No meio do fim-de-semana gótico em Whitby

Índice deste post

Último post em Norfolk

O último post foi o primeiro da road trip que fizemos em novembro, altura em que visitámos três zonas de Inglaterra. Primeiro, falámos de Norfolk, mais em específico da costa onde se pode ver os leões marinhos no seu habitat natural durante todo o ano. No entanto é mais especial esta visita durante os meses de inverno, altura em que estes animais dão à costa para dar à luz. Só em 2024/2025 contou-se com mais de 3000 bebés leões marinhos a nascerem em Norfolk. Falámos também de St Mary’s Lodge Bed & Breakfast onde ficámos instalados por uma noite antes de irmos para Yorkshire. Hoje vamos falar da segunda parte da viagem, a costa de Yorkshire, visita essa que se revelou mais surpreendente do que esperávamos.

Sandsend

Chegámos a esta pequena vila pecuária depois de 4 horas a conduzir de King’s Lynn, perto de Norfolk. Estacionámos na estrada principal antes mesmo de chegar ao centro da vila, parque esse que durante os meses de inverno é gratuito. Viemos a Sandsend por duas razões, para ver a parte da praia e da falésia e para irmos até a um pub que me tinha sido aconselhado por um colega.

Praia de Sandsend

Sandsend fica a cerca de 5km da cidade mais próxima, Whitby, sendo possível fazer o caminho a pé entre ambas. O percurso pode ser feito pela praia, se a maré estiver baixa, ou então pela estrada. Se o tempo estivesse melhor talvez tivéssemos sido tentados a fazer pelo menos parte do caminho, mas como o tempo não estava grande coisa ficámo-nos por Sandsend. Andámos pela praia até junto à falésia, mas como a maré estava a encher decidimos ir para o pub, o The Hart Inn, e beber qualquer coisa. Ficámos um bocado à conversa sentados na esplanada, antes de seguirmos caminho até Whitby.

Sandsend, Yorkshire

Acabámos por não ficar muito tempo em Sandsend mas também é preciso ter em consideração que já tínhamos chegado a esta vila perto da 1 da tarde. Como ainda queríamos ir até Whitby e visitar a abadia não pudemos ficar aqui durante muito tempo.  No entanto, mesmo assim conseguimos ficar a conhecer um pouco desta pitoresca vila de pescadores.

Whitby

As ruínas da abadia de Whitby

Chegámos a Whitby perto das 3 horas da tarde. Estacionámos o carro ao pé da Whitby Abbey (abadia) para visitarmos tantos as ruínas como o museu. Não deixámos o carro no estacionamento oficial já que este era pago, deixámo-lo antes estacionado numa das ruas ali perto onde era gratuito. Para visitar as ruínas aconselho a comprarem o bilhete online já que assim têm um desconto de 15%. O website oficial da Whitby Abbey, onde se pode adquirir os bilhetes é o seguinte: Whitby Abbey

Whitby’s Abbey

Hoje em dia o mosteiro do século VII encontra-se em ruínas, mas não deixa de ser um majestoso lugar para visitar. A história desde mosteiro começa em 657 quando a abadessa Hild fundou o mosteiro nas terras doadas pelo Rei Oswiu. No ano de 664, os líderes da Igreja reuniram-se aqui para o Synod de Whitby, uma reunião organizada para decidir a data da Páscoa. Foi durante esta reunião que se determinou seguir as prácticas romanas em vez das célticas, o que moldou a direcção da igreja em Inglaterra pela história. A Abadessa Hild morreu em 680 e pouco depois começou a ser venerada como uma santa.

Whitby Abbey

Este mosteiro foi abandonado em meados do século IX até que Reinfrid, soldado normando, se estabeleceu aqui nas ruínas do mosteiro. Em 1109, a comunidade adoptou a Regra de St Benedict (São Bento). A nova igreja era dedicada tanto a St Peter como a St Hild. Os monges viveram aqui até a supressão da abadia pelo rei Henrique VIII em 1539.

Para além da visita às ruínas também se pode visitar o museu que fica no mesmo recinto da abadia onde vários objectos da história de Whitby estão em exposição como cruzes anglo-saxónicas, manuscritos dos tempo medievais e até uma cópia rara e assinada por Bram Stoker, o autor do famoso livro Drácula.

Uma das partes culturais importantes que moldaram a cidade de Whitby foram as lendas e mitos associados a ela. Um exemplo é a história de St Hild. De acordo com a história, St Hild conseguiu remover as cobras que assombravam as falésias de Whitby. Ao fazê-lo foi homenageada por gansos que voavam sobre a sua cabeça enquanto os sinos perdidos da abadia ressoavam no fundo do mar.

St Mary’s church e os 199 steps

Mesmo ao lado da abadia encontrámos a igreja de St Mary erguida em 1110 rodeada pelas campas antigas do cemitério. Ao passar por este local fomos de encontro a outro ponto de interesse em Whitby, a escadaria dos 199 degraus (199 steps) também conhecida como as escadas da igreja (church stairs). Acho que não vale a pena dizer que há mesmo 199 degraus e posso confirmá-la pois fiz o caminho tanto para baixo como para cima. Apesar de haver algum debate sobre quantos degraus de facto existem.

St Mary’s church (igreja de St Mary) em Whitby

Toda esta parte das ruínas da abadia sobre as falésias imponentes, mais a igreja rodeada pelas lápides antigas e degradadas formaram na mente de Bram Stoker o cenário perfeito para o seu livro, o Drácula. Algumas das lápides deste cemitério erguem-se sobre túmulos vazios assinalando pescadores cujos corpos não voltaram a terra depois de partirem nas suas viagens. Os nomes destes túmulos foram significativos para o livro incluindo ‘Swales’ nome esse que Bram usou para a primeira vítima do Drácula. Para quem quer ler um pouco mais sobre a experiência de Bram Stoker em Whitby e como esta cidade inspirou o livro cliquem em: Drácula em Whitby

Vista de Whitby do topo dos 199 degraus

Ao passarmos pela igreja e pelo cemitério foi quando começámos a falar abertamente sobre a forma como algumas pessoas estavam vestidas. Já tínhamos reparado que havia algo ‘fora do comum’ na abadia. Havia pessoas mascaradas, no entanto o que chamou mais a atenção foi que a maioria usava roupa e maquilhagem de estilo gótico. E isto intensificou-se quando estivemos perto do cemitério. Não pensem que comentámos em tom de crítica, mas sim de curiosidade pelo grande número de pessoas que assim estavam vestidas. E foi enquanto descíamos os 199 degraus depois de pararmos um pouco para apreciar a bonita vista da cidade que descobrimos que tínhamos vindo visitar Whitby exactamente a meio do Gothic weekend (fim-de-semana gótico). Foi sem querer, mas adorei a coincidência, porque já tinha ouvido falar deste evento e puder estar ali ao vivo era uma oportunidade fantástica.  

Gothic weekend

Para quem nunca ouviu falar, o Gothic weekend acontece duas vezes por ano, em abril e no fim de outubro/inícios de novembro. Exactamente no fim-de-semana em novembro que viemos a Whitby!

O Gothic weekend começou em 1994. O incrível é que isto começou com um anúncio numa revista de música, a New Musical Express, de formar a chamar pessoas que tivessem interesses comuns e fossem apaixonadas pela cultura gótica. Em vez de isto ser um encontro de 15 amigos que se comunicavam através de cartas, os chamados pen-friends, foi antes um encontro gigantesco que contou com cerca de 200 pessoas. A partir desse primeiro fim-de-semana, o Gothic weekend adquiriu enormes proporções e hoje para além de acontecer duas vezes por ano, a cidade recebe visitantes com imensos eventos musicais, culturais e artísticos. Sempre a celebrar o gótico. E é impossível escapar ao ambiente que transforma completamente a cidade. E eu sei isto porque voltei a Whitby nesta mesma viagem quando o fim-de-semana gótico tinha terminado e a vibe da cidade era completamente diferente. Se me perguntarem se é melhor vir em abril ou em novembro, eu pessoalmente como ‘turista’ e não aficionada do gótico diria novembro. Não só temos nesta altura a adição do Halloween como os dias são mais curtos e mais frios, criando um ambiente mais aberto à imaginação. Se também estiverem interessados em conhecer esta parte cultural de Whitby vejam: Website oficial do Gothic weekend.

Church Street em Whitby

Continuando com a nossa tarde em Whitby, depois de descermos os 199 degraus andámos pelas bonitas ruas empedradas da cidade acabando por passar a ponte sobre o rio Esk. A nossa ideia era ver se era possível jantar no famoso Magpie Café. No entanto, quando chegámos à porta estava uma grande fila por isso o nosso plano foi imediatamente alterado. Faríamos uma reserva para o dia seguinte no Magpie Café para comer o famoso fish and chips (peixe frito com batatas fritas). Para não me adiantar muito vou apenas dizer que apesar da fama do restaurante esta não foi a melhor refeição da viagem.

Cais de Whitby

Antes de atravessarmos novamente a ponte e subir os 199 degraus ainda fomos a um pequeno jardim com uma belíssima vista sobre o cais de Whitby acompanhado no cimo da falésia pelas ruínas da abadia. Neste pequeno jardim também encontrámos outros dois pontos de interesse, os arcos feitos de osso de baleia (maxilar) – Whalebone Arch, e o Memorial ao Capitão Cook – Captain Cook Memorial.

Whitby Brewery

Como não íamos jantar ao Magpie Café decidimos comer qualquer coisa na Whitby Brewery (cervejaria de Whitby). Este local também tinha sido recomendado por um colega devido à variedade de cervejas que aqui são feitas. A Whitby Brewery fica no topo dos 199 degraus mesmo de frente às ruínas da abadia. Tanto é que sentados nas mesas do pátio podíamos continuar a admirá-las.

Whitby Brewery

Esta cervejaria é recente, tendo começado em 2013. Em 2016, devido à popularidade e crescimento da empresa mudaram-se para aqui, onde estão actualmente, uma vez que as dimensões da propriedade eram maiores. Quando chegámos à Whitby Brewery o local já estava bastante apinhado até porque estava para começar um concerto de música ao vivo. Não sei dizer se a música ao vivo é algo normal neste estabelecimento ou era apenas parte do Gothic weekend. Pedimos as nossas cervejas e não tendo sítio para nos sentarmos na parte interior viemos então para o pátio onde ainda havia várias mesas disponíveis.

Pizza e cerveja da cervejaria de Whitby

Para acompanhar a cerveja também pedimos uma pizza, a Prosciutto para dividir entre nós os dois. As pizzas do Whitby Brewery são feitas a forno de lenha e o serviço decorre todos os dias entre a 1 e as 7 da tarde. A única parte menos boa que talvez seja importante mencionar é que não há estacionamento nesta cervejaria, no entanto há estacionamento nas ruas ali à volta (que como disse acima foi a nossa opção quando chegámos para visitar a abadia). Estivemos por aqui durante cerca de 1 hora, até às 6 da tarde. Acabámos por não ficar mais tempo por duas razões; estava a arrefecer bastante para estarmos sentados na rua e ainda tínhamos de fazer o check-in em Egton, a vila onde íamos ficar nas próximas 3 noites.

Para visitar o website oficial da cervejaria cliquem em: Whitby brewery

Check-in no The Witching Post Inn em Egton

A distância entre Whitby e Egton é de 12km o que de carro leva cerca de 15 minutos. Para nós, Egton foi o ponto perfeito para a viagem, perto o suficiente da costa, mas já dentro do parque nacional, o qual queríamos explorar nos dias seguintes. Chegámos a este pub/pousada já era noite cerrada e fomos recebidos num ambiente bastante acolhedor. Recebemos as chaves do quarto que ficava no primeiro andar, acima do pub. Não tenho nada de mau a apontar sobre o nosso quarto, mas depois da experiência que tínhamos vivido em Whitby, se nos tivessem sugerido que o quarto era assombrado não tínhamos duvidado. Talvez um bocadinho. Mas nunca vimos nada durante a nossa estadia. A parte mais aterradora era mesmo a possibilidade de bater com a cabeça na rampa que subia para a casa-de-banho se não fôssemos com cuidado. No total The Witching Post Inn tem 3 quartos disponíveis para alugar, mas aviso que este lugar costuma estar lotado. E não é de admirar nós adorámos o local tanto devido à localização como a forma como fomos recebidos e tratados. No final já conhecíamos a história do dono, a história do pub, os problemas da vila e as practicalidades de viver em Egton. E mesmo depois de meses de termos feito esta viagem ainda falamos imenso em voltar a Egton, o que faremos assim que a oportunidade surja.

