Ilha de São Miguel

Quis deixar a ilha de São Miguel para último, não porque não gostámos de visitar a ilha, de maneira alguma, mas porque foi onde passámos mais tempo e por isso queria dar especial atenção à ilha que me fez sonhar acordada, a ilha de São Miguel.

A ilha de São Miguel é a maior ilha do arquipélago dos Açores e aquela que é mais fácil voar desde Portugal (ou de outros países). O aeroporto em Ponta Delgada, São João II foi onde aterrámos depois da nossa primeira aventura no Pico. Mais uma vez alugámos o nosso carro na agência Ilha Verde e depois de nos instalarmos fomos para a cidade de Ponta Delgada. A nossa prioridade era encontrar um sítio rápido para almoçar. Como muitas vezes acontece quando chegamos assim de repente a um sítio desconhecido e está na hora de comer, procurámos o centro comercial mais próximo; desta vez o “O Parque Atlântico” e lá fomos nós para no Burguer King. Para quem conhece as nossas viagens, sabe que isto acontece várias vezes.

Burguer King no Parque Atlântico

O centro comercial fica a cerca de 10-15 minutos do centro da cidade e foi onde sempre estacionámos o carro mesmo quando fomos visitar Ponta Delgada, ficando aqui a dica para quem não gosta de andar à procura de estacionamento.

Para a tarde tínhamos reservado algo que pensámos ser uma experiência excecional – a primeira tentativa de mergulho. Com marcação para o início da tarde com a empresa BEST SPOT AZORES PADI 5* DIVE CENTER (website aqui) lá fomos nós todos contentes. Antes de nos vestirmos a rigor e entrarmos para o barco que nos levaria ao local de mergulho, houve uma “pequena” explicação dos cuidados básicos. A partir deste ponto eu e o meu marido já não estávamos tão certos que isto fosse correr bem. Mesmo assim vestimo-nos e lá fomos para o local ao pé de um recife. Ao contrário do que acontece com quase toda a gente que depois de experimentar mergulho pela primeira vez diz “foi muito fixe”, “aquilo é tão bonito lá em baixo”, “ah tantos peixes” nós fomos diferentes: eu acabei por ter um ataque de claustrofobia por isso desisti e o meu namorado acabou a vomitar dentro do barco. Por isso foi assim a nossa experiência de mergulho – sempre a aprender – e a lição aqui foi “Mergulho Não!”

Depois de esta experiência tudo menos enriquecedora fomos para o hotel. A principal razão da nossa vinda aos Açores tinha sido um voucher que nos deram quando comprámos as alianças, estadia grátis de 5 noites com pequeno-almoço em Portugal. Assim sendo, pensámos que era a desculpa ideal para irmos finalmente aos Açores. A nossa reserva estava marcada com o “Hotel Vale do Navio” em Capelas. Não imaginam a nossa cara de espanto quando chegámos e aquilo era um hotel fantasma. Estava completamente vazio. Ainda não desesperados mas consternados e um bocado preocupados ligámos para o contacto que tínhamos e disseram-nos que realmente o hotel estava fechado e que a nossa reserva tinha sido mudada para um hotel ali perto o “Pedras do Mar Resort & SPA”. Tenho-vos a dizer que isto acabou por ser um upgrade ao nosso hotel – este era um hotel de 5 estrelas bem mais perto do mar. O quarto era fantástico, o bar estupendo, o pequeno-almoço delicioso e a vista soberba. Não vos posso recomendar mais. Nós não nos queríamos vir embora (como podem ver pelo vídeo da nossa vista do nosso quarto e pelas fotografias).

Para acabar o nosso primeiro na ilha de São Miguel em grande fomos jantar ao “Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel” (website aqui). Aviso-vos que é extremamente difícil arranjar mesa sem marcação. O restaurante tem duas partes e nós quisemos experimentar ambas, o que fizemos em dias diferentes. No primeiro dia, porque não tínhamos reserva ficámos na parte exterior, a parte de Churrasco (que nós achámos que era a melhor) e a parte interior que é o próprio restaurante. Digo-vos esta foi uma das melhores carninhas que já comi na vida. Não é sem razão que é tão difícil arranjar mesa neste restaurante, no entanto estando nos Açores têm que experimentar o que é um dos mais conhecidos restaurantes da ilha.

Nós estivemos em São Miguel durante quase 5 dias e apesar de termos ido no final de Setembro, houve dias que mostraram como é viver numa ilha relativamente ao tempo, isto é super incerto. Para além disso numa zona da ilha poderá estar um lindo dia de sol e no outro nevoeiro completamente cerrado. No primeiro dia de viagem pela ilha de São Miguel focámo-nos na parte a oeste da ilha, mais precisamente na zona da Lagoa das Sete Cidades. Assim depois de um ótimo pequeno-almoço seguimos para o Miradouro das Cumeeiras. E assim foi a bela vista da foto em baixo que pudemos desfrutar.

Já estava com ela fisgada para o ataque

Podia ter sido pior? Podia. Mas estava pior quando lá chegámos, estivemos foi a fazer tempo à espera que pelo menos conseguíssemos ver alguma coisa. E felizmente o sol ainda sorriu timidamente e deixou-nos tirar uma fotografia que mostre a beleza dos Açores. Enquanto estivemos à espera tivemos por companhia vacas. Sim, vacas, elas estão por todo o lado. Aliás íamos sendo quase atacados por elas enquanto estávamos dentro do carro. Elas bem que tentaram atacar por todos os lados do carro até estarmos completamente cercados, até que fomos salvos por uma senhora com ar de amazona.

Para o meio da manhã tínhamos marcado uma sessão de kayake com a agência Garoupa Canoe Tours (website aqui). Assim andámos para lá às volta na lagoa azul e na lagoa verde. Confesso que isto sendo a minha primeira experiência apercebi-me que não tenho deveras muito jeito para isto. Mas, pelo menos tentei. No entanto se não fosse pelo meu marido ainda agora andava lá as voltas sobre mim mesmo até que alguém tivesse pena de mim e me resgatasse.

A nossa segunda paragem era a Ponta da Ferraria onde se encontra uma piscina oceânica natural de água termal. Pelo caminho apercebi-me porque as flores são uma das imagens mais prominentes do Açores. Realmente a experiência de conduzir numa estrada rodeada de flores tão bonitas não deixa ninguém indiferente.

São Kms maravilhosos disto, flores and flores…

A piscina natural que andámos à procura faz ligação com o mar. A água não estava tão quente como pensei, mas também o tempo e a chuva não ajudavam. Obviamente isso não me impediu de me juntar aos muitos que também lá estavam. Para quem quiser desfrutar esta zona ao máximo existe um spa nessa zona com vista para o mar.

Esperando que o tempo estivesse do nosso lado durante a tarde o nosso percurso era voltar para a Lagoa das Sete Cidades, onde parámos na ponte que separa as duas lagoas e em seguida para dois miradouros que pareciam promissores – O Miradouro da Vista do Rei e o Miradouro da Grota do Inferno. No entanto, sem sorte; se estava mau de manhã, agora ainda estava pior e decidimos acabar por ali a nossa exploração (mas ainda conseguimos voltar ao miradouro da Vista do Rei noutro dia e sim, vale a pena). Uma das curiosidades desta zona é que mesmo ao lado do miradouro pode-se ver a estrutura completa de um hotel abandonado – o Hotel do Monte Palace. Este hotel está ao abandono desde os anos 80 e com aquele tempo de nevoeiro parece mesmo um hotel fantasma.

Ponte que separa a lagoa verde da lagoa azul

Para jantar, decidimos experimentar um restaurante que ficava perto do nosso hotel – O Botequim Açoriano. Talvez a muitos pareça estranho terem um restaurante ao lado de um cemitério, mas pela comida vale a pena. Nós experimentámos um prato de polvo – “Polvo à Botequim” que vos digo ser tão bom que voltámos aqui no último antes de deixarmos a ilha, para repetir a iguaria. Não vos minto, neste momento devoraria um prato bem servido de polvo.


Seguindo para o dia seguinte com esperanças de um tempo melhor desta vez para a zona central da ilha. Começámos pela Ermida de Nossa Senhora da Paz, uma capela com vista panorâmica (uma vista espetacular tenho que dizer) construída no século XVIII. A capela no seu interior é muito simples, mas não se iludam o exterior é lindíssimo. Uma vez mais, as flores adicionaram um fator extra.

A lagoa do Congro foi a nossa próxima paragem. É preciso andar um bocado até chegar a esta lagoa meia escondida pela vegetação, mas vale a pena o pequeno esforço.

O nosso itinerário teve que ser modificado devido ao tempo. Hoje estava também nevoeiro e por isso decidimos pela tarde irmos visitar uma das zonas mais conhecidas não só da Ilha de São Miguel mas de todos os Açores – As Furnas. Quem é que nunca ouviu falar sobre o famoso cozido à portuguesa que é feito dentro de água a ferver nos Açores? A típica paisagem de pequenas caldeiras no chão a emitir fumo e água a fumegar.

