca de 10 euros. Se fiquei fã? Nem por isso, mas consigo perceber o porquê de este restaurante ser a escolha de muita gente. Afinal boa quantidade e barato chama sempre clientela. Mas não foi nada de especial, não achei a comida particularmente saborosa e o arroz estava um bocadinho para o lado do peganhento. Se voltava aqui? Não sei se sim, talvez para experimentar o Pad Thai. Para digerir a comida fomos dar uma volta pelos corredores do mercado que existe desde 1770. Há lojas para vários gostos de roupa, joalharia, restaurantes, floristas e gelatarias. Parámos na gelataria IScream onde o gelado era bastante bom e onde se encontram vários doces de encher o olho. Nada como um bolo gelado de pistachio para alegrar o dia chuvoso como aquele.
O museu de Ashmoleané o museu de arte e de arqueologia da universidade de Oxford. O seu primeiro edifício foi erguido em 1678-1683 e fundado em 1683. Este museu é especial não só porque foi o primeiro museu público da Grã-Bretanha mas pelas coleções expostas que contam com mais de 120.000 objectos, principalmente de origem arqueológica e obras de arte.
Durante a vossa visita poderão ter a oportunidade de ver uma das melhores coleções de pinturas pré-rafaelitas, de cerâmica majólica (faiança italiana da época do Renascimento) e prata inglesa. O departamento de arqueologia pertencente ao museu possui o legado de Arthur Evans e como tal tem uma fascinante coleção de cerâmica grega. Por último também posso salientar que há uma extensa e diversa coleção de antiguidades do Egipto Antigo. Este é daqueles museus que mesmo para quem não gosta muito de viagens centradas em cultura e de passar muito tempo dentro de museus não se vai importar de caminhar por um par de horas, horas através das várias salas e exposições. A visita ao museu é gratuita, no entanto doações de valor simbólico é encorajada.
Uma das peças mais valiosas do museu é a jóia de Alfred (Alfredo em português). Este é talvez o objeto arqueológico mais famoso de Inglaterra. É composto por uma peça de esmalte cloisonnè onde está representada uma figura humana, o que se considera simbolizar o sentido da visão. O esmalte está coberto por uma peça polida de cristal e encaixado numa moldura plissada que se finaliza na cabeça de uma fera. A inscrição recortada na moldura está escrita em inglês antigo e lê-se “AELFRED MEC HEHT GEWYRCAN” (“Foi Alfred que ordenou que eu fosse feito”).
Jóia de Alfred
Depois de atravessar diferentes civilizações saímos para a rua onde já anoitecia (uma das maravilhas de viajar no Inverno) e com a escuridão vinha o frio cortante. Por isso ainda eram 4 da tarde quando nos sentámos numa mesa no Turf Tavern. E sim, quando o tempo está mau fica de noite às 3 e meia. E foi aqui que ficámos pela tarde fora. O Turf Tavern é um pub histórico de Oxford aberto desde 1381. Uma das paredes do pub é original da antiga muralha da cidade. O pub é principalmente frequentado por estudantes, o que confirmámos enquanto aqui estivemos, mas também foi palco de um recorde mundial em 1954 quando o primeiro-ministro australiano Bob Hawke bebeu 1.4L de cerveja em 11 segundos. Também era neste bar que o elenco e equipa de filmagens dos filmes Harry Potter costumava parar. Talvez seja por isso que têm ainda hoje no seu menu cerveja de manteiga (Butter Beer), uma das bebidas muito consumidas em Hogsmead. E quem não sabe onde é Hogsmead e a que se refere não merece respeito.
Acabámos por também jantar por aqui e para uma coisa mais ligeira, ou assim pensávamos, pedimos 3 entradas para partilhar. Pedimos halloumi, argolas de lulas e nachos. Tudo que nos apareceu à mesa era ótimo. E como estávamos em Inglaterra e fazia frio e chovia nada como um mulled wine para aquecer o espírito. Mulled wine é vinho aquecido com muitas especiarias como canela e anis. Eu sempre pensei que iria odiar a bebida, mas há nada melhor para uma noite fria. Quando me deram a definição de “sangria quente” torci o nariz, mas vale a pena experimentar e voltar a experimentar e experimentar mais umas vezes só para confirmar se gostam ou não.
Neste dia celebrava-se algo especial em Inglaterra, Fawkes Night, também conhecida por Bonfire Night. Nesta noite celebra-se o facto de em 1605 se ter falhado a “conspiração da pólvora” que se focava em destruir o Parlamento e assassinar o rei James I. Nas cidades e vilas por toda a Inglaterra se celebra esta noite com fogo de artifício, música e comida. Em Oxford o melhor sítio para ver o fogo de artifício é no South Park (parque do Sul). O fogo de artifício estava marcado para as 7 e meia e eram já 7 quando nos pusemos a caminho. Mas tal como era esperado toda a população de Oxford em peso também quis ver o espetáculo. E, portanto, as ruas estavam cheias de gente, mais ainda perto do parque. Chegámos ao local já eram 7 e meia e apesar de não termos visto o espetáculo inteiro ainda conseguimos ver parte do fogo incluindo tirar uma fotografias para a posterioridade.
E com este episódio acabo o primeiro dia a explorar a cidade de muitos pináculos e é por isso que a Oxford é conhecida como “City of the Dreaming Spires” mas também conhecida pela universidade onde reina história, saber e opulência.
Continuando o tema com que entrámos em 2023, começando pela cidade de Milão e lago Como, eis que passamos para outro país – e como ainda é janeiro vamos para um local ainda mais frio. Desta vez o fim-de-semana grande, que as férias 2022/2023 já estavam a escassear, foi em Oxford, uma cidade que nos surpreendeu e muito pela positiva.
Preparativos e a chegada
Chegar a Oxford
Para chegar a Oxford de Londres basta apanhar um comboio – Great Malvern – que vos leva de centro da cidade a centro da cidade em cerca de 1 hora. Mais se forem apanhados pelas greves, que ultimamente tem havido só a cada 5 minutos ou assim parece. De carro, eu parti de Watford e a viagem demorou cerca de 1 hora o que não é de admirar porque às sextas-feiras à noite parece que todos tem uma daquelas festas ou encontros marcados no Facebook e saem todos ao mesmo tempo. E depois fica tudo com muita gente e muita gente a perguntar para o ar – mas porque é que esta gente não ficou em casa? – enquanto param no meio do passeio à procura do espelho que está enfiado no fundo da mala para confirmar que nenhuma das 10 camadas de maquiagem escaparam e que continuam com a cor laranja solário. E assim se faz parar o trânsito das 50 mil pessoas que estão atrás.
Mas isso não é só um problema de Inglaterra é um problema do mundo, menos as 10 camadas de maquiagem. Ou talvez ainda mais, dependendo da zona do globo.
