Milão, Itália

Uma das músicas italianas mais conhecidas

Agora que já criei uma atmosfera mais belíssima (sim vai haver muitas referências à língua italiana) começo então por falar de 3 dias passados na zona norte de Itália, mais exatamente em Milão e Lago Como. Ainda antes de ir fomos avisados de alguns maneirismos da cidade e que confirmámos durante a viagem.

  • Primeiro – sim, as pessoas falam muito com as mãos. Gesticulam e falam a uma velocidade impressionante como se tivessem muito lá dentro para dizer e não houvesse tempo para dizer tudo. Nós a pensarmos que se fizéssemos o movimento mais conhecido de Itália que nos dariam um sopapo, mas afinal se o tivéssemos feito só teriam pensado ou que eramos italianos ou turistas a tentar integrar na cultura. O maior exemplo foi durante a viagem de comboio de Milão ao Lago Como. Uma hora inteira em que duas mulheres não se calaram nem para respirar. Depois de 45 minutos eu estava francamente surpreendida como havia pessoas com tanto para dizer.
  • Segundo, em Milão é preciso ter cuidado com carteiras, telemóveis e afins. Se levarem passaporte e cartão de cidadão, aconselho a deixar um no hotel e andar com o outro. Na verdade, andem com o menos possível. Eu por exemplo, andava com uma mala a tiracolo debaixo do casaco com o fecho da mala sempre virado para mim. O mais evidente foi a frente da catedral onde vários homens deambulavam por ali fazendo sinais uns aos outros. Por coincidência ontem vi no Facebook uma portuguesa a queixar-se que tinha sido assaltada em Milão e perguntava como poderia regressar sem documentos. O que mais me impressionou é que houve um ser humano que perguntou se ela tinha sido roubada ou furtada. Fiquei a saber que são coisas diferentes em que ao ser-se roubada também se leva na boca. Eu até pensava que furtado era brasileiro “ele furtou” – se disseram com sotaque vão ver que parece brasileiro. Mas pelos vistos é tudo na boa ficar sem identificação e levar um murro na boca, o que não é aceitável é dar-se pontapés no vocabulário português.
  • E não pensem que os roubos são só em “termos” ilegais. Também tínhamos sido avisados para verificarmos todas as faturas nos restaurantes aonde fossemos. Por exemplo houve em um que pedimos uma cerveja – não veio – pedimos outra vez – não veio. Depois na conta para pagar já veio as duas cervejas – falamos com a empregada – conta emendada agora a pagar uma cerveja – falamos com outro empregado. Pelos vistos é tão normal que pedir desculpa nada e ainda se riram com aquele riso falso do tipo “ah ah ah afinal eles não se deixaram enganar”. Apesar de tudo o restaurante não era mau e falarei dele mais tarde.
  • E por último fomos avisados que Milão é uma cidade cara. Não seria Milão a cidade da moda. Nós tivemos bastante cuidado onde fomos jantar e tentamos não gastar mais do que tínhamos planeado. No entanto, caro fica sempre – agora podem escolher entre pouco caro, médio-caro ou muito caro. Claro que há o exorbitantemente caro como eu vi em que pessoas (juro que isto e verdade) com 5 sacos de compras e nenhum deles era da Primark. Só isto mostra que em Milão não estão para brincadeiras E eu vi uma Primark, por isso escolhem de propósito comprar em sítios caros. O meu marido descobriu como a moda se faz em Milão em 2023, e fica aqui a dica se forem lá durante o Inverno – botas de cano alto, um casaco comprido felpudo e o que quiserem por debaixo tendo em conta que não se veja por debaixo do casaco. Se tiverem friozinho metam uma calças de cabedal que também fica tudo bem.