Caldeiras da Lagoa das Furnas

Primeiro parámos no Miradouro do Pico do Ferro de onde podemos avistar por completo a Lagoa das Furnas. E antes de estacionarmos o carro perto das Furnas para ali passear fomos visitar a Cascata da Ribeira Quente. Aviso que para visitar esta cascata têm que deixar o carro depois dos túneis (são dois não muito longos), estacionar em cima da erva, andarem para dentro do túnel, passar pela barreira de ferro na zona que separa os dois túneis e descerem as escadas. Difícil? Nem por isso, mas talvez um bocadinho mais perigoso do que tínhamos em conta para visitar uma cascata. No entanto, enquanto andávamos aqui no meio desta pequena aventura, muitos como nós faziam o mesmo.

Finalmente, estacionámos o carro nas Furnas e podemos visitar a chamada “Caldeiras da Lagoa das Furnas“. O cheiro característico a enxofre está bem presente nesta zona, mas não deixa de ser espetacular estas manifestações vulcânicas. Não tivemos oportunidade de experimentar o cozido feito aqui, o que foi pena, mas já se sabe que nas viagens fica sempre algo por fazer. Como tínhamos feito marcação para o Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel que vos falei no post anterior (ver aqui) não fomos até à Poça da Dona Beija, o que ficou para o dia seguinte – não percam por nada este sítio de que vos falarei no próximo post. Com esperanças ainda de podermos ver a Lagoa do Fogo antes do jantar, parámos no “Miradouro da Lagoa do Fogo” e só vos digo que ficámos com pena de não passar mais tempo nesta ilha para podermos explorar com tempo cada cantinho. Porque realmente os Açores é um local de beleza sem comparação.

Lagoa do Fogo

Terceiro dia na ilha de São Miguel. O dia começou de uma maneira magnífica no Salto do Cabrito, uma cascata com um laguinho. A água é muito fria, mas difícil de resistir não entrar por ali adentro. Uma das coisas mais especiais de visitar os Açores foi a oportunidade de nadar debaixo de cascatas. E definitivamente o Salto do Cabrito criou memórias especiais.

Passámos em seguida para um outro local que adorámos visitar, o Monumento da Caldeira Velha. Este parque é mais conhecido por ser um dos locais com águas termais onde se pode tomar banho, mas devido ao COVID-19, neste momento não é possível fazê-lo. Mas apesar de não se puder aproveitar os banhos de águas quentes o parque vale a pena ser visitado. O local apesar de ser nos Açores cria um ambiente tropical, muito distinto.

Tendo o sol sorrido para nós, aproveitámos para visitar os miradouros. E o primeiro foi o Miradouro da Pedra dos Estorninhos. Obviamente, como esperado, a vista era de cortar a respiração. Mesmo ali ao lado fica o Miradouro do Salto da Farinha onde existe uma cascata altíssima. Para chegar à cascata é preciso passear por um parque/bosque, mas não é de difícil acesso.

Se tudo o que tínhamos visto até ali tínhamo-nos deixado de coração cheio, mais foi o que veio a seguir. Fomos visitar o Parque Natural dos Caldeirões. Posso-vos dizer que foi dos sítios mais bonitos que já tive oportunidade de visitar na minha vida e não, as fotografias não fazem justiça ao sítio. Passaria aqui horas e horas de bom agrado.

Já para o meio da tarde e aproveitando o céu limpo fomos até a outros dois miradouros: o Miradouro da Ponta do Sossego e o Miradouro da Ponta da Madrugada. Fiquei impressionada por dois motivos, por serem zonas muito bem arranjadas, com passadiços e flores e a outra razão foram os gatos. Sim, gatos. Existem gatos por todo o lado numa zona onde mal existe casas. Como é que eles vivem ali? Na verdade, já falei com outras pessoas que também tiveram oportunidade de visitar estes miradouros e também elas repararam e se espantaram com o número de gatos naquela zona.

Para a noite e querendo não deixar a ilha sem visitar a cidade mais importante, Ponta Delgada, fomos dar uma volta rápida. Definitivamente as Portas da Cidade iluminadas de azul foi o ponto que mais nos atraiu.

E foi com muita pena que chegámos ao nosso último dia na ilha de São Miguel. Este local deu-nos muito, paisagens maravilhosas, locais de encanto e comida de chorar por mais. Depois de várias tentativas, finalmente fomos ao Miradouro da Vista do Rei e tivemos oportunidade ter avistar as duas lagoas da Lagoa das Sete Cidades, a lagoa azul e a lagoa verde.

Para terminar mesmo a viagem em grande, decidimos aproveitar os banhos de águas termais. Havia algumas opções inicialmente, mas a escolha não foi difícil. Na verdade, tínhamos o Monumento da Caldeira Velha que nesta altura não esta aberta a banhos, o Parque Terra Nostra e a Poça da Dona Beija, estes dois últimos na zona das Furnas. Gostaríamos de ter visitado os dois claro, mas acabámos por escolher a Poça da Dona Beija. E não nos arrependemos por nada. Existem várias piscinas naturais com várias temperaturas e claro que tivemos que experimentar todas. A experiência é única.

Aliás posso garantir que todas as experiências que tenham nos Açores sejam elas semelhantes ou não com as nossas, serão espetaculares. Não tenham dúvida que os Açores é um paraíso na terra.

Ilha das Flores

Umas das coisas mais incríveis de visitar os Açores e de ter oportunidade de conhecer diferentes ilhas é que todas elas têm as suas particularidades – a ilha do Pico a montanha, a ilha de São Miguel as inúmeras flores e a ilha das Flores as cascatas e o verde magnífico. A primeira impressão que tive das Flores é que a paisagem parecia resultado de um filtro de telemóvel onde se aumentava a vivacidade das cores dando ao verde um tom quase surreal. Estivemos nas Flores durante três dias, no entanto, ao segundo dia fomos visitar o Corvo, por isso a nossa viagem nas Flores só contou com dois dias.

Chegámos bem cedo à ilha das Flores vindos da ilha de São Miguel e mais uma vez depois de termos o nosso carro alugado através no Booking.com na companhia Ilha Verde, metemo-nos a conhecer esta que seria a nossa terceira ilha.

Como partíamos do aeroporto das Flores, em Santa Cruz das Flores, fomos primeiro visitar a Lagoa da Lomba. O tempo não esteve maravilhoso durante a manhã como é possível ver pela foto abaixo, mas não deixou de por isso não proporcionar uma bela paisagem.

Lagoa da Lomba
Lagoa Seca
Lagoa Comprida
Lagoa Funda

Em seguida dirigimo-nos até às quatro lagoas que fazem parte da Reserva Florestal Natural do Morro Alto e Pico da Sé – a Lagoa Seca, a Lagoa Comprida, a Lagoa Funda e a Lagoa Branca. Para termos oportunidade de esticar as pernas estacionámos o carro no Miradouro da Lagoa Seca e fomos a pé até à Lagoa Comprida e Lagoa Funda que ficam ao lado um da outra, através de um trilho que ficámos a saber pertencer ao um dos muitos trilhos que se podem fazer na ilha das Flores – este começa exatamente entre a Lagoa Comprida e a Lagoa Funda e vai até à cascata do Poço do Bacalhau – o trilho chama-se PR03 FLO com 7.3 Km e que leva cerca de 3 horas. O caminho encontra-se bem sinalizado e no quadro das fotografias abaixo há várias instruções para segurança dos que se aventuram por este trilho. Tal como expliquei sobre a sinalização na subida da montanha do Pico, aqui também vão-se encontrando estacas de madeira com as famosas listas amarelas e vermelhas que vão indicando o caminho a seguir.

Depois de passearmos pelas lagoas, passando também pela Lagoa Branca, subimos de carro até ao Morro Alto, o ponto mais alto da Ilha das Flores e onde se encontra uma enorme torre de comunicações sendo este um ponto geográfico de extrema importância para a Marinha, pois pode comunicar com embarcações que passam entre os dois continentes – Europa e América. Claro não será necessário referir que deste local tem-se uma vista incrível, sendo também possível ver a ilha mais perto da ilha das Flores – a ilha do Corvo.

Já indo mais a sul da ilha das Flores, visitámos o Miradouro da Caldeira Funda e a Caldeira Rasa. Ainda antes de chegar aqui apercebemo-nos do pouco movimentado que existe na ilha das Flores. Trânsito, confusões e multidões são conceitos que não pertencem à ilha das Flores.

Caldeira Funda
Caldeira Rasa

Já subindo a costa este da ilha em direção à nossa acomodação que vos falarei noutro post parámos no Miradouro Rocha dos Bordões, nome dado devido à rocha que apresenta enormes colunas prismáticas verticais de basalto.