Como tínhamos comido a pizza na cervejaria em Whitby e não havia muita fome acabámos por fazer o mesmo para jantar, pedimos uma pizza do menu para partilhar. Das 4 opções disponíveis escolhemos a hotshot que se confirmou ser bastante picante (hot = picante). Durante o jantar verificámos que as primeiras aparências com que ficámos do The Witching Post Inn estavam certas – um pub local com um ambiente informal e acolhedor, onde todos se conhecem.

Antes de acabar este primeiro dia em Yorkshire, vou só falar da história deste pub: Em 1704 esta pousada fazia parte de uma quinta que incluía uma cervejaria. A cerveja que era aqui produzida tinha o objectivo de fornecer líquidos e calorias aos trabalhadores da quinta uma vez que o sistema de água era bastante abaixo dos padrões de higiene sanitária. Em 2012 a pousada que na altura se chamava Ye Old Horshoe encerrou e voltou a abrir em 2017 com um novo nome, The Witching Post Inn. Este nome foi escolhido devido ao ‘witch post’ (poste das bruxas) que se encontra à entrada do pub, o qual foi esculpido em madeira e posteriormente benzido por um padre.

Os ‘witch post’ são oriundos da época medieval e tradicionais desta zona do país, North York Moors, pois acreditava-se que estes postes protegiam as casas da entrada indesejada de bruxas. A história associada a este local por coincidência espelhou toda a experiência que estávamos a ter naquele dia com o fim-de-semana do Halloween (Dia das Bruxas) e da celebração gótica em Whitby.

O website oficial deste pub/pousada pode ser acedido em: The Witching Post Inn

Próximo post

Para a próxima semana vamos falar do pequeno-almoço que comemos no pub na manhã seguinte, dos dois primeiros trilhos que fizemos no parque nacional de North York Moors acabando o dia numa pitoresca vila com direito a experimentar um bolo típico.

Visitar Norfolk, Inglaterra, em Novembro

Índice deste post

Viajar em Novembro

Para muitos, os meses de Inverno são os que têm menos piada. Há ali um pico no final de dezembro com o Natal e o Ano Novo, mas em geral são meses aborrecidos. Mas não para nós. Os nossos aniversários calham exactamente nestes meses, um em novembro e outro em janeiro. E isso significa que tiramos sempre férias durante os meses de inverno. Por vezes significa não encontrar o tempo que mais gostaríamos, um do exemplo foi a viagem a Nápoles, que devido ao mau tempo não pudemos subir ao vulcão Vesúvio. Mas em outras vezes viajar durante estes meses mais enfadonhos é a altura certa. E foi o que aconteceu nesta road trip de 5 dias por 3 partes diferentes de Inglaterra – a costa de Norfolk, a costa e o parque nacional de Yorkshire e a cidade de Leeds. Para cada local que visitámos e para o que queríamos ver em cada o início de novembro era a altura ideal.

Norfolk

Com este post abrimos assim esta viagem que começou em Norfolk. Para viajar usamos o nosso próprio carro e para quem não tem carro aconselho a alugarem um. Penso que é possível fazer esta viagem de transportes públicos, mas infelizmente a minha experiência com os comboios em Inglaterra é péssima e tanto pode correr tudo às mil maravilhas como pode acabar no meio de cancelamentos e longos atrasos. O melhor é mesmo ter um carro, especialmente para uma liberdade de horários e fácil acesso a locais mais remotos.

Agora porquê Norfolk e onde fica em Inglaterra?

Norfolk fica a nordeste de Londres, acima de Cambridge. A parte da costa desta região é a parte que fica mais a Este de Inglaterra e a cidade mais conhecida é Norwich. Nós não visitámos as cidades porque o nosso objectivo principal era visitar as praias, especialmente Horsey Gap e Blakeney. E a razão? Para ver os leões marinhos e os seus bebés!

Há vários pontos do país onde se podem ver estes engraçados animais, não apenas em Norfolk. No entanto esta é uma das zonas mais conhecidas. Eu fiquei a saber sobre isto porque uma das minhas colegas de trabalho vai todos os anos a Norfolk visitar os leões marinhos durante o inverno. As focas podem ser vistas durante todo o ano, mas nos meses de inverno é quando há uma grande afluência aos areais das praias para darem à luz. E é por isso que entre novembro até fevereiro é a altura ideal para ver os leões marinhos bebés. Esta experiência é 10 vezes melhor do que ir a qualquer jardim zoológico.

Durante esta altura há uma maior preocupação em manter o ambiente natural para que as focas não sofram perturbações causadas pelos humanos. Portanto, durante os meses de inverno é proibido ir até ao areal das praias e ver de perto os leões marinhos o que penso que vai deixar muita gente desapontada. Mas acreditem que não faz bem nenhum a estes animais terem uma selfie delas e das vossas caras de parvos nas redes sociais. Aliás qualquer interacção humana pode resultar na morte de um dos bebés. Para evitar qualquer tipo de comportamento humano desrespeitoso há várias patrulhas de voluntários nos locais mais conhecidos.

Então depois de explicada a razão para a viagem e de dar um sermão, passamos ao dia em si.

Horsey Gap

Saímos de Watford de manhã cedo para o primeiro trecho da viagem de quase 215 quilómetros. Esta parte da viagem demorou quase 3 horas até chegarmos a Horsey Gap, onde o parque de estacionamento pago fica a 100 metros das dunas. O parque de estacionamento está aberto das 8 da manhã até às 6 da tarde e custa 4 libras por 2 horas, 6.20 por 4 horas e 8.50 libras pelo dia todo.

Colónia de leões marinhos em Horsey Gap, Norfolk

Quando chegámos, o parque de estacionamento já estava bastante cheio e havia várias pessoas a andar por ali e até uma banca com dois voluntários que tentavam angariar fundos para a protecção dos leões marinhos. Seguimos pelo caminho sinalizado que sobe pelas dunas e em menos que nada víamos a primeira colónia de leões marinhos. Os leões marinhos desta região chamam-se os leões marinhos cinzentos (Grey Seals) também conhecidos por Atlantic Grey Seals ou Horsehead Grey Seals.

Como disse acima não se pode descer até às praias, mas pode-se continuar pelo trilho que segue junto às dunas. A cada poucos metros fomos encontrando mais e mais leões marinhos. E foi um espetáculo tão fofinho a ver os pequenitos aos saltitos. Para terem uma noção da enormidade deste evento entre 2024 e 2025 nasceram mais de 3000 leões marinhos na costa de Norfolk!

Estivemos aqui durante uma hora a passear e a ver com todo o prazer os leões marinhos. Foi uma espécie de sonho concretizado. E fica já aqui o spoiler que voltámos a ver estes animais, mas noutro dia e noutra localização do país.

Blakeney

Morston Quay

Tinha lido que Blakeney Point era um dos melhores locais para os ver leões-marinhos e para tal o mais fácil era fazer uma viagem de barco a partir de Morston Quay. Infelizmente quando chegámos ao parque de estacionamento em Morston Quay houve duas razões que nos fez não ficar. Em primeiro lugar o estacionamento era pago e não era assim muito barato. Para além disso só aceitavam o pagamento em dinheiro vivo, o que nós não tínhamos. Ponto número dois foi estar tudo muito parado nesta zona, mesmo o centro de visitantes estava fechado, parecendo mais um campo baldio no meio do nada.

Two Magpies Bakery

Fomos então até Blakeney, podia ser que daqui conseguíssemos ver alguma coisa. Aviso desde já que vimos algumas coisas, mas não leões marinhos. Deixámos o carro no Blakeney Carnser car park, o qual apesar de também ser pago era bem mais barato – 3 libras pelo dia inteiro e dava para pagar com cartão. Como chegámos às 3 e meia, antes de irmos em direcção à costa fomos ainda comer qualquer coisa. E nem mais, mesmo em frente ao parque de estacionamento tínhamos a Two Magpies Bakery.

O difícil foi escolher o que queríamos comer, mas lá conseguimos terminar esta tarefa difícil e em menos de nada voltávamos a sair munidos de café, de uma sandes croque monsieur e de um folhado ‘spiced moroccan roll’. E claro não conseguimos fugir à tentação por isso também trazíamos uma fatia de bolo que apesar de delicioso não deu muito jeito para comer enquanto andávamos. Ou seja, a dica que fica aqui é que antes de irem para o carro passem novamente nesta pastelaria para comer o bolo.

Fica aqui a página de Instagram da Two Magpies Bakery: https://www.instagram.com/2magpiesbakery/

Norfolk Coast Path

O caminho que acabámos por fazer foi aquele que segue pela Norfolk Coast Path. Primeiro vai em direcção ao mar, mas nunca chega ao pé da praia devido ao rio Glaven que separa este trilho da praia. O trilho que fizemos foi circular, acabando a parte de terra perto da cidade Clay next the Sea e que depois segue pela estrada alcatroada de novo para Blakeney.

O caminho que queríamos ter feito era o que está marcado a preto no mapa abaixo, mas o que acabámos por fazer foi o circular marcado com umas manchas espaçadas verdes escuras (‘French Marshes’ fica no meio’ deste trilho, perto do ponto 1). Por isso como podem ver não tivemos nem perto do que era suposto fazermos.

Mapa da página oficial do National Trust: Blakeney Point coastal walk

Para mais informações sobre Blakeney National Nature Reserve cliquem em: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/norfolk/blakeney-national-nature-reserve

Para ver sobre as viagens de barco para observação de leões marinhos e possíveis reservas cliquem em: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/norfolk/blakeney-national-nature-reserve/seal-watching-at-blakeney-point

Para verem os detalhes do percurso do mapa acima, cliquem em: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/norfolk/blakeney-national-nature-reserve/blakeney-point-coastal-walk

Pelo caminho para o carro, agora já na estrada alcatroada, passámos pela igreja de São Nicolau (St Nichola’s Church) que como estava a anoitecer usámos como um ponto de referência. Apesar de nesta altura ainda serem 5 horas da tarde, a noite já se punha e quando chegámos ao parque de estacionamento em Blakeney já era noite cerrada.

Igreja de São Nicolau

Aliás uma das piores coisas do inverno em Inglaterra especialmente depois da mudança da hora que acontece em finais de outubro, é o dia acabar ainda antes das 5 da tarde. Isto associado com a falta de sol, já que durante semanas seguidas ele não se vê, faz com que algumas pessoas sofram de depressão sazonal. E apesar de eu nunca ter sido diagnosticada com tal, sinto uma grande diferença no humor, na energia, no bem-estar. E é por isso que ultimamente tenho escolhido locais com uma maior probabilidade de ter algum sol de inverno quando viajamos em janeiro, como foi sul de Espanha em 2025. Mas, felizmente tenho tido sorte, porque mesmo quando viajámos até à Escócia e a York em janeiro, na maior parte do tempo o sol brilhou num bonito céu azul sem nuvens.

Mas não foi o que aconteceu nesta semana em novembro, pois apesar de não termos apanhado chuva não vimos o sol nem sequer um dia. Algo que me deixou bastante desapontada, mas também sei que não há nada a fazer, é aceitar.

King’s Lynn

St Mary’s Lodge Bed & Breakfast

Como no dia a seguir o nosso destino era junto à costa de Yorkshire aproveitámos para ir já fazendo caminho. Foi esta a razão para escolhermos o alojamento perto de King’s Lynn em vez de passarmos a noite mais perto de Norwich ou mesmo de Blakeney Point.

