500gr de vegetais congelados estilo italiano/mediterrâneo
500gr de massa penne
130gr de azeitonas verdes recheadas com pimento vermelho
2 latas (2x400gr) de tomate picado
1 cubo para caldo de vegetais
1 colher de sopa de paprica
1.5 colheres de sopa de alho em pó
1 colher de sobremesa de açúcar
150gr de queijo ralado
1 molhinho de salsa
3 colheres de sopa de azeite
Sal e pimenta preta q.b.
Preparação
Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Num tacho refogue a cebola no azeite durante 7 minutos, mexendo ocasionalmente.
Leve um segundo tacho ao lume com água temperada de sal. Quando a água estiver a ferver, junte a massa e deixa-a cozer durante 5 minutos. Passado este tempo, escoa a massa reservando 150mL de água da cozedura da massa.
Junte os vegetais à cebola refogada e deixe cozer durante 5 minutos. Passado este tempo, junte o alho em pó, paprica e pimenta preta a gosto. Mexa e deixe cozer por mais 1 minuto.
Em seguida, adicione os tomates, 200mL de água a ferver, o cubo para caldo de vegetais e as azeitonas. Mexa, junte também o açúcar e tempere de sal. Deixe ferver a lume baixo durante 10 minutos com o tacho destapado.
Passados os 10 minutos, junte a massa e a água da cozedura desta. Misture a massa aos vegetais.
Coloque tudo num tabuleiro que possa ir ao forno. Polvilhe com o queijo ralado e leve ao forno durante 15 minutos até o queijo ganhar cor.
Sirva a massa com os vegetais polvilhada com salsa picada.
Alternativas
Se quiser pode substituir as azeitonas verdes por azeitonas pretas para reduzir a acidez do prato.
Depois de fazermos o check-out no Hotel Vista Bela do Gerês ao pé da aldeia do Outeiro (ver post anterior), seguimos para Pitões das Júnias, a aldeia mais a oeste no parque nacional que iríamos explorar. Não só iríamos fazer o trilho que passa pela cascata de Pitões das Júnias e pelo Mosteiro de Santa Maria das Júnias, mas também passaríamos aquela noite na aldeia, na Casa d’Campo Ferreira.
Aldeia Pitões das Júnias
Trilho de Pitões da Júnias
O trilho de 4.3Km percorre um trajecto circular que começa (e acaba) no Anjo, ao pé do cemitério de Pitões das Júnias. O percurso não é difícil, a parte onde se terá maior dificuldade é na do caminho de terra que sai do trilho principal até às ruínas do mosteiro. Essa parte do caminho não é circular, ou seja desce-se até ao mosteiro e depois sobe-se pelo mesmo caminho para chegar outra vez ao trilho principal.
Estacionámos assim o carro ao lado do cemitério, debaixo de uma árvore, para proteger o carro do sol – que mesmo àquela hora matinal o calor já se fazia sentir. Começámos a descer pelo trilho até encontrarmos um cruzamento, virámos à esquerda para o mosteiro (para a direita o caminho vai dar à cascata) e descemos o estreito trilho de terra batida.
Mosteiro de Santa Maria das Júnias
Chegada ao mosteiro de Santa Maria das Júnias
Apesar de não se ter certezas, pensa-se que o mosteiro surgiu a partir de um eremitério no século IX. Em termos arquitetónicos, o mosteiro enquadra-se no estilo românico juntamento com características do estilo gótico. O mosteiro de Santa Maria das Júnias é considerado monumento nacional.
Até meados do século XII, os monges que viviam neste mosteiro seguiam a regra de São Bento (regra beneditina), tendo adoptado posteriormente a regra da Ordem de Císter. O mosteiro esteve afiliado, durante período alternados, ao mosteiro de Oseira, na Galiza, e ao mosteiro de Santa Maria do Bouro, no Gerês.
Igreja do mosteiro de Santa Maria das Júnias
Existe apenas uma inscrição neste mosteiro com uma data específica, inscrição essa que se traduz por ‘Era Hispânica de 1185, Anno Domini de 1147‘. É curioso que esta é também a data de quando D. Afonso Henriques conquistou a cidade de Lisboa aos mouros, conseguindo-o com a ajuda do Bispo do Porto, D. Pedro Pitões.
No século XV, o mosteiro entra em decadência depois da morte do abade D. Gonçalo Coelho e é abandonado em 1820. Apesar de várias partes do mosteiro estarem em elevado grau de degradação, em 1566 retomava-se a vida monástica com a presença do abade D. Valeriano de Villada. De acordo com vários documentos, houve várias campanhas de reforma durante 1726 a 1728, contudo as precárias condições do mosteiro levaram ao seu encerramento em 1834/1835.
Nas ruínas do mosteiro da Santa Maria das Júnias
Hoje, o mosteiro encontra-se em ruínas e como tal existem vários avisos de perigo alertando para a possibilidade de derrocadas. É possível passear por dentro das ruínas, mas não é possível visitar o interior da igreja. Mesmo em ruínas, o mosteiro ainda tem um ar majestoso.
Ao lado do mosteiro fica um ribeiro que faz parte da ribeira de campesinho; águas essas que alimentam a cascata de Pitões das Júnias.
E era para visitar a cascata que voltámos a subir pelo caminho de terra batida até ao trilho, virando agora no entroncamento para o lado contrário.
Passadiços e miradouro da cascata de Pitões das Júnias
A certa altura o trilho é substituído por passadiços que estão em óptimo estado depois da sua restauração parte de um projecto de 60.000 euros. Este projecto piloto do parque nacional da Peneda-Gerês dá-se pelo nome de ‘Substituição e melhoria infraestrutural e de usufruição do passadiço de Pitões das Júnias’. O projecto foi financiado pelo Fundo Ambiental e teve apoio logístico do município de Montalegre e da junta de freguesa de Pitões das Júnias. Os passadiços não levam até ao pé da cascata e não dá para ir à cascata desde o ponto em que os passadiços terminam, que é no miradouro da cascata de Pitões das Júnias.
Passadiços para o miradouro da cascata de Pitões das Júnias
A cascata tem uma altura de 30 metros e encontra-se entre fracturas das rochas graníticas envolventes. Há uma maneira de chegar ao topo da cascata por um trilho muito estreito, mas para além de perigoso não é aconselhado para aqueles que têm medos de alturas. Para além disso, a paisagem que o miradouro oferece é bastante bonita sem ser necessário correr riscos desnecessários.
Cascata de Pitões das Júnias (vista do miradouro)Trilhos assinalados para a aldeia Pitões das Júnias
Voltando a subir os passadiços e seguindo pela estrada chega-se à entrada da aldeia de Pitões das Júnias.
Quando chegámos ao carro ainda era bastante cedo para a hora do check-in, que tinha sido combinado para as 4 da tarde, e por isso decidimos que esta era a melhor altura de ir até Montalegre. Até teríamos feito primeiro uma pausa na ‘Taberna de Caskais‘, um restaurante mesmo ao lado do cemitério, que nos pareceu com potencial para se tornar uma surpresa tão boa como o café em Fafião, mas infelizmente fecha às segundas-feiras.
Montalegre fica a cerca de 20 a 30 minutos de Pitões das Júnias e não chegámos a explorar a vila ficando-nos pelo supermercado à sua entrada para pôr gasóleo e comprar mantimentos pois o alojamento em Pitões das Júnias não incluía pequeno-almoço. Apesar de não ter muito para dizer sobre Montalegre, esta deve ser uma paragem a considerar especialmente para meter gasolina, não havendo muitas oportunidades dentro do parque nacional do Gerês.
