No Vaticano: museus, capela Sistina e basílica di San Pietro

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Começo de sábado nos Museus do Vaticano

Como tínhamos marcado os bilhetes para visitar os museus do Vaticano para as 9 e meia, o Sábado começou cedo e ainda não eram 8 da manhã quando fomos tomar o pequeno-almoço.

Pequeno-almoço no Aquarius Inn

Da guesthouse Aquarius Inn até aos museus ainda nos levaria uma hora a pé e portanto tivemos de sair cedo.

Opções para chegar aos Museus do Vaticano

Apesar de preferir andar a pé para ficar a conhecer uma cidade, acho sempre que se perde um bocado a conexão quando se anda de transportes, desta vez a longa caminhada até ao Vaticano fez-notar a meio da tarde quando o cansaço se instalou. E talvez não tenhamos dado o devido valor ao bairro Trastevere quando o explorámos depois do Vaticano. E não foi por falta de opções para chegar aos museus, pois tínhamos tanto o metro (linha A) da praça da Repubblica como o autocarro (492) da estação Palestro perto do Aquarius Inn. Tanto uma opção como a outra teriam levado entre 30 a 40 minutos.  

Ponte Sant’Angelo que dá acesso ao castelo de Sant’Angelo

Também não digo que me arrependo de ir a pé porque assim começámos o dia atravessando pitorescas ruas, praças e pracetas e a bonita ponte Sant’Angelo que dá acesso ao castelo. Mas como disse o impacto desta caminhada matinal foi sentido ao final do dia com as pernas a pedir descanso e o corpo comida.

Entrada para os Museus do Vaticano com bilhetes marcados

Agora em relação aos Museus do Vaticano há algumas questões a ter em conta. A primeira que é a mais importante – quando estão a chegar aos museus vão ver uma fila enorme à espera, uma fila que começa bastante longe da entrada. Se têm bilhetes marcados não é aqui que ficam. Repito: não se juntem a esta fila, porque esta fila é só para quem não tem bilhete e se ficarem nesta fila e passar a hora que têm marcada nos vossos bilhetes não só perdem o dinheiro dos bilhetes como é possível que acabem por não entrar se já não houver capacidade para receber mais visitantes naquele dia.

Os museus do Vaticano têm em exibição artefactos de todo o mundo

Com os bilhetes marcados o que vão fazer é passar por toda essa fila e ir até à entrada principal dos museus para mostrarem os vossos bilhetes ao segurança. Talvez haja algumas pessoas nesta segunda fila, por acaso quando nós chegámos entrámos logo, mas é aqui que é suposto estarem. Já houve várias pessoas a fazerem este erro, o de se juntarem à fila errada, e de apanharem um desgosto no final.

Visita aos Museus do Vaticano

Não me vou alongar muito sobre a história dos Museus do Vaticano até porque existem no total 28 museus, galerias de arte e capelas para visitar. E dentro de cada encontram-se várias salas temáticas. Como devem imaginar estes museus são a casa das mais magníficas obras de arte provenientes de todas as partes do globo, sejam elas estátuas, tapeçarias, frescos ou quadros. Só para dar um exemplo o museu Gregoriano Egípcio está dividido em 9 salas e um terraço. Ou melhor ainda a Pinacoteca com 17 diferentes exposições que vão desde o século XII até ao XIX. Foi na sala XVI (referente ao século XIX) que vi o famoso quadro de Wenzel Peter – Adão e Eva no Jardim do Éden.

Adão e Eva no Jardim de Éden, quadro de Wenzel Peter

Para além de todas estas obras-primas, os museus são também um dos melhores locais para ver a cúpula da basílica de San Pietro. Mas a verdadeira joia destes museus é certamente a capela Sistina. A capela Sistina foi construída como obra de restauro da Capela Magna que ali antes existia a mando do Papa Sisto IV della Rovere, o qual deu o nome à capela, em 1477. Mas foi o seu sobrinho que em 1508 contratou Michelangelo, o famoso artista que pintou o tecto de 9 painéis com representações de diferentes episódios do livro do Génesis e mais tarde o fresco do Juízo Final. Estes frescos de Michelangelo atraem milhares de pessoas a visitar Roma todos os anos.