Rocha dos Bordões

Avançando mais para norte ainda parámos no Miradouro do Portal, onde a paisagem é simplesmente de deixar qualquer um de queixo caído. O mar, as rochas, as montanhas e as várias cascatas rasgando a rocha. Várias vezes passámos por aqui e em todas elas a paisagem impressionou-me. É difícil a natureza ser mais bela. Simplesmente maravilhados com a ilha das Flores, estacionámos o carro ao pé do Poço da Ribeira do Ferreiro. Para chegar até às cascatas e à Lagoa dos Patos é necessário seguir o trilho pela montanha, o que se faz facilmente e apesar de ser bonito nada avisa para a paisagem final. Não há palavras para descrever a beleza, nem sequer as fotografias são capazes de transmitir todo o esplendor deste local.

Por último visitámos a Cascata do Poço de Bacalhau – outra paisagem que não tem nada de comum e tudo para nos fazer apaixonar pela ilha das Flores. Porque a nossa acomodação era pertíssimo desta cascata voltámos aqui no último dia onde tive a oportunidade maravilhosa de nadar debaixo de uma cascata.

Acomodação

Vou começar este post pela nossa acomodação – a Casa Atlântida. E vou começar pelas partes positivas – o local é lindíssimo, mesmo junto à praia e com vista para a cascata do Poço do Bacalhau. Não podia pedir melhor. No entanto, nós tivemos que mudar as datas da nossa viagem de Abril para Setembro devido à pandemia e digamos que tivemos sempre dificuldade em entrar em contacto com a Casa Atlântida. Por isso imaginam o nosso “quase” desespero quando chegamos e vemos tudo fechado, ninguém atendia os números de telemóvel e sem conhecer ali ninguém. Para não ficarmos para ali embasbacados, o meu marido decidiu irmos primeiro ao supermercado fazer compras, comer qualquer coisa e depois se viria. Chegámos ao “supermercado” (entre aspas porque não é assim tão grande o espaço) Super Fajã e perguntámos à senhora se conhecia alguém da Casa Atlântida. A senhora foi um espetáculo, disse que conhecia uma rapariga que trabalhava lá, telefonou e conseguiu que o senhorio da Casa Atlântida viesse nos abrir a porta quando voltámos do supermercado. A sério, a atitude da senhora foi 5 estrelas.

A vista da porta da nossa casa

A casa em si era grande, dois quartos, uma sala/cozinha enorme. Se não tivesse sido o início tão desgostoso, a experiência tinha sido quase perfeita.


Experiências Gastronómicas

Agora em relação a restaurantes que experimentámos na ilha das Flores. Na primeira noite, decidimo-nos ficar por casa e comprámos o jantar na Super Fajã. Se pensei que estávamos a perder a oportunidade de ter uma melhor refeição num restaurante, as duas noites seguintes provarão o contrário. Tínhamos perguntado ao senhorio quando nos abriu a porta, por restaurantes ali à volta. Então, havia um bom mas só com marcação, outro que era bom mas a senhora às vezes abria o restaurante outras vezes não e um outro no fundo da estrada que era mais conhecido e ofereciam diferentes tipos de comida sem ser necessário fazer marcação. Sendo assim, pareceu-nos que para a segunda noite o melhor seria o último restaurante que o senhorio nos recomendou que se chama “Papadiamandis Restauranti“. As entradas – uma tábua de queijo e cesto de pão foram boas, o queijo ótimo (especialmente para uma pessoas como eu que adora queijo).

Depois de algum tempo ali sentados apercebi-me que o prato mais famoso era esparguete/massa à carbonara. E se calhar foi esse o nosso erro, pedir os pratos errados. Isto porque o meu bife vinha com um molho que parecia a marinada que se faz para a carne e o meu marido pediu lulas grelhadas que de bom só mesmo as lulas. Porque pensámos que nós é que tínhamos pedido os pratos errados, pedimos as duas ofertas de sobremesas que tinham – infelizmente se uma era muito doce a outra era muito amarga (e não, não se complementavam). Mas talvez tenha sido só a nossa experiência, porque afinal já li reviews que dizem que a comida estava boa e o restaurante está até bem avaliado. Talvez se lá pararem peçam massa ou pizza e ficarão satisfeitos.

No entanto, depois da experiência da noite seguinte, percebo o porquê do Papadiamandis Restauranti ser o melhor/mais famoso restaurante da ilha das Flores. Desta vez experimentámos um restaurante na Santa Cruz das Flores. Nós queríamos muito experimentar muito um chamado de “O Forno Transmontano” – as reviews são ótimas e pelas fotos da comida, esta parece ser deliciosa. No entanto, têm que ligar de manhã para o restaurante, não para fazer reserva da mesa, mas porque a senhora compra o necessário para a confeção dos pratos por encomenda. Como nós ligámos já ao final da tarde, já não conseguimos experimentar este restaurante. Então acabámos por ir ao restaurante “O Moreão“.

Lapas grelhadas no Moreão

Eu não quero criar aqui uma crítica muito negativa, até porque o atendimento foi 5 estrelas e as lapas grelhadas eram boas – nunca tínhamos experimentado e gostámos. E para mim foi isso. Por isso vou deixar por aqui a minha opinião sobre a comida que me foi servida. Só um conselho – se vierem aqui peçam peixe.

Obviamente que há muitos mais restaurantes na ilha das Flores e nós só experimentámos dois. Tivemos o azar de as nossas experiências não terem corrido muito bem, mas eu por curiosidade voltava ao Papadiamandis Restauranti para lhe dar mais uma oportunidade. E definitivamente fazia reserva com antecedência para experimentar “O Forno Transmontano”.

Também fomos a um restaurante/bar perto da Casa Atlântida, “Barraca Q’abana“, só para bebidas ao final da noite. No entanto, depois da desilusão do Moreão, ficámos com muita pena de não termos vindo aqui jantar. O atendimento espetacular, o casal é super comunicativo e engraçado. A comida é do tipo “fast-food” mas barata e tenho a certeza bem melhor do que a que tínhamos comido nessa noite. Se estiverem por perto da Fajã Grande não percam a oportunidade de passar por aqui, onde também encontrarão o maior gato das vossas vidas (mas muito meiguinho) e um coelho que vem comer à mão.

Contactos

Website (Papadiamandis Restauranti): https://www.facebook.com/papadiamandisfaja/

Website (Barraca Q’abana): https://www.facebook.com/Barraca-Qabana-1000518216695301/?fref=ts


O que vimos no último dia na Ilha das Flores

Este não seria só o último dia na ilha das Flores – seria o nosso último dia nos Açores. Depois de 13 dias e 4 ilhas estávamos cansados mas cheios de novas recordações. Inicialmente tínhamos pensado fazer um trilho que liga Ponta Delgada à Cascata do Poço do Bacalhau, mas depois de no dia anterior termos subido a ilha do Corvo a pé, o corpo pedia por descanso. E foi por isso que passeámos pela ilha das Flores de carro. Também rapidamente se atravessa a ilha de uma ponta á outra de carro. Por isso decidimos levar o nosso tempo a ir até Ponta Delgada e a voltar pelo sul. Fomos por isso parando pelo caminho para apreciar o dia glorioso que estava e a paisagem que parecia tão nossa naquele dia.

Depois de passarmos pela Igreja Nossa Senhora de Lourdes, em Fazenda de Santa Cruz, parámos perto da cascata que fica ali perto não só para ver a cascata como também ter uma vista “panorâmica” sobre a igreja.

Como se vão apercebendo uma das coisas que existe não só na Ilhas das Flores mas em todas as ilhas dos Açores é miradouros e nós, principalmente, num dia mais lazeiro como este, quisemos parar em todos. Seguindo parte norte, parámos por isso no Miradouro dos Caimbros e depois no Miradouro da Pedrinha. Foi neste último que fomos sorteados por um espetáculo fantástico da natureza – como um simples fenómeno da natureza como o arco-íris nos fez sentir no topo do mundo.

Vista do Miradouro da Pedrinha

Por último parámos em Ponta Delgada – não fomos até ao farol (se calhar até devíamos ter ido) mas como a fome já apertava fomos ao supermercado “Miniflor” para nos abastecer. Mais restabelecidos demos a volta e seguimos a estrada desta vez para Sul passando por Lajes das Flores (o concelho mais ocidental da Europa), Lajedo e parando finalmente em Miradouro da Baía do Mosteiro.

Vista do Miradouro da Baía do Mosteiro

Mais acima fica a Cascata da Ribeira do Fundão que fica mesmo ao lado do Miradouro Rocha dos Bordões onde parámos no nosso primeiro dia na ilha das Flores. Como já referi, a ilha das Flores não é muito grande, apenas com uma área total de 141,7 km² e facilmente se atravessa de uma ponta à outra da ilha. Antes de irmos jantar ao “O Moreão”, parámos outra vez na Cascata do Poço do Bacalhau para uma última oportunidade de nadar debaixo de uma cascata.

Foi na ilha das Flores que vivemos o nosso último dia nos Açores e apenas abriu o desejo de conhecer todas as outras ilhas que não tivemos oportunidade de o fazer nesta viagem .