Aldeia e Casa d’Campo Ferreira
Cozinha da Casa d’Campo Ferreira
Voltámos para Pitões das Júnias e deixámos o carro no largo que fica à entrada da aldeia, no fim da rua de Chães. Isto porque as estradas dentro da aldeia são bastante estreitas e não quisemos ter mais aventuras. Também a Casa d’Campo Ferreira, onde íamos ficar alojados, ficava apenas a cerca de 5 a 10 minutos a andar. Às 4 da tarde fomos recebidos no nosso alojamento e como não havia mais hóspedes para aquela noite ficámos com a casa inteira para nós. A casa está dividida em duas partes – a parte debaixo que antes devia ser a loja ou o curral dos animais, está agora dividida em quartos individuais. A parte de cima, a casa em si é normalmente alugada a famílias. A casa tem 4 quartos, sala e cozinha. Penso que 2 dos quartos tem casa-de-banho privativa, pelo menos o nosso tinha, e outra na zona partilhada.
A casa foi restaurada e tem todas as comodidades precisas, mas mesmo assim o seu carácter rústico de uma casa por onde já passaram muitas gerações foi mantido.
Sala da Casa d’Campos FerreiraO nosso quarto na Casa d’Campos Ferreira
A única coisa que estava a faltar era acesso ao WiFi. Pelo que nos disseram não havia internet porque na semana anterior tinha havido uma trovoada fortíssima que tinha queimado alguns cabos. E pelos vistos, as trovoadas são comuns naquela região. E eu não duvido, porque apesar de estarmos no final de maio não deixámos de acender a lareira depois do jantar, para nos aquecermos, para tornar a casa mais confortável enquanto aproveitávamos aquele prazer lânguido com algumas das bebidas que que tínhamos trazido de Montalegre.
Restaurante Casa do Preto
Não havia muitos restaurantes à escolha, mas havia um e era esse que eu queria experimentar depois de ler que era aqui que se comia o melhor bolo de chocolate do mundo – o restaurante Casa do Preto.
Bem não sei se assim será, mas o bolo de chocolate é realmente famoso neste restaurante e foi no final uma das refeições que mais nos ficou na memória desta viagem. E não só pelo bolo.
Restaurante Casa do Preto
Fizemos o caminho a pé e apesar de não termos marcação tivemos mesa. Aliás tivemos todo o restaurante. Eu acredito que quem vá passear no Gerês durante o Verão não ache possível que todos os restaurantes estejam vazios em época baixa. Mas assim foi mais uma vez, tivemos o restaurante inteiro para nós! Até chegámos a perguntar se era sempre assim, mas tal como no restaurante em Covide, Turismo, também aqui é a hora de almoço que o restaurante tem mais movimento.
Entrada de queijoEntrada de chouriça assada
E como as férias estavam quase a acabar mandamo-nos de cabeça para a comida, começado nas entradas – chouriça assada e queijo. O queijo vinha acompanhado com um doce, eu penso que era doce de marmelo ou de abóbora, que complementava o queijo maravilhosamente. Para prato principal decidimos dividir uma feijoada à transmontana. A feijoada em si era deliciosa, mesmo muito boa. Disseram-nos depois que os enchidos são locais, feitos pelo próprio restaurante.
Mas agora feijoada ao jantar não sei se terá sido a escolha mais acertada. Nem fazendo os 17.7Km nos livrava do quanto tínhamos comido. Mas claro, como sempre, no final havia um estômago especial reservado para as sobremesas, pois tínhamos de experimentar o bolo de chocolate. E valeu imenso a pena, mesmo saindo empanturradíssimos do restaurante.
Feijoada à transmontanaBolo de chocolate
Aconselho imenso a virem a este restaurante – bom ambiente, boa vista, bom atendimento e o melhor – boa comida.
No final, já a pagar, perguntámos o porquê do nome do restaurante. Até porque na nossa aldeia há famílias com essa alcunha devido à cor morena da pele. E é exactamente o mesmo aqui, como a família era conhecida como os pretos por terem uma pele morena foi esse o nome que deram ao restaurante. É engraçado como aldeias tão distantes tem um pensamento cultural tão semelhante.
Umas das ruas da aldeia de Pitões das JúniasLareira na Casa d’Campos Ferreira
Não sei explicar porquê, mas esta foi a aldeia que mais me marcou de todas aquelas que visitei no Gerês. Não sei se foi pela sua atmosfera sombria ou por ser um local recatado como se estivéssemos separados do mundo. Talvez por ambas razões, talvez por nenhuma, mas o que é certo é que Pitões das Júnias me marcou.
1/2 cubo de caldo de vegetais dissolvido em 200mL de água
1 lata (400gr) de grão-de-bico
2 latas de lentilhas verdes (250gr x2)
50gr de arroz
1 colher e meia de sobremesa de caril (usámos Garam Masala) em pó
1/2 colher de sopa de molho picante (usámos Ghost Pepper Chipotle Psycho Juice)
Sal e alho em pó q.b.
Para decorar
Iogurte natural q.b.
Salsa q.b.
Preparação
Leve ao lume um tacho com o azeite e a cebola. Refogue a cebola durante 10 minutos a lume médio-baixo. Adicione o caril e deixe cozinhar por mais 2 minutos.
Entretanto abra as latas, retire a água do grão e das lentilhas e passe-os por água para reduzir os níveis de sal. Lave o arroz.
Adicione todos os ingredientes ao tacho com a cebola refogada; as lentilhas, o grão, o arroz, os tomates, o caldo de vegetais e o molho picante. Tempere de sal e alho em pó, mexa e tape o tacho. Quando começar a fervilhar baixe o lume e deixe ferver lentamente por 25 minutos mexendo regularmente. Quando faltar 5 minutos, rectifique os temperos e certifique-se que o arroz estará cozido no final do tempo de cozedura.
Ao servir, divida o conteúdo por 4 tigelas e sirva cada uma delas decorada com um fio de iogure natural e salsa picada.
Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês
Hotel Vista Bela do Gerês
Para o nosso 5º alojamento no Gerês escolhemos o Hotel Vista Bela do Gerês, um hotel de 3 estrelas com vista para a Barragem de Paradela, ao pé da aldeia do Outeiro, a mais ou menos 1Km de distância. Tal como o nome indica, a paisagem circundante é o ponto alto deste hotel com o brilhante espelho de água envolvido por picos montanhosos.
Barragem de Paradela (paisagem do Outeiro)
Confesso que estávamos um pouco apreensivos com o que iríamos encontrar neste hotel, já que online tínhamos lido uma mistura de boas e más reviews, que incluíam o facto de não haver acesso ao WiFi nos quartos, o hotel ser velho e ter um aspeto acabado, gritando por urgentes remodelações. Por isso, apesar de positivos, as nossas expectativas eram conservadoras.
Para entrar dentro do hotel de carro é preciso passar por uma cancela que depois de aberta leva para o parque de estacionamento que fica na parte frontal do hotel onde se encontra o restaurante. Fizemos o check-in, disseram-nos que se quiséssemos jantar ali para dizer os pratos principais até às 7 da noite, e deram-nos as chaves do nosso quarto que ficava no piso térreo.
Quarto
O nosso quarto era enorme e sim rústico tal como o hotel, mas com carácter, oferecendo uma experiência própria de uma casa de campo portuguesa. E da varanda do nosso quarto tínhamos aquela paisagem que poderíamos admirar por horas. Portanto acabámos por gostar imenso do hotel e sim, não havia acesso à internet no quarto, mas já vínhamos a contar com isso. Talvez o que possa ter de menos bom a dizer é da iluminação do quarto que era bastante fraca.
