Trilho Adolf Munkel-Weg nos Dolomitas

Índice desta página

  1. Começo do quarto dia nos Dolomitas
  2. Trilho Adolf Munkel-Weg
    1. Mapa do trilho circular de 11km
    2. Geisleralm
  3. Igreja de San Giovanni
  4. Restaurante La Tor em La Villa Stern
  5. No próximo post (Tre Cime di Lavaredo)

Começo do quarto dia nos Dolomitas

Mais um dia nascia nos Dolomitas. E foi neste dia que começámos a sair mais tarde da Pensione Edelweiss e a aproveitar o pequeno-almoço como devia ser. E quanto ao pequeno-almoço, havia uma boa variedade com pão fresquíssimo e uns croissants de morrer e chorar por mais.

Apesar do trilho que guardámos para este dia ter sido um dos nossos preferidos, este foi o dia com pior tempo, com alguma chuva e muitas nuvens. Mas como se diz, não há mau tempo apenas má roupa (there is no bad weather, only bad clothes). E é por isso que uma viagem aos Dolomitas requer uma preparação que conte com todo o tipo de tempo.

Pequeno-almoço na Pensione Edelweiss

Mas não foi o tempo que fez o dia começar da pior maneira, mas sim ao acordar aperceber-me que tinha a cara inchada. Ao que parece a minha pele reagiu ao sol intenso que tínhamos apanhado em Seceda dois dias atrás. Ainda por cima nesse dia não tínhamos posto protector solar. Para tentar reduzir o inchaço ainda antes de sair do quarto andei a pôr toalhas ensopadas com água fria por cima da cara. O efeito não foi muito, mas felizmente o inchaço foi diminuindo à medida que o dia foi passando. E ficou muito melhor depois de pôr bastante creme, o qual tínhamos comprado no dia anterior. Isto que seja uma lição para todos especialmente para nós!

No final até deu jeito o tempo estar mais murcho, pois duvido que a minha pele aguentasse mais uma sessão de sol intenso.


Trilho Adolf Munkel-Weg

Tal como Seceda e Vallunga, também o trilho Adolf Munkel-Weg faz parte do parque nacional de Opuez-Odle, este na zona mais a noroeste. E este trilho quase não foi feito devido à opinião dos outros. A primeira vez que li sobre este trilho a review era de que Adolf Munkel-Weg era um dos trilhos mais fraquinhos já que se passava grande parte do tempo dentro da floresta e por isso a paisagem não era tão fascinante. E isto pode ser a opinião de alguém que andou pelos Dolomitas e é completamente válida, mas não é a nossa. Na verdade, ainda bem que decidimos incluí-lo no nosso itinerário.

Vista para as montanhas do parque de estacionamento Zanser Alm

Neste trilho tivemos oportunidade de andar pela floresta, ver as montanhas, as cascatas e até um veado. Também parámos no Rifugio Geisleralm para uma bebida e provar uma sobremesa austríaca tradicional chamada de Kaiserschmarrn.

Para quem vem de carro o melhor lugar para estacionar é em Zanser Alm/Malga Zannes de onde se pode ‘apanhar’ directamente o trilho Adolf Munkel-Weg. O parque de estacionamento é pago e em 2025 custa 10 libras pelo dia todo. Tal como em Alpe di Siusi apenas há uma tarifa no parque de estacionamento.

Na secção seguinte está explicado em mais detalhe o percurso que fizemos. Quero apenas mencionar que durante o caminho houve uma parte que não seguimos pelo trilho mais conhecido. No cruzamento antes de chegar a Geisleralm fizemos um pequeno desvio que nos levou a subir pela floresta (trilho 36 em vez do 36a). E se a subida no início nos pareceu desnecessária rapidamente mudámos de opinião.

Vista para as montanhas do topo do trilho 36 (o pequeno desvio que fizemos neste trilho)

Quando chegámos ao fim da subida pelo trilho 36, não só a vista para as montanhas foi das mais impressionantes de todo o caminho como de repente um veado apareceu-nos à frente. E este era bem mais robusto do que aquele que tínhamos visto em Vallunga, já que era mesmo um veado e não um cervo. Claro que foi um dos melhores momentos do trilho. Mas penso que apenas conseguimos ver este veado porque aquele pequeno desvio não sendo muito conhecido não tinha mais ninguém. Naquela altura só estávamos nós, a floresta, as montanhas e o veado. Duvido que com mais gente e mais barulho tivéssemos tido esta experiência.

Mapa do trilho circular de 11km

Aqui fica o percurso que fizemos em Adolf Munkel-Weg, com indicações dos números dos trilhos que seguimos. Estes números estão marcados nas placas que se vão encontrando pelo caminho. O percurso que fizemos foi de 11km e demorámos cerca de 5 horas a completá-lo.

A – Estacionámos no parque de estacionamento Malga Zannes. Daqui entrámos logo no trilho Adolf Munkel-Weg.

B – Para chegar ao ponto B seguimos o trilho número 6, que vai dar a uma ponte onde se podem ver as cascatas com as montanhas ao fundo.

C – Depois da ponte saímos da estrada principal e começámos a subir pela floresta entrando agora no trilho número 35. Durante este caminho passa-se por uma clareira, a Palestra di roccia Alta Via di Adolf Munkel onde uma placa de metal está colada a um grande pedregulho (ver fotografia abaixo).

Palestra di roccia Alta Via di Adolf Munkel-Weg

D – No cruzamento há duas opções; a primeira é seguir pelo trilho 36a que vai ter directamente a Geisleralm. Este é o trilho que quase toda a gente faz e é talvez o mais fácil. A segunda opção é seguir o trilho número 36, que foi o que fizemos, e que sobe pela encosta da montanha. Apesar da subida, esta parte do percurso vale a pena fazer principalmente pela paisagem. Seguindo por este caminho passa-se por outro rifugio, Malga Casnago (ponto D).

E -Parámos em Geisleralm para comer e beber qualquer coisa enquanto olhávamos para as montanhas que iam espreitando por entre as nuvens.

F – Depois da paragem no ponto E continuámos pelo trilho número 36 de volta ao parque de estacionamento.

Geisleralm

Depois de fazermos vários trilhos nos Dolomitas finalmente nos sentávamos numa destas casas de madeira, os chamados ‘Rifugio’. Quando chegámos a Geisleralm eu queria sentar-me nas mesas com a melhor vista para as montanhas, mas como estava imensa gente a comer e a beber nessas mesas, a única que estava livre era assim meio que escondida.

Rifugio Geisleralm

Geisleralm fica a mais ou menos a meio caminho do percurso circular e não é possível chegar aqui de carro, tem-se mesmo de vir a pé. O menu é bastante extenso, todo ele focado em pratos tradicionais da zona onde as influências da cultura austríaca estão bem presentes. Aliás ali sentados se nos dissessem que tínhamos atravessado a fronteira e chegado à Áustria não teríamos ficado minimamente espantados.

Eu já vinha com a ideia fixa do que queria comer. E sem hesitações foi o que pedimos acompanhado por cerveja, a minha com sumo de limão. A sobremesa que pedimos, Kaiserschmarrn, é uma espécie de crepes fritos cortados aos bocados polvilhados com açúcar em pó e acompanhados por puré de maçã, geleia e fruta.

Sobremesa tradicional austríaca Kaiserschmarrn

Devo dizer que as expectativas eram altas, mas o que nos chegou à mesa superou-as. A porção era grande de tal forma que dividimos entre os dois. Aliás acho que essa é mesmo a ideia já que o prato que é servido é demasiado para uma pessoa. E sim posso até dizer que o humor melhorou bastante aqui sentados à esplanada com aquela paisagem magnífica, a comer e a beber como turistas.

Para verem o website oficial de Geisleralm incluindo o menu cliquem em: https://www.geisleralm.com/it


Igreja de San Giovanni

Depois de completarmos o trilho, o que fizemos em cerca de 5 horas (11:00-16:00), contando com o intervalo em Geilseralm, tínhamos apenas mais um local para visitar antes de voltarmos para San Cassiano. Isto sem contar com a rápida paragem em Panchina Panoramica, na estrada Zanser, onde tirámos a fotografia abaixo.

Paisagem da Panchina Panoramica

O local que queríamos visitar é uma das igrejas mais conhecidas e faladas nas redes sociais, a igreja de San Giovanni. Talvez seja pelas montanhas como plano de fundo, a verdade é que em qualquer guia turístico esta igreja em Val di Funes é mencionada. No entanto, penso que esta igreja apenas é famosa, ou melhor apenas tanta gente a visita, exactamente pela sua presença nas redes sociais. Para mim não foi a mais bonita e é bastante óbvio que se tornou num turist trap (armadilha para turistas).

Igreja de San Giovanni em Val di Funes

Primeiro o pequeno parque de estacionamento é pago. Turist trap número 1. Foram os 4 euros mais mal gastos da viagem. Depois para se chegar perto da igreja é preciso passar por um portão de ferro o qual é pago. Turist trap número 2. É que nem fui ver quanto é que era. Com tantos pagamentos se havia alguma vontade de visitar esta igreja, por aquela altura esgotara-se. Ainda a vimos do ponto panorâmico que por agora é gratuito. E sim, a igreja é bonita por fora, pelo menos daquilo que conseguimos ver, mas as igrejas que visitámos no dia anterior, as igrejas de St Valentin e St Konstantin para mim são bastante mais bonitas, e a experiência mais em conta.

Infelizmente este foi daqueles locais que perderam o interesse ao serem espremidos ao máximo como forma de ganhar dinheiro. Mas se acharem que é algo que gostariam de visitar, mesmo que seja só para ver ao longe, como nós, sim façam-no. Mas na minha opinião vir aqui de propósito não vale a pena. Especialmente num dia nublado com aquele onde não se viam as montanhas.

Iglesia di San Giovanni

Concluindo, sim a igreja é bonita, mas há outras igrejas tão ou mais bonitas nos Dolomitas. A lição aqui é que nem sempre o que está nas redes sociais é o melhor.


Restaurante La Tor em La Villa Stern

Regressámos a San Cassiano por volta das 6 e meia. A rotina foi a mesma dos outros dias; tomar banho, arranjar-nos para jantar e escolher o restaurante. Mas hoje foi o dia em que realmente tivemos problemas em encontrar um restaurante aberto. Quando falei das vantagens e desvantagens de visitar os Dolomitas no início de junho (ver aqui), mencionei que uma das coisas negativas a apontar era o facto de muitos restaurantes ainda estarem fechados nesta altura. Infelizmente, o Google não dá a informação correcta pois neste caso indicava que os restaurantes estavam abertos quando na verdade não estavam. E aliás até nos websites oficiais dos restaurantes não havia nenhuma indicação de que estivessem fechados. Mas a verdade é que só depois de 4 tentativas é que conseguimos encontrar um restaurante aberto que não fosse nenhum daqueles onde já tivéssemos ido.

Pizza 4 estações do restaurante La Tor em La Villa Stern

Primeiro fomos ao ‘Restaurant & Pizzeria Sass Dlacia’, entre San Cassiano e Paso Valparola, mas o restaurante estava fechado. Na verdade, já ali tínhamos ido no dia anterior, mas pensámos que estava fechado por ser feriado. Afinal só abriria dali a duas semanas. Depois tentámos o restaurante Tiac em San Cassiano. No Google dizia que estava aberto, mas não estava. Depois disto decidimos ir para La Villa Stern enquanto ligava para vários restaurantes a tentar descobrir um que estivesse aberto nas vilas mais próximas. Até houve um restaurante que estava aberto, o restaurante La Ciano, mas quando chegámos à entrada o ambiente não nos agradou muito. Para mais o restaurante não estava muito bem avaliado. E por coincidência quando íamos a caminho deste restaurante, passámos por outro, o restaurante La Tor, que por sinal estava aberto e que nos pareceu ter melhor aspecto. Para além que as reviews no Google eram bastante melhores.

E a mudança de planos foi a escolha acertada. Apesar de quando chegámos o restaurante La Tor ter já bastante clientela felizmente havia uma mesa livre para nós. E o serviço foi óptimo, a comida deliciosa, nada de negativo a apontar.

Sobremesa Frittelle di Miele do restaurante La Tor

Acabámos por escolher pizza para jantar, eu pedi a ‘Quattro Stagioni’ com cogumelos, pepperoni, fiambre e alcachofras e para beber mais um aperol spritz. A pizza era bastante boa, mesmo assim gostei mais da do restaurante L’Fana. Contudo esta segue rapidamente em segundo lugar. Quanto aos cocktails este restaurante ganhou. Como no final da refeição ainda havia espaço escolhemos os Frittelle di Miele, uma espécie de donuts de maçã fritos para dividir.

Tanto gostámos deste restaurante que decidimos naquele dia que este seria o local certo para o nosso último jantar, antes de deixarmos San Cassiano. E para mim o segundo jantar ainda foi melhor do que o primeiro. Por isso talvez tenhamos tido sorte em termos encontrados os primeiros restaurantes fechados, senão poderíamos nunca ter vindo ao restaurante La Tor.

Website oficial do restaurante La Tor: https://www.dolomit.it/en/la-tor.asp


No próximo post (Tre Cime di Lavaredo)

Para o próximo post vamos falar de um dos lugares mais conhecidos nos Dolomitas, senão o mais conhecido, Tre Cime di Lavaredo. Em 2025, um novo sistema online para marcação do estacionamento foi implementado e no próximo post vamos falar de como se pode marcar o estacionamento, quando e quais são as condições. E claro vamos falar do trilho que fizemos e daquilo que vimos. Este trilho ganhou lugar nos três top trilhos favoritos da viagem: 1° Seceda, 2° Adolf Munkel-Weg 3° Tre Cime di Lavaredo. Se já falámos dos dois primeiros, falta agora o terceiro.