Como disse que ficou caro vou dizer que gastámos mais ou menos 300 euros durante o fim de semana, não contando com alojamento e voos. Gastámos mais porque fomos ao lago Como e a várias cidades à volta do lago e isso levou-nos cerca de uns 100 euros. Mas como poderão ver não fomos a restaurantes caros, muito pelo contrário. Antes que avance há algo muito importante – comprem os bilhetes com antecedência se querem visitar a Catedral e o quadro da última ceia. Nós para o quadro já só conseguimos através de uma tour guiada porque já não havia bilhetes através do site oficial. E isto foi em janeiro por isso durante alturas mais movimentadas eu diria que comprarem os bilhetes com 3 semanas de antecedência não será exagerado. Eu darei os links à medida que for falando dos locais durante a nossa viagem.


A chegada

Nós voámos de aeroporto de Heathrow para o aeroporto de Linate. De Lisboa penso que o mais comum é voar para o aeroporto de Malpensa. Malpensa fica mais longe de Milão que Linate, mas existe transporte público direto a cada 30 minutos e demora cerca de 1 hora. De Linate há o autocarro 73 que demora cerca de 30 minutos. Como já chegámos por volta das 10 da noite e não tínhamos jantado e a paragem de autocarro ficava longe do nosso alojamento fomos de Uber (notaram as mil desculpas para não apanhar o fresco da noite?) E em Milão claro que o Uber era um carro executivo em que o condutor estava mais bem vestido que os clientes (nós). E ficou-nos caro, cerca de 70 euros, mas era o melhor que se arranjava àquela hora (e para a nossa disposição para aventuras). O nosso conselho – não cheguem tão tarde a uma cidade que não conhecem.Ficámos hospedados da Casa Calicantus a 5 minutos do Arco della Pace (Arco da Paz) e a triliões de quilómetros do centro da cidade. Dizer que andámos muito é não dar o devido valor aos nossos pés e joelhos e ancas e todos os pequenos músculos que trabalham para o simplesmente movimento de por um pé à frente do outro.

Arco della Pace

Claro está que a razão para ficar na Casa Calicantus foi o preço – no centro da cidade é preciso dar uma perna, o que a ver agora se calhar não é mau, já que não vais precisar dela para andar tanto, mas mesmo assim escolhemos a Casa Calicantus. E não nos arrependemos porque se tivéssemos ficado no centro da cidade era preciso andar para a estação de comboios, para a o castelo e para ver o arco. E apesar de já ter passado da hora de check-in, receberam-nos a hora tardia. Agora a senhora não falava praticamente inglês nenhum e nós não falamos italiano – então toda a explicação foi como ensinar chimpanzés a abrir portas – uma mistura de repetição de movimentos e grunhidos. E depois ela disse para lá mais umas coisas que não percebemos patavina e que afinal incluía uma taxa qualquer de 6 euros por noite – só descobrimos já no check-out quando ela pediu 18 euros. No entanto, a mulher foi simpática e o quarto era enorme, a casa de banho enorme e também havia uma sala que mal usámos.

A zona era calma, apesar de ser perto de linhas ferroviárias, mas nada a dizer. O tamanho do quarto foi uma agradável surpresa. O pequeno-almoço era simples. Não digo que era mau, não era, mas simples. Alguns cereais (o leite ainda estamos a tentar perceber onde estava), fatias de pão, panetone (um bolo tradicional com frutas cristalizadas, surpreendente bom), iogurtes, manteiga e uns queijos, fiambre e mortadela. Chegou para aquilo que precisávamos, mas não foi algo que tenha ficado para a história. Descobri que em Itália o melhor é a charcutaria – o fiambre, o presunto, a mortadela eram deliciosos, tinha um sabor intenso mas muito bom. Vou atirar-me e dizer que foi o melhor de toda a viagem. No pequeno-almoço havia sempre a opção de café, cappuccino ou chá – o cappuccino era bom e havia uma boa variedade de chás.