Onde ficar
A estadia escolhida não ficava dentro da cidade porque desta vez precisávamos de estacionamento para alem do pequeno-almoço que já é nosso usual pedido. Ficámos em Conifers Guesthouse, num quarto cuja porta de entrada ficava do lado de fora da casa e assim sentimos que tínhamos mais privacidade e mais probabilidades de levar uma facada já que para chegar ao quarto tinha que se dar a volta à casa por um corredor muito estreito e escuro. No entanto, evitámos aqueles sorrisos constrangedores que acontecem quando se chega à casa e o dono está à entrada e não se quer ser indelicado. Faz-se sempre aquilo sorriso amarelo, mas no fundo ele sabe bem o que vão fazer para o quarto. Agora, a falar a sério, eu gostei do quarto e do facto de não termos que entrar dentro da casa cada vez que íamos ao quarto. O quarto em si tinha bom tamanho, simples, mas simpático, com uma casa-de-banho limpa e de tamanho razoável. Como ficava longe do centro da cidade posso dizer que o preço da acomodação também ficou mais em conta.
Transportes
Partimos numa sexta-feira depois do trabalho e chegámos mais tarde do que o esperado porque como mencionei em cima o trânsito em Inglaterra tem a particularidade de fazer SEMPRE com o percurso demore o dobro do tempo do que o GPS marca no início da viagem. Fizemos o check-in na Guesthouse e o próximo passo era procurar de um sítio para jantar na cidade e começar a explorar alguns pubs e bares de Oxford. Como se contava beber decidimos não levar o carro e apanhar um Uber – até descobrirmos que a Uber não opera em Oxford mas sim uma outra companhia similar a “FREE NOW”. Lá marcámos todos contentes o carro e revirámos os olhos quando o que nos chegou foi um dos famosos “black cab” (táxis pretos) que são sempre os mais caros. A viagem custou-nos cerca de 15 libras quando de autocarro custa menos que 5 libras ida e volta. Depois desta noite apanhámos sempre o autocarro número 15 (vejam o website dos autocarros aqui). A viagem não demorava muito talvez entre uns 20 minutos a meia hora. E há autocarros até bastante tarde por isso podem ir aproveitar o serão para beber uns copos e se divertirem.
Jantar
Já passava das 7 e meia quando chegámos ao centro de Oxford e pode-se pensar, como pessoas normais, que teríamos muita variedade de sítios para comer, mas não. Estava tudo cheíssimo, desde pubs a fast food a não fast food. Estava tudo completamente lotado. Esta foi a segunda lição da viagem e ainda nem 3 horas tinha passado desde a nossa chegada a Oxford – se querem comer ou visitar em algum local em particular, marquem com antecedência. Porque é completamente surreal a quantidade de pessoas que passeiam/vivem/estudam em Oxford.
Já de mau humor da fome decidiu-se ir ao primeiro restaurante que vimos vazio, o “mission burrito“. O nome não tem muito que enganar, é um restaurante fast food de comida mexicana onde uma das opções, vá digam lá, são burritos. Eu acho que a fome que se transformou em mau humor impede-me ainda hoje de dizer que adorei a comida. A comida era simples, mas boa. Não era muito picante e havia várias opções como tacos, saladas, caixas com arroz e nachos. Nós fomos para os burritos, um de frango e outro com carne de porco, arroz, feijão, salada, pimentos, guacamole, numa mistura que nos permitiu sobreviver à nossa primeira noite em Oxford. Como digo eu acho que não gostei mais do “mission burrito” porque estava a contar com um jantar num sítio bonito, com muitas luzes e risos e não foi nada assim. Hoje já consigo ter uma perspetiva diferente, a de que se eu estivesse de bom humor eu estava aqui a dizer que a comida tinha sido muito boa e que todos deviam ir lá fazer fila. Também foi uma maneira de não gastarmos tanto dinheiro, pois cada burrito ficou-nos a cerca de 8 libras cada e encheu-nos para o resto da noite.
Enquanto estava a escrever o parágrafo acima pensei no anúncio do chocolate “snickers” porque depois de comermos realmente a atmosfera mudou radicalmente. Parecíamos pessoas diferentes das que tinham entrado famintos à procura de comida.
E lá fomos nós bem mais satisfeitos explorar a cidade e os pubs. A cidade de Oxford é muito bonita, cheia de história, de cantos e recantos encantadores que dão à cidade uma atmosfera de tempos idos. Mais, a quantidade de estudantes que se viam regularmente pelas ruas com os seus fatos pretos e capas ao vento faziaa parecer um cenário próprio de filme de Harry Potter.
Bebidas
A primeira paragem foi noSt Aldates Tavern, um pub numas das ruas principais da cidade, espaçoso mas acolhedor. A decoração com candelabros, plantas e espelhos marcou a experiência onde se abriu a noite com cidra, cerveja e cocktails. Estivemos bastante tempo neste pub porque o ambiente puxava para simplesmente recostar-nos nos bancos e relaxar.
No entanto, às 10 da noite decidimos mudar de localização para o The Bear, um dos pubs especiais em Oxford. The Bear está aberto desde 1242 sendo agora o pub mais antigo de Oxford. Consideram-no como uma hidden gem (jóia escondida) não apenas pelas bebidas e longevidade do pub mas pela seu coleção de gravatas que cobrem as paredes e o teto. As gravatas representam vários clubes e organizações de Oxford desde 1900. A tradição remonta à década de 50 quando o proprietário do pub, Alan Course, trocava uma pint de cerveja pelas gravatas dos clientes. No início as gravatas eram afixadas às paredes, mas mais tarde foram colocadas em caixas de vidro e expostas nas paredes e nos tetos do pub, decoração que se encontra ainda hoje. Para o cliente poder fazer a troca a gravata tinha que ser de um determinado clube, escola, forças armadas ou polícia. Como puderam ver pelas fotografias e se tiverem sorte de verem pessoalmente cada gravata tem a sua origem e a assinatura do proprietário na gravata para que possam saber de onde é a sua origem. Hoje em dia as gravatas não são apenas de pessoas de Oxford mas de todo o mundo.
O pub estava a abarrotar quando chegámos, mas a sorte veio ter connosco e conseguimos uma mesa dentro do pub. Se não o tivéssemos conseguido a outra opção era sentar na esplanada. O resto do serão foi passado aqui e bastante mais quentes da cerveja voltámos para a guesthouse, desta vez de autocarro.
E assim começava mais uma viagem juntos, a explorar uma cidade de outros tempos, que adorámos visitar e que não nos importávamos de voltar. Próximo post começamos o primeiro dia, passando pelas zonas mais conhecidas de Oxford como a câmera Radcliffe e a biblioteca que foi palco da “secção restrita da biblioteca em Hogwarts”.
E aqui vai o último vídeo…e assim acaba a volta à música italiana
Começo este post por fazer uma confissão: este post está prestes a ser criado apenas por obra do acaso. Ou porque Júpiter estava alinhado a capricórnio celeste ou algo assim. Lago Como é pelos vistos uma das zonas mais cobiçadas de visita no norte de Itália e eu nunca tinha ouvido falar no lago até vir a Milão. E a viagem a Milão inicialmente não contava com o lago Como até porque uma viagem em Janeiro na Europa sempre se conta é com mau tempo e incluir locais de visita dentro de portas. No entanto, o sol espreitava no segundo dia em Itália (como a meteorologia nos tinha dito na noite anterior) e por isso decidiu-se no primeiro dia, depois de percorrermos a cidade de Milão, que nos íamos aventurar para os lados do lago Como.