O local escolhido foi o St Mary’s Lodge Bed & Breakfast. Chegámos perto das 7 da noite e fomos recebidos por um casal muito simpático. Depois das apresentações feitas, das informações prácticas dadas como o pequeno-almoço e como funcionavam as várias chaves e de mais umas palavras de boas-vindas foi nos entregue as chaves do quarto. O quarto não era muito grande, mas chegava-nos bem para passar a noite. E a melhor parte era que St Mary’s Lodge ficava numa zona bastante calma, sem carros, sem barulhos e incrivelmente sem vizinhos.

St Mary’s Lodge Bed & Breakfast

Antes de irmos para o quarto ainda pedimos uma recomendação a este casal de onde deveríamos jantar. Afinal nós não conhecíamos a zona e não há ninguém melhor para saber os melhores locais do que as pessoas que vivem ali. Assim depois de pormos as malas no quarto e nos instalarmos telefonámos para o restaurante sugerido a marcar uma mesa para dali a uma hora. Isso dava-nos algum tempo para descansar antes de termos de voltar a sair. E como o sistema de pequeno-almoço passava por escolher o que queríamos da lista apontando no papel que deveria ser entregue durante aquele serão, poderíamos fazê-lo antes de sair.

Passando já para o pequeno-almoço do dia seguinte, fomos recebidos no jardim de inverno (conservatory em inglês) onde uma mesa muito bem arranjada de frente para o jardim nos esperava.

O pequeno-almoço que tínhamos pedido no dia anterior chegou-nos pouco depois e gostámos imenso do salmão fumado e do pão frito. Eu sei que o pão frito não é a melhor opção para o coração, mas também só o comemos de vez em quando durante as férias.

Enquanto tomávamos o pequeno-almoço o casal ainda esteve um bocado a falar connosco sobre as férias, sobre a vida deles, de onde viveram e trabalharam, e como acabaram a escolher Norfolk para passar a sua reforma. Foi como tomar o pequeno-almoço com um casal amigos dos nossos avós.

E este pequeno-almoço foi o fecho perfeito do nosso tempo em Norfolk.

Pequeno almoço no St Mary’s Lodge bed and breakfast

Avisos

  1. A página do booking.com para este estabelecimento pode ser acedida aqui, no entanto não sei se é ainda possível fazer marcações. Eu fiz uma pesquisa de datas disponíveis até meados de 2026 e não havia nenhuma. No entanto, há imensas opções de alojamento em King’s Lynn (ver aqui)
  2. Outro aviso é que no Google Maps o St Mary’s Lodge Bed & Breakfast não está bem assinalado. Em comparação ao local assinalado no Google Maps esta casa fica mais a norte numa curva da church road quase a chegar à igreja Wiggenhall St Mary the Virgin.

Jack’s at Woodlakes

Este foi o restaurante que nos foi recomendado tendo ao mesmo tempo sido aconselhado a telefonar primeiro para saber se ainda havia alguma mesa livre. Ao que parece este é um local bastante popular da região.

Woodlakes Leisure Park

O restaurante fica dentro de um parque de férias, o Woodlands Leisure Park, que não é bem um parque de campismo, pois em vez de tendas o que há são casinhas pequenas de madeira algumas com jacuzzi no jardim. Descobrimos isto durante o pequeno passeio que demos depois do jantar. Este também pode ser uma opção para alojamento, no entanto parece-me que é um bocadinho mais caro do que o Lodge onde ficámos.

Para quem quiser dar uma vista de olhos ao Woodlakes Leisure Park deixo aqui o link: https://livretreats.com/location/woodlakes-retreat-norfolk

Quando chegámos o restaurante estava super animado e sim, bastante concorrido, quase todas as mesas cheias e os empregados a andarem de um lado para o outro. O menu era bastante parecido com o de pub e depois de alguns momentos de indecisão pedimos um dos hambúrgueres do menu do dia, o ‘Triple Oink Burger’, com hambúrguer de porco, bacon e carne de porco desfiada com molho barbecue.

O nosso jantar em Jack’s at Woodlakes

Gostava muito de dizer que a comida tinha sido muito boa, mas a verdade é que os hambúrgueres estavam bastante secos. Achámos também que os preços eram um bocadinho elevados, mas não ao ponto de nos incomodar. Aliás se voltar a Norfolk de maneira nenhuma descartarei a oportunidade de cá voltar.

O website oficial do Jacks at Woodlakes pode ser acedido em: https://www.jacksatwoodlakes.co.uk/

Final do primeiro dia da road trip

Com o final do pequeno-almoço no St Mary’s Lodge Bed & Breakfast estava na hora de nos fazermos à estrada em direcção à costa de Yorkshire. Para primeiro dia não podia ter sido melhor, a experiência de ver os leões marinhos no seu habitat natural foi algo bastante especial

No entanto muito mais coisas inesperadas estavam para acontecer nos dias seguintes. E disso falaremos nas próximas semanas.

Campo de tulipas perto de Londres

Índice nesta página

Curiosamente nos últimos anos, durante a Primavera, acabamos por ir a diferentes locais para ver tulipas – começámos em 2023 na Holanda com Keukenhof, já em 2024 foi no Reino Unido em Hampton Court Palace e em 2025 no Tulley’s Tulip Fields. E é sobre este último que vamos falar neste post. Para ver sobre a nossa visita na Holanda ou em Hampton Court Palace, cliquem na relevante caixa abaixo.

Tulley’s Farm tal como o nome indica é a quinta da família Tulley. A quinta principal fica a cerca de 50 Km a sul do centro de Londres, sendo possível chegar aqui de transportes públicos em uma hora. A quinta para além de ser isso mesmo, uma quinta, também é um local para eventos. Tulley’s Farm organiza alguns eventos que decorrem todo o ano e outros que são sazonais e por isso acontecem em alturas específicas. Nestes eventos também costuma haver certas barraquinhas a vender comida e productos locais.

A entrada para o Tulip Fields em Hertfordshire

Alguns destes eventos oferecidos pela Tulley’s Farm são:

  • Escape rooms (que em português se chama sala de fuga ou escape game) – estão disponíveis todos o ano
  • Pumpkin Festival – que decorre em setembro e em outubro quando os campos estão recheados de abóboras. Durante este evento há a oportunidade de esculpir uma abóbora, aproveitar o bar com bebidas feitas de abóbora, ou então entrar para a roda gigante
  • Shocktober Fest – este evento decorre em outubro e é o maior parque de terror da Europa com várias casas do horror para experimentar
  • Christmas Light Festival – depois do dia-das-bruxas, Tulley’s Farm torna-se numa vila de Natal resplandecente de luzes com 10 diferentes atracções incluindo música ao vivo. Este evento decorre desde o final de novembro até início de janeiro
  • Tulip Festival – em abril é a altura dos campos se colorirem com mais de 1.5 milhões de tulipas. Em 2025, devido à popularidade desde evento, a Tulley’s Farm plantou tulipas em outras duas localizações e por isso neste ano pela primeira vez abriu mais dois eventos – o Tulip Garden em Warwickshire e o Tulip Fields em Hertfordshire.

E foi no Tulip Fields em Hertfordshire que fomos em abril de 2025. E é desta visita que vou falar a seguir.

Escolhemos esta localização, em vez da quinta principal, por esta ficar a menos de 15 minutos de distância de onde vivemos, enquanto a quinta a sul de Londres ficava entre 1 hora e meia a 2 horas. A escolha, como devem calcular, foi fácil de fazer.

Um dos muitos locais destinados para tirar fotografias no Tulip Fields em Hertfordshire

Marcámos os bilhetes com apenas alguns dias de antecedência, mas eu recomendo fazerem-no com mais tempo, especialmente se não tiverem flexibilidade em relação aos dias que podem visitar os campos de tulipas. E isto vale ainda mais para os eventos que decorrem na quinta principal como por exemplo o Shocktober Fest. Os bilhetes custaram-nos 12.95 libras por pessoa e na compra tivemos também de escolher a hora de entrada. Nós marcámos para as 2 da tarde porque também como marcámos com pouca antecedência só havia duas escolhas ou às 2 da tarde ou às 10 da manhã. No entanto, quando se entra pode-se ficar o tempo que se quiser e eles põe um carimbo na mão, como em algumas discotecas, para se quisermos pudermos sair do recinto e depois voltar a entrar.

Tulipas no Tulip Fields em Hertfordshire

Para quem conduz, o parque de estacionamento é gratuito com a compra do bilhete. A única coisa a ter atenção em relação às horas é que eles avisam no website que não deixam entrar mais cedo do que a hora marcada no bilhete. Por isso se marcarem para as 6 da tarde não podem contar puder entrar às 3.

Pela nossa experiência há imenso estacionamento, o processo para entrar é rápido e quando chegámos não havia filas. Quando entrámos a primeira coisa que sobressaiu foi o moinho, imitando os tradicionais da Holanda e imensos locais para tirar fotografias. No website deste evento dizem que há 15 locais designados para tirar fotografias, mas a verdade é que qualquer canto é super pitoresco. Certamente uma das coisas que não faltou foram locais para tirar fotografias para as redes sociais, tanto que havia uma considerável quantidade de pessoas com vestidos a esvoaçar correndo entre as tulipas. Do outro lado estavam os namorados ou maridos com o telemóvel na mão a filmar. Enfim, coisas dos tempos de hoje.

Campo de tulipas em Hertfordshire

Agora quanto às tulipas, havia mais de 100 variedades e de acordo com o website do evento, durante todo o mês e pouco que este recinto está aberto ao público encontram-se tulipas em diferentes estágios, umas ainda por desabrochar até tulipas que já perderam as suas pétalas. Quanto mais próximo do final do festival de tulipas se vai maior é a probabilidade de ver as tulipas a chegar ao seu último estágio. Portanto, penso que a altura mais aconselhável para se ver as tulipas no seu ponto alto será entre o meio e a terceira semana de abril.  

Durante a nossa visita a este festival, demos várias voltas pelos corredores coloridos de flores que se estendiam pelo campo, reparando nos diferentes tipos de tulipas. Como o esperado, tirei dezenas de fotografias às diferentes tulipas de vários ângulos e usando todos os modos da minha câmara do telemóvel. Em seguida, fomos visitar os canteiros de flores que estavam mais perto da entrada antes de irmos comer qualquer coisa. Claro que esta enorme variedade de flores apenas podia criar um ambiente muito pitoresco. No entanto, confesso que pensava que o campo de tulipas fosse maior. Mas mesmo assim é um local muito bonito para passear durante umas horas.

Para comer eu já tinha escolhido o que queria ainda antes de sair de casa. Queria experimentar as panquecas pequeninas típicas dos Países Baixos, os Poffertjes. Fomos à barraquinha pedir 6 panquecas com molho kinder bueno e esfarelado de bolacha. Como não contámos que também levava açúcar em pó por cima, acabou por ficar bastante doce, se fosse agora tinha escolhido apenas com sumo de limão. Mas valeu a pena, foi como um mimo que ofereci a mim mesma. Enquanto comíamos sentados numa das mesas perto do moinho, reparámos nos dois rapazes que andavam a cantar e a tocar viola pelos vários corredores de flores. Por isso também havia música ao vivo, mas de uma forma menos convencional.

O que não experimentámos foram as bebidas do café, ainda fomos até à porta, mas curiosamente não vendiam bebidas alcoólicas e também não comprámos marshmallows para os cozinhar nas brasas que estavam a arder lentamente em duas casinhas de madeira.

No final passámos aqui 2 horas e meia entre tulipas, panquecas e bonitos locais para fotografias.

Para a Primavera de 2026, se vierem a Londres, escolham o local mais próximo da Tulley’s Farm para visitar o festival de tulipas. Se vierem a Londres mais para o fim do ano, não deixem de marcar bilhetes para os eventos de Outono ou de Inverno.

The Howl Scream Park, o parque dos horrores

Halloween em Inglaterra

O Halloween, também conhecido por Dia das Bruxas, tem uma enorme popularidade na América que de certa forma se tem espalhado, não em tão grande escala, pela Europa. Em Inglaterra durante o mês de outubro as lojas decoram-se com abóboras, verdadeiras ou de plástico, teias de aranha e máscaras de vários feitos e feitios. Também pelas ruas se encontram facilmente casas decoradas com fervor para a época e na noite de Halloween os miúdos (e graúdos) vestem-se a rigor para o ‘Trick or Treat’ (doçuras ou travessuras). Esta tradição emprestada de ir de casa em casa talvez não aconteça em todas zonas de Inglaterra, mas em geral por todo o país há pessoas a comemorar o Halloween.


