Uma tarde no Aqua Sana spa

Conteúdo desta página

  1. Aqua Sana Forest Spa em Woburn Forest
    1. A nossa experiência em relance
    2. A nossa experiência em mais detalhe
      1. The Blossom Spa
      2. The Herbal Spa
      3. The Fire & Ice Spa
      4. Refeição no Vitalé Café & Bar
      5. Sole Treatment
      6. The Mineral and Gemstone Spa
      7. The Salt Spa
      8. The Sensory Spa
      9. Piscina exterior aquecida

Os ingleses têm imensos hábitos, muitos dos quais são conhecidos, como por exemplo o de beber pints no pub a meio da tarde ou depois do trabalho, o amor por fish and chips (peixe frito com batatas fritas) e até do quanto os ingleses adoram passar a tarde num dos muitos parques quando o sol brilha, já que os dias de sol são raros.

Mas há um outro hábito que apenas fiquei a conhecer ao viver no país: e são os spas. Seja um dia, uma tarde ou mesmo um fim-de-semana é uma experiência que muitos ingleses escolhem para relaxar e recuperar energias. Nós já tínhamos aproveitado um spa exterior do estilo sueco perto de Cambridge chamado PAUS e este ano no final de Fevereiro depois de meses de frio decidimos celebrar o nosso aniversário com uma tarde num dos spas perto de nós.

No spa exterior em PAUS

Aqua Sana Forest Spa em Woburn Forest

Depois de alguma procura, afinal a oferta é muita tal como a variação de preços, decidimos marcar no Aqua Sana Forest Spa em Woburn Forest em Bedfordshire (a norte de Londres). Existem vários pacotes com preços diferentes que variam de acordo com as horas de entrada, duração da estadia e se inclui ou não refeição.

Entrada principal para a Aqua Sana Forest Spa em Woburn Forest

A nossa experiência da qual vou falar aqui será focada no spa em Woburn Forest pois foi neste onde passámos a nossa tarde, mas a empresa tem outras localizações espalhadas pelo país; Whinfell Forest em Cumbria, Sherwood Forest em Nottinghamshire, Elveden Forest em Suffolk e Longleat Forest em Wiltshire.

A nossa experiência em relance

Escolhemos o Pacote Twilight Spa Escape para uma segunda-feira à tarde que incluía:

  • Acesso às instalações das 4 às 8 da noite
  • Acesso a 25 salas de saunas, banhos turcos, a áreas de relaxamento e à piscina exterior
  • Refeição ligeira no Vitalé Café Bar
  • Robe e toalhas fornecidas pelo spa
  • Parque de estacionamento gratuito
  • A trazer: fato-de-banho e chinelos
  • Preço: 79 libras por pessoa

A nossa experiência em mais detalhe

Nós escolhemos o Twilight Spa Escape que nos dava acesso a todas as salas com diferentes experiências, à piscina exterior e também a uma refeição leve de uma bebida e uma tábua de tapas com pratos mediterrâneos. O acesso às instalações era entre as 4 e as 8 da noite e custava 79 libras por pessoa. Para nós ir ao spa será sempre uma experiência guardada apenas para ocasiões especiais e não algo que fará parte das nossas rotinas. Mas acho que esta duração foi a ideal para nós, tivemos tempo para explorar todas as áreas do spa, e ainda aproveitar a refeição e no final a piscina exterior. Tudo sem pressas e sem nos dar demasiado tempo para nos aborrecermos.

O spa faz parte de uma espécie de vila privada no meio da floresta em Bedfordshire, o Center Parcs, onde há também vários restaurantes, trilhos e experiências para miúdos e graúdos como por exemplo o parque de diversões aquático, o Subtropical Swimming Paradise. Também se pode alugar casinhas de madeira (lodges) no meio da floresta para uma estadia mais longa. O Center Parcs é um dos locais ideais para quem tem filhos pois têm imensas actividades para as crianças. Mas aviso que para entrar no spa é preciso ter no mínimo 14 anos e até aos 18 devem vir acompanhados por um adulto. Cliquem no link para visitar o website oficial do Center Parcs: https://www.centerparcs.co.uk/

Como nós só vínhamos para o spa, tivemos de mostrar a nossa reserva na zona das cancelas e depois conduzirmos por dentro desta espécie de resort/parque natural privado até ao spa. Os clientes do spa têm acesso gratuito ao parque de estacionamento.

Num dos trilhos do Center Parcs

Como tínhamos chegado cedo ainda tivemos tempo de explorar a zona e alguns trilhos na floresta, no entanto sem entrarmos em grandes aventuras. E quando chegou a hora da nossa reserva fomos logo para o spa.

Depois de passarmos a recepção e de vestirmos os fatos-de-banho subimos ao piso superior onde se encontra tanto o restaurante como a entrada para o spa. A nossa refeição no restaurante Vitalé Café Bar estava marcada para as 5 da tarde, por isso explorámos primeiro as salas do piso de cima e depois da refeição então as salas do piso de baixo.

As salas estão divididas em 6 secções cada qual com o seu tema e esta foi a ordem por a qual passámos por todas elas:

  • The Blossom Spa
  • The Herbal Spa
  • The Fire & Ice Spa
  • Intervalo para a refeição
  • Sole Therapy
  • The Mineral & Gemstone Spa
  • The Salt Spa
  • The Sensory Spa
  • Piscina exterior

The Blossom Spa

Nesta secção encontram-se 4 salas diferentes; Blossom Heat, Blossom Relax, Blossom Steam e Rain Walk. Começámos pela Blossom Steam, a sala de banho turco com aromas florais e decorada com cores pastéis e assentos que pareciam joias luminosas de cor salmão. Depois passámos pelo chuveiro que imita a sensação de caminhar sobre a chuva, apesar de não termos acertado muito bem com os tempos em cada parte do chuveiro. Este Rain Walk está também em outras secções do spa. Antes de irmos para a próxima zona ainda entrámos no Blossom Heat, uma das saunas mais amenas do spa onde as cadeiras reclinadas se ajustam à curvatura do corpo e onde existe um equilíbrio subtil entre o calor e a humidade. Não entrámos no Blossom Relax, a sala de relaxamento desta secção, aliás só entrámos neste tipo de sala no Salt Spa. Estas salas de descanso não são nem quentes nem frias, mas dispostas de maneira a criar um ambiente que promove o relaxamento.

The Herbal Spa

O banho turco desta zona, a Herbal Inhalation, foi a minha sala favorita deste tipo. As essências de ervas são escolhidas para ajudar a abrir as vias respiratórias e a desbloquear os poros da pele. Das outras duas salas do Herbal Spa, a Herbal Sauna e a Herbal Relax, apenas entrámos na primeira. Nesta sauna são usadas infusões de ervas torradas para limpar as vias respiratórias e aumentar a imunidade.

The Fire & Ice Spa

Olhando agora para trás esta foi a secção do spa que me marcou mais excluindo a refeição e a piscina. Aqui há duas saunas, a Stone Sauna e a Lava Sauna, um chuveiro que tal como o da Blossom Spa pretende dar a sensação de andar sobre a chuva e uma sala de gelo. Nós começámos pela Lava Sauna e deixa-me vos dizer que aqui dentro estava realmente quente. A sala está decorada com tons de vermelho, laranja e preto dando a sensação de entrarmos dentro da terra escaldante. Nem sequer conseguimos estar aqui os 5 minutos que tínhamos mentalmente agendado para cada sala pois o meu fio começou a queimar-me a pele passados poucos minutos. E nós estávamos no degrau mais baixo da sala, onde estava menos calor! Foi por isso que a sala de gelo, à qual fomos a seguir, foi bastante agradável. Apesar de tudo, a sala de gelo era menos fria do que aquilo que o nome indica e a sensação do gelo na pele foi neste caso bem recebida. A ideia é mesmo alterar entre o quente e o frio para ajudar a circulação sanguínea, reduzir inflamação e diminuir os poros da pele. Em seguida, fomos à Stone Sauna mas não era nem de perto nem de longe tão quente como a primeira. Como chegava as 5 horas, a hora para a qual estava marcada a nossa refeição, e como estávamos muito quentes acabámos o Fire & Ice Spa a caminhar pelo chuveiro. No entanto devíamos ter ido para o restaurante depois da sauna ou talvez depois da sala do gelo para não irmos com os robes e as toalhas todos molhados para dentro do restaurante. Foi uma lição que aprendemos.

Refeição no Vitalé Café & Bar

O horário da refeição não foi marcado por nós, mas pelo próprio spa, no entanto como estávamos bem com as 5 da tarde não tentámos mudar a hora. Entrámos no restaurante e demos o nosso nome à entrada. Fomos levados à nossa mesa e passado poucos minutos o empregado chegou para receber os nossos pedidos.

Pedimos dois copos de prosecco que foram prontamente entregues e pouco depois chegou a tábua de pratos mediterrâneos que tinha imenso bom aspecto e que incluía um pratinho de:

  • Azeitonas
  • Húmus
  • Queijo feta com pesto
  • Tomates grelhados
  • Melão com presunto
  • Dolma (folhas de videira recheadas)
  • Focaccia de alecrim e alho
  • Molho de mistura de azeite e vinagre balsâmico

Nós ficámos super bem impressionados com esta parte, não só a comida era muito boa principalmente as dolma, a focaccia e o húmus, como também cada prato vinha com uma boa quantidade para duas pessoas partilharem. Posso confessar que nos sentimos um bocadinho presunçosos enquanto bebericámos o nosso prosecco.

Também há a opção vegetariana se preferirem.

Sole Treatment

Depois desta refeição fomos para a última sala do piso superior, uma sala dedicada aos pés. Parece-me que esta é a sala por onde se começa o spa, mas pronto para nós foi a sala onde começou a segunda parte. Nesta sala encontram-se uma espécie de bidés onde se coloca os pés e se escolhe o tipo de tratamento que se quer por exemplo de relaxe ou de energização. Nós experimentámos 2 dos 3 tratamentos que nos pareceram bastante semelhantes. Por isso decidimos não experimentar o terceiro tratamento e avançar para as secções do piso debaixo.

