Chegar aos Dolomitas e Cinque Torri

Índice deste post

  1. Chegada a Veneza e Hotel Mary
    1. Aeroporto Marco Polo e serviço de autocarros
    2. Hotel Mary
  2. Cinque Torri nos Dolomitas
    1. Do aeroporto de Veneza aos Dolomitas
    2. Cinque Torri
    3. Passo Falzarego

Chegada a Veneza e Hotel Mary

Aeroporto Marco Polo e serviço de autocarros

Para quem compra bilhetes de avião com alguma frequência já se deve ter apercebido que os voos mais baratos são a meio da semana e à noite. Foi por isso que marcámos o último de voo de sexta-feira para Veneza (aeroporto Marco Polo) com a hora de chegada já a passar da meia-noite. Como chegámos a Itália bastante tarde marcámos um hotel perto do aeroporto para essa noite. No dia seguinte de manhã então voltaríamos ao aeroporto para irmos buscar o carro alugado e seguir caminho para os Dolomitas.

A chegar a Veneza

O hotel que escolhemos foi o Hotel Mary que apesar de não estar assim muito bem avaliado (7.0 em 10 no Booking e 3.4 em 5 no Google) ao menos incluía pequeno-almoço e o preço era em conta. Pelas fotografias esperávamos que o hotel fosse simples, mas limpo. E oferecia aquilo nos dava jeito, check-in disponível durante 24 horas.

Para chegar ao hotel tivemos de apanhar o autocarro, mas no aeroporto foi um bocado confuso. E mais, pelo preço do bilhete do autocarro mais valia termos apanhado um Uber, tanto que foi o que fizemos no dia seguinte quando regressámos ao aeroporto.

Porquê confuso? Porque pelo Google Maps sabíamos que àquela hora tínhamos de apanhar o autocarro número 35, mas quando chegámos às paragens de autocarros reparámos que havia duas, o 35a e o 35b, cada um com destino diferente. Pelas indicações parecia ser o 35b que queríamos já que o 35a ia directo para a estação de comboios Mestre. Mas mesmo assim para confirmar perguntámos ao motorista do 35b se o autocarro parava em ‘Orlanda Tiburtina’ (a paragem que ficava ao pé do hotel Mary) ao que o condutor do autocarro respondeu ‘sei lá onde isso fica’. Bem se ele não sabia muito menos nós, mas vá lá, era aquele o autocarro certo. Apesar de ser irónico que a pessoa que conduz o autocarro e passa por ali todos os dias não saber as paragens do trajecto. Para mais o bilhete custou 5 euros por pessoa (portanto, 10 no total) por menos de 10 minutos de viagem. Que era quase mesmo preço do Uber que rondava os 12 euros.

Hotel Mary

No entanto, depois deste episódio quase caricato, chegámos ao hotel sem mais eventos. O nosso quarto era aquilo que esperávamos, simples, limpo e de tamanho considerável. Talvez a casa de banho e a decoração do quarto pudessem passar por uma renovação, mas nada que nos tirasse o sono. O pequeno-almoço do dia seguinte também era simples, o típico continental, e tinha uns croissants com creme de limão que para mim foram o melhor. Não temos nada a dizer de mal desde hotel e para aquilo que queríamos serviu muito bem.

Pequeno-almoço no Hotel Mary

Deixo aqui o website do hotel Mary: https://www.venicehotelmary.com/, apesar de termos marcado sempre as nossas acomodações pelo Booking.com

Cinque Torri nos Dolomitas

Do aeroporto de Veneza aos Dolomitas

Depois de fazermos o check-out apanhámos o Uber logo à entrada do hotel para o aeroporto de Veneza. Mal chegámos ao aeroporto fomos logo para a zona de aluguer de carros, onde estava já bastante gente e em quase todas as companhias. A nossa companhia era a Noleggiare. Quando chegámos tínhamos 3 pessoas à nossa frente e acabámos por estar cerca de meia hora à espera para ser atendidos. No entanto, tudo foi rápido quando chegou a nossa vez e em menos de nada fomos buscar o carro que nos tinha calhado.

Uma das muitas paisagens durante a viagem para os Dolomitas

Para chegar aos Dolomitas tínhamos duas opções, não pagar portagens e passar pelas várias terrinhas ou ir pela autoestrada e pagar portagens (8.5 euros de Veneza a Belluno). O trajecto pela autoestrada era cerca de 45 minutos mais rápido. A decisão foi feita em menos de nada, para os Dolomitas íamos pela autoestrada, mas na volta passaríamos pelas várias cidades uma vez que teríamos mais tempo. Entre o aeroporto e Cinque Torri, onde íamos primeiro parar antes de irmos para San Cassiano, onde ficaríamos alojados, levou-nos quase 3 horas.

Cinque Torri

Como nesta altura do ano (início de junho) o Rifugio 5 Torri está fechado, pudemos conduzir até perto deste Rifugio e deixar o carro a cerca de 10 minutos dos cinco picos montanhosos, os quais se dá o nome de Cinque Torri. Não é possível fazer o percurso desta maneira quando este Rifugio está aberto, normalmente entre meados de junho até setembro, já que a estrada que sobe a montanha é fechada. Na época alta, a maneira mais fácil de chegar ao topo é apanhar o teleférico em Cortina d’Ampezzo. Aliás a estrada estar aberta quando cá estivemos foi uma das vantagens mencionadas sobre visitar os Dolomitas na época baixa.

Bunkers, armazéns e trincheiras construídos durante a Primeira Guerra Mundial que podem hoje ser visitados em Cinque Torri

Cinque Torri ou as cinco torres foi o local que nos deu as boas-vindas aos Dolomitas. E ficámos logo apaixonados. Para além das paisagens brutais também há uma particularidade no Cinque Torri, o de ser um museu aberto sobre a Primeira Guerra Mundial. Foi nas Cinque Torri que entre 1915 e 1917 se estabeleceu parte do exército italiano usando este local como posto de artilharia. Hoje em dia podem-se visitar as conservadas trincheiras, bunkers e ‘armazéns’ de artilharia e ficar a conhecer as condições onde os militares viviam.

Para conhecer estes locais ao vivo é possível escolher um dos 4 trilhos nas Cinque Torri, onde nas várias paragens se encontram explicações e informações detalhadas daquele período da história. A diferença dos trilhos é a distância e por isso também a duração:

  • M5a – Trincea alta – aproximadamente 20 minutos
  • M5b – Sentiero delle trincee – aproximadamente 30 minutos
  • M5c – Giro delle 5 Torri – aproximadamente 2 horas
  • M5d – Sentiero del lago – aproximadamente 2 horas
Trilhos entre os vários pontos de interesse sobre a Primeira Guerra Mundial em Cinque Torri

A nossa ideia inicial era fazer o trilho Giro delle Torri que passa pelos pontos relevantes da Primeira Guerra Mundial e depois dá a volta às 5 torres. E adorava pôr aqui o mapa deste trilho. Mas digo-vos que depois de várias tentativas não conseguimos dar com o trilho. Mesmo olhando para o mapa que estava junto a um dos tais bunkers não conseguimos perceber por onde avançar. E em minha defesa não fomos os únicos. Até fizemos conversa com um rapaz que andava a tentar fazer o mesmo, mas nenhum de nós teve sorte. Depois de algumas idas e vindas por caminhos que nos pareciam trilhos, mas que acabavam por não ter seguimento decidimos ficar por ali perto do Rifugio Scoiattoli (que também estava fechado) a 2255 metros de altitude. Acabámos por visitar alguns dos locais sinalizados, mas não demos à volta às Cinque Torri.

Por isso em baixo deixo o mapa do trilho encurtado que fizemos em Cinque Torri. Infelizmente o Google Maps não reconhece os trilhos apenas a estrada principal o que faz as direcções sejam ainda mais difíceis de seguir.

Mapa do percurso que fizemos em Cinque Torri

Pequena descrição do percurso:

Estacionámos o carro perto do Rifugio 5 Torri (ponto A) e subimos o trilho de terra que ia ter a um cruzamento (ponto B). Aqui virámos à esquerda até ao próximo cruzamento (ponto C) de onde se via o Rifugio Scoiattoli. Virámos neste cruzamento à direita (as Cinque Torri ficavam à nossa direita até ao ponto panorâmico (ponto D). Fomos descendo e seguindo os caminhos de terra e escadas, passámos por vários locais da Primeira Guerra Mundial (Ponto E). Depois subimos até ao Rifugio Scoiatolli (ponto F) e seguimos pela estrada principal até chegar ao cruzamento (Ponto G). Aqui virámos à esquerda e descemos pela estrada larga de volta ao Rifugio 5 Torri.

Foi aqui que pela primeira vez estive num local com neve, mas com calor suficiente para andar de manga curta. Meio estranho para o cérebro conseguir fazer sentido nisto. Mesmo assim sem fazermos o trilho que queríamos ainda passámos duas horas a explorar a zona. Por isso se calhar até foi bom não termos feito o trilho Giro delle Torri o qual provavelmente nos levaria mais outras duas horas (quando o finalmente tivéssemos encontrado).

Passo Falzarego

Quando saímos do Cinque Torri já passava das 4 da tarde e ainda tínhamos uma paragem antes de San Cassiano, o parque de estacionamento de Passo Falzarego. A ideia era estacionar o carro e depois andarmos até ao ponto panorâmico em Passo Valparola. Sem sabermos inevitavelmente teríamos de parar aqui – não bem no parque de estacionamento que era pago, mas do outro lado da estrada, na terra batida. Esta zona entre Passo Valparola e Passo Falzarego fica num entroncamento e foi onde vimos o sinal a informar que o Passo Valparola estava fechado. O que nos deixou meio consternados, já que essa era a estrada que nos levaria até San Cassiano.

Cruzamento entre Passo Falzarego e Passo Valparola

Aproveitando que já ali estávamos e para confirmar se não podíamos mesmo passar por aquela estrada fomos beber uma cerveja ao café-bar Passo Falzarego. Enquanto pagávamos foi-nos confirmado que a estrada estava fechada até meados de junho e que tínhamos de seguir por Passo Falzarego. Infelizmente isto fez que a nossa viagem de 20 minutos passasse a ser de 1 hora. Por isso digo que se calhar até foi uma sorte não termos feito o trilho em Cinque Torri. São males que vêm por bem, como diz o ditado. Foi assim que depois de estarmos sentados um bocado à esplanada maravilhados com a paisagem e consternados com a alteração de planos, seguimos caminho. Não antes sem pararmos junto à Cappella della Visitazione. Com isto chegámos a San Cassiano já às 6 e meia da tarde.

Quando começarem a procurar por locais a visitar nos Dolomitas vão com certeza encontrar mencionados estes ‘Passo’, que são as estradas onde as paisagens são simplesmente magníficas. O que é verdade, conduzir nestes trechos de estrada deu-nos realmente paisagens de abrir a boca, mas também são estradas de curvas e contracurvas. Por isso bonito, mas atenção na estrada.

Próximo post (Chegada a San Cassiano nos Dolomitas)

No próximo post falaremos das primeiras impressões de San Cassiano e da nossa experiência na Pensione Edelweiss. Também falaremos do restaurante onde fomos jantar perto de San Cassiano e de como gostámos tanto que voltámos lá uma segunda vez.

Preparativos para uma viagem a Dolomitas

Incluído neste post

  1. Onde ficam os Dolomitas?
  2. Época alta e época baixa nos Dolomitas
  3. Desvantagens e vantagens de visitar os Dolomitas durante a época baixa
  4. Preparativos para a viagem
    1. O que levar para os Dolomitas
    2. O que é preciso fazer meses antes de viajar
  5. O nosso itinerário de 8 dias

Onde ficam os Dolomitas?

Nos últimos anos temos explorado várias cidades em Itália, como por exemplo Milão, Veneza e Pádua que ficam mais para norte de Itália tal como Nápoles e Pompeia, estas mais a sul. Temos também aproveitado estas viagens para visitar zonas mais voltadas para a natureza como a Ilha de Capri e Lago Como.

E sem dúvida que ainda temos muito para ver, locais que queremos um dia visitar, mas havia uma zona em particular que nos chamava a atenção. Era daqueles sítios que vinha constantemente à conversa e esse sítio era os Dolomitas, a zona mais a norte de Itália que faz parte dos Alpes. Decidimos finalmente visitar os Dolomitas em junho de 2025 e conhecer duas das suas regiões, Veneto e Sul de Tyrol.

É sem surpresas que os Dolomitas fazem parte do Património Mundial da UNESCO desde 2009. Afinal o que encontrámos foi uma beleza quase estonteante, um local como poucos no mundo.

Dolomitas, Património Mundial da UNESCO

No final posso dizer que foi uma semana intensa, mas no melhor dos sentidos. Ficámos a conhecer um pouco da história associada aos Dolomitas, como por exemplo que parte dos Dolomitas pertenciam à Áustria até à Primeira Guerra Mundial, altura em que passou a estar sob domínio de Itália. E hoje esta região faz parte de Itália, no entanto os vestígios da cultura austríaca continuam presentes e enraizados, houve mesmo alturas que podia jurar estar noutro país que não Itália. E isto é evidente não só na arquitectura mas também na cozinha local. Uma das coisas interessantes que aprendemos foi que em certas zonas, mais em Tyrol, as pessoas falam uma língua diferente que não é nem italiano nem austríaco, mas sim Ladin (ou ladino em português). E Ladin é reconhecida como a língua oficial da região Trentino-Alto Ádige nos Dolomitas.

Agora em relação à nossa viagem, esta calhou naquela que é chamada a época baixa, em inícios de junho, o que trouxe muitas vantagens, mas também algumas desvantagens que vou descrever abaixo. Mas certamente que as vantagens ultrapassaram as desvantagens, pelo menos a meu ver, e em nada diminui a experiência.

Época alta e época baixa nos Dolomitas

Primeiro é preciso perceber quais são os meses que fazem parte da ‘época alta’, a altura do ano em que mais turistas vêm visitar os Dolomitas, em oposição aos meses da ‘época baixa’ quando é tudo mais calmo. Para os Dolomitas as alturas mais intensas são julho, agosto e a primeira metade de setembro e depois novamente de dezembro a fevereiro. Se os Dolomitas são famosos pelos trilhos que se podem fazer durante o verão, são ainda mais conhecidos pela oferta imensa de desportos de inverno nos meses mais frios. Aliás de acordo com a rapariga da pensão onde ficámos, os meses de inverno são muito mais caóticos do que os de verão. Por exclusão de partes, março a junho são meses considerados de época baixa tal como outubro e novembro.