Sugestão extra:

Se quiserem visitar a Ilha do Corvo, é quando visitam as Flores que têm a melhor oportunidade para o fazer – um barco da companhia Atlanticoline faz a travessia diariamente – e basta um dia para visitar a Ilha do Corvo (que vos falarei no próximo post). No entanto, a parte (ainda) mais bonita das Flores foi quando na viagem de regresso da Ilha do Corvo o barco fez uma rota extra para termos oportunidade de ver as grutas e as cascatas da parte norte da Santa Cruz das Flores e foi lindíssimo. Não há palavras para descrever a beleza que vimos. Se não forem à Ilha do Corvo aconselho imenso a marcarem por uma companhia independente uma viagem de barco pela costa da Ilha das Flores. Na verdade, nós até tentámos fazer uma segunda viagem de barco no último dia, mas obviamente já foi em cima da hora. Mas vale a pena a viagem de barco – a melhor coisa que vimos na Ilha das Flores.



Açores – Ilha de São Miguel (Parte 3)

Terceiro dia na ilha de São Miguel. O dia começou de uma maneira magnífica no Salto do Cabrito, uma cascata com um laguinho. A água é muito fria, mas difícil de resistir não entrar por ali adentro. Uma das coisas mais especiais de visitar os Açores foi a oportunidade de nadar debaixo de cascatas. E definitivamente o Salto do Cabrito criou memórias especiais.

Passámos em seguida para um outro local que adorámos visitar, o Monumento da Caldeira Velha. Este parque é mais conhecido por ser um dos locais com águas termais onde se pode tomar banho, mas devido ao COVID-19, neste momento não é possível fazê-lo. Mas apesar de não se puder aproveitar os banhos de águas quentes o parque vale a pena ser visitado. O local apesar de ser nos Açores cria um ambiente tropical, muito distinto.

Tendo o sol sorrido para nós, aproveitámos para visitar os miradouros. E o primeiro foi o Miradouro da Pedra dos Estorninhos. Obviamente, como esperado, a vista era de cortar a respiração. Mesmo ali ao lado fica o Miradouro do Salto da Farinha onde existe uma cascata altíssima. Para chegar à cascata é preciso passear por um parque/bosque, mas não é de difícil acesso.

Se tudo o que tínhamos visto até ali tínhamo-nos deixado de coração cheio, mais foi o que veio a seguir. Fomos visitar o Parque Natural dos Caldeirões. Posso-vos dizer que foi dos sítios mais bonitos que já tive oportunidade de visitar na minha vida e não, as fotografias não fazem justiça ao sítio. Passaria aqui horas e horas de bom agrado.

Já para o meio da tarde e aproveitando o céu limpo fomos até a outros dois miradouros: o Miradouro da Ponta do Sossego e o Miradouro da Ponta da Madrugada. Fiquei impressionada por dois motivos, por serem zonas muito bem arranjadas, com passadiços e flores e a outra razão foram os gatos. Sim, gatos. Existem gatos por todo o lado numa zona onde mal existe casas. Como é que eles vivem ali? Na verdade, já falei com outras pessoas que também tiveram oportunidade de visitar estes miradouros e também elas repararam e se espantaram com o número de gatos naquela zona.

Para a noite e querendo não deixar a ilha sem visitar a cidade mais importante, Ponta Delgada, fomos dar uma volta rápida. Definitivamente as Portas da Cidade iluminadas de azul foi o ponto que mais nos atraiu.

E foi com muita pena que chegámos ao nosso último dia na ilha de São Miguel. Este local deu-nos muito, paisagens maravilhosas, locais de encanto e comida de chorar por mais. Depois de várias tentativas, finalmente fomos ao Miradouro da Vista do Rei e tivemos oportunidade ter avistar as duas lagoas da Lagoa das Sete Cidades, a lagoa azul e a lagoa verde.

Para terminar mesmo a viagem em grande, decidimos aproveitar os banhos de águas termais. Havia algumas opções inicialmente, mas a escolha não foi difícil. Na verdade, tínhamos o Monumento da Caldeira Velha que nesta altura não esta aberta a banhos, o Parque Terra Nostra e a Poça da Dona Beija, estes dois últimos na zona das Furnas. Gostaríamos de ter visitado os dois claro, mas acabámos por escolher a Poça da Dona Beija. E não nos arrependemos por nada. Existem várias piscinas naturais com várias temperaturas e claro que tivemos que experimentar todas. A experiência é única.

Aliás posso garantir que todas as experiências que tenham nos Açores sejam elas semelhantes ou não com as nossas, serão espetaculares. Não tenham dúvida que os Açores é um paraíso na terra.

Açores – Ilha de São Miguel (Parte 2)

Nós estivemos em São Miguel durante quase 5 dias e apesar de termos ido no final de Setembro, houve dias que mostraram como é viver numa ilha relativamente ao tempo, isto é super incerto. Para além disso numa zona da ilha poderá estar um lindo dia de sol e no outro nevoeiro completamente cerrado. No primeiro dia de viagem pela ilha de São Miguel focámo-nos na parte a oeste da ilha, mais precisamente na zona da Lagoa das Sete Cidades. Assim depois de um ótimo pequeno-almoço seguimos para o Miradouro das Cumeeiras. E assim foi a bela vista da foto em baixo que pudemos desfrutar.

Já estava com ela fisgada para o ataque

Podia ter sido pior? Podia. Mas estava pior quando lá chegámos, estivemos foi a fazer tempo à espera que pelo menos conseguíssemos ver alguma coisa. E felizmente o sol ainda sorriu timidamente e deixou-nos tirar uma fotografia que mostre a beleza dos Açores. Enquanto estivemos à espera tivemos por companhia vacas. Sim, vacas, elas estão por todo o lado. Aliás íamos sendo quase atacados por elas enquanto estávamos dentro do carro. Elas bem que tentaram atacar por todos os lados do carro até estarmos completamente cercados, até que fomos salvos por uma senhora com ar de amazona.

Para o meio da manhã tínhamos marcado uma sessão de kayake com a agência Garoupa Canoe Tours (website aqui). Assim andámos para lá às volta na lagoa azul e na lagoa verde. Confesso que isto sendo a minha primeira experiência apercebi-me que não tenho deveras muito jeito para isto. Mas, pelo menos tentei. No entanto se não fosse pelo meu marido ainda agora andava lá as voltas sobre mim mesmo até que alguém tivesse pena de mim e me resgatasse.

A nossa segunda paragem era a Ponta da Ferraria onde se encontra uma piscina oceânica natural de água termal. Pelo caminho apercebi-me porque as flores são uma das imagens mais prominentes do Açores. Realmente a experiência de conduzir numa estrada rodeada de flores tão bonitas não deixa ninguém indiferente.

São Kms maravilhosos disto, flores and flores…

A piscina natural que andámos à procura faz ligação com o mar. A água não estava tão quente como pensei, mas também o tempo e a chuva não ajudavam. Obviamente isso não me impediu de me juntar aos muitos que também lá estavam. Para quem quiser desfrutar esta zona ao máximo existe um spa nessa zona com vista para o mar.

Esperando que o tempo estivesse do nosso lado durante a tarde o nosso percurso era voltar para a Lagoa das Sete Cidades, onde parámos na ponte que separa as duas lagoas e em seguida para dois miradouros que pareciam promissores – O Miradouro da Vista do Rei e o Miradouro da Grota do Inferno. No entanto, sem sorte; se estava mau de manhã, agora ainda estava pior e decidimos acabar por ali a nossa exploração (mas ainda conseguimos voltar ao miradouro da Vista do Rei noutro dia e sim, vale a pena). Uma das curiosidades desta zona é que mesmo ao lado do miradouro pode-se ver a estrutura completa de um hotel abandonado – o Hotel do Monte Palace. Este hotel está ao abandono desde os anos 80 e com aquele tempo de nevoeiro parece mesmo um hotel fantasma.

Ponte que separa a lagoa verde da lagoa azul

Para jantar, decidimos experimentar um restaurante que ficava perto do nosso hotel – O Botequim Açoriano. Talvez a muitos pareça estranho terem um restaurante ao lado de um cemitério, mas pela comida vale a pena. Nós experimentámos um prato de polvo – “Polvo à Botequim” que vos digo ser tão bom que voltámos aqui no último antes de deixarmos a ilha, para repetir a iguaria. Não vos minto, neste momento devoraria um prato bem servido de polvo.


Seguindo para o dia seguinte com esperanças de um tempo melhor desta vez para a zona central da ilha. Começámos pela Ermida de Nossa Senhora da Paz, uma capela com vista panorâmica (uma vista espetacular tenho que dizer) construída no século XVIII. A capela no seu interior é muito simples, mas não se iludam o exterior é lindíssimo. Uma vez mais, as flores adicionaram um fator extra.

A lagoa do Congro foi a nossa próxima paragem. É preciso andar um bocado até chegar a esta lagoa meia escondida pela vegetação, mas vale a pena o pequeno esforço.