The Mineral and Gemstone Spa

Começámos o piso inferior por esta secção, onde se encontram as salas Mineral Steam, Crystal Steam e Mineral Room. Também havia o tal chuveiro a imitar a chuva, que desta vez não experimentámos porque nunca o apanhámos vazio. Fomos ao Mineral Steam para começar e no final ao Crystal Steam. Enquanto que na primeira sala o vapor de infusão de minerais ajuda a abrir os poros e a limpar a pele, a segunda usa vapor e rosas para promover o relaxamento. No entanto, o destaque na Crystal Steam é o cristal de ametista que ajuda a iluminar a sala. De todas as salas de banho turco a que me fez mais impressão foi a Mineral Room porque entrei e não conseguia ver nada. A luz ambiente naquele momento era vermelha e o nevoeiro intenso juntos impediam de ver a porta. Diga-se que a minha claustrofobia foi espicaçada enquanto estava quase deitada numa das cadeiras compridas.

The Salt Spa

Nesta zona do Aqua Sana Forest Spa encontram-se 4 salas e nós experimentámos 3, a Salt Sauna, a Salt Steam e a Salt Inhalation. A Salt Steam está decorada com mosaicos, sal cristalizado e luz suave para simular o ambiente de dentro de uma gruta de sal. Os vapores do sal na Salt Steam ajudam a limpar as vias respiratórias e a limpeza da pele. Na nossa última sauna, a Salt Sauna, é usado o sal dos Himalaias que juntamente com ar ionizado e calor suave abre os poros, alivia o stress e melhor o humor. A Salt Inhalation foi a única zona de relaxamento que experimentámos, onde ficámos uns minutos deitados em camas macias sobre estrelas cintilantes e ar envolto em sal dos Himalaias.

The Sensory Spa

Esta foi a zona na qual estivemos menos tempo. Entrámos na sala que se foca na meditação, mas mal entrámos já estávamos a sair, e no final estivemos sentados numa sala onde várias imagens iam aparecendo juntamente com sons e vapores de cheiros calmantes. Mas rapidamente deixámos as salas e as experiências para trás e fomos para a piscina.

Ainda antes quero dizer que todas as salas deste spa têm um objectivo comum; o de transmitir tranquilidade e promover a sensação de bem-estar. Todas as secções têm uma sala de relaxamento decorada com o tema da secção onde se pode sentar, ler, descansar, meditar e até dormir.

Piscina exterior aquecida

Deixámos a piscina para último e sem saber fizemos a escolha certa. Quando saímos para o exterior o sol já se tinha posto e ali estávamos nós dentro de água aquecida sob um céu polvilhado de estrelas. E como o spa fica numa zona com pouca poluição mais estrelas se viam num céu sem nuvens e mais especial foi aquele fim de tarde.

Quando saímos já depois das 8 da noite reparámos que havia várias esculturas de luzes que reluziam contra a luz escura do lago e da floresta, tornando-as ainda mais belas.

Luzes ao pé do lago em Parcs Center em frente à entrada do Aqua Sana Forest Spa

E acabou por aqui o nosso dia no Aqua Sana Forest Spa. Uma tarde diferente numa experiência decadente. Se voltava? Claro que sim e talvez com mais tempo para também explorar a própria floresta e os vários trilhos da zona.

Fica aqui o website oficial para se quiserem também adicionar uma experiência semelhante à vossa viagem ao Reino Unido: https://www.aquasana.co.uk/

Se repararam que não há fotografias do interior é porque não levámos o telemóvel connosco. Aproveitámos esta tarde para também fazer um mini detox de tecnologia. Porque nos dias hoje é preciso fazê-lo de vez em quando.

A visitar Ham House and Garden no sudoeste de Londres

Índice nesta página

  1. Como chegar e parque de estacionamento
  2. Preços e horários
  3. Breve história
  4. A nossa visita pelos jardins
  5. A nossa visita pela casa
  6. Trilho junto ao rio Tamisa

Num domingo solarengo no início de março e com um voucher para um dos muitos locais do National Trust, a organização britânica que cuida de locais de cultura, arte e valor histórico no país, pegámos no carro e fomos até à parte sudoeste de Londres, especificamente à cidade de Richmond. O objectivo era o de visitar Ham House and Garden e assim usar o voucher com o qual tínhamos entrada gratuita.

Entrada principal de Ham House and Garden

Website oficial da Ham House and Garden: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/london/ham-house-and-garden

Como chegar e parque de estacionamento

Para quem vem de transportes públicos do centro de Londres, a melhor opção é apanhar o comboio South Western Railway em Waterloo e depois o autocarro, o 371, na estação de Richmond. Claro que a melhor forma de chegar vai depender do local de onde partem, mas em princípio será chegar à estação de Richmond de metro ou de comboio e depois apanhar o autocarro.

Para quem conduz a melhor parte é que o parque de estacionamento é gratuito. Nós saímos do norte de Londres e demorámos cerca de 1 hora para cada lado. Nem é a distância o problema mas sim o trânsito porque já se sabe que quando se conduz por dentro da cidade vai-se ficar parado algures pelo caminho.

O parque de estacionamento gratuito pertence ao conselho municipal e fica na rua que dá entrada à propriedade. O parque de estacionamento de terra se estiver cheio ou se preferirem podem estacionar nas ruas em redor onde também não se paga. Nós conseguimos estacionar no parque de estacionamento, mas estava bastante cheio pois no céu azul sem nuvens o sol brilhava e em Inglaterra estes dias são raros e é de aproveitar para sair quando tal acontece.

Preços e horários

O preço normal do bilhete é de 18.70 libras por adulto ou se vierem em família o bilhete fica a 46.80 libras que inclui entrada para dois adultos e até 3 crianças.

Salas do piso superior de Ham House

Os jardins e o café em Ham House and Garden abrem às 10 da manhã e a loja de recordações meia hora mais tarde. A casa, no entanto, só abre ao meio-dia. Nós chegámos por volta das 11 e meia e como a casa estava fechada fomos primeiro visitar os jardins.

Breve história

Ham House and Garden foi construída em 1610 e oferecida pelo rei Charles I a William Murray, seu amigo de infância, em 1626. Ham House tornou-se residência do casal Murray, William e Catherine, e a partir de 1630 transformaram-na de forma a reflectir o seu gosto e a corresponder ao seu estatuto de amigos da família real e de membros da corte.

Infelizmente para este casal, em 1642 a guerra civil entre o rei e o parlamento começa e William como grande amigo do rei viu-se obrigado a combater contra o parlamento deixando a sua família em Ham House. Do resultado desta guerra, o rei Charles I foi condenado à decapitação por traição, o que veio a acontecer em 1649. Com isto William teve de permanecer em exílio e depois da morte de sua mulher também em 1649, a filha do casal, Elizabeth, torna-se proprietária de Ham House and Garden.


Nos jardins de Ham House (na secção dos Plats)

Mesmo na nova situação política Elizabeth pôde manter a sua residência e estatuto social devido à sua relação amigável com Cromwell, o agora ‘Lord Protector’ (lorde protector) da nova Commonwealth. Mas Elizabeth teve outro papel importante já que ela transportava em segredo cartas para o continente, onde o futuro rei de Inglaterra, Charles II se encontrava.

Durante todo este período Elizabeth continuou a adquirir mais obras de arte e a remodelar a casa com o apoio do seu marido actual Lionel Tollemache. Lionel morre depois em 1669 e Elizabeth volta a casar-se em 1672 com John, Duke of Lauderdale, e torna-se com esta união Duquesa de Lauderdale.

Pintura do casal recém casado, os duques de Lauderdale

Tal como os pais de Elizabeth tinham feito, também os duques de Lauderdale quiseram mostrar o seu gosto pelo poder e pela decadência. Afinal o duque era membro do gabinete interno do novo rei e o casal queria que a sua residência mostrasse o seu estatuto social. Para isso fizeram extensões à casa e contraram os melhores artesões da altura para decorarem as salas interiores. Na parte exterior da casa os jardins foram re-organizados tal como se encontram actualmente.

A nossa visita pelos jardins

Como disse acima, a nossa visita começou pelos jardins. Mas lembremo-nos que estávamos no início de março e por isso os jardins ainda mostravam os efeitos do inverno e muito pouco da primavera que ainda tinha de chegar. Talvez isso tenha feito com que a nossa visita não tenha sido muito longa até irmos para dentro da casa. Mas não deixámos de passar pelas 5 partes diferentes dos jardins, que são as seguintes:

  • Fountain Garden (jardim da fonte): este é o primeiro jardim que se encontra quando se entra pela entrada lateral. Este jardim dá acesso ao café e também às casas de banho e à loja de recordações
  • Kitchen Garden (jardim da cozinha): Este jardim ainda está a ser restaurado de acordo com os planos, desenhos e documentos disponíveis da época de Elizabeth
  • Plats (relvados): Oito relvados de forma quadrada. Quando aqui viemos estes coloriam-se de violeta das flores que davam os primeiros sinais da Primavera
  • The Wilderness (região selvagem): Parte mais afastada da casa com várias casinhas para descansar e com locais ideais para picnics
  • Cherry Garden (jardim das cerejas): Jardim privado da duquesa Elizabeth
Jardim privado da duquesa Elizabeth (cherry garden)

É importante de notar que depois de Elizabeth morrer e ao longo dos anos estes jardins foram deixados ao abandono e só em 1975 o National Trust começou a recriar estes jardins tais como eram antigamente. Para isso não só foram usados os desenhos, planos e documentos antigos que ainda estão disponíveis e que dão indicações como eram os jardins como também apenas foram usadas plantas que já existam em Inglaterra antes de 1700.

A nossa visita pela casa

Depois de visitar cada secção dos jardins era a vez de irmos para dentro da casa. A visita à casa está marcada por setas ajudando o visitante a atravessar as várias salas e quartos. Na sala da entrada virámos à esquerda em direcção à escadaria que dava acesso ao piso superior. A escadaria foi instalada em 1937 a mando de William e Catherine Murray. A escadaria está decorada com troféus militares como canhões e armaduras.

Mas ainda antes de subirmos pela escadaria visitámos uma pequena sala com pouca luminosidade. Esta sala inicialmente era um espaço que convidava a conversa entre os membros da família, mas transformou-se numa capela durante as remodelações feitas pelos duques de Lauderdale na década de 1670. A tapeçaria e o tecido do altar dentro desta sala são inestimáveis vestígios da época.

Biblioteca de Ham House

Quando subimos ao piso superior chegámos a uma grande sala onde em destaque se encontrava o quadro pintado como celebração do casamento dos duqueses de Lauderdale em 1672. Em seguida fomos passando por várias salas algumas decoradas com tapeçarias outras com vários quadros até chegarmos à biblioteca, também ela adicionada como parte das renovações. Nesta sala para além dos esperados livros também se encontravam alguns mapas e globos que mostram como na época se pensava ser o mundo. A certa altura voltámos a descer para o piso do rés-do-chão e depois para outro piso abaixo onde se encontravam os aposentos dos empregados.