Cinque Torri no último dia de maio de 2025

Como nos Dolomitas os locais aproveitam para ir de férias nas épocas baixas, é importante ter em consideração que grande parte dos estabelecimentos focados no turismo como restaurantes e hotéis estão fechados durantes estes meses. É sem dúvida algo a ter em conta, mas que não impede de viajar até aos Dolomitas. Aliás eu diria que a melhor altura é mesmo no início de junho, quando as coisas começam a abrir, ou então finais de setembro, quando o tempo ainda não é muito frio e tem-se aquelas cores maravilhosas de Outono. E claro, sem grandes multidões. Mas deixo em seguida a lista de vantagens e desvantagens de viajar durante a ‘época baixa’ para que vocês mesmos possam decidir quando é a melhor altura para visitar os Dolomitas.

Desvantagens e vantagens de visitar os Dolomitas durante a época baixa

Desvantagem: Muitos dos restaurantes e hotéis estão fechados durante a época baixa. Isto foi algo que não nos demos conta quando marcámos a viagem até porque escolhemos ficar apenas num local, que acabou por ser a Pensione Edelweiss em San Cassiano. Mais chato foram os restaurantes que estavam fechados, por isso as nossas escolhas, mesmo boas eram um pouco limitadas. Houve até uma noite que andámos a ver de 3 restaurantes até encontrarmos um que estava de facto aberto. E não confiem nas informações no Google – mesmo que diga que está aberto, poderá na verdade não estar.   

Entrada para a Pensione Edelweiss

Vantagem: Como não haviam muitos restaurantes abertos acabámos por experimentar alguns que não teríamos feito de outra maneira e dos quais gostámos tanto que fomos duas vezes. E se fomos duas vezes, não foi apenas por as opções serem limitadas, mas porque gostámos imenso da primeira refeição que quisemos repetir.

Desvantagem: Foi preciso organizar a viagem com atenção porque alguns dos teleféricos ainda estavam fechados e não é muito engraçado subir durante horas se se tiver a contar com o teleférico.

Vantagem: Para nós isto não foi uma desvantagem, mas uma vantagem. Se por um lado os teleféricos estão fechados, por outro as estradas que fecham durante o verão estavam abertas. Foi por isso que pudemos conduzir até ao cimo de Cinque Torri e poupar o dinheiro nos bilhetes do teleférico, que se diga de passagem não são nada baratos. E pudemos também visitar o Lago di Braies chegando depois das 10 da manhã, enquanto no verão é preciso chegar antes das 9 da manhã porque a estrada fica cortada entre as 9 e as 5 da tarde.

Parque de estacionamento P4 em frente ao lago di Braies às 10 da manhã na primeira semana de junho

Vantagem: Isto traz-me à maior vantagem de visitar os Dolomitas nesta altura – o número de pessoas. Não só não há trânsito nas estradas, como não há congestionamento nos trilhos, como também não tivemos de acordar nem às 4 nem às 5 da manhã para arranjar parque de estacionamento ou para não termos de dividir o mesmo espaço com dezenas de pessoas. E se por um lado poucos restaurantes estavam abertos por outro não tivemos problemas em arranjar mesa, mesmo sem reserva. Para mim esta foi a maior vantagem, não só nos Dolomitas mas em qualquer lado.

Desvantagem: Esta desvantagem é apenas para quem viaja em 2025. Como em 2026 os jogos olímpicos de inverno vão ser nos Dolomites há imensas obras nas estradas. E foi algo que nos prejudicou porque a estrada que conectava Cortina d’Ampezzo e San Cassiano, Passo Valparola, estava fechada e sendo a única estrada, tivemos que fazer várias vezes um desvio significativo no nosso itinerário. Foi também devido a estas obras que evitámos ficar hospeados nas cidades principais, Cortina d’Ampezzo e Ortisei.

Vantagem: Quem visitar os Dolomitas em 2026 vão encontrar estradas em melhor estado e melhores infraestruturas devido aos todos os melhoramentos que estão a ser feitos em 2025.

Preparativos para a viagem

Os preparativos necessários para visitar os Dolomitas, especialmente referindo-me ao tipo de roupa vai depender muito da altura do ano em que se vai. Para quem for no inverno, tem de levar roupa completamente diferente daquela que eu levei em inícios de junho.

O que levar para os Dolomitas

O que é então necessário levar para uma viagem no início de junho?

Para fazer os trilhos é obrigatório levar roupa confortável, calças ou calções, melhor ainda se não forem de ganga, t-shirts, um casaco para a chuva e uma camisola ou outra mais quente em caso de estar frio no topo das montanhas. Acho que não preciso dizer, mas vou escrever na mesma, nunca desvalorizem um bom e confortável par de ténis ou botas. Para as caminhadas é preciso levar água e uns snacks, mesmo se estão a pensar parar nos refúgios que se encontram pelo caminho.

Rifugio Odle – Geisleralm no trilho Adolf Munkel Weg

Outra coisa que não pode faltar é protector solar. Nós não levámos e até podia dar a previsão de mau tempo como desculpa, já que dava chuva e trovoada para todos os dias, mas o tempo é algo que não se pode confiar. Não só a previsão estava errada, como o tempo pode mudar num instante. Por exemplo, no segundo dia quando fomos a Seceda estava um sol resplandecente, quando a previsão era de chuva, e não nos esqueçamos que estando no topo da montanha estávamos bastante mais perto do sol. O escaldão com que ficámos era tal que passado dois dias a minha cara inchou devido a uma reacção ao sol. Por isso façam um favor a vocês mesmos e levem protector solar forte.

O que é preciso fazer meses antes de viajar

Também houve preparativos a fazer uns meses antes da viagem. Um deles era escolher o aeroporto para onde se voava. Para ir até aos Dolomitas pode-se voar para Veneza, que foi o que fizemos, mas também para Verona ou Milão. Mais ainda, pode-se até voar para Innsbruck na Áustria.

Depois é escolher como se vai viajar dentro dos Dolomitas – para nós a escolha foi fácil – quisemos alugar um carro para termos facilidade em chegar aos vários locais às horas que quiséssemos. Para isso alugámos um carro no aeroporto de Veneza pela companhia Noleggiare. O aluguer do carro por 8 dias ficou-nos a cerca de 250 euros. Claro que o carrito não era dos mais luxuosos, calhou-nos um Renault Clio, mas o que nos deram ainda era novo com muitos poucos quilómetros.

O nosso carro alugado na companhia Noleggiare

Depois foi escolher onde ficar hospedados. Decidimos ficar sempre no mesmo sítio e acabámos por escolher a Pensione Edelweiss em San Cassiano. Para além de este local oferecer parque de estacionamento, também oferecia pequeno-almoço e o preço por noite não era muito caro. Por isso não interpretem mal o que vou dizer a seguir, porque adorámos ficar aqui e achámos esta zona lindíssima. No entanto, se fizesse a viagem outra vez tinha ficado pelo menos uma noite perto de Ortisei para visitar Seceda e Alp di Siusi. Isto porque o caminho entre Ortisei e San Cassiano é feito de curvas e contra-curvas apertadas. Mas voltava a ficar na Pensione Edelweiss sem qualquer hesitação. Falarei mais sobre esta acomodação à medida que for falando da viagem, tal como dois outros dois hotéis onde ficámos hospedados. Na primeira noite ficámos num hotel perto do aeroporto de Veneza, já que aterrámos depois das 11 da noite e no último dia ficámos já mais a sul para encurtar a distância de volta ao aeroporto de Veneza.

O que mais tivemos que marcar com antecedência? – Nada, mesmo o parque de estacionamento no Tre Cima di Lavoredo que tem agora um novo sistema de reserva online não podia ser feito até termos a matrícula do carro. E mesmo assim marcámos apenas com 2 dias de antecedência. Mas não marcámos nem parques de estacionamento, nem teleféricos, nem restaurantes e não foi preciso. Talvez o que teríamos marcado se fosse agora era a viagem de parapente em Seceda. Mas até visitarmos Seceda nem sonhávamos que queríamos experimentar isto. No entanto foi das coisas que ficámos com muita pena em não fazer.

O nosso itinerário de 8 dias

Um conselho que vos dou quando começarem a ver do vosso itinerário nos Dolomitas é o de não caírem na armadilha do FOMO (fear of missing out), aquela sensação que tem de se ir a todo o lado ou então onde vamos não é o melhor local, não é o mais bonito, não é o mais alegre. E isto começa logo no início, porque há imensa informação nas redes sociais, de todos estes lugares maravilhosos. O meu conselho é: leiam sobre cada local e escolham aqueles que se ajustam a vocês, seja a dificuldade ou a distância de um trilho, ou onde fica, ou que se gosta de ver. O pior que podem fazer, o que por certo estragará a viagem, é um itinerário muito compacto sem tempo para descansarem, sem tempo para simplesmente apreciarem a paisagem, ou mesmo tempo para se sentarem a comer e beber. Porque podem ter a certeza que aquilo que escolherem vai valer a pena e se não incluírem o mundo e o outro no vosso itinerário não ficam com a sensação que estão a perder alguma coisa.

Seceda, um dos nossos trilhos preferidos

O nosso itinerário teve uma espécie de regra – primeiro o local principal para aquele dia, aquele sítio que não se podia perder e depois um secundário, um local para aquele ‘pode ser que dê’. E não tentem pôr mais do que um trilho por dia, um vai ser suficiente.

Em baixo deixo um resumo por alto do nosso itinerário e do qual vou falar em mais detalhe nas próximas semanas. Para cada local vou descrever exactamente os trilhos que fizemos, a distância que andámos, a dificuldade, tal como um mapa. Porque foi isso que eu andei à procura quando começámos a ver sobre o que fazer nesta viagem, mapas que descrevessem exactamente o percurso a seguir. Até porque em cada trilho há muitas placas, muitas direcções e o que não queríamos era acabar num trilho de 30 quilómetros em que metade fosse escalada.

Dia 1 – Sair do aeroporto de Veneza em direcção aos Dolomitas. Visitar Cinque Torri.

Dia 2 – Trilho em Seceda. Segundo trilho em Vallunga

Dia 3 – Trilho em Alpe di Siusi. Visitar depois as igrejas de St.-Valentin-Kirche e de St. Konstantin

Dia 4 – Trilho Adolf Munkel Weg. Depois visitar a famosa Chiesetta di San Giovanni

Dia 5 – Trilho em Tre Cime di Lavoredo. Segundo trilho à volta do Lago di Landro e ainda rápida paragem no Lago di Dobbiaco.

Dia 6 – Visitar o lago di Braies. Depois trilho em San Cassiano

Dia 7 – Trilho na Croda do Lago. Segundo trilho à volta do lago di Alleghe

Dia 8 – Ir parando pelo caminho até ao aeroporto de Veneza, como por exemplo no Lago di Mis e Lago Morto

E é pelo princípio que vamos começar a relembrar esta viagem que embora ainda recente, já deixou muitas, mas muitas saudades. Dolomitas é um local absolutamente fantástico onde apetece parar em cada canto. Porque acreditem quando digo que cada canto é um miradouro, uma paisagem de um quadro, sem dúvida um dos locais mais bonitos que alguma vez visitei.

Las Setas de Sevilla, um espectáculo de flamenco e um jantar tradicional

O que encontrar neste post

  1. Las Setas de Sevilla
  2. Tablao Flamenco Las Setas
  3. Jantar no Bodegón Afonso XII

Último post

No último post focámo-nos no nosso segundo dia em Sevilha. Durante o dia visitámos o arquivo geral das Índias, o Bairro da Triana e no final acabámos nos 100 Montaditos a aproveitar os baixos preços para uma bebida ou duas. Neste post vamos falar do final da tarde e noite naquele que seria o começo do final da nossa viagem de uma semana ao sul de Espanha.

Las Setas de Sevilla

Devido à localização do nosso hotel, o Honest Hotel & Apartments, já tínhamos passado pelas Setas de Sevilla algumas vezes desde que tínhamos chegado à cidade. As Setas de Sevilla é uma construção metálica de formas arredondadas, o que lhe deu o nome, já que setas em espanhol significa cogumelos. Esta estrutura foi inaugurada em 2011 juntamente com o miradouro do topo que tem um espaço de 250 metros, do qual se têm vistas magníficas da cidade de Sevilha.

Las Setas de Sevilla ao pôr-do-sol

A estrutura das Setas de Sevilla foi resultado de um projeto inovador com o objectivo de renovar a Plaza de la Encarnación. No século XIX, nesta praça havia um grande mercado sendo por isso naquela altura um dos locais de grande importância social. Este mercado foi fechado em 1973 o que levou à degradação da zona até 2004, quando se iniciou o concurso de projectos de renovação da zona, que no final levaram à construção das Setas de Sevilla.

Qualquer pessoa pode visitar esta área, o que aconselho a fazerem ao final da tarde quando o sol se põe ou então à noite. No entanto para visitar o miradouro é preciso comprar bilhete o qual tem um custo de 16 euros por pessoa. Durante a compra do bilhete escolhe-se a hora; se durante o dia, ao pôr-do-sol ou à noite, pois o miradouro está aberto desde as 09:30 até à 00:30.

Las Setas de Sevilla à noite

Nós contávamos em ir ao miradouro, mas no final decidimos não o fazer. Pensámos que não valia a pena afinal já tínhamos visto a cidade do topo da Giralda, mas agora aqui a escrever até que me arrependo, porque as fotos que vi tiradas deste miradouro principalmente ao pôr-do-sol e à noite são fantásticas. Mas acuso-me porque até fui eu que fiz mais força para não irmos, por isso a culpa é minha por esta má escolha. Pode ser que um dia volte a Sevilha e tenha outra oportunidade de subir ao topo das Setas.

Para comprar bilhetes ou saber mais sobre a história das Setas de Sevilla clique no seguinte link: https://setasdesevilla.com/


Tablao Flamenco Las Setas

Tablao Flamenco Las Setas

Ver um espectáculo de flamenco em Sevilha é obrigatório, mesmo que não se seja grande apreciador – é obrigatório. O flamenco faz parte da cultura, história e arte de Sevilha, aliás como disse antes, o Bairro da Triana foi o berço desta arte. E estar em Sevilha é estar no local certo para ver e apreciar este tipo de dança e música.