The Howl Scream Park

Para os mais aficionados ou para os que gostam de ser assustados há outras atracções, por exemplo locais que se transformam em casas ou parques dos horrores. E há quem os visite ano após ano. Havia um local em particular que estava há alguns anos para visitar e finalmente fi-lo. Chama-se The Howl Scream Park a cerca de 40 milhas de Londres, em Leighton Buzzard, e é um dos locais mais procurados por esta altura do ano.

Entrada para o The Howl Scream Park

Neste momento, o parque tem 6 diferentes atracções cada qual com o seu tema:

  • The Full Moon Manor – labirinto com vários níveis dentro de um hotel, nova atracção de 2024
  • Red – floresta assombrada onde uma das personagens é um capuchinho vermelho demoníaco
  • Howl Valley High – escola secundária onde os actores representam estudantes, professores, equipa de futebol e a sua claque
  • The Shed – bacarrão onde uma rapariga pouco comum vive. Acho que neste é aquele onde as pessoas mais facilmente se podem perder
  • Squealers Yard – pelo caminho encontram-se várias mesas de talhantes e pedaços de carne pendurados
  • Noxious Alley – labirinto onde um cientista maluco que criou os seus próprios palhaços com produtos tóxicos, nova atraccção de 2024

Para além destas atracções também há vários locais onde comer e beber, música ao vivo e até um DJ. Pelo caminho vai-se encontrando vários actores mascarados a rigor que se metem com as pessoas. E quanto mais medo se mostra mais eles persistem na sua perseguição. É uma espécie de teatro de rua. Também a certas horas há um espectáculo, o Carnevil Cabaret, onde artistas mostram as suas habilidades com facas, chamas e muito mais.


A nossa experiência, preços e horários

Nós fomos com um casal de amigos que vem aqui todos os anos e que nos aconselharam sobre as melhores atracções uma vez que o nosso bilhete apenas dava para visitar 5 das 6 atracções. Por isso escolhemos não ir ao Howl Valley High. Os nossos bilhetes ficaram a 35 libras cada, mas o preço varia não só de acordo com as vezes que se quer visitar as atracções mas também nos dias em que se vai. A abertura do evento começa às 6 da tarde e fecha às 11 da noite. O parque de estacionamento é gratuito e há imenso espaço por isso não é um problema.

No final o que achámos?

Que a população em geral andava entre os 16 e os 20 e poucos anos. E que os preços da comida e da bebida eram excessivamente altos. Eu por 4 bebidas (alcoólicas) paguei quase 40 euros, e tudo porque também se paga o copo que é personalizado com o evento. O copo fica para nós mas vamos a ver é um copo de plástico. Mas no final eu pessoalmente gostei da experiência pois há muito que queria vir aqui, afinal todos os anos via os anúncios a aparecer. Para além que é algo diferente e giro para fazer nesta altura do ano. Mas se repetia? Não, pelo menos não aqui neste parque, acho que esta é uma daquelas experiências de apenas ‘uma vez na vida’. Mas isto é a nossa opinião, como disse há muitas pessoas que voltam aqui todos os anos. E em 2025 The Howl Scream Park ganhou o prémio como melhor evento no National Farm Attractions Network (Nfan).


A quinta no resto do ano

Durante o resto do ano este parque, ou melhor, a Open Mead Farm, é aquilo que o nome diz, uma quinta, com animais e até com várias actividades para os miúdos mais pequenos. Aqui em fevereiro vê-se o nascimento dos bezerros, em outubro o parque dos horrores. As atracções listadas acima são construídas dentro dos vários celeiros e barracões da quinta transformando-os em labirintos com jogos de luzes, fumo e actores mascarados que nos aparecem de repente à frente, a trás, de lado, de cima e de baixo. Para além dos vários ruídos e gritos que criam o ambiente certo para sustos e para levar as pessoas a perderem a sua orientação.

Mais informações sobre as duas diferentes vertentes deste local podem ser acedidas através dos seguintes links:

Se visitarem os dois websites vão-se aperceber da diferença que é, nem parece estarmos a falar do mesmo local.

E com isto desejo-vos um aterrador Halloween

Dos Dolomitas de volta ao aeroporto

Índice deste post

Hoje era o dia que deixaríamos os Dolomitas para trás. Tinha sido uma semana magnífica e sem dúvida os Dolomitas tinham ultrapassado todas as nossas expectativas. Para este último dia quisemos aproveitar a oportunidade para conhecer alguns dos sítios que ficam entre os Dolomitas e o aeroporto de Veneza. A visita a estes locais seria breve, mas provavelmente não os teríamos ficado a conhecer de outra forma. No total foram 5 paragens antes de chegarmos ao aeroporto e entregarmos o carro à Noleggiare (a companhia de aluguer de carros).

Cencenighe Agordino 

Esta paragem foi feita depois de conduzirmos por meia hora desde TEA San Pellegrino. Não houve uma razão específica para pararmos aqui sem ser termos achado esta vila (?aldeia) pitoresca. Deixámos o carro no Parcheggio Lago del Ghirlo que por sinal era gratuito e fomos em direcção ao centro. O que encontrámos em Cencenighe Agordino foi uma bonita vila rodeada por montanhas e acompanhada por um ribeiro. Como era Sábado, quando atravessámos uma das pontes que passam por cima do rio fomos dar ao mercado. Demos uma volta por ali a ver o que estava a ser vendido nos tendeiros indo depois até à igreja ‘Chiesa Parrocchiale di Sant’Antonio Abate’. A igreja infelizmente estava fechada por isso não pudemos visitá-la.

Cencenighe Agordino

Durante este passeio vimos uma pequena multidão no cruzamento principal de Cencenighe Agordino. Devia haver uma espécie de competição pois muita gente estava a sair dali de bicicleta. O mais curioso é que havia alguns que já iam bem tocados e outros iam agarrados às suas garrafas de cerveja enquanto pedalavam. Não sei que tipo de competição era aquela, mas não se podia dizer que não era animada.

Apesar do passeio ter sido breve gostámos bastante deste local e se ficarem em Belluno considerem antes ficar em Cencenighe Agordino do que na zona de Falcade.

Lago del Mis

Com uma condução de mais 40 minutos parámos no coração do parque nacional Dolomiti Bellunesi, no Lago del Mis. De todas as paragens que fizemos neste dia, esta foi a de que tive mais pena de não passar mais tempo a explorar. Estacionámos no parque de estacionamento ‘Parco naturale del Mis area parcheggio’ ao lado de um restaurante e café.

Lago del Mis

Fomos até à margem do lago onde várias pessoas descansavam e os mais aventureiros nadavam dentro das águas calmas. O tempo não estava assim grande coisa e passado uns 10 minutos, se tanto, começou a chover. Apesar da chuva não ter sido intensa acabámos por nos ir embora pouco tempo depois. Aproveitámos esta pausa para algo mais práctico, como ir à casa-de-banho, e foi nestas andanças que vi que dali se podia apanhar um trilho que entrava pela floresta adentro. A casa-de-banho foi bastante curiosa já que não havia sanitas apenas um buraco no chão.

Lago del Mis

Espero que no futuro tenha oportunidade de voltar ao parque nacional Dolomiti Bellunesi e explorar cascatas, trilhos e montanhas da zona.

Lago di Santa Croce

Do Lago del Mis até Farra d’Alpago foi practicamente uma hora a conduzir. E em Farra d’Alpago, ainda em Belluno, é onde fica o Lago di Santa Croce, a razão para esta paragem. O tempo a partir daqui começou a mudar e fomos apanhando cada vez mais calor até chegarmos ao aeroporto.

Praia da Farra

O estacionamento junto ao lago é pago, mas conseguimos encontrar um pequeno parque grátis que fica junto à ponte que passa sobre o ribeiro antes de chegar à vila. Este estacionamento não está sinalizado sendo muito fácil não se dar por ele. Fica no entanto aqui o aviso de que é preciso pagar o estacionamento ao pé da praia da Farra Enquanto ali estivemos vimos os carros a serem verificados várias vezes.

Antes de irmos até ao lago fomos passear pela vila, mas esta parecia deserta. Os restaurantes, cafés e padarias pareciam estar fechados e não se via vivalma. Isto mudou quando chegámos ao lago, mais especificamente à praia da Farra. Havia imenso pessoal deitado nas toalhas, ou a fazer windsurf (prancha e vela) ou kitesurf (prancha e parapente).

Praia da Farra

Nós como não estávamos vestidos para fazer praia ou qualquer tipo de desporto aquático ficámos um bom bocado sentados num dos bancos a conversar e a olhar para o lago.

Lago Morto

A menos de 10km para sul parávamos no último lago do dia, o Lago Morto. Este é um lago bem mais pequeno do que o Lago di Santa Croce, mas não menos importante. Como o tempo estava bom encontrámos um parque de estacionamento bastante concorrido. Havia pessoas a nadar no lago, outros sentados nas suas margens e ainda mais pessoas a fazerem como nós, sentados numa das mesas do Chiosco Paradiso by Bepy, um pequeno bar onde eram servidas bebidas e sandes.

De todo os lugares onde estivemos durante o dia, este foi onde passámos mais tempo. Pedimos duas rodadas de bebidas que incluíram cerveja, Midori Spritz e Hugo Spritz. Tivemos de nos ficar pelas duas bebidas pois ainda tínhamos um longo caminho até ao aeroporto. A meio pedimos uma sandes para dividir já que o jantar seria só no aeroporto.

Sugestão: estas três últimas paragens devem fazer parte do itinerário para quem quer ficar a conhecer a zona de Belluno e o parque nacional. Nós só visitámos estes locais de passagem, mas parece-me valer a pena incluí-los numa viagem a esta zona de Itália.

Fossalta di Piave

Esta foi uma paragem que aconteceu ao acaso e na verdade só aconteceu porque tínhamos algum tempo livre. Apesar das várias paragens chegámos a Fossalta di Piave às 6 da tarde. Como o nosso voo era só às 11 ainda tínhamos umas horas para nos entreter e escolhemos Fossalta di Piave por ser a cidade mais perto do aeroporto. Sem grandes planos saímos para um sol abrasador apesar de estarmos já a entrar no final de tarde. Deixámos o carro no parque de estacionamento grátis na rotunda em frente à torre ‘Monumento della Prima e Seconda Guerra Mondiale’. Esta torre foi uma inesperada surpresa pois é bastante parecida embora mais pequena com o famoso Campanário de São Marcos em Veneza. As parecenças na sua arquitectura não podem ser negadas (ver fotografias abaixo)

Já que aqui estávamos fomos visitar dois locais, o Battistero della Pace e a Ponte di barche Zamuner. Aproveitámos assim para passear um pouco pelas ruas desta cidade sem pressas e ao contrário do normal, sem expectativas.

O Battistero della Pace é um monumento que foi inaugurado em junho de 1983 e é dedicado à paz, tal como o seu nome indica. Este monumento é um memorial aos ‘Ragazzi del 99’ (em português: os rapazes de 99), expressão que se refere aos italianos que nasceram em 1899 e que foram convocados para a guerra em 1917 ao fazerem 18 anos. Penso que é possível visitar o interior deste memorial, mas à hora em que aqui estivemos encontrava-se fechado. Antes de voltarmos para trás fomos rapidamente ver a ponte flutuante privada construída em 1951, Ponte di barche Zamuner, que ainda hoje está em funcionamento e que requer o pagamento de uma taxa para atravessá-la.

