O 6º e último dia em Lake District. A semana tinha passado num instante e mesmo com chuva e derreados de todas as subidas feitas partíamos de coração cheio e de recordações que não trocaríamos por nada. Para este último dia tínhamos inicialmente pensado ver mais umas coisitas que a esta altura desistimos – as nossas pernas pediam por descanso. Por isso é que apesar da nossa acomodação ficar bastante perto de Helvellyn, uma montanha que do topo teríamos uma paisagem magnífica à nossa frente, não a subimos. Queríamos e precisávamos de um dia menos atribulado. Por isso fomos logo depois do pequeno-almoço para a zona de Ullswater, mais especificamente para a zona da cascata – Aira Force Waterfall – para em seguida pararmos o carro ao pé do lago de Ullswater e passearmos um bocadinho por esta zona, visto que o tempo nos permitia a esse luxo (ou que é o mesmo que dizer que hoje não chovia).
Aira Force Waterfall
Para visitar a cascata pode-se parar em vários lugares; existe um parque de estacionamento que fica perto do lago – o Aira Force Car Park e depois subir junto à cascata (este parque de estacionamento é pago) ou podem como nós parar um bocadinho mais acima (e onde o GPS nos mandou) e estacionar sem ter que pagar. Nós chegámos a esta zona bastante cedo o que foi uma boa escolha visto que quando nos fomos embora havia uma confusão de carros ali à espera de estacionamento.
Vale imenso a passear por esta zona. Há um trilho que passa junto à cascata, pelo meio do bosque, que é fácil de fazer e o panorama que vos é oferecido é simplesmente maravilhoso.
Eu pela primeira vez toquei num cavalo (sim, com 31 anos nunca o tinha feito). Estes cavalos eram super meigos e andavam sempre à espera que lhe dessem comida (imagino as experiências gustativas que já devem ter tido devido aos turistas que alegremente lhes oferecem o que têm).
Ullswater
Em seguida, conduzimos à volta do lago Ullswater e estacionámos na parte mais a este deste, em Penrith, para esticarmos as pernas e conhecermos a zona. Passámos pela ponte Pooley (Pooley Bridge) onde existem alguns restaurantes e pubs. Nós ignorámos a parte comercial e aproveitámos mesmo para tirar fotografias e passear languidamente à volta do lago, num dia que passava calmamente.
Como foi este o dia em que tínhamos a reserva para as 6 e meia no restaurante “Woodstone Pizza & Flamegrill Keswick” não explorámos toda a zona e por muita pena minha não fizemos kayak que era uma das coisas que eu queria ter experimentado no Lake District (acabei por experimentar na viagem seguinte da qual vos falarei muito em breve).
E assim foi a nossa viagem ao Lake District – 6 dias de muito contacto com a natureza, de vilas engraçadíssimas e aventuras que nunca vamos esquecer. Espero que se tiverem oportunidade de também visitar o Lake District que as nossas experiências vos ajudem de alguma maneira.
Keswick é uma vila que tem se vindo a desenvolver na parte mais a noroeste do Lake District e por isso a tornar-se um foco principal do turismo. A vila fica entre a montanha Skidaw e a beleza incontestável do lago Derwentwater oferecendo uma grande variedade de comércio, incluindo restaurantes, lojas de recordações, pubs e muito mais. Nós adorámos a vila, tanto que o meu marido fartava-se de dizer que não se importaria nada de se mudar para lá. Uma das coisas que mais nos surpreendeu em relação a Keswick foi a dificuldade em fazermos reserva para os nossos jantares. É verdade que durante o mês de Agosto houve uma iniciativa do governo Inglês para as pessoas irem jantar fora depois da pandemia e para amenizar a crise que muitos negócios estavam a sofrer, e por isso de segunda a quarta-feira muitos restaurantes ofereciam 50% de desconto. No entanto, não estávamos a contar ter que telefonar para tantos restaurantes até finalmente encontrarmos um que ainda nos pudesse encaixar numa simples mesa para dois. Falarei mais à frente neste post sobre a nossa experiência em relação aos restaurantes que experimentámos – tanto comida como bebida.