Pequeno-almoço na Casa Calicantus

Como chegámos tarde a Milão muitos dos restaurantes já estavam fechados ou quase a fechar ou não serviam comida. Por isso fomos a um sítio super chique, que gritava “Milão” no esplendor da palavra – uma roulotte ao pé do castelo. Tenho a dizer que tenho essa roulotte em alta consideração pois salvou-nos a noite – pedimos batatas fritas, surpreendente boas, e eu pedi um panini com queijo, presunto e salada, que me soube pela vida. O meu marido pediu um hambúrguer e apesar de haver uma parte que estava meio para o cru, foi tudo. Foi um sítio para o desenrasca mas consigo dar melhor review à roulotte do que ao restaurante mais “chique” que fomos (eu deixo este para outro post para não estragar já a viagem).


O primeiro dia (primeira parte)

Depois do pequeno-almoço fomos em direção ao ponto principal da cidade – a Catedral! Se procurarem em qualquer social media com a localização de Milão conseguirão vislumbrar a catedral por detrás da pessoa que pensa que é modelo do Instagram ou que ser fotografado é a razão da vida deles. Eu ontem fiz uma pesquisa sobre o lago Como só para ver se tinha perdido alguma coisa de especial durante a viagem. Em 100% dos posts só vi mulheres. Alguns homens, mas muita mulher. E pouca paisagem que é aquilo que vale a pena ver quando se vai a outro país. Mas todos devem concordar que já devem ter reparado que as pessoas nem olham mesmo com olhos de ver para o que estão a visitar. Ou estão a tirar selfies ou a tirar fotografias aos amigos/família e a pensar na próxima selfie. O mesmo se passa quando se procura pela catedral, vê-se a fachada ao fundo mas sempre tapada por vestidos, pernas e cabelos.

Comprámos os bilhetes através do site oficial https://www.duomomilano.it/en/ e escolhemos o Duoma Pass Stairs que nos deu acesso aos telhados (pelas escadas), à catedral, à zona arqueológica e ao museu. Cada bilhete ficou-nos a 15 euros. Marcámos para as 10 da manhã e no site aconselhava a chegar uns 15 minutos antes da hora marcada. Acredito que no Verão haja muita confusão, mas sendo Janeiro chegámos ainda uns minutos antes das 10 e entrámos logo de seguida. Começou-se a visita pelo telhado e a subida pelas escadas fez logo subir o batimento cardíaco. Já a suar em bica e a perguntar-nos porque não tínhamos dado mais 5 euros para subir de elevador chegámos finalmente ao cimo. Primeira impressão da catedral? Horrível, horrível (sarcasm alert!) – muitos pináculos e santos e rendilhados. Detestei tanto que tenho cerca de 50 fotografias a comprovar o quanto não vale a pena. É que nem sabia para onde me virar com toda coisa feia.

Então o interior, os grandes painéis de vidros coloridos – detestável. Realmente é uma obra onde se vê que as pessoas não sabiam o que estavam a fazer. E tenho cerca de mais de 50 fotografias só do interior para o comprovar. Agora um bocadinho sobre a catedral, se quiserem confirmar que não vale a pena cá vir.


História do Duomo di Milano

A catedral chama-se Duomo di Milano e a sua construção pensa-se ter começado por volta do ano de 1386, altura em que o estilo Gótico estava no auge. A catedral foi construída sobre as basílicas de Santa Maria Maggiore e Santa Tecla. Os remanescentes destas basílicas podem ser ainda vistos na Área Arqueológica. A decisão de construir usando mármore em vez de tijolo (o que se vê em muitas das igrejas distribuídas pela cidade) foi uma enorme introdução da cidade ao estilo Gótico, o que trouxe arquitetos, escultores e artistas de várias parte da Europa a participar neste projeto. Devido ao grande número de participantes não é possível atribuir esta obra apenas a um autor.

No século XVI com a Reforma Católica foram introduzidas na catedral conceitos da arquitetura e mobiliário eclesiástico da Roma papal como se vê no presbitério, altares laterais, cripta, batistério e chão. O desenho da fachada principal, que é um dos ícones da cidade de Milão começou no final do seculo XVI e só foi finalmente concluída entre 1909 e 1965. Desde a segunda metade do século XX que tem havido um grande esforço na área da restauração de algumas partes do Duomo. Por exemplo durante a nossa visita havia obras de restauração numa das partes do telhado. Para preservar todos as partes da Duomo é preciso esforço, cuidado e dedicação.


