Roteiro de viagem em Montenegro: Podgorica e Lago Skadar

Conteúdo desta página

  1. Em Podgorica
    1. Apartmentos Aerodrom
    2. Aluguel do carro
  2. No lago Skadar
    1. Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’
    2. Rijeka Crnojevića
    3. Segundo ponto panorâmico (não o planeado)
    4. Terceiro ponto panorâmico (também não o planeado)
    5. Virpazar
  3. No próximo post

No último post, o primeiro sobre Montenegro, falámos de algumas das particularidades que é visitar este país tal como de sugestões para melhor se estar preparado para ele. Neste post, começamos com a chegada a Montenegro e a primeira parte do primeiro dia desde o aeroporto de Podgorica onde fomos buscar o carro alugado – experiência essa da qual também vou falar – até ao Lago Skadar e as suas bonitas aldeias.

Em Podgorica

Aterrámos em Podgorica já depois das 9 da noite. Voámos com a Ryanair mas não à hora inicialmente marcada. A nossa ideia era chegar a Podgorica de manhã para aproveitarmos o dia, mas fomos informados pela Ryanair da mudança de horários umas semanas depois de marcarmos os bilhetes. Felizmente ainda não tínhamos marcado nenhum dos alojamentos ou esta alteração teria causado algum transtorno.

Aeroporto de Podgorica

O aeroporto de Podgorica é bastante pequeno e foi uma sorte não estar cheio quando chegámos. E muito menos encontrámos máquinas automáticas de leitura de passaportes. Recebemos o carimbo no passaporte à saída, o qual para nós foi uma surpresa, mas felizmente o processo passou-se sem grandes filas ou frustrações. Digo isto porque ainda antes de partir vi alguns vídeos de verdadeiro caos nos aeroportos de Montenegro durante o verão. O que pelo tamanho deste aeroporto é fácil de perceber o porquê.

Apartmentos Aerodrom

O alojamento daquela noite não ficava muito longe do aeroporto, mas como ainda era meia hora a andar e já era de noite cerrada para além do mais àquela hora não havia transportes públicos que nos valessem, aceitámos a proposta do alojamento – a de nos virem buscar ao aeroporto por 10 euros. Se foi caro, já que foi uma viagem de 5 minutos? Sim talvez foi, mas foi a melhor e mais rápida opção disponível.

Depois de fazermos o check-in e de ficarmos a saber que tínhamos pequeno-almoço incluído com a reserva, entrámos no nosso apartamento. O apartamento ficava num edifício individual com direito a uma pequena varanda e jardim. O apartamento era constituído por uma cozinha, uma casa-de-banho e pela cama na zona que fazia de quarto. Tudo muito limpo, remodelado, e bem decorado. Como tinha estado a chover, infelizmente não conseguimos dar um uso apropriado à zona exterior, mas da parte interior podemos dizer que era muito confortável. Esta é certamente uma das nossas recomendações para ficar em Podgorica.

Durante a noite a única parte que não esteve do meu agrado foi o frigorífico que fazia um barulho ensurdecedor, o que se resolveu com uma rápida manobra que consistiu em tirar a ficha da tomada. De resto, não tive queixas e na manhã seguinte bem cedo estávamos prontos para o pequeno-almoço no edifício do restaurante onde tínhamos feito o check-in na noite anterior.

O pequeno-almoço seguiu uma dieta mediterrânea com um pratinho de azeitonas verdes e sumarentas, fatias de queijo de cabra e omeletes que eu pedi de queijo e o meu marido de vegetais que dividimos entre os dois.

Aluguel do carro

Depois do pequeno-almoço e antes do check-out fomos buscar o carro alugado ao aeroporto. Como partimos antes das 8 e meia conseguimos ir buscar o carro e voltar antes da hora do check-out às 11. Assim evitámos andar com as malas atrás, porque hoje sim íamos fazer o caminho entre o apartamento Aerodrom e o aeroporto a pé.

O nosso carro alugado através da Europcar

Agora sobre o carro. Decidimos alugar aquele que seria o nosso meio de transporte em Montenegro pela companhia Europcar. Já a tínhamos usado em outras viagens e vendo as classificações das companhias disponíveis foi esta a nossa escolha. Não fizemos a reserva directamente no website da Europcar, mas através da Trip.com. E desta vez, ao contrário do nosso usual, comprámos também um seguro contra todos os riscos (full protection) já que lendo sobre Montenegro uma das maiores aventuras é conduzir. Mas houve um erro da nossa parte, porque para este ser válido tínhamos de apresentar um cartão de crédito, o qual não tínhamos, e os cartões de débito não eram aceites. E sim, esse foi erro nosso, não lemos bem as condições deste seguro e em Montenegro é obrigatório ter-se um seguro. Agora o que não é obrigatório é que esse seguro seja contra todos os riscos, mas sim um seguro contra terceiros. No entanto, não foi isto que nos foi dito na Europcar, aliás nem houve opção – ou adquiríamos o full protection da Europcar ou então não havia carro. Sabem quanto é que esta brincadeira nos custou? Mais de 300 euros para além do depósito. É que não houve mais nenhuma opção de valores, de tipos de seguros, de nada. E esta foi a primeira vez que fomos enganados em Montenegro. Bem-vindos ao nosso mundo dos pagamentos desnecessários em Montenegro.

E o mais engraçado é que tivemos de pagar pelo estacionamento do carro no aeroporto. Deviam ver as nossas caras quando entregámos o papel que nos tinham dado na recepção da Europcar e nos pedirem 3 euros pelo estacionamento. E sim, perguntei quando entregámos o carro se esse era o procedimento para receber um sim e uma espécie de sorriso sarcástico do empregado da Europcar. A única coisa boa de tudo isto é que nos devolveram o depósito logo depois de entregarmos o carro. Mas provavelmente foi só porque tínhamos o seguro contra todos os riscos. E claro que este episódio fez com que a viagem começasse de uma maneira mais azeda.

No lago Skadar

Depois de voltarmos ao apartamento para ir buscar as malas e de check-out feito seguimos em direcção ao sul, ao lago Skadar que faz parte de 1 dos 5 parques nacionais de Montenegro. Este parque nacional, o parque nacional do lago Skadar, foi criado no final do século XX com o objectivo de preservar e proteger o habitat natural incluindo a fauna e a flora. Este lago é o maior das Balcãs e o segundo maior da Europa ocupando uma área que varia entre os 370 e os 530 km e faz parte de 2 países, Albânia e Montenegro, sendo que 2/3 do lago está do lado montenegrino. Este lago tem-se tornado cada vez mais procurado especialmente por amantes da observação de pássaros já que este é o habitat de cerca de 270 espécies algumas delas raras como é o caso do pelicano-caranguejo.

Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’ do lago Skadar

Em relação ao turismo, a actividade mais procurada nesta zona é a viagem de barco que explora as águas do lago. Nós decidimos não fazer esta viagem e sim foi uma decisão tomada depois de ser ponderada, discutida e mutualmente acordada. Achámos que poderíamos usar o dinheiro da viagem para outras experiências, e de qualquer das formas iríamos parar em vários miradouros onde teríamos diferentes paisagens do lago.

Os preços das viagens de barco variam bastante, mas pelos preços que vimos os valores rondam os 70-80 euros, o que não tenho a certeza se era por pessoa ou por barco. No entanto, se quiserem fazer esta viagem podem sempre procurar excursões no GetYourGuide que ficará muito mais em conta comparado com os valores que vimos nas duas vilas por onde passámos, Rijeka Crnojevića e Virpazar. Mas digo que não me arrependo de não ter feito a viagem de barco, apesar de acreditar que é uma experiência bonita.

Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’

Este foi o primeiro lugar onde parámos para ver o Lago Skadar. O ponto panorâmico fica mesmo em frente ao restaurante Konoba Ceklin. Neste ponto consegue-se ver as montanhas ao fundo e uma das muitas curvas deste lago com pequenas ilhotas a espreitarem nas águas calmas. Há aqui um pequeno parque de estacionamento gratuito não havendo qualquer razão para não parar aqui e desfrutar a paisagem.

Rijeka Crnojevića

Depois desta rápida paragem fomos visitar uma das pequenas vilas piscatórias deste parque nacional, Rijeka Crnojevića. Apesar de pequena, esta aldeia tem um valor histórico imenso. Devido ao seu clima ameno quase sempre sem vento, uma das mais famosas dinastias montenegrinas, Petrović-Njegoš, que governou o país entre 1697 e 1918, estabeleceu aqui uma das suas residências de Inverno. Esta zona era particularmente favorecida pelos príncipes Danilo e Nikola. O príncipe Danilo mandou construir a bonita ponte que atravessa o rio em 1853, um dos pontos que nos fez vir visitar esta aldeia, enquanto que o príncipe Nikola mandou construir a ponte que liga esta aldeia a Virpazar já mais tarde em 1905. Rijeka Crnojevića não era só um dos locais favoritos dos seus governantes como durante o século XIX e início do século XX era o local mais importante desta zona para o comércio tendo sido aqui aberta a primeira farmácia do país.

Rijeka Crnojevića (com a ponte de Danilo ao fundo)

Hoje em dia a aldeia pode ser visitada, mas talvez por virmos num dia de semana cedo e ainda por cima em meados de novembro, não podemos dizer que a vila estava movimentada, muito pelo contrário. Contudo isto fez com que estacionar dentro da aldeia fosse fácil e que pudéssemos andar pelo passadiço junto às águas e visitar a ponte velha (também conhecida como ponte de Danilo em memória ao príncipe) sem multidões. Na verdade, o que mais se viu foram as ofertas das tais viagens de barco. Em relação a estas pareceu-nos que os preços nesta aldeia eram mais elevados do que os de Virpazar talvez por Rijeka Crnojevića se localizar numa zona menos central do lago. Não obstante, para quem gosta de bonitas paisagens e pitorescas aldeias, Rijeka Crnojevića é um local perfeito para visitar no lago Skadar.

Rijeka Crnojevića

Foi em Rijeka Crnojevića que nos começámos a aperceber da grande quantidade de gatos abandonados nas ruas, apesar de nesta altura não sabermos bem se eram abandonados ou se tinham dono, mas eram deixados a andar livremente pela aldeia. Infelizmente depois da minha experiência em Montenegro a primeira opção é a mais provável.

Segundo ponto panorâmico (não o planeado)

O ponto panorâmico que tínhamos no nosso itinerário chama-se no Google Maps ‘Beautiful Panorama of Rijeka Crnojevića’. Quando estávamos prestes a chegar a este ponto encontrámos um sinal junto a uma casa de onde saiu um senhor. Então o que se passava? Para visitar o tal ponto panorâmico era preciso pagar. O senhor deu várias opções se não estou enganada era 2 euros para ir até ao ponto panorâmico e se quiséssemos um licor qualquer eram 5 euros. Ou qualquer coisa assim parecida, eu confesso que o meu cérebro desligou no momento em ele disse que tinha de pagar para ir a um ponto panorâmico. E acho que a minha cara traduzia isso mesmo já que no final o senhor acabou por me aconselhar voltar à estrada de onde tínhamos vindo e parar junto a um banco de madeira no cimo de um morro já que a paisagem dali seria semelhante.

Ponto panorâmico (junto ao banco de madeira) do lago Skadar

E foi exactamente isso que fizemos. Não há razão nenhuma para ter de pagar por um ponto panorâmico. Eu percebo que provavelmente o caminho atravessa propriedade privada, mas há outras opções, muitos lugares onde se pode parar pelo caminho para ver a paisagem sem ter de gastar dinheiro.

Para chegar ao ponto panorâmico onde fica o tal banco de madeira podem procurar:

  • Pelas coordenadas: 42.345700339198864, 19.047305618994525
  • Pelo endereço no Google Maps: 82WW+7VH, Municipality, Cetinje, Montenegro

A paisagem deste ponto panorâmico foi realmente uma das mais bonitas que vimos, por isso vale a pena parar aqui.

