Yorkshire – Robin Hood’s Bay, Ravenscar e York

Índice deste post

  1. Posts anteriores
  2. Costa de Yorkshire
    1. Robin Hood’s Bay
    2. Ravenscar
  3. Cidade de York
    1. B+B York
    2. Shambles
    3. Valhalla
  4. Próximo post

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Esta road trip começou pela costa de Norfolk, mais especificamente em Horsey Gap e Blakeney. Foi aqui que vimos pela primeira vez os leões marinhos e os seus bebés no seu habitat natural. No dia seguinte, conduzimos para norte até à costa de Yorkshire para conhecer duas vilas, Sandsend e Whitby. Já instalados em Egton, uma vila do parque nacional de North York Moors, passámos os dois dias seguintes a fazer trilhos e a visitar pitorescas vilas (dia 1 e dia 2). Os trilhos que escolhemos para esta viagem foram o Hole of Horcum, Dalby Forest, Littlebeck e Falling Foss e por último a cascata de Mallyan Spout. Em relação às bonitas vilas pudemos contar com Thorton-le-Dale, Grosmont e Goathland. Hoje vamos falar do último dia que passámos em Yorkshire, agora em outra parte da costa onde mais uma vez vimos leões marinhos e os seus bebés.

Costa de Yorkshire

Hoje foi o dia da viagem com pior tempo; algum nevoeiro, frio e aquela humidade desconfortável que não chega bem a ser chuva. Tempo típico de Inglaterra, portanto.

Costa de Yorkshire

A manhã deste quinto dia da viagem começou com o pequeno-almoço no pub The Witching Post Inn. Nos últimos dias tinha pedido o famoso pequeno-almoço inglês (Full English Breakfast), mas em prol da saúde hoje pedi torradas com ovos escalfados, um dos meus pequenos-almoços preferidos. Depois do pequeno-almoço chegou a hora do check-out e foi com muita pena e promessas de voltar que deixámos Egton.

Robin Hood’s Bay

O destino para o final deste dia era a cidade de York onde iríamos passar a noite. Mas antes estava planeado conhecer mais duas vilas da costa de Yorkshire, Robin Hood’s Bay e Ravenscar.

Chegámos a Robin Hood’s Bay por volta das 10 da manhã e deixámos o carro numa das ruas da vila onde o estacionamento era gratuito. A vila pareceu-nos meio deserta, o que afinal não nos surpreendeu já que o tempo não puxava para grandes caminhadas. No entanto, esta vila pescatória é um dos locais mais procurados da zona para caminhadas e praia.

A costa de North Yorkshire conta com uma distância de cerca de 70km entre as vilas de Staithes e Filey, caracterizada por falésias íngremes, instáveis e em constante erosão, formando baías como Robin Hood’s Bay. O aparecimento destas falésias começou no período do Jurássico Inferior com a formação de xistos, os quais foram posteriormente cobertos por arenitos durante o Jurássico Médio. Por sua vez, estes foram mais tarde cobertos por depósitos glaciares. As grandes baías e vales que se formaram são a consequência visível da erosão de zonas mais frágeis, de falhas geológicas, da glaciação e de deslizamentos de terras pela linha costeira de Yorkshire.

Praia de Robin Hood’s Bay

Quanto à nossa visita à vila de Robin Hood’s Bay, esta não se alongou por muito tempo, já que o tempo estava por esta altura bastante desagradável. Mas não nos fomos embora sem primeiro passear pelas pitorescas e estreitas ruas da vila que nos levaram até ao miradouro Mosaic Seal Wall. Aqui encontrámos um placard contendo informações sobre os esforços que se tem feito para reduzir o impacto da erosão em Robin Hood’s Bay. Descemos pela King Street até à praia e subimos depois pela New Road de regresso ao carro.

Ravenscar

De Robin Hood’s Bay até Ravenscar demorámos cerca de meia hora de carro. Também se pode fazer o trilho de 11 milhas (17 km) a pé entre estas duas vilas que é na verdade o trilho mais popular da região. Com o tempo como estava nem sequer chegámos a considerar essa opção. Estacionámos o carro em Raven Hall Road perto das casas de banho públicas. O parque de estacionamento junto à estrada nesta altura do ano é gratuito e perto de onde começa o trilho que desce pela falésia. Viemos até Ravenscar por uma razão, não para conhecer a vila, mas para ver a colónia de leões marinhos que vive na praia mesmo abaixo da falésia onde fica o hotel Grand Villa Heights.

Em Ravenscar

O percurso começa por atravessar campos verdejantes com pouca inclinação. No entanto, chegando a um cruzamento o caminho que desce a inclinada falésia até à praia torna-se muito mais irregular. Enquanto descemos por este caminho fomos encontrando placards com avisos e cuidados a ter ao nos aproximarmos da colónia. O principal é claro o de não disturbar a colónia de leões marinhos já que assustar estes animais pode levá-los a magoar-se ao tentar fugir por entre as rochas. A forma mais segura é mesmo levar binóculos e vê-los de uma distância de segurança para os animais e de certa forma para as pessoas. Nós descemos até à praia e ficámos numa zona afastada, quase escondida atrás das rochas. E ali estavam aqueles animais engraçados. O incrível era o barulho que faziam, quase como um cântico. E talvez por não ser esperado ou talvez por os leões marinhos estarem mais em grupo gostei ainda mais desta experiência do que a de Norfolk, sem querer tirar o brilho a nenhuma delas. Fomos muito sortudos poder ver estes animais no seu habitat natural e como eles interagem entre si.

Leões marinhos e os seus bebés em Ravenscar

Por outro lado, a paisagem que se estendia pela linha costeira era incrível mesmo não sendo um dia de sol, o que deve sem dúvida aumentar a beleza do local.

Uma das curiosidades sobre a vila de Ravenscar, que confesso acabámos por não visitar, tem origem no final da época vitoriana, altura em foram projectados planos para tornar Ravenscar em um grande resort que iria rivalizar com as cidades à volta como Scarborough e Whitby. Seguindo os planos, estradas foram pavimentadas, o sistema de esgotos instalado e até algumas casas construídas. No entanto, ‘Peak’, o nome do tal resort, acabou por nunca ser construído. E é por isso que hoje em dia o National Trust descreve Ravenscar como a ‘the town that never was’ (a cidade que nunca existiu).

Cidade de York

Quisemos chegar à cidade de York antes das 5 da tarde para irmos comer ao Shambles Market, o mercado da cidade. Nós já tínhamos vindo a York em janeiro de 2024, onde passámos um fim-de-semana grande a visitar a catedral, o que resta da fortaleza à volta da cidade, e até o museu, onde se encontra replicada uma rua típica da era vitoriana. Para além de toda a comida deliciosa que tínhamos experimentado em The House of Trembling Madness, Shambles Kitchen e Ambrosia Greek Food.

Os detalhes dessa viagem a York estão disponíveis na seguinte página deste blog: York

B+B York

Desta vez ficámos hospedados no B+B York, mas confesso que gostei mais do sítio onde ficámos da primeira vez, no The Crescent Guesthouse. No entanto, não foi um mau sítio, o nosso quarto era virado para a parte de trás por isso não tivemos o barulho do trânsito e era perto o suficiente para pudermos ir ao centro da cidade a pé.

Pequeno-almoço (eggs benedict) do B+B York

O espaço do quarto era adequado, talvez precisasse de alguns melhoramentos, e o pequeno-almoço também teve a qualidade esperada. Para além que oferecia estacionamento gratuito, o que pode ser um desafio em York.

Shambles

Depois do check-in feito e as malas postas no quarto fomos então em direcção ao mercado de Shambles (Shambles market). Chegámos perto das 4 e meia indo logo para a roulotte que tínhamos ambos em mente, a NaNa Noodle Bar. Este restaurante ambulante já nos tinha chamado a atenção na primeira vez que aqui viemos, mas na altura escolhemos o gyros da Ambrosia Greek Food que vos garanto também é uma óptima escolha.

No NaNa Noodle Bar escolhemos o pad thai e noodles com frango frito e molho agridoce. Como gostámos imenso de ambos os pratos, ainda fizemos um terceiro pedido antes do mercado de fechar: noodles com camarão tempura. Cada pedido vinha em grandes caixas de cartão e cada custou cerca de 9 libras.

Depois do mercado fechar às 5 da tarde, fomos dar uma volta pela cidade, passando pela zona dos Shambles, uma das zonas mais históricas de York, e entrando na igreja de todos os santos – Parish of All Saints, Pavement. Este passeio durou cerca de 1 hora até porque já tínhamos conhecido grande parte das lojas como a ‘The Shop that must not be named’ em referência ao Harry Potter e a The Society of Alchemists guardada pelo dragão que respira.

Valhalla

Apesar da ideia inicial para esta noite era a de fazer um pouco pub crawl acabámos por terminá-la mais cedo do que o esperado. Como a gripe decidiu aparecer em força no final deste dia acabámos por voltar para o quarto bastante cedo. No entanto, ainda fizemos uma paragem no bar viking Valhalla. Já tínhamos vindo aqui durante a primeira viagem a York, aliás viemos várias vezes durante essa viagem, e hoje não poderíamos perder a oportunidade de vir até Valhalla mais uma vez.

O melhor deste bar são os hidroméis de diferentes sabores como o de framboesa, alperce, cereja e o esperado mel. A decoração do local também é bastante impressionante com crânios de animais e ossos, mas ao mesmo tempo tem uma atmosfera incrivelmente confortável.

E foi a bebericar um copo de hidromel e a ouvir música metal que acabámos a noite em York. De novo deixo aqui o link da página da nossa viagem a esta que é considerada uma das cidades mais assombradas de Inglaterra: York

Próximo post

O próximo post será o último desta road trip e será sobre a cidade de Leeds. Esta cidade foi incluída no itinerário por termos bilhetes para um concerto e já que cá estávamos aproveitámos para ficar a conhecer um pouco da zona. Todos os detalhes estarão brevemente disponíveis neste blog.

Em North York Moors, Inglaterra (parte II)

Índice deste post

  1. Posts anteriores sobre esta road trip
  2. Trilho circular entre Littlebeck e a cascata Falling Foss
  3. Visita a Goathland
    1. Trilho até à cascata Mallyan Spout
    2. Estação de comboios de Goathland
    3. Casa de chá em Goathland
  4. Visita a Grosmont
  5. Jantar no The Witching Post Inn
  6. No próximo post

Posts anteriores sobre esta road trip

Estamos prestes a entrar na segunda metade desta road trip. Até então visitámos Norfolk com o objectivo de ver os leões marinhos e os seus bebés. Objectivo esse realizado com sucesso. No dia seguinte partimos em direcção à costa de Yorkshire conhecer Sandsend e Whitby, onde tivemos o privilégio (por coincidência) de ver ao vivo como a cidade se transforma durante o famoso fim-de-semana gótico. E por último, aproveitámos o terceiro dia para explorar o parque nacional de North York Moors, fazendo dois trilhos, o Hole of Horcum e o Dalby Beck Yellow Trail, sem perder a oportunidade de visitar a lindíssima Thornton-le-Dale. Aqui, vamos falar do quarto e último dia no parque nacional de North York Moors. Neste dia completámos mais dois trilhos e visitámos duas vilas por razões muito específicas, acabando o dia a ter o melhor jantar de toda a viagem.

Trilho circular entre Littlebeck e a cascata Falling Foss

Este dia começou de forma bastante semelhante à do dia anterior – a tomar o pequeno-almoço no The Witching Post Inn enquanto dávamos dois dedos de conversa ao dono do pub. No final, ainda antes de sairmos marcámos mesa para jantar aqui, já que às terças-feiras há uma promoção de um dos pratos da casa. Mas do jantar falarei mais abaixo.

Segundo pequeno-almoço no pub The Witching Post Inn

O primeiro trilho de hoje era perto de Littlebeck, uma pequena vila do parque nacional, para fazer o percurso circular entre Littlebeck e a cascata Falling Foss, uma das cascatas mais bonitas de North York Moors. Em vez de começarmos o trilho em Littlebeck começámo-lo perto da cascata, deixando o carro no parque de estacionamento Sneaton Forest, um estacionamento pequeno, de terra e gratuito.

O trilho começou com uma descida mais ou menos acentuada até a uma ponte e um pequeno café que naquela altura estava fechado, o Falling Foss Tea Garden. Daqui já se conseguia ouvir a cascata de 9 metros, a Falling Foss. E foi para ela que nos dirigimos. Como disse, apesar de não ser muito alta, a cascata e a floresta envolvente formam um cenário encantador. No final, o percurso circular teve uma distância de 6km e demorámos cerca de 2 horas e meia até estarmos de volta ao carro. O trilho que fizemos pode ser acedido através do mapa baixo.