QuartoCorredor entre quarto e recepção
Depois do check-in e de pormos as nossas malas no quarto demos uma volta pelo hotel, que é bastante grande, passando pela convidativa piscina da qual acabámos por não experimentar, mas que está disponível aos hóspedes do hotel.
Piscina
No fim de tarde, quando o sol começava a baixar, aproveitámos o bocadinho que tínhamos até à hora de jantar para nos sentarmos na varanda quando apareceu uma gata. A gata era muito meiguinha e não demorou muito tempo até a termos no nosso colo a ronronar. Ficámos a saber mais tarde que a gata pertence aos donos do hotel e que é seu costume meter-se nos quartos dos hóspedes que ao encontrarem uma gata tão meiga, acabam por lhe dar comida e atenção. Por a gata ser tão meiga os donos já receberam diversos pedidos dos hóspedes para ficarem com ela. Os quais o dono sempre recusou.
Varanda do nosso quarto
Ela foi a nossa companhia no final da tarde do primeiro dia e durante o pequeno-almoço do dia seguinte.
Restaurante
Na zona do Outeiro não há muitas escolhas para jantar e por facilidade decidimos jantar no hotel. O restaurante abre às 8 da noite e no dia em que aqui estivemos só nós estávamos hospedados no hotel e a tirar vantagem do restaurante.
Os pratos disponíveis são de comida tradicional local desde carne de vaca, a chamada posta, até à truta, peixe que apanham na barragem de Paradela. Como disse acima nós tivemos de fazer ‘a reserva’ dos pratos que queríamos atempadamente e escolhemos o salmão grelhado e a truta recheada com presunto, sendo este prato típico da região.
Truta recheada com presunto
O restaurante não é muito grande, mas a paisagem é indiscritível. Ainda antes dos nossos pratos de peixe, pedimos também entradas, alheira e chouriça assadas. A alheira era caseira como nos foi dito e tanto um enchido como o outro eram de boa qualidade.
Salmão grelhado
Ambos os pratos de peixe vierem acompanhados com batata cozida, feijão verde e brócolos também estes cozidos. Para nós o melhor foi o salmão, mas a truta também era bastante boa, apenas achámos que o presunto era desnecessário. No entanto, eu que não sou muito apreciadora de peixes com espinhas fiquei muito contente com a escolha feita.
No final da refeição não tivemos sobremesa, mas sim uma aguardente de café e uma aguardente simples, ambas de fabricação caseira, oferta do dono do hotel. Apesar de ambas as bebidas serem bastante fortes, acabei por gostar bastante da de café. E acabámos por ficar à conversa com o dono do hotel, já que sendo os únicos hóspedes tínhamos a sua atenção. Falou-nos de como é viver na região, de como o Gerês é muito procurado durante o Inverno quando começa a nevar. Contou-nos também a trágica morte da rapariga nas cascatas Tahiti da qual já mencionei (ver post aqui) e foi ele quem nos explicou o que eram os canastros, para que serviam e como se lhe davam um diferente nome, o de espigueiros, em outras zonas do Gerês. Foi um jantar muito agradável, boa comida, boa conversa e uma vista especial.
Alheira caseira assadaAguardente de café e aguardente simples
Já no quarto, sem internet, acabámos por ficar a ver um bocado de televisão antes de adormecermos. Sem barulho e numa cama confortável, acabou por ser uma das noites em que ser dormiu melhor no Gerês.
No dia seguinte, fomos recebidos pela cozinheira, pelo dono do hotel e pela gata na sala de pequenos-almoços. Tivemos direito a uns ovos mexidos com bacon e ao normal pequeno-almoço continental. Como os pequenos-almoços são servidos no restaurante aquela vista que já começávamos a conhecer estava ali como companhia.
Pequeno-almoço
Em geral, gostámos muito do hotel. Sim, não havia WiFi no quarto, mas não foi por isso que a experiência se tornou horrível. Muito pelo contrário, até porque fomos recebidos e tratados de uma forma calorosa durante toda a nossa estadia.
Sala de pequenos-almoçosGata
Outeiro
Depois de fazermos o check-in e da volta inicial pelo hotel como ainda era cedo, mas não querendo voltar a sair com o carro, decidimos ir a pé até à aldeia do Outeiro. Ao descer a estrada apercebemo-nos que aqui é uma das paragens do trilho GR50 indicando que é um local de interesse. Antes de chegar à aldeia, passámos por um pastor num trator seguido por uma manada de bois que estava a ser controlado por um cão-pastor. Eu depois das experiências dos últimos dias com bois e bodes já todos os animais me assustavam e passei o mais longe possível deles.
A caminho para o Outeiro
No Outeiro, fomos recebidos por uma bonita igreja paroquial com uma torre sineira erguida no adro em frente à fachada da igreja. Esta igreja de pedra escura dava-nos entrada para uma aldeia de arquitectura característica da região; casas de pedra escura tal como a calçada. Fomos passeando pelas ruas da aldeia sem destino concreto, encontrando pelo caminho os tradicionais canastros (ou espigueiros) sempre acompanhados por uma paisagem lindíssima, um conjunto harmonioso do lençol de água da barragem, colinas verdejantes e picos montanhosos altíssimos.
Torre sineira da igreja paroquialRua da aldeia do Outeiro
Antes de voltarmos para o hotel, ainda no Outeiro, passámos por um galinheiro onde patos grasnavam ferozmente e ouvimos à distância o barulho de gado que nunca chegámos a ver.
No Outeiro, apesar da contraditória vida do campo, dura mas de ritmo lânguido, a vista da barragem de Paradela nunca nos deixou. A construção da barragem, em funcionamento desde 1956, alterou a paisagem envolvente, resultando num microclima local, que hoje está presente. Esta barragem tem uma arquitectura peculiar, quando se compara esta com as outras barragens da região, sendo a de Paredela uma barragem de enrocamento constituída por rochas acumuladas a granel. A barragem de Paradela é considerada como a maior obra de engenharia da Europa dentro deste tipo de tipologia.
2 latas (180gr) de sardinhas enlatadas sem espinhas conservadas em azeite
500gr de vegetais estilo mediterrâneo congelados (mistura de pimentos, tomates-cereja, curgete, cebola roxa e beringela)
1 lata (400gr) de tomate picado
1 lata (400gr) de grão de bico
325gr de massa orzo
30gr de folhas de manjericão
Sal, pimenta preta e alho em pó q.b.
Preparação
Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Num tabuleiro que possa ir ao forno, junte a mistura de vegetais congelados e as sardinhas juntamente com o azeite da conserva. Tempere com sal, pimenta preta e alho em pó. Misture os temperos com os vegetais e levemente com as sardinhas e leve o tabuleiro ao forno por 15 minutos.
Entretanto, lave as folhas de manjericão e com a ajuda de uma faca pique grosseiramente a maioria das folhas, guardando algumas para decoração.
Passado os 15 minutos, retire o tabuleiro e junte o tomate, o orzo, o grão, 500mL de água a ferver e as folhas de manjericão picadas. Tempere com sal e pimenta preta. Tape o tabuleiro. Se o tabuleiro não tiver tampa, tampe-o com uma folha de alumínio.
Leve ao forno o tabuleiro coberto por 25 minutos à mesma temperatura (200ºC). Passado o tempo, retire a tampa ou a folha de alumínio, se a usar, mexa e deixar cozinhar mais 5 a 10 minutos até a massa estar cozida.
Retire do lume e decore com as restantes folhinhas de manjericão. Está pronto a servir.
Alternativas: Se não gostar de sardinhas pode fazer esta receita com atum ou camarão.
Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês
Pincães (3.11KM)
O nosso objetivo ao parar em Pincães era o de visitar a cascata, a cascata de Pincães. O percurso para chegar à cascata a partir da aldeia de Pincães é de mais ou menos 3Km (ida e volta) não sendo possível chegar à cascata sem ser a pé.