É engraçado que durante a visita fomos encontrando vários desenhos nas paredes representando diferentes empregados de Ham House e o período em que ali viveram. Algumas das salas de destaque deste piso são as seguintes:

  • The beer cellar (adega de cerveja): Como dita a norma a adega ficava no piso subterrâneo para manter a temperatura ideal ao processo de fermentação. Em 1679 nesta sala haviam 14 plataformas para guardar barris de cerveja. Nesta época a Ham House era auto-suficiente no dizia respeito a leite, ovos, manteiga, pão, legumes e carne de aves, porco e vaca.
  • The kitchen (cozinha): Durante o reinado de Charles II a comida, a bebida e o entretenimento estavam no centro da política e do poder. E a cozinha da Ham House foi o que impulsionou este local para ser eleito como favorito para a discussão política. O rei Charles II e a rainha Catarina de Bragança estiverem em Ham House para um jantar de esplendor. Nessa altura, a cozinha tinha a mais recente tecnologia tal como um fogão a carvão que era o instrumento perfeito para criar os molhos franceses muito na moda.
  • The Duchess’s Bathroom (casa-de-banho da duquesa): Esta é uma das primeira casas-de-banho interiores (dentro de casa) em todo o país. Foi instalada não só a banheira, mas também uma cama para Elizabeth relaxar depois do banho de imersão. Elizabeth terá-se inspirado durante as suas muitas viagens a França. Afinal o rei de França, Luís XIV tinha seis casas-de-banho no seu palácio em Versalhes.

Depois de conhecermos todos os seus aposentos e a sua história saímos para a rua onde ficava a última parte da Ham House, The Still House. Este compartimento era onde Elizabeth criava as suas receitas para a produção de medicamentos, maquilhagem e licores. Uma das receitas que Elizabeth partilhou com a sua sobrinha-neta foi a de ‘Snail Water’ (água de caracóis) feita com caracóis e minhocas como medicamento para a tuberculose.

Antes de sairmos da Ham House and Garden ainda fizemos uma paragem rápida na loja de recordações onde vendiam vários productos regionais.

Trilho junto ao rio Tamisa

Como Ham House and Garden ficava junto ao canal onde passa o rio Tamisa e já que o tempo convidava a isso seguimos durante um bocado pelo trilho que atravessa o Ham Riverside Meadow e assim tivemos a oportunidade de passar pela Eel Pie Island, conhecida desde os anos 60 pelas actuações de vários grupos musicais famosos na ilha como os Rolling Stones e os The Who.

Neste dia ficámos a conhecer melhor esta parte de Londres, mas há outro sítio muito procurado nesta zona, muito mais que a Ham House and Garden, os Kew Gardens. Nunca visitei estes jardins mas é um dos lugares que está já à algum tempo na lista para futuros domingos solarengos. E por isso quando o sol vier cá estaremos preparados para mais uma viagem até Richmond.

O Que Fazer em Montjïuc: Dicas e Atracções

Índice desta página

  1. Brunch em Gavà
  2. Montjïuc
    1. Torres Venezianas
    2. Fonte Mágica
    3. Quatro colunas
    4. Museu Nacional de Arte da Catalunha
    5. Miradouro panorâmico do centro comercial Arenas de Barcelona
  3. Ramen Shifu

    Brunch em Gavà

    Domingo, o último dia da viagem, amanhecia mais uma vez solarengo. Aliás um dia de verão em pleno outubro. Todos os dias que tínhamos estado em Barcelona tinham sido de calor, mas o de hoje seria particularmente quente.

    Ao contrário de Sábado, hoje acordámos um bocadinho mais tarde. Como metade do nosso grupo tinha voo no início da tarde decidimos passar uma manhã lazeira em Gavà. Saímos de casa já perto das 11 da manhã para ir tomar o brunch. Escolhemos o ‘El Cafe de la Rambla’ que fica na rua principal de Gavà. Sentados à esplanada aproveitámos aqueles últimos momentos em família num ambiente relaxado e sereno antes de apanharmos o autocarro (L99) para o aeroporto.

    Depois de deixarmos os que partiam mais cedo para casa, apanhámos o autocarro para Barcelona, afinal o nosso voo era só às 10 da noite e mesmo assim acabou por se atrasar e sairmos bem mais tarde.

    Montjïuc

    Desta vez fomos para a zona de Montjïuc. Já tinha visitado uma parte deste lugar em 2017 (ver aqui) como por exemplo o castelo com vistas maravilhosas especialmente para a zona de Barceloneta, mas nesta montanha havia muito mais para visitar. Hoje iríamos ficar pela parte do sopé da montanha onde fica o Museu Nacional de Arte da Catalunha, as Torres Venezianas e a Fonte Mágica. Esta zona foi completamente transformada devido à Exposição Universal que decorreu em 1929 em Barcelona.

    Tal como a de 1888 também a exposição de 1929 impulsionou a arte e a cultura na cidade. Brevemente vou só dizer que a Exposição Universal é uma espécie de feira onde cada país tem a oportunidade de mostrar os grandes feitos da sua nação, o que pode ser em diferentes áreas tais como cultura, arte ou engenharia. Esta exposição oferece a oportunidade de conhecer o que está a acontecer no mundo, especialmente numa altura em que não havia internet e por isso a informação e o conhecimento não eram tão facilmente acessíveis. Como vimos quando falámos do Parc de la Ciutadella, em 1888 esse foi o local da exposição enquanto que em 1929 foi aqui em Montjïuc.

    Torres Venezianas

    Torres Venezianas

    Quando chegámos a este local o primeiro monumento que vimos foram as Torres Venezianas. Estas duas torres são símbolos icónicos da cidade fazendo parte do legado deixado pela exposição de 1929. Aliás estas duas torres foram instaladas para servirem de entrada à Exposição Universal. As duas torres simétricas foram construídas entre 1927 e 1928 com base na torre do Campanário de São Marcos em Veneza e por isso o seu nome, Torres Venezianas. Apesar de a torre de Veneza ter maiores dimensões, estas duas torres não deixam ninguém indiferente. A parte engraçada é que estas torres quando foram construídas eram para ser temporárias, ou seja, depois da exposição eram para ser demolidas. E por isso os materiais usados na sua construção não foram os de melhor qualidade. Como depois da exposição decidiu-se em manter as torres tem desde então havido um trabalho imenso de manutenção para compensar a falta de qualidade dos materiais.

    Fonte Mágica

    Fonte Mágica

    Depois de admirarmos as Torres Venezianas seguimos pela estrada em direcção à escadaria que subia para o Museu Nacional de Arte da Catalunha. A meio do caminho ainda parámos brevemente perto da Fonte Mágica. O seu nome é devido ao conhecido espectáculo de luzes e jactos de água organizado à noite. No entanto nos tempos que correm infelizmente este espectáculo está cancelado pois Barcelona, ou melhor toda a Espanha, tem sofrido de seca extrema. Sendo assim a água fornecida a esta fonte foi cortada. Um alerta de emergência foi comunicado pelas autoridades no início de 2024 depois de 3 anos de seca extrema. Por enquanto o espectáculo da Fonte Mágica é apenas uma miragem.

    Quatro colunas

    Entre a fonte e o museu, enquanto se sobe pelas escadarias, encontram-se as quatro colunas. Estas colunas não são as originais, as primeiras foram construídas em 1919 e demolidas em 1928. A sua demolição foi ordenada pelo Miguel Primo de Rivera y Orbaneja, ditador que governou Espanha entre 1923 e 1930, por representarem o nacionalismo catalão. A altura em que a ordem de demolição foi dada esteve ligada à Exposição Universal que decorreria no ano seguinte e que traria todas as nações a Barcelona.

    Quatro colunas

    Felizmente em 2008 o Parlamento da Catalunha com o apoio de todos os partidos políticos aprovou a restituição deste símbolo catalão. Em homenagem aos patriotas catalães as colunas foram reconstruídas em 2010 a poucos metros do seu local original.

    Museu Nacional de Arte da Catalunha

    Ao chegar ao topo das escadarias ficámos frente a frente com este magnífico edifício que é o Museu Nacional de Arte da Catalunha. E o melhor era que se olhássemos para trás teríamos uma vista magnífica daquela parte da cidade.

    A chegar à entrada do Museu Nacional de Arte da Catalunha

    A entrada do museu é paga tirando sábados depois das 3 da tarde e primeiros domingos do mês. Sem planearmos fomos visitar o museu no primeiro domingo do mês de outubro com a agradável surpresa de o puder visitar gratuitamente. Mas tivemos de ser rápidos porque o museu fechava às 3 e nós a entrar uma hora antes de fechar. Mesmo assim tivemos a oportunidade de visitar várias colecções do museu como por exemplo:

    • Românico medieval
    • Gótico medieval
    • Renascença e Barroco
    • Arte moderna

    Mas há muito mais para visitar por exemplo colecções de fotografia, desenhos, gravuras e cartazes. A construção deste museu foi impulsionada pela Exposição Universal em 1929 tendo as colecções aumentado com o tempo o que levou também à remodelação das várias salas dentro do museu.

    Para mais informações sobre o museu clique no seguinte link: https://www.museunacional.cat/ca

    Miradouro panorâmico do centro comercial Arenas de Barcelona

    Como às 3 da tarde o museu fechou voltámos a descer as várias escadarias, a passar pelas Torres Venezianas e a entrar no centro comercial que fica de frente, o Arenas de Barcelona. Como estava realmente calor, de tal maneira que se tivéssemos decidido antes fazer um dia de praia não teria de todo sido uma má ideia, aproveitámos o ar condicionado e um dos cafés para nos sentarmos a tomar uma bebida fresca.

    Miradouro panorâmico do centro comercial Arenas de Barcelona

    Mas a ideia de virmos a este centro comercial não foi nem pelas lojas nem pela bebida ou comida. Viemos sim pelo miradouro que fica no topo do centro comercial. E nem um cêntimo custa! O miradouro panorâmico de 360º oferece vistas magníficas de toda a cidade principalmente da zona de Montjïuc. Fica aqui a dica!