Terceiro ponto panorâmico (também não o planeado)

Esta foi uma das situações mais caricatas que tivemos em Montenegro. O ponto onde queríamos ir chama-se ‘Poselijani-vandfaldet’ onde supostamente há uma cascata, uma ponte antiga e algumas casas. Mas afinal a estrada para onde tínhamos de virar tinha o símbolo de trânsito proibido. Para decidirmos o que fazer a seguir parámos o carro junto ao ‘monumento ai caduti’.

Um dos muitos pontos panorâmicos do lago Skadar

Do outro lado deste monumento estava parado outro carro com um homem sentado ao volante a ouvir rádio. Estávamos prestes a sair do carro para irmos à tal cascata a pé (o que é preciso fazer de qualquer das formas) quando o homem desliga o rádio, sai lentamente do carro, vai à parte de trás e tira uma espingarda. Em seguida senta-se com ela ao colo no degrau do monumento. Realmente tínhamos passado por vários caçadores durante o caminho, muitos deles sentados à beira da estrada, e sendo o meu pai, o meu sogro e o meu avô caçadores de caça pequena sei bem que a caça em Portugal acontece aos domingos e às quintas-feiras. Suponho que o mesmo aconteça em Montenegro. Contudo, aquele movimento não nos pareceu muito amigável, aliás foi bastante ameaçador, o homem sentado ao nosso lado de espingarda no colo e não é preciso explicar porque nos fomos embora sem sequer sair do carro. Se aquilo era um aviso, o aviso tinha sido dado.

Acabámos por não visitar a cascata, parámos mais à frente numa bifurcação da estrada principal para ver a paisagem, tirar a fotografia obrigatória, e tentarmos perceber o que raio se tinha acabado de passar.

Virpazar

Chegámos a Virpazar por volta do meio-dia e esta seria a última paragem no lago Skadar antes de irmos para sul em direcção a Stari Bar. Virpazar é uma das aldeias/vilas mais conhecidas da zona. Até porque é normalmente de Virpazar que as pessoas apanham o barco para visitar o lago. No final, nós passámos aqui menos tempo do que o esperado. Apesar do movimento naquele dia ser reduzido pareceu-nos este ser um local bastante turístico com vários restaurantes, postos de turismo e barraquinhas a publicitar as tais viagens de barco. Isto apenas para dizer que não achei Virpazar nada de especial. Demos uma volta pelo centro onde se encontra o monumento que comemora a revolta dos montenegrinos que começou a 13 de julho de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, e que resultou na libertação da cidade em 12 dias.  

Para além deste monumento também demos alguma atenção à paisagem sobre o lago onde várias canoas de madeira, algumas de aspecto mais rústico, pousavam nas suas águas.  Como não havia muito mais para ver voltámos para o carro e subimos Virpazar até outro ponto panorâmico (viewpoint Skadarske Jezoro). Ainda tentámos visitar a fortaleza de Virpazar, Tvrđava Besac, mas como no seu interior encontra-se agora um restaurante e uma loja que penso ser de recordações é preciso pagar para visitar a fortaleza. Com um tom educado, agradecemos a senhora que nos recebeu, mas rejeitámos a visita. E aqui tenho a certeza de que não me arrependo ter poupado alguns euros.

E deixando Virpazar para trás acabava assim a nossa visita ao bonito parque nacional onde se encontra o lago Skadar. Para chegar a Stari Bar apanhámos a M2, a autoestrada, cujo troço teve um custo de 2.50 euros que foram pagos à saída das portagens. Há uma estrada regional sem portagens, mas quando nos demos conta já estávamos na autoestrada e deixámo-nos ficar. Assim o caminho também foi mais rápido e antes das 2 da tarde já andávamos a passear pelas ruínas da cidade velha de Stari Bar.

No próximo post

Depois das primeiras horas em Montenegro, horas essas onde muito se tinha passado, entrámos assim na segunda parte deste dia. Visitámos as ruínas de Stari Bar, tivemos um encontro um pouco desagrável com um aficionado por sumo de romã (sim, é mesmo isso) e fizemos o nosso check-in em Bar (Villa Kovacevik). Para acabar o dia fomos jantar a um restaurante bastante tradicional onde experimentámos ćevapi (uma espécie de salsicha feito com carne picada).

P.S. Durante as semanas em que estou a falar sobre a nossa viagem em Montenegro estou a angariar fundos para a SPCA International, uma das muitas organizações que fazem um trabalho maravilhoso em ajudar animais abandonados.

O link para doações (as quais serão muito agradecidas) é o seguinte: https://www.facebook.com/donate/1528104408407321/26285399937729841/

Alternativamente podem tornar-se membros da organização montenegrina Stray Aid Montenegro e doar para esta organização que tem o objectivo de ajudar animais abandonados e dar-lhes um lar em Montenegro: https://strayaidmontenegro.be/

Montenegro

Conteúdo desta página

  1. Visitar Montenegro
  2. Particularidades do turismo
    1. Aeroporto
    2. Taxa de turismo
    3. Multibancos
  3. Língua
  4. Gastronomia local
  5. Condução
  6. Animais
  7. Itinerário de uma semana (com mapa)

Visitar Montenegro

Nos últimos anos Montenegro tem sido um dos países que tem ganho popularidade como destino de férias. É um país pequeno, sim, mas tem imenso para oferecer, desde praias, a cidades medievais, a parques nacionais que fazem lembrar os Dolomitas em Itália. A parte mais conhecida de Montenegro é Kotor, uma cidade onde vários navios de turismo param todos os dias, dando a conhecer aos seus hóspedes uma das cidades medievais mais bem conservadas do mundo e parte do Património Mundial da UNESCO. No entanto, nós quisemos mais, quisemos ficar a conhecer as várias partes do país e foi por isso que marcámos uma semana de férias – sábado a sábado – e alugámos um carro para nos deslocarmos à vontade por Montenegro.

Kotor

Decidimos ir em novembro, que é a altura do ano em que chove mais, mas mesmo assim só apanhámos um dia com chuva, tendo no último dia até andado de manga curta pelo meio das ruas da capital, Podgorica. Mas tivemos de tudo, desde chuva, a bom tempo, a temperaturas amenas a temperaturas negativas. Em cada parte do país foi uma espécie de miniférias dentro das férias, tal era a diferença de cada experiência. Montenegro revelou-se um país bem mais surpreendente do que aquilo que esperava, para os ambos os lados, tanto para o lado positivo como para o lado negativo. Uma semana foi o tempo certo para ficar a conhecer este país e apesar da probabilidade de mau tempo, vir em novembro foi uma das melhores decisões que fizemos, já que os vídeos que vimos dos aeroportos e estradas durante a altura do verão eram de desespero e frustração. E percebe-se porquê – um país tão pequeno e ainda em desenvolvimento tem que forçosamente apresentar certas dificuldades perante o turismo desmedido. Também tínhamos lido que os locais por vezes mostravam algum desdém pelos turistas, que alguns até tinham sido maltratados, e sim conhecemos pessoas um pouco mais carrancudas, mas também conhecemos pessoas muito, mas muito simpáticas.

Bolos que a senhoria em Žabljak nos deu quando chegámos ao nosso apartamento no final da tarde como agradecimento por termos limpo a salamandra naquela manhã

Passámos por algumas situações caricatas, das quais irei falar nas próximas semanas que tornou esta viagem ainda mais memorável. Eu suma, se aconselho a visitar Montenegro? A resposta é imediata: claro que sim, mas venham preparados para surpresas.

Particularidades do turismo

Aeroporto

O aeroporto mais conhecido de Montenegro é o de Tivat, devido à sua localização perto de Kotor e, portanto, da costa. Curiosamente, a partir de outubro, não há voos de Londres para Tivat e não tivemos outra escolha senão voar para Podgorica, a capital de Montenegro. Para nós, ter apenas uma escolha não teve nenhum impacto já que tínhamos flexibilidade para ajustar o nosso itinerário.

Chegada ao aeroporto de Podgorica

Para entrar no país foi preciso mostrar passaporte uma vez que Montenegro não pertence à União Europeia. E foi assim que tive pela primeira vez um carimbo no passaporte. Mesmo quando fui ao Alasca e a Vancouver não tive direito ao carimbo, por isso esta foi a primeira surpresa da viagem. Voar com apenas o cartão de identificação, como o cartão de cidadão, não é suficiente para visitar Montenegro, sendo mesmo necessário o passaporte.

Taxa de turismo

Só fiquei a saber sobre esta taxa quando já estávamos em Kotor, isto na terceira noite em Montenegro. Esta taxa é obrigatória e tem um custo de 1 euro por pessoa por dia ou 50 cêntimos se for uma criança até 12 anos. Em muitos dos locais esta taxa é chamada de ‘city tax’ e deve ser cobrada pelo alojamento. Tal como os donos do alojamento devem completar um documento com os dados pessoais dos hóspedes incluindo a duração da estadia e depois submeter este documento às autoridades. Se isto não acontecer o problema pode aparecer à saída do país na forma de uma multa. Há duas partes desta regra, a primeira é ser obrigatório avisar as autoridades até 48 horas depois de se entrar no país e a segunda é fazê-lo de cada vez que se muda de alojamento, o que para nós era basicamente todas as noites. Ao descobrirmos estas regras entrámos em contacto com os donos dos locais onde tínhamos ficado nas noites anteriores e felizmente estava tudo conforme a lei. Como fizemos as reservas no booking.com assumimos que estas burocracias tivessem sido feitas de acordo com o esperado, mas para quem faça as reservas através do Airbnb ou em caso de se ficar em casa de amigos ou familiares é preciso verificar qual o processo de forma a evitar problemas. Se isto não for feito pelo alojamento, aos olhos da lei a própria pessoa é responsável pelo pagamento desta taxa de turismo o que pode ser feito indo às autoridades ou a um balcão de turismo. Apesar de ter lido que as autoridades muitas vezes têm a atitude de não quererem saber e que na maioria das vezes isto não é verificado no aeroporto, é melhor prevenir do que pagar 200 euros no final da viagem. O que seria uma maneira desagradável de acabar as férias.

Multibancos

A verdade é que a maior parte dos restaurantes e dos locais que visitámos aceitavam pagamento com cartão de débito. No entanto, nos locais onde ficámos hospedados, em algumas padarias e nas entradas para os parques nacionais, os pagamentos tinham de ser feitos a dinheiro. O meu conselho é que tentem evitar fazer múltiplos levantamentos e quando o fazem levantem uma soma considerável que vos dê para grande parte da viagem. Isto porque os multibancos cobram uma taxa de levantamento que vai desde os 4.95 euros até aos 6-7 euros. E esta taxa é cobrada por cada levantamento. Acho que no total nós fizemos 3 levantamentos, um quando chegámos, outro em Kotor e outro já no penúltimo dia da viagem em Gusinje. E apesar de termos andado a ver qual era o multibanco que cobrava uma taxa menor, não vimos nenhum que não a cobrasse.

Língua

As origens da língua oficial de Montenegro, o montenegrino, estão intrinsecamente ligadas com a história do país. Montenegro ganhou a sua independência do estado Servo-montenegro depois do referendo de 2006, estado esse que se tinha formado quando a Iugoslávia se dissolveu em 1989. Curiosamente, Montenegro já tinha sido independente no século passado, mas em 1920 foi-lhe renegada a independência pelos países europeus e pelos Estados Unidos da América. Em 2006, o montenegrino passou a ser a língua oficial, esta que é quase como um dialecto do sérvio. Por isso para quem fala sérvio é perfeitamente entendido em Montenegro. Apesar de menos faladas, as seguintes línguas também são reconhecidas em Montenegro: o albanês, o bósnio e o croata.

Entrada para a cidade velha de Kotor, uma das zonas mais turísticas do país

Claro que eu não sei falar montenegrino, nem sérvio, e apesar de quase sempre puder usar o inglês como língua de comunicação houve algumas situações em que tivemos de usar o Google Tradutor para nos ajudar a comunicar. No entanto, tinha estudado um pouco de sérvio, apenas o básico tipo ‘bom dia’ ‘boa tarde’ ‘obrigado’ que apesar de ser pouco, acho que foi em algumas situações recebido de bom grado. Pelo menos tínhamos feito um pequeno esforço. Mas como disse, na maior parte dos sítios pudemos falar em inglês, principalmente nos restaurantes.

