Quando pensamos em Inglaterra vem-nos imediatamente à ideia imagens de Londres, a roda branca do London Eye que aparece sempre em noites de Ano Novo ou a torre do relógio que todos conhecemos como o Big Ben ou mesmo outras grandes cidades como Manchester, Liverpool, talvez mais conhecidas pela sua relação com o futebol. Vou já aproveitar para mencionar que é em Manchester que decorre um dos melhores mercados de Natal, aqui em Inglaterra, por isso preparam-se que para dezembro será aí que vamos passar uns dias. Mas isso só daqui a uns meses. Bem e, entretanto, distraí-me. O que queria dizer é o que este post foca-se em duas cidades mais pequenas, ambas perto de Londres e que são uma ideia para tanto aqueles que querem conhecer um pouco de Inglaterra, num ritmo mais calmo do que que Londres, e aproveitar para conhecer a cultura, a comida e já agora aprender/treinar um pouco da língua inglesa.
Eu adoro visitar estas pequenas vilas, normalmente bastante pitorescas, mas talvez seja porque moro aqui em Inglaterra. Mas mesmo da última vez que vieram cá os nossos familiares, tendo eles já conhecido Londres e tendo alguns deles algumas dificuldades em andar durante muito tempo e no meio de confusões, acabámos por explorar Barnet, uma cidade já pertencente ao concelho de Londres, mas com um ritmo menos intenso. Aliás podem até escolher outras cidades, que não estão incluídas neste post, mas das quais já mencionei, como Watfordonde se encontram os estúdios do Harry Potter ou Hitchin e os seus bonitos campos de lavanda. Ambas estas cidades também estão perto de Londres e num instante se chega a cada uma dela para um dia diferente, mas sem dúvidas com bastantes boas memórias.
Aliás estas cidades, mais pequenas, têm sempre pequenos recantos com jardinzinhos, lojinhas pitorescas, e algures um museu onde se conta a história da cidade, que nos leva ao passado com exposições de roupa que estava na moda em tempos idos, ou que mesmo nos leva aos tempos terríveis de guerra. Apesar de pequenos, estes museus têm um imenso valor cultural, e normalmente são de entrada gratuita.
Barnet
Neste post vou incluir duas cidades, Barnet e Bushey, ambas perto de Londres, para uma tarde ou uma manhã diferente. Primeiro, vou falar da cidade que está mais perto de Londres – Barnet – que fica a cerca de 10 milhas do centro da capital. Para chegar a Barnet basta apanhar o metro. Uma das primeiras sugestões é visitarem Barnet num Sábado ou numa Quarta-feira, dias em que o mercado é maior. Aconselho-vos menos a vir a Barnet na segunda-feira porque dois dos locais principais que vou mencionar abaixo (museu e pastelaria) encontram-se ambos encerrados.
Uma brevíssima história sobre Barnet
Barnet foi durante muito tempo conhecido pelo seu mercado, que foi mudando de localização ao longos dos tempos, começando no século XII. Hoje o mercado não é assim tão importante, mas ainda é um ponto de paragem com um valor cultural (e culinário) em Barnet. Mas talvez, o edifício mais prominente e que vão avistar mal chegam ao centro de Barnet é a Igreja de São Baptista. Pensa-se que esta igreja anglicana tenha sido construída por volta do ano 1250, claro que não no estado presente, tendo a igreja original passado por muitas remodelações e extensões para atender a todos aqueles que vinham aqui praticar a sua religião.
Na rua principal de Barnet, na High Street, poderão ver nos vários postes várias bandeiras com diferentes brasões. Cada brasão representa o batalhão que fez parte da Guerra das Rosas, outro marco importante em Barnet, uma vez que a 14 de Abril de 1417 travou-se a Batalha de Barnet. Esta batalha fez parte de um conjunto de lutas dinásticas entre as casas de York e Lancaster, pelo trono de Inglaterra. A Guerra das Rosas decorreu durante 30 anos (1455-1485).
Por onde começar a vossa visita mal cheguem a Barnet?
Nada como começar por tomar o pequeno-almoço ou almoço na Patisserie Joie de Vie. Nesta pequena pastelaria, pequena, mas onde há muita coisa deliciosa, podem escolher entre algo salgado ou doce ou ambos. Tanto os crepes, como as sandes ou os bolos tem um ar divinal. O serviço é rápido e o difícil é mesmo escolher. Depois de uma refeição que vos vai deixar felizes, o ponto seguinte é o museu de Barnet.
Como disse acima a entrada é gratuita e serão muito bem acolhidos. O museu encerra às segundas e às sextas, mas nos restantes dias está aberto entre as 2 e meia e as 4 e meia exceto aos sábados, dia em que abre às 10 e meia e encerra à hora habitual, 4 e meia. Normalmente nestes museus locais, há vários voluntários disponíveis para explicar a história da cidade, a disposição do museu e qualquer outra pergunta que tenham sobre as diferentes exposições. O museu de Barnet está aberto desde março de 1938. No primeiro piso, os destaques são a primeira e a segunda guerras mundiais, no piso do rés-do-chão encontra-se uma reprodução de uma cozinha, uma secção sobre a realeza britânica e a história de cidade. Por outro lado, no último piso, o da cave, é dedicado a roupas e bonecos, estes últimos doados por moradores da cidade.
Depois de explorar este pequeno museu, e se vierem em dia de mercado, como disse acima, não percam a oportunidade de o visitar e talvez de comprar algum docinho. No mercado há uma barraquinha que vende diferentes tipos de pão e pastelaria que deixa sempre os olhos a luzir, e com preços muitos em conta. No entanto, o meu conselho para já é que comprem, mas para depois. Mesmo ao lado do mercado há um pequeno centro comercial, The Spires. Não é um centro comercial grande, muito pelo contrário, mas vão aproveitando para esticar as pernas até porque a próxima paragem é cheia de calorias deliciosas. Em julho abriu esta pequena pastelaria, a Marley’s Bakery, e apesar de ter aberto há pouco tempo já lá se foi duas vezes, uma vez até com a família, porque achámos que não podiam perder a oportunidade. Podem aproveitar para tomar aqui o famoso afternoon tea, conhecido como o chá das 5, que fica a £25 euros cada pessoa e precisa de reserva antecipada. Mas também ficam muito bem apenas com um bolo, que vos garanto vos deixará bastante satisfeitos e também vos ficará mais em conta – no entanto, já que estão em Inglaterra não há nada como ter a verdadeira experiência britânica. A pastelaria é muita gira e acolhedora, posso dizer que com um toque bastante feminino, mas de forma suave. Se vierem a Barnet, por favor não deixem de visitar este local.
Para acabar a visita em Barnet, podem percorrer simplesmente as ruas da cidade, fazendo uma pequena visita a um pequeno parque, o Ravenscroft Gardens, onde passarão por uma mansão privada, que ainda estamos para descobrir se pertence apenas a uma família. Se estiverem com mais genica podem sempre andar mais um bocado (ou talvez apanhar um Uber) até ao Dinosaur Safari Adventure Golf, para uma sessão engraçada de mini-golf e já agora com paragem no pub Arkley no caminho de volta (ou talvez no caminho de ida e no de volta).
Bushey
Comparando com Barnet, esta talvez seja uma cidade com menos probabilidade de ser visitada. No entanto, se se encontrarem instalados em Watford para visitar os estúdios do Harry Potter, ou por outra razão qualquer, e não souberem o que fazer deixo-vos aqui esta ideia. Bushey fica no Sul de Watford e podem ou apanhar o autocarro que demorará cerca de 15 minutos se forem de Watford, ou se vierem de Londres, o melhor transporte neste caso é o comboio, que ficará mais ou menos a 45 minutos. Não acho que valha a pena vir a Bushey de propósito, mas se tiverem de passagem, porque não?
A criação do jardim das rosas foi um projeto pensado e discutido em 1913, depois da escola de arte ter sido demolida neste local em 1912. Quem pensou em criar este jardim foi o proprietário, Sir Hubert von Herkomer juntamente com Thomas Mawson, este um arquiteto paisagístico. No entanto, Herkomer morreu em 1914, antes do projeto puder ser realizado. Só em 1937, depois da propriedade ser adquirida pelo Bushey Urban District Council, se fez aqui o jardim das rosas aberto ao público desde o seu início. Apesar das dimensões do jardim serem um pouco reduzidas, se vierem na altura certa do ano, quando as roseiras estão cobertas pelas magníficas flores, podem apreciar diferentes espécies de rosas e ainda os claustros que são vestígios da Escola de Artes demolida em 1912, a Fonte, o Templo da Rosa e a Casa de Verão com informações sobre a história deste jardim. E claro está que se o tempo proporcionar, poderão sempre fazer um piquenique ou aproveitarem os bancos para apanhar um bocado de luz do sol que é algo que muitas vezes escassa em Inglaterra.
O segundo local que vos deixo para visitar em Bushey é o museu da cidade – Bushey Museum & Art Gallery. Aqui vão ter oportunidade de conhecer a história da cidade tal como visitar exposições de arte, tanto permanentes como temporários. Um exemplo de uma exposição permanente neste museu é a exposição sobre a vida e as obras de Hubert von Herkomer, que era um artista britânico com origens alemãs que teve impacto na criação do jardim das rosas como foi mencionado acima.
É sempre interessante conhecer pessoas que tiveram um real impacto naquela cidade que estão a visitar e como esse mesmo impacto ainda está presente depois de muitas décadas.
Deixo-vos com estas duas cidades, que talvez não sejam turísticas, mas não são menos interessantes de visitar. Conhece-se sempre novos pedaços da história do país e normalmente é nestas cidades que pequenos tesouros são encontrados como é o caso do jardim das rosas em Bushey e o Marley’s Bakery em Barnet.
Se passarem por Bushey não deixem de ir a Watford onde existem muitos bons restaurantes (vejam o post já publicado neste website), um grande centro comercial e muitos locais para passear e fazer caminhadas.
Saint Albans é uma cidade a cerca de 35 Km de Londres. Bonita, cultural e por isso mesmo um dos locais mais caros para viver em Inglaterra. O nome de Saint Albans refere-se ao primeiro Santo Britânico, Alban. É também uma cidade onde se encontram vários vestígios romanos, muitos deles espalhados pela cidade e no museu de Verulamium. Para visitar a cidade um dia é suficiente. Para quem visita Londres e quer um dia fora da grande cidade, Saint Albans é a perfeita escolha. Comecemos então pelas sugestões para um dia bem passado em St. Albans.
P.S. se quiserem ver tudo sobre Saint Albans, desde pequen-almoço até à noite cliquem em:
Para abrir o post vamos começar pelos cocktails. Um dos melhores locais é oPunchin’ Palooka. O menu de cocktails não é muito extenso, mas se quiserem outros cocktails que não constem no menu peçam-no. Foi assim que acabámos com cocktails de absinto na mesa! O local é mais pequeno apesar de também terem um pátio exterior e por essa razão reservas de mesa antecipadas são recomendadas.
Na nossa exploração constante de Saint Albans encontrámos um pub mesmo ao lado da torre do relógio, onde o ambiente é bastante animado e a seleção de bebidas razoável. The Boot é o nome do pub onde acabámos em grande uma noite em Saint Albans. Se procuram um local que reflete a cultura tradicional britânica, nada como este pub. O pub foi construído em 1420 e é hoje considerado um dos pubs mais antigos do Reino Unido. Um bocado de história onde a atmosfera atrai qualquer um.
Se gostarem de cocktails e se estiverem à procura de um local onde os preços sejam mais em conta nada como o Slug & Lettuce. O Slug & Lettuce é uma cadeia de restaurantes britânica, virado mais para os cocktails do que para a comida, uma vez que a maior parte do menu contém várias escolhas de pratos para partilhar ou petiscar. No entanto, podem sempre escolher vir ao brunch. Eu nunca comi no Slug & Lettuce em Saint Albans, mas já experimentei o de Watford. Como disse é um local mais virado para a bebida do que para a comida. Mesmo a comida sendo de qualidade média (nem muito boa, nem muito má), acreditem que podiam arranjar pior. A grande atração deste sítio é que vendem dois cocktails (iguais) pelo preço de um! A minha recomendação é o long island ice tea…e pelo preço de um têm dois!
Para jantar há várias opções, desde italiano, a libanês, a indiano. Mas nós acabamos sempre no mesmo sítio – Sushimania – uma rede de restaurantes japoneses. Nós gostamos muito do restaurante de Saint Albans, mas atenção nem todos os restaurantes desta companhia tem a mesma qualidade. Já experimentamos Sushimania noutro local e a experiência foi muito mais pobre. Mas se gostam de sushi venham ao Sushimania de Saint Albans e não se irão arrepender.
No entanto, em Saint Albans, se fizerem uma pesquisa rápida, existem muitos restaurantes muito bem avaliados. O problema é não sabermos nos organizar com antecedência, porque estes restaurantes estão sempre lotados. Um outro restaurante que experimentei e não está tão bem avaliado, mas do qual gostei muita da entrada que comi é o restaurante italiano Zizzi. Também este restaurante, tal como o Slug & Lettuce, faz parte de uma cadeira espalhada por todo o país. Em qualquer cidade em Inglaterra encontra-se um Zizzi numa esquina. Eu já tinha comido num destes restaurantes em Londres e não fiquei mal impressionada. Apesar do restaurante não ter uma cotação muito alta, gostei imenso da entrada especial daquele dia – pizza antipasti. Eu diria que era uma refeição completa apesar de estar listada como entrada. O Zizzi é conhecido pelas suas pizzas alongadas, mas também tem a escolha de pratos de massa, risotto, peixe e carne. E porque também não aproveitar e escolher um cocktail para acompanhar a refeição? Fica aqui a deixa.
Um lugar para quem quer uma coisa rápida, mas que seja saborosa e que como tal nos encha as artérias de colesterol é o Five Guys. Hambúrguer feito na hora com os acompanhamentos que quiserem adicionar como cogumelos, cebola assada, pickles, pimentos, e acabando por adicionar os molhos que preferirem como os tradicionais ketchup e maionese até ao molho de barbecue e molho picante. E como em todos os restaurantes da cadeia do Five Guys podem comer os amendoins que quiserem – leram bem amendoins. O Five Guys também é conhecido pelos seus milkshakes para uma maravilhosa extra dose de ataque cardíaco.
Para acabar numa nota doce, deixo-vos Darlish. Talvez o producto mais conhecido desta gelataria seja a sandwich de baklava com gelado. Baklava é uma sobremesa tradicional da Turquia feito com pasta de nozes, massa filo, mel, pistachio e avelãs que fazem deste um dos locais óbvios a experimentar para quem visita Saint Albans. Nós claro que viemos experimentar a baklava com gelado de pistachio. Houve opiniões diversas, houve quem achasse muito doce, mas todos concordámos que o gelado de pistachio era muito bom. Darlish oferece gelados de outros sabores, na maioria inspirados nos sabores do Meio Oriente. Por exemplo, no novo menu de 2023 podem escolher entre gelados com sabor a flor de laranjeira com pistachio ou açafrão com rosas e pistachio ou talvez leite de cenoura. Com estes sabores exóticos é impossível não se sentir tentado a experimentar.