A primeira paisagem do lago em Varenna
Lago Como é o terceiro maior lago de Itália e conta com inúmeras povoações nas suas margens que formam uma paisagem completamente excecional. É to bonito que faz-nos suspeitar o que se passa dentro portas. Porque nada pode ser assim tão perfeito!
A paisagem é de cortar a respiração e não poderia ser de outra forma, com os Alpes a espreitarem na parte norte do lago. As povoações são um completo quadro com as suas estradas estreitas, edifícios baixos e coloridos e natureza circundante. Para quem gosta de andar na confusão, o lago Como no Verão deve ser um mimo, mas para quem gosta de ver as coisas sem ter que furar entre multidões e dar cotoveladas como se estivesse num treino de luta livre aconselho mais Primavera ou se conseguirem ter um dia de sol no meio de janeiro, então no Inverno. Digo isto porque apesar de ser pico do Inverno, havia restaurantes completamente cheios especialmente nas povoações mais procuradas como Bellagio. Também havia muitos restaurantes e arriscando-me a exagerar mas digo que a maioria estavam encerrados.
Menaggio e os Alpes como pano de fundo
Para explorar o lago Como a partir de Milão é preciso apanhar o comboio bastante cedo, especialmente no Inverno onde a luz do dia termina por volta das 5. E essa acabou por ser uma das razões por não termos explorado mais a povoação de Como. Se acharem que não querem acordar assim muito cedo podem sempre passar uma noite em Varenna e assim começam o dia já no lago. Nós saímos da Casa Calicantus por volta das 9 da manhã (não se conseguiu mais cedo e mesmo assim doeu) e chegámos por volta das 10 à estação central de Milão. Pelo caminho foi-se conhecendo mais da cidade altura em que se teve ainda oportunidade de avistar o Bosco Vertical, dois prédios cobertos por árvores em todos os andares. Janeiro como todos sabemos é a melhor altura para apreciar “bosques” e por isso pudemos ver praticamente todas árvores sem folhas e as que se aguentavam tinham uma cor castanha muito murcha. Mesmo assim foi mais um ponto interessante da cidade que se viu.
Estação central de Milão
Chegados à estação central de Milão – Milano Centrale – encontrámos uma entrada enorme com duas estátuas imponentes de cavalos alados. Foi uma coisa tipo “Wow – mas é assim que são as estações de comboio em Itália?” Apesar da majestosa entrada a estação em si é bastante comum. As casas de banho deixam muito a desejar, apesar de custar 1 euro por pessoa – 1 euro!!! e às condições de higiene nem sequer uma estrela merecem. Pelo que ouvi na casa-de-banho dos homens ainda era pior em que havia pessoas prestes a vomitar devido ao belíssimo cheiro. Apanhámos o comboio por volta das 10:20 e o bilhete ficou-nos a 7 euros por pessoa.
O comboio partiu em direção à estação Varenna Eso. A viagem de comboio demorou cerca de 1 hora e podem aproveitar para olhar pela janela e ver a mudança de paisagem, de citadina para montanhosa, ou podem optar por ter uma conversa muito intensa e cheia de gestos e palavras como as senhoras que estavam ao nosso lado. Se a conversa era ao menos interessante, não fiquei a saber, mas que estavam investidas naquilo, isso era certo.
Varenna
Chegando a Varenna, os turistas que estavam no comboio apresentaram-se todos às portas da saída. O dia estava frio, mas um sol radioso e a casa de banho desta estação era grátis e em melhor estado (Varenna 1 – 0 Milão). A nossa ideia de vir ao Lago Como não era visitar isto ou aquilo, era mesmo apreciar a paisagem à volta do lago e ficar a conhecer este lugar tão apetecível de Itália. Conseguiram detetar a desculpa de não ter havido uma procura profunda sobre o que fazer no lago? Se não conseguiram, pronto também não vale a pena lerem outra vez para depois apontarem o dedo.
Varenna
Fomos descendo as ruas desde a estação até ao ferry. Apenas neste pequeno passeio já sabíamos que a escolha em vir até ao lago tinha sido a acertada. Um dos pontos mais desejados em Varenna (e onde a maior parte dos posts das redes sociais é feito) chama-se Villa Monastero, um jardim botânico que infelizmente em janeiro está fechado. Mas pela paisagem não é preciso procurar sítios, mas simplesmente vaguear por dentro das povoações e junto a costa.
Viagem de ferry Varenna – Bellagio
Ao meio-dia apanhámos o ferry de Varenna para Bellagio. O bilhete foi 9,20 euros por pessoa. Uma das melhores experiências quando se vem ao lago Como são as viagens de barco, pois é daqui que se tem as melhores paisagens. Bellagio foi a povoação que explorámos mais, andámos pelo centro da vila, pela costa e até fomos ao outro lado da ilha e sim estivemos por alguns momentos perdidos, mas nada que um gps não resolva. Bellagio é tudo o que se pode esperar, ruas estreitas e muito pitorescas, paisagens em qualquer canto com o lago e as montanhas à volta e surpreendentemente muitos restaurantes fechados. Nem para um gelado conseguimos um sítio em Bellagio.
Decidimos ir a Menaggio, porque depois de um longo passeio ainda havia tempo para visitar outra povoação. Apanhámos outro ferry por volta das 13:45. Chegando a Menaggio fomos passeando pelas margens do rio. Menaggio pareceu-me uma vila mais grandita que Bellagio e Varenna e confesso que gostaria de ter explorado um bocado mais. Talvez se for para escolher um sítio para passar a noite, Menaggio será a melhor opção. No entanto, estávamos a contar apanhar o barco rápido para Como às 15:11. O bilhete entre Bellagio e Menaggio custou também 9,20 euros por pessoa.
Paisagem em Bellagio
Podia agora dizer que tínhamos ido à Cappella degli Alpini, uma igreja minúscula e em ruínas no meio do monte. Eu podia dizer que tinha lá ido e tinha sido uma aventura do caraças, com lutas contra ursos e italianos a gesticular muito com as mãos, mas não. Atenção que há quem lá vá que há fotografias a comprovar e a vista parece ser espetacular, mas com o tempo contado e a barriga a começar a pedir comida passeámos pelas ruas de Menaggio até entrarmos em “Pesin tipo un bistrò“. Pelas fotografias no Google parece estar cheio no Verão, mas as maravilhas das férias de Inverno fizeram com o café estivesse vazio. Sentámo-nos e pediu-se mais um aperol, uma cerveja que foi a favorita da viagem e um tosta “la vale” com queijo, fiambre, maionese e manjericão. Gostei bastante da refeição e nada com um sítio quente para fugir ao frio que se começava a sentir com o avançar da tarde.
