York, Inglaterra

Primeiro de tudo, sendo este o primeiro post de 2024, aproveito para vos desejar um feliz ano. Eu sei que já estamos a meio de Fevereiro e não será que já passou a fase de desejar um feliz ano? Qual é a data em que o ‘Feliz 2024’ deixa de fazer sentido? Eu diria que quando Janeiro acaba é uma boa altura, mas desejaram-me um bom ano no fim-de-semana passado. Pensando bem, no dia 25 de Janeiro também me disseram ‘e só falta 11 meses para o Natal’. Suponho que depende da perspectiva. E nesta perspectiva sendo este o primeiro post do ano faz sentido (aceitem apenas) desejar-vos um feliz 2024. E agradecer àqueles pobres coitados que têm explorado, seguido e gostado dos posts que vou pondo aqui neste blog. Tenho andado a explorar diferentes designs, criei um novo logo para o website, mas se tiverem alguma ideia para fazer o blog mais fácil de navegar, explorar, etc, deixem um comentário em qualquer um dos posts.

York

E sem mais demoras vamos então à primeira viagem do ano, que aconteceu a meio de Janeiro. Foi uma viagem de fim-de-semana prolongado, partíamos na sexta à noite e voltámos segunda depois do almoço. Já há algum tempo que queria conhecer a cidade de York, no norte de Inglaterra, e foi desta vez que aconteceu. Por sorte não tivemos chuva, o mesmo não se pode dizer do frio. A conversa de circunstância passa sempre muito pela meteorologia, não é? Especialmente para nos queixarmos – não fez chuva? Ah, mas fez frio! Ah não estava frio? Mas estava nevoeiro! e por aí fora. Muitos já me tinham falado da beleza da cidade de York, da sua arquitetura, das ruas estreitas de calçada escura, o que nunca me tinham dito é que esta cidade tem um passado negro, um passado recheado de histórias de tortura, morte e como tal de fantasmas. De tal forma, que a International Ghost Research Foundation (fundação internacional de pesquisa paranormal) declarou certa vez York como a cidade mais assombrada da Europa. Uma cidade com todas estas premissas é claro que tínhamos de a explorar.

The York Ghost Merchants (loja popular)

Para chegar York há duas opções para quem vem de outro país – aeroporto de Manchester e depois comboio. O comboio demora cerca de duas horas. Ou então voar para Londres e depois apanhar o comboio em King’s Cross e espantosamente este comboio também demora duas horas. O melhor é mesmo ver com antecedência os preços tanto do comboio como do avião para a viagem ficar mais em conta, para além que podem decidir juntar York a uma viagem a Londres. Digo com antecedência porque nós vivendo perto de Londres ainda considerámos ir de comboio, mas quando vimos os preços dos comboios, soubemos de imediato que ficava mais barato conduzir. E foi o que fizemos e o que aconselho se não quiserem ficar apenas na cidade, mas também explorar os Yorkshire Dales ou North York Moors, dois dos parques nacionais mais bonitos da zona. A viagem de carro a partir de Londres dura cerca de 3 horas e meia a 4 horas, dependendo do ponto de partida e do trânsito. Se forem em hora de ponta se calhar a viagem chegará às 4 horas e meia (a quem estou eu a enganar? Com o tráfico de Inglaterra chega facilmente às 5 horas de viagem se saírem depois das 4 da tarde numa sexta-feira). Isto vai depender também do gosto pessoal, se gostam de viajar de carro, se gostam (ou não se importam) de conduzir por longas horas. Fui eu que conduzi e tanto a viagem de ida como de vinda foram feitas fora das horas de mais trânsito, para não apanhar as chamadas de rush hour, por isso fez-se a viagem bastante bem. Há sempre a possibilidade de parar nas estações de serviço que normalmente têm várias opções para comer, beber, casas de banho, etc. Especialmente nas auto-estradas principais como a M1.

York Moors

Se se ficarem apenas pela cidade um fim-de-semana é suficiente para conhecer os pontos mais turísticos e ainda ter tempo para explorar alguns dos cantos e recantos mais pitorescos da cidade. Recomendo pelo menos passar uma noite em York para explorar esta cidade durante as horas mais calmas e também experienciar um ambiente mais intimista (e mais apropriado à aparição de fantasmas). Não recomendo ir e vir a York em um dia desde Londres ou até desde Manchester. Se claro quiserem explorar as York Moors ou Yorkshire Dales acrescentem mais uns diazinhos, dependendo do quanto a fundo os querem explorar, por exemplo nos York Moors, o qual visitámos por um dia (não foi suficiente, foi apenas um taster) tem-se não só vários trilhos para explorar as diferentes zonas dos Moors como também as diferentes vilas costeiras.

York à noite

Uma das desvantagens de conduzir é relativamente à acomodação, especialmente dentro das cidades, pois usualmente quer-se um local onde o estacionamento esteja já incluído. E isso limita bastante a escolha. Um outro dos nossos requisitos, que não tem assim tanto impacto é queremos pequeno-almoço incluído. Ah, e também a um preço que não nos leve um rim. Mas também onde não seja preciso levar umas vacinas extras antes (e depois) da viagem. (E também unicórnios a voar à volta da janela – rolar de olhos) Ou seja, um local apresentável, mas sem grandes luxos (claro que se houver um desconto fantástico num hotel de 5 estrelas, como aconteceu numa das viagens a Belfast não diremos que não, note-se). Para esta viagem a ideia era estacionar o carro e explorar a cidade a pé, por isso também era desejável que o local ficasse a uma distância que o permitisse. (E junta-se fadas aos unicórnios). Considerando todos estes requisitos acabámos por fazer a nossa reserva no The Crescent Guesthouse, um local avaliado em 4.2 no Google. Marcámos através da Trip.com com um pagamento acrescido de 5 libras por dia pelo parqueamento (pago na altura do check-in).

O estacionamento foi fácil, não era privado, mas na rua pública, mesmo por detrás do prédio. Tal como acontece muito em Inglaterra, o estacionamento no centro da cidade é reservado a residentes. Na altura do check-in demos o número da placa do carro ao dono da guesthousa e tivemos o permit electrónico, nem sequer foi preciso por nada dentro do carro e não houve qualquer problema. Mesmo depois do check-out na segunda-feira podíamos deixar o carro todo o dia estacionado.

As reviews dos quartos na internet é meias que misturado, eu penso que depende do quarto que calha. Vi fotografias de quartos minúsculos, de quartos em que o tecto era inclinado e nem dava para uma pessoa estar sentada em cima da cama. Felizmente acho que a nós calhou-nos o maior, tinha uma cama de casal, uma cama de solteiro, uma casa-de-banho privativa, mesa e cadeira. O local era sossegado e o quarto estava limpo – não até à última manchinha, mas satisfatório. Os lençóis e as toalhas estavam limpas e tinha uma decoração agradável. Tivemos frio durante as duas primeiras noites, mas a culpa foi nossa, porque só na última noite é que fomos explorar como ligar o aquecimento do quarto e quando finalmente descobrimos (não foi uma grande descoberta) este funcionou na perfeição.

Pequeno-almoço – bem no check-in o dono disse para escolhermos do menu o que queríamos e que se quiséssemos algo diferente para o dia a seguir para dizermos a quem estivesse a servir às mesas durante o pequeno-almoço. Mas a escolha era entre full breakfast (o tradicional pequeno-almoço inglês) ou o full breakfast. Ou seja, não havia ali mesmo uma escolha – ficámos a olhar para o placar, e demorámos mais tempo a tentar perceber qual era a escolha do que realmente a escolher. Suponho que a escolha seria se não se quisesse certos alimentos do full breakfast. Mas tivemos que escolher entre pão branco e pão integral, ovos mexidos ou ovos estrelados e entre café ou chá, em caso de pensarem que não havia ali decisões a precisarem de ser feitas.

O pequeno-almoço não deixou muitas recordações (as imagens acima, da esquerda para a direita são as fotografias dos 3 consecutivos dias) – o melhor que posso dizer era que as salsichas eram boas e normalmente é a parte que eu não como, mas não vinha com black pudding que normalmente é a parte que gosto mais. Todos os dias houve um pequeno problema mas com coisas diferentes. No primeiro dia o bacon estava frito até se poder dizer que o animal tinha sido cremado (imagem à esquerda), no segundo dia os cogumelos tinham um sabor avinagrado que não acho que era suposto (imagem do meio) e no último dia o ovo estrelado vinha com o seu lago privado de óleo (imagem à direita). Um problema que tive todas as manhãs (e que é uma das coisas que mais detesto) foi a minha chávena estar suja. A do meu marido não estava suja, por isso suponho que eu não tenha tido sorte, mas é uma das coisas que não gosto mesmo e que mostra falta de cuidado. Até porque as chávenas eram brancas e as manchas eram escuras.

O melhor de tudo, e viram como deixei o melhor para fim? tipo psicologia de internet, é a localização. Bastava 5 minutos a andar para estarmos no centro da cidade e ficava numa zona com pouco movimento o que dava jeito para uma boa noite de descanso. Tirando a parte que não fomos ver logo de início como ligar o aquecimento no quarto!

No fim disto tudo, o que posso dizer? Que tirando as chávenas sujas, o sítio foi o que procurávamos, e que facilmente voltava a ficar lá, se a oportunidade de visitar York voltar a proporcionar.


Por norma acabaria o primeiro post da viagem pelos preparativos, mas vou alongar-me um bocadinho mais e escrever sobre o que fizemos no primeiro dia – é mais na primeira noite uma vez que quando chegámos já era noite – aliás em Janeiro, em Inglaterra, já é de noite a partir das 4 e meia. Ou se vierem perto do Natal, têm escuridão a partir das 3 com grande probabilidade de não ver o sol durante dias (quem nunca o desejou?)

Depois do check-in e de pormos as malas no quarto, fomos primeiro procurar bebida e comida. E decidimos começar pela The House of the Trembling Madness que fica numa das ruas da parte histórica da cidade. Para lá chegarmos tivemos oportunidade de começar a explorar as ruas York passando pela catedral e apesar de ser já meio de Janeiro a cidade ainda se encontrava enfeitada com as luzes de Natal, o que torna sempre tudo mais bonito.

The House of the Trembling Madness é um dos locais mais conhecidos pela sua história, decoração e seleção de bebidas. Na parte de baixo é uma loja com uma imensa variedade de cervejas internacionais enquanto a parte de cima faz de bar, onde também servem comida. A decoração é rústica, e pode não agradar a muitos, mas foi aqui que encontrei a melhor cerveja da viagem, a Chocolate Fudge Brownie Stout e o menu apesar de não ser extenso, leva a comida deliciosa. De tal forma que acabámos por vir jantar aqui duas vezes, experimentando pratos diferentes. E claro, também cervejas diferentes. No primeiro dia, comemos um dos pratos do dia, um estufado de carne de vaca. As porções eram bem maiores do que estávamos à espera, principalmente pelo preço da refeição. Eles não aceitam reservas, e em alturas mais movimentadas pode-se tornar difícil encontrar mesa.

Depois de algumas bebidas, marcámos uma tour de fantasmas. Afinal se ali estávamos, numa das mais assombradas cidades da Europa, mais valia ficarmos a conhecer quem eram esses tais fantasmas. O que há mais em York são tours semelhantes, a diversas horas (normalmente à noite) e a diversos preços. Como nós queríamos o mais baratinho e que ainda desse para fazer naquela sexta-feira escolhemos ‘The Original Ghoust Walk in York‘. Cada bilhete custa 7.50 libras e nós comprámo-los online meia hora antes de começar. Ponto de encontro era às 8 horas ao pé do pub, The Kings Arms Pub, um pub que fica muitas vezes submerso quando as águas do rio sobem. Quando isso acontece o ponto de encontro é na ponte que fica ao lado do pub. Não é preciso reserva, mas se não o fizerem lembrem-se que têm que pagar a tour com dinheiro.

Se eu acho que valeu a pena? Talvez sim. Mas o talvez é porque estávamos em York e é sempre interessante conhecer um pouco da história e cultura da cidade que visitamos. Se a tour em algum ponto se tornou sombria ou levemente assustadora? Não, quanto muito ainda se riem um bocado. Mas deu-nos uma dicas e fomos a alguns dos pubs mencionados durante a tour, que se dizem assombrados, mas de fantasmas aqui não vimos nada.Uma coisa que há muito em York, mais ainda que fantasmas, são pubs, restaurantes e bares. Por isso provavelmente as histórias de fantasmas podem mais vir de um copozito a mais.

Depois de uns 45 minutos a andar pela cidade e assim acabada a tour fomos explorar os pubs, primeiro fomos ao Blue Boar, onde se encontra um caixão no andar inferior. Diz-se que este pub está assombrado por Dick Turpin, um criminoso famoso cujo corpo foi colocado ’em exposição’ neste mesmo local, atraindo uma multidão de curiosos. O dono do local até cobrava às pessoas que queriam ver o corpo. O corpo foi aqui colocado depois de ter sido executado em praça pública. Nós também curiosos viemos aqui mas as caixas de pizza em cima do caixão tornaram a experiência menos interessante. Se alguma coisa estava para assustar eram as vozes do que estavam no Karaoke no andar de cima.