Durante o percurso tivemos a oportunidade de percorrer a floresta sempre perto do ribeiro Little Beck, um pequeno afluente do rio Esk. Pelo caminho passámos por uma espécie de caverna chamada The Hermitage (a ermida), que fazia antes parte de uma casa, a casa Newton. Quando chegámos a Littlebeck não sabíamos bem qual era o caminho para voltar para trás, que não fosse o mesmo por onde tínhamos vindo.  Depois de passarmos por alguns descampados onde apenas cabras e bodes pastavam lá o descobrimos regressando à cascata Falling Foss.

Visita a Goathland

Goathland começou a ganhar popularidade no século XIX quando foi construído aqui um spa levando a que homens de negócios de Yorkshire procurassem esta vila como um lugar de descanso e de férias. A sua popularidade cresceu ainda mais quando a vila se tornou palco de filmagens de uma série de televisão muito conhecida em Inglaterra, Heartbeat.

Trilho até à cascata Mallyan Spout

A nossa primeira paragem em Goathland foi junto ao hotel Mallyan Spout, o hotel com o mesmo nome da cascata que vínhamos visitar. Deixámos o carro num banco de terra na estrada principal já que assim o estacionamento seria gratuito e estávamos perto o suficiente do hotel onde começa o caminho que desce até à cascata.

O trilho não é longo tanto que ir e vir teve uma distância de 2km e pouco. Contudo é preciso ter cuidado em algumas partes já que pelo caminho tem de se subir e passar por pedras soltas e molhadas havendo o perigo de se escorregar. Mas indo com cuidado faz-se o caminho sem azares. A cascata Mallyan Spout mede 21 metros e é alimentada pelo rio Esk. Levámos quase uma hora a ir e vir incluindo as paragens obrigatórias para tirar fotografias.

Estação de comboios de Goathland

Vou já confessar a razão para querer visitar esta estação de comboios; bem na verdade houve duas, mas a primeira foi o de esta estação ter sido palco de filmagens do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal. Foi esta estação a escolhida para representar a estação de Hogsmeade onde o comboio chega e parte de Hogwarts.

Estação de comboios de Goathland

A segunda razão teve um valor mais cultural. A linha ferroviária que liga Whitby a Pickering e passa por Goathland é uma das mais antigas de Yorkshire. Esta linha foi inaugurada em 1836 e esteve em serviço durante anos até ser encerrada pela British Rail em 1965. No entanto, o troço entre Grosmont e Pickering foi reaberto em 1973, resultado do esforço de um grupo de entusiastas que não quis ver a história daquela ferrovia acabar ali. Hoje em dia não só a linha ferroviária está em funcionamento como é a ferrovia histórica com mais passageiros no Reino Unido, transportando mais de 350,000 passageiros por ano. Portanto, é possível fazer esta viagem de comboio a vapor, ou como nós, ver o comboio passar pela linha ferroviária, razão pela qual fomos mais tarde até Grosmont. Isto porque nenhum comboio passaria por Goathland durante as horas seguintes.

O horário diário dos comboios a vapor pode ser acedido no final da seguinte página: North Yorkshire Moors Railway

Casa de chá em Goathland

Como o tempo começou a piorar, frio e cinzento com aquela chuva miudinha irritante e já que tínhamos mais de 1 hora até o comboio passar por Grosmont, fomos visitar o centro da vila de Goathland decidindo por entrar no Goathland Tea Rooms. Ao entrar, demos com uma casa de chá de decoração giríssima e, como o tempo assim próprio de Outono pedia uma bebida quente e uma fatia de bolo, foi isso mesmo que pedimos.

A casa de chá fazia ligação com a loja de recordações onde fomos tentados a comprar uma recordação antes de avançarmos com o nosso itinerário.

Visita a Grosmont

A viagem de carro entre Goathland e Grosmont foi de apenas 10 minutos. Estacionámos o carro já fora da vila na estrada perto do parque de estacionamento Grosmont Car & Couch Park. Assim não ficávamos longe da estação de comboios e mais uma vez não tínhamos de pagar estacionamento. Chegámos à estação a poucos minutos das 3 e meia onde o comboio a vapor acabava de parar com o fumo da locomotiva ainda a fumegar. Enquanto estivemos aqui pudemos ver como a parte da frente da locomotiva é mudada para o outro lado do comboio (tornando-se a parte de trás agora a parte da frente). E esta é uma das razões para Grosmont ser uma das melhores estações para ver o comboio a vapor pois é aqui que as carruagens são mudadas.  

Comboio a vapor na estação de Grosmont

No website oficial do North Yorkshire Moors Railway podem ser adquiridos diferentes tipos de bilhetes. Claro que mesmo o bilhete normal é mais caro do que um bilhete de comboio normal, já que não é um comboio normal. Para uma experiência ainda mais especial há a possibilidade de comprar o bilhete de comboio com refeição incluída podendo-se assim viajar através do parque nacional a saborear uma refeição de 3 pratos.

Comboio a vapor na estação de Grosmont

Quando voltávamos para o carro houve um episódio meio caricato pois de repente apareceu-nos várias galinhas no meio da estrada completamente alheias ao perigo de ali estarem. Supomos que elas tenham fugido de algum galinheiro, no entanto não vimos ninguém a vir atrás delas. Foi apenas estranho como elas apareceram ali do nada e ali ficaram.

Jantar no The Witching Post Inn

Depois de regressarmos a Egton pelas 4 da tarde demos um pequeno passeio por esta vila que incluiu a Igreja de Santa Hilda. A vila em si não é muito grande e como a noite chegou cedo, o jantar também começou mais cedo do que o normal. Às 6 e meia já estávamos sentados numa das mesas do pub prontos para começar. No entanto, ao contrário do esperado, o jantar não acabou cedo, aliás muito pelo contrário, a refeição acabou por se estender pela noite adentro. O ambiente e a conversa e talvez também um pouco o álcool fizeram com que assim fosse.

Na vila de Egton

Quanto à comida que experimentámos durante o jantar apenas posso dizer que estava tudo óptimo tendo sido esta uma das melhores refeições desde há muito tempo. Para entrada, pedimos para dividir peixinhos fritos com maionese de limão e pimenta (whitebait with lemon pepper mayo with brown buttered bread and lemon garnish). Eu que não costumo ser muito apreciadora deste tipo de comida, especialmente quando inclui peixes que se comem juntamente com as espinhas – gostei imenso deste prato. E o meu marido ainda mais já que ele adora este tipo de petiscos.

Peixinhos fritos como entrada no The Witching Post Inn

Para prato principal tivemos de pedir o frango à parmegiana já que era uma terça-feira e às terças-feiras este pub oferece a promoção de 2 pratos de frango à parmegiana pelo preço de 1. Para recheio escolhia-se entre manteiga de alho, pepperoni ou molho picante. Eu pedi o pepperoni e o meu marido a manteiga de alho. Só posso dizer que desde então temos falado desta refeição várias vezes e do quanto queremos voltar a Egton para pudermos comer outra vez neste pub.

Frango à parmegiana do The Witching Post Inn

Das bebidas disponíveis, não resistimos a provar as cervejas e os gins, ambos de produção local. Mas não fomos só nós a prová-las também os outros clientes e empregados/dono do pub o fizeram. O que claro contribuiu para que a conversa se prolongasse pelo serão dentro.

No próximo post

No próximo post vamos falar do nosso último dia em Yorkshire, onde tivemos direito a mais uma oportunidade, desta vez inesperada, de ver os leões marinhos e os seus bebés! Depois de uma segunda visita à costa de Yorkshire fomos para York, uma cidade já conhecida e adorada por nós. E à qual voltaremos sempre que possamos.

Em North York Moors, Inglaterra (part I)

Índice deste post

  1. Posts anteriores sobre esta road trip
  2. Pequeno-almoço em The Witching Post Inn
  3. Trilho em Hole of Horcum
  4. Trilho em Dalby Forest
  5. Visita a Thornton-le-Dale
  6. Jantar no Magpie Café em Whitby
  7. Próximo post

Posts anteriores sobre esta road trip

Esta road trip de novembro começou em Norfolk, com a visita a Horsey Gap para ver os leões-marinhos e o segundo dia acabou no Gothic weekend em Whitby. Neste post vou falar-vos do terceiro dia da viagem, dia este em que percorremos vários trilhos no North York Moors.

Pequeno-almoço em The Witching Post Inn

O terceiro dia da viagem começou com o pequeno-almoço no pub onde tínhamos passado a noite, o The Witching Post Inn. Este local oferece pequeno-almoço cozinhado que inclui os vários componentes do famoso english breakfast. E para o primeiro dia foi isso mesmo que pedimos. Os pratos que nos chegaram à mesa para além de bem servidos eram deliciosos, desde a salsicha, aos feijões ao black pudding. Até da caneca eu gostei!

Pequeno-almoço no The Witching Post Inn

Ainda antes de sairmos, estivemos um bocado à conversa com o dono do pub, conversa essa que acabou por incluir os locais que queríamos visitar naquele dia, aos quais ele nos deu umas dicas. E depois deste pequeno-almoço considerável era altura de irmos fazer o primeiro trilho.

Trilho em Hole of Horcum

O trilho que estávamos prestes a começar em Hole of Horcum não era o nosso primeiro em North York Moors. Quando viemos conhecer a cidade de York pela primeira vez, no início de 2024, tínhamos feito o percurso à volta de Rosadale. E provavelmente teria sido um dos trilhos da lista para esta viagem se não o tivéssemos já feito.

Paisagem no início do nosso percurso em Hole of Horcum

Aliás a maior parte dos trilhos que fizemos em North York Moors foram sugeridos por uma das minhas colegas que é desta zona e por isso sabe melhor que ninguém quais são os melhores trilhos, qual a dificuldade de cada um e quais são as pequenas vilas que vale a pena visitar. Hole of Horcum, tal como Rosadale, foi um dos primeiros trilhos a serem sugeridos. Para fazer este percurso o melhor é estacionar o carro em Saltergate car park mesmo este não sendo gratuito. A viagem entre Egton, de onde partimos, até este parque de estacionamento foi de cerca de meia hora e às 9 e meia já estávamos prestes a começar este trilho.

Hole of Horcum é uma das secções do vale Levisham Beck e conhecido pelo ‘buraco’ em forma circular de 120 metros de profundidade, resultado da linha de nascentes que segue ao longo da fronteira entre duas camadas rochosas. Existe uma lenda associada a este ‘Hole’ e de como ele surgiu. De acordo com a história, este buraco foi criado por um gigante chamado Wade ao agarrar num pedaço de terra para atirar à sua mulher, Bell, durante uma discussão.

Quanto a nós, o percurso circular teve uma distância de quase 9 quilómetros (8.38km para ser mais precisa) e levou-nos cerca de 2 horas e meia a completá-lo. O mapa abaixo mostra os detalhes do nosso percurso de e até Saltergate car park.

No início do trilho escolhemos seguir pelo caminho que ia a direito deixando a subida para último. Apesar da subida final ter sido mais inclinada foi mais curta do que indo no sentido inverso.

Parte do trilho que atravessa a base do Hole of Horcum

Durante o caminho ainda encontrámos uma ou duas pessoas, mais já na parte final quando íamos junto ao riacho Levisham Beck. O que nos acompanhou durante todo o caminho foram as ovelhas que pastavam pelos campos. Infelizmente nada de vestígios de gigantes, mas as paisagens de campos a perder de vista alegraram as primeiras horas deste dia.

Trilho em Dalby Forest

O próximo local que estava agendado para aquele dia era a floresta de Dalby. Esta floresta conta com cerca de 240 km2 e por ela encontram-se imensos trilhos para caminhadas, corridas e até trilhos próprios para bicicleta.

Para visitar a floresta estacionámos o carro mesmo ao lado do Visitor Centre (centro de turismo) da floresta de Dalby. Tal como em Saltergate também aqui o parque de estacionamento é pago. Talvez tenha sido por o tempo estar meio murcho ou de ser meio da semana em novembro, ou talvez por ambas as razões, a verdade é que tanto o centro de turismo como a floresta estavam practicamente desertos. Não que isso fosse um problema, não de todo. Quando entrámos por uns momentos no Visitor Centre encontrámos um pequeno café aberto e uma coisa que costuma ser bastante importante para viajantes – casas-de-banho.

Na entrada do centro de turismo estivemos a estudar o mapa onde os vários trilhos estavam marcados. Tínhamos 5 à escolha todos de nível fácil, o que mudava era mesmo a distância:

  • Housedale Rigg Trail – 4.5km
  • Sneverdale Rigg Rabbit Run Trail – 3.8km
  • Ellerburn Trail – 5.5km
  • Dalby Beck Trail – 6.7km
  • Pexton Moor Trail – 2.7km

Nós escolhemos fazer o Dalby Beck Trail já que era o mais longo. Contudo sem querer fizemos um pequeno desvio a meio, pois em vez de irmos pelo trilho de caminhada, acabámos por ir parar a um trilho para bicicletas. E esta foi a parte mais difícil do percurso, com uma descida bastante acentuada. No entanto, foi a parte em que entrámos pela floresta adentro onde vários grupos de cogumelos engraçados cresciam. Por isso este desvio teve os seus prós e contras.