Estacionamento
A nossa ideia inicial era a de estacionar o carro mais ou menos no fim da Rua da Casa Nova, dentro da aldeia de Pincães, e percorrer o caminho de terra a pé, mas não foi possível. Isto porque num esforço de melhorar a qualidade de vida dos habitantes da aldeia e para impedir o estacionamento inapropriado de viaturas a circulação destas, dentro das estradas da aldeia, está apenas autorizada a moradores ou naturais da região. Não sendo nem uma coisa nem outra, estacionámos o carro no parque de estacionamento na rua principal, na estrada N308, ao pé do cemitério de Pincães. Assim também tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais a fundo o centro da aldeia.
Levada e ruínas de um moinho de águaLevada no trilho para a cascata de Pincães
Vida em Pincães
Em Pincães, a vida rural é a predominante sendo o fumeiro e a produção de mel duas atividades bastante importantes para a região a nível económico. E ao percorrer as ruas da aldeia sente-se que estamos no meio do campo, onde se vive maioritariamente entre o gado e a agricultura. É também um local onde a religião católica ainda é dona e senhora – encontrámos uma aldeia onde o silêncio era apenas cortado pelo som da missa da manhã de Domingo que ouvimos a sair da janela de uma das casas.
Trilho para a cascata de Pincães
O trilho para a cascata não está sinalizado com tanta frequência como em alguns outros trilhos no Gerês, contudo as indicações vão sendo encontradas espaçadamente pelo caminho. Depois de passar pelas ruas da aldeia, segue-se pelo caminho estreito de terra, levando-nos para dentro da floresta. Pela caminho encontra-se a levada que serve como companhia durante a maior parte do percurso. Também se encontra moinhos de água que estão agora em desuso. O caminho não é difícil de percorrer, sendo a parte mais difícil nos últimos 250 metros, onde a subida pelos pedregulhos é bastante acentuada. Para algumas pessoas esta subida é ainda mais desafiadora ao não usarem calçado adequado para a tarefa em mãos.
A cascata e lagoa de Pincães
Chegada à lagoa e à cascata de PincãesLevada e ruínas de um moinho de água
Se visitarem a cascata de Pincães durante um dia de calor podem mergulhar na lagoa alimentada pela cascata. A nós bem nos apeteceu, mas depois do grande pequeno-almoço que tínhamos comido na Guest House Fojo dos Lobos (ver último post) as consequências de nos atirarmos à água gelada não seriam as melhores. E foi com muita pena que não o fizemos, acabando por voltar para trás, passando novamente pela levada e pela aldeia até ao carro.
Ponte da Misarela (2.96Km)
A paragem seguinte, a ponte da Misarela também conhecida por Ponte de Mizarela ou Ponte do Diabo (devido a uma lenda, ver em baixo) acabou por se tornar numa maior aventura do que aquela que esperávamos. E foram vários fatores que reuniram as condições para a aventura acontecer.
Ponte da Misarela
Primeira paragem
A primeira decisão foi o local onde estacionámos o carro. Pensámos que o melhor ou mais apropriado lugar para deixar o carro seria depois da ponte que passa por cima do Rio Cávado, na estrada CM1021. O nome do local indicado no Google Maps, ‘Parkplatz Ponte da Misarela’, foi a razão pela qual escolhemos este sítio. Saímos do carro e tivemos de começar a subir para o ponto onde se teria acesso ao ‘Trilho para a ponte da Mizarela’. Depois de quase 10 minutos a subir, descobrimos que podíamos ter deixado o carro mais acima e que escusávamos de ter feito aquela subida.
O segundo fator foi o facto de não termos feito uma boa pesquisa sobre o trilho circular PR5 – MTR, o trilho da Ponte da Misarela, porque se o tivéssemos feito saberíamos que no total o trilho percorria uma distância de 11.35Km.
Miradouro da Ponte da Misarela
Sem saber, pensando que chegaríamos à ponte num instante, começámos a percorrer o caminho estreito de terra onde as condições iam piorando à medida que avançávamos. Eu como de costume, estava a ver no mapa do GPS o quanto ainda nos faltava andar para chegar à ponte e foi quando me apercebi que não só ainda estávamos bastante longe como era do outro lado da ponte onde havia alguns pontos de interesse como o miradouro e a calçada romana. E este foi o terceiro fator, ao percorrermos cerca de meio quilómetro decidimos voltar para trás e deixar o carro mais perto da ponte da Misarela, possivelmente ao pé da capela da Misarela.
Segunda paragem
Fomos todos lampeiros a pensar que estávamos a ser muito espertos. Enfiámo-nos no carro, atravessámos novamente a ponte sobre o rio, depois passámos por uma ponte mais estreita ao lado central hidrelétrica de Vila Nova e começámos a subir pela estrada que nos daria acesso à aldeia. Foi quando chegámos que nos defrontámos com um problema – tal como em Pincães aqui também as ruas dentro da aldeia eram apenas para circulação de viaturas pertencentes a moradores ou naturais da região. Sendo assim, tivemos de deixar o carro no ‘parque de estacionamento da Ponte da Misarela’ – que como o nome indica é onde os turistas devem deixar o carro. Ao sairmos demos-nos conta que estávamos ao lado do recinto de festas e que a festa devia decorrer naquele fim-de-semana pois havia imensos miúdos e graúdos com fatos de escuteiro a circular por ali, altifalantes dos quais se ouvia a esperada música pimba e as ruas enfeitadas com fitas de papel multicoloridas. Bem que devíamos ter calculado que era uma altura especial para a aldeia pois quando percorríamos o trilho do outro lado do rio ouvimos a missa alto e bom som.
Calçada romanaCascata na Ponte da Misarela
Resignados, afinal não íamos poupar muitos quilómetros às pernas, descemos as ruas da aldeia que se transformaram num caminho de terra batida. Mas o caminho fazia-se bem e acabámos por chegar ao miradouro. Daqui tinha-se uma fantástica paisagem da ponte ao fundo rodeada de colinas altas verdejantes (ver imagem em cima). Deleitados, depois da fotografia tirada claro, seguimos caminho, tendo comentado o cheiro a bode que se fazia sentir. Era um cheiro intensificado característico do queijo de cabra. Poucos minutos passaram quando descobrimos a razão do cheiro: um bode de cornos enormes a mascar erva na berma da estrada.
Encontro com gado caprino
O meu marido, mais conhecedor da vida rural, disse logo que se passássemos do outro lado da estrada não ia haver problema nenhum. Eu não estava muito confiante. O meu marido passou, mas quando o fez o bode fez uma espécie de uma marrada, pondo a cabeça a jeito de forma a dar a marrada com a ponta bicuda dos cornos. O meu marido passou, agora quase a fugir, e teve que rapidamente se afastar, porque um segundo ataque viria com toda a força como o bufar do bode indicava. E talvez não seja do conhecimento comum, mas quando um bode marca um alvo, ataca-o vezes sem conta. Houve já vários incidentes onde pessoas ficaram seriamente feridas ou que morreram devido a serem alvos de ataques de bodes.