Às 15:11 fomos a correr para apanhar o barco – e a única opção já não era ferry, mas o barco de serviço rápido. O bilhete já ficou a 14 euros cada pessoa mas vão num barco que anda tão rápido que vai fora de água. Não estou a brincar, a parte da frente do barco vai no ar. Este barco é fechado, mas não me importei, porque agora o frio dos Alpes começava a entranhar-se nos ossos. Demorámos quase uma hora de Menaggio a Como porque o barco vai parando em vários locais como em Varenna. Se preferirem podem fazer o percurso contrário, apanhar o comboio em Milão para Como e depois subir o lago até Varenna e então aí apanhar o comboio de volta.
Barco rápido atracado em Como
Chegámos a Como por volta das 4 e meia da tarde e como só faltava meia hora até o pôr do sol fomos passeando junto ao lago, onde havia uma feira com algumas diversões. A feira ficava ao pé de Giardini del Tempio Voltiano e foi por aqui que andámos até escurecer e nos dirigirmos para a estação de comboios. O bilhete de comboio Como – Milão custou-nos 5 euros. Como tinha mencionado no início esta foi a vila que menos explorámos, mas também não tínhamos planeado visitar nenhum ponto em especial. Uma grande sugestão é jantarem um bocadinho mais cedo do que o habitual em Como antes de voltarem a Milão. Como, sendo uma vila muito turística, tem imensas escolhas, apenas não aconselho o Caffè Monti, onde as reviews são más e os preços aterradores.
Giardini del Tempio Voltiano
Um dia em Como pareceu-me suficiente para ter uma ideia dos vários sítios por onde passámos e guardar milhares de fotografias de cada canto. Algumas atrações e restaurantes estavam fechadas em janeiro mas a confusão foi muito menor e nunca tivemos qualquer problema em seguir no ferry que tínhamos escolhido entre povoações porque não havia filas.
ComoComo
Tal como nos aconselharam, agora aconselho eu – se forem a Milão tirem um dia para visitar Lago Como.
Episódio mais marcante do dia – não, não foi nenhuma paisagem nem edíficio nem comida. Foi antes durante a nossa espera para apanhar o comboio onde um dos futuros passageiros pergunta a duas raparigas se elas eram atrizes porno. Elas disseram que não, mas ele estava mesmo convencido que eram pela maneira como estavam vestidas. E não é que o comentário não as desagradou?! Dá-me a impressão que alguém conseguiu o objectivo do dia naquele momento. E com isto fecho a viagem a Itália Janeiro 2023!
Está confirmado – a música é uma das melhores artes italianas
Milão é uma cidade grande e ao mesmo tempo pequena – todos associam Milão à moda, ao luxo e ao deslumbramento. E há espaço para isso tudo em Milão, no entanto para turistas, o deslumbramento dura 1 dia. Apenas digo isto porque é possível ver-se todos os pontos principais da cidade em 1 dia, dia e meio se quiserem explorar a cidade um pouco mais.
Já tínhamos feito um “visto” às atracções da cidade:
Duomo de Milão
Última ceia
Galerias Vittorio Emanuele II
Pizza, claro que tinha que entrar na lista tal como,
Aperol Spritz – até vão duas fotografias do cocktail
Então afinal o que faltava e o que vale a pena fazer em Milão para preencher meio dia. Dou as seguintes sugestões:
Castello Sforzesco
Cannoli
Mais pizza…
E foi por essa ordem que começámos o nosso último dia em Milão. Depois do último pequeno-almoço na Casa Calicantus e do check-out que incluiu o pagamento de uma taxa qualquer – tudo foi muito bem explicado, mas em italiano, por isso digamos que é uma taxa de limpeza ou mais ou menos isso. A taxa de limpeza foi o que se conseguiu deduzir e também como perceber o que a senhora estava a dizer era nickles, vamos que foi essa a razão para os 18 euros.
QuartoPequeno-almoço
Assim de malas em mãos fomos visitar o castelo. Apesar de não ter sido planeado a coisa até que não correu mal. Passo a explicar – como em todos os museus não se pode entrar com malas, deixámo-las nos cacifos do museu até à hora de ir para o aeroporto. Para chegar ao castelo da Casa Calicantus passámos pelo Arco della Pace e pelo parque Sempione, onde se encontra a arena cívica Gianni Brera, local onde se realiza jogos de futebol e provas de atletismo. Também neste parque se pode visitar o Acquario Civico e Stazione Idrobiologica di Milano. Nós apenas passeámos pelo parque onde se encontrou muita gente a correr, mas mesmo muita gente com força de vontade para sair de casa às 9 da manha no meio de um frio congelante. E pior, isto notou-se tanto no Sábado como no Domingo. Só pode ser dos hidratos de carbono das massas e pizzas que dão energias extra para estas brincadeiras.
Arco della Pace do parque Sempione
O castelo fica na parte sul do parque e é mais uma fortaleza medieval do que propriamente um castelo. Os bilhetes para entrar custam 5 euros por adulto e com ele tem-se acesso a todos os museus que fazem parte de Sforzesco. Os museus são mais que muitos e cobrem diferentes áreas como arqueologia, artes e diferentes culturas. Os museus estão conectados entre si e facilmente se passa de um museu para outro. Alguns exemplos de museus que podem aqui ser visitados são: museu arqueológico, museu de arte antiga, museu de artes decorativas, museu de instrumentos musicais entre muitos mais.
Se quiserem visitar tudo diria que 1 hora e meia a duas horas. Demorarão mais se quiserem olhar em pormenor para as várias peças de arte e ler todos os placares com informação sobre cada secção. Eu normalmente começo a ler uma frase, mas desisto sempre. Até que vou com garra e quero ler tudo, mas a vontade rapidamente desaparece e espero que eles saibam que a informação importante é para ser colocada logo no início do texto.
Não tirei muitas fotografias mas fiquei francamente impressionada com a fotografia abaixo. E tipo o último boss do jogo onde é preciso ter mais 2 mãos extra e uma armadura nível 500 para o matar. Vê la se aqui puseram uma fotografia de alguém a tocar – pois claro que não têm. É mais um vez a questão do manequim na vitrina de uma loja – a impingir padrões impossíveis a simples seres humanos!
Se tomaram atenção até devem ter reparado a rapariga no reflexo do vidro com ar de “mas isto era para tocar?” Perguntas sérias que nos assaltam no meio de um museu!
Havia uma coisa que eu queria muito fazer em Milão. Vocês perguntar-se-ão: Era visitar a catedral? Era ir ao lago Como? Era comprar uma mala de valor exorbitante? Pronto, isso também, mas não era a prioridade. O que eu queria mesmo era experimentar um cannoli. São as coisas mais simples que nos dão alegria, não são? Bem não diria que um cannoli é simples, porque acredito que há muita técnica lá envolvida, mas acho que perceberam o que quis dizer. Então depois de uma investigação intensa que levou 3 dias para me decidir onde queria ir experimentar o famoso cannoli, fomos a Ammu Cannoli Espressi Siciliani. Tal como a Alice existem vários estabelecimentos espalhados pela cidade e vejam só, não é tamanha coincidência que havia um não muito longe do castelo? Existem vários tamanhos de cannoli – pequeno (muito pequenino), médio e grande. Depois podem escolher entre pistachio, chocolate ou limão para os extremos do creme. Pediu-se com pistachio e lá nos sentámos a experimentar a iguaria. Eu gostei, mas acho que devia haver um tamanho entre o médio e o muito pequenino (que chamam apenas de “pequeno”). Esse seria o tamanho ideal já que achei o médio um bocado enjoativo para o comer assim de uma ?aceitada ?asseitada. Mas gostei imenso, foi uma das coisas que atingiu as expectativas desta viagem, onde coisas mais óbvias não o conseguiram.
