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Depois do visitarmos a cidade do Vaticano e como estávamos deste lado do rio Tibre fazia todo o sentido explorarmos o bairro Trastevere, um bairro do qual tinha ouvido falar imenso devido à sua atmosfera vívida com imensos restaurantes, cafés e lojas peculiares. Havia portanto uma grande expectativa em visitar este bairro e foi nessa direcção que seguimos.
Chiesa di Santo Spirito in Sassia – a um pequeno salto do Vaticano
Depois de sairmos da cidade do Vaticano, depois de visitar a basílica di San Pietro, e antes de começarmos a subir a colina de Gianicolo que separa o Vaticano de Trastevere entrámos na igreja do Espírito Santo em Sassia.

A origem desta igreja começa no século VIII, construída a mando do rei Ine de Sassia. Ao longo dos séculos esta igreja foi destruída e reconstruída várias vezes. No interior da igreja actual, especificamente no altar, podemos ver o bonito fresco representando Jesus sobre as nuvens e a pomba branca, simbolismo do espírito santo. Para além do altar, há 5 capelas de cada lado, onde se podem ver decorações lindíssimas incluindo nas colunas.
Durante a nossa visita, esta igreja estava a ser reparada e como tal o seu tecto estava tapado. Não sei se os trabalhos de restauro são algo que estão a acontecer continuamente pela cidade, o que diria normal já que existem 900 igrejas em Roma, ou se nós viemos numa altura particularmente productiva, tendo encontrado várias igrejas em reparação durante esta viagem.
Colina Gianicolo
Subimos a colina Gianicolo também conhecida por Janiculum pela rua principal, Passeggiata del Gianicolo. Ao chegar ao topo, entrámos no jardim, o parque de Gianicolo, onde fica um dos miradouros mais espectaculares para ver Roma. Talvez por ficar na outra margem do rio e fora do Vaticano e de Trastevere a atmosfera que encontrámos aqui era bastante menos turísticas, o que nos surpreendeu, pois, a vista sobre a cidade era incrível.

Neste parque há várias estátuas, sendo a estátua equestre dedicada a Giuseppe Garibaldi a mais evidente. Também há aqui um canhão, Cannone del Gianicolo, que pelo que li está em funcionamento e é destoado todos os dias ao meio-dia. Contudo, como visitámos esta colina a meio da tarde não tivemos oportunidade de ver esse momento. Junto à estrada principal e no jardim encontram-se vários bustos os quais representam os 84 soldados de Garibaldi, que tal como a estátua equestre, marcam o local da defesa da República de Roma em 1849 contra as tropas francesas.
Para puder desfrutar este parque e a vista sobre Roma há no jardim vários bancos e um pequeno café. Pessoalmente só pela paisagem da cidade que já estávamos a ter ao subir a colina e depois ao chegar ao topo, valeu imenso a pena incluirmos esta parte da cidade no nosso itinerário.
Fontana dell’Acqua Paola
Ao deixarmos o parc del Gianicolo e já a descer a colina deparámo-nos com esta fonte, fontana dell’Acqua Paola. Talvez não tão ricamente decorada como a de Trevi, mas ainda assim imponente.

A construção da fonte foi ordenada pelo papa Paulo V de forma a combater o pobre abastecimento de água aos bairros da área como o de Trastevere. Para tal foi restaurado o aqueducto de Trajano o que aconteceu entre 1608 e 1610. Esta fonte marca o final desse aqueducto onde inicialmente a água jorrava para as 5 bacias que ficavam por baixo dos 5 arcos que formam a fonte. Na sua construção foi usado mármore proveniente do Foro Romano e do Tempio de Minerva e granito da antiga basílica de San Pietro.
Mais tarde, em 1690, foi adicionada a grande bacia semicircular que percorre toda a largura da fonte substituindo as 5 bacias de menores dimensões. Também neste projecto foi alterado a forma de desaguamento de água fazendo com os jactos jorrem para bacias de menores dimensões antes de chegar à bacia principal.

Se visitarem a fonte dell’Acqua Paola não deixem de visitar o terraço em frente para mais pontos panorâmicos da cidade.
Bairro Trastevere
Entrámos no bairro Trastevere já às 5 da tarde e confesso que nesta altura houve duas coisas que fizeram não ficarmos muito tempo por aqui. Uma delas foi o cansaço; tínhamos começado o dia às 8 da manhã para chegarmos ao Vaticano a tempo e desde então tínhamos andado imenso. Para além disso, a fome aparecia e o local que queria experimentar naquela tarde não ficava neste bairro. Acabámos por apenas visitar duas igrejas que penso serem as principais do bairro, mas não explorámos muito as ruas à volta. E para dizer a verdade acho que toda a atmosfera vibrante característica deste bairro deve começar à noite porque passámos por bastantes restaurantes, cafés e lojas fechados àquela hora.
Onde encontrámos maior animação foi quando estávamos a sair do bairro, altura em que já só pensava em sentar e comer no Open Baladin Roma no Campo di’Fiori do outro lado do rio. Seria difícil que ficássemos aqui para jantar já que estávamos a uma hora de caminho do Aquarius Inn. Infelizmente, penso que não vi a melhor versão do bairro Trastevere.
Basilica di Santa Maria in Trastevere: o primeiro local oficial do culto católico


No bairro Trastevere foi a basílica di Santa Maria in Trastevere o primeiro local que visitámos. Esta é a basílica principal do bairro e quando se entra a primeira coisa que se repara é a predominância do dourado. E isto válido tanto para os mosaicos do século XII da abside atrás do altar como para o tecto composto por lacunares esculpidos de dourado e fundo policromado de 1617. Crê-se que esta basílica foi o primeiro local oficial do culto católico em Roma desde o século III.
Chiesa dei Santi Quaranta Martiri e San Pasquale Baylon: igreja das solteiras
Esta igreja foi o segundo local que visitámos no bairro Trastevere, uma igreja que existe pelo menos desde o século XII. Como o seu nome indica durante grande parte da sua história a igreja foi dedicada aos quarenta mártires de Sebaste perseguidos e torturados devido à sua fé. Foi já no século XVIII que a igreja foi reconstruída passando a ser dedicada a San Pasquale Baylon. Como havia uma oração antiga para as mulheres solteiras que procuravam marido, oração essa que invoca este santo, a igreja ficou conhecida como a ‘chiesa delle zitelle’ (igreja das solteiras).


O interior da igreja consiste na nave principal e três capelas de cada lado. Em destaque no altar encontra-se o quadro do pintor Arturo Tosi ‘Martirio dei Quaranta Martiri’. A igreja está ligada ao convento adjacente também ele construído no século XVIII, na mesma altura da reconstrução da igreja.
Próximo post
As horas seguintes foram focadas em comida. Depois de passarmos a ponte sobre o rio fomos ao Open Baladin Roma um local com um extenso menu de cerveja e que felizmente estava bastante vazio comparando com as multidões que inundavam as ruas da cidade àquela hora. Depois de mais um passeio breve na cidade voltámos para o Aquarius Inn antes de irmos jantar a um restaurante que ficava perto da estação, o qual eu tinha curiosidade em experimentar, Ristorante Pizzeria Mino. Todos os detalhes das experiências gastronómicas no próximo post.