Conteúdo desta página
- No último post
- Basilica di San Pietro in Vincoli: a ira na estátua de Michelangelo
- Chiesa di Santa Maria ai Monti: uma abóboda dourada
- Jantar no restaurante Mariuccia
- Área Sacra di Largo Argentina
- Um pequeno salto ao supermercado
- Próximo post
No último post
Nos últimos dois posts falámos dos preparativos para esta viagem, considerações a ter e as primeiras horas em Roma quando finalmente tive direito a provar o famoso bolo de Roma, o maritozzo, acabando ao pôr-do-sol a olhar para o coliseu. Neste post vamos de falar do resto desse mesmo dia, das duas igrejas que visitei antes de ir jantar e como foi conhecer Roma à noite.
Basilica di San Pietro in Vincoli: a ira na estátua de Michelangelo
A história desta basílica começa no século XVI. A basílica foi construída em homenagem ao milagre de São Pedro quando as correntes que o tinham mantido preso em Jerusalém se uniram às usadas na prisão Mamertina em Roma, formando uma só corrente. A corrente associada ao milagre ainda hoje se encontra guardada nesta basílica e pode ser vista todos os anos no primeiro dia de agosto.


Surpreendentemente não é a corrente o elemento mais famoso desta basílica, mas sim a oponente estátua de Moisés esculpida por Michelangelo em 1513. O objectivo desta criação era de o decorar o túmulo do papa Júlio II, no entanto o papa acabou por ser enterrado na basílica de San Pietro no Vaticano e, portanto, este mausoléu nunca foi usado e encontra-se até hoje vazio. A estátua de Moisés representa a sua ira quando ao voltar do Monte Sinai encontra os israelitas a adorar um bezerro de ouro, este um ídolo pagão.
Os detalhes da sua expressão, músculos e postura são certamente razões para visitar esta basílica.
Chiesa di Santa Maria ai Monti: uma abóboda dourada
A igreja de Santa Maria ai Monti foi construída em 1580 onde antes se encontrava um antigo mosteiro do século XIII. Também nesta igreja é guardada uma relíquia relacionada com um milagre, desta vez uma imagem da virgem Maria. Segundo a história, esta imagem foi a razão para a cura da cegueira de uma mulher.


O interior da igreja é absolutamente lindíssimo; os detalhados frescos que cobrem toda a igreja, os apontamentos em dourado que envolvem a abóboda e os anjos que emoldaram as várias colunas são todos razões para visitar esta igreja. Também aqui encontrei junto a um dos quadros a fotografia dos pastorinhos de Fátima. É sempre agradável encontrar um símbolo do nosso lar, sejamos nós religiosos ou não.
E foi com esta belíssima igreja que fechei as visitas às igrejas de Roma naquele dia.
Jantar no restaurante Mariuccia
Mariuccia é um restaurante italiano no coração de Roma relativamente perto do Panteão. Como ia jantar com a minha colega que estava precisamente no Panteão a escolha foi rápida. Tinha lido imenso sobre este restaurante sendo ele mencionado em practicamente todos os vídeos das redes sociais que tinha visto sobre onde comer em Roma; locais onde a comida era deliciosa e a bom preço.
O menu deste restaurante é tipicamente italiano com várias entradas, pratos principais e claro, pizzas. E de pizzas há várias variedades como pizza frita, pizza dobrada tipo sandes, pizzas tradicionais e pizzas especiais. A fama deste restaurante e a boa experiência que os clientes aqui têm faz com hoje, dia 1 de julho de 2026, este restaurante esteja avaliado em 4.7 (em 5) baseado em 9287 reacções e comentários no Google.