Porque vou deixar para o próximo post o nosso trajeto desde a Casa Calicantus to Como e todas as paragens que fizemos durante o dia, vou já falar do jantar do nosso segundo dia. Vínhamos do Lago Como e vínhamos cansados, esfomeados e esperávamos que a pizza neste restaurante nos restaurasse as energias (gostaram do trocadilho? Não foi intencional, mas deixei ficar).
Tínhamos passado pelo restaurante no dia anterior e reparado que os preços das pizzas não eram escandalosos, para mais o restaurante tinha na altura bastante clientela, o que normalmente indica que é um bom restaurante. O restaurante chama-se Convivium e porque não gosto de criticar um lugar principalmente quando só tive uma experiência nesse local vou apenas deixar um conselho – se quiserem muito vir aqui por qualquer razão, não escolham as pizzas. Acho que foi a primeira vez na minha vida que não engoli 100% de uma pizza e que ficou para aí 1/3 no prato. Se pararem neste restaurante experimentem outras coisas, ou simplesmente vão a outro local. Mas não comam as pizzas daqui. Foi uma grande desilusão e não ficou assim tão barato. Não pedimos entradas, mas trouxeram um cesto de pão e fatias de pão de alho que não tínhamos pedido, mas que era “oferta da casa” – e como disse num dos posts anteriores sobre Milão, a “oferta” é paga desde o momento em que chega à mesa. Por isso essas “ofertas” mais duas pizzas e uma garrafa de água ficou-nos a 37 euros. Acho que mesmo que voltasse a Milão não voltaria a dar uma segunda oportunidade a este sítio, mas a experiência pelo menos fica aqui contada, agora cada um faz as suas à sua vontade. (parece que agora um Ámen ficava bem aqui). Deixo isso a vocês.
Pizza no Saporè MilanoCampari spritz
Melhor pizza comeu-se no aeroporto de Linate – no restaurante Saporè Milano by Renato Bosco que até está mal avaliado no google. No entanto, a pizza tinha sido melhor que a da noite anterior. Também não façam o mesmo erro e vão ao Macdonald’s no aeroporto. A qualidade era muito de deixar a desejar. No entanto, fomos ao Macdonald’s na cidade de Milão e é como comparar dois restaurantes completamente diferentes.
Hamburguer com frango, abacate e bacon
Tenho de ressalvar a Italian Airways, depois de umas últimas más experiências com outras companhias áreas não estava muito confidente com esta viagem, onde já esperava mais atrasos e dores de cabeça. Tenho a dizer que tanto para Milão como de volta para Inglaterra não só partimos a horas como chegámos mais cedo uns 20 minutos – tanto para um lado como para o outro. Não sei se foi apenas sorte, mas fez muita diferença.
Depois de ter voltado a Inglaterra e para continuar o tema “Itália” fui a um restaurante italiano em Watford – Il Pelegrino – e foi uma das melhores pizzas que já comi (e com burrata!!!!). Os pontos de exclamação era do quanto eu estava excitada em ir finalmente experimentar este queijo. Afinal não precisava de ter ido tão longe à procura da massa perfeita, bastava ter decidido fazer mais uma visita aos estúdios do Harry Potter e parado em Watford.
E assim deixo o final da viagem NA cidade de Milão e para o próximo post um sítio que muitos sortudos já foram e muitos sonhadores querem ir – Lago Como!
Porque este post vai ser mais sério começo com a música de um grande senhor, Andrea Bocelli. E quem não o conhece – shame on you!
Vamos então continuar na nossa digressão por Milão, uma cidade de artistas não só de pintura e escultura, mas também na arte do roubo. Continuo com a minha dica – não levem todos os documentos com vocês, deixem no hotel o que não precisarem e se não os puderem deixar em casa escondam bem as malas – nada mas nada do que dão valor vai para os bolsos de trás das calças. Podem pensar que vos estão a apalpar mas a única coisa que lhes interessa é o iPhone que espreita do topo da nádega direita.
No último post estávamos na Alice a comer pizza para preencher um almoço tardio – acho que o que fizemos mal foi não termos experimentado mais fatias e ter aproveitado para ter levado umas connosco. Mas como ainda estávamos no primeiro dia tínhamos apostado tudo na fama da comida italiana e por isso a querer experimentar o maior número de sítios possíveis.
Para passar o tempo até ao jantar fomos visitar oMuseu de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci. Tal como o nome indica, este museu é dedicada a outro grande senhor – Leonardo da Vinci. O museu existe desde 1953 e conta com coleções sobre todas as áreas da ciência e engenharia incluindo também arte e arquitetura, não fôssemos nós estar em Itália. Durante a visita vai-se passando de sala para sala conhecendo a história da engenharia aeroespacial, rodoviária, náutica, entre muitas outras. O bilhete de entrada para o museu é 10 euros por adulto. Para quem se enganou e também trouxe os filhos de férias, este museu tem várias atividades em muitas das salas para entreter os pequenos (e pelo que pareceu também os não tão pequenos e como tal não tão giro).
Para final do dia, antes do jantar, tínhamos marcado visita a outro ponto muito importante da cidade de Milão. Na semana antes da partida descobrimos os problemas de não organizar as viagens com adequada antecedência. Um dos locais a não perder em Milão é o mosteiro de Santa Maria delle Grazie. E como no site oficial já não havia bilhetes para os dias em que íamos estar em Itália, olhámos para as excursões privadas e também a maior parte já estava esgotada. Comprámos bilhetes para esta excursão marcada para as 5 da tarde – Milan: Last Supper 1-hour Skip-the-line guided tour (link: https://www.getyourguide.co.uk/milan-l139/milan-last-supper-1-hour-guided-skip-the-line-tour-t309218/).
E porquê que há assim tanta procura para visitar apenas uma igreja? Porque não é uma igreja qualquer e é daqui que vem o título deste post. São quase 300 pessoas, todos os “santos dias”, a quererem visitar por apenas 15 minutos a pintura original da Última Ceia de Leonardo da Vinci. Cada grupo só pode estar no máximo 15 minutos na sala onde se encontra a pintura que tantas perguntas, curiosidades e incertezas tem trazido sobre quem realmente era Jesus e quem realmente está sentado à sua esquerda. O verdadeiro, o original, aqui em Milão. E não me venham dizer que conhecem a pintura por causa do livro “O código da Vinci” porque mesmo os não religiosos já ouviram sobre a última ceia. E realmente estar ali presente à frente da obra única de um grande artista é algo que marca. É uma experiência de orgulho. Apesar de mais de 300 pessoas terem lá ido no mesmo dia que eu continuo a achar uma experiência única.
