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Preparativos e considerações para visitar Roma
Roma, Roma, Roma
Tenha-se ou não visitado esta cidade a verdade é que todos nós já ouvimos o nome ‘Roma’, tanto mais porque ela faz parte de alguns ditados portugueses como por exemplo ‘todos os caminhos vão dar a Roma’ ou ‘Roma e Pavia não se fizeram num dia’. E afinal quem nunca ouviu falar dos romanos, um povo ao qual até muitas vezes são atribuídas descobertas arqueológicas de outros povos.

Hoje Roma é a capital de Itália onde também se encontra outro país, país esse independente de Itália, o Vaticano. Motivos históricos, culturais, religiosos ou de lazer trazem milhões de turistas a Roma todos os anos. E por isso vir a Roma é esperar encontrar multidões pelas ruas e pela minha experiência isto acentua-se ao fim-de-semana depois do meio-dia. Apesar de Roma não ter sido parte dos meus planos de viagens para 2026, a oportunidade de visitar a cidade acabou por aparecer inesperadamente. Pois esta viagem foi um pouco diferente do usual já que a oportunidade surgiu quando numa reunião de trabalho me disseram que ia a uma conferência em Roma apresentar resultados de um trabalho de pesquisa. E assim foi. Estive em Roma de terça a segunda, sendo que de quarta até ao meio-dia de sexta foi em trabalho. E por isso durante estes dias apenas conheci a cidade depois das 6 da tarde quando a conferência e os eventos sociais acabavam.
Mas ainda bem que assim foi, porque a minha primeira sensação quando comecei a visitar Roma foi de assoberbamento. A melhor palavra para explicar é em inglês ‘I felt overwhelmed’, e isto porque a cidade atira-nos muita informação ao mesmo tempo. Há tanto, mas tanto, para ver; lembro-me de estar numa rotunda e de ver três igrejas para visitar só naquele círculo, ou de andar pela cidade e ver de repente um pequeno conjunto de colunas em ruínas. Sem dúvida nenhuma que Roma é o sinónimo de ‘museu aberto’, é constante as coisas que há para visitar seja uma igreja para entrar, ou edifícios para admirar. Por isso ainda bem que tive aqueles primeiros 3 dias para me ambientar à cidade, sem expectactivas, sem itinerários e sem horários.

E é assim que esta viagem vai ser dividida, o que visitei em Roma durante a conferência, a maior parte já depois do sol se pôr, e depois o que visitei quando a conferência acabou, de sexta-feira à tarde até segunda-feira à noite. Claro que acabou por haver algumas coisas que fui ver duas vezes, primeiro sozinha e depois com o meu marido, mas isto também me deu a oportunidade de conhecer o local em situações diferentes. Por exemplo, a fonte Trevi, a fonte mais conhecida de Roma, visitei-a pelo menos 3 vezes, duas à noite e uma durante o dia. E recomendo a virem visitá-la depois das 10 da noite, pois nessa altura já não pagam para chegar ao patamar inferior e têm muito menos gente. E para dizer a verdade houve vários locais dos quais preferi a sua versão à noite do que de dia. Mas vou dando a conhecer a minha preferência à medida que vou falando dos vários locais que visitei.
Mas primeiro vou falar de algumas das considerações a ter quando se vem a Roma e dos preparativos que organizei antes de viajar para além dos locais onde fiquei instalada.
O que ter em consideração antes da viagem?
Como disse acima Roma é uma das cidades mais turísticas do mundo e por isso uma viagem a esta cidade requer alguma preparação atempada. Especialmente a compra dos bilhetes para visitar os diversos locais como o coliseu, a basílica de San Pietro e os museus do Vaticano (onde se encontra a famosa capela sistina). Por exemplo nós comprámos os bilhetes com mês e meio de antecedência e atenção que a viagem era para meio de março e mesmo assim já só havia dois bilhetes para visitar os museus do vaticano naquela manhã de sábado.
Vestuário, calçado e regras nas igrejas de Roma
Para visitar Roma vai ser obrigatório andar, e andar bastante e andar entre várias multidões, por isso em relação ao calçado, esqueçam a ideia de sapatos altos ou chinelos de enfiar no dedo. O que vão querer mesmo são uns ténis ou no mínimo uns sapatos sem salto que sabem que não vos vai fazer bolhas nos pés. Nada estraga mais uma viagem do que calçado ou roupa inapropriada. Por isso em Roma calçado confortável é obrigatório.
Agora em relação à roupa – a minha viagem foi em meio de março, na semana a entrar na Primavera. Apesar de durante a noite ter usado um casaco comprido de inverno durante o dia estava calor. Por isso nada de roupa muito quente, talvez camisolas de manga comprida de meia estação, ou então de manga curta, com um cardigã à mão se for preciso. Mas não mais que isso, eu na sexta-feira a meio da tarde andava de vestido de cavas sem casaco. Claro que se visitarem a cidade no inverno ou no outono aconselho sempre a darem uma espreita num site de meteorologia só para saberem se vai chover. Agora se vierem no Verão, mentalizem-se que vai estar muito calor. Por exemplo, estou a escrever este texto no dia 21 de junho e são esperadas temperaturas entre os 35ºC e os 37ºC para toda a semana.


No entanto, têm de ter em atenção que na maioria das igrejas em Roma há um código de vestuário (ou de vestimenta) sendo proibido entrar-se com calções ou mini-saias/vestidos acima do joelho. Há mesmo locais onde não é permitido mostrar a barriga ou mostrar os ombros, sendo este último requerimento resolvido se tiverem um lenço que possam pôr à volta dos ombros quando entrarem na igreja. Também evitem chinelos de enfiar no dedo, pois a probabilidade de não vos deixarem entrar especialmente nas igrejas mais proeminentes de Roma é alta. Para não perderem a oportunidade de entrar nas igrejas em Roma, que são mesmo de uma beleza surreal, lembrem-se destes pormenores. Afinal as igrejas de Roma pertencem ao Vaticano, o centro da religião católica, uma religião bastante conservadora.
Rome tourist card
Quando comecei à procura do que queria visitar em Roma sendo que o coliseu, os museus do Vaticano e a basílica de San Pietro eram aqueles que eu definitivamente não queria perder, rapidamente apercebi-me que para quase todos estes locais era preciso pagar entrada. O único local que não requeria entrada paga, a menos que quisesse subir à torre era a Basílica de San Pietro. Mas mesmo assim acabámos por pagar 7 euros para puder reservar o dia e a hora e evitar uma demorada espera para entrar. Um pouco mais à frente na pesquisa adicionei o panteão e um talvez para o castelo de Sant’Angelo.
Foi nesta altura que comecei a ver de cartões de turismo que incluíssem vários destes locais e calcular a entrada para cada um deles e comparar se valia ou não a pena adquirir um dos cartões. Há várias opções disponíveis, algumas incluem transporte público ou o autocarro turístico hop on hop off. As várias opções estão explicadas neste website: Rome City Pass & Rome Tourist Cards.
As escolhas para o nosso Rome Tourist Card
Como nós não estávamos interessados em transporte público ou no tal autocarro turístico, a opção que fazia mais sentido era o Rome Tourist Card. Com este pass teríamos então:
- Bilhete de entrada para o Coliseu
- Bilhete de entrada para o Fórum Romano e o Monte Palatino
- Bilhete de entrada para os Museus do Vaticano e Capela Sistina
- E bilhete de entrada para um destes locais:
Panteão, Castelo de Santo Ângelo ou Basílica de São Pedro
Dos três locais que se tinha de escolher, escolhemos o Panteão uma vez que era um dos locais que queríamos visitar e a entrada para a basílica só valia a pena se fôssemos à cúpula.
Bilhetes para visitar a basílica de San Pietro
Nós adoramos quando o bilhete de entrada é gratuito, mas como lemos que para entrar na basílica sem qualquer reserva a espera podia ser de horas, comprámos os bilhetes no website oficial que ficaram a 7 euros a cada um com dia e hora marcados (se não marcarem os bilhetes online e os quiserem adquirir à entrada, os bilhetes são gratuitos, mas mais uma vez é preciso contar com a possibilidade de uma longa espera). Apesar de não haver a possibilidade de fugir às filas por completo, com os bilhetes online a fila de entrada é bastante mais pequena e rápida. Mas mesmo assim ainda estivemos quase uma hora à espera até entrarmos finalmente na basílica. Talvez seja também importante mencionar que com a compra destes bilhetes online tivemos acesso a um guia áudio. Quanto ir ao topo da cúpula – não penso que valha a pena já que há outros locais em Roma que oferecem uma vista magnífica da cidade como a Villa Borghese ou o Giardino degli Aranci (jardim das laranjas) sem ter de pagar nada por isso.

Eu como estava à espera de encontrar no website da basílica a opção de reservar os bilhetes sem ter de pagar nada, já que a entrada era gratuita, estive um pouco confusa até me aperceber que não dava. Apenas dá para reservar dia e hora da visita se se pagar os 7 euros o que fizemos através desta página: Basilica di San Pietro bilhetes
Agora, vale a pena comprar o Roma Tourist Card?
Antes de comprar o Roma Tourist Card fiz as contas do quanto gastaríamos neste cartão, 84.50 euros a cada um, comparado com o que gastaríamos se comprássemos os bilhetes individualmente que afinal no total ficaria a 137 euros. Por isso, valia a pena, e comprámos o Roma Tourist Card. Com a compra destes bilhetes tivemos de marcar os dias para a visita aos museus e ao coliseu, e ficou então assim: no sábado de manhã visitaríamos os museus do Vaticano uma vez que estes não se encontram abertos ao Domingo, e o coliseu no Domingo de manhã que soubemos no dia era o dia da maratona em Roma.
Outros lugares que ainda pensámos em visitar e que teria entrada paga, mas depois acabámos por não ter tempo para o fazer foi o castelo Sant’Angelo cujo bilhete custa 20 euros e a Galleria Colona que custa 25 euros. Esta última não tivemos oportunidade de ver uma vez que só está aberto ao público sexta e sábado de manhã, e se na sexta estava na conferência em trabalho, no sábado tínhamos a visita aos museus do Vaticano.
Dica para o Rome Tourist Card
Se preferirem visitar o castelo Sant’Angelo ou se tiverem a certeza de que vão visitar o castelo e o panteão aconselho a escolherem o castelo em vez do panteão no Rome Tourist Card, uma vez que a entrada para o castelo custa 16 euros e para o panteão 5 euros. Compram o bilhete para o panteão à parte (por exemplo no GetYourGuide: Roma: Ingresso de Entrada no Panteão e Audioguia Oficial) e assim ficar-vos-á mais em conta.
Dica para reservar hora de visita
Como o coliseu e os museus do Vaticano (tal como a basílica) são os locais mais populares para visitar em Roma, aconselho a marcarem as vossas visitas para o mais cedo possível já que as multidões vão crescendo à medida que as horas passam. Nós marcámos os bilhetes para os museus do Vaticano e para o coliseu o mais cedo que conseguimos – os museus do Vaticano ficaram marcados para as 9:30 da manhã de Sábado e o coliseu para as 08:45 da manhã de Domingo.
Alojamentos em Roma
Como esta viagem teve duas partes, uma em trabalho e outra em lazer, fiquei alojada em dois lugares diferentes – o primeiro local foi marcado pela conferência e o segundo por nós. Apesar de ser de caras qual deles foi marcado por nós, não se enganem pelas aparências que tive menos problemas com aquele que foi escolhido por nós. Mas já passo a explicar.
Hotel Quirinale
O hotel Quirinale, hotel de 4 estrelas, foi onde fiquei nas primeiras três noites, de terça a quinta. A localização do hotel era perfeita, a 10 minutos da estação de comboio, a 20 do coliseu e a 15 da fonte Trevi. A fachada do edifício pode até não parecer nada de especial, mas tudo muda quando se entra dentro do hotel. Este hotel com mais de 150 anos, inaugurado em 1874, está decorado com mobiliário de estilo imperial e mantém a elegância desde a sua inauguração.


As estátuas, a escadaria e os quartos mostram o quanto este hotel mantém a tradição italiana com o esplendor característico da segunda metade do século XIX. Este hotel encontra-se no local onde antes ficava o palácio Quirinale, que funcionava como residência de verão para o papa Gregório XIII tendo mais tarde se tornado a residência oficial do Presidente da República. Como a conferência foi também neste hotel tive a oportunidade de visitar não só os quartos e a sala de pequeno-almoço, mas também as salas de reuniões.
Pequeno-almoço
O pequeno-almoço era na sala ao pé dos jardins, por isso a manhã começava logo de forma especial. Em termos de comida, não achei que houvesse uma variedade enorme, apesar de para mim ter sido mais do que suficiente.

Aliás no primeiro dia tive a oportunidade de comprovar que os croissants e as miniaturas doces eram deliciosas, mas estando em trabalho não quis exagerar e por isso foi a granola com fruta fresca que ganharam destaque nas duas manhãs em que tomei o pequeno-almoço neste hotel.
Buffet de almoço e jantar
Como durante a conferência as refeições foram proporcionadas pelo restaurante do hotel Quirinale, tive a oportunidade de comer vários pratos que foram oferecidos em formato de buffet. Sendo um hotel italiano com um menu italiano as opções em cada refeição incluíam sempre um prato de massa, sandes com variados queijos e fatias/quadrados de pizza como podem ver nas fotografias abaixo.



As minhas preferências foram para o queijo fresco, o rolo de mozarela e espinafres e a salada mediterrânea com croûtons. Mas quem ganhou o prémio foi uma das sobremesas, uma tarte de pistacho que foi talvez o melhor de todos os pratos que comi durante esta viagem (fotografia acima à direita).
Quartos
Neste hotel acabei por ficar em dois quartos diferentes. E ambos tinham os seus pontos fortes e fracos. O primeiro quarto onde fiquei as duas primeiras noites foi o melhor, a decoração era lindíssima, com um espaço enorme, um closet e uma casa-de-banho completamente renovada. Um quarto que para mim passava as expectativas que tinha para um hotel de 4 estrelas em Roma. Era um quarto apropriado à vibe ‘la vita è bella‘.
Então porque é que mudei de quarto? Barulho, imenso barulho. Este quarto ficava voltado para a estrada principal, a Via Nazionale, e mesmo do outro lado da estrada ficava este restaurante, o Miami pub. O que acontecia então? A partir das 10 da noite até às 2 da manhã havia música ao vivo que atravessava as paredes daquele quarto, e ia mesmo em direcção aos meus ouvidos. Quando finalmente a música parava começava o trânsito incluindo autocarros e os carros do lixo. Por isso, depois de passar duas noites quase sem pregar olho e com uma apresentação para fazer no último dia da conferência pedi para mudar para um quarto que ficasse numa zona mais sossegada.


E assim foi, na última noite não se ouvia nada de nada. O lado negativo? Não só o quarto era mais pequeno como a casa de banho mostrava a idade do hotel. Apesar de limpa, a torneira do lavatório não fechava como deve ser e a banheira tinha um aspecto bastante usado. Pior ainda era que a possibilidade de a sanita ficar entupida era bastante grande. Confesso que ao chegar a este quarto fiquei um pouco desiludida, mas pelo menos naquela noite o barulho não foi um problema. E mesmo a decoração deste quarto continuava a mostrar a elegância do hotel.