As igrejas nos Dolomitas

Índice desta página

  1. St. Valentin Kirche
    1. Onde estacionar
    2. O trilho
    3. A igreja
    4. Lenda
  2. St. Konstantin Kirche
  3. Trilhos dos 7 lagos
  4. Pontos panorâmicos em Paso Gardena
  5. Segundo jantar no restaurante L’Fanà
  6. No próximo post (trilho Adolf Munkel-Weg)

Onde ficámos no último post?

No último post falámos do começo do nosso terceiro dia nos Dolomitas, depois de visitarmos Cinque Torri, Seceda e Vallunga nos dias anteriores. E para este dia estava reservado um lugar muito especial, Alpe di Siusi, um enorme planalto a quase 2500 metros de altitude. Neste post, vamos continuar a falar deste dia, mas já depois de sairmos de Alpe di Siusi. Aqui estão incluídas duas igrejas, a igreja de St. Valentin e St. Konstantin. E continuaremos por este dia até ao segundo jantar no restaurante L’Fanà em San Cassiano.

St. Valentin Kirche

A St. Valentin Kirche, ou em português a igreja de São Valentino, fica em Castelrotto, acima da vila de Siusi allo Sciliar (ou em alemão, Seis am Schlern). Para chegar a igreja não é possível ir de carro, tem-se mesmo de ir a pé.

Onde estacionar

Nós depois de sairmos de Alpe di Siusi fomos estacionar na vila de Siusi no parque de estacionamento Parkhaus, que fica por detrás da bomba de gasolina da Esso. Depois de pararmos o carro foi quando tivemos o primeiro sinal que devia ser feriado naquele dia. Apesar de no parque de estacionamento haver uma máquina para pagar e um placar com as tarifas, a máquina não estava a funcionar. Tentámos várias vezes até que um casal teve pena de nós e nos veio dizer que não se pagava estacionamento naquele dia.

Chiesa di San Valentino (ou em alemão St. Valentin Kirche)

Ainda antes de seguirmos pelo ‘Sentiero per Chiesa di San Valentino’ (o trilho que sobe até à igreja) ainda tentámos ir a um supermercado, mas este estava fechado. Este foi o segundo sinal de que aquele dia não era ‘normal’. Até porque ainda era só 1 da tarde.

Mas foi só quando chegámos à igreja e demos com a porta fechada é que fomos ver se era feriado e eis que descobrimos ou melhor confirmámos que sim, era feriado, o Dia da República (Festa della Repubblica).

O trilho

Para chegar à igreja tivemos que primeiro apanhar o trilho que sobe pela montanha. E podemos dizer que a subida não é assim tão fácil. O estado do trilho não é mau, pelo contrário, mas a subida é bastante acentuada. Talvez por isso se vá encontrando pelo caminho bancos de madeira para descansar.

A igreja

Depois de uns bons 25 minutos a meia hora a dar à perna chegámos ao pé da igreja. Quando a encontrámos fechada e depois de descobrirmos que era feriado pensámos que era essa a razão para não pudermos entrar. No entanto, parece que a igreja está normalmente fechada e que apenas se pode visitar o seu interior através de visitas guiadas que podem ser marcadas entre finais de junho a inícios de setembro.

Frescos da parte exterior da igreja de São Valentim

Assim sendo, tivemos mais tempo para admirar a parte exterior da igreja onde ainda se vêm frescos dos séculos XIV e XV. Um dos mais conhecidos e peculiares é o que representa a chegada dos três reis magos ao pé de Jesus com os picos dos Dolomitas pintados no fundo. Apesar de não se saber bem quando esta igreja foi construída, ela encontra-se mencionada em documentos que datam 1244. Como o nome indica esta igreja foi consagrada a São Valentim, padroeiro dos namorados.

Lenda

Existe uma lenda relacionada com esta igreja. A lenda conta que certo dia um touro encontrou um sino enterrado no solo perto da igreja. Este sino ficou conhecido como o ‘Touro de San Valentino’ e foi pendurado na torre da igreja. De acordo com esta lenda, este sino protegia os habitantes das fortes tempestades que eram resultado dos feitiços realizados pelas bruxas que viviam no Monte Schlern (a montanha que fica em frente à igreja). Ao tocar o sino, o feitiço era quebrado e por isso as bruxas passaram a temer o som do sino desta igreja.

Quanto a nós, depois de vermos o exterior da igreja e de nos sentarmos a ver a paisagem da vila no vale e as montanhas mesmo de frente ainda passeámos um pouco pelos campos em redor passando por cabras e ovelhas que pastavam por ali.


St. Konstantin Kirche

Para mim de todas as igrejas que visitámos, esta foi sem a dúvida a mais bonita. Gostei imenso do mostrador do relógio da torre especialmente dos ponteiros em forma de coração. Por qualquer razão fez-me lembrar a Alice no país das maravilhas.

A igreja fica na povoação de St. Konstantin a cerca de 10 minutos de carro da vila de Siusi. Ao lado da igreja há um pequeno parque de estacionamento de terra. Esta igreja também estava fechada e por isso só a pudemos admirar pelo seu exterior. Foi em 1281 que pela primeira vez foi mencionada esta igreja (pelo menos nos documentos encontrados até então). Nesta igreja encontram-se elementos de 3 estilos arquitectónicos; românico, gótico e barroco.

Trilhos dos 7 lagos

Como a igreja estava fechada acabámos por não ficar ali muito tempo. Mas houve uma placa na estrada à frente da igreja que me chamou a atenção. A placa indicava o trilho dos ‘7 laghi’ (o trilho dos 7 lagos). Ao que parecia estávamos entre os lagos que fazem parte deste trilho. E já que ali estávamos e já tínhamos feitos as paragens do nosso itinerário para aquele dia, seguimos a placa para visitarmos pelo menos o lago mais próximo, que afinal era o último do trilho, o lago de São Constantino.  

Demorámos cerca de 20 minutos a chegar ao lago, seguindo sempre as placas que indicavam o caminho. O que encontrámos foi um pequeno lago de águas esverdeadas onde algumas pessoas passeavam junto à orla. Nós fizemos o mesmo e ainda nos sentámos brevemente em frente ao lago, num banco que ali estava.

Laghetto di San Constantino

Não vou mentir e dizer que este lago foi o ponto alto da viagem, mas ficámos assim a conhecer uma parte escondida da floresta em St. Konstantin.

Se alguém estiver interessado em fazer este trilho, este é considerado de nível difícil e demora cerca de 4 horas a completar (só numa direcção). Depois de se chegar ao último lago pode-se apanhar o autocarro 176. O trilho começa em Aica di Fiè e passa pelos seguintes lagos:

  • laghetto Salmseiner
  • Laghetto Gflierer
  • Laghetto di Fiè
  • Laghetto Superiore
  • Laghetto di Umes
  • Laghetto di Aica
  • Laghetto di San Costantino

Pontos panorâmicos em Paso Gardena

Ponto panorâmico em Paso di Gardena

Depois de voltarmos para o carro, ainda estacionado ao lado da igreja de St. Konstantin, e como por esta altura tinha começado a chover, decidimos fazer o caminho de volta para San Cassiano. E como nos esperava mais uma hora e meia a conduzir, decidimos desta vez parar em alguns pontos panorâmicos pelo caminho.

Entre chuvadas ainda conseguimos parar duas vezes. A primeira foi depois de passarmos um dos lados da montanha por qual a estrada de Paso Gardena nos leva. Este ponto panorâmico fica ao lado de uma capela, a cappella de San Maurizio. Daqui vê-se o magnífico vale rodeado pelos picos montanhosos.

Entrada para a vila Calfosch no Sul de Tyrol

A segunda paragem foi depois mais à frente na entrada para Calfosch, uma das vilas do Sul de Tyrol por onde tínhamos passado várias vezes durantes as idas e vindas entre San Cassiano e Ortisei. Parámos ao pé das letras enormes que formam o nome da vila. Deste lugar ainda conseguimos ver uma cascata, que penso ser a cascata de Pisciadù.

Segundo jantar no restaurante L’Fanà

Acabámos por chegar à Pensione Edelweiss às 6 da tarde, o que era uma boa hora para nos prepararmos para jantar.

Quando ficámos a saber que era feriado naquele dia tínhamos ficado preocupados em caso de todos os restaurantes estarem fechados. No entanto, foi ao passarmos pelo restaurante L’Fanà quando voltávamos para San Cassiano, que reparámos que o restaurante estava aberto. E ficou logo ali feita a decisão de virmos aqui outra vez. Já que nenhum de nós se importava de voltar.

Prato de salsiccia con polenta e funghi do restautante L’Fanà

Uma vez despachados voltámos a entrar no carro até ao restaurante. Tal como da primeira vez, fomos rapidamente atendidos. Mas, desta vez fomos bem mais controlados quando chegou a altura de fazer o nosso pedido. Eu desta vez pedi o prato de Gnocchi alla Sorrentina (gnocchi com molho de tomate) e o meu marido pediu um prato tradicional da zona, ‘Salsiccia con polenta e funghi’ (salsicha com polenta e cogumelos).

A dose de gnocchi era razoável já que normalmente quando peço gnocchi as porções são mais pequenas comparadas com as dos outros pratos de massas, ou assim me parece. O do meu marido é que vinha mais ou menos. Boa apresentação, bom sabor, mas a quantidade não tanta quanta a esperada. Especialmente tendo em conta que este era um dos pratos mais caros do menu.

Prato de gnochhi alla sorrentina do restaurante L’Fanà

O que significou que desta vez havia espaço para sobremesa. Como em Itália come-se italiano eu pedi o tradicional tiramisù. Já o meu marido pediu um afogatto; café com bola de gelado de baunilha. Se eu gostei do tiramisu, mais ainda o meu marido gostou do afogatto, espantado com o quanto aquilo era bom.

Depois da sobremesa e dos cafés, pagámos a conta e voltámos para a Pensione Eldeweiss. Apesar de termos gostado mais da primeira vez, ficámos adeptos deste restaurante. Se passarem pela zona de San Cassiano não deixem de experimentar este restaurante em La Villa Stern.

Tiramisù do restaurante L’Fanà

Para saber mais sobre este restaurante vejam a página oficial: https://www.lfana.com/en/


No próximo post (trilho Adolf Munkel-Weg)

Para a próxima vamos ao nosso quarto dia nos Dolomitas, ou seja, vamos entrar na segunda metade da nossa viagem. E para este dia esperávamo-nos o nosso segundo trilho favorito depois de Seceda. E foi finalmente neste trilho onde houve tempo para entrarmos num dos Rifugios pelo caminho e provarmos uma sobremesa típica da Áustria. E claro, ainda falta o famoso Tre Cime di Lavoredo, Lago di Braies e muito, muito mais.

Alpe di Siusi, o planalto do alto

Índice desta página

  1. O começo do terceiro dia
  2. Alpe di Siusu
    1. Onde e quando estacionar
    2. O nosso trilho de 11 km
    3. O que faríamos de diferente
  3. No próximo post (as igrejas nos Dolomitas)

O começo do terceiro dia

Mais um dia em que começámos bastante cedo, com saída antes das 7 da manhã. Hoje a paragem principal do dia era em Alpe di Siusi, também conhecido por Seiser Alm (em alemão). E este ficava ainda mais longe de San Cassiano do que Seceda em Ortisei, onde tínhamos ido no dia anterior.

Parte da nossa viagem, já perto de Alpe di Siusi

Com mais de uma hora e meia de caminho à nossa frente e com o nosso saco de pequeno-almoço que a Pensione Edelweiss nos tinha arranjado, estávamos prontos para mais um dia nos Dolomitas.

Alpe di Siusu

Alpe de Siusi é o maior planalto da Europa com uma área que cobre 56 km2. Há mais de 450 km de trilhos para quem gosta de fazer caminhadas, mas também há trilhos específicos para correr e andar de bicicleta. Alpe de Siusi é procurado tanto no Verão, pelos seus trilhos, como no Inverno, pelas suas pistas de neve ‘fáceis’. Pelos trilhos vão-se encontrando vários restaurantes em casas de madeiras, os chamados huts, onde se pode experimentar comida local.

Alpe di Siusi

A maior peculiaridade deste sítio é que sendo um enorme planalto fica a uma altitude considerável; o ponto mais baixo de Alpe di Siusi fica a 1680 metros de altitude e o ponto mais alto a 2350 metros. As paisagens são arrebatadoras, podendo-se avistar diferentes montanhas como Sassolungo, Sasso Piatto, e Sciliar. Infelizmente, no dia em que viemos apesar de estar sol, as montanhas estavam escondidas pelas nuvens. No entanto, não deixámos de percorrer um dos muitos trilhos, tendo o planalto todo para nós numa paisagem que a mim fazia-me lembrar a fotografia da abertura do Windows XP. Em todo o bom sentido, claro.

Onde e quando estacionar

Quando nos últimos posts falei sobre ficar em Ortisei pelo menos uma noite, uma das razões é a facilidade de como chegar a Alpe di Siusi. A melhor opção é apanhar o teleférico em Ortisei ou então em Seiser Alm, e neste último até há um grande parque de estacionamento gratuito. Para quem quer vir até Alpe di Siusi de carro, o que foi o que nós fizemos, é preciso ter atenção a alguns pormenores.