Verulamium Park é um dos principais locais para encontrar ruínas romanas. De facto, aqui se encontram os vestígios da terceira maior cidade romana da Inglaterra. Esta cidade chamava-se Verulamium, dando nome ao parque e ao museu. Neste parque encontram-se grandes secções da muralha da cidade romana ainda intacta e um mosaico que fazia parte de uma grande casa.
Entrada para o Verulamium Park
Para conhecer ainda mais sobre Verulamium, mesmo ao lado do parque, temos o museu. Este museu foca-se em explorar e representar a vida quotidiana na cidade romana de Verulamium. Várias salas estão organizadas e expostas de maneira a visualizar-se facilmente como as pessoas teriam vivido naquela altura. Também é neste museu que se encontram alguns dos melhores mosaicos fora do Mediterrâneo. A entrada para o museu custa 6 libras por adulto. Também relacionado com os romanos que aqui viveram temos o Teatro Romano. Este é o único exemplo de teatro romano em Inglaterra, tendo sido este construído em 140 DC. O teatro foi usado primeiro para procissões e danças associados à religião, mas também para luta livre e combates.
Entrada para o teatro romano de Saint Albans
As ruínas do Teatro Romano que estão hoje à vista foram encontradas entre 1847 e 1935. Escavações posteriores revelaram alicerces de lojas, uma villa romana e um santuário. A entrada para o Teatro Romano custa 3 libras.
Saindo da vida dos Romanos e dos vestígios presentes temos duas igrejas que podem ser visitadas, St Michael’s church e a maravilhosa catedral de Saint Albans. A igreja de St Michael fica nas redondezas do museu de Verulamium.
Dentro da igreja existem vários pontos de interesse como a pia batismal construída no século XV. A pia batismal com o seu formato octogonal representa os visitantes de todos os cantos do mundo que param nesta igreja. A nave, o corpo principal da igreja, foi construída antes da conquista normanda. O ponto central da igreja de St Michael é, no entanto, o seu altar. A janela a Este do altar representa a transfiguração, o episódio bíblico em que Jesus revela a sua santidade aos seus discípulos. Do lado extremo Oeste da igreja há uma janela com três anjos. O anjo do meio representa Michael (ou Miguel), o padroeiro desta igreja.
A catedral de Saint Albans é sem dúvida o edifício mais prominente da cidade.
Como disse no início o nome de Saint Albans relaciona-se com o primeiro Santo da Grã-Bretanha, Alban. Esta catedral é um memorial notável a este Santo. Para perceber a importância de Alban vou falar um bocadinho da sua história de vida. Alban viveu no início do seculo III na cidade de Verulamium (a cidade romana). Alban deu abrigo a um padre cristão que estava a ser perseguido, uma vez que a liberdade religiosa nesta altura como se pode esperar, era inexistente. Alban, inspirado pela importância da fé para o padre, quis aprender mais sobre o cristianismo. A localização do padre cristão abrigado por Alban foi conhecida e para impedir que o padre fosse preso, Alban trocou a sua roupa com a do padre. O padre escapou e Alban foi preso. Como Alban se recusou a renunciar a crença cristã, este foi condenado como um cristão e decapitado.
Apesar de não se conhecer bem a história da primeira igreja construída sobre o túmulo de Alban, sabe-se que um mosteiro foi erigido em 793. A construção da abadia com a sua torre foi concluída em 1115. Até 1539 monges viviam na abadia produzindo manuscritos de bíblias e livros focados na ciência, música e clássicos. Em dezembro de 1539 a abadia foi encerrada. O santuário de St Alban foi destruído e as suas relíquias desaparecerem. Em 1877, depois do edifício ter sido restaurado a igreja tornou-se a catedral de St Albans e a sede do bispo desta cidade. A catedral hoje está aberta ao público, a entrada é gratuita e tanto o seu exterior como interior merecem toda a atenção. Se tiverem sorte de visitar Saint Albans com bom tempo podem aproveitar para se sentar no jardim que fica em frente à catedral e desfrutar do sol e da arquitetura prominente deste edifício.
Um último local para visitar que gostaria de mencionar é a Torre do Relógio de Saint Albans. Mesmo no centro da cidade, ergue-se a torre que foi acima de tudo uma declaração de protesto político contra o poder da religião em Saint Albans. A torre foi contruída em 1405 e permitia à cidade controlar as suas próprias horas, em vez da igreja, que até então detinha este poder, o de determinar as horas. É incrível como algo tão banal nos dias de hoje era algo tão importante e até usado como poder em eras passadas. Isto porque o ressoar do sino do campanário indicava a hora de recolher na cidade. O sino também funcionava como alerta em caso de fogo ou guerra. Em 1455 o sino tocou para alertar a população do que seria a primeira batalha de St Albans durante a Guerra das Rosas. É possível subir ao topo da torre para aproveitar a magnífica vista do topo. No entanto, de momento está em reparações, mas espera-se que abra novamente ao público.
E assim ficam aqui as sugestões para um dia passado em Saint Albans, uma cidade pequena, pitoresca, cheia de história e de locais para visitar e descontrair.
A ilha da Madeira: a nossa grande viagem de 2023. Todos os anos há sempre uma viagem que é considerada a grande viagem, não por significar mais que as outras, mas por ser a mais longa e normalmente a menos comum. Este ano escolhemos a Madeira. Em 2022 foi o Alasca, em 2021 a road trip pela Irlanda, em 2020 os Açores e 2019 a Noruega e assim por aí fora até 2017 quando a nossa primeira viagem à séria levou-nos à Islândia. Todas estas viagens estão neste blog e podem clicar nos nomes dos diferentes países que vos levarão à respectiva viagem. Mas estou a divagar – 2023 – a Ilha da Madeira.
Dia de tempestade na Madeira – Mesmo assim lindíssima
A Ilha da Madeira é um destino bastante conhecido, acredito que muitos já a tenham visitado e que tenham feito e visitado, durante a vossa viagem, coisas diferentes que nós – talvez melhores ou piores – porque há pelo menos trilhos suficientes para passar na ilha uns belos meses. Nós tivemos uma semana. E fica já aqui a informação que vamos de certeza voltar à Madeira para visitar a cidade do Funchal que infelizmente acabámos por não ter tempo para explorar como deve ser como por exemplo o jardim botânico. Um fim-de-semana destes pego no marido e lá vamos nós!
Do que vi da Madeira, posso dizer com toda a franqueza que é um sítio único. É uma ilha lindíssima para visitar onde merece que se desfrute ao máximo da imensa e bonita natureza, mas também um local que se pode facilmente tornar uma dor de cabeça. Agora para quem – perguntarão vocês. Eu sei que não perguntaram, mas eu vou dizer na mesma.
Para quem tem medo de voar
Para quem tem medo de alturas
Para quem sofre de claustrofobia (guilty!)
Para quem não gosta de andar
Para quem enjoa no carro (ou até para quem não enjoa)
Para quem tem medo de tempestades
Acho que pelo menos apanhei os principais grupos de pessoas cuja ansiedade vai facilmente subir acima dos níveis aceitáveis. Eu vou explicando aos poucos o porquê.
Quais foram os preparativos para a viagem? – ainda antes de sabermos bem ao que íamos. Vocês também são daqueles que pensam que uma semana dá para ver tudo e depois quando fazem o itinerário percebem que precisavam de pelo menos o dobro do tempo? A nós acontece-nos imenso. Mas foi uma semana e só uma semana. Primeiro de tudo foi preciso marcar voos, acomodação e carro. Porque se quiserem visitar a ilha é aconselhado alugar um carro. Podem sempre tentar fazer através de excursões ou transportes públicos, mas há certos lugares que são mais escondidos ou não param nos locais que querem visitar. Com o carro ficam com mais liberdade. E também mais abertos à aventura.
Voos
De Inglaterra há voos directos para o Funchal a partir do aeroporto de Stansted com uma duração aproximada de quase 4 horas. 6 horas se o serviço estiver a trabalhar como o normal ou seja, pelo menos uma hora de atraso. De Portugal há voos directos desde Lisboa e Porto. De Faro não há voos directos. De Portugal os voos demoram cerca de 2 horas.
E chegou a hora de irmos ao nosso primeiro grupo mencionado acima – pessoas que têm medo de voar.
O aeroporto da Madeira, agora também conhecido como o aeroporto internacional Cristiano Ronaldo é considerado meio que perigoso no que diz respeito à aterragem. A pista foi alargada em 2000, mas ainda assim a aterragem pode ser dramática. Primeiro – de um lado uma grande encosta do outro o oceano Atlântico que pode adicionar turbulência à aterragem uma vez que as rajadas de vento podem ser fortes e principalmente imprevisíveis. A pista foi alargada ou melhor alongada uma vez que não havia condições para uma aterragem completamente segura. No entanto, a pista foi construída sobre o mar. Apenas este pensamento pode provocar calafrios aos mais susceptíveis de viajar pelo ar. Nada como uma aterragem com o avião de lado para dar início a umas férias únicas.
Em várias ocasiões os voos são cancelados, desviados ou atrasados devido a ventos fortes, tempestades (o que aconteceu connosco, mas a experiência aterradora fica para o final da viagem). No entanto, quando chegámos já de noite e a chover, a aterragem foi suave e quase banal. Às 11 horas da noite o aeroporto estava quase vazio e como já era tarde fomos de Uber para o hotel. No entanto, existem durante o dia várias camionetas que ligam o aeroporto às várias partes da ilha.
Dia em que o aeroporto da Madeira fechou devido ao mau tempo
Hotel
Aqui acho que fizemos mal. Não porque o hotel era mau, nada disso. Mas escolhemos ficar toda a viagem no mesmo hotel e digamos que a ilha ainda é grande o suficiente para fazer sentido ficar em vários sítios durante a viagem, especialmente quando essa viagem inclui fazer a volta à ilha. Sinto que perdemos muito tempo apenas a conduzir porque estávamos numa ponta da ilha e tínhamos de voltar para a outra para regressar ao hotel. De qualquer das formas, o hotel onde ficámos foi uma boa escolha – Santa Cruz Village Hotel. Decidimos não ficar no Funchal para nos ser mais fácil ir buscar e deixar o carro no aeroporto. O Santa Cruz Village Hotel é um hotel de 4 estrelas com piscina, estacionamento e pequeno-almoço incluído. O quarto que nos calhou era grande, havia algum barulho, mas não o suficiente para ser desconfortável e em geral confortável para o que esperávamos.
O pequeno-almoço era muito bom – continental com diferentes tipos de pães, queijos, charcutaria variada e frutas. Mas também se podia escolher na hora omeletes, ovos cozidos, salsichas, panquecas, etc. Sei que a senhora que fazia estes pedidos era fantástica porque estava sozinha a realizar em tempo útil todos os pedidos de todos os hóspedes. Eu fiquei completamente fã das suas omeletes de queijo e cogumelos. O que posso apontar como negativo foi o estacionamento porque não havia espaços suficientes, muitas vezes chegámos e era difícil estacionar o carro ou sair com o carro de manhã. Houve até uma ocasião que não havia espaço e também não havia ninguém na recepção por mais de meia hora. Mas isto foi uma pequena coisa que não diminui a nossa experiência neste hotel. A localização era perfeita e adorámos Santa Cruz.
Aluguer de carro
Santa Cruz fica a cerca de 5 minutos de carro do aeroporto. Pedimos um táxi que nos ficou a cerca de 12 euros, mas temos que ver que 5 e tal euros já estavam marcados mal entrámos no táxi.
Alugámos o carro com a empresaInsularcar. Talvez não seja a empresa mais conhecida e eles até nem balcão têm no aeroporto. Tivemos que marcar hora para ir buscar o carro para o senhor estar lá para nos receber e o mesmo aconteceu quando entregámos o carro. No entanto, os senhores que nos receberam, tanto de uma vez como da outra foram super simpáticos, sem problemas, sem pagamentos inesperados. Tenham atenção porque algumas empresas pedem depósitos de quantias absurdas. Pedimos claro está um carrito dos mais baratos e foi um Renault Clio que nos calhou. Mas como disse sem problemas.
2 túneis em menos de 30 segundos!
De manhã, de carro na mão e de pequeno-almoço tomado a Madeira abria-nos as suas portas. E apesar de a previsão do tempo ser chuva para toda a semana, o céu apresentava-se azul com umas nuvens à distância. O decorrer completo do primeiro dia será para outro post, mas deixo-vos com outro grupo de pessoas que podem ter alguma dificuldade na Madeira – pessoas que enjoam no carro. E até mesmo para aquelas que por normal não enjoam. Mas atenção que neste momento a Madeira está muito melhor em relação a isto. Em vez de haver apenas estraditas pelo meio das vilas e cidades agora há uma rede de túneis que percorre o interior das montanhas. Contem passar quase tanto tempo dentro de túneis como no exterior quando percorrem as vias rápidas.
As condições das vias rápidas são óptimas e rapidamente se chega a qualquer lado. Ou melhor dizendo a qualquer lado que fique na costa, já que as vias rápidas dão a volta à ilha junto à costa. Agora quando falamos em atravessar a ilha pelo seu interior ou querer chegar a um lugar que não seja junto à costa, respirem fundo. São curvas e contracurvas seguidas imediatamente por curvas e contracurvas. Na Madeira foi a minha primeira vez. A primeira vez que enjoei num carro. Olhei só para um exemplo destes pequenos troços de caminho. É que nem dá para ir rápido porque as curvas são tipo 90º. São múltiplos de 180º em curvas durante 30 minutos. O meu conselho é que pratiquem rally antes de virem ou então não se safam. E claro que com isto adicionem mais 1 hora ou assim a qualquer percurso que queiram fazer durante o dia em que tenham de andar às voltas. Vejam só aquelas linhas amarelas a dar nós de pescador.
Mas não se enganem – a Madeira deixou-nos muitas memórias boas, as que apenas uma viagem maravilhosa nos pode dar.
1º Dia – Parte Nordeste da ilha
O nosso primeiro dia na Madeira, depois de um bom pequeno-almoço tomado no hotel Santa Cruz Village e de termos o nosso carro que fomos buscar ao aeroporto, começava imediatamente. Durante esta nossa semana na Madeira queríamos visitar a ilha toda e por hoje concentraríamo-nos na parte mais a Nordeste. Começámos na Ponta de São Lourenço, pois não há viagem à Madeira que não incluía este local. A maior parte do caminho até à Ponta de São Lourenço é feito pela via rápida – VR1 – e se partirem do Funchal fica a cerca de 40 minutos de caminho. Nós estando já no aeroporto estávamos mais perto.