Aeroporto Marco Polo

E assim chegávamos ao nosso destino. Depois de encontrarmos uma bomba de gasolina perto do aeroporto para enchermos o depósito do carro, de acordo com o contracto de aluguer, fomos entregá-lo à Noleggiare. Este é sempre um momento de alguma ansiedade. Não porque aconteceu alguma coisa ao carro, mas por causa das histórias que ouvimos e lemos de estragos causados anteriormente serem atribuídos na altura da entrega. Por isso é que nós no dia em que ficamos com o carro tiramos sempre bastantes fotos ainda antes de sairmos do aeroporto. Mas não houve problemas e a entrega do carro foi super rápida, recebendo a confirmação da devolução do depósito nesse mesmo dia.

Hambúrguer de pancetta e provola no Doppio Malto

Deixo esta viagem com o nosso jantar que foi bastante melhor do que o esperado. Escolhemos o restaurante da franchise Doppio Malto e acabámos por escolher hambúrgueres de pancetta e provola para jantar. Se procurarem sobre este local na internet aviso desde já que está mal avaliado, mas a nossa experiência não teve nada de errado. Arranjaram-nos mesa rapidamente, o serviço foi rápido com o nível de simpatia e atenção esperada e a comida era bastante boa.

Um de nós até disse que esta tinha sido uma das melhores refeições de toda a viagem – e isto é um grande elogio já que tivemos muito boas refeições. Mas bons hambúrgueres e boas batatas fritas que levaram ao final desta fantástica viagem.

Website oficial do Doppio Malto: https://www.doppiomalto.com/it/ristoranti/venezia/

Conclusão da viagem

Os Dolomitas era um dos locais que constava na nossa lista de viagens já há algum tempo. E não há dúvida que merecem toda a atenção que tem aumentado ao longo dos anos. Se íamos com imensas expectativas todas elas foram ultrapassadas pela positiva. Foram dias de constantes paisagens dignas de quadros; uma atrás da outra sendo a parte mais difícil a de não parar a cada 5 minutos para tirar fotografias.

O meu conselho: se tiverem oportunidade de fazer uma viagem aos Dolomitas façam-na, mas como tenho tido algumas vezes façam-na a vosso gosto, a vosso ritmo e tenham tempo para puder ver os locais com olhos de ver. Não interessa o que outros viram se mais se menos, aproveitem cada minuto da VOSSA viagem porque as memórias no final serão vossas. Porque se para nós esta viagem chegou ao fim, as memórias ficarão para sempre.

Falcade na província de Belluno, Dolomitas

Índice deste post

No último post

No último post falámos brevemente de como foi deixar San Cassiano e dos dois trilhos que fizemos durante este dia enquanto avançávamos para a parte sul dos Dolomitas. O trilho Croda da Lago foi um desafio com o qual não contávamos, mas as paisagens não deixaram de impressionar, enquanto que o trilho circular à volta do Lago d’Alleghe foi de baixa dificuldade e o melhor é que a paisagem não era de menor beleza.

Lago d’Alleghe

Hoje vamos falar de como foi chegar a Falcade na província de Belluno e a nossa experiência por estes lados. E depois deste post rapidamente chegaremos ao último dia desta viagem que contou com algumas paragens entre os Dolomitas e o aeroporto internacional de Veneza, o aeroporto Marco Polo.

TEA San Pellegrino

Check-in

A distância entre o Lago d’Alleghe e a nossa acomodação era de 14km e por isso a viagem foi de mais ou menos 20 minutos. Fizemos o check-in e durante este processo a recepcionista disse-nos com grande orgulho que a nossa reserva tinha tido um upgrade e que por isso ficaríamos num quarto com varanda. Eu claro agradeci. Mais tarde reparei que a maioria dos quartos tinham varanda, mas tenho a certeza de que havia quartos sem varanda. E a varanda deu-nos jeito. Por isso pronto, ponto positivo.

O nosso quarto em TEA San Pellegrino

Mas o engraçado foi a maneira como a recepcionista o disse, como se nos devêssemos sentir importantes pelo upgrade. Tivemos uma experiência semelhante em Veneza: enquanto a recepcionista nos mostrava o quarto onde íamos ficar parecia estar à espera de que ficássemos maravilhados. Aqui foi o mesmo não só no check-in, mas também no check-out, altura em que nos pediu para fazer uma review sobre o hotel. Não sei se as recepcionistas acreditam mesmo que os hotéis onde trabalham são dos melhores ou se são os contractos de trabalho que assim o obrigam. Ou se calhar somos nós que parecemos um casal que não sai muito de casa. Mas bem, neste caso não sei se ela quer mesmo que façamos uma review. Penso que não seria bem aquilo que ela esperava.

Quarto

Em relação ao quarto não há grande coisa a apontar. Um quarto básico com uma cama de casal e outra de solteiro, o espaço era razoável, não muito grande, mas também não muito pequeno. E sim a varanda deu-nos jeito para pormos algumas coisas a arejar durante um bocado. No entanto a vista do quarto não era nada de especial.

Vista da varanda do nosso quarto em TEA San Pellegrino

A única coisa mais chata que encontrei não só neste hotel, mas em outros onde ficámos em outras viagens foi o tampo da sanita. Incomoda-me imenso quase a chegar ao ódio quando as tampas das sanitas são demasiado pequenas para a sanita em si. Aquela sensação quando nos sentamos de plástico e louça na pele devo dizer que me repugna. Umas das minhas muitas peculiaridades eu sei, mas é assim tão difícil colocar o tamanho certo?

Pequeno-almoço

Daqui vou saltar no tempo e falar já do pequeno-almoço do dia seguinte. Então o pequeno-almoço era servido das 7 às 9 da manhã. Como hoje era um dia mais calmo para nós, sem trilhos no itinerário, pensámos que era uma boa ideia irmos tomar o pequeno-almoço às 8 e meia. Aproveitar e ficar mais um bocadinho na cama.

Agora imaginem o pequeno-almoço e comparem-no com o entusiástico check-in. Chegámos a uma sala quase vazia, um casal aqui mais dois rapazes que chegaram mais tarde. E o que havia para comer? Para quem gosta muito de doces e começa o dia a encher-se de açúcar, ia adorar. Agora para quem gosta de comer pão ou queijo ou fiambre ou mesmo uns cereais, que viesse mais cedo. Porque os pratos estavam lá, mas senão vazios, quase. Para além que desde que chegámos até nos irmos embora o empregado passou a maior do tempo a olhar para o relógio. É que para oferecer este tipo de serviço e estou a falar mais da comida do que do empregado, mais vale oferecerem o pequeno-almoço das 7 às 8. Ou pelo menos dizer que normalmente depois das 8 as escolhas do pequeno-almoço são reduzidas. Assim já ficávamos avisados.

Pequeno-almoço em TEA San Pellegrino

Opinião sincera

Agora, ficaria aqui novamente? Sinceramente penso que não. No entanto, deixo de qualquer forma os links para este alojamento mais abaixo. E também dou a mão à palmatória e reconheço que a minha opinião sobre TEA San Pellegrino pode estar condicionada pela fantástica experiência que tivemos no alojamento anterior em San Cassiano, na Pensione Edelweiss. Se calhar noutra situação eu tivesse visto este lugar com outros olhos e indo um pouco mais ao encontro do entusiasmo da recepcionista.

Website oficial do TEA San Pellegrino: https://www.teasanpellegrino.com/

Página do TEA San Pellegrino no Booking.com (que foi por onde nós fizemos a reserva): https://www.booking.com/hotel/it/ht-tea-san-pellegrino-dolomiti

Ristorante Pizzeria Rosa Nera

Agora fazendo rewind e voltando de novo ao final da nossa tarde. Depois de nos instalarmos no TEA San Pellegrino, fomos à procura de um restaurante onde pudéssemos jantar.

Experiência desagrádavel em Terrazza-Bar L’Aivaz

Como não havia grandes opções a uma distância que pudéssemos ir a pé voltámos a pegar no carro até uma das aldeias seguintes, Pie’ Falcade. Mas também não conduzimos por muito tempo e em menos de 5 minutos estávamos a estacionar junto ao Terrazza-Bar L’Aivaz com a intenção de jantarmos aqui. No Google este parecia ser um restaurante com comida local e para mais estava aberto. Contudo a experiência foi um pouco bizarra. De tal maneira que se lerem o título desta secção repararão que o nome do restaurante é diferente. Isto porque no final não foi aqui que jantámos.

Em Pie’ Falcade, Belluno

Afinal o que aconteceu? Quando chegámos havia várias mesas ocupadas na esplanada, mas pensámos que dentro do restaurante estaríamos mais confortáveis já que começava a arrefecer com o anoitecer. Quando entrámos o empregado que estava ao balcão olhou para nós e não disse palavra. Mesmo assim sentámo-nos numa das muitas mesas livres, mas passado poucos minutos apercebemo-nos de que os locais que estavam a beber ao balcão mais o empregado lançavam miradas na nossa direcção com algum desdém. É óbvio que nesta altura o ambiente era tudo menos confortável. Ainda olhámos para o menu, mas vimos que afinal a oferta variava entre sandes e uns snacks. A má vibe adicionada a um pobre menu e a sensação de sermos (e continuar a ser) ignorados fez com que nos decidíssemos ir embora.

Restaurante-pizzeria Rosa Nera

Quando fomos para o carro liguei para o restaurante-pizzeria Rosa Nera que confirmou não só que estavam abertos como tinham mesas livres. E a diferença no serviço notou-se mal entrámos. Talvez a pior parte seja o parque de estacionamento que basicamente é inexistente. Mas a atmosfera do restaurante foi muito mais acolhedora, mesmo com as mesas cheias de pessoas que pareciam ser residentes dali.  

Pizza ‘Miha’ do Ristorante Pizzeria Rosa Nera em Pie’ Falcade

Para comer seguimos a direcção da mesa do lado e pedimos uma pizza com batatas fritas e pancetta (pizza Miha) para dividirmos. E WOW, foi uma das melhores pizzas da viagem. Ficámos mesmo impressionados e só ficámos com pena de já termos pedido os pratos principais senão teríamos pedido mais pizzas para experimentar. As pizzas eram feitas no forno a lenha que se via da sala do restaurante. Não só nos admirámos com a qualidade da pizza como o facto de as batatas fritas ficarem ali tão bem!

Infelizmente não posso dizer o mesmo dos pratos principais. O meu marido pediu a cotoletta alla milanesa (costeleta de porco panada) com batatas fritas e eu para experimentar pedi formaggio Dobbiaco alla piastra que é uma espécie de bloco de queijo frito. A cotoletta alla milanesa, de acordo com o meu marido, estava boa, mas era um prato bastante simples. Quanto ao meu estava horrendo. Acho que nunca tinha comido um prato tão mau num restaurante. O queijo devia ter sido frito num óleo que já tinha sido muito usado e, portanto, queimado, dando um gosto extremamente amargo ao queijo. Foi uma das piores coisas que já comi na minha vida. Mas devia ser do óleo usado porque mais tarde vi uma senhora a comer o mesmo prato e não parecia queixar-se, bem pelo contrário.

Formaggio Dobbiaco alla Piastra do Ristorante Pizzeria Rosa Nera

Arrependo-me imenso que não tenhamos ficado pelas pizzas porque teríamos tido uma refeição deliciosa em vez de ficar com um amargo gosto na boca (literalmente). Ainda pedimos sobremesa e café para não acabar a refeição de maneira tão insatisfatória.

Uma das sobremesas do Ristorante Pizzeria Rosa Nera

Por isso, resumindo e concluindo, aconselho este restaurante pelas pizzas. E vale imenso a pena, são mesmo boas pizzas. Agora se quiserem tentar mais alguma coisa do menu já sabem, pode correr bem como pode correr mal.

O restaurante não tem website oficial, mas podem ver mais informações na página do TripAdvisor (ver aqui).

Chiesa Parrocchiale della Beata Vergine Maria Immacolata em Pie’ Falcade, Belluno

Quando saímos do restaurante e antes de voltarmos para TEA San Pellegrino ainda fomos dar uma volta ali pelas redondezas. A aldeia pareceu-nos bastante pacata tendo sido a igreja imponente, Chiesa Parrocchiale della Beata Vergine Maria Immacolata, o destaque do passeio.