Como tal, há imensos espectáculos de flamenco em Sevilha e em várias partes da cidade, incluindo claro no Bairro da Triana. Nós acabámos por escolher o Tablao Flamenco Las Setas que tal como o nome indica fica nas Setas de Sevilha. O que ajudou a escolha foi este ficar perto do nosso hotel. Marcámos os bilhetes para as 19:45 horas e cada bilhete custou 35 euros. Estes bilhetes incluíam o espectáculo e uma bebida. Sem bebida, o bilhete custava 25 euros, mas achámos que gostaríamos de ter um cocktail na mão enquanto víamos o espectáculo. E sem dúvida esta foi a escolha certa.

Cocktails do Tablao Flamenco Las Setas

Chegámos cerca de 15 minutos antes da hora marcada, depois de andarmos meio perdidos, já que a entrada para o espectáculo ficava meio escondida entre as lojas do mercado que àquela hora estavam quase todas fechadas. Quando finalmente descobrimos o sítio certo já havia fila à porta e como a entrada para a sala é por ordem de chegada, quando mais à frente na fila se está, maior é a probabilidade de se ficar com os melhores lugares. Quando as portas abriram e depois de mostrarmos os bilhetes, entrámos para uma sala de luz reduzida, num ambiente intimista e quase ilegal, apesar de não ser o caso. (Bem, espero eu). Sentámo-nos numa mesa assim de canto para o palco na segunda fila. Passado um bocado de estarmos sentados vieram os empregados perguntar que bebidas gostaríamos de escolher para aquela noite. Se bem me lembro as escolhas variavam entre cerveja, tinto de verano, vinho e cocktail. Ambos escolhemos o cocktail e tenho a dizer era muito, mas muito bom. Não sei bem o que tinha, mas pelo menu de cocktails que eles têm no website (ver aqui em cocktails) penso que era ou Dama de Noche ou La Mula de Xerez. Mas não tenho a certeza já que a escolha naquela noite se apresentava apenas como ‘cocktail’.

O espectáculo durou cerca de 1 hora e contou com 3 dançarinos, 2 cantores e 1 músico a tocar guitarra (que por sinal também cantou). O espectáculo foi aquilo que se pode esperar do flamenco, muita energia, muita intensidade e emoção. Também como tradicional do flamenco durante o espectáculo ouvia-se o ‘jaleo’, as interjeições como ‘olé’ e palmas a acompanhar a dança das bailarinas.

Acho importante aqui mencionar que o flamenco é considerado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, devido à sua presença enraizada na cultura de Andaluzia. O flamenco apesar de ter raízes na cultura cigana foi incorporando influências de outras culturas sendo hoje o flamenco reconhecido internacionalmente como a arte tradicional desta zona de Espanha.

Espectáculo de flamenco no Tablao Flamenco Las Setas

Para comprar bilhetes para o mesmo espectáculo que o nosso, no Tablao Flamenco Las Setas, vejam o seguinte website: https://tablaoflamencolassetas.com/.

Para ver um espectáculo de flamenco, mas de outras companhias vejam esta página do Tripadvisor (clicar aqui).


Jantar no Bodegón Afonso XII

Foi depois do espectáculo de flamenco quando Las Setas já se iluminavam de azul e rosa que fomos à procura do restaurante para o último jantar. Não tínhamos nada pensado e foi por acaso que escolhemos o restaurante Bodegón Afonso XII. A escolha foi feita baseada pela informação que o Google nos dava – o restaurante não ficava longe, estava aberto e só fecharia dali a duas horas.

Quando chegámos ao restaurante havia mais gente sentada ao balcão do que na área do restaurante e por isso rapidamente nos indicaram uma mesa onde nos sentámos sem ainda sabermos que esta acabaria por ser a melhor refeição em Sevilha. O restaurante serve comida tradicional, mais uma razão para a nossa escolha, e com preços bem simpáticos.

Tabla marinera do Bodegón Afonso XII

Do menu escolhemos 4 pratos, 2 meias-porções e 2 pratos, mas acabámos por dividir todos eles entre nós os dois. O nosso pedido foi o seguinte:

  • Salmorejo, a sopa fria local que veio com ovo cozido picado
  • Tabla marinera, que consistia em batata-cozida, chocos, ameijoas e camarões grelhados
  • Flamequíns, rolo frito de queijo, fiambre e carne de porco. Nós já tínhamos experimentado este prato em Córdoba, no restaurante La Gloria, mas infelizmente o sabor a ranço tinha nos deixado mal impressionados. Mas os flamequíns deste restaurante mudaram completamente a nossa opinião
  • Boquerones, anchovas fritas servidas com salada e legumes. Eu que não gosto muito deste tipo de prato, de peixe frito, comi os boquerones com satisfação
Salmorejo no Bodegón Afonso XII

Para sobremesa pedimos toucinho do céu e para terminar a refeição ‘viño dulce’. Isto tudo custou uns surpreendentes 37.40 euros contando que pedimos para beber cerveja, tinto de verano e café. Uma refeição barata que nos deixou super satisfeitos com todo o que nos chegou à mesa. E o bom serviço incluiu a forma como fomos atendidos, o que é uma das coisas que nas reviews mencionam ser por vezes um problema. No entanto, nós não tivemos nenhuma razão de queixa e se há sítio que aconselho a experimentar é definitivamente este restaurante.

Apesar do restaurante não ter página oficial, deixo aqui a página do restaurante Bodegón Afonso XII no Tripadvisor.

Flamequíns (à esquerda) e boquerones (à direita) no restaurante Bodegón Afonso XII

Quando saímos do restaurante, agora já depois das 11 da noite, começámos a fazer o percurso de volta para o hotel. Afinal na manhã seguinte era acordar, tomar o pequeno-almoço e apanhar o autocarro na Plaza de Armas para o aeroporto. Para quem fizer o mesmo, o bilhete de autocarro custa 5 euros e pode-se pagar no autocarro tanto com dinheiro como com cartão de crédito.


E assim acabava uma semana a explorar três cidades no sul de Espanha, Ronda, Córdoba e Sevilha. Visitámos imensos locais, experimentámos pratos tradicionais e fizemos memórias que farão parte de nós para sempre.

Para ver o itinerário das outras cidades incluídas nesta viagem cliquem nos seguintes botões:

Arquivo Geral das Índias & bairro da Triana em Sevilha

Índice neste post

  1. Pelas ruas do centro histórico de Sevilha
  2. Archivo General de Indias
    1. Criação do Archivo General de Indias
    2. Casa Lonja de los Mercaderes
    3. Programa Memória do Mundo da UNESCO
    4. A visita
  3. Bairro da Triana
    1. Real Parroquia de Señora Santa Ana
    2. Calle Betis
    3. Mercado de Triana
    4. Bar Triana
  4. La Cartuja
  5. Basílica de Jesús del Gran Poder

Pelas ruas do centro histórico de Sevilha

O segundo dia em Sevilha e último da viagem começava com mais um céu azul sem nuvens. Depois do pequeno-almoço no nosso quarto, um ritual que passava por ir buscar as caixas de pequeno-almoço à recepção, saímos para a rua para explorarmos um pouco mais desta cidade que já tanto nos tinha impressionado. Aprendemos no dia anterior que não valia a pena sairmos muito cedo porque grande parte dos locais não abre antes das 10 da manhã.

Trabalho de cerâmica na parede de um dos restaurantes do centro histórico de Sevilha

Começámos a nossa visita por uma capela, a capela de São José, que só encontrámos ao andarmos a explorar a zona ao pé do nosso hotel, uma vez que fica meia escondida entre as ruas estreitas do centro histórico de Sevilha. E foi a bonita fachada da igreja que nos incitou a sua visita. Esta igreja de 1746 é um valioso exemplo do estilo barroco e que pode ser incluído em qualquer roteiro que passe por esta parte de Sevilha onde para além desta capela também se encontram bonitas e inesperadas pinturas ou cerâmicas.

Também gostava de realçar a estátua que podem ver na fotografia abaixo à esquerda, uma homenagem a Clara Campoamor, considerada uma das primeiras mulheres a participar e a promover o movimento feminista e uma das primeiras sufragistas em Espanha. Clara era advogada, política e escritora, e teve um papel vital na luta a favor da igualdade de géneros e dos direitos das mulheres.


Archivo General de Indias

A próxima paragem era no Archivo General de Indias que fica ao lado da catedral. Tínhamos inicialmente pensado em visitar este local no dia anterior, mas acabámos por não ter tempo e deixar a visita para hoje. O Archivo General de Indias está aberto todos os dias, excepto à segunda-feira e a entrada é gratuita.

Criação do Archivo General de Indias

O Archivo General de Indias foi criado em 1785 com o objectivo de reunir todos os documentos relativos às Índias num só local. Isto porque os documentos na altura estavam espalhados por diferentes cidades espanholas como Simancas, Madrid, Cádiz e Sevillha. Este projecto foi criado por José de Gálvez, secretário das Índias e executado por Juan Bautista Muñoz, chefe cosmógrafo das Índias.

Neste local são guardadas as colecções de documentos e registos de instituições criadas pelo Governo Espanhol para administrar e gerir os territórios estrangeiros pertencentes a Espanha. Outros registos, também aqui guardados, estão relacionados com as colónias espanholas na América e Ásia.

Casa Lonja de los Mercaderes

O edifício Casa Lonja foi construído durante o reinado de Felipe II e é hoje a sede do Archivo General de Indias. Este edifício foi construído neste local devido a ser um ponto estratégico em Sevilha ficando entre a Catedral e o Real Alcázar, beneficiando da sua proximidade com o rio Guadalquivir.

No interior da Casa Lonja encontra-se uma das maiores coleções americanistas do mundo, com mais de 9Km de estantes que contém mais de 43 mil documentos. Em 1987, este edifício foi declarado como Património Mundial da UNESCO.

Programa Memória do Mundo da UNESCO

‘Memória do Mundo’ é o programa da UNESCO que abrange o património documental que reflecte a evolução do pensamento, descobertas e conquistas da Humanidade.

Desde 2007 que Espanha tem no registo internacional deste programa 14 documentos em que 6 estão guardados aqui em Sevilha, no Archivo General de Indias. Estes 6 documentos abrangem diversas culturas, diferentes zonas geográficas e alguns deles foram apresentados por Espanha juntamente com Portugal e com o Japão.

A visita

Durante a visita ao Archivo General de Indias vai-se passando por várias salas como a sala da Justiça onde para além de documentos também se encontram estátuas, pinturas e claro impressionantes filas de estantes..

Para mais informações sobre este local vejam o website oficial em https://www.cultura.gob.es/cultura/areas/archivos/mc/archivos/agi/portada.html


Bairro da Triana

Depois da visita ao arquivo chegava a hora de passarmos para o outro lado do rio Guadalquivir até ao bairro da Triana. Para isso voltámos a passar pela Torre del Oro e atravessar a ‘Puente de S. Telmo’ para a outra margem.

O bairro da Triana é um bairro tradicional com raízes antigas. Para alguns, Triana e Sevilha são duas cidades diferentes, uma em cada margem do rio. No entanto, apesar de haver esta preferência, o bairro da Triana é um bairro de Sevilha. Este bairro remonta aos tempos dos romanos, quando se estabeleceram aqui acampamentos em frente a Hispalis, o nome de Sevilha na altura.

Vista para a Ponte de Triana a partir da famosa Calle Betis

Mais tarde os almóadas construíram a primeira ponte que ligava as duas margens do rio, onde depois se construiu a ponte de Triana. Durante os séculos XV e XVI, altura dos descobrimentos, Triana viu partir várias expedições com o objectivo de descobrirem o mundo. Afinal era na ‘Escola de Mareantes’ que muitos marinheiros receberam o devido treino antes de se juntarem a grandes viagens como a de Cristóvão Colombo que levou este a descobrir a América, erradamente pensando que tinha chegado à Índia.

O bairro da Triana foi sempre um bairro de trabalhadores; de oleiros, fabricantes e marinheiros. Mas também de cantores e artistas, sendo Triana considerada como o berço do flamenco. Abaixo ficam alguns dos locais que ficámos a conhecer durante a tarde em que passeámos por este bairro.

Real Parroquia de Señora Santa Ana

Esta igreja foi construída em 1266 a mando do rei Afonso X depois de sofrer uma doença ocular que o rei acreditava se ter curado devido à intervenção de Santa Ana. Esta igreja foi construída seguindo o estilo arquitectónico Gótico-Mudéjar como o característico da altura na região Andaluza.

No seu interior encontramos 11 capelas: a capela das almas, a capela da divina pastora, a capela de nossa senhora da Vitória, a capela de São Joaquim, a capela do calvário, a capela da mãe de Deus do Rosário, a capela sacramental, a capela de São Cristóvão, a capela das Santas Justa e Rufina, a capela do Baptismo e a capela de São Francisco. Adicionalmente, temos a torre, o coro, a lápide com 32 azulejos, a cripta e o retábulo do alto-mor.

Para visitar o interior da igreja é preciso comprar um bilhete que em 2025 custa 4 euros. Para obterem mais informações sobre esta igreja podem aceder ao seguinte website: https://santanatriana.org/

Calle Betis

Depois de sairmos da igreja e nos começarmos a dirigir para o mercado, acabámos por encontrar a Calle Betis, uma das ruas mais conhecidas deste bairro, não só por estar junto ao rio e oferecer paisagens sobre o centro histórico de Sevilha, mas também pelas coloridas fachadas das casas desta rua.

Mercado de Triana

Ao andar pela Calle Betis e ao chegarmos à Ponte de Triana, oficialmente conhecida por Ponte de Isabel II, atravessámos a estrada para entrarmos para o mercado. Antes de entrar ainda vimos à nossa direita as ruínas do castelo de São Jorge que hoje alberga o posto de turismo. Também aqui existe um museu que mostra tanto às ruínas escondidas do castelo como conta a história de como este local foi usado como prisão durante a Inquisição Espanhola.