O percurso completo teve uma distância de 6.4km (menos 300 metros do que o trilho oficial devido ao tal desvio) e levou-nos cerca de 2 horas a percorrê-lo. Dalby forest foi uma óptima escolha principalmente para ver as cores outonais da época.

Qualquer itinerário a North York Moors deve incluir Dalby Forest tal como Hole of Horcum e Rosadale especialmente para quem gosta de fazer caminhadas. Para todas as informações tal como trilhos, actividades disponíveis, horários e preços cliquem em Dalby Forest (todas as informações).

Visita a Thornton-le-Dale

A vila de Thornton Dale ou Thornton-le-Dale fica a menos de 10 minutos do Dalby Forest Visitor Centre e foi a nossa última paragem antes de voltarmos para Egton, antes do jantar. Thornton Dale é considerada a vila mais pitoresca do North York Moors e, portanto, esta paragem é por muitos mencionada como obrigatória. E depois de a visitar, estou completamente de acordo.

Centro de Thornton-le-Dale

Conseguimos deixar o carro no centro da vila em frente a uma pastelaria, a Baldersons – Bakery & Sandwich Bar. Como já eram 3 da tarde e por esta altura o pequeno-almoço era apenas uma memória, entrámos nesta pastelaria para comprar uma das muitas tentações que estavam expostas na montra. Escolhemos uma das versões de Rocky Road, um bolo feito de bolacha, chocolate branco e marshmallow. E tal como é sugerido pelo nome ‘Rocky’ (rochoso), o bolo era bastante duro. O incrível é que era duríssimo, mas o sabor era delicioso. Se calhar esta dureza é propositada, para não se acabar o bolo numa só assentada. Mas talvez aconselhe a pedirem algo mais fácil de comer como uma tarte de Bakewell ou um flapjack. Bem, o que eu quero dizer é que há imensa escolha (como mostra a fotografia abaixo à esquerda) e se tiverem oportunidade visitem esta pastelaria que está aberta desde 1937 (website: Baldersons bakery).

Os Balderson, os donos desta pastelaria, é uma das famílias que vivem em Thornton-le-Dale há gerações. E facilmente nos apercebemos da presença importante desta família na vila uma vez que na mesma correnteza de lojas a seguir à pastelaria encontramos a loja de lembranças – Baldersons Gallery & Gifts e a gelataria – Balderson’s Ice Cream Parlour.

Mas uma visita a Thornton-le-Dale não é só para guloseimas. Na verdade, em Thornton-le-Dale é o Beck Isle Cottage, construído no século XVII, o edifício mais conhecido e mais fotografado na vila. A sua fama deve-se à sua arquitectura e à sua localização na curva do rio Thornton Beck criando um cenário pitoresquíssimo. Esta casinha de contos de fadas ou dos 7 anões foi já várias vezes restaurada sempre com o cuidado em manter o seu carácter histórico e hoje é símbolo da herança da vila de Thornton-le -Dale e da arquitectura rural.

Beck Isle Cottage em Thornton-le-Dale

Depois de visitarmos o cottage, andámos pelas várias ruas da vila, sem rumo certo e sem pressas. Saímos de Thorton-le-Dale por volta das 4 da tarde de regresso ao nosso quarto em Egton para um descanso merecido antes de voltarmos a sair para jantar.

Jantar no Magpie Café em Whitby

O jantar desta noite estava marcado no famoso Magpie Café. E assim estávamos de regresso a Whitby. Estacionar em Whitby pode por vezes ser um desafio especialmente durante o fim-de-semana e se o alvo for o centro da cidade. Mas numa segunda-feira perto das 7 da noite e depois do gothic weekend conseguimos encontrar facilmente estacionamento livre no West Cliff car park. Este parque é pago apenas de 1 de março a 31 de outubro. Ou seja, não só encontrámos estacionamento como ainda por cima era gratuito.

E assim enquanto andávamos em direcção ao Magpie Café tivemos de novo o privilégio de puder ver a paisagem sobre a cidade de Whitby e o cais. Quando chegámos ao Magpie Café, tendo reserva, fomos rapidamente levados até à nossa mesa. Mas devo dizer que mesmo sendo uma segunda-feira, o restaurante estava bastante cheio.

Amêijoas cozinhadas em molho de vinho, natas e alho no Magpie Café em Whitby

Afinal por que razão é este local assim tão procurado? Em suma há vários factores, começando pela sua presença na cidade desde 1750 especialmente numa zona tão próxima do cais. Magpie Café tem, portanto, uma longa ligação com a indústria piscatória e naval tendo começado a sua história na cidade como uma casa mercante e mais tarde tornando-se propriedade de um dos membros de uma família baleeira, os Scoresby. Por outro lado, a visita de vários críticos de comida e as suas óptimas reviews adicionado ao facto de este restaurante ter sido vencedor de alguns prémios, fizeram dele um dos mais procurados e famosos principalmente pelo prato da casa, o fish and chips.

Quanto à nossa experiência, para começar a nossa refeição pedimos, como entrada, amêijoas cozinhadas num molho de vinho, natas e alho. E era absolutamente delicioso. Se nos tivessem dado aquele molho como sopa podem ter a certeza de que o teríamos comido com toda a satisfação. Para prato principal quisemos experimentar o famoso peixe frito com batatas fritas, já que é o prato especial e aclamado da casa. Infelizmente, ficou muito aquém das expectativas. Acho que na verdade em vez de ser um dos melhores que comi, foi talvez um dos mais fracos. E sim, as expectativas eram muito altas. Mas quanto às amêijoas, é um prato que recomendo vivamente a experimentar.

Fish (cod) and chips do Magpie Café em Whitby

Por outro lado, também achámos alguns preços um bocadinho puxados – quanto às amêijoas que custou 10 libras, acho que foi um valor justo. Afinal estamos a falar de marisco. Quanto ao prato principal cada um custou 16.95 libras o que para aquilo que comemos não foi um bom valor. Mas pronto, o jantar pode ser considerado como um ‘feito’ naquela que é a experiência gastronómica mais turística em Whitby. E afinal é certo que este lugar tem um valor histórico para a cidade. Para além de que há sempre a possibilidade de termos vindo num dia mau para este restaurante.

Para ver mais sobre este restaurante vejam o website oficial: Magpie Café.

Próximo post

Para o próximo post vamos falar do nosso quarto dia desta road trip que contou com mais dois trilhos em North York Moors e desta vez com cascatas pelo caminho. Também ficámos a conhecer a estação de comboios onde foi filmado Harry Potter com direito a uma pausa para uma bebida quente e uma fatia de bolo.

No meio do fim-de-semana gótico em Whitby

Índice deste post

  1. Último post em Norfolk
  2. Sandsend
  3. Whitby
    1. Whitby’s Abbey
    2. St Mary’s church e os 199 steps
    3. Gothic weekend
    4. Whitby Brewery
  4. Check-in no The Witching Post Inn em Egton
  5. Próximo post

Último post em Norfolk

O último post foi o primeiro da road trip que fizemos em novembro, altura em que visitámos três zonas de Inglaterra. Primeiro, falámos de Norfolk, mais em específico da costa onde se pode ver os leões marinhos no seu habitat natural durante todo o ano. No entanto é mais especial esta visita durante os meses de inverno, altura em que estes animais dão à costa para dar à luz. Só em 2024/2025 contou-se com mais de 3000 bebés leões marinhos a nascerem em Norfolk. Falámos também de St Mary’s Lodge Bed & Breakfast onde ficámos instalados por uma noite antes de irmos para Yorkshire. Hoje vamos falar da segunda parte da viagem, a costa de Yorkshire, visita essa que se revelou mais surpreendente do que esperávamos.

Sandsend

Chegámos a esta pequena vila pecuária depois de 4 horas a conduzir de King’s Lynn, perto de Norfolk. Estacionámos na estrada principal antes mesmo de chegar ao centro da vila, parque esse que durante os meses de inverno é gratuito. Viemos a Sandsend por duas razões, para ver a parte da praia e da falésia e para irmos até a um pub que me tinha sido aconselhado por um colega.

Praia de Sandsend

Sandsend fica a cerca de 5km da cidade mais próxima, Whitby, sendo possível fazer o caminho a pé entre ambas. O percurso pode ser feito pela praia, se a maré estiver baixa, ou então pela estrada. Se o tempo estivesse melhor talvez tivéssemos sido tentados a fazer pelo menos parte do caminho, mas como o tempo não estava grande coisa ficámo-nos por Sandsend. Andámos pela praia até junto à falésia, mas como a maré estava a encher decidimos ir para o pub, o The Hart Inn, e beber qualquer coisa. Ficámos um bocado à conversa sentados na esplanada, antes de seguirmos caminho até Whitby.

Sandsend, Yorkshire

Acabámos por não ficar muito tempo em Sandsend mas também é preciso ter em consideração que já tínhamos chegado a esta vila perto da 1 da tarde. Como ainda queríamos ir até Whitby e visitar a abadia não pudemos ficar aqui durante muito tempo.  No entanto, mesmo assim conseguimos ficar a conhecer um pouco desta pitoresca vila de pescadores.

Whitby

As ruínas da abadia de Whitby

Chegámos a Whitby perto das 3 horas da tarde. Estacionámos o carro ao pé da Whitby Abbey (abadia) para visitarmos tantos as ruínas como o museu. Não deixámos o carro no estacionamento oficial já que este era pago, deixámo-lo antes estacionado numa das ruas ali perto onde era gratuito. Para visitar as ruínas aconselho a comprarem o bilhete online já que assim têm um desconto de 15%. O website oficial da Whitby Abbey, onde se pode adquirir os bilhetes é o seguinte: Whitby Abbey

Whitby’s Abbey

Hoje em dia o mosteiro do século VII encontra-se em ruínas, mas não deixa de ser um majestoso lugar para visitar. A história desde mosteiro começa em 657 quando a abadessa Hild fundou o mosteiro nas terras doadas pelo Rei Oswiu. No ano de 664, os líderes da Igreja reuniram-se aqui para o Synod de Whitby, uma reunião organizada para decidir a data da Páscoa. Foi durante esta reunião que se determinou seguir as prácticas romanas em vez das célticas, o que moldou a direcção da igreja em Inglaterra pela história. A Abadessa Hild morreu em 680 e pouco depois começou a ser venerada como uma santa.

Whitby Abbey

Este mosteiro foi abandonado em meados do século IX até que Reinfrid, soldado normando, se estabeleceu aqui nas ruínas do mosteiro. Em 1109, a comunidade adoptou a Regra de St Benedict (São Bento). A nova igreja era dedicada tanto a St Peter como a St Hild. Os monges viveram aqui até a supressão da abadia pelo rei Henrique VIII em 1539.

Para além da visita às ruínas também se pode visitar o museu que fica no mesmo recinto da abadia onde vários objectos da história de Whitby estão em exposição como cruzes anglo-saxónicas, manuscritos dos tempo medievais e até uma cópia rara e assinada por Bram Stoker, o autor do famoso livro Drácula.

Uma das partes culturais importantes que moldaram a cidade de Whitby foram as lendas e mitos associados a ela. Um exemplo é a história de St Hild. De acordo com a história, St Hild conseguiu remover as cobras que assombravam as falésias de Whitby. Ao fazê-lo foi homenageada por gansos que voavam sobre a sua cabeça enquanto os sinos perdidos da abadia ressoavam no fundo do mar.

St Mary’s church e os 199 steps

Mesmo ao lado da abadia encontrámos a igreja de St Mary erguida em 1110 rodeada pelas campas antigas do cemitério. Ao passar por este local fomos de encontro a outro ponto de interesse em Whitby, a escadaria dos 199 degraus (199 steps) também conhecida como as escadas da igreja (church stairs). Acho que não vale a pena dizer que há mesmo 199 degraus e posso confirmá-la pois fiz o caminho tanto para baixo como para cima. Apesar de haver algum debate sobre quantos degraus de facto existem.