Apesar do barulho e de ter que mudar de quarto, recomendo a considerarem este hotel se quiserem ficar perto do centro da cidade num hotel histórico, com uma decoração maravilhosa, ou mesmo vir almoçar ao restaurante do hotel, já que a minha experiência a esse nível foi bastante positiva. Para mais informações sobre este hotel vejam: Hotel Quirinale Roma
Aquarius Inn
Depois da conferência terminada estava na hora de fazer o check-in no local onde tínhamos feito a reserva, a guesthouse Aquarius Inn. Este local fica um pouco mais longe do centro da cidade do que o hotel Quirinale, talvez uns mais 10 minutos a andar, mas bastante perto da estação de comboios. Claro que os preços para hotéis, guesthouses e apartamentos em Roma podem se tornar muito elevados, especialmente se forem como nós e não fizerem a reserva com muita antecedência. Mas isto também se deveu ao facto de não ter sabido sobre a conferência com muita antecedência.


O Aquarius Inn ficou-nos a 364 euros por 3 noites (mais 15 euros de city tax por pessoa) e quando fizemos a reserva decidimos pagar um pouco mais para ter o pequeno-almoço incluído. Quanto a esta escolha fico um pouco dividida, mas mais abaixo falarei do pequeno-almoço e julgarão vocês se vale a pena ou não pagar mais pelo pequeno-almoço. Por outro lado, quando fiz o check-in conheci a dona, Rossana e ela foi super querida, deu-nos imensas dicas como viajar na cidade e de locais onde ir. Também deu recomendações onde comer ali na zona, até nos deu uns vouchers para um restaurante que ficava na mesma rua do apartamento que nos daria uma sobremesa grátis. E todos os dias quando chegávamos ao quarto tínhamos umas fatias de bolo ou biscoitos que ela mesma fazia.
Quarto
Não tenho qualquer queixa do nosso quarto, sim podia não ter a luxuosidade do hotel Quirinale, mas era sossegado, cómodo e espaçoso. A única coisa a ter em atenção quando se marca este lugar é que apenas um dos quartos tem casa de banho dentro do quarto. Nos outros quartos, a casa de banho também é privativa, mas fica fora do quarto.

O nosso quarto também tinha uma pequeníssima varanda (ver fotografia mais acima), mas nunca chegámos a dar muito uso a ela. Concluindo, o Aquarius Inn é um lugar que recomendo para uma opção mais económica e com uma anfitriã super prestável.
Pequeno-almoço
O problema que temos por vezes com os pequenos-almoços é que às vezes escolhemos a acomodação por ter pequeno-almoço incluído, por ser mais cómodo, e na maioria das vezes é a escolha certa. No entanto em países como Espanha, Itália e mesmo Portugal, fica mais barato ir tomar o pequeno-almoço ao café da esquina do que pagar mais pelo pequeno-almoço no local onde ficámos alojados. E em Roma foi isso que sucedeu. Não que o pequeno-almoço fosse mau, era apenas bastante simples. Tínhamos todas as manhãs para cada um: um pacote de tostas outro de bolachas, um croissant (não fresco, daqueles tipo bollycao) e duas fatia de pão. Também havia cereais, leite e iogurtes. E claro café, cuja cafeteira tradicional aprendi a usar com a Rossana.

Por isso como podem ver nem a variedade era muita, nem a quantidade dava para escapar o almoço, o que normalmente é a nossa intenção ao ter o pequeno-almoço incluído. Por isso digo que não achei que valesse a pena pagar mais pelo pequeno-almoço que tivemos aqui.
No entanto, considero o Aquaris Inn uma boa opção como alojamento e deixo aqui a página do booking.com para lerem mais sobre esta guesthouse e fazerem marcações: Aquarius Inn (booking.com)
Do aeroporto para a cidade
Há dois aeroportos em Roma, o aeroporto internacional Leonardo da Vinci – Fiumicino, que foi para onde eu voei de Londres, e o aeroporto de Ciampino. A escolha para qual aeroporto se vai, normalmente é ditado pela cidade da qual se parte. Por exemplo, eu não tive outra escolha sem ser voar para Fiumicino, enquanto a minha colega que também veio à conferência não teve outra opção que voar para Ciampino a partir de Manchester. Mas de ambos os aeroportos chegar à cidade é bastante fácil.

De Fiumicino há duas opções para chegar a Roma, ambas económicas e confortáveis. Pode-se apanhar o comboio que demora cerca de meia hora e o bilhete tem um custo de 14 euros através da companhia Trenitália. Há comboios a sair a cada 15 minutos do aeroporto.
No entanto, eu escolhi o autocarro Terravision que sai do aeroporto a cada 20 minutos e que tal como o comboio vai ter à estação de Roma Termini. Comprei o bilhete de ida e volta no guichet à frente da paragem de autocarro que ficou desta forma a 15 euros. A viagem de autocarro demora normalmente 1 hora. Eu normalmente escolho o autocarro porque assim aproveito para começar a conhecer a cidade antes de chegar ao destino, mas percebo que para quem não queira perder tempo o comboio seja a melhor opção.

Dicas para chegar a Roma do aeroporto Fiumicino
- Se prefere demorar menos tempo apanhe o comboio. Veja horários, preços e como comprar bilhetes aqui: https://www.trenitalia.com/it.html
- Se prefere gastar menos dinheiro apanhe o autocarro. Veja, horários, preços e como comprar bilhetes aqui: https://terravision.transport-ticket.com
Primeiro dia – A chegada
Os primeiros momentos em Roma
Depois de dar todas as dicas de preparação para uma viagem a Roma (ver post aqui) vou agora falar do que fazer e ver quando se chega à cidade. Como disse anteriormente, para chegar do aeroporto à estação de comboios vim no autocarro da Terravision e depois de uma caminhada de 15 minutos fazia o check-in no hotel Quirinale na via Nazionale.
Depois de pôr as malas no quarto e de verificar todos os cantos da acomodação, estava na hora de aproveitar aquela tarde para conhecer a cidade. Como no dia a seguir começava a conferência que se estenderia até sexta-feira, todos os minutos estavam a contar. E uma das primeiras coisas que queria fazer era comer um maritozzo. O que eu aprendi desde que comecei a viajar sozinha, normalmente em trabalho, é que o meu estilo de viagem é andar pelas ruas, ver uma coisa ou outra enquanto experimento vários pratos tradicionais daquela cidade ou país. Acho que posso dizer que sou também uma foodie, uma apreciadora de comida, não apenas uma turista de fazer quilómetros. E podem crer que tinha uma grande lista de pratos, salgados e doces, que queria experimentar enquanto estivesse em Roma.


Por isso a primeira parte do itinerário era visitar algumas igrejas enquanto estivesse a caminho da pastelaria Regoli, um dos locais mais aclamados para experimentar o tal bolo. Depois de passar quase duas semanas a ver vídeos nas redes sociais dos quais muito mostravam o bolo maritozzo, tinha de ser a primeira coisa que ia comer.
Outra coisa que tinha lido sobre Roma e que completamente apoio é que entrem em todas as igrejas, mesmo aquelas das quais nunca ouviram falar. Pelo que li, em Roma há cerca de 900 igrejas espalhadas pela cidade e claro que algumas são mais famosas do que outras, mas mesmo as menos conhecidas não deixam de ser lindíssimas. Por isso, se virem uma igreja é simples, é entrar. Para mais a entrada para qualquer igreja é gratuita, excluindo talvez a basílica de San Pietro que como disse no outro post (ver aqui) talvez decidam comprar bilhete para evitar longas filas de espera ou a capela Sistina que faz parte da visita aos museus do Vaticano.
Sobre as igrejas que visitei não vou dar grandes pormenores sobre a sua história, senão esta página tornar-se-ia enorme, mas farei referência a todas as igrejas que entrei e às que pensei entrar, mas não o fiz, com detalhes sobre as características únicas de cada uma.
Chiesa di San Bernardo alle Terme – panteão de Roma em ponto pequeno
Esta foi a primeira igreja que visitei em Roma, e era uma daquelas que não estava no itinerário, entrei apenas por passar por ela ao acaso. E ainda bem que o fiz, porque esta igreja é uma espécie de panteão de Roma em ponto pequeno. Tal como o panteão, esta igreja também não tem janelas, recebendo apenas luz solar pela abertura circular no centro da cúpula.


À volta da igreja existem 8 nichos onde estão estátuas de 3 metros, cada uma representando um diferente santo, criadas por Camillo Mariani por volta de 1600. Estes nichos, 4 de cada lado, são interrompidos por dois retábulos do século XVIII de Giovanni Odazzi.
Chiesa di Santa Maria della Vittoria – a imponência do barroco
Esta é uma das igrejas que são muitas vezes mencionadas como uma das igrejas a não perder em Roma. Ainda antes de chegar à igreja passei pela bonita fonte dell’Acqua Felice construída entre 1585 e 1589, onde a estátua de Moisés recebe o lugar central. Esta fonte foi construída onde antes ficava a secção final do acqueduto Felice que abastecia água para as colinas de Quirinale, Virinale e Esquilino.
Mal se entra na igreja de Santa Maria della Vittoria apercebemo-nos logo porque esta é uma das igrejas mais mencionadas nos roteiros turísticos. Uma igreja de estilo barroco construída entre 1608 e 1620, devota a Santa Maria depois da vitória do exército católico em 1620 naquela que se chamou a batalha da Montanha Branca. Estátuas detalhadas, arcos decorados com mármore e colunas (capitéis coríntios) douradas formam um conjunto de completa imponência.
Talvez a estátua mais conhecida desta igreja seja a ‘Êxtase de Santa Teresa de Ávila’, que representa a visão de Santa Teresa do momento em que um anjo transpassa o seu coração com uma flecha dourada.


Depois de todas as igrejas que conheci em Roma, também eu recomendo que venham visitar esta igreja e já que aqui estão, também a fonte dell’Acqua Felice.
Maritozzo do Bar Pasticceria D’Amore
Ainda antes de chegar ao meu destino para finalmente provar o bolo maritozzo, passei pelo edifício magnífico da Basilica Papale di Santa Maria Maggiore que se destaca pela torre que de certo modo faz lembrar o campanário de São Marcos em Veneza. Não entrei na igreja naquele dia, deixando a visita para uma altura em que estivesse com o meu marido. Mas fiquei impressionada pelo detalhe das estátuas representadas na parte exterior da igreja.


Finalmente cheguei à rua onde fica a pastelaria Regoli apenas para descobrir que estava fechada, porque afinal este estabelecimento encerra às terças-feiras. Apesar da decepção eu estava determinada em provar aquele bolo naquele dia e por isso cruzei a estrada, Via dello Statuto, e escolhi a opção que tinha diante de mim, a pastelaria D’Amore. Esta pastelaria não está tão bem avaliada como a pastelaria Regoli mas a maior parte dos comentários negativos é do atendimento ser um pouco frio. Já quase a salivar nem pensei duas vezes.
Eu entrei e vi logo uma bancada enorme de vidro com maritozzo’s que são bolos tipo brioche abertos ao meio e recheados (e bem) com natas. O creme não é tão doce como o chantilly, mas a textura é bastante parecida. O tradicional é apenas com as natas, mas há várias opções como por exemplo com pistachio ou como neste restaurante com framboesas e açúcar em pó que é opção mais procurada nesta pastelaria.

Eu escolhi o tradicional mas no último dia comi um maritozzo de pistachio já no mercado da estação de Roma e para mim esta versão, a tradicional, foi a melhor. Claro que podem ter a certeza que estava toda deliciada a comer finalmente o maritozzo, o bolo tradicional de Roma. O bolo custou-me 3 euros e era de tamanho ‘normal’, mas havia também maritozzo’s de tamanho gigante que custavam entre os 5-6 euros.
Chiesa dei Santi Silvestro e Martino ai Monti – um tecto de azul e dourado
Depois do lanche, continuei a explorar a zona mais a sul do centro de Roma e foi na igreja dei Santi Silvestro e Martino ai Monti onde entrei a seguir. Os frescos, os quadros e outros elementos decorativos estavam sob um processo de restauração e por isso muitos deles estavam tapados, mas mesmo assim a beleza da igreja era notável.
Esta igreja é uma das mais antigas de Roma, sendo a sua origem do século IV. A igreja e o convento adjunto passaram por vários eventos de restauração, alguns eles depois períodos de destruição por exemplo devido a guerras, mas a restauração mais relevante da igreja actual foi na segunda metade do século XVII onde vários artistas foram convidados a participar no projecto.
Parco del Colle Oppio e delle terme di Traiano
Já com o sol a pôr-se e a pensar onde iria jantar, acabei por ir parar ao parque del Colle Oppio onde encontrei um parque urbano com várias ruínas romanas que afinal eram as ruínas das termas di Traiano. Para além das ruínas inesperadas também encontrei uma zona onde foi construída uma pista de skate e onde naquela altura vários adolescentes aproveitavam para mostrar as suas habilidades em cima de rodas.

E a melhor surpresa era que daqui tinha-se uma vista panorâmica do coliseu de Roma. Penso até que este miradouro, se assim se possa chamar, não seja muito conhecido porque não vi muitos turistas, vi mais locais a andarem por ali. E foi assim o meu primeiro vislumbre desta construção icónica de Roma.
Basilica di San Pietro in Vincoli – a ira na estátua de Michelangelo
A história desta basílica começa no século XVI. A basílica foi construída em homenagem ao milagre de São Pedro quando as correntes que o tinham mantido preso em Jerusalém se uniram às usadas na prisão Mamertina em Roma, formando uma só corrente. A corrente associada ao milagre ainda hoje se encontra guardada nesta basílica e pode ser vista todos os anos no primeiro dia de agosto.


Surpreendentemente não é a corrente o elemento mais famoso desta basílica, mas sim a oponente estátua de Moisés esculpida por Michelangelo em 1513. O objectivo desta criação era de o decorar o túmulo do papa Júlio II, no entanto o papa acabou por ser enterrado na basílica de San Pietro no Vaticano e, portanto, este mausoléu nunca foi usado e encontra-se até hoje vazio. A estátua de Moisés representa a sua ira quando ao voltar do Monte Sinai encontra os israelitas a adorar um bezerro de ouro, este um ídolo pagão.
Os detalhes da sua expressão, músculos e postura são certamente razões para visitar esta basílica.
Chiesa di Santa Maria ai Monti – uma abóboda dourada
A igreja de Santa Maria ai Monti foi construída em 1580 onde antes se encontrava um antigo mosteiro do século XIII. Também nesta igreja é guardada uma relíquia relacionada com um milagre, desta vez uma imagem da virgem Maria. Segundo a história, esta imagem foi a razão para a cura da cegueira de uma mulher.


O interior da igreja é absolutamente lindíssimo; os detalhados frescos que cobrem toda a igreja, os apontamentos em dourado que envolvem a abóboda e os anjos que emoldaram as várias colunas são todos razões para visitar esta igreja. Também aqui encontrei junto a um dos quadros a fotografia dos pastorinhos de Fátima. É sempre agradável encontrar um símbolo do nosso lar, sejamos nós religiosos ou não.
E foi com esta belíssima igreja que fechei as visitas às igrejas de Roma naquele dia.
Jantar no restaurante Mariuccia
Mariuccia é um restaurante italiano no coração de Roma relativamente perto do Panteão. Como ia jantar com a minha colega que estava precisamente no Panteão a escolha foi rápida. Tinha lido imenso sobre este restaurante sendo ele mencionado em practicamente todos os vídeos das redes sociais que tinha visto sobre onde comer em Roma; locais onde a comida era deliciosa e a bom preço.
O menu deste restaurante é tipicamente italiano com várias entradas, pratos principais e claro, pizzas. E de pizzas há várias variedades como pizza frita, pizza dobrada tipo sandes, pizzas tradicionais e pizzas especiais. A fama deste restaurante e a boa experiência que os clientes aqui têm faz com hoje, dia 1 de julho de 2026, este restaurante esteja avaliado em 4.7 (em 5) baseado em 9287 reacções e comentários no Google.