Mercado de Triana

O mercado de Triana é bastante popular neste bairro e vive-se aqui aquela atmosfera vibrante típica de mercado. O mercado existe desde 1823 e em 2025, mais de 200 anos depois, oferece imensos locais para comer. Nós acabámos por não experimentar nada por ainda estarmos naquela hora que não tínhamos bem fome e por isso não aproveitámos como deve ser a oportunidade. Ainda se pensou em jantar por aqui, mas acabámos por não o fazer. No entanto, recomendo a virem aqui e a experimentarem pelo menos um petisco já que os preços também são mais em conta.

Para mais informações sobre o mercado de Triana visitem o website oficial em https://mercadodetrianasevilla.com/

Bar Triana

Depois de sairmos do mercado e andarmos por mais uma hora pelas ruas do bairro, agora sim estávamos com disposição para comer qualquer coisa. E acabámos por nos sentar no Bar Triana, uma vez que este restaurante estava bem avaliado na internet (4.6/5 no Google).

Como só queríamos mesmo petiscar acabámos por pedir um prato para dividir entre os dois. Decidimos pedir Milhoja Ibérica con Chimichurri, um prato que consiste em vários vegetais e carne de porco dispostos em camadas. Os vegetais e a carne vêm acompanhados com o molho de chimichurri, um molho argentino feito à base de azeite, alho, vinagre e ervas aromáticas..

Milhoja Ibérica com molho chimichurri do Bar Triana

Apesar deste restaurante não ser super barato, gostámos imenso deste prato. Muito saboroso e se calhar até tínhamos comido mais um bocadinho. O prato custava 12 euros, um preço normal para a cidade de Sevilha. E teríamos ficado contentes com o restaurante se tivéssemos ficado por aqui. Mas não, em seguida quisemos pedir a picanha – Picanha con mojo Picón – que também custava 12 euros.

Bem tenho a dizer que levou bastantes meses a ultrapassar o facto de ter gasto 12 euros num prato tão mau – a carne não tinha muito sabor mas o pior era a qualidade da carne, muito elástica, muito rija, afinal aquilo era mais nervos e tendões que outra coisa. Era tão rija que nem o meu marido a conseguiu comer. Foi mesmo muito mau. Sem dúvida o pior prato da viagem. E fiquei mesmo ressabiada – a sorte foi que o jantar do qual falarei mais tarde (quase) compensou este desperdício de dinheiro.

Prato de picanha do Bar Triana

Por isso já sabem, da minha parte recomendo a Milhoja Ibérica, mas mesmo nada a picanha.

O Bar Triana não tem website oficial, no entanto fica aqui a sua página no Tripadvisor: Bar Triana


La Cartuja

Depois de sair um ‘bocado’ chateada do Bar Triana e já sem grandes planos até ao final do dia continuámos pela estrada com ideias de passar a ‘Puente del Cristo de la Expiración’ para o outro lado do rio. Pelo caminho ainda entrámos no centro comercial Torre Sevilla para certos actos fisiológicos aka ir à casa de banho e já agora dar uma volta por ali. Este é um centro comercial como muitos outros, a única diferença é que é assim meio ao ar livre como podem ver na fotografia abaixo.

Interior do centro comercial Torre de Sevilla

Afinal acabámos por não atravessar a ponte para o outro lado, mas sim continuar em frente onde nos deparámos com La Cartuja onde se encontra o ‘Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico’. Para entrar dentro do recinto é grátis e por isso aproveitámos para andar lentamente pelos jardins onde encontrámos uma estátua em homenagem a Cristóvão Colombo. Vimos também outras estátuas bastante interessantes como a ‘El Hombre Orquestra’ e ‘Alicia’.

Estátua Alice do Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico

Não chegámos a entrar dentro do edifício já que se tinha que pagar bilhete e por esta altura já não queríamos gastar dinheiro extra a menos que fosse necessário e por isso voltámos para trás para atravessarmos para a outra a margem da cidade.

Para mais informações sobre este local vejam o website: https://www.juntadeandalucia.es/organismos/iaph.html


Basílica de Jesús del Gran Poder

Quando saímos da La Cartuja atravessámos então o rio pela Pasarela de La Cartuja, e fomos visitar a última igreja desta viagem, a Basílica de Jesús del Gran Poder. Esta igreja é mais um exemplo da devoção à igreja católica e sem dúvida um bonito local para visitar quando se visita esta parte de Sevilha.

Fachada exterior da Basílica de Jesús del Gran Poder

Depois de visitar a igreja o relógio dava naquele momento as 4 e meia. Como não tínhamos nada agendado até às 8 da noite, hora em que iríamos ver um espectáculo de flamenco, demo-nos a nós mesmo umas horas de descanso e aproveitámos este tempo livre para pararmos nos 100 Montaditos e bebermos qualquer coisa, já que os preços eram bastante em conta.


Para o próximo post

E é mesmo sentados à mesa dos 100 Montaditos que acabo este post, o penúltimo da viagem. Mas o melhor do dia estava guardado para o final da noite com um espectáculo tradicional, uma bebida deliciosa e um jantar como poucos. Tudo isto no próximo post.

Plaza de España, o coração da cidade

Índice deste post

  1. Plaza de España
  2. Parque de María Luisa e Museo de Artes y Costumbres Populares
  3. Restaurante Mesón Las Migas
  4. Churros à noite no Kukuchurro

Último post

No último post sobre esta viagem de uma semana ao sul de Espanha, falámos da nossa visita a vários locais importantes em Sevilha como a catedral, a Giralda, o Real Alcázar e a Torre del Oro. Também falámos de churros com chocolate porque afinal experimentar as delícias locais é também uma das razões que nos motiva a viajar. Neste post vamos falar de um final de tarde de sonho e de um restaurante bastante tradicional onde experimentámos pratos que nem todos os restaurantes oferecem.

Muitos de vós, tal como eu, já viram muitas fotografias da Plaza de España em Sevilha e é difícil não ficar com vontade de conhecer esta praça, os muitos azulejos coloridos que formam um semicírculo, as duas torres, as pontes e o canal onde barquinhos passam languidamente. Pois foram exactamente estas fotografias que nos levaram a querer visitar Sevilha.

Depois do nosso passeio junto ao rio e paragem rápida para admirar a Torre del Oro fomos para a Plaza de España para visitar este local sob a luz dourada do pôr-do-sol. Pelo caminho ainda parámos junto ao Palacio de San Telmo, um edifício magnífico do estilo barroco, construído entre 1682 e 1734. O interior do edifício não pode ser visitado sendo este é o edifício oficial do governo de Andaluzia.

Depois de tirarmos algumas fotografias à fachada do Palacio de San Telmo seguimos caminho parando naquela que acabaria por ser o ponto alto (pelo menos para mim) de Sevilha, a Plaza de España. Porque se as expectativas eram altas, este lugar conseguiu superá-las.

É incrível a majestosidade deste lugar, as torres altas, as pontes pitorescas que passam por cima do canal e os muitos azulejos coloridos. Tudo isto formou uma atmosfera sonhadora especialmente criada pela luz dourada do entardecer e ao mesmo tempo vibrante devido ao flamenco que se tocava e a dançarina que batia com força os sapatos no chão ao som da música.

Vídeo do pôr-do-sol na Plaza de España

Falando um pouco das origens desta praça, ela foi construída como atracção principal na Exposição Ibero-Americana em 1929. Não confundir com a Exposição Universal que decorreu no mesmo ano, mas em Barcelona, esta de maiores dimensões, onde curiosamente também foi construída uma praça de Espanha para o evento do qual falamos na nossa página sobre a viagem a Barcelona e Gavà.

A praça de Espanha em Sevilha foi arquitectada por Aníbal González construída em semicírculo com um diâmetro de 200 metros e com mais de 7000 azulejos. A sua forma semicircular representa a paz da cidade para com as suas colónias e províncias. De cada lado da praça foi construída uma torre que pelo que li foram bastante discutidas na época por terem quase a mesma altura da torre da catedral, a Giralda.


Pôr-do sol na Plaza de España em Sevilha

O mais impressionante e o mais conhecido são os bonitos conjuntos de azulejos que cobrem a praça. No total, existem 48 balcões, se assim se podem chamar e cada um representa uma província espanhola, organizados em ordem alfabética. Cada um destes balcões tem um conjunto de azulejos que para além do nome e escudo da província tem uma imagem associada ao local que representa. Também nesta praça encontram-se 4 pontes e cada representa um reino de Espanha: Aragão, Castela, Leão e Navarra. A toda à volta passa um canal de água onde corre o rio Guadalquivir e onde se pode passear por ele num barco alugado a remos.

Azulejo referente à província de Cadiz

Para quem passa aqui de visita e vê esta praça como está hoje não encontra o menor indício de que esta praça foi alvo de vandalismo durante muitos anos, afinal havia quem achasse que levar um azulejo para casa era uma das melhores recordações. Felizmente houve um grande projecto de restauro em 2010 que trouxe esta praça de volta ao seu esplendor.


Parque de María Luisa e Museo de Artes y Costumbres Populares

A Plaza de España fica no Parque de María Luisa, o maior jardim e por sinal o mais bonito da cidade. O jardim pertencia originalmente ao palácio de São Telmo, no entanto foi doado à cidade em 1893 para assim se puder criar um grande jardim público. Para além de ser um jardim de grandes dimensões também se encontram aqui várias esculturas e fontes. Há também outro local que encontrámos no meio deste jardim, o ‘Museo de Artes y Costumbres Populares de Sevilla’ que às 7 da noite ainda estava aberto. Ainda por cima a entrada era gratuita (para os europeus).

O edifício exterior de estilo mudéjar, um estilo que viemos a conhecer durante esta viagem, foi projectado pelo mesmo arquitecto da Plaza de España, Aníbal González, também este para a exposição Ibero-Americana de 1929. No seu interior, tal como o nome indica, há vários salas com peças do quotidiano de diferente épocas, incluindo peças de tecido, peças de loiça e de ferro.

O museu está aberto de terça a domingo encerrando às segundas. O seu horário de abertura é entre as 9 da manhã e as 9 da noite, sendo domingo a única excepção fechando neste dia às 3 da tarde.

Fachada do Museo de artes y costumbres populares de Sevilla

Se estiverem interessados em saber mais sobre este museu visitem o website oficial em https://www.museosdeandalucia.es/web/museodeartesycostumbrespopularesdesevilla.


Restaurante Mesón Las Migas

Para o nosso jantar quisemos ir até ao restaurante de comida tradicional, o Mesón Las Migas. Escolhemos este restaurante porque eu queria experimentar um prato típico da região, as Migas Extremeñas, e em vários locais tinha lido que este era o melhor restaurante para o fazer. E depois de olharmos para o menu encontrámos outro prato tradicional que apesar de ser típico da cozinha espanhola, não consta frequentemente nos menus dos restaurantes da cidade. O prato chama-se Menudo de Ternera e é feito com carne de vaca e também estômago. Sim, não me enganei, tem mesmo estômago de vaca.

Menudo de ternera do restaurante Mesón Las Migas

O restaurante não fica no centro da cidade por isso ainda tivemos de andar meia hora desde o parque de María Luisa até ao restaurante. O restaurante abre às 8 da noite, mas descobrimos que às 8 o restaurante ainda está a abrir. Chegámos pouco depois das 8 e ainda estavam a colocar as mesas e cadeiras de plástico na esplanada e não estavam ainda a receber clientes. Para passar o tempo fomos ao café que ficava no fundo da estrada, o El Condado II, para aproveitar o tempo livre e beber uma cerveja.

Depois das 8 e meia voltámos então ao restaurante e aí sim já dava para entrar e pedir uns petiscos. Aliás este restaurante é especializado em tapas, pequenos pratos para dividir. Por isso decidimos pedir 4 diferentes tapas para partilhar entre nós os dois. Chegou-nos assim à mesa uma porção de salmorejo (sopa fria), migas extremenãs (pão frito com presunto), menudo de ternera (guisado de carne e estômago de vaca) e torta de la serena (pão com queijo e geleia).

Salmorejo, migas extremeñas e torta de la serena do restaurante Mesón Las Migas

De todos os pratos o que menos se gostou foi a torta de la serena. Agora em relação ao ‘elephant in the room’, o prato mais estranho, o menudo de ternera – eu não consegui comer, nem sequer experimentar. Epá tudo o que seja entranhas faz-me um bocado confusão. No entanto, o meu marido diz e continua a dizer que foi das melhores coisas que comeu durante toda a viagem. Mas nem o seu grande entusiasmo conseguiu-me convencer a provar – também foi da maneira que ele comeu mais. A sopa, o salmorejo, era bom, mas talvez tenha sido o mais fraco da viagem. Depois de comer esta sopa todas as noites havia alguma que ia ficar com menos favoritismo e acho que foi a sopa deste restaurante. Mas gostei das migas, a razão para termos vindo aqui, com um bom sabor a alho e azeite, que em Espanha é de grande qualidade. Acho que nunca me apercebi tanto da diferença que um bom azeite pode fazer na comida como durante esta viagem.

Outra razão que nos trouxe a este restaurante foram os preços – cada tapa andava à volta dos 3 euros o que é muito barato para os preços normais de Sevilha.

Migas extremeñas do Mesón Las Migas

O restaurante não tem website oficial, mas fica aqui a morada para verem se conseguem também experimentar este restaurante durante a vossa viagem a Sevilha: C. Poeta Manuel Benítez Carrasco, n° 14, 41013 Sevilla.


Churros à noite no Kukuchurro

Depois do jantar voltámos para o centro da cidade, agora já de noite. Passámos de novo pela catedral e pela bela Giralda e antes de voltarmos para o nosso quarto, apeteceu-me comer algo doce. Afinal não tínhamos comido sobremesa (disse eu a mim mesma como se isso fosse desculpa) e depois de uma rápida pesquisa encontrei este local ainda aberto a esta hora mais tardia, o Kukuchurro.

Mas em minha defesa quando chegámos havia gente a fazer o mesmo, por isso 10 horas da noite ainda é uma hora aceitável para comer churros. Pedimos uma porção de churros para dividir que vinha juntamente com o tradicional molho de chocolate. A porção continha 5 churros bem grandinhos que nos custou 6 euros.

Comparando estes com os que experimentámos no início da tarde no Bar El Comercio estes eram muitos melhores. É engraçado que quando comparo as fotografias que tirei dos churros nos dois locais até diria o contrário. No entanto, tanto os churros como o molho de chocolate eram melhores e claro que fui muito mais satisfeita para o quarto do hotel. Nada como boa comida para deixar uma pessoa feliz.