Estacionamento há pouco ou melhor há pouco estacionamento nas áreas designadas para tal, depois podem seguir o exemplo de todos os outros que tal como nós estacionaram à beira da estrada. E assim começámos o nosso primeiro trilho PR8 – Vereda da Ponta de São Lourenço. São 3 Km para cada lado, 6 Km no total. Este é um trilho com paisagens fantástica do mar e rocha. O trilho é relativamente fácil, apesar de ter subidas e descidas, e ser oficialmente considerado com ‘Moderado’ em termos de dificuldade. A Ponta de São Lourenço é considerado como Reserva Natural da Madeira e alberga uma flora rara e fauna diversificada.
Na Madeira, sempre que forem andar por trilhos ou visitar locais no meio da natureza levem sapatos e roupa confortáveis e falo mesmo de calções, calças de fato-de-treino, uma t-shirt e ténis. E talvez um casado leve, mas impermeável – o tempo pode mudar rapidamente e também pode cair água em várias partes do percurso. Levem sempre uma mochila com vocês com água (indispensável), snacks, protetor solar (mesmo no Inverno) e fato-de-banho/biquíni/calções porque há em cada esquina oportunidades para um mergulho. Estas 4 coisas são muito importantes dando mais ênfase à água porque durante o caminho raramente há a possibilidade de arranjar água que não seja a que levaram com vocês. Nós comprámos 2 garrafas de litro e meio no supermercado e andávamos sempre a enchê-las quanto tínhamos oportunidade.
Com este aparte digo-vos para se deslumbrarem com a visita à Ponta de São Lourenço onde muito mais pessoas estão a fazer o mesmo percurso que vocês. Durante o caminho até encontrámos um guia turístico com quem estivemos à conversa e que nos foi dando umas dicas sobre o que não perder para os nossos próximos dias na ilha. Depois de voltarmos para o carro, com um calor arrasador, pusemos o nosso GPS em funcionamento e seguimos para o Miradouro da Portela. A imagem abaixo mostra a belíssima paisagem sobre a cidade de Porto da Cruz, o mar e a natureza circundante.
E com esta paragem rápida fomos ao próximo miradouro – o Miradouro do Guindaste. Para mim este foi um dos miradouros que ficou mais marcado na memória, principalmente as secções do miradouro com chão de vidro de onde se podia olhar para o mar e rocha que ficava mesmo debaixo dos nossos pés. Mesmo sabendo que não vamos cair, fica aquele friozinho no estômago quando damos o primeiro passo. Para quem tem medo de alturas, como o caso do meu companheiro de viagem, ainda é mais difícil dar o primeiro passo. Foi talvez aqui a primeira vez que comentámos o azul do mar na ilha da Madeira, um azul turquesa intenso com águas tão límpidas que parece quase artificial.
Já em Santana o que vínhamos visitar é um dos locais mais conhecidos da Madeira – As Casas Típicas de Santana. Aquelas casas coloridas de telhado em bico são imagens muito usadas em livros, postais, etc., usadas como ícones identificativos da Madeira. Estas casas típicas fazem parte do património da Madeira, com um papel cultural como histórico muito importante para a ilha. A maior parte dos visitantes vão as Núcleo das Casas Típicas onde numa delas se vendem produtos típicos da região.
Estas casas são tipicamente feitas de madeira, um material barato e abundante na região e de colmo, este proveniente das plantações de cereais como trigo e centeio, usada para o telhado. A madeira era usada para manter a temperatura do interior das casas, enquanto o formato inclinado dos telhados permitia uma drenagem eficiente das águas da chuva, ou seja, tinha um feito de impermeabilidade. Estas casas normalmente eram divididas em dois andares, o de cima usado como sótão para o armazenamento de produtos agrícolas e o piso térreo usado como habitação.
Não havendo muito parque disponível junto às casas, estacionámos o carro numa das ruas transversais em Santana e depois fomos a pé, aproveitando também para esticar as pernas e ver um bocadinho da cidade. Nós antes ainda tínhamos ido ao supermercado Continente para umas compras de última hora e há uma destas casinhas típicas mesmo no jardim em frente do supermercado. Fica aqui a dica se quiserem tirar uma fotografias num ambiente com menos densidade populacional à volta.
Sendo isto 3 horas da tarde ainda tínhamos tempo para as nossas primeiras levadas. Eu já explico o que são levadas. Menciono apenas que pelo caminho e aqui à volta de Santana existem imensos miradouros, todos eles com vistas espetaculares, mas o que vocês vão descobrir é que toda a ilha da Madeira é um constante miradouro. Como acabam por andar sempre a subir e a descer montanhas podem parar o carro onde vos bem entender, tendo em conta que não é proibido parar naquele sítio, e conseguem ter uma vista tremenda à vossa frente.
Agora as levadas…o que são?
A maneira mais fácil de explicar é a seguinte: um canal de transporte de água que segue junto a um percurso pedestre. E esta á a definição mais fácil de perceber. As levadas foram construídas a partir do século XV devido à necessidade de transporte de grandes quantidades de águas desde as zonas onde a água da chuva e fontes naturais eram mais abundantes (zona Norte da ilha) para onde a água era mais escassa (zona Sul). A água era assim ‘levada’ para zonas de plantação e poços. As levadas e os seus trilhos são atualmente pontos muito procurados para passear e entrar em contacto direto com a natureza. Lembram-se quando no post anterior disse que a Madeira pode criar alguma ansiedade a pessoas que têm medo de alturas e a pessoas que têm medo de sítios fechados? É porque é bastante comum que em certas partes dos trilhos o caminho se torne muito estreito e onde um dos lados do caminho desça a pique. Para além disso, alguns destes trilhos passam por dentro de túneis, sendo necessário o uso de lanternas. E atenção, há túneis onde espaço não é assim muito vasto.
Mas quem adora adrenalina – fantástico. Para pessoas com medo de alturas – traumatizante. E não pensem que não é sem razão, já que existem vários acidentes e mortes em algumas destas levadas TODOS OS ANOS. A levada que fizemos no dia de hoje era uma das mais fáceis, o caminho era a direito e bastante fácil de percorrer, mas a que fizemos no dia a seguir é uma daquelas onde mais pessoas escorregaram para a morte. Mas disto falarei mais quando chegar a altura. O que conselho que dou é simples – vão, mas vão com cuidado e respeito pela natureza.
Voltando ao nosso itinerário específico para o de hoje – estacionámos à frente do restaurante Ribeiro Frio no Parque Natural de Ribeiro Frio que fica em – não adivinham – Ribeiro Frio. Antes de seguirmos viagem fomos à nossa primeira poncha da viagem – sim houve várias! A poncha, se não souberem, é uma das bebidas mais conhecidas da Madeira feita com aguardante de cana-de-açúcar, açúcar ou mel e limão ou laranja ou ambas. Mas há algumas variações – a poncha do Pescador por exemplo é a poncha com limão, a poncha regional é normalmente com laranja, a poncha de maracujá é como o nome indica com maracujá e a poncha de tangerina. Estas são as mais tradicionais, mas há locais que vão mais longe e já fogem à tradição como a poncha de frutos vermelhos e de morangos. Não se enganem no entanto – a poncha é bastante forte e bastou-nos uma para irmos mais quente mas o PR 11 Vereda dos Balcões.
Como disse acima este trilho é de nível fácil com uma distância de 1,5Km para cada lado (3 Km no total). O trilho culmina no Miradouro dos Balcões com uma vista magnífica. Este miradouro é um ótimo local para observação de aves, e há vários passaritos bastantes amigáveis, especialmente se tiverem comida à mão. Imagino que quem seja entendido no assunto esta neste momento a ranger os dentes com o termo ‘passaritos’- vá o bis-bis, mas também há o papinho e o melro-preto e o pombo-trocaz.
Chegava a altura de voltar para o hotel e encontrarmos um sítio para jantar. Para primeiro dia queríamos uma coisa local e foi por isso que fomos jantar à Taberna do Petisco. Foi aqui que comemos o nosso primeiro bolo do caco – sim também houve muitos desses durante a nossa estadia na Madeira e apesar de alguém me ter dito que era pão de alho e que não sabia o que tinha de especial (eye roll), eu fiquei logo ali completamente perdida de amores por este pão. Tal como o nome indica, este restaurante é mais de petiscos e escolhemos o prato de polvo e de camarão. Ambos muito bons, mas talvez tenha gostado mais do de camarão.
Outra descoberta foi a cerveja/cidra tradicional da Madeira da marca Coral. E provavelmente verão muitas fotografias destas bebidas no curso destes posts sobre a Madeira. Posso-vos já dizer que se come muito bem na Madeira.
Para ajudar com a digestão fomos dar uma volta pela costa, junto ao mar, e acabámos a noite num café de família na praça de Santa Cruz, o Prego.
Um primeiro dia cheio de promessas desta ilha que seria a nossa casa por uma semana inesquecível.
2º Dia – Da levada das 25 fontes às piscinas naturais do Seixal
Para quem quer fazer um itinerário seguido pela Madeira, por exemplo Este – Norte – Oeste – Sul vai ficar um bocado confuso com o nosso. Porque acabou por não ser nada assim. E por duas razões – havia aviso de tempestade para a metade do penúltimo dia e para o último dia da nossa estadia. Portanto o que queríamos visitar que envolvesse caminhar ao ar livre tinha de ser feito antes da chegada da tempestade. A segunda razão foi o facto de termos ficado no mesmo hotel durante toda a nossa estadia. Se por um lado como disse logo de início achei que perdemos tempo a viajar para as diversas pontas da ilha, por outro lado deu-nos liberdade para escolhermos o nosso destino e alterarmos planos com o conviesse.
Uma paragem ao calhas e tem-se esta paisagem – Madeira, um miradouro constante
O nosso destino para hoje era uma das levadas mais escolhidas pelos turistas, pelos melhores motivos – a Levada das 25 fontes. Quando estivemos na Ponta de São Lourenço à conversa com o guia turístico ele, aconselhou-nos a deixar o carro no parque de estacionamento ao pé do túnel e fazer o percurso que inclui em parte de o trajeto passar por dentro de um túnel, uma vez que assim o caminho seria sempre a direito. Isto seria bem melhor em vez de deixar o carro onde todos deixam e depois andar por uma grande descida até ao trilho da levada e depois uma grande subida o que faz perder muito tempo. Pois fomos tão espertos que inicialmente tínhamos no GPS para o parque de estacionamento certo. Conclusão: mudámos o trajeto e fomos deixar o carro exatamente onde o senhor tinha dito para não o fazer. E sim, a descida é como o outro, agora subir aquilo tudo foi uma estafa. Então assim o que digo é deixem o carro no parque de estacionamento com a morada do Google Maps: ER211, 9370, Portugal e não no QV39+28, Calheta, Portugal. É um favor muito grande que vos estou a fazer. No entanto, se forem como nós e se enganaram também há a opção de pagar bilhetes para as carrinhas que fazem essa parte da travessia (subida/descida).
Levada das 25 fontes: vale a pena fazer este percurso?
Sabem que vou dizer que sim. Aliás este dia foi um dos melhores da viagem. No entanto, para o meu marido que tem medo de alturas foi bastante marcante e não pelas melhores razões. O trilho chama-se PR6 – Levada das 25 fontes e contem com cerca de 3-4 horas para completarem o percurso nos dois sentidos. Para cada lado são 4.3Km e a dificuldade é ‘moderada’. Eu adorei fazer o percurso que vos leva por dentro da floresta até o culminar da lagoa e da cascata das 25 fontes. Há alguns sítios para paisagens panorâmicas brutais da floresta Laurissilva. E não pensem que ter a oportunidade de entrar dentro desta floresta não é especial. A floresta Laurissilva é a floresta húmida subtropical da Madeira com cerca de 20 milhões de anos e que tal como um fóssil vivo, preserva as características de tempos tão remotos como por exemplo as árvores da família das Lauráceas. Esta floresta foi em 1999 considerado como Património da Humanidade pela UNESCO. A floresta Laurissilva ocupa cerca de 15 mil hectares, principalmente na parte Norte da ilha.
Devido à beleza indiscritível deste percurso este é um dos mais procurados por caminhantes. E talvez por isso também é palco de vários acidentes. Em algumas zonas o caminho torna-se bastante estreito, por vezes só dá para uma pessoa passar, e se não se tiver cuidado é possível escorregar para o penhasco numa descida mortal de mais de 50 metros. Se fizerem uma pesquisa rápida conseguem encontrar vários artigos sobre pessoas que escorregaram. Não é de forma alguma para desencorajar, apenas para respeitar a natureza. Principalmente a natureza numa forma tão crua como a desta floresta.
Depois desta grande aventura o resto do dia foi mais passear de carro. Fomos até ao Miradouro da Garganta Funda. Do estacionamento (ou melhor, meio da estrada) até ao Miradouro foram mais ou menos 15 minutos a andar. Este miradouro dá-vos uma paisagem que junta montanha, mar e uma cascata com 140 metros de altura.
Em seguida mais um miradouro com uma imensa vista para a costa, a Ponta do Tristão. Um outro ponto muito procurado (e com razão) são as piscinas naturais da Madeira. O local mais conhecido são as piscinas naturais de Porto Moniz. A entrada são 3 euros por cabeça para adultos e para crianças acima dos 3 anos. A entrada é gratuita para crianças com menos de 3 anos e metade do preço para estudantes ou adultos com mais de 65 anos.
Nós, no entanto, fomos para as piscinas naturais do Seixal. São gratuitas, menos conhecidas e por isso menos pessoas e ainda assim espetaculares. Adorámos nadar debaixo do arco de formação rochosa. O único cuidado é a entrar dentro da água – o chão é muito escorregadio. Todos os que entraram para a água enquanto lá estivemos (incluindo nós) fizeram um tipo de dança com o corpo e braços no ar e houve mesmo quem caísse de cu. Em seguida a paragem foi no Miradouro do Véu da Noiva. Deste miradouro vê-se uma elegante cascata.
E chegava a hora de jantar – ou melhor algo entre um almoço muito tardio e um jantar talvez cedo para a maioria. A 5 minutos de distância do Miradouro do Véu da Noiva em São Vicente fica orestaurante Caravela. Por sinal também é em São Vicente que se encontram as famosas grutas de São Vicente, mas encontram-se encerradas temporariamente. Ainda não sabíamos, mas foi neste restaurante foi onde tivemos a melhor refeição de toda a viagem.Começámos com um bolo do caco com manteiga e ervas e lapas grelhadas. Para acompanhar nada como uma brisa de maracujá, o sumo tradicional da ilha. Ambos tínhamos tido uma má experiência quando comemos lapas pela primeira vez nas ilha das Flores, nos Açores, e por isso estávamos reticentes. Mas sem medos. Neste restaurante passei a adorar este petisco. Também diria que foi aqui o nosso melhor bolo de caco.