A guia disse “não tirem selfies” e para aproveitarem o quanto único eram aqueles 15 minutos. Mas claro que para os profissionais das selfies 15 minutos dá para 4575 fotografias com 150 filtros diferentes e por isso era tudo a tirar selfies com a última ceia ao fundo. #janteicomjesus, #jantarcomestesmalucos, #chamem-memadalena foram só alguns dos exemplos de hashtags usados pelos profissionais das redes sociais ali no momento.
Saímos da sala já de noite e com um frio de fazer bater dentes como castanholas (desculpem, país errado para a referência usada). Para jantar já sabíamos onde queríamos ir –Salsamenteria di Parma – restaurante italiano para finalmente provarmos um pouco mais desta cozinha que é conhecida e apreciada mundialmente. Não tínhamos marcado mesa, mas chegámos cedo, por volta das 7. Se quiserem jantar mais tarde aconselho a marcarem mesa porque passados uns 10-15 minutos depois de chegarmos as mesas já estavam completas e só aceitavam quem tinha feito marcação. O menu ao início pareceu-nos um bocado confuso, primeiro há as entradas e depois aconselham a escolher primeiro prato, um prato de massa, e depois um segundo prato como prato principal. A mim pareceu-me um bocado “tourist trap”, um menu feito para turistas. Nós escolhemos entrada e um prato para prato principal. Para beber, estando em Itália, não há nada como pedir um Aperol Spritz e confirmo que em Itália este cocktail sabe melhor. No final da viagem, bebemos Aperol em 3 estabelecimentos e todos eles sabiam ligeiramente diferente, mas mesmo assim todos eles eram melhores dos que já tinha bebido em outras ocasiões.
Para entrada pedimos polenta frita com presunto e queijo. E, entretanto, trouxeram um cesto de pão com manteiga de alho e queijo e um molho com pimentos. Quando trouxeram o pão e os molhos disseram que eram oferta da casa, mas não se iludam, nada que vem para a mesa num restaurante italiano é oferta. E mesmo o que não vem para a mesa vem na conta no final. Quando fizemos o pedido, o meu marido pediu uma cerveja que nunca apareceu, pediu outra vez quando veio o prato principal e também nunca apareceu. No entanto, na conta já apareceram duas cervejas. Dissemos à empregada que não tinha vindo nenhuma cerveja, veio a conta só com uma cerveja para pagar. E lá tivemos que dizer outra vez que não tinha vindo nenhuma cerveja. Este deve ser o estratagema para apanhar os mais introvertidos que não vão dizer nada para “não parecer mal”. Agora sobre a comida – o presunto e o queijo, muito bom, a polenta, talvez se o rácio fosse mais polenta e menos óleo a coisa tinha sido melhor. A polenta vinha tão empapada que mais parecia pronta para olear um carro. Talvez se viesse debaixo de um papel absorvente em vez de papel de embrulho o óleo conseguisse escapar por algum lado em vez de bloquear veias. Para entrada principal pedimos gnocchi com molho de quejo gorgonzola e tagliatelle com molho de carne. Se eram maus? Não, não eram. Se já comi melhor? Sim, e não tive de ir a Itália. Por isso ficou assim um bocado aquém, mas o fator principal aqui foi a grande expectativa com que íamos, eu estava completamente convencida que ia ficar completamente de boca aberta e viciada em massas e pizzas. Ainda fomos para a sobremesa, tiramisu, e sim era a receita tradicional com mascarpone e café forte. Foi um dos pontos altos da refeição, mas também só por acaso custava quase tanto como um prato principal. Não quero que fiquem com a ideia que o restaurante era mau. Não era de todo, e mesmo o ambiente era descontraído e animado. E se voltava aqui? Depois de tudo em conjunto sim, voltava, especialmente para experimentar a salada com burrata.
Para ir curtir a noite que para nós foi até às 11, que depois disso também já é estar a contar com a sorte, fomos até ao bar/restaurante ao pé do Arco della Pace, Bhangrabar. Pareceu-nos que este é um restaurante muito escolhido por locais e estudantes universitários. O lugar estava a abarrotar até porque entre as 5 e as 10 da noite é “happy hour”, pelo buffet e uma bebida (alcoólica ou não alcoólica) paga-se 14 euros, se for uma bebida extra grande (chamadas maxi) paga-se 17 euros. Nós ficámo-nos pelas bebidas – o aperol – sim vão com força nele. A pina colada é que já não deixou desejos. Mas o aperol vão MAXI nele. A comida pelo que me pareceu era mesmo típica de buffet, suponho que pelo preço as pessoas vão mais pela quantidade do que qualidade. Não, emendo o que disse, as pessoas vão mais pela bebida do que pela comida. Mas não se guiem pela minha palavra, afinal não posso criticar o que não comi. E vi quem trouxesse 10 pratos para a mesa e acabá-los a todos. Ambiente 5* e os empregados super simpáticos. Mesmo que não venham para comer vale a pena vir pelas bebidas.
Nada como um conselho cheio de alcool para acabar o primeiro dia em Milao. No proximo post vou passar ja ao terceiro dia e deixar o segundo para o final. No segundo dia fomos ao Lago Como e por isso como mandam as regras deixa-se o final para o fim. Vao la ouvir a musica do inicio deste post que eu vou beber um apperol (vá deixo a receita aqui: https://www.aperolspritzsocials.com/how-to-make-an-aperol-spritz/).
Agora que já criei uma atmosfera mais belíssima (sim vai haver muitas referências à língua italiana) começo então por falar de 3 dias passados na zona norte de Itália, mais exatamente em Milão e Lago Como. Ainda antes de ir fomos avisados de alguns maneirismos da cidade e que confirmámos durante a viagem.
Primeiro – sim, as pessoas falam muito com as mãos. Gesticulam e falam a uma velocidade impressionante como se tivessem muito lá dentro para dizer e não houvesse tempo para dizer tudo. Nós a pensarmos que se fizéssemos o movimento mais conhecido de Itália que nos dariam um sopapo, mas afinal se o tivéssemos feito só teriam pensado ou que eramos italianos ou turistas a tentar integrar na cultura. O maior exemplo foi durante a viagem de comboio de Milão ao Lago Como. Uma hora inteira em que duas mulheres não se calaram nem para respirar. Depois de 45 minutos eu estava francamente surpreendida como havia pessoas com tanto para dizer.
Segundo, em Milão é preciso ter cuidado com carteiras, telemóveis e afins. Se levarem passaporte e cartão de cidadão, aconselho a deixar um no hotel e andar com o outro. Na verdade, andem com o menos possível. Eu por exemplo, andava com uma mala a tiracolo debaixo do casaco com o fecho da mala sempre virado para mim. O mais evidente foi a frente da catedral onde vários homens deambulavam por ali fazendo sinais uns aos outros. Por coincidência ontem vi no Facebook uma portuguesa a queixar-se que tinha sido assaltada em Milão e perguntava como poderia regressar sem documentos. O que mais me impressionou é que houve um ser humano que perguntou se ela tinha sido roubada ou furtada. Fiquei a saber que são coisas diferentes em que ao ser-se roubada também se leva na boca. Eu até pensava que furtado era brasileiro “ele furtou” – se disseram com sotaque vão ver que parece brasileiro. Mas pelos vistos é tudo na boa ficar sem identificação e levar um murro na boca, o que não é aceitável é dar-se pontapés no vocabulário português.