    Ramen Shifu

    Antes de irmos para o aeroporto ainda havia tempo para uma última refeição. E desde o início da viagem que sabíamos onde queríamos ir. Ramen tem-se tornado um dos pratos japoneses mais famosos da cidade com vários restaurantes óptimos (muito bem avaliados) por onde escolher. Como o meu marido tinha experimentado Ramen Shifu em Valência e tinha adorado era num destes locais da franchise que íamos finalizar a nossa viagem a Espanha. O restaurante mais perto de onde nos encontrávamos era o que ficava ao pé do Passeig de Gracía e até podíamos ter lá chegado em menos de 15 minutos se tivéssemos ido de metro, mas decidimos ir a pé num passeio de meia hora. O caminho é sempre a direito por isso não havia muito que enganar.

    Takoyaki (entrada)

    Quando chegámos o restaurante estava practicamente vazio e rapidamente nos vimos sentados numa das mesas. A decoração do restaurante era muito gira com vários desenhos animados japoneses (também conhecido por anime) espalhados pelas paredes.

    Para localizações e mais informações visitem o website oficial: https://www.ramenshifu.com/

    Vou já ser spoiler e dizer que não achei a refeição nada de especial e mesmo o meu marido disse que os mesmos pratos que tinha comido em Valência tinham sido melhores lá. Ou seja, para mim infelizmente foi uma desilusão. Mas talvez porque também ia com grandes expectativas.

    Para entrada pedimos Takoyaki, 4 croquetes de polvo com molho de okonomiyaki e maionese decorados com flocos de peixe. Da refeição este foi o prato que gostei mais mas o rácio polvo:massa não estava a melhor, muita massa e pouco polvo. Ficou até a pergunta no ar se um dos croquetes tinha polvo. Para ramen eu pedi o Fried Chicken Ramen para não ser o mesmo que o do meu marido, e foi uma grande desilusão – sabia a canja. O molho sabia exactament a canja. O do meu marido, o Spicy Fried Chicken Ramen era muito melhor. Apesar de ele ter pedido um nível de picante mais alto do que devia. Mas pronto, parece-me que eu é que pedi mal. Acontece. Mas claro que não fiquei super fã deste restaurante, mas talvez tenha só de voltar e pedir algo diferente. Algo com menos sabor a sopa portuguesa, isso é certo.

    Aliás o mesmo se passou este mês, mas agora em Inglaterra. Um dos famosos restaurantes franchise para comer ramen no Reino Unido é o Wagamama. E eu adorei o meu ramen de carne de porco desfiada e o meu marido odiou o dele, o de carne de vaca. Por isso digo que talvez tenha sido eu a escolher mal, porque certamente uma má escolha pode ter um impacto imenso sobre opinião com que ficamos sobre um certo restaurante.


    E foi aqui que se acabaram as nossas 48 horas em Barcelona. Apesar de tudo visitámos imensos locais para o tempo que tínhamos. E adorámos cada minuto. O que aprendemos sobre a cidade? Que o modernismo revolucionou Barcelona, que um arquitecto chamado Gaudí deu um valor artístico e cultural imbatível a Barcelona e que explorar pequenas cidades como Gavà é como encontrar pequenos tesouros escondidos.

    Se tiverem mais dias para explorar Barcelona não deixem de ir ao topo do Montjïuc, visitem as ruazinhas do Bairro Gótico e espantem-se no museu do chocolate. Isso e muito mais podem ver na página sobre a minha viagem de 4 dias a Barcelona:

    Explorando Barcelona: De A Vol A Vol ao Parc de la Ciutadella

    Índice nesta página

    1. A Vol A Vol
    2. Parc de la Ciutadella
      1. Arc de Triomf

    Depois de visitarmos a La Sagrada Família e o Parc Güell chegava a hora de irmos para a parte sul da cidade perto do mar. Como não queríamos voltar a fazer o caminho de volta dentro de um autocarro sem espaço e meio aos tombos decidimos descer a rua até à estação de metro Afonso X e sair em Barceloneta. Afinal a descer o caminho já se fazia bem.

    Por esta altura o pequeno-almoço já tinha sido há bastante tempo e estava na hora de irmos comer qualquer coisa. Ao contrário do que é hábito nosso escolhemos um sítio para uma refeição ligeira que não vende comida tradicional espanhola, mas sim italiana. O local chama-se A Vol A Vol e está muito bem avaliado na internet.

    A Vol A Vol

    Da estação de Barceloneta tivemos apenas de andar 10 minutos para chegar a este pequeno estabelecimento. E é bastante pequeno, mas felizmente conseguimos arranjar uma mesinha num canto já que não estava muita gente quando chegámos e a maior parte dos clientes vinha e ia com a comida na mão. As escolhas aqui variam entre fatias de diferentes pizzas e vários productos de pastelaria.

    Primeiro começámos pelas fatias de pizza – escolhemos fatias da pizza margherita, pizza de prosciutto e funghi e pizza de mortadela com stracciatella e pistachio. O menu das pizzas está disponível na conta deles de instagram: https://www.instagram.com/avolavolbcn_.

    Cada fatia de pizza (ou melhor cada quadrado) ficou entre 6.5 a 9 euros, dependendo do tipo de pizza. Acabámos por não resistir e também experimentámos os croissants – um recheado com creme de baunilha e outro com creme de pistachio. Ambos eram uma delícia e muito baratos – cada croissant custou 1.5 euros.

    Productos de pastelaria doce do A Vol A Vol

    Também pedimos uma espécie de biscoito porque pensámos que fosse frittelle, uns doces que experimentámos na nossa última viagem a Itália (ver aqui), mas apesar de bom não era o tal doce pelo qual nos tínhamos apaixonado em Veneza.

    Parc de la Ciutadella

    Depois da refeição como já passava das 6 e meia da tarde já não fomos à praia da Barceloneta, a praia mais famosa de Barcelona. Já agora menciono que também aqui fica o Museu da História da Catalunha. Nós não os visitámos durante esta viagem, mas sim em 2017 quando visitei Barcelona pela primeira vez (ver aqui).

    Em vez da praia fomos para o Parc de la Ciutadella, onde àquela hora muitos aproveitavam para descansar ou passear. Nós fomos andando devagar pelos caminhos dentro do parque em direcção ao Arco do Triunfo. Espalhados por este parque há vários locais de interesse, tais como:

    • Jardim zoológico de Barcelona
    • Castell dels Tres Dragons (castelo dos três dragões)
    • Museu Centre Martorell d’Exposicions (museu da história natural)
    • Parlament de Catalunya (edíficio do parlamento catalão do século XVIII)
    • Cascada monumental (escadaria)
    • Hivernacle del Parc de la Ciutadella (estufa)
    • Umbracle del Parc de la Ciutadella (jardim botânico)

    Pelo caminho fomos encontrando várias estátuas, tal como a estátua equestre do General Joan Prim, e vários artistas de rua como mostram os vídeos abaixo.

    Arc de Triomf

    Culminámos o nosso passeio com a chegada ao Arco do Triunfo, este com uma arquitectura bem diferente do seu homólogo em Paris. Este monumento de 30 metros de altura foi construído na segunda parte do século XIX pelo arquitecto Josep Vilaseca i Casanovas. O arco foi construído para funcionar como entrada para a Exposição Universal que decorreu em Barcelona em 1888, precisamente no parque da citadela. Exposição essa que foi um dos impulsionadores do movimento artístico, o modernismo, na cidade de Barcelona. Este arco de estilo neo-mudéjar, também conhecido por estilo neo-islâmico, marcou o início do modernismo na cidade.

    Arc de Triomf

    Os detalhes que se veem no arco têm o seu próprio simbolismo, como por exemplo o friso da parte do arco voltado para o centro da cidade que representa as boas-vindas de Barcelona às nações – não nos podemos esquecer que este arco foi construído como porta de entrada à Exposição Universal. Mesmo por cima do arco figuram os brasões das 49 províncias espanholas encontrando-se o brasão de Barcelona ao centro.

    Antes de deixarmos Barcelona ainda tirámos uma fotografia todos juntos. Isto porque havia uma rapariga que estava a tirar fotografias e a imprimi-las em páginas a imitar jornais como se a nossa visita figurasse na primeira página de um jornal. Já tinha visto nas redes sociais a fazerem isso em Londres, mas parece que a práctica se espalhou por outros países. Cada cópia ficou apenas a 1 euro e além do mais é uma memória gira e original da nossa viagem.

    Estátua equestre do General Joan Prim no Parc de la Ciutadella

    Com o sol mesmo a desaparecer no horizonte fomos apanhar o metro à estação Barcelona-Arc de Triomf para depois apanhar o comboio em Barcelona-Sants de volta a Gavà. Como afinal a refeição no A Vol A Vol tinha sido mais substancial daquilo que esperávamos já só fomos petiscar muito depois de termos chegado ao nosso apartamento. Foi por que isso que apenas às 10 e meia da noite é que decidimos ir comer umas tapas ao restaurante La brasa 2022.

    E por esta altura já tínhamos entrado nas últimas 24 horas da nossa viagem em Espanha. O resto fica para a próxima.

    Parc Güell um feliz plano falhado

    Índice nesta página

    1. Plano inicial para o Parc Güell
    2. Do sonho da urbanização privada a parque público
    3. O percurso que fizemos pelo Parc Güell
    4. Património Mundial da UNESCO

    No último post (ver aqui) ficámos na paragem de autocarro perto do Parc Güell. Chegámos à entrada do parque com 5 minutos de antecedência e foi aqui que nos disseram que a hora que estava nos bilhetes era a de entrada na Casa-Museu de Gaudí e que era para aí que nos devíamos dirigir imediatamente.

    Caminho das Palmeiras

    Com estas instrucçōes seguimos as tabuletas que indicavam o caminho e foi assim que o começo da nossa visita foi na casa onde Gaudí viveu com o seu pai e com a sua sobrinha desde 1906. De todos os locais que visitámos em Barcelona, este foi sem dúvida o local onde passámos mais tempo e mesmo assim não o vimos todo. Mas acho que vimos o suficiente para saber que este parque público não é um parque normal e que o contributo de Gaudí tornou este lugar de grande valor cultural e artístico.

    Plano inicial para o Parc Güell

    Eusebi Güell, um empresário catalão que fez a sua riqueza com a revolução industrial na Catalunha, deu o projecto do Parc Güell a Gaudí em 1900. Mas a relação entre os dois já vinha de anos vindouros, tendo começado em 1878 quando Güell viu uma vitrine que Gaudí criou para um vendedor de luvas, Esteve Comella, na Exibição Universal em Paris. A partir desta data houve vários projectos que levaram Güell a contractar Gaudí como colaborador o que deu a oportunidade a este de trabalhar com outros arquitectos como Joan Martorell i Montells e Francesc Berenguer. Um destes projectos foi a construção da casa da família Güell no centro de Barcelona, o Palau Güell em 1898. O Palau Güell para quem o queira visitar fica numa rua transversal à Las Ramblas do lado oposto da rua onde jantámos no dia anterior, o restaurante Colom.