Para saberem mais sobre o Kukuchurro vejam o website oficial em https://kukuchurro.com/

Mas churros à parte, este primeiro dia em Sevilha foi fantástico, começou com algum frio porque havia uma vaga de frio que durou praticamente toda a semana em que estivemos em Espanha e nessa manhã as temperaturas rondavam 1ºC. Mas depois de uma rápida mudança de roupa entre a visita à catedral e ao Real Alcázar, o dia foi melhorando cada vez mais. Como se diz, não há mau tempo, há má escolha de roupa. E aquele pôr-do-sol na Plaza de España foi uma experiência especial da qual guardarei memórias com muito carinho.


Próximo post

No próximo post vamos falar do último dia desta viagem. Depois de quase uma semana a explorar o sul de Espanha eis que chegava o ‘quase’ fim. Mas não pensem que por ter sido o último dia que não havia ainda muito para ver. Aliás, algumas das melhores experiências aconteceram exactamente no último dia. E falarei de tudo nas próximas semanas.

Visita ao Real Alcázar e os primeiros churros

Índice deste post

  1. Real Alcázar Sevilla
  2. Iglesia Colegial del Divino Salvador
    1. Retábulo das Santas Justa y Rufina
  3. Bar El Comercio
  4. Torre del Oro

No último post

Este é o terceiro post sobre a nossa visita à cidade de Sevilha, depois de Córdoba e Ronda. No último post, ficámos na visita à catedral, um local recheado de história e obras de arte sem esquecer da subida à torre Giralda. Hoje vamos continuar pelo nosso dia a explorar Sevilha o que inclui a visita ao Real Alcázar Sevilha e à Plaza de España enquanto que pelo meio se experimentava a gastronomia tradicional local.

Real Alcázar Sevilla

Depois de ficarmos a conhecer a catedral de Sevilha, o próximo local a visitar era também este um dos mais conhecidos da cidade, o Real Alcázar. Umas das primeiras coisas que tenho a reconhecer foi o quanto subestimámos o tempo que precisaríamos para visitar o Real Alcázar. Com as várias salas e imensos jardins facilmente se passa aqui mais de meio-dia e nós infelizmente não pudemos dar-lhe o tempo merecido.

Pátio de las Doncellas no Real Alcázar Sevilla

Os bilhetes de entrada custaram-nos 15.50 euros a cada um, e tal como para a catedral é necessário também escolher a hora da visita. Como a catedral e o Real Alcázar ficam mesmo em frente um do outro, chegar a um depois de visitar o outro, como nós fizemos, é completamente possível e sem esperar atrasos.

Podem fazer a visita com a ajuda de um áudio guia o qual pode ser acedido ao scanar um QR code que está à entrada. O áudio guia separa a visita em 21 diferentes secções, mas se visitarem o site oficial do Real Alcázar e virem o mapa, podem encontrar nele marcados 53 diferentes marcos de interesse (para ver mapa carregue aqui)

Em 913, o califa de Córdoba, Abderrahmán III, manda construir o Real Alcázar para aqui ser a nova sede para o seu governo. Esta sede ia substituir a antiga que se encontrava onde hoje fica a Iglesia Colegial del Divino Salvador.

Depois da conquista cristã em 1248, o Real Alcázar passa a ter outras funções como sede da coroa e esfera do poder municipal, que são ainda as suas funções actuais. Passando este edifício a estar sob o domínio dos reis castelhanos outras construções foram adicionadas à propriedade como o Palácio Gótico onde se mistura dois estilos arquitetónicos característicos das duas religiões; o muçulmano e o cristão. Mais tarde, em 1356, foi construído o palácio mudéjar de Pedro I com conceitos mediterrâneos árabes.

Da nossa visita foram realmente as várias salas do Palácio de Pedro I que mais nos impressionou incluindo a Alcoba Real, Patio de las Doncellas, Salón del Techo de Felipe II e Salón de Embajadores. Os trabalhados das paredes e tectos tal como os vários arcos formavam um conjunto esplêndido tornando este local um dos mais bonitos da cidade. Já nos jardins, não deixem de visitar os Baños de Doña María de Padilla assim como o Jardín del Estanque de Mercurio.

Este foi um dos lugares mais bonitos da viagem ficando lado a lado com a catedral de Sevilha. E depois de visitar Ronda e Córdoba facilmente reconhece-se o passado comum onde as marcas arquitectónicas estão ainda bem presentes.

Para mais informações sobre a história do Real Alcázar, horários e compra de bilhetes visitem o website oficial em https://alcazarsevilla.org/

Acabámos por não ficar mais tempo porque já passava das 2 da tarde e a fome começava a chegar. Afinal como disse anteriormente, o pequeno-almoço do hotel não era grande coisa e não chegava para passar o dia sem petiscar. E eu sabia exactamente onde queria ir.

Iglesia Colegial del Divino Salvador

Mas antes ainda fomos visitar a Iglesia Colegial del Divino Salvador já que com a compra dos bilhetes para visitar a catedral também tínhamos entrada gratuita para esta igreja.

Devido aos vestígios arqueológicos descobertos pensa-se que neste local foi erguida uma mesquita, a grande mesquita de Ibn Adabbás entre 829 e 830, apesar de não haver qualquer documentação que o comprove. Também se supõe, novamente devido aos vestígios arqueológicos descobertos na zona, que uma basílica romana existia ali antes como parte do complexo citadino quando a cidade estava sob o domínio dos Romanos, a qual foi integrada na construção da mesquita. Uma das evidências são os vestígios do minarete da mesquita que inclui na sua construção uma lápide romana.

Quando em 1248,Filipe III conquistou a cidade em nome dos reis castelhanos, estes cristãos, a mesquita passou a estar sob o domínio cristão altura em que foi construída uma capela em nome da Virgem Maria como símbolo de cristandade. Também o minarete da mesquita foi alterado e passou a ser uma torre sineira. No entanto, a 24 de Agosto de 1356 devido a um terramoto que assolou a cidade a parte superior da torre sineira foi destruída.

No entanto, outras construções foram adicionadas durante o século XVII como a Capela Sacramental e a Capela de Cristo Desamparado. No entanto, com o passar do tempo, a mesquita foi destruída, um novo templo foi construído o qual ruiu devido aos fracos pilares de suporte e só em 1712 foi finalmente acabada a nova igreja. Nos últimos anos tem havido vários trabalhos de restauração, num esforço de manter este edifício.

Durante a visita a esta igreja não só pode-se conhecer os vários retábulos magníficos como a exposição de vestígios romanos na parte inferior da igreja.

Para mais informações visitem o website oficial da Iglesia Colegial del Divino Salvador em https://www.catedraldesevilla.es/iglesia-de-el-salvador/

Retábulo das Santas Justa y Rufina

Uma das peças que gostei bastante quando visitei a igreja está associado a uma lenda conhecida em Sevilha. Esta refere-se às Santas Justa y Rufina que são consideradas como as padroeiras e protectoras da cidade. Estas raparigas foram duas irmãs que viveram no século III quando Sevilha se chamava Hispalis. Ambas foram martirizadas pela sua crença no cristianismo e por propagar a palavra do Evangelho.

Retábulo onde estão representadas as Santas Justa y Rufina na Iglesia Colegial del Divino Salvador

Nas iconografias mais tradicionais de Justa y Rufina ambas são retratadas junto à torre Giralda pois diz-se que foi devido à sua protecção que a torre não caiu durante o terramoto de 1504. Normalmente, têm as palmas das suas mãos viradas para cima simbolizando o seu mártir juntamente com objectos de barro alusivos à sua profissão como ceramistas. Nas suas representações, ambas aparecem juntas tal como no retábulo da Iglesia Colegial del Divino Salvador, obra esta criada em 1712.

Bar El Comercio

Depois de visitarmos esta imponente igreja, à qual aconselho imenso a irem, especialmente se tiverem entrada incluída com a visita à catedral, eis que fomos comer os nossos primeiros churros da viagem. Afinal não se pode dizer que se visitou bem a cidade sem experimentar esta massa frita acompanhada com molho de chocolate. E um dos lugares mais conhecidos para experimentar esta iguaria é o Bar El Comercio, que ainda por cima ficava bastante perto da igreja onde tínhamos estado.

Este local está aberto desde 1904 e vende outros petiscos tradicionais da cozinha Andaluza. Quando chegámos, o restaurante/bar estava bastante cheio, mas conseguimos uma mesa num dos cantos. E claro que pedimos os churros com chocolate (1 dose para partilhar) e para beber quis experimentar um viño dulce de naranja que era bastante parecido com o nosso vinho do Porto. O meu marido por sua vez escolheu uma cerveja local.

Churros com molho de chocolate no Bar El Comercio

Os churros chegaram à nossa mesa bastante rápido, aliás à nossa mesa e a outras pois havia mais gente a fazer o mesmo que nós. E os churros tinham acabado de ser preparados pois do salão onde estávamos sentados podíamos vê-los a serem amassados, fritos e cortados.

Os churros eram bons, achámos o chocolate um bocado aguado e experimentámos churros depois noutro sítio onde eram muito melhores, tanto os churros como o chocolate. Não sei se a fama deste local é resultado das muitas partilhas das redes sociais ou se simplesmente não os apanhámos no melhor dia. Mas no final, vir aqui acaba por fazer parte da experiência. Afinal nao é todos os dias que nos sentamos num espaço com mais de 100 anos de serviço.

De momento o Bar El Comercio não tem website, mas podem a sua conta de Instagram aqui: https://www.instagram.com/explore/locations/1023601570/cafe-bar-el-comercio/

Torre del Oro

Quando saímos do Bar El Comercio já passava das 5 da tarde e o próximo ponto de paragem era a Torre del Oro o que nos dava uma nova oportunidade de andar junto ao rio.

Passeando pela margem do rio é difícil não identificar esta torre de menagem do século XIII que conta com uma altura de 36 metros e que hoje alberga o Museu Naval de Sevilha. O seu nome, Torre del Oro, foi-lhe atribuído devido à luz dourada que o seu reflexo fazia nas águas do rio. Durante trabalhos de restauração foi descoberto que este brilho era devido a uma mistura de argamassa de cal e palha prensada.

Rio Gualdaquívir e Torre del Oro à direita

Nós não entrámos dentro da torre, mas pode-se visitar o museu. Dizem que a entrada é gratuita, mas para visitar o seu interior é necessário dar uma contribuição voluntária. Por isso diga-se que a entrada é mais ou MENOS gratuita. Para nós chegou-nos ver o seu exterior.

Para mais informações sobre a Torre del Oro e o Museu Naval de Sevilha visitem o website em https://fundacionmuseonaval.com/museonavalsevilla.html

Próximo post

Com o chegar do final de tarde começámos a ir para o local que me tinha levado a Sevilha, a Plaza de Sevilla, e posso já dizer que não desiludiu. Mas para já vou deixar a praça e o resto da viagem para as próximas semanas.

Catedral de Sevilha e Giralda

Índice desta página

  1. Catedral de Sevilha e torre de Giralda
    1. A Giralda
    2. Catedral de Sevilha

Onde ficámos no último post

No último post tínhamos falado da nossa chegada à cidade de Sevilha, as nossas impressões do hotel onde ficámos, o Honest Hotel & Apartments e a contestação óbvia dos maus tratos dos animais que infelizmente é indiferente a muitos. Neste post vamos falar sobre a nossa visita à catedral de Sevilha e a sua famosa torre, a Giralda.

Catedral de Sevilha e torre de Giralda

Depois de passarmos algum tempo na fila que estava à frente do portão principal à espera que a catedral abrisse, ficámos a saber que estávamos na fila errada. Nós tínhamos comprado os bilhetes com antecedência e como a catedral era um dos locais mais visitados, tínhamos comprado os bilhetes para ‘saltar a fila’ (skip-the-queue). Não sei se precisávamos ter tido tanta preocupação porque chegámos bastante cedo, mas depois de ler que houve gente a estar horas à espera na fila para entrar, pensámos que era melhor prevenir. E aconselho a fazerem o mesmo e a comprarem este tipo de bilhetes, especialmente se visitarem Sevilha em época alta: https://www.seville-cathedral-tickets.com/

Vista do topo da Giralda

Então, a entrada para quem tem este tipo de bilhetes não é pela Puerta del Principe, o portão principal, mas sim pela entrada que fica mesmo ao lado da torre da Giralda. Quando aqui chegámos já havia uma grande fila. Mas mal as portas abriram a fila começou a andar rápido e em menos de nada entrávamos dentro da catedral. Já que estávamos ali, ao lado da Giralda, foi ao cimo da torre onde fomos primeiro.

A Giralda

A Giralda é a torre sineira da catedral de Sevilha e conta com 101 metros de altura incluindo a estátua de bronze que fica no topo, usada como cata-vento, o Giraldillo. É esta estátua que dá o nome à torre e simboliza a fé cristã. A torre foi inicialmente construída como minarete da Grande Mesquita entre 1172 e 1798, quando a cidade estava sob o domínio muçulmano. A arquitectura da torre foi baseada na da Mesquita Koutoubia em Marraquexe. Após a reconquista cristã em 1248 a parte superior da torre foi posteriormente adicionada.

A subida ao topo da torre é feita através de rampas, e não por escadas como o normal, tendo de se passar por 35 rampas até se chegar ao topo da torre onde se encontram os 24 sinos e uma maravilhosa paisagem de 360º da cidade. A descida para a catedral é feita pelas mesmas 35 rampas, havendo pequenas janelas pelo caminho onde se pode observar diferentes partes e edifícios da cidade.

Catedral de Sevilha

Depois da conquista de Sevilha pelos Almorávidas em 1147, Abu Yaqub Yusuf torna-se o califa em 1163 sendo Sevilha a capital do seu califado. É Abu Yaqub Yusuf que ordena a construção da Grande Mesquita em 1171 tal como a construção do minarete que hoje é a Giralda em 1184.

Em 1248, a cidade é reconquistada pelos cristãos e a mesquita de Sevilha torna-se na Igreja de Santa Maria. O rei Fernando III, quem liderou as conquistas cristãs não só aqui em Sevilha, mas também em Córdoba e Ronda, é enterrado em frente ao altar da Capela dos Reis, que foi a primeira capela construída na antiga mesquita, agora catedral.