Apesar de dar para marcar mesa como a escolha para jantar foi feita no momento não o fizemos, mas felizmente talvez por estarmos a jantar relativamente cedo, afinal só tinha comido o tal maritozzo desde que tinha chegado a Roma, ou talvez porque era terça-feira à noite havia mesas livres na parte de fora. Apesar de estarmos em março esta zona exterior era muito agradável estando ela abrigada com aquecedores de ambiente.
Para jantar decidimos pedir duas pizzas tradicionais. Pedimos a pizza capricciosa e a diavola e ambas eram bastante boas. Não diria que estas pizzas tenham sido as melhores da minha vida, mas sem dúvida que este restaurante é uma boa escolha para quem quer experimentar pizza em Itália cozinhada a forno a lenha. Até porque as pizzas não tiveram origem em Roma, mas sim em Nápoles. É como ir comer uma francesinha a Évora à espera de encontrar a melhor francesinha do país em qualquer restaurante da região. E mais, há até um tipo de pizza tipicamente romana, a Pinsa, que experimentei três dias depois e que eu simplesmente adorei do restaurante Pinsere.

Não quero com isto dizer que não recomendo o restaurante, bem pelo contrário, foi uma óptima opção e com a fome com que estávamos ficámos deliciadas pela qualidade das pizzas que nos foram cozinhadas. Ainda por cima quando acompanhadas por aperol spritz e vinho da casa.
Para mais informações sobre este restaurante ou para reservar mesa vejam: https://mariucciagroup.it/
Área Sacra di Largo Argentina
Depois do jantar e já a pensar na hora matinal que tinha de acordar no dia seguinte fui fazendo o caminho de regresso para o hotel Quirinale. A noite já tinha chegado e sobre as luzes da cidade, Roma ainda era mais bonita, por impossível que possa parecer. E de novo voltava a sentir aquela sensação de deslumbramento.
Um dos momentos mais incríveis foi quando a caminho do hotel dou por mim a olhar para o lado e a ver este imenso espaço ocupado por várias colunas em ruínas. Parecia quase uma cidade. E afinal este é um dos lugares arqueológicos mais ricos da cidade, com 4 templos – A,B,C e D – construídos entre os século IV e II a.c.. O templo D é o mais antigo e o B o mais recente e cada um é dedicado a diferentes deuses.

E o mais interessante é que estas ruínas foram descobertas em 1928 quando segundo o projecto de renovação da cidade, o antigo bairro seria demolido e novos edifícios construídos. Entre 1926 e 1928 houve vários argumentos entre os arqueólogos e os proprietários destes terrenos que claro queriam seguir em frente com a construção dos novos edifícios. Felizmente, o governo foi a favor da cultura. Neste complexo arqueológico encontra-se também a cúria de Pompeia onde antes o Senado se encontrava e onde Júlio César foi assassinado no ano 44 a.c.
Outra curiosidade sobre esta zona é ele ter sido o local escolhido pelos gatos abandonados como sua casa. Os gatos apareceram mal as escavações começaram em 1928 e hoje é aqui o santuário dos gatos. Neste santuário trabalham vários voluntários dedicados à prestação de serviços a estes animais, sendo assim possível mantê-lo aberto. Os gatos de Roma foram declarados como ‘Património Biocultural’ em 2001 e neste santuário recebem comida, tratamento médico incluindo esterilização e carinho.
Como passei aqui de noite não vi gato nenhum, mas é certamente um incentivo para visitar esta zona e ficar a conhecer os gatos de Roma que descansam nas ruínas de tempos passados.
Um pequeno salto ao supermercado
Apesar de não ter passado muito tempo depois do jantar fiz ainda um pequeno desvio para ir ao supermercado e comprar uma coisinha doce antes de ir para o meu quarto. Acabei por escolher umas tartes com doce de alperce que me fizeram acabar o dia no meu quarto bastante feliz. E estas tartes trouxeram-me memórias de outra viagem que fizemos a Itália especificamente quando estivemos em San Cassiano nos Dolomitas onde comprámos uma tarte exactamente com o mesmo sabor


Segundo dia – Em dia de conferência
Neste dia vou falar do final de tarde depois da conferência de hemovigilância ter terminado. Nestes dias em que estive em conferência, passei-os entre deliciosa comida, interessantes palestras e conversas com representantes de vários países.


Depois do último evento social deste dia que envolveu mais comida e até um aperol spritz era altura de esticar as pernas e visitar mais um pouco de Roma. Aproveitei nestes fins de tarde para conhecer zonas diferentes da cidade, hoje em direcção à fonte Trevi e no dia seguinte em direcção aos jardins da Villa Borghese.
Fonte Trevi
Claro que em Roma tinha de visitar esta fonte, uma das mais famosas do mundo. E no final acabei por passar por ela várias vezes e em diferentes alturas do dia.
Mas primeiro um pormenor que gostava de mencionar. No caminho entre o hotel Quirinale e a fonte fiquei deslumbrada – a cidade para mim fica muito, mas muito mais bonita à noite, aqueles detalhes dos edifícios históricos a serem destacados pela iluminação da cidade. Uma cidade que é um museu ao ar aberto e que sobe um nível no seu esplendor ao cair da noite.

Agora em relação à fonte Trevi.
Primeiro tinha uma ideia diferente não da fonte, mas dos arredores, porque a fonte para minha surpresa fica numa praça bastante pequena. Por qualquer razão eu imaginava aquela fonte situada numa praça enorme, com um enorme espaço, mas não foi o que encontrei. Por isso é normal que a área à volta da fonte fique rapidamente apinhada, já que todas as pessoas que vão a Roma certamente têm esta fonte como um dos lugares a não perder. E por haver tantas pessoas a visitarem a fonte Trevi diariamente e depois de eu própria visitá-la ao final da tarde, durante o meio do dia e depois das 10 da noite, escolho todos os dias a opção mais tardia. A partir das 10 da noite não só podem visitar o nível inferior mesmo junto à fonte sem pagar como o podem fazer sem multidões.
Dica para visitar a fonte Trevi
- As melhores alturas para visitar a fonte Trevi são ou muito cedo de manhã ou depois das 10 da noite. Assim não pagam para visitar o patamar inferior que fica junto à fonte e não encontram multidões enormes com quem têm de partilhar este espaço. E acreditem que a fonte fica lindíssima iluminada à noite.
- Se quiserem visitar a fonte durante o dia para não sofrerem desilusões vejam as informações sobre a fonte já que há dias em que a fonte está em manutenção e não pode ser visitada. O bilhete para aceder ao patamar inferior da fonte durante o horário de visitas custa em 2026 2 euros. Para mais informações: https://fontanaditrevi.roma.it/en
A fonte Trevi fica no local onde termina o acqueduto de Virgo, o único ainda em funcionamento na cidade. A fonte foi construída no século XVIII e no centro da fonte destaca-se a forma de um penhasco onde a carruagem puxada por dois cavalos alados transportam o deus do mar, Oceano. É interessante os comportamentos retratados nos cavalos alados cada um representando um lado diferente do mar – revolto e calmo.

Uma das tradições mais conhecidas é atirar uma moeda de costas para dentro da fonte, e segundo a tradição quem o faz volta novamente a Roma. Uma das coisas que não se pode fazer é nadar dentro da fonte, mas a restrição não foi óbvia para esta mulher que apareceu à pouco tempo nas notícias: https://thetab.com/2026/05/29/wannabe-influencer-swims-across-romes-trevi-fountain-for-views-and-sparks-worrying-debate
Quanto a tirar fotos, não há assim grandes miradouros disponíveis para a fonte devido à sua localização naquela praça, a praça Trevi. O melhor lugar que encontrei foi no topo das escadas à entrada da igreja Santi Vicenzo e Anastastio a Trevi.
Chiesa dei Santi Vicenzo e Anastasio a Trevi – a igreja ignorada em prol da fonte
Penso que esta igreja que fica na mesma praça da fonte é muitas vezes ignorada pelos turistas, já que está tudo focado na fonte. Eu mesmo experienciei isso, porque apesar do espaço à volta da fonte estar a abarrotar, a igreja não estava cheia – de todo.


Mas é uma pena porque vale a pena visitar esta igreja da Idade Média. Confesso que a parte mais imponente é a sua fachada exterior com 18 colunas, 10 no nível inferior e 8 no superior onde também se encontram duas estátuas femininas com seios nus, o que é um detalhe incomum para o edifício de uma igreja. Mas não me interpretem mal que mesmo o seu interior é bastante bonito, com aqueles altos padrões que Roma me estava a acostumar.
A caminho para a praça de Espanha
Depois de visitar a fonte e a igreja na praça Trevi comecei a andar em direcção às escadarias da Praça de Espanha. A caminho ainda entrei na igreja Arciconfraternita del SS. Sacramento di S. Maria in Via já que estava a seguir copiosamente o que tinha lido – entrar em todas as igrejas que visse. No entanto esta igreja tal com a San Pietro in Vincoli estava a passar por trabalhos de restauro com andaimes por toda a igreja. Portanto, a visita foi bastante rápida.


Já mesmo a chegar à escadaria ainda passei pela alta e bonita coluna coríntia com a estátua da virgem Maria no topo, na praça Mignanelli.
Escadarias da praça de Espanha
As escadarias da praça de Espanha são outro local lindíssimo da cidade. Na base da escadaria encontra-se uma fonte, a Fontana della Barcaccia, enquanto no topo fica a igreja della Trinità dei Monti onde mesmo em frente um terraço oferece uma vista maravilhosa para a cidade.
As escadarias foram construídas entre 1723 e 1726 e conta com 135 degraus e 3 diferentes patamares que simbolizam a Sagrada Trindade. Apesar do seu nome, as escadarias foram construídas a pedido do cardeal francês Pierre Guérin de Tencin, sendo o seu nome dado pelo facto da embaixada de Espanha se encontrar naquele local aquando da sua construção. O nome oficial destas escadarias é Scalinata di Trinità dei Monti.

Eu passei por estas escadarias várias vezes, umas vezes vinda da fonte Trevi e outras dos jardins da Villa Borghese. A versão destas escadarias na quarta à noite foi completamente diferente daquela que conheci durante o fim-de-semana pois mesmo à noite este local estava apinhado de pessoas, muitas delas sentadas nos degraus ao pé da fonte. Mas o que não pode faltar é subir ou descer as escadarias aproveitando os vários miradouros oferecidos pelos diferentes patamares.
Chiesa della Trinità dei Monti – uma igreja, um convento e um miradouro
No topo das escadarias fica a igreja della Trinità dei Monti, um edifício imponente cuja entrada é rodeada por duas altas torres laterais. A construção da igreja e do convento adjacente começou em 1494 e estendeu-se durante o século XVI até 1594. A construção desta igreja foi financiada pela família real francesa em agradecimento pelo apoio prestado por São Francisco Paula, eremita fundador da Ordem do Mínimos.

A igreja foi inicialmente construída em estilo gótico, mas em 1774 a parte da abóboda foi alterada escondendo os traços deste estilo arquitectónico. Dentro da igreja existem no total 17 capelas, cada uma pertencente a uma diferente família que mostraram o seu património financeiro através da decoração destas.
A igreja tem as suas portas abertas e pode ser visitada em qualquer altura dentro do horário de funcionamento. Quanto ao convento também ele pode ser visitado mas apenas com reserva prévia por e-mail. Para mais informações sobre como visitar o convento vejam: https://trinitadeimonti.net/it/visite/
Terceiro dia – Em dia de conferência
Depois do segundo dia da conferência terminado, dia esse com direito a mais palestras, mais um almoço delicioso e até uma mudança de quarto, saí do Hotel Quirinale para aproveitar as últimas horas do dia para explorar a cidade.

Ao chegar à saída do hotel, virei para o lado oposto ao dia anterior (ver post anterior aqui), começando por ir visitar a basílica que ficava a menos de 5 minutos do hotel e depois os jardins da Villa Borghese.
Basilica S. Maria degli Angeli e dei Martiri – o resultado de uma visão profética


Depois de andar apenas por uns minutos, cheguei à praça da República (Piazza della Repùbblica), onde à frente se encontra a rústica entrada para a basílica S. Maria degli Angeli e dei Martiri. Já tinha tentado visitá-la no dia anterior, mas, como encerra às 7, tinha chegado demasiado tarde. Mas não se enganem pela entrada simples, pois o seu interior de simples tem muito pouco.
A igreja foi criação de Michelangelo quando este tinha 86 anos, num projecto encomendado pelo Papa Pio IV. A sua construção resultou da visão profética do sacerdote Antonio de Luca, que viu nela uma igreja construída nas ruínas das termas de Diocleciano, dedicada aos sete anjos. A construção da igreja começou em 1561 sem se alterar a estrutura original das termas sendo o relógio de sol adicionado já no início do século XVIII.

A primeira sensação ao entrar na igreja foi a de amplitude, sendo primeiro recebida por uma sala oval, antes de chegar ao átrio principal da igreja. Também visitei uma sala de tamanho mais modesto onde se encontravam várias estátuas de pedra branca que fazia ligação a um pequeno terraço exterior, onde pude ver a estátua de Galileo Galilei.
Jardins da Villa Borghese e miradouro da piazzale Napoleone I
Da basílica segui pelas ruas de Roma até chegar ao arco da Porta Pinciana onde as ruínas das muralhas da cidade do século III ainda ali estão presentes. Foi por essa entrada que acedi aos jardins da Villa Borghese.
Os jardins estão abertos ao público desde o início do século XX, quando passaram a pertencer ao Estado Italiano. Mas nem sempre foi assim; aliás, a sua origem começou em 1606, quando o sobrinho preferido do Papa Paulo V, o cardeal Scipione Caffarelli Borghese, adquiriu vários terrenos adjacentes à propriedade de família, que assim o era desde 1580. A Villa Borghese começou com a construção do edifício principal, o Casino Nobile, e dos jardins em redor. Os primeiros projectos desta villa foram obra do arquitecto Flaminio Ponzio e do seu estudante Giovanni Vasanzio. No entanto, a Villa Borghese, incluindo os seus jardins, foi-se expandindo e sofrendo alterações ao longo dos vários séculos, como, por exemplo, em 1766, quando foram adicionados o Giardino del Lago (jardim do lago) e a Piazza di Siena, e depois, mais tarde, a Villa Giustiniani e as antigas Villas Pamphili e Manfroni, expansões que fizeram parte do contributo do casal Camillo Borghese e Paulina Bonaparte, irmã de Napoleão.

Hoje em dia, este jardim no centro da cidade é um dos lugares verdes mais bonitos da cidade, com inúmeras estátuas e fontes, vários museus e até um lago onde se pode alugar um barco a remos, mesmo ao lado do bonito Tempio di Esculapio. Os jardins são cortados por ruas largas e passear por elas é esperar encontrar algo de interesse a cada canto. Apesar dos vários museus espalhados pelos jardins, eu, no fim de contas, acabei por não entrar em nenhum, mesmo tendo visitado este parque duas vezes. Mas, se da primeira vez, quando vim, já os museus se encontravam fechados, na segunda vez acabou por não haver tempo. No entanto, passei por vários destes edifícios, ficando-lhes a conhecer a parte exterior, como, por exemplo, a Galleria Borghese, o Casino dell’Orologio e o Museo Pietro Canonica.

Para além do parque enorme (com 80 hectares), é também aqui que se encontra um dos melhores miradouros para a cidade de Roma, mais especificamente na Piazzale Napoleone I. O varandim desta praça fica mesmo de frente para a Piazza del Popolo, onde o obelisco Flaminio tem um lugar de destaque. Este miradouro é um dos melhores lugares da cidade para ver o pôr do sol.
Panini e mais um pequeno pecado gastronómico
Já de sol posto, comecei a fazer o trajecto de regresso para o hotel, primeiro pela Viale Adamo Mickievicz e depois pela Viale della Trinità dei Monti. E aconselho a fazerem este caminho para assim terem um duradouro miradouro da cidade. Este trajecto passa pelo topo das escadarias da Praça de Espanha, que tinha visitado no dia anterior, aproveitando para voltar a admirar a bonita cidade de Roma, cuja beleza não deixava de me surpreender.