Para quem gosta também de aprender o pouco a língua local antes de viajar, para aprender sérvio usei a aplicação ‘Ling’ que para palavras e frases básicas o acesso é gratuito.

Gastronomia local

Eu confesso que uma das razões que me faz adorar viajar é puder experimentar as diferentes gastronomias locais. E em Montenegro o meu lado mais‘foodie’ foi bastante apaparicado. Em cada região há diferentes pratos tradicionais; mais centrado em peixe e marisco na parte junto à costa e mais em carne e lacticínios na zona das montanhas.

Burek, o pequeno-almoço tradicional de Montenegro

E apesar de não termos experimentado tudo o que queríamos, a verdade é que aproveitámos cada refeição para comer pratos típicos de Montenegro. Para dizer a verdade, mesmo que os dias não corressem da melhor maneira, por uma ou outra razão, a verdade é que o jantar voltava a pôr tudo nos eixos. Desde burek (massa filo recheada com queijo, batata ou espinafres) a risoto de choco a sopa de veado a cevapi (carne picada em forma de espetada servida com pão, salada e sour cream), tudo foi delicioso. Houve também oportunidade de experimentar vários doces e bebidas regionais. E aliás, foi em Montenegro que comi o melhor prato de massa da minha vida – e já comi massa várias vezes em Itália!

Prato de massa do La Cathedral Pasta Bar em Kotor

Os preços das refeições também foram bastante razoáveis, os burek não foram mais do que 3 euros e os jantares variaram entre 16 a 50 euros para duas pessoas. A refeição mais cara foi no parque nacional de Durmitor onde comemos uma espécie de guisado de borrego seguido de sobremesa e aperitivos. Os pormenores de todos os restaurantes, padarias e pastelarias onde comemos serão mencionados à medida que vou escrevendo sobre os vários dias que passámos em Montenegro.

Condução

Parece que sem querer deixei as partes que tiveram um maior impacto para o fim da lista. E conduzir em Montenegro é realmente uma experiência, uma espécie de jogo de sobrevivência sem regras e sem nexo. As regras na estrada são sugestões, não obrigações – esta foi a frase que definiu a nossa experiência nas estradas de Montenegro. Desde inversão de marcha em cima de passadeiras, de carros a buzinarem a pessoas que atravessavam a passadeira com o sinal verde, de ultrapassagens que faziam os carros que vinham do sentido inverso terem de se desviar para a berma, tudo se viu. E nem vale a pena mencionar que os montenegrinos têm uma aversão a conduzir do lado deles da estrada – e mais, quando vêm um carro na direcção deles que está na faixa correcta nem sequer fazem um esforço para se desviarem – se os outros estão incomodados que se mudem eles.

Rota cénica no parque nacional de Durmitor

Em cada curva, cada estrada apertada era sempre uma expectativa – mas apesar de ter havido vários sustos a verdade é que felizmente não tivemos grandes problemas. E no final só vimos um acidente, na serpentina em Kotor, uma estrada que é feita de curvas e contracurvas umas atrás das outras bastante apertadas. Por isso suponho que a condução se chame de caos organizado, em que eles têm enraizados as suas próprias regras. Outra coisa a apontar é os sinais de velocidade, pode-se passar de 30km/h para 70km/h depois para 50km/h depois para 70km/h e depois para 20km/h em apenas um pequeno trecho de poucos metros. E até vimos numa das estradas dois sinais juntos um de 50km/h e outro de 70km/h. Suponho que a velocidade era à escolha do condutor. Vimos também muitas paragens stop da polícia e fomos avisados algumas vezes de que a polícia patrulhava aquela zona pelo sinal de luzes feitos pelos carros que vinham no sentido contrário. Um sinal mundialmente reconhecido. Ou seja, conduzir é Montenegro não é para todos e muito menos para quem tem pouca experiência. Pode levar a alguns ataques de coração.

Animais

Esta foi a parte que mais me traumatizou e a que ficou comigo até hoje e penso que vá ficar por muito mais tempo – o número de animais abandonados que encontrámos em todas as partes do país. Em Kotor, foram mais gatos abandonados, enquanto no resto do país foram cães. E para quem tem uma adoração por cães como nós, acreditem que vêm de coração partido. Montenegro sendo um país ainda em desenvolvimento está bastante atrasado em termos de protecção dos animais – não há canis e as organizações que há, vivem apenas de donativos, há uma aversão à esterilização dos animais, já que há uma cultura enraizada de que este processo vai contra a natureza, e não há qualquer punição para os donos que abandonem os seus animais. Há imenso trabalho a fazer nesta área e a quantidade de cães a sofrer e a passar fome é destruidora.

Um dos cães abandonados que nos acompanhou pelo parque nacional de Durmitor

Em alguns locais os cães vivem na rua em grandes grupos como vimos no parque nacional de Durmitor, mais especificamente no Lago Crno e depois em Gusinje no parque nacional de Prokletije. Mas pelo caminho, vimos muitos cães abandonados no meio do nada, vimos em Podgorica uma cadela com 3 pernas que tinha um pequenito escondido atrás de um caixote do lixo. E os cães que encontrámos eram todos tão meiguinhos, a pedir mimos, a pedir uma casa. Um dos episódios que mais me marcou foi em Durmitor quando um cão que veio pedir festas no início do caminho, quase nos saltou para o colo quando estávamos para ir embora, a agarrar os nossos braços com as patas e a ganir. A pedir para lhe darmos um lar. Acreditem que é difícil desiludir uma pessoa, mas agora desiludir um cão a sensação é muito, mas muito pior. Também em Gusinje conhecemos um cãozinho que andava atrás de nós. Aí tive mesmo de ir comprar comida para lhe dar, o meu coração não conseguia mais lidar com isto. Depois de voltar a Inglaterra contactei o dono do local onde tínhamos ficado em Gusinje para saber se havia alguma coisa que se pudesse fazer tal como doar comida, tentar encontrar uma casa para o cão. Felizmente o dono do sítio onde ficámos assegurou-me que ele próprio lhe dá comida 3 vezes ao dia e que na altura do inverno o cão dorme dentro de casa. Mas nem todos têm esta protecção.

População de gatos de rua em Kotor a serem alimentados por uma local

Também em Kotor ouvimos uma senhora a dizer enquanto dava comida aos gatos que ao contrário do que se pensa, as pessoas não cuidam nem alimentam os gatos abandonados. Apesar de estes animais serem uma ‘imagem’ da cidade, a verdade é que não há muitas pessoas a cuidar deles. Os gatos foram trazidos para Kotor para ajudar na eliminação de ratos, um problema que estava a assaltar a cidade, mas hoje em dia, há uma criação desmedida de gatos pela cidade, sem leis para os protegerem.  

E é por isto que já comecei a doar dinheiro mensalmente para uma das organizações que tentam salvar o maior número de animais abandonados em Montenegro e dar-lhes uma casa. Se puderem, peço-vos que façam o mesmo, nesta ou em outra instituição: https://strayaidmontenegro.be/

E também é por isto que durante as semanas de que estarei a falar de Montenegro estarei a angariar dinheiro para SPCA international que ajuda também a organização em Montenegro. Se puderem dar nem que seja 1 euro, já estão a fazer a diferença. Para fazerem o vosso donativo vão ao meu perfil pessoal do Facebook: https://www.facebook.com/donate/1528104408407321/26285399937729841/

Eu farei um donativo por cada post que fizer sobre Montenegro neste blog para a SPCA international. Porque cada animal merece amor, respeito e uma vida sem medo de rejeição.

Itinerário de uma semana (com mapa)

Todos os detalhes da nossa viagem a Montenegro ficarão disponíveis nas próximas semanas. No entanto deixo aqui o mapa geral seguido do esqueleto do nosso itinerário.

Dia 1

  • Aterrar e dormir em Podgorica (check-in no Apartment Aerodrom)

Dia 2

  • Pequeno-almoço no Apartament Aerodrom
  • Explorar Lake Skadar – parámos em Rijeka Crnojevića e em Virpazar. Pelo caminho fomos também parando em certos locais panorâmicos (sugestões e dicas serão fornecidas no relevante post)
  • Visitar a cidade velha de Stari Bar
  • Dormir em Villa Kovacevik em Bar
  • Jantar em Banjalučki Ćevap

Dia 3

  • Visitar em Bar a igreja de St Jovan Vladimir
  • Pequeno-almoço em Burekdzinica Fontana (burek)
  • Visitar Sveti Stefan e o mosteiro Praskvica
  • Visitar o mosteiro em Cetinje e o mausoléu Njegoš (este último estava fechado devido ao mau tempo)
  • Check-in em Kotor (apartmento Palata Bizanti)
  • Visitar a cidade velha de Kotor (incluindo a igreja de São Nicolau, a igreja de São Lucas e a igreja de São Pedro de Cetinje)
  • Jantar no restaurante La Cathedral Pasta Bar

Dia 4

  • Subir a fortaleza de Kotor
  • Visitar a catedral de São Trifão em Kotor
  • Passear pelas ruas da cidade velha de Kotor
  • Parar na pastelaria Senso Kotor para provar o bolo tradicional – Krempita
  • Passear pelas muralhas de Kotor
  • Voltar ao parque nacional Lovcén para visitar o mausoléu Njegoš
  • Parar no ponto panorâmico Monte 1350 Bar
  • Visitar a cidade velha de Budva
  • Check-in em Perast (Apartments Jovanovic)
  • Jantar no restaurante Armonia

Dia 5

  • Pequeno-almoço no café Šijavoga
  • Visitar a ilha Lady of the Rocks (Senhora das Rochas)
  • Parar no ponto panorâmico do lago Slano
  • Visitar o mosteiro ortodoxo de Ostrog
  • Parar perto do lago Vražje (lago do diabo)
  • Check-in em Žabljak (apartamento Duke)
  • Jantar no restaurante O’ro

Dia 6

  • Pequeno-almoço de uma pequena padaria (Pekara) em Žabljak
  • Fazer o trilho à volta do lago Crno no parque nacional de Durmitor e explorar arredores
  • Subir o pequeno trilho para o ponto panorâmico de Ćurevac
  • Jantar no restaurante O’ro em Žabljak

Dia 7

  • Pequeno-almoço da Pekara de Žabljak
  • Parar na ponte Tara e fazer o zipline que atravessa o desfiladeiro
  • Conduzir até à vila de Gusinje no parque nacional de Prokletije
  • Check-in no Kula Nekovica
  • Visitar as nascentes de Ali Pasha
  • Visitar a cascata Grja
  • Jantar no restaurante Alipašini izvori

Dia 8

  • Pequeno-almoço no Kula Nekovica
  • Conduzir até Podgorica
  • Visitar a cascata de Niagara e a zona em redor
  • Explorar o grande parque Gorica na cidade de Podgorica
  • Visitar o templo ortodoxo da Resurreição de Jesus
  • Passear pelo parque Kraljev
  • Jantar no Gyros by Rumi
  • Apanhar o avião de volta para casa no aeroporto de Podgorica

Espero que todos os pormenores da nossa viagem vos sejam úteis para preparar a vossa até Montenegro. Tudo neste blog durante as próximas semanas.

Viagens de 2025

Ao chegar ao final de 2025, é tempo de rever as viagens que partilhámos neste blog ao longo dos últimos 12 meses. No total, escrevemos sobre 3 países e sobre 14 diferentes locais! Para 2026, só pedimos: mais viagens, mais experiências, mais memórias❤️✈️.

Inglaterra

Blenheim Palace, a casa onde nasceu Winston Churchill

Índice desta página

  1. Como chegar a Oxfordshire
  2. Bilhetes para visitar Blenheim Palace
  3. Pequeno-almoço em Woodstock
  4. Visita a Blenheim Palace
    1. Breve história da propriedade
    2. Salões interiores
    3. Biblioteca
    4. Cavalariças
    5. Capela
    6. Os jardins de Blenheim Palace
    7. Restauro do telhado
  5. O que não perder na cidade de Oxford

Como chegar a Oxfordshire

Um dos lugares que tinha ficado por visitar na área de Oxford era Blenheim Palace, parte do Património Mundial da UNESCO desde 1987. E em 2025, tive finalmente a oportunidade de vir até esta propriedade conhecer a casa e os seus jardins.

