Em Milão “onde todos somos católicos”

A continuar a vibe italiana…

Porque este post vai ser mais sério começo com a música de um grande senhor, Andrea Bocelli. E quem não o conhece – shame on you!

Vamos então continuar na nossa digressão por Milão, uma cidade de artistas não só de pintura e escultura, mas também na arte do roubo. Continuo com a minha dica – não levem todos os documentos com vocês, deixem no hotel o que não precisarem e se não os puderem deixar em casa escondam bem as malas – nada mas nada do que dão valor vai para os bolsos de trás das calças. Podem pensar que vos estão a apalpar mas a única coisa que lhes interessa é o iPhone que espreita do topo da nádega direita.

No último post estávamos na Alice a comer pizza para preencher um almoço tardio – acho que o que fizemos mal foi não termos experimentado mais fatias e ter aproveitado para ter levado umas connosco. Mas como ainda estávamos no primeiro dia tínhamos apostado tudo na fama da comida italiana e por isso a querer experimentar o maior número de sítios possíveis.

Para passar o tempo até ao jantar fomos visitar o Museu de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci. Tal como o nome indica, este museu é dedicada a outro grande senhor – Leonardo da Vinci. O museu existe desde 1953 e conta com coleções sobre todas as áreas da ciência e engenharia incluindo também arte e arquitetura, não fôssemos nós estar em Itália. Durante a visita vai-se passando de sala para sala conhecendo a história da engenharia aeroespacial, rodoviária, náutica, entre muitas outras. O bilhete de entrada para o museu é 10 euros por adulto. Para quem se enganou e também trouxe os filhos de férias, este museu tem várias atividades em muitas das salas para entreter os pequenos (e pelo que pareceu também os não tão pequenos e como tal não tão giro).

Para final do dia, antes do jantar, tínhamos marcado visita a outro ponto muito importante da cidade de Milão. Na semana antes da partida descobrimos os problemas de não organizar as viagens com adequada antecedência. Um dos locais a não perder em Milão é o mosteiro de Santa Maria delle Grazie. E como no site oficial já não havia bilhetes para os dias em que íamos estar em Itália, olhámos para as excursões privadas e também a maior parte já estava esgotada. Comprámos bilhetes para esta excursão marcada para as 5 da tarde – Milan: Last Supper 1-hour Skip-the-line guided tour (link: https://www.getyourguide.co.uk/milan-l139/milan-last-supper-1-hour-guided-skip-the-line-tour-t309218/).

E porquê que há assim tanta procura para visitar apenas uma igreja? Porque não é uma igreja qualquer e é daqui que vem o título deste post. São quase 300 pessoas, todos os “santos dias”, a quererem visitar por apenas 15 minutos a pintura original da Última Ceia de Leonardo da Vinci. Cada grupo só pode estar no máximo 15 minutos na sala onde se encontra a pintura que tantas perguntas, curiosidades e incertezas tem trazido sobre quem realmente era Jesus e quem realmente está sentado à sua esquerda. O verdadeiro, o original, aqui em Milão. E não me venham dizer que conhecem a pintura por causa do livro “O código da Vinci” porque mesmo os não religiosos já ouviram sobre a última ceia. E realmente estar ali presente à frente da obra única de um grande artista é algo que marca. É uma experiência de orgulho. Apesar de mais de 300 pessoas terem lá ido no mesmo dia que eu continuo a achar uma experiência única.

A guia disse “não tirem selfies” e para aproveitarem o quanto único eram aqueles 15 minutos. Mas claro que para os profissionais das selfies 15 minutos dá para 4575 fotografias com 150 filtros diferentes e por isso era tudo a tirar selfies com a última ceia ao fundo. #janteicomjesus, #jantarcomestesmalucos, #chamem-memadalena foram só alguns dos exemplos de hashtags usados pelos profissionais das redes sociais ali no momento.