Depois de uma cidra, ainda passámos por outro bar bastante famoso, o Golden Fleece York, mas a selecção de cervejas não era nada de especial e decidindo não ficar fomos a Valhalla. Valhalla é um bar em homenagem ao ancestrais Vikings. O melhor é o hidromel, existem vários sabores como de mel, de framboesa, de ruibarbo, de uva, etc. E claro que os tivemos que experimentar todos. Acabámos as três noites aqui, em Valhalla, nome do paraíso Viking.

Hughenden, Inglaterra

No Reino Unido existem vários locais de interesse histórico, paisagístico ou cultural que fazem parte da National Trust. A National Trust é a maior organização não remunerada de conservação e preservação na Europa. O motto desta organização é: For everyone, for ever (para todos, para sempre). Esta organização protege e cuida de imensos locais fazendo parte deste legado mais de 250,000 hectares de terra, mais de 500 casas históricas, castelos, parques e jardins, quase um milhão de peças de arte e mais de 780 milhas (aproximadamente 1255 Kms) de zona costeira.

Neste blogue estão incluídos vários locais que fazem parte da National Trust, mas se querem saber mais sobre a organização assim como TODOS os locais incluídos visitem https://www.nationaltrust.org.uk/.

A entrada para alguns destes locais é gratuita, para outros a entrada é gratuita, mas não o parque de estacionamento e noutros casos a entrada é paga. Convém sempre confirmar em qual destas opções se categoriza o local que se quer visitar, de maneira a evitar surpresas inesperadas.

No Outono de 2023, a National Trust fez uma espécie de promoção e dava a quem se inscrevesse num determinado link bilhetes gratuitos para visitar um dos locais da National Trust que participasse nesta promoção. Nós quisemos logo aproveitar e mal tivemos o código para os bilhetes fizemos uma rápida pesquisa e acabámos por nos decidir por Hughenden.

Hughenden faz parte do condado de Buckinghamshire em High Wycombe. A forma mais fácil de chegar a Hughenden é de carro mas também se chega através de transportes públicos. A partir de Londres apanha-se o comboio em Marylebone e depois um autocarro. Se vierem de carro o estacionamento é gratuito. Também é gratuito visitar os campos e os jardins em redor, o que se paga é a entrada para visitar a casa.

Eu confesso que adoro passear no Outono porque as cores da natureza são das mais bonitas do ano com os seus tons de castanho, amarelo, laranja e vermelho. Essa foi uma das razões para escolhermos Hughenden, teríamos assim oportunidade também de passear pela parte exterior à casa com os seus campos a estender-se longamente de vista.

E foi assim que num bonito fim-de-semana de Outono fomos visitar a casa de campo de um dos mais famosos homens de Estado da época victoriana, Benjamin Disraeli. Casa que mais tarde teria um papel importante na Segunda Guerra Mundial.

Exterior da casa (vista da retaguarda)

Vamos assim a uma breve histórica de Hughenden?

Apesar da história deste local se focar mais já no século XIX, na verdade este local está registado desde 1086 no Domesday Book, inicialmente como uma fazenda. No entanto, Hughenden foi apenas considerado como uma ‘residência de cavalheiros‘ quando sofreu remodelações em 1738. Foi em 1848, que Benjamin Disraeli comprou a mansão depois da morte do anterior dono da casa, John Norris, numa compra o que o levou a contrair vários empréstimos. Afinal como futuro líder do Partido Conservador (Tory Party), Disraeli precisava de uma casa de campo a rigor do seu futuro cargo.

Desde 1862, que a sua mulher Mary Anne Disraeli, assumiu o papel principal como reformadora de Hughenden consultando para tal o controverso arquitecto gótico Edward Buckton-Lamb. Foi assim que Hughenden se transformou numa mansão de tijolos vermelhos deixando para trás o habitual estuque branco. Com esta transformação foram adicionadas chaminés, parapeitos com ameias, pináculos e elaboradas molduras nas janelas. Os terrenos à volta foram redesenhados e assim cresceu um jardim de estilo italiano com parterre, estátuas e terraços.

Mais tarde em 1937 a casa foi vendida a W.H Abbey, isto depois da morte de Benjamin Disraeli e do seu sobrinho Coningsby, herdeiro de Hughenden. Sendo W.H Abbey um fã do trabalho de Benjamin Disraeli, a mansão foi doada à Sociedade Disraeliana para a transformar em museu.


Benjamin Disraeli

Nascido em Londres em 1804 vindo de uma família de origem judia-italiana, Benjamin abandonou a sua primeira profissão como advogado para se tornar escritor. Benjamin era indecente e rapidamente ficava aborrecido, vestindo-se com roupas ostentosas e coloridas. Tornou-se o líder do partido conservador britânico e foi primeiro-ministro duas vezes. Benjamin teve um papel crucial na reforma do Partido Conservador tornando este o partido mais identificado com o Império Britânico e com a acção militar.


Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Ministério da Aeronáutica requisitou Hughenden e foi assim que aqui se estabeleceu a base ultrassecreta focada na elaboração de mapas. Esta operação foi de tal forma secreta que só depois de 60 anos se soube – curiosamente quando um dos voluntários em Hughenden ouviu um visitante a contar ao neto o que ali tinha vivido. E assim se ficou a saber do papel de Hughenden durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1947, Hughenden foi transferida para os cuidados da National Trust, e lembrem-se que nesta altura não se conhecia nada sobre o que ali se tinha passado na recente guerra mundial. A campanha de restauração começou em 1983. E foi por este esforço de restauração que tivemos a fantástica oportunidade de conhecer Hughenden em 2023.

Para além da casa, jardins e campos há também uma igreja onde a família Disraeli está enterrada. A primeira igreja foi construída no século XII. Na igreja actual ainda existem partes datadas como pertencentes aos séculos XIII e XIV. Se visitarem a igreja logo depois da missa de Domingo, poderão ter a sorte como nós, de oferecerem-vos café e chá – sem nenhum custo acrescido.

Assim fica aqui mais uma sugestão para um passeio de um dia a partir de Londres – porque acreditem que Inglaterra não é apenas Londres – há muito e muito mais para descobrir!

Londres – uma cidade para visitar todo o ano

Visitar Londres é sempre especial, não interessa a altura do ano ou a hora do dia. Mas confesso que a cidade fica com um toque mágico durante a época do Natal, a cidade veste-se de luzes em todas as ruas, cantos e recantos. E o Natal começa cedo na cidade ainda nem estamos em novembro e já o tema natalício começa a entrar pelas lojas adentro, mais ainda depois do Halloween (Dia das Bruxas) no final de outubro.

Este post é uma junção de eventos, alguns que apenas acontecem em certas alturas do ano, para tornar a vossa visita a Londres ainda mais memorável

Como estamos a meros dias do dia de Natal é por aqui que começo.


Visitar Londres é sempre especial, não interessa a altura do ano ou a hora do dia. Claro está que apenas vou falar sobre os locais que visitei, mas claro que há muito mais para ver e para dizer verdade basta passear pelas ruas, não apenas nas mais conhecidas como a Oxford ou Regent streets, para se viver uma experiência magnífica. É até por isso que há uma tour de autocarro própria para ver as luzes de Natal nos vários pontos da cidade. Mas lembrem-se que o trânsito é uma loucura. E nesta altura do ano a cidade enche-se de multidões!

Não se pode perder Covent Garden, um dos locais mais conhecidos durante esta época do ano. A grande árvore de Natal à frente do Covent Market é já um símbolo da época. Depois é seguir para Regent Street, Oxford Street e Carnaby Street para ver as incríveis luzes de natal, desde os anjos iluminados às bolas enormes a luzir.

Para comer há sempre o mercado de Natal no Leicester Square e apesar de nos últimos dois anos ter vindo aqui, os preços são exorbitantes, exactamente como se espera de um mercado de Natal numa das cidades mais caras do mundo.

Se forem dados a aventuras podem sempre ir patinar para a pista de gelo que abre todos os anos mesmo ao lado do Museu Nacional de História Natural. É talvez um dos locais mais fotografados e mais esperados!

E claro que mesmo que não venham às compras há lojas que entram de tal maneira no espírito natalício que é impossível não passar por lá tal como a Cartier com o seu gigante laço vermelho ou a Fortnum & Mason que este ano tornou-se num calendário de Natal gigante (os calendários de Natal são uma tradição aqui por Inglaterra). Um outro local que é MUITO famoso é o Winter Wonderland, um parque de diverções mesmo no centro do Hyde Park. No entanto, desde o COVID é preciso comprar os bilhetes com antecedência mas vale a pena visitar pelo menos uma vez na vida.

Se adoram o Natal esta é a altura ideal para visitar a cidade quer procurem conhecer Londres, fazer compras ou experimentar o famoso mulled wine (vinho quente).


Janeiro, depois de toda a vibração do Natal, costuma ser um mês chochinho. Mas em Londres é em janeiro que acontece um festival de luzes na cidade – Lumiere London.

Em 2024 este evento vai decorrer no dia 18 de janeiro entre as 5 e meia e as 10 e meia da noite. Há efeitos de luzes um pouco por toda a cidade tornando Londres num bonito espectáculo de luzes. Mais uma razão para visitar esta cidade logo no primeiro mês do ano.


Uma das coisas (entre muitas) que me foi dado a conhecer em Inglaterra foi o cheese and wine (tábua de queijos e enchidos acompanhado por uma degustação de vinhos). E o quanto os ingleses adoram este tipo de petiscada! Em Londres há várias opções pelos mais variados preços.

Eu aconselho a tentarem encontrar um desconto no Wowcher ou no Groupon para que a experiência fique mais em conta. Nós encontrámos um voucher no Groupon e ficou-nos a mais ou menos 15 libras a cada um, o que acreditem é uma verdadeira pechincha. E o cheese and wine cai bem em qualquer altura do ano.


Talvez este passeio seja do lado mais turístico do que propriamente de entrar na cultura inglesa. Mas é uma oportunidade única de ver a cidade noutra  perspectiva e poder passar por baixo das várias pontes.

Também há aqui várias opções a diferentes preços, desde fazer um pequeno passeio de barco passando pelos edifícios mais icónicos da cidade como a jantar dentro do barco ou mesmo a participar numa festa! Tudo isto enquanto passeiam pelas águas tranquilas do rio Tamisa – tranquilas, mas sujas – que a cor meio acastanhada mostra o quanto nível de poluição existe nesta cidade. Em relação à poluição em Londres há um episódio chamado de ‘Great Smog of London’ que aconteceu em dezembro de 1952 em que a cidade foi coberta por um denso nevoeiro. Podem ver mais aqui: https://www.youtube.com/watch?v=hmrjwAkMveE&ab_channel=FascinatingHorror


E já que estão em Londres façam uma pesquisa de espetáculos, concertos ou desportos que estão a decorrer na altura que vierem. Se não for um concerto será uma peça de teatro, há sempre qualquer coisa para ver. Nós fomos ver os ZZ top a um dos estádios mais famosos do arredores de Londres – Wembley!

Estas são apenas algumas opções para actividades em Londres!

Deixo aqui mais algumas sugestões:

  • Afternoon tea – nada é mais britânico do que comer um scone ou um cupcake acompanhado por um chá
  • Harry Potter studios – especialmente na altura do Natal ou do Halloween
  • Bottomless brunch – começar o dia com um brunch e com bebida à descrição
  • E para o final deste post não podia deixar de mencionar a passagem de ano – uma actividade que deve fazer parte de muitas bucket lists – ver o maravilhoso espetáculo de fogo de artíficio e música sobre o rio Tamisa e a roda gigante, o London Eye.

Visita a Nápoles – 2ª Parte

Este é o último post da viagem de novembro 2023. Passámos por Pompeia, ilha de Capri e Nápoles. Foram 5 dias cheios de emoções e descobertas que deixaram muitas memórias. Este último post passará pelo nosso último dia e meio em Nápoles, quando chegámos da ilha de Capri até o nosso voo de regresso a casa.

Um dos locais que quisemos visitar mas que no final não conseguimos foi o Museo Capella Sansevero, conhecido por uma estátua em particular, o ‘Cristo Velato‘ (Cristo Velado). Não o conseguimos visitar por ser um dos locais mais procurados de Nápoles e os bilhetes no dia em que o quisemos visitar tinham já esgotado. A estátua em mármore em tamanho real (humano) representa Jesus Cristo morto coberto por uma mortalha transparente feita do mesmo bloco do da estátua. Neste museu e capela existe muito mais para ver como por exemplo as esculturas das dez Virtudes. O bilhete de entrada para o museu custa 10 euros e podem-no adquirir através do site oficial: https://www.museosansevero.it/. É evidente que a compra atempada destes é aconselhada.

Como não conseguimos visitar o museu fomos explorar as ruas ali à volta, acabando por entrar na Chiesa del Gesù Nuovo (igreja do Novo Jesus). A visita é gratuita e é uma das igrejas mais importantes da cidade sendo talvez a mais bonita.