St Mary’s church (igreja de St Mary) em Whitby

Toda esta parte das ruínas da abadia sobre as falésias imponentes, mais a igreja rodeada pelas lápides antigas e degradadas formaram na mente de Bram Stoker o cenário perfeito para o seu livro, o Drácula. Algumas das lápides deste cemitério erguem-se sobre túmulos vazios assinalando pescadores cujos corpos não voltaram a terra depois de partirem nas suas viagens. Os nomes destes túmulos foram significativos para o livro incluindo ‘Swales’ nome esse que Bram usou para a primeira vítima do Drácula. Para quem quer ler um pouco mais sobre a experiência de Bram Stoker em Whitby e como esta cidade inspirou o livro cliquem em: Drácula em Whitby

Vista de Whitby do topo dos 199 degraus

Ao passarmos pela igreja e pelo cemitério foi quando começámos a falar abertamente sobre a forma como algumas pessoas estavam vestidas. Já tínhamos reparado que havia algo ‘fora do comum’ na abadia. Havia pessoas mascaradas, no entanto o que chamou mais a atenção foi que a maioria usava roupa e maquilhagem de estilo gótico. E isto intensificou-se quando estivemos perto do cemitério. Não pensem que comentámos em tom de crítica, mas sim de curiosidade pelo grande número de pessoas que assim estavam vestidas. E foi enquanto descíamos os 199 degraus depois de pararmos um pouco para apreciar a bonita vista da cidade que descobrimos que tínhamos vindo visitar Whitby exactamente a meio do Gothic weekend (fim-de-semana gótico). Foi sem querer, mas adorei a coincidência, porque já tinha ouvido falar deste evento e puder estar ali ao vivo era uma oportunidade fantástica.  

Gothic weekend

Para quem nunca ouviu falar, o Gothic weekend acontece duas vezes por ano, em abril e no fim de outubro/inícios de novembro. Exactamente no fim-de-semana em novembro que viemos a Whitby!

O Gothic weekend começou em 1994. O incrível é que isto começou com um anúncio numa revista de música, a New Musical Express, de formar a chamar pessoas que tivessem interesses comuns e fossem apaixonadas pela cultura gótica. Em vez de isto ser um encontro de 15 amigos que se comunicavam através de cartas, os chamados pen-friends, foi antes um encontro gigantesco que contou com cerca de 200 pessoas. A partir desse primeiro fim-de-semana, o Gothic weekend adquiriu enormes proporções e hoje para além de acontecer duas vezes por ano, a cidade recebe visitantes com imensos eventos musicais, culturais e artísticos. Sempre a celebrar o gótico. E é impossível escapar ao ambiente que transforma completamente a cidade. E eu sei isto porque voltei a Whitby nesta mesma viagem quando o fim-de-semana gótico tinha terminado e a vibe da cidade era completamente diferente. Se me perguntarem se é melhor vir em abril ou em novembro, eu pessoalmente como ‘turista’ e não aficionada do gótico diria novembro. Não só temos nesta altura a adição do Halloween como os dias são mais curtos e mais frios, criando um ambiente mais aberto à imaginação. Se também estiverem interessados em conhecer esta parte cultural de Whitby vejam: Website oficial do Gothic weekend.

Church Street em Whitby

Continuando com a nossa tarde em Whitby, depois de descermos os 199 degraus andámos pelas bonitas ruas empedradas da cidade acabando por passar a ponte sobre o rio Esk. A nossa ideia era ver se era possível jantar no famoso Magpie Café. No entanto, quando chegámos à porta estava uma grande fila por isso o nosso plano foi imediatamente alterado. Faríamos uma reserva para o dia seguinte no Magpie Café para comer o famoso fish and chips (peixe frito com batatas fritas). Para não me adiantar muito vou apenas dizer que apesar da fama do restaurante esta não foi a melhor refeição da viagem.

Cais de Whitby

Antes de atravessarmos novamente a ponte e subir os 199 degraus ainda fomos a um pequeno jardim com uma belíssima vista sobre o cais de Whitby acompanhado no cimo da falésia pelas ruínas da abadia. Neste pequeno jardim também encontrámos outros dois pontos de interesse, os arcos feitos de osso de baleia (maxilar) – Whalebone Arch, e o Memorial ao Capitão Cook – Captain Cook Memorial.

Whitby Brewery

Como não íamos jantar ao Magpie Café decidimos comer qualquer coisa na Whitby Brewery (cervejaria de Whitby). Este local também tinha sido recomendado por um colega devido à variedade de cervejas que aqui são feitas. A Whitby Brewery fica no topo dos 199 degraus mesmo de frente às ruínas da abadia. Tanto é que sentados nas mesas do pátio podíamos continuar a admirá-las.

Whitby Brewery

Esta cervejaria é recente, tendo começado em 2013. Em 2016, devido à popularidade e crescimento da empresa mudaram-se para aqui, onde estão actualmente, uma vez que as dimensões da propriedade eram maiores. Quando chegámos à Whitby Brewery o local já estava bastante apinhado até porque estava para começar um concerto de música ao vivo. Não sei dizer se a música ao vivo é algo normal neste estabelecimento ou era apenas parte do Gothic weekend. Pedimos as nossas cervejas e não tendo sítio para nos sentarmos na parte interior viemos então para o pátio onde ainda havia várias mesas disponíveis.

Pizza e cerveja da cervejaria de Whitby

Para acompanhar a cerveja também pedimos uma pizza, a Prosciutto para dividir entre nós os dois. As pizzas do Whitby Brewery são feitas a forno de lenha e o serviço decorre todos os dias entre a 1 e as 7 da tarde. A única parte menos boa que talvez seja importante mencionar é que não há estacionamento nesta cervejaria, no entanto há estacionamento nas ruas ali à volta (que como disse acima foi a nossa opção quando chegámos para visitar a abadia). Estivemos por aqui durante cerca de 1 hora, até às 6 da tarde. Acabámos por não ficar mais tempo por duas razões; estava a arrefecer bastante para estarmos sentados na rua e ainda tínhamos de fazer o check-in em Egton, a vila onde íamos ficar nas próximas 3 noites.

Para visitar o website oficial da cervejaria cliquem em: Whitby brewery

Check-in no The Witching Post Inn em Egton

A distância entre Whitby e Egton é de 12km o que de carro leva cerca de 15 minutos. Para nós, Egton foi o ponto perfeito para a viagem, perto o suficiente da costa, mas já dentro do parque nacional, o qual queríamos explorar nos dias seguintes. Chegámos a este pub/pousada já era noite cerrada e fomos recebidos num ambiente bastante acolhedor. Recebemos as chaves do quarto que ficava no primeiro andar, acima do pub. Não tenho nada de mau a apontar sobre o nosso quarto, mas depois da experiência que tínhamos vivido em Whitby, se nos tivessem sugerido que o quarto era assombrado não tínhamos duvidado. Talvez um bocadinho. Mas nunca vimos nada durante a nossa estadia. A parte mais aterradora era mesmo a possibilidade de bater com a cabeça na rampa que subia para a casa-de-banho se não fôssemos com cuidado. No total The Witching Post Inn tem 3 quartos disponíveis para alugar, mas aviso que este lugar costuma estar lotado. E não é de admirar nós adorámos o local tanto devido à localização como a forma como fomos recebidos e tratados. No final já conhecíamos a história do dono, a história do pub, os problemas da vila e as practicalidades de viver em Egton. E mesmo depois de meses de termos feito esta viagem ainda falamos imenso em voltar a Egton, o que faremos assim que a oportunidade surja.

Como tínhamos comido a pizza na cervejaria em Whitby e não havia muita fome acabámos por fazer o mesmo para jantar, pedimos uma pizza do menu para partilhar. Das 4 opções disponíveis escolhemos a hotshot que se confirmou ser bastante picante (hot = picante). Durante o jantar verificámos que as primeiras aparências com que ficámos do The Witching Post Inn estavam certas – um pub local com um ambiente informal e acolhedor, onde todos se conhecem.

Antes de acabar este primeiro dia em Yorkshire, vou só falar da história deste pub: Em 1704 esta pousada fazia parte de uma quinta que incluía uma cervejaria. A cerveja que era aqui produzida tinha o objectivo de fornecer líquidos e calorias aos trabalhadores da quinta uma vez que o sistema de água era bastante abaixo dos padrões de higiene sanitária. Em 2012 a pousada que na altura se chamava Ye Old Horshoe encerrou e voltou a abrir em 2017 com um novo nome, The Witching Post Inn. Este nome foi escolhido devido ao ‘witch post’ (poste das bruxas) que se encontra à entrada do pub, o qual foi esculpido em madeira e posteriormente benzido por um padre.

Os ‘witch post’ são oriundos da época medieval e tradicionais desta zona do país, North York Moors, pois acreditava-se que estes postes protegiam as casas da entrada indesejada de bruxas. A história associada a este local por coincidência espelhou toda a experiência que estávamos a ter naquele dia com o fim-de-semana do Halloween (Dia das Bruxas) e da celebração gótica em Whitby.

O website oficial deste pub/pousada pode ser acedido em: The Witching Post Inn

Próximo post

Para a próxima semana vamos falar do pequeno-almoço que comemos no pub na manhã seguinte, dos dois primeiros trilhos que fizemos no parque nacional de North York Moors acabando o dia numa pitoresca vila com direito a experimentar um bolo típico.

Visitar Norfolk, Inglaterra, em Novembro

Índice deste post

  1. Viajar em Novembro
  2. Norfolk
    1. Horsey Gap
    2. Blakeney
    3. Morston Quay
      1. Two Magpies Bakery
      2. Norfolk Coast Path
  3. King’s Lynn
    1. St Mary’s Lodge Bed & Breakfast
    2. Jack’s at Woodlakes
  4. Final do primeiro dia da road trip

Viajar em Novembro

Para muitos, os meses de Inverno são os que têm menos piada. Há ali um pico no final de dezembro com o Natal e o Ano Novo, mas em geral são meses aborrecidos. Mas não para nós. Os nossos aniversários calham exactamente nestes meses, um em novembro e outro em janeiro. E isso significa que tiramos sempre férias durante os meses de inverno. Por vezes significa não encontrar o tempo que mais gostaríamos, um do exemplo foi a viagem a Nápoles, que devido ao mau tempo não pudemos subir ao vulcão Vesúvio. Mas em outras vezes viajar durante estes meses mais enfadonhos é a altura certa. E foi o que aconteceu nesta road trip de 5 dias por 3 partes diferentes de Inglaterra – a costa de Norfolk, a costa e o parque nacional de Yorkshire e a cidade de Leeds. Para cada local que visitámos e para o que queríamos ver em cada o início de novembro era a altura ideal.

Norfolk

Com este post abrimos assim esta viagem que começou em Norfolk. Para viajar usamos o nosso próprio carro e para quem não tem carro aconselho a alugarem um. Penso que é possível fazer esta viagem de transportes públicos, mas infelizmente a minha experiência com os comboios em Inglaterra é péssima e tanto pode correr tudo às mil maravilhas como pode acabar no meio de cancelamentos e longos atrasos. O melhor é mesmo ter um carro, especialmente para uma liberdade de horários e fácil acesso a locais mais remotos.

Agora porquê Norfolk e onde fica em Inglaterra?

Norfolk fica a nordeste de Londres, acima de Cambridge. A parte da costa desta região é a parte que fica mais a Este de Inglaterra e a cidade mais conhecida é Norwich. Nós não visitámos as cidades porque o nosso objectivo principal era visitar as praias, especialmente Horsey Gap e Blakeney. E a razão? Para ver os leões marinhos e os seus bebés!

Há vários pontos do país onde se podem ver estes engraçados animais, não apenas em Norfolk. No entanto esta é uma das zonas mais conhecidas. Eu fiquei a saber sobre isto porque uma das minhas colegas de trabalho vai todos os anos a Norfolk visitar os leões marinhos durante o inverno. As focas podem ser vistas durante todo o ano, mas nos meses de inverno é quando há uma grande afluência aos areais das praias para darem à luz. E é por isso que entre novembro até fevereiro é a altura ideal para ver os leões marinhos bebés. Esta experiência é 10 vezes melhor do que ir a qualquer jardim zoológico.

Durante esta altura há uma maior preocupação em manter o ambiente natural para que as focas não sofram perturbações causadas pelos humanos. Portanto, durante os meses de inverno é proibido ir até ao areal das praias e ver de perto os leões marinhos o que penso que vai deixar muita gente desapontada. Mas acreditem que não faz bem nenhum a estes animais terem uma selfie delas e das vossas caras de parvos nas redes sociais. Aliás qualquer interacção humana pode resultar na morte de um dos bebés. Para evitar qualquer tipo de comportamento humano desrespeitoso há várias patrulhas de voluntários nos locais mais conhecidos.

Então depois de explicada a razão para a viagem e de dar um sermão, passamos ao dia em si.

Horsey Gap

Saímos de Watford de manhã cedo para o primeiro trecho da viagem de quase 215 quilómetros. Esta parte da viagem demorou quase 3 horas até chegarmos a Horsey Gap, onde o parque de estacionamento pago fica a 100 metros das dunas. O parque de estacionamento está aberto das 8 da manhã até às 6 da tarde e custa 4 libras por 2 horas, 6.20 por 4 horas e 8.50 libras pelo dia todo.