Não sabíamos o que fazer, eu definitivamente não ia tentar passar pelo bode, nem o meu marido no sentido contrário. Ainda me meti pelo meio do mato colina acima e houve certa altura que nem sabia onde estava a meter os pés pois as ervas davam-me pelos ombros. Tudo para de repente me vir de frente com mais cabras e outro bode, este mais pequeno. E daqui não conseguia descer para a estrada principal, apenas por um caminho que ia dar mesmo aonde o bode estava pois este, entretanto tinha começado a avançar pela estrada em direção ao meu marido. Confesso que nesta altura estava em pânico, as minhas mãos tremiam e já estava para me atirar para a estrada. O meu marido é que me chamou a razão, de que me ia aleijar se me atirasse pela colina abaixo. O bode continuou pela estrada em direção ao meu marido, que nesta altura estava meio escondido por uma curva. Eu cheguei então à estrada pelo tal estreito trilho, mas estávamos na mesma situação, tínhamos o bode a separar-nos. Quem acabou por resolver a coisa foi o meu marido que arranjou um pau de madeira grande, género cajado, e apareceu com ele a ‘mandar vir’ com o bode, a mandá-lo sair da estrada. Penso que mais do que as ordens e o refilar foi o pau que fez sucesso pois o bode subiu a colina para junto do resto do gado, deixando a estrada livre para eu passar.
O gado que encontrámos no trilho para a Ponte da Misarela
Eu agora a escrever isto até me rio, mas na altura acreditem que rir era a última coisa que me passava pela cabeça. E claro que durante o resto do caminho, sempre de pau na mão, não fosse haver mais encontros indesejáveis, passando pela calçada romana, semelhante à calçada portuguesa no Trilho da Preguiça, fomos sempre a falar do que se tinha acabado de passar. E chegámos à ponte da Misarela. Mas não nos esqueçamos que tínhamos de fazer o caminho de volta; e se o bode estivesse outra vez no meio do caminho? Mas soubemos ainda na ponte que não ia estar porque o bode ia guiando as cabras pela colina abaixo e já o víamos da ponte. Ao longe, mas aproximando-se a pouco e pouco.
Foi nos explicado mais tarde que os bodes estão mais violentos em maio quando é a altura da criação do gado caprino (quando as cabras estão saídas em jargão rural), sendo também a razão para o cheiro intenso a bode. Afinal o bode estava só a mostrar que era o macho alfa.
Felizmente no caminho de regresso o bode já estava mais abaixo, longe da estrada, e não houve mais eventos peculiares até chegarmos ao carro.
Ponte da Misarela e as invasões francesas
Ponte da Misarela
A ponte da Misarela foi um dos locais mais pitorescos que visitámos no Gerês. Uma paisagem digna de ser retrata vezes sem conta em fotografias e pinturas – a colina verdejante, a ponte de pedra com 13 metros de altura construída na Idade Média e a poderosa cascata.
A ponte da Misarela foi palco de um dos episódios importantes da história de Portugal. Durante as invasões francesas, o exército francês sitiado no Porto ao saber do risco de um ataque iminente das forças aliadas decidiu abandonar a cidade e fugir para Espanha. E o caminho fazia-se através da Ponte da Misarela. Contudo, as tropas de Napoleão depararam-se não só com a passagem obstruída, mas também com o exército inimigo que contava com cerca de 400 homens. Os franceses na ânsia de atravessarem a ponte avançaram a todo o custo levando a que neste confronto homens fossem atirados para o abismo e mulas e cavalos aterrorizados fossem mutilados, abatidos ou lançados à ravina, quando se recusaram a atravessar a ponte. Depois de várias tentativas frustradas, o exército francês acabou por passar pela ponte e seguir em direção a Montalegre para chegar à fronteira com Espanha. Interessante é que a ordem que tinha sido dada ao exército português era o de destruir a ponte, para impedir a passagem dos franceses, o que foi recusado pelos homens do exército naturais daquela região. Concordaram sim em levantar barreiras, construir obstáculos de grandes dimensões para impedir a passagem, mas não destruí-la. Se não fossem esses portugueses hoje não haveria ponte da Misarela.
Lenda da Ponte da Misarela
Reza a lenda que a ponte foi construída pelo diabo e por isso a ponte também é conhecida por ponte do diabo. Eu por esta altura não sei se foi ou não, mas se foi aquele bode de cornos enormes foi certamente nomeado como guardião da ponte.
Assim é a lenda:
Um fugitivo deparou-se com uma zona intransponível do rio quando fugia das autoridades. Encurralado, evocou o diabo para o ajudar a atravessar aquela zona, oferecendo-lhe em troca a sua alma. O diabo rapidamente aceitou o pacto e fez aparecer do nada uma ponte de pedra para o fugitivo atravessar. Depois de passar para o outro lado do rio, o fugitivo ouviu um estrondo e quando olhou para trás viu a ponte a ruir para assim os seus perseguidores não o conseguirem apanhar.
Mais tarde, o homem arrependeu-se de ter oferecido a sua alma ao diabo e procurou um padre que o pudesse ajudar. O padre voltou ao local onde o fugitivo tinha passado e tal como este evocou o diabo e ofereceu-lhe a sua alma. O diabo aceitou e fez aparecer de novo a ponte. Nesse momento o padre tirou do bolso uma garrafinha com água benta com a qual benzeu a ponte enquanto recitava a reza dos exorcismos. O diabo fugiu espavorido deixando intacta a ponte, a ponte da Misarela.
1/3 alface lavada e as folhas rasgadas grosseiramente
1 molhinho de salsa
6 colheres de sopa de maionese
2 colheres de sopa de azeite
Sal, pimenta preta, alho em pó q.b.
Preparação
Coloque dois tacho ao lume, ambos com água temperada de sal. Enquanto a água aquece, lave as batatas. Quando a água começar a ferver, junte as batatas a um dos tachos e os ovos ao segundo tacho.
Coza as batatas durante 15-20 minutos, enquanto que o tempo de cozedura dos ovos deverá ser entre 7 minutos e meio a 8 minutos.
Entretanto numa tacinha misture a maionese com alho em pó. Reserve. Lave a salsa e reserve.
Passado o tempo de cozedura dos ovos, retire-os do lume, coloque-os num recipiente com água fria. Descasque-os e reserve.
Quando faltar 3 minutos para o tempo da cozedura das batatas acabar, junte as ervilhas ao tacho com as batatas. Quando as batatas e as ervilhas estiverem cozidas, retire o tacho do lume e escoa a água. Corte as batatas ao meio.
Num recipiente largo de plástico, junte as batatas, as ervilhas e o atum. Adicione também metade da maionese e o azeite. Tempere com sal e pimenta preta. Misture. Adicione a alface e a salsa. Misture todos os ingredientes e rectifique os temperos de sal e pimenta.
Corte os ovos ao meio. No recipiente que quer servir a salada, coloque a mistura das batatas com o atum e a alface e por cima coloque as metades dos ovos. Polvilhe com pimenta preta e decore com a restante maionese. Está pronto a servir.
Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês
Fafião é uma das mais pitorescas aldeias de Montalegre, no parque Nacional do Gerês, que da nossa viagem se tornou uma das nossas preferidas. Navegar dentro da aldeia nem sempre foi fácil deparando-nos com algumas estradas tão estreitas que o que nos valeu foi o nosso carro ser pequeno. Fosse um carro maior ou mais largo temo que tivéssemos ficado ‘presos’ dentro de Fafião.
Fafião – paisagem do Miradouro da Eira da Galega
Fafião – locais de interesse e valor histórico
Fafião é uma das nossas recomendações como local para passar uma noite já que estando bastante perto do trilho do Poço Verde, da Ponte da Pigarreira, das cascatas Tahiti e do miradouro de Fafião, torna-se um ponto central. Os locais de interesse mencionados foram aqueles que visitámos no dia anterior (ver post). Mas a aldeia de Fafião tem um outro valor histórico, este associado aos lobos mais especificamente ao fojo dos lobos. Fojo é o que se chama às antigas armadilhas de lobos usadas numa tentativa de proteger o gado caprino e bovino deste predador. O fojo consiste numa estrutura de granito com paredes convergentes, formando uma cova de planta circular. Hoje em dia, não só os fojos caíram em desuso, como existe um movimento de preservação da comunidade dos lobos ibéricos na região.