    Vista de Barcelona do roteiro da biodiversidade do Parc Güell

    Eusebi Güell adquiriu o terreno de 12 hectares na Muntanya Pelada (montanha nua) com a intenção de construir aqui uma urbanização privada para famílias abastadas. Eusebi Güell terá pensado que aquela zona seria muito procurada uma vez que ficava no meio da montanha com vistas magníficas para o mar e para a cidade. O plano era de construir 60 lotes para 60 casas, mas no final apenas duas foram construídas.

    Apesar do projecto não ter tido o sucesso pretendido o seu planeamento inicial requereu um especial cuidado devido ao tipo de terreno da propriedade. Gaudí construiu vários sistemas para recolher e armazenar água, tendo estes sido projectados com base nos sistemas rurais que o arquitecto tinha conhecido na sua infância. Também Gaudí não quis remover a flora local e apenas adicionou plantas mediterrâneas que não necessitassem de muita água. Estas escolhas e acções foram para proteger o solo da erosão causada pelas chuvas fortes do mediterrâneo e para que houvesse água suficiente para os habitantes da urbanização.

    Viaduto do nível inferior

    A construção do parque começou em 1900 e em 1907 já a praça principal (a que se deram os nomes de Teatro Grego e Praça da Natureza) recebia vários eventos. Em 1914 foi concluído o famoso banco que rodeia esta praça o qual é muito procurado hoje. Aliás aviso desde já que há uma grande competição para tirar fotografias neste longo banco. E como se sabe o que acontece neste tipo de sítios, o comportamento humano torna- se ridículo e até desrespeitoso. Afinal não precisamos de nos sentar ao colo de desconhecidos para tirar a fotografia de um certo ângulo. Enfim, problemas de primeiro mundo.

    Teatro Grego também conhecido por Praça da Natureza

    Como disse acima no final apenas duas casas foram construídas e a primeira foi a casa Trias quando o primeiro lote foi vendido em 1902 ao advogado Martí Trias i Demènech. Ao mesmo tempo que esta casa era construída pelo arquitecto Juli Batllevel também era construída a casa modelo (que hoje é a Casa-Museu) projectada pelo assistente de Gaudí, Francesc Berenguer. O objectivo desta casa era de incentivar a compra de lotes na propriedade. Como já disse, Gaudí mudou-se para aqui com a sua família em 1906. Também Güell e a sua família mudaram-se para o parque depois da casa Larrard ser remodelada em 1907.

    Do sonho da urbanização privada a parque público

    Em 1914 devido à falta de compradores o projecto tornou-se inviável. E a falta de interesse deveu-se a vários factores; a antigos e complexos arrendamentos enfitêuticos, a falta de um sistema de transportes apropriado e a exclusividade do empreendimento. A propriedade tornou-se então num grande jardim privado onde decorriam eventos públicos e o qual começou a atrair grande interesse turístico.

    Depois de Güell morrer em 1918 a família doou o parque à Câmara Municipal que se tornou a sua oficial proprietária a 26 de maio de 1922. A casa onde a família Güell viveu tornou-se numa escola e a casa modelo foi aberta ao público em 1963.

    Para além dos locais já mencionados outras zonas de interesse podem ser visitadas, tais como:

    • Viadutos (nos 3 níveis do parque)
    • Entrada e os pavilhões da guarita do porteiro (entrada sul)
    • Montanha das Três Cruzes
    • Jardins da Aústria
    • Caminho das Palmeiras
    • Escadaria do Dragão
    • Roteiro da Biodiversidade

    O percurso que fizemos pelo Parc Güell

    Mapa do Parc Güell disponível no website oficial: https://parkguell.barcelona/

    Nós não entramos pela porta principal na zona sul do parque, mas antes pela entrada mais a norte ao pé da Casa-Museu (número 5 no mapa) e foi por esta casa que começamos a visita.

    Descemos depois até ao Teatro Grego para nos sentarmos e apreciar a vista magnífica da cidade. Bastou alguns minutos ali para nos apercebemos da tal euforia desmedida para tirar a fotografia no ponto certo o que fez com que o civismo e o respeito pelo espaço pessoal fossem descartados. E foi por isso que não ficámos muito tempo aqui e subimos pelo roteiro da biodiversidade (ponto 2 no mapa). Chegámos ao ponto mais alto do parque (ponto 1 no mapa) onde se encontram as 3 cruzes. Nos planos iniciais para este parque aqui pretendia-se construir uma capela para os habitantes da urbanização, mas como tal não aconteceu as cruzes foram colocadas ali para marcar o local.

    O pico mais alto do Parc Güell, a montanhas das três cruzes

    Foi por trás deste local, agora voltados para as montanhas, que nos sentámos por um bom bocado nos bancos. Afinal parecendo que não o dia estava a ser longo. Interessante, mas longo. Deste ponto do parque conseguimos avistar Tibidabo onde se encontra o Templo do Sagrado Coração.

    Depois das fotografias tiradas, conversa posta em dia e pés e pernas mais repousados começámos a dirigir-nos para a saída agora passando pela casa de Trias (ponto 4 no mapa). Pelo itinerário que fizemos fomos passando pelos viadutos construídos nos vários níveis da montanha, o que tornou o caminho ainda mais bonito.

    Viaduto do nível médio do Parc Güell

    Os bilhetes para o Parc Güell, sem a visita à Casa-Museu, custam 18 euros e com a Casa-Museu custam 24 euros por pessoa.

    Para quem quer conhecer o Parc Güell sem sair do sofá, o melhor é mesmo aproveitar a tour virtual disponível em: https://parkguell.barcelona/visitavirtual/

    Património Mundial da UNESCO

    No Parc Güell acabava-se a nossa viagem pelas obras de arte de Gaudí. O resto da viagem seria passada a conhecer outros locais por Barcelona que não estavam associados a este grande arquitecto catalão. E sim, sem dúvidas que Gaudí foi um grande arquitecto, sendo 7 das suas construções parte do Património Mundial da UNESCO. Para além dos locais que visitámos nesta viagem – Casa Battlò, Casa Milà (La Pedrera), a fachada da natividade da La Sagrada Família e o Parc Güell – também outros edifícios de Gaudí constatam nesta lista, os quais são:

    • Palau Güell
    • Casa Vicens
    • Cripta da Colónia Guell

    Todos estes locais podem ser visitados e certamente que valerá a pena incluí-los nos vossos itinerários.


    No próximo post vamos passar à parte sul da cidade para acabar este dia fantástico.

    La Sagrada Família, a basílica inacabada mais famosa de Barcelona

    Índice neste post

    1. De manhã cedo em Gavà
    2. Visita à La Sagrada Família
      1. Chegada
      2. Aplicação da La Sagrada Família
      3. Fachada do Nascimento
      4. Interior
      5. Fachada da Paixão
      6. Fachada da Glória
    3. Chegar ao Parc Güell

    Sábado, segundo dia em Espanha, o dia em que iríamos entrar nas primeiras 24 horas das 48 da nossa viagem. Acordámos cedo e às 8 e meia já estávamos a caminho para tomar o pequeno-almoço na pastelaria SANTAGLORIA Coffee & Bakery, da qual falei no primeiro post sobre Gavà. Esta pastelaria tinha aberto às 8 horas e quando chegámos, meia hora mais tarde, ainda estava vazia. Mas depois de nos sentarmos e de recebermos os nossos pedidos o movimento dentro do café começou rapidamente a aumentar.

    Um dos pequenos-almoços no SANTAGLORIA Coffee & Bakery em Gavà

    E foi assim que começámos propriamente o dia entre croissants, panquecas e muitos cafés. Pouco depois das 9 da manhã já descíamos a rua principal de Gavà em direcção à estação de comboio para irmos para Barcelona. Como já mencionei várias vezes, o comboio entre Gavà e Barcelona passa várias vezes por dia e por isso é que ficar em Gavà foi uma decisão que fizemos sem termos grandes dúvidas.

    Chegada

    A razão para acordarmos cedo foi porque tínhamos comprado os bilhetes com antecedência para visitar a La Sagrada Família com entrada marcada para as 11 da manhã. Os bilhetes vinham com um aviso que se não chegássemos a horas podíamos já não puder entrar. E vou deixar aqui a ressalva que se querem visitar este lugar é quase obrigatório comprarem os bilhetes antes de viajarem senão podem não conseguir arranjar bilhetes. Isso já eu tinha aprendido na primeira vez que tinha visitado Barcelona em 2017. Os bilhetes neste momento, em 2025, custam 26 euros por pessoa.

    Interior da La Sagrada Família

    Para chegar à La Sagrada Família de Gavà tivemos que apanhar o comboio e sair na estação Barcelona-Sants e depois apanhar o metro e sair na estação da Sagrada Família. Com medo de chegar tarde (aliás eu é que estava com medo, parte inerente da minha personalidade) acabámos por chegar cedo demais. Afinal chegámos nem eram 10 e meia e tivemos que esperar quase meia hora, uma vez que só nos deixavam entrar no minímo 10 minutos antes da hora marcada no bilhete. Aproveitámos este tempo para dar a volta a esta basílica para a ver o seu exterior de todos os lados.

    Aplicação da La Sagrada Família

    Uma das coisas que realmente recomendo a fazerem antes da vossa visita é o download da aplicação da La Sagrada Família e trazerem convosco fones – a informação como fazer o download vem com a compra dos bilhetes. Assim poderão ouvir calmamente o guia gratuito que está disponível através da aplicação com informações sobre cada parte da basílica incluindo o simbolismo dos diversos detalhes em cada parte que estão a visitar. Nós demorámos mais de 1 hora e meia a visitar a basílica, mas pode-se passar aqui muito mais tempo se quiserem ver cada detalhe com atenção.

    Fachada do Nascimento

    A visita à basílica começa de frente para a fachada do Nascimento, onde está representado o nascimento de Jesus. O que é importante ter em conta quando se visita a La Sagrada Família é que esta criação de Gaudí não é só para exaltar as formas da natureza, mas também da religião. Afinal nesta parte da sua vida, o arquitecto catalão era obcecado por ambas e isto reflecte-se em todas as partes desta basílica. A fachada do Nascimento é a exaltação da criação divina, de todos os seres vivos inseridos na natureza.