No século XV foi construído ali um edifício que funcionou como palácio. Este tornou-se famoso pela sua beleza interior devido aos variados e fantásticos frescos. Este palácio tornou-se um grande exemplo do Renascimento Napolitano e do Barroco. A igreja sofreu várias alterações durante o tempo e foi completamente reconstruída no século XVI. Durante a segunda guerra mundial, esta igreja sofreu danos severos quando uma das bombas atravessou o tecto sem detonar. A bomba ainda hoje se encontra na igreja. A última grande obra de restauração aconteceu em 1975 e é hoje um dos locais muitos procurados por visitantes e cristãos.

Agora nós cheios de fome e ainda a querer colocar as malas no quarto antes de ir jantar decidimos que estava mais do que na altura de comer qualquer coisa. E foi assim que experimentámos mais uma das delícias da comida Napolitana, também esta considerada como ‘comida de rua‘ (street food) – a pizza portaflogio, uma pizza margherita dobrada. Estas pizzas são vendidas por toda a cidade e é uma opção brilhante para quem quer algo rápido e continuar a seguir caminho. Com a fome com que estávamos soube-nos pela vida.

Pizza portafoglio

A nossa última noite foi passada no B&B Tecla. Como o tínhamos reservado pelo trip.com tal como em Capri, tivemos de contactar o dono para nos abrir a porta. Aconselho mais uma vez a fazerem-no com antecedência e não apenas quando chegam à porta para entrar, como nós. Felizmente os donos encontravam-se nas redondezas e a espera demorou menos de 10 minutos. Este é um bom local para quem é fanático por histórias de terror e quer vivê-las na vida real, porque o edifício era mesmo um cenário ideal para filmes com fantasmas. Nós ainda hoje pensamos que o local era antes um mosteiro ou uma cavalaria ou um outro qualquer edifício de grandes dimensões transformado em apartamentos, mas deixando a estrutura original. A única coisa que se destacava era o elevador que tinha um ar bastante mais moderno do que as grandes e altas portas de madeira carunchosa.

Vista do quarto laranja no B&B Tecla
Vista do quarto laranja no B&B Tecla

Talvez tenha sido o local para dormir mais fracote de toda a viagem, especialmente depois de andarmos durante a noite à luta com uma melga, mas pelo lado positivo o quarto tinha uma bonita paisagem para a Basilica dello Spirito Santo e para a colina onde a cidade se estendia até às catacumbas de San Gennaro. Mas atenção não estou a dizer que o B&B Tecla não é um local que não deva ser considerado, afinal a cama era enorme e o quarto estava limpo e agradavelmente decorado. É deveras um local com as suas peculiaridades.

Sendo a nossa última noite em Nápoles tínhamos que escolher da nossa longa lista de comidas o que queríamos ainda experimentar. Uma das coisas que não queríamos perder eram os cones – ‘cuoppo’. Talvez os mais conhecidos são os de peixe (di mare) que incluem camarão, lulas, mexilhão e anchovas. Também há o cuoppo di terra com croquetes, arroz, curgete. E depois existem várias variações. Tudo isto é frito, por isso não esperem uma coisa leve para o coração. Nós comemos o cuoppo di mare na Pizzeria e Friggitoria Del Purgatorio. E gostámos bastante, eu apesar de estar um bocado receosa dos peixinhos, acabei por gostar imenso. E um cuoppo deu bem para os dois, já que isto não era o jantar apenas a entrada. E aproveito para mostrar na imagem abaixo a característica oferta da comida de rua em Nápoles que inclui pizza frita (que experimentámos em Pompeia), frittata (que nunca chegámos a experimentar) e a pizza portafoglio.

Para jantar fomos ao restaurante Tandem para comer o famoso ragù napolitano, que na sua essência é carne com um molho de base de tomate muito saboroso. Nós pedimos a sandes de ragù chamada de Cuzetiello mas o pão era um bocadinho rijo demais, por isso aconselho a provarem o ragù mas com massa ou gnocchi. No entanto, não deixem de provar o ragù. Existem vários restaurantes da cadeia Tandem espalhados pela cidade de Nápoles, basta encontrarem o mais perto. Nós não tínhamos feito reserva mas sendo uma segunda-feira à noite o restaurante não estava movimentado e rapidamente arranjámos mesa.

Para acabar a noite fomos a um dos bares com a melhor selecção de bebidas da cidade, OAK Napoli Vino e Birra Artigianale. O bar é bastante pequeno mas ainda assim encontrámos dois bancos num dos balcões e uma lista imensa de bebidas. Pareceu-nos um lugar bastante popular e um bom local para passar ali um bocado.

Durante a noite tivemos uma luta à procura de uma melga mas sem barulho constante das buzinas o que foi um plus depois da nossa última noite em Nápoles na Via Casanova. De manhã tomámos um pequeno-almoço leve no B&B e partimos para as nossas últimas horas em Nápoles. Havia dois sítios que queríamos visitar, duas catacumbas, e descobrimos depois que na compra do bilhete para uma delas se pode visitar a outra sem valor acrescido. Esta oferta ou promoção tem uma validade de um ano se não conseguirem visitar os dois locais no mesmo dia. Começámos pelas catacumbas di San Gaudioso. Estas encontram-se no Quarteirão Stella, que há cerca de 10 anos era uma das zonas mais perigosas da cidade e um grande foco da máfia italiana, a Camorra. Isto mesmo nos foi explicado durante a tour. Sim, porque para visitar tanto umas catacumbas como as outras, é obrigatório participar numa tour com guia. Ambas as catacumbas são propriedade do Vaticano e portanto não é permitido filmar.


Catacumbas de San Gaudioso

Primeiro talvez é importante saber quem foi San Gaudioso?

San Gaudioso, também conhecido como o Africano, foi bispo de Abitina na Tunísia, tendo chegado a Nápoles depois de ser expelido do seu país. Em Nápoles, San Gaudioso contruiu o mosteiro de Caponapoli, introduziu a Regra de Santo Agostinho no mosteiro, instruções escritas sobre a vida monástica desde o século V até aos dias de hoje, e foi também o responsável por transferir parte das relíquias de Santa Restituta para Nápoles, que hoje se encontram na catedral da cidade. Apesar de não ser certo, pensa-se que San Gaudioso morreu entre 451 e 453 DC sendo sepultado no cemitério que ficava fora das muralhas da cidade. A sua sepultura tornou-se rapidamente local de devoação.

Posteriormente, as catacumbas tiveram de ser ampliadas e são hoje as segundas maiores de Nápoles. Durante o século XVII neste local encontravam-se principalmente sepulturas de aristocratas e clero. Envolvido nas sepulturas havia primeiro um processo de drenagem – os cadáveres eram furados e colocados em nichos para que perdessem os fluidos. Ainda hoje se podem ver os frescos das sepulturas pintados por Giovanni Balducci, um artista que se recusou a ser pago e por sua vez pediu para ser enterrado nestas catacumbas. O fresco que mais me marcou foi o da morte com os vários elementos em cada canto inferior. O seu significado: ‘ a morte está acima do poder, da coroa, do conhecimento e do tempo’.

No final da visita, tivemos o prazer de visitar ‘Il Presepe Favoloso’ – o presépio fabuloso – acreditem que só esta peça artística vale a pena a visita. Cada vez que olham para o presépio encontram mais um pormenor super interessante, naquele que é uma peça cultural da vida quotidiana combinado com um dos mais importantes eventos católicos, o nascimento de Jesus.

Catacumbas di San Gennaro

Sobre as origens de San Gennaro há algumas incertezas, mas pensa-se que nasceu por volta de 272 DC e que foi bispo de Benevento. San Gennaro foi preso durante o século IV por professar a fé cristã e foi morto por decapitação em 305 DC. O sangue de San Gennaro foi preservado em dois frascos.

E sabem que mais? Este sangue ainda hoje tem um grande impacto. Pois de acordo com a tradição em determinadas datas, 19 de setembro, 16 de dezembro e o primeiro sábado de maio, o santo faz um milagre, o seu sangue transforma-se em líquido. De acordo com a tradição, se o sangue não se liquefizer um desastre iminente vai acontecer. Se liquefizer, o dito ‘milagre’, então há um bom presságio. Verdade ou talvez não, mas as últimas vezes que não se liquefez foi em 1939 e 1940 que coincidiu com o início da segunda guerra mundial e novamente em setembro de 1943 altura em que Itália foi invadida pelos nazis. Também em 1980 quando Irpinia, localizada a 50Km de Nápoles foi atingida por um terramoto devastador. Última vez em 2020, um aviso mais ou menos atrasado do COVID? Como disse o guia, muitos sabem que não é real, ou pelo menos há várias dúvidas sobre a sua veracidade, mas faz parte da cultura naquela parte do mundo e isso tem que se respeitado, acreditemos nós ou não.

As catacumbas de San Gennaro tem dois pisos, o núcleo original remonta ao século II DC. Provavelmente começou por ser o túmulo de uma família nobre, que cedeu espaço à comunidade cristã, para também ali serem sepultados. Esta catacumba segue uma estrutura reticulada. Também aqui existe uma pia batismal encomendada pelo bispo Paulo II que se refugiou nestas catacumbas e realizou eventos cristãos como o baptismo neste mesmo local, quando tais actos eram proibidos. O piso superior, o local de sepultamento dos bispos, iniciou-se no século V quando os restos mortais de San Gennaro foram movidos para estas catacumbas. Devido aos seus restos mortais a catacumba superior tornou-se um local de peregrinação.

Estas duas tours são indispensáveis e estão apenas disponíveis devido ao grande esforço que têm havido nos últimos anos em transformar aquela zona da cidade numa zona mais segura, turística e assim melhorar a vida dos moradores que viviam, e certamente muitos ainda vivem sobre os domínios da Camorra. Em ambas as tours os guias mencionam, claro como parte do script, que são os turistas como nós que ajudam a melhorar aquela zona, ao participarmos naquelas tours, contribuímos para que os jovens que nasceram ali e que ali querem ficar o possam fazer, como por exemplo o aumento do turismo levou à possibilidade de terem contractos de trabalho permanente, expandir a equipa, etc. Penso que foi a primeira vez que ouvi falar do impacto positivo que o turismo pode ter, pois o negativo é imensas vezes discutido. E por isso faço aqui um apelo, se forem a Nápoles, não percam a oportunidade de visitar estas duas catacumbas, não só pela sociedade mas também porque são fascinantes, mostrando que as cidades romanas e gregas afastadas por milénios espreitam em vários pontos na cidade actual.

Depois de estas duas fantásticas visitas era altura de irmos para o aeroporto de Nápoles, e decidimos apanhar o autocarro. Confesso que não cheguei a perceber muito bem como funciona o sistema de autocarros na cidade. Mas chegámos ao aeroporto depois de uma viagem bem apertada. Já no aeroporto comprámos umas sandes com burrata e foi uma das melhores coisas que comemos na viagem. Vale tudo até ao momento da partida!

Viajar em Itália em Novembro – Nápoles (1ª Parte)

Hoje vamos falar de Nápoles – que cidade! que vibe! que gente! que atmosfera!

Nápoles será para sempre uma das cidades que nos marcou, chocou no início mas com tempo passou a ser vista com outros olhos e com um enorme respeito. Talvez tenha sido das muitas explicações sobre as origens e a cultura da cidade que fomos ouvindo durante os dias que aqui estivemos, mas se foi então conseguiram o seu propósito, o de explicar e fazer da confusão aceitação daquilo que é hoje a cidade de Nápoles.

A nossa visita a Nápoles foi meia que desfasada, visitámos a cidade depois de virmos do Monte Vesúvio já à tarde e no dia seguinte enquanto esperávamos para saber se o ferry partia ou não para a ilha de Capri. Depois de voltarmos de Capri foi acabar o dia em Nápoles e aproveitar uma parte do dia seguinte, o último, antes do nosso voo para visitar o restante. Acho que conseguimos ver os pontos principais mesmo que no final pareça que tenhamos visitado a cidade só de passagem.


Primeiro dia em Nápoles

Apanhámos o comboio para Nápoles (estação Napoli Centrale) de Pompeia e chegámos no início da tarde à cidade. Primeiro quisemos ir meter a tralha que trazíamos às costas no local onde tínhamos marcado a nossa primeira noite, o B&B FReBI’s Home. Enquanto andávamos em direcção à morada pretendida, Via Casanova, tivemos as primeiras impressões da cidade. E foi do tipo, ‘Mas onde é que viemos parar?!’. As ruas cheias de lixo, os prédios com mais aspecto de estarem prontos para a demolição do que parar albergar alguém e a confusão de trânsito, foi o choque total. Estávamos mesmo em Nápoles? O que se tinha ali passado? Tinha a cidade acabado de sair de uma guerra?