Agora para jantar queria uma coisa simples, já que tinha passado o dia a comer na conferência. E foi já quase a chegar ao Hotel Quirinale que parei num pequeno estabelecimento ‘Street Food‘, que àquela hora tinha apenas sandes (panini) à venda. Mas as sandes eram enormes. Acabei por escolher duas, uma vegetariana e outra com queijo mozzarella e presunto. Cada custou 5,50 euros e na verdade uma teria chegado perfeitamente — mas a gula é mesmo um dos meus piores pecados. Comi as sandes já no quarto e só tenho a dizer que o pão em Itália é óptimo e enaltece qualquer simples conduto. Para mim, a sandes vegetariana estava um bocadinho salgada, mas a de mozzarella e presunto estava óptima.

Para continuar a satisfazer a minha gula, tinha feito uma paragem adicional no McDonald’s que ficava na mesma rua do Hotel Quirinale para experimentar o gelado McFlurry de pistáchio. Podem dizer o que quiserem sobre ir ao McDonald’s em Itália para comer gelado, mas eu fiquei tão fã desta sobremesa que voltei a comprar outro passados dois dias.
Quarto dia – Fim da conferência
Na sexta-feira depois de apresentar os resultados do meu projecto, a conferência de hemovigilância chegava ao fim. Começava a partir daquele momento a parte da viagem que era somente de lazer. E a primeira coisa que tinha a fazer era mudar de alojamento; fazer o check-out no Hotel Quirinale e o check-in na guesthouse Aquarius Inn. Sobre este alojamento já deixei o meu parecer no início desta página. Mas no entanto voltar a frisar o quanto foi prestável a senhoria – a primeira meia hora ao chegar à guesthouse foi com ela a explicar-me quais os locais a visitar na cidade, a melhor maneira de navegar em Roma e onde comer naquela zona. De facto, foi devido à sua recomendação que fui jantar naquela noite ao restaurante Pinsere onde experimentei pela primeira vez o estilo de pizza romana, a Pinsa.

Depois das malas postas e de todas as informações recebidas voltei a sair agora para visitar outra parte de Roma, e por incrível que pareça foi uma das partes da cidade que mais me impressionou. A minha ideia inicial era de visitar a basílica papale di San Paolo fuori le mura e ir parando pelo caminho, mas acabei por nunca chegar à basílica. Afinal o meu plano inicial era demasiado ambicioso para as minhas pernas. Mas acabei por visitar imensos locais interessantes durante aquela tarde. O ponto mais a sul antes de tomar a decisão de voltar para trás foi a Piramide di Caio Cestio.
Basilica parrocchiale di San Vitale al Quirinale – a representação do diabo
A primeira paragem foi na Via Nazionale, na basílica parrocchiale di San Vitale al Quirinale. Para entrar nesta basílica é preciso descer umas escadas ficando por isso a entrada abaixo do nível da estrada. Tal como outras igrejas que visitei durante estes dias, também esta basílica estava em reparações, e, portanto, algumas das paredes laterais estavam tapadas. Contudo o fresco de maior interesse desta basílica que fica atrás do altar principal estava à vista.


Este fresco do século XVI, obra de Andrea Commodi, está associado a um profundo valor teológico. Neste fresco está representada a queda de Jesus sob o peso da cruz e Simão de Cirene, o homem que nos evangelhos é indicado como o homem obrigado a carregar a cruz de Jesus. O interessante ponto deste fresco é a forma como Cirene está retratado – com feições demoníacas carregadas de fúria e frustração. Isto representa o poder de Deus, pois até o diabo foi obrigado a ajudar a cumprir os planos divinos, mesmo que contrariado.

Nesta basílica também outros frescos cobrem as paredes e tectos do edifício, sendo todas elas razões para visitar esta basílica que não é frequentemente referida nos itinerários de Roma.
Monumento a Vittorio Emanuele II
Dando por terminada a visita à basílica continuei a descer a Via Nazionale e foi já a chegar ao fim da rua que me dei conta que o número de pessoas começava a aumentar, de tal forma que quando cheguei à Piazza Venezia a multidão era impressionante. No entanto, isso não diminui em nada a grandiosidade desta parte da cidade. Se vierem a Roma e apenas puderem visitar um local na cidade, este é o local que escolho – esqueçam o papa – o que vão encontrar na zona ao pé da Piazza de Venezia é muito mais fascinante. De um lado é impossível não reparar no grandioso monumento a Vittorio Emanuele II com esculturas, fontes e escadarias. Do outro lado as ruínas do Foro Romano, do Foro di Augusto e do Foro di Traiano. E claro as cúpulas e edifícios grandiosos como a Galleria Collona e a basílica dei Santi XII Apostoli. E isto apenas para nomear alguns dos locais que estão aglomerados nesta zona. Desde o coliseu até ao Giardini degli Aranci o sentimento de maravilha é constante.

A visita ao monumento a Vittorio Emanuele II foi deixada para o dia em que visitei o coliseu. Mas não deixei de admirar as várias partes exteriores deste monumento. E são tantos pormenores e cada um com um diferente simbolismo alegórico que é impossível não ficar estacado à sua frente.
O monumento foi construído em 1885 pouco depois da morte do primeiro rei da unida Itália, Emanuele II. O monumento foi inaugurado ainda inacabado em 1911 tendo a sua construção dada for completa em 1935. Em destaque está a estátua equestre do rei de Itália, Emanuele II, e no topo em cada lado figuram a Quadriga dell’Unità e a quadriga della Libertà. Na parte inferior do edifício onde estas estátuas estão lêem-se duas inscrições que traduzem para: ‘à unidade da pátria’ e ‘à liberdade dos cidadãos’.
Giardino degli Aranci
Continuei o meu caminho passando por ruínas, templos e torres até que reparei numas escadinhas que subiam através de um pequeno jardim. Subi sem saber que no topo chegaria à terrazza Belvedere Aventino do Giardino degli Aranci (jardim das laranjas) onde está um incrível miradouro para a cidade incluindo para a basílica do quarteirão de Trastevere que fica do outro lado do rio. Nesta zona há vários jardins para visitar e apesar de este local não ter figurado no meu itinerário gostei imenso de o visitar.

E também foi por acaso que vim ter a um lugar que tinha visto nas redes sociais, mas que não tinha pensado visitar, e que não posso dizer ter visitado, pelo menos não fiz o objectivo que é olhar pelo buraco da porta, Buco della serratura dell’Ordine di Malta, onde se vê territórios pertencentes a 3 países – a basílica de San Pietro do Vaticano, a cidade de Roma pertencente a Itália e os jardins da sede institucional e do governo da Ordem Soberana de Malta. E eu até consigo perceber a atracção de ir olhar pelo buraco, mas não consigo perceber como as pessoas podem estar à espera uma hora e meia para o fazer. Porque pela fila de pessoas que estava era mais ou menos esse o tempo de espera para chegar a sua vez.

Eu acho incrível que na sociedade actual onde há pressa para tudo, onde um atraso de um restaurante, de um autocarro, de um avião leva a comportamentos completamente incivis e mesmo rudes, as pessoas tenham paciência para estar tanto tempo à espera para olhar por um buraco. Mesmo que esse buraco seja especial. Principalmente numa cidade como Roma onde há tanto para ver. E não, nem por um segundo considerei juntar-me àquela fila enorme. Se o quiserem fazer, venham bastante cedo para não perderem tempo de viagem.
Pirâmide de Caio Cestio
Depois de passear pelos jardins continuei a fazer caminho em direcção à basílica e foi quando cheguei a esta grande pirâmide que decidi que estava na altura de voltar para trás. Mas não antes sem apreciar esta estrutura de 36 metros de altura.
A pirâmide foi construída como túmulo de Caio Cestio, um dos magistrados responsáveis pela organização de banquetes sagrados em honra de divindades importantes da religião da altura. A pirâmide foi construída entre o ano 18 e 12 a.C.. Apesar de o túmulo ter sido vandalizado anos mais tarde, a pirâmide continua ali como marco da arquitectura egípcia na cidade de Roma.
De volta ao centro de Roma

Rendida ao facto de que ir à basílica papale di San Paolo fuori le mura era demasiado já que depois tinha de fazer o caminho de regresso voltei para o centro de Roma, mas desta vez pelo caminho que seguia junto ao rio Tiber. Assim ficava com uma diferente perspetiva da cidade continuando a ser inundada por lindíssimas paisagens. Dois dos monumentos pelos quais passei durante o regresso que me chamaram a atenção foram o Tempio di Portuno e o Teatro de Marcello. O primeiro, o templo dedicado a Portuno, o deus dos portos fluviais (devido à sua localização com o rio Tiber), marca pelo seu estado de conservação, sendo um dos templos mais bem preservados da Roma Antiga.

O segundo local, o Teatro de Marcello, chamou-me a atenção por me lembrar o coliseu de Roma, mas em ponto pequeno. Este teatro foi mandado construir por Júlio César no ano 17 a.C. e usado para jogos seculares. O seu nome, Marcelo, é em honra ao sobrinho do imperador que morreu no ano de 27 a.C. Mesmo ao lado deste pequeno coliseu ficam também as ruínas dos templos di Apollo Sosiano e di Bellona. Todo este aglomerado fica a poucos minutos do Monumento a Vittorio Emanuele II.
Fim-de-tarde com uma tentação de pistácio em L’Antico Forno di Fontana di Trevi

Ainda com umas horas disponíveis antes de ter de voltar para o Aquarius Inn decidi fazer uma pausa para experimentar um dos croissants mais famosos de Roma, o croissant de pistácio da pastelaria L’Antico Forno di Fontana di Trevi. E para minha sorte apesar da rua da pastelaria estar apinhada, encontrei várias mesas vazias dentro do estabelecimento. Acompanhada por um café, um croissant e uma colega de trabalho, passei assim aquele fim de tarde. E sim, o croissant tem direito a toda a fama que tem – recheado de um creme doce e de massa folhada crocante e interior macio este croissant foi um dos pontos altos da viagem.
Depois de experimentar o gelado de pistáchio do McDonalds e agora este croissant pareceu-me que Roma se tinha tornado na capital do pistácio. E não tenho qualquer queixa sobre isso. De todo.

Depois do encontro para café e para experimentar o croissant do L’Antico Forno di Fontana di Trevi voltei para o Aquarius Inn. Após uma tarde a fazer quilómetros a pé na cidade de Roma precisava de um pouco de descanso antes de voltar a sair para ir buscar o meu marido que chegava naquela noite a Roma. E para quem está a começar a viajar ou é daquelas pessoas como eu que não quer perder um minuto, temos de aprender que parar também faz parte da experiência. De vez em quando é preciso recarregar baterias e está tudo bem. Cada viagem, cada pessoa, terá uma experiência diferente do mesmo local, por isso façam a viagem ao ritmo que vos dará mais prazer. Viajar não é uma corrida sobre quem fez mais, quem viu mais, quem comeu mais – é saber aproveitar o melhor da maravilhosa experiência que é explorar diferentes partes do mundo.
Fica aqui o sermão – pode ser que alguém precisasse de ler isto – provavelmente eu sou uma delas. Mas é algo que tenho aprendido com o tempo e que tenho tentado fazer em cada viagem.
Pinsa do Pinsere
Às 7 da noite e ao saber que o meu marido ainda ia demorar mais de uma hora a chegar à estação de comboios em Roma fui jantar ao restaurante Pinsere. Este restaurante fechava às 9, uma das razões pelas quais não esperei pelo meu marido, e como ficava perto do Aquarius Inn, chegaria à estação num instante. O Pinsere não é um restaurante formal, mais uma espécie de restaurante de fast-food, com o menu focado na Pinsa, na pizza tradicional romana.

A diferença da Pinsa em relação à pizza mais tradicional é a massa. Enquanto a massa da pizza tradicional é à base de farinha de trigo, a da Pinsa é uma mistura de farinhas de trigo, arroz e soja contendo um maior teor de água e fermentada por mais tempo. A massa da Pinsa é por isso muito fina e crocante nas bordas. Outra diferença é que normalmente a pizza Pinsa tem um formato mais oval do que redondo.
No Pinsere, as pinsas já estão no balcão prontas a ser cozinhadas no forno. Como já era final do dia nem todos os tipos de pinsa estavam disponíveis, mas isso não foi um problema porque as opções à vista eram bastante do meu agrado. Pedi uma pinsa com mortadella, queijo ricotta e pistáchio e em menos de 10 minutos estava sentada numa das mesas exteriores a comer a pinsa, da qual devo dizer gostei imenso, acompanhada por uma limonada. Neste restaurante as bebidas são à base de refrigerantes ou cerveja em lata ou em garrafa. Como gostei tanto das pinsas decidi comprar duas e levá-las para o meu marido para quando chegasse, já que este estabelecimento também fazia take-away.

Cada pinsa ficou a 7.5 euros, 25 euros no total por 3 pinsas e a limonada. Para o meu marido pedi uma pinsa com os mesmos toppings da que tinha acabado de comer e outra com queijo e tomates-cereja à qual puseram um molho por cima que me pareceu pesto. O meu marido disse que essa era ainda melhor do que a pinsa de mortadella. Eu não provei esta segunda pinsa, mas acredito na palavra dele.
Website do restaurante Pinsere: https://www.facebook.com/Pinsere/
Melhores locais para visitar à noite
Já passava das 9 e meia quando voltámos a sair do Aquarius Inn. Depois do jantar no Pinsere, fui buscar o meu marido à estação de comboios. E, já agora, comprei outro McFlurry de pistáchio. Não houve um itinerário preciso para o passeio que se seguiu, mas confesso que me senti um bocadinho ‘presunçosa’ por ir mostrar ao meu marido locais que já tinha visitado e ao mesmo tempo desejosa de mostrar tudo o que já tinha visto.

Durante este passeio fiquei com uma certeza – Roma é 1000x mais bonita à noite, qualquer que seja a zona da cidade. Roma é uma das cidades mais bonitas que já visitei especialmente àquela hora com menos confusão, menos pessoas, menos encontrões. À noite Roma torna-se uma cidade que se pode visitar com tempo, e com o tempo que merece.
Começámos por ir até à fonte Trevi que como tinha dito anteriormente a partir das 10 da noite é possível chegar ao patamar inferior sem pagar. E apesar de haver aqui pessoas nesta hora mais tardia, não houve problema nenhum em chegar perto da fonte. Após a necessária contemplação desta obra de arte seguimos para a zona da cidade que já tinha visitado durante o dia onde fica o monumento a Vittorio Emanuele II. Só há duas palavras para descrever esta zona à volta da Piazza de Venezia em especial o Foro Traiano: absolutamente lindíssimo.

No fim chegámos ao Coliseu e apesar de já o ter visto de relance no primeiro dia quando visitei o Parco del Colle Oppio e delle terme di Traiano, hoje foi o dia que o vi de perto. Não há palavras para descrever a sua imponência, por alguma razão é uma das sete maravilhas do mundo.
Sobre o coliseu e a sua história falarei mais tarde quando escrever sobre a nossa visita ao Coliseu que aconteceu no domingo de manhã.
Bar do’Brasil
Para fechar o dia faltava uma bebida sentados à esplanada. Apesar de estarmos em março a temperatura era amena o suficiente para o pudermos fazer. Decidimos parar num local que ficasse já a caminho do Aquarius Inn e foi no Bar do’Brasil onde acabámos por nos sentar. Foi com um Hugo Spritz e uma cerveja italiana a olhar para a ‘chiesa di Sant’Alfonso di Liguori all’Esquilino’ que acabámos este dia.


