Ramblas, mercado e paella

Depois de visitar as casas de Gaudí no Passeig de Gracìa era altura de começarmos chegar-nps à zona do restaurante onde queríamos jantar naquele dia. Para isso começámos a descer a rua passando pela Praça da Catalunha, um local a fervilhar de gente mesmo no coração de Barcelona em direcção a outra rua bastante conhecida na cidade, La Rambla ou Las Ramblas.

Entrada principal para o mercado St Josep (La Boquería) pelas Las Ramblas

O uso do plural, Las Ramblas, é porque a rua consiste na verdade em 5 trechos, 5 ramblas, que seguem pela a rua abaixo. Las Ramblas liga a parte alta da cidade que parte da praça da Catalunha até ao passeio marítimo mais especificamente ao Mirante de Colom.


Breve história de Las Ramblas

Durante o Império Romano Las Ramblas não tinha o mesmo aspecto de hoje, até porque na altura esta rua era rodeada por dois ribeiros que transbordavam quando chovia inundando por completo a zona. Mas em alturas de pouca chuva esta era usada como local de passagem para viajantes e fazendeiros. No século XV, mais precisamente em 1440, foi construída a muralha do Raval o que fez com que o rio Malla, que chegava até às Las Ramblas, se desviasse colocando esta zona a descoberto. E pode-se dizer que esta foi a verdadeira origem das Las Ramblas. Com isto esta zona começou rapidamente a desenvolver-se e no século XIX era um dos locais predilectos de vários artistos na cidade.

Em 1888 foi construído o Monument a Colom (Monumento a Colombo) devido à Exposição Universal organizada em Barcelona nesse ano. Este monumento ainda existe e encontra-se na ponta sul (ao pé do mar) das Las Ramblas.

Hoje Las Ramblas é uma, senão a, rua mais visitada em Barcelona onde fica também o mercado de Sant Josep (São José) mais conhecido por La Boquería.


Mercado La Boquería

E foi a este mercado que fomos a seguir, e acreditem que é muito fácil ficar-se tentado a comprar alguma guloseira, seja ela doce ou salgada. E a tentação está por todo o lado, neste enorme mercado onde se encontra várias barraquinhas a vender enchidos, queijos, frutas, gomas, chocolates, empanadas, enfim frios, crus, cozidos e quentes todos juntos no mesmo espaço. E a preços bastante simpáticos para Barcelona.

Breve história de La Boquería

Os primeiros registros da existência de um mercado nesta zona da cidade remonta a 1217. Neles mencionam-se bancas temporárias que vendiam carne na praça de La Boquería, fazendo estas partes de um conjunto de vários mercados. Como disse acima por esta altura ainda havia o risco de inundação e por isso estas bancas eram montadas apenas quando era possível.

Entre 1701 e 1900 o mercado passou por várias mudanças. Por exemplo, em 1777 depois da demolição do arco do portal da Boquería que fazia parte do antigo muro das Las Ramblas, as bancas de carne mudaram-se para o passeio marítimo, que fica ao pé do mar, na ponta sul das Las Ramblas. Mais tarde já no século XIX o mercado foi mudado para o jardim do convento de St Josep e temporariamente em 1823 para o convento dos Carmelitas. Em 1827 quando foi publicado o primeiro regulamento para o mercado este já contava com mais de 200 bancas; 100 a vender carne fresca e curada, 48 a vender peixe e as restantes a vender produtos diversos.

A 28 de março de 1836 o mercado muda outra vez de localização desta vez para onde ficava o convento de St. Josep destruído depois do grande incêndio em 1835. Apesar de ser aqui a sua morada permanente até aos dias de hoje foi só em 19 de março de 1840 que se começa a construir o espaço do mercado propriamente dito seguindo o projecto de Josep Mas i Villa. Neste projecto o espaço central era para as várias bancadas enquanto que a peixaria ficaria numa outra localização, na praça de Sant Galdric. Mais tarde em 1911, também as bancas de peixe se mudam para o espaço central do mercado.

Em 1913 é colocado o arco à entrada que seguia o movimento artística da época, o modernismo e um ano mais tarde, em 1914, é colocada a cobertura metálica sobre o mercado.

Mais recentemente, mais precisamente desde 1985 várias remodelações e alterações têm acontecido de forma a manter este que é o mercado municipal mais antigo de Barcelona. Hoje em dia são aqui agendados vários eventos culturais, os quais podem ver no site oficial do mercado: https://www.boqueria.barcelona/home

Para além de poderem assistir a estes eventos é claro que também se aconselha a passear pelos vários corredores do mercado passando pelas várias bancas para se deixarem cair na tentação das iguarias espanholas.


Restaurante Colom

Para jantar queríamos um prato tradicional e nada é mais tradicional do que a famosa paella. Depois de uma pesquisa sobre onde comer a melhor paella escolhemos o restaurante Colom avaliado em 4.7 (em 5). Para chegar a este restaurante basta descer Las Ramblas e entrar por uma rua transveral a Carrer del Escudellers. Como os espanhóis normalmente jantam bastante tarde nós às 7 e pouco já estavámos a ir para o restaurante até porque o restaurante não aceita reservas. Mas mesmo a esta hora já havia uma fila enorme. Acho que não minto quando digo que estivemos uma hora na fila à espera da nossa vez mas finalmente entrámos. O interior do restaurante é bastante rústico com pinturas e objectos marinhos tal como o nome sugere. Afinal Cristovão Colombo (ou Colom, Colón, Columbus, como preferirem) teve um papel enorme nos descobrimentos tendo sido ele quem descobriu a América sob a armada Espanhola.

Para jantar pedimos 3 paellas, 1 de frango, uma mista (marisco e carne) e 1 vegetariana. As paellas eram enormes mas nós comemos tudo porque eram mesmo muito boas. E bastante baratas apesar de ter pensado que o preço do menu era por paella mas afinal era por pessoa. E por paella são duas pessoas, por isso acabou por ser o dobro do que pensava. Mas mesmo assim não foi caro, afinal por pessoa foi 9 euros e meio. E como disse a paella, melhor as paellas, eram muito boas incluindo a vegetariana.

Ainda pedimos sobremesa que eu acho que foi caro para o que era, duas bolas de gelado e chantilly por 5.50 euros, mas ainda recebemos de oferta um aperitivo no final da refeição quando souberam que era o aniversário de um de nós (ou se calhar fazem a todos e usaram isso para nos fazer sentir mais especiais, sem o ser).

Se acho que valeu a pena esperar uma hora? Penso que sim porque a comida era realmente boa, o atendimento rápido e simpático. No entanto quando estamos com pessoas mais velhas e depois de um dia desgastante já se começa a pensar duas vezes em nos metermos nestas aventuras. Mas apesar de tudo todos nós adorámos a paella e comeu-se bastante bem por um bom preço.