A estrada que sobe até Alpe di Siusi está aberta até às 9 da manhã e depois só volta a abrir às 5 da tarde. Isto aplica-se apenas à subida, voltar a descer pode ser a qualquer hora, por isso não pensem que ficam ‘trancados’ em Alpe di Siusi. Entre as 9 e as 5 só se pode chegar ao topo de Alpe di Siusi indo de teleférico, a menos que a vossa acomodação seja no hotel que fica perto deste planalto. Neste caso, têm autorização especial para conduzir nesta estrada quando vos bem apetecer.

Alpe di Siusi de um dos pontos panorâmicos

Por outro lado, a estrada está aberta durante todo o dia quando os teleféricos estão fechados, o que acontece entre meio de abril e meio de maio, e depois entre inícios de novembro até inícios de dezembro. Ou seja, naquelas que são consideradas épocas baixas. No entanto, eu vi pessoal a chegar ao parque de estacionamento às 2 da tarde, por isso talvez isto se estenda até inícios de junho. Por outro lado, talvez fosse por ser feriado naquele dia em Itália. Também há que ter atenção que entre as 11 da noite e as 6 da manhã é proibido estacionar em Alpe di Siusi (apenas permitido aos hóspedes do hotel e apenas no parque de estacionamento deste). Esta restrição aplica-se a todo o ano.

Agora em relação ao parque de estacionamento em si. O parque de estacionamento P2 que fica em Compatsch custa 28.50 euros por dia e só há uma tarifa. Por isso para valer bem a pena o dinheiro do bilhete é passar aqui o maior tempo possível. Se vierem na altura quando o teleférico está fechado (o que não foi o nosso caso), o parque de estacionamento só custa 14 euros por dia, o que é um valor bem mais razoável.

Também há outro parque de estacionamento, o P1 car park Spitzbuhl, que desde junho de 2025 custa 15 euros por veículo e só aceitam pagamento em dinheiro. Mas este parque de estacionamento ainda fica bastante longe de Alpe di Siusi, por isso não recomendo de todo a fazer aquela subida. Quando chegam ao destino já estão prontos para voltar para trás. Ou pelo assim seria comigo. No caso de não houver estacionamento no parque P2, o que pode acontecer durante as épocas altas, a melhor opção é considerar mesmo apanhar o teleférico em Seiser Alm ou em Ortisei.

Para mais informações sobre o estacionamento em ou para Alpe di Siusi aconselho a lere estas duas páginas:

O nosso trilho de 11 km

A- Estacionámos o carro no parque P2 em Compatsch.

B – Fomos pela estrada larga e virámos à esquerda no primeiro cruzamento seguindo o trilho mais estreito. Neste trilho parámos ao pé de um grande e alto banco de madeira. Este é o lugar ideal para tirar fotografias e foi construído especialmente para o Instagram.

C – Depois das fotografias tiradas continuámos pelo mesmo caminho. Passámos ao lado de uma estação de teleférico e quando vimos a primeira montanha deixámos a estrada principal e começámos a subir por um carreiro de terra. Esta é a parte mais difícil do percurso, mas a subida não é muito exaustiva e o carreiro rapidamente nivela. O carreiro passa por 2 bancos de madeira, os pontos panorâmicos de Alpe di Siusi.

D – Chegámos à estação de teleférico que sobe de Ortisei. Aqui perto sentámo-nos num dos bancos de madeira na colina da montanha para comer uma parte do nosso pequeno-almoço e ver a paisagem.

E – Depois de comermos e estarmos sentados por um bocado, começámos a descer a estrada e pelo caminho passámos por Malga Schgaguler Schwaige onde àquela hora serviam o pequeno-almoço. Nós ficámos mais interessados nas alpacas que por ali andavam, mas pode ser uma opção para quem tem intenção de comer em Alpe di Siusi, já que este hut fica mais ou menos a meio caminho (se fizerem o mesmo percurso que nós).

Uma das alpacas que encontrámos perto do hut Malga Schgaguler Schwaige

F – Antes de deixarmos Alpe di Siusi e voltarmos para o carro, sentámo-nos outra vez e passámos um bom bocado num segundo banco de madeira onde se teria uma bonita vista para as montanhas. Infelizmente no dia em que viemos as montanhas estavam escondidas pelas nuvens. No entanto, não deixou de ser uma bonita paisagem.

G- Fizemos o mesmo caminho de volta para o parque de estacionamento. É à saída que se paga o parque.  

No total foram 11 km feitos em 4 horas e apesar de apenas termos visto uma pequena parte de Alpe di Siusi, no nosso percurso tivemos oportunidade de passar por vários pontos panorâmicos e de vermos não só alpacas, mas também burros e até cabras montanhesas muito pequeninas que andavam aos saltitos num pequeno muro. E claro, houve oportunidade de nos maravilharmos com a paisagem. No entanto, penso que se o tempo tivesse melhor e as montanhas fossem visíveis, teríamos feito um percurso mais longo e passado aqui mais tempo.

O que faríamos de diferente

Uma das coisas ideais para fazer em Alpe di Siusi, sendo este um planalto enorme, é passear pelos trilhos de bicicleta que se estendem por mais de 1000 km. Aparentemente há várias lojas para alugar bicicletas na área, mas eu não me lembro de ver alguma. Provavelmente não vi porque não estava à procura. No entanto, consigo ver a atracção de andar de bicicleta por aqui e provavelmente se voltasse a Alpe di Siusi seria algo que consideraria para puder ver uma maior área. Porque apesar de termos explorado uma parte muito pequenina de Alpe di Siusi, ainda foram 11 km a caminhar. Portanto de bicicleta parece-me a forma mais eficiente de ficar a conhecer melhor este local.

Na estrada entre Alpe di Siusi e o parque de estacionamento em Compatsch

Concluindo, Alpe di Siusi é um óptimo local para quem quer fazer um trilho sem grandes desafios, mas com bonitas paisagens. E há 450 km para caminharem o quanto quiserem.  

Mas para nós apesar de ter sido um local marcante da viagem foi um dos trilhos que gostámos menos. Não sei se foi do tempo, mas não ficámos apaixonados. Pelo menos não como por Seceda. No entanto, não deixo de recomendar visitar Alpe di Siusi porque é realmente diferente, um planalto no alto dos Dolomitas.


No próximo post (as igrejas nos Dolomitas)

Para o próximo post vamos falar das igrejas que visitámos à tarde deste terceiro dia, a igreja de St. Valentin e a igreja St. Konstantin. Depois falaremos de um pequeno trilho que passa por 7 pequenos lagos e do jantar em San Cassiano, quando voltámos ao restaurante L’Fanà.

Um trilho para todos nos Dolomitas e jantar em San Cassiano

Índice desta página

  1. Trilho de 10Km em Vallunga
    1. Onde estacionar
    2. Vallunga
    3. Trilhos em Vallunga
    4. Mapa do nosso trilho
  2. Restaurante La Vedla

Trilho de 10Km em Vallunga

Depois da manhã e parte do início da tarde passados a explorar Seceda e Ortisei, chegávamos a Selva di Val Gardena para o segundo trilho do dia, o trilho de Vallunga.

Início do trilho de Vallunga. A capela de São Silvestre pode ser vista mais à frente no caminho.

Tínhamos escolhido este trilho por ser de nível fácil, sendo considerado um dos melhores trilhos para quem vem com crianças pequenas ou tem problemas de mobilidade. É também um bom local para picnics. Nós vínhamos com a ideia de fazer o trilho de 5km, mas como estávamos enganados! Porque acabámos por fazer mais que 10Km. Mas já lá vamos.

Onde estacionar

Para quem vem a Vallunga de carro há um pequeno parque de estacionamento logo à entrada do trilho, perto do café Ristoro Jause. O parque de estacionamento é pequeno, mas à hora que viemos, por volta das 3 da tarde, havia bastante estacionamento e o melhor ainda é que o parque era gratuito. Pelo menos as máquinas não estavam a funcionar no início de junho, mas suspeito que em julho e agosto já não seja assim. Para nós foi uma óptima surpresa.

Vallunga

Vallunga é um vale parte do parque nacional Puez-Odle, ao qual também pertence Seceda. Apesar de não se ter as vistas magníficas de Seceda não deixa de ser um lugar lindíssimo com planatos e floresta envoltos por magníficas montanhas.

Trilhos em Vallunga

Logo no início do trilho há um mapa com os vários caminhos e as diferentes distâncias (fotografia abaixo). O que nós queríamos fazer era o caminho de 5Km, ou seja, o DROC, mas em algum ponto perdemos a placa a indicar onde virar para trás e continuámos a andar e a andar até chegarmos ao grande planalto Pra da Rì. Ou seja pelo mapa acabámos por fazer o trilho dos 10Km.

Mapa com os diferentes trilhos em Vallunga

Pelo trilho fomos encontrando certos pontos de interesse. Nos primeiros quilómetros passámos por uma pequena capela, a Cappella di San Silvestre, e por uma estátua de uma cabra ou talvez bode montanhês. Curiosamente, não vimos nenhuma ao vivo. Nem cabras, nem vacas, nem ovelhas, que são alguns dos animais que alguns websites dizem podermos encontrar em Vallunga. Mais à frente entrámos na zona florestal onde encontrámos a Selva fontana naturale, uma fonte que nos deu imenso jeito no caminho de volta quando já estávamos quase sem água. Também passámos por um ponto histórico, Kalkbrennofen, um forno de cal que data 1870. Este forno foi usado até 1950, altura em que o cimento passou a ser o material de eleição para construção. Pelo caminho também encontrámos em pontos estratégicos vários bancos de madeira que serviam tanto para descansar como para apreciar a paisagem.

A mais ou menos meio caminho passámos por um portão de ferro onde indicava que estávamos prestes a entrar no parque nacional Puez-Odle. E pouco mais à frente foi quando chegámos ao grande planalto Pra da Rí. Depois de passarmos este planalto encontrámos um pequeno riacho que supusemos ser alimentado por uma das cascatas que vimos ao longe pelo caminho. E o trilho continua depois do riacho, mas foi aqui que decidimos voltar para trás.

Banco de madeira no trilho de Vallunga

O caminho de volta foi practicamente o mesmo da ida, mas depois da fonte quisemos seguir pelo trilho que continuava pela floresta em vez do que passava junto à capela (ver o mapa abaixo).

O que não sabíamos é que esta escolha ia ter um impacto enorme na forma como acabaria para nós este trilho. Então não é que passa um cervo mesmo à nossa frente no meio do caminho? Isto foi quase momento da Disney. Mas o cervo nem se manifestou com a nossa presença, passou de um lado para o outro da floresta sem nos ligar nenhuma.

Com isto tudo acabámos por sair de Vallunga já às 7 da tarde, o que foi bem mais tarde do que queríamos.

Mapa do nosso trilho

Concluindo, Vallunga é um bom trilho para quem não quer grandes desafios, mas quer ver bonitas paisagens. Eu confesso que não dei o devido valor a este trilho, depois de Seceda estava cansada, a ficar com fome, a ficar sem água, que é uma das piores coisas que pode acontecer num trilho, e as pernas e os pés já começavam a queixar-se. No entanto, voltaria a fazê-lo, mas noutras condições, ou com mais tempo ou menos cansada.  

Restaurante La Vedla

Chegámos à Pensione Edelweiss pouco antes das 8 da noite e a esta hora a barriga já estava a pedir por alimento. Por isso foi tomar banho, mudar de roupa e ir jantar. Depois deste dia intenso a nossa vontade era de não voltar a pegar no carro. E foi por isso que decidimos ir jantar ao restaurante-pizzeria La Vedla que ficava mesmo ao lado da pensão.

Mesmo sem marcação rapidamente nos arranjaram mesa e apresentaram-nos os menus. Nós vínhamos com ideias de comer pizza e foi isso que escolhemos.

Pizzas do restaurante La Vedla

Eu pedi uma pizza com mortadela, burrata e pistachio (Mortazza), enquanto que o meu marido escolheu uma com anchovas (pizza Estate), que era algo que ele já andava há algum tempo para experimentar. Para beber ‘teve de ser’ um aperol spritz. O serviço foi rápido e gostei do ambiente animado do restaurante. E gostava de puder dizer que as pizzas eram deliciosas. Mas penso que este foi o jantar mais fraquinho de todos os que tivemos nos Dolomitas. A massa da pizza não era a melhor, especialmente comparando com a do dia anterior, no restaurante L’Fanà. A pizza do meu marido era bastante salgada devido às anchovas e a mistura com as azeitonas não ajudava a cortar o salgado. A minha pizza, no entanto, não era má. Aliás as pizzas não eram más, de todo, apenas piores em comparação com as dos outros restaurantes onde fomos. Tal como o aperol, os dos outros restaurantes foram melhores. Ou seja, bom ambiente, bom serviço, mas comida e bebida medianas.

Mas a localização do restaurante era ideal para nós especialmente depois de um dia longo a fazer mais de 25Km a pé. Por isso não houve nenhum arrependimento em vir jantar aqui.

Strudel com gelado de baunilha do restaurante La Vedla

Desta vez ainda houve espaço para sobremesa e escolhi algo que estava na minha lista de ‘pratos a provar nos Dolomitas’ – o famoso strudel. Nada como acabar uma refeição com algo doce acompanhado por um bom café espresso.

Website oficial do restaurante La Vedla pode ser acedido aqui: https://lavedla.it/la-vedla-2/

No próximo post (Alpe di Siusi, o planalto do alto)

No próximo post vamos falar do nosso terceiro dia nos Dolomitas, dia esse que começou em Alpe di Siusi. Depois de um trilho acompanhado de nuvens fomos visitar duas igrejas lindíssimas, e onde ficámos a saber que naquele dia era feriado em Itália. E nós a pensar que vínhamos bem preparados para esta viagem 😅.