Apesar de não recomendar este bar em particular, apenas para quem der jeito devido à sua localização, aconselho imenso a experimentarem a bebida Hugo Spritz se ainda não o tiverem feito. Eu experimentei pela primeira vez quando estive nos Dolomitas e foi amor ao primeiro golo.
Quinto dia – sábado no Vaticano e Trastevere
Como tínhamos marcado os bilhetes para visitar os museus do Vaticano para as 9 e meia, o Sábado começou cedo e ainda não eram 8 da manhã quando fomos tomar o pequeno-almoço.

Da guesthouse Aquarius Inn até aos museus ainda nos levaria uma hora a pé e portanto tivemos de sair cedo.
Museus do Vaticano
Opções para chegar aos Museus do Vaticano
Apesar de preferir andar a pé para ficar a conhecer uma cidade, acho sempre que se perde um bocado a conexão quando se anda de transportes, desta vez a longa caminhada até ao Vaticano fez-notar a meio da tarde quando o cansaço se instalou. E talvez não tenhamos dado o devido valor ao bairro Trastevere quando o explorámos depois do Vaticano. E não foi por falta de opções para chegar aos museus, pois tínhamos tanto o metro (linha A) da praça da Repubblica como o autocarro (492) da estação Palestro perto do Aquarius Inn. Tanto uma opção como a outra teriam levado entre 30 a 40 minutos.

Também não digo que me arrependo de ir a pé porque assim começámos o dia atravessando pitorescas ruas, praças e pracetas e a bonita ponte Sant’Angelo que dá acesso ao castelo. Mas como disse o impacto desta caminhada matinal foi sentido ao final do dia com as pernas a pedir descanso e o corpo comida.
Entrada para os Museus do Vaticano com bilhetes marcados
Agora em relação aos Museus do Vaticano há algumas questões a ter em conta. A primeira que é a mais importante – quando estão a chegar aos museus vão ver uma fila enorme à espera, uma fila que começa bastante longe da entrada. Se têm bilhetes marcados não é aqui que ficam. Repito: não se juntem a esta fila, porque esta fila é só para quem não tem bilhete e se ficarem nesta fila e passar a hora que têm marcada nos vossos bilhetes não só perdem o dinheiro dos bilhetes como é possível que acabem por não entrar se já não houver capacidade para receber mais visitantes naquele dia.

Com os bilhetes marcados o que vão fazer é passar por toda essa fila e ir até à entrada principal dos museus para mostrarem os vossos bilhetes ao segurança. Talvez haja algumas pessoas nesta segunda fila, por acaso quando nós chegámos entrámos logo, mas é aqui que é suposto estarem. Já houve várias pessoas a fazerem este erro, o de se juntarem à fila errada, e de apanharem um desgosto no final.
Visita aos Museus do Vaticano
Não me vou alongar muito sobre a história dos Museus do Vaticano até porque existem no total 28 museus, galerias de arte e capelas para visitar. E dentro de cada encontram-se várias salas temáticas. Como devem imaginar estes museus são a casa das mais magníficas obras de arte provenientes de todas as partes do globo, sejam elas estátuas, tapeçarias, frescos ou quadros. Só para dar um exemplo o museu Gregoriano Egípcio está dividido em 9 salas e um terraço. Ou melhor ainda a Pinacoteca com 17 diferentes exposições que vão desde o século XII até ao XIX. Foi na sala XVI (referente ao século XIX) que vi o famoso quadro de Wenzel Peter – Adão e Eva no Jardim do Éden.

Para além de todas estas obras-primas, os museus são também um dos melhores locais para ver a cúpula da basílica de San Pietro. Mas a verdadeira joia destes museus é certamente a capela Sistina. A capela Sistina foi construída como obra de restauro da Capela Magna que ali antes existia a mando do Papa Sisto IV della Rovere, o qual deu o nome à capela, em 1477. Mas foi o seu sobrinho que em 1508 contratou Michelangelo, o famoso artista que pintou o tecto de 9 painéis com representações de diferentes episódios do livro do Génesis e mais tarde o fresco do Juízo Final. Estes frescos de Michelangelo atraem milhares de pessoas a visitar Roma todos os anos.
Em março, quando nós viemos a Roma, grande parte da capela estava em restauro, incluindo o fresco do Juízo Final, por isso não tivemos oportunidade de apreciar esta obra de arte única a olho nu, o que claro tivemos muita pena, mas também não pudemos fazer nada em relação a isso. Felizmente para quem visita agora a Capela Sistina, o fresco está de novo a descoberto. Nesta capela não se pode tirar fotografias e há vários empregados a lembrarem os visitantes disso mesmo, o que permite olharmos com olhos de ver para os diferentes frescos retratados nas paredes e tectos, sem a sensação de perdemos aquele momento ao não ser gravado pela lente fotográfica.
Infelizmente, nas redes sociais há quem ‘se gabe’ de ter filmado ou fotografado a capela sabendo perfeitamente que era proibido. Este comportantemento ridículo acentua-se pelo local que é porque o que não falta são oportunidades de tirar fotografias incríveis nas outras secções dos Museus do Vaticano.


Dicas para aproveitar ao máximo a visita aos Museus do Vaticano
- Comprem os bilhetes para visitar estes museus com o Roma Tourist card e tentem reservar a vossa visita para o mais cedo possível do dia escolhido
- Não fiquem à espera para entrar nos Museus do Vaticano juntando-se à enorme fila – essa é para quem não tem bilhetes marcados – seguiam logo para a entrada principal dos museus. Evitam assim esperas desnecessárias e a perda da vossa marcação
- Contem em passar umas horas a visitar todo o complexo dos Museus do Vaticano. Nós entrámos ainda não eram 9:30 e saímos já passava do 12:15. Passámos quase 3 horas a visitar as diferentes secções deste complexo e mesmo assim não tenho a certeza se entrámos em todas as salas. E não se esqueçam na Capela Sistina de tirarem pelo menos uns 10 minutos para se sentarem e olharem para os vários frescos que cobrem as paredes e tectos desta capela
Para mais informações sobre quando, como e o que visitar nos Museus do Vaticano vejam o website oficial: https://www.museivaticani.va/content/museivaticani/en.html
Pausa para almoço
Depois dos Museus do Vaticano, a próxima paragem para a qual também tínhamos bilhetes marcados era a basílica de San Pietro. A reserva estava marcada para as 2 e meia e a caminho entre os museus e a basílica decidimos que aquela era a melhor altura para nos sentarmos um bocado e comer qualquer coisa. Agora já se sabe que toda aquela zona onde fica a cidade do Vaticano para além de estar lotada, a maioria dos restaurantes são ‘ratoeiras’ para turistas, normalmente juntando má comida a preços altíssimos.
Pastasciutta (a tentativa)
Eu até tinha algumas sugestões apontadas de locais onde comer na zona, mas alguns ficavam na direcção oposta de onde tínhamos vindo e depois de 5 horas a andar não nos apetecia voltar para trás. Foi por isso que fomos à Pastasciutta, um dos locais que mais estão em voga em Roma. Pastasciutta é uma franchise de restaurantes que fazem pratos de massa à volta dos 7.5 euros em formato take-away. Todos os 3 restaurantes em Roma estão avaliados em 4.6/4.7 em 5. Mas quando chegámos ao local mudámos logo de ideias, nós e mais umas 30 pessoas tinham pensado que Pastasciutta era uma boa opção para almoço e a fila era enorme estendendo-se rua fora. Para além que como não havia mesas dentro do estabelecimento teríamos de nos sentar no meio da rua o que também não era bem aquilo que estávamos à procura. Acabei por não provar nenhum prato de massa desta franchise, mas pela popularidade se não houver uma fila de 1 hora, deve valer a pena experimentar.
Café Vecchio Borgo
Sem grandes ideias acabámos por entrar no primeiro café que estava livre, pois a maioria dos outros restaurantes estavam cheíssimos e estávamos com medo da comida demorar demasiado tempo e chegarmos atrasados à basílica. Foi assim que acabámos sentados no Vecchio Borgo.

Apesar de fazerem pratos cozinhados pedimos apenas duas sandes, eu com queijo, fiambre e salada e o meu marido com frango panado e salada. As sandes foram tostadas e a minha apesar de simples era bastante boa, no entanto o meu marido disse que a dele era muito má. O que repetiu várias vezes durante a tarde. Mas claro que um local turístico que está vazio quando os outros estão cheíssimos e a preços muito baratos indicam que a qualidade e/ou serviço não vão serem os melhores. Mas não digo para não virem aqui, afinal eu não tive nada contra a minha sandes ou contra o serviço, até pelo contrário. E os preços eram bem simpáticos. Apenas não peçam a sandes de frango panado.
Basílica di San Pietro
Apesar de Roma ter sido uma experiência incrível há algo que tenho de criticar – é que em alguns dos locais como esta basílica e também no panteão que visitei no dia seguinte, as indicações sobre quais as filas em que nos temos de juntar não estão claramente identificadas. Nestes locais que são confusos por si só devido à sua popularidade, deviam ser mais bem organizados e com indicações mais claras.

Quando chegámos à praça de São Pedro para entrar na basílica havia este espaço enorme com multidões a ir em cada direcção e nós sem sabermos para onde nos virar. Acabámos por perguntar a um segurança onde devíamos ir ou melhor para que fila nos devíamos juntar tendo os bilhetes marcados. E apesar de termos chegado quase uma hora antes da hora marcaqda a verdade é que chegou uma altura em que pensei que não íamos entrar a tempo, já que a fila andava muito devagar. Imagino como será o tempo de espera para quem não tem os bilhetes reservados – o que deve até ser bastante gente já que assim não pagam nada pela entrada.
Dicas para visitar a basílica di San Pietro
- Devido à minha experiência se não querem ficar horas e horas à espera para visitar a basílica comprem os bilhetes atempadamente que custam 7 euros: https://www.basilicasanpietro.va/en/products/the-basilica
- Nós não subimos à cúpula, mas se o quiserem fazer escolham esta subida como parte do Roma Tourist card para não pagar 17 euros para o fazer. Vejam mais aqui: https://www.rometouristcards.com
Visita à basílica
Quando finalmente entrámos, a basílica é tudo aquilo que se espera de uma religião que teve tanto poder e riqueza ao longo dos séculos. A construção da basílica de arquitectura renascentista começou em abril de 1506 onde antes ficava uma igreja constantiniana e terminou em 1612 com a fachada. Apesar dos vários artistas e papas responsáveis pelas obras da basílica ao longo dos mais de 100 anos, todos eles mantiveram o objectivo desta basílica; ser aqui o local onde ficaria o túmulo de San Pietro.


Grandes artistas da época trabalharam nesta basílica como Fra’ Giovanni Giocondo, Raphel Sanzio, Michelangelo Buonarroti, Giacomo della Porta e Carlo Maderno. Já a praça de San Pietro que dá acesso à basílica foi construída entre 1598 e 1680 por Gian Lorenzo Bernini.
Como esperado, várias são as secções do interior desta basílica devotas a San Pietro como por exemplo:
- O altar da confissão
- a cátedra e
- o túmulo, como era seu propósitio inicial.
Cúpula da basílica
A cúpula da basílica é certamente um dos destaques. A cúpula foi construída por Michelangelo e finalizada, após a sua morte, por Giacomo della Porta. Está dividida em 16 compartimentos cada coberto por frescos representando diferentes figuras. Mesmo no topo encontra-se um círculo de fundo azul-escuro coberto por estrelas douradas.


Mas não é só a cúpula que merece a nossa atenção. Os pormenores das estátuas, paredes e tectos são de uma beleza admirável. Uma das minhas estátuas preferidas é a que representa a morte (fotografia acima à esquerda). Aqui a morte está coberta por um manto enquanto estica a mão que agarra uma ampulheta. Penso que o seu significado é explícito.
Pietà di San Pietro
A Pietà di San Pietro deve ser a estátua mais conhecida mundialmente desta basílica. Dita por muitos como uma obra de arte sobre-humana, de tão divinal são os pormenores, a técnica usada e a delicadeza representada a partir de um único bloco de mármore.

A Pietà di San Pietro foi esculpida em 1498 por Michelangelo quando este tinha apenas vinte e três anos, encomendada pelo cardeal francês para o túmulo da Capela do Rei de França que ficava nesta basílica; capela essa que já não existe. Michelangelo inscreveu o seu nome em apenas uma das suas obras, nesta estátua.
A nossa visita à basílica di San Pietro não estava concluída até termos parado em frente a esta estátua que a muitos artistas inspirou. Uma criação única, uma obra de arte incomparável.
Depois do visitarmos a cidade do Vaticano e como estávamos deste lado do rio Tibre fazia todo o sentido explorarmos o bairro Trastevere, um bairro do qual tinha ouvido falar imenso devido à sua atmosfera vívida com imensos restaurantes, cafés e lojas peculiares. Havia portanto uma grande expectativa em visitar este bairro e foi nessa direcção que seguimos.
Chiesa di Santo Spirito in Sassia – a um pequeno salto do Vaticano
Depois de sairmos da cidade do Vaticano, depois de visitar a basílica di San Pietro, e antes de começarmos a subir a colina de Gianicolo que separa o Vaticano de Trastevere entrámos na igreja do Espírito Santo em Sassia.

A origem desta igreja começa no século VIII, construída a mando do rei Ine de Sassia. Ao longo dos séculos esta igreja foi destruída e reconstruída várias vezes. No interior da igreja actual, especificamente no altar, podemos ver o bonito fresco representando Jesus sobre as nuvens e a pomba branca, simbolismo do espírito santo. Para além do altar, há 5 capelas de cada lado, onde se podem ver decorações lindíssimas incluindo nas colunas.
Durante a nossa visita, esta igreja estava a ser reparada e como tal o seu tecto estava tapado. Não sei se os trabalhos de restauro são algo que estão a acontecer continuamente pela cidade, o que diria normal já que existem 900 igrejas em Roma, ou se nós viemos numa altura particularmente productiva, tendo encontrado várias igrejas em reparação durante esta viagem.
Colina Gianicolo
Subimos a colina Gianicolo também conhecida por Janiculum pela rua principal, Passeggiata del Gianicolo. Ao chegar ao topo, entrámos no jardim, o parque de Gianicolo, onde fica um dos miradouros mais espectaculares para ver Roma. Talvez por ficar na outra margem do rio e fora do Vaticano e de Trastevere a atmosfera que encontrámos aqui era bastante menos turísticas, o que nos surpreendeu, pois, a vista sobre a cidade era incrível.

Neste parque há várias estátuas, sendo a estátua equestre dedicada a Giuseppe Garibaldi a mais evidente. Também há aqui um canhão, Cannone del Gianicolo, que pelo que li está em funcionamento e é destoado todos os dias ao meio-dia. Contudo, como visitámos esta colina a meio da tarde não tivemos oportunidade de ver esse momento. Junto à estrada principal e no jardim encontram-se vários bustos os quais representam os 84 soldados de Garibaldi, que tal como a estátua equestre, marcam o local da defesa da República de Roma em 1849 contra as tropas francesas.
Para puder desfrutar este parque e a vista sobre Roma há no jardim vários bancos e um pequeno café. Pessoalmente só pela paisagem da cidade que já estávamos a ter ao subir a colina e depois ao chegar ao topo, valeu imenso a pena incluirmos esta parte da cidade no nosso itinerário.
Fontana dell’Acqua Paola
Ao deixarmos o parc del Gianicolo e já a descer a colina deparámo-nos com esta fonte, fontana dell’Acqua Paola. Talvez não tão ricamente decorada como a de Trevi, mas ainda assim imponente.