Colónia de leões marinhos em Horsey Gap, Norfolk

Quando chegámos, o parque de estacionamento já estava bastante cheio e havia várias pessoas a andar por ali e até uma banca com dois voluntários que tentavam angariar fundos para a protecção dos leões marinhos. Seguimos pelo caminho sinalizado que sobe pelas dunas e em menos que nada víamos a primeira colónia de leões marinhos. Os leões marinhos desta região chamam-se os leões marinhos cinzentos (Grey Seals) também conhecidos por Atlantic Grey Seals ou Horsehead Grey Seals.

Como disse acima não se pode descer até às praias, mas pode-se continuar pelo trilho que segue junto às dunas. A cada poucos metros fomos encontrando mais e mais leões marinhos. E foi um espetáculo tão fofinho a ver os pequenitos aos saltitos. Para terem uma noção da enormidade deste evento entre 2024 e 2025 nasceram mais de 3000 leões marinhos na costa de Norfolk!

Estivemos aqui durante uma hora a passear e a ver com todo o prazer os leões marinhos. Foi uma espécie de sonho concretizado. E fica já aqui o spoiler que voltámos a ver estes animais, mas noutro dia e noutra localização do país.

Blakeney

Morston Quay

Tinha lido que Blakeney Point era um dos melhores locais para os ver leões-marinhos e para tal o mais fácil era fazer uma viagem de barco a partir de Morston Quay. Infelizmente quando chegámos ao parque de estacionamento em Morston Quay houve duas razões que nos fez não ficar. Em primeiro lugar o estacionamento era pago e não era assim muito barato. Para além disso só aceitavam o pagamento em dinheiro vivo, o que nós não tínhamos. Ponto número dois foi estar tudo muito parado nesta zona, mesmo o centro de visitantes estava fechado, parecendo mais um campo baldio no meio do nada.

Two Magpies Bakery

Fomos então até Blakeney, podia ser que daqui conseguíssemos ver alguma coisa. Aviso desde já que vimos algumas coisas, mas não leões marinhos. Deixámos o carro no Blakeney Carnser car park, o qual apesar de também ser pago era bem mais barato – 3 libras pelo dia inteiro e dava para pagar com cartão. Como chegámos às 3 e meia, antes de irmos em direcção à costa fomos ainda comer qualquer coisa. E nem mais, mesmo em frente ao parque de estacionamento tínhamos a Two Magpies Bakery.

O difícil foi escolher o que queríamos comer, mas lá conseguimos terminar esta tarefa difícil e em menos de nada voltávamos a sair munidos de café, de uma sandes croque monsieur e de um folhado ‘spiced moroccan roll’. E claro não conseguimos fugir à tentação por isso também trazíamos uma fatia de bolo que apesar de delicioso não deu muito jeito para comer enquanto andávamos. Ou seja, a dica que fica aqui é que antes de irem para o carro passem novamente nesta pastelaria para comer o bolo.

Fica aqui a página de Instagram da Two Magpies Bakery: https://www.instagram.com/2magpiesbakery/

Norfolk Coast Path

O caminho que acabámos por fazer foi aquele que segue pela Norfolk Coast Path. Primeiro vai em direcção ao mar, mas nunca chega ao pé da praia devido ao rio Glaven que separa este trilho da praia. O trilho que fizemos foi circular, acabando a parte de terra perto da cidade Clay next the Sea e que depois segue pela estrada alcatroada de novo para Blakeney.

O caminho que queríamos ter feito era o que está marcado a preto no mapa abaixo, mas o que acabámos por fazer foi o circular marcado com umas manchas espaçadas verdes escuras (‘French Marshes’ fica no meio’ deste trilho, perto do ponto 1). Por isso como podem ver não tivemos nem perto do que era suposto fazermos.

Mapa da página oficial do National Trust: Blakeney Point coastal walk

Para mais informações sobre Blakeney National Nature Reserve cliquem em: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/norfolk/blakeney-national-nature-reserve

Para ver sobre as viagens de barco para observação de leões marinhos e possíveis reservas cliquem em: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/norfolk/blakeney-national-nature-reserve/seal-watching-at-blakeney-point

Para verem os detalhes do percurso do mapa acima, cliquem em: https://www.nationaltrust.org.uk/visit/norfolk/blakeney-national-nature-reserve/blakeney-point-coastal-walk

Pelo caminho para o carro, agora já na estrada alcatroada, passámos pela igreja de São Nicolau (St Nichola’s Church) que como estava a anoitecer usámos como um ponto de referência. Apesar de nesta altura ainda serem 5 horas da tarde, a noite já se punha e quando chegámos ao parque de estacionamento em Blakeney já era noite cerrada.

Igreja de São Nicolau

Aliás uma das piores coisas do inverno em Inglaterra especialmente depois da mudança da hora que acontece em finais de outubro, é o dia acabar ainda antes das 5 da tarde. Isto associado com a falta de sol, já que durante semanas seguidas ele não se vê, faz com que algumas pessoas sofram de depressão sazonal. E apesar de eu nunca ter sido diagnosticada com tal, sinto uma grande diferença no humor, na energia, no bem-estar. E é por isso que ultimamente tenho escolhido locais com uma maior probabilidade de ter algum sol de inverno quando viajamos em janeiro, como foi sul de Espanha em 2025. Mas, felizmente tenho tido sorte, porque mesmo quando viajámos até à Escócia e a York em janeiro, na maior parte do tempo o sol brilhou num bonito céu azul sem nuvens.

Mas não foi o que aconteceu nesta semana em novembro, pois apesar de não termos apanhado chuva não vimos o sol nem sequer um dia. Algo que me deixou bastante desapontada, mas também sei que não há nada a fazer, é aceitar.

King’s Lynn

St Mary’s Lodge Bed & Breakfast

Como no dia a seguir o nosso destino era junto à costa de Yorkshire aproveitámos para ir já fazendo caminho. Foi esta a razão para escolhermos o alojamento perto de King’s Lynn em vez de passarmos a noite mais perto de Norwich ou mesmo de Blakeney Point.

O local escolhido foi o St Mary’s Lodge Bed & Breakfast. Chegámos perto das 7 da noite e fomos recebidos por um casal muito simpático. Depois das apresentações feitas, das informações prácticas dadas como o pequeno-almoço e como funcionavam as várias chaves e de mais umas palavras de boas-vindas foi nos entregue as chaves do quarto. O quarto não era muito grande, mas chegava-nos bem para passar a noite. E a melhor parte era que St Mary’s Lodge ficava numa zona bastante calma, sem carros, sem barulhos e incrivelmente sem vizinhos.

St Mary’s Lodge Bed & Breakfast

Antes de irmos para o quarto ainda pedimos uma recomendação a este casal de onde deveríamos jantar. Afinal nós não conhecíamos a zona e não há ninguém melhor para saber os melhores locais do que as pessoas que vivem ali. Assim depois de pormos as malas no quarto e nos instalarmos telefonámos para o restaurante sugerido a marcar uma mesa para dali a uma hora. Isso dava-nos algum tempo para descansar antes de termos de voltar a sair. E como o sistema de pequeno-almoço passava por escolher o que queríamos da lista apontando no papel que deveria ser entregue durante aquele serão, poderíamos fazê-lo antes de sair.

Passando já para o pequeno-almoço do dia seguinte, fomos recebidos no jardim de inverno (conservatory em inglês) onde uma mesa muito bem arranjada de frente para o jardim nos esperava.

O pequeno-almoço que tínhamos pedido no dia anterior chegou-nos pouco depois e gostámos imenso do salmão fumado e do pão frito. Eu sei que o pão frito não é a melhor opção para o coração, mas também só o comemos de vez em quando durante as férias.

Enquanto tomávamos o pequeno-almoço o casal ainda esteve um bocado a falar connosco sobre as férias, sobre a vida deles, de onde viveram e trabalharam, e como acabaram a escolher Norfolk para passar a sua reforma. Foi como tomar o pequeno-almoço com um casal amigos dos nossos avós.

E este pequeno-almoço foi o fecho perfeito do nosso tempo em Norfolk.

Pequeno almoço no St Mary’s Lodge bed and breakfast

Avisos

  1. A página do booking.com para este estabelecimento pode ser acedida aqui, no entanto não sei se é ainda possível fazer marcações. Eu fiz uma pesquisa de datas disponíveis até meados de 2026 e não havia nenhuma. No entanto, há imensas opções de alojamento em King’s Lynn (ver aqui)
  2. Outro aviso é que no Google Maps o St Mary’s Lodge Bed & Breakfast não está bem assinalado. Em comparação ao local assinalado no Google Maps esta casa fica mais a norte numa curva da church road quase a chegar à igreja Wiggenhall St Mary the Virgin.

Jack’s at Woodlakes

Este foi o restaurante que nos foi recomendado tendo ao mesmo tempo sido aconselhado a telefonar primeiro para saber se ainda havia alguma mesa livre. Ao que parece este é um local bastante popular da região.

Woodlakes Leisure Park

O restaurante fica dentro de um parque de férias, o Woodlands Leisure Park, que não é bem um parque de campismo, pois em vez de tendas o que há são casinhas pequenas de madeira algumas com jacuzzi no jardim. Descobrimos isto durante o pequeno passeio que demos depois do jantar. Este também pode ser uma opção para alojamento, no entanto parece-me que é um bocadinho mais caro do que o Lodge onde ficámos.

Para quem quiser dar uma vista de olhos ao Woodlakes Leisure Park deixo aqui o link: https://livretreats.com/location/woodlakes-retreat-norfolk

Quando chegámos o restaurante estava super animado e sim, bastante concorrido, quase todas as mesas cheias e os empregados a andarem de um lado para o outro. O menu era bastante parecido com o de pub e depois de alguns momentos de indecisão pedimos um dos hambúrgueres do menu do dia, o ‘Triple Oink Burger’, com hambúrguer de porco, bacon e carne de porco desfiada com molho barbecue.

O nosso jantar em Jack’s at Woodlakes

Gostava muito de dizer que a comida tinha sido muito boa, mas a verdade é que os hambúrgueres estavam bastante secos. Achámos também que os preços eram um bocadinho elevados, mas não ao ponto de nos incomodar. Aliás se voltar a Norfolk de maneira nenhuma descartarei a oportunidade de cá voltar.

O website oficial do Jacks at Woodlakes pode ser acedido em: https://www.jacksatwoodlakes.co.uk/

Final do primeiro dia da road trip

Com o final do pequeno-almoço no St Mary’s Lodge Bed & Breakfast estava na hora de nos fazermos à estrada em direcção à costa de Yorkshire. Para primeiro dia não podia ter sido melhor, a experiência de ver os leões marinhos no seu habitat natural foi algo bastante especial

No entanto muito mais coisas inesperadas estavam para acontecer nos dias seguintes. E disso falaremos nas próximas semanas.

Campo de tulipas perto de Londres

Índice nesta página

  1. Tulley’s Farm
  2. Tulips Fields em Hertfordshire
  3. Links para os eventos da Tulley’s Farm

Curiosamente nos últimos anos, durante a Primavera, acabamos por ir a diferentes locais para ver tulipas – começámos em 2023 na Holanda com Keukenhof, já em 2024 foi no Reino Unido em Hampton Court Palace e em 2025 no Tulley’s Tulip Fields. E é sobre este último que vamos falar neste post. Para ver sobre a nossa visita na Holanda ou em Hampton Court Palace, cliquem na relevante caixa abaixo.

Tulley’s Farm tal como o nome indica é a quinta da família Tulley. A quinta principal fica a cerca de 50 Km a sul do centro de Londres, sendo possível chegar aqui de transportes públicos em uma hora. A quinta para além de ser isso mesmo, uma quinta, também é um local para eventos. Tulley’s Farm organiza alguns eventos que decorrem todo o ano e outros que são sazonais e por isso acontecem em alturas específicas. Nestes eventos também costuma haver certas barraquinhas a vender comida e productos locais.

A entrada para o Tulip Fields em Hertfordshire

Alguns destes eventos oferecidos pela Tulley’s Farm são:

  • Escape rooms (que em português se chama sala de fuga ou escape game) – estão disponíveis todos o ano
  • Pumpkin Festival – que decorre em setembro e em outubro quando os campos estão recheados de abóboras. Durante este evento há a oportunidade de esculpir uma abóbora, aproveitar o bar com bebidas feitas de abóbora, ou então entrar para a roda gigante
  • Shocktober Fest – este evento decorre em outubro e é o maior parque de terror da Europa com várias casas do horror para experimentar
  • Christmas Light Festival – depois do dia-das-bruxas, Tulley’s Farm torna-se numa vila de Natal resplandecente de luzes com 10 diferentes atracções incluindo música ao vivo. Este evento decorre desde o final de novembro até início de janeiro
  • Tulip Festival – em abril é a altura dos campos se colorirem com mais de 1.5 milhões de tulipas. Em 2025, devido à popularidade desde evento, a Tulley’s Farm plantou tulipas em outras duas localizações e por isso neste ano pela primeira vez abriu mais dois eventos – o Tulip Garden em Warwickshire e o Tulip Fields em Hertfordshire.