Seceda, Dolomitas

Índice deste post

  1. De San Cassiano a Ortisei
  2. Onde estacionar em Ortisei
  3. Teleférico e funicular para Seceda
  4. Em Seceda
  5. Trilho de 12Km em Seceda
    1. Descrição do nosso itinerário
  6. Ortisei
  7. Cascata de Tervela

De Seceda, o que se pode dizer? Foi o nosso trilho preferido desta viagem, apesar de termos feito outros dois dos quais gostámos muito, Adolf-Munkel Weg e Tre Cime di Lavoredo. Mas, as paisagens de Seceda são tão espectaculares que parece irreais. Seceda é sem dúvida um dos locais mais conhecidos dos Dolomitas, e com toda a razão.

De San Cassiano a Ortisei

Mas vamos primeiro ao começo do dia. Saímos da Pensione Edelweiss ainda não eram 7 da manhã. E houve duas razões para estarmos já a pé a esta hora matinal. Em primeiro lugar de San Cassiano até Ortisei, onde íamos apanhar o teleférico para Seceda, ainda era cerca de uma hora de caminho. Em segundo lugar, o nosso cérebro ainda estava formatado que para escapar as multidões e filas tínhamos de chegar muito cedo.

A conduzir de San Cassiano para Ortisei

E a viagem entre San Cassiano e Ortisei mostrou por paisagens que não é preciso sentir aquele receio de perder alguma coisa, o receio de não visitar todos os locais ou de não percorrer todos os trilhos. Basta pegar no carro e nem se tem de conduzir por muito tempo para ver paisagens arrebatadoras.

Onde estacionar em Ortisei

Agora fica aqui a dica de onde estacionar em Ortisei. Isto é válido mesmo para quem não quer visitar a cidade, que apenas quer apanhar o teleférico para Seceda ou mesmo qualquer outro teleférico na zona. Mas vou falar de Seceda em particular, já que era para aqui que vínhamos. Há um estacionamento mesmo ao lado do teleférico onde entre as 7 da manhã e as 7 da tarde tem um custo de 2.80 euros por hora. Eu sei, completamente insano. Que os preços vão ser caros já se sabe, mas quase 3 euros por hora é simplesmente demasiado. Nós deixámos o carro no estacionamento no centro de Ortisei, no Parking Garage Central, o qual custou-nos 1.90 euros por hora. O que também não deixa de ser caro, mas é mais aceitável. Se deixarem lá o carro o dia todo, fica no máximo a 18 euros. Este preço máximo não existe no parque de estacionamento junto ao teleférico – cada hora está sempre a contar. Se bem me lembro, nós pagámos à volta de 11 euros por 7 horas.

Fazer parapente em Seceda deve ser uma das melhor experiências que se pode ter

E entre o Parking Garage Central e o teleférico que sobe para Seceda são cerca de 10 minutos a andar e assim também aproveitam para ver um pouco de Ortisei. E para quem quer ver depois a cidade, o parque de estacionamento está no sítio ideal.  

Teleférico e funicular para Seceda

Em 2025, o teleférico e o funicular que sobem para Seceda abriam dia 1 de junho. E não é que foi no dia 1 de junho que viemos a Seceda? Com tanta preocupação de chegar cedo, encontrar estacionamento, evitar filas, etc, fomos dos primeiros a apanhar estes meios de transporte para Seceda no dia em que abriram.

Paragem em Furnes onde se muda do teleférico para o funicular (ou vice-versa)

Agora preços e a viagem em si. É preciso apanhar tanto o teleférico como o funicular para chegar de Ortisei a Seceda. Primeiro apanha-se o teleférico onde cabem 6-8 pessoas. Este faz o percurso Ortisei – Furnes e sobe 450 metros. Depois em Furnes sai-se do teleférico e apanha-se o funicular que é como uma espécie de carruagem de metro sem assentos. Este leva até 30 pessoas e faz o percurso Furnes-Seceda subindo mais 700 metros.

Se calhar é preciso dizer que em Furnes o teleférico e o funicular estão ao lado um do outro, por isso não há motivo para confusões. Agora sobre preços (em 2025); se for para fazer o percurso todo Ortisei-Seceda, ida e volta, são 52 euros por pessoa. Se for este percurso, mas só subida ou só descida fica a 39 euros. Também é possível fazer só metade do percurso, isto é só apanhar o teleférico ou só o funicular e fazer o resto do caminho a pé. Neste caso, o bilhete custa 30 euros se for ida e volta (nesse mesmo meio de transporte). Se for só num sentido fica a 22 euros. Nós pagámos os 52 euros e não acho que tenha sido dinheiro mal empregue, mesmo sendo caro.

Em Seceda

Seceda fica localizado em Val Gardena e pertence ao parque nacional Puez-Odle. Este parque nacional é enorme cobrindo uma área de 4000 hectares e chega a uma altitude máxima de 2500 metros – onde fica o miradouro de Seceda. Deste miradouro, construído em 2007, pode-se avistar todas as montanhas que ficam em redor do Sul de Tyrol estendo-se até Großglockner na Aústria. Neste miradouro encontra-se uma estrutura de metal que ajuda a identificar as várias montanhas que se avistam de Seceda.

Paisagem sobre a ravina de Seceda

Saindo-se do funicular e olhando à nossa volta sabe-se logo porque este é um dos lugares mais procurados nos Dolomitas. A paisagem é completamente deslumbrante, e este deslumbramento não se esmoreceu durante o tempo que aqui passámos.  Aliás com esta paisagem a única coisa de que nos arrependemos foi de não termos marcado um voo de parapente em Seceda. Porque se há lugar onde deve ser magnífico ter esta experiência é sem dúvida aqui. E se algum dia voltarmos a Seceda, não deixaremos passar uma segunda oportunidade.

Trilho de 12Km em Seceda

Uma das coisas que encontrámos não só em Seceda, mas em quase todos os trilhos, foram muitas placas com direcções. Os trilhos que atravessam os Dolomitas são mais que muitos e por isso há placas a apontar em todas as direcções com todo o tipo de nomes e em várias línguas (e também a indicar o tempo que se demora a chegar ao lugar, o que achei bastante útil). Nós quando viemos para Seceda já vínhamos com um itinerário traçado para evitar nos perdermos ou envergarmos por um trilho de quilómetros e quilómetros.

O nosso trilho teve uma distância de 11.6Km e fizemo-lo em 3 horas com uma paragem a meio para comer qualquer coisa e muitas para tirar fotografias e até ver marmotas. Em relação à dificuldade: a maior parte do percurso faz-se bem, especialmente entre o ponto panorâmico de Seceda (ponto B no mapa) até ao Balcone Panoramico da UNESCO (ponto F). O pior é a subida entre a Fermeda Kapelle (ponto G) de volta ao funicular. Esta subida não é para fracos de coração. E sim, houve muitas paragens usando a desculpa de ter que tirar fotografias para ter 1 minuto de descanso. O percurso que fizemos diria que era de dificuldade média, mas para alguns pode ser considerada difícil já que algumas partes da subida eram bastante acentuadas.

Paragem durante a subida de volta ao funicular para descansar e comer

Mas é possível fazer o mesmo percurso de ida e volta entre o teleférico (ponto A) e Pieralongia (ponto E) e assim escapar a subida extenuante. Ah e o mapa acima até está meio que enganado porque há um caminho que segue do ponto D directo ao ponto E, o que faz este trecho do percurso ser ainda mais fácil. O problema é que o Google Maps não reconhece este caminho e por isso não dá para ter o percurso correcto no mapa entre este dois pontos. Uma coisa a notar sobre os trilhos em Seceda é que de um ponto do trilho se consegue ver os outros caminhos. Por isso consegue-se ter uma percepção do quanto se quer ir para a direita ou do quanto se quer descer, já que depois quanto mais se descer mais vai ser preciso subir.

Descrição do nosso itinerário

A – O trilho começa na saída do funicular em Seceda.

B – Sobe-se pela estrada principal até ao ponto panorâmico de Seceda que fica a 2500 metros de altitude, onde está uma estrutura redonda de metal. A seguir é continuar pelo caminho que vai junto à ravina até ao segundo ponto panorâmico.

Ponto panorâmico de Seceda

C – Continuando por esse caminho vai-se descendo pela rampa e no cruzamento vira-se à esquerda. Depois é continuar a seguir pelo carreiro que sobe ligeiramente e que acaba no ponto mais próximo da ravina. Não é possível continuar a subir a partir do ponto C.

D – Ao chegar ao ponto C desce-se pelo carreiro até à estrada principal e vira-se à esquerda. Há aqui várias placas e a que queremos seguir é ‘Pieralongia Schwaige’. O caminho entre o ponto D e o ponto E não aparece no Google Maps, mas é seguir sempre o caminho a direito. Quando se chega a um pequeno Rifugio, Malga Pieralongia Alm, segue-se o trilho que sobe ligeiramente até Pieralongia (as duas rochas altas pontiagudas).

Placas com as várias direcções no cruzamento perto do ponto panorâmico de Seceda

E- Depois é voltar para trás, passando novamente pelo Rifugio mas agora continuar pelo caminho a descer até a uma plataforma com uma estrutura metálica, o Balcone Panoramico UNESCO Mastlè Santa Cristina.

F – No ponto panorâmico nós continuámos a descer até irmos apanhar a estrada larga que depois no ponto G, onde fica uma pequena capela, começa a subir. Se não quiserem ter de descer para depois ter de subir toda a montanha podem voltar para trás e apanharem a mesma estrada principal de onde vieram.

G – Desde a capela até ao funicular, passando pelo ponto H, é sempre a subir e é este o trecho mais difícil, e por isso digo que se não quiserem subir tanto podem sempre escolher um caminho mais fácil. Aqui a regra é simples, quanto mais se desce mais tem de se subir.

Subida desde a capela até ao funicular

Foi ao chegar ao ponto H que decidimos fazer uma pausa. Sentámo-nos na relva a comer o nosso pequeno-almoço, que a esta hora já era mais almoço, e a ver aquela paisagem maravilhosa. As paisagens de Seceda são das mais bonitas nos Dolomitas, apesar de a competição ser renhida já que tudo é lindíssimo.

Quando chegámos ao funicular não fomos muito inteligentes porque nos fomos logo embora, embora em Furnes, antes de apanharmos o teleférico termos feito uma paragem para comer mais qualquer coisa. Mas agora olhando para trás, depois de voltarmos para o ponto inicial do trilho devíamos ter passado mais algum tempo em Seceda, agora a descansar e a aproveitar mais um pouco daquela paisagem.

Paisagem em Seceda

Apesar de não termos entrado em nenhum deles, durante o percurso encontrámos vários Rifugios; restaurantes e cafés onde se pode fazer uma pausa para comer e beber. Nós não o fizemos em Seceda, até porque levávamos comida connosco, mas é sempre algo a considerar, já que a subida pode mesmo tirar o folgo a qualquer um. Em junho havia vários Rifugios que ainda estavam fechados, mas passámos por dois que estavam abertos com muita gente sentada à esplanada, o Baita Sofie Hütte e o Malga Pieralongia Hütte.

Ortisei

Quando regressámos a Ortisei quisemos dar uma volta rápida pela cidade. Confesso desde já que as cidades não foram o nosso foco e passámos muito pouco tempo em Ortisei, e ainda menos em Cortina d’Ampezzo. Mas ainda fomos conhecer o centro de Ortisei, passear pela zona pedonal, onde encontrámos imensas lojas e pessoas sentadas nas esplanadas dos restaurantes e cafés. Talvez mais porque viemos durante a hora de almoço. Mas ainda visitámos a Chiesa St. Ulrich, uma igreja construída no final do século XVIII, mesmo no centro da cidade.

Ortisei

Talvez tivéssemos passado mais tempo na cidade se não tivéssemos outro trilho programado para aquele dia. E sim, se puderem passar uma noite em Ortisei façam-no que pelo menos ficam perto de dois grandes pontos que certamente vão querer visitar, Alp di Siusi e Seceda.

Cascata de Tervela

Depois de Seceda e Ortisei a nossa próxima paragem era na vila ao lado, em Santa Cristina Valgardena, para visitarmos não a cidade, mas a cascata de Tervela. Quando adicionámos esta cascata ao itinerário a ideia era fazer uma paragem rápida antes de irmos para o segundo trilho que começava na vila seguinte, Selva di Vale Gardena. Mas esta cascata foi um claro exemplo como um itinerário muito compacto faz com que não se tenha tempo para tudo.

Como não dava para estacionar junto à cascata, deixámos o carro à entrada da vila Santa Cristina, de onde já se podia ver a parte da cascata que desce junto à estrada. E no final foi só daqui que tirámos fotografias. Para chegar à cascata desde onde estava o nosso carro era preciso andar cerca de 25 minutos. Como eram 2 e meia da tarde e fazendo as contas já íamos começar o segundo trilho por volta das 4, o que a nosso ver já seria tarde. Tínhamos também de ter em consideração que precisávamos de voltar para San Cassiano e não o queríamos fazer de noite já que o caminho não era o mais fácil de conduzir.

Cascata de Tervela

Conclusão, não fomos à cascata, mas ficámos com pena de não fazermos esta parte do itinerário. As fotografias pelo menos dizem que vale a pena fazer o percurso até porque esta cascata é considerada uma hidden gem.

Só uma mais coisa antes de terminar. Nós deixámos o carro na Via Dursan mesmo à saída da estrada principal, a SS242, onde o estacionamento é gratuito nos primeiros 60 minutos. Acreditem que depois de todo o dinheiro que gastámos em parque de estacionamentos, este é um ponto importante.