E não pensem que os roubos são só em “termos” ilegais. Também tínhamos sido avisados para verificarmos todas as faturas nos restaurantes aonde fossemos. Por exemplo houve em um que pedimos uma cerveja – não veio – pedimos outra vez – não veio. Depois na conta para pagar já veio as duas cervejas – falamos com a empregada – conta emendada agora a pagar uma cerveja – falamos com outro empregado. Pelos vistos é tão normal que pedir desculpa nada e ainda se riram com aquele riso falso do tipo “ah ah ah afinal eles não se deixaram enganar”. Apesar de tudo o restaurante não era mau e falarei dele mais tarde.
E por último fomos avisados que Milão é uma cidade cara. Não seria Milão a cidade da moda. Nós tivemos bastante cuidado onde fomos jantar e tentamos não gastar mais do que tínhamos planeado. No entanto, caro fica sempre – agora podem escolher entre pouco caro, médio-caro ou muito caro. Claro que há o exorbitantemente caro como eu vi em que pessoas (juro que isto e verdade) com 5 sacos de compras e nenhum deles era da Primark. Só isto mostra que em Milão não estão para brincadeiras E eu vi uma Primark, por isso escolhem de propósito comprar em sítios caros. O meu marido descobriu como a moda se faz em Milão em 2023, e fica aqui a dica se forem lá durante o Inverno – botas de cano alto, um casaco comprido felpudo e o que quiserem por debaixo tendo em conta que não se veja por debaixo do casaco. Se tiverem friozinho metam uma calças de cabedal que também fica tudo bem.
Como disse que ficou caro vou dizer que gastámos mais ou menos 300 euros durante o fim de semana, não contando com alojamento e voos. Gastámos mais porque fomos ao lago Como e a várias cidades à volta do lago e isso levou-nos cerca de uns 100 euros. Mas como poderão ver não fomos a restaurantes caros, muito pelo contrário. Antes que avance há algo muito importante – comprem os bilhetes com antecedência se querem visitar a Catedral e o quadro da última ceia. Nós para o quadro já só conseguimos através de uma tour guiada porque já não havia bilhetes através do site oficial. E isto foi em janeiro por isso durante alturas mais movimentadas eu diria que comprarem os bilhetes com 3 semanas de antecedência não será exagerado. Eu darei os links à medida que for falando dos locais durante a nossa viagem.
A chegada
Nós voámos de aeroporto de Heathrow para o aeroporto de Linate. De Lisboa penso que o mais comum é voar para o aeroporto de Malpensa. Malpensa fica mais longe de Milão que Linate, mas existe transporte público direto a cada 30 minutos e demora cerca de 1 hora. De Linate há o autocarro 73 que demora cerca de 30 minutos. Como já chegámos por volta das 10 da noite e não tínhamos jantado e a paragem de autocarro ficava longe do nosso alojamento fomos de Uber (notaram as mil desculpas para não apanhar o fresco da noite?) E em Milão claro que o Uber era um carro executivo em que o condutor estava mais bem vestido que os clientes (nós). E ficou-nos caro, cerca de 70 euros, mas era o melhor que se arranjava àquela hora (e para a nossa disposição para aventuras). O nosso conselho – não cheguem tão tarde a uma cidade que não conhecem.Ficámos hospedados daCasa Calicantusa 5 minutos do Arco della Pace (Arco da Paz) e a triliões de quilómetros do centro da cidade. Dizer que andámos muito é não dar o devido valor aos nossos pés e joelhos e ancas e todos os pequenos músculos que trabalham para o simplesmente movimento de por um pé à frente do outro.
Arco della Pace
Claro está que a razão para ficar na Casa Calicantus foi o preço – no centro da cidade é preciso dar uma perna, o que a ver agora se calhar não é mau, já que não vais precisar dela para andar tanto, mas mesmo assim escolhemos a Casa Calicantus. E não nos arrependemos porque se tivéssemos ficado no centro da cidade era preciso andar para a estação de comboios, para a o castelo e para ver o arco. E apesar de já ter passado da hora de check-in, receberam-nos a hora tardia. Agora a senhora não falava praticamente inglês nenhum e nós não falamos italiano – então toda a explicação foi como ensinar chimpanzés a abrir portas – uma mistura de repetição de movimentos e grunhidos. E depois ela disse para lá mais umas coisas que não percebemos patavina e que afinal incluía uma taxa qualquer de 6 euros por noite – só descobrimos já no check-out quando ela pediu 18 euros. No entanto, a mulher foi simpática e o quarto era enorme, a casa de banho enorme e também havia uma sala que mal usámos.
A zona era calma, apesar de ser perto de linhas ferroviárias, mas nada a dizer. O tamanho do quarto foi uma agradável surpresa. O pequeno-almoço era simples. Não digo que era mau, não era, mas simples. Alguns cereais (o leite ainda estamos a tentar perceber onde estava), fatias de pão, panetone (um bolo tradicional com frutas cristalizadas, surpreendente bom), iogurtes, manteiga e uns queijos, fiambre e mortadela. Chegou para aquilo que precisávamos, mas não foi algo que tenha ficado para a história. Descobri que em Itália o melhor é a charcutaria – o fiambre, o presunto, a mortadela eram deliciosos, tinha um sabor intenso mas muito bom. Vou atirar-me e dizer que foi o melhor de toda a viagem. No pequeno-almoço havia sempre a opção de café, cappuccino ou chá – o cappuccino era bom e havia uma boa variedade de chás.
Pequeno-almoço na Casa Calicantus
Como chegámos tarde a Milão muitos dos restaurantes já estavam fechados ou quase a fechar ou não serviam comida. Por isso fomos a um sítio super chique, que gritava “Milão” no esplendor da palavra – uma roulotte ao pé do castelo. Tenho a dizer que tenho essa roulotte em alta consideração pois salvou-nos a noite – pedimos batatas fritas, surpreendente boas, e eu pedi um panini com queijo, presunto e salada, que me soube pela vida. O meu marido pediu um hambúrguer e apesar de haver uma parte que estava meio para o cru, foi tudo. Foi um sítio para o desenrasca mas consigo dar melhor review à roulotte do que ao restaurante mais “chique” que fomos (eu deixo este para outro post para não estragar já a viagem).