O esforço de manter a tradição e a de preservação está de tal forma presente na região que em seu nome todos os anos se organiza um festival comunitário, o festival Aldeia dos Lobos, nas aldeias de Fafião, Cabril e Serra do Gerês que em 2024 vai na sua quarta edição. Este festival realizar-se-á nos dias 12 e 13 (hoje e amanhã) de julho em 2024. É também em Fafião onde se pode visitar o mais bem preservado fojo dos lobos na Península Ibérica.
Fafião – onde ficar
Devido à sua localização com vários pontos de interesse em seu redor escolhemos Fafião para o nosso terceiro alojamento. Reservámos o quarto no Guest House Fojo dos Lobos, um local bastante moderno, com quartos de bom tamanho, limpos e com uma vista local soberba. O alojamento não tem estacionamento próprio e não tentem levar o carro para o pé da porta de entrada (como nós fizemos, só para depois termos de fazer o mesmo percurso de marcha atrás uma vez que não há espaço para fazer inversão de marcha). Para estacionar o carro basta seguirem a estrada principal e encontrarão lugares de estacionamento disponíveis.
Guest House Fojo dos Lobos (toalha e chave do quarto)Pequeno-almoço na Guest House Fojo dos Lobos
Nesta Guest House encontrámos um local onde houve uma atenção cuidada ao detalhe como por exemplo se pode ver pelas toalhas personalizadas oferecidas pelo alojamento. Também foi na Guest House Fojo dos Lobos que tomámos o melhor pequeno-almoço da viagem, onde encontrámos uma variedade e qualidade bastante superiores às nossas expectativas. Este acabou por ser um dos meus locais preferidos de alojamento.
Fafião – onde comer
Fizemos o check-in às 4 da tarde e como não tínhamos almoçado, e o pequeno-almoço na AL Casa da Banga tinha sido bem cedo, quisemos ir petiscar qualquer coisa antes do jantar. Mesmo ao lado da Guest House encontrámos o Café Fojo dos Lobos, que acabou por ser a maior surpresa (na positiva) da viagem. O café estava practicamente vazio quando chegámos, mas enquanto aqui estivemos fomos nos apercebendo que é ponto de paragem de tours turísticas assim como ponto de paragem para os locais depois do trabalho.
Hambúrguer Peleiroso e dose de batatas fritas no café Fojo dos Lobos
Pedimos cerveja para acompanhar o hambúrguer Peleiroso, um hambúrguer com cebola roxa, presunto e molho de mostarda e mel. Assim como uma dose de batatas fritas. O hambúrguer custou 5.5 euros e uma dose de batatas 1.70. Foi uma das melhores refeições da viagem, atrevo-me a dizer que se não a melhor, a segunda melhor. E por um preço impensável. Foi uma infeliz decisão não termos também jantado aqui, mas vimos depois do jantar para uns cocktails que também nos surpreenderam. É um dos locais aos quais voltaria sem pensar duas vezes.
Expresso Martini (café Fojo dos Lobos)Mais um cocktail no café Fojo dos Lobos
Para jantar, porque quisemos também experimentar o restaurante Fojo dos Lobos, fizemos reserva de uma mesa através da recepcionista da Guest House. Mas afinal não era necessário fazer reserva atempada, pois quando chegámos o restaurante estava vazio, e só mais uma mesa além da nossa foi ocupada nessa noite. O restaurante só estava aberto das 8 às 9 e meia e uma das coisas que não nos apercebemos é que alguns dos pratos que estão no menu têm de ser marcados com antecedência (até às 7 da tarde do mesmo dia). E aquele que nos atraiu mais, o Bacalhau Especial no Forno, era um deles. Acabámos por pedir a Posta Grelhada, mas não foi tão boa como a que tínhamos comido no restaurante do Hotel Adelaide na Serra do Gerês. A carne era bastante mais rija, faltava-lhe sal e o prato em geral precisava de um molho, pois tornava-se bastante seco. Quando digo que o melhor do prato foram os vegetais que vieram como acompanhamento já podem ver que não ficámos muito impressionados. O melhor da refeição acabou por ser a entrada, moura com ananás, que para o meu marido foi o melhor que comeu durante a viagem ao Gerês.
Entrada moura com ananás no restaurante Fojo dos LobosPosta grelhada acompanhado de batata à murro, arroz branco e couve branca cozida
E foi durante a refeição que nos arrependemos de não termos ido jantar ao café. A comida teria sido muito melhor e ter-nos-ia ficado bastante mais barato.
Fafião – miradouros
Já mencionei em cimavários pontos de interesse perto de Fafião. Mas visitar a aldeia em si tem o seu próprio charme oferecendo a possibilidade de conhecer uma aldeia típica da região. E foi explorando um pouco as ruas de Fafião que passámos o tempo entre a nossa refeição no café e voltarmos para o quarto para nos prepararmos para jantar. Descendo a estrada de empedrado escuro até ao largo da Sobreira do Chão fomos de encontro aos tanques onde antigamente se lavava a roupa. Pelo menos penso que já não seja práctica comum nos dias de hoje.
Tanques em Fafião
Mais abaixo virámos à esquerda para a Rua da Eira da Galega que sem sabermos foi dar ao miradouro da Eira da Galega. O miradouro é recente na aldeia, tendo sido construído em 2023, e ainda não figura em muitos dos websites de viagens. Mas certamente que começará a aparecer pela bela paisagem que oferece. Quando voltámos para o largo da Sobreira do Chão acabámos por ir dar à paragem de autocarro onde se encontra um mural representativo da fauna local, a espécie de gado bovino proeminente da zona.
Paisagem do miradouro Eira da GalegaOs tradicionais canastros da região
Outro miradouro a não perder, o qual visitámos já no dia seguinte depois do pequeno-almoço, é o Miradouro de Fafião. Este é com todas as certezas um miradouro de design instagramável. Este miradouro construído em 2021 é um local de paragem obrigatória. Da Guest House do Fojo dos Lobos até este miradouro é preciso andar cerca de 15-20 minutos. Mas ao contrário do que tínhamos encontrado na maior parte do Gerês, o caminho não era difícil de percorrer.
Miradouro de Fafião Miradouro de Fafião depois de passar a ponte suspensa
Mas o miradouro talvez não seja aconselhável para quem tem medo de alturas. Um miradouro formado por duas grandes pedras de granito ligadas por uma ponte suspensa oferece uma experiência inesquecível já que a ponte suspensa se vai movendo à medida que passamos por ela. A vista é magnífica tanto do lado do miradouro tal como a que nos acompanha pelo caminho até ele.
Paisagem do Miradouro de FafiãoPaisagem pelo caminho até ao miradouro de Fafião
Estas são então as nossas recomendações para Fafião, espero que tal como nós apreciem esta aldeia que tanto tem para oferecer.
500gr de batata-doce descascadas, cortadas em cubinhos e lavadas
1 lata (400gr) de grão
420gr de mistura de vegetais do mediterrâneo (pimentos vermelhos, pimentos amarelos, cebola roxa, curgetes, beringela e tomates-cereja)
110gr de queijo feta
4 tortilhas com sementes
6 colheres de sopa de maionese
3 colheres de sopa de azeite
30gr de mistura de especiarias para fajitas
Alho em pó e folhas aromáticas secas q.b.
Preparação
Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Num tabuleiro que possa ir ao forno, junte as batatas e tempera-as com 10gr (1/3) das especiarias para fajitas e 1 colher de azeite. Misture bem e leve ao forno por cerca de 15 minutos.