Durante os séculos seguintes a catedral passou por uma enorme remodelação com a construção e amplificação de capelas e adição das várias portas de entrada para a catedral como a Puerta de la Concepción e a Puerta de la Asunción. Uma das construções mais recentes e também uma das mais impressionáveis é o Monumento a Colón, ou a tumba de Colombo, onde se encontram os seus restos mortais desde 1902.

Quando saímos da catedral fomos ter ao Patios de los Naranjos, pátio esse que pertencia à mesquita. Apesar de este local ter passado por sucessivas renovações, a estrutura original de pilares que suportam arcos pontiagudos foi conservado e ainda hoje pode ser visto.

Para saber mais sobre a história da catedral e horários de visita vejam o website oficial em https://www.catedraldesevilla.es/

Para o próximo post

No próximo post vamos falar da nossa visita ao Real Alcázar de Sevilha e como passámos um magnífico pôr-do-sol na Plaza de Sevilla.

Chegada a Sevilha

Índice deste post

  1. Chegada a Sevilha
  2. The Honest Hotel & Apartments
  3. Primeiro passeio por Sevilha
  4. 100 Montaditos
  5. O desejo por algo doce
  6. Pequeno-almoço no hotel
  7. Capilla de San José
  8. A desnecessária tortura dos cavalos

Chegada a Sevilha

Depois de ficarmos a conhecer Ronda e Córdoba nos últimos dias, eis que chegávamos à última cidade do nosso itinerário, Sevilha. Depois de uma viagem de comboio que demorou menos que uma hora, saímos na estação Santa Justa já depois das 5 e meia. Infelizmente já só tínhamos uma hora e pouco antes de anoitecer. Afinal, mesmo o dia sendo mais longo em Espanha do que em Inglaterra, continuava a ser meados de janeiro.

Setas de Sevilla ao pôr-do-sol

E metade do tempo que tínhamos antes de anoitecer era para chegar ao hotel onde íamos ficar no centro da cidade, The Honest Hotel & Apartments. Ainda eram uns 45 minutos a andar, mas assim também tínhamos oportunidade de ficar com as primeiras impressões de Sevilha, pois àquela hora já não dava para muito mais. O que mais me ficou na memória foram as Setas de Sevilha, a famosa estrutura em forma de cogumelo mais conhecida pelo seu miradouro, na qual reflectia a luz dourada do pôr-do-sol àquela hora.

The Honest Hotel & Apartments

Chegámos ao hotel, fizemos o check-in e pagámos pela estadia como era esperado, que por três noites com pequeno-almoço incluído ficou a pouco mais de 300 euros. Tínhamos feito a reserva no Booking.com e escolhido pagar no local. O que já nos tínhamos esquecido é que também tínhamos escolhido incluir na reserva o pequeno-almoço, mas na altura nem ligámos muito, afinal era menos uma coisa para ter de escolher de manhã. Mas dos pequenos-almoços falarei mais tarde.

O hotel é ‘quirk’ (peculiar) mas no bom sentido. Quando chegámos ao quarto este era bastante mais pequeno que o do hotel ibis Styles Sevilla City Santa Justa, o primeiro hotel onde ficámos na primeira noite em Sevilha, antes de irmos para Ronda, mas muitos diriam que este tem muito mais carácter. Havia algumas peculiaridades do quarto que gostava de apontar; uma delas era a porta da casa-de-banho que era de vidro, sim era vidro fosco, mas mesmo assim vidro. Portanto, privacidade era zero. Depois não dava para termos as cortinas abertas, ou melhor dava, mas a nossa janela ficava directamente para o do quarto em frente, por isso ou baixava-se ainda mais o nível de privacidade com a possibilidade de partilha com os vizinhos ou então as cortinas tinham de ficar fechadas.

Não me interpretem mal, o hotel é limpo, giro, e mesmo sendo um espaço apertado, o quarto serviu para o seu efeito. E o hotel estava numa localização espectacular para visitar a cidade. Apenas estou a dizer que não era perfeito.

No final, comparando os dois hotéis, gostei mais do ibis Styles Sevilla City Santa Justa do qual falei na parte sobre os preparativos desta viagem, não só do quarto, mas também do serviço, da maneira como fomos atendidos e do pequeno-almoço. Mas, sobre a localização este ganha.

Primeiro passeio por Sevilha

Antes de irmos jantar quisemos primeiro dar uma volta por Sevilha. E apesar de já ter anoitecido a cidade vibrava de gente. Acabámos por ir passear junto ao canal de Alfonso XIII entre duas pontes, el Puente de Isabel II, também conhecida por Puente de Triana e el Puente de S. Telmo. Os edifícios iluminados e a sua luz a refletir no canal, tornaram este passeio quase idílico. Quando chegámos à Puente de S. Telmo, que fica ao lado da Torre del Oro, virámos para o centro de histórico onde vimos pela primeira vez a famosa torre, La Giralda, que faz parte da catedral de Sevilha.

Passeio junto ao canal de Alfonso XIII

100 Montaditos

Para jantar quisemos algo simples e rápido. Parecendo que não estávamos cansados do dia passado em Córdoba e da viagem de comboio. Como isto era uma quarta-feira e como o meu marido nunca tinha experimentado esta franchise fomos ao 100 Montaditos que ficava a menos de 5 minutos das Setas de Sevilha.

Para quem não sabe, 100 Montaditos é uma franchise de restaurantes espanhola e que já chegou a Portugal. A sua especialidade são pequenas sandes, os montaditos, que é o equivalente aos ‘bocadillos’ no Bar Bocadi em Córdoba. As variedades de recheios para as sandes são imensas e o difícil é mesmo escolher. Também há outras tapas como por exemplo batatas fritas com queijo e bacon, nachos, croquetes, entre outros.

Jantar nos 100 montaditos que incluiu as sandes de salmão fumado e queijo Camembert, as quais gostámos bastante

Os melhores dias para vir é sem dúvida à quarta-feira e ao domingo, dias em que eles têm uma promoção em que cada montadito custa 1 euro e 2 euros se se pedir tapas para partilhar. Outra coisa que é bastante barata é a cerveja, a caneca por exemplo custa 2 euros e o copo normal 1,50 euro, as chamadas Sancho e Quijote respectivamente. Estes são preços que dificilmente se encontram em outros restaurantes da cidade.

Para pedir as sandes, vai mesmo depender do gosto de cada um, porque a escolha é mesmo imensa. Nós gostámos particularmente do montadito ‘Salón ahumado y crema de queso Camembert’ que era com salmão fumado e queijo Camembert. Também pedimos umas batatas fritas com 4 molhos para partilhar entre nós os dois. Como disse um jantar simples e rápido.

O desejo por algo doce

Depois do jantar, eram agora 9 e pouco, apetecia-me um docinho. Tal como aconteceu em Ronda, a esta hora a maior parte das pastelarias ou gelatarias a caminho do hotel já estavam fechadas. Foi por isso que fomos a um supermercado aberto perto do hotel onde comprámos as bolachas Chapelas da Dulcesol.

Bolachas Chapelas da Dulcesol

E assim acabámos o dia sentados na nossa cama a comer umas bolachinhas enquanto confirmávamos o nosso itinerário para o dia seguinte.

Pequeno-almoço no hotel

Bem, começo por avisar que não vai ser uma boa review sobre o pequeno-almoço. Acordámos no dia seguinte por volta das 8 e pouco e ainda não eram 9 horas quando fomos buscar as caixas do nosso pequeno-almoço. Porque o pequeno-almoço neste hotel não é em formato de buffet é-vos antes dada uma caixa que vão buscar à recepção do hotel. Seguindo aquilo que nos foi entregue o pequeno-almoço inclui uma sandes, um sumo de laranja, um iogurte, uma maçã, um chocolate, um donut e uma espécie de pastel.

Nós trazíamos as caixas para o nosso quarto e só no último dia é que reparei que havia uma salinha ao lado da recepção onde havia uma máquina de café e mesas onde nos podíamos sentar. Teria sido simpático se a recepcionista nos tivesse falado desta sala na primeira manhã quando fomos buscar as caixas, mas pelos vistos o sistema é que o cliente é que deve perguntar.

Mas vamos esquecer esse pormenor e focar-nos no conteúdo de cada caixa, que por acaso não é mantida no frigorífico e fica à temperatura ambiente durante toda a noite, desde que é recebida até quando o hóspede a vai buscar. Por isso, esperem um iogurte meio morno. A sandes era o melhor, mas a melhor foi mesmo a do primeiro dia que levava presunto, e nos dois dias seguintes levámos com a mesma que era a pior. Depois os bolos, bem os donuts não tenho nada a dizer, agora aquele pastel, sabia a ranço, mas quando digo a ranço de um nível não comestível. Portanto, foram 14 euros por um sumo de laranja, uma sandes, um donut e uma maçã. Ah e vá, um chocolate muito pequenino. A sério não vale a pena, se ficarem neste hotel, fiquem não digo que não, mas NÃO peçam o pequeno-almoço. Nas fotografias que podem ver aqui até que nem tem mau aspecto, mas acreditem, não vão por aí. Em qualquer padaria ou pastelaria da zona ficarão mais bem servidos e por melhor preço.

O quanto eu me lamentei por não estar a tomar o pequeno-almoço no hotel ibis, que foi sem sombra de dúvida o melhor da viagem. Eu disse que não ia ser uma boa review, mas é para não evitar mais gente ficar desapontada como nós ficámos.

Capilla de San José

Depois do pequeno-almoço começámos o nosso primeiro dia a explorar Sevilha. Uma das coisas que nós ficámos a saber era que às 9 e meia estávamos prontos para visitar a cidade, mas a cidade não estava pronta para a visitarmos. Ou abria tudo às 10, ou como a catedral de Sevilha, que queríamos visitar durante a manhã, às 11. Como estava tudo fechado, até as igrejas que tínhamos posto no itinerário, andámos um bocado pelas ruas do centro histórico e acabámos por entrar numa igreja que estava aberta, a Capilla de San José. Não constava no itinerário, mas a partir daquele momento em que a porta estava aberta passou a constar.

Afinal, apesar de não a termos no itinerário o que encontrámos foi um exemplo magnífico do estilo barroco. Esta capela começou a ser construída em 1701 a mando da Hermandad del Gremio de Carpinteros de lo Blanco, tendo sido esta anexado ao hospital pertencente à mesma irmandade. No interior desta capela encontram-se verdadeiras obras de arte incluindo os retábulos e pinturas. A abóbada desta capela desabou parcialmente depois de um incêndio em 1931, incêndio esse que danificou várias partes do edifício. Desde 2017 tem havido um esforço enorme de restauro para recuperar as obras de arte que foram perdidas pelo fogo.

A desnecessária tortura dos cavalos

Depois da visita a esta capela, começámos a chegar-nos para perto da catedral apesar de ainda faltar um bom bocado para as 11 horas, a hora em que a catedral abria. No entanto, havia já uma grande fila à frente do portão principal. Enquanto estivemos aqui à espera fomos reparando que chegava mais e mais carruagens puxadas por cavalos, todos alinhados uns ao lado dos outros.  Isto para os turistas que visitam Sevilha. Mas é mesmo necessário uma tortura destas para os animais? Os cavalos passam ali horas sem se mexerem, sem água, sem comida, ao frio. Porque apesar de tudo aquele era um dia muito frio com temperaturas a rondar os 1-2 graus. E via-se que alguns dos cavalos estavam em aflição, havia um que se fartava de mudar de perna para puder descansar a outra. A sério uma coisa de partir o coração.

E isto é mesmo necessário? Ganha-se alguma coisa com isto? O que interessa uma viagem pela cidade na porcaria de uma carruagem quando se sabe que o animal esteve ali horas parado a sofrer? Se isto é assim no Inverno, imagino o pior no Verão. Se escrever isto aqui vale de alguma coisa, que valha para alertar nós turistas a evitar participar ou contribuir para este tipo de tortura.

Para o próximo post

Pronto, termino o post com esta nota de consciencialização, valha o que valer. Nas próximas semanas vamos falar de dois locais importantíssimos em Sevilha; a Catedral de Sevilha e a sua famosa torre, La Giralda, e o Alcázar Real de Sevilha. Falaremos também de churros e de um pôr-do-sol incrível na Plaza de Sevilha.

Visita a Madinat al-Zahra e últimas horas em Córdoba

Índice nesta página

  1. Pequeno-almoço no café Trinidad
  2. Como chegar a Madinat al-Zahra
  3. A visita a Madinat al-Zahra
    1. O nascimento e propósito de Medina Azahara
    2. Escavações
    3. Ruínas da cidade
    4. Museu e auditório
  4. O problema de voltar a Córdoba
  5. Almoço no Bocadi
  6. Partida de Córdoba para Sevilha

Onde ficámos no último post?

Nas últimas semanas temos explorado a cidade de Córdoba, desde as suas ruas pitorescas do centro histórico até aos pátios cordobeses e claro sem deixar de visitar a famosa Mezquita-Catedral, um verdadeiro marco na cidade. Também tivemos a oportunidade de experimentar a gastronomia local em diferentes restaurantes. Hoje vamos falar das nossas últimas horas em Córdoba antes de apanharmos o comboio para a cidade final desta viagem, Sevilha.

Pequeno-almoço no café Trinidad

Hoje era o último dia em Córdoba, ou melhor o último meio-dia já que contávamos ir para Sevilha depois do almoço. Acordámos às 8 e pouco e às 9 estávamos no café Trinidad para tomar o nosso pequeno-almoço. As escolhas não são muitas, por exemplo não dá para pedir uma torrada com queijo e presunto, ou pede-se com presunto ou pede-se com queijo. Sei que assim o é porque eu tentei pedir com as duas coisas. Como não dava, mudei o pedido completamente e pedi uma ‘tostada’ com marmelada que também veio com manteiga. Uma escolha que fez este dia começar mesmo muito bem, pois como já disse anteriormente eu desconhecia esta maravilhosa mistura, marmelada com manteiga, até tomar este dia.

Pequeno-almoço no café Trinidad: ‘tostada con marmelada’ e café

Se ficarem no apartamento El balcón de la Trinidad e mesmo que não fiquem, mas que calhem a vir tomar o pequeno-almoço a este café fica aqui a sugestão – peçam ‘tostada con marmelada’. Apesar de como no dia anterior o pedido que mais popular é sem dúvida a ‘tostada con jámon’.