Aparentemente esta zona à volta da estação Napoli Centrale é uma das zonas menos seguras da cidade e onde a pobreza é mais evidente. E sim estas foram as nossas primeiras impressões, mas não melhoraram muito quando chegámos ao prédio do B&B. Subimos as escadas até ao último andar, um prédio a precisar de sérias remodelações. O proprietário tinha mandado já instruções por mail de como abrir a caixa-cofre onde estavam as chaves tanto para abrir a porta do prédio como a do apartamento. Encontraríamos a chave do quarto na porta deste. Já conhecíamos este tipo de sistema em que as chaves são colocadas num ‘cofre’ que fica na parede ao lado da porta do apartamento e o código é mudado ou todos os dias ou com regularidade suficiente para que os antigos hóspedes não possam reentrar no apartamento. O apartamento tinha sido renovado e o nosso quarto era de tamanho razoável, limpo e com as condições necessárias. Não reflectia de todo as instalações do prédio. Mal posámos as nossas malas fomos para o coração da cidade. Ainda não tínhamos saído da Via Casanova e já tínhamos reparado no barulho…em cada segundo havia pelos três a quatro buzinadelas das várias scootters, carros e carrinhas. Os condutores naquela cidade nunca devem ter as duas mãos no volante, mas NUNCA. Imagino na aula de condução em Nápoles o instrutor a dizer ‘colocas uma mão no volante e outra em cima da buzina e vais carregando a cada 5 segundos’. E isto acontece em qualquer ponto da cidade. É um barulho contínuo. E nas ruas estreitas da parte histórica por exemplo na Via dei Tribunali aprende-se a ser assertivo…é que não interessa se uma scootter vem em direcção a ti, tens de te meter à frente, seguir e nunca parar. O erro é parar. Há ali um acordo entre scootters e pedestres em que ambos circulam ao mesmo tempo e cada um se desvia apenas o suficiente para não ir parar com o focinho ao chão.

Porta Capuana (lado direto) e igreja de Santa Caterina a Formiello (edifício frontal)

É que até para o carro da polícia apitam! Na Via Casanova o carro da polícia não estava a circular o rápido o suficiente (aparentemente) e foi uma cacofonia imediata de várias buzinas. Ficámos logo ali avisados, se apitam assim para os carros da polícia é porque ninguém está livre da ira dos condutores. O primeiro sítio que queríamos visitar chamava-se Napoli Sotterranea – ou em português, Nápoles subterrânea. Não tínhamos bilhetes pré-marcados, mas mesmo assim entrámos na tour seguinte. No entanto, acho que os bilhetes comprados com antecedência são mais baratos. Para visitar é obrigatório a presença de um guia e compreende-se pois há túneis e zonas que ainda não foram explorados e são de acesso negado ao visitante. E já se sabe se não há controlo é exactamente para aí que as pessoas se vão meter. Não é uma crítica, simplesmente uma característica inerente ao ser humano.

Adorei a tour, no início estava com algum receio pois há uma parte da visita em que o túnel estreita bastante e é necessário primeiro agachar e depois andar de lado (tipo egípcio). Também é preciso lanterna, o que actualmente qualquer telemóvel tem. Mas mesmo sendo claustrofóbica não foi assim muito mau, a parte agachada é por uma questão de segundos e mesmo tendo de andar de lado o tecto é imensamente alto e isso ajuda imenso.

Este foi um dos pontos altos da viagem, o nosso guia era estudante de arqueologia e começou por explicar a origem daqueles túneis, como antes se encontrava ali lençóis de água e para aceder à água tinham-se aberto vários poços à superfície da cidade. Também explicou os problemas de saneamento numa altura em a água foi contaminada por fezes. Também que houve homens que vinham limpar os túneis e aproveitavam para assaltar as casas privadas entrando através destes tais poços. Que ainda hoje há casas na cidade que são de difícil venda porque se dizem ‘assombradas’ devido às visitas destes homens a quem as pessoas davam à sua presença um significado sobrenatural uma vez que desapareciam de repente (através dos poços). Incrível como a fama se prolongou ao longo do tempo. Também nos foi explicado que aqueles túneis, quando já sem água, se tornaram numa lixeira. No entanto, na segunda guerra mundial para servirem de bunkers todo o lixo foi removido. Há muito mais que é explicado durante a tour e foi aqui que entrámos chocados com o que tínhamos visto de Nápoles e saímos com um novo respeito pela cidade. Basicamente a cidade foi sendo construída por cima da cidade que antes ali se encontrava. As casas de hoje estão em cima de ruínas da cidade romana e da cidade que foi construída depois da cidade romana. A tour também inclui visita a uma casa onde a actual cave era antigamente parte de um teatro romano. Compra-se uma casa e ganha-se 3! Ou pelo menos ruínas de 2 e talvez um fantasma.

Símbolo do papel que túneis tiveram na segunda guerra mundial

Achámos isto incrível e não quero deixar de reforçar que a nossa ideia sobre a cidade mudou imenso. Aconselho mesmo a não perderem esta tour. Em seguida fomos à catedral (Duomo di Napoli) e é uma das igrejas mais bonitas que já tive o prazer de visitar. Os frescos são espetaculares – as fotografias não lhe fazem justiça. A construção deste edifício sagrado iniciou-se no século XIII e hoje tem o nome oficial de catedral metropolitana de Santa Maria Assunta.

Esta catedral tem três naves com duas capelas laterais, a basílica di Santa Restitua e a Capella di San Gennaro. A entrada é gratuita, sendo apenas paga a entrada para o museu do tesouro de San Gennaro. Também é possível visitar a cripta onde no tecto se encontram trabalhados incríveis.

Depois destes dois fantásticos locais fomos ao Aperol Spritz, uma bebida muito apreciada em Itália e em Nápoles os preços eram mais apetecíveis como por exemplo 2 a 2,5 euros o copo. Um pouco por toda a parte da cidade encontram esta bebida.

Para continuar na prova da cozinha italiana quisemos experimentar um dos bolos mais conhecidos, a sfogliatella. Antes de irmos jantar quisemos ir ainda ao hotel e passámos por uma pastelaria que nos chamou a atenção chamada de Sorella (Antica Pasticceria Sorella dal 1920), onde escolhemos uma sfogliatella de pistacchio e ainda um bolo de tiramisu. De caixa na mão fomos para o quarto. Podíamos ter ficado na pastelaria, mas quisemos carregar os telemóveis e encontrar um local para jantar. Gostei bastante da sfogliatella com a sua casquinha crocante, mas mais ainda do bolo tiramisu.

Para jantar fomos outra vez para o centro histórico de Nápoles. Depois de um grande debate, decidimos experimentar um dos restaurantes mais conhecidos da cidade, o Gino Sorbillo. E era essa a intenção, mas afinal acabámos num restaurante com o mesmo nome ‘Sorbillo’ mas Antonio Sorbillo. É ‘engraçado’ como escolheram o mesmo nome da pizzaria mais conhecida da zona. É que a verdadeira pizzaria Sorbillo fica na mesma rua a cerca de 30 metros. A verdade é que devido a esta confusão com o nome há uma mistura de reviews referindo-se a um restaurante quando na verdade se queriam referir ao outro. E eu não experimentei a pizza da verdadeira ‘Sorbillo’ por isso não posso falar da qualidade, mas da pizzeria que experimentámos a pizza não era nada de especial. Na verdade, enquanto a pizza ia arrefecendo mais a massa da pizza ficava elástica, uma das críticas mais comuns às pizzas deste restaurante. Não sendo um verdadeiro fracasso, não foi a experiência que esperávamos, a da verdadeira pizza napolitana. Até na ilha de Capri a pizza que comemos foi melhor. Apesar de muitos comentarem sobre o mau atendimento, nós não tivemos essa experiência e o restaurante em si é bastante agradável, não fosse a mesa de miúdos aos gritos mesmo ao nosso lado. Concluindo, não digo para não virem, assim não terão a fila de uma hora à espera de mesa como no Gino Sorbillo, mas não esperem de ficarem maravilhados com a comida.

Para ajudar a digestão fomos dar uma volta pela cidade até à Piazza Dante e pelas outras ruas do centro histórico até ser hora de voltarmos para o nosso quarto.

Piazza Dante

No dia seguinte fomos tomar o pequeno-almoço cedo para apanhar o ferry para Capri (o que aconteceu muito mais tarde como podem ler no post anterior) mas também não dava para dormir. Sendo o quarto virado para a Via Casanova o barulho era tremendo. Toda a noite os carros e scooters não pararam de apitar. Não faço ideia como as pessoas vivem ali, ou furam os tímpanos de desespero ou usam uns super tampões. É impossível aquela lengalenga do ‘depois de um tempo já nem noto’ porque o barulho é constante e verdadeiramente maçador. O pequeno-almoço não foi mau, havia umas sandes de fiambre e de salame com maionese, que apesar de não soar apetecível para pequeno-almoço atingiu o ponto. Com um croissant de chocolate para adicionar extra energia estava na hora de abalarmos.

Pequeno-almoço no B&B FReBI’s Home

Faço aqui um aviso que agora é bastante comum em todas as acomodações dentro das cidades cobrar ‘taxa da cidade’ ou ‘city tax’. Quando marcarem os vossos locais para dormir, seja em que plataforma for confirmem se o valor que estão a pagar inclui o tal city tax ou se têm de pagar na altura em que estiverem hospedados. Nós tivemos de pagar em Pompeia e em Nápoles. E também tivemos que pagar em Milão quando fomos em janeiro e agora em Veneza que está previsto para finais do próximo janeiro. Em alguns locais aceitam pagamento com cartão, mas outros como em Pompeia, apenas aceitam dinheiro.


Saímos então do B&B e pusemo-nos a andar pela cidade desde a Via Casanova até ao porto. Foram cerca de 45 minutos a andar bem, mas deu para conhecer outras zonas da cidade como por exemplo o monumento Vittorio Emanuele II e o Palazzo dell’Immacolatella. Depois de nos dizerem que o ferry das 9 estava cancelado e para voltar a verificar mais tarde, por volta das 11 e meia, decidimos explorar a zona de Nápoles agora junto da costa. Começámos pelo castelo mais perto, o Castel Nuovo que naquele dia se encontrava fechado. Tirámos as fotografias ao seu imponente exterior e seguimos pelo jardim ‘Giardini del Molosiglio‘, onde se têm uma bonita vista da costa napolitana. Continuando pela costa fomos até ao Castel dell’Ovo, mas estava tanto vento que os pingos vindos das ondas do mar chegavam até nós. Este castelo também se encontrava encerrado para visitas. O porquê de estes castelos estarem encerrados não soubemos na altura, mas também não tínhamos muito tempo para entrar e os explorar como deve ser. Mas aconselho o passeio pela costa independentemente se acabarem ou não por visitar algum dos castelos, ou outros edifícios como o palácio real ou o teatro de São Carlos.

Vou terminar este post com uma breve descrição de ambos os castelos começando pelo Castel Nuovo, o castelo da cidade, construído entre 1279 e 1282. Foi inicialmente habitado por Carlos II de Nápoles, sofrendo mais tarde vários danos na altura da invasão húngara em 1347 e francesa em 1494. O Castel dell’Ovo é mais antigo do que o Castel Nuovo, tendo este sido construído em 1128. Este edifício teve vários papéis como o defensivo, prisional e residencial para a família real. A visita é gratuita, apesar de o termos encontrado encerrado (de momento encontra-se temporariamente encerrado para renovações) mas é impossível perdê-lo, um castelo a entrar pelo mar dentro.

Castel dell’Ovo

E aqui ficamos no primeiro post sobre Nápoles. Uma cidade com múltiplas dinâmicas e com muitos locais para explorar. No próximo post vamos falar de catacumbas, igrejas e de mais comida tradicional.

Os precalços de viajar em Itália em Novembro – 2ª parte, Ilha de Capri

A ilha de Capri é um daqueles locais tirados directamente de um filme, paisagens magníficas, vilas pitorescas, resorts de sonho e villas majestosas. Para muitos Capri é uma viagem de um dia, mas nós decidimos que a ilha merecia passarmos ali uma noite para a explorar um pouco mais. Nem imaginávamos o quanto esta decisão iria ter um impacto imenso naquilo que iríamos conseguir visitar! Em novembro não sendo esta época alta era esperado que o número de turistas fosse reduzido, mas se o número era de facto reduzido nem quero imaginar (nem presenciar) Capri em época alta.

Mas começando do início – como chegar a Capri e os nossos preparativos iniciais

Pode-se ‘facilmente’ chegar a Capri a partir de Nápoles, mas também a partir de Sorrento apanhando o ferry. A ilha de Capri fica a sul do Golfo de Nápoles, mesmo em frente a Sorrento. Os ferrys partem várias vezes por dia em ambas as direções. A viagem demora cerca de 50 minutos para cada lado, se partirem de Nápoles. Se partirem de Sorrento a viagem será mais rápida.