Entretanto, num recipiente junte o grão escorrido, os vegetais e tempere-os com as restantes especiarias e azeite. Passados os 15 minutes, junte o grão e os vegetais ao tabuleiro com a batata-doce. Misture tudo e leve de novo ao forno por mais 20 minutos ou até as batatas estarem cozidas.
Numa tacinha, junte a maionese e tempere-a com alho em pó e folhas aromáticas. Combine todos os ingredientes e reserve.
Quando os vegetais estiverem cozinhados, coloque num prato uma tortilha, adicione 1/4 da misture de vegetais e espalhe por cima queijo feta esfarelado, o molho da maionese e polvilhe com ervas aromáticas. Repita o processo com as restantes tortilhas.
Alternativas
Para esta receita pode usar pão para kebab ou pão pita em vez das tortilhas. Pode também substituir a mistura de vegetais para uma que mais lhe agrade.
Se quiser aceder a tudo sobre a nossa viagem ao parque nacional do Gerês incluindo preparativos e sugestões, veja a nossa página em: Parque nacional Peneda-Gerês
AL Casa da Banga – Pequeno-almoço
O nosso terceiro dia no Gerês começou com algo que é pouco conhecido na cidade, mas que ainda é a realidade em muitas aldeias por Portugal fora. Falo da visita do padeiro à porta de cada casa. Esta práctica não será conhecida por muitos que vivam em cidades ou em vilas, mas em locais mais recantados onde o supermercado não está ao virar da esquina, é práctica comum. E foi assim que nos vimos no terraço da AL Casa da Banga, ao lado da senhora Maria José à espera do padeiro, ainda antes das 8 e meia. E assim começámos o dia, à espera do pão para o nosso pequeno-almoço – e quem não gosta daquele cheirinho a pão fresco? Sem falar do sabor!
Pequeno-almoço na AL Casa da Banga
Mas esperem que não é só a visita do padeiro que se espera nas aldeias, também a do peixeiro, dos congelados e até do talho. As visitas podem não ser diárias como a do padeiro, mas são visitas que decorrem durante a semana para todos puderem fazer as compras que aqueles que vivem nas cidades, como eu, temos como garantidas.
Apesar da espera, que não foi longa, ainda antes das 9 horas estávamos sentados à mesa para um bom pequeno-almoço. O pão era uma delícia, acompanhado com manteiga, queijo, fiambre e até de bolos caseiros. Tivemos ainda direito a uns ovos mexidos que estavam no ponto, assim muito fofos. E enquanto comíamos fomos falando do frasco de Tofina que estava na bancada, aliás não se pode chamar uma casa tradicional portuguesa se ainda não viu um frasco de Tofina para o café da manhã. Talvez as gerações mais novas não conhecem este tradicional (e atrevo-me a dizer essencial) alimento, mas que fazia parte de qualquer casa nacional. Apesar de nas minhas recordações o frasco ser menos estético, mais o da figura ao lado do que o da figura em baixo.
Bebidas disponíveis no pequeno-almoço na AL Casa da Banga. Nada como uma caneca de tofina para se sentir um verdadeiro português.
Trilho do Poço Azul
Para o dia de hoje a lista de locais que queríamos percorrer não era longa, mas no final este dia acabou por ser um dos mais inesquecíveis da viagem. E não apenas por bons motivos.
A percorrer o trilho do Poço Azul
O trilho do Poço Azul começa na Cascata do Arado e percorre uma distância de cerca de 9Km (4.5Km para cada lado). Mas para quem não tem um carro todo-o-terreno, o melhor, para salvaguardar o estado do carro, é deixá-lo ao pé do Miradouro das Rocas e percorrer o quilómetro de caminho de terra a pé até à Cascata. Isto adiciona mais dois quilómetros, um para cada lado, ficando assim a cerca de 11Km no total. Nós tínhamos visitado a Cascata do Arado no dia anterior, sem sabermos que hoje faríamos este caminho de novo. E quisemos arriscar em deixar o carro mais perto da cascata, já na estrada de terra. Não percorremos o quilómetro completo, porque realmente a estrada não está assim em tão bom estado, mas deixámos a meio, cortando um quilómetro da nossa caminhada (meio quilómetro para cada lado).
Se tiverem um carro todo-o-terreno podem estacionar o carro no parque de estacionamento que fica a cerca de 300-400 metros depois da cascata, já na primeira subida, poupando no total cerca 2,5Km incluindo uma parte da subida inicial. Mas não se iludam, que a pior parte tem de ser feita a pé na mesma. Até porque já se sabe que a dificuldade não é na distância, mas no trilho em si. E este pode-se dizer que é um desafio.
O trilho do Poço Azul não faz parte dos percursos pedestres (PR) oficiais como temos feitos até à data no Gerês, mas é sim antes considerado como um trilho selvagem. E atenção que alguns pontos deste percurso estão mal sinalizados. Contudo, este é um dos percursos mais procurados no Verão e o conselho geral é de virem bem cedo; começarem o trilho ainda antes das 9, porque rapidamente se enche, e com 10 pessoas o Poço Azul já se sente estar a abarrotar.
Mas afinal o que tantos procuram encontrar neste percurso?
Chegar à lagoa alimentada por uma cascata, lagoa essa não com uma cor azul como o nome indica, mas de cor verde. E sim, é possível nadar, mas aviso que a água é gelada, mesmo nos dias de calor. Não podes é pensar – ouvi uma senhora dizer à filha antes de se atirar à água.
Poço AzulLagarto encontrado durante o trilho
O percurso que vou falar mais em detalhe foi aquele que nós fizemos ou seja, a partir de metade da estrada de terra que no total foram 11Km. A metade do caminho entre o Miradouro das Rocas e o Cascata do Arado será assim o Km 0, o ponto de partida.
Estacionámos o carro numa das bermas, à sombra e partimos com 2 litros de água cada um. Passámos pela ponte junte à cascata do Arado e a partir daqui foi subir. A subida é de cerca 1,2Km e é aqui nesta subida que vão passar pelo último parque de estacionamento. A subida poder-se-á dizer íngreme, mas não haverá mais subidas pronunciadas como tal durante o caminho.
Quando o caminho começar a nivelar, vão encontrar um cruzamento mais ou menos ao 1,6Km e aí vira-se à direita, seguindo pela rua da Malhadoura. Mais ou menos 200 metros à frente vão encontrar a Fonte do Curral da Malhadoura. Quando passámos por aqui, tanto na ida como na volta havia gente ao pé da fonte; quando íamos estavam a fazer lume para grelhar carne e quando voltámos estavam já a almoçar.
Depois da fonte continua-se a descer e depois claro como tudo o que desce também sobe, começa-se a subir sempre em frente. Ao chegar ao 2.6Km passa-se pelo Curral dos Portos que fica à esquerda.
A 200 metros à frente encontrarão outro cruzamento onde há uma placa a dizer ‘Tribela’. Aqui, o caminho mais rápido e fácil é virando à esquerda e esse é o caminho que recomendo, tendo nós feito, no regresso, o caminho que segue em frente neste cruzamento. Esta estrada, a que segue em frente, para quem vêm do Poço Azul não é má, é um bocado inclinada logo de início, mas vimos a descer. Agora imagino que subir aquele troço não seja nada divertido. Mas não pensem que é assim tão fácil este caminho que vos estou a aconselhar (virar à esquerda no cruzamento), talvez seja no início já que primeiro é a descer até à Ponte das Servas, mas depois é 50 metros a subir bem. No final da subida encontrar-se-ão de novo na estrada larga.