Para prato principal escolhemos picadinho – e uma dose dá MUITO bem para duas pessoas. E ambas têm de comer bem para atacar aquela travessa. O picadinho é tradicionalmente com carne de vaca, mas também pode ser de frango, temperada com alhos e louro. Existem várias receitas e nós até voltámos a comer o picadinho noutro local e os sabores eram bastante diferentes. Este ganhou. Para acabar bem a refeição foi um semifrio de maracujá. Escolhemos sempre esta sobremesa nos restaurantes que fomos nos dias seguintes, mas este, deste restaurante, foi o melhor. Não tenho de voltar a dizer – adorámos este restaurante e saímos com grandes sorrisos…e barrigas cheias.
Em direção ao nosso hotel íamos passar por um local muito sugerido – a Taberna da Poncha. Fica numa rua a descer e estava cheíssimo. A poncha deste local, sim foi a melhor de toda a viagem, mas a grande descoberta foi a nikita. Uma bebida menos conhecida que a poncha, mas também ela tradicional da Madeira. Parece ser uma mistura estranha já que a nikita é feita essencialmente com cerveja (Coral) e gelado de ananás. Completamente perdida por esta bebida. E nós bebemos a nikita em vários locais, mas a melhor foi a da Taberna da Poncha. Neste momento podia voar até à Madeira e ir às praias do Seixal, jantar no restaurante Caravela e passar o serão na Taberna da Poncha a beber nikitas e seria uma pessoa realizada.
Como ainda tínhamos de conduzir até ao hotel não podemos apreciar muito da nikita ou da poncha. Voltámos para Santa Cruz, estacionámos o carro no hotel e fomos passar um bocado do serão ao restaurante Pizza Café com uma esplanada mesmo junto à costa. Já mais à noite acabámos o dia no restaurante snack bar, o Prego. Mais umas rodadas de Coral.
Mais uma paisagem enquanto se conduz pela Madeira
E o que tenho a dizer da Madeira depois deste dia? Que venha mais um…
3º Dia – Pico do Areeiro & Pico Ruivo
Paisagem durante o percuro PR1.2
Quando se fala em levadas na Madeira há uma que tem foco principal, por ser mais longa, a mais desafiadora e como tal a mais procurada. PR1 – Vereda do Areeiro – 7Km a começar no Pico do Areeiro até ao Pico Ruivo. Um trilho através dos picos mais altos da Madeira. Mas não é para todos e definitivamente não era para nós. Ou melhor, depois da experiência na ilha do Pico, nos Açores, ainda houve bastante discussão se íamos ou não o fazer, mas depois de vermos alguns vídeos foi decidido por unanimidade que não. Em alternativa fizemos a Achada do Teixeira – 6Km, 3Km para cada lado, que começa na Achada do Teixeira e acaba no Pico Ruivo. É um trilho muito mais fácil de fazer e que apanha a última parte do trilho PR1. Este trilho chama-se PR1.2 – Vereda do Pico Ruivo. Não digo que não há esforço envolvido, especialmente na parte final do trilho, mas é bastante mais fácil que o PR1. As paisagens durante o percurso são espetaculares, um trilho acima das nuvens. Fazer ida e volta contem com mais ou menos 2 horas a 2 horas e meia – 3, se quiserem fazer uma paragem na casa montanha transformada em café que fica no local onde se cruzam os dois percursos, PR1 e PR1.2.
A ideia era depois irmos ao ponto de começo – Pico do Areeiro. Assim apesar de não fazermos o percurso, tínhamos visitado os pontos de chegada e partida. Se quiserem fazer o PR1 não se esqueçam que este não é um trilho circular, ou seja, se deixarem o carro numa ponta têm ou que fazer o percurso todo de volta ou apanhar um táxi.Se fizerem o PR1.2 há um parque de estacionamento gratuito, tal como o parque de estacionamento no Pico do Areeiro se fizerem o percurso PR1.
Antes de irmos ao Pico do Areeiro, fomos à levada de nível mais fácil – Um caminho para todos – um percurso de 2Km, que começa no Pico das Pedras até às Queimadas. Nestes percursos há uma coisa interessante – é que a distância destes trilhos não significa o mesmo para cada um deles. 2Km no PR1.2 não tem nada a ver com 2Km no caminho para todos. É uma experiência completamente diferente.
Fizemos o caminho para todos e é um trilho mesmo para todos, para aqueles que têm problemas de mobilidade, para quem leva crianças e bebés, ou para quem as pernas estejam a pedir descanso. No parque florestal das Queimadas encontram-se casas-de-banho, um café, mesas para comer e um viveiro com várias aves. Deste parque florestal parte o trilho PR9- Levada do Caldeirão Verde que dizem ser este um dos trilhos mais bonitos da Madeira. No entanto, depois da experiência nas levadas das 25 fontes, fomos pesquisar e ficámos a saber que o caminho para além de ser mais difícil também inclui mais problemas para quem tem medo de alturas. Foi então retirado do nosso trajeto. O parque de estacionamento aqui é pago, mas na verdade nós sem sabermos tínhamos deixado o carro na outra ponta do caminho para todos e acabámos por não pagar nada por estacionamento.
Parque florestal das Queimadas
Enquanto estivemos no pico do Areeiro havia bastante nevoeiro, mas também estávamos no terceiro ponto mais alto da Madeira, a 1818 metros de altitude – o ponto mais alto é o Pico Ruivo que conta com 1861 metros. Vimos várias pessoas a chegar do PR1 e foi neste momento que confirmámos que tínhamos decidido pelo melhor. A dor na cara das pessoas era bastante visível. Até vimos um rapaz que chegou e já via com as pernas à banda – sabem quando se andou tanto que já nem se consegue bem por uma perna à frente da outra? Quando chegou ao pé da família que esperava por ele, ele apenas fechou os olhos. Eu olhei para o meu marido e ambos sentimos a dor do rapaz – um momento profundo.
Ponto seguinte como tinha dito acima foi o Pico do Areeiro. Estacionámos o carro – apesar de o parque de estacionamento ser gratuito o uso das casas-de-banho não o é. Na verdade, esse foi um dos pontos comuns nas levadas que visitámos e que quisemos ir à casa-de-banho – o seu uso não é gratuito. Aconselho a terem umas moedas sempre convosco que também com notas não se amanham.
Como havia imenso nevoeiro e mal se via o que nos rodeava – mesmo assim tivemos um vislumbre de um trilho estreito com escapas altíssimas dos dois lados do caminho – decidimos que já tínhamos visto tudo o que queríamos. A bola branca da figura acima à esquerda é a Estação de Radar Nº4 da Força Aérea Portuguesa. Esta estação está operacional 24 horas todos os dias do ano e o seu objetivo é defesa área nacional.
Fomos até ao Miradouro da Eira do Serrado – e este parte do percurso entre o Pico do Areeiro até ao Miradouro foi o pior de toda a viagem – o caminho era feito todo às curvas estreitíssimas. Uma coisa que só mesmo visto. Então com nevoeiro e chuva nem se fala.
Miradouro da Eira do Serrado
O miradouro fica mesmo ao lado da Estalagem da Eira do Serrado que tem uma piscina interior com uma vista espetacular para a serra. É um local bonito, apesar do difícil caminho para aqui chegar, mas de onde a vista dos quartos deve de ser sem dúvida espetacular. Chegava assim o meio da tarde e a hora de irmos a um restaurante que queríamos experimentar, agora já na zona do Funchal – o Beer Garden. Foi o nosso segundo picadinho, uma vez que as reviews que li de antemão afirmarem que o molho era de comer e chorar por mais. Desta vez, para ser diferente do que tínhamos provado no dia anterior, no restaurante Caravela, escolhemos o picadinho de frango. Acompanhado com uma nikita e bolo de caco foi uma refeição perfeita para depois de um dia sempre a andar. O Beer Garden tem uma variada escolha de cerveja belga, sendo uma escolha ótima escolha para quem é apreciador desta bebida. E o molho confirma-se – delicioso.
Picadinho de frango
De barriga cheia estava na hora de voltarmos para o nosso hotel – Santa Cruz Village – para tomarmos um banho (depois das várias caminhadas estávamos bem precisados) – e de nos venturarmos por Santa Cruz. Tenho a dizer que gostámos imenso de explorar Santa Cruz. Houve dois sítios que ficaram como nossos preferidos e onde acabámos sempre os nossos serões – o Pizza Café – pela paisagem da esplanada do mar e das ilhas desertas e o restaurante snack bar – O Prego. E foi no Prego que ficámos a saber de algo que mudaria completamente o nosso trajeto do dia seguinte!
Já agora sobre as ilhas desertas – não tivemos oportunidade de as visitar, mas é possível fazê-lo através de excursões de barco que partem do Funchal. As ilhas desertas estão localizadas no prolongamento da Ponta de São Lourenço e são três: O ilhéu Chão, a Deserta Grande e o Bugio. Está na nossa lista para uma viagem futura à Madeira. Porque acreditem – quem visita a Madeira não o faz só uma vez.
4º Dia – A Floresta do Fanal e o Festival no Funchal
Este dia foi completamente diferente do que tínhamos planeado inicialmente. De tal forma de que todos os locais visitados apenas um constava na lista inicial. Este era o último dia antes da tempestade e apesar de na altura pensarmos que havia um exagero desmedido à volta da tal tempestade organizámos tudo de maneira que nos dias seguintes fôssemos visitar o menos possível.
Começámos pela Floresta do Fanal. Eu nem acredito que a tínhamos deixado de fora quando fizemos o itinerário ainda em casa. A floresta do Fanal é uma floresta mágica com o seu constante nevoeiro e árvores centenárias de feitios propícios à imaginação. A floresta do Fanal faz parte da floresta Laurissilva, onde o nível conservação da floresta indígena é impressionante. Há vários trilhos à volta da floresta, havendo por exemplo como opções o PR13 – Vereda do Fanal ou o PR14 – Levada dos Cedros. Se fizerem o PR13 terão oportunidade de caminhar no Paúl da Serra, o planalto mais longo da Madeira.
Para chegar à floresta do Fanal fomos ver qual o melhor caminho. Depois de 3 dias às curvas na Madeira já sabíamos que tínhamos de escolher qual era o melhor caminho invés ao caminho que era ´mais rápido´. Porque na Madeira a distância até pode ser menor mas ao andar às curvas demora-se o dobro do tempo do que aquele que o GPS estima.
Quando chegámos à floresta do Fanal não havia nevoeiro, mas rapidamente este apareceu e adensou-se. Caminhar na floresta com o nevoeiro envolvente e as vacas a pastar sem pressas tornou a experiência realmente do outro mundo. Talvez ainda mais impressionante seja a quantidade de rãs que habitam a lagoazita onde o som é quase ensurdecedor.
O próximo ponto de paragem, já em direção ao Funchal, foi a cascata dos Anjos. E não podíamos perder este ponto. Esta cascata é especial porque cai em cima da estrada, ou seja, podem ter a experiência de conduzir por debaixo de uma cascata ou atirarem-se a pé para debaixo dela (para debaixo da cascata, não do carro). Fomos ver a cascata, mas não conduzimos em cima dela porque nos foi avisado pelo madeirense no primeiro dia, na Ponta de São Lourenço, que já tinha havido vários acidentes em que rochas tinham caído e partido para-brisas. Para não arriscar deixámos o carro um bocadinho mais atrás e fomos a pé até esta cascata fenomenal. Fizemos em seguida uma paragem no Miradouro da Ponta do Sol, mas como foi meio difícil estacionar não ficámos muito tempo.
E em direção ao Funchal. Agora o que havia no Funchal? Nesta viagem descobri as vantagens de passar os serões num café de família onde a conversa em amena cavaqueira dá também algumas notícias surpreendentes. Então logo no primeiro ou segundo dia do nosso serão no snack bar O Prego ficámos a saber que nesse Domingo ia decorrer um festival patrocinado pelos hipermercados Continente – Festival Bom Para a Madeira.
A maior notícia para todos era que o Tony Carreira ia atuar ao vivo no final da tarde. Para nós foi saber que a meio da tarde o grupo os 4Litro iam atuar. Para quem não sabe os 4Litro são um grupo de 4 comediantes madeirenses. No canal de Youtube – cliquem aqui para ver – há imensos vídeos a satirizar a vida quotidiana madeirense, a fazer novas letras para músicas conhecidas, tudo para rir às gargalhadas. Nós não podíamos perder. Deixámos o carro a uns 20 minutos do centro do Funchal e descemos até à Praça do Povo. Mal sabíamos que a animação ia estar ao rubro – muitas barraquinhas a vender produtos regionais, gelados, bebidas e comida tradicional. Não podemos resistir a mais uma nikita e esta foi a segunda melhor de toda a viagem (a nikita da Taberna do Poncha está em primeiro). O espetáculo foi muito bom e valeu bem a pena a torreira ao sol durante quase uma hora. Não ficámos para o Tony Carreira, mas via-se a multidão a crescer ao aproximar-se da hora.
Nós decidimos ir jantar a um dos restaurantes mais conhecidos da Madeira – O Abrigo do Pastor. Porque não pode passar uma visita à Madeira sem experimentar a espetada regional. A carne era muito tenra e bastante saborosa. Não ficámos fãs do esparregado e do pão de batata-doce, mas gostei bastante do milho frito.
Ainda nos ofereceram uma poncha depois de um descuido com um café e foi a poncha mais forte que bebi – não só nesta viagem, mas em toda a minha vida. O Abrigo do Pastor é conhecido pela alta qualidade da carne que servem e bastante procurado por turistas e madeirenses.
Com isto chegávamos ao final do dia, um dia que foi planeado já na Madeira, mas um dia inesquecível por muitas razões.
5º Dia – A Madeira nas alturas e nas tempestades
Contávamos ainda ter algum tempo durante o dia para explorar a Madeira antes da tempestade chegar – a tempestade Óscar. Mas a tempestade no final foi uma coisa a sério e era o que se esperava pois havia avisos por todo o lado, não só na comunicação social mas nos locais onde passámos durante a manhã.
O primeiro local do dia foi a Fajã dos Padres. A Fajã dos Padres pode-se definir como um pequeno resort, mas mais rural. Para descer a falésia só de teleférico e quando descem encontram um lugar recluso com uma praia escondida e uma floresta de bananeiras e maracujás.
Também encontram um restaurante e se quiserem passar aqui a noite podem alugar um dos chalés disponíveis. Nós desta vez viemos apenas para passear e na compra do bilhete foi nos dito que contavam fechar mais cedo, por volta das 3, em vez das 7, por causa da tempestade, de outra forma deixaria de ser seguro de o fazer. E compreende-se principalmente quando se viaja naquele teleférico…a descida quase a pique que percorre os 300 metros de altura da falésia numa experiência espetacular, ou horrífica se tiverem medo de alturas. Nós infelizmente não tivemos oportunidade de fazer praia devido ao tempo, mas quando está sol e tempo mais ameno pareceu-me ser uma ótima escolha para quem procura um sítio mais acolhedor.