O primeiro dia (primeira parte)
Depois do pequeno-almoço fomos em direção ao ponto principal da cidade – a Catedral! Se procurarem em qualquer social media com a localização de Milão conseguirão vislumbrar a catedral por detrás da pessoa que pensa que é modelo do Instagram ou que ser fotografado é a razão da vida deles. Eu ontem fiz uma pesquisa sobre o lago Como só para ver se tinha perdido alguma coisa de especial durante a viagem. Em 100% dos posts só vi mulheres. Alguns homens, mas muita mulher. E pouca paisagem que é aquilo que vale a pena ver quando se vai a outro país. Mas todos devem concordar que já devem ter reparado que as pessoas nem olham mesmo com olhos de ver para o que estão a visitar. Ou estão a tirar selfies ou a tirar fotografias aos amigos/família e a pensar na próxima selfie. O mesmo se passa quando se procura pela catedral, vê-se a fachada ao fundo mas sempre tapada por vestidos, pernas e cabelos.
Comprámos os bilhetes através do site oficial https://www.duomomilano.it/en/ e escolhemos o Duoma Pass Stairs que nos deu acesso aos telhados (pelas escadas), à catedral, à zona arqueológica e ao museu. Cada bilhete ficou-nos a 15 euros. Marcámos para as 10 da manhã e no site aconselhava a chegar uns 15 minutos antes da hora marcada. Acredito que no Verão haja muita confusão, mas sendo Janeiro chegámos ainda uns minutos antes das 10 e entrámos logo de seguida. Começou-se a visita pelo telhado e a subida pelas escadas fez logo subir o batimento cardíaco. Já a suar em bica e a perguntar-nos porque não tínhamos dado mais 5 euros para subir de elevador chegámos finalmente ao cimo. Primeira impressão da catedral? Horrível, horrível (sarcasm alert!) – muitos pináculos e santos e rendilhados. Detestei tanto que tenho cerca de 50 fotografias a comprovar o quanto não vale a pena. É que nem sabia para onde me virar com toda coisa feia.
Então o interior, os grandes painéis de vidros coloridos – detestável. Realmente é uma obra onde se vê que as pessoas não sabiam o que estavam a fazer. E tenho cerca de mais de 50 fotografias só do interior para o comprovar. Agora um bocadinho sobre a catedral, se quiserem confirmar que não vale a pena cá vir.
História do Duomo di Milano
A catedral chama-se Duomo di Milano e a sua construção pensa-se ter começado por volta do ano de 1386, altura em que o estilo Gótico estava no auge. A catedral foi construída sobre as basílicas de Santa Maria Maggiore e Santa Tecla. Os remanescentes destas basílicas podem ser ainda vistos na Área Arqueológica. A decisão de construir usando mármore em vez de tijolo (o que se vê em muitas das igrejas distribuídas pela cidade) foi uma enorme introdução da cidade ao estilo Gótico, o que trouxe arquitetos, escultores e artistas de várias parte da Europa a participar neste projeto. Devido ao grande número de participantes não é possível atribuir esta obra apenas a um autor.
No século XVI com a Reforma Católica foram introduzidas na catedral conceitos da arquitetura e mobiliário eclesiástico da Roma papal como se vê no presbitério, altares laterais, cripta, batistério e chão. O desenho da fachada principal, que é um dos ícones da cidade de Milão começou no final do seculo XVI e só foi finalmente concluída entre 1909 e 1965. Desde a segunda metade do século XX que tem havido um grande esforço na área da restauração de algumas partes do Duomo. Por exemplo durante a nossa visita havia obras de restauração numa das partes do telhado. Para preservar todos as partes da Duomo é preciso esforço, cuidado e dedicação.
Depois de umas duas horas a explorar todas as secções do Duomo incluindo a zona arqueológica e o museu, este último fica ao pé do Palácio Real, fomos confirmar que aquela cidade era para diferentes tipos de bolsos. Galleria Vittoria Emanuele II, arcadas que vos levam a passar por diferentes lojas. Em algumas há um empregado que te abre a porta, não aquele segurança que está sentado a olhar para o telefone ou que não tens bem a certeza se morreu de tédio ou se só adormeceu – não! São empregados de fato a abrirem-te a porta. Nomes como Gucci, Louis Vitton, Prada são apenas alguns dos mais conhecidos que habitam nestas galerias.
Existe uma tradição de pedir um desejo mesmo no centro da galeria. Supostamente tem de se dar 3 voltas na direção oposta à dos ponteiros do relógio onde no chão está a figura de um touro. Nós não o fizemos porque achámos que mesmo que dessemos muitas voltas nunca conseguiríamos ter dinheiro para ir às compras ali. Claro que vale a pena ir às galerias, fica-se não só a conhecer outro mundo como se vê no teto bonitas pinturas. Depois de uma volta às galerias fomos até à Plazza Mercanti onde era a praça central da cidade durante a Idade Média. Agora esta está diferente, mas foi giro ouvir música clássica e ver quem estivesse a dar tudo por aquela música (vejam o vídeo abaixo).
As primeiras origens da igreja de S. Bernadino e do ossário remontam ao século XIII. Nesta altura foi construído um hospital aqui ao pé tal como um cemitério para enterrar os que morressem no hospital. Como depois de alguns anos o espaço do cemitério era insuficiente (parece-me que era um hospital dos bons) criaram uma sala para colocar os ossos dos exumados do cemitério. Claro que durante muitos anos os ossos foram considerados de santos ou divindades, mas não, na verdade são a juncão de ossos de doentes que morreram no hospital, outros condenados à decapitação, prisioneiros que morreram durante o seu aprisionamento e que o seu cemitério também ficou lotado em 1622, membros da nobreza de Milão e cónegos da basílica de S. Stefano.
Uma curiosidade sobre esta igreja é que foi aqui que o rei de Portugal João V tirou a ideia para criar uma igreja parecida, esta em Évora, a conhecida Capela dos Ossos. Em vez de ter escolhido trazer para Portugal a arte da culinária, trouxe antes a sugestão de colocar ossos numa igreja. Atire primeiro uma pedra (ou um osso) quem não faria também o mesmo?! Até porque a entrada para esta igreja é gratuita, já o mesmo não se pode ser da Capela dos Ossos.
Andando mais um bocado por Milão fomos visitar Chiesa di San Maurizio al Monasterio Maggiore. Muitas palavras para dizer que é um igreja onde as freiras rezavam. A entrada também é gratuita e antigamente esta igreja de São Maurício estava ligada ao mosteiro das freiras Beneditas. Atualmente é possível visitar a igreja, no entanto o mosteiro é agora o museu cívico arqueológico, esse já de entrada paga.
Vou deixar o resto do dia para outro post ainda falta um dos locais mais importantes da cidade de Milão que vos falarei noutro dia. Deixo-vos então com uma paragem na Alice a comer pizza. E foi aqui onde comemos a melhor pizza de toda a viagem. Eles têm várias pizzas e escolhe-se o tamanho das fatias e as pizzas que se quer. O preço é dependente do peso das fatias. Alice é uma franchise e encontra-se em vários locais espalhados pela cidade de Milão. Nós experimentámos a pizza de outono com abóbora e a pizza de cogumelos. Ambas muito boas. Recomendo a darem uma olhada no site deles (https://www.alicepizza.it/en/pizza/) e se forem a Milão descobrirem onde encontram uma Alice perto de vocês.