Saímos da sala já de noite e com um frio de fazer bater dentes como castanholas (desculpem, país errado para a referência usada). Para jantar já sabíamos onde queríamos ir – Salsamenteria di Parma – restaurante italiano para finalmente provarmos um pouco mais desta cozinha que é conhecida e apreciada mundialmente. Não tínhamos marcado mesa, mas chegámos cedo, por volta das 7. Se quiserem jantar mais tarde aconselho a marcarem mesa porque passados uns 10-15 minutos depois de chegarmos as mesas já estavam completas e só aceitavam quem tinha feito marcação. O menu ao início pareceu-nos um bocado confuso, primeiro há as entradas e depois aconselham a escolher primeiro prato, um prato de massa, e depois um segundo prato como prato principal. A mim pareceu-me um bocado “tourist trap”, um menu feito para turistas. Nós escolhemos entrada e um prato para prato principal. Para beber, estando em Itália, não há nada como pedir um Aperol Spritz e confirmo que em Itália este cocktail sabe melhor. No final da viagem, bebemos Aperol em 3 estabelecimentos e todos eles sabiam ligeiramente diferente, mas mesmo assim todos eles eram melhores dos que já tinha bebido em outras ocasiões.

Para entrada pedimos polenta frita com presunto e queijo. E, entretanto, trouxeram um cesto de pão com manteiga de alho e queijo e um molho com pimentos. Quando trouxeram o pão e os molhos disseram que eram oferta da casa, mas não se iludam, nada que vem para a mesa num restaurante italiano é oferta. E mesmo o que não vem para a mesa vem na conta no final. Quando fizemos o pedido, o meu marido pediu uma cerveja que nunca apareceu, pediu outra vez quando veio o prato principal e também nunca apareceu. No entanto, na conta já apareceram duas cervejas. Dissemos à empregada que não tinha vindo nenhuma cerveja, veio a conta só com uma cerveja para pagar. E lá tivemos que dizer outra vez que não tinha vindo nenhuma cerveja. Este deve ser o estratagema para apanhar os mais introvertidos que não vão dizer nada para “não parecer mal”. Agora sobre a comida – o presunto e o queijo, muito bom, a polenta, talvez se o rácio fosse mais polenta e menos óleo a coisa tinha sido melhor. A polenta vinha tão empapada que mais parecia pronta para olear um carro. Talvez se viesse debaixo de um papel absorvente em vez de papel de embrulho o óleo conseguisse escapar por algum lado em vez de bloquear veias. Para entrada principal pedimos gnocchi com molho de quejo gorgonzola e tagliatelle com molho de carne. Se eram maus? Não, não eram. Se já comi melhor? Sim, e não tive de ir a Itália. Por isso ficou assim um bocado aquém, mas o fator principal aqui foi a grande expectativa com que íamos, eu estava completamente convencida que ia ficar completamente de boca aberta e viciada em massas e pizzas. Ainda fomos para a sobremesa, tiramisu, e sim era a receita tradicional com mascarpone e café forte. Foi um dos pontos altos da refeição, mas também só por acaso custava quase tanto como um prato principal. Não quero que fiquem com a ideia que o restaurante era mau. Não era de todo, e mesmo o ambiente era descontraído e animado. E se voltava aqui? Depois de tudo em conjunto sim, voltava, especialmente para experimentar a salada com burrata.

Para ir curtir a noite que para nós foi até às 11, que depois disso também já é estar a contar com a sorte, fomos até ao bar/restaurante ao pé do Arco della Pace, Bhangrabar. Pareceu-nos que este é um restaurante muito escolhido por locais e estudantes universitários. O lugar estava a abarrotar até porque entre as 5 e as 10 da noite é “happy hour”, pelo buffet e uma bebida (alcoólica ou não alcoólica) paga-se 14 euros, se for uma bebida extra grande (chamadas maxi) paga-se 17 euros. Nós ficámo-nos pelas bebidas – o aperol – sim vão com força nele. A pina colada é que já não deixou desejos. Mas o aperol vão MAXI nele. A comida pelo que me pareceu era mesmo típica de buffet, suponho que pelo preço as pessoas vão mais pela quantidade do que qualidade. Não, emendo o que disse, as pessoas vão mais pela bebida do que pela comida. Mas não se guiem pela minha palavra, afinal não posso criticar o que não comi. E vi quem trouxesse 10 pratos para a mesa e acabá-los a todos. Ambiente 5* e os empregados super simpáticos. Mesmo que não venham para comer vale a pena vir pelas bebidas.

Nada como um conselho cheio de alcool para acabar o primeiro dia em Milao. No proximo post vou passar ja ao terceiro dia e deixar o segundo para o final. No segundo dia fomos ao Lago Como e por isso como mandam as regras deixa-se o final para o fim. Vao la ouvir a musica do inicio deste post que eu vou beber um apperol (vá deixo a receita aqui: https://www.aperolspritzsocials.com/how-to-make-an-aperol-spritz/).

Arrivederci!


			

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