A segunda paragem foi num dos lugares muito procurados na Madeira – oCabo Girão. Muito procurado porquê? Para além de ser um espetacular ponto de observação, o chão é de vidro e a descida da falésia quase vertical, criando uma experiência vertiginosa. Têm de se pagar para entrar para o observatório e tem um custo de 2 euros por pessoa. Nós nem sequer o fizemos porque a esta altura havia um nevoeiro cerrado acompanhado com uma súbita carga de água. Achámos que nos irmos molhar sem pudermos ver nada de paisagem não valia muito a pena. Tentando fugir à chuva fomos até ao Cristo Rei da Ponta do Garajau. A grande estátua de Jesus Cristo, de braços abertos, voltada para o mar é o começo de um miradouro com uma vista sobre parte da baía do Funchal e do património natural do Garajau. Sem esquecer de mencionar uma paisagem extensa do Oceano Atlântico.
Não ficámos muito tempo porque as nuvens de tempestade encontravam-se cada vez mais perto. E com isto tivemos de dar com o nosso dia por meio que encerrado. Acabámos por voltar a Santa Cruz, onde estivemos no restaurante Pizza Café a ver o mar, cada vez mais violento e as rajadas de chuva que sacudiam as árvores. A meio da tarde fomos ainda provar um bolo à Confetaria dos Nietos e em seguida fomos para o quarto do hotel.
Durante o final da tarde a tempestade piorou, todos os voos foram cancelados e a televisão inundava-se de notícias sobre o que se estava a passar na ilha. Neste dia todos os trilhos nas levadas foram encerrados, mas infelizmente ainda houve pessoas que acharam que as regras não se aplicavam a eles e enfiaram-se pela meio da floresta quando a tempestade estava em força. Nada como testar o poder da natureza e ao mesmo tempo a das forças de autoridade na Madeira. E nós que tínhamos voo no dia a seguir já a pensarmos o que nos ia acontecer se este fosse cancelado.
Quando a tempestade Óscar começou…
Para jantar e não querendo sair de carro, nem muito da zona, acabámos no restaurante Bom Jesusonde experimentámos o famoso peixe com maracujá e banana, começando pelo polvo como entrada – acho que era o polvo de cebolada – e para finalizar mais um cheesecake de maracujá. Da refeição adorámos – preferimos o peixe com maracujá, mas sem a banana e adorámos a entrada de polvo. Apesar do mau tempo acabámos bem o dia.
Com a tempestade muitos restaurantes e cafés fecharam bastante mais cedo (por volta das 7/8), mas para não acabar o dia ali, ainda fomos passar mais um bocado na esplanada coberta do Pizza Café. Olhar para o mar revolto e a tempestade envolvente, apesar de perigoso não deixa de ser fascinante. Já em direção do hotel parámos no restaurante a Bilheteira para uma nikita mas não ficámos convencidos. Mas foi nestes três estabelecimentos durante o final do dia que percebemos que os madeirenses estavam com bastante receio da tempestade e dos estragos que podia causar. E até o mar já nem estava azul ou esverdeado, tornava-se cada vez de uma castanho devido às enxurradas de água que arrastavam enormes quantidades de terra. E no final tinham razão, no final houve pessoas que ficaram desalojadas e inúmeros estragos pela ilha como podem ver aqui
O mar a tornar-se castanho
No dia a seguir tínhamos pensado entregar o carro e depois visitar o Funchal, uma vez que o nosso voo era às 6 da tarde. Acordámos com talvez menos vento, mas a chuva continuava. Fomos entregar o carro ao aeroporto e entrámos dentro do aeroporto para ver o estado do nosso voo, se a informação nos diria que tinha sido cancelado. E foi aqui que nos bateu a realidade de viajar. Muitas, mas mesmo muitas pessoas deitadas em colchões míseros de cor azul forte, espalhadas pelo chão. Estas eram as pessoas que tinham tido os voos marcados para o dia anterior e que tinham sido cancelados. Esperavam ali para saber quando podiam viajar. O cheiro dentro do aeroporto era a suor e humidade. Não é o que se idealiza quando se viaja. Foi ali naquele momento que descobrimos que viajar não é só glamour como pode rapidamente tornar-se uma situação muito difícil e naquele momento só esperávamos que nessa mesma noite não nos encontrássemos na mesma situação. No final foram cancelados 72 voos em menos 48horas. E as coisas adensavam-se – por exemplo isto era terça-feira e houve um casal de idosos que só teria voo disponível no próximo Sábado. Nós sem pudermos fazer nada até à hora – ainda perguntámos se sabiam se o nosso voo estaria atrasado ou não mas disseram que não saberiam nada até à hora do voo. No total, em dois dias mais de 20mil pessoas foram impossibilitadas de viajar.
Assim, mesmo com mau tempo, apanhámos o autocarro que parte do aeroporto até ao Funchal, o Aerobus que custam 8 euros ida e volta. Chegámos ao Funchal e ainda estava a chover. E continuou a chover todo o tempo em que estivemos na cidade. Aliás, acabámos por não ver nada de jeito no Funchal e foi por isso que no primeiro post disse que uma viagem até ao Funchal está na lista para planos futuros. Passámos no mercado dos Lavradores, pela catedral do Funchal, e pronto foi isso. Por isso, prefiro esperar até à próxima viagem para poder falar como deve ser do Funchal.
E fomos para o aeroporto. Quando chegámos no placar havia mais uns quantos voos cancelados – havia mais cancelados do que a partir da ilha. Mas por volta das 5 da tarde, como numa espécie de filme, as nuvens saíram da ilha e o sol começou a brilhar – assim de repente como se nada se tivesse passado. Muitas foram as pessoas que começaram a sair de dentro do aeroporto para olhar para o céu. Garanto-vos que foi mesma cena a filme. E nós por uma imensa quantidade de sorte embarcámos no nosso voo e saímos da ilha que nos deixou uma experiência incrível – muita coisa boa, muita coisa má e tudo por entremeio.
Contávamos ainda ter algum tempo durante o dia para explorar a Madeira antes da tempestade chegar – a tempestade Óscar. Mas a tempestade no final foi uma coisa a sério e era o que se esperava pois havia avisos por todo o lado, não só na comunicação social mas nos locais onde passámos durante a manhã.
O primeiro local do dia foi a Fajã dos Padres. A Fajã dos Padres pode-se definir como um pequeno resort, mas mais rural. Para descer a falésia só de teleférico e quando descem encontram um lugar recluso com uma praia escondida e uma floresta de bananeiras e maracujás.
Também encontram um restaurante e se quiserem passar aqui a noite podem alugar um dos chalés disponíveis. Nós desta vez viemos apenas para passear e na compra do bilhete foi nos dito que contavam fechar mais cedo, por volta das 3, em vez das 7, por causa da tempestade, de outra forma deixaria de ser seguro de o fazer. E compreende-se principalmente quando se viaja naquele teleférico…a descida quase a pique que percorre os 300 metros de altura da falésia numa experiência espetacular, ou horrífica se tiverem medo de alturas. Nós infelizmente não tivemos oportunidade de fazer praia devido ao tempo, mas quando está sol e tempo mais ameno pareceu-me ser uma ótima escolha para quem procura um sítio mais acolhedor.
A segunda paragem foi num dos lugares muito procurados na Madeira – oCabo Girão. Muito procurado porquê? Para além de ser um espetacular ponto de observação, o chão é de vidro e a descida da falésia quase vertical, criando uma experiência vertiginosa. Têm de se pagar para entrar para o observatório e tem um custo de 2 euros por pessoa. Nós nem sequer o fizemos porque a esta altura havia um nevoeiro cerrado acompanhado com uma súbita carga de água. Achámos que nos irmos molhar sem pudermos ver nada de paisagem não valia muito a pena. Tentando fugir à chuva fomos até ao Cristo Rei da Ponta do Garajau. A grande estátua de Jesus Cristo, de braços abertos, voltada para o mar é o começo de um miradouro com uma vista sobre parte da baía do Funchal e do património natural do Garajau. Sem esquecer de mencionar uma paisagem extensa do Oceano Atlântico.
Não ficámos muito tempo porque as nuvens de tempestade encontravam-se cada vez mais perto. E com isto tivemos de dar com o nosso dia por meio que encerrado. Acabámos por voltar a Santa Cruz, onde estivemos no restaurante Pizza Café a ver o mar, cada vez mais violento e as rajadas de chuva que sacudiam as árvores. A meio da tarde fomos ainda provar um bolo à Confetaria dos Nietos e em seguida fomos para o quarto do hotel.
Durante o final da tarde a tempestade piorou, todos os voos foram cancelados e a televisão inundava-se de notícias sobre o que se estava a passar na ilha. Neste dia todos os trilhos nas levadas foram encerrados, mas infelizmente ainda houve pessoas que acharam que as regras não se aplicavam a eles e enfiaram-se pela meio da floresta quando a tempestade estava em força. Nada como testar o poder da natureza e ao mesmo tempo a das forças de autoridade na Madeira. E nós que tínhamos voo no dia a seguir já a pensarmos o que nos ia acontecer se este fosse cancelado.
Quando a tempestade Óscar começou…
Para jantar e não querendo sair de carro, nem muito da zona, acabámos no restaurante Bom Jesusonde experimentámos o famoso peixe com maracujá e banana, começando pelo polvo como entrada – acho que era o polvo de cebolada – e para finalizar mais um cheesecake de maracujá. Da refeição adorámos – preferimos o peixe com maracujá, mas sem a banana e adorámos a entrada de polvo. Apesar do mau tempo acabámos bem o dia.
Com a tempestade muitos restaurantes e cafés fecharam bastante mais cedo (por volta das 7/8), mas para não acabar o dia ali, ainda fomos passar mais um bocado na esplanada coberta do Pizza Café. Olhar para o mar revolto e a tempestade envolvente, apesar de perigoso não deixa de ser fascinante. Já em direção do hotel parámos no restaurante a Bilheteira para uma nikita mas não ficámos convencidos. Mas foi nestes três estabelecimentos durante o final do dia que percebemos que os madeirenses estavam com bastante receio da tempestade e dos estragos que podia causar. E até o mar já nem estava azul ou esverdeado, tornava-se cada vez de uma castanho devido às enxurradas de água que arrastavam enormes quantidades de terra. E no final tinham razão, no final houve pessoas que ficaram desalojadas e inúmeros estragos pela ilha como podem ver aqui
O mar a tornar-se castanho
No dia a seguir tínhamos pensado entregar o carro e depois visitar o Funchal, uma vez que o nosso voo era às 6 da tarde. Acordámos com talvez menos vento, mas a chuva continuava. Fomos entregar o carro ao aeroporto e entrámos dentro do aeroporto para ver o estado do nosso voo, se a informação nos diria que tinha sido cancelado. E foi aqui que nos bateu a realidade de viajar. Muitas, mas mesmo muitas pessoas deitadas em colchões míseros de cor azul forte, espalhadas pelo chão. Estas eram as pessoas que tinham tido os voos marcados para o dia anterior e que tinham sido cancelados. Esperavam ali para saber quando podiam viajar. O cheiro dentro do aeroporto era a suor e humidade. Não é o que se idealiza quando se viaja. Foi ali naquele momento que descobrimos que viajar não é só glamour como pode rapidamente tornar-se uma situação muito difícil e naquele momento só esperávamos que nessa mesma noite não nos encontrássemos na mesma situação. No final foram cancelados 72 voos em menos 48horas. E as coisas adensavam-se – por exemplo isto era terça-feira e houve um casal de idosos que só teria voo disponível no próximo Sábado. Nós sem pudermos fazer nada até à hora – ainda perguntámos se sabiam se o nosso voo estaria atrasado ou não mas disseram que não saberiam nada até à hora do voo. No total, em dois dias mais de 20mil pessoas foram impossibilitadas de viajar.
Assim, mesmo com mau tempo, apanhámos o autocarro que parte do aeroporto até ao Funchal, o Aerobus que custam 8 euros ida e volta. Chegámos ao Funchal e ainda estava a chover. E continuou a chover todo o tempo em que estivemos na cidade. Aliás, acabámos por não ver nada de jeito no Funchal e foi por isso que no primeiro post disse que uma viagem até ao Funchal está na lista para planos futuros. Passámos no mercado dos Lavradores, pela catedral do Funchal, e pronto foi isso. Por isso, prefiro esperar até à próxima viagem para poder falar como deve ser do Funchal.
E fomos para o aeroporto. Quando chegámos no placar havia mais uns quantos voos cancelados – havia mais cancelados do que a partir da ilha. Mas por volta das 5 da tarde, como numa espécie de filme, as nuvens saíram da ilha e o sol começou a brilhar – assim de repente como se nada se tivesse passado. Muitas foram as pessoas que começaram a sair de dentro do aeroporto para olhar para o céu. Garanto-vos que foi mesma cena a filme. E nós por uma imensa quantidade de sorte embarcámos no nosso voo e saímos da ilha que nos deixou uma experiência incrível – muita coisa boa, muita coisa má e tudo por entremeio.
Este dia foi completamente diferente do que tínhamos planeado inicialmente. De tal forma de que todos os locais visitados apenas um constava na lista inicial. Este era o último dia antes da tempestade e apesar de na altura pensarmos que havia um exagero desmedido à volta da tal tempestade organizámos tudo de maneira que nos dias seguintes fôssemos visitar o menos possível.
Começámos pela Floresta do Fanal. Eu nem acredito que a tínhamos deixado de fora quando fizemos o itinerário ainda em casa. A floresta do Fanal é uma floresta mágica com o seu constante nevoeiro e árvores centenárias de feitios propícios à imaginação. A floresta do Fanal faz parte da floresta Laurissilva, onde o nível conservação da floresta indígena é impressionante. Há vários trilhos à volta da floresta, havendo por exemplo como opções o PR13 – Vereda do Fanal ou o PR14 – Levada dos Cedros. Se fizerem o PR13 terão oportunidade de caminhar no Paúl da Serra, o planalto mais longo da Madeira.
Para chegar à floresta do Fanal fomos ver qual o melhor caminho. Depois de 3 dias às curvas na Madeira já sabíamos que tínhamos de escolher qual era o melhor caminho invés ao caminho que era ´mais rápido´. Porque na Madeira a distância até pode ser menor mas ao andar às curvas demora-se o dobro do tempo do que aquele que o GPS estima.
Quando chegámos à floresta do Fanal não havia nevoeiro, mas rapidamente este apareceu e adensou-se. Caminhar na floresta com o nevoeiro envolvente e as vacas a pastar sem pressas tornou a experiência realmente do outro mundo. Talvez ainda mais impressionante seja a quantidade de rãs que habitam a lagoazita onde o som é quase ensurdecedor.