Em março, quando nós viemos a Roma, grande parte da capela estava em restauro, incluindo o fresco do Juízo Final, por isso não tivemos oportunidade de apreciar esta obra de arte única a olho nu, o que claro tivemos muita pena, mas também não pudemos fazer nada em relação a isso. Felizmente para quem visita agora a Capela Sistina, o fresco está de novo a descoberto. Nesta capela não se pode tirar fotografias e há vários empregados a lembrarem os visitantes disso mesmo, o que permite olharmos com olhos de ver para os diferentes frescos retratados nas paredes e tectos, sem a sensação de perdemos aquele momento ao não ser gravado pela lente fotográfica.

Infelizmente, nas redes sociais há quem ‘se gabe’ de ter filmado ou fotografado a capela sabendo perfeitamente que era proibido. Este comportantemento ridículo acentua-se pelo local que é porque o que não falta são oportunidades de tirar fotografias incríveis nas outras secções dos Museus do Vaticano.

  1. Comprem os bilhetes para visitar estes museus com o Roma Tourist card e tentem reservar a vossa visita para o mais cedo possível do dia escolhido
  2. Não fiquem à espera para entrar nos Museus do Vaticano juntando-se à enorme fila – essa é para quem não tem bilhetes marcados – seguiam logo para a entrada principal dos museus. Evitam assim esperas desnecessárias e a perda da vossa marcação
  3. Contem em passar umas horas a visitar todo o complexo dos Museus do Vaticano. Nós entrámos ainda não eram 9:30 e saímos já passava do 12:15. Passámos quase 3 horas a visitar as diferentes secções deste complexo e mesmo assim não tenho a certeza se entrámos em todas as salas. E não se esqueçam na Capela Sistina de tirarem pelo menos uns 10 minutos para se sentarem e olharem para os vários frescos que cobrem as paredes e tectos desta capela

Para mais informações sobre quando, como e o que visitar nos Museus do Vaticano vejam o website oficial: https://www.museivaticani.va/content/museivaticani/en.html

Pausa para almoço

Depois dos Museus do Vaticano, a próxima paragem para a qual também tínhamos bilhetes marcados era a basílica de San Pietro. A reserva estava marcada para as 2 e meia e a caminho entre os museus e a basílica decidimos que aquela era a melhor altura para nos sentarmos um bocado e comer qualquer coisa. Agora já se sabe que toda aquela zona onde fica a cidade do Vaticano para além de estar lotada, a maioria dos restaurantes são ‘ratoeiras’ para turistas, normalmente juntando má comida a preços altíssimos.

Pastasciutta (a tentativa)

Eu até tinha algumas sugestões apontadas de locais onde comer na zona, mas alguns ficavam na direcção oposta de onde tínhamos vindo e depois de 5 horas a andar não nos apetecia voltar para trás. Foi por isso que fomos à Pastasciutta, um dos locais que mais estão em voga em Roma. Pastasciutta é uma franchise de restaurantes que fazem pratos de massa à volta dos 7.5 euros em formato take-away. Todos os 3 restaurantes em Roma estão avaliados em 4.6/4.7 em 5. Mas quando chegámos ao local mudámos logo de ideias, nós e mais umas 30 pessoas tinham pensado que Pastasciutta era uma boa opção para almoço e a fila era enorme estendendo-se rua fora. Para além que como não havia mesas dentro do estabelecimento teríamos de nos sentar no meio da rua o que também não era bem aquilo que estávamos à procura. Acabei por não provar nenhum prato de massa desta franchise, mas pela popularidade se não houver uma fila de 1 hora, deve valer a pena experimentar.

Café Vecchio Borgo

Sem grandes ideias acabámos por entrar no primeiro café que estava livre, pois a maioria dos outros restaurantes estavam cheíssimos e estávamos com medo da comida demorar demasiado tempo e chegarmos atrasados à basílica. Foi assim que acabámos sentados no Vecchio Borgo.

Almoço no café Vecchio Borgo

Apesar de fazerem pratos cozinhados pedimos apenas duas sandes, eu com queijo, fiambre e salada e o meu marido com frango panado e salada. As sandes foram tostadas e a minha apesar de simples era bastante boa, no entanto o meu marido disse que a dele era muito má. O que repetiu várias vezes durante a tarde. Mas claro que um local turístico que está vazio quando os outros estão cheíssimos e a preços muito baratos indicam que a qualidade e/ou serviço não vão serem os melhores. Mas não digo para não virem aqui, afinal eu não tive nada contra a minha sandes ou contra o serviço, até pelo contrário. E os preços eram bem simpáticos. Apenas não peçam a sandes de frango panado.