Depois deste bom jantar foi apanhar o metro e o autocarro de volta para Gavà. Porque afinal este dia estava prestes a acabar mas o próximo muito mais nos traría. Outro dia para explorar Barcelona e a sua arquitectura moldada pelo modernismo.

Kedgeree

Tempo de preparação: 45 minutos

4 porções

507 Kcal/porção

Ingredientes

  • 3 ovos
  • 440gr de filetes de peixe arinca fumado
  • 300mL de leite meio-gordo
  • 250gr de arroz
  • 100gr de mix de vegetais congelados que tenha na mistura ervilhas e milho
  • 30gr de manteiga
  • 1 cebola picada
  • 1 colher de sopa de alho em pó
  • 1 colher de sobremesa de gengibre em pó
  • 1 colher de sobremesa de açafrão em pó
  • 1 colher de sobremesa de caril em pó
  • 1 molhinho de coentros
  • 1 limão cortado em quartos
  • Sal, pimenta preta em pó e azeite q.b.

Preparação

  1. Num tacho coza os ovos em água fervente durante 6 minutos e meio. Passado o tempo de cozedura retire ovos e coloque-os em água fria.
  2. Quando os ovos tiverem arrefecido um pouco descasque-os e corte-os ao meio.
  3. Entretanto, num segundo tacho coloque os filetes de peixe e adicione o leite.
  4. Leve o tacho ao lume e quando o leite estiver a ferver, retire do lume e deixe o peixe arrefecer dentro do leite.
  5. Num outro tacho, aqueça um fio de azeite e adicione o arroz e a mistura de vegetais.
  6. Deixe fritar por 1 minuto.
  7. Em seguida, adicione água até tapar o arroz e os vegetais e tempere com sal e pimenta preta.
  8. Deixe o arroz cozer juntamente com os vegetais por cerca de 8 minutos em lume médio-baixo ou até o arroz estar cozido.
  9. Numa frigideira larga aqueça a manteiga juntamente com a cebola. Adicione uma pitada de sal, mexa e deixe refogar a cebola durante 12 minutos a lume baixo.
  10. Passado este tempo adicione o alho, o gengibre, o caril e o açafrão. Mexa e deixe fritar por 2 minutos.
  11. Entretanto, retire o peixe do leite e separe os filetes em bocados grandes.
  12. Junte o arroz e os vegetais à cebola com as especiarias e envolva bem.
  13. Adicione o peixe e metade dos coentros picados e envolva cuidadosamente ao arroz para não desfazer o peixe.
  14. Sirva o arroz e o peixe juntamente com os ovos, o limão e os restantes coentros picados.

Sugestões

Substitua o peixe arinca por outro tipo de peixe branco ou até salmão. No entanto, aconselha-se a que o peixe seja fumado.

Barcelona, uma cidade moldada pelo modernismo

Índice nesta página:

  1. Arquitectura modernista em Barcelona
    1. Antonio Gaudí, arquitecto modernista
      1. Quem era Antonio Gaudí?
  2. Casa Batlló
    1. Interior da casa Batlló
    2. Fachada da Casa Batlló
      1. Manzana de la Discordia
      2. A lenda associada à Casa Batlló
  3. La Pedrera ou Casa Milà

Arquitectura modernista em Barcelona

A Barcelona que conhecemos hoje foi moldada pelo modernismo, um movimento artístico que apareceu na Europa nos finais do século XIX, e se estendeu rapidamente pelos vários países. Actualmente, grande parte dos locais turísticos em Barcelona são exemplos de edifícios e monumentos criados seguindo este tipo de arquitectura. E isso deveu-se também à competição entre arquitectos modernistas promovida pelos prémios urbanos dados pela câmara municipal. Muitos destes edifícios, agora considerados como obras de arte, foram construídos no Passeig de Gracìa a rua que se tornou a espinha dorsal de Barcelona, onde todas as famílias com poder e estatuto na sociedade se queriam estabelecer. Este focos no Passeig de Gracìa resultou do Plano Cerdà, ambicioso projecto urbano aprovado em 1860 para elevar a cidade Barcelona cultural e artisticamente.

Park Güell, criação de Antonio Gaudí

O aparecimento e destaque do modernismo em Barcelona de forma tão prominente deveu-se a uma junção de vários aspectos históricos da época como a primeira Exposição Universal organizada em Barcelona em 1888, que foi um dos grandes motores para a construção de magníficos edifícios, a Revolução Industrial e o ‘Desastre del 98’ altura em que Espanha perde as suas últimas colónias como Cuba, Puerto Rico e Filipinas. Foi durante este período que muitos espanhóis que tinham emigrado para a América em busca de riqueza agora regressavam com vontade de fazer mudanças no seu próprio país. Por último, como factor condutor do modernismo podemos mencionar o movimento da Renaixença (Renascença em português), um movimento que exaltava os valores catalães. Este movimento mudou o pensamento geral na burguesia que se virou para a cultura, arte e arquitectura associado a um forte sentimento nacionalista.

Antonio Gaudí, arquitecto modernista

Um dos grandes arquitectos que tiveram um impacto enorme na cidade de Barcelona foi Antonio Gaudí. Mesmo que nunca se tenha ouvido este nome, certamente que o ouvirá mais do que uma vez quando se explora Barcelona. Aliás grande parte das atracções mais procuradas em Barcelona são criações de Gaudí (e com boa razão de ser). Entre elas conta-se La Pedrera (ou Casa Milà) e a Casa Batlló, que são o foco deste post, o Parc Güell e talvez a mais conhecida a inacabada La Sagrada Família. Nós visitámos estes dois últimos locais no dia seguinte e por isso falarei deles mais à frente.

Quem era Antonio Gaudí?

Antonio Gaudí nasceu a 25 de junho de 1852 numa província em Espanha e desde muito cedo que começou a ajudar no negócio de família na produção de caldeiras. Isto deu-lhe uma enorme percepção sobre espaço e volume que mais tarde aplicou nas suas obras. Desde muito novo que Gaudí tinha um fascínio pela natureza e pelas suas formas, o que se tornou o centro das suas criações. Não numa tentativa de imitar a natureza, mas de a celebrar de uma forma equilibrada e deveras fascinante. Alguns desses exemplos podem ser encontrados na Casa Batlló como os motivos marinhos e lareira em forma de cogumelo, que podem ver nas fotografias abaixo.