O nosso itinerário teve que ser modificado devido ao tempo. Hoje estava também nevoeiro e por isso decidimos pela tarde irmos visitar uma das zonas mais conhecidas não só da Ilha de São Miguel mas de todos os Açores – As Furnas. Quem é que nunca ouviu falar sobre o famoso cozido à portuguesa que é feito dentro de água a ferver nos Açores? A típica paisagem de pequenas caldeiras no chão a emitir fumo e água a fumegar.

Caldeiras da Lagoa das Furnas

Primeiro parámos no Miradouro do Pico do Ferro de onde podemos avistar por completo a Lagoa das Furnas. E antes de estacionarmos o carro perto das Furnas para ali passear fomos visitar a Cascata da Ribeira Quente. Aviso que para visitar esta cascata têm que deixar o carro depois dos túneis (são dois não muito longos), estacionar em cima da erva, andarem para dentro do túnel, passar pela barreira de ferro na zona que separa os dois túneis e descerem as escadas. Difícil? Nem por isso, mas talvez um bocadinho mais perigoso do que tínhamos em conta para visitar uma cascata. No entanto, enquanto andávamos aqui no meio desta pequena aventura, muitos como nós faziam o mesmo.

Finalmente, estacionámos o carro nas Furnas e podemos visitar a chamada “Caldeiras da Lagoa das Furnas“. O cheiro característico a enxofre está bem presente nesta zona, mas não deixa de ser espetacular estas manifestações vulcânicas. Não tivemos oportunidade de experimentar o cozido feito aqui, o que foi pena, mas já se sabe que nas viagens fica sempre algo por fazer. Como tínhamos feito marcação para o Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel que vos falei no post anterior (ver aqui) não fomos até à Poça da Dona Beija, o que ficou para o dia seguinte – não percam por nada este sítio de que vos falarei no próximo post. Com esperanças ainda de podermos ver a Lagoa do Fogo antes do jantar, parámos no “Miradouro da Lagoa do Fogo” e só vos digo que ficámos com pena de não passar mais tempo nesta ilha para podermos explorar com tempo cada cantinho. Porque realmente os Açores é um local de beleza sem comparação.

Lagoa do Fogo

Açores – São Miguel (Parte 1)

Quis deixar a ilha de São Miguel para último, não porque não gostámos de visitar a ilha, de maneira alguma, mas porque foi onde passámos mais tempo e por isso queria dar especial atenção à ilha que me fez sonhar acordada, a ilha de São Miguel.

A ilha de São Miguel é a maior ilha do arquipélago dos Açores e aquela que é mais fácil voar desde Portugal (ou de outros países). O aeroporto em Ponta Delgada, São João II foi onde aterrámos depois da nossa primeira aventura no Pico. Mais uma vez alugámos o nosso carro na agência Ilha Verde e depois de nos instalarmos fomos para a cidade de Ponta Delgada. A nossa prioridade era encontrar um sítio rápido para almoçar. Como muitas vezes acontece quando chegamos assim de repente a um sítio desconhecido e está na hora de comer, procurámos o centro comercial mais próximo; desta vez o “O Parque Atlântico” e lá fomos nós para no Burguer King. Para quem conhece as nossas viagens, sabe que isto acontece várias vezes.

Burguer King no Parque Atlântico

O centro comercial fica a cerca de 10-15 minutos do centro da cidade e foi onde sempre estacionámos o carro mesmo quando fomos visitar Ponta Delgada, ficando aqui a dica para quem não gosta de andar à procura de estacionamento.

Para a tarde tínhamos reservado algo que pensámos ser uma experiência excecional – a primeira tentativa de mergulho. Com marcação para o início da tarde com a empresa BEST SPOT AZORES PADI 5* DIVE CENTER (website aqui) lá fomos nós todos contentes. Antes de nos vestirmos a rigor e entrarmos para o barco que nos levaria ao local de mergulho, houve uma “pequena” explicação dos cuidados básicos. A partir deste ponto eu e o meu marido já não estávamos tão certos que isto fosse correr bem. Mesmo assim vestimo-nos e lá fomos para o local ao pé de um recife. Ao contrário do que acontece com quase toda a gente que depois de experimentar mergulho pela primeira vez diz “foi muito fixe”, “aquilo é tão bonito lá em baixo”, “ah tantos peixes” nós fomos diferentes: eu acabei por ter um ataque de claustrofobia por isso desisti e o meu namorado acabou a vomitar dentro do barco. Por isso foi assim a nossa experiência de mergulho – sempre a aprender – e a lição aqui foi “Mergulho Não!”

Depois de esta experiência tudo menos enriquecedora fomos para o hotel. A principal razão da nossa vinda aos Açores tinha sido um voucher que nos deram quando comprámos as alianças, estadia grátis de 5 noites com pequeno-almoço em Portugal. Assim sendo, pensámos que era a desculpa ideal para irmos finalmente aos Açores. A nossa reserva estava marcada com o “Hotel Vale do Navio” em Capelas. Não imaginam a nossa cara de espanto quando chegámos e aquilo era um hotel fantasma. Estava completamente vazio. Ainda não desesperados mas consternados e um bocado preocupados ligámos para o contacto que tínhamos e disseram-nos que realmente o hotel estava fechado e que a nossa reserva tinha sido mudada para um hotel ali perto o “Pedras do Mar Resort & SPA”. Tenho-vos a dizer que isto acabou por ser um upgrade ao nosso hotel – este era um hotel de 5 estrelas bem mais perto do mar. O quarto era fantástico, o bar estupendo, o pequeno-almoço delicioso e a vista soberba. Não vos posso recomendar mais. Nós não nos queríamos vir embora (como podem ver pelo vídeo da nossa vista do nosso quarto e pelas fotografias).

Para acabar o nosso primeiro na ilha de São Miguel em grande fomos jantar ao “Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel” (website aqui). Aviso-vos que é extremamente difícil arranjar mesa sem marcação. O restaurante tem duas partes e nós quisemos experimentar ambas, o que fizemos em dias diferentes. No primeiro dia, porque não tínhamos reserva ficámos na parte exterior, a parte de Churrasco (que nós achámos que era a melhor) e a parte interior que é o próprio restaurante. Digo-vos esta foi uma das melhores carninhas que já comi na vida. Não é sem razão que é tão difícil arranjar mesa neste restaurante, no entanto estando nos Açores têm que experimentar o que é um dos mais conhecidos restaurantes da ilha.

Açores – Ilha do Corvo

A Ilha do Corvo é a ilha mais pequena de todo o arquipélago dos Açores pertencendo juntamente com a Ilha das Flores ao Grupo Ocidental. Esta ilha tem apenas cerca de 17 Km², com 4 Km de largura e 6,5 Km de comprimento.

Para visitar esta ilha a forma mais fácil é partir das ilha das Flores de barco, uma travessia que é feita diariamente pela companhia Atlânticoline e que dura cerca de 35-45 minutos.

Viagem de barco para a Ilha do Corvo
O barco da Atlânticoline que faz a travessia entre ilhas

O que visitámos na ilha do Corvo?

O local mais conhecido é certamente o Caldeirão – uma lagoa que foi formada na cratera do vulcão que deu origem à ilha do Corvo e que nela existem pequenas “ilhas”. Na verdade foi-nos dito “A ilha mais pequena dos Açores tem as 9 ilhas do arquipélago”. Realmente se olharem para o caldeirão poderão verificar que existem 9 “ilhas”.

No Miradouro do Caldeirão

Existem várias empresas que vos poderão levar ao Caldeirão, na verdade quando desembarcámos havia vários carros já disponíveis para esse intento. No entanto, nós quisemos fazer o nosso percurso e também conhecer um pouco da vila e por isso subimos até ao caldeirão a pé (seguimos pela estrada principal).

Uma das coisas que mais me impressionou na ilha do Corvo, principalmente no nosso caminho de volta do Caldeirão para a vila foi o silêncio. É uma experiência quase alienígena para quem vive na cidade. O único som que vai cortando este silêncio é o mugido das vacas, que estão em todo o lado. Posso-vos garantir que na ilha do Corvo irão ver mais vacas do que pessoas.

A subida desde a vila do Corvo até ao Caldeirão levou-nos cerca de 2 horas e meia. Primeiro começámos a seguir pelos trilhos mas desistimos a meio e preferimos seguir pela estrada, posso-vos garantir que o caminho é feito de maneira muito mais fácil e rápida. Se decidirem ir até ao Caldeirão de carro aproveitem para fazerem o trilho à volta do Caldeirão, que dizem demorar cerca de 2 horas e meia – para mais informações sobre os trilhos na ilha do Corvo vejam aqui: http://trails.visitazores.com/pt-pt/trilhos-dos-acores/corvo/caldeirao

Sem ser o Caldeirão existe também outro local de interesse, uma formação rochosa que se parece com a cara de um índio (podem também ler sobre esse trilho no link que vos deixei acima).