Praça central de Keswick
Primeiro quero-vos falar do nosso alojamento – The Lodge in the Vale. Escolhemos este sítio por ficar um pouco afastado da vila mas ainda suficiente perto para o que pudéssemos precisar – Keswick ficava a 10 minutos – para além que enquanto aqui estivéssemos queríamos também visitar Ullswater que fica do lado este do Lake District. O quarto que nos foi atribuído era espaçoso, principalmente quando comparado com o do Bluebird Lodge, mas preferíamos que o nosso quarto não ficasse virado para a estrada devido ao barulho matinal. No entanto, não me queixo das comodidades oferecidas – a menos que vos fale do pequeno-almoço. Para o pequeno-almoço havia duas opções, uma era fazer reserva no dia anterior (incluindo escolher o que se queria comer) num pub que ficava literalmente a dois minutos a conduzir o “The King’s Head Inn” (que também é um hotel) ou então poderíamos comer no sítio onde estávamos mas que devido às medidas tomadas para prevenir o coronavírus seria-nos dado o pequeno-almoço num tabuleiro individual. Só nos enganaram no primeiro dia – foi o pior pequeno-almoço que já tive – posso mesmo dizer que achámos ridículo o que nos estavam a oferecer. Não vale a pena mencionar que fizemos logo reserva para tomarmos o pequeno-almoço no tal pub que vos mencionei acima nos dois dias seguintes e sim – não há comparação possível – as condições e a qualidade tanto do serviço como da comida.
Pequeno-almoço no Lodge in the Vale
Pequeno-almoço no “The Head’s King Inn”
O meu conselho é marcarem a vossa acomodação no “The King’s Head Inn” principalmente se organizarem a vossa viagem com antecedência. Nós devido a termos deixado tudo para cima da hora já não tivemos muita escolha em acomodações principalmente porque não queríamos gastar muito neste aspeto da viagem.
Website onde fizemos as nossas reservas: Booking.com
Agora, o que fizemos na área de Keswick?
Castlerigg Stone Circle
Neste local encontra-se um círculo de pedras com valor histórico. Apesar do local semelhante a este e o mais conhecido em Inglaterra ser definitivamente Stonehenge, Castlerigg Stone Circle é também um marco importante da época do neolítico.
Derwentwater – Surprise View
Já mencionei este local no post anterior, no entanto não posso deixar de adicioná-lo aos locais mais importantes a visitar na região, devido à paisagem que se abarca deste ponto (teria sido mais espetacular para nós se não tivesse chovido durante todo o tempo que aqui estivemos) – no entanto a vista do lago e das montanhas circundantes não deixou de merecer a nossa atenção.
Lodore Falls
Esta grande cascata fica bastante perto do Surprise View, por isso se passarem por um dos locais vale a pena perderem um bocadinho no outro. Penso que há um trilho que liga o Surprise View à cascata, mas como estava a chover imenso nem pensámos em nos aventurar. Para chegar à Lodore Falls aviso desde já que não pelo meio do hotel “Lodore Falls Hotel & Spa”. Nós tentámos todos os caminhos pelo meio do hotel tal como outros grupos de turistas estavam a fazer, mas não é por ali. Para chegar à cascata tem que se seguir por um trilho que existe ao lado do parque de estacionamento do hotel – que passa pelo meio da floresta. O caminho é fácil de se fazer até a esta cascata que nos maravilhou.
Passear por Keswick
Keswick foi a vila do Lake District onde passámos mais tempo. As várias lojinhas, as ruas estreitas e a sensação de não haver pressa fez-nos adorar passar o algum do nosso tempo em Keswick a explorar a vila.
Agora passando aos restaurantes que tivemos oportunidade de experimentar em Keswick e arredores:
The Lion – Bar & Kitchen
Depois de muito tentarmos conseguimos uma reserva para jantar neste pub para essa mesma noite (e estava completamente cheio para a noite seguinte). Chegámos um bocadinho mais cedo do que a hora marcada mas pudemos entrar e aproveitar o tempo para umas bebidas. A qualidade da comida é a esperada de a de um pub – mas eu pedi um hambúrguer de Halloumi e não me arrependi. Muito bom. É um sítio que recomendo principalmente se quiserem viver um pouco da cultura inglesa nesta parte do país.
Marcámos mesa no dia anterior para as 6 e meia da tarde porque era apenas a essa hora que tinham mesa livre. Talvez um pouco cedo demais para jantar sim, mas a comida vale a pena. VALE MESMO A PENA! Tanto eu como o meu marido concordámos que foi a melhor carne que comemos desde que nos lembramos. Eu pedi o kebab de frango e o meu marido o misto (frango e cordeiro) e é impossível explicar o quanto a carne veio tenrinha e saborosa. Digo-vos que é possível que voltemos a Keswick só por causa deste restaurante. É um sítio obrigatório se passarem por Keswick.