A forma mais fácil de chegar a Oxford, se a partida for de Londres, é apanhar o comboio em Paddington e em menos de uma hora chega-se ao destino. Se a viagem for feita de carro fica o aviso que estacionar no centro da cidade é bastante complicado. Tanto que quando nós visitámos a cidade de Oxford deixámos o carro no alojamento e fomos todos os dias de autocarro até ao centro. Por outro lado, para visitar Blenheim Palace a forma mais fácil é de carro, no entanto é possível chegar de transportes públicos a partir de Oxford apanhando um comboio e um autocarro (o comboio com destino a Great Malvern e depois o autocarro S7 em Hanborough) ou um autocarro (S3 gold) dependendo da hora de partida. A viagem entre Oxford e Blenheim Palace demora cerca de 45 minutos se for de transportes públicos e cerca de 25 minutos se for de carro.

Nós visitámos Oxford e Blenheim Palace em alturas diferentes, e partindo de Watford (norte de Londres) demorámos cerca de 1 hora e 20 minutos a chegar a Blenheim Palace. O estacionamento em Blenheim Palace está incluído no bilhete da entrada.

Bilhetes para visitar Blenheim Palace

Um pequeno pormenor que fez com que levasse tanto tempo a visitar Blenheim Palace foi o preço dos bilhetes. Não que não pense que o valor do bilhete não corresponda ao valor da propriedade e tudo o que está incluído na visita, no entanto continua a ser um preço que requer uma certa consideração. O bilhete de entrada que dá acesso à casa, aos jardins e aos campos da propriedade tem um custo mínimo de 41 libras por pessoa. É verdade que o bilhete tem uma validade de 12 meses, portanto é possível visitar Blenheim Palace no dia para que se marca quando se compra o bilhete e voltar durante os 12 meses seguintes. E com o bilhete pode-se visitar certos eventos como o festival de gastronomia ou o das flores.

Blenheim Palace

No entanto, há certos eventos como agora na altura do Natal que este bilhete não inclui. Estive a ver rapidamente no website os eventos especiais que estão agora a decorrer na altura do Natal e pode-se percorrer um trilho exterior iluminado com imensas luzes e decorações de Natal ou visitar o Palace of Oz que basicamente são os salões da casa ricamente decorados para a época. Os bilhetes combinados destes dois eventos – o trilho iluminado e o palácio de Oz custam 75 libras por pessoa.

Para comprar os bilhetes para Bleinhem Palace em qualquer altura que seja, independentemente se agora na altura do Natal ou quando não há nenhum evento especial a decorrer, vejam o website oficial: https://www.blenheimpalace.com/

Pequeno-almoço em Woodstock

Blenheim Palace fica na pequena vila de Woodstock, no condado de Oxfordshire. Depois de esperarmos cerca de 10 minutos para entrar e estacionar o carro em Blenheim Palace decidimos que primeiro íamos tomar o pequeno-almoço e depois voltar a entrar, agora a pé, para visitar a propriedade. Para estacionar foi apenas preciso mostrar os bilhetes, mas há um aviso nos bilhetes de que pode ser preciso mostrar identificação à entrada. Isto é para evitar que as pessoas partilhem o seu bilhete durante os 12 meses de validade, o que não é permitido.

Vila de Woodstock

Fomos assim explorar um pouco desta bonita vila de Woodstock com os seus edifícios cremes característicos de Inglaterra. Não posso dizer que tenha ficado a conhecer bem a vila já que fiquei apenas pela rua principal, onde ficavam os restaurantes e cafés, mas daquilo que vi gostei muito e gostaria de ter oportunidade de visitar Woodstock com mais tempo. Para o pequeno-almoço entrámos no Woodstock Coffee Shop onde encontrámos uma grande variedade de bolos, sandes e folhados. É exactamente o tipo de loja onde gosto de parar para beber café – pitoresca e aconchegante. Depois de fazermos os nossos pedidos sentámo-nos numa das mesas ao fundo da loja até porque àquela hora da manhã o café estava bastante cheio.

Para beber pedimos um latte (café com leite) e um cappuccino. Para comer pedimos um pain au chocolat (folhado recheado com chocolate), uma sandes de húmus com pimentos grelhados e um apple bun (um bolo seco de maçã). Confesso que a compra do apple bun fui eu a cair na tentação das escolhas que tinha à minha frente.

Eu gostei bastante da sandes e quem comeu o folhado de chocolate também ficou satisfeito. Agora o apple bun – confesso que esperava mais – o bolo era bastante seco e apesar do bom sabor, ficou aquém das expectativas. É para aprender a não cair nas tentações. Quanto ao café este sim era bom, e se vier a Woodstock e se houver a oportunidade volto de bom grado a este café. Apesar de tudo o que acabei de escrever, o apple bun parece ser um dos bolos mais pedidos neste café – se calhar fui eu que pedi demasiado deste bolo.

Para mais informações sobre o Woodstock Coffee Shop vejam em Woodstock Coffe Shop

Visita a Blenheim Palace

Depois do pequeno-almoço que foi já a tocar no brunch voltámos para Blenheim Palace para visitar as várias partes da propriedade. E começámos pelo interior da casa. Deixo aqui um aviso de que não vou falar em pormenor de todas as zonas que visitámos dentro e fora da casa, porque a propriedade é enorme. Por isso vou apenas mencionar algumas das áreas que mais gostámos ou que foram mais memoráveis por uma ou outra razão.

Blenheim Palace

Se os detalhes das secções abaixo não forem suficientes vejam mais no website oficial: Blenheim Palace

Breve história da propriedade

A história de Blenheim Palace começa em 1701 quando John Churchill, o 1º duque de Malborough, vence aos franceses na Blenheim Battle, uma batalha que mudou o rumo da história da Europa. Foi nesta batalha que o exército francês perdeu pela primeira vez em 50 anos, impedindo assim de França conquistar Espanha. A rainha de Inglaterra da altura, Queen Anne, como prémio e agradecimento em nome da coroa oferece a John dinheiro e terras para a construção de Blenheim Palace no Parque Real de Woodstock. Esta vitória militar permitiu a que a John e Sarah, sua mulher e amiga de infância da Rainha Anne, subissem na sociedade.

Salão de Blenheim Palace onde se encontra o vestido usado pela duquesa de Malborough durante a coroação da rainha Elizabeth II

Mas a construção deste que seria a casa dos Duques de Malborough, seria tudo menos calma. Sarah ficou encarregue da propriedade enquanto o marido estava na guerra, e não escondia o seu descontentamento com o arquitecto que John tinha escolhido para a construção de Bleinhem Palace, Sir John Vanbrugh. Sarah achava que Vanbrugh para além de ser demasiado extravagante ignorava as suas instrucções. Para Sarah deveria ter sido escolhido Sir Christopher Wren, o arquitecto da catedral de St Paul em Londres, mas John não seguiu com a sugestão da mulher. Estas discussões entre o arquitecto e a duquesa eram tão acesas que Vanbrugh acabou por ser proibido de visitar Blenheim Palace.

Entretanto, também a relação de Sarah com a rainha Anne tornou-se atribulada devido a vários factores como as suas diferentes visões políticas e até rumores de ciúmes entre as duas. O que para muitos foi uma surpresa, não só porque as duas eram amigas de infância como Sarah tinha o papel de Guardiã da Bolsa Privada, ou seja, era Sarah quem controlava o orçamento da rainha Anne. No final, ambas cortaram relações o que levou a que os duques de Malborough perdessem os seus cargos reais e em 1712 se mudassem para a Antuérpia. Com isto, a rainha mandou cessar as obras em Blenheim Palace. O casal só voltou a Inglaterra em 1715, depois da morte da rainha, quando o governo do novo rei concordou em liquidar algumas das dívidas se John e Sarah pagassem o resto das obras em Blenheim Palace.

Sala green writing room em Blenheim Palace

Apesar do edifício nunca ter sido oficialmente completo, os trabalhos terminaram em 1733, 11 anos depois da morte de John. O custo total da construção de Blenheim Palace foi de 300,000 libras que corresponderia a 58 milhões de libras, se fosse construído hoje.

Winston Churchill

Winston Churchill é mais conhecido pelo seu papel como primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi primeiro-ministro como representante da parte política conservadora por duas vezes, a primeira de 1940 a 1945 e de novo em 1951 a 1955.

Winston Churchill nasceu inesperadamente em Blenheim Palace a 30 de novembro de 1874, numa das visitas dos seus pais à propriedade. A infância de Winston foi passada essencialmente com a sua ama com quem criou uma forte relação, já que os seus pais levavam vidas ocupadas na alta sociedade, passando pouco tempo com Winston e com Jack, o filho mais novo do casal.

O interesse de Winston no exército começou bastante cedo levando-o a juntar-se à Royal Cavalry em 1895, apesar da sua mente estar centrada na política. Como procurava fama e dinheiro, Winston usou a influência da sua mãe na sociedade para ser destacado para lugares perigosos de onde escrevia as suas experiências. Winston foi baleado em Cuba, combateu na fronteira do Afeganistão e tornou-se prisioneiro de guerra na África do Sul. Foram os seus relatos vívidos sobre a sua captura e fuga dramatizados pela imprensa britânica que levaram que o seu estatuto e reputação como herói de guerra fossem consolidados quando Winston regressou a Inglaterra.

Um dos pontos curiosos sobre Winston Churchill foi o Nobel da Literatura, prémio que lhe foi atribuído em 1953 pelos seus trabalhos publicados. Winston Churchill morreu em 1965 em Londres.

Para mais detalhes sobre Winston Churchill cliquem em: Prime Minister Winston Churchill

Salões interiores

Muitos são os salões que se pode visitar em Blenheim Palace como quartos ricamente mobilados, salas faustosas onde manequins expõem diferentes roupas, como os vestidos de noiva usados pelas mulheres da família Malborough ao longo das gerações ou os vestidos usados durante a coroação da nova rainha de Inglaterra.

Tapeçarias, quadros e mobílias são alguns dos itens que se encontram em exposição e que podem ser apreciados durante a passagem pelos diferentes salões. Vou apenas mencionar dois em específico começando pelo China Ante Room, onde se encontra a coleção de porcelana de Sèvres e Meissen, colecção essa oferecida ao 3º duque de Malborough pelo rei da Polónia em 1751 e o Green Writing Room, onde se encontram duas das primeiras tapeçarias adquiridas pelo 1º duque de Malborough para celebrar as suas vitórias militares.

Biblioteca

A biblioteca é o espaço onde se encontra a ‘Sunderland Library’ uma colecção que conta com mais de 20,000 livros e manuscritos que pertenciam ao 3º duque de Malborough. Para financiar o seu interesse pela ciência e botânica, o 8º duque de Malborough vendeu grande parte desta colecção que foi posteriormente readquirida pelo seu filho, o 9º duque de Malborough, usando parte do dote da sua mulher para o fazer.

Cavalariças

As cavalariças são uma parte importante para a família Malborough tendo sempre havido um grande amor e respeito pelos cavalos. Os cavalos fazem parte de Blenheim desde o grande momento em que John Churchill, o 1º duque de Malborough cavalgou pelo campo de batalha onde teve a sua grande vitória sobre o exército francês. As cavalariças foram também elas projectadas pelo arquitecto Vanbrugh com baías para mais de 60 cavalos.

Ao longo dos últimos 300 anos, a arquitectura e organização desta parte da propriedade foi mudando consoante os gostos e necessidades dos proprietários. Os cavalos tiveram sempre um papel importante na vida quotidiana em Blenheim, sendo usados para enviar mensagens, puxar carruagens e arear a terra como apreciados nas áreas do desporto e entretenimento. Estas cavalariças deixaram de ser usadas como tal em 2000 e por isso hoje quando se visita esta parte da propriedade não se vê aqui cavalos, estando estes animais agora alojados em Park Farm, que também faz parte da propriedade de Blenheim Palace.