No final da tarde enquanto estávamos à espera do barco ainda fomos até a um cafezito “Traineira” e em seguida demos uma voltinha à vila (o que acreditem se faz rapidamente) e vimos à distância os moinhos de vento e o aeródromo desta ilha. A vila do Corvo, do que tivemos oportunidade de ver, é pequenina como o esperado, com as suas ruas muito estreitinhas e simples arquitectura.

Para nós um dia bastou para visitar a ilha do Corvo. Para também pouparmos um bocadinho mais levámos já comida e água connosco, pois durante a subida e posterior descida do Caldeirão não encontrarão nenhum espécie de loja.


Açores – Ilha das Flores (2ª Parte)

Acomodação

Vou começar este post pela nossa acomodação – a Casa Atlântida. E vou começar pelas partes positivas – o local é lindíssimo, mesmo junto à praia e com vista para a cascata do Poço do Bacalhau. Não podia pedir melhor. No entanto, nós tivemos que mudar as datas da nossa viagem de Abril para Setembro devido à pandemia e digamos que tivemos sempre dificuldade em entrar em contacto com a Casa Atlântida. Por isso imaginam o nosso “quase” desespero quando chegamos e vemos tudo fechado, ninguém atendia os números de telemóvel e sem conhecer ali ninguém. Para não ficarmos para ali embasbacados, o meu marido decidiu irmos primeiro ao supermercado fazer compras, comer qualquer coisa e depois se viria. Chegámos ao “supermercado” (entre aspas porque não é assim tão grande o espaço) Super Fajã e perguntámos à senhora se conhecia alguém da Casa Atlântida. A senhora foi um espetáculo, disse que conhecia uma rapariga que trabalhava lá, telefonou e conseguiu que o senhorio da Casa Atlântida viesse nos abrir a porta quando voltámos do supermercado. A sério, a atitude da senhora foi 5 estrelas.

A vista da porta da nossa casa

A casa em si era grande, dois quartos, uma sala/cozinha enorme. Se não tivesse sido o início tão desgostoso, a experiência tinha sido quase perfeita.


Experiências Gastronómicas

Agora em relação a restaurantes que experimentámos na ilha das Flores. Na primeira noite, decidimo-nos ficar por casa e comprámos o jantar na Super Fajã. Se pensei que estávamos a perder a oportunidade de ter uma melhor refeição num restaurante, as duas noites seguintes provarão o contrário. Tínhamos perguntado ao senhorio quando nos abriu a porta, por restaurantes ali à volta. Então, havia um bom mas só com marcação, outro que era bom mas a senhora às vezes abria o restaurante outras vezes não e um outro no fundo da estrada que era mais conhecido e ofereciam diferentes tipos de comida sem ser necessário fazer marcação. Sendo assim, pareceu-nos que para a segunda noite o melhor seria o último restaurante que o senhorio nos recomendou que se chama “Papadiamandis Restauranti“. As entradas – uma tábua de queijo e cesto de pão foram boas, o queijo ótimo (especialmente para uma pessoas como eu que adora queijo).

Depois de algum tempo ali sentados apercebi-me que o prato mais famoso era esparguete/massa à carbonara. E se calhar foi esse o nosso erro, pedir os pratos errados. Isto porque o meu bife vinha com um molho que parecia a marinada que se faz para a carne e o meu marido pediu lulas grelhadas que de bom só mesmo as lulas. Porque pensámos que nós é que tínhamos pedido os pratos errados, pedimos as duas ofertas de sobremesas que tinham – infelizmente se uma era muito doce a outra era muito amarga (e não, não se complementavam). Mas talvez tenha sido só a nossa experiência, porque afinal já li reviews que dizem que a comida estava boa e o restaurante está até bem avaliado. Talvez se lá pararem peçam massa ou pizza e ficarão satisfeitos.

No entanto, depois da experiência da noite seguinte, percebo o porquê do Papadiamandis Restauranti ser o melhor/mais famoso restaurante da ilha das Flores. Desta vez experimentámos um restaurante na Santa Cruz das Flores. Nós queríamos muito experimentar muito um chamado de “O Forno Transmontano” – as reviews são ótimas e pelas fotos da comida, esta parece ser deliciosa. No entanto, têm que ligar de manhã para o restaurante, não para fazer reserva da mesa, mas porque a senhora compra o necessário para a confeção dos pratos por encomenda. Como nós ligámos já ao final da tarde, já não conseguimos experimentar este restaurante. Então acabámos por ir ao restaurante “O Moreão“.

Lapas grelhadas no Moreão

Eu não quero criar aqui uma crítica muito negativa, até porque o atendimento foi 5 estrelas e as lapas grelhadas eram boas – nunca tínhamos experimentado e gostámos. E para mim foi isso. Por isso vou deixar por aqui a minha opinião sobre a comida que me foi servida. Só um conselho – se vierem aqui peçam peixe.

Obviamente que há muitos mais restaurantes na ilha das Flores e nós só experimentámos dois. Tivemos o azar de as nossas experiências não terem corrido muito bem, mas eu por curiosidade voltava ao Papadiamandis Restauranti para lhe dar mais uma oportunidade. E definitivamente fazia reserva com antecedência para experimentar “O Forno Transmontano”.

Também fomos a um restaurante/bar perto da Casa Atlântida, “Barraca Q’abana“, só para bebidas ao final da noite. No entanto, depois da desilusão do Moreão, ficámos com muita pena de não termos vindo aqui jantar. O atendimento espetacular, o casal é super comunicativo e engraçado. A comida é do tipo “fast-food” mas barata e tenho a certeza bem melhor do que a que tínhamos comido nessa noite. Se estiverem por perto da Fajã Grande não percam a oportunidade de passar por aqui, onde também encontrarão o maior gato das vossas vidas (mas muito meiguinho) e um coelho que vem comer à mão.

Contactos

Website (Papadiamandis Restauranti): https://www.facebook.com/papadiamandisfaja/

Website (Barraca Q’abana): https://www.facebook.com/Barraca-Qabana-1000518216695301/?fref=ts


O que vimos no último dia na Ilha das Flores

Este não seria só o último dia na ilha das Flores – seria o nosso último dia nos Açores. Depois de 13 dias e 4 ilhas estávamos cansados mas cheios de novas recordações. Inicialmente tínhamos pensado fazer um trilho que liga Ponta Delgada à Cascata do Poço do Bacalhau, mas depois de no dia anterior termos subido a ilha do Corvo a pé, o corpo pedia por descanso. E foi por isso que passeámos pela ilha das Flores de carro. Também rapidamente se atravessa a ilha de uma ponta á outra de carro. Por isso decidimos levar o nosso tempo a ir até Ponta Delgada e a voltar pelo sul. Fomos por isso parando pelo caminho para apreciar o dia glorioso que estava e a paisagem que parecia tão nossa naquele dia.

Depois de passarmos pela Igreja Nossa Senhora de Lourdes, em Fazenda de Santa Cruz, parámos perto da cascata que fica ali perto não só para ver a cascata como também ter uma vista “panorâmica” sobre a igreja.

Como se vão apercebendo uma das coisas que existe não só na Ilhas das Flores mas em todas as ilhas dos Açores é miradouros e nós, principalmente, num dia mais lazeiro como este, quisemos parar em todos. Seguindo parte norte, parámos por isso no Miradouro dos Caimbros e depois no Miradouro da Pedrinha. Foi neste último que fomos sorteados por um espetáculo fantástico da natureza – como um simples fenómeno da natureza como o arco-íris nos fez sentir no topo do mundo.

Vista do Miradouro da Pedrinha

Por último parámos em Ponta Delgada – não fomos até ao farol (se calhar até devíamos ter ido) mas como a fome já apertava fomos ao supermercado “Miniflor” para nos abastecer. Mais restabelecidos demos a volta e seguimos a estrada desta vez para Sul passando por Lajes das Flores (o concelho mais ocidental da Europa), Lajedo e parando finalmente em Miradouro da Baía do Mosteiro.

Vista do Miradouro da Baía do Mosteiro

Mais acima fica a Cascata da Ribeira do Fundão que fica mesmo ao lado do Miradouro Rocha dos Bordões onde parámos no nosso primeiro dia na ilha das Flores. Como já referi, a ilha das Flores não é muito grande, apenas com uma área total de 141,7 km² e facilmente se atravessa de uma ponta à outra da ilha. Antes de irmos jantar ao “O Moreão”, parámos outra vez na Cascata do Poço do Bacalhau para uma última oportunidade de nadar debaixo de uma cascata.

Foi na ilha das Flores que vivemos o nosso último dia nos Açores e apenas abriu o desejo de conhecer todas as outras ilhas que não tivemos oportunidade de o fazer nesta viagem .