    Nesta fachada há tantas detalhes e símbolos que foi por aqui que Gaudí começou a construir a basílica. Gaudí sabia que não viveria para ver a sua obra acabada e por isso começou por esta fachada, sendo ela uma das mais complexas do edifício deixando instrucções específicas para aqueles que o substituíram. Gaudí sabia que acabando ele esta fachada os seus sucessores conseguiriam seguir os seus planos de forma a construir o resto da basílica da forma como ele tinha a projectado.

    Interior

    Quando se entra para a basílica, no seu interior encontra-se um espaço amplo onde há uma simplicidade majestosa. Os corredores no interior da basílica formam uma cruz onde a entrada (fachada do Nascimento) e a saída (fachada da Paixão) são os braços mais curtos da cruz e a futura fachada da Glória a parte mais comprida. Gaudí queria aqui representar o interior de um bosque, um espaço onde se encoraja a espiritualidade e a elevação da alma e da oração.

    As colunas que formam os troncos das árvores vão ficando mais altas à medida que avançamos para o altar. Mas o mais memorável são os muitos vitrais que dão cor às janelas à volta da basílica. Do lado da fachada do Nascimento, os vitrais são de várias tonalidades de azul e verde representando as cores da manhã. Do lado contrário, o da fachada da Paixão, as cores prominentes são os amarelos, laranjas e vermelhos, as cores do final do dia.

    Fachada da Paixão

    De volta ao exterior, agora do lado da saída, encontramos a fachada da Paixão. Nesta está representada os últimos dias de vida de Jesus incluindo a sua morte. Aqui Gaudí queria representar a realidade cruel e crua da morte e da dor, e por isso a arquitectura angulosa desta fachada contrasta não só fisicamente, mas também simbolicamente com a da fachada do Nascimento.

    Fachada da Glória

    La Sagrada Família ainda se encontra em construção o que nos é lembrado pela presença do permanente guindaste. É notável que esta basílica tenha vindo a ser construída por mais de 100 anos, desde 1891, quando Gaudí começou a construir a fachada do Nascimento, depois de ter ficado encarregue do projecto em 1883. A construção de uma basílica na cidade foi um projecto começado pelo arquitecto Francisco de Paula del Villar e desde 1914 até a sua morte em 1926, Gaudí trabalhou apenas neste projecto.

    Quando visitei a basílica pela primeira vez em 2017 o final da La Sagrada Família era esperado para 2026, aquando dos 100 anos da morte de Gaudí. Entretanto o COVID-19 e outros factores levaram a uma alteração de planos e de momento não há uma data prevista para a finalização da construção da La Sagrada Família. Mas sabemos que a última parte a ser construída será a fachada da Glória, que ficará ao fundo de frente ao altar.

    Interior da La Sagrada Família

    Todos estes pormenores e mais detalhes estão disponíveis na aplicação, a qual recomendei acima, mas para quem não vai visitar a basílica e queira saber mais pode aceder a vários documentos sobre a construção da La Sagrada Família, as várias partes deste edifício tal como mais informações sobre Gaudí no website oficial: https://sagradafamilia.org/

    O próximo local da nossa agenda era o Parc Güell, também ele uma obra de Gaudí. Como disse em outros posts sobre Barcelona, se nunca ouviram o nome de Antonio Gaudí, podem ter a certeza que ouvirão mais do que uma vez nesta cidade.

    Parc Güell

    Também para o Parc Güell é preciso, ou melhor é altamente recomendado, a compra atempada de bilhetes. Tínhamos marcado entrada para as 2 e meia e felizmente ainda tínhamos tempo até porque chegar ao Parc Güell da Sagrada Família não é tão fácil como se possa pensar. Pelo menos não era na hora em que queríamos ir. E o problema com o Parc Güell não é a distância mas sim o caminho que é sempre a subir se não se ficar numa estação de metro ou de autocarro perto do parque.

    Como tínhamos tempo começamos a subir devagar a rua para depois apanharmos o autocarro que nos deixaria praticamente à porta do Parc Güell. Ainda pelo caminho, na Travessera de Gracìa, encontrámos uma espécie de concerto com música e pessoas a dançar e fizemos uma paragem rápida para uma bebida um pouco mais acima na rua, no Artesano Bistrò.

    Bebidas no Artesano Bistrò

    Acho que eles não gostaram muito que nos ficássemos apenas pela bebida, mas a próxima refeição estava marcada para mais tarde. Depois de um descanso na esplanada lá fomos apanhar o autocarro V19 na Pi i Margall. Contudo se os comboios estavam cheios nem sei bem o que dizer deste autocarro. Mas passado 15 minutos lá chegámos à nossa paragem e quase à hora marcada nos nossos bilhetes.

    Deixarei para outro post a visita no Parc Güell assim como o resto do nosso dia. Afinal a mais famosa basílica de Barcelona, inacabada ou não, merece um lugar de destaque nesta viagem.

    Empadão de peixe

    Tempo de preparação: 1 hora e meia

    6 porções

    450Kcal/porção

    Para o puré:

    • 1.5 Kg de batatas descascadas e cortadas aos cubinhos
    • 3 colheres de sopa de manteiga
    • 100mL de leite meio-gordo
    • Sal e pimenta preta q.b.

    Para o recheio:

    • 20mL de azeite
    • 1 cebola picada
    • 2 cenouras cortadas às fatias
    • 30gr de farinha
    • 500mL de leite meio-gordo
    • 180gr de espinafres
    • 1 colher de sopa de mostarda
    • 70gr de queijo ralado
    • Sumo de 1 limão
    • 1 limão cortado aos quartos
    • 340gr de mistura de peixes aos cubos (usámos mistura de salmão, polaca do Alasca e arinca fumada – pink salmon, alaska pollock and smoked haddock)
    • Sal, pimenta preta e alho em pó q.b.

    Para acompanhamento:

    • 100gr de vegetais diversos cozidos (usámos mistura de bróculos, couve-flor e cenoura)

    1. Pré-aqueça o forno a 180ºC.
    2. Primeiro lave as batatas cortadas aos cubinhos e leve-as ao lume num tacho com água temperada de sal.
    3. Quando a água começar a ferver reduça o lume para médio-baixo e coza as batatas por cerca de 15 minutos ou até as batatas estarem cozidas.
    4. Escorra a água da cozedura das batatas e com a ajuda de um garfo desfaça-as em puré.
    5. Leve o tacho novamente ao lume, adicione o leite e a manteiga ao puré de batata e tempere com sal e pimenta preta. Mexa até obter um puré de textura homogénea e cremosa.
    6. Rectifique os temperos e reserve.
    7. Entretanto, num segundo tacho leve o azeite com a cebola picada e a cenoura. Refogue a lume médio-baixo por 12 minutos mexendo ocasionalmente.
    8. Adicione a farinha e deixe-a cozer por 2 minutos até começar a ganhar cor.
    9. Em seguida vá juntando o leite aos poucos, misturando bem entre cada adição. Quando tiver adicionado o leite todo, deixe ferver por cerca de 3 a 4 minutos até o molho engrossar, mexendo sempre para não formar grumos.
    10. Tempere o molho com sal, alho em pó e pimenta preta. Misture e em seguida junte os espinafres envolvendo-os no molho até perderem o volume.
    11. Retire o tacho do lume e adicione a mostarda, 50gr de queijo ralado e o sumo de limão.
    12. Misture novamente e rectifique os temperos.
    13. Junte a mistura de peixe ao molho envolvendo cuidadosamente para não desfazer o peixe.
    14. Num tabuleiro que possa ir ao forno, coloque primeiro o molho com o peixe e por cima o puré de batata.
    15. Por cima do puré espalhe o restante queijo ralado e leve ao forno por 30 minutos até o queijo ganhar cor.
    16. Enquanto o empadão está no forno, coza os vegetais em água fervente temperada de sal.
    17. Sirva o empadão de peixe juntamente com os vegetais cozidos e com as fatias de limão.

    Sugestões

    • Faça este prato com a mistura de peixes que mais gostar ou apenas com um tipo de peixe. Pode também fazer este prato com peixe e camarão ou delícias do mar.
    • Para acompanhamento pode substituir os vegetais cozidos por uma salada de alface e tomate.
    • Para fazer o puré ajuste a quantidade de leite para obter um puré com uma textura mais cremosa ou um puré mais consistente.

    Ramblas, mercado e paella

    Depois de visitar as casas de Gaudí no Passeig de Gracìa era altura de começarmos chegar-nps à zona do restaurante onde queríamos jantar naquele dia. Para isso começámos a descer a rua passando pela Praça da Catalunha, um local a fervilhar de gente mesmo no coração de Barcelona em direcção a outra rua bastante conhecida na cidade, La Rambla ou Las Ramblas.

    Entrada principal para o mercado St Josep (La Boquería) pelas Las Ramblas

    O uso do plural, Las Ramblas, é porque a rua consiste na verdade em 5 trechos, 5 ramblas, que seguem pela a rua abaixo. Las Ramblas liga a parte alta da cidade que parte da praça da Catalunha até ao passeio marítimo mais especificamente ao Mirante de Colom.


    Breve história de Las Ramblas

    Durante o Império Romano Las Ramblas não tinha o mesmo aspecto de hoje, até porque na altura esta rua era rodeada por dois ribeiros que transbordavam quando chovia inundando por completo a zona. Mas em alturas de pouca chuva esta era usada como local de passagem para viajantes e fazendeiros. No século XV, mais precisamente em 1440, foi construída a muralha do Raval o que fez com que o rio Malla, que chegava até às Las Ramblas, se desviasse colocando esta zona a descoberto. E pode-se dizer que esta foi a verdadeira origem das Las Ramblas. Com isto esta zona começou rapidamente a desenvolver-se e no século XIX era um dos locais predilectos de vários artistos na cidade.

    Em 1888 foi construído o Monument a Colom (Monumento a Colombo) devido à Exposição Universal organizada em Barcelona nesse ano. Este monumento ainda existe e encontra-se na ponta sul (ao pé do mar) das Las Ramblas.

    Hoje Las Ramblas é uma, senão a, rua mais visitada em Barcelona onde fica também o mercado de Sant Josep (São José) mais conhecido por La Boquería.


    Mercado La Boquería

    E foi a este mercado que fomos a seguir, e acreditem que é muito fácil ficar-se tentado a comprar alguma guloseira, seja ela doce ou salgada. E a tentação está por todo o lado, neste enorme mercado onde se encontra várias barraquinhas a vender enchidos, queijos, frutas, gomas, chocolates, empanadas, enfim frios, crus, cozidos e quentes todos juntos no mesmo espaço. E a preços bastante simpáticos para Barcelona.