Capela

A entrada para a capela encontra-se do lado exterior da casa principal. A capela também foi ela projectada pelo arquitecto Sir John Vanbrugh. No entanto, apesar do seu empenho na capela a verdade é que Vanbrugh foi demitido do seu cargo quando houve uma discussão entre ele e a duquesa Sarah pelo facto das suas paredes terem apenas um metro de altura.

Depois da morte de John, Sarah contratou Michael Rysbrack para construir um enorme monumento em mármore em honra do seu falecido marido. Monumento esse que demorou 3 anos a ser completado e que ainda hoje faz parte da capela.  

Os jardins de Blenheim Palace

Uma das partes mais impressionantes de Blenheim Palace é certamente os seus jardins que podemos dividir em duas secções, os ‘formal gardens’ (jardins formais) e os ‘walled gardens’ (jardins murados).

Formal Gardens

Os ‘formal gardens’ estão em duas localizações diferentes, uma que se entra pelas traseiras da casa e outra que fica entre o edifício da casa e os ‘walled gardens’. Na parte das traseiras da casa, ainda antes de chegar aos jardins encontram-se várias estátuas de pedra e uns bancos ideias para descansar, de onde se tem uma bonita paisagem da propriedade.

Nesta parte dos ‘formal gardens’ encontram-se vários pontos de interesse, tendo sido no jardim das rosas onde passámos mais tempo. Também avistámos a casa dos barcos (boathouse) e o templo de Diana com o jardim memorial de Churchill (Temple of Diana Churchill Memorial Garden). Na outra parte dos ‘formal gardens’ o que se destacou foi o ‘secret garden’ (jardim secreto) que visitámos depois de explorar os ‘walled gardens’.

Walled Gardens

Para chegarmos aos ‘walled gardens’ apanhámos um pequeno comboio que sai frequentemente da entrada principal de Blenheim Palace até aos jardins. A viagem de comboio custa 1 libra por pessoa e demora cerca de 5 a 10 minutos.

Borboletário que faz parte dos ‘walled gardens’ em Blenheim Palace

Os ‘walled gardens’ foi umas das partes mais memoráveis da visita, em especial o borboletário onde imensas espécies de borboletas voavam à nossa volta e o Malborough Hedge Maze, o labirinto verde, onde quase, quase nos perdemos. A nossa sorte foram umas pontes que ficavam acima do labirinto que nos levou a descobrir o caminho certo para sair.

Para mais pormenores sobre os locais de interesse tanto nos ‘formal gardens’ como nos ‘walled gardens’ vejam o mapa disponível no website oficial de Blenheim Palace: https://www.blenheimpalace.com/visitus/map/

Restauro do telhado

Em 2025 celebram-se 75 anos desde que Blenheim Palace abriu pela primeira vez as suas portas ao público. O objectivo inicial era o de angariar dinheiro para pagar as reparações necessárias ao tecto do edifício. No entanto, o tecto continua a precisar de reparações  e desde setembro de 2023 que esta parte da casa tem sido o foco principal de um projecto de restauro que ainda hoje está em curso.   

O que não perder na cidade de Oxford

Para quem vem até Blenheim Palace tem toda as desculpas para visitar também a cidade de Oxford. Na página abaixo encontram todos os detalhes da nossa viagem a esta que é conhecida como a cidade das ´Dreaming Spires’ (torres dos sonhos).

Um dia na cidade de Leeds

Índice desta página

  1. Último post
  2. Chegar a Leeds
  3. Crowne Plaza Hotel Leeds by IHG
  4. Leeds Art Gallery (galeria de arte)
  5. Leeds City Museum (museu)
  6. Leeds Kirkgate Market (mercado)
  7. First Direct Arena (concerto)
  8. Outras cidades incluídas nesta road trip

Último post

No último post desta road trip tínhamos ficado na cidade de York depois de passarmos o dia a explorar um pouco da costa norte de Yorkshire onde acabámos por ver leões marinhos. Voltámos à cidade de York para provar novas delícias culinárias e relembrar outras antes de acabarmos a noite. No post de hoje vamos falar do último dia da viagem, esta que foi uma road trip de 6 dias, desde Norfolk a Yorkshire, terminando em Leeds. A razão de virmos até Leeds foi o concerto dos Deep Purple, uma banda britânica de 1968 que ganhou grande fama durante os anos 70. Talvez não conheçam esta banda, mas talvez esta música, uma das mais conhecidas dos Deep Purple (ver em baixo).

Vídeo da página oficial de youtube da banda britânica Deep Purple

Chegar a Leeds

A localização de Leeds é óptima a partir de qualquer parte do país. Quem vem de Londres pode apanhar um comboio directo em King’s Cross que demora cerca de 2 horas e meia. Se vierem de carro contem com quase 4 horas, especialmente se estiver a chover ou se for numa sexta-feira à noite. Se não precisarem de carro, o comboio é a opção ideal. O mesmo tempo de viagem é estimado se o comboio partir de Birmingham, ou é apenas de 1 hora partindo de Manchester. Como disse, chegar a Leeds é bastante fácil.

Cidade de Leeds

Quanto a nós, que partíamos de York e de carro, demorámos cerca de 1 hora a chegar e pouco passava das 10 da manhã quando chegámos a Leeds. Estacionar na cidade pode não ser muito fácil, principalmente se a ideia for apanhar estacionamento gratuito. Como sabíamos que viríamos de carro, fizemos questão de marcar um hotel para aquela noite que incluísse estacionamento e foi por isso que marcámos o nosso quarto no Crowne Plaza.

Crowne Plaza Hotel Leeds by IHG

Como chegámos a Leeds ainda não eram 11 horas, fazer o check-in era impensável. O estacionamento do hotel é pago por cada 24 horas e por isso fomos à recepção apenas para informar que tínhamos já estacionado o carro já que contávamos sair no dia seguinte antes das 11. A recepcionista foi super simpática e disse que não havia problema nenhum e que só teríamos de pagar no acto do check-out. Apesar do estacionamento ainda nos ter custado 18.5 libras foi mesmo assim a melhor opção.

Antes de falar do que visitámos na cidade, vou já passar para o nosso quarto e a nossa experiência neste hotel. A Crowne Plaza pertence a uma rede de hotéis e eu já tinha ficado em diferentes Crowne Plaza em outras cidades, e tinha sempre gostado muito. E em Leeds não foi diferente. O quarto deste hotel de 4 estrelas era espaçoso, limpo e com alguns miminhos extra, como robes e chinelos.

Aproveitámos também entre a visita aos vários museus e o concerto para experimentar a piscina, o jacuzzi e a sauna. E foi uma das melhores escolhas porque depois deste tempo mais dedicado ao relaxamento não havia dúvida que estávamos prontos para o último capítulo da viagem, o concerto dos Deep Purple.

Também o pequeno-almoço do dia seguinte levou a um positivo desfecho desta road trip, com uma enorme escolha entre croissants, folhados, cereais, pães, queijos, iogurtes e claro está os vários elementos que formam o English Breakfast (o pequeno-almoço inglês). Esta é certamente uma das minhas redes de hotéis preferidas, apesar de por vezes ser um pouco cara para os meus recursos financeiros – uma das razões para não escolher sempre estes hotéis. Mas a experiência vale o sacrifício se for possível fazê-lo.  

O website oficial do hotel pode acedido em: Crowne Plaza Hotel Leeds by IHG

Para este dia em Leeds quisemos ficar mais ‘dentro de portas’, um tanto para fugir ao frio como para incutir alguma cultura sobre esta parte de Inglaterra no nosso itinerário. Depois de deixarmos o carro ao pé do hotel Crowne Plaza fomos a pé até ao centro da cidade onde ficam a maior parte dos museus e restaurantes. Começámos por entrar na galeria de arte de Leeds, entrada essa que é gratuita, e que fica num edifício colado à biblioteca, a qual também vale a pena visitar nem que seja pela sua arquitectura.

A galeria tem várias exposições muitas delas temporárias que vão mudando durante o ano. Quanto às exposições permanentes, estas focam-se em obras de pintura e escultura britânicas dos séculos XIX e XX. E as colecções das quais fazem partes estas obras de arte são consideradas das mais importantes colecções a nível nacional. Das obras que pertencem hoje a esta galeria pode-se mencionar alguns dos artistas célebres como Dame Barbara Hepworth, Francis Bacon, Henry Moore e Sir Jacob Epstein. A galeria de arte de Leeds faz parte do grupo de museus e galerias de Leeds, nome original ‘Leeds Museums and Galleries’, e foi fundada em 1888 como uma galeria de arte cívica.

Como disse acima a entrada para a galeria é gratuita e está aberta todos os dias da semana, excepto à segunda-feira.

Para mais informações sobre esta galeria: Leeds Art Gallery

Leeds City Museum (museu)

Este foi o segundo museu do dia que fica apenas a 5 minutos da galeria de arte. A entrada para este museu também é gratuita e tal como a galeria de arte está aberto todos os dias da semana excepto à segunda-feira.

Tal como a galeria de arte também o museu faz parte do grupo Leeds Museums and Galleries e também ele alberga exibições temporárias. Mas pessoalmente as exposições permanentes que podem ser visitadas em qualquer altura do ano são as mais interessantes.

Múmia Nesyamun que faz parte da exposição Ancient Worlds no Leeds City Museum

Pode-se por exemplo, ver a múmia de Nesyamun com mais de 3000 anos vinda do Egipto e que hoje se encontra na exposição Ancient Worlds, ou então conhecer a história da cidade de Leeds e como esta foi moldada desde os tempos primórdios até à actualidade. Outra exposição a não perder foca-se na Ásia onde não só se celebra a cultura asiática com mais de 6000 artefactos como também se fica a conhecer as ligações da Ásia com Leeds. Não menos importante é a exposição The Collectors Cabinet que nos conta a história sobre o coleccionismo em Leeds, desde 1700 e onde se encontra o esqueleto de Moa, uma das maiores aves que alguma vez habitaram a Terra, agora espécie extinta. Por último, a exposição Life on Earth (vida na terra) alberga cerca de 800,000 espécimes de animais, vegetais e minerais.

Portanto, o que quero dizer é que são muitas as razões para visitar este museu e muito poucas para não entrar neste edifício e explorar tudo o que há para ver.

Para mais informações sobre este museu vejam: Leeds City Museum

Leeds Kirkgate Market (mercado)

Depois de visitarmos os museus era altura de irmos comer qualquer coisa. E um dos locais mais recomendados era o mercado de Leeds – Leeds Kirkgate Market, no centro da cidade. Este mercado é um dos maiores da Europa e aqui qualquer um pode deliciar-se não só com as várias bancas de comida e bebida, mas também com lojas de roupa, de joias, floristas e retrosarias. Este mercado, como normalmente acontece, faz parte da história da cidade com um papel bastante importante no seu desenvolvimento.

Área aberta com mesas e bancadas onde se pode comer no Leeds Kirkgate Market

O Leeds Kirgate Market abriu as suas portas em 1857 tornando-se assim o maior mercado coberto na Europa. No entanto, este mercado não se destacou apenas pelo seu tamanho, mas também por algumas das tecnologias inovadoras introduzidas tal como a área refrigerada onde os peixeiros podia manter o peixe fresco para venda. E o facto de ser coberto, dava uma maior protecção e uma melhor experiência tantos aos vendedores como aos compradores.

Foi também neste mercado onde nasceu uma das redes de supermercados Marks & Spencer que ainda hoje é popular no Reino Unido. E como marco histórico ainda hoje há uma banca dentro deste mercado da Marks & Spencer.

Marks & Spencer, uma presença histórica no Leeds Kikrgate Market

Adicionalmente é importante mencionar como este mercado se manteve firme durante a Segunda Guerra Mundial já que apesar dos bombardeamentos raramente encerrou portas. Já em 1975, este mercado foi palco de um grande incêndio que destrui cerca de 2/3 do mercado. Este incêndio acabou por ser mais devastador do que as bombas durante a guerra. Apesar das grandes perdas, um dos pavilhões que ficou intacto, o pavilhão de 1904, reabriu três dias após o desastre. Mais tarde, já em 2013, a câmara de Leeds lançou este mercado num projecto de renovação de 12 milhões de libras.