Próximo post (um trilho para todos nos Dolomitas e jantar em San Cassiano)

Para o próximo ‘episódio’ vamos falar do trilho em Vallunga na Selva di Val Gardena e do nosso segundo jantar da viagem já de volta a San Cassiano.

Chegada a San Cassiano nos Dolomitas

Pensione Edelweiss em San Cassiano

Quando chegámos a San Cassiano encontrámos estacionamento na parte detrás da Pensione Edelweiss. Apesar de não haver muitos lugares nunca tivemos problemas em estacionar, até porque nos disseram que podíamos estacionar nos lugares destinados ao alojamento do lado. Depois de tirarmos as nossas malas do carro subimos a estrada até à entrada da pensão. Ainda antes de entrarmos, reparámos na bonita igreja que ficava mesmo em frente à pensão, a igreja de San Cassiano com as montanhas altas e imponentes ao fundo. Só isto prometia ser um bom lugar onde ficar. Fomos recebidos por uma rapariga super simpática, a Jo, a quem ficámos a conhecer durante a semana e até foi ela quem nos falou sobre a língua oficial da zona, o Ladin. Aliás em conversa durante um dos pequenos-almoços ela acabou por nos contar como era viver nos Dolomitas durante todo o ano e como varia as marés de turistas. Também ficámos a conhecer a mãe, que era a dona da pensão. Fomos mesmo muito bem recebidos por ambas que foram sempre muito prestáveis em tudo o que pedíamos.

Entrada para a Pensione Edelweiss em San Cassiano

Como no início da viagem pensávamos que tínhamos de sair de manhã muito cedo (de acordo com o que tínhamos lido sobre os Dolomitas) e como o pequeno-almoço só começava às 8, a dona da pensão e a filha concordaram em deixar-nos o pequeno-almoço num saco para o irmos buscar à recepção quando saíssemos. E das duas vezes que o fizeram os sacos vinham bem recheados com 4 sandes (2 para cada um, e cada uma feita com um tipo de pão diferente), 2 fatias de bolo e 2 sumos. Depois dos dois primeiros dias apercebemo-nos que não era preciso acordar assim tão cedo nesta altura do ano e a partir do terceiro dia já tomávamos o pequeno-almoço na pensão antes de sairmos. Mas aquele pequeno-almoço empacotado deu-nos imenso jeito já que com toda aquela comida não era só pequeno-almoço mas também almoço.

O quarto onde ficámos era simples, mas espaçoso e tinha varanda a qual aproveitámos num dos dias para jantar al fresco. E todos para ver a paisagem. Como o nosso quarto era voltado para a parte detrás não tivemos grandes problemas com o toque da igreja, o que tínhamos lido era algo que tinha aborrecido alguns dos hóspedes. Para mim, esta foi uma das melhores estadias desde há muito tempo. Vê-se que este é um negócio de família sendo a pensão gerida pela mãe e pela filha que tem também uma loja de recordações colada à pensão. Do outro lado da estrada, o restaurante-pizzaria La vita è bella é gerido pelo filho da dona da pensão. Também jantámos neste restaurante num dos dias e viemos apenas para bebidas noutro. Muito bom ambiente, muito bem recebidos e tivemos imensa pena de nos virmos embora. Por isso, aconselho imenso este local, nem que seja apenas para passarem uma noite antes de seguirem com o vosso itinerário.

Vista do nosso quarto na Pensione Edelweiss em San Cassiano

O website oficial da Pensione Edelweiss pode ser acedido através do seguinte link: https://www.pensionedelweiss.it/en/home-english/

Nós como o normal fizemos a reserva pela página da Pensione Edelweiss no Booking.com: para aceder clicar aqui

Restaurante L’Fanà

Para jantar naquela primeira noite não queríamos ter de ir muito longe e o ideal até seria poder ir a pé. Perguntámos à rapariga da recepção que nos recomendou o restaurante Mumant. O engraçado é que falámos deste restaurante durante toda a semana, mas acabámos por nunca lá ir. Pelas fotografias deste restaurante parece caro e os pratos vamos dizer sem muito conteúdo. Mas posso estar completamente enganada. E por isso deixo aqui o website do restaurante Mumant: https://www.mumant.it/it/

No final acabámos por pegar novamente no carro e conduzir até à vila seguinte, La Villa Stern, e jantar no restaurante L’Fanà o qual nos tinha chamado a atenção quando estávamos a ir para o hotel.

Prato tris di canederli con cappuccio do restaurante L’Fanà

Quando entrámos fomos rapidamente direccionados para uma mesa e o serviço foi excelente tal como a comida. Pedimos dois pratos principais e depois uma pizza para dividir. Fizemos este pedido sem contar que cada prato traria imensa comida e por isso no final da noite estávamos completamente a abarrotar. Mas gostámos tanto deste restaurante que viemos cá noutra noite.

Nesta região a comida local atravessa fronteiras dando a possibilidade de ter uma refeição com pratos italianos e austríacos.Para beber pedimos um aperol spritz e uma cerveja local. Fica aqui a dica que os cocktails tal como o aperol spritz são mais baratos que a cerveja. E para comer pedimos:

  • Tris di canederli con cappuccio – dumplings de espinafres, queijo e speck (uma espécie de presunto fumado específico da zona) com salada de couve
  • Gnocchetti di spinaci con finferli – uma espécie de gnocchi muito pequeninos com espinafres e cogumelos
  • Pizza carbonara
Prato gnocchetti di spinaci con finferli do restaurante L’Fanà

Dos três pratos talvez o que gostámos menos foi os gnocchetti, mas adorámos a pizza e os dumplings. Talvez nos devêssemos ter controlado e pedido só dois pratos porque no final não havia espaço para pensar em sobremesa. Mas assim não teria pedido a pizza, que para mim foi a melhor da viagem.

O website oficial do restaurante L’Fanà pode ser acedido através do seguinte link: https://www.lfana.com/en/restaurant-pizzeria-la-villa-alta-badia. Para nenhuma das vezes que viemos aqui fizemos reserva, mas talvez seja aconselhado fazê-lo em alturas com mais turistas.

Para ajudar a digerir a refeição acabámos a noite a passear pelas bonitas ruas da vila de San Cassiano e assim a ficar a conhecer esta que seria a nossa casa por uns dias.

Igreja de San Cassiano à noite

No próximo post (Seceda, Dolomitas)

No próximo post vamos falar de um dos trilhos que mais gostámos: Seceda. Falaremos também da nossa rápida visita à cidade de Ortisei e onde estacionar na cidade.

Chegar aos Dolomitas e Cinque Torri

Índice deste post

  1. Chegada a Veneza e Hotel Mary
    1. Aeroporto Marco Polo e serviço de autocarros
    2. Hotel Mary
  2. Cinque Torri nos Dolomitas
    1. Do aeroporto de Veneza aos Dolomitas
    2. Cinque Torri
    3. Passo Falzarego

Chegada a Veneza e Hotel Mary

Aeroporto Marco Polo e serviço de autocarros

Para quem compra bilhetes de avião com alguma frequência já se deve ter apercebido que os voos mais baratos são a meio da semana e à noite. Foi por isso que marcámos o último de voo de sexta-feira para Veneza (aeroporto Marco Polo) com a hora de chegada já a passar da meia-noite. Como chegámos a Itália bastante tarde marcámos um hotel perto do aeroporto para essa noite. No dia seguinte de manhã então voltaríamos ao aeroporto para irmos buscar o carro alugado e seguir caminho para os Dolomitas.

A chegar a Veneza

O hotel que escolhemos foi o Hotel Mary que apesar de não estar assim muito bem avaliado (7.0 em 10 no Booking e 3.4 em 5 no Google) ao menos incluía pequeno-almoço e o preço era em conta. Pelas fotografias esperávamos que o hotel fosse simples, mas limpo. E oferecia aquilo nos dava jeito, check-in disponível durante 24 horas.

Para chegar ao hotel tivemos de apanhar o autocarro, mas no aeroporto foi um bocado confuso. E mais, pelo preço do bilhete do autocarro mais valia termos apanhado um Uber, tanto que foi o que fizemos no dia seguinte quando regressámos ao aeroporto.

Porquê confuso? Porque pelo Google Maps sabíamos que àquela hora tínhamos de apanhar o autocarro número 35, mas quando chegámos às paragens de autocarros reparámos que havia duas, o 35a e o 35b, cada um com destino diferente. Pelas indicações parecia ser o 35b que queríamos já que o 35a ia directo para a estação de comboios Mestre. Mas mesmo assim para confirmar perguntámos ao motorista do 35b se o autocarro parava em ‘Orlanda Tiburtina’ (a paragem que ficava ao pé do hotel Mary) ao que o condutor do autocarro respondeu ‘sei lá onde isso fica’. Bem se ele não sabia muito menos nós, mas vá lá, era aquele o autocarro certo. Apesar de ser irónico que a pessoa que conduz o autocarro e passa por ali todos os dias não saber as paragens do trajecto. Para mais o bilhete custou 5 euros por pessoa (portanto, 10 no total) por menos de 10 minutos de viagem. Que era quase mesmo preço do Uber que rondava os 12 euros.

Hotel Mary

No entanto, depois deste episódio quase caricato, chegámos ao hotel sem mais eventos. O nosso quarto era aquilo que esperávamos, simples, limpo e de tamanho considerável. Talvez a casa de banho e a decoração do quarto pudessem passar por uma renovação, mas nada que nos tirasse o sono. O pequeno-almoço do dia seguinte também era simples, o típico continental, e tinha uns croissants com creme de limão que para mim foram o melhor. Não temos nada a dizer de mal desde hotel e para aquilo que queríamos serviu muito bem.

Pequeno-almoço no Hotel Mary

Deixo aqui o website do hotel Mary: https://www.venicehotelmary.com/, apesar de termos marcado sempre as nossas acomodações pelo Booking.com

Cinque Torri nos Dolomitas

Do aeroporto de Veneza aos Dolomitas

Depois de fazermos o check-out apanhámos o Uber logo à entrada do hotel para o aeroporto de Veneza. Mal chegámos ao aeroporto fomos logo para a zona de aluguer de carros, onde estava já bastante gente e em quase todas as companhias. A nossa companhia era a Noleggiare. Quando chegámos tínhamos 3 pessoas à nossa frente e acabámos por estar cerca de meia hora à espera para ser atendidos. No entanto, tudo foi rápido quando chegou a nossa vez e em menos de nada fomos buscar o carro que nos tinha calhado.

Uma das muitas paisagens durante a viagem para os Dolomitas

Para chegar aos Dolomitas tínhamos duas opções, não pagar portagens e passar pelas várias terrinhas ou ir pela autoestrada e pagar portagens (8.5 euros de Veneza a Belluno). O trajecto pela autoestrada era cerca de 45 minutos mais rápido. A decisão foi feita em menos de nada, para os Dolomitas íamos pela autoestrada, mas na volta passaríamos pelas várias cidades uma vez que teríamos mais tempo. Entre o aeroporto e Cinque Torri, onde íamos primeiro parar antes de irmos para San Cassiano, onde ficaríamos alojados, levou-nos quase 3 horas.

Cinque Torri

Como nesta altura do ano (início de junho) o Rifugio 5 Torri está fechado, pudemos conduzir até perto deste Rifugio e deixar o carro a cerca de 10 minutos dos cinco picos montanhosos, os quais se dá o nome de Cinque Torri. Não é possível fazer o percurso desta maneira quando este Rifugio está aberto, normalmente entre meados de junho até setembro, já que a estrada que sobe a montanha é fechada. Na época alta, a maneira mais fácil de chegar ao topo é apanhar o teleférico em Cortina d’Ampezzo. Aliás a estrada estar aberta quando cá estivemos foi uma das vantagens mencionadas sobre visitar os Dolomitas na época baixa.

Bunkers, armazéns e trincheiras construídos durante a Primeira Guerra Mundial que podem hoje ser visitados em Cinque Torri

Cinque Torri ou as cinco torres foi o local que nos deu as boas-vindas aos Dolomitas. E ficámos logo apaixonados. Para além das paisagens brutais também há uma particularidade no Cinque Torri, o de ser um museu aberto sobre a Primeira Guerra Mundial. Foi nas Cinque Torri que entre 1915 e 1917 se estabeleceu parte do exército italiano usando este local como posto de artilharia. Hoje em dia podem-se visitar as conservadas trincheiras, bunkers e ‘armazéns’ de artilharia e ficar a conhecer as condições onde os militares viviam.

Para conhecer estes locais ao vivo é possível escolher um dos 4 trilhos nas Cinque Torri, onde nas várias paragens se encontram explicações e informações detalhadas daquele período da história. A diferença dos trilhos é a distância e por isso também a duração:

  • M5a – Trincea alta – aproximadamente 20 minutos
  • M5b – Sentiero delle trincee – aproximadamente 30 minutos
  • M5c – Giro delle 5 Torri – aproximadamente 2 horas
  • M5d – Sentiero del lago – aproximadamente 2 horas
Trilhos entre os vários pontos de interesse sobre a Primeira Guerra Mundial em Cinque Torri

A nossa ideia inicial era fazer o trilho Giro delle Torri que passa pelos pontos relevantes da Primeira Guerra Mundial e depois dá a volta às 5 torres. E adorava pôr aqui o mapa deste trilho. Mas digo-vos que depois de várias tentativas não conseguimos dar com o trilho. Mesmo olhando para o mapa que estava junto a um dos tais bunkers não conseguimos perceber por onde avançar. E em minha defesa não fomos os únicos. Até fizemos conversa com um rapaz que andava a tentar fazer o mesmo, mas nenhum de nós teve sorte. Depois de algumas idas e vindas por caminhos que nos pareciam trilhos, mas que acabavam por não ter seguimento decidimos ficar por ali perto do Rifugio Scoiattoli (que também estava fechado) a 2255 metros de altitude. Acabámos por visitar alguns dos locais sinalizados, mas não demos à volta às Cinque Torri.