    Breve história de La Boquería

    Os primeiros registros da existência de um mercado nesta zona da cidade remonta a 1217. Neles mencionam-se bancas temporárias que vendiam carne na praça de La Boquería, fazendo estas partes de um conjunto de vários mercados. Como disse acima por esta altura ainda havia o risco de inundação e por isso estas bancas eram montadas apenas quando era possível.

    Entre 1701 e 1900 o mercado passou por várias mudanças. Por exemplo, em 1777 depois da demolição do arco do portal da Boquería que fazia parte do antigo muro das Las Ramblas, as bancas de carne mudaram-se para o passeio marítimo, que fica ao pé do mar, na ponta sul das Las Ramblas. Mais tarde já no século XIX o mercado foi mudado para o jardim do convento de St Josep e temporariamente em 1823 para o convento dos Carmelitas. Em 1827 quando foi publicado o primeiro regulamento para o mercado este já contava com mais de 200 bancas; 100 a vender carne fresca e curada, 48 a vender peixe e as restantes a vender produtos diversos.

    A 28 de março de 1836 o mercado muda outra vez de localização desta vez para onde ficava o convento de St. Josep destruído depois do grande incêndio em 1835. Apesar de ser aqui a sua morada permanente até aos dias de hoje foi só em 19 de março de 1840 que se começa a construir o espaço do mercado propriamente dito seguindo o projecto de Josep Mas i Villa. Neste projecto o espaço central era para as várias bancadas enquanto que a peixaria ficaria numa outra localização, na praça de Sant Galdric. Mais tarde em 1911, também as bancas de peixe se mudam para o espaço central do mercado.

    Em 1913 é colocado o arco à entrada que seguia o movimento artística da época, o modernismo e um ano mais tarde, em 1914, é colocada a cobertura metálica sobre o mercado.

    Mais recentemente, mais precisamente desde 1985 várias remodelações e alterações têm acontecido de forma a manter este que é o mercado municipal mais antigo de Barcelona. Hoje em dia são aqui agendados vários eventos culturais, os quais podem ver no site oficial do mercado: https://www.boqueria.barcelona/home

    Para além de poderem assistir a estes eventos é claro que também se aconselha a passear pelos vários corredores do mercado passando pelas várias bancas para se deixarem cair na tentação das iguarias espanholas.


    Restaurante Colom

    Para jantar queríamos um prato tradicional e nada é mais tradicional do que a famosa paella. Depois de uma pesquisa sobre onde comer a melhor paella escolhemos o restaurante Colom avaliado em 4.7 (em 5). Para chegar a este restaurante basta descer Las Ramblas e entrar por uma rua transveral a Carrer del Escudellers. Como os espanhóis normalmente jantam bastante tarde nós às 7 e pouco já estavámos a ir para o restaurante até porque o restaurante não aceita reservas. Mas mesmo a esta hora já havia uma fila enorme. Acho que não minto quando digo que estivemos uma hora na fila à espera da nossa vez mas finalmente entrámos. O interior do restaurante é bastante rústico com pinturas e objectos marinhos tal como o nome sugere. Afinal Cristovão Colombo (ou Colom, Colón, Columbus, como preferirem) teve um papel enorme nos descobrimentos tendo sido ele quem descobriu a América sob a armada Espanhola.

    Para jantar pedimos 3 paellas, 1 de frango, uma mista (marisco e carne) e 1 vegetariana. As paellas eram enormes mas nós comemos tudo porque eram mesmo muito boas. E bastante baratas apesar de ter pensado que o preço do menu era por paella mas afinal era por pessoa. E por paella são duas pessoas, por isso acabou por ser o dobro do que pensava. Mas mesmo assim não foi caro, afinal por pessoa foi 9 euros e meio. E como disse a paella, melhor as paellas, eram muito boas incluindo a vegetariana.

    Ainda pedimos sobremesa que eu acho que foi caro para o que era, duas bolas de gelado e chantilly por 5.50 euros, mas ainda recebemos de oferta um aperitivo no final da refeição quando souberam que era o aniversário de um de nós (ou se calhar fazem a todos e usaram isso para nos fazer sentir mais especiais, sem o ser).

    Se acho que valeu a pena esperar uma hora? Penso que sim porque a comida era realmente boa, o atendimento rápido e simpático. No entanto quando estamos com pessoas mais velhas e depois de um dia desgastante já se começa a pensar duas vezes em nos metermos nestas aventuras. Mas apesar de tudo todos nós adorámos a paella e comeu-se bastante bem por um bom preço.

    Depois deste bom jantar foi apanhar o metro e o autocarro de volta para Gavà. Porque afinal este dia estava prestes a acabar mas o próximo muito mais nos traría. Outro dia para explorar Barcelona e a sua arquitectura moldada pelo modernismo.

    Kedgeree

    Tempo de preparação: 45 minutos

    4 porções

    507 Kcal/porção

    Ingredientes

    • 3 ovos
    • 440gr de filetes de peixe arinca fumado
    • 300mL de leite meio-gordo
    • 250gr de arroz
    • 100gr de mix de vegetais congelados que tenha na mistura ervilhas e milho
    • 30gr de manteiga
    • 1 cebola picada
    • 1 colher de sopa de alho em pó
    • 1 colher de sobremesa de gengibre em pó
    • 1 colher de sobremesa de açafrão em pó
    • 1 colher de sobremesa de caril em pó
    • 1 molhinho de coentros
    • 1 limão cortado em quartos
    • Sal, pimenta preta em pó e azeite q.b.

    Preparação

    1. Num tacho coza os ovos em água fervente durante 6 minutos e meio. Passado o tempo de cozedura retire ovos e coloque-os em água fria.
    2. Quando os ovos tiverem arrefecido um pouco descasque-os e corte-os ao meio.
    3. Entretanto, num segundo tacho coloque os filetes de peixe e adicione o leite.
    4. Leve o tacho ao lume e quando o leite estiver a ferver, retire do lume e deixe o peixe arrefecer dentro do leite.
    5. Num outro tacho, aqueça um fio de azeite e adicione o arroz e a mistura de vegetais.
    6. Deixe fritar por 1 minuto.
    7. Em seguida, adicione água até tapar o arroz e os vegetais e tempere com sal e pimenta preta.
    8. Deixe o arroz cozer juntamente com os vegetais por cerca de 8 minutos em lume médio-baixo ou até o arroz estar cozido.
    9. Numa frigideira larga aqueça a manteiga juntamente com a cebola. Adicione uma pitada de sal, mexa e deixe refogar a cebola durante 12 minutos a lume baixo.
    10. Passado este tempo adicione o alho, o gengibre, o caril e o açafrão. Mexa e deixe fritar por 2 minutos.
    11. Entretanto, retire o peixe do leite e separe os filetes em bocados grandes.
    12. Junte o arroz e os vegetais à cebola com as especiarias e envolva bem.
    13. Adicione o peixe e metade dos coentros picados e envolva cuidadosamente ao arroz para não desfazer o peixe.
    14. Sirva o arroz e o peixe juntamente com os ovos, o limão e os restantes coentros picados.

    Sugestões

    Substitua o peixe arinca por outro tipo de peixe branco ou até salmão. No entanto, aconselha-se a que o peixe seja fumado.

    Barcelona, uma cidade moldada pelo modernismo

    Índice nesta página:

    1. Arquitectura modernista em Barcelona
      1. Antonio Gaudí, arquitecto modernista
        1. Quem era Antonio Gaudí?
    2. Casa Batlló
      1. Interior da casa Batlló
      2. Fachada da Casa Batlló
        1. Manzana de la Discordia
        2. A lenda associada à Casa Batlló
    3. La Pedrera ou Casa Milà

    Arquitectura modernista em Barcelona

    A Barcelona que conhecemos hoje foi moldada pelo modernismo, um movimento artístico que apareceu na Europa nos finais do século XIX, e se estendeu rapidamente pelos vários países. Actualmente, grande parte dos locais turísticos em Barcelona são exemplos de edifícios e monumentos criados seguindo este tipo de arquitectura. E isso deveu-se também à competição entre arquitectos modernistas promovida pelos prémios urbanos dados pela câmara municipal. Muitos destes edifícios, agora considerados como obras de arte, foram construídos no Passeig de Gracìa a rua que se tornou a espinha dorsal de Barcelona, onde todas as famílias com poder e estatuto na sociedade se queriam estabelecer. Este focos no Passeig de Gracìa resultou do Plano Cerdà, ambicioso projecto urbano aprovado em 1860 para elevar a cidade Barcelona cultural e artisticamente.

    Park Güell, criação de Antonio Gaudí

    O aparecimento e destaque do modernismo em Barcelona de forma tão prominente deveu-se a uma junção de vários aspectos históricos da época como a primeira Exposição Universal organizada em Barcelona em 1888, que foi um dos grandes motores para a construção de magníficos edifícios, a Revolução Industrial e o ‘Desastre del 98’ altura em que Espanha perde as suas últimas colónias como Cuba, Puerto Rico e Filipinas. Foi durante este período que muitos espanhóis que tinham emigrado para a América em busca de riqueza agora regressavam com vontade de fazer mudanças no seu próprio país. Por último, como factor condutor do modernismo podemos mencionar o movimento da Renaixença (Renascença em português), um movimento que exaltava os valores catalães. Este movimento mudou o pensamento geral na burguesia que se virou para a cultura, arte e arquitectura associado a um forte sentimento nacionalista.

    Antonio Gaudí, arquitecto modernista

    Um dos grandes arquitectos que tiveram um impacto enorme na cidade de Barcelona foi Antonio Gaudí. Mesmo que nunca se tenha ouvido este nome, certamente que o ouvirá mais do que uma vez quando se explora Barcelona. Aliás grande parte das atracções mais procuradas em Barcelona são criações de Gaudí (e com boa razão de ser). Entre elas conta-se La Pedrera (ou Casa Milà) e a Casa Batlló, que são o foco deste post, o Parc Güell e talvez a mais conhecida a inacabada La Sagrada Família. Nós visitámos estes dois últimos locais no dia seguinte e por isso falarei deles mais à frente.

    Quem era Antonio Gaudí?