Em 1870 Gaudí muda-se para Barcelona para se formar em arquitectura, o que faz com sucesso em 1878. Foi a partir daqui que Gaudí começou o seu grande legado artístico. Mas apesar de aos longos dos anos a sua notoriedade ser cada vez maior, Gaudí com o tempo começou a isolar-se da sociedade. Ao contrário do Gaudí que durante a sua juventude frequentava vários eventos sociais tais como teatros, concertos e tertúlias, Gaudí começou-se a distanciar da sua vida social enquanto o seu fascínio em relação à religião e ao místico se tornava cada vez mais obsessivo.

Antonio Gaudí morre a 10 de Junho de 1926, atropelado por um eléctrico, enquanto caminhava em direcção à La Sagrada Família, projecto onde na altura punha todo o seu esforço. Inicialmente Gaudí não foi reconhecido devido ao seu aspecto descuidado e falta de documentação. A sua identidade foi descoberta já no Hospital de la Santa Cruz por um padre que trabalhava na La Sagrada Família. O enterro de Gaudí decorreu dois dias mais tarde na La Sagrada Família, e é aqui onde o seu corpo ainda hoje permanece.


Casa Batlló

Nós tínhamos escolhido os Los Tortìllez (ver post anterior) exactamente devido à sua proximidade ao Passeig de Gracìa. E foi por isso que depois da nossa refeição rapidamente chegámos à entrada da Casa Batlló. Como não tínhamos a certeza das horas em que estaríamos prontos para visitar a casa não tínhamos marcado os bilhetes com antecedência. Mas felizmente isso não foi um problema. Quando chegámos conseguimos marcar bilhetes para entrar dali a 15 minutos. O bilhete para a visita custou-nos 29 euros por pessoa.

A Casa Batlló fica no número 43 do Passeig de Gracìa no entanto este não é o edifício original. O primeiro edifício foi construído em 1877 numa altura em que ainda não havia electricidade na cidade. Em 1903 o edifício foi adquirido por Josep Batlló y Casanovas, um industrialista têxtil com várias fábricas espalhadas por Barcelona e um empresário de poder. E claro está, tal como ditava as regras da sociedade da altura, Passeig de Gracìa era a rua onde morar se se queria marcar a sua posição social. Josep Batlló contratou Antonio Gaudí em 1904 e deu-lhe ‘cartão verde’ para transformar por completo o edifício. Na sua ideia original, Josep queria que o edifício fosse deitado abaixo e re-construído de novo, mas Gaudí conseguiu evitar que isso acontecesse. Apesar de claro a transformação do edifício tê-lo tornado numa obra de arte que desde 2005 é considerado Património Mundial pela UNESCO.

Interior da casa Batlló

Primeiro vou falar da nossa visita à zona interior da casa e depois da fachada exterior que é indubitavelmente a parte mais conhecida do edifício.

Tal como disse acima a natureza tinha um papel central nas obras de Gaudí e aqui o é demonstrado. A entrada simples da casa pretende que o visitante se sinta debaixo de água com clarabóias que lembram carapaças de tartaruga. Esta sala termina numa escadaria que leva ao piso principal.

Aqui, primeiro passa-se por um espaço onde se encontra uma lareira em forma de cogumelo, espaço esse que fazia de escritório de Josep Batlló. Em seguida o visitante entra para a sala principal onde uma grande janela panorâmica com padrões marinhos tem um papel de grande relevância. Esta janela é talvez uma das partes mais conhecidas da casa.

Janela panorâmica do piso principal com padrões marinhos

Enquanto se sobe pelos vários andares do edifício começamos a notar pequenos pormenores que permitem o equilíbrio de luz e de ventilação nos vários pontos da casa. Por exemplo, note-se que os azulejos azuis vão escurecendo à medida que se vai subindo e as janelas ficando mais pequenas. Isto foi assim construído com o intuito de equilibrar a quantidade de luz que cada piso recebe. É importante aqui lembrar que esta era uma casa familiar e por isso tinha de ser funcional, o que era aliás uma das premissas deste projecto.

No último andar, a zona dos criados, encontramos uma simplicidade que se destaca dos outros pisos com vários arcos simples pintados de branco. Há quem acredite que estes arcos representam os ossos da caixa torácica de um animal.

No terraço superior para além da privilegiada vista sobre os vários edifícios da cidade, encontramos como principal construção as 4 chaminés policromadas projectadas de forma a evitar que o ar voltasse para dentro do edifício (imagens abaixo).

Quando descemos as escadas, depois da visita ao terraço superior, entrámos dentro de uma espécie de sala espelhada. As portas fecharam-se e pudemos assim experienciar um show de luzes e de imagens feitas a computador com as várias obras de Gaudí. Sem dúvida uma das experiências mais marcantes desta visita.

Durante a subida pelos vários andares um dos locais que não pudemos visitar por se encontrar em trabalhos de conservação e restauro foi o pátio.

Fachada da Casa Batlló

A fachada única da Casa Batlló representa Gaudí na sua imaginação livre inspirada pelos padrões e vida marinha.

Manzana de la Discordia

A fachada exterior é algo que não se deve perder numa visita a Barcelona. Entendo se não quiserem ou não estiverem interessados em visitar o interior da casa, mas o exterior merece ser contemplado.

Aliás, devido às competições organizadas pela câmara municipal de Barcelona, a casa Batlló faz parte de uma fachada de 5 edifícios todos eles exemplos do modernismo, todos eles criados por arquitectos da época. Este conjunto de edifícios é chamado de Manzana de la Discordia (o quarteirão da discórdia). Os edifícios são:

  • Casa Batlló de Antonio Gaudí – Número 43
  • Casa Amatller de Josep Puig i Cadafalch – Número 41
  • Casa Josefina Bonet de Marcel-li Coquillat – Número 39
  • Casa Mulleras de Enric Sagnier – Número 37
  • Casa Lléo Morera de Luís Domènech i Montaner – Número 35

Quando olharem para Casa Batlló não deixem de reparar na arquitectura dos outros edifícios daquela fachada.

A lenda associada à Casa Batlló

Apesar de Gaudí nunca ter mencionado tal facto há a crença popular que a fachada da Casa Batlló se baseia na lenda de Sant Jordi, o santo padroeiro da Catalunha. De uma forma muito simplificada a lenda conta que Sant Jordi matou o dragão com a sua espada para salvar a princesa e o povo da ira do animal.

Com base nesta interpretação, a coluna no topo do edifício simboliza a espada de Saint Jordi que está espetada no dorso do dragão, representado pelas várias escamas coloridas. Adicionalmente diz-se que as colunas que se encontram mais abaixo e tem aparência de ossos são homenagens às vítimas do dragão.

É justamente esta conexão entre a Casa Batlló e a lenda que ao longo da história a casa foi também conhecida como a casa dos ossos ou a casa do dragão.