Como chegar a Madinat al-Zahra

Depois do pequeno-almoço fomos apanhar o autocarro para visitar as ruínas da cidade-palácio Madinat al-Zahra, também conhecida como Medina Azahara. Tínhamos pedido ao dono do apartamento se podíamos deixar as malas até mais tarde, pedido que foi prontamente aceite. Como já disse anteriormente, a escolha deste apartamento como acomodação em Córdoba, foi uma óptima escolha por vários motivos e não tenho nada de negativo a apontar. Muito pelo contrário.

Em Medina Azahara os arcos que figuram na fotografia ficavam de frente à praça de armas e eram a entrada para o Alcázar

Para chegar a Medina Azahara o melhor é apanhar o autocarro, mas também dá para ir a pé, já que fica a cerca de 1 hora e meia de caminho do centro de Córdoba. De autocarro a viagem demora meia hora. Nós apanhámos o autocarro 01 na paragem ‘República Argentina’. Atenção que os bilhetes têm de ser pagos com dinheiro já que não aceitam cartão. Felizmente perguntámos a um senhor que também ia apanhar o autocarro e que nos disse a tempo de irmos levantar dinheiro a uma caixa de multibanco que ficava numa das ruas transversais. Comprámos apenas o bilhete de ida que nos custou 1.80 euros a cada.

Ruínas de Medina Azahara

Quando chegámos à nossa paragem, Cruce Medina Azahara, tivemos de andar uns 10 minutos até ao centro de turismo onde se adquirem os bilhetes de entrada. Mas não é aqui que ficam as ruínas. Aqui fica o museu, o café, as casas-de-banho e o auditório onde passa o filme ‘Madinat al-Zahra: la ciudad brillante’ que conta um pouco sobre a história e a construção de Medina Azahara. No entanto, para visitar as ruínas é preciso sair, ir até à paragem de autocarro que fica mesmo em frente, mostrar os bilhetes ao motorista e pagar 3 euros pela viagem de autocarro (ida e volta). É este autocarro que faz a travessia entre o centro de turismo e as ruínas de Medina Azahara. Aqui já se pode pagar os bilhetes de autocarro com cartão, o que nos deixou bastante aliviados porque não tínhamos dinheiro para estes bilhetes de autocarro e depois para os bilhetes de autocarro de volta para Córdoba.

A visita a Madinat al-Zahra

A nossa visita a Medina Azahara acabou por ser na seguinte ordem: primeiro o museu no centro de turismo, depois apanhar o autocarro e visitar as ruínas da cidade, e finalmente voltar para o centro de turismo onde vimos o filme de 15 minutos sobre esta cidade-palácio no auditório.

Vista da cidade-palácio Medina Azahara sobre os campos em redor e vestígios da muralha que delimitava a cidade

Vamos agora falar um bocadinho de cada secção da visita, começando com a história da cidade, as escavações que ainda hoje estão a decorrer e o que esperar tanto na visita ao museu como às ruínas.

O nascimento e propósito de Medina Azahara

Em 940, o primeiro califa de Al-Andalus, Abd al-Rahman III ordenou a construção de uma cidade destinada a ser a capital política e administrativa do Califado. Esta nova cidade foi construída a oeste de Córdoba, no sopé da Sierra Morena (serra morena). A localização desta cidade permitia ao califa ter uma vista extensa do Vale de Guadalquivir e dos campos em redor. Para delimitar os perímetros desta cidade foi construída uma muralha retangular com quase 45.000 metros que também separava internamente a cidade em duas partes distintas, o Alcázar e a Medina.

Alcázar

Era nesta parte da cidade que o califa e a sua corte viviam, tal como era aqui onde se encontravam os edifícios administrativos e oficiais do califado. O Alcázar estava situado na zona superior da cidade.

Edifício da Basílica Superior no Alcázar

Medina

A medina, em oposição ao Alcázar, ficava na zona inferior da cidade. Era neste sector que se encontrava a parte urbana tal como a mesquita. Apesar da sua grandiosidade a vida desta cidade foi bastante curta; apenas 75 anos até as primeiras destruições e pilhagens o que coincidiu com o início da revolução que levou à dissolução do califado. A partir desta altura, a cidade foi gradualmente abandonada sendo os seus materiais de construção constantemente pilhados acabando por levar ao seu enterramento.

E desta breve história sobre a cidade passamos às escavações que trouxeram de volta esta cidade à luz do dia.

Escavações

Ruínas de Medina Azahara

As primeiras escavações em Medina Azahara começaram em 1911 e prolongaram-se ao longo do século até à actualidade, tendo estas sido interrompidas durante alguns períodos de tempo como por exemplo durante a guerra civil. Hoje em dia, este é um dos locais arqueológicos mais importantes que retratam a história do califado, não só em Espanha como em toda a Europa. E não é só devido ao seu peso histórico, mas também pela sua dimensão, já que conta a cidade conta com um total de 112 hectares. Medina Azahara foi em 2018 declarado como Património Mundial pela UNESCO.

Ruínas da cidade

Quando visitámos as ruínas da cidade estavam a decorrer vários trabalhos arqueológicos de exploração do terreno, tanto que o percurso da visita era limitado por cordas para não perturbar os trabalhos em curso.

E apesar de as escavações terem começado há mais de 100 anos, a área até então escavada representa apenas um décimo do tamanho total da cidade. A secção que hoje pode ser visitada é a parte central do Alcázar onde ficamos a conhecer a arquitectura de alguns dos edifícios do governo do Califado assim como algumas casas senhoriais, como por exemplo a casa de Ya’far, que era o primeiro-ministro.

This is the last post about Córdoba with a special visit to Medina Azhara, the shining city of the caliphate era. In this post you'll learn how to get there from Córdoba and what to expect from this place. We also talk about a very good restaurant where you can eat the small sandwiches called bocadillos
Casa de Ya’far

Museu e auditório

No museu de Medina Azahara podem-se encontrar imensos artefactos que foram encontrados durante as escavações. Todo o edifício do museu funciona como uma infraestrutura dedicada à gestão do património histórico que um local de dimensões como Medina Azahara requer.

A criação deste museu resolveu vários problemas que foram surgindo à medida que as escavações progrediram, pois devido à enorme quantidade de material arqueológico que foi sendo encontrado, o edifício original construído para este efeito tornou-se rapidamente inadequado.

Museu de Medina Azahara

No museu, a exposição permanente é constituída por 4 secções inter-relacionadas:

  • Fundação da cidade e o seu contexto histórico
  • Construção e arquitectura da cidade
  • A cidade e os seus habitantes
  • Destruição e recuperação de Medina Azahara

Nós deixámos o filme que passa no auditório a cada 15 minutos para último e acho que acabou por ser o melhor. Com o filme conseguimos visualizar com maior clareza como as várias partes da cidade que tínhamos acabado de visitar se ligavam entre si. Mas ver o filme antes de ir pode ajudar a ter uma melhor percepção das várias partes da cidade quando se visita as ruínas. Acho que o quero dizer é que não deixem de ver o filme porque realmente ajuda a perceber como era Medina Azahara e como a cidade funcionava.

A visita a Medina Azahara e museu incluído é gratuito para quem é da União Europeia. Apenas precisam de mostrar o cartão de cidadão ou alguma identificação para terem entrada gratuita. Para quem não é da União Europeia o bilhete custa 1.50 euros. No entanto, relembro que para chegar às ruínas é necessário apanhar o autocarro que custa 3 euros, sejam vocês da União Europeia ou não.

O problema de voltar a Córdoba

Depois de visitar Medina Azahara pensámos que voltar a Córdoba seria tão fácil como tinha sido partir; bastava apanhar o autocarro que vinha no sentido oposto e pronto. Mas não foi bem assim.

Só quando fomos pesquisar no Google Maps, agora já fora do centro de turismo, é que soubemos que o próximo autocarro só passaria dali a 1 hora e meia. Por isso acabámos por fazer uma grande parte do caminho de volta para Córdoba a pé. Eu diria que fizemos quase metade do percurso já que foram uns 45 minutos a andar até chegarmos a uma zona onde houvesse mais autocarros. Isto acabou por ser em Palmeras onde apanhámos um outro autocarro que passava pelo centro de Córdoba.

Depois desta experiência, o meu conselho é que vejam os horários dos autocarros que passam perto de Medina Azahara em direcção a Córdoba com antecedência para melhor organizarem o tempo de visita e de retorno à cidade. Claro que para quem viaja de carro este não é um problema.

Almoço no Bocadi

Quando chegámos a Córdoba já passava das 2 da tarde, e para evitar episódios como o do dia anterior decidimos ir comer qualquer coisa antes de irmos buscar as malas. Havia uma coisa que estávamos com desejo de experimentar e até estivemos no dia anterior no ‘vai-não vai’ em pedir para casa. Então o que queríamos experimentar era sandes de choco frito.

O nosso pedido no Bar Bocadi: sandes de choco frito e de carne acompanhadas com cerveja

Quando pesquisámos sobre o melhor local para comer este petisco perto de onde estávamos o que nos apareceu foi o Bar Bocadi, e foi aqui que fomos. Quando entrámos encontrámos uma fila enorme, mas afinal era quase tudo para serviço de take-away. Passados poucos minutos estávamos sentados com o menu à frente. E o que nos interessava eram os bocadillos, pequenas sandes com vários recheios. Fica aqui a rápida explicação que não se aplica apenas ao Bar Bocadi mas em geral em Espanha: uma ‘Bocata’ é uma sandes grande, ou melhor uma sandes de tamanho normal, enquanto que um ‘Bocadillo’ é uma sandes mais pequena. Neste restaurante os preços variam de acordo com o recheio do bocadillo mas é super barato ficando em geral entre os 1.70 e os 2 euros por sandes.

Sandes no Bar Bocadi

Nós pedimos dois bocadillos para cada um, um com carne e outro com chocos fritos e maionese. As sandes que nos chegaram à mesa eram de tamanho considerável e bastante boas. Para mais pelo preço acho que a qualidade é de espantar. Este restaurante está aberto tanto para almoço como para jantar. Não é um sítio requintado aliás o ambiente é bastante informal, mas pelo preço podem experimentar uma grande variedade de bocadillos ou entre outras coisas como a sopa salmorejo ou patatas bravas. Alternativamente, este restaurante também tem um menu de pratos tradicionais e cada prato fica a cerca de 5 euros cada.

Partida de Córdoba para Sevilha

Depois da refeição no Bar Bocadi e de irmos buscar as nossas malas ao apartamento El balcón de la Trinidad partimos para a estação de comboios. Quando chegámos à estação, um comboio que ia para Sevilha partia dali a 10 minutos, mas decidimos que era arriscado tentarmos ir nesse já que ainda tínhamos de que comprar os bilhetes e depois encontrar a linha certa para apanhar o comboio. Por isso acabámos por escolher o seguinte que saía dali a 45 minutos, já às 16:36. Esta viagem acabou por ser bem mais da tarde do aquilo que esperávamos, mas o problema com o autocarro de Medina Azahara para Córdoba alterou os planos. Felizmente não tínhamos nada marcado para aquele dia em Sevilha.

Bilhete de comboio para Sevilha

Também podíamos ter comprado os bilhetes de comboio online, mas não os quisemos comprar com antecedência visto que não sabíamos bem as horas em que estaríamos na estação prontos para partir. No entanto, a viagem entre Córdoba e Sevilha é rapidíssima, em cerca de 50 minutos depois de partir de Córdoba, chegávamos à nossa última cidade desta viagem. A companhia de comboios é a Renfe e podem comprar os bilhetes online ou verificar os horários dos comboios no website: https://www.renfe.com/es/

Para o próximo post

Na próxima semana vamos falar da chegada a Sevilha, primeiras impressões da cidade e o nosso hotel onde ficámos por duas noites. Nas semanas seguintes, vamos falar do que visitámos e onde comemos durante estes dois dias em que estivemos nesta lindíssima cidade. Afinal, Sevilha tinha sido a razão principal para fazermos esta viagem ao sul de Espanha.

Segunda visita mais famosa em Córdoba, Alcázar de los Reyes Cristianos

Índice neste post

  1. Alcázar de los Reyes Cristianos
  2. Real Jardín Botánico de Córdoba
  3. Estátua ‘La Regadora’
  4. Palácio de Viana
  5. Iglesia de Santiago
  6. Centro Comercial El Arcángel
  7. Jantar em formato de tapas caseiras

Onde ficámos no último post

Depois de passarmos o primeiro dia em Córdoba a explorar o centro histórico e a gastronomia local, estávamos agora no nosso segundo dia nesta cidade magnífica. De manhã tínhamos visitado a Mezquita-Catedral e as ruínas dos banhos construídos para usufruto do califa e da sua família. Agora era altura de visitar o segundo lugar mais famoso de Córdoba, depois da Mezquita-Catedral, o Alcázar de los Reyes Cristianos.

Alcázar de los Reyes Cristianos

Uma coisa que não nos pudemos queixar da nossa estadia em Córdoba foi falta de flexibilidade; começando pelo senhorio do nosso apartamento em relação tanto à hora do check-in como do check-out, a entrada mais adiantada na Mezquita-Catedral e agora ao Alcázar de los Reyes Cristianos. Apesar de a entrada ser gratuita tem que se marcar a hora da visita o que tínhamos feito para as 2 da tarde (ou uma e meia, não estou bem certa), mas como estávamos despachados antes do meio-dia e meia perguntámos se podíamos entrar e para nosso contentamento disseram que sim.

Vista do topo de uma das torres do Alcázar de los Reyes Cristianos

No Alcázar de los Reyes Cristianos são partilhados vestígios de várias épocas, do período romano, visigótico, muçulmano e cristão. Na era romana, o alcázar teve um papel defensivo na cidade como fortaleza. Isto devido a sua localização em relação ao rio Guadalquivir. Mais tarde quando a cidade estava sob o domínio muçulmano, o Alcázar ou o edifício que aqui se erguia, fazia parte do complexo do palácio Califal, posteriormente substituído quando a cidade passou para o domínio cristão.