Imagem retirada de: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Capri_and_Ischia_map-es.svg

Os nossos preparativos iniciais foram três:

  • Acomodação: Apesar da altura do ano, ou seja, mesmo em novembro a escolha não era muita ou melhor era mas não para o preço que estávamos dispostos a pagar. A ilha de Capri é composta por duas vilas principais, Capri, a que dá o nome à ilha (ou vice-versa) e a que fica mais perto do porto chamado de Marina Grande, e Anacapri que fica da outra ponta da ilha. E foi em Anacapri que decidimos ficar.E foi em Anacapri que decidimos ficar. O local escolhido foi Relais Villa Anna, e apesar de ser classificado como um estabelecimento de 3 estrelas aparenta ser melhor do que o padrão, incluindo piscina, quartos recentemente renovados num local calmo, bonito e sem barulho. Fica a mais ou menos 10 minutos a pé do centro de Anacapri. Nós marcámos através do trip.com como tínhamos cashback. Mas se também o fizerem lembrem-se antes do dia do check-in de confirmar se precisam de contactar o proprietário, porque o trip.com marca o quarto através de terceiros o que pode criar alguma confusão. Por exemplo quando chegámos e falámos com os proprietários disseram-nos que nos tinham tentado contactar, mas não tinham os nossos contactos e que até tinham contactado a Expedia. No entanto nós tínhamos feito a reserva através do trip.com e claro está que a Expedia não tinha os nossos contactos. Bem, um imbróglio, mas os proprietários foram 5 estrelas, puseram-nos à vontade e deram-nos várias indicações para restaurantes e como chegar a diversos pontos da ilha. O nosso quarto era espaçoso, limpo e o pequeno-almoço apesar de não ter sido como o de Pompeia (que também foi meios que exagerado) foi bastante bom.
  • Visita de barco à volta da ilha: Uma das atrações principais, que não se pode perder na ilha de Capri é fazer uma tour à volta da ilha para conhecer as muitas grutas escavadas na rocha, as falésias imponentes e uma gruta em especial, chamada de gruta azul. É possível visitar o interior da gruta azul, mas apenas de barco. Só se pode comprar os bilhetes à entrada e podem não escolher ir numa tour e ir ao local da gruta azul e visitar apenas esta gruta. Nós como queríamos conhecer um pouco mais, marcámos uma tour à volta da ilha. Se vierem na altura menos procurada a compra adiantada dos bilhetes não é assim tão urgente, mas se vierem por exemplo nos meses de Verão comprem os bilhetes assim que marcarem a viagem ou poderão não ter oportunidade de o fazer. Nós comprámos os nossos bilhetes através deste website: https://www.capri.com/en/l/capri-boat-tours, onde podem escolher qual das excursões mais vos agrada.
  • Bilhetes de ferry: Claro que talvez o mais importante é comprarem os bilhetes do ferry. Nada será feito se não chegarem a Capri – talvez escolher uma excursão que vá a Capri a partir de Nápoles, mas o preço talvez não seja tão apetecível. Nós escolhemos a empresa Caremar, mas há várias que fazem o percurso entre portos. Vou deixar apenas o site aqui e vou já já de seguida falar da nossa experiência e vocês decidem se também querem ou não usar esta empresa. Nós comprámos os bilhetes por aqui: https://shop.caremar.it/en/. Mais uma vez, se forem em novembro provavelmente não terão problemas em termos de bilhetes esgotados, principalmente se tiverem alguma margem de manobra relativamente a horas de partida, mas durante o Verão aconselho vivamente a irem um bocadinho mais preparados, já com bilhetes na mão.

Agora a nossa experiência em Capri

Tal como aconteceu no Monte Vesúvio no último post, também em Capri encontrámos várias eventualidades com as quais não estávamos a contar. A primeira foi logo de manhã para apanhar o ferry em Nápoles. Uma grande tempestade era esperada para aquele dia e disseram-nos logo que não haveria NENHUM ferry a partir de Nápoles para Capri durante o dia. Tudo nos caiu, é que nem sequer tínhamos sítio para dormir naquela noite. Mas o que é preciso é ter cabeça fria. Fomos confirmar a um dos guichet e disseram-nos que ‘achavam‘ que o ferry tinha sido cancelado. Perguntámos o que podíamos fazer, disseram-nos para pedir o reembolso através do website do Caremar. Como não gostei do ‘achava‘ fomos ao local oficial onde iríamos apanhar o ferry. Ah, já agora é melhor mencionar que teve de ser um taxista a informar-nos que não era ali que se apanhava o ferry, mas na ‘Porta di Massa‘, que ficava a 5 minutos dali. Fomos então para o local correto onde havia ecrãs com os vários ferrys para os diferentes destinos. Não havia nada a confirmar que o nosso tinha sido cancelado, mas reparámos que nenhum dos ferrys tinha realmente saído do porto. Fomos ao guichet e aí é que começa a verdadeira experiência do atendimento ao cliente italiano. Atende-nos um homem sentado na cadeira com a posição de quem está antes no sofá a ver televisão. Diz-nos que está o ferry das nove da manhã (o ferry que tínhamos marcado) está cancelado, que o mar está demasiado revolto e que não sabia de mais nada. Para um reembolso contactar a empresa através do website (parece que ele não sabia que trabalhava para essa mesma empresa). Vimos então no ecrã que havia outros ferrys marcados para mais tarde, voltámos ao guichet para perguntar se podíamos voltar mais tarde e se algum dos próximos ferrys saísse se poderíamos usar os mesmos bilhetes. Desta vez atende-nos um rapaz mais novo que nos diz que com aqueles bilhetes não dava, que tinha que se pedir um reembolso, mas para ir verificando que talvez os próximos saíssem se o mar amainasse. Enquanto este rapaz nos está a dar alguma informação que se aproveite, o do lado, o primeiro que nos atendeu, começa a mandar vir com o rapaz a perguntar o que ele estava para ali a dizer. Jóia de homem.

Então até às 2 da tarde foi voltar à hora para qual estava marcado o próximo ferry e confirmar se esse partia ou não. Felizmente só havia ferry ao meio-dia e outro às 2. Enquanto esperávamos íamos visitando umas partes de Nápoles rente à costa. O do meio-dia não partiu, mas o das 2 sim. Felizes com os bilhetes da mão entrámos no ferry. Pensámos que chegaríamos antes das 4 e que ainda dava para fazer alguma coisa. Infelizmente estivemos mais de 1 hora dentro do barco antes de finalmente partir e já chegámos de noite à ilha. Mas o mar estava bravo. Em relação aos primeiros bilhetes já mandámos uns 5 e-mails e AINDA estamos à espera do reembolso. Mas pronto, sempre chegámos à ilha de Capri. E a viagem é bastante bonita, se não forem no ferry mais rápido, que esse é todo coberto, mas se forem no mais lento este tem uma parte a descoberto onde podem ir tirando fotografias à costa desde Nápoles a Sorrento. E a chegada a Capri é um sonho. Quando chegámos já estava lusco-fusco e apanhámos logo a primeira camioneta que saía para Anacapri. A paragem de autocarro fica mesmo ao lado do porto na Marina Grande.

Chegando a Anacapri fomos de seguida a pé até à Relais Villa Anna. Quando chegámos não sabíamos onde era entrada, nem vimos ninguém que nos pudesse receber, entregar as chaves do quarto, etc. E depois de um dia daqueles a paciência já não era muita. Ainda por cima o número de telefone que tínhamos na reserva não funcionava, mas se também vos acontecer verifiquem no website do Relais Villa Anna, que foi o que fiz e assim entrámos em contacto com o proprietário que nos recebeu de uma forma muito simpática. Ele tinha-nos tentado ligar pois não sabia se conseguiríamos chegar à ilha devido ao mau tempo. Aconselhou-nos dois restaurantes, Il Boccone e La Tablita, e mal nos repusemos decidimo-nos pelo ‘Il Boccone’ por ser o mais perto. Na verdade não fazia muita diferença, Anacapri é uma vila e o centro histórico é bastante pequeno. Os preços na ilha de Capri, não apenas em Anacapri, não se comparam àqueles que encontram em Nápoles ou em Pompeia. Mas o restaurante foi uma boa escolha, escolhemos pizzas e eram bastante boas. Acho que o dono do restaurante preferia que tivéssemos escolhido massas e pratos que aumentassem a conta no final, mas para o fim deste dia, as pizzas eram o que precisávamos.

Depois do jantar fomos dar uma volta por Anacapri, focando-nos mais na zona histórica. Afinal não teríamos muito tempo para vê-la durante o dia, mas senão tívessemos escolhido passar ali a noite provavelmente nunca teríamos visitado a ilha. Para além do mais tínhamos a tour de barco marcada para a manhã seguinte na Marina Grande. Mas deu para perceber que Anacapri é uma zona onde as pessoas vivem bem e onde se sente a característica vibe da bella vita italiana. Mesmo de noite gostei imenso de passar pelas ruazinhas.

No dia seguinte, depois de uma noite bem repousada, e de um bom pequeno-almoço, decidimos que para explorarmos um pouco da ilha íamos a pé de Anacapri até Marina Grande. Ainda se demora cerca de 1 hora e pouco de Anacapri mas tivemos assim oportunidade de parar em pontos panorâmicos e descer a famosa Scala Fenicia com os seus 921 degraus que até o século XIX era a única maneira de chegar a Anacapri por terra.

Já na Marina Grande entrámos no barco depois de encontrarmos a nossa excursão. Mas mais uma vez tivemos que engolir um sapo, a gruta azul estava fechada devido ao estado do mar. Apesar da tempestade do dia anterior ter passado e de o dia estar lindíssimo, o mar estava demasiado revolto para ser seguro entrar pela pequena passagem. Mesmo assim, valeu a pena a viagem pela costa, e tirámos imensas fotografias. No entanto, houve quem se sentisse mal e passasse a viagem toda a vomitar. Eu estive quase o caminho todo com um medo irracional (será que era assim tão irracional?) que a mulher largasse o saco com o vómito e este voasse pelo ar.

Como a gruta azul estava fechada a excursão acabou mais cedo e tivemos tempo para visitar a vila de Capri. Primeiro fomos até ao Giardini di Augusti, um pequeno jardim botânico com vista para o mar de entrada gratuita. Apesar de estarmos em Novembro havia várias flores e todo o ambiente era digno de um quadro.

Passámos por uma pequena banca e comprámos granita da qual tinha ouvido falar muito. Havia vários sabores, mas escolhemos a tradicional de limão e foi o que nos valeu enquanto explorávamos aquele bocadinho de ilha, pois o sol raiava com força e as lembranças da tempestade dissipavam-se a cada momento. Como ainda tínhamos tempo até o nosso ferry de volta a Nápoles fomos fazer um dos trilhos a Piazzetta delle Noci até à costa. Um trilho mergulhado nas ruas calmas da ilha. Pelo menos assim foi quando o percorremos.

No final, ficaram algumas coisas para ver daquilo que tínhamos pensado inicialmente como por exemplo as Villas Jovis e Lysis e o famoso teleférico até ao topo do Monte Solaro. Apesar de todas as inconveniências ficámos felizes por termos visitado Capri, uma ilha que na segunda metade do século XIX se tornou um popular refúgio a artistas, escritores e celebridades. Mas não foi só recentemente que Capri se tornou uma ilha procurada por muitos, também durante o Império Romano os Imperadores Augustus e Tiberius viverem neste pequeno pedaço de sonho guardado ao longe por Nápoles e Sorrento.

Próxima paragem: Nápoles

Os precalços de viajar em Novembro – 1ª parte em Pompeia

A voar em cima dos Alpes

Quem tenta fugir das multidões de turistas que assola todos os bocadinhos do planeta durante os meses de Verão, escolhe as suas férias para os meses menos procurados. São aqueles turistas que não têm filhos, não têm paciência para multidões e que preferem preços que não requeiram um rim para pagar os valores exorbitantes que só o Verão proporciona. Para nós os meses em alta, relativamente a viagens, costuma ser de novembro até inícios de junho, mas com grande foco entre novembro e fevereiro. Isto porque há aniversários e ocasiões especiais que pedem uma escapadinha para fora do país. Mas viajar nos meses mais propícios a chuva e frio leva sempre a grandes percalços. Quando acontecem o que é preciso é ter alguma flexibilidade e aceitar que nem sempre os planos correm como o esperado. Apesar de reconhecer que às vezes é preciso batalhar contra aquele sentimento de frustração.

Anfiteatro em Pompeia

E nesta viagem foi preciso muita luta. Mas no final foi uma boa viagem e como sempre prefiro ter ido a Itália, pela segunda vez em 2023, mesmo com precalços do que não ter ido de todo (dá para perceber o pensamento do ‘copo meio cheio’, nāo dá?). O ponto principal pelo qual escolhemos este destino foi Pompeia. E vimos Pompeia, por isso ao menos essa parte foi conquistada. Há medida que for mencionando os vários pontos pelos quais fomos passando, vou explicando os preparativos antes da viagem e como foi a experiência. Partimos numa sexta de manhã (bem cedo) e voltámos na terça a meio da tarde. A intenção ao chegar ao final desta viagem é o de voltar para visitar outros sítios e talvez termos oportunidade de fazermos o que não conseguimos desta vez.