O próximo ponto de paragem, já em direção ao Funchal, foi a cascata dos Anjos. E não podíamos perder este ponto. Esta cascata é especial porque cai em cima da estrada, ou seja, podem ter a experiência de conduzir por debaixo de uma cascata ou atirarem-se a pé para debaixo dela (para debaixo da cascata, não do carro). Fomos ver a cascata, mas não conduzimos em cima dela porque nos foi avisado pelo madeirense no primeiro dia, na Ponta de São Lourenço, que já tinha havido vários acidentes em que rochas tinham caído e partido para-brisas. Para não arriscar deixámos o carro um bocadinho mais atrás e fomos a pé até esta cascata fenomenal. Fizemos em seguida uma paragem no Miradouro da Ponta do Sol, mas como foi meio difícil estacionar não ficámos muito tempo.
E em direção ao Funchal. Agora o que havia no Funchal? Nesta viagem descobri as vantagens de passar os serões num café de família onde a conversa em amena cavaqueira dá também algumas notícias surpreendentes. Então logo no primeiro ou segundo dia do nosso serão no snack bar O Prego ficámos a saber que nesse Domingo ia decorrer um festival patrocinado pelos hipermercados Continente – Festival Bom Para a Madeira.
A maior notícia para todos era que o Tony Carreira ia atuar ao vivo no final da tarde. Para nós foi saber que a meio da tarde o grupo os 4Litro iam atuar. Para quem não sabe os 4Litro são um grupo de 4 comediantes madeirenses. No canal de Youtube – cliquem aqui para ver – há imensos vídeos a satirizar a vida quotidiana madeirense, a fazer novas letras para músicas conhecidas, tudo para rir às gargalhadas. Nós não podíamos perder. Deixámos o carro a uns 20 minutos do centro do Funchal e descemos até à Praça do Povo. Mal sabíamos que a animação ia estar ao rubro – muitas barraquinhas a vender produtos regionais, gelados, bebidas e comida tradicional. Não podemos resistir a mais uma nikita e esta foi a segunda melhor de toda a viagem (a nikita da Taberna do Poncha está em primeiro). O espetáculo foi muito bom e valeu bem a pena a torreira ao sol durante quase uma hora. Não ficámos para o Tony Carreira, mas via-se a multidão a crescer ao aproximar-se da hora.
Nós decidimos ir jantar a um dos restaurantes mais conhecidos da Madeira – O Abrigo do Pastor. Porque não pode passar uma visita à Madeira sem experimentar a espetada regional. A carne era muito tenra e bastante saborosa. Não ficámos fãs do esparregado e do pão de batata-doce, mas gostei bastante do milho frito.
Ainda nos ofereceram uma poncha depois de um descuido com um café e foi a poncha mais forte que bebi – não só nesta viagem, mas em toda a minha vida. O Abrigo do Pastor é conhecido pela alta qualidade da carne que servem e bastante procurado por turistas e madeirenses.
Com isto chegávamos ao final do dia, um dia que foi planeado já na Madeira, mas um dia inesquecível por muitas razões.
Terceiro dia na Madeira. Como disse no post anterior estávamos à espera de uma grande tempestade para o último dia e meio das nossas férias por isso tínhamos que aproveitar ao máximo. Para Domingo tínhamos uma coisa especial marcada, da qual falarei no próximo post, por isso hoje seria, pelos menos em teoria, o último dia para caminhadas.
Paisagem durante o percuro PR1.2
Quando se fala em levadas na Madeira há uma que tem foco principal, por ser mais longa, a mais desafiadora e como tal a mais procurada. PR1 – Vereda do Areeiro – 7Km a começar no Pico do Areeiro até ao Pico Ruivo. Um trilho através dos picos mais altos da Madeira. Mas não é para todos e definitivamente não era para nós. Ou melhor, depois da experiência na ilha do Pico, nos Açores, ainda houve bastante discussão se íamos ou não o fazer, mas depois de vermos alguns vídeos foi decidido por unanimidade que não. Em alternativa fizemos a Achada do Teixeira – 6Km, 3Km para cada lado, que começa na Achada do Teixeira e acaba no Pico Ruivo. É um trilho muito mais fácil de fazer e que apanha a última parte do trilho PR1. Este trilho chama-se PR1.2 – Vereda do Pico Ruivo. Não digo que não há esforço envolvido, especialmente na parte final do trilho, mas é bastante mais fácil que o PR1. As paisagens durante o percurso são espetaculares, um trilho acima das nuvens. Fazer ida e volta contem com mais ou menos 2 horas a 2 horas e meia – 3, se quiserem fazer uma paragem na casa montanha transformada em café que fica no local onde se cruzam os dois percursos, PR1 e PR1.2.
A ideia era depois irmos ao ponto de começo – Pico do Areeiro. Assim apesar de não fazermos o percurso, tínhamos visitado os pontos de chegada e partida. Se quiserem fazer o PR1 não se esqueçam que este não é um trilho circular, ou seja, se deixarem o carro numa ponta têm ou que fazer o percurso todo de volta ou apanhar um táxi.Se fizerem o PR1.2 há um parque de estacionamento gratuito, tal como o parque de estacionamento no Pico do Areeiro se fizerem o percurso PR1.
Antes de irmos ao Pico do Areeiro, fomos à levada de nível mais fácil – Um caminho para todos – um percurso de 2Km, que começa no Pico das Pedras até às Queimadas. Nestes percursos há uma coisa interessante – é que a distância destes trilhos não significa o mesmo para cada um deles. 2Km no PR1.2 não tem nada a ver com 2Km no caminho para todos. É uma experiência completamente diferente.
Fizemos o caminho para todos e é um trilho mesmo para todos, para aqueles que têm problemas de mobilidade, para quem leva crianças e bebés, ou para quem as pernas estejam a pedir descanso. No parque florestal das Queimadas encontram-se casas-de-banho, um café, mesas para comer e um viveiro com várias aves. Deste parque florestal parte o trilho PR9- Levada do Caldeirão Verde que dizem ser este um dos trilhos mais bonitos da Madeira. No entanto, depois da experiência nas levadas das 25 fontes, fomos pesquisar e ficámos a saber que o caminho para além de ser mais difícil também inclui mais problemas para quem tem medo de alturas. Foi então retirado do nosso trajeto. O parque de estacionamento aqui é pago, mas na verdade nós sem sabermos tínhamos deixado o carro na outra ponta do caminho para todos e acabámos por não pagar nada por estacionamento.
Parque florestal das Queimadas
Enquanto estivemos no pico do Areeiro havia bastante nevoeiro, mas também estávamos no terceiro ponto mais alto da Madeira, a 1818 metros de altitude – o ponto mais alto é o Pico Ruivo que conta com 1861 metros. Vimos várias pessoas a chegar do PR1 e foi neste momento que confirmámos que tínhamos decidido pelo melhor. A dor na cara das pessoas era bastante visível. Até vimos um rapaz que chegou e já via com as pernas à banda – sabem quando se andou tanto que já nem se consegue bem por uma perna à frente da outra? Quando chegou ao pé da família que esperava por ele, ele apenas fechou os olhos. Eu olhei para o meu marido e ambos sentimos a dor do rapaz – um momento profundo.
Ponto seguinte como tinha dito acima foi o Pico do Areeiro. Estacionámos o carro – apesar de o parque de estacionamento ser gratuito o uso das casas-de-banho não o é. Na verdade, esse foi um dos pontos comuns nas levadas que visitámos e que quisemos ir à casa-de-banho – o seu uso não é gratuito. Aconselho a terem umas moedas sempre convosco que também com notas não se amanham.
Como havia imenso nevoeiro e mal se via o que nos rodeava – mesmo assim tivemos um vislumbre de um trilho estreito com escapas altíssimas dos dois lados do caminho – decidimos que já tínhamos visto tudo o que queríamos. A bola branca da figura acima à esquerda é a Estação de Radar Nº4 da Força Aérea Portuguesa. Esta estação está operacional 24 horas todos os dias do ano e o seu objetivo é defesa área nacional.
Fomos até ao Miradouro da Eira do Serrado – e este parte do percurso entre o Pico do Areeiro até ao Miradouro foi o pior de toda a viagem – o caminho era feito todo às curvas estreitíssimas. Uma coisa que só mesmo visto. Então com nevoeiro e chuva nem se fala.
Miradouro da Eira do Serrado
O miradouro fica mesmo ao lado da Estalagem da Eira do Serrado que tem uma piscina interior com uma vista espetacular para a serra. É um local bonito, apesar do difícil caminho para aqui chegar, mas de onde a vista dos quartos deve de ser sem dúvida espetacular. Chegava assim o meio da tarde e a hora de irmos a um restaurante que queríamos experimentar, agora já na zona do Funchal – o Beer Garden. Foi o nosso segundo picadinho, uma vez que as reviews que li de antemão afirmarem que o molho era de comer e chorar por mais. Desta vez, para ser diferente do que tínhamos provado no dia anterior, no restaurante Caravela, escolhemos o picadinho de frango. Acompanhado com uma nikita e bolo de caco foi uma refeição perfeita para depois de um dia sempre a andar. O Beer Garden tem uma variada escolha de cerveja belga, sendo uma escolha ótima escolha para quem é apreciador desta bebida. E o molho confirma-se – delicioso.
Picadinho de frango
De barriga cheia estava na hora de voltarmos para o nosso hotel – Santa Cruz Village – para tomarmos um banho (depois das várias caminhadas estávamos bem precisados) – e de nos venturarmos por Santa Cruz. Tenho a dizer que gostámos imenso de explorar Santa Cruz. Houve dois sítios que ficaram como nossos preferidos e onde acabámos sempre os nossos serões – o Pizza Café – pela paisagem da esplanada do mar e das ilhas desertas e o restaurante snack bar – O Prego. E foi no Prego que ficámos a saber algo que mudaria completamente o nosso trajeto do dia seguinte, mas isso fica para o próximo post.
Já agora sobre as ilhas desertas – não tivemos oportunidade de as visitar, mas é possível fazê-lo através de excursões de barco que partem do Funchal. As ilhas desertas estão localizadas no prolongamento da Ponta de São Lourenço e são três: O ilhéu Chão, a Deserta Grande e o Bugio. Está na nossa lista para uma viagem futura à Madeira. Porque acreditem – quem visita a Madeira não o faz só uma vez.
Para quem quer fazer um itinerário seguido pela Madeira, por exemplo Este – Norte – Oeste – Sul vai ficar um bocado confuso com o nosso. Porque acabou por não ser nada assim. E por duas razões – havia aviso de tempestade para a metade do penúltimo dia e para o último dia da nossa estadia. Portanto o que queríamos visitar que envolvesse caminhar ao ar livre tinha de ser feito antes da chegada da tempestade. A segunda razão foi o facto de termos ficado no mesmo hotel durante toda a nossa estadia. Se por um lado como disse logo de início achei que perdemos tempo a viajar para as diversas pontas da ilha, por outro lado deu-nos liberdade para escolhermos o nosso destino e alterarmos planos com o conviesse.
Uma paragem ao calhas e tem-se esta paisagem – Madeira, um miradouro constante
O nosso destino para hoje era uma das levadas mais escolhidas pelos turistas, pelos melhores motivos – a Levada das 25 fontes. Quando estivemos na Ponta de São Lourenço à conversa com o guia turístico ele, aconselhou-nos a deixar o carro no parque de estacionamento ao pé do túnel e fazer o percurso que inclui em parte de o trajeto passar por dentro de um túnel, uma vez que assim o caminho seria sempre a direito. Isto seria bem melhor em vez de deixar o carro onde todos deixam e depois andar por uma grande descida até ao trilho da levada e depois uma grande subida o que faz perder muito tempo. Pois fomos tão espertos que inicialmente tínhamos no GPS para o parque de estacionamento certo. Conclusão: mudámos o trajeto e fomos deixar o carro exatamente onde o senhor tinha dito para não o fazer. E sim, a descida é como o outro, agora subir aquilo tudo foi uma estafa. Então assim o que digo é deixem o carro no parque de estacionamento com a morada do Google Maps: ER211, 9370, Portugal e não no QV39+28, Calheta, Portugal. É um favor muito grande que vos estou a fazer. No entanto, se forem como nós e se enganaram também há a opção de pagar bilhetes para as carrinhas que fazem essa parte da travessia (subida/descida).
Levada das 25 fontes: vale a pena fazer este percurso?
Sabem que vou dizer que sim. Aliás este dia foi um dos melhores da viagem. No entanto, para o meu marido que tem medo de alturas foi bastante marcante e não pelas melhores razões. O trilho chama-se PR6 – Levada das 25 fontes e contem com cerca de 3-4 horas para completarem o percurso nos dois sentidos. Para cada lado são 4.3Km e a dificuldade é ‘moderada’. Eu adorei fazer o percurso que vos leva por dentro da floresta até o culminar da lagoa e da cascata das 25 fontes. Há alguns sítios para paisagens panorâmicas brutais da floresta Laurissilva. E não pensem que ter a oportunidade de entrar dentro desta floresta não é especial. A floresta Laurissilva é a floresta húmida subtropical da Madeira com cerca de 20 milhões de anos e que tal como um fóssil vivo, preserva as características de tempos tão remotos como por exemplo as árvores da família das Lauráceas. Esta floresta foi em 1999 considerado como Património da Humanidade pela UNESCO. A floresta Laurissilva ocupa cerca de 15 mil hectares, principalmente na parte Norte da ilha.
Devido à beleza indiscritível deste percurso este é um dos mais procurados por caminhantes. E talvez por isso também é palco de vários acidentes. Em algumas zonas o caminho torna-se bastante estreito, por vezes só dá para uma pessoa passar, e se não se tiver cuidado é possível escorregar para o penhasco numa descida mortal de mais de 50 metros. Se fizerem uma pesquisa rápida conseguem encontrar vários artigos sobre pessoas que escorregaram. Não é de forma alguma para desencorajar, apenas para respeitar a natureza. Principalmente a natureza numa forma tão crua como a desta floresta.
Depois desta grande aventura o resto do dia foi mais passear de carro. Fomos até ao Miradouro da Garganta Funda. Do estacionamento (ou melhor, meio da estrada) até ao Miradouro foram mais ou menos 15 minutos a andar. Este miradouro dá-vos uma paisagem que junta montanha, mar e uma cascata com 140 metros de altura.
Em seguida mais um miradouro com uma imensa vista para a costa, a Ponta do Tristão. Um outro ponto muito procurado (e com razão) são as piscinas naturais da Madeira. O local mais conhecido são as piscinas naturais de Porto Moniz. A entrada são 3 euros por cabeça para adultos e para crianças acima dos 3 anos. A entrada é gratuita para crianças com menos de 3 anos e metade do preço para estudantes ou adultos com mais de 65 anos.