Próximo post

O próximo post será o último desta semana nos Dolomitas a norte de Itália. Vamos falar dos 5 locais onde parámos durante o nosso percurso entre os Dolomitas e o aeroporto de Veneza e das últimas horas antes de voltarmos para casa.

Croda da Lago e Lago di Alleghe

Índice desta página

Sair de San Cassiano

De check-out feito e malas no carro deixámos San Cassiano para trás. Tinham sido dias fantásticos e apesar de tudo ainda tínhamos aquele dia para explorar os Dolomitas. Hoje começaríamos a viajar em direcção ao sul já que no dia seguinte ao final da tarde teríamos de apanhar o nosso avião de volta para casa. Organizámos assim o final da viagem para no dia seguinte termos tempo para visitar sem pressas alguns pontos entre os Dolomitas e Veneza. O plano para hoje era de parar em pelo menos dois locais, Croda da Lago e Lago di Alleghe antes de fazermos o check-in no TEA San Pellegrino na província de Belluno.

Entrada para a vila Calfosch em Alta Badia

Durante a primeira parte do trajecto passámos pelas várias vilas que tínhamos ficado a conhecer nos últimos dias como San Cassiano, La Villa Stern, Corvada in Badia e Colfosch.

E admirámos pela última vez aquelas paisagens arrebatadoras às quais eu tentei tirar fotografias enquanto o marido conduzia. Algumas fotografias ficaram mais ou menos outras foram logo apagadas. Não sei se já tentaram tirar fotografias enquanto outra pessoa conduz, mas especialmente numa estrada com curvas e contracurvas não é uma tarefa assim tão fácil como parece à primeira vista.

Croda da Lago

Quando estivemos a preparar o itinerário para este dia estivemos indecisos entre dois trilhos, este que foi o escolhido, Croda da Lago ou o Lago di Sorapis. Como lemos que o trilho do Lago di Sorapis era difícil especialmente em algumas partes que eram a pique escolhemos então a Croda da Lago. Mas acreditem que este trilho também não foi pera doce.

Aliás acabou por ser mais difícil porque já nem estávamos preparados (mentalmente e fisicamente) para fazer um trilho com grandes desafios. Afinal o destino do trilho era o Lago Federa e como durante a viagem tínhamos visitado vários lagos e sem problemas de maior assumimos que o mesmo seria aqui.

Val Negra, ponto panorâmico no trilho Croda da Lago

Estacionámos o carro em Ponte de Ru Curto onde vários carros já ali estavam parados e onde começa o trilho Croda da Lago. O trilho que segue para o Lago Federa é o 437 o qual está indicado nas placas que se encontram neste parque de estacionamento. A primeira parte do trilho não foi muito difícil, começámos por descer até uma ponte de madeira que passa por cima do rio, e depois começámos a subir, mas nada de muito inclinado nos primeiros quilómetros. Contudo isto rapidamente mudou.

Para terem uma percepção do quanto é preciso subir deixámos o carro a uma altitude de cerca de 1700 metros enquanto o Lago Federa está a mais ou menos 2046 metros. E o lago nem é o ponto mais alto do percurso. Em algumas partes a subida era bastante inclinada de tal forma que quando chegámos ao ponto panorâmico Val Negra que fica a 2048 metros um de nós começou a ter a respiração ofegante e tonturas. Estivemos um bocado sentados ao pé deste ponto panorâmico, mas como a sensação de mal-estar não passava decidimos descer o trilho e não ir até ao Lago Federa. Apesar de já termos feito a maior e a pior parte do caminho e de não estarmos muito longe do lago (agora lendo novamente parece que estou meio ressabiada por não ter ido ao lago, mas até nem estou…muito 😅). Pensamos que estes sintomas apareceram por estarmos a altas altitudes sem termos dar tempo ao corpo para se acostumar a tal.

De Val Negra a 2048 metros de altitude

Mas viajar com alguém também é isto, principalmente neste tipo de viagens, onde andamos por trilhos no meio de montanhas e onde puxamos pelo corpo. Se um não está bem então ninguém está bem. Não vale a pena pedir mais a alguém que está com dificuldades. Eu já estive nos dois lados da moeda e sei como é importante perceber e aceitar tal como saber que a outra pessoa percebe e aceita que às vezes as coisas não vão de acordo com as expectativas. Mais ainda é perceber que um lago, uma paisagem, uma experiência não é tão importante como assegurar o bem-estar e a segurança da outra pessoa. Especialmente quando somos apenas nós os dois e, portanto, ambos temos a responsabilidade de cuidar um do outro. E claro que nesta situação voltámos para trás.

Início do trilho Croda da Lago

Mas não usem a nossa experiência como exemplo para decidir se fazem ou não este trilho. Aliás se pudéssemos faríamos novamente este trilho, mas desta vez teríamos roupa adequada para um trilho mais desafiador e subiríamos mais devagar para dar tempo ao corpo de se habituar à alta altitude.

Passo Giau e Lago di Alleghe

Mesmo não fazendo a Croda da Lago completa demorámos mais do que 2 horas desde o início até voltarmos ao carro. Quando chegámos foi tirar as malas dos ombros e seguir para o próximo destino, o Lago di Alleghe. No entanto, acabámos por parar pelo caminho em dois lugares; primeiro no ponto panorâmico do Passo Giau para ver bem aquela paisagem magnífica das montanhas e vales. A segunda paragem foi junto à Chiesa della Beata Vergine Maria delle Grazie, mas aviso já que não vale a pena anotarem esta última paragem. Nós pusemo-la no itinerário apenas porque aparecia como ponto de interesse no Google Maps, mas não foi nada de especial. Portanto, passagem e paragem no ponto panorâmico de Passo Giau são 100% obrigatórias, quanto à paragem na igreja não tanto.

Ponto panorâmico de Passo Giau

Acabámos por chegar ao Lago di Alleghe perto das 3 e meia. Estacionámos ao lado do Parque Centrale onde havia um pequeno parque exterior, este gratuito. E esta era a localização ideal parar parar no Alleghe Beach Chiosco Bar e sentarmo-nos à esplanada com vista para o lago.

O Lago di Alleghe não é um dos lagos mais conhecidos nos Dolomitas tanto que não era mencionado em nenhuma das fontes de onde tirámos ideias para esta viagem. E nós normalmente fazemos uma junção de ideias tiradas das redes sociais, websites e vídeos. Mas não, este lago não aparecia referido em nenhum lado, o que é uma pena.

Lago di Alleghe

Este lago apenas existe desde 1771 quando houve uma grande derrocada de terras no Monte Piz em janeiro desse ano. O lago formou-se porque as rochas e os detritos dessas derrocadas depositaram-se onde é hoje a aldeia de Masaré impedindo que as águas fluíssem. Infelizmente este desastre levou à morte de 49 pessoas e houve aldeias que desaparecem arrastadas e soterradas pelo deslizamento das terras. Hoje a aldeia e o lago formam uma pitoresca paisagem como mostram as fotografias. Curiosamente o lago que existe hoje é muito menor do que aquele que se formou inicialmente em 1771.

Esplanada do Alleghe Beach Chiosco Bar

Relativamente à nossa visita ao lago, depois de estarmos um bocado na esplanada quisemos dar um passeio ali em redor o que acabou por ser o trilho circular à volta do lago. Até porque é na outra margem onde a paisagem do lago, da aldeia e das altas montanhas do Monte Civetta é melhor. De tal forma que o ponto panorâmico fica na margem oposta à aldeia di Alleghe.

O trilho foi de cerca 5km e ao contrário da Croda da Lago, foi feito sem dificuldades. Apesar de terem ralhado connosco quando passámos pela Ponte Sospenso Cordevole para o outro lado do lago. Isto porque andavam em obras e não queriam ninguém a passar por ali. No entanto, havia outras pessoas a passarem a ponte na mesma altura e curiosamente não lhes disseram nada. Enfim! (suspiro resignado)

Ponto panorâmico do Lago di Alleghe

Considero este o primeiro sinal do dia a avisar-nos que estávamos numa parte diferente dos Dolomitas. Uma parte em que o turismo não é tão bem visto e o comportamento  dos locais um bocadinho menos afável.

Próximo post (Falcade na província de Belluno)

No próximo post vamos falar sobre a última noite nos Dolomitas – um novo alojamento, uma nova cidade, uma nova experiência. E com isto estaremos muito perto do final desta viagem.

Trilho em San Cassiano, Dolomitas

Índice deste post

Trilho inesperado em San Cassiano

Depois de tantos dias seguidos a conduzir, queríamos passar a última tarde em que estaríamos em San Cassiano a explorar esta zona. Afinal a beleza de San Cassiano, La Villa Stern e outras vilas em redor não nos tinha passado despercebida. Portanto porque não fazer o último trilho exactamente aqui?

Trilho número 22 em San Cassiano

Como não tínhamos procurado antecipadamente por trilhos em San Cassiano fomos perguntar aos locais que conhecíamos, isto é, aos donos da Pensione Edelweiss. E sem demora foi nos entregue um mapa da zona onde estavam anotados os vários trilhos. Um mapa que deu imenso jeito devo dizer.

Mapa com os vários trilhos marcados na zona de San Cassiano

A nossa ideia era apenas de passear pelas vilas, talvez embrenharmo-nos um pouco na floresta seguindo junto ao riacho que ficava por detrás da pensão. Uma coisa simples e sem grandes desafios. Já se sabe o que vou dizer a seguir, não é? É que acabou por ser um dos trilhos mais difíceis e penso que até um dos mais longos da viagem. Sim, muito bonito, devo dizer que parar em San Cassiano mesmo que seja só de passagem deve ser feito, mas o percurso que acabámos por fazer não foi aquilo que esperávamos. Para além que este foi o único trilho onde apanhámos uma grande chuvada. No entanto, não nos pudemos queixar já que a previsão do tempo era de chuva e tempestade para toda a semana.

Um trilho de vários trilhos

O nosso trilho penso que teve uma distância de 11km ou por volta disso e inclui partes de vários trilhos, primeiro o 22, depois o 22A e por fim o 21. Uma parte do caminho no 22A nem sequer tinha um caminho marcado e por isso nem o Google Maps reconhece. Desta forma o mapa abaixo não representa bem a realidade já que nenhuma parte deste caminho foi feito em linha recta. No entanto, foi o melhor que se consegui fazer para representar o trilho completo.

Trilho 22 (do ponto A ao ponto C)

A primeira parte do trilho foi a mais longa, mas também a qual gostámos mais. Partimos da Pensione Edelweiss, descemos a rua que ia dar ao parque de estacionamento e atravessámos a ponte de madeira de maneira a começarmos o trilho junto ao riacho. Foi nesta ponte que encontrámos as primeiras placas a indicar os vários trilhos da zona. A placa que queríamos seguir ir era do trilho 22 ‘Piz Sorega’.

Seguimos junto ao pequeno riacho sempre a direito até chegarmos à estação de teleférico Piz Sorega, naquela altura fechado. Aqui apanhámos a estrada larga que seguia para cima. Nos primeiros quilómetros a subida não foi muito difícil, era subida depois um bocado a direito, depois outra vez uma subida e depois outra vez a direito. E nem estávamos sozinhos porque passaram por nós vários camiões das obras a subir e a descer pela estrada. Pelo caminho fomos tirando fotografias já que a paisagem era realmente bonita.

Trilho 22 em San Cassiano

Mas quando chegámos ao ponto B marcado no mapa, o Rifugio Malga Saraghes, também ele fechado em inícios de junho a coisa começou a mudar. Primeiro depois de 3.5km já nos começávamos a fartar de tanto subir. O tempo também tinha mudado e foi aqui que começou a cair uma grande chuvada. Felizmente tínhamos connosco as nossas capas de chuva que são tudo menos atraentes, mas que ao menos protegem bem da chuva. No entanto, a subir com o tempo assim e sabendo que não estávamos nem a meio caminho já nos começávamos a arrepender de termos escolhido este trilho.