Para saber mais sobre a Casa Batlló e a sua história vejam o website oficial: https://www.casabatllo.es/en/


La Pedrera ou Casa Milà

Outro edifício projectado e construído por Gaudì, também ele no Passeig de Gracìa, é a La Pedrera, também conhecido por Casa Milà. La Pedrera devido à sua face exterior que lembra uma pedreira a descoberto enquanto que Casa Milà é devido ao nome dos donos que adquiram a propriedade e quem contractou Gaudì, Pere Milà e Roser Segimon. Este edifício foi construído depois da Casa Batlló; a Casa Batlló foi construída entre 1904 e 1906, a La Pedrera foi construída entre 1906 e 1912.

Os bilhetes para visitar La Pedrera, tal como para visitar a Casa Batlló, custam 29 euros e por isso tínhamos decidido que íamos apenas visitar uma delas. A nós pareceu-nos que o interior da Casa Batlló era mais interessante apesar da história da Casa Milà ser bastante mais atribulada.

Fachada exterior de La Pedrera

Quando compraram a propriedade o objectivo do casal Milà era de viver no primeiro piso e de alugar os restantes quartos. O projecto começou em 1906, no entanto o processo não foi de todo sem contratempos já que Gaudí alterava constantemente o projecto incluindo o aspecto e a estrutura do edifício. Estas alterações frequentes, por um lado fez com que a construção do edifício tivesse um valor financeiro muito acima da estimativa orçamental prevista. Por outro lado, Gaudí borrifou-se (para não dizer pior) para os regulamentos da câmara municipal e construiu um edifício onde o volume do sótão e do terraço superior eram ilegais. Para mais um dos pilares da fachada acabou por ocupar parte do passeio do Passeig de Gracìa, sendo este outro incumprimento dos regulamentes municipais.

Claro que hoje em dia o edifício que ali se ergue é a prova que o incumprimento não levou a alterações da construção, mas isto porque o edifício foi certificado como o de ter um valor cultural e por isso não ter que se submeter às regras da câmara. Mas isto não ficou concluído sem que o casal Milà pagasse uma multa de 100.000 pesetas para legalizar a construção.

Como devem calcular tudo isto deu aso a várias discussões entre Gaudí e os donos da Casa Milà num confronto que acabou por chegar aos tribunais. Para além de ser assunto muito falado na sociedade. Como Gaudí ganhou o processo o casal teve que hipotecar a Casa Milà para pagar 105.000 pesetas ao arquitecto catalão que doou o dinheiro a um convento de freiras.

Mais impressionante ainda é que só quando Gaudí morreu, Roser Sigmon alterou toda a decoração do seu apartamento removendo as mobílias e os tectos falsos escolhidos por Gaudí, uma vez que nunca tinha gostado da decoração.

Seria de esperar que depois de tantas querelas entre o casal Milà e Gaudí incluindo ter de pagar uma multa de 100.000 pesetas, ao menos o apartamento fosse ao gosto do casal. O facto de Roser ter esperado que Gaudí morresse para o fazer mostra o nível de respeito que a sociedade tinha para com Gaudí.

Para saber mais sobre a Casa Milà e a sua história vejam o website oficial: https://www.lapedrera.com/


Próximo post: o famoso mercado La Boquería e onde comer a melhor paelha de Barcelona

Omelete de vegetais e queijo de cabra

Tempo de preparação: 30 minutos

3 porções

450Kcal/porção

Ingredientes

  • 3 alho-francês (parte branca) cortados em meias luas finamente
  • 2 cebolas cortadas em meia lua
  • 150gr de espinafres congelados
  • 300gr de cogumelos congelados
  • 2 colheres de sopa de sumo de limão
  • 12 ovos
  • 40gr de queijo de cabra
  • 8 colheres de sopa de azeite
  • Nozes picadas grosseiramente q.b.
  • Sal, alho em pó e pimenta preta q.b.

Preparação

  1. Numa frigideira antiaderente aqueça duas colheres de sopa de azeite e refogue a cebola e o alho-francês durante 5 minutos mexendo ocasionalmente.
  2. Adicione os cogumelos à frigideira e tempere de sal e pimenta preta. Mexa e deixe cozinhar por mais dois minutos.
  3. Passado este tempo junte os espinafres, tempere com alho em pó e junte o sumo de limão.
  4. Mexa, tape a frigideira, e deixe cozinhar durante 10 minutos a lume baixo. Mexa ocasionalmente.
  5. Quando faltar dois minutos para terminar o tempo de cozedura destape a frigideira.
  6. Rectifique os temperos e reserve.
  7. Numa tigela bata 4 ovos com uma vara de arames.
  8. Tempere os ovos de sal e pimenta preta.
  9. Numa segunda frigideira antiaderente, aqueça duas colheres de sopa e junte os ovos cobrindo o fundo da frigideira por completo.
  10. Deixe os ovos cozer por 1 minuto a lume baixo sem deixar queimar.
  11. Espalhe por cima dos ovos 1/3 da mistura de vegetais de um dos lados e 1/3 do queijo de cabra cortado em cubinhos do outro lado.
  12. Deixe a omelete cozinhar por 3-4 minutos a lume baixo tendo o cuidado de não queimar a base da omelete.
  13. Quando os ovos estiverem quase cozidos enrole uma parte da omelete com a ajuda de uma espátula.
  14. Retire a omelete para um prato e por cima espalhe nozes picadas.
  15. Repita o processo (a partir do passo 7) por mais duas vezes para preparar mais duas omeletes.

Sugestões

  • Adicione diferentes vegetais consoante a sua preferência, por exemplo ervilhas ou cenouras cortadas aos cubinhos.
  • Se não gostar do sabor do queijo de cabra, substitua o queijo por outro tipo.
  • Se quiser pode fazer as omeletes mais pequenas; em vez de fazer 3 omeletes cada com 4 ovos faça 4 omeletes cada com 3 ovos

Onde comer a famosa tortilha em Barcelona

Começam aqui as nossas 48 horas em Barcelona, de sexta-feira à tarde até domingo à tarde. Como disse no último post (ver aqui) ficámos hospedados em Gàva, uma cidade a cerca de 30 minutos de Barcelona, onde os preços de acomodação eram muito mais agradáveis à carteira. Pelo menos às nossas.

Parc Güell

Depois de deixarmos as malas no apartamento Dolce Gava fomos apanhar o comboio. O comboio que faz a ligação entre Gàva e Barcelona passa de 20 em 20 minutos e normalmente chega a horas. Mas preparem-se que nós apanhámos sempre o comboio a abarrotar. A que hora fosse! A sorte foi mesmo a viagem ser rápida.