Quanto a nós, viemos a este mercado à procura de algo para comer, especialmente algo doce, mas no final das contas escolhemos o sítio errado. Decidimos experimentar a Karpaty Bakery já que todos os bolos na montra pareciam deliciosos. Acabámos por comprar dois para experimentar e fomos até à zona aberta do mercado onde havia várias cadeiras e mesas. Infelizmente os bolos não eram bons, um deles era muito seco e outro não tinha sabor.

Se pudesse recomeçar e escolher outro lugar para experimentar tinha ido a um destes três, que estão muito mais bem avaliados:

Eu ainda cheguei a beber café do Teapot, mas não provei os bolos daqui. Este café tem uma enorme colecção de diferences cafés e chás provenientes de todo o mundo, sendo uma escolha perfeita para quem adora bebidas quentes. No entanto, parece-me que qualquer uma das opções acima teria sido melhor do que a nossa escolha, a Karpaty Bakery. Fica assim aqui a dica de onde não ir e algumas sugestões de onde ir no mercado Kirkgate de Leeds.

First Direct Arena (concerto)

O First Direct Arena é um dos lugares mais importantes em Leeds para assistir a concertos ao vivo, espectáculos de comédia ou de desporto. O First Direct Arena fica bastante perto do centro da cidade, o que é óptimo, pois não é preciso apanhar transportes públicos ou conduzir.

First Direct Arena

A sala de concertos é bastante grande com espaço para mais de 13 mil pessoas. Nós viemos a Leeds e não a Londres por dois motivos, primeiro por causa da data do concerto sendo que esta nos dava mais jeito e segundo por causa do preço, que era bastante mais em conta do que o de Londres. Como disse no início desta página, nós viemos ver os Deep Purple e dos nossos lugares tivemos boa visibilidade e bom som, dois pontos que infelizmente nem sempre vão de encontro às expectactivas.

Esta foi a primeira vez que estivemos nesta arena e se a oportunidade aparecer, voltaremos a vir aqui de bom grado.

Na seguinte página podem ver os espectáculos agendados no First Direct Arena: https://www.firstdirectbankarena.com/


O concerto foi arrebatador e, apesar de os membros da banda já terem alguma idade, a verdade é que os Deep Purple nos ofereceram um espetáculo fantástico que durou duas horas. Como o concerto terminou depois das 11 e àquela hora já não havia muitos restaurantes abertos acabámos por ir parar ao Burger King, por ser perto e conveniente. Fizemos essa escolha nós e muitas outras pessoas que vinham do concerto. Depois do jantar, seguimos em direção ao hotel, passando pelas ruas de Leeds, onde reparámos que grande parte dos edifícios que tínhamos visitado naquele dia se iluminava em diferentes cores.

Edifício da camâra municipal (city hall) de Leeds iluminado durante a noite

Aqui fica o final desta road trip, que consistiu em seis dias a explorar Inglaterra e, mais uma vez, a mostrar-nos que o país é muito mais do que Londres. Norfolk, Yorkshire e Leeds — locais que merecem ser visitados e que nos proporcionaram memórias inesquecíveis.

Outras cidades incluídas nesta road trip

Birmingham, Inglaterra (update 2025)

Índice desta página

  1. Como chegar a Birmingham
  2. Locais a visitar
    1. Locais que ainda estão por visitar
    2. Birmingham cathedral
    3. Birmingham museum and art gallery
    4. Centenary Square
    5. Library of Birmingham and Shakespeare Memorial Room
    6. A ‘Veneza’ de Inglaterra
  3. Frankfurt Christmas Market
  4. Restaurantes
    1. Noel’s Bar & Restaurant 
    2. The Brasshouse
    3. BOX Brindleyplace
    4. The Botanist Gas Street Basin
    5. Pho Birmingham
    6. Nando’s
  5. Cafés e bares
    1. Head of Steam
    2. O’Neill’s Broad St
  6. Hóteis
    1. Ibis Birmingham New Street Station
    2. Holiday Inn Birmingham City Centre
    3. Travelodge Birmingham Central Newhall Street
    4. Hilton Birmingham Metropole
  7. Últimas reflexões

Birmingham é a segunda maior cidade de Inglaterra, sendo apenas Londres a que lhe passa à frente. Birmingham fica na zona de West Midlands e tanto o seu local geográfico como os bons acessos de transportes públicos fazem desta cidade um dos locais preferidos para reuniões, conferências e eventos. Birmingham é uma cidade que está sempre em movimento, desde manhã até à noite. Eu já visitei algumas vezes esta cidade, uma vez em lazer para visitar o mercado de Natal, um dos mais conhecidos do país, e outras quatro vezes em trabalho. A penúltima vez que vim até Birmingham foi em setembro de 2025, altura em que também consegui fazer ‘turismo’ e visitar alguns locais como a catedral e o museu nacional. Voltei mais uma vez a esta cidade ainda em 2025, agora no final novembro, tendo tido a oportunidade de visitar mais vez o mercado de Natal e de ver as ruas iluminadas com as decorações típicas da época. Também fiquei a conhecer outras partes do mercado de Natal como a pista de gelo e a ronda gigante. Esta página vai juntar todas as coisas que visitei, experimentei e conheci durantes as várias vezes que vim a Birmingham.

Museu e galeria de arte de Birmingham na praça Vitória

A meu ver um fim-de-semana chega para visitar a cidade, talvez um fim-de-semana prolongado para quem vem visitar Birmingham na altura do Natal.

Há várias maneiras de chegar a Birmingham, talvez conduzir seja a mais complicada até porque alguns carros precisam de pagar uma taxa se não forem de encontro com os níveis de poluição aceites. Uma opção possível para quem vem de fora é aterrar no aeroporto internacional de Birmingham o qual fica a uma estação de comboio do centro da cidade. Nunca parti nem aterrei de Birmingham, uma vez que o aeroporto fica longe e, portanto, não sei dizer se e aeroporto é bom ou não. No entanto a opção existe.

Estação de comboios Birmingham New Street que fica no centro da cidade

Para quem quer visitar ou vive perto de Londres a melhor maneira de chegar a Birmingham é de comboio. Eu normalmente apanho o comboio da companhia Avanti West Coast, já que no regional não dá para marcar lugar. O comboio que passa por Birmingham sai da estação de London Euston. É uma viagem confortável e a paisagem a partir de certo ponto é de campos a perder de vista. A viagem demora entre 1 hora e pouco a 2 horas dependendo do comboio para o qual compraram bilhete. O melhor é que a ligação entre Londres Euston e Birmingham é feita várias vezes por dia.

Para comprar bilhetes de comboio da Avanti West Coast: https://www.avantiwestcoast.co.uk/

Para comprar bilhetes de comboio para qualquer destino em Inglaterra: https://www.thetrainline.com/

Locais que ainda estão por visitar

Os locais que visitei em Birmingham foram sempre de entrada gratuita. Contudo, há dois lugares que ainda não visitei é que tenho alguma curiosidade, mas como é preciso comprar bilhete a visita ainda não aconteceu. Um destes lugares é o Cadbury World, um lugar que pode ser definido como uma mistura de um parque temático e de uma fábrica de chocolate. Cadbury é uma famosa marca de chocolates em Inglaterra com imensa variedade e muito procurada. O bilhete de entrada em 2025 é de 25 libras. O segundo lugar é o National SEA LIFE Centre Birmingham, um jardim zoológico marinho, do género oceanário em Lisboa. O bilhete de entrada custa 24 libras. Talvez daqui a um ou dois anos volte a fazer um update desta página e aí inclua a minha visita a estes locais. Um outro local a visitar são os jardins botânicos, no entanto este lugar já não fica bem fica no centro da cidade e infelizmente por norma não tenho tempo para me aventurar para tão longe.  

Website oficial de Cabdury World: https://www.cadburyworld.co.uk/

Website oficial do National SEA LIFE Centre Birmingham: https://www.visitsealife.com/birmingham/

Agora vamos passar para os locais que visitei em Birmingham

Birmingham cathedral

Visitei a catedral ao final do dia quando o coro ensaiava. Como é proibido tirar fotografias do interior da catedral acabei por tirar imensas da parte de fora incluindo da estátua do bispo Charles Gore inaugurada em 1914 e do pequeno cemitério. Charles Gore foi o fundador do movimento Social Cristão e activista da reforma social. Foi também ele o primeiro bispo desta catedral em 1905.

Catedral de Birmingham

A catedral de Birmingham, também conhecida como a catedral de São Felipe (St. Philip), foi construída em 1715 pelo arquitecto Thomas Archer. A arquitectura desta catedral foi baseada na das igrejas de Roma em Itália. No interior da igreja a parte mais imponente são os vitrais, obras de Edward Burne-Jones. Os vitrais principais da igreja são o vitral da ‘Ascensão’, o vitral do ‘Nascimento’, o vitral da ‘Crucificação e por último o vitral do ‘Último Julgamento’. Dentro da igreja podem-se visitar estes vitrais e até estão disponíveis informações também em português com detalhes incluindo o seu significado.

Website oficial da Birmingham Cathedral: https://birminghamcathedral.com/

Birmingham museum and art gallery

Este é certamente o edifício mais imponente da cidade ficando no centro da praça principal, a praça Vitória. O museu tem várias salas e com a morte recente do famoso cantor Ozzy Osbourne há uma parte da exposição dedicada somente a ele. Afinal Ozzy era oriundo de Aston em Birmingham e por isso uma pessoa importante para esta região.

No entanto logo que se chega ao museu, não é o Ozzy que nos recebe, mas sim uma grande estátua de bronze de Jacob Epstein representando Lucifer. Esta estátua pesa 2 toneladas e dá o início à visita no museu.

Primeira sala de exposições que encontramos quando se entra no museu e galeria de arte de Birmingham

Depois de passarmos esta sala com a estátua do anjo caído e da exposição em homenagem a Ozzy Osbourne chegámos a uma exposição intitulada de ‘The elephant in the room’ (tradução: o elefante no quarto), expressão inglesa que representa uma situação ou tema constrangedor. Neste caso, esta era uma exposição de conscientização sobre a forma como certos artefactos de outras culturas vieram parar a Inglaterra. Em um dos placards da exposição lia-se o seguinte:

‘Os museus mencionam frequentemente o repatriamento, isto é a devolução de objectos culturais ou restos mortais humanos aos seus países ou comunidades de origem. E porque é que isso é importante?

O museu de Birmingham contém objectos de todo o mundo. A maioria dos artefactos foram doados, mas outros foram retirados do seu local de origem durante o Império Britânico, por vezes de forma violenta ou sem consentimento. A repatriação reconhece o dano feito e tem o objectivo de voltar a ligar as comunidades à sua herança.

Em 1913, este museu obteve restos mortais ancestrais aborígenes. Estes foram devolvidos à sua comunidade em 2016. Actualmente, o museu não exibe restos mortais humanos. Desde 2025, que o museu se encontra em negociações com as comunidades indígenas da América do Norte, Austrália e África, e a pesquisar as origens e a propriedade das colecções globais presentes neste museu. ‘

(Este texto foi traduzido para português e não representa directa transcrição do texto original)

Nesta sala encontram-se então objectos oriundos de várias partes do global como por exemplo da Ásia e do Antigo Egipto.

Uma outra exposição focava-se na própria cidade de Birmingham. Começava pelas suas origens desde 1160 apesar de haver indícios de ocupação nesta zona desde a Idade de Pedra. Ainda antes de se tornar Birmingham, em 1086 a zona que se tornaria nesta cidade vibrante era uma das mais propriedades feudais mais pobres da região sendo nessa altura avaliada em 1 libra. Nesta altura a população era de cerca de 50 pessoas.

A mudança em Birmingham começou em 1166 quando o Senhor do Feudo, Pedro de Birmingham comprou estes terrenos em um mercado. Duzentos anos mais tarde, Birmingham tornou-se num dos centros comerciais mais prósperos do condado de Warwickshire.