Assim comecemos por Pompeia

  • Comprar os bilhetes. Em novembro não há grandes filas, mas para alturas com mais pessoas a querem também visitar Pompeia aconselha-se a comprar os bilhetes com antecedência. Comprámos os bilhetes no site oficial: http://pompeiisites.org/en/. Quando estiverem a fazê-lo o próprio website leva-vos para um outro (https://www.ticketone.it/en/artist/scavi-pompei/) onde poderão efetuar a compra. O preço do bilhete por adulto custa 22 euros. No website oficial podem verificar as horas em que abrem e em que encerram, uma vez que os horários sāo diferentes durantes os meses de Verão e os meses de Inverno.
  • Transporte. Os transportes em Itália são muito bons. E isto é algo de muito positivo deste país, para além de uma série de outras coisas claro. Tanto quando fomos ao Lago Como quando visitámos Milão, como agora do aeroporto de Nápoles para Pompeia, os transportes foram pontuais e partiam da estação com bastante frequência.

Para ir de Nápoles a Pompeia apanha-se o comboio em Napoli Centrale diretamente para Pompeia. Nós como partimos do aeroporto ainda tivemos de apanhar um autocarro para o centro de Nápoles. Podem apanhar o Alibus que são 5 euros e que sai do aeroporto a cada 15 minutos. Existem outros autocarros que talvez fiquem mais em conta, mas que param em todas as paragens e como estávamos um tanto como que apressados para podermos aproveitar Pompeia esta foi a melhor opção. Nós não tínhamos comprado os bilhetes nem de autocarro nem de comboio adiantadamente, mas podem comprar os bilhetes eletrónicos que provavelmente será mais rápido e mais cómodo. Antes de comprar tenham a certeza de que conseguem apanhar o comboio à hora que escolherem. Talvez assim, sem ter que ir às máquinas, não tenham que ouvir a mesma voz a avisar vezes sem conta sobre os potenciais roubos.

  • Acomodação: Ficámos na Maison De Luxe e não poderia recomendar mais este local. Acabou por ser o melhor sítio em que ficámos hospedados em toda a viagem! Como sempre usámos o booking.com para fazer a reserva: https://www.booking.com/hotel/it/maison-de-luxe.fr.html. A localização era ótima, fomos recebidos por uma senhora muito simpática, o quarto estava limpo e nāo se ouviu barulho durante a noite toda. Acreditem que a ‘falta de barulho’ faz muita diferença, especialmente comparando com a noite seguinte em Nápoles. O pequeno-almoço então fez-nos arregalar os olhos. A nossa mesa de pequeno-almoço dava e bem para 6 pessoas. Quando cheguei à sala pensei que essa era a mesa de onde se ia buscar a comida, mas não, afinal era a nossa mesa. Infelizmente eu de manhã não sou muito de doces, mas mesmo se fosse nunca tinha visto uma coisa assim. E ainda nos deram sacos de plásticos para levarmos a comida connosco. Nós só levámos dois bolos para o dia. Uma completa loucura de coisas boas numa mesa de pequeno-almoço!

Pompeia é uma cidade com uma atmosfera de vila, onde se guarda um grande tesouro cultural, a antiga cidade de Pompeia que foi devastada pelo vulcão do Monte Vesúvio. A antiga cidade de Pompeia faz parte do Património Cultural da Unesco e a preservação das suas estruturas permitem aos visitantes conhecer como era a vida no ano 79 Depois de Cristo (DC). Foi neste ano, no dia 24 de Agosto (não há um ditado em Portugal em que se diz que neste dia o diabo anda a solta?) que a erupção destrutiva do vulcão eliminou grande parte da vida humana na cidade de Pompeia preservando-a coberta por um manto de cinzas incandescentes. Ao contrário do que se pensa a erupção não aconteceu no vulcão Vesúvio, mas sim na montanha adjacente, o monte Somma. O vulcão Vesúvio dos dias de hoje resultou de erupções do monte Somma. Durante a erupção de 79DC que levou a terramotos, edifícios foram destruídos e a população esmagada pelos detritos vulcânicos que atingiu a cidade. Para aqueles que sobreviveram encontram um final terrível – asfixiação pelas nuvens de gases extremamente quentes que se libertaram. Foi neste manto de cinzas e pedras-pomes que a cidade permaneceu adormecida durante séculos. Conta-se que das 13.000 pessoas que viviam em Pompeia 15% a 20% morreu neste desastre.

Em 1748, um grande grupo de exploradores descobriram Pompeia debaixo da camada de cinzas e pedra-pomes. Ali encontraram uma sofisticada cidade greco-romana congelada no tempo. Villas, anfiteatro, teatros, praça central, casas, bordéis, lavandarias são apenas alguns dos muitos edifícios que foram sendo descobertos. E dentro destes edifícios encontraram os moldes feitos em cinzas agora endurecidas dos corpos humanos. A matéria biológica tinha desaparecido tendo sido ocupada pelas cinzas que mantiveram as formas dos corpos. O que é ainda mais incrível é que depois de tantos anos ainda exista 1/3 da cidade que não foi explorado. Para além do desejo de explorar mais, há uma prioridade que se sobrepõe, a necessidade de preservar o que já foi encontrado. Ainda em 2023 foram encontrados dois corpos de dois homens. Os restos mortais revelaram que estes dois homens não morreram asfixiados pelas cinzas, mas sim esmagados durante a destruição de edifícios.

Conseguem imaginar os segredos enterrados naquele 1/3 de cidade ainda não explorado? Quanto a isso só podemos esperar. E enquanto se espera nada como aproveitar para visitar as secções abertas ao público. E não é assim tão pouco como isso, mesmo depois de um dia a explorar chega-se ao fim sem se ter conseguido visitar todos os recantos e sem se ter visto todas as curiosidades.

Agora da minha experiência pessoal – o que encontrei foi diferente do que esperava? – Sim, em alguns aspetos, por exemplo pensava que tinham mantido os corpos dentro das casas onde estes foram encontrados. Mas é claro que não é preciso pensar muito que num local onde famílias percorrem com crianças aquelas ruas e pessoas mais suscetíveis a explorar Pompeia é preciso sensibilidade para não chocar, para a todos dar uma experiência única sem traumatizar. No entanto não se enganem, se procurarem irão encontrar aqueles que ficaram paralisados durante séculos por um vulcão que a população em 79DC nem sabia que existia até a destruição se abater sobre a cidade de Pompeia.

Algumas curiosidades extra:

  • Antes da erupção de 79DC, o vulcão não tinha entrado em atividade havia cerca de 1800 anos e por isso a população não sabia que estava a viver perto de um vulcão
  • Os corpos que se encontram em Pompeia não são mesmo corpos, mas sim moldes de gesso. Durante as escavações em 1860 aperceberam-se que os espaços vazios que continham os restos humanos eram as formas dos corpos. Para as preservar foi injetado gesso de forma a preencher os espaços vazios e assim preservar a forma dos corpos no momento da sua morte.
  • Outra cidade, esta mais pequena, que também foi devastada pela mesma erupção foi Herculaneum. Eu não tive oportunidade de a visitar, mas apesar de ser mais pequena, o seu estado de preservação é ainda mais notável do que em Pompeia. Uma sugestão para a vossa e para a minha próxima viagem ao Monte Vesúvio.

Nós decidimos ficar uma noite em Pompeia tanto porque achámos que voltar para Nápoles ia ser cansativo e porque queríamos visitar o Monte Vesúvio no dia seguinte. Mas é possível fazê-lo. A viagem de comboio entre Pompeia e Nápoles dura cerca de meia hora. Não aconselho é a tentarem fazer o Vesúvio e Pompeia no mesmo dia, vão ficar de rastos.


Agora em relação à comida! Para almoçar queríamos uma coisa rápida e Nápoles é conhecida pela sua tradicional comida de rua (street food). Como podem imaginar eu tinha uma grande lista de comidas que queria experimentar – e, apesar de não ter dado para tudo, começámos o almoço com uma pizza frita. Aviso já que a comida de Nápoles não é para um coração fraco. Mas anda-se muito, por isso quase que um contrabalança o outro. A comida é deliciosa e mesmo o que soa menos bom é delicioso como acabou por ser a pizza frita num estabelecimento mesmo em frente de uma das entradas para a antiga cidade de Pompeia, ‘Pizzeria da zio Carmine di fagà Adolfo e Paolo‘. Itália consegue o subtil sucesso que é a pizza frita o que não foi bem-sucedido durante a nossa estadia na Escócia cuja experiência não consistiu só em pizza (congelada) frita, mas também em Mars frito. Não se pode comparar experiências. A Escócia que se deixe estar com o seu black pudding e haggis. Para acabar fomos provar um gelado à pastelaria De Vivo, mas ficámos meio desapontados. Apesar do bom aspeto os gelados não eram nada de especial, aliás um dos gelados nem sequer muito sabor tinha. Uma pena, pois a expectative era enorme.

Depois de passearmos um pouco pela cidade, passando pela praça principal onde se encontra o Santuário de Nossa Senhora do Rosário e de uma paragem no nosso quarto, escolhemos o local para jantar e um bar para descontrair. Acabámos por ir ao bar antes e depois do jantar. Fomos ao Pub27, um bar com bom ambiente e uma boa coleção de bebidas, especialmente de cervejas. No dia em que fomos era o aniversário do bar e por isso havia promoções especiais para celebrar a data. É que já nem se quis experimentar mais nenhum bar. E o ambiente, a música e as bebidas puxavam-nos para ficar. Bebemos uma cerveja e depois fomos jantar, já com a ideia de voltar.

Acabámos no restaurante Le Delizie Pompei via Roma 83. Esta foi uma decisão escolhida já em Pompeia pela promoção que oferecem. Dois pratos, mais dois acompanhamentos, pão e uma garrafa de água a 15 euros. Acreditem que para a comida que foi valeu bem o preço. Nós experimentámos gnocchi alla sorrentina, tagliatelle alla bolognese, parmagiana di melenzane e scaloppina al limone. No início ainda andámos a mirar os doces, mas depois desta grande refeição já não havia espaço para mais!

No final do jantar mais uma ida para o pub27. Não ficámos até muito tarde que o dia seguinte começava cedo. Era a nossa ida até ao monte Vesúvio antes de irmos para Nápoles.


Monte Vesúvio

Com um pequeno-almoço de leões ou mais de transformar gladiadores em diabéticos de uma só assentada eis que nos víamos prontos para deixar Pompeia e partir até ao monte Vesúvio. Tínhamos já o percurso feito e as horas contadas. Quando estávamos a chegar à paragem de autocarro os empregados do posto de turismo que ficava ao lado da estação disseram-nos que o topo do Monte Vesúvio estava fechado devido ao mau tempo. No início duvidámos, sim tinha chovido no dia anterior, mas não tinha sido nada de especial (a nosso ver), para além que o dia se apresentava limpo e o sol brilhava. Mas perguntámos tantas vezes que acabaram por nos convencer. Sem plano juntámo-nos a uma daquelas excursões que incluía a subida ao vulcão. A excursão parava num miradouro, num local para provar limoncello e ainda ia ao cimo do vulcão, a zona onde fica o tal posto de turismo. Custou-nos 20 euros e não penso que tenha valido a pena. Já que estava fechado mais valia termos feito uma paragem para visitar Herculaneum. Eu não achei o miradouro nada de especial, apesar de haver imensas pessoas a tirar fotografias à costa napolitana. Mas suponho que se está num miradouro mais vale tirar a fotografia. Quanto à prova de limoncello foi interessante, havia limoncello de vários sabores, o meu preferido foi o de melão. Havia limoncello de queijo mozzarella que eu detestei, mas o meu marido disse que era bom, talvez seja eu que tenha mau gosto.

O posto de turismo de onde se parte para o topo do vulcão estava mesmo fechado. Foi uma grande desilusão e ficou assim marcado uma re-visita ao vulcão (esperemos que dessa vez aberto). E esta foi a nossa primeira desilusão da viagem (sim, porque houve mais). Se também planearem vir ao topo do Monte Vesúvio lembrem-se que têm de comprar o bilhete primeiro, ainda antes de entrar no autocarro. Então acabo este post com os preparativos necessários para a visita à caldeira do vulcão do Monte Vesúvio.

  • Comprar bilhetes com antecedência. No posto de turismo no topo do vulcão onde se entra para o último trecho até à caldeira não vendem bilhetes e a conexão de internet é bastante fraca. Se vierem de carro dão de caras com este problema neste ponto. Se vierem de autocarro desde Pompeia como nós, o motorista só vos deixa entrar já com bilhete. comprado Para comprar os bilhetes visitem o website oficial: https://vesuviopark.vivaticket.it/
  • Os bilhetes têm hora marcada mas podem entrar 40 minutos antes e até 100 minutos depois da hora marcada
  • O autocarro para o Vesúvio desde Pompeia é o 808 e o custo do bilhete é 3 euros. O autocarro demora cerca de 50 minutos o que têm de considerar dependendo da hora que marcaram a visita à caldeira. Se essa parte estiver encerrada, como aconteceu quando o visitámos, o autocarro não vai à paragem que fica ao lado do posto de turismo.
  • Infelizmente não sei quanto tempo se demora a subir, a descer e a tirar fotografias. Espero que tenham a sorte que nós não tivemos, mas não se pode esperar sempre bom tempo quando se viaja em Novembro. Pelo que ouvi ir no Verão também tem as suas complicações, pois o calor é bastante forte.
Durante a excursão foi nos dito que se olharmos com atenção encontraríamos a cara de um homem. Consequem vê-la?