    Antonio Gaudí nasceu a 25 de junho de 1852 numa província em Espanha e desde muito cedo que começou a ajudar no negócio de família na produção de caldeiras. Isto deu-lhe uma enorme percepção sobre espaço e volume que mais tarde aplicou nas suas obras. Desde muito novo que Gaudí tinha um fascínio pela natureza e pelas suas formas, o que se tornou o centro das suas criações. Não numa tentativa de imitar a natureza, mas de a celebrar de uma forma equilibrada e deveras fascinante. Alguns desses exemplos podem ser encontrados na Casa Batlló como os motivos marinhos e lareira em forma de cogumelo, que podem ver nas fotografias abaixo.

    Em 1870 Gaudí muda-se para Barcelona para se formar em arquitectura, o que faz com sucesso em 1878. Foi a partir daqui que Gaudí começou o seu grande legado artístico. Mas apesar de aos longos dos anos a sua notoriedade ser cada vez maior, Gaudí com o tempo começou a isolar-se da sociedade. Ao contrário do Gaudí que durante a sua juventude frequentava vários eventos sociais tais como teatros, concertos e tertúlias, Gaudí começou-se a distanciar da sua vida social enquanto o seu fascínio em relação à religião e ao místico se tornava cada vez mais obsessivo.

    Antonio Gaudí morre a 10 de Junho de 1926, atropelado por um eléctrico, enquanto caminhava em direcção à La Sagrada Família, projecto onde na altura punha todo o seu esforço. Inicialmente Gaudí não foi reconhecido devido ao seu aspecto descuidado e falta de documentação. A sua identidade foi descoberta já no Hospital de la Santa Cruz por um padre que trabalhava na La Sagrada Família. O enterro de Gaudí decorreu dois dias mais tarde na La Sagrada Família, e é aqui onde o seu corpo ainda hoje permanece.


    Casa Batlló

    Nós tínhamos escolhido os Los Tortìllez (ver post anterior) exactamente devido à sua proximidade ao Passeig de Gracìa. E foi por isso que depois da nossa refeição rapidamente chegámos à entrada da Casa Batlló. Como não tínhamos a certeza das horas em que estaríamos prontos para visitar a casa não tínhamos marcado os bilhetes com antecedência. Mas felizmente isso não foi um problema. Quando chegámos conseguimos marcar bilhetes para entrar dali a 15 minutos. O bilhete para a visita custou-nos 29 euros por pessoa.

    A Casa Batlló fica no número 43 do Passeig de Gracìa no entanto este não é o edifício original. O primeiro edifício foi construído em 1877 numa altura em que ainda não havia electricidade na cidade. Em 1903 o edifício foi adquirido por Josep Batlló y Casanovas, um industrialista têxtil com várias fábricas espalhadas por Barcelona e um empresário de poder. E claro está, tal como ditava as regras da sociedade da altura, Passeig de Gracìa era a rua onde morar se se queria marcar a sua posição social. Josep Batlló contratou Antonio Gaudí em 1904 e deu-lhe ‘cartão verde’ para transformar por completo o edifício. Na sua ideia original, Josep queria que o edifício fosse deitado abaixo e re-construído de novo, mas Gaudí conseguiu evitar que isso acontecesse. Apesar de claro a transformação do edifício tê-lo tornado numa obra de arte que desde 2005 é considerado Património Mundial pela UNESCO.

    Interior da casa Batlló

    Primeiro vou falar da nossa visita à zona interior da casa e depois da fachada exterior que é indubitavelmente a parte mais conhecida do edifício.

    Tal como disse acima a natureza tinha um papel central nas obras de Gaudí e aqui o é demonstrado. A entrada simples da casa pretende que o visitante se sinta debaixo de água com clarabóias que lembram carapaças de tartaruga. Esta sala termina numa escadaria que leva ao piso principal.

    Aqui, primeiro passa-se por um espaço onde se encontra uma lareira em forma de cogumelo, espaço esse que fazia de escritório de Josep Batlló. Em seguida o visitante entra para a sala principal onde uma grande janela panorâmica com padrões marinhos tem um papel de grande relevância. Esta janela é talvez uma das partes mais conhecidas da casa.

    Janela panorâmica do piso principal com padrões marinhos

    Enquanto se sobe pelos vários andares do edifício começamos a notar pequenos pormenores que permitem o equilíbrio de luz e de ventilação nos vários pontos da casa. Por exemplo, note-se que os azulejos azuis vão escurecendo à medida que se vai subindo e as janelas ficando mais pequenas. Isto foi assim construído com o intuito de equilibrar a quantidade de luz que cada piso recebe. É importante aqui lembrar que esta era uma casa familiar e por isso tinha de ser funcional, o que era aliás uma das premissas deste projecto.

    No último andar, a zona dos criados, encontramos uma simplicidade que se destaca dos outros pisos com vários arcos simples pintados de branco. Há quem acredite que estes arcos representam os ossos da caixa torácica de um animal.

    No terraço superior para além da privilegiada vista sobre os vários edifícios da cidade, encontramos como principal construção as 4 chaminés policromadas projectadas de forma a evitar que o ar voltasse para dentro do edifício (imagens abaixo).

    Quando descemos as escadas, depois da visita ao terraço superior, entrámos dentro de uma espécie de sala espelhada. As portas fecharam-se e pudemos assim experienciar um show de luzes e de imagens feitas a computador com as várias obras de Gaudí. Sem dúvida uma das experiências mais marcantes desta visita.

    Durante a subida pelos vários andares um dos locais que não pudemos visitar por se encontrar em trabalhos de conservação e restauro foi o pátio.

    Fachada da Casa Batlló

    A fachada única da Casa Batlló representa Gaudí na sua imaginação livre inspirada pelos padrões e vida marinha.

    Manzana de la Discordia

    A fachada exterior é algo que não se deve perder numa visita a Barcelona. Entendo se não quiserem ou não estiverem interessados em visitar o interior da casa, mas o exterior merece ser contemplado.

    Aliás, devido às competições organizadas pela câmara municipal de Barcelona, a casa Batlló faz parte de uma fachada de 5 edifícios todos eles exemplos do modernismo, todos eles criados por arquitectos da época. Este conjunto de edifícios é chamado de Manzana de la Discordia (o quarteirão da discórdia). Os edifícios são:

    • Casa Batlló de Antonio Gaudí – Número 43
    • Casa Amatller de Josep Puig i Cadafalch – Número 41
    • Casa Josefina Bonet de Marcel-li Coquillat – Número 39
    • Casa Mulleras de Enric Sagnier – Número 37
    • Casa Lléo Morera de Luís Domènech i Montaner – Número 35

    Quando olharem para Casa Batlló não deixem de reparar na arquitectura dos outros edifícios daquela fachada.

    A lenda associada à Casa Batlló

    Apesar de Gaudí nunca ter mencionado tal facto há a crença popular que a fachada da Casa Batlló se baseia na lenda de Sant Jordi, o santo padroeiro da Catalunha. De uma forma muito simplificada a lenda conta que Sant Jordi matou o dragão com a sua espada para salvar a princesa e o povo da ira do animal.

    Com base nesta interpretação, a coluna no topo do edifício simboliza a espada de Saint Jordi que está espetada no dorso do dragão, representado pelas várias escamas coloridas. Adicionalmente diz-se que as colunas que se encontram mais abaixo e tem aparência de ossos são homenagens às vítimas do dragão.

    É justamente esta conexão entre a Casa Batlló e a lenda que ao longo da história a casa foi também conhecida como a casa dos ossos ou a casa do dragão.

    Para saber mais sobre a Casa Batlló e a sua história vejam o website oficial: https://www.casabatllo.es/en/


    La Pedrera ou Casa Milà

    Outro edifício projectado e construído por Gaudì, também ele no Passeig de Gracìa, é a La Pedrera, também conhecido por Casa Milà. La Pedrera devido à sua face exterior que lembra uma pedreira a descoberto enquanto que Casa Milà é devido ao nome dos donos que adquiram a propriedade e quem contractou Gaudì, Pere Milà e Roser Segimon. Este edifício foi construído depois da Casa Batlló; a Casa Batlló foi construída entre 1904 e 1906, a La Pedrera foi construída entre 1906 e 1912.

    Os bilhetes para visitar La Pedrera, tal como para visitar a Casa Batlló, custam 29 euros e por isso tínhamos decidido que íamos apenas visitar uma delas. A nós pareceu-nos que o interior da Casa Batlló era mais interessante apesar da história da Casa Milà ser bastante mais atribulada.

    Fachada exterior de La Pedrera

    Quando compraram a propriedade o objectivo do casal Milà era de viver no primeiro piso e de alugar os restantes quartos. O projecto começou em 1906, no entanto o processo não foi de todo sem contratempos já que Gaudí alterava constantemente o projecto incluindo o aspecto e a estrutura do edifício. Estas alterações frequentes, por um lado fez com que a construção do edifício tivesse um valor financeiro muito acima da estimativa orçamental prevista. Por outro lado, Gaudí borrifou-se (para não dizer pior) para os regulamentos da câmara municipal e construiu um edifício onde o volume do sótão e do terraço superior eram ilegais. Para mais um dos pilares da fachada acabou por ocupar parte do passeio do Passeig de Gracìa, sendo este outro incumprimento dos regulamentes municipais.

    Claro que hoje em dia o edifício que ali se ergue é a prova que o incumprimento não levou a alterações da construção, mas isto porque o edifício foi certificado como o de ter um valor cultural e por isso não ter que se submeter às regras da câmara. Mas isto não ficou concluído sem que o casal Milà pagasse uma multa de 100.000 pesetas para legalizar a construção.

    Como devem calcular tudo isto deu aso a várias discussões entre Gaudí e os donos da Casa Milà num confronto que acabou por chegar aos tribunais. Para além de ser assunto muito falado na sociedade. Como Gaudí ganhou o processo o casal teve que hipotecar a Casa Milà para pagar 105.000 pesetas ao arquitecto catalão que doou o dinheiro a um convento de freiras.

    Mais impressionante ainda é que só quando Gaudí morreu, Roser Sigmon alterou toda a decoração do seu apartamento removendo as mobílias e os tectos falsos escolhidos por Gaudí, uma vez que nunca tinha gostado da decoração.

    Seria de esperar que depois de tantas querelas entre o casal Milà e Gaudí incluindo ter de pagar uma multa de 100.000 pesetas, ao menos o apartamento fosse ao gosto do casal. O facto de Roser ter esperado que Gaudí morresse para o fazer mostra o nível de respeito que a sociedade tinha para com Gaudí.

    Para saber mais sobre a Casa Milà e a sua história vejam o website oficial: https://www.lapedrera.com/


    Próximo post: o famoso mercado La Boquería e onde comer a melhor paelha de Barcelona