Por isso em baixo deixo o mapa do trilho encurtado que fizemos em Cinque Torri. Infelizmente o Google Maps não reconhece os trilhos apenas a estrada principal o que faz as direcções sejam ainda mais difíceis de seguir.

Mapa do percurso que fizemos em Cinque Torri

Pequena descrição do percurso:

Estacionámos o carro perto do Rifugio 5 Torri (ponto A) e subimos o trilho de terra que ia ter a um cruzamento (ponto B). Aqui virámos à esquerda até ao próximo cruzamento (ponto C) de onde se via o Rifugio Scoiattoli. Virámos neste cruzamento à direita (as Cinque Torri ficavam à nossa direita até ao ponto panorâmico (ponto D). Fomos descendo e seguindo os caminhos de terra e escadas, passámos por vários locais da Primeira Guerra Mundial (Ponto E). Depois subimos até ao Rifugio Scoiatolli (ponto F) e seguimos pela estrada principal até chegar ao cruzamento (Ponto G). Aqui virámos à esquerda e descemos pela estrada larga de volta ao Rifugio 5 Torri.

Foi aqui que pela primeira vez estive num local com neve, mas com calor suficiente para andar de manga curta. Meio estranho para o cérebro conseguir fazer sentido nisto. Mesmo assim sem fazermos o trilho que queríamos ainda passámos duas horas a explorar a zona. Por isso se calhar até foi bom não termos feito o trilho Giro delle Torri o qual provavelmente nos levaria mais outras duas horas (quando o finalmente tivéssemos encontrado).

Passo Falzarego

Quando saímos do Cinque Torri já passava das 4 da tarde e ainda tínhamos uma paragem antes de San Cassiano, o parque de estacionamento de Passo Falzarego. A ideia era estacionar o carro e depois andarmos até ao ponto panorâmico em Passo Valparola. Sem sabermos inevitavelmente teríamos de parar aqui – não bem no parque de estacionamento que era pago, mas do outro lado da estrada, na terra batida. Esta zona entre Passo Valparola e Passo Falzarego fica num entroncamento e foi onde vimos o sinal a informar que o Passo Valparola estava fechado. O que nos deixou meio consternados, já que essa era a estrada que nos levaria até San Cassiano.

Cruzamento entre Passo Falzarego e Passo Valparola

Aproveitando que já ali estávamos e para confirmar se não podíamos mesmo passar por aquela estrada fomos beber uma cerveja ao café-bar Passo Falzarego. Enquanto pagávamos foi-nos confirmado que a estrada estava fechada até meados de junho e que tínhamos de seguir por Passo Falzarego. Infelizmente isto fez que a nossa viagem de 20 minutos passasse a ser de 1 hora. Por isso digo que se calhar até foi uma sorte não termos feito o trilho em Cinque Torri. São males que vêm por bem, como diz o ditado. Foi assim que depois de estarmos sentados um bocado à esplanada maravilhados com a paisagem e consternados com a alteração de planos, seguimos caminho. Não antes sem pararmos junto à Cappella della Visitazione. Com isto chegámos a San Cassiano já às 6 e meia da tarde.

Quando começarem a procurar por locais a visitar nos Dolomitas vão com certeza encontrar mencionados estes ‘Passo’, que são as estradas onde as paisagens são simplesmente magníficas. O que é verdade, conduzir nestes trechos de estrada deu-nos realmente paisagens de abrir a boca, mas também são estradas de curvas e contracurvas. Por isso bonito, mas atenção na estrada.

Próximo post (Chegada a San Cassiano nos Dolomitas)

No próximo post falaremos das primeiras impressões de San Cassiano e da nossa experiência na Pensione Edelweiss. Também falaremos do restaurante onde fomos jantar perto de San Cassiano e de como gostámos tanto que voltámos lá uma segunda vez.

Preparativos para uma viagem a Dolomitas

Incluído neste post

  1. Onde ficam os Dolomitas?
  2. Época alta e época baixa nos Dolomitas
  3. Desvantagens e vantagens de visitar os Dolomitas durante a época baixa
  4. Preparativos para a viagem
    1. O que levar para os Dolomitas
    2. O que é preciso fazer meses antes de viajar
  5. O nosso itinerário de 8 dias

Onde ficam os Dolomitas?

Nos últimos anos temos explorado várias cidades em Itália, como por exemplo Milão, Veneza e Pádua que ficam mais para norte de Itália tal como Nápoles e Pompeia, estas mais a sul. Temos também aproveitado estas viagens para visitar zonas mais voltadas para a natureza como a Ilha de Capri e Lago Como.

E sem dúvida que ainda temos muito para ver, locais que queremos um dia visitar, mas havia uma zona em particular que nos chamava a atenção. Era daqueles sítios que vinha constantemente à conversa e esse sítio era os Dolomitas, a zona mais a norte de Itália que faz parte dos Alpes. Decidimos finalmente visitar os Dolomitas em junho de 2025 e conhecer duas das suas regiões, Veneto e Sul de Tyrol.

É sem surpresas que os Dolomitas fazem parte do Património Mundial da UNESCO desde 2009. Afinal o que encontrámos foi uma beleza quase estonteante, um local como poucos no mundo.

Dolomitas, Património Mundial da UNESCO

No final posso dizer que foi uma semana intensa, mas no melhor dos sentidos. Ficámos a conhecer um pouco da história associada aos Dolomitas, como por exemplo que parte dos Dolomitas pertenciam à Áustria até à Primeira Guerra Mundial, altura em que passou a estar sob domínio de Itália. E hoje esta região faz parte de Itália, no entanto os vestígios da cultura austríaca continuam presentes e enraizados, houve mesmo alturas que podia jurar estar noutro país que não Itália. E isto é evidente não só na arquitectura mas também na cozinha local. Uma das coisas interessantes que aprendemos foi que em certas zonas, mais em Tyrol, as pessoas falam uma língua diferente que não é nem italiano nem austríaco, mas sim Ladin (ou ladino em português). E Ladin é reconhecida como a língua oficial da região Trentino-Alto Ádige nos Dolomitas.

Agora em relação à nossa viagem, esta calhou naquela que é chamada a época baixa, em inícios de junho, o que trouxe muitas vantagens, mas também algumas desvantagens que vou descrever abaixo. Mas certamente que as vantagens ultrapassaram as desvantagens, pelo menos a meu ver, e em nada diminui a experiência.

Época alta e época baixa nos Dolomitas

Primeiro é preciso perceber quais são os meses que fazem parte da ‘época alta’, a altura do ano em que mais turistas vêm visitar os Dolomitas, em oposição aos meses da ‘época baixa’ quando é tudo mais calmo. Para os Dolomitas as alturas mais intensas são julho, agosto e a primeira metade de setembro e depois novamente de dezembro a fevereiro. Se os Dolomitas são famosos pelos trilhos que se podem fazer durante o verão, são ainda mais conhecidos pela oferta imensa de desportos de inverno nos meses mais frios. Aliás de acordo com a rapariga da pensão onde ficámos, os meses de inverno são muito mais caóticos do que os de verão. Por exclusão de partes, março a junho são meses considerados de época baixa tal como outubro e novembro.

Cinque Torri no último dia de maio de 2025

Como nos Dolomitas os locais aproveitam para ir de férias nas épocas baixas, é importante ter em consideração que grande parte dos estabelecimentos focados no turismo como restaurantes e hotéis estão fechados durantes estes meses. É sem dúvida algo a ter em conta, mas que não impede de viajar até aos Dolomitas. Aliás eu diria que a melhor altura é mesmo no início de junho, quando as coisas começam a abrir, ou então finais de setembro, quando o tempo ainda não é muito frio e tem-se aquelas cores maravilhosas de Outono. E claro, sem grandes multidões. Mas deixo em seguida a lista de vantagens e desvantagens de viajar durante a ‘época baixa’ para que vocês mesmos possam decidir quando é a melhor altura para visitar os Dolomitas.

Desvantagens e vantagens de visitar os Dolomitas durante a época baixa

Desvantagem: Muitos dos restaurantes e hotéis estão fechados durante a época baixa. Isto foi algo que não nos demos conta quando marcámos a viagem até porque escolhemos ficar apenas num local, que acabou por ser a Pensione Edelweiss em San Cassiano. Mais chato foram os restaurantes que estavam fechados, por isso as nossas escolhas, mesmo boas eram um pouco limitadas. Houve até uma noite que andámos a ver de 3 restaurantes até encontrarmos um que estava de facto aberto. E não confiem nas informações no Google – mesmo que diga que está aberto, poderá na verdade não estar.   

Entrada para a Pensione Edelweiss

Vantagem: Como não haviam muitos restaurantes abertos acabámos por experimentar alguns que não teríamos feito de outra maneira e dos quais gostámos tanto que fomos duas vezes. E se fomos duas vezes, não foi apenas por as opções serem limitadas, mas porque gostámos imenso da primeira refeição que quisemos repetir.

Desvantagem: Foi preciso organizar a viagem com atenção porque alguns dos teleféricos ainda estavam fechados e não é muito engraçado subir durante horas se se tiver a contar com o teleférico.

Vantagem: Para nós isto não foi uma desvantagem, mas uma vantagem. Se por um lado os teleféricos estão fechados, por outro as estradas que fecham durante o verão estavam abertas. Foi por isso que pudemos conduzir até ao cimo de Cinque Torri e poupar o dinheiro nos bilhetes do teleférico, que se diga de passagem não são nada baratos. E pudemos também visitar o Lago di Braies chegando depois das 10 da manhã, enquanto no verão é preciso chegar antes das 9 da manhã porque a estrada fica cortada entre as 9 e as 5 da tarde.

Parque de estacionamento P4 em frente ao lago di Braies às 10 da manhã na primeira semana de junho

Vantagem: Isto traz-me à maior vantagem de visitar os Dolomitas nesta altura – o número de pessoas. Não só não há trânsito nas estradas, como não há congestionamento nos trilhos, como também não tivemos de acordar nem às 4 nem às 5 da manhã para arranjar parque de estacionamento ou para não termos de dividir o mesmo espaço com dezenas de pessoas. E se por um lado poucos restaurantes estavam abertos por outro não tivemos problemas em arranjar mesa, mesmo sem reserva. Para mim esta foi a maior vantagem, não só nos Dolomitas mas em qualquer lado.

Desvantagem: Esta desvantagem é apenas para quem viaja em 2025. Como em 2026 os jogos olímpicos de inverno vão ser nos Dolomites há imensas obras nas estradas. E foi algo que nos prejudicou porque a estrada que conectava Cortina d’Ampezzo e San Cassiano, Passo Valparola, estava fechada e sendo a única estrada, tivemos que fazer várias vezes um desvio significativo no nosso itinerário. Foi também devido a estas obras que evitámos ficar hospeados nas cidades principais, Cortina d’Ampezzo e Ortisei.

Vantagem: Quem visitar os Dolomitas em 2026 vão encontrar estradas em melhor estado e melhores infraestruturas devido aos todos os melhoramentos que estão a ser feitos em 2025.

Preparativos para a viagem

Os preparativos necessários para visitar os Dolomitas, especialmente referindo-me ao tipo de roupa vai depender muito da altura do ano em que se vai. Para quem for no inverno, tem de levar roupa completamente diferente daquela que eu levei em inícios de junho.

O que levar para os Dolomitas

O que é então necessário levar para uma viagem no início de junho?

Para fazer os trilhos é obrigatório levar roupa confortável, calças ou calções, melhor ainda se não forem de ganga, t-shirts, um casaco para a chuva e uma camisola ou outra mais quente em caso de estar frio no topo das montanhas. Acho que não preciso dizer, mas vou escrever na mesma, nunca desvalorizem um bom e confortável par de ténis ou botas. Para as caminhadas é preciso levar água e uns snacks, mesmo se estão a pensar parar nos refúgios que se encontram pelo caminho.

Rifugio Odle – Geisleralm no trilho Adolf Munkel Weg

Outra coisa que não pode faltar é protector solar. Nós não levámos e até podia dar a previsão de mau tempo como desculpa, já que dava chuva e trovoada para todos os dias, mas o tempo é algo que não se pode confiar. Não só a previsão estava errada, como o tempo pode mudar num instante. Por exemplo, no segundo dia quando fomos a Seceda estava um sol resplandecente, quando a previsão era de chuva, e não nos esqueçamos que estando no topo da montanha estávamos bastante mais perto do sol. O escaldão com que ficámos era tal que passado dois dias a minha cara inchou devido a uma reacção ao sol. Por isso façam um favor a vocês mesmos e levem protector solar forte.

O que é preciso fazer meses antes de viajar

Também houve preparativos a fazer uns meses antes da viagem. Um deles era escolher o aeroporto para onde se voava. Para ir até aos Dolomitas pode-se voar para Veneza, que foi o que fizemos, mas também para Verona ou Milão. Mais ainda, pode-se até voar para Innsbruck na Áustria.