A construção da fonte foi ordenada pelo papa Paulo V de forma a combater o pobre abastecimento de água aos bairros da área como o de Trastevere. Para tal foi restaurado o aqueducto de Trajano o que aconteceu entre 1608 e 1610. Esta fonte marca o final desse aqueducto onde inicialmente a água jorrava para as 5 bacias que ficavam por baixo dos 5 arcos que formam a fonte. Na sua construção foi usado mármore proveniente do Foro Romano e do Tempio de Minerva e granito da antiga basílica de San Pietro.
Mais tarde, em 1690, foi adicionada a grande bacia semicircular que percorre toda a largura da fonte substituindo as 5 bacias de menores dimensões. Também neste projecto foi alterado a forma de desaguamento de água fazendo com os jactos jorrem para bacias de menores dimensões antes de chegar à bacia principal.

Se visitarem a fonte dell’Acqua Paola não deixem de visitar o terraço em frente para mais pontos panorâmicos da cidade.
Bairro Trastevere
Entrámos no bairro Trastevere já às 5 da tarde e confesso que nesta altura houve duas coisas que fizeram não ficarmos muito tempo por aqui. Uma delas foi o cansaço; tínhamos começado o dia às 8 da manhã para chegarmos ao Vaticano a tempo e desde então tínhamos andado imenso. Para além disso, a fome aparecia e o local que queria experimentar naquela tarde não ficava neste bairro. Acabámos por apenas visitar duas igrejas que penso serem as principais do bairro, mas não explorámos muito as ruas à volta. E para dizer a verdade acho que toda a atmosfera vibrante característica deste bairro deve começar à noite porque passámos por bastantes restaurantes, cafés e lojas fechados àquela hora.
Onde encontrámos maior animação foi quando estávamos a sair do bairro, altura em que já só pensava em sentar e comer no Open Baladin Roma no Campo di’Fiori do outro lado do rio. Seria difícil que ficássemos aqui para jantar já que estávamos a uma hora de caminho do Aquarius Inn. Infelizmente, penso que não vi a melhor versão do bairro Trastevere.
Basilica di Santa Maria in Trastevere – o primeiro local oficial do culto católico


No bairro Trastevere foi a basílica di Santa Maria in Trastevere o primeiro local que visitámos. Esta é a basílica principal do bairro e quando se entra a primeira coisa que se repara é a predominância do dourado. E isto válido tanto para os mosaicos do século XII da abside atrás do altar como para o tecto composto por lacunares esculpidos de dourado e fundo policromado de 1617. Crê-se que esta basílica foi o primeiro local oficial do culto católico em Roma desde o século III.
Chiesa dei Santi Quaranta Martiri e San Pasquale Baylon – igreja das solteiras
Esta igreja foi o segundo local que visitámos no bairro Trastevere, uma igreja que existe pelo menos desde o século XII. Como o seu nome indica durante grande parte da sua história a igreja foi dedicada aos quarenta mártires de Sebaste perseguidos e torturados devido à sua fé. Foi já no século XVIII que a igreja foi reconstruída passando a ser dedicada a San Pasquale Baylon. Como havia uma oração antiga para as mulheres solteiras que procuravam marido, oração essa que invoca este santo, a igreja ficou conhecida como a ‘chiesa delle zitelle’ (igreja das solteiras).


O interior da igreja consiste na nave principal e três capelas de cada lado. Em destaque no altar encontra-se o quadro do pintor Arturo Tosi ‘Martirio dei Quaranta Martiri’. A igreja está ligada ao convento adjacente também ele construído no século XVIII, na mesma altura da reconstrução da igreja.
Open Baladin Roma
Ao sairmos do bairro de Trastevere passámos a ponte Garibaldi para o outro lado do rio Tiber em direcção ao Campo de’Fiori. Ao entrarmos nesta zona da cidade o número de pessoas nas ruas crescia e foi com imenso prazer que ao entrarmos no Open Baladin reparámos que poucas mesas estavam ocupadas.
O Open Baladin tinha sido recomendado por uma amiga que tinha ficado a conhecer este local quando esteve em Roma especialmente pela cerveja e pelas batatas fritas.
Quando abrimos o menu percebemos rapidamente que havia várias páginas com diferentes cervejas artesanais, cervejas de garrafa, cervejas de lata e também vinhos e cocktails. A maioria das cervejas era da cervejaria Baladin que fica no norte de Itália, na pequena vila de Piozzo, mas também cervejas de outras marcas estavam disponíveis. Estivemos indecisos durante um bocado pois havia opções com misturas interessantes, tais como a cerveja de chocolate e laranja, a cerveja de mel e a cerveja com pétalas de rosa. Não me lembro as que acabámos por escolher, mas sei que a minha era uma das cervejas pretas e a do o meu marido de cor âmbar.


Como a fome também estava a apertar e seguindo a recomendação que me tinha sido dada pedimos para partilhar as batatas fritas com queijo e pimenta, chamadas neste estabelecimento de Fatate cacio e pepe e também uma foccaccia Margherita. Apesar de termos pedidos ambos os snacks para partilhar acabei por ser eu a comer a maior parte das batatas fritas já que ao que parece as gengivas do meu marido fazem uma reacção esquisita ao queijo pecorino. Não que realmente me tivesse importado ter de fazer ‘este esforço’ pela equipa.
Apesar de não termos ficado muito tempo no Open Baladin, eu diria que ficámos para aí uns 45 minutos se tanto, gostei imenso deste local por várias razões; por não estar muito cheio àquela hora, pelas cervejas variadas e pelas batatas fritas. Tal como a minha amiga agora sou eu que recomendo a experimentarem este local.
Para mais informações sobre o Open Baladin incluindo o variado menu de cervejas vejam: Open Baladin Roma
Largo di Torre Argentina & Piazza di Spagna
Com o estômago mais aconchegado fomos dar mais uma volta pelo centro da cidade, passando por zonas que eu já tinha visitado, mas que eram novidade para o meu marido que tinha chegado a Roma na noite anterior.

Estes foram alguns dos locais que visitámos:
- Largo di Torre Argentina, um dos lugares arqueológicos mais importantes da cidade, onde se encontra o santuário dos gatos,
- Em seguida estivemos perto da fonte Trevi, mas como a praça estava completamente apinhada fugimos dali mal pudemos,
- Piazza di Spagna, para subir as escadarias e visitar a chiesa della Trinità dei Monti, sem claro perder a paragem obrigatória no miradouro junto à entrada.
Ristorante Pizzeria Mino
Depois de voltarmos ao Aquarius Inn onde tive o prazer de comer uma (ou duas) fatias do bolo caseiro que a senhoria nos tinha deixado, arranjámo-nos para jantar. O restaurante que eu queria experimentar ficava junto à estação de comboios, o restaurante pizzeria Mino. Este restaurante está avaliado em 4.6 no Google com mais de 11.000 avaliações e os preços não eram disparatados, ao contrário de alguns restaurantes em Roma.
Não tínhamos feito reserva, mas felizmente conseguimos uma mesa livre sem ter de estar muito tempo à espera. Durante o jantar vi alguma fila por isso se tiverem um grupo maior ou se vierem no verão talvez seja melhor fazerem reserva. Infelizmente a nossa mesa ficava perto da porta o que significa que estávamos constantemente a ser incomodados com rajadas de frio já que havia quase sempre pessoas a entrar e a sair. Mas como não havia mais nenhuma mesa livre dentro do restaurante e como estava demasiado frio (pelo menos para mim) para sentar numa das mesas no exterior era pegar ou largar.


Apesar do rodopio do restaurante, o serviço não foi muito demorado e tivemos uma refeição relativamente agradável. Como entrada, o meu marido pediu melão com presunto, mas como já não tinham melão acabou por ser presunto com uma bola de queijo mozzarella, que o meu marido disse estar muito bom. O que diz bastante já que ele não é um grande apreciador de queijo. Eu não quis entradas já que tinha comido grande parte dos snacks no Open Baladin e depois o bolo no Aquarius Inn.
Para prato principal o meu marido pediu a pizza capricciosa com ovos, cogumelos, fiambre, azeitonas e alcachofra e eu pedi massa carbonara, já que é um dos pratos típicos de Roma. A pizza foi bastante elogiada e a massa carbonara estava deliciosa. Eu queria mesmo experimentar a versão original deste prato e realmente é um prato decadente. Para terminar a refeição eu quis pedir um tiramisu para dividir e em relação à sobremesa tivemos opiniões diferentes, eu adorei enquanto a review do meu marido foi ‘não está bom’.

Por toda a refeição pagámos 69.50 euros, a entrada custou 14 euros, tal como a carbonara e a pizza enquanto o tiramisu caseiro, custou 9 euros. Com bebidas, pão e serviço adicionados o preço não foi acima do esperado para a refeição que tivemos.
Para mais informações sobre este restaurante vejam: Ristorante Mino
Consideração a ter em Roma: o preço das bebidas alcoólicas
O que achámos um pouco caro foi o preço das bebidas alcoólicas e isso foi comum em todos os restaurantes onde fomos. No restaurante Mino a cerveja custou 8 euros, exactamente o mesmo preço que pagámos no Vecchio Borgo, o café onde parámos depois de visitarmos os Museus do Vaticano. Também no Open Baladin Roma os preços andavam entre os 6 e 7 euros, uma das razões para termos bebido só uma cerveja.
Não estou a dizer para evitarem bebidas alcoólicas durante a viagem, de todo, mas que tenham atenção aos preços da cerveja e também do vinho, se não quiserem surpresas na conta final. Curiosamente em Itália incluindo claro Roma, o preço de um aperol spritz ou de um campari spritiz em grande parte dos restaurantes fica mais em conta que uma cerveja.
Sexto dia – domingo no coliseu e panteão em dia de maratona
Domingo era o dia em que íamos visitar o Coliseu, uma das sete maravilhas do mundo, a primeira para nós. Tínhamos os bilhetes marcados para as 8 e meia e os bilhetes incluíam também a visita ao Foro Romano e ao Palatino, que ficavam mesmo de frente ao coliseu.
Tínhamos lido que para evitar problemas em entrar tínhamos de chegar à hora marcada, já que este sendo um dos locais mais conhecidos da cidade qualquer atraso poderia levantar impedimentos. E por isso, tal como no dia anterior, saímos de casa antes da 8 da manhã.

Foi ao chegarmos ao pé do coliseu que encontrámos algumas dificuldades (mínimas) para chegar até à entrada. A maratona de Roma estava marcada para aquele dia e como a corrida começava e terminava naquela zona da cidade, à volta do coliseu encontravam-se várias barreiras e fitas a impedir a passagem incluindo a passagem para a entrada do coliseu. Acabámos por perguntar a um assistente como poderíamos passar já que as 8 e meia já lá iam.
E foi assim que podemos agora dizer que estivemos na maratona de Roma, porque para passar de um lado ao outro tivemos de atravessar a estrada por onde a maratona passava. A vantagem é como estavam todos a ver a maratona o coliseu estava praticamente vazio àquela hora e para além de entrarmos já perto da 9 ninguém reclamou connosco.
Coliseu de Roma
O coliseu de Roma faz parte do parco archeologico del Colosseo, um complexo arqueológico do qual fazem parte o Foro Romano, o Palatino, e também museus como o museu da Domus Tiberiana, o museu Palatino e o museu dos Forúns Imperiais que fica na estação de metro Colosseum/Fori Imperali no novo trecho da linha C. Para mais informações sobre o parco archeologico del Colosseo recomendo a visitarem a seguinte página: https://colosseo.it/

Durante a visita ao coliseu pudemos visitar 2 níveis, o superior e o que ficava a nível do solo, mas não o piso inferior o que para tal é preciso marcar uma tour especial. O coliseu é tudo aquilo que se espera: enorme, imponente e incrível. Apesar de algumas partes da estrutura estarem em maior estado de deteriorização do que os outros, o que está de pé permite dar a conhecer os detalhes daquele edifício onde as lutas sangrentas de gladiadores foram os eventos sociais da época mais famosos.
O coliseu foi construído no século I por ordem dos imperadores da dinastia flaviana, Vespasiano e Tito e o seu nome, coliseu, foi-lhe atribuído como homenagem a uma estátua colossal de Nero que se encontrava ali perto. O coliseu ao ser construído tornou-se o maior do mundo podendo receber mais de 50.000 pessoas. Por ele passaram jogos de gladiadores, caça de animais selvagens e execuções públicas. O declínio deste edifício começou em 438 quando Valentiniano III aboliu os jogos de gladiadores. É incrível pensar que o coliseu durante a idade média e o renascimento funcionou como pedreira, abrigo para animais e oficina de artesões.

Foi já no século XVIII com o renovado interesse pela antiguidade clássica na Europa que as ruínas deste coliseu ganharam reconhecimento cultural especialmente por artistas e escritores o que levou a serem feitas escavações e projectos de restauro.
Ao ser o coliseu um dos locais que atraem mais turistas à cidade recomendo a comprarem bilhetes com antecedência e não esperarem pelo próprio dia para o fazerem. Para além disso se puderem marquem os bilhetes para o mais cedo possível. Nós passamos cerca de uma hora e pouco a visitar o coliseu que como disse àquela hora mais matinal e com a maratona a decorrer estava bastante mais vazio do que o esperado (felizmente).
Foro Romano e Palatino

A entrada para o Foro Romano e Palatino é a mesma, a 5 minutos do coliseu. Fomos primeiro explorar o Foro Romano com uma paragem inicial no museu com o mesmo nome. A nossa ideia de vir aqui era o de ir à casa de banho já que no coliseu apenas é possível fazê-lo no início da visita, o que não sabíamos na altura. Como entrámos no museu acabámos por visitá-lo e encontrar no terraço uma das melhores vistas para o coliseu.
Foro Romano
Não vou entrar em muitos pormenores sobre o Foro Romano nem sobre o Palatino, mas há realmente imenso para ver, desde jardins, igrejas, templos, torres, arcos, monumentos, e o local é tão rico que facilmente se perdem várias horas a deambular pela área. Foi durante esta visita que apanhámos alguma chuva, aquela chuva miudinha irritante, que não tirou em nada o valor e a beleza do local.
Uma limitação dos nossos bilhetes que só nos apercebemos enquanto visitávamos o Foro Romano era a entrada para alguns dos edifícios tanto aqui no Foro como mais tarde no Palatino já que o acesso era apenas permitido a quem tivesse o Forum Pass Super. Sem dúvida que a companhia que gere estes locais sabe como monetizar o seu potencial.

O Foro Romano tomou a sua forma como centro da vida pública a partir do século VII a.C. depois de a zona ter sido drenada. Durante vários séculos desde esta altura até o século IV d.C. foram sendo adicionadas várias construções, muitas das quais ainda hoje há vestígios. O Foro Romano foi deixado ao abandono durante muitos séculos e só depois da unificação da Itália, já no século XX, se realizaram escavações na área.
Palatino
Depois do Foro Romano fomos subindo a colina até chegarmos ao Palatino. A experiência enquanto aqui estivemos foi de certa forma paradoxal, de um lado as ruínas de casas de famílias aristocráticas, os vestígios mais antigos de Roma, por outro lado os gritos de excitação, apitos e vozes ao megafone que animavam a maratona que decorria mesmo ali ao lado. Isto foi particularmente notado enquanto estivemos perto da Domus Augustana, a zona residencial central do palácio de Domiciano, uma das áreas que nos chamou mais a atenção. Esta residência em particular tinha dois andares, o andar superior que ficava ao nível do chão e o nível inferior que era usado para refeições com uma fonte central e um mosaico com desenhos de quatro petas lembrando os escudos das amazonas.