Sugestão extra:

Se quiserem visitar a Ilha do Corvo, é quando visitam as Flores que têm a melhor oportunidade para o fazer – um barco da companhia Atlanticoline faz a travessia diariamente – e basta um dia para visitar a Ilha do Corvo (que vos falarei no próximo post). No entanto, a parte (ainda) mais bonita das Flores foi quando na viagem de regresso da Ilha do Corvo o barco fez uma rota extra para termos oportunidade de ver as grutas e as cascatas da parte norte da Santa Cruz das Flores e foi lindíssimo. Não há palavras para descrever a beleza que vimos. Se não forem à Ilha do Corvo aconselho imenso a marcarem por uma companhia independente uma viagem de barco pela costa da Ilha das Flores. Na verdade, nós até tentámos fazer uma segunda viagem de barco no último dia, mas obviamente já foi em cima da hora. Mas vale a pena a viagem de barco – a melhor coisa que vimos na Ilha das Flores.


Açores – Ilha das Flores (1ª Parte)

Umas das coisas mais incríveis de visitar os Açores e de ter oportunidade de conhecer diferentes ilhas é que todas elas têm as suas particularidades – a ilha do Pico a montanha, a ilha de São Miguel as inúmeras flores e a ilha das Flores as cascatas e o verde magnífico. A primeira impressão que tive das Flores é que a paisagem parecia resultado de um filtro de telemóvel onde se aumentava a vivacidade das cores dando ao verde um tom quase surreal. Estivemos nas Flores durante três dias, no entanto, ao segundo dia fomos visitar o Corvo, por isso a nossa viagem nas Flores só contou com dois dias.

Chegámos bem cedo à ilha das Flores vindos da ilha de São Miguel e mais uma vez depois de termos o nosso carro alugado através no Booking.com na companhia Ilha Verde, metemo-nos a conhecer esta que seria a nossa terceira ilha.

Como partíamos do aeroporto das Flores, em Santa Cruz das Flores, fomos primeiro visitar a Lagoa da Lomba. O tempo não esteve maravilhoso durante a manhã como é possível ver pela foto abaixo, mas não deixou de por isso não proporcionar uma bela paisagem.

Lagoa da Lomba
Lagoa Seca
Lagoa Comprida
Lagoa Funda

Em seguida dirigimo-nos até às quatro lagoas que fazem parte da Reserva Florestal Natural do Morro Alto e Pico da Sé – a Lagoa Seca, a Lagoa Comprida, a Lagoa Funda e a Lagoa Branca. Para termos oportunidade de esticar as pernas estacionámos o carro no Miradouro da Lagoa Seca e fomos a pé até à Lagoa Comprida e Lagoa Funda que ficam ao lado um da outra, através de um trilho que ficámos a saber pertencer ao um dos muitos trilhos que se podem fazer na ilha das Flores – este começa exatamente entre a Lagoa Comprida e a Lagoa Funda e vai até à cascata do Poço do Bacalhau – o trilho chama-se PR03 FLO com 7.3 Km e que leva cerca de 3 horas. O caminho encontra-se bem sinalizado e no quadro das fotografias abaixo há várias instruções para segurança dos que se aventuram por este trilho. Tal como expliquei sobre a sinalização na subida da montanha do Pico, aqui também vão-se encontrando estacas de madeira com as famosas listas amarelas e vermelhas que vão indicando o caminho a seguir.

Depois de passearmos pelas lagoas, passando também pela Lagoa Branca, subimos de carro até ao Morro Alto, o ponto mais alto da Ilha das Flores e onde se encontra uma enorme torre de comunicações sendo este um ponto geográfico de extrema importância para a Marinha, pois pode comunicar com embarcações que passam entre os dois continentes – Europa e América. Claro não será necessário referir que deste local tem-se uma vista incrível, sendo também possível ver a ilha mais perto da ilha das Flores – a ilha do Corvo.

Já indo mais a sul da ilha das Flores, visitámos o Miradouro da Caldeira Funda e a Caldeira Rasa. Ainda antes de chegar aqui apercebemo-nos do pouco movimentado que existe na ilha das Flores. Trânsito, confusões e multidões são conceitos que não pertencem à ilha das Flores.

Caldeira Funda
Caldeira Rasa

Já subindo a costa este da ilha em direção à nossa acomodação que vos falarei noutro post parámos no Miradouro Rocha dos Bordões, nome dado devido à rocha que apresenta enormes colunas prismáticas verticais de basalto.

Rocha dos Bordões

Avançando mais para norte ainda parámos no Miradouro do Portal, onde a paisagem é simplesmente de deixar qualquer um de queixo caído. O mar, as rochas, as montanhas e as várias cascatas rasgando a rocha. Várias vezes passámos por aqui e em todas elas a paisagem impressionou-me. É difícil a natureza ser mais bela. Simplesmente maravilhados com a ilha das Flores, estacionámos o carro ao pé do Poço da Ribeira do Ferreiro. Para chegar até às cascatas e à Lagoa dos Patos é necessário seguir o trilho pela montanha, o que se faz facilmente e apesar de ser bonito nada avisa para a paisagem final. Não há palavras para descrever a beleza, nem sequer as fotografias são capazes de transmitir todo o esplendor deste local.

Por último visitámos a Cascata do Poço de Bacalhau – outra paisagem que não tem nada de comum e tudo para nos fazer apaixonar pela ilha das Flores. Porque a nossa acomodação era pertíssimo desta cascata voltámos aqui no último dia onde tive a oportunidade maravilhosa de nadar debaixo de uma cascata.


Açores – Ilha do Pico

A ilha do Pico nos Açores é a segunda maior ilha deste arquipélago, sendo mais conhecida pela majestosa montanha que por sinal se chama Pico e o ponto mais alto de todo o Portugal, com uma altitude de 2350 metros. A sua presença faz-se bem sentir por toda a ilha e o seu pico lá bem alto por cima das nuvens faz crescer a vontade de subir até ao cimo, principalmente aos que gostam de desafios.

A vista da montanha do Baco’s Resort

A ilha do Pico foi o nosso primeiro contacto com os Açores. Chegámos já ao final da tarde e depois de passarmos pelo processo de entregar e confirmar toda a documentação necessária no aeroporto (para mais informação clicar aqui) e termos em mãos o nosso carro alugado na companhia Ilha Verde (nós alugámos todos os carros durante esta viagem aos Açores através do www.booking.com) chegámos ao sítio onde iríamos ficar instalados nas 3 noites seguintes – Baco’s Resort. A nós calhou-nos a casinha que ficava mesmo ao lado da piscina (o que eu adorei) e do Jacuzzi que acabámos por não ter oportunidade de usufruir. As casas são o que se pode chamar de rústico pitoresco e de tamanha perfeito. O pequeno-almoço era-nos trazido todos os dias de manhã pela responsável que deixava-o dentro de uma cesta no alpendre, devido ao Covid-19. Eu adorei ter tido a oportunidade de passar a nossa estadia na ilha do Pico no Baco’s Resort e se voltar a esta ilha certamente que ficarei aqui novamente.

Baco’s Resort
Pequeno-almoço (sim nós estávamos a tentar matar a manteiga)

Baco’s Resort website: https://www.bacoresort.com/pt/

Baco’s Resort morada: Rua do Lajido do Meio, Santa Luzia, 9940-110 Lajido, Portugal

Booking.com (a plataforma onde marcámos a estadia na ilha do Pico)


No dia em que chegámos como tinha sido um dia comprido, afinal tínhamos apanhado o voo de Inglaterra para Lisboa, depois de Lisboa para a Ilha do Pico que fez uma rápida paragem na ilha Terceira – acabámos por decidir ir comprar comida a um pequeno supermercado em vez de irmos a um restaurante. Encontrámos este supermercado relativamente perto de nós e ainda aberto – HIPERCAIS – e tal como miúdos comprámos todas as delícias portuguesas que não temos aqui em Inglaterra, como bacalhau com natas e lulas de caldeirada. Para experimentar algo da zona acabámos por comprar um licor de limão que era muito bom (e também muito forte).

No dia seguinte, fomos presenteados com mais comidinha portuguesa ao pequeno-almoço – o quanto eu tinha saudades destas maravilhas! Especialmente depois de um mergulho rápido na piscina, o que faz com que o dia comece logo da melhor forma.

Para esse dia tínhamos reservado a subida ao Pico. Para fazer a subida ao Pico é necessário fazer a reserva no website da Casa da Montanha e escolher o dia e o horário em que querem começar a subida. Também há opção de fazer a subida à noite ou pernoitar na caldeira mas para isso só com guia. Para realizar a subida é preciso realizar o pagamento de 25 euros por pessoa.

Agora em relação à subida…

Vista no começo da subida ao Pico

Não vos vou mentir – a subida é difícil, a descida é ainda mais difícil, toda a experiencia é difícil. Posso mesmo dizer que a subida ao Pico foi uma das coisas mais difíceis que fiz na minha vida. Mas vamos começar pelo início. O que é preciso para subir o Pico? MUITA ÁGUA – nós dois levámos 2L de água cada e no final tivemos que a racionar – calçado confortável e seguro, um casaco impermeável, roupa confortável/desportiva, comida e protetor solar – nós esquecemo-nos deste último item e sofremos um bocado com um escaldão na cara e nos braços. Nós tínhamos a noção que a subida ia ser difícil, mas não sabíamos que ia ser assim. Mas fomos avisados logo de início – mal chegámos à Casa da Montanha houve um grupo de rapazes que vinha a chegar e um deles repetiu três vezes “É muito bonito, muito bonito, mas nunca mais me veem lá em cima” – fomos avisados ainda não tínhamos começado a subir. Durante a subida perguntámos a um senhor que vinha a descer se valia a pena e a resposta dele “Olhe ainda nem lhe sei dizer, isto devia dar prazer mas o quanto é preciso sofrer para ter o prazer de chegar ao cimo” – segundo aviso. Não fomos enganados. No final de toda a experiência percebemos completamente o sentimento deste senhor.