E foi no Tulip Fields em Hertfordshire que fomos em abril de 2025. E é desta visita que vou falar a seguir.

Escolhemos esta localização, em vez da quinta principal, por esta ficar a menos de 15 minutos de distância de onde vivemos, enquanto a quinta a sul de Londres ficava entre 1 hora e meia a 2 horas. A escolha, como devem calcular, foi fácil de fazer.

Um dos muitos locais destinados para tirar fotografias no Tulip Fields em Hertfordshire

Marcámos os bilhetes com apenas alguns dias de antecedência, mas eu recomendo fazerem-no com mais tempo, especialmente se não tiverem flexibilidade em relação aos dias que podem visitar os campos de tulipas. E isto vale ainda mais para os eventos que decorrem na quinta principal como por exemplo o Shocktober Fest. Os bilhetes custaram-nos 12.95 libras por pessoa e na compra tivemos também de escolher a hora de entrada. Nós marcámos para as 2 da tarde porque também como marcámos com pouca antecedência só havia duas escolhas ou às 2 da tarde ou às 10 da manhã. No entanto, quando se entra pode-se ficar o tempo que se quiser e eles põe um carimbo na mão, como em algumas discotecas, para se quisermos pudermos sair do recinto e depois voltar a entrar.

Tulipas no Tulip Fields em Hertfordshire

Para quem conduz, o parque de estacionamento é gratuito com a compra do bilhete. A única coisa a ter atenção em relação às horas é que eles avisam no website que não deixam entrar mais cedo do que a hora marcada no bilhete. Por isso se marcarem para as 6 da tarde não podem contar puder entrar às 3.

Pela nossa experiência há imenso estacionamento, o processo para entrar é rápido e quando chegámos não havia filas. Quando entrámos a primeira coisa que sobressaiu foi o moinho, imitando os tradicionais da Holanda e imensos locais para tirar fotografias. No website deste evento dizem que há 15 locais designados para tirar fotografias, mas a verdade é que qualquer canto é super pitoresco. Certamente uma das coisas que não faltou foram locais para tirar fotografias para as redes sociais, tanto que havia uma considerável quantidade de pessoas com vestidos a esvoaçar correndo entre as tulipas. Do outro lado estavam os namorados ou maridos com o telemóvel na mão a filmar. Enfim, coisas dos tempos de hoje.

Campo de tulipas em Hertfordshire

Agora quanto às tulipas, havia mais de 100 variedades e de acordo com o website do evento, durante todo o mês e pouco que este recinto está aberto ao público encontram-se tulipas em diferentes estágios, umas ainda por desabrochar até tulipas que já perderam as suas pétalas. Quanto mais próximo do final do festival de tulipas se vai maior é a probabilidade de ver as tulipas a chegar ao seu último estágio. Portanto, penso que a altura mais aconselhável para se ver as tulipas no seu ponto alto será entre o meio e a terceira semana de abril.  

Durante a nossa visita a este festival, demos várias voltas pelos corredores coloridos de flores que se estendiam pelo campo, reparando nos diferentes tipos de tulipas. Como o esperado, tirei dezenas de fotografias às diferentes tulipas de vários ângulos e usando todos os modos da minha câmara do telemóvel. Em seguida, fomos visitar os canteiros de flores que estavam mais perto da entrada antes de irmos comer qualquer coisa. Claro que esta enorme variedade de flores apenas podia criar um ambiente muito pitoresco. No entanto, confesso que pensava que o campo de tulipas fosse maior. Mas mesmo assim é um local muito bonito para passear durante umas horas.

Para comer eu já tinha escolhido o que queria ainda antes de sair de casa. Queria experimentar as panquecas pequeninas típicas dos Países Baixos, os Poffertjes. Fomos à barraquinha pedir 6 panquecas com molho kinder bueno e esfarelado de bolacha. Como não contámos que também levava açúcar em pó por cima, acabou por ficar bastante doce, se fosse agora tinha escolhido apenas com sumo de limão. Mas valeu a pena, foi como um mimo que ofereci a mim mesma. Enquanto comíamos sentados numa das mesas perto do moinho, reparámos nos dois rapazes que andavam a cantar e a tocar viola pelos vários corredores de flores. Por isso também havia música ao vivo, mas de uma forma menos convencional.

O que não experimentámos foram as bebidas do café, ainda fomos até à porta, mas curiosamente não vendiam bebidas alcoólicas e também não comprámos marshmallows para os cozinhar nas brasas que estavam a arder lentamente em duas casinhas de madeira.

No final passámos aqui 2 horas e meia entre tulipas, panquecas e bonitos locais para fotografias.

Para a Primavera de 2026, se vierem a Londres, escolham o local mais próximo da Tulley’s Farm para visitar o festival de tulipas. Se vierem a Londres mais para o fim do ano, não deixem de marcar bilhetes para os eventos de Outono ou de Inverno.

The Howl Scream Park, o parque dos horrores

Halloween em Inglaterra

O Halloween, também conhecido por Dia das Bruxas, tem uma enorme popularidade na América que de certa forma se tem espalhado, não em tão grande escala, pela Europa. Em Inglaterra durante o mês de outubro as lojas decoram-se com abóboras, verdadeiras ou de plástico, teias de aranha e máscaras de vários feitos e feitios. Também pelas ruas se encontram facilmente casas decoradas com fervor para a época e na noite de Halloween os miúdos (e graúdos) vestem-se a rigor para o ‘Trick or Treat’ (doçuras ou travessuras). Esta tradição emprestada de ir de casa em casa talvez não aconteça em todas zonas de Inglaterra, mas em geral por todo o país há pessoas a comemorar o Halloween.


The Howl Scream Park

Para os mais aficionados ou para os que gostam de ser assustados há outras atracções, por exemplo locais que se transformam em casas ou parques dos horrores. E há quem os visite ano após ano. Havia um local em particular que estava há alguns anos para visitar e finalmente fi-lo. Chama-se The Howl Scream Park a cerca de 40 milhas de Londres, em Leighton Buzzard, e é um dos locais mais procurados por esta altura do ano.

Entrada para o The Howl Scream Park

Neste momento, o parque tem 6 diferentes atracções cada qual com o seu tema:

  • The Full Moon Manor – labirinto com vários níveis dentro de um hotel, nova atracção de 2024
  • Red – floresta assombrada onde uma das personagens é um capuchinho vermelho demoníaco
  • Howl Valley High – escola secundária onde os actores representam estudantes, professores, equipa de futebol e a sua claque
  • The Shed – bacarrão onde uma rapariga pouco comum vive. Acho que neste é aquele onde as pessoas mais facilmente se podem perder
  • Squealers Yard – pelo caminho encontram-se várias mesas de talhantes e pedaços de carne pendurados
  • Noxious Alley – labirinto onde um cientista maluco que criou os seus próprios palhaços com produtos tóxicos, nova atraccção de 2024

Para além destas atracções também há vários locais onde comer e beber, música ao vivo e até um DJ. Pelo caminho vai-se encontrando vários actores mascarados a rigor que se metem com as pessoas. E quanto mais medo se mostra mais eles persistem na sua perseguição. É uma espécie de teatro de rua. Também a certas horas há um espectáculo, o Carnevil Cabaret, onde artistas mostram as suas habilidades com facas, chamas e muito mais.


A nossa experiência, preços e horários

Nós fomos com um casal de amigos que vem aqui todos os anos e que nos aconselharam sobre as melhores atracções uma vez que o nosso bilhete apenas dava para visitar 5 das 6 atracções. Por isso escolhemos não ir ao Howl Valley High. Os nossos bilhetes ficaram a 35 libras cada, mas o preço varia não só de acordo com as vezes que se quer visitar as atracções mas também nos dias em que se vai. A abertura do evento começa às 6 da tarde e fecha às 11 da noite. O parque de estacionamento é gratuito e há imenso espaço por isso não é um problema.

No final o que achámos?

Que a população em geral andava entre os 16 e os 20 e poucos anos. E que os preços da comida e da bebida eram excessivamente altos. Eu por 4 bebidas (alcoólicas) paguei quase 40 euros, e tudo porque também se paga o copo que é personalizado com o evento. O copo fica para nós mas vamos a ver é um copo de plástico. Mas no final eu pessoalmente gostei da experiência pois há muito que queria vir aqui, afinal todos os anos via os anúncios a aparecer. Para além que é algo diferente e giro para fazer nesta altura do ano. Mas se repetia? Não, pelo menos não aqui neste parque, acho que esta é uma daquelas experiências de apenas ‘uma vez na vida’. Mas isto é a nossa opinião, como disse há muitas pessoas que voltam aqui todos os anos. E em 2025 The Howl Scream Park ganhou o prémio como melhor evento no National Farm Attractions Network (Nfan).


A quinta no resto do ano

Durante o resto do ano este parque, ou melhor, a Open Mead Farm, é aquilo que o nome diz, uma quinta, com animais e até com várias actividades para os miúdos mais pequenos. Aqui em fevereiro vê-se o nascimento dos bezerros, em outubro o parque dos horrores. As atracções listadas acima são construídas dentro dos vários celeiros e barracões da quinta transformando-os em labirintos com jogos de luzes, fumo e actores mascarados que nos aparecem de repente à frente, a trás, de lado, de cima e de baixo. Para além dos vários ruídos e gritos que criam o ambiente certo para sustos e para levar as pessoas a perderem a sua orientação.

Mais informações sobre as duas diferentes vertentes deste local podem ser acedidas através dos seguintes links:

Se visitarem os dois websites vão-se aperceber da diferença que é, nem parece estarmos a falar do mesmo local.

E com isto desejo-vos um aterrador Halloween

Dos Dolomitas de volta ao aeroporto

Índice deste post

  1. Cencenighe Agordino 
  2. Lago del Mis
  3. Lago di Santa Croce
  4. Lago Morto
  5. Fossalta di Piave
  6. Aeroporto Marco Polo
  7. Conclusão da viagem

Hoje era o dia que deixaríamos os Dolomitas para trás. Tinha sido uma semana magnífica e sem dúvida os Dolomitas tinham ultrapassado todas as nossas expectativas. Para este último dia quisemos aproveitar a oportunidade para conhecer alguns dos sítios que ficam entre os Dolomitas e o aeroporto de Veneza. A visita a estes locais seria breve, mas provavelmente não os teríamos ficado a conhecer de outra forma. No total foram 5 paragens antes de chegarmos ao aeroporto e entregarmos o carro à Noleggiare (a companhia de aluguer de carros).

Cencenighe Agordino 

Esta paragem foi feita depois de conduzirmos por meia hora desde TEA San Pellegrino. Não houve uma razão específica para pararmos aqui sem ser termos achado esta vila (?aldeia) pitoresca. Deixámos o carro no Parcheggio Lago del Ghirlo que por sinal era gratuito e fomos em direcção ao centro. O que encontrámos em Cencenighe Agordino foi uma bonita vila rodeada por montanhas e acompanhada por um ribeiro. Como era Sábado, quando atravessámos uma das pontes que passam por cima do rio fomos dar ao mercado. Demos uma volta por ali a ver o que estava a ser vendido nos tendeiros indo depois até à igreja ‘Chiesa Parrocchiale di Sant’Antonio Abate’. A igreja infelizmente estava fechada por isso não pudemos visitá-la.

Cencenighe Agordino

Durante este passeio vimos uma pequena multidão no cruzamento principal de Cencenighe Agordino. Devia haver uma espécie de competição pois muita gente estava a sair dali de bicicleta. O mais curioso é que havia alguns que já iam bem tocados e outros iam agarrados às suas garrafas de cerveja enquanto pedalavam. Não sei que tipo de competição era aquela, mas não se podia dizer que não era animada.

Apesar do passeio ter sido breve gostámos bastante deste local e se ficarem em Belluno considerem antes ficar em Cencenighe Agordino do que na zona de Falcade.

Lago del Mis

Com uma condução de mais 40 minutos parámos no coração do parque nacional Dolomiti Bellunesi, no Lago del Mis. De todas as paragens que fizemos neste dia, esta foi a de que tive mais pena de não passar mais tempo a explorar. Estacionámos no parque de estacionamento ‘Parco naturale del Mis area parcheggio’ ao lado de um restaurante e café.

Lago del Mis

Fomos até à margem do lago onde várias pessoas descansavam e os mais aventureiros nadavam dentro das águas calmas. O tempo não estava assim grande coisa e passado uns 10 minutos, se tanto, começou a chover. Apesar da chuva não ter sido intensa acabámos por nos ir embora pouco tempo depois. Aproveitámos esta pausa para algo mais práctico, como ir à casa-de-banho, e foi nestas andanças que vi que dali se podia apanhar um trilho que entrava pela floresta adentro. A casa-de-banho foi bastante curiosa já que não havia sanitas apenas um buraco no chão.