Outro local que nos chamou a atenção foram as ruínas do chamado Stadio Palatino, nome dado pelo formato em forma de estádio, pensando-se por isso que aqui se realizavam corridas.
Antes de sairmos do complexo do Foro Romano e Palatino ainda passámos por uma construção de enormes dimensões – a imponente Basilica di Massenzio, também conhecida por Basilica di Constantino, construída entre 308 e 312. Esta basílica era a maior estrutura do Foro Romano contando com 35 metros de altura e 100 metros de comprimento. Foi recentemente descoberto que no século IV era aqui a sede do tribunal para os julgamentos dos membros do Senado, o Secretarium Senatus. Mesmo estando apenas de pé a nave norte é fácil de imaginar o quando magnífcio seria este edifício nos seus momentos de glória.

Basílica de Santa Francesca Romana – dedicada à padroeira dos motoristas
Quando estivemos perto da Basilica di Massenzio reparámos em várias pessoas a entrar para uma igreja que ficava mesmo ali ao lado, mas que para a visitar era preciso sair do complexo do Foro Romano, dar a volta em frente ao Coliseu e depois subir a pequena rua ‘Clivo di Venere Felice’. O que foi o que fizemos a seguir.
A basílica foi construída onde antes ficava o antigo oratório de São Pedro e São Paulo do século VIII, e apesar de ter sido reconstruída no século XIII foi no século XVII que incorporou a arquitectura barroca. Na abside da igreja encontram-se mosaicos do século XII onde a Virgem Maria com Jesus ao colo têm a posição central.


Mas foi o quadro Madonna Glycophilusa, obra de arte do século V que nos chamou mais a atenção. Outra parte da igreja que vale a pena notar é o tecto com os seus pormenores a dourado em fundo azul-escuro e vermelho.
Monumento a Vittorio Emanuele II
Depois de visitarmos os vestígios do grande império romano, seguimos para o monumento a Vittorio Emanuele II também conhecido por Vitoriano. Num dos dias anteriores já tinha passado junto a este monumento, mas tinha deixado para hoje a subida aos diferentes patamares e a visita ao interior.
A fachada principal deste edifício pode dividir-se em 3 patamares distintos – o primeiro, o Altar da Pátria é onde se encontra o túmulo do Soldado Desconhecido que homenageia os soldados que morreram durante o corso da Primeira Guerra Mundial. Este patamar foi idealizado por Giuseppe Sacconi tendo sido o escultor Angelo Zanelli quem contribuiu com o friso de estátuas que segue o comprimento do patamar. O túmulo é ainda hoje protegido por dois guardas, o que pudemos confirmar.

O terceiro patamar, o do topo, é o terraço panorâmico. Para tal deixámos o Altar da Pátria e subimos pelas escadas exteriores laterais que, ao chegar ao segundo patamar, onde fica o Museu Central do Risorgimento, seguem pela parte detrás do edifício No entanto, a certa altura para chegarmos ao terraço panorâmico verificámos que era preciso ir de elevador. E que esta viagem de elevador tinha um custo de 18 euros. Decidimos por unanimidade não subir até ao terraço. Acredito que a paisagem de 360º seja soberba, no entanto tivemos oportunidade de ver várias paisagens da cidade em diferentes ângulos e sem ter de pagar durante esta viagem.
Portanto, descemos a escadaria agora por dentro do edifício passando por várias estátuas incluindo a estátua da Quadriga da Liberdade (Quadriga della Libertà) que espelha a estátua com o mesmo nome na fachada principal exterior. No interior deste monumento é onde fica a entrada para o Museu Central do Risorgimento com várias exposições desde o século XVIII até à Primeira Guerra Mundial. A entrada para este museu (bilhete completo) custava 18 euros. Também aqui decidimos não visitar o museu e continuarmos com o nosso itinerário que seguia para a igreja que fica ao lado deste monumento, a basilica di Santa Maria in Aracoeli.
Para mais informações sobre o monumento a Vittorio Emmanuele II vejam o seguinte link: https://vive.cultura.gov.it/it
Basilica di Santa Maria in Aracoeli – a quase demolida
Para chegar a esta basílica tivemos de descer toda a escadaria do monumento a Vittorio Emanuele II e subir toda a escadaria até à sua entrada. A escadaria com 124 degraus foi construída em 1348 como oferenda à Virgem para terminar com a peste que assolava a Europa. Depois da sua construção esta escadaria foi considerada por muitos como uma verdadeira escada santa, onde muitas pessoas subiam de joelhos para fazer ou pagar as suas promessas feitas à Virgem. Tal como em Fátima em Portugal.

No topo desta escadaria há que parar por um momento e olhar em volta para ver a beleza daquela praça e arredores. Na altura em que viemos visitar esta basílica a maratona ainda estava a decorrer e passava mesmo junto à base da escadaria, onde várias pessoas aplaudiam e encorajavam os participantes.
Quanto à própria basílica, esta foi construída nas ruínas do templo de Juno Moneta do século VI. A basílica foi restaurada no século XIX, depois de ter sido utilizada como estábulos durante a ocupação francesa e a República de 1797, naquele que é chamado período napoleónico. A basílica voltou a sobreviver em 1870 quando a sua demolição esteve iminente para dar lugar a uma parte do monumento a Vittorio Emanuele II.
Statua colossale di Costantino
Em seguida fomos tentar descobrir a estátua de Constantino I. Eu já tinha tentado encontrar a estátua no dia em que visitei esta zona, mas não tinha seguido o caminho correcto. Então para visitar esta estátua é preciso seguir o mesmo caminho como se fosse para o Museo Capitolino. Para tal, foi necessário descer a escadaria em frente à basílica e em seguida voltar a subir a escadaria mesmo ao lado, a Cordonata Capitolina, que nos levou até à Piazza del Campidoglio.


Ao chegar à Piazza del Campidoglio virámos à direita e continuámos pela Via delle Tre Pile. Antes de chegar à curva que liga com a Via di Villa Caffarelli encontrámos então o pequeno portão que dava entrada para o Museo Capitolino. Apesar da visita ao museu ser paga, onde estão expostos os vestígios da estátua original, não é preciso pagar para visitar o pátio exterior onde se encontra a réplica desta imponente estátua.
A réplica foi criada usando 10 partes da estátua original como molde, as quais foram encontradas no século XV durante uma escavação à Basilica di Massenzio. Michelangelo foi quem organizou os fragmentos encontrados e os expôs no pátio do Palazzo dei Conservatori que fazem hoje parte do Museu Capitolino. O projecto para criar a réplica desta estátua começou em 2022 e foi ali colocada dia 6 de fevereiro de 2024.
Para ver as partes originais da estátua incluindo a cabeça, o braço e mão do lado direito e os pés, é preciso comprar bilhete para visitar o interior do museu. Para nós chegou ver a enorme réplica que representa o quanto imponente a estátua devia ser nos seus tempos de glória. Para mais informações sobre o projecto que levou à criação da réplica vejam o seguinte link: https://factumfoundation.org/our-projects/3d-sculpting/re-creating-the-colossus-of-constantine/
Basilica di Sant’Andrea della Valle – a ilusão de um céu na cúpula
E foi com a estátua de Constantino que deixámos esta parte da cidade passando ainda pelas ruínas dos templos de Apolo Sosiano e di Bellona tal como pelas ruínas do Portico d’Ottavia.

Caminhando já em direcção ao Panteão para o qual tínhamos bilhetes marcados, parámos em duas igrejas, tendo sido a basílica di Sant’Andrea della Valle a primeira. E para mim foi uma das igrejas mais bonitas que visitámos em Roma. A
basílica começou a ser construída em 1591 e prolongou-se até à segunda metade do século XVII, contando com a participação de vários artistas. A basílica para além da nave principal tem oito capelas e uma cúpula que quando foi inaugurada em 1622 era a segunda maior da cidade, sendo apenas ultrapassada pela da basílica de San Pietro.


Os frescos da cúpula de Giovanni Lanfranco representam ou pretendem dar a ilusão da entrada do céu pela basílica adentro. E foi certamente a cúpula um dos elementos desta basílica que mais se destacaram durante a visita.
Piazza Navona
Estando nesta parte da cidade não podíamos não passar pela Piazza Navona que mantém o formato do estádio original de Domiciano. Nesta praça é onde se encontram os mais bonitos exemplos da arquitectura barroca como a igreja de Sant’Agnese in Agone e o palácio Pamphilj que fica mesmo ao lado da igreja. Também nesta praça encontram-se 3 fontes, a Fontana del Moro (fonte do mouro), a Fontana del Nettuno (fonte de Neptuno) e no centro da praça a Fontana dei Quattro Fiumi (fonte dos quatros rios).

Para nós a Piazza Navona foi apenas um ponto de passagem, mas que não podia deixar de fazer parte do nosso itinerário, sendo uma das principais praças de Roma.
Chiesa di San Luigi dei Francesi – pinturas de Caravaggio
Esta igreja fica entre a Piazza Navona e o Panteão e é a igreja nacional dos franceses. A igreja foi projectada por Giacomo della Porta e construída por Domenico Fontana entre 1518 e 1589. As obras de arte mais conhecidas deste igreja são três pinturas de 1599 a 1602 de Michelangelo Merisi também conhecido como Caravaggio.
Almoço tardio no All’Antico Vinaio
Como ainda tínhamos algum tempo antes de visitar o Panteão decidimos que esta era a altura certa para comer qualquer coisa. E encontrámos não muito longe do Panteão um dos estabelecimentos do All’Antico Vinaio, uma franchise de sandes muito aclamada espalhada por várias cidades em Itália.
Quando chegámos pareceu-nos haver duas filas sendo uma delas enorme, que até hoje não sei se era a fila para uma parte do estabelecimento com mesas, mas como do outro lado não vinha fila nenhuma juntámo-nos a essa. Mas para dizer a verdade, agora pensando bem, é provável que tenhamos cortado fila já que a fila estava separada pela estrada principal. Bem, se assim foi, nós não nos demos conta na altura nem ninguém mandou vir conosco.


O menu era extenso com mais de 30 opções diferentes e acabámos por escolher a toscana com salame, creme de cebola e tomates secos. Cada sandes custa cerca de 8 a 12 euros, aquela que escolhemos, a toscana, custava 9 euros, mas cada uma é enorme e bastou uma para os dois. Ficámos imediatamente fãs, tanto que voltámos a vir ao All’Antico Vinaio que fica na estação de Roma no dia que regressámos a casa e numa outra viagem a Florença.
Ainda nos sentámos nas escadas da fonte que fica em frente ao Panteão apenas para termos a polícia a vir falar connosco já que é proibido comer em monumentos.
Para ver localidades, menus e horários do All’Antico Vinaio cliquem no seguinte link: https://www.allanticovinaio.com/
Panteão de Roma
O Panteão é sem dúvida um dos locais mais conhecidos em Roma e como tal um dos locais mais movimentados na cidade. Os nossos bilhetes para visitar o Panteão estavam incluídos no Roma Tourist Card mas as instruções eram pouco claras tanto em como obter os bilhetes como em que fila nos devíamos colocar para entrar.
Como obter os bilhetes e o áudio guia através do Rome Tourist Card
Quando chegámos ao Panteão havia várias filas, mas nenhuma indicava a qual era a correcta para quem já tivesse adquirido os bilhetes. Para não haver confusões e perdas de tempo fomos perguntar a um dos assistentes que estava à entrada. Este disse-nos que tínhamos de ir à loja que ficava ali ao lado, a Legami, e como tal foi para lá que nos dirigimos, mas ainda assim confusos. Na loja também não vimos nenhuma indicação sobre onde ir para quem tivesse os bilhetes para o Panteão e acabámos por perguntar aos empregados no balcão que nos disseram que também não era ali o sítio certo e que o que tínhamos de fazer era encontrar o funcionário da Roma Tourist Card na praça em frente ao Panteão. Com o número de pessoas que andava pela praça pareceu-nos uma tarefa difícil. Felizmente o empregado da loja teve pena de nós e veio connosco indicar qual era a pessoa certa, que não estava de todo sinalizada como tal. Uma total confusão devo dizer.


Mas sim, aquela era a pessoa correcta e só tivemos de mostrar o mail da reserva para recebermos efectivamente os bilhetes de entrada e acesso ao guia eletrónico através do telemóvel. Mas como saberíamos nós a quem nos dirigir é algo que até hoje não consigo entender. Quanto à fila no Panteão, aquela que nos foi indicada era a mais longa, por isso também não sei bem qual é a diferença em ter ou não os bilhetes marcados.
Tal como mencionei sobre a Basilica di San Pietro também aqui no Panteão todo o processo foi bastante confuso, o que é de espantar já que estas áreas são especialmente movimentadas.
Entrada para o Panteão
Depois de estarmos na fila durante algum tempo finalmente entrámos no Panteão, e fiquei bastante surpreendida por o espaço interior não estar a abarrotar de pessoas tendo em conta a longa fila de espera. Talvez fosse porque o interior do Panteão acabe por não ser muito grande.


O Panteão é composto por uma sala circular e sendo ele uma igreja, a igreja da Santa Maria ad Martyres tem um altar e vários bancos corridos. O centro da cúpula tem uma entrada por onde entra a luz solar. Apesar do Panteão à primeira vista puder parecer simples em comparação com as igrejas ricamente decoradas em Roma, a verdade é que a estrutura deste edifício tem sido alvo de várias pesquisas e estudos. O meu marido que é de conservação e restauro contou-me que a arquitectura do Panteão de Roma é mencionado no curso como exemplo único especialmente tendo em conta a época em que foi construído.
Breve história e curiosidades associadas ao Panteão
O Panteão foi mandado construir em 27 a.C. por Marco Vipsânio Agripa como templo dedicado às sete divindades planetárias. E daí vem o seu nome já que Panteão significa ‘de todos os Deuses’. Este edifício foi reconstruído entre 118 e 125 d.C. por Adriano que não teve em conta a disposição original da estrutura e inverteu a sua orientação em 180º. O Panteão acabou por ser abandonado e saqueado pelos bárbaros até 609 d.C. altura em que o imperador bizantino Flávio Focas Augusto doou este templo ao papa Bonifácio IV passando este a ser dedicado a Santa Maria ad Martyres, o que o protegeu de mais saques.


Há várias curiosidades associadas ao Panteão, episódios que fazem parte da sua história, como por exemplo em 1625 sob o pontificado de Urbano VIII Barberini mandou-se retirar os revestimentos de bronze do pórtico para os usar na basílica di San Pietro e nos canhões do Castelo de Sant’Angelo, acção que lhe atribuiu um ditado popular ‘Quod non fecerunt barbari, fecerunt Barnerini’ que em português se traduz ‘o que os bárbaros não fizeram, fizeram os Barberini’. Outra curiosidade são as chamadas ‘orelhas de burro’, duas torres que foram construídas, uma em cada lado da fachada na mesma época de Barberini, removidas depois da unificação da Itália.
No entanto, o que é mais espantoso neste Panteão e a razão para ser discutido entre restauradores e historiadores é o seu interior, uma esfera perfeita sendo a sua altura igual ao seu diâmetro. Tal como a cúpula que ao contrário de outros edifícios não tem armação de apoio. Para assim ser construída a cúpula é mais pesada na base e mais leve no topo; há medida que a cúpula sobe em altura, a espessura da parede vai reduzindo tal como o tipo de materiais se vai alterando, tendo sido utilizado o travertino na base, um material mais pesado, e pedra-pomes no topo.
Durante a visita a esta igreja, estivemos a ouvir o áudio guia no telemóvel o que foi bastante interessante e que incluiu grande parte destas curiosidades sobre o Panteão. Tal como o guia nos descreve, neste Panteão encontram-se vários túmulos de reis de Itália como o de Vittorio Emanuele II e de artistas como Rafael.
Dica para visitar o Panteão sem pagar
- Se estiverem em Roma no primeiro Domingo do mês visitem o Panteão neste dia já que a entrada é gratuita.
Para mais informações sobre o Panteão de Roma cliquem aqui: https://direzionemuseiroma.cultura.gov.it/pantheon/
Basilica di Santa Maria Sopra Minerva – tecto estrelado
A paragem seguinte ficava bastante perto do Panteão, a basílica di Santa Maria Sopra Minerva, uma das igrejas mais conhecidas pelo seu tecto de fundo azul-escuro e pelo obelisco que se encontra em frente cuja base é um elefante. O obelisco egípcio do século VI a.C. foi o primeiro elemento que vimos na Piaza della Minerva. A base de sustentação em forma de elefante foi projectada por Bernini e construída por Ercole Ferrata em 1667. Não sei a razão por se ter escolhido um elefante, mas sem dúvida que marca a entrada para esta basílica exactamente por não ser expectável.