Trilho 22A

Apesar da chuva intensa, esta não demorou muito a parar e quando chegámos ao ponto C o tempo tinha acalmado. E este ponto C marca o cruzamento onde encontrámos a placa a indicar o trilho 22A. Mas mal andámos uns 5 minutos na direcção do trilho, depois de passarmos umas casas que à primeira vista pareciam vazias (e penso que estavam) o caminho acabou. Simplesmente não havia mais nenhum trilho. E teria sido OK, não teria havido qualquer problema se não tivesse sido a chuva. Olhámos à nossa volta e por um lado um dos possíveis caminhos estava feito em lama, no outro o campo de relva estava alagado. Tivemos aqui um bocado a discutir as nossas opções, já considerando a possibilidade de voltar para trás. No entanto, o caminho que tínhamos pela frente era mais curto do que aquele que já tínhamos feito.

Malga Saraghes

No final decidimos subir pelo terreno inclinado indo pelo meio da relva molhada tentando não ficar atolados em alguma poça de água ou pior na lama. Claro que esta parte foi um bocado tentativa/erro e foi a pior subida de até então. Foram apenas uns metros, nem a meio quilómetro chegou, mas foram momentos intensos. Felizmente passando esta parte chegámos novamente à estrada larga em direcção ao Rifugio Piz Sorega, parte do trilho 21.

Trilho 21

Infelizmente a chuva recomeçou e caia de tal forma que quando estávamos a passar pelo Rifugio Piz Sorega até ponderei se não deveríamos ficar ali um bocado até o tempo melhorar. Era chuva forte, vento e um céu de meter medo. Mas a ideia não foi aceite pela equipa (aka o meu marido). Portanto foi entre episódios de chuva e ‘não chuva’ que descemos o trilho 21 até San Cassiano.

San Cassiano

E se subir pode ser difícil descer ainda é mais. A descida em algumas partes era inclinada e com a chuva havia lama, pedrinhas que se soltavam e a última coisa que queríamos era cair e rebolar por ali abaixo. Porque se no mapa acima o caminho  está assinalado como sendo a direito, desenganem-se porque o que encontrámos foram curvas e mais curvas até ao fundo da montanha. Acreditem que ficámos muito contentes quando avistámos ao longe a igreja de San Cassiano.

Demorámos no total 3 horas a completar este trilho. O melhor de tudo foi quando falámos desta experiência à Jo, a rapariga da Pensione Edelweiss, no dia seguinte de manhã e ela dizer-nos que fazia esses mesmos 10km todos os dias de manhã ainda por cima a correr. Nem imaginam as nossas caras, por um lado vergonha por outro impressionados. Talvez tenha havido um terceiro sentimento, o de horror ao pensar fazer aquilo todos os dias.

Paisagem no trilho 21

Mas vamos a ver, sim não estávamos mentalizados para um trilho tão longo e sim foi uma grande subida, mas se não tivesse sido a chuva este caminho tinha sido feito sem grandes problemas. E as paisagens do topo são magníficas mesmo em dias de chuva. Este trilho talvez não conste dos mais conhecidos nos Dolomitas, mas não fica atrás de nenhum dos outros que fizemos durante esta semana.

Último serão em San Cassiano

Quando finalmente chegámos à Pensione Edelweiss, com uma grande sensação de alívio devo-o dizer, começámos a pensar no jantar. Afinal começámos o trilho por volta das 2 e meia, mas só o completámos perto das 6. Mas também nos fomos arranjando com vagar e ainda antes comemos uma fatia da tarte que tinha sobrado do jantar do dia anterior como recompensa do trilho daquele dia. E por isso eram já quase 8 horas quando nos sentámos numa das mesas do restaurante La Tor. Como disse no primeiro dia em que visitámos este restaurante (ver post aqui), foi decidido que este seria o local ideal para o nosso último jantar antes de deixarmos San Cassiano.

Restaurante La Tor

Tal como aconteceu na primeira vez que visitámos este restaurante não tínhamos reservado mesa, mas no início de junho tal não era necessário. Para beber pedi para experimentar um Hugo Spritz e fiquei imediatamente fã. Muito melhor do que o Aperol Spritz e ninguém me avisava!

Não quisemos pedir entradas passando directamente aos pratos principais. Eu pedi o ‘Baked Maccheroni La Tor’ que descobri ser um dos pratos mais pedidos neste restaurante. O prato consiste em massa macarrão no forno com guisado de carne, speck (espécie de bacon/fiambre típico da região), salame, queijo, cogumelos e courgettes. Para mim foi a escolha ideal e veio uma boa quantidade de tal forma que acabei por dividir uma parte com o meu marido. Até porque ele tinha pedido um dos pratos especiais com produtos da estação que incluía aspargos brancos e salmão fumado. Apesar de ser um bom prato acho que a quantidade não foi a suficiente pelo menos considerando a pouca resistência que deu quando lhe ofereci parte do meu prato.

Para sobremesa pedi gelado de menta, que sabia exactamente ao chocolate After Eight. A sobremesa da outra vez, os frittelle, tinha sido mais substancial, mas o gelado foi o final perfeito para aquela refeição mais pesada. O meu marido preferiu acabar a sua refeição com um digestivo. Para tal pediu a opinião da empregada do restaurante que lhe trouxe um copo de grappa.

Bebidas no restaurante La Vita è Bella

Como era a nossa última noite por estes lados, com muita pena nossa devo dizê-lo, quando chegámos a San Cassiano ainda fomos ao restaurante que ficava ao lado da Pensione Edelweiss, La Vita è Bella. O restaurante tem uma parte mais formal, a parte do restaurante, e outra mais informal tipo café onde nos sentámos.

Copo de grappa à esquerda e o cocktail Hugo Spritz à direita no restaurante La Vita è Bella

Enquanto aqui estivemos pedimos mais uns copos de grappa e cocktails. Infelizmente o Hugo Spritz deste restaurante não era grande coisa, tal como não era o Aperol Spritz, mas isso não diminui o sentimento de bem-estar de ali estarmos um bocado à conversa antes de fecharmos aquele dia.

Último pequeno-almoço na Pensione Edelweiss

Já tivemos oportunidade de visitar vários países, várias cidades e várias culturas. E sinto-me sortuda por ter a possibilidade de viajar e sinto-me grata por todos os locais onde já estive. Mas há locais que tocam mais do que outros e San Cassiano foi certamente um local onde deixei parte de mim. Ou talvez tenha trazido uma parte de San Cassiano comigo. Enquanto aqui estivemos foi-se criando como uma bolha protectora, onde saímos todos os dias para ver paisagens fantásticas, fizesse chuva ou sol, sabíamos que de uma forma ou de outra naquele dia haveria momentos em que ficaríamos maravilhados. E quando voltávamos à Pensione no final do dia era como voltar a um casulo de conforto. Foi com muita pena nossa que a última manhã chegou e que poucas horas restavam até fazermos o check-out.

Vista do nosso quarto na Pensione Edelweiss horas antes de fazermos o check-out

Fomos tomar o pequeno-almoço um bocadinho mais tarde do que o normal e ainda ficámos à conversa com a Jo a quem tínhamos ficado a conhecer. Foi nesta última manhã que ela nos contou como é viver nos Dolomitas na perspectiva de um local, que aqueles 10km que tínhamos feito no dia anterior eram rotina para ela e que havia uma terceira língua específica naquela zona, o Ladin.

Último pequeno-almoço na Pensione Edelweiss

E chegou altura de nos despedirmos de San Cassiano, mas acreditem nisto – foi um adeus cheio de saudade.

Próximo post (Croda da Lago e Lago di Alleghe)

No dia que deixámos San Cassiano foi o último em que estivemos nos Dolomitas. Neste dia fizemos mais dois trilhos enquanto conduzíamos para sul. Estes foram dois trilhos bastante diferentes e com finais também bastante diferentes. Mas os detalhes já sabem, ficam para o próximo post.

Lago di Braies (Pragser Wildsee)

Índice deste post

Igreja de San Cassiano

Depois do pequeno-almoço na Pensione Edelweiss finalmente saímos a uma hora em que encontrávamos a porta da igreja em frente, a igreja de San Cassiano, aberta. Claro que assim sendo antes de fazer caminho para o Lago de Braies quisemos fazer uma rápida visita ao interior da igreja. E foi deveras rápida pois àquela hora (8 e meia) andavam a limpar a igreja e não queríamos disturbar o trabalho. A igreja apesar de simples é tão bonita por dentro como por fora.

Igreja de San Cassiano

Afixado ao lado da porta encontra-se um pequeno texto que conta uma parte da história desta igreja. Traduzindo o texto para português lê-se o seguinte: ‘Em 1581, foi consagrada a igreja pelo Bispo Johannes Nas. No entanto em 1723, um incêndio devastou a vila levando a que uma nova igreja fosse consagrada em 1782 e mais tarde ampliada em 1845. Os frescos das paredes e tectos são de Franz Rudiferia e datam o ano de 1876. Estas pinturas foram restauradas por Jan Mati Pescoller em 1927. Novas renovações foram conduzidas em 1965 e em 1993. Entre estas duas renovações, mais especificamente em 1979, foi acrescentada uma nova secção à igreja. O retábulo de Carl Henrici retrata o martírio de São Cassiano, padroeiro da igreja. Uma segunda estátua deste santo pode também ser encontrada na fachada exterior da igreja. Até 1850 esta vila não era chamada de San Cassiano, mas sim de Armentarola.’

Como disse acima, a visita à igreja foi bastante rápida e seguimos depois para o parque de estacionamento. Uma das coisas que se tinha tornado rotina durante aquela semana foi a de encher as garrafas de água na fonte que ficava ao lado do supermercado antes de partimos. O mais engraçado era a pequena fonte mais abaixo destinada para os cães (ou para qualquer outro animal).

Lago di Braies

No penúltimo dia nos Dolomitas fomos visitar o lago mais conhecido desta região, o Lago di Braies. Este lago de águas azul-turquesa a 1496 metros de altitude e com as montanhas Croda del Becco como pano de fundo é um dos locais que sem dúvida ninguém quer perder. Lago di Braies é também é conhecido como Pragser Wildsee, o seu nome em alemão.

Lago di Braies

Apesar de não ser difícil de chegar ao Lago di Braies nem de completar o percurso circular à volta deste, já o parque de estacionamento é uma história completamente diferente. Tal como em Alpe di Siusi há algumas restrições em relação ao acesso à estrada que vai até ao lago, apesar de neste caso estar apenas em vigor durante os meses de maior afluência. Por exemplo em 2025 este período foi entre 10 de julho e 10 de setembro. O que acontece é que a estrada fica cortada entre as 9:30 da manhã e as 4 da tarde. Aliás é possível sair com o carro a qualquer hora, mas não entrar (tal como em Alpe di Siusi). Esta regra foi imposta devido ao turismo desmedido que foi aumentando à medida que este local foi ficando mais conhecido.

Trilho circular em Lago di Braies

Era por estas regras que nos estávamos a seguir tanto que no dia anterior tínhamos pedido para ter novamente o pequeno-almoço em modo take-away já que teríamos de sair bastante cedo. Felizmente nesse mesmo dia verificámos que estas restrições não se aplicavam naquela altura do ano. O que foi confirmado com a dona da Pensione Edelweiss quando pedíamos para afinal tomar o pequeno-almoço na sala de jantar.

O parque de estacionamento no Lago di Braies pode ser bastante confuso com as várias regras e os vários parques que ficam a diferentes distâncias do lago. Mas em termos simplificados é o seguinte: existem 4 parques de estacionamento – P1, P2, P3 e P4. O P4 é aquele que fica mais perto do lago a cerca de 200 metros enquanto o P1 fica quase a 6km de distância, havendo a opção de apanhar um autocarro no P1 até ao lago ou claro caminhar a pé. Os parques P2 e P3 ficam a uma distância do lago de 850 metros e 350 metros respectivamente.

Parque de estacionamento P4

Agora quais são as regras de estacionamento?