Los Tortíllez

Como chegar

A primeira coisa que queríamos fazer era ir comer qualquer coisa já a poder ser considerado como um almoço tardio. E começámos por um dos pratos mais conhecidos em Espanha, as famosas tortilhas de batata. Para chegarmos ao lugar escolhido saímos na estação de comboio Passeig de Gràcia que dá acesso a uma das ruas mais importantes da cidade e andámos cerca de 10 minutos até ao restaurante Los Tortíllez. Quando chegámos, por volta das duas da tarde, o restaurante encontrava-se bastante cheio e ainda tivemos que esperar um bocadinho até termos uma mesa livre. Mas também enquanto se esperava aproveitou-se para decidir o que iríamos pedir, porque a escolha era (e é) imensa.

História

Quando nos sentámos na nossa mesa que ficava num cantinho e começámos a olhar com atenção para a decoração do restaurante, percebemos pelas muitas fotografias de família espalhadas pelas paredes que aquele restaurante tinha história. História de uma família que desde 1982 oferece a oportunidade a muitos de conhecer a famosa iguaria espanhola.

Tortilha com sobrasada ibérica, queijo e mel

Para quem não conhece, a tortilha espanhola, não confundir com a tortilha mexicana, é um prato que tem o seu papel enraizado na cultura de país. Pensa-se que este prato é oriundo da região da Extremadura e confeccionado desde 1798 (século XVIII). Apesar de actualmente este prato ser preparado de imensas maneiras, a sua base é bastante simples, batatas e ovos. E tal como acontece com estes tipo de pratos as suas raízes vêm de famílias ou comunidades mais pobres que tentavam fazer o melhor possível com os ingredientes que tinham à mão. E por isso quando comerem as tortilhas espanholas lembrem-se que apesar de não parecer este prato tem origens bastante humildes.

As nossas tortilhas

Agora em relação à nossa experiência no Los Tortíllez; como o menu inclui outros pratos tradicionais pedimos como entrada o famoso pão com tomate regado com azeite como manda a tradição. Como disse acima, o menu das tortilhas é bastante extenso e o difícil é escolher uma. Há desde tortilhas simples, com ou sem cebola, até tortilhas com bacalhau, calamares, queijos e carnes fumadas. Para provar o que digo basta darem uma olhadela à carta que está disponível no website oficial: https://www.lostortillez.com/carta/. Apesar de não ter visto no menu eu acho que cada uma destas tortilhas se relaciona com um membro da família – mas isto é apenas uma suposição da minha parte.

Nós depois de bastante indecisão escolhemos as seguintes:

  • Abuela Tortíllez – tortilha simples com cebola
  • Aitor Tortíllez – tortilha com bacalhau, tomate, salsa e alho
  • Tomeu Tortíllez – tortilha com sobrasada ibérica (enchido típico espanhol), queijo e mel
  • Guadalupe Tortíllez – tortilha com bacon, jalapeños e queijo

Quando pedimos as tortilhas perguntaram como as queríamos, isto se bem passadas ou mal passadas. Quem escolheu as tortilhas de bacalhau pediu bem passadas, enquanto os restantes pediram mal passadas. Da minha tortilha, a Tomeu, posso dizer que gostei imenso. Também cheguei a experimentar a de bacalhau e concordo com a opinião geral, a de que faltava um bocadinho de sal. A minha não teve esse problema porque o enchido, a tal sobrasada ibérica, dava o sabor salgado que precisava. Tal como a Guadalupe com o bacon.

O atendimento foi super-rápido e as empregadas foram bastante atenciosas. Como hoje era o dia de aniversário da minha mãe pedi às escondidas se podiam por uma velinha na tortilha dela. E não foi que o fizeram? Nada como cantar os parabéns meio em espanhol meio em portunhol para o embaraço ser maior. Mas fiquei muito agradecida pela atenção especialmente estando o local a abarrotar com clientes. Aliás o ambiente até chegou a estar tenso quando vimos duas das empregadas a refilar uma com a outra. Não que isso afectasse ou mudasse a nossa opinião ou a nossa experiência.

Como já devem ter percebido este é um dos locais que recomendo a visitarem, para além de provarem boas tortilhas a refeição ficar-vos-á bastante económica para os preços da cidade.

Vejam mais sobre Los Tortíllez em: https://www.lostortillez.com/

Cogumelos com pesto e puré de feijão

Tempo de preparação: 20 minutos

2 porções

298Kcal/porção

  • 1 lata de feijão manteiga
  • 250gr de cogumelos grandes
  • 3 colheres de sopa de pesto verde
  • 150gr de espinafres congelados
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 6 colheres de sopa de azeite
  • Sal, pimenta preta e alho em pó q.b.

  1. Num tacho coloque a lata de feijão juntamente com o líquido da conserva.
  2. Deixe ferver durante 4 minutos a lume baixo.
  3. Passado o tempo, retire o tacho do lume e escorra metade do liquído.
  4. Coloque o feijão e o restante líquido de conserva num copo de plástico. Com a ajuda de uma varinha mágica, desfaça o feijão até obter um puré.
  5. Tempere o puré com sal e pimenta preta em pó e envolva os temperos no puré.
  6. Adicione também uma colher de sopa de manteiga e misture até a manteiga estar completamente derretida e envolvida no puré. Reserve.
  7. Numa frigideira antiaderente aqueça duas colheres de sopa de azeite e uma colher de sopa de manteiga.
  8. Quando o azeite estiver quente coloque os cogumelos e tempere-os de sal e alho em pó. Deixe fritar cada lado de cada cogumelo por cerca de 4 minutos.
  9. Depois de fritos retire os cogumelos para um prato e reserve.
  10. Numa segunda frigideira aqueça duas colheres de sopa de azeite.
  11. Junte os espinafres, temper-os de de sal e alho em pó e deixe fritar por cerca de 5 minutos, mexendo ocasionalmente.
  12. Entretanto, numa tigela misture três colheres de sopa de pesto e duas colheres de azeite.
  13. Em dois pratos espalhe o puré de feijão e por cima coloque os cogumelos.
  14. Decore o prato com os espinafres salteados e com o pesto.

Sopa de caril vermelho tailandês com grão-de-bico

Tempo de preparação: 35 minutos

3 porções

330Kcal/porção

  • 1 lata de grão-de-bico cozido
  • 500gr de mistura de vegetais congelada
  • 100gr de pasta de caril vermelho tailandês
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • 50gr de iogurte natural mais 2 colheres de sobremesa para decoração
  • Sal q.b.