Já a visita à basílica é aquilo é esperado para quem viu fotografias de antemão sendo o tecto estrelado de fundo azul o que chama mais a atenção. Esta basílica foi construída no século VII onde se encontravam as ruínas de três templos dedicados a Minerva, Ísis e Serápis. A basílica foi reconstruída incorporando o estilo gótico no século XIII. Mas foi em 1850 que o interior da basílica ganhou o seu revestimento em mármore e a decoração pictórica incluindo o característico tecto. Na verdade, este tecto mostra como seria o da Capela Sistina antes de Michelangelo pintar os seus frescos. Também às capelas da basílica di Santa Maria Sopra Minerva lhe é reconhecido o valor cultural sendo nelas exibido várias obras de arte de tal forma que podem até ser consideradas galerias de arte.
E com a visita a esta basílica deixávamos esta zona da cidade para visitarmos em seguida a Basilica di Santa Prassede e a Basilica Papale di Santa Maria Maggiore.
Basilica di Santa Prassede – pequena em tamanho, imensa em beleza
A entrada para a basílica di Santa Prassede fica numa rua lateral, a Via di Santa Prassede, a minutos de distância da Piazza di Santa Maria Maggiore. Apesar da entrada modesta o seu interior de modesto não tem nada com 16 colunas de granito em que três funcionam como pilares de reforço sobre as quais assentam três arcos transversais decorados com frescos que datam o início o século XVI.


No entanto, a obra de arte principal é a que se encontra no altar que retrata Santa Prassede a recolher o sangue dos mártires. Este quadro está rodeado pelos mosaicos dourados de influência bizantina da época de Pasquale I do século IX.
Durante a nossa visita estava a decorrer um ensaio, pareceu-nos um ensaio do coro, e foi sob a voz de canto que passeámos pelas vias laterais desta basílica, que se de tamanho não se compara a outros igrejas, de beleza não fica atrás.
Basilica Papale di Santa Maria Maggiore – o verdadeiro significado de obra de arte
Este foi o último local que visitámos neste Domingo que começou com o Coliseu de Roma. E não escolheria melhor local para terminar este dia do que nesta basílica. Para entrarmos tivemos de nos juntar a uma fila, que por sinal não era longa e que avançava rapidamente. Para visitar a basílica não é preciso pagar, mas é preciso passar pela segurança, mostrar as malas e passar pelo detector de metais, razão pela qual há normalmente fila à entrada.


Entrámos na basílica às 17:50 e a missa começava às 18:00. O que fez com que embora a igreja estivesse aberta a visitantes, a parte central pudesse apenas ser acedida pelos crentes que vinham assistir à missa. Devo dizer que para quem não vai à missa regularmente e não é crente, nestas viagens assisto a mais missas do que desejaria e não só da religião católica.
Apesar de não termos podido visitar bem a igreja valeu a pena ficarmos a conhecer uma parte do interior da basílica, com o seu tecto renascentista adornado em ouro e vários túmulos marcados por magníficas e detalhadas esculturas.
Jantar no restaurante Rebasilico
Quando uma pessoa pensa em viajar para Itália, em qualquer parte do país que se vá, imagina que vai ver bonitas paisagens, incríveis obras de arte, e claro comer comida de fazer crescer água na boca que só os italianos sabem fazer. E é por isso que me deixa não só frustrada, mas também um pouco zangada quando a experiência não chega às expectativas. E isso aplica-se em qualquer lugar do mundo.
E é sobre uma dessas experiências que vou falar aqui, o último jantar em Roma, num restaurante que não está mal avaliado tendo mais de 4000 avaliações no Google, mas no qual o serviço deixou muito a desejar. Pior ficámos quando depois de sairmos deste restaurante descobrimos outro na mesma rua onde não só os preços eram mais em conta como os pratos que passavam por nós estavam bem mais bem servidos. E pela forma como os clientes comiam, só podemos assumir que a comida devia ser óptima.
Primeiro, porque escolhemos o restaurante REbasilico?
Depois do dia a percorrer Roma queríamos jantar num restaurante que ficasse relativamente perto do Aquarius Inn. E como a dona deste estabelecimento nos tinha dado dois cartões para ter sobremesa grátis num dos restaurantes que ficava na mesma rua, a escolha foi quase feita por nós. O restaurante é o REbasilico e pelo menu e fotografias pareceu-nos uma boa escolha para aquela noite. Tínhamos marcado mesa duas horas antes quando voltámos para o nosso quarto com medo de que o restaurante estivesse cheio à hora que queríamos ir.

Apesar do menu ser extenso nós tínhamos decido que queríamos pizza e foi aqui que as coisas começaram a correr mal. Eu estava indecisa entre duas e quando o empregado veio tirar os pedidos ele simplesmente insistiu e insistiu que se íamos pedir pizza tinha de ser a Diavola e que não havia melhor e até foi buscar o salame picante para experimentarmos. Eu como já tinha comido a Diavola na primeira noite em Roma no restaurante Mariuccia não me estava muito a apetecer e nem era uma das pizzas das quais estava indecisa. E mesmo depois de ter dito as pizzas que estava a pensar pedir o empregado continuou a insistir tanto que ao sentir-me um pouco assoberbada com a insistência que por aquela altura já me pareceu pouco profissional, acabei por dizer que sim à Diavola. E arrependi-me ainda as pizzas não tinham chegado, mas não disse nada para evitar mais episódios com o empregado. E a verdade é que a pizza Diavola era bastante fraquinha, especialmente comparada com a que tinha comida no restaurante Mariuccia. Felizmente o meu marido tinha concordado em dividir as pizzas, sendo que a dele com fiambre e cogumelos era bastante melhor, tendo mesmo ele dito que a Diavola não era grande coisa.
Como podem ver o jantar foi uma desilusão. Eu ainda pensei que talvez devesse ter pedido antes um prato de massa, o que fizeram as duas senhoras que estavam na mesa ao lado. Mas também não teria melhorado a experiência já quantidade nos pratos era muito pouca especialmente para o preço que era.

E agora vamos à parte da sobremesa e dos cartões de oferta. Cada um tinha um cartão para cada um ter uma sobremesa. O empregado apenas nos deixou pedir uma sobremesa dizendo que a quantidade que viria era grande e a sobremesa seria suficiente para partilhar. Quando a sobremesa chegou olhei para o prato e depois para o meu marido enquanto pensava, isto é que é para partilhar? Porque o que chegou à mesa foi um prato com duas bolas de massa frita de tamanho tipo profiterole com chocolate derretido e açúcar em pó por cima. Independentemente de quantas calorias tinha cada bola não me parece que fosse lugar do empregado julgar o quanto deveríamos comer ou fazer aquele comentário recusando-se a aceitar o segundo cartão. A sobremesa não foi muito boa e o meu marido acabou por pedir um tiramisu. E isso para mim mostra que a sobremesa não era mesmo para duas pessoas que ele nem sequer é muito ligado aos doces. O meu marido gostou imenso do tiramisu dizendo que era muito melhor do que o do dia anterior do restaurante Mino. Eu provei e não concordei. Mas reconheço que é possível que por esta altura já não gostasse de nada estando farta do tipo de serviço que estava a receber como cliente naquele restaurante.

Talvez com outro empregado a minha opinião fosse diferente, talvez tivesse pedido a pizza que queria e se não gostasse aceitava que tinha sido a minha decisão. Talvez tivessem deixado pedir duas sobremesas sem comentários desnecessários e talvez o serviço não tivesse parecido descuidado e apressado, que assim foi durante toda a refeição até se pedir o tiramisu que demorou tanto a chegar que já estávamos a considerar cancelar o pedido e sair.
O restaurante de que falo é este: https://www.thefork.co.uk/restaurant/rebasilico-r659713 e como podem ver está bem avaliado, apenas precisam de ser servidos pelo empregado certo.
Restaurante Da Vicenzo – onde deveríamos jantado
Ao final do jantar decidimos que queríamos uma bebida, mas que não seria neste restaurante. Dando uma volta pelo quarteirão acabámos por entrar no restaurante Da Vicenzo que ficava na mesma rua do Aquarius Inn e onde estavam apenas locais a comer. E já se sabe que é nesses estabelecimentos que vale a pena ir.

Apesar do jantar ter sido uma desilusão, a fome tinha desaparecido, por isso apesar da comida deste restaurante parecer deliciosa apenas pedimos dois aperol spritz. Ficámos com pena de não termos tido oportunidade para comer neste restaurante, mas deixo aqui a dica para que o possam fazer. E sim podem argumentar que este restaurante tem a mesma avaliação (4.4) que o Rebasilico mas pelo que vi a comida e o ambiente aqui são mais autênticos.
Restaurante Da Vicenzo: https://www.hostariadavincenzo.it/
E foi depois desta bebida e ainda a remoer a refeição que voltámos para o nosso quarto para a nossa última noite em Roma.
Sétimo dia – últimas horas em Roma
Jardins da Villa Borghese
Este seria o nosso último dia em Roma depois de quase uma semana a conhecer esta incrível cidade. Deixámos o Aquarius Inn depois do pequeno-almoço e com as malas guardadas na zona da recepção, já que felizmente podíamos vir buscar as malas mais tarde quando fôssemos para o aeroporto.

As próximas horas seriam passadas a passear pelos bonitos jardins da Villa Borghese com uma primeira paragem na basílica Santa Maria degli Angeli e dei Martiri uma vez que o meu marido ainda não tinha visitado esta igreja. Também os jardins da Villa Borghese já não eram uma completa novidade para mim tendo vindo aqui num dos finais de tarde quando a conferência ainda estava a decorrer. No entanto hoje poderia passar pelos jardins com mais tempo e à luz do dia.
Mas vou fazer proveito desta oportunidade para voltar a mencionar o quanto vale a pena incluir os jardins da Villa Borghese no itinerário, não só estes jardins estão pontuados com esculturas e museus como também o miradouro é um dos mais bonitos da cidade. E completamente gratuito.
Estivemos nestes jardins por quase uma hora até fazermos o nosso caminho até à Piazza del Popolo antes de irmos completar uma das minhas missões para este dia: comer um gelado.
Piazza del Popolo
A Piazza del Popolo começou a ser foco de atenção na segunda metade do século XVI com a construção de uma nova fonte e a mudança do obelisco egípcio a mando do papa Sisto V para esta praça que ainda hoje se encontra no centro juntamente com a fonte dos leões. Entrámos na praça através do grande arco Porta del Popolo.

Esta praça tem imensos pontos de interesse como o museo Leonardo da Vinci, a basilica di Santa Maria del Popolo e várias fontes. Mas o que nos chamou a atenção foram as duas igrejas que por fora aparentam ser idênticas, a basilica di Santa Maria in Montesanto e a Chiesa di Santa Maria dei Miracoli, mas que por dentro têm disposições geométricas e cúpulas diferentes.
Gelataria La Romana dal 1947
Mas antes de visitarmos ambas estas igrejas havia algo mais importante, comer um gelado. Decidimos ir experimentar a gelataria La Romana dal 1947, companhia que tem várias localizações na cidade. Na verdade, esta gelataria foi-nos recomendada pela dona do Aquarius Inn já que havia uma loja perto de onde ficámos hospedados, mas acabámos por ir à que ficava perto da Piazza del Popolo, já na outra margem do rio Tibre. A gelataria está avaliada em 4.7 e tem mais de 10 mil avaliações. Nesta gelataria os gelados estão armazenados exactamente como é aconselhado, dentro de recipientes tapados de metal para manter o sabor e a textura.

Quando chegámos à gelataria não havia muita gente dentro da loja de tal forma que conseguimos dois dos poucos assentos disponíveis. Provavelmente porque viemos ainda não era meio-dia. Não que eu pense que haja alguma hora em que não deva comer gelado. O difícil foi mesmo escolher os sabores, mas acabei por escolher chocolate negro, pistacchio e coco. Ficámos fãs do chocolate negro e do pistacchio, o de coco era Ok. Mas se pudesse teria experimentado todos os sabores. Como o meu maior pecado é a gula também pedi um tiramisu, mas se os gelados eram deliciosos, o tiramisu era demasiado seco e não tinha grande sabor. Portanto, gelados sim, mil vezes sim, quantos aos bolos não fiquei convencida.
Página oficial da Gelataria dal 1947: https://www.gelateriaromana.com/
Igrejas na piazza del Popolo
Depois das guloseimas voltámos para a piazza del Popolo (em português, praça do povo) para visitarmos as duas igrejas. Não visitámos a basílica principal desta praça, a basilica di Santa Maria del Popolo, mas apenas porque não reparámos nela.

Entrámos primeiro na igreja di Santa Maria dei Miracoli e mais uma vez viemos quando estava a decorrer uma missa. Como a igreja não era muito espaçosa não nos sentimos à vontade de ficar para visitá-la e voltámos a sair seguindo para a basilica di Santa Maria in Montesanto.
Ambas estas igrejas foram construídas no século XVII, designadas por Carlo Rainaldi e concluídas por Gian Lorenzo Bernini e Carlo Fontana.
Roma Termini e Mercato Centrale
E foi esta a última igreja que visitámos em Roma. Subimos novamente até aos jardins da Villa Borghese para depois descer a colina de volta ao Aquarius Inn. De malas nas mãos fomos para a estação Roma Termini onde íamos apanhar o autocarro Terravision para o aeroporto (cujo bilhete ida e volta tínhamos comprado no primeiro dia – ver post aqui).
Antes de irmos para o aeroporto tínhamos concordado em comer no Mercato Centrale que fica na estação de comboios pois esperávamos que os preços fossem mais em conta. Demos uma volta pelo mercado e sim há várias opções, mas os preços não nos pareceram assim tão baratos e no final não houve nada que nos chamasse a atenção. Saímos do mercado e acabámos por ir até ao piso de cima da estação onde encontrámos uma loja do All’Antico Vinaio.

Não foi preciso pensarmos duas vezes e desta vez cada um pediu uma sandes, um pediu a vegetariana 1 e o outro a vegetariana 2, a primeira com mozzarela, tomates secos, creme de cebola e curgete e a segunda com molho de pistacchio, queijo stracciatella, tomates secos e manjericão. Dá-me a impressão de que a vegetariana 1 era melhor do que a vegetariana 2, mas estamos a comparar algo muito bom com algo muito bom.
Mesmo antes de apanharmos o autocarro para o aeroporto ainda dei um salto ao mercado porque queria mais uma vez comer um maritozzo. A bancada que me tinha chamado a atenção ficava mesmo à entrada do mercado e havia vários tamanhos e várias opções. Pedi um maritozzo de tamanho mais pequeno desta vez de pistacchio – ao brioche recheado com o creme de natas foi adicionado por cima um creme de pistacchio e pistacchio partido aos bocados. Uma bomba de calorias e digo-vos cada uma dela valeu a pena. Mas mesmo assim penso que prefiro a opção original.

E com este maritozzo esta viagem a Roma dava uma volta de 360ºC, acabando da mesma maneira que começou – a comer um maritozzo.
Outras viagens a Itália