Apesar de dar para marcar mesa como a escolha para jantar foi feita no momento não o fizemos, mas felizmente talvez por estarmos a jantar relativamente cedo, afinal só tinha comido o tal maritozzo desde que tinha chegado a Roma, ou talvez porque era terça-feira à noite havia mesas livres na parte de fora. Apesar de estarmos em março esta zona exterior era muito agradável estando ela abrigada com aquecedores de ambiente.
Para jantar decidimos pedir duas pizzas tradicionais. Pedimos a pizza capricciosa e a diavola e ambas eram bastante boas. Não diria que estas pizzas tenham sido as melhores da minha vida, mas sem dúvida que este restaurante é uma boa escolha para quem quer experimentar pizza em Itália cozinhada a forno a lenha. Até porque as pizzas não tiveram origem em Roma, mas sim em Nápoles. É como ir comer uma francesinha a Évora à espera de encontrar a melhor francesinha do país em qualquer restaurante da região. E mais, há até um tipo de pizza tipicamente romana, a Pinsa, que experimentei três dias depois e que eu simplesmente adorei do restaurante Pinsere.

Não quero com isto dizer que não recomendo o restaurante, bem pelo contrário, foi uma óptima opção e com a fome com que estávamos ficámos deliciadas pela qualidade das pizzas que nos foram cozinhadas. Ainda por cima quando acompanhadas por aperol spritz e vinho da casa.
Para mais informações sobre este restaurante ou para reservar mesa vejam: https://mariucciagroup.it/
Área Sacra di Largo Argentina
Depois do jantar e já a pensar na hora matinal que tinha de acordar no dia seguinte fui fazendo o caminho de regresso para o hotel Quirinale. A noite já tinha chegado e sobre as luzes da cidade, Roma ainda era mais bonita, por impossível que possa parecer. E de novo voltava a sentir aquela sensação de deslumbramento.
Um dos momentos mais incríveis foi quando a caminho do hotel dou por mim a olhar para o lado e a ver este imenso espaço ocupado por várias colunas em ruínas. Parecia quase uma cidade. E afinal este é um dos lugares arqueológicos mais ricos da cidade, com 4 templos – A,B,C e D – construídos entre os século IV e II a.c.. O templo D é o mais antigo e o B o mais recente e cada um é dedicado a diferentes deuses.

E o mais interessante é que estas ruínas foram descobertas em 1928 quando segundo o projecto de renovação da cidade, o antigo bairro seria demolido e novos edifícios construídos. Entre 1926 e 1928 houve vários argumentos entre os arqueólogos e os proprietários destes terrenos que claro queriam seguir em frente com a construção dos novos edifícios. Felizmente, o governo foi a favor da cultura. Neste complexo arqueológico encontra-se também a cúria de Pompeia onde antes o Senado se encontrava e onde Júlio César foi assassinado no ano 44 a.c.
Outra curiosidade sobre esta zona é ele ter sido o local escolhido pelos gatos abandonados como sua casa. Os gatos apareceram mal as escavações começaram em 1928 e hoje é aqui o santuário dos gatos. Neste santuário trabalham vários voluntários dedicados à prestação de serviços a estes animais, sendo assim possível mantê-lo aberto. Os gatos de Roma foram declarados como ‘Património Biocultural’ em 2001 e neste santuário recebem comida, tratamento médico incluindo esterilização e carinho.
Como passei aqui de noite não vi gato nenhum, mas é certamente um incentivo para visitar esta zona e ficar a conhecer os gatos de Roma que descansam nas ruínas de tempos passados.
Um pequeno salto ao supermercado
Apesar de não ter passado muito tempo depois do jantar fiz ainda um pequeno desvio para ir ao supermercado e comprar uma coisinha doce antes de ir para o meu quarto. Acabei por escolher umas tartes com doce de alperce que me fizeram acabar o dia no meu quarto bastante feliz. E estas tartes trouxeram-me memórias de outra viagem que fizemos a Itália especificamente quando estivemos em San Cassiano nos Dolomitas onde comprámos uma tarte exactamente com o mesmo sabor


Próximo post
Para o próximo post vou juntar dois finais de tarde quando tive a oportunidade de explorar a cidade uma vez terminada a conferência e os eventos sociais. Vamos falar de outros locais muito conhecidos em Roma como a fonte Trevi, as escadarias da Praça de Espanha e os jardins da Villa Borghese.