  • Entre meados de setembro até meados de julho a verdade é que não há grandes regras. A estrada não está cortada podendo-se circular em qualquer altura do dia. Para dar um exemplo específico nós chegámos por volta das 10 da manhã ao lago e havia imenso estacionamento livre no P4. O parque de estacionamento custou-nos 15 euros por 3 horas.
  • Entre meados de julho a meados de setembro não é possível conduzir na estrada que passa pelo Vale di Braies entre as 9:30 da manhã e as 4 da tarde sem ser com um bilhete que tal o autorize. Portanto é possível comprar um bilhete de acesso aos vários parques de estacionamento. Para o parque P1 a compra do bilhete garante estacionamento e inclui o bilhete de autocarro que vai para o lago. Enquanto que o bilhete para os outros parques de estacionamento dá acesso à estrada no Vale di Braies em qualquer altura do dia mas não garante estacionamento num determinado parque sendo o espaço oferecido consoante a disponibilidade (inclui P2, P3 e P4). Se o bilhete for para o P1 tem um custo de 20 euros, para os restantes tem um valor de 40 euros que inclui um voucher de 20 euros que pode ser usado nos restaurantes ou lojas em Vale di Braies. Para mais informações e reservas vejam o website oficial: https://www.prags.bz/it

Claro que os 40 euros são uma espécie de esquema bem pensado, não só se paga logo 40 euros pelo estacionamento como leva as pessoas a irem ao restaurante ou às lojas comprar qualquer coisa. E acreditem que é muito fácil gastar 20 euros, por exemplo nós gastámos 16 euros no café depois de fazermos o trilho e não pedimos nada de especial.

Lago di Braies

O trilho circular à volta do Lago di Braies é de mais ou menos 3km, considerando que se parte do parque de estacionamento P4, como mostra o mapa abaixo.

A – Partimos do parque de estacionamento P4

B – Passámos junto ao cais onde arrendam os barcos a remos

C – Seguimos sempre pelo trilho que dá a volta ao lago. Apenas há uma subida mais acentuada durante o percurso, mas não é difícil. A meio do caminho há uma espécie de praia onde se pode descansar. Fica a nota que não é permitido ir a banhos neste lago

D – Passámos junto à Cappella di Lago di Braies

E – Fizemos uma pausa no café Emmas Bistro com vista para o lago. Apesar de haver vários cafés e vários restaurantes nós decidimos parar neste exactamente pela paisagem

Uma outra coisa muito comum no Lago di Braies é andar de barco a remos. E isto pudemos verificar no momento em que chegámos ao lago, já que este estava pontuado por vários barcos que deslizavam pelas suas águas. Ainda considerámos brevemente se também queríamos enveredar por esta experiência, mas como o preço de aluguel era de 50 euros por 45 minutos, pensámos que poderíamos gastar esse dinheiro em algo mais útil.

Cappella di Lago di Braies

No final, o que posso dizer é que o percurso não é difícil de fazer, tem apenas uma subida um pouco acentuada, mas o trilho está bem marcado e há alguns bancos pelo caminho para descansar. Nós demorámos menos de uma hora a fazer este trilho, mesmo indo devagar e com várias paragens para tirar fotografias.

Café, cerveja e bolo da Emmas Bistro

Como no dia anterior tínhamos visitado os lagos que estavam no itinerário de hoje; o lago di Landro e o Lago di Dobbiaco, tínhamos algum tempo livre e aproveitámo-lo sentados no café Emmas Bistro onde da esplanada se tinha vista para o lago. Nós pedimos um cappuccino, uma cerveja e uma fatia de um bolo de ricotta que o meu marido gostou muito. Apesar de ser um pedido simples ficou-nos a 16 euros. Por isso digo que o voucher dos 20 euros, do qual mencionei na secção sobre os parques de estacionamento na verdade não é muito. Para nós é sempre um mimo podemos parar para beber e comer qualquer coisa, quando normalmente os nossos dias são super preenchidos sem tempo para tal (culpa somente nossa). Para mais tivemos um convidado inesperado à nossa mesa que também pareceu adorar o bolo.

Convidado inesperado à nossa mesa no Emmas Bistro

De todos os lagos que visitámos acho que mesmo assim o lago di Landro é o meu favorito, mas este fica com o segundo lugar. Felizmente visitámo-lo em junho porque mesmo assim estava ali imensa gente. Imagino que na altura do verão possa ser um lugar tão cheio que dê azo a algumas frustrações. No entanto, é um ponto icónico nos Dolomitas, e a sua beleza é a razão por o ser.

Próximo post (trilho em San Cassiano)

Durante a tarde, depois de visitar o Lago di Braies, fomos descobrir um pouco de San Cassiano, levando-nos num trilho que nos deu mais do que esperávamos. Para jantar já tínhamos um local na cabeça para esta ocasião especial – pois este seria o nosso último serão em San Cassiano.

Lagos nos Dolomitas

Índice desta página

Depois de passarmos 4 horas a percorrer 10km à volta das rochas que dão o nome a Tre Cime di Lavaredo, decidimos ir parando pelos vários lagos que queríamos visitar enquanto nos Dolomitas. O único lago que deixámos para o dia seguinte é aquele que sem dúvida é o mais conhecido, o lago di Braies.

Lago di Misurina fica a cerca de 8km do parque de estacionamento de Tre Cime di Lavaredo e pode ser avistado daqui quando se percorre a parte final do trilho. E o lago di Misurina é conhecido não só pelas suas águas calmas, mas também pelas várias montanhas que o rodeiam como o Monte Cristallo, Sorapìss, o grupo montanhoso Cadini, o Monte Popena e claro Tre Cime di Lavaredo. O lago fica a 1754 metros de altitude numa zona curiosamente conhecida pelo seu microclima saudável, tanto sendo que é apenas aqui que se encontra o único centro em toda a Itália focado no tratamento de asma infantil em altas altitudes.

Lago di Misurina

A nossa ideia inicial era de fazer o percurso circular que dá a volta ao lago. O percurso é de 2km e é categorizado como sendo fácil. No entanto, quando aqui chegámos e começámos à procura de estacionamento reparámos que todo ele era pago. Como já tínhamos pagado os 40 euros pelo parque de estacionamento em Tre Cime di Lavaredo decidimos parar para tirar uma ou duas fotografias, mas não fazer o trilho. Em vez disso seguimos para o próximo lago, o lago di Landro.  

A paragem no Lago di Misurina acabou por ser bastante rápida e depois de uma curta viagem de apenas 10 minutos parávamos o carro perto do lago di Landro num parque de estacionamento não oficial. O local não está bem marcado no Google Maps mas pode-se usar o ponto ‘Landro Classica’ para o efeito. Nós descobrimos este parque de estacionamento por acaso, mas finalmente encontrávamos um que era não pago.

Lago di Landro e Monte Cristallo ao fundo

O lago di Landro é o terceiro maior lago em Val Pusteria e é conhecido pelas suas águas azul-turquesa. Acredito que este deva ser um local de eleição para banhos quando o tempo está mais quente. Aliás para duas raparigas estava naquele dia quente o suficiente para o fazerem. A paisagem do lago com os picos do Monte Cristallo ao fundo foi uma das minhas preferidas, em relação aos lagos que visitámos nos Dolomitas. No entanto, seria injusto não adicionar que todos os lagos que visitámos nos deram paisagens magníficas.

Trilho do Lago di Landro até à Vista Panorâmica Tre Cime di Lavaredo

Para chegarmos ao lago di Landro apanhámos o caminho ‘Lunga Via delle Dolomiti’. Depois de passearmos um bocado pelas margens do lago reparámos que o caminho continuava na direcção oposta. Fomos ver no Google Maps se havia algo de interessante mais à frente e encontrámos o ponto de nome ‘Vista Panorâmica Tre Cime di Lavaredo’ a 15 minutos de distância a pé. Apesar deste desvio não fazer parte do percurso fomos ver o que era, até porque estávamos com tempo uma vez que não tínhamos feito o trilho à volta do Lago di Misurina.  

Monte Cristallo de Vista Panorâmica Tre Cime di Lavaredo

O que encontrámos foi uma pequena construção com uma plataforma onde se destacavam informações sobre as várias montanhas em redor. A Sul via-se os picos do Monte Cristallo enquanto a Este espreitava o Monte Piana, importante local de batalha durante a Primeira Guerra Mundial. Mas o que nos impressionou foi o que vimos quando olhámos para Oeste e reconhecemos os grandes pedregulhos que já eram para nós conhecidos, Tre Cime di Lavaredo. Também aqui havia uma pequena escultura destes 3 picos acompanhada por uma linha do tempo que marcava importantes eventos de escalada em Tre Cime di Lavaredo.

Tre Cime di Lavaredo de Vista Panorâmica em Val Pusteria

Pouco depois regressávamos ao Lago di Landro, mas quando chegámos quisemos ir dar à volta ao lago. Vou apenas dizer que o caminho pela outra margem não é tão acessível como indo pelo Via Lunga delle Dolomiti, mas eventualmente chegámos ao carro.

Por último vou falar de uma modalidade conhecida nesta zona. Porque enquanto andávamos aqui para frente e para trás passámos por alguns grupos de pessoas a andar de bicicleta e alguns via-se que andavam a fazer mais do que um dia de caminho com tendas agarradas às bicicletas. E depois de fazer uma pesquisa rápida descobrimos que esta zona é conhecida como sendo um local ideal para fazer tours de bicicleta já que há vários trilhos de diferentes dificuldades.

Paisagem norte de Vista Panorâmica Tre Cime di Lavaredo

Tenho a confessar que este foi o lago ao qual demos menos atenção e onde passámos menos tempo. Não foi intencional e nem justo para com a beleza deste lago. Quando chegámos, tal como no Lago di Misurina, verificámos que o parque de estacionamento era pago.

Lago di Dobbiaco

Apesar de termos considerado fazer o percurso de quase 5km à volta do lago, como já passava das 5 da tarde e sem estacionamento gratuito, este acabou mesmo por ser uma paragem de poucos minutos para tirar uma ou duas fotografias e seguir caminho. Afinal ainda tínhamos mais de 1 hora a conduzir para chegar a San Cassiano. Se vocês tiverem mais tempo e não se importarem de pagar estacionamento, o trilho à volta deste lago é algo que sem dúvida devem considerar.

Chegámos a San Cassiano perto das 7 da tarde. E apesar de não termos visto bem o último lago, o que fez ter um pouco aquela sensação de ‘oportunidade perdida’ não foi menos bonito o caminho que fizemos entre o Lago di Dobbiaco e San Cassiano. Passámos por pitorescas vilas, ruínas, vales e descampados sempre com altas montanhas a acompanhar-nos. Como já disse várias vezes, não interessa o que façam nos Dolomitas que vai sempre valer a pena, qualquer seja o tipo de turismo que aqui façam.

A nossa mesa de jantar depois das compras feitas no supermercado

O jantar deste dia foi um pouco diferente. O dia tinha sido intenso com muitos quilómetros feitos a pé e a conduzir e por esta altura o cansaço começava a tomar as rédeas. Como não estávamos com muita vontade de pegar no carro, nem de procurar por mais restaurantes, adicionado ao facto de que tinha começado a chover, optámos pela escolha mais simples. Fomos ao supermercado que estava ao lado da Pensione Edelweiss e comprámos uma selecção de produtos para provar ao jantar. Mas atenção que normalmente caímos na tentação de comprar mais do que aquilo que conseguimos comer. O que foi o que aconteceu. Mas se isto for também comum para vocês, não deitem a comida fora. Façam antes como nós, comam o que não podem guardar e o resto usem-no para o almoço do dia seguinte.

Jantar com vista no nosso quarto na Pensione Edelweiss

E confesso-vos uma coisa, apesar de termos ficado no hotel foi um jantar super agradável na varanda do quarto com uma bonita paisagem e um ambiente relaxante. A escolha perfeita para final deste quinto dia de viagem.

Próximo post (lago di Braies)

No sexto dia de viagem, fomos visitar o mais famoso lago dos Dolomitas, o Lago di Braies. Depois do trilho circular demos a nós mesmo uma ‘pausa de café’. À tarde, fomos explorar San Cassiano, afinal tínhamos tantos trilhos mesmo ali ao pé de nós e nós a conduzirmos durante horas para longe. Para além que esta seria a última oportunidade de o fazer já que nos despediríamos de San Cassiano na manhã seguinte. Todos os pormenores no próximo post.