A boa notícia é que o caminho não é seguir a estrada que sobe, mas sim virar à esquerda na primeira oportunidade – por trilho bastante mais estreito. Incrivelmente é neste último quilómetro que a coisa aperta. O trilho em algumas partes não é de fácil passagem. Pelo caminho passámos por um grupo de escuteiros que estavam parados em exercícios. Nem sabíamos o quanto nos iam ajudar. Passámos pelos escuteiros, seguimos caminho até encontrarmos o primeiro verdadeiro obstáculo, um boi. Sim, um boi mesmo no meio daquele trilho estreito. E até acredito que alguém os ache fofinhos e mansos, mas naquele momento aqueles cornos afiados tinham um aspecto mortal. Felizmente, os escuteiros já lá vinham e o boi ao ver tanta gente junta acabou por subir a barreira (não sei bem como) e foi assim que pudemos passar.
Acabámos por fazer o resto do percurso ao lado dos escuteiros até chegarmos a um pequeno riacho o qual tivemos de atravessar. Andámos mais cerca de 200 metros quando finalmente chegámos ao poço azul. Ainda pensámos em ir à água, mas ela estava gelada. No entanto houve quem fosse bem mais corajoso que nós e se mandasse lá para dentro.
O primeiro obstáculo no trilho do Poço AzulChegada ao Poço Azul
Agora faltava voltar para trás, pelo mesmo caminho de onde tínhamos vindo. E não erámos só nós apreensivos em fazer o mesmo percurso com receio de encontrar mais obstáculos animalescos a meio do trilho, porque ouvimos outras pessoas que chegaram depois de nós a perguntar aos escuteiros se seguindo o trilho em frente era mais fácil do que voltar para trás. Aparentemente não é!
Começámos então o caminho inverso, atravessámos de novo o riacho e eis que a poucos metros demos caras com o nosso pior receio, outro boi a meio do caminho, mas este numa atitude menos amistosa. Digamos apenas que o bater de pata no chão avisava que por ele não se passaria. Fizemos um desvio por dentro do mato e passámos devagarinho sempre com o olho no boi, não fosse ele atacar. O que faríamos se ele o tivesse feito não sei bem. E se nós olhávamos para ele, ele retribuía o gesto, seguindo-nos com o olhar. E mesmo depois de passarmos por ele e voltarmos ao trilho houve um momento de meio pânico quando o mesmo boi começou a vir atrás de nós, ou assim parecia, cada vez mais rápido. Eu já estava para começar a correr quando vimos pessoas a virem pelo caminho onde o boi tinha estado, atrás de um pastor que tinha com um grande cajado na mão. Não posso dizer que tenha gostado da experiência, aliás muito pelo contrário.
Fizemos o resto do estreito trilho sem percalços e quando chegámos outra vez à estrada larga, o menos que queríamos por esta altura era mais adrenalina e por isso decidimos descer sempre pela estrada em vez de segurimos outra vez pelo caminho que passava pela ponte das Servas. Talvez tenhamos feito mais meio quilómetro com esta alteração de percurso, mas pelo menos a estrada larga era bem melhor.
Parte do trilho que passa pela Ponte das ServasCurral dos Portos
Chegámos ao entroncamento da ‘Tribela’ e continuámos o caminho inverso, mas tenho de confessar que a cada boi ou vaca que via, passava ao lado, mesmo ao longe, com uma certa apreensão. Chegámos ao carro inteiros, mas cansados. O caminho não tinha sido fácil e as dificuldades acrescidas tinham sido intensas. Se valeu a pena fazer aquele caminho? Epá se não tivesse sido a presença dos animais diria que sim, agora assim com um potencial risco de morte ou no mínimo de danos físicos não sei responder. Talvez se tivéssemos ido com um pastor como guia para lidar com os animais a experiência tivesse mais segura. E nós que nos tínhamos rido ao ver à venda um cajado por 10 euros. Afinal deve ser das coisas mais valiosas que se pode ter no Gerês.
Miradouro da Ermida
Depois de tirar uns momentos para descansar, beber água e recarregar baterias, fomos para a segunda paragem, um local muito mais calmo – o Miradouro da Ermida. O miradouro com cerca de 550 metros de altitude fica em Ermida, tal como o nome indica, uma aldeia tradicional do Gerês. O miradouro oferece uma paisagem típica da região.
Paisagem do Miradouro da Ermida
Este miradouro é o ponto de partida para o trilho PR14 – Trilho do Sobreiral da Ermida, o qual percorre uma distância de 14Km. Como se vão apercebendo, o que há mais no Gerês são trilhos e o difícil é escolher aqueles que se quer fazer, já que as pernas (pelo menos as nossas) não davam para todos. Claro que poderão sempre fazer o GR50, o trilho da grande rota que percorre 190Km através do Gerês. Nós em qualquer sítio que passávamos e que víamos ou a placa ou a marca vermelha e branca, comentávamos ‘Olha, por aqui passa o GR50’.
Cascatas de Tahiti
Saímos do Miradouro por volta das 2 e meia da tarde e começámos a ir para o nosso próximo alojamento, agora em Fafião, com ideias de ir parando pelo caminho. A primeira paragem foi nas cascatas Tahiti também conhecidas pelas cascatas de Fecha das Barjas. Encontrámos várias pessoas a tomar banho na cascata de Várzeas que pelos vistos tem sido palco de acidentes mortais. Eu sei, esta viagem começa a ter um lado mórbido. Não nos aventurámos muito, até porque a esta altura tinha um dos dedos dos pés tão inchado que mal conseguia andar (as consequências de não sabermos estar quietos nas férias).
Cascatas Tahiti
Infelizmente apesar dos avisos que estão nos placares alguém decidiu tirar a coleira ao seu cão e o cão escorregou na cascata. Não sei como é que não caiu. Mas acreditem que era morte certa. E podem confirmar nas notícias o perigo real destas cascatas. Aliás ficámos num hotel no dia seguinte onde o dono nos contou que um casal hospedado lá foi para estas cascatas nadar. A rapariga bateu com a cabeça e ficou a boiar na água enquanto o namorado dormia. Quando este acordou e a viu boiar de cabeça para baixo foi quando se apercebeu do que tinha acontecido. Não vale a pena dizer que o rapaz estava completamente desconsolado.
Mas nós quando saímos do carro apercebemo-nos que o local não devia ser seguro quando no parque de estacionamento há um lugar reservado a ambulâncias. Apenas um local onde a sua presença é requerida constantemente precisa. de um lugar reservado para estas viaturas.
Ponte da Pigarreira e Ponte de Várzeas
Acabámos por não ficar muito tempo nas cascatas e seguimos caminho. O último ponto de paragem antes do local de alojamento foi na ponte ao pé da Ponte da Pigarreira, na rua da Ponte de Várzeas. Tenho pena que o meu humor não estivesse no melhor estado quando aqui estivemos, porque o local é muito bonito. O humor não estava bom porque cada vez mais me doía o dedo e porque estava a começar a ficar com fome. E já se sabe quando uma mulher tem fome não há nada que faça o dia brilhar sem ser quando já estiver a comer. Eu confesso que sofro deste mal.
Paisagem da Ponte da PigarreiraPaisagem perto da Ponte da Pigarreira
Mas reconheço que o local é muito bonito; fizemos um pequeno trajecto circular, passando pela Ponte da Pigarreira o que em si foi uma experiência. A ponte é uma ponte suspensa e por isso move-se à medida que se a vai atravessando. Também nesta zona se pode tomar banho e parece ser bastante mais seguro do que nas cascatas de Tahiti.
Próximo destino: Fafião!
E Fafião fica para a próxima semana porque eu gostei bastante desta aldeia, por várias razões, e merece um post focado apenas sobre ela.
Mas já começam a perceber porque digo que o Gerês é bonito mas não é para todos?