Os postes de sinalização do caminho para subir o Pico, com as listas vermelha e amarela

O percurso até ao cimo do Pico, o “Piquinho”, vai sendo acompanhado por estacas de madeira com números, são no total 47, que vão indicando o caminho e ainda bem que as estacas estão ali, porque ao contrário do que pensámos não há nenhum trilho por isso é mesmo subida à profissional. Ainda antes de nos termos metido nesta viagem li um pouco sobre a subida ao Pico e dizia que do número 1 ao 10 o trilho era mais fácil – não se enganem – não há zonas mais fáceis é tudo difícil. Também, talvez porque não somos alpinistas nem atletas a subida e descida que devem levar à volta de 7 horas a nós levou-nos 10 horas. Começámos às 11 e meia a subir, chegámos à caldeira 16:38, ao Piquinho (o ponto mais alto) às 17:04 e de volta à Casa da Montanha às 21:47.

A esta hora já a Casa da Montanha tinha fechado e tinham ligado à responsável do Baco’s Resort porque nós ainda não tínhamos chegado e que se calhar era preciso disponibilizar meios para nos virem buscar (o que seriam uns agradáveis 1000 euros). Se no final já me apetecia chorar, acho que sim mas estava tão cansada que nem forças para isso tinha. Nós que tínhamos pensado ir jantar a um restaurante e experimentar a cozinha local, depois de chegarmos a casa e eu de não conseguir parar de tremer e do meu marido estar para ali a gemer de dores, acabámos por jantar o que tínhamos ainda das compras do dia anterior. Não, nunca mais nos pomos numa aventura destas – a vida de “falso” alpinista está completamente acabada para nós. Mas sim, posso dizer que tive oportunidade de subir ao Pico e que quando agora olho para aquele piquinho posso-me orgulhar e dizer que já estive ali.

No dia seguinte, o nosso último na ilha do Pico e depois da aventura do dia anterior, saímos já eram duas da tarde (o corpo precisava mesmo de descanso) – e fomos visitar a Lagoa da Rosada, a Lagoa do Peixinho, a furna do Frei Matias que é uma gruta de origem vulcânica criada por tubo de lava – se se quiserem aventurar nas grutas na ilha do Pico aconselho o Centro de Visitantes da Gruta das Torres que fazem excursões guiadas com segurança. Mais informações podem ser encontradas neste website: https://parquesnaturais.azores.gov.pt/pt/parques/5/centro/8

Lagoa da Rosada
Lagoa do Peixinho

Por último fomos visitar “Cachorro” e os “Arcos de Cachorro” – o nome dado “cachorro” é devido à forma da rocha que se parece com um cão. Os arcos de cachorro são formações rochosas de origem vulcânica que podem ser acedidas por um passadiço.

Para jantar e porque afinal tínhamos puxado o corpo até ao limite sem uma refeição decente fomos até ao Caffe 5 “Cinq” em Madalena. O atendimento foi supersimpático e a comida maravilhosa. A feijoada de camarão e a açorda de gambas eram deliciosas – recomendo muito este sítio para uma refeição 5 estrelas num ambiente descontraído.

Para acabar a nossa viagem à ilha do Pico fomos até ao Cella bar – um bar cujo edificio tem uma arquitetura completamente inovadora. Nós quando viemos aqui já era assim tarde e de noite por isso não aproveitámos o potencial deste local – durante o dia estando mesmo junto ao mar, a vista será certamente espetacular.

Informações sobre Caffe 5 “Cinq” e Cella Bar

Website (Caffe 5 “Cinq”) – https://www.facebook.com/cinq5cinco/?ref=hl

Morada (Caffe 5 “Cinq”) – Rua Carlos Dabney 5, 9950-327 Madalena, Portuga

Website (Cella Bar) – https://www.facebook.com/cellabar/

Morada (Cella Bar) – Rua Da Barca, 9950-303 Madalena, Portugal


Post seguintes:

Açores – Ilha das Flores (1ª Parte)

Açores – Ilha das Flores (2ª Parte)

Açores – Ilha do Corvo

Açores – Ilha de São Miguel (1ª parte)

Açores – Ilha de São Miguel (2ª parte)

Açores – Ilha de São Miguel (3ª parte)

Post anterior:

Açores

Açores

Há algum tempo que pensávamos ir aos Açores mas não foi até Janeiro de 2020 que decidimos o fazer. Nesta altura ainda não tínhamos qualquer noção do que se passaria nos meses seguintes e por isso marcámos a viagem para Abril. Como sabem em Abril foi quando praticamente todo o mundo estava em lockdown e por isso mudámos a viagem para finais de Setembro na esperança que nesta altura já pudéssemos viajar. Apesar de insegurança, os Açores se não é o destino mais seguro do mundo é pelos menos um dos.

Decidimos tirar 13 dias de férias e aproveitar para visitar diferentes ilhas e depois de algum pesquisa decidimo-nos pelas ilhas do Pico, de São Miguel, Flores e Corvo. Os voos de Lisboa para os Açores e inter-ilhas foram feitos através da companhia Sata Azores e apesar de ter sido alterado algumas vezes a hora dos nossos voos, acabámos por não termos problemas de maior com estas mudanças de horários. Também quero referir que esta companhia área foi super-rápida e prestável na nossa troca de voos de Abril para Setembro, o que fez com que não tivéssemos chatices de maior.

Sata Azores website: https://www.azoresairlines.pt/en

Para visitar a ilha do Corvo com partida da ilha das Flores fomos de barco pela empresa Atlanticoline que faz a travessia entre as duas ilhas dois vezes por dia para cada lado.

Atlanticoline website: https://www.directferries.pt/atlanticoline.htm

Agora em relação a papelada necessária em tempos de pandemia para visitar os Açores:

  • É preciso fazer o teste de zaragatoa faríngeo-nasal para o COVID-19 72 horas antes do voo e com resultado negativo. Se não o fizerem podem-no fazer à chegada para terão que fazer quarentena até que o resultado vos seja enviado. Para aqueles que não querem fazer o teste de todo, será necessário realizar quarentena de 14 dias no alojamento escolhido – mas suponho que para viajantes como nós esta opção não seja de modo algum viável.
  • Declarações necessárias para serem entregues no momento de chegada aos Açores (no aeroporto da ilha que vocês têm como destino final) podem ser encontradas no site: https://covid19.azores.gov.pt/?page_id=5528
  • No site acima mencionado afirmam que se preencherem o questionário online não é preciso a “Declaração à chegada aos Açores” – no entanto já tínhamos lido (e o que também nos aconteceu) é que no aeroporto pedem os dois questionários – portanto para não terem chatices façam o questionário online e imprimam o email que irão receber com um código e preencham também a declaração que acabei de mencionar.
  • Se vão viajar entre ilhas tem que se preencher a “Minuta de declaração para deslocação inter-ilhas“. Nós como fomos visitar 4 ilhas preenchemos esta declaração toda a informação relevante à ilha de São Miguel (a segunda ilha que iríamos visitar) e no topo do papel as datas com o voo para as Flores e o barco para o Corvo.
  • Se estiverem mais do que 7 dias nos Açores, no 6º dia a contar do dia da realização do 1º teste terão que realizar novo teste faríngeo-nasal para o COVID-19. Nós não sabíamos bem como isto funcionava, mas será a Delegação de Saúde do lugar onde estarão no 6º dia que vos contactará para marcar o teste. Nós recebemos uma chamada numa altura que não tínhamos os telemóveis connosco e depois fartámos nos de ligar até conseguirmos falar com alguém que nos marcasse o teste. Se o fizerem em Ponta Delgada, como nós, contem com cerca de 1 hora de espera para a realização do teste. Os resultados deveram-vos chegar por mensagem no dia seguinte.

Obviamente que tudo isto pode parecer muito trabalho mas se queremos manter os Açores como um dos destinos mais seguros do mundo, estas medidas têm que ser seguidas e cumpridas. E sim, vale a pena todo este esforço e muito mais porque os Açores é um destino lindíssimo, quase poético. Não há nada que não valha a pena visitar nos Açores desde cascatas, a lagoas, a banhos termais e muito mais. Foram 13 dias maravilhosos – foram muitos dias a conduzir, a viver novas experiências e a dizer com orgulho – Eu estou nos Açores.


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Açores – Ilha do Pico

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