Lago del Mis

Espero que no futuro tenha oportunidade de voltar ao parque nacional Dolomiti Bellunesi e explorar cascatas, trilhos e montanhas da zona.

Lago di Santa Croce

Do Lago del Mis até Farra d’Alpago foi practicamente uma hora a conduzir. E em Farra d’Alpago, ainda em Belluno, é onde fica o Lago di Santa Croce, a razão para esta paragem. O tempo a partir daqui começou a mudar e fomos apanhando cada vez mais calor até chegarmos ao aeroporto.

Praia da Farra

O estacionamento junto ao lago é pago, mas conseguimos encontrar um pequeno parque grátis que fica junto à ponte que passa sobre o ribeiro antes de chegar à vila. Este estacionamento não está sinalizado sendo muito fácil não se dar por ele. Fica no entanto aqui o aviso de que é preciso pagar o estacionamento ao pé da praia da Farra Enquanto ali estivemos vimos os carros a serem verificados várias vezes.

Antes de irmos até ao lago fomos passear pela vila, mas esta parecia deserta. Os restaurantes, cafés e padarias pareciam estar fechados e não se via vivalma. Isto mudou quando chegámos ao lago, mais especificamente à praia da Farra. Havia imenso pessoal deitado nas toalhas, ou a fazer windsurf (prancha e vela) ou kitesurf (prancha e parapente).

Praia da Farra

Nós como não estávamos vestidos para fazer praia ou qualquer tipo de desporto aquático ficámos um bom bocado sentados num dos bancos a conversar e a olhar para o lago.

Lago Morto

A menos de 10km para sul parávamos no último lago do dia, o Lago Morto. Este é um lago bem mais pequeno do que o Lago di Santa Croce, mas não menos importante. Como o tempo estava bom encontrámos um parque de estacionamento bastante concorrido. Havia pessoas a nadar no lago, outros sentados nas suas margens e ainda mais pessoas a fazerem como nós, sentados numa das mesas do Chiosco Paradiso by Bepy, um pequeno bar onde eram servidas bebidas e sandes.

De todo os lugares onde estivemos durante o dia, este foi onde passámos mais tempo. Pedimos duas rodadas de bebidas que incluíram cerveja, Midori Spritz e Hugo Spritz. Tivemos de nos ficar pelas duas bebidas pois ainda tínhamos um longo caminho até ao aeroporto. A meio pedimos uma sandes para dividir já que o jantar seria só no aeroporto.

Sugestão: estas três últimas paragens devem fazer parte do itinerário para quem quer ficar a conhecer a zona de Belluno e o parque nacional. Nós só visitámos estes locais de passagem, mas parece-me valer a pena incluí-los numa viagem a esta zona de Itália.

Fossalta di Piave

Esta foi uma paragem que aconteceu ao acaso e na verdade só aconteceu porque tínhamos algum tempo livre. Apesar das várias paragens chegámos a Fossalta di Piave às 6 da tarde. Como o nosso voo era só às 11 ainda tínhamos umas horas para nos entreter e escolhemos Fossalta di Piave por ser a cidade mais perto do aeroporto. Sem grandes planos saímos para um sol abrasador apesar de estarmos já a entrar no final de tarde. Deixámos o carro no parque de estacionamento grátis na rotunda em frente à torre ‘Monumento della Prima e Seconda Guerra Mondiale’. Esta torre foi uma inesperada surpresa pois é bastante parecida embora mais pequena com o famoso Campanário de São Marcos em Veneza. As parecenças na sua arquitectura não podem ser negadas (ver fotografias abaixo)

Já que aqui estávamos fomos visitar dois locais, o Battistero della Pace e a Ponte di barche Zamuner. Aproveitámos assim para passear um pouco pelas ruas desta cidade sem pressas e ao contrário do normal, sem expectativas.

O Battistero della Pace é um monumento que foi inaugurado em junho de 1983 e é dedicado à paz, tal como o seu nome indica. Este monumento é um memorial aos ‘Ragazzi del 99’ (em português: os rapazes de 99), expressão que se refere aos italianos que nasceram em 1899 e que foram convocados para a guerra em 1917 ao fazerem 18 anos. Penso que é possível visitar o interior deste memorial, mas à hora em que aqui estivemos encontrava-se fechado. Antes de voltarmos para trás fomos rapidamente ver a ponte flutuante privada construída em 1951, Ponte di barche Zamuner, que ainda hoje está em funcionamento e que requer o pagamento de uma taxa para atravessá-la.

Aeroporto Marco Polo

E assim chegávamos ao nosso destino. Depois de encontrarmos uma bomba de gasolina perto do aeroporto para enchermos o depósito do carro, de acordo com o contracto de aluguer, fomos entregá-lo à Noleggiare. Este é sempre um momento de alguma ansiedade. Não porque aconteceu alguma coisa ao carro, mas por causa das histórias que ouvimos e lemos de estragos causados anteriormente serem atribuídos na altura da entrega. Por isso é que nós no dia em que ficamos com o carro tiramos sempre bastantes fotos ainda antes de sairmos do aeroporto. Mas não houve problemas e a entrega do carro foi super rápida, recebendo a confirmação da devolução do depósito nesse mesmo dia.

Hambúrguer de pancetta e provola no Doppio Malto

Deixo esta viagem com o nosso jantar que foi bastante melhor do que o esperado. Escolhemos o restaurante da franchise Doppio Malto e acabámos por escolher hambúrgueres de pancetta e provola para jantar. Se procurarem sobre este local na internet aviso desde já que está mal avaliado, mas a nossa experiência não teve nada de errado. Arranjaram-nos mesa rapidamente, o serviço foi rápido com o nível de simpatia e atenção esperada e a comida era bastante boa.

Um de nós até disse que esta tinha sido uma das melhores refeições de toda a viagem – e isto é um grande elogio já que tivemos muito boas refeições. Mas bons hambúrgueres e boas batatas fritas que levaram ao final desta fantástica viagem.

Website oficial do Doppio Malto: https://www.doppiomalto.com/it/ristoranti/venezia/

Conclusão da viagem

Os Dolomitas era um dos locais que constava na nossa lista de viagens já há algum tempo. E não há dúvida que merecem toda a atenção que tem aumentado ao longo dos anos. Se íamos com imensas expectativas todas elas foram ultrapassadas pela positiva. Foram dias de constantes paisagens dignas de quadros; uma atrás da outra sendo a parte mais difícil a de não parar a cada 5 minutos para tirar fotografias.

O meu conselho: se tiverem oportunidade de fazer uma viagem aos Dolomitas façam-na, mas como tenho tido algumas vezes façam-na a vosso gosto, a vosso ritmo e tenham tempo para puder ver os locais com olhos de ver. Não interessa o que outros viram se mais se menos, aproveitem cada minuto da VOSSA viagem porque as memórias no final serão vossas. Porque se para nós esta viagem chegou ao fim, as memórias ficarão para sempre.

Falcade na província de Belluno, Dolomitas

Índice deste post

  1. TEA San Pellegrino
    1. Check-in
    2. Quarto
    3. Pequeno-almoço
    4. Opinião sincera
  2. Ristorante Pizzeria Rosa Nera
    1. Experiência desagrádavel em Terrazza-Bar L’Aivaz
    2. Restaurante-pizzeria Rosa Nera
  3. Próximo post

No último post

No último post falámos brevemente de como foi deixar San Cassiano e dos dois trilhos que fizemos durante este dia enquanto avançávamos para a parte sul dos Dolomitas. O trilho Croda da Lago foi um desafio com o qual não contávamos, mas as paisagens não deixaram de impressionar, enquanto que o trilho circular à volta do Lago d’Alleghe foi de baixa dificuldade e o melhor é que a paisagem não era de menor beleza.

Lago d’Alleghe

Hoje vamos falar de como foi chegar a Falcade na província de Belluno e a nossa experiência por estes lados. E depois deste post rapidamente chegaremos ao último dia desta viagem que contou com algumas paragens entre os Dolomitas e o aeroporto internacional de Veneza, o aeroporto Marco Polo.

TEA San Pellegrino

Check-in

A distância entre o Lago d’Alleghe e a nossa acomodação era de 14km e por isso a viagem foi de mais ou menos 20 minutos. Fizemos o check-in e durante este processo a recepcionista disse-nos com grande orgulho que a nossa reserva tinha tido um upgrade e que por isso ficaríamos num quarto com varanda. Eu claro agradeci. Mais tarde reparei que a maioria dos quartos tinham varanda, mas tenho a certeza de que havia quartos sem varanda. E a varanda deu-nos jeito. Por isso pronto, ponto positivo.

O nosso quarto em TEA San Pellegrino

Mas o engraçado foi a maneira como a recepcionista o disse, como se nos devêssemos sentir importantes pelo upgrade. Tivemos uma experiência semelhante em Veneza: enquanto a recepcionista nos mostrava o quarto onde íamos ficar parecia estar à espera de que ficássemos maravilhados. Aqui foi o mesmo não só no check-in, mas também no check-out, altura em que nos pediu para fazer uma review sobre o hotel. Não sei se as recepcionistas acreditam mesmo que os hotéis onde trabalham são dos melhores ou se são os contractos de trabalho que assim o obrigam. Ou se calhar somos nós que parecemos um casal que não sai muito de casa. Mas bem, neste caso não sei se ela quer mesmo que façamos uma review. Penso que não seria bem aquilo que ela esperava.

Quarto

Em relação ao quarto não há grande coisa a apontar. Um quarto básico com uma cama de casal e outra de solteiro, o espaço era razoável, não muito grande, mas também não muito pequeno. E sim a varanda deu-nos jeito para pormos algumas coisas a arejar durante um bocado. No entanto a vista do quarto não era nada de especial.

Vista da varanda do nosso quarto em TEA San Pellegrino

A única coisa mais chata que encontrei não só neste hotel, mas em outros onde ficámos em outras viagens foi o tampo da sanita. Incomoda-me imenso quase a chegar ao ódio quando as tampas das sanitas são demasiado pequenas para a sanita em si. Aquela sensação quando nos sentamos de plástico e louça na pele devo dizer que me repugna. Umas das minhas muitas peculiaridades eu sei, mas é assim tão difícil colocar o tamanho certo?

Pequeno-almoço

Daqui vou saltar no tempo e falar já do pequeno-almoço do dia seguinte. Então o pequeno-almoço era servido das 7 às 9 da manhã. Como hoje era um dia mais calmo para nós, sem trilhos no itinerário, pensámos que era uma boa ideia irmos tomar o pequeno-almoço às 8 e meia. Aproveitar e ficar mais um bocadinho na cama.

Agora imaginem o pequeno-almoço e comparem-no com o entusiástico check-in. Chegámos a uma sala quase vazia, um casal aqui mais dois rapazes que chegaram mais tarde. E o que havia para comer? Para quem gosta muito de doces e começa o dia a encher-se de açúcar, ia adorar. Agora para quem gosta de comer pão ou queijo ou fiambre ou mesmo uns cereais, que viesse mais cedo. Porque os pratos estavam lá, mas senão vazios, quase. Para além que desde que chegámos até nos irmos embora o empregado passou a maior do tempo a olhar para o relógio. É que para oferecer este tipo de serviço e estou a falar mais da comida do que do empregado, mais vale oferecerem o pequeno-almoço das 7 às 8. Ou pelo menos dizer que normalmente depois das 8 as escolhas do pequeno-almoço são reduzidas. Assim já ficávamos avisados.

Pequeno-almoço em TEA San Pellegrino

Opinião sincera

Agora, ficaria aqui novamente? Sinceramente penso que não. No entanto, deixo de qualquer forma os links para este alojamento mais abaixo. E também dou a mão à palmatória e reconheço que a minha opinião sobre TEA San Pellegrino pode estar condicionada pela fantástica experiência que tivemos no alojamento anterior em San Cassiano, na Pensione Edelweiss. Se calhar noutra situação eu tivesse visto este lugar com outros olhos e indo um pouco mais ao encontro do entusiasmo da recepcionista.

Website oficial do TEA San Pellegrino: https://www.teasanpellegrino.com/

Página do TEA San Pellegrino no Booking.com (que foi por onde nós fizemos a reserva): https://www.booking.com/hotel/it/ht-tea-san-pellegrino-dolomiti

Ristorante Pizzeria Rosa Nera

Agora fazendo rewind e voltando de novo ao final da nossa tarde. Depois de nos instalarmos no TEA San Pellegrino, fomos à procura de um restaurante onde pudéssemos jantar.

