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As primeiras horas depois da conferência terminada
Na sexta-feira depois de apresentar os resultados do meu projecto, a conferência de hemovigilância chegava ao fim. Começava a partir daquele momento a parte da viagem que era somente de lazer. E a primeira coisa que tinha a fazer era mudar de alojamento; fazer o check-out no Hotel Quirinale e o check-in na guesthouse Aquarius Inn. Sobre este alojamento já deixei o meu parecer sobre o quarto, o pequeno-almoço e a recepção (ver aqui). Mas vou só voltar a frisar o quanto foi prestável a senhoria – a primeira meia hora ao chegar à guesthouse foi com ela a explicar-me quais os locais a visitar na cidade, a melhor maneira de navegar em Roma e onde comer naquela zona. De facto, foi devido à sua recomendação que fui jantar naquela noite ao restaurante Pinsere onde experimentei pela primeira vez o estilo de pizza romana, a Pinsa.

Depois das malas postas e de todas as informações recebidas voltei a sair agora para visitar outra parte de Roma, e por incrível que pareça foi uma das partes da cidade que mais me impressionou. A minha ideia inicial era de visitar a basílica papale di San Paolo fuori le mura e ir parando pelo caminho, mas acabei por nunca chegar à basílica. Afinal o meu plano inicial era demasiado ambicioso para as minhas pernas. Mas acabei por visitar imensos locais interessantes durante aquela tarde. O ponto mais a sul antes de tomar a decisão de voltar para trás foi a Piramide di Caio Cestio.
Basilica parrocchiale di San Vitale al Quirinale
A primeira paragem foi na Via Nazionale, na basílica parrocchiale di San Vitale al Quirinale. Para entrar nesta basílica é preciso descer umas escadas ficando por isso a entrada abaixo do nível da estrada. Tal como outras igrejas que visitei durante estes dias, também esta basílica estava em reparações, e, portanto, algumas das paredes laterais estavam tapadas. Contudo o fresco de maior interesse desta basílica que fica atrás do altar principal estava à vista.


Este fresco do século XVI, obra de Andrea Commodi, está associado a um profundo valor teológico. Neste fresco está representada a queda de Jesus sob o peso da cruz e Simão de Cirene, o homem que nos evangelhos é indicado como o homem obrigado a carregar a cruz de Jesus. O interessante ponto deste fresco é a forma como Cirene está retratado – com feições demoníacas carregadas de fúria e frustração. Isto representa o poder de Deus, pois até o diabo foi obrigado a ajudar a cumprir os planos divinos, mesmo que contrariado.

Nesta basílica também outros frescos cobrem as paredes e tectos do edifício, sendo todas elas razões para visitar esta basílica que não é frequentemente referida nos itinerários de Roma.
Monumento a Vittorio Emanuele II
Dando por terminada a visita à basílica continuei a descer a Via Nazionale e foi já a chegar ao fim da rua que me dei conta que o número de pessoas começava a aumentar, de tal forma que quando cheguei à Piazza Venezia a multidão era impressionante. No entanto, isso não diminui em nada a grandiosidade desta parte da cidade. Se vierem a Roma e apenas puderem visitar um local na cidade, este é o local que escolho – esqueçam o papa – o que vão encontrar na zona ao pé da Piazza de Venezia é muito mais fascinante. De um lado é impossível não reparar no grandioso monumento a Vittorio Emanuele II com esculturas, fontes e escadarias. Do outro lado as ruínas do Foro Romano, do Foro di Augusto e do Foro di Traiano. E claro as cúpulas e edifícios grandiosos como a Galleria Collona e a basílica dei Santi XII Apostoli. E isto apenas para nomear alguns dos locais que estão aglomerados nesta zona. Desde o coliseu até ao Giardini degli Aranci o sentimento de maravilha é constante.

A visita ao monumento a Vittorio Emanuele II foi deixada para o dia em que visitei o coliseu. Mas não deixei de admirar as várias partes exteriores deste monumento. E são tantos pormenores e cada um com um diferente simbolismo alegórico que é impossível não ficar estacado à sua frente.
O monumento foi construído em 1885 pouco depois da morte do primeiro rei da unida Itália, Emanuele II. O monumento foi inaugurado ainda inacabado em 1911 tendo a sua construção dada for completa em 1935. Em destaque está a estátua equestre do rei de Itália, Emanuele II, e no topo em cada lado figuram a Quadriga dell’Unità e a quadriga della Libertà. Na parte inferior do edifício onde estas estátuas estão lêem-se duas inscrições que traduzem para: ‘à unidade da pátria’ e ‘à liberdade dos cidadãos’.
Giardino degli Aranci
Continuei o meu caminho passando por ruínas, templos e torres até que reparei numas escadinhas que subiam através de um pequeno jardim. Subi sem saber que no topo chegaria à terrazza Belvedere Aventino do Giardino degli Aranci (jardim das laranjas) onde está um incrível miradouro para a cidade incluindo para a basílica do quarteirão de Trastevere que fica do outro lado do rio. Nesta zona há vários jardins para visitar e apesar de este local não ter figurado no meu itinerário gostei imenso de o visitar.