Sobre este pub confesso que não tenho assim uma opinião formada. Parámos aqui apenas para uma bebida depois do jantar. Pareceu-me um pub calmo e de ambiente agradável. Fiquei com a sensação que todos os pubs ofereceram o mesmo tipo de serviço padrão. Acho em Keswick vale a pena avaliar os sítios com menos confusão e aproveitarem o ambiente calmo desses locais que reflete o que em geral se sente na vila.
Morada: 2 Lake Rd, Keswick CA12 5BT
Bar eS Keswick
Tal como o pub acima parámos aqui para uma bebida, desta vez antes do jantar. Este restaurante de comida mexicana e tapas pareceu-nos muito bom. Existe também uma grande variedade de bebidas artesanais, que foi o que nós aproveitámos para experimentar. O rapaz que nos atendeu disse-nos que estavam completamente lotados durante as duas semanas seguintes por isso acredito que para arranjar mesa é preciso organização e persistência. Contudo pelas reviews que li deste restaurante, parece-me ser bastante bom e valer a pena o esforço.
Este hotel para além do pequeno-almoço que é oferecido numa sala dentro do hotel tem também um pub adjacente onde nós adorávamos ter jantado – era perto do nosso hotel (como mencionei acima, ficava a dois minutos) e a comida parecia deliciosa. No entanto, para as duas noites que passaríamos ali, em Keswick, o pub estava completamente lotado – por isso volto a aconselhar a reservar com antecedência nos locais que escolherem para jantar. Durante a tarde, depois da visita à Lodore Falls (cascata) ainda conseguíamos arranjar uma mesa livre por meia hora e foi quando provei uma das melhores cervejas da minha vida (a do lado direito na fotografia acima). Também a decoração do pub é bastante engraçada e um ambiente íntimo e calmo.
Se vocês se encontrarem na mesma situação que nós na primeira noite que chegámos a Keswick – tarde, famintos e muitos dos restaurantes completamente lotados ou já fechados – há sempre esta loja de conveniência. Vocês nem acreditam na quantidades de sandes e snacks que comprámos. O senhor que nos atendeu até perguntou se estávamos com fome (lá se foi a nossa dignidade pelo cano abaixo). Claro que preferimos mil vezes ir jantar a um restaurante e experimentar a cozinha local – mas em casos de emergência ou mesmo para um rápido almoço em que não queiram parar esta loja é uma boa escolha.
Morada: 5 St John’s St, Keswick CA12 5AP (fica em frente ao restaurante Woodstone Pizza & Flamegrill Keswick)
E assim fica a nossa experiência em Keswick. Espero que vos tenha incentivado a também virem até Keswick e a maravilharem-se como nós.
4º dia desta viagem pelo Lake District. Os planos de hoje era de sairmos da área de Coniston e irmos parando pela parte oeste até à vila de Keswick e à nossa final acomodação – The Lodge in the Vale. Este para mim foi um dos melhores dias de toda a viagem e isso deveu-se ao dia solarengo e ao céu azul sem nuvens que finalmente tivemos, depois de vários dias de chuva, nevoeiro e frio. Saímos bem de manhãzinha do Bluebird Lodge depois de mais um pequeno-almoço delicioso. Como podem ver na fotografia abaixo a vista do alojamento era de tirar a respiração.
Fomos primeiro em direção a Hardknott Roman Fort, um ponto arqueológico do Lake District onde se encontram as ruínas de um forte romano construído entre o ano de 120 e 138. Durante esta parte do percurso que fomos parando pela caminho para apreciar devidamente a paisagem.
Depois de uma paragem rápida no forte, fomos em direção ao lago Crummock Water. Também aqui neste lago é possível aproveitar para fazer Kayak ou canoa. No entanto, nós viemos a esta zona para visitarmos a cascata (Scale Force Waterfall) que só agora me apercebi que não a visitámos mas foi porque ficámos maravilhados/distraídos pela zona circundante onde estacionámos o carro – a junção do lago com o verde dos montes e o riacho que descia livremente era uma vista impressionante da natureza.