Depois é escolher como se vai viajar dentro dos Dolomitas – para nós a escolha foi fácil – quisemos alugar um carro para termos facilidade em chegar aos vários locais às horas que quiséssemos. Para isso alugámos um carro no aeroporto de Veneza pela companhia Noleggiare. O aluguer do carro por 8 dias ficou-nos a cerca de 250 euros. Claro que o carrito não era dos mais luxuosos, calhou-nos um Renault Clio, mas o que nos deram ainda era novo com muitos poucos quilómetros.

O nosso carro alugado na companhia Noleggiare

Depois foi escolher onde ficar hospedados. Decidimos ficar sempre no mesmo sítio e acabámos por escolher a Pensione Edelweiss em San Cassiano. Para além de este local oferecer parque de estacionamento, também oferecia pequeno-almoço e o preço por noite não era muito caro. Por isso não interpretem mal o que vou dizer a seguir, porque adorámos ficar aqui e achámos esta zona lindíssima. No entanto, se fizesse a viagem outra vez tinha ficado pelo menos uma noite perto de Ortisei para visitar Seceda e Alp di Siusi. Isto porque o caminho entre Ortisei e San Cassiano é feito de curvas e contra-curvas apertadas. Mas voltava a ficar na Pensione Edelweiss sem qualquer hesitação. Falarei mais sobre esta acomodação à medida que for falando da viagem, tal como dois outros dois hotéis onde ficámos hospedados. Na primeira noite ficámos num hotel perto do aeroporto de Veneza, já que aterrámos depois das 11 da noite e no último dia ficámos já mais a sul para encurtar a distância de volta ao aeroporto de Veneza.

O que mais tivemos que marcar com antecedência? – Nada, mesmo o parque de estacionamento no Tre Cima di Lavoredo que tem agora um novo sistema de reserva online não podia ser feito até termos a matrícula do carro. E mesmo assim marcámos apenas com 2 dias de antecedência. Mas não marcámos nem parques de estacionamento, nem teleféricos, nem restaurantes e não foi preciso. Talvez o que teríamos marcado se fosse agora era a viagem de parapente em Seceda. Mas até visitarmos Seceda nem sonhávamos que queríamos experimentar isto. No entanto foi das coisas que ficámos com muita pena em não fazer.

O nosso itinerário de 8 dias

Um conselho que vos dou quando começarem a ver do vosso itinerário nos Dolomitas é o de não caírem na armadilha do FOMO (fear of missing out), aquela sensação que tem de se ir a todo o lado ou então onde vamos não é o melhor local, não é o mais bonito, não é o mais alegre. E isto começa logo no início, porque há imensa informação nas redes sociais, de todos estes lugares maravilhosos. O meu conselho é: leiam sobre cada local e escolham aqueles que se ajustam a vocês, seja a dificuldade ou a distância de um trilho, ou onde fica, ou que se gosta de ver. O pior que podem fazer, o que por certo estragará a viagem, é um itinerário muito compacto sem tempo para descansarem, sem tempo para simplesmente apreciarem a paisagem, ou mesmo tempo para se sentarem a comer e beber. Porque podem ter a certeza que aquilo que escolherem vai valer a pena e se não incluírem o mundo e o outro no vosso itinerário não ficam com a sensação que estão a perder alguma coisa.

Seceda, um dos nossos trilhos preferidos

O nosso itinerário teve uma espécie de regra – primeiro o local principal para aquele dia, aquele sítio que não se podia perder e depois um secundário, um local para aquele ‘pode ser que dê’. E não tentem pôr mais do que um trilho por dia, um vai ser suficiente.

Em baixo deixo um resumo por alto do nosso itinerário e do qual vou falar em mais detalhe nas próximas semanas. Para cada local vou descrever exactamente os trilhos que fizemos, a distância que andámos, a dificuldade, tal como um mapa. Porque foi isso que eu andei à procura quando começámos a ver sobre o que fazer nesta viagem, mapas que descrevessem exactamente o percurso a seguir. Até porque em cada trilho há muitas placas, muitas direcções e o que não queríamos era acabar num trilho de 30 quilómetros em que metade fosse escalada.

Dia 1 – Sair do aeroporto de Veneza em direcção aos Dolomitas. Visitar Cinque Torri.

Dia 2 – Trilho em Seceda. Segundo trilho em Vallunga

Dia 3 – Trilho em Alpe di Siusi. Visitar depois as igrejas de St.-Valentin-Kirche e de St. Konstantin

Dia 4 – Trilho Adolf Munkel Weg. Depois visitar a famosa Chiesetta di San Giovanni

Dia 5 – Trilho em Tre Cime di Lavoredo. Segundo trilho à volta do Lago di Landro e ainda rápida paragem no Lago di Dobbiaco.

Dia 6 – Visitar o lago di Braies. Depois trilho em San Cassiano

Dia 7 – Trilho na Croda do Lago. Segundo trilho à volta do lago di Alleghe

Dia 8 – Ir parando pelo caminho até ao aeroporto de Veneza, como por exemplo no Lago di Mis e Lago Morto

E é pelo princípio que vamos começar a relembrar esta viagem que embora ainda recente, já deixou muitas, mas muitas saudades. Dolomitas é um local absolutamente fantástico onde apetece parar em cada canto. Porque acreditem quando digo que cada canto é um miradouro, uma paisagem de um quadro, sem dúvida um dos locais mais bonitos que alguma vez visitei.

Las Setas de Sevilla, um espectáculo de flamenco e um jantar tradicional

O que encontrar neste post

  1. Las Setas de Sevilla
  2. Tablao Flamenco Las Setas
  3. Jantar no Bodegón Afonso XII

Último post

No último post focámo-nos no nosso segundo dia em Sevilha. Durante o dia visitámos o arquivo geral das Índias, o Bairro da Triana e no final acabámos nos 100 Montaditos a aproveitar os baixos preços para uma bebida ou duas. Neste post vamos falar do final da tarde e noite naquele que seria o começo do final da nossa viagem de uma semana ao sul de Espanha.

Las Setas de Sevilla

Devido à localização do nosso hotel, o Honest Hotel & Apartments, já tínhamos passado pelas Setas de Sevilla algumas vezes desde que tínhamos chegado à cidade. As Setas de Sevilla é uma construção metálica de formas arredondadas, o que lhe deu o nome, já que setas em espanhol significa cogumelos. Esta estrutura foi inaugurada em 2011 juntamente com o miradouro do topo que tem um espaço de 250 metros, do qual se têm vistas magníficas da cidade de Sevilha.

Las Setas de Sevilla ao pôr-do-sol

A estrutura das Setas de Sevilla foi resultado de um projeto inovador com o objectivo de renovar a Plaza de la Encarnación. No século XIX, nesta praça havia um grande mercado sendo por isso naquela altura um dos locais de grande importância social. Este mercado foi fechado em 1973 o que levou à degradação da zona até 2004, quando se iniciou o concurso de projectos de renovação da zona, que no final levaram à construção das Setas de Sevilla.

Qualquer pessoa pode visitar esta área, o que aconselho a fazerem ao final da tarde quando o sol se põe ou então à noite. No entanto para visitar o miradouro é preciso comprar bilhete o qual tem um custo de 16 euros por pessoa. Durante a compra do bilhete escolhe-se a hora; se durante o dia, ao pôr-do-sol ou à noite, pois o miradouro está aberto desde as 09:30 até à 00:30.

Las Setas de Sevilla à noite

Nós contávamos em ir ao miradouro, mas no final decidimos não o fazer. Pensámos que não valia a pena afinal já tínhamos visto a cidade do topo da Giralda, mas agora aqui a escrever até que me arrependo, porque as fotos que vi tiradas deste miradouro principalmente ao pôr-do-sol e à noite são fantásticas. Mas acuso-me porque até fui eu que fiz mais força para não irmos, por isso a culpa é minha por esta má escolha. Pode ser que um dia volte a Sevilha e tenha outra oportunidade de subir ao topo das Setas.

Para comprar bilhetes ou saber mais sobre a história das Setas de Sevilla clique no seguinte link: https://setasdesevilla.com/


Tablao Flamenco Las Setas

Tablao Flamenco Las Setas

Ver um espectáculo de flamenco em Sevilha é obrigatório, mesmo que não se seja grande apreciador – é obrigatório. O flamenco faz parte da cultura, história e arte de Sevilha, aliás como disse antes, o Bairro da Triana foi o berço desta arte. E estar em Sevilha é estar no local certo para ver e apreciar este tipo de dança e música.

Como tal, há imensos espectáculos de flamenco em Sevilha e em várias partes da cidade, incluindo claro no Bairro da Triana. Nós acabámos por escolher o Tablao Flamenco Las Setas que tal como o nome indica fica nas Setas de Sevilha. O que ajudou a escolha foi este ficar perto do nosso hotel. Marcámos os bilhetes para as 19:45 horas e cada bilhete custou 35 euros. Estes bilhetes incluíam o espectáculo e uma bebida. Sem bebida, o bilhete custava 25 euros, mas achámos que gostaríamos de ter um cocktail na mão enquanto víamos o espectáculo. E sem dúvida esta foi a escolha certa.

Cocktails do Tablao Flamenco Las Setas

Chegámos cerca de 15 minutos antes da hora marcada, depois de andarmos meio perdidos, já que a entrada para o espectáculo ficava meio escondida entre as lojas do mercado que àquela hora estavam quase todas fechadas. Quando finalmente descobrimos o sítio certo já havia fila à porta e como a entrada para a sala é por ordem de chegada, quando mais à frente na fila se está, maior é a probabilidade de se ficar com os melhores lugares. Quando as portas abriram e depois de mostrarmos os bilhetes, entrámos para uma sala de luz reduzida, num ambiente intimista e quase ilegal, apesar de não ser o caso. (Bem, espero eu). Sentámo-nos numa mesa assim de canto para o palco na segunda fila. Passado um bocado de estarmos sentados vieram os empregados perguntar que bebidas gostaríamos de escolher para aquela noite. Se bem me lembro as escolhas variavam entre cerveja, tinto de verano, vinho e cocktail. Ambos escolhemos o cocktail e tenho a dizer era muito, mas muito bom. Não sei bem o que tinha, mas pelo menu de cocktails que eles têm no website (ver aqui em cocktails) penso que era ou Dama de Noche ou La Mula de Xerez. Mas não tenho a certeza já que a escolha naquela noite se apresentava apenas como ‘cocktail’.

O espectáculo durou cerca de 1 hora e contou com 3 dançarinos, 2 cantores e 1 músico a tocar guitarra (que por sinal também cantou). O espectáculo foi aquilo que se pode esperar do flamenco, muita energia, muita intensidade e emoção. Também como tradicional do flamenco durante o espectáculo ouvia-se o ‘jaleo’, as interjeições como ‘olé’ e palmas a acompanhar a dança das bailarinas.

Acho importante aqui mencionar que o flamenco é considerado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, devido à sua presença enraizada na cultura de Andaluzia. O flamenco apesar de ter raízes na cultura cigana foi incorporando influências de outras culturas sendo hoje o flamenco reconhecido internacionalmente como a arte tradicional desta zona de Espanha.

Espectáculo de flamenco no Tablao Flamenco Las Setas

Para comprar bilhetes para o mesmo espectáculo que o nosso, no Tablao Flamenco Las Setas, vejam o seguinte website: https://tablaoflamencolassetas.com/.

Para ver um espectáculo de flamenco, mas de outras companhias vejam esta página do Tripadvisor (clicar aqui).


Jantar no Bodegón Afonso XII

Foi depois do espectáculo de flamenco quando Las Setas já se iluminavam de azul e rosa que fomos à procura do restaurante para o último jantar. Não tínhamos nada pensado e foi por acaso que escolhemos o restaurante Bodegón Afonso XII. A escolha foi feita baseada pela informação que o Google nos dava – o restaurante não ficava longe, estava aberto e só fecharia dali a duas horas.

Quando chegámos ao restaurante havia mais gente sentada ao balcão do que na área do restaurante e por isso rapidamente nos indicaram uma mesa onde nos sentámos sem ainda sabermos que esta acabaria por ser a melhor refeição em Sevilha. O restaurante serve comida tradicional, mais uma razão para a nossa escolha, e com preços bem simpáticos.

Tabla marinera do Bodegón Afonso XII

Do menu escolhemos 4 pratos, 2 meias-porções e 2 pratos, mas acabámos por dividir todos eles entre nós os dois. O nosso pedido foi o seguinte:

  • Salmorejo, a sopa fria local que veio com ovo cozido picado
  • Tabla marinera, que consistia em batata-cozida, chocos, ameijoas e camarões grelhados
  • Flamequíns, rolo frito de queijo, fiambre e carne de porco. Nós já tínhamos experimentado este prato em Córdoba, no restaurante La Gloria, mas infelizmente o sabor a ranço tinha nos deixado mal impressionados. Mas os flamequíns deste restaurante mudaram completamente a nossa opinião
  • Boquerones, anchovas fritas servidas com salada e legumes. Eu que não gosto muito deste tipo de prato, de peixe frito, comi os boquerones com satisfação
Salmorejo no Bodegón Afonso XII

Para sobremesa pedimos toucinho do céu e para terminar a refeição ‘viño dulce’. Isto tudo custou uns surpreendentes 37.40 euros contando que pedimos para beber cerveja, tinto de verano e café. Uma refeição barata que nos deixou super satisfeitos com todo o que nos chegou à mesa. E o bom serviço incluiu a forma como fomos atendidos, o que é uma das coisas que nas reviews mencionam ser por vezes um problema. No entanto, nós não tivemos nenhuma razão de queixa e se há sítio que aconselho a experimentar é definitivamente este restaurante.

Apesar do restaurante não ter página oficial, deixo aqui a página do restaurante Bodegón Afonso XII no Tripadvisor.