Nós, no entanto, fomos para as piscinas naturais do Seixal. São gratuitas, menos conhecidas e por isso menos pessoas e ainda assim espetaculares. Adorámos nadar debaixo do arco de formação rochosa. O único cuidado é a entrar dentro da água – o chão é muito escorregadio. Todos os que entraram para a água enquanto lá estivemos (incluindo nós) fizeram um tipo de dança com o corpo e braços no ar e houve mesmo quem caísse de cu. Em seguida a paragem foi no Miradouro do Véu da Noiva. Deste miradouro vê-se uma elegante cascata.
E chegava a hora de jantar – ou melhor algo entre um almoço muito tardio e um jantar talvez cedo para a maioria. A 5 minutos de distância do Miradouro do Véu da Noiva em São Vicente fica orestaurante Caravela. Por sinal também é em São Vicente que se encontram as famosas grutas de São Vicente, mas encontram-se encerradas temporariamente. Ainda não sabíamos, mas foi neste restaurante foi onde tivemos a melhor refeição de toda a viagem.Começámos com um bolo do caco com manteiga e ervas e lapas grelhadas. Para acompanhar nada como uma brisa de maracujá, o sumo tradicional da ilha. Ambos tínhamos tido uma má experiência quando comemos lapas pela primeira vez nas ilha das Flores, nos Açores, e por isso estávamos reticentes. Mas sem medos. Neste restaurante passei a adorar este petisco. Também diria que foi aqui o nosso melhor bolo de caco.
Para prato principal escolhemos picadinho – e uma dose dá MUITO bem para duas pessoas. E ambas têm de comer bem para atacar aquela travessa. O picadinho é tradicionalmente com carne de vaca, mas também pode ser de frango, temperada com alhos e louro. Existem várias receitas e nós até voltámos a comer o picadinho noutro local e os sabores eram bastante diferentes. Este ganhou. Para acabar bem a refeição foi um semifrio de maracujá. Escolhemos sempre esta sobremesa nos restaurantes que fomos nos dias seguintes, mas este, deste restaurante, foi o melhor. Não tenho de voltar a dizer – adorámos este restaurante e saímos com grandes sorrisos…e barrigas cheias.
Em direção ao nosso hotel íamos passar por um local muito sugerido – a Taberna da Poncha. Fica numa rua a descer e estava cheíssimo. A poncha deste local, sim foi a melhor de toda a viagem, mas a grande descoberta foi a nikita. Uma bebida menos conhecida que a poncha, mas também ela tradicional da Madeira. Parece ser uma mistura estranha já que a nikita é feita essencialmente com cerveja (Coral) e gelado de ananás. Completamente perdida por esta bebida. E nós bebemos a nikita em vários locais, mas a melhor foi a da Taberna da Poncha. Neste momento podia voar até à Madeira e ir às praias do Seixal, jantar no restaurante Caravela e passar o serão na Taberna da Poncha a beber nikitas e seria uma pessoa realizada.
Como ainda tínhamos de conduzir até ao hotel não podemos apreciar muito da nikita ou da poncha. Voltámos para Santa Cruz, estacionámos o carro no hotel e fomos passar um bocado do serão ao restaurante Pizza Café com uma esplanada mesmo junto à costa. Já mais à noite acabámos o dia no restaurante snack bar, o Prego. Mais umas rodadas de Coral.
Mais uma paisagem enquanto se conduz pela Madeira
E o que tenho a dizer da Madeira depois deste dia? Que venha mais um…
O nosso primeiro dia na Madeira, depois de um bom pequeno-almoço tomado no hotel Santa Cruz Village e de termos o nosso carro que fomos buscar ao aeroporto, começava imediatamente. Durante esta nossa semana na Madeira queríamos visitar a ilha toda e por hoje concentraríamo-nos na parte mais a Nordeste. Começámos na Ponta de São Lourenço, pois não há viagem à Madeira que não incluía este local. A maior parte do caminho até à Ponta de São Lourenço é feito pela via rápida – VR1 – e se partirem do Funchal fica a cerca de 40 minutos de caminho. Nós estando já no aeroporto estávamos mais perto.
Estacionamento há pouco ou melhor há pouco estacionamento nas áreas designadas para tal, depois podem seguir o exemplo de todos os outros que tal como nós estacionaram à beira da estrada. E assim começámos o nosso primeiro trilho PR8 – Vereda da Ponta de São Lourenço. São 3 Km para cada lado, 6Km no total. Este é um trilho com paisagens fantástica do mar e rocha. O trilho é relativamente fácil, apesar de ter subidas e descidas, e ser oficialmente considerado com ‘Moderado’ em termos de dificuldade. A Ponta de São Lourenço é considerado como Reserva Natural da Madeira e alberga uma flora rara e fauna diversificada.
Uma coisa que talvez tivesse já mencionado no último post quando falei de quais foram os preparativos para esta viagem é a preparação para os trilhos. Na Madeira, sempre que forem andar por trilhos ou visitar locais no meio da natureza levem sapatos e roupa confortáveis e falo mesmo de calções, calças de fato-de-treino, uma t-shirt e ténis. E talvez um casado leve, mas impermeável – o tempo pode mudar rapidamente e também pode cair água em várias partes do percurso. Levem sempre uma mochila com vocês com água (indispensável), snacks, protetor solar (mesmo no Inverno) e fato-de-banho/biquíni/calções porque há em cada esquina oportunidades para um mergulho. Estas 4 coisas são muito importantes dando mais ênfase à água porque durante o caminho raramente há a possibilidade de arranjar água que não seja a que levaram com vocês. Nós comprámos 2 garrafas de litro e meio no supermercado e andávamos sempre a enchê-las quanto tínhamos oportunidade.
Com este aparte digo-vos para se deslumbrarem com a visita à Ponta de São Lourenço onde muito mais pessoas estão a fazer o mesmo percurso que vocês. Durante o caminho até encontrámos um guia turístico com quem estivemos à conversa e que nos foi dando umas dicas sobre o que não perder para os nossos próximos dias na ilha. Depois de voltarmos para o carro, com um calor arrasador, pusemos o nosso GPS em funcionamento e seguimos para o Miradouro da Portela. A imagem abaixo mostra a belíssima paisagem sobre a cidade de Porto da Cruz, o mar e a natureza circundante.
E com esta paragem rápida fomos ao próximo miradouro – o Miradouro do Guindaste. Para mim este foi um dos miradouros que ficou mais marcado na memória, principalmente as secções do miradouro com chão de vidro de onde se podia olhar para o mar e rocha que ficava mesmo debaixo dos nossos pés. Mesmo sabendo que não vamos cair, fica aquele friozinho no estômago quando damos o primeiro passo. Para quem tem medo de alturas, como o caso do meu companheiro de viagem, ainda é mais difícil dar o primeiro passo. Foi talvez aqui a primeira vez que comentámos o azul do mar na ilha da Madeira, um azul turquesa intenso com águas tão límpidas que parece quase artificial.
Já em Santana o que vínhamos visitar é um dos locais mais conhecidos da Madeira – As Casas Típicas de Santana. Aquelas casas coloridas de telhado em bico são imagens muito usadas em livros, postais, etc., usadas como ícones identificativos da Madeira. Estas casas típicas fazem parte do património da Madeira, com um papel cultural como histórico muito importante para a ilha. A maior parte dos visitantes vão as Núcleo das Casas Típicas onde numa delas se vendem produtos típicos da região.
Estas casas são tipicamente feitas de madeira, um material barato e abundante na região e de colmo, este proveniente das plantações de cereais como trigo e centeio, usada para o telhado. A madeira era usada para manter a temperatura do interior das casas, enquanto o formato inclinado dos telhados permitia uma drenagem eficiente das águas da chuva, ou seja, tinha um feito de impermeabilidade. Estas casas normalmente eram divididas em dois andares, o de cima usado como sótão para o armazenamento de produtos agrícolas e o piso térreo usado como habitação.
Não havendo muito parque disponível junto às casas, estacionámos o carro numa das ruas transversais em Santana e depois fomos a pé, aproveitando também para esticar as pernas e ver um bocadinho da cidade. Nós antes ainda tínhamos ido ao supermercado Continente para umas compras de última hora e há uma destas casinhas típicas mesmo no jardim em frente do supermercado. Fica aqui a dica se quiserem tirar uma fotografias num ambiente com menos densidade populacional à volta.
Sendo isto 3 horas da tarde ainda tínhamos tempo para as nossas primeiras levadas. Eu já explico o que são levadas. Menciono apenas que pelo caminho e aqui à volta de Santana existem imensos miradouros, todos eles com vistas espetaculares, mas o que vocês vão descobrir é que toda a ilha da Madeira é um constante miradouro. Como acabam por andar sempre a subir e a descer montanhas podem parar o carro onde vos bem entender, tendo em conta que não é proibido parar naquele sítio, e conseguem ter uma vista tremenda à vossa frente.
Agora as levadas…o que são?
A maneira mais fácil de explicar é a seguinte: um canal de transporte de água que segue junto a um percurso pedestre. E esta á a definição mais fácil de perceber. As levadas foram construídas a partir do século XV devido à necessidade de transporte de grandes quantidades de águas desde as zonas onde a água da chuva e fontes naturais eram mais abundantes (zona Norte da ilha) para onde a água era mais escassa (zona Sul). A água era assim ‘levada’ para zonas de plantação e poços. As levadas e os seus trilhos são atualmente pontos muito procurados para passear e entrar em contacto direto com a natureza. Lembram-se quando no post anterior disse que a Madeira pode criar alguma ansiedade a pessoas que têm medo de alturas e a pessoas que têm medo de sítios fechados? É porque é bastante comum que em certas partes dos trilhos o caminho se torne muito estreito e onde um dos lados do caminho desça a pique. Para além disso, alguns destes trilhos passam por dentro de túneis, sendo necessário o uso de lanternas. E atenção, há túneis onde espaço não é assim muito vasto.
Mas quem adora adrenalina – fantástico. Para pessoas com medo de alturas – traumatizante. E não pensem que não é sem razão, já que existem vários acidentes e mortes em algumas destas levadas TODOS OS ANOS. A levada que fizemos no dia de hoje era uma das mais fáceis, o caminho era a direito e bastante fácil de percorrer, mas a que fizemos no dia a seguir é uma daquelas onde mais pessoas escorregaram para a morte. Mas disto falarei mais quando chegar a altura. O que conselho que dou é simples – vão, mas vão com cuidado e respeito pela natureza.
Voltando ao nosso itinerário específico para o de hoje – estacionámos à frente do restaurante Ribeiro Frio no Parque Natural de Ribeiro Frio que fica em – não adivinham – Ribeiro Frio. Antes de seguirmos viagem fomos à nossa primeira poncha da viagem – sim houve várias! A poncha, se não souberem, é uma das bebidas mais conhecidas da Madeira feita com aguardante de cana-de-açúcar, açúcar ou mel e limão ou laranja ou ambas. Mas há algumas variações – a poncha do Pescador por exemplo é a poncha com limão, a poncha regional é normalmente com laranja, a poncha de maracujá é como o nome indica com maracujá e a poncha de tangerina. Estas são as mais tradicionais, mas há locais que vão mais longe e já fogem à tradição como a poncha de frutos vermelhos e de morangos. Não se enganem no entanto – a poncha é bastante forte e bastou-nos uma para irmos mais quente mas o PR 11 Vereda dos Balcões.
Como disse acima este trilho é de nível fácil com uma distância de 1,5Km para cada lado (3Km no total). O trilho culmina no Miradouro dos Balcões com uma vista magnífica. Este miradouro é um ótimo local para observação de aves, e há vários passaritos bastantes amigáveis, especialmente se tiverem comida à mão. Imagino que quem seja entendido no assunto esta neste momento a ranger os dentes com o termo ‘passaritos’- vá o bis-bis, mas também há o papinho e o melro-preto e o pombo-trocaz.
Chegava a altura de voltar para o hotel e encontrarmos um sítio para jantar. Para primeiro dia queríamos uma coisa local e foi por isso que fomos jantar à Taberna do Petisco. Foi aqui que comemos o nosso primeiro bolo do caco – sim também houve muitos desses durante a nossa estadia na Madeira e apesar de alguém me ter dito que era pão de alho e que não sabia o que tinha de especial (eye roll), eu fiquei logo ali completamente perdida de amores por este pão. Tal como o nome indica, este restaurante é mais de petiscos e escolhemos o prato de polvo e de camarão. Ambos muito bons, mas talvez tenha gostado mais do de camarão.
Outra descoberta foi a cerveja/cidra tradicional da Madeira da marca Coral. E provavelmente verão muitas fotografias destas bebidas no curso destes posts sobre a Madeira. Posso-vos já dizer que se come muito bem na Madeira.
Para ajudar com a digestão fomos dar uma volta pela costa, junto ao mar, e acabámos a noite num café de família na praça de Santa Cruz, o Prego.
Um primeiro dia cheio de promessas desta ilha que seria a nossa casa por uma semana inesquecível.
A ilha da Madeira: a nossa grande viagem de 2023. Todos os anos há sempre uma viagem que é considerada a grande viagem, não por significar mais que as outras, mas por ser a mais longa e normalmente a menos comum. Este ano escolhemos a Madeira. Em 2022 foi o Alasca, em 2021 a road trip pela Irlanda, em 2020 os Açores e 2019 a Noruega e assim por aí fora até 2017 quando a nossa primeira viagem à séria levou-nos à Islândia. Todas estas viagens estão neste blog e podem clicar nos nomes dos diferentes países que vos levarão à respectiva viagem. Mas estou a divagar – 2023 – a Ilha da Madeira.
Dia de tempestade na Madeira – Mesmo assim lindíssima
A Ilha da Madeira é um destino bastante conhecido, acredito que muitos já a tenham visitado e que tenham feito e visitado, durante a vossa viagem, coisas diferentes que nós – talvez melhores ou piores – porque há pelo menos trilhos suficientes para passar na ilha uns belos meses. Nós tivemos uma semana. E fica já aqui a informação que vamos de certeza voltar à Madeira para visitar a cidade do Funchal que infelizmente acabámos por não ter tempo para explorar como deve ser como por exemplo o jardim botânico. Um fim-de-semana destes pego no marido e lá vamos nós!
Do que vi da Madeira, posso dizer com toda a franqueza que é um sítio único. É uma ilha lindíssima para visitar onde merece que se desfrute ao máximo da imensa e bonita natureza, mas também um local que se pode facilmente tornar uma dor de cabeça. Agora para quem – perguntarão vocês. Eu sei que não perguntaram, mas eu vou dizer na mesma.
Para quem tem medo de voar
Para quem tem medo de alturas
Para quem sofre de claustrofobia (guilty!)
Para quem não gosta de andar
Para quem enjoa no carro (ou até para quem não enjoa)
Para quem tem medo de tempestades
Acho que pelo menos apanhei os principais grupos de pessoas cuja ansiedade vai facilmente subir acima dos níveis aceitáveis. E neste e nos próximos posts vão se aperceber o porquê.