Próximo post será sobre Capri, uma ilha lindíssima, e depois passaremos a Nápoles e sobre esta cidade só posso dizer WOW, é um outro estado de vida! Mas isso fica para mais tarde.

Trafalgar Square, Convent Garden & Soho

Este post é sobre alguns dos locais onde tenho passado mais tempo em Londres. A maioria das vezes para jantares e saídas à noite, mas também como local de escolha para passear. O post vai ser uma amalgama de dias diferentes, uns em que vim apenas visitar a National Gallery (Galeria Nacional) outros em que vim pelas luzes de Natal. Portanto, as fotografias apanham várias estações do ano.

Trafalgar Square

Vou tentar que a ordem do post faça algum sentido. Vou começar por um pequeno-almoço que vai deliciar aqueles com uma preferência por doces. E começar o dia na pastelaria L’ETO Caffe é com certeza um dia especial. A pastelaria abre às 9 da manhã e fecha às 8 da noite, por isso sempre podem decidir tomar o brunch aqui de manhã e depois voltar para um chá e bolo à tarde. Falei dos que adoram doces porque o principal são os diversos e deliciosos bolos, mas de manhã também há várias opções desde bagels com salmão até panquecas. Se, no entanto, vierem pelos bolos existem sempre muitas opções e o difícil será mesma a escolha. Para acompanhar o bolo nós fomos para o chá e um bule deu bem para duas pessoas. Também podem ser atraídos pelos cafés oriundos de diferentes países ou pelos smoothies. A decoração é feminina, mas de uma maneira subtil.

Hora do chá no L’ETO Caffe

Para queimar essas calorias aconselho por começar em Trafalgar Square através das estátuas dos leões enquanto se dirigem para a National Gallery. E este é o museu que mais tenho visitado, seguido do British Museum. Há sempre exposições novas para visitar e nas permanentes há sempre algo que não se tinha reparado nas visitas anteriores. Está aberto todos os dias da semana entre as 10 da manhã até às 6 da noite, sendo as sextas-feiras exempção pois fecha mais tarde, às 9 da noite.

National Gallery

O que posso dizer sobre a National Gallery? Há mesmo muita coisa para ver…A entrada é gratuita o que é sempre um bónus. Com uma colecção que conta com mais de 2600 quadros é um dos museus mais visitados do mundo depois do museu do Louvre em Paris, do British Museum em Londres, incluído no post anterior, e do Met (museu metropolitano de arte) em Nova Iorque. Aqui vão encontrar quadros de Anthony van Dyck, Vincent van Gogh, Andrea di Bonaiuto da Firenze, Masolino e Rembrandt, apenas para mencionar alguns dos artistas representados. No total estão presentes quadros de 885 artistas de várias épocas e de várias regiões do mundo. Preparem-se para passar aqui umas boas horas e o desafio vai ser não se perderem nas imensas galerias onde encontram pinturas desde meados do século XIII até ao século XIX.

Saindo da National Gallery tem-se logo ao lado a Leicester Square, uma praça onde vão encontrar várias estátuas sendo que talvez a mais conhecida será a do urso Paddington. Contudo, é uma zona bastante animada da cidade e que vale a pena conhecer, mesmo que seja só de passagem. Seguindo a estrada encontrarão Piccadilly Circus, e vão rapidamente reconhecer esta praça pelo edifício coberto de ecrãs. Nesta zona costuma haver imensa gente, com especial atenção pela altura do Natal pois a partir daqui podem passear pela Regent Street, uma rua com imensas lojas desde Zara a Tommy Hilfiger a Michael Kors a H&M, e onde encontrarão os famosos anjos feitos de luzes de Natal ao longo da rua.

Chegada a Piccadilly Circus

Daqui vão ter a outra rua também muito aconselhada para quem gosta de fazer compras, a Oxford Street. Apesar de estes locais não terem muito para visitar apenas conhecê-los e ter a oportunidade de passar por eles é importante, pois são marcos da cidade de Londres.

Se, no entanto, preferirem ir mais para sul a partir do Trafalgar Square vão encontrar a mais famosa torre do relógio, o Big Ben. O Big Ben já está em pleno funcionamento, depois de 5 anos de trabalhos de restauro. A torre foi construída entre 1843-1859 contando actualmente com mais de 160 anos. O mais fantástico é que cada mostrador é composto de 324 peças de vidros, unidas por uma moldura de ferro fundido. O relógio da torre tem quatro mostradores por isso conta no total com 1292 peças individuais de vidro. Apesar de eu já ter feito o erro mais comum e ter chamado Big Ben a toda a torre, na verdade Big Ben é apenas o nome do sino. O nome oficial da torre é Torre Elizabeth em homenagem da Rainha Elizabeth II, nome dado quando decorrem as celebrações do Jubileu de Diamante (60 anos de coroação).

Estando aqui podem decidir se querem visitar o Palácio de Westminster, a Abadia de Westminster (onde normalmente decorrem as celebrações reais) ou o Palácio de Buckingham. Eu confesso que não visitei nenhum destes locais, apenas conheço a sua parte exterior. No entanto, já passei várias vezes pelo parque St James em frente do Palácio de Buckingham em dias que o sol espreitava. Todos estes locais são de entrada paga, a razão pela qual nunca os visitei, mas são certamente edifícios de valor cultural muito valioso para Inglaterra e que com se certeza se tiverem oportunidade valerá a pena a visita.

Mas não se preocupem se vierem sem tempo para ver tudo, mesmo vendo apenas o exterior destes locais fica-se com uma perspetiva bonita da cidade de Londres. Como já disse em outros posts, Londres é uma cidade bastante cara e por vezes temos que fazer escolhas, por isso pesquisem aquilo que querem fazer e escolham apenas o que mais vos agrada dos locais onde a entrada não é gratuita e aproveitem aqueles em que a entrada o é. Na volta para o Convent Garden, aproveitem para passar pelo Admiralty Arch, apesar de se encontrar temporariamente fechado a sua parte exterior vale a pena o pequeno desvio.

Admiralty Arch

Agora Convent Garden e Soho, dois bairros vizinhos com diferenças bastante notáveis. Ambos os bairros não têm pontos turísticos propriamente ditos, mas tanto um como o outro tem uma atmosfera animada, uma mistura variada de lojas, restaurantes, teatros e bares que faz com que ambos sejam bastante procurados. Soho é o centro LGBTQ+ em Londres enquanto Convent Garden continua a ser o coração do Teatro, sendo este também acompanhado por mercados de rua e interiores. Na altura do Natal, o Convent Garden enche-se de luzinhas e já agora aproveito para mencionar que existe também um pequeno mercado de Natal em Leicester Square.

Agora vou passar para restaurantes e sítios para beber. Assim a melhor maneira de organizar o dia é desta maneira:

  • Pequeno-almoço L’ETO
  • Trafalgar Square e National Gallery
  • Big Ben (opcional Palácio e Abadia de Westminster)
  • St Jame’s Park (opcional Palácio de Buckingham)
  • Picadilly Circus
  • Andar pela Regent Street e pela Oxford Street

Em Oxford Street parar para uns cocktails no Simmons Bar e aproveitem o Happy Hour que começa às 3 da tarde e termina às 8.

  • Em seguida passear pelo Convent Garden, tanto pelos mercados como pelas muitas lojas que se encontram espalhadas por esta zona.
  • Se vierem pela altura do Natal nada como aproveitar o mercado de Natal em Leicester Square e beber um vinho quente (mulled wine) ou deliciar-se com as muitas guloseimas que se vendem nas barraquinhas.

Para jantar podem escolher o restaurante Happy London em Piccadilly Circus, onde vão ter imensa escolha, desde as entradas às sobremesas. Desde hambúrgueres a massas a bifes e até a marisco. Outra boa opção e bastante aclamada pelos locais é o Soho Joe, um restaurante de comida libanesa.

Se procuram algo mais simples têm o All Bar One em Leicester Square. Aqui a comida é mais tradicional de pub, o que poderá ser exactamente aquilo que procuram – uma verdadeira experiência britânica. Porque acreditem quando digo que há um pub em cada esquina e não me refiro só a Londres. Nada é mais cultural do que ir a um pub especialmente como os das fotografias no final deste post.

Sei que também experimentei na zona de Soho um restaurante greco e uma pizzaria, mas não tenho fotografias nem sei o nome dos restaurantes. O que prova que Soho é uma óptima escolha para jantar e seguir para a farra a noite toda. Mas nesta zona podem rapidamente procurar um restaurante onde jantar, o difícil vai ser mesma escolher porque há uma imensa variedade de opções.

E assim acabo o dia a percorrer esta parte de Londres. Ainda faltam uns quantos posts e claro que faltam incluir imensos locais, por isso aviso que só estou a mencionar os mais conhecidos. Porque em Londres têm tudo o que possam imaginar e até aquilo que não conseguem imaginar.

De Camden Town ao British Museum ou talvez ao contrário

Camden Town

Londres é uma cidade enorme e em cada canto há algo para ver ou viver. É-me difícil escolher e dizer para fazer isto ou aquilo quando vai depender muito dos gostos de cada um. E dependendo dos gostos assim vão ser os locais em Londres que mais vos agradará. Talvez um dos locais mais conhecidos, pela sua diferença, é Camden Town. Este é talvez um dos locais que mais tenho visitado em Londres. É uma zona que tem de entrar em qualquer roteiro turístico, não só pelas suas ruas com as muitas lojas chamativas pelo seu design, como o canal por onde se pode passear, mas também pelo mercado com imensa comida deliciosa. Camden Town é talvez uma das zonas onde a diversidade cultural é mais sentida pois é um local onde se mistura todos os estilos. Eu adoro esta zona exatamente por isso, independentemente do estilo, do que se gosta de vestir ou como se parece fisicamente, vai-se sempre integrar nesta comunidade. É por isso uma zona muito procurada talvez mais por uma geração mais nova, mas não deixa de ser um local a visitar e a apreciar como turista. Naquelas ruas encontra-se o significado puro de uma cidade multicultural.

Em Camden Town o mercado é talvez o sítio central para comer. Aqui encontrarão várias bancas de cozinhas diferentes e todos de preços bastante acessíveis. Eu recomendo as Halloumi Fries de banca Oli Baba’s para petiscar e para uma refeição mais substancial, se também se quiserem sentar, porque no mercado torna-se difícil, a Pizza Pilgrims. Também podem aproveitar a promoção do restaurante Tai Pan Alley, se quiserem um jantar com bebidas à descrição. Deixo aqui o website se quiserem experimentar: https://www.taipanalley.co.uk/bottomless-dinner

Mas sem dúvida, aproveitem para passear pelas ruas e ao longo do canal, especialmente se estiver um dia bonito. Também podem sempre parar num dos pubs para umas bebidas, como por exemplo no pub The Ice Wharf mesmo ao lado do canal ou no The World’s End. The World’s End pode para muitos ser apenas um pub, mas é na verdade um marco na história no norte de Londres. O pub, no piso do rés-do-chão está disposto como a de um mercado, sendo um reflexo do mercado que outrora existia naquele mesmo local. Por baixo deste piso encontra-se The Underworld, o segundo bar onde há vários espetáculos de música, música esta que se pode dizer não apela a todos os gostos. É uma mistura de música eclética, e por isso mesmo o Underworld é muito procurado. Estes pubs têm uma longa história de pessoas famosas frequentadoras deste espaço, como por exemplo Charles Dickens.


The Regent’s Park

Mesmo ao lado de Camden Town e mudando completamente de vibe encontra-se The Regent’s Park, um jardim considerado como muitos a jóia da coroa britânica. O parque é um obra-prima de paisagismo e planejamento urbano projetado em inícios do século XIX por John Nash. Nash planeou a construção de várias casas residenciais que seriam altamente procuradas pela Regência para além de um palácio de Verão para o príncipe Regente. O palácio nunca se chegou a erguer e das casas apenas 8 foram construídas. No entanto, este passou a ser um Parque Real que apenas a partir de 1835 foi aberto ao público, no entanto apenas começando pelo lado leste do parque. Como podem imaginar, apesar dos planos de Nash não se terem realizado, esta é realmente uma das zonas caras de Londres.

Desde 1838 que a Royal Botanic Society (Sociedade Real Botânica) tem tido uma influência neste parque com a inclusão de o Inner Circle onde vão encontrar um lago e a coleção de rosas nos jardins Queen Mary’s Gardens, colecção esta que é mundialmente famosa. Também neste parque se encontra o Zoológico de Londres, no entanto nunca tive o prazer de o visitar.

Claro que dependendo da altura do ano a experiência da visita é diferente. Como podem ver pelas fotografias eu vim a meio do Outono, mas mesmo assim ainda consegui ver algumas rosas para além da magnífica panóplia de cores que esta estação do ano oferece.