Flamequíns (à esquerda) e boquerones (à direita) no restaurante Bodegón Afonso XII

Quando saímos do restaurante, agora já depois das 11 da noite, começámos a fazer o percurso de volta para o hotel. Afinal na manhã seguinte era acordar, tomar o pequeno-almoço e apanhar o autocarro na Plaza de Armas para o aeroporto. Para quem fizer o mesmo, o bilhete de autocarro custa 5 euros e pode-se pagar no autocarro tanto com dinheiro como com cartão de crédito.


E assim acabava uma semana a explorar três cidades no sul de Espanha, Ronda, Córdoba e Sevilha. Visitámos imensos locais, experimentámos pratos tradicionais e fizemos memórias que farão parte de nós para sempre.

Para ver o itinerário das outras cidades incluídas nesta viagem cliquem nos seguintes botões:

Arquivo Geral das Índias & bairro da Triana em Sevilha

Índice neste post

  1. Pelas ruas do centro histórico de Sevilha
  2. Archivo General de Indias
    1. Criação do Archivo General de Indias
    2. Casa Lonja de los Mercaderes
    3. Programa Memória do Mundo da UNESCO
    4. A visita
  3. Bairro da Triana
    1. Real Parroquia de Señora Santa Ana
    2. Calle Betis
    3. Mercado de Triana
    4. Bar Triana
  4. La Cartuja
  5. Basílica de Jesús del Gran Poder

Pelas ruas do centro histórico de Sevilha

O segundo dia em Sevilha e último da viagem começava com mais um céu azul sem nuvens. Depois do pequeno-almoço no nosso quarto, um ritual que passava por ir buscar as caixas de pequeno-almoço à recepção, saímos para a rua para explorarmos um pouco mais desta cidade que já tanto nos tinha impressionado. Aprendemos no dia anterior que não valia a pena sairmos muito cedo porque grande parte dos locais não abre antes das 10 da manhã.

Trabalho de cerâmica na parede de um dos restaurantes do centro histórico de Sevilha

Começámos a nossa visita por uma capela, a capela de São José, que só encontrámos ao andarmos a explorar a zona ao pé do nosso hotel, uma vez que fica meia escondida entre as ruas estreitas do centro histórico de Sevilha. E foi a bonita fachada da igreja que nos incitou a sua visita. Esta igreja de 1746 é um valioso exemplo do estilo barroco e que pode ser incluído em qualquer roteiro que passe por esta parte de Sevilha onde para além desta capela também se encontram bonitas e inesperadas pinturas ou cerâmicas.

Também gostava de realçar a estátua que podem ver na fotografia abaixo à esquerda, uma homenagem a Clara Campoamor, considerada uma das primeiras mulheres a participar e a promover o movimento feminista e uma das primeiras sufragistas em Espanha. Clara era advogada, política e escritora, e teve um papel vital na luta a favor da igualdade de géneros e dos direitos das mulheres.


Archivo General de Indias

A próxima paragem era no Archivo General de Indias que fica ao lado da catedral. Tínhamos inicialmente pensado em visitar este local no dia anterior, mas acabámos por não ter tempo e deixar a visita para hoje. O Archivo General de Indias está aberto todos os dias, excepto à segunda-feira e a entrada é gratuita.

Criação do Archivo General de Indias

O Archivo General de Indias foi criado em 1785 com o objectivo de reunir todos os documentos relativos às Índias num só local. Isto porque os documentos na altura estavam espalhados por diferentes cidades espanholas como Simancas, Madrid, Cádiz e Sevillha. Este projecto foi criado por José de Gálvez, secretário das Índias e executado por Juan Bautista Muñoz, chefe cosmógrafo das Índias.

Neste local são guardadas as colecções de documentos e registos de instituições criadas pelo Governo Espanhol para administrar e gerir os territórios estrangeiros pertencentes a Espanha. Outros registos, também aqui guardados, estão relacionados com as colónias espanholas na América e Ásia.

Casa Lonja de los Mercaderes

O edifício Casa Lonja foi construído durante o reinado de Felipe II e é hoje a sede do Archivo General de Indias. Este edifício foi construído neste local devido a ser um ponto estratégico em Sevilha ficando entre a Catedral e o Real Alcázar, beneficiando da sua proximidade com o rio Guadalquivir.

No interior da Casa Lonja encontra-se uma das maiores coleções americanistas do mundo, com mais de 9Km de estantes que contém mais de 43 mil documentos. Em 1987, este edifício foi declarado como Património Mundial da UNESCO.

Programa Memória do Mundo da UNESCO

‘Memória do Mundo’ é o programa da UNESCO que abrange o património documental que reflecte a evolução do pensamento, descobertas e conquistas da Humanidade.

Desde 2007 que Espanha tem no registo internacional deste programa 14 documentos em que 6 estão guardados aqui em Sevilha, no Archivo General de Indias. Estes 6 documentos abrangem diversas culturas, diferentes zonas geográficas e alguns deles foram apresentados por Espanha juntamente com Portugal e com o Japão.

A visita

Durante a visita ao Archivo General de Indias vai-se passando por várias salas como a sala da Justiça onde para além de documentos também se encontram estátuas, pinturas e claro impressionantes filas de estantes..

Para mais informações sobre este local vejam o website oficial em https://www.cultura.gob.es/cultura/areas/archivos/mc/archivos/agi/portada.html


Bairro da Triana

Depois da visita ao arquivo chegava a hora de passarmos para o outro lado do rio Guadalquivir até ao bairro da Triana. Para isso voltámos a passar pela Torre del Oro e atravessar a ‘Puente de S. Telmo’ para a outra margem.

O bairro da Triana é um bairro tradicional com raízes antigas. Para alguns, Triana e Sevilha são duas cidades diferentes, uma em cada margem do rio. No entanto, apesar de haver esta preferência, o bairro da Triana é um bairro de Sevilha. Este bairro remonta aos tempos dos romanos, quando se estabeleceram aqui acampamentos em frente a Hispalis, o nome de Sevilha na altura.

Vista para a Ponte de Triana a partir da famosa Calle Betis

Mais tarde os almóadas construíram a primeira ponte que ligava as duas margens do rio, onde depois se construiu a ponte de Triana. Durante os séculos XV e XVI, altura dos descobrimentos, Triana viu partir várias expedições com o objectivo de descobrirem o mundo. Afinal era na ‘Escola de Mareantes’ que muitos marinheiros receberam o devido treino antes de se juntarem a grandes viagens como a de Cristóvão Colombo que levou este a descobrir a América, erradamente pensando que tinha chegado à Índia.

O bairro da Triana foi sempre um bairro de trabalhadores; de oleiros, fabricantes e marinheiros. Mas também de cantores e artistas, sendo Triana considerada como o berço do flamenco. Abaixo ficam alguns dos locais que ficámos a conhecer durante a tarde em que passeámos por este bairro.

Real Parroquia de Señora Santa Ana

Esta igreja foi construída em 1266 a mando do rei Afonso X depois de sofrer uma doença ocular que o rei acreditava se ter curado devido à intervenção de Santa Ana. Esta igreja foi construída seguindo o estilo arquitectónico Gótico-Mudéjar como o característico da altura na região Andaluza.

No seu interior encontramos 11 capelas: a capela das almas, a capela da divina pastora, a capela de nossa senhora da Vitória, a capela de São Joaquim, a capela do calvário, a capela da mãe de Deus do Rosário, a capela sacramental, a capela de São Cristóvão, a capela das Santas Justa e Rufina, a capela do Baptismo e a capela de São Francisco. Adicionalmente, temos a torre, o coro, a lápide com 32 azulejos, a cripta e o retábulo do alto-mor.

Para visitar o interior da igreja é preciso comprar um bilhete que em 2025 custa 4 euros. Para obterem mais informações sobre esta igreja podem aceder ao seguinte website: https://santanatriana.org/

Calle Betis

Depois de sairmos da igreja e nos começarmos a dirigir para o mercado, acabámos por encontrar a Calle Betis, uma das ruas mais conhecidas deste bairro, não só por estar junto ao rio e oferecer paisagens sobre o centro histórico de Sevilha, mas também pelas coloridas fachadas das casas desta rua.

Mercado de Triana

Ao andar pela Calle Betis e ao chegarmos à Ponte de Triana, oficialmente conhecida por Ponte de Isabel II, atravessámos a estrada para entrarmos para o mercado. Antes de entrar ainda vimos à nossa direita as ruínas do castelo de São Jorge que hoje alberga o posto de turismo. Também aqui existe um museu que mostra tanto às ruínas escondidas do castelo como conta a história de como este local foi usado como prisão durante a Inquisição Espanhola.

Mercado de Triana

O mercado de Triana é bastante popular neste bairro e vive-se aqui aquela atmosfera vibrante típica de mercado. O mercado existe desde 1823 e em 2025, mais de 200 anos depois, oferece imensos locais para comer. Nós acabámos por não experimentar nada por ainda estarmos naquela hora que não tínhamos bem fome e por isso não aproveitámos como deve ser a oportunidade. Ainda se pensou em jantar por aqui, mas acabámos por não o fazer. No entanto, recomendo a virem aqui e a experimentarem pelo menos um petisco já que os preços também são mais em conta.

Para mais informações sobre o mercado de Triana visitem o website oficial em https://mercadodetrianasevilla.com/

Bar Triana

Depois de sairmos do mercado e andarmos por mais uma hora pelas ruas do bairro, agora sim estávamos com disposição para comer qualquer coisa. E acabámos por nos sentar no Bar Triana, uma vez que este restaurante estava bem avaliado na internet (4.6/5 no Google).

Como só queríamos mesmo petiscar acabámos por pedir um prato para dividir entre os dois. Decidimos pedir Milhoja Ibérica con Chimichurri, um prato que consiste em vários vegetais e carne de porco dispostos em camadas. Os vegetais e a carne vêm acompanhados com o molho de chimichurri, um molho argentino feito à base de azeite, alho, vinagre e ervas aromáticas..

Milhoja Ibérica com molho chimichurri do Bar Triana

Apesar deste restaurante não ser super barato, gostámos imenso deste prato. Muito saboroso e se calhar até tínhamos comido mais um bocadinho. O prato custava 12 euros, um preço normal para a cidade de Sevilha. E teríamos ficado contentes com o restaurante se tivéssemos ficado por aqui. Mas não, em seguida quisemos pedir a picanha – Picanha con mojo Picón – que também custava 12 euros.

Bem tenho a dizer que levou bastantes meses a ultrapassar o facto de ter gasto 12 euros num prato tão mau – a carne não tinha muito sabor mas o pior era a qualidade da carne, muito elástica, muito rija, afinal aquilo era mais nervos e tendões que outra coisa. Era tão rija que nem o meu marido a conseguiu comer. Foi mesmo muito mau. Sem dúvida o pior prato da viagem. E fiquei mesmo ressabiada – a sorte foi que o jantar do qual falarei mais tarde (quase) compensou este desperdício de dinheiro.

Prato de picanha do Bar Triana

Por isso já sabem, da minha parte recomendo a Milhoja Ibérica, mas mesmo nada a picanha.

O Bar Triana não tem website oficial, no entanto fica aqui a sua página no Tripadvisor: Bar Triana


La Cartuja

Depois de sair um ‘bocado’ chateada do Bar Triana e já sem grandes planos até ao final do dia continuámos pela estrada com ideias de passar a ‘Puente del Cristo de la Expiración’ para o outro lado do rio. Pelo caminho ainda entrámos no centro comercial Torre Sevilla para certos actos fisiológicos aka ir à casa de banho e já agora dar uma volta por ali. Este é um centro comercial como muitos outros, a única diferença é que é assim meio ao ar livre como podem ver na fotografia abaixo.

Interior do centro comercial Torre de Sevilla

Afinal acabámos por não atravessar a ponte para o outro lado, mas sim continuar em frente onde nos deparámos com La Cartuja onde se encontra o ‘Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico’. Para entrar dentro do recinto é grátis e por isso aproveitámos para andar lentamente pelos jardins onde encontrámos uma estátua em homenagem a Cristóvão Colombo. Vimos também outras estátuas bastante interessantes como a ‘El Hombre Orquestra’ e ‘Alicia’.

Estátua Alice do Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico

Não chegámos a entrar dentro do edifício já que se tinha que pagar bilhete e por esta altura já não queríamos gastar dinheiro extra a menos que fosse necessário e por isso voltámos para trás para atravessarmos para a outra a margem da cidade.

Para mais informações sobre este local vejam o website: https://www.juntadeandalucia.es/organismos/iaph.html


Basílica de Jesús del Gran Poder

Quando saímos da La Cartuja atravessámos então o rio pela Pasarela de La Cartuja, e fomos visitar a última igreja desta viagem, a Basílica de Jesús del Gran Poder. Esta igreja é mais um exemplo da devoção à igreja católica e sem dúvida um bonito local para visitar quando se visita esta parte de Sevilha.

Fachada exterior da Basílica de Jesús del Gran Poder

Depois de visitar a igreja o relógio dava naquele momento as 4 e meia. Como não tínhamos nada agendado até às 8 da noite, hora em que iríamos ver um espectáculo de flamenco, demo-nos a nós mesmo umas horas de descanso e aproveitámos este tempo livre para pararmos nos 100 Montaditos e bebermos qualquer coisa, já que os preços eram bastante em conta.


Para o próximo post

E é mesmo sentados à mesa dos 100 Montaditos que acabo este post, o penúltimo da viagem. Mas o melhor do dia estava guardado para o final da noite com um espectáculo tradicional, uma bebida deliciosa e um jantar como poucos. Tudo isto no próximo post.