E também foi por acaso que vim ter a um lugar que tinha visto nas redes sociais, mas que não tinha pensado visitar, e que não posso dizer ter visitado, pelo menos não fiz o objectivo que é olhar pelo buraco da porta, Buco della serratura dell’Ordine di Malta, onde se vê territórios pertencentes a 3 países – a basílica de San Pietro do Vaticano, a cidade de Roma pertencente a Itália e os jardins da sede institucional e do governo da Ordem Soberana de Malta. E eu até consigo perceber a atracção de ir olhar pelo buraco, mas não consigo perceber como as pessoas podem estar à espera uma hora e meia para o fazer. Porque pela fila de pessoas que estava era mais ou menos esse o tempo de espera para chegar a sua vez.

Eu acho incrível que na sociedade actual onde há pressa para tudo, onde um atraso de um restaurante, de um autocarro, de um avião leva a comportamentos completamente incivis e mesmo rudes, as pessoas tenham paciência para estar tanto tempo à espera para olhar por um buraco. Mesmo que esse buraco seja especial. Principalmente numa cidade como Roma onde há tanto para ver. E não, nem por um segundo considerei juntar-me àquela fila enorme. Se o quiserem fazer, venham bastante cedo para não perderem tempo de viagem.
Pirâmide de Caio Cestio
Depois de passear pelos jardins continuei a fazer caminho em direcção à basílica e foi quando cheguei a esta grande pirâmide que decidi que estava na altura de voltar para trás. Mas não antes sem apreciar esta estrutura de 36 metros de altura.
A pirâmide foi construída como túmulo de Caio Cestio, um dos magistrados responsáveis pela organização de banquetes sagrados em honra de divindades importantes da religião da altura. A pirâmide foi construída entre o ano 18 e 12 a.C.. Apesar de o túmulo ter sido vandalizado anos mais tarde, a pirâmide continua ali como marco da arquitectura egípcia na cidade de Roma.
De volta para o centro de Roma

Rendida ao facto de que ir à basílica papale di San Paolo fuori le mura era demasiado já que depois tinha de fazer o caminho de regresso voltei para o centro de Roma, mas desta vez pelo caminho que seguia junto ao rio Tiber. Assim ficava com uma diferente perspetiva da cidade continuando a ser inundada por lindíssimas paisagens. Dois dos monumentos pelos quais passei durante o regresso que me chamaram a atenção foram o Tempio di Portuno e o Teatro de Marcello. O primeiro, o templo dedicado a Portuno, o deus dos portos fluviais (devido à sua localização com o rio Tiber), marca pelo seu estado de conservação, sendo um dos templos mais bem preservados da Roma Antiga.

O segundo local, o Teatro de Marcello, chamou-me a atenção por me lembrar o coliseu de Roma, mas em ponto pequeno. Este teatro foi mandado construir por Júlio César no ano 17 a.C. e usado para jogos seculares. O seu nome, Marcelo, é em honra ao sobrinho do imperador que morreu no ano de 27 a.C. Mesmo ao lado deste pequeno coliseu ficam também as ruínas dos templos di Apollo Sosiano e di Bellona. Todo este aglomerado fica a poucos minutos do Monumento a Vittorio Emanuele II.
Fim-de-tarde com uma tentação de pistácio
Ainda com umas horas disponíveis antes de ter de voltar para o Aquarius Inn decidi fazer uma pausa para experimentar um dos croissants mais famosos de Roma, o croissant de pistácio da pastelaria L’Antico Forno di Fontana di Trevi. E para minha sorte apesar da rua da pastelaria estar apinhada, encontrei várias mesas vazias dentro do estabelecimento. Acompanhada por um café, um croissant e uma colega de trabalho, passei assim aquele fim de tarde. E sim, o croissant tem direito a toda a fama que tem – recheado de um creme doce e de massa folhada crocante e interior macio este croissant foi um dos pontos altos da viagem.

Depois de experimentar o gelado de pistáchio do McDonalds e agora este croissant pareceu-me que Roma se tinha tornado na capital do pistácio. E não tenho qualquer queixa sobre isso. De todo.
Próximo post
No próximo post vou falar do meu jantar de Pinsa, a pizza tradicional romana, e de como foi visitar Roma depois das 10 da noite agora acompanhada pelo meu marido. Depois vamos entrar no sábado, dia em que visitámos os museus do Vaticano, a basílica de San Pietro e o bairro Trastevere. Todos os detalhes e dicas no próximo post.