Experiência desagrádavel em Terrazza-Bar L’Aivaz

Como não havia grandes opções a uma distância que pudéssemos ir a pé voltámos a pegar no carro até uma das aldeias seguintes, Pie’ Falcade. Mas também não conduzimos por muito tempo e em menos de 5 minutos estávamos a estacionar junto ao Terrazza-Bar L’Aivaz com a intenção de jantarmos aqui. No Google este parecia ser um restaurante com comida local e para mais estava aberto. Contudo a experiência foi um pouco bizarra. De tal maneira que se lerem o título desta secção repararão que o nome do restaurante é diferente. Isto porque no final não foi aqui que jantámos.

Em Pie’ Falcade, Belluno

Afinal o que aconteceu? Quando chegámos havia várias mesas ocupadas na esplanada, mas pensámos que dentro do restaurante estaríamos mais confortáveis já que começava a arrefecer com o anoitecer. Quando entrámos o empregado que estava ao balcão olhou para nós e não disse palavra. Mesmo assim sentámo-nos numa das muitas mesas livres, mas passado poucos minutos apercebemo-nos de que os locais que estavam a beber ao balcão mais o empregado lançavam miradas na nossa direcção com algum desdém. É óbvio que nesta altura o ambiente era tudo menos confortável. Ainda olhámos para o menu, mas vimos que afinal a oferta variava entre sandes e uns snacks. A má vibe adicionada a um pobre menu e a sensação de sermos (e continuar a ser) ignorados fez com que nos decidíssemos ir embora.

Restaurante-pizzeria Rosa Nera

Quando fomos para o carro liguei para o restaurante-pizzeria Rosa Nera que confirmou não só que estavam abertos como tinham mesas livres. E a diferença no serviço notou-se mal entrámos. Talvez a pior parte seja o parque de estacionamento que basicamente é inexistente. Mas a atmosfera do restaurante foi muito mais acolhedora, mesmo com as mesas cheias de pessoas que pareciam ser residentes dali.  

Pizza ‘Miha’ do Ristorante Pizzeria Rosa Nera em Pie’ Falcade

Para comer seguimos a direcção da mesa do lado e pedimos uma pizza com batatas fritas e pancetta (pizza Miha) para dividirmos. E WOW, foi uma das melhores pizzas da viagem. Ficámos mesmo impressionados e só ficámos com pena de já termos pedido os pratos principais senão teríamos pedido mais pizzas para experimentar. As pizzas eram feitas no forno a lenha que se via da sala do restaurante. Não só nos admirámos com a qualidade da pizza como o facto de as batatas fritas ficarem ali tão bem!

Infelizmente não posso dizer o mesmo dos pratos principais. O meu marido pediu a cotoletta alla milanesa (costeleta de porco panada) com batatas fritas e eu para experimentar pedi formaggio Dobbiaco alla piastra que é uma espécie de bloco de queijo frito. A cotoletta alla milanesa, de acordo com o meu marido, estava boa, mas era um prato bastante simples. Quanto ao meu estava horrendo. Acho que nunca tinha comido um prato tão mau num restaurante. O queijo devia ter sido frito num óleo que já tinha sido muito usado e, portanto, queimado, dando um gosto extremamente amargo ao queijo. Foi uma das piores coisas que já comi na minha vida. Mas devia ser do óleo usado porque mais tarde vi uma senhora a comer o mesmo prato e não parecia queixar-se, bem pelo contrário.

Formaggio Dobbiaco alla Piastra do Ristorante Pizzeria Rosa Nera

Arrependo-me imenso que não tenhamos ficado pelas pizzas porque teríamos tido uma refeição deliciosa em vez de ficar com um amargo gosto na boca (literalmente). Ainda pedimos sobremesa e café para não acabar a refeição de maneira tão insatisfatória.

Uma das sobremesas do Ristorante Pizzeria Rosa Nera

Por isso, resumindo e concluindo, aconselho este restaurante pelas pizzas. E vale imenso a pena, são mesmo boas pizzas. Agora se quiserem tentar mais alguma coisa do menu já sabem, pode correr bem como pode correr mal.

O restaurante não tem website oficial, mas podem ver mais informações na página do TripAdvisor (ver aqui).

Chiesa Parrocchiale della Beata Vergine Maria Immacolata em Pie’ Falcade, Belluno

Quando saímos do restaurante e antes de voltarmos para TEA San Pellegrino ainda fomos dar uma volta ali pelas redondezas. A aldeia pareceu-nos bastante pacata tendo sido a igreja imponente, Chiesa Parrocchiale della Beata Vergine Maria Immacolata, o destaque do passeio.

Próximo post

O próximo post será o último desta semana nos Dolomitas a norte de Itália. Vamos falar dos 5 locais onde parámos durante o nosso percurso entre os Dolomitas e o aeroporto de Veneza e das últimas horas antes de voltarmos para casa.

Croda da Lago e Lago di Alleghe

Índice desta página

  1. Sair de San Cassiano
  2. Croda da Lago
  3. Passo Giau e Lago di Alleghe
  4. Próximo post (Falcade na província de Belluno)

Sair de San Cassiano

De check-out feito e malas no carro deixámos San Cassiano para trás. Tinham sido dias fantásticos e apesar de tudo ainda tínhamos aquele dia para explorar os Dolomitas. Hoje começaríamos a viajar em direcção ao sul já que no dia seguinte ao final da tarde teríamos de apanhar o nosso avião de volta para casa. Organizámos assim o final da viagem para no dia seguinte termos tempo para visitar sem pressas alguns pontos entre os Dolomitas e Veneza. O plano para hoje era de parar em pelo menos dois locais, Croda da Lago e Lago di Alleghe antes de fazermos o check-in no TEA San Pellegrino na província de Belluno.

Entrada para a vila Calfosch em Alta Badia

Durante a primeira parte do trajecto passámos pelas várias vilas que tínhamos ficado a conhecer nos últimos dias como San Cassiano, La Villa Stern, Corvada in Badia e Colfosch.

E admirámos pela última vez aquelas paisagens arrebatadoras às quais eu tentei tirar fotografias enquanto o marido conduzia. Algumas fotografias ficaram mais ou menos outras foram logo apagadas. Não sei se já tentaram tirar fotografias enquanto outra pessoa conduz, mas especialmente numa estrada com curvas e contracurvas não é uma tarefa assim tão fácil como parece à primeira vista.

Croda da Lago

Quando estivemos a preparar o itinerário para este dia estivemos indecisos entre dois trilhos, este que foi o escolhido, Croda da Lago ou o Lago di Sorapis. Como lemos que o trilho do Lago di Sorapis era difícil especialmente em algumas partes que eram a pique escolhemos então a Croda da Lago. Mas acreditem que este trilho também não foi pera doce.

Aliás acabou por ser mais difícil porque já nem estávamos preparados (mentalmente e fisicamente) para fazer um trilho com grandes desafios. Afinal o destino do trilho era o Lago Federa e como durante a viagem tínhamos visitado vários lagos e sem problemas de maior assumimos que o mesmo seria aqui.

Val Negra, ponto panorâmico no trilho Croda da Lago

Estacionámos o carro em Ponte de Ru Curto onde vários carros já ali estavam parados e onde começa o trilho Croda da Lago. O trilho que segue para o Lago Federa é o 437 o qual está indicado nas placas que se encontram neste parque de estacionamento. A primeira parte do trilho não foi muito difícil, começámos por descer até uma ponte de madeira que passa por cima do rio, e depois começámos a subir, mas nada de muito inclinado nos primeiros quilómetros. Contudo isto rapidamente mudou.

Para terem uma percepção do quanto é preciso subir deixámos o carro a uma altitude de cerca de 1700 metros enquanto o Lago Federa está a mais ou menos 2046 metros. E o lago nem é o ponto mais alto do percurso. Em algumas partes a subida era bastante inclinada de tal forma que quando chegámos ao ponto panorâmico Val Negra que fica a 2048 metros um de nós começou a ter a respiração ofegante e tonturas. Estivemos um bocado sentados ao pé deste ponto panorâmico, mas como a sensação de mal-estar não passava decidimos descer o trilho e não ir até ao Lago Federa. Apesar de já termos feito a maior e a pior parte do caminho e de não estarmos muito longe do lago (agora lendo novamente parece que estou meio ressabiada por não ter ido ao lago, mas até nem estou…muito 😅). Pensamos que estes sintomas apareceram por estarmos a altas altitudes sem termos dar tempo ao corpo para se acostumar a tal.

De Val Negra a 2048 metros de altitude

Mas viajar com alguém também é isto, principalmente neste tipo de viagens, onde andamos por trilhos no meio de montanhas e onde puxamos pelo corpo. Se um não está bem então ninguém está bem. Não vale a pena pedir mais a alguém que está com dificuldades. Eu já estive nos dois lados da moeda e sei como é importante perceber e aceitar tal como saber que a outra pessoa percebe e aceita que às vezes as coisas não vão de acordo com as expectativas. Mais ainda é perceber que um lago, uma paisagem, uma experiência não é tão importante como assegurar o bem-estar e a segurança da outra pessoa. Especialmente quando somos apenas nós os dois e, portanto, ambos temos a responsabilidade de cuidar um do outro. E claro que nesta situação voltámos para trás.

Início do trilho Croda da Lago

Mas não usem a nossa experiência como exemplo para decidir se fazem ou não este trilho. Aliás se pudéssemos faríamos novamente este trilho, mas desta vez teríamos roupa adequada para um trilho mais desafiador e subiríamos mais devagar para dar tempo ao corpo de se habituar à alta altitude.

Passo Giau e Lago di Alleghe

Mesmo não fazendo a Croda da Lago completa demorámos mais do que 2 horas desde o início até voltarmos ao carro. Quando chegámos foi tirar as malas dos ombros e seguir para o próximo destino, o Lago di Alleghe. No entanto, acabámos por parar pelo caminho em dois lugares; primeiro no ponto panorâmico do Passo Giau para ver bem aquela paisagem magnífica das montanhas e vales. A segunda paragem foi junto à Chiesa della Beata Vergine Maria delle Grazie, mas aviso já que não vale a pena anotarem esta última paragem. Nós pusemo-la no itinerário apenas porque aparecia como ponto de interesse no Google Maps, mas não foi nada de especial. Portanto, passagem e paragem no ponto panorâmico de Passo Giau são 100% obrigatórias, quanto à paragem na igreja não tanto.

Ponto panorâmico de Passo Giau

Acabámos por chegar ao Lago di Alleghe perto das 3 e meia. Estacionámos ao lado do Parque Centrale onde havia um pequeno parque exterior, este gratuito. E esta era a localização ideal parar parar no Alleghe Beach Chiosco Bar e sentarmo-nos à esplanada com vista para o lago.

O Lago di Alleghe não é um dos lagos mais conhecidos nos Dolomitas tanto que não era mencionado em nenhuma das fontes de onde tirámos ideias para esta viagem. E nós normalmente fazemos uma junção de ideias tiradas das redes sociais, websites e vídeos. Mas não, este lago não aparecia referido em nenhum lado, o que é uma pena.

Lago di Alleghe

Este lago apenas existe desde 1771 quando houve uma grande derrocada de terras no Monte Piz em janeiro desse ano. O lago formou-se porque as rochas e os detritos dessas derrocadas depositaram-se onde é hoje a aldeia de Masaré impedindo que as águas fluíssem. Infelizmente este desastre levou à morte de 49 pessoas e houve aldeias que desaparecem arrastadas e soterradas pelo deslizamento das terras. Hoje a aldeia e o lago formam uma pitoresca paisagem como mostram as fotografias. Curiosamente o lago que existe hoje é muito menor do que aquele que se formou inicialmente em 1771.

Esplanada do Alleghe Beach Chiosco Bar

Relativamente à nossa visita ao lago, depois de estarmos um bocado na esplanada quisemos dar um passeio ali em redor o que acabou por ser o trilho circular à volta do lago. Até porque é na outra margem onde a paisagem do lago, da aldeia e das altas montanhas do Monte Civetta é melhor. De tal forma que o ponto panorâmico fica na margem oposta à aldeia di Alleghe.

O trilho foi de cerca 5km e ao contrário da Croda da Lago, foi feito sem dificuldades. Apesar de terem ralhado connosco quando passámos pela Ponte Sospenso Cordevole para o outro lado do lago. Isto porque andavam em obras e não queriam ninguém a passar por ali. No entanto, havia outras pessoas a passarem a ponte na mesma altura e curiosamente não lhes disseram nada. Enfim! (suspiro resignado)

Ponto panorâmico do Lago di Alleghe

Considero este o primeiro sinal do dia a avisar-nos que estávamos numa parte diferente dos Dolomitas. Uma parte em que o turismo não é tão bem visto e o comportamento  dos locais um bocadinho menos afável.

Próximo post (Falcade na província de Belluno)

No próximo post vamos falar sobre a última noite nos Dolomitas – um novo alojamento, uma nova cidade, uma nova experiência. E com isto estaremos muito perto do final desta viagem.