Índice deste post
- Segundo fim de tarde em Roma
- Basilica S. Maria degli Angeli e dei Martiri: o resultado de uma visão profética
- Jardins da Villa Borghese e miradouro da piazzale Napoleone I
- Panini e mais um pequeno pecado gastronómico
- Mudança de alojamento e novos planos
Segundo fim de tarde em Roma
Depois do segundo dia da conferência terminado, dia esse com direito a mais palestras, mais um almoço delicioso e até uma mudança de quarto, saí do Hotel Quirinale para aproveitar as últimas horas do dia para explorar a cidade.

Ao chegar à saída do hotel, virei para o lado oposto ao dia anterior (ver post anterior aqui), começando por ir visitar a basílica que ficava a menos de 5 minutos do hotel e depois os jardins da Villa Borghese.
Basilica S. Maria degli Angeli e dei Martiri: o resultado de uma visão profética


Depois de andar apenas por uns minutos, cheguei à praça da República (Piazza della Repùbblica), onde à frente se encontra a rústica entrada para a basílica S. Maria degli Angeli e dei Martiri. Já tinha tentado visitá-la no dia anterior, mas, como encerra às 7, tinha chegado demasiado tarde. Mas não se enganem pela entrada simples, pois o seu interior de simples tem muito pouco.
A igreja foi criação de Michelangelo quando este tinha 86 anos, num projecto encomendado pelo Papa Pio IV. A sua construção resultou da visão profética do sacerdote Antonio de Luca, que viu nela uma igreja construída nas ruínas das termas de Diocleciano, dedicada aos sete anjos. A construção da igreja começou em 1561 sem se alterar a estrutura original das termas sendo o relógio de sol adicionado já no início do século XVIII.

A primeira sensação ao entrar na igreja foi a de amplitude, sendo primeiro recebida por uma sala oval, antes de chegar ao átrio principal da igreja. Também visitei uma sala de tamanho mais modesto onde se encontravam várias estátuas de pedra branca que fazia ligação a um pequeno terraço exterior, onde pude ver a estátua de Galileo Galilei.
Jardins da Villa Borghese e miradouro da piazzale Napoleone I
Da basílica segui pelas ruas de Roma até chegar ao arco da Porta Pinciana onde as ruínas das muralhas da cidade do século III ainda ali estão presentes. Foi por essa entrada que acedi aos jardins da Villa Borghese.
Os jardins estão abertos ao público desde o início do século XX, quando passaram a pertencer ao Estado Italiano. Mas nem sempre foi assim; aliás, a sua origem começou em 1606, quando o sobrinho preferido do Papa Paulo V, o cardeal Scipione Caffarelli Borghese, adquiriu vários terrenos adjacentes à propriedade de família, que assim o era desde 1580. A Villa Borghese começou com a construção do edifício principal, o Casino Nobile, e dos jardins em redor. Os primeiros projectos desta villa foram obra do arquitecto Flaminio Ponzio e do seu estudante Giovanni Vasanzio. No entanto, a Villa Borghese, incluindo os seus jardins, foi-se expandindo e sofrendo alterações ao longo dos vários séculos, como, por exemplo, em 1766, quando foram adicionados o Giardino del Lago (jardim do lago) e a Piazza di Siena, e depois, mais tarde, a Villa Giustiniani e as antigas Villas Pamphili e Manfroni, expansões que fizeram parte do contributo do casal Camillo Borghese e Paulina Bonaparte, irmã de Napoleão.

Hoje em dia, este jardim no centro da cidade é um dos lugares verdes mais bonitos da cidade, com inúmeras estátuas e fontes, vários museus e até um lago onde se pode alugar um barco a remos, mesmo ao lado do bonito Tempio di Esculapio. Os jardins são cortados por ruas largas e passear por elas é esperar encontrar algo de interesse a cada canto. Apesar dos vários museus espalhados pelos jardins, eu, no fim de contas, acabei por não entrar em nenhum, mesmo tendo visitado este parque duas vezes. Mas, se da primeira vez, quando vim, já os museus se encontravam fechados, na segunda vez acabou por não haver tempo. No entanto, passei por vários destes edifícios, ficando-lhes a conhecer a parte exterior, como, por exemplo, a Galleria Borghese, o Casino dell’Orologio e o Museo Pietro Canonica.

Para além do parque enorme (com 80 hectares), é também aqui que se encontra um dos melhores miradouros para a cidade de Roma, mais especificamente na Piazzale Napoleone I. O varandim desta praça fica mesmo de frente para a Piazza del Popolo, onde o obelisco Flaminio tem um lugar de destaque. Este miradouro é um dos melhores lugares da cidade para ver o pôr do sol.
Panini e mais um pequeno pecado gastronómico
Já de sol posto, comecei a fazer o trajecto de regresso para o hotel, primeiro pela Viale Adamo Mickievicz e depois pela Viale della Trinità dei Monti. E aconselho a fazerem este caminho para assim terem um duradouro miradouro da cidade. Este trajecto passa pelo topo das escadarias da Praça de Espanha, que tinha visitado no dia anterior, aproveitando para voltar a admirar a bonita cidade de Roma, cuja beleza não deixava de me surpreender.

Agora para jantar queria uma coisa simples, já que tinha passado o dia a comer na conferência. E foi já quase a chegar ao Hotel Quirinale que parei num pequeno estabelecimento ‘Street Food‘, que àquela hora tinha apenas sandes (panini) à venda. Mas as sandes eram enormes. Acabei por escolher duas, uma vegetariana e outra com queijo mozzarella e presunto. Cada custou 5,50 euros e na verdade uma teria chegado perfeitamente — mas a gula é mesmo um dos meus piores pecados. Comi as sandes já no quarto e só tenho a dizer que o pão em Itália é óptimo e enaltece qualquer simples conduto. Para mim, a sandes vegetariana estava um bocadinho salgada, mas a de mozzarella e presunto estava óptima.

Para continuar a satisfazer a minha gula, tinha feito uma paragem adicional no McDonald’s que ficava na mesma rua do Hotel Quirinale para experimentar o gelado McFlurry de pistáchio. Podem dizer o que quiserem sobre ir ao McDonald’s em Itália para comer gelado, mas eu fiquei tão fã desta sobremesa que voltei a comprar outro passados dois dias.
Mudança de alojamento e novos planos
Depois da conferência dada por terminada, o que aconteceu na sexta-feira à hora de almoço, estava na hora de fazer o check-out no Hotel Quirinale e fazer o check-in no segundo alojamento, o Aquarius Inn. E aqui começava a viagem propriamente dita em Roma. No entanto, apesar de ter tido apenas umas horas para visitar a cidade naqueles últimos 3 dias, acho que tinha conseguido ver bastante de Roma. Mas o principal ainda estava para vir, com a visita ao Coliseu, aos Museus do Vaticano e à Basílica de São Pedro — e muito, mas muito mais.