  1. Pré-aqueça o forno a 200ºC.
  2. Abra a lata de grão-de-bico e escorra-o. Coloque metade do grão com 150gr de vegetais congelados num tabuleiro que possa ao ir forno.
  3. A estes vegetais, junte 3 colheres de sopa de caril e 2 colheres de sopa de azeite. Tempere com sal, misture bem e leve o tabuleiro ao forno por 30 minutos. Mexa a meio tempo com uma colher de pau.
  4. Entretanto num tacho leve ao lume o restante caril com uma colher de sopa de azeite. Deixe fritar por cerca de 2 minutos.
  5. Ao tacho junte o restante grão-de-bico e os restantes vegetais congelados.
  6. Junte 500mL de água e tempere de sal.
  7. Deixe ferver os vegetais a lume baixo por 20 minutos.
  8. Quando o tempo de cozedura acabar, junte o iogurte natural, e com a ajuda de uma varinha mágica passe-a a sopa até ter um creme homogéneo espesso.
  9. Sirva a sopa decorada com os vegetais assados e iogurte natural.

Castelldefels e Gavà, antes e entre Barcelona

Conteúdo nesta página:

  1. Restaurante Kinza Villa
  2. De Castelldefels a Gavà
  3. SANTAGLORIA café
  4. Restaurante La brasa 2022
  5. El Café de la Rambla

Castelldefels e Gavà são duas cidades a cerca 20 quilómetros de Barcelona e óptimas opções para quem quer conhecer Barcelona, mas não queira pagar os preços quase proibitivos da grande cidade. Se quiserem aproveitar a praia aconselho mais Castelldefels, mas para quem quer visitar Barcelona diariamente Gavà é a melhor opção. As ligações entre Gavà e Barcelona decorrem várias vezes ao dia e pode-se viajar de autocarro, porém a forma mais fácil é de comboio, que se for o directo, demora 20 minutos.

Na primeira noite em que chegámos a Espanha, já no final do dia, apanhámos o autocarro L99 para Castelldefels. Depois de uma viagem que demorou cerca de 45 minutos chegámos ao Hotel C31, onde fizemos o check-in digital. Como sabíamos de antemão que íamos chegar depois da hora normal do check-in, tínhamos informado o hotel que nos enviou por mensagem o código de entrada para a propriedade e para o nosso quarto.


Restaurante Kinza Villa

Depois das primeiras impressões feitas no nosso quarto voltámos para a rua para jantar. Estivemos divididos entre algumas opções, mas até nem procurávamos nada de especial. Tentámos primeiro o Mincho Bar Pineda, que nos pareceu uma opção simples com vários petiscos, mas quando chegámos vimos que estava encerrado. Acabámos por entrar no restaurante Kinza Villa, um restaurante de comida tradicional da Geórgia. Apesar de tentarmos sempre experimentar a cozinha local o horário tardio não dava para muitas procuras.

Kinza Villa está extremamente bem avaliado e o seu decor é de uma certa classe sem ser pomposo. Como estava bastante calor, mesmo à noite, decidimos ficar numas mesas exteriores. Neste restaurante acho que o nosso erro foi ter pedido demasiada comida com dois dos pratos de queijo – e atenção que eu adoro queijo, mas até eu senti um ligeiro enjoo com a overdose deste lacticínio no final da refeição.

Como entradas pedimos Tolma que foi o melhor prato da nossa refeição (16.00 euros). Tolma é um prato que consiste em couves enroladas e recheadas com carne e especiarias.

Depois cada um pediu outro prato, o meu marido pediu o tradicional Khachapuri Adjaruli, que é uma espécie de pão em forma de barco recheado com queijo e gema de ovo (17.90 euros). Eu pedi Mkhlovani, que é uma variação daquilo que o meu marido pediu, mas com espinafres e queijo (17.50 euros). Para acompanhar pedimos uma cerveja tradicional georgiana, a Kapiani (5.00 euros cada). A refeição ficou meio carota para o que estávamos a contar, mas como disse pedimos demasiada comida. Acho que a Tolma com um outro prato tinha chegado. Apesar do atendimento não ter sido o mais amistoso, gostei bastante da decoração e do ambiente, especialmente indicado para uma noite de Outono com temperaturas de Verão.

Depois da refeição já não fizemos grande coisa sem ser voltar para o hotel.


De Castelldefels a Gavà

No dia seguinte acordámos com um lindíssimo céu azul sem nuvens, onde se adivinhava mais calor. Foi nesta altura que nos apercebemos da bonita paisagem que tínhamos da varanda do nosso quarto.

Vista do nosso quarto no Hotel C31

Depois de um bom pequeno-almoço, sem exageros, que o queijo ainda nos corria nas veias, fomos a pé desde Castelldefels até à estação de comboios em Gavà. Podíamos facilmente ter apanhado o autocarro, novamente o L99, mas acho sempre que andar pelas ruazinhas da cidade é a melhor maneira de a conhecer. No entanto, percebo quem não o queira fazer já que se demora cerca de 1 hora a completar este percurso.

Pequeno-almoço no Hotel C31

Quando chegámos à estação de comboios foi quando decidimos que bilhetes de transporte comprar, dos quais já falei no post anterior (cliquem neste link se quiserem saber mais: Preparativos para Barcelona).

Entretanto fomos ter com o resto da família que chegava de Portugal para irmos fazer o check-in no Dolce Gava. O check-in só começava às duas mas tínhamos pedido se não podíamos fazer o check-in um bocadinho mais cedo, para não irmos com as malas para Barcelona. Felizmente a senhoria conseguiu acomodar o nosso pedido.

  • Para mais informações sobre a acomodação Dolce Gava clique nos seguintes links: Booking.com ou Airbnb

Depois do check-in feito fomos passar o resto do dia a Barcelona. Mas estando hospedados em Gavà, apesar de não termos explorado muito a cidade, acabámos por conhecer alguns dos cafés e restaurantes perto do apartamento.


SANTAGLORIA café

O primeiro pequeno-almoço foi no café SANTAGLORIA. Mesmo sendo cedo, a pastelaria já estava aberta e com muitas opções por onde escolher. Assim aproveitámos para conhecer uma pastelaria típica de Espanha numa cidade acolhedora como Gavà.

As muitas escolhas da pastelaria SANTAGLORIA café

Eu pedi um cappuccino com um croissant misto, um pequeno-almoço não muito diferente do português. No entanto, houve quem pedisse panquecas e chocolate quente para uma refeição mais especial. Este pequeno café tal como os outros locais onde fomos em Gavà ficavam perto (ou na) estrada principal, a Ramblas de Maria Casas, que vai dar à estação de comboios, o que nos deu imenso jeito.