Quais foram os preparativos para a viagem? – ainda antes de sabermos bem ao que íamos. Vocês também são daqueles que pensam que uma semana dá para ver tudo e depois quando fazem o itinerário percebem que precisavam de pelo menos o dobro do tempo? A nós acontece-nos imenso. Mas foi uma semana e só uma semana. Primeiro de tudo foi preciso marcar voos, acomodação e carro. Porque se quiserem visitar a ilha é aconselhado alugar um carro. Podem sempre tentar fazer através de excursões ou transportes públicos, mas há certos lugares que são mais escondidos ou não param nos locais que querem visitar. Com o carro ficam com mais liberdade. E também mais abertos à aventura.
Voos
De Inglaterra há voos directos para o Funchal a partir do aeroporto de Stansted com uma duração aproximada de quase 4 horas. 6 horas se o serviço estiver a trabalhar como o normal ou seja, pelo menos uma hora de atraso. De Portugal há voos directos desde Lisboa e Porto. De Faro não há voos directos. De Portugal os voos demoram cerca de 2 horas.
E chegou a hora de irmos ao nosso primeiro grupo mencionado acima – pessoas que têm medo de voar.
O aeroporto da Madeira, agora também conhecido como o aeroporto internacional Cristiano Ronaldo é considerado meio que perigoso no que diz respeito à aterragem. A pista foi alargada em 2000, mas ainda assim a aterragem pode ser dramática. Primeiro – de um lado uma grande encosta do outro o oceano Atlântico que pode adicionar turbulência à aterragem uma vez que as rajadas de vento podem ser fortes e principalmente imprevisíveis. A pista foi alargada ou melhor alongada uma vez que não havia condições para uma aterragem completamente segura. No entanto, a pista foi construída sobre o mar. Apenas este pensamento pode provocar calafrios aos mais susceptíveis de viajar pelo ar. Nada como uma aterragem com o avião de lado para dar início a umas férias únicas.
Em várias ocasiões os voos são cancelados, desviados ou atrasados devido a ventos fortes, tempestades (o que aconteceu connosco, mas a experiência aterradora fica para o final da viagem). No entanto, quando chegámos já de noite e a chover, a aterragem foi suave e quase banal. Às 11 horas da noite o aeroporto estava quase vazio e como já era tarde fomos de Uber para o hotel. No entanto, existem durante o dia várias camionetas que ligam o aeroporto às várias partes da ilha.
Dia em que o aeroporto da Madeira fechou devido ao mau tempo
Hotel
Aqui acho que fizemos mal. Não porque o hotel era mau, nada disso. Mas escolhemos ficar toda a viagem no mesmo hotel e digamos que a ilha ainda é grande o suficiente para fazer sentido ficar em vários sítios durante a viagem, especialmente quando essa viagem inclui fazer a volta à ilha. Sinto que perdemos muito tempo apenas a conduzir porque estávamos numa ponta da ilha e tínhamos de voltar para a outra para regressar ao hotel. De qualquer das formas, o hotel onde ficámos foi uma boa escolha – Santa Cruz Village Hotel. Decidimos não ficar no Funchal para nos ser mais fácil ir buscar e deixar o carro no aeroporto. O Santa Cruz Village Hotel é um hotel de 4 estrelas com piscina, estacionamento e pequeno-almoço incluído. O quarto que nos calhou era grande, havia algum barulho, mas não o suficiente para ser desconfortável e em geral confortável para o que esperávamos.
O pequeno-almoço era muito bom – continental com diferentes tipos de pães, queijos, charcutaria variada e frutas. Mas também se podia escolher na hora omeletes, ovos cozidos, salsichas, panquecas, etc. Sei que a senhora que fazia estes pedidos era fantástica porque estava sozinha a realizar em tempo útil todos os pedidos de todos os hóspedes. Eu fiquei completamente fã das suas omeletes de queijo e cogumelos. O que posso apontar como negativo foi o estacionamento porque não havia espaços suficientes, muitas vezes chegámos e era difícil estacionar o carro ou sair com o carro de manhã. Houve até uma ocasião que não havia espaço e também não havia ninguém na recepção por mais de meia hora. Mas isto foi uma pequena coisa que não diminui a nossa experiência neste hotel. A localização era perfeita e adorámos Santa Cruz.
Aluguer de carro
Santa Cruz fica a cerca de 5 minutos de carro do aeroporto. Pedimos um táxi que nos ficou a cerca de 12 euros, mas temos que ver que 5 e tal euros já estavam marcados mal entrámos no táxi.
Alugámos o carro com a empresaInsularcar. Talvez não seja a empresa mais conhecida e eles até nem balcão têm no aeroporto. Tivemos que marcar hora para ir buscar o carro para o senhor estar lá para nos receber e o mesmo aconteceu quando entregámos o carro. No entanto, os senhores que nos receberam, tanto de uma vez como da outra foram super simpáticos, sem problemas, sem pagamentos inesperados. Tenham atenção porque algumas empresas pedem depósitos de quantias absurdas. Pedimos claro está um carrito dos mais baratos e foi um Renault Clio que nos calhou. Mas como disse sem problemas.
2 túneis em menos de 30 segundos!
De manhã, de carro na mão e de pequeno-almoço tomado a Madeira abria-nos as suas portas. E apesar de a previsão do tempo ser chuva para toda a semana, o céu apresentava-se azul com umas nuvens à distância. O decorrer completo do primeiro dia será para outro post, mas deixo-vos com outro grupo de pessoas que podem ter alguma dificuldade na Madeira – pessoas que enjoam no carro. E até mesmo para aquelas que por normal não enjoam. Mas atenção que neste momento a Madeira está muito melhor em relação a isto. Em vez de haver apenas estraditas pelo meio das vilas e cidades agora há uma rede de túneis que percorre o interior das montanhas. Contem passar quase tanto tempo dentro de túneis como no exterior quando percorrem as vias rápidas.
As condições das vias rápidas são óptimas e rapidamente se chega a qualquer lado. Ou melhor dizendo a qualquer lado que fique na costa, já que as vias rápidas dão a volta à ilha junto à costa. Agora quando falamos em atravessar a ilha pelo seu interior ou querer chegar a um lugar que não seja junto à costa, respirem fundo. São curvas e contracurvas seguidas imediatamente por curvas e contracurvas. Na Madeira foi a minha primeira vez. A primeira vez que enjoei num carro. Olhei só para um exemplo destes pequenos troços de caminho. É que nem dá para ir rápido porque as curvas são tipo 90º. São múltiplos de 180º em curvas durante 30 minutos. O meu conselho é que pratiquem rally antes de virem ou então não se safam. E claro que com isto adicionem mais 1 hora ou assim a qualquer percurso que queiram fazer durante o dia em que tenham de andar às voltas. Vejam só aquelas linhas amarelas a dar nós de pescador.
Mas não se enganem – a Madeira deixou-nos muitas memórias boas, as que apenas uma viagem maravilhosa nos pode dar. E no próximo post falaremos do nosso primeiro dia que passará por Ponta de São Lourenço, Miradouro do Guindaste, Casas Típicas de Santana, a nossa primeira levada e o nosso primeiro bolo do caco e poncha. Tudo no próximo post.
Hampton Court Palace, perto de Londres, Reino Unido faz parte dos Historic Royal Palaces (palácios históricos da realeza). Do mesmo grupo faz parte a London Tower, Banqueting House, Kensigton Palace, Kew Gardens e Hillsborough Castle.
Bilhetes e viagem
Os bilhetes, para cada um destes monumentos, podem ser comprados on-line através do site oficial: https://www.hrp.org.uk/hampton-court-palace, mas se se tornarem membros podem visitar cada um destes locais as vezes que quiserem. Por enquanto – e até ver – o preço anual por membro custa 55 libras por ano. Se quiserem visitar mais do que um dos monumentos pertencentes ao grupo já vale a pena tornarem-se membros, já que nós pagámos 28 libras, cada um, pela nossa visita ao Hampton Court Palace.
Para chegar a Hampton Court Palace vindos de Londres o mais fácil é apanharem o comboio em Waterloo que demora mais ou menos 50 minutos. A estação de comboios em Hampton Court fica a 5 minutos do Palácio. Uma das coisas a ter em conta quando visitam o palácio, independentemente da altura que vão, é o tempo. No mesmo dia podem ter chuva, trovoada, sol e tudo o que fica entre os dois, o que foi o nosso caso. Tivemos chuva miudinha de manhã substituído pelo sol que apareceu entre as nuvens para dar lugar a uma tarde solarenga. Se fica mais bonito com sol, fica, mas não se preocupem que a chuva não rouba a beleza ao local.
Em Hampton Court Palace durante os diferentes meses do ano vão acontecendo diferentes eventos, mas o que nos chamou a atenção foi o festival das tulipas que decorre apenas por 3 semanas entre meados de aabril e inícios de maio. São mais de 110,000 tulipas de várias espécies, cores e feitios criando um ambiente colorido espetacular que mostra o trabalho elaborado, cuidadoso e maravilhoso dos horticultores que aqui trabalham. O festival das tulipas acontece todos os anos durante a mesma altura do ano, normalmente depois da Páscoa, altura em que onde outro evento decorre – a descoberta dos ovos da Páscoa.
História
A surpresa do dia foi a história relacionada com o palácio – o rei e as suas seis esposas – para não falar da criação de uma nova religião para o rei simplesmente se puder divorciar da sua primeira mulher porque esta não lhe deu filhos homens – um gentleman, não vos parece?
Durante a visita pelo interior do palácio podem assistir a um vídeo, bastante bom, onde é explicada a história associada a Hampton Court Palace, ao rei e às suas esposas. Depois do tal vídeo e enquanto se avança pelas várias salas encontram-se os retratos das várias esposas com a respetiva legenda que inclui o nome e o seu destino.
Afinal o que aconteceu em Hampton Court Palace durante o reinado do rei Henry VIII?
Todas as fotografias colocadas neste post sobre as mulheres do rei e do rei foram retiradas do site oficial de Hampton Cour Palace: https://www.hrp.org.uk/hampton-court-palace/
Catarina de Aragão (1485 -1536) – Divorciada
Catarina de Aragão foi a primeira mulher do rei Henry VIII. Desde o casamento que o rei estava obcecado em dar continuação à sua linhagem real. Infelizmente depois de muitos abortos e de nados-mortos eis que nasce a Fevereiro de 1516, Maria. Claro que para o rei uma filha não significava nada, o que ele queria era um filho. E por isso decidiu-se divorciar de Catarina de Aragão e casar-se com uma segunda mulher. A religião católica não permitia o divórcio e por isso o pedido do rei foi negado em Roma. Foi nesta altura que o rei decidiu criar a Igreja Anglicana, uma religião que permitia a sua separação de Catarina de forma legítima.
Anne Boleyn (1501-1536) – Decapitada
Tenho a certeza de que depois de lerem o destino que Anne teve confirmam que Catarina teve sorte. Depois de criar a religião Anglicana, o rei e Anne casam-se a janeiro de 1533. Anne engravida no mesmo ano e dá à luz uma menina a quem deu o nome de Elizabeth. O rei manteve a esperança de que Anne ficasse novamente grávida e que lhe desse o tão desejado barão. No entanto, depois de vários nado-mortos, o rei perde o interesse na esposa de tal maneira que se vira para outras mulheres. O rei decide terminar o relacionamento com Anne e desta vez, em vez de criar uma religião que lhe fosse favorável, o rei Henry VIII decide acusar Anne de adultério e traição. Anne foi decapitada a 19 de maio de 1536 e como tal o casamento anulado.
Jane Seymour (1508-1537) – morreu com complicações pós-parto
Para terem uma boa noção da linha do tempo, Anne foi decapitada dia 19 de Maio e o rei casou-se com Jane a 30 de Maio do mesmo ano. Jane foi a terceira mulher do rei e deu-lhe o que ele mais queria – um filho do sexo masculino – aquele que viria a ser o futuro rei Edward VI. Jane sofreu de complicações pós-parto e morreu em menos de duas semanas depois de dar à luz. Jane foi a única mulher que teve um funeral e que foi enterrada ao lado do rei Henry VIII na capela de St George, no castelo Windsor.
Anne of Cleves (1515-1557) – Divorciada
O casamento com Anne foi politicamente estratégico. O casamento durou apenas 6 meses, após o qual o rei pediu a sua anulação. É a esposa sobre quem se sabe menos, mas foi a esposa que viveu até mais tarde. Deste relacionamento não houve nem filhos nem filhas. Um dos aspetos interessantes foi que antes do casamento, o rei pediu vários retratos de potencias esposas para escolha e Anne por lhe parecer a mais lisonjeira foi a sorteada. Não terá sido a cara do rei quando viu Anne pela primeira vez, uma vez que Anne não se parecia nada com a sua pintura – social media nesta altura já era enganadora!
Catherine Howard – Decapitada (1523-1542)
Catherine era uma das damas de companhia de Anne of Cleves e teria cerca de 17 anos quando se casou com o rei. Há que prestar atenção que nesta altura o rei estava bastante acima do peso e incapaz de se mover. Ao que dizem o rei estava bastante embebecido pela sua nova esposa – enchendo-a de presente luxuosos. No entanto, em menos de um ano após o casamento começaram rumores de infidelidade. Com várias evidências que Catherine era no mínimo promíscua, Catherine foi executada no Tower Green a 13 de Fevereiro de 1542.
Catherine Parr (1512-1548) – A esposa que sobreviveu a Henry
Catherine foi a última esposa do rei Henry VIII que viveu 1 ano e 8 meses depois da morte do rei que ocorreu a 28 de janeiro de 1547. A rainha teve quatro casamentos, 2 antes do rei e um que decorreu 4 meses depois da morte do rei Henry. Catherine foi não só rainha de Inglaterra como também rainha da Irlanda.
Há que apontar que ao contrário dos vários retratos do rei onde este aparece numa posição de poder e todo pomposo na verdade o rei era muito gordo, rude e bastante violento. Podem ter a certeza que não foi apenas Anne of Cleves a única a forjar a sua aparência de uma forma bastante lisonjeadora.
Curiosidade:
Existem várias séries baseadas na história do rei Henry VIII, do seu reinado e casamentos. A série mais recente talvez seja a de 2022 da Netflix: Blood, Sex & Royalty. Outra série chamada The Tudors de 2007-2011 também retrata este período da história inglesa.
Afinal quem não gosta de um bom drama?!
Depois da vossa visita ao palácio, tirem um bocadinho para passear por Hampton e pelos jardins junto ao canal. Podem sempre acabar o dia ou fazer uma pausa a meio e almoçar no Canela Café que fica a 5 minutos do palácio.
Um dia fora de Londres que merece entrar em qualquer itinerário a Inglaterra. Vejam também outros locais perto de Londres para visitar num dia!