Basílica di San Pietro

Apesar de Roma ter sido uma experiência incrível há algo que tenho de criticar – é que em alguns dos locais como esta basílica e também no panteão que visitei no dia seguinte, as indicações sobre quais as filas em que nos temos de juntar não estão claramente identificadas. Nestes locais que são confusos por si só devido à sua popularidade, deviam ser mais bem organizados e com indicações mais claras.

Youtube: interior da basílica di San Pietro: https://www.youtube.com/shorts/nV4XjcqWT5w

Quando chegámos à praça de São Pedro para entrar na basílica havia este espaço enorme com multidões a ir em cada direcção e nós sem sabermos para onde nos virar. Acabámos por perguntar a um segurança onde devíamos ir ou melhor para que fila nos devíamos juntar tendo os bilhetes marcados. E apesar de termos chegado quase uma hora antes da hora marcaqda a verdade é que chegou uma altura em que pensei que não íamos entrar a tempo, já que a fila andava muito devagar. Imagino como será o tempo de espera para quem não tem os bilhetes reservados – o que deve até ser bastante gente já que assim não pagam nada pela entrada.

Visita à basílica

Quando finalmente entrámos, a basílica é tudo aquilo que se espera de uma religião que teve tanto poder e riqueza ao longo dos séculos. A construção da basílica de arquitectura renascentista começou em abril de 1506 onde antes ficava uma igreja constantiniana e terminou em 1612 com a fachada. Apesar dos vários artistas e papas responsáveis pelas obras da basílica ao longo dos mais de 100 anos, todos eles mantiveram o objectivo desta basílica; ser aqui o local onde ficaria o túmulo de San Pietro.

Grandes artistas da época trabalharam nesta basílica como Fra’ Giovanni Giocondo, Raphel Sanzio, Michelangelo Buonarroti, Giacomo della Porta e Carlo Maderno. Já a praça de San Pietro que dá acesso à basílica foi construída entre 1598 e 1680 por Gian Lorenzo Bernini.

Como esperado, várias são as secções do interior desta basílica devotas a San Pietro como por exemplo:

  • O altar da confissão
  • a cátedra e
  • o túmulo, como era seu propósitio inicial.

Cúpula da basílica

A cúpula da basílica é certamente um dos destaques. A cúpula foi construída por Michelangelo e finalizada, após a sua morte, por Giacomo della Porta. Está dividida em 16 compartimentos cada coberto por frescos representando diferentes figuras. Mesmo no topo encontra-se um círculo de fundo azul-escuro coberto por estrelas douradas.

Mas não é só a cúpula que merece a nossa atenção. Os pormenores das estátuas, paredes e tectos são de uma beleza admirável. Uma das minhas estátuas preferidas é a que representa a morte (fotografia acima à esquerda). Aqui a morte está coberta por um manto enquanto estica a mão que agarra uma ampulheta. Penso que o seu significado é explícito.

Pietà di San Pietro

A Pietà di San Pietro deve ser a estátua mais conhecida mundialmente desta basílica. Dita por muitos como uma obra de arte sobre-humana, de tão divinal são os pormenores, a técnica usada e a delicadeza representada a partir de um único bloco de mármore.

Pietà di San Pietro, obra de Michelangelo

A Pietà di San Pietro foi esculpida em 1498 por Michelangelo quando este tinha apenas vinte e três anos, encomendada pelo cardeal francês para o túmulo da Capela do Rei de França que ficava nesta basílica; capela essa que já não existe. Michelangelo inscreveu o seu nome em apenas uma das suas obras, nesta estátua.

A nossa visita à basílica di San Pietro não estava concluída até termos parado em frente a esta estátua que a muitos artistas inspirou. Uma criação única, uma obra de arte incomparável.

Próximo post

Com a Pietà di San Pietro acabávamos a nossa visita ao Vaticano. O próximo post vai focar-se no bairro de Trastevere, um dos mais vibrantes de Roma, seguido por mais uma pausa agora para cerveja e tapas estilo italiano. Todos os detalhes no próximo post.

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