Esta exposição está dividida em 4 partes: as origens e a cidade de Birmingham até 1700, de 1700 a 1830, de 1830 a 1909 e finalmente de 1909 a 1945.

Nesta espécie de viagem no tempo vamo-nos apercebendo do enorme crescimento económico de Birmingham até à sua povoação excessiva levando à procura de habitação nos subúrbios. A minha parte preferida desta exposição foi a de 1830 a 1909 onde são mencionados vários trechos de guias de viagens com referências e sugestões escritos na época por pessoas que visitaram a cidade. Estes guias contém os locais a conhecer, locais onde comer e locais onde ficar. Birmingham ganhou de tal forma fama pelas suas indústrias que na época vitoriana qualquer casa de família rica tinha pelo menos um objecto vindo desta cidade. Com esta fama Birmingham começou a sofrer com o sobrepovoamento. Com a povoação excessiva as famílias começaram a procura de locais fora da cidade para morar, no entanto devido às pressões sociais havia famílias a escolher gastar o dinheiro em mobília em vez de em productos essenciais como comida.

Recomendo imenso visitarem este museu e achei cada exposição superinteressante. Para além que a entrada é gratuita por isso não há nada a perder.

Website oficial de Birmingham museum and art gallery: https://www.birminghammuseums.org.uk/

Centenary Square

Apesar da praça Vitória ser uma das mais conhecidas, o Centenary Square é o mais impressionante. Na altura em que visitei a cidade de Birmingham tive de passar por aqui todos os dias e os edifícios desta praça nunca me deixaram de maravilhar.

Estátua dos Golden Boys no Centernary Square

De estátuas e memorais temos vários como o Hall of Memory (hall da memória), King Edward VII Memorial (memorial do rei Eduardo VII) e The Golden Boys (os rapazes de ouro). Esta última representa três homens que contribuíram para a indústria local e global – Matthew Boulton, William Murdoch e James Watt.

Também é nesta praça que se encontra o centro de conferências – the international convention centre, o teatro – Birmingham Repertory Theatre, e Symphony Hall, local conhecido pelos ilustres concertos que aqui acontecem. Mas de todos os edifícios e memoriais, o mais espectacular é o da biblioteca de Birmingham.

Library of Birmingham and Shakespeare Memorial Room

Biblioteca de Birmingham

Durante a última visita, no final de novembro de 2025, tive finalmente a oportunidade de visitar o interior da biblioteca de Birmingham, que abriu portas em 2013. O objectivo da visita era subir ao 9º piso para ficar a conhecer a sala memorial de Shakespeare. E o melhor é que esta sala está aberta ao público e a sua visita é gratuita.

A sala que hoje pode ser visitada abriu ao público em 1882, uma sala projectada pelo arquitecto local, John H Chamberlain, também ele um dos fundadores do clube ‘Our Shakespeare’. Os projectos para esta sala começaram em 1864, quando o clube ‘Our Shakespeare’ propôs a construção de uma biblioteca para comemorar o 300º aniversário de Shakespeare. Em vez de uma estátua de Shakespeare como memorial, o clube decidiu que seria mais adequado e relevante a construção de uma biblioteca que promoveria o progresso educacional e cultural em Birmingham.

Entrada para a sala memorial de Shakespeare

Como a coleção de Shakespeare foi aumentando esta sala tornou-se demasiado pequena para guardar todos os artigos da colecção para além que estas obras começaram a requerer condições de armazenamento estritas para manter o seu estado de conservação. Neste momento a colecção conta com mais 100,000 artigos que incluí livros, posters, fotografias, recortes e ilustrações. A maior parte da colecção veio de doadores locais e por isso há um sentimento de pertença a Birmingham.

Portanto, não é na sala memorial onde se encontra a colecção. No entanto, a colecção está de facto guardada nesta biblioteca e os estudantes e investigadores que o desejarem podem pedir uma autorização especial para ter acesso a determinadas obras. Apesar da colecção não estar aberto ao público a visita à sala memorial tem um valor cultural enorme para a cidade.

Vista para o Centenary Square do observatório da biblioteca de Birmingham no 9º andar

Depois da visita à sala memorial que fica no mesmo piso do observatório que oferece uma das melhores vistas sobre a cidade, ainda visitámos o ‘Secret Garden’ (jardim secreto) no 7º andar. A minha sugestão é que visitem este lugar durante o dia para puderem ver o jardim como deve ser.

Para mais informações vejam o seguinte website: Library of Birmingham

A ‘Veneza’ de Inglaterra

Birmingham é conhecida por muitos como a Veneza de Inglaterra. Isto deve-se aos imensos canais de água que atravessam a cidade formando bonitas paisagens urbanas. Já tive a oportunidade de passear por esta parte da cidade até porque há aqui imensos restaurantes, alguns dos quais tive a oportunidade de experimentar, e dos quais falo mais abaixo.

Paisagem urbana na zona dos canais de água em Birmingham

Uma curiosidade sobre estes canais é que fazem ligação a Londres. O canal principal, o Grand Union Canal, permite viajar de barco entre estas duas cidades. Do Grand Union Canal já falei várias vezes neste blog, por exemplo na página sobre Chiltern Hills: https://viajarcozinharedietar.com/chiltern-hills/

Visitámos este famoso mercado de Natal em 2021 quando ainda estavam bem presentes as restrições do COVID. Esta parte já pertencia à versão anterior da página sobre Birmingham neste blog. A informação abaixo não foi alterada em relação à do post original.

Em 2021 como passámos o Natal a trabalhar decidimos visitar um dos melhores mercados de Natal do Reino Unido. Entre os melhores conta-se também com o de Manchester, o de Edimburgo e claro o de Londres. Aliás o famoso Winter Wonderland é uma das grandes atracções da cidade londrina apesar de ter sido exactamente a partir de 2021 que começou a ser paga a entrada. Escolhemos Birmingham porque é onde se encontra o mais bem avaliado e maior mercado de Natal do estilo alemão: o Birmingham Frankfurt Christmas Market na praça Vitória. A oferta de salsichas de 1 metro, cervejas enormes e decorações de Natal formam um conjunto que tem tudo para garantir sentirmos o espírito da época. O meu conselho é que cheguem antes das 9 da noite porque pela minha experiência o mercado fecha às 9 em ponto.

Mercado de natal em Birmingham

Neste mercado de Natal encontrámos as típicas barraquinhas com enfeites de Natal, espetadas de morangos cobertos com chocolate e outros doces pecaminosos. E claro – música que como dita a norma tem de incluir ‘Sweet Caroline’ de Neil Diamond, onde todos mesmo aqueles que não conhecem bem a música gritam a uma só voz ‘oh oh oh’. E este género de companheirismo social não acontece apenas neste mercado de Natal, mas em qualquer sítio onde a música passe – desconhecidos gritam a pulmões e sorriem entre si.

Claro que nós a primeira coisa que fizemos foi atacar nas salsichas de 1 metro. E em seguida foi na cerveja. A cerveja mais procurada ali é a do tipo alemã, afinal há que manter o tema do evento, mas também há outras escolhas como o mulled wine, vinho normalmente tinto aquecido com especiarias. O mulled wine passou a ser a minha bebida natalícia preferida desde que me mudei para Inglaterra. E não, não é sangria quente!

Update 2025: Em 2025 voltei a este mercado de Natal e até fiquei a conhecer outras partes deste evento como a famosa roda gigante e a pista de gelo que ficam no Centenary Square. No entanto, acho que fica mais barato ir até ao observatório da biblioteca de Birmingham do que pagar pelo bilhete da roda gigante. Para além que a vista sobre a cidade é melhor no observatório.

Roda gigante e pista de gelo no Centenary Square, parte do mercado de Natal de Birmingham

O mercado de Natal continua a ter as várias barraquinhas pitorescas e enfeitadas com todo o tipo de parafernália desde renas a pais natais. Tal como em 2021, nestas barraquinhas vendem-se vários tipos de doces, salsichas de 1 metro, bebidas alcoólicas como vinho quente e chocolate quente com baileys, objectos artesanais e enfeites de Natal. O difícil é mesmo não cair na tentação já que alguns preços são quase proibitivos. Como é costume num mercado de Natal. Este ano a única coisa que se experimentei foi o vinho quente que vinha numa caneca muito gira (ver imagem abaixo). Mas claro que a caneca não é de graça, bem pelo contrário.

Vinho quente (mulled wine) em bonitas canecas de natal

O preço do vinho quente com a caneca fica a 11.50 libras, 6.50 pelo vinho e 5 pela caneca. Para quem não quer ficar com a caneca na compra da bebida recebe-se um token que se devolve juntamente com a caneca para assim receber as 5 libras de volta. Esta devolução pode ser feita em qualquer umas das barraquinhas do mercado de Natal que esteja a vender bebidas.

Para todas as informações sobre o mercado de Natal em Birmingham vejam: https://thebfcm.co.uk/.

Todos os restaurantes que figuram nesta lista excepto o Pho Birmingham e o Nando’s ficam junto aos canais de água que atravessam a cidade criando pequenos recantos pitorescos e tornando a refeição, qualquer que seja, mais especial.

Noel’s Bar & Restaurant 

De todos os restaurantes desta lista este é sem dúvida o mais elegante, sem ser extremamente formal. O ambiente pode ser traduzido como requintado e relaxante. Este restaurante oferece comida mediterrânea e cada prato chega à mesa com uma apresentação delicada.

Sobremesa do Noel’s Bar & Restaurant

Website oficial deste restaurante: https://noelsbar.co.uk/

The Brasshouse

O ‘The Brasshouse’ e o ‘Box Brindleyplace’ ficam mesmo ao lado um do outro, numa zona super animada bastante perto do Centenary Square. A comida daqui é típica de pub o que faz desta uma óptima oportunidade para se ter uma refeição tipicamente inglesa mesmo no centro dos bares da cidade. E claro que a experiência não será completa sem beber uma pint ou duas.

Website oficial do The Brasshouse: https://www.thepeoplespub.co.uk/brasshouse-birmingham

BOX Brindleyplace

Este foi um dos locais que experimentei em 2025. Apesar de quando vim a comida ter sido servida em formato de buffet, uma vez que fazia parte dos eventos sociais da conferência, gostei imenso das pizzas e dos hambúrgueres. Mas tudo o que experimentei era bastante bom como as batatas fritas, as bolinhas fritas de massa macarrão e queijo (o famoso mac and cheese) e os pedaços de frango fritos com molhos diversos. A única coisa que não gostei muito foi de um hambúrguer de beterraba que era bastante seco. Este local não é bem um restaurante, mas mais um bar desportivo sendo o local ideal para quem quer ver uma partida de futebol num ambiente animadíssimo.  

Website oficial do Box Brindleyplace: https://www.theboxbar.co.uk/

The Botanist Gas Street Basin

O The Botanist fica praticamente em frente ao Centenary Square. Como vim visitar este local durante uma conferência com entrada aberta para todos os que estavam a participar no evento, este lugar estava cheíssimo. Por isso não consegui apreciar como deve ser a decoração das várias salas deste restaurante. Aliás dentro deste restaurante é suposto sentirmos que estamos a entrar numa espécie de floresta ou jardim botânico tropical, o que não foi de todo o que senti ao entrar e principalmente ao estar meia hora à espera para comer. Mas a minha experiência foi moldada pelo evento de trabalho, em dias normais deve ser completamente diferente. Para mim este é um lugar ideal para tomar uma bebida à esplanada junto ao canal mais do que para comer. No entanto, recomendo as espetadas de halloumi frito e os scotch eggs (ovos panados) para petiscar.

Website oficial do The Botanist Gas Street Basin: https://thebotanist.uk.com/

Pho Birmingham

Quando cheguei a Birmingham quis uma coisa que fosse perto da estação de comboios, mas também do meu hotel. Foi por isso que acabei por escolher um restaurante no centro comercial Bullring. E já vamos um pouco à história do centro comercial. O restaurante que escolhi foi o Pho Birmingham que oferece um menu variado de pratos vietnamitas.