Brunch & estações de St Pancras e King’s Cross

Começo-me a aperceber que este post devia ter começado ao contrário – do British Museum até Camden Town em vez de Camden Town até ao British Museum. Daí o título do post – já que já falei de locais para jantar quando ainda não falei do pequeno-almoço. E é por isso mesmo que o próximo local é para o brunch – The Sandwich Street Kitchen. Não aceitam reservas por isso não estranhem se encontrarem fila. Nós quando viemos já era mais perto de um almoço tardio do que propriamente de um brunch mas por isso não tivemos que esperar por mesa, apesar de estar várias pessoas chegarem quando entrámos. Para além de não aceitarem reservas prévias só terão mesa quando estiverem todos do vosso grupo. Isto apenas mostra o quanto popular é o sítio. Eu experimentei o Mediterranean Breakfast e para além de ser muito bom, trouxe imensas variedade de comida. Muito bom e não foi nada caro para o tabuleiro que nos chegou à mesa.  

Este restaurante fica perto de duas estações de comboio (Euston e St Pacras) que fazem conexões com todo o país ou mesmo a nível internacional, como é o caso da estação de St. Pancras de onde podem apanhar o Eurostar para França ou Bélgica. A estação só por si vale a pena visitar e acreditem quando digo que é enorme como imensas lojas e até um piano se souberem tocar e estiverem para aí virados. E mesmo ali ao lado para aqueles que são fãs do Harry Potter encontrarão a plataforma 9 3/4. É verdade, a estação que aparece nos filmes de Harry Potter é a estação de King’s Cross. E se querem experimentar a sensação de estar num dos filmes nada como ir até lá e tirar uma fotografia com o carrinho que já está meio dentro da parede. Claro que se o fizerem não podem perder uma visita aos estúdios do Harry Potter em Watford – vejam o post aqui.


The British Museum

Para último e já nos dirigindo para os próximos ‘bairros’ do próximo post, deixo-vos no British Museum. A entrada para este museu é gratuita e é um dos museus mais conhecidos da cidade pela sua imensa variedade de exposições. Para terem uma ideia do tamanho deste museu e do seu valor cultural encontram-se mais de 60 galerias cobrindo a história de mais de 2000 anos. E como devem calcular no total, as exposições cobrem todo o mundo desde a Ásia, China e Índia, até Roma e Grécia antigas, até ao misterioso mundo do Egipto. Se adorarem arte vão passar muitos horas a percorrer os dois pisos deste museu. Eu já vi cá várias vezes e encontro sempre coisas fascinantes e nem sou muito apreciadora de arte. Para dizer a verdade o meu interesse vem mais do meu marido que é de conservação e restauro e que tem um conhecimento vasto sobre as várias civilizações e períodos da história, a maior parte deles retratados neste museu.

Para aqueles que não são dados a museus, posso sempre dizer que aconselho a ficarem com ele como opção em caso de estar a chover, o que é bastante provável. Também ali há um cafézinho e casas-de-banho para quem precisar.


Nando’s

Para jantar, se acharem que Camden Town fica longe de onde estão alojados e principalmente se estão a tentar encontrar uma coisa não muito cara, mas meio que saudável, existe esta franchise – Nando’s. Muitos vos dirão que o Nando’s é um restaurante português. Não é português, mas é bastante bom. Aliás em qualquer cidade de Inglaterra vão encontrar um restaurante desta companhia. Eu já jantei algumas vezes no restaurante ao pé da estação de Euston e aconselho a quem quiser experimentar uma refeição mais leve mas mesma assim cheia de sabor. E o frango que é o que é mais famoso do Nando’s é bastante bom.


Itinerário sugerido

Como disse acima o post está ao contrário ou talvez não na ordem mais lógica, apesar da ordem seguir de locais mais a norte de Londres até aqueles mais ao centro. Mas se quiserem organizar o dia como deve ser com as sugestões incluídas sugiro:

  • The Regent’s Park
  • Brunch no The Sandwich Street Kitchen
  • O British Museum
  • Estações St Pancras and King Cross
  • Chegar ao canal perto de St Pancras Gardens
  • Seguir o canal até Camden Town
  • Comer umas halloumi fries no Oli Baba’s
  • Passear pelas ruas e pelos mercados de rua em Camden Town
  • Parar no The Ice Wharf para uns cocktails
  • Jantar no Pilmigrims Pizza
  • Acabar a noite no pub The World’s End ou se quiserem uma coisa mais calma talvez ver um filme nos cinemas Odeon

E a seguir vamos mais para o centro de Londres – próximo post será sobre Soho, Convent Garden, National Gallery e muitos sítios para comer

Londres

Fazer um post sobre Londres é algo que está há muito tempo na minha lista. E quando digo há muito tempo refiro-me a anos. Mas nunca me sinto preparada para escrever sobre esta cidade. Porque ainda mesmo agora, depois de 8 anos, a visitar ocasionalmente Londres, e morando a meia hora de distância, ainda não sinto que possa dizer que conheço Londres. Na verdade, nem sei se alguém pode dizer que a conhece totalmente. Não é só pelo tamanho da cidade e pelos vários distritos que a dividem, de tal maneira que até já me disseram que cada zona de Londres tem sotaques diferentes, mas porque está sempre muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Todos os fim-de-semanas há feiras, espetáculos e experiências a acontecer, dependendo da altura do ano.

A pista de gelo ao lado do museu de história natural que está apenas aberta na altura do Natal

Eu tenho a felicidade de dizer que já visitei Londres em todas as estações do ano e não há uma melhor que a outra, desde o Verão com os vários jardins para explorar, ao Outono com os tons de laranja a colorir a cidade, ao Natal com as suas ruas decoradas com mil luzinhas até à Primavera com as árvores em flores. Em qualquer altura que venham vão gostar de conhecer a cidade, uma cidade que é uma das mais multiculturais do mundo e uma das mais procuradas em todo o mundo. Qualquer que seja o vosso gosto em viagens, Londres tem. Qualquer que seja a vossa cozinha preferida, Londres tem. O que quer que procurem, Londres tem.Vão encontrar uma cidade que anda sempre num ritmo de mil à hora, mas no fim da viagem vão ter memórias de uma cidade inesquecível.

A famosa Oxford Street com as suas maravilhosas luzes de Natal

Eu nunca fiz o clássico turismo em Londres, como por exemplo passar uma semana a conhecer a cidade. Normalmente vou só por um dia visitar algo específico ou encontrar-me com amigos, por isso os próximos posts vão ser de locais que visitei, restaurantes que experimentei, coisas que vi, mas não numa forma planeada para um dia ou para uma semana em Londres. Do que incluir neste blog depois podem escolher o que mais vos agrada ou incluí-los com outros locais que ainda não visitei. Eu, por norma, em relação a museus vou aqueles que são de entrada gratuita, o que vão ver que são bastantes. E aproveito aqui para dar um alerta – confirmar o que já se sabe – que Londres é caro. Não quero desanimar ninguém mas contem com isso. Aliás é conhecido entre os que cá moram, como piada, que basta de sair de casa em Londres para já se ter gasto 50 libras. Mas a experiência é única e para ajudar eu vou falar de locais que não vos vão deixar paupérrimos e que vos vão dar uma experiência clara do que é a cidade de Londres.

Os bonitos edifícios na parte sul de Londres
Tower Bridge

Eu vou tentar por nos posts locais que ficam relativamente perto uns dos outros para que possam assim organizar-se por dia. Se me perguntarem o tempo ideal para visitar Londres eu diria que se querem ficar só no centro e ficar a conhecer os locais mais turísticos para aí uns 4 a 5 dias. Também depende de como se vão querer deslocar, se for a pé vão demorar muito mais do que se forem de transportes públicos, mas isso também se aplica a qualquer outra cidade. Mas há várias partes da cidade que ficam longe umas das outras e aconselho a que visitem a cidade também a pé, vão passar por feiras, apreciar a paisagem, encontrar pequenas roulottes com comida. A experiência será mais enriquecedora. No entanto, aconselho a aproveitarem os transportes públicos, para puderem incluir mais na vossa viagem. Suponho que o ideal é encontrar um balanço entre andar a pé e ir de transportes.


Transportes públicos em Londres

O meio de transporte mais conhecido e o preferido da cidade é o metro. Abaixo tem o mapa do metro e logo concordam que coloca o de Lisboa a um canto, tal como um jogo de crianças. Eu sei que a início pode parecer confuso, mas na verdade só tem de saber para que estação querem ir e em que linha é que a estação fica. As estações estão bem sinalizadas e só é mesmo confuso pelo número de linhas e paragens. Mas é um dos melhores meios de transportes, rápido, eficiente e constante. Se perderem um metro passado uns minutinhos outro estará a chegar

O actual mapa do metro de Londres (fotografia tirada de https://www.bbc.co.uk/london/travel/downloads/tube_map.html)

A maneira mais fácil (e barata) de se deslocarem em Londres é adquirirem um Oyster Card ou um Travel Card. Tem mais informações tanto sobre o Oyster Card como sobre as outras opções disponíveis, de acordo com os locais que querem visitar e a frequência com que vão ou pensam que vão apanhar transportes públicos, a partir deste webiste: https://tfl.gov.uk/travel-information/visiting-london/getting-around-london/best-ways-for-visitors-to-pay#on-this-page-1

Outra opção de transportes são os famosos autocarros vermelhos. Mas aviso desde já que o trânsito em Londres é terrível, por isso se a distância for curta aconselho a irem a pé pois há uma probabilidade muito grande de chegarem primeiro a pé do que o autocarro, especialmente à hora de ponta.

Trânsito numa rua de Londres

Na primeira vez que a nossa família nos veio visitar a Inglaterra, decidimos que para mostrar toda a cidade, sem ter de andar muito, apanhar os autocarros turísticos London Hop-on Hop-off. No entanto, não ficámos fãs da experiência! Primeiro o trânsito faz com que se perca muito tempo, tal como as filas para entrar nos mesmo autocarros que muitas vezes estavam apinhadíssimos! Aviso desde já que também o metro costuma estar muito cheio e que ao final do dia especialmente em dias de verão se encontra muitos desafios especialmente focados em cheiros e distância corporal. Mas claro que os tais autocarros vos leva a ter uma ideia sobre os vários locais centrais da cidade, pois passa por todos os pontos mais conhecidos. Apesar da minha opinião outros podem achar que é a opção ideal e por isso deixo aqui um link para várias empresas de autocarros turísticos: https://www.hop-on-hop-off-bus.com/london-bus-tours

Acrescento apenas que andar de metro em Londres é por si uma experiência turística. Este complexo de linhas é tão especial que até foi descoberto uma subespécie de mosquitos própria deste ambiente. Um microclima debaixo da cidade, onde milhares de pessoas percorrem estes túneis diariamente.


Hampstead Heath

Para entrar no mundo da vida londrina começar por mencionar um bom sítio especialmente se vierem no Verão – Hampstead Heath.

Para perceberem um bocadinho da cultura deste país, devido à imensa quantidade de dias por ano que não se vê sol, que chove, que está frio, mal há uma aberta azul no céu corre tudo para os parques. Durante um dia de Verão há gente espalhada por tudo o que é relvado, quer a fazer um picnic, quer a ler um livro, tanto sozinhos como com um enorme grupo de amigos. Se forem a Hamsptead Heath num sábado de manhã encontrarão imensa gente a correr, um hábito bastante comum de cá, ou a passear pelo parque com as crianças, cães ou amigos. E isto não se aplica só em Hampstead Heath mas a todos os locais com jardins como o Hyde Park ou mesmo Camden Town.

Vista sobre a cidade de Londres em Hampstead Heath

Hampstead Heath é um local muito especial, talvez mais conhecido pela paisagem lindíssima sobre a cidade de Londres e os seus altos edifícios, mas é especial porque apenas existe devido a uma longa e persistente luta no século XIX a fim de proteger um dos últimos ‘pulmões de Londres’. Quando vierem a Londres vão se aperceber o quanto é raro encontrar esta floresta com os seus lagos cobrindo mais de 3 Km2 a pouco menos de 6 Km do centro de Londres. Não é sem razão que este é um local bastante adorado por pintores, fotógrafos e até escritores. Outra coisa que podem fazer neste local é nadar. Sim nadar! Há uma zona dos lagos onde é permitido o fazer. E acreditem que mesmo em dias de frio há gente aventureira que o faz.

Venham com tempo para passear, mesmo que não queiram entrar dentro de água, ou fazer uma corrida, apenas aproveitar a paisagem panorâmica, num sítio tão improvável de ainda existir.

Ovos turcos no Silverberry

Para chegarem aqui apanham a linha de metro ‘Northern Line‘ e param na estação de Hampstead. Antes ou depois do passeio aconselho a que venham ao brunch em Silverberry. Este local não aceita reservas prévias, por isso muito provavelmente terão de esperar na fila. Mas vale imenso a pena. Eu experimentei os ovos turcos (imagem acima) e fiquei logo convencida, mas dos pratos que vi passar parece-me que qualquer escolha será uma boa escolha.


Para o próximo post vamos falar de Camden Town, Regents Park, British Museum e outro local para brunch que não podem perder….vamos já descendo para o centro de Londres!