Vista de uma das torres do Alcázar de los Reyes Cristianos, de onde se vê a ponte romana e a Torre de la Calahorra

O edifício que hoje pudemos visitar foi construído em 1328 a mando do rei Afonso XI. Este quis que se construísse um castelo-palácio de estilo gótico que contrastasse fortemente com a arquitectura da mesquita. O Alcázar de los Reyes Cristianos foi palco de momentos históricos bastantes importantes, sendo de salientar as conversas entre Cristóvão Colombo e os reis de Espanha antes da sua primeira viagem à América. Outras funções foram atribuídas a este edifício como por exemplo sede da Inquisição Espanhola e prisão entre 1822 e 1931.

O Alcázar foi declarado como Monumento Histórico em 1931 e mais tarde, em 1994, como Património da Humanidade pela UNESCO.

Jardim do Alcázar de los Reyes Cristianos

Quando se visita o Alcázar encontramos uma propriedade em formato quadrangular com 4 torres, uma em cada canto, a Torre dos Leões, a Torre da Homenagem, a Torre da Inquisição e a Torre das Pombas. Já nos jardins é possível identificar o estilo mudéjar.

Para saber mais sobre como visitar o Alcázar de los Reyes Cristianos, visite o website oficial: https://cultura.cordoba.es/equipamientos/alcazar-de-los-reyes-cristianos

Real Jardín Botánico de Córdoba

A visita ao Alcázar foi bastante mais rápida do que aquilo que pensávamos e perto da 1 e meia já estávamos prontos para o próximo destino. Se tivéssemos sabido de antemão, agora tinha sido a altura de ir apanhar o autocarro para Medina Azahara e ficar assim com ‘Córdoba completa’ e a possibilidade de viajar mais cedo para Sevilha. Mas como não sabíamos andámos mais ou menos a fazer tempo durante a tarde, sem desfazer os locais que visitámos depois do Alcázar.

No Real Jardín Botánico de Córdoba

Devido à localização do Alcázar decidimos ir até ao Jardim Botânico de Córdoba. Faço já aqui uma ressalva que se vierem durante o Inverno, não vale a pena. Nunca tinha visitado um jardim botânico tão murcho. Normalmente para visitar o jardim botânico é preciso pagar entrada, mas quando chegámos as cancelas estavam abertas. Ainda houve uma senhora que disse que tinha que ir perguntar onde podíamos pagar pelos bilhetes, mas pelo estado do jardim em janeiro não fazia sentido ter de pagar para ver aquilo que vimos. Pronto, se vierem na Primavera ou Verão, sim senhor, agora no Inverno não o incluam no vosso itinerário.

Para verem mais sobre como visitar o Real Jardín Botánico de Córdoba deixo aqui o link do website oficial: https://www.jardinbotanicodecordoba.com/

Estátua ‘La Regadora’

Como devem imaginar, a visita ao Jardim Botânico também não foi longa e passámos ao próximo sítio da nossa lista de ‘potenciais locais para visitar’. O local seguinte era o palácio de Viana. Mas antes de falarmos desta casa gostaria de mencionar uma estátua que encontrámos pelo caminho – a estátua chama-se ‘La Regadora’ que fica na Puerta del Rincón.

Esta bonita estátua é uma homenagem aos cuidadores dos pátios cordobeses, que como já mencionámos antes (ver aqui) faz parte do valor cultural de Córdoba. A estátua foi inaugurada no final de abril de 2014, a meros dias antes do começo do famoso festival dos pátios cordobeses que decorre todos os anos nas 2 primeiras semanas de maio.

Esta estátua elegante faz parte de um conjunto de 3 estátuas, todas elas com o mesmo relevo e objectivo. Não visitámos as outras duas, mas fica aqui a referência de ambas: ‘Abuelo y niño’ na Plaza de Manuel Garrido Moreno e ‘El Pozo de las Flores’ na Plaza Poeta Juan Bernier.

Palácio de Viana

A poucos minutos das 3 da tarde chegávamos à entrada do Palácio de Viana. Aqui tivemos de fazer uma escolha sobre o que queríamos visitar, podíamos visitar apenas o interior do palácio que ficava a 9 euros, apenas os 12 pátios que ficava a 8.5 euros ou ambos por 14 euros. De notar que a visita ao palácio tem de ser visita guiada.

Decidimos visitar ‘apenas’ os pátios, mas que de apenas não tem nada. No total são 12 pátios completamente diferentes, cada qual com o seu tema e design.

Cavalariças no Palácio de Viana

O palácio de Viana é um local que reflecte o gosto e a personalidade dos seus donos e respectivas famílias desde 1425 a 1980. No total, o palácio teve 18 donos durante este período. O palácio foi completamente transformado e pouco resta das casas medievais que aqui se encontravam.

Durante a visita para além dos pátios ainda conseguimos ver algumas salas interiores, incluindo as cavalariças, o salão do Mosaico e o salão de Tobias. O salão do Mosaico funcionou como entrada principal da casa no século XVIII. O seu nome deve-se ao mosaico romano do século IV instalado ali pelo II Marqués de Viana em 1923. Por sua vez, o nome de Salão de Tobias refere-se às pinturas nas paredes que retratam a história biblica de Tobias, pintadas por León Abadía.

Sobre os 12 pátios que visitámos deixo o seguinte:

  • 1. Patio de los Naranjos

Este pátio representa o remanescente da horta árabe e funcionava como entrada para o palácio até à contrucção do ‘Patio de Recibo’. É importante de salientar as laranjeiras centenárias que se podem encontrar aqui. Este pátio lembra os jardins hispano-árabes pela sua atmosfera intimista, pela importância da água e a combinação de flores e árvores de fruto.

  • 2. Patios de las Rejas

Este pátio foi construído no século XVII e servia para mostrar o poder e o prestígio dos donos deste palácio e por extensão deste pátio. Importante de mencionar que este pátio em oposição ao dos Naranjos tem uma abertura que servia de contacto para o exterior. Neste local encontram-se bonitas árvores de citrinos e vasos da flor centaurea.

  • 3. Patio de la Madama

Ao contrário do ‘Patio de las Rejas’, este pátio era para ser visto a partir do interior do palácio, mais especificamente do Quarto do Almirante. Apesar de ter sido construído no século XVIII, foi apenas no início do século XX que ganhou a sua marca: uma floresta de ciprestes que enquadra a estátua de uma ninfa na fonte central.

  • 4. Patio de las Columnas

Esta pátio é o mais recente tendo sido construído na década de oitenta. Este tinha o objectivo de proporcionar um espaço para eventos e celebrações para quando o palácio se tornasse num local aberto ao público. Este é um dos maiores pátios com o lago ao centro inspirado no estilo Nazari.

  • 5. Patio de la Alberca

Este pátio fazia parte da zona de serviço da casa de campo da família Torres Cabrera, anexada ao Palácio de Viana no século XIX.

  • 6. Patio del Pozo

Antigamente este pátio juntamento com o ‘Patio de La Alberca’ formavam uma unidade. O seu nome deve-se ao poço de onde antes se tirava água com a ajuda de uma roda de água, a qual já não existe.

  • 7. Patio de los Jardineros

Este pátio também foi conhecido como ‘Patio de los Perros’. Este pátio podia ser considerado como parte de uma tríade juntamente com o ‘Patio del Pozo’ e o ‘Patio de La Alberca’, sendo estes três os pátios de serviço à casa de campo dos condes de Torres Cabrera. O que chama mais atenção são os vários objectos arqueológicos tal como os azulejos que foram aqui colocados no século XX para dar a este espaço um ar mais senhorial.

  • 8. Patio de la Capilla

Este era o pátio principal da casa de campo dos condes de Torres Cabrera. Este pátio de arquitectura do século XVII foi anexado ao palácio de Viana no século XIX. O seu nome deve-se à presença da capela anexa.

  • 9. Patio del Archivo

Este é o pátio mais discreto e simples no interior do palácio de Viana, cujo design teve o intuito de harmonizar as paredes brancas com as portas e janelas azuis. Ao contrário dos outros pátios, aqui não há plantas trepadeiras a cobrir as paredes.

  • 10. Patio de los Gatos

Este é um dos pátios mais importantes da propriedade uma vez que é o pátio Cordobés mais antigo da cidade. Aqui podem-se ver os tradicionais vasos de flores pendurados nas paredes.

  • 11. Patio de Recibo

Este pátio é a mais recente entrada principal para o Palácio de Viana arquitectado de forma a maravilhar a quem chegasse ao recinto. Na sua forma original, este pátio não dava acesso para o exterior devido a uma cláusula no contracto de compra e venda que assim o impedia desde 1421. No entanto, no século XVI o dono da casa, Luis Gómez de Figueroa y Córdoba remodelou a casa e como resultado este pátio passou a dar acesso para a rua.

  • 12. Patio de la Cancela

O nome deste pátio deve-se ao grande portão de ferro que funcionava como entrada para a casa de campo dos Condes de Torres Cabrera. No entanto, este pátio perdeu esta função quando a casa foi anexada ao palácio. Aqui encontra-se também um pilar de pedra que antigamente funcionava como um bebedouro para cavalos.

Patio de la Cancela

Estes foram os 12 pátios que visitámos, não pela ordem pela qual aparecem no texto, mas podem ver que passámos algum tempo a explorar todos eles. Parecendo que não acabámos por passar mais tempo no Palácio de Viana do que no Alcázar de los Reyes Cristianos.

Para mais informações vejam o website oficial do Palácio de Viana: https://www.palaciodeviana.com/

Iglesia de Santiago

Depois da visita ao palácio, eram agora mais ou menos 4 da tarde, estávamos mais uma vez sem grandes ideias do que fazer a seguir. Sentámo-nos na pequena praça que ficava em frente ao palácio, a Plaza de Don Gome, a tentar decidir o que fazer. Uma das coisas que me estava a aparecer nesta altura era fome e até havia um café mesmo em frente, mas depois de uma pesquisa rápida vimos que estava mal avaliado e, portanto, excluímos essa opção.

Como ainda nos faltava algumas igrejas da Ruta de las Iglesias Fernandinas decidimos visitar a Iglesia de Santiago e depois procurar um lugar para petiscar qualquer coisa antes do jantar.

A igreja fica na Calle de Augustín Moreno e a sua entrada pode passar despercebida estando ela entre vários edifícios. A igreja como o nome indica é dedicada ao Apóstolo Santiago e foi construída onde antes era uma mesquita. E e por isso que a Mezquita-Catedral é um lugar tão único, porque o mais comum era destruir os marcos de uma religião e não o de partilhar o mesmo espaço. No século XIV, foram adicionados a esta igreja o portão principal e a capela da Encarnação onde se pode ver um retábulo do século XVII com pinturas do século XVIII. Em 1979, houve um incêndio que levou ao desabamento de parte da igreja, tendo sido ele restaurado entre 1987 e 1990 pelos arquitectos Antonio Cabrera y Oscar Rodríguez.

Centro Comercial El Arcángel

Uma das coisas que já devíamos ter aprendido há muito mas mesmo há muito tempo é que quando a fome aparece é comer. Não há anúncio mais verdadeiro do que aquele da marca do chocolate ‘Snickers’: ‘You’re not you when you’re hungry’ (tu não és tu quando estás com fome). Depois da visita à igreja já andava à procura de locais para comer, no entanto a maior parte deles estava fechado àquela hora e só abria mais tarde. E o que acontece com a fome? Rabugem, mau humor e falta de bom senso.

Para ajudar também o meu corpo estava a pedir uma casa de banho – outra coisa que por vezes não se considera quando se faz um itinerário de viagem. Foi assim, depois de estarmos já a andar bastante afastados um do outro meio que chateados nem sabíamos bem porquê (ou melhor sabíamos bem porquê) que fomos parar ao centro comercial El Arcángel. É muito triste que estando numa cidade fantástica com tanta história e cultura, foi no final à sociedade moderna que nos fomos rebuscar.

Almoço tardio no centro comerical El Arcángel

Mas para dizer a verdade este centro comercial foi de encontro com todos os nossos requisitos do momento, podemos ir à casa-de-banho e ao supermercado comprar comida. Havia vários restaurantes, principalmente de fast food, como o Taco Bell e Mcdonald’s, mas eu nestes casos prefiro visitar os supermercados porque normalmente é onde se encontra productos específicos do país ou da região que não se encontram à venda nos restaurantes.

Depois de uma volta ou duas nos corredores comprámos uma caixa com 3 empanadas, um pacote de batatas fritas dos grande e uma garrafa de sumo. Confesso que acabou por não ser nada muito local até porque os recheios das empanadas eram de cozinhas bastante diferentes: Greca, Italiana e Americana. Mas claro que este pitéu nos soube pela vida e depois de umas dentadas já conseguíamos sentir o nosso corpo a mudar fisicamente e mentalmente. Como normalmente acontece comprámos demasiada comida até porque também comprámos sobremesa. O doce escolhido foram umas Cuñas Artesanas de Chocolate que é feito de um bolo muito fofinho recheado com creme de baunilha e coberto com molho de chocolate, doce típico de Sevilha. Viram? Sempre comprámos alguma coisa da zona que não conheceríamos se não tivéssemos vindo ao supermercado.

Jantar em formato de tapas caseiras

E foi assim que passámos de esfomeadas a cheíssimos. Com esta história toda acabámos por sair do centro comercial já depois das 6 da tarde. Começámos a ir em direcção ao nosso apartamento já que estávamos a cerca de meia hora de caminho. A meio fomos discutindo o que seria o nosso jantar. Como estávamos com pouca fome, quando chegámos ao centro histórico de Córdoba, entrámos num supermercado Carrefour e comprámos umas tapas para jantar no apartamento. Acabámos por comprar uma baguete, uma caixa de chourição e queijo brie que foram acompanhados por cerveja.

Jantar caseiro no nosso apartamento

Pode-vos parecer uma refeição simplória ou até mal desperdiçada, já que provavelmente não voltamos a Córdoba para puder experimentar mais restaurantes. Mas digo-vos que esta acabou por ser a escolha certa e não nos esqueçamos que ainda faltava Sevilha onde teríamos a oportunidade de experimentar outros pratos tradicionais de Andaluzia. Para além que ainda tínhamos metade do dia seguinte em Córdoba onde iríamos visitar a famosa cidade-palácio, Medina Azahara, e provavelmente comer qualquer coisa antes de apanhar o comboio para Sevilha.

Para o próximo post

Para a próxima semana vamos falar da cidade-palácio Medina Azahara, como chegar e o que visitar, e também de um restaurante super barato em Córdoba.