Os planos em seguida foram alterados dos que tínhamos combinado inicialmente. A nossa ideia era ir passear à volta do lago Bassenthwaite, avaliar o quanto era alta a montanha Skidaw e depois no final da tarde passear no lago de Derwentwater. Contudo, quando chegámos à zona de Bassenthwaite não encontrámos estacionamento perto do lago e acabámos por irmos estacionar numa zona isolada que supostamente nos levaria a Skidaw. Por acaso do ponto de onde estacionámos o carro havia um caminho que seguia em volta das montanhas e nos levaria até Skiddaw. Como nós somos mesmo inteligentes pensámos em fazer corta-mato pela montanha acima e andámos para lá a subir de gatas. Conclusão – chegámos ao cimo do primeiro monte muito mais cansados, demorámos muito mais tempo e desistimos logo da ideia de subir até Skidaw. No entanto, do ponto até onde subimos tinha-se uma boa vista sobre o logo e as montanhas à volta. O que mais impressionava era o silêncio absoluto que nos rodeava – o completo silêncio que nunca existe nas cidades.
Quando descemos já foi pelo trilho e vimos o quanto nos tínhamos cansado desnecessariamente no nosso corta-mato. Uma das coisas que existe em todo o lado no Lake District e que ainda não vos falei são ovelhas. Há ovelhas em todo o lado. TODO O LADO! É impossível alguém explorar o Lake District sem ter uns quantos encontros com ovelhas. Mesmo a conduzir é preciso ter cuidado para não passar por cima de uma ovelha – que elas andam no meio da estrada – ou melhor para elas não vos partir o carro.
Com esta aventura de subir montanhas acabámos por decidir deixar o lago de Derwentwater para o dia seguinte, até porque já se fazia tarde para fazermos o check-in. No dia seguinte bem nos arrependemos de não termos ido até a Derwentwater – especificamente a um local chamado de Surprise View (Paisagem Surpresa) – pois como é de esperar em Inglaterra o sol não se mantém por muito tempo e no dia seguinte já voltava de novo a chuva.
Este foi o nosso 3º dia em Lake District e o último em Coniston. Guardámos este dia exclusivamente para a subida à montanha mais alta de Inglaterra, Scafell Pike. Antes de chegarmos parámos ao pé de Wast Water – o lago mais profundo de Inglaterra. A paragem foi devido à beleza proporcionada pelo lago rodeado pelas montanhas e a ponte que formavam um quadro pitoresco que nem mesmo o mau tempo foi capaz de esconder.
Agora em relação a Scafell Pike – o ponto mais alto de Inglaterra com uma altitude de cerca de 978 metros. Nós tivemos azar porque ainda nos primeiros 15 minutos apanhámos uma molha daquelas valentes que até as cuecas ficaram molhadas e por isso tanto a subida como a descida foram mais desconfortáveis do que o “usual”. Demorámos cerca de 3 horas a subir e 3 horas a descer, mas apesar de não termos feitos muitas pausas pelo caminho, visto que estávamos todos molhados e parar significava ficarmos cheios de frios, tanto a subida como a descida correram “mais ou menos”. Duas coisas contribuíram para não correrem melhor – a primeira como já disse a chuvada que apanhámos logo de início e a segunda relacionada com a primeira foi o mau tempo. Imagino que com solinho e céu azul sem nuvens a satisfação de realizar a subida e a descida seja bastante maior, até porque é um sentimento agridoce poder dizer que subi à montanha mais alta de Inglaterra mas que lá de cima não vi nada, devido ao nevoeiro cerrado.
O topo de Scafell Pike
Felizmente a meio da descida, o nevoeiro deu por momentos um pouco de si, mas fez-nos fazer sentir ainda mais pena de não termos apanhado bom tempo que nos faria apreciar a paisagem devidamente. Como nós, havia imensa gente a subir a montanha e sente-se um grande sentido de companheirismo entre as pessoas que estão a subir e a descer a montanha, o sentimento que estamos todos no mesmo barco e que a todos custa a subida e a descida desta montanha, mas o desafio é o que nos move a todos.
Como nós não somos alpinistas nem sequer atléticos, não vou mentir, ficámos arrasados – no entanto comparando esta subida à subida ao Pico, nos Açores que fizemos há duas semanas, esta por comparação parece que não foi nada. Aconselho vivamente a quem também se aventurar pela montanha Scafell Pike, a escolherem um dia que esteja bom tempo ou pelo menos que não esteja a chover – pode ser difícil para muitos como foi para nós em mas valerá muito mais a pena o esforço.