Curry Noodle Soup do Pho Birmingham

Para comeracabei por escolher o Curry Noodle Soup – um prato que junta o clássico caril vietnamita e a sopa de noodles. Posso afirmar que era muito bom e não pensem que uma sopa não vos chega, porque a tigela de sopa vem com imensos noodles e vegetais. Eu escolhi a que vem com carne de vaca desfiada, mas há outras opções como com frango ou tofu e cogumelos ou camarões. Se estiverem por estes lados recomendo este restaurante, a zona pode não ser tão bonita como junto aos canais, mas o Bullring shopping center é uma visita cultural que deve ser feita. Se estiverem por Londres também podem ter a mesma experiência, uma vez que esta franchise está espalhada por algumas cidades de Inglaterra.

Website oficial do Pho Birmingham: https://www.phocafe.co.uk/

Este local começou como mercado em 1166 quando Pedro de Birmingham comprou a cidade (mencionado acima na secção do museu e galeria de arte). Para quem não sabe ‘Bullring’ significa praça de touros. O nome foi dado a este local como memórias das lutas de touros que aconteciam aqui durante o século XVI para manter a animação na praça do mercado.

Estátua do centro comercial Bullring

Avançando rapidamente para 2003, este centro comercial abriu as portas depois de passar por uma remodelação drástica que custou 500 milhões de libras. Aliás este local é tão importante para a cidade que a inauguração teve a presença da rainha Elizabeth II. E não há como perder a grande estátua de bronze de seis toneladas que figura no piso do rés-do-chão do centro comercial.

Nando’s

Fui jantar a um dos restaurantes da franchise Nando’s como podia ter ido a qualquer outro lado. Porque na New Street o que se encontra mais por esta rua são restaurantes, principalmente das conhecidas franchises de fast-food. O que não falta é escolha. E não só esta estrada pedonal ideal para comer, mas também para fazer compras.

Refeição no Nando’s em Birmingham

Eu escolhi o Nando’s – e não, não é português, como ouvi várias vezes dizer, mas sim sul africano com algumas influências da cozinha portuguesa. Sem dúvida que esta rede de restaurantes é famosa pelo frango grelhado e eu confesso que gosto bastante. E há pelo um destes restaurantes em qualquer cidade de Inglaterra. Por exemplo aqui na cidade onde vivo há dois. Esta é muitas vezes a minha escolha quando procuro uma refeição deliciosa e simples. E podem ter a certeza que todos em Inglaterra conhecem ou pelo menos já ouviram falar do Nando’s.

Website oficial da rede de restaurantes Nando’s: https://www.nandos.co.uk/

Head of Steam

Nós visitámos este bar depois do mercado de Natal fechar. Escolhemos este lugar por oferecer uma grande variedade de cervejas incluindo cervejas belgas (as nossas preferidas) e mesmo portuguesas. Para além das cervejas aconselho a experimentaram os cocktails. O ambiente estava super animado quando aqui viemos e é um dos locais que nos deixou com vontade de voltar.

Website oficial: https://www.theheadofsteam.co.uk/bars/birmingham

O’Neill’s Broad St

Isto vai parecer um bocado rally tascas – mas viemos a este bar irlandês depois do Head of Steam fechar às 11 da noite. Não só acabámos a noite a beber o famoso shot ‘baby Guinness’ como o karaoke da noite nos levou a cantar de novo o Sweet Caroline – a escolha de alguém que estava a sentir-se muito corajoso (ou muito bêbado).

Website oficial: https://www.oneills.co.uk/

Vou agora falar dos quatro hotéis onde fiquei hospedada em Birmingham. No entanto, também fiquei hospedada num Airbnb quando vim visitar o mercado de Natal, mas não me lembro de onde foi. Mas pelo menos sabem que a opção de Airbnb também está sobre a mesa. A minha sugestão é que fiquem perto do Centenary Square, a zona parece ser mais segura, para além que é muito mais bonita. Dito isto, também já fiquei no Ibis New Street Station perto da Chinatown, ou seja, na direcção oposta da cidade e não tenho nada de horrível a apontar. E para opções mais económicas este hotel é uma opção a considerar.

Ibis Birmingham New Street Station

Ibis Birmingham New Street Station é um hotel de 3 estrelas bem no centro da Chinatown (bairro chinês) de Birmingham. Eu passei três noites neste hotel e só tenho duas coisas a apontar, embora nada de drástico. A primeira era o tamanho do quarto. Como estava sozinha o espaço chegava perfeitamente, mas se fosse para mais pessoas podia ser considerado quase que claustrofóbico. A segunda coisa a apontar era o sistema de ar condicionado ou de aquecimento (nem sei bem) que fazia barulho durante toda a noite e não dava para desligar a origem do som.

Quarto no Ibis Birmingham New Street Station

Também a janela do meu quarto dava quase de frente para a do vizinho, mas isso não incomodou a minha estadia neste hotel. O pequeno-almoço tinha a qualidade esperada para um hotel de 3 estrelas; tinha todos os elementos do pequeno-almoço inglês e algumas opções do pequeno-almoço continental como torradas, manteiga, queijo e fiambre. Este hotel fica a cerca de 20 minutos da praça Vitória e 10 da estação de comboios.

Website oficial: Ibis Birmingham New Street Station

Holiday Inn Birmingham City Centre

Este foi o último hotel onde fiquei hospedada em Birmingham. Para quem viaja de comboio a localização do hotel é óptima já que fica a menos de 5 minutos a pé. Passar uma noite neste hotel não é tão económico como no Ibis, do qual falei acima, já que a noite que passei neste hotel custou mais de 120 libras (confesso que como não fui eu a pagar, não fiquei muito preocupada com o preço). O Holiday Inn Birmingham New Centre é um hotel de 4 estrelas e a qualidade é bastante boa desde os quartos até ao serviço incluindo opequeno-almoço.

Aliás neste hotel até tive direito a dois quartos – ambos com bom espaço e de decoração agradável. O problema com o meu primeiro quarto era o ar condicionado que não estava a funcionar e por isso o quarto estava um gelo, o que no final de novembro não é a melhor experiência para se ter. Mas o serviço do hotel foi fantástico, bastou ligar para a recepção que passado 5 minutos ligaram-me de volta a dizer que tinham feito um upgrade à minha reserva e para ir buscar a chave do novo quarto à recepção quando quisesse. O novo quarto era maior, mas a diferença era mesmo a casa de banho. A cama era confortável e para quem não costuma dormir grande coisa em quartos de hotel, especialmente quando estou sozinha, de manhã não queria sair da cama. A única coisa que talvez apontasse era as fronhas das almofadas que de um dos lados tinham umas pequenas manchas. E para quem quer saber destas coisas (como eu) apesar do shampoo ser uma porcaria (que, diga-se de passagem, é normal nos hotéis), o condicionador para o cabelo era, no entanto muito bom. Sei que nem toda a gente quer saber disto, mas para outras é bastante útil ter esta informação.

Vista do quarto no 7º piso no Holiday Inn Birmingham City Centre

Também o pequeno-almoço oferecia uma variedade bastante boa, não só se podia comer o famoso pequeno-almoço inglês como havia uma escolha diversa de pão, cereais e frutas. Também croissants e outros produtos de pastelaria estavam disponíveis.

Para mim esta é a opção ideal para quem quer ficar perto da estação de comboios e não se importa muito com o preço. Claro que não está numa localização como o Centenary Square, mas o hotel acaba por ficar perto de tudo, a cerca de 10 minutos a pé do centro de Birmingham.

Website oficial: Holiday Inn Birmingham City Centre

Travelodge Birmingham Central Newhall Street

Fiquei neste hotel em 2022 e confesso que as minhas memórias são muito poucas. Mas se não foi memorável normalmente é porque não foi mau. Este hotel fica mais perto da praça Vitória do que o Ibis e apesar de ser um hotel de 2 estrelas é uma opção económica a considerar como alojamento em Birmingham.

Website oficial: Travelodge Birmingham Central Newhall Street Hotel

Se não for preciso escolher um hotel económico como alojamento aconselho a ficar nos hotéis que ficam perto do canal como o Crowne Plaza ou o Hyatt Regency.

Hilton Birmingham Metropole

Este hotel não fica no centro da cidade de Birmingham, mas sim perto do aeroporto. É uma óptima opção para quem vem visitar Birmingham de avião e ou chega tarde ou sai de manhã cedo. Ou mesmo para aqueles que queiram fazer uma pausa do congestionamento do centro da cidade. Fiquei neste hotel em julho de 2025 e desde o quarto ao pequeno-almoço, tudo foi de boa qualidade e bom gosto. Se gostarem desta rede de hotéis também podem-na escolher como alojamento no centro de Birmingham.

Website oficial para reservas e mais informações: Hilton Birmingham Metropole Hotel

Espero que encontrem este post bem mais informativo do que o anteriormente publicado. Birmingham é uma cidade com imenso para fazer e fica numa localização que permite juntar esta cidade a uma viagem mais longa a Inglaterra, estando perto de Oxford e de Manchester. O mercado de Natal é o evento a não perder para quem vem na altura natalícia, mas Birmingham tem muito mais para oferecer para além disso e durante todo o ano.

Yorkshire – Robin Hood’s Bay, Ravenscar e York

Índice deste post

  1. Posts anteriores
  2. Costa de Yorkshire
    1. Robin Hood’s Bay
    2. Ravenscar
  3. Cidade de York
    1. B+B York
    2. Shambles
    3. Valhalla
  4. Próximo post

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Esta road trip começou pela costa de Norfolk, mais especificamente em Horsey Gap e Blakeney. Foi aqui que vimos pela primeira vez os leões marinhos e os seus bebés no seu habitat natural. No dia seguinte, conduzimos para norte até à costa de Yorkshire para conhecer duas vilas, Sandsend e Whitby. Já instalados em Egton, uma vila do parque nacional de North York Moors, passámos os dois dias seguintes a fazer trilhos e a visitar pitorescas vilas (dia 1 e dia 2). Os trilhos que escolhemos para esta viagem foram o Hole of Horcum, Dalby Forest, Littlebeck e Falling Foss e por último a cascata de Mallyan Spout. Em relação às bonitas vilas pudemos contar com Thorton-le-Dale, Grosmont e Goathland. Hoje vamos falar do último dia que passámos em Yorkshire, agora em outra parte da costa onde mais uma vez vimos leões marinhos e os seus bebés.

Costa de Yorkshire

Hoje foi o dia da viagem com pior tempo; algum nevoeiro, frio e aquela humidade desconfortável que não chega bem a ser chuva. Tempo típico de Inglaterra, portanto.

Costa de Yorkshire

A manhã deste quinto dia da viagem começou com o pequeno-almoço no pub The Witching Post Inn. Nos últimos dias tinha pedido o famoso pequeno-almoço inglês (Full English Breakfast), mas em prol da saúde hoje pedi torradas com ovos escalfados, um dos meus pequenos-almoços preferidos. Depois do pequeno-almoço chegou a hora do check-out e foi com muita pena e promessas de voltar que deixámos Egton.

Robin Hood’s Bay

O destino para o final deste dia era a cidade de York onde iríamos passar a noite. Mas antes estava planeado conhecer mais duas vilas da costa de Yorkshire, Robin Hood’s Bay e Ravenscar.

Chegámos a Robin Hood’s Bay por volta das 10 da manhã e deixámos o carro numa das ruas da vila onde o estacionamento era gratuito. A vila pareceu-nos meio deserta, o que afinal não nos surpreendeu já que o tempo não puxava para grandes caminhadas. No entanto, esta vila pescatória é um dos locais mais procurados da zona para caminhadas e praia.

A costa de North Yorkshire conta com uma distância de cerca de 70km entre as vilas de Staithes e Filey, caracterizada por falésias íngremes, instáveis e em constante erosão, formando baías como Robin Hood’s Bay. O aparecimento destas falésias começou no período do Jurássico Inferior com a formação de xistos, os quais foram posteriormente cobertos por arenitos durante o Jurássico Médio. Por sua vez, estes foram mais tarde cobertos por depósitos glaciares. As grandes baías e vales que se formaram são a consequência visível da erosão de zonas mais frágeis, de falhas geológicas, da glaciação e de