Capuccino com croissant misto
Panquecas com frutos vermelhos e chocolate quente

Restaurante La brasa 2022

Outro local que experimentámos, agora para a ceia, dá-se pelo nome de La brasa 2022. No segundo dia da viagem, Sábado, acabámos por não ter muita fome ao jantar pois tínhamos andado a petiscar por Barcelona (uma visita da qual falarei noutro post). Foi assim que decidimos ir a este restaurante para umas tapas. No entanto este local é conhecido, tal como o nome indica, pelos grelhados como kebabs, costeletas e entrecosto. O que é engraçado é que este restaurante até nem está muito bem avaliado na net, mas foi o que nos foi recomendado pela minha amiga que é de Gavà. E pela nossa experiência não temos nada contra. Talvez o restaurante tenha um ambiente menos formal, alguns chamariam este tipo de restaurante de tasca, mas isso não fez com que não disfrutássemos da refeição.

O restaurante fecha bastante tarde e quando chegámos já era perto das 10 da noite. Para petiscar pedimos algumas das iguarias locais como as patatas bravas, calamares e pimientos padrón. Também aqui os preços foram bastante confortáveis para as nossas carteiras. Tudo acompanhado com um grande copo de Tinto de Verano.

Para mais informações sobre este restaurante clique no seguinte link: https://la-brasa-2022.eatbu.com/


El Café de la Rambla

Os locais mencionados acima, o SANTAGLORIA café e o restaurante La brasa 2022, foram os que experimentámos no Sábado. No Domingo, no dia em que voltámos para casa, decidimo-nos por um pequeno-almoço com mais consistência, mais uma espécie de brunch. E foi assim que acabámos sentados à esplanada no El Café de la Rambla.

Houve inicialmente alguma confusão porque era preciso ir ao balcão pedir e tal como se espera numa cidade mais pequena, a língua falada era o espanhol e muito pouco o inglês. Isto deu azos a alguns enganos em relação àquilo que se pensava ter pedido e aquilo que nos chegou à mesa. Mas isto foi mais uma razão para a galhofa do que outra coisa.

Mesmo que não se venha com intenções de um grande pequeno-almoço este é um óptimo local para bebericar um simples café ou um cappuccino durante uma manhã bonita e sossegada como aquela que nos recebia.

Para mais informações sobre este café incluindo menus e horários de funcionamento clique no seguinte link: https://elcafedelarambla.es/


Como disse acima apesar de não termos explorado muito a zona, por exemplo não fomos até à praia nem visitámos museus ou locais históricos, gostámos imenso de ficar e conhecer Gavà. Um local certamente com carácter mas sem a confusão constante de uma cidade grande.

Halloumi souvlaki (versão saudável)

  • Tempo de preparação: 45 minutos + 8 horas para marinar
  • 4-5 porções
  • 497Kcal/porção (4 porções)

Ingredientes

Para a marinada

  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 2 colheres de sobremesa de ervas aromáticas secas
  • 1 colher de sobremesa de paprica
  • 1 colher de sopa de sumo de limão
  • 225gr de queijo halloumi cortado em cubos
  • 1/4 colher de sobremesa de pimenta preta
  • 4-5 tortilhas com sementes

Para o molho tzatziki

  • 1/2 pepino
  • 250gr de iogurte magro
  • 1 colher de sopa de folhinhas de menta picadas
  • Alho em pó, sal e pimenta preta q.b.

Para a salada grega

  • 1/2 pepino cortado em meias-luas
  • 4 tomates cortados em meias-luas
  • 1/2 cebola roxa picada
  • 60gr de azeitonas pretas descaroçadas
  • 1 colher de sopa de vinagre balsâmico
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1/2 alface pequena
  • 1 colher de sobremesa de ervas aromáticas secas
  • 1 colher de sopa de sumo de limão
  • Sal q.b.

Preparação

  1. Faça primeiro a marinada: misture 2 colheres de sopa de azeite, 2 colheres de sobremesa de ervas aromáticas, paprica, pimenta preta e sumo de limão. Cubra os cubos de halloumi com esta marinada. Deixe repousar por 8 horas no frigorífico.
  2. Para fazer o molho tzatzki, corte a metade do pepino ao meio e retire-lhe as sementes. Em seguida, corte-o muito finamente e tempere-o de sal. Coloque o pepino temperado num coador e deixe escoar por 10 minutos. Passado este tempo compresse o pepino para retirar a maior quantidade de água possível.
  3. Numa tigela coloque o pepino e junte-lhe o iogurte e as folhinhas de menta picadas. Tempere de alho em pó e pimenta preta. Misture bem e reserve.
  4. Para preparar a salada grega junte 1/2 pepino, os tomates, a cebola e as azeitonas. Adicione o vinagre balsâmico, o azeite e as ervas aromáticas. Tempere de sal, misture e reserve.
  5. Lave as folhas de alface e pique-as. Junte-lhes depois as ervas aromáticas e o sumo de limão. Tempere de sal, misture e reserve.
  6. Num grelhador coloque os cubos de halloumi marinados e deixe grelhar por cerca de 3 minutos de cada lado até ganharem cor.
  7. Em cada tortilha espalhe alface, salada grega e cubos de halloumi. Adicione o molho tzatziki a gosto.

Um fim-de-semana em Barcelona depois de 7 anos

Conteúdo desta página:

  1. Como chegar a Barcelona
  2. Acomodações
    1. Hotel C31
    2. Dolce Gava
  3. Transportes públicos
  4. Compra antempada de bilhetes

Os encantos de Barcelona já não me eram desconhecidos. Tinha visitado esta cidade durante uma semana em 2017 com um grupo de amigos e fazia-o novamente durante um fim-de-semana alargado mas desta vez com a família.

Vista da cidade do terraço do centro comercial Las Arenas

Foi a primeira vez que visitava pela segunda vez uma mesma cidade estrangeira e ao contrário do que esperava, não houve uma sensação de desperdício, a de que podia estar a aproveitar a oportunidade para visitar um novo local. Em vez disso ganhei uma nova experiência da mesma cidade. Sim visitei locais onde já tinha estado, mas sem a urgência da primeira vez. Porque se aprendi uma coisa durante estes 7 anos foi a de aceitar de que não posso ver tudo o que uma cidade tem para oferecer em apenas alguns dias e o de saber disfrutar aquilo que posso.

Mas mesmo assim visitei locais novos, experimentei restaurantes diferentes e fiquei no final a conhecer outra cidade perto de Barcelona, a cidade de Gavà.

Como chegar a Barcelona

O nosso grupo consistia em 5 pessoas; uns viajariam de Portugal, Lisboa e Abrantes, e outros do norte de Londres. A melhor opção para ambos os grupos era o de voar para o aeroporto internacional de Barcelona.