P.S. Aconselho a levarem botas impermeáveis, porque para subir Scafell Pike é preciso atravessar uma pequena cascata. Para além disso, também um casaco impermeável, pois no topo da montanha está muito mais frio, muita água e comida. E depois é só aproveitar a aventura.
Rydal, Ambleside and Windermere são três regiões perto da zona de Coniston que fomos explorar depois da nossa (incompleta) subida ao Old Coniston Man. Bastou-nos uma tarde para explorar estas zonas, no entanto, a Windermere, sendo a principal região do Lake District, talvez lhe possam dar mais algum tempo, sendo a região mais escolhida para desportos aquáticos e também para aproveitar explorar a vila. O nosso focos foi principalmente zonas onde estaríamos mais em contacto com natureza e por isso decidimos não explorar muito Windermere, tendo-a só visto de relance. Contudo deu para perceber que é muito mais movimentada que as outras vilas no Lake District e que oferece uma maior diversidade de comércio.
Como já referi várias vezes, as vilas do Lake District são bastante pitorescas e pode-se mesmo pensar saídas de contos de fadas. Por isso apesar de o termos decidido não o fazer, se quiserem explorar as várias vilas não se irão arrepender.
Começámos então por Rydal…
Estacionámos o carro no Pelter Bridge Car Park. Um rápido aparte: normalmente os parques de estacionamento no Lake District (e praticamente em toda a Inglaterra) são pagos, por isso convém terem uns trocos com vocês. Normalmente também se pode pagar com cartão de débito, mas a menos que tenham conta num dos bancos de Inglaterra o câmbio da moeda irá aumentar a vossa despesa desnecessariamente.
Depois então de estacionarmos fomos em direção ao lago daquela zona, Rydal Water. Existe um trilho entre o parque de estacionamento e a área circundante que vos leva a passar por túneis verdes bonitos de vegetação.
A nossa maior razão para visitar esta zona foi a Rydal Cave, uma gruta com um pequeno lago à entrada e que pode ser acedida através de pedras que se vos levam até ao interior da gruta. Esta gruta existe devido à exploração de ardósia que ocorreu neste local e portanto não é uma gruta natural como se poderia pensar, mas uma gruta feita pela mão do homem. No entanto, não deixa de por isso ser impressionante.
Outra opção: Mesmo ao lado de Rydal, na vila de Grasmere, existe uma famosa loja (The Grasmere Gingerbread Shop) de pão de gengibre, conhecido em Inglês como Gingerbread. Nós não chegámos a visitar a loja mas tem muitas boas reviews se quiserem lá dar um saltinho para comprarem uma amostra desta delícia local.
Em seguida fomos em direção de Ambleside…
Mais uma vez fomos até Ambleside não para passear pela cidade mas para visitarmos uma cascata com cerca de 20 metros – the Stock Ghyll Force. Para aproveitar e vermos também um pouco da área, estacionámos o carro desta vez na vila e fomos a pé até à cascata. O bosque/parque natural mais a presença constante da cascata é um panorama que para além de bonito, também transmite serenidade, o que faz deste passeio uma boa escolha para quem gosta de estar em contacto com a natureza.
Fotografia tirada por Carlos Silvério
Por último Windermere…
O lago de Windermere não é só o maior do Lake District, mas o maior de Inglaterra. Talvez seja essa a razão para a maior vila do Lake District se encontrar em torno deste lago. Como mencionei em cima nós só passámos rapidamente pelas ruas da vila, no entanto conseguimos perceber que as ruas com as suas lojinhas engraçadas tornam a vila quase surreal de tão bonita. Depois de fazer uma caminhada até ao lago ainda nos deliciámos com um gelado antes da loja fechar e aproveitámos para passear um pouco à volta do lago, mesmo com o tempo um pouco “chocho” como mostram as fotografias.
Coniston é uma pequena vila que fica na parte sul do Lake District. Apesar de ser Windermere a maior vila do Lake District, nós escolhemos Coniston para nos instalar durante as primeiras três noites de maneira a estarmos numa zona mais central para os vários sítios que queríamos visitar aqui à volta. A vila é muito pitoresca, tal como são todas no Lake District, e por isso enamoramo-nos por Coniston e por toda a sua paisagem circundante.