Depois de umas duas horas a explorar todas as secções do Duomo incluindo a zona arqueológica e o museu, este último fica ao pé do Palácio Real, fomos confirmar que aquela cidade era para diferentes tipos de bolsos. Galleria Vittoria Emanuele II, arcadas que vos levam a passar por diferentes lojas. Em algumas há um empregado que te abre a porta, não aquele segurança que está sentado a olhar para o telefone ou que não tens bem a certeza se morreu de tédio ou se só adormeceu – não! São empregados de fato a abrirem-te a porta. Nomes como Gucci, Louis Vitton, Prada são apenas alguns dos mais conhecidos que habitam nestas galerias.

Existe uma tradição de pedir um desejo mesmo no centro da galeria. Supostamente tem de se dar 3 voltas na direção oposta à dos ponteiros do relógio onde no chão está a figura de um touro. Nós não o fizemos porque achámos que mesmo que dessemos muitas voltas nunca conseguiríamos ter dinheiro para ir às compras ali. Claro que vale a pena ir às galerias, fica-se não só a conhecer outro mundo como se vê no teto bonitas pinturas. Depois de uma volta às galerias fomos até à Plazza Mercanti onde era a praça central da cidade durante a Idade Média. Agora esta está diferente, mas foi giro ouvir música clássica e ver quem estivesse a dar tudo por aquela música (vejam o vídeo abaixo).

Afastando-nos um bocadinho do centro da cidade fomos ao Santuario di San Bernardino alle Ossa.

As primeiras origens da igreja de S. Bernadino e do ossário remontam ao século XIII. Nesta altura foi construído um hospital aqui ao pé tal como um cemitério para enterrar os que morressem no hospital. Como depois de alguns anos o espaço do cemitério era insuficiente (parece-me que era um hospital dos bons) criaram uma sala para colocar os ossos dos exumados do cemitério. Claro que durante muitos anos os ossos foram considerados de santos ou divindades, mas não, na verdade são a juncão de ossos de doentes que morreram no hospital, outros condenados à decapitação, prisioneiros que morreram durante o seu aprisionamento e que o seu cemitério também ficou lotado em 1622, membros da nobreza de Milão e cónegos da basílica de S. Stefano.

Uma curiosidade sobre esta igreja é que foi aqui que o rei de Portugal João V tirou a ideia para criar uma igreja parecida, esta em Évora, a conhecida Capela dos Ossos. Em vez de ter escolhido trazer para Portugal a arte da culinária, trouxe antes a sugestão de colocar ossos numa igreja. Atire primeiro uma pedra (ou um osso) quem não faria também o mesmo?! Até porque a entrada para esta igreja é gratuita, já o mesmo não se pode ser da Capela dos Ossos.

Andando mais um bocado por Milão fomos visitar Chiesa di San Maurizio al Monasterio Maggiore. Muitas palavras para dizer que é um igreja onde as freiras rezavam. A entrada também é gratuita e antigamente esta igreja de São Maurício estava ligada ao mosteiro das freiras Beneditas. Atualmente é possível visitar a igreja, no entanto o mosteiro é agora o museu cívico arqueológico, esse já de entrada paga.

Vou deixar o resto do dia para outro post ainda falta um dos locais mais importantes da cidade de Milão que vos falarei noutro dia. Deixo-vos então com uma paragem na Alice a comer pizza. E foi aqui onde comemos a melhor pizza de toda a viagem. Eles têm várias pizzas e escolhe-se o tamanho das fatias e as pizzas que se quer. O preço é dependente do peso das fatias. Alice é uma franchise e encontra-se em vários locais espalhados pela cidade de Milão. Nós experimentámos a pizza de outono com abóbora e a pizza de cogumelos. Ambas muito boas. Recomendo a darem uma olhada no site deles (https://www.alicepizza.it/en/pizza/) e se forem a Milão descobrirem onde encontram uma Alice perto de vocês.

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