O aeroporto não fica no centro de Barcelona mas os transportes em Espanha são muito bons em termos de preço e de confiança. Nós ficámos instalados em Gavà, devido aos preços mais acessíveis de acomodação, e tivemos apenas de apanhar o autocarro L99 no aeroporto até ao nosso alojamento. A viagem de autocarro demorou cerca de 40 minutos.

Vista do nosso quarto no Hotel C31

Para quem fica em Barcelona, por exemplo da outra vez tinha ficado em Capri by Fraser Barcelona, ao pé da torre Glòries, basta apanhar um autocarro e depois o metro, se necessário. Mas independemente de onde ficarem há-de-vos ser fácil chegar até lá.

Acomodações

Como disse acima o nosso grupo ficou instalado num apartamento em Gavà. A ideia inicial era a de ficar em Barcelona, mas a cidade é bastante cara e a menos que queiram ficar num hostel as opções disponíveis podem ser bastante dispendiosas. Uma das minhas amigas que é exactamente de Gavà aconselhou-nos a procurar alojamento por aqui. Os transportes entre Gavà e Barcelona são regulares e assim também ficávamos a conhecer outra cidade em Espanha, uma cidade bastante mais calma e acolhedora.

Em Gavà acabámos por ficar em dois sítios diferentes, porque enquanto os de Lisboa chegavam na sexta-feira de manhã, nós de Inglaterra chegávamos na quinta-feira ao final da tarde. As duas acomodações foram ambas marcadas através da plataforma do Booking.

O primeiro local onde ficámos foi o Hotel C31. O hotel não fica bem em Gavà, mas em Castelldefels muito perto da praia. Por uma noite para dois, com pequeno-almoço incluído pagámos 84 euros. O check-in fecha às 8 da noite, mas se avisarem com antecedência podem-no fazer em qualquer altura. Tal como nós que chegámos depois das 8 e para entrarmos tivemos que digitar o código que nos tinha sido enviado. O nosso quarto de duas camas de solteiro não era enorme, mas estava limpo e tinha tudo o que se queria.

Pequeno-almoço no Hotel C31

O quarto tinha uma pequena varanda com uma vista magnífica e o hotel uma piscina, a qual infelizmente não tivemos tempo de experimentar. O pequeno-almoço do dia seguinte foi bastante razoável e não me importava nada de voltar a ficar neste hotel se revisitar esta zona. Para mais informações sobre este hotel vejam o seguinte link: Hotel C31

Nas outras duas noites, aí já ficámos no centro de Gavà, a 5 minutos da estação de comboios, no apartamento Dolce Gava. Fizemos a reserva pelo Booking e ficou-nos a 307 euros pelas duas noites (30 euros a cada pessoa por noite), mas também podem fazer a marcação através do Airbnb. O apartamento dá para 6 pessoas, com dois quartos, um com uma cama de casal e outro com um beliche. O sofá-cama da sala dá para mais duas pessoas, e foi onde eu dormi. A zona sossegada, o apartamento bastante espaçoso, e gostámos imenso da localização. O serviço oferecido não incluía pequeno-almoço, o que é normal neste tipo de acomodações, e assim deu-nos a oportunidade de explorarmos dois cafés em Gavà, ambos muitos bons do qual falarei mais tarde. Para verem mais sobre este apartamento cliquem no seguinte link: DOLCE GAVA

Transportes públicos

Mesmo que fiquem no centro de Barcelona, os vários locais de interesse ficam espalhados pela cidade, de forma a que acabam sempre por ter de apanhar transportes públicos. Foi assim desta vez tal como quando aqui estive em 2017.

Existem vários passes de viagem para diferentes durações e diferentes groupos. Os bilhetes podem ser adquiridos em qualquer estação de comboio ou se preferirem podem comprar os bilhetes online. Para verem os diferentes bilhetes disponíveis cliquem no seguinte link: https://www.tmb.cat/es/tarifas-metro-bus-barcelona

O cartão que usámos para apanhar os transportes públicos

Nós acabámos por escolher o T-casual, em que cada um de nós ficou com 10 viagens. Sabíamos que pelo menos todos nós íamos fazer 4 viagens, duas para Barcelona e duas de volta para Gavà. Também sabíamos que uma das viagens seria entre a La Sagrada Familia e o Parc Güell, mais as viagens do aeroporto para Gavà e de Gavà para o aeroporto. No total cada um faría certamente 7 viagens. E assim ficávamos com mais 3 para viajar dentro de Barcelona, se e quando fosse preciso. Estes bilhetes podem ser usados tanto no autocarro como no metro e comboio. Para nós foi a melhor opção e funcionou às mil maravilhas. No final ainda ficámos com viagens no cartão (1 ou 2, se bem me lembro). A única coisa que este cartão não inclui é o metro no aeroporto para Barcelona, mas para nós isso não foi um problema.

Compra antempada de bilhetes

Barcelona é uma cidade muito procurada e muito, muito turística. E é por isso que tem havido alguns protestos contra o turismo desmedido. Assim sendo é mais do que aconselhável marcar bilhetes ainda antes de viajar para os locais mais procurados, mais antecedência ainda se visitarem Barcelona durante a época alta.

No Parc Güell, um dos locais a não perder em Barcelona

Tendo em conta o que nós queríamos visitar marcámos com quase um mês de antecedência os bilhetes para a La Sagrada Familia e para o Parc Güell (incluindo a casa-museu de Gaudi).

No primeiro dia também visitámos a Casa Batlò, uma das casas de Gaudí, mas só marcámos quando estávamos lá a chegar e felizmente não encontrámos nenhum problema com este ’em cima da hora‘. Não marcámos com antecedência porque não sabíamos bem se teríamos tempo ou a que horas estaríamos prontos para fazer a visita. No entanto para a La Sagrada Familia e para o Parc Güell é mesmo necessário ser-se mais organizado. Já da última vez tivemos problemas em visitar estes locais exactamente por causa disto.

Vista do terraço da Casa Batlò

Para quem queira visitar a cidade e tenha problemas de mobilidade e seja por isso mais difícil usar os transportes públicos há sempre a opção dos autocarros turísticos os quais param nos pontos principais da cidade. Para mais informações e compra de bilhetes visite o website: https://city-sightseeing.com/en/17/barcelona


Assim fica o primeiro post sobre esta viagem com os preparativos para o nosso fim-de-semana em família desta vez em Barcelona. Fomos no início de Outubro e estava um calor imenso por isso a preparação em termos de roupa foi a de para temperaturas de Verão.

Nos próximos posts falarei de tudo sobre a nossa experiência em Gavà e em Barcelona. Uma experiência a qual adorámos!