Ficámos instalados no Bluebird Lodge, que é uma guesthouse, não um hotel, mas com pequeno-almoço incluído. O quarto em si, com casa-de-banho privativa eram ambos minúsculos, tenho mesmo a dizer que para usar a sanita era por vezes preciso fazer algum contorcionismo mas a simpatia com que fomos acolhidos e o pequeno-almoço maravilhoso que nos esperava de manhã compensou de certa forma a falta de espaço. Também a bonita vista para a montanha nos alegrava, apesar de ser só apenas ao terceiro dia que o sol brilhou em todo o seu esplendor e mostrou o quanto o Lake District merece a fama que tem em Inglaterra (imagem acima) – o de ser uma das zonas mais bonitas do país.
Devido à pandemia atual, o pequeno-almoço tinha que ser escolhido na noite anterior e sempre servido à mesa, tal como o café/chá/sumo. Também tínhamos que escolher a hora em que queríamos fazer esta refeição, visto que só duas mesas podiam ser ocupadas durante cada meia hora, para permitir o devido distanciamento social. Como tal referi em cima, o atendimento foi sempre super simpático e a senhora super prestável mesmo quando lhe pedimos sugestões sobre o que ver naquela zona.
A Vila
Como já referi Coniston é uma pequena vila onde se encontram alguns pubs, restaurantes e algumas lojinhas. Não esperem encontrar no Lake District centros comerciais ou grandes lojas, porque não há. Ali vive-se de uma maneira diferente daquela que estamos habituados na cidade. Para jantar no primeiro dia fomos ao Coniston Inn, um hotel/pub que ficava mesmo ao lado do Bluebird Lodge.
The Coniston Inn
Prato Principal no Coniston Inn
Sobremesas do Coniston Inn
Na segunda noite encomendámos pizza no Lakes Hot Spot. Na noite em que chegámos como jantámos numa estação de serviço fomos no final da noite ao Yewdale Inn, no centro da vila, para bebidas.
Reviews: Vou começar pelo final – Yewdale Inn – é um pub giro e vê-se que é mais frequentado pelos locais do que por turistas. Eu gostei do ambiente apesar de na altura em que lá estivemos houvesse alguns clientes a falarem um bocadinho alto o que levou às responsáveis pelo pub a se desculparem (e afinal elas não tinham culpa nenhuma). Do Coniston Inn – gostei do ambiente e do prato principal (pedimos hambúrgueres). Das sobremesas é que não gostei, aquilo era só chantilly com líquor e não ficou nada de jeito. Das pizzas do Lakes Hot Spot – tal como acontece em muitos dos locais onde não há competitividade – as pizzas eram um bocadinho mais caras do que deveriam, no entanto eram saborosas.
Old Coniston Man
Esta foi a nossa primeira subida no Lake District. Acabámos por não subir até ao topo porque tínhamos deixado o carro num parque de estacionamento pago e sabíamos que não teríamos tempo para subir e descer antes de passar o horário do ticket (e mesmo assim não tivemos). De qualquer das formas, nós fizemos esta caminhada com vagar durante cerca de três horas (subir e descer) onde nos foi mostrado o que o Lake District tem de melhor para oferecer – cascatas, lagos, florestas e vegetação que criam paisagens maravilhosas. Subimos só até à caldeira, descansámos e fizemos o caminho de regresso.
Na altura ficámos chateados por não termos subido até ao topo, mas posso garantir que no final da viagem isso não fez diferença, visto que subimos ao topo de outras montanhas. No entanto subir ao Old Coniston Man é uma das principais coisas a fazer para quem visita Coniston.
Coniston Water
Coniston Water é o terceiro maior lago do Lake District e como disse no post anterior (ver aqui) sobre generalidades do Lake District, esta zona é óptima para quem quer aproveitar para fazer kayak, andar de barco e outros desportos aquáticos. Nós não quisemos ter esse proveito devido ao mau tempo (como podem ver pela fotografia acima) e também por pensarmos que teríamos mais oportunidades e tempo nos outros lagos que iríamos visitar nos dias seguintes.
A vida em 2020 é diferente para todos. Tivemos que nos isolar, alguns de nós fazer quarentena e mesmo lutar pelo último rolo de papel higiénico. No entanto, o que mais me afetou tal como para a maioria foi a impossibilidade de viajar e ainda hoje pudemos viajar sim, mas com limitações e regras muito diferentes às que estávamos habituados. Foi por isso, que eu vivendo em Inglaterra e no meio de tanta incerteza decidi que a semana de férias no final de Agosto seria para aproveitar a explorar uma das mais bonitas partes de Inglaterra – atenção estou a dizer Inglaterra, não Reino Unido – o Lake District ou em português o Distrito do Lago. Se calhar muitos de vós nunca ouviram falar desta zona de Inglaterra, eu possivelmente só a conheço e tive oportunidade de a visitar porque vivo em Inglaterra.
Para evitar apanharmos aviões e diminuir a possibilidade de cancelamentos e chatices, pusemo-nos atrás do volante do carro e conduzimos durante 5 horas numa sexta-feira à tarde para Norte. E foi assim, com duas paragens a meio do caminho, uma que incluiu jantar no Burguer King, chegámos ao Lake District, mais especificamente a Coniston, onde ficámos instalados durante 3 noites.
Antes de começar a descrever a nossa viagem vou adicionar algumas considerações necessárias para quem quiser fazer viagem semelhante:
1 – Lembrem-se – isto é Inglaterra. E o tempo no Lake District é o esperado em Londres, ou talvez até pior já que estamos bastante mais a norte do país. Em 7 dias apanhámos muita chuva, daquela torrencial, apanhámos dias de sol e calor e apanhámos dias de “meh” – não era mau mas podia ter sido melhor. E nós fomos no mês de Agosto! Por isso levem roupa como se fossem para lá viver durante um ano, que vão com certeza apanhar todas as estações.
2 – Levem muito calçado. Se acham que levam calçado suficiente, digo-vos que levem mais um par de ténis ou botas só à cautela. Eu levei botas impermeáveis e uns ténis, que achei serem suficientes para uma semana, e posso-vos dizer que houve um dia em que tive que andar com as botas molhadas porque não secaram de um dia para o outro. É que mesmo no dia que não choveu consegui enfiar um dos ténis dentro de lama.
3 – Marquem restaurantes com antecedência. Isto foi algo com o qual não estávamos a contar. Não sei se é por causa do COVID-19 e das alterações que os restaurantes tiveram que aplicar, a verdade é que quase todos os dias tive que ligar para vários restaurantes até conseguirmos marcação para jantar nesse dia. Eu no final já andava a ver se conseguia marcar mesa para o dia seguinte e nem assim estava fácil. Por isso fica um aviso.
4 – O Lake District é uma magnífica zona para atividades desportivas relacionadas com água. Eu queria mesmo muito ter feito Kayak, mas no final não houve oportunidade. No entanto, aqui fica a sugestão, visto que o que existe mais por estas bandas são lagos.
5– Outra coisa também terão que fazer, se quiserem desfrutar verdadeiramente a experiência desta zona de Inglaterra, é escalada. Não digo escalada pesada, mas subir algumas montanhazinhas. Eu nunca na vida tinha subido tanta montanha, até de gatas andei. O que é difícil é escolher que monte subir, pelo menos para nós que não somos nem alpistas nem sequer atléticos, e que tivemos que decidir no que valia ou não a pena nos aventurar. Infelizmente, apesar de termos subido ao ponto mais alto de Inglaterra, Scafell Pike, o dia estava péssimo, e quando digo péssimo era chuva a cair a potes e frio e quando chegámos ao pico vimos nickles devido ao nevoeiro. Sim, posso dizer que estive no ponto mais alto de Inglaterra. Agora será que valeu a pena? Ainda estou a ponderar.
6 – Apesar do tempo e das escaladas (que obviamente não são obrigatórias) – vão. Vão e desfrutem. É uma zona lindíssima, muito pitoresca e se forem com calma e parando pelo caminho conseguem ver paisagens fantásticas. Sempre que virem uma paisagem que vos surpreende, parem o carro e simplesmente aproveitem. A vida pode ser diferente, mas a natureza está sempre presente para nos lembrar que a vida vale a pena de ser vivida.
Agora depois dos avisos e moralismos que eu sei que vocês não precisavam, vou então passar ao roteiro:
O roteiro que aqui apresento foi baseado na excursão que fizemos, mas foi adicionada mais uma paragem que infelizmente não tive oportunidade de visitar. Para mais informação sobre a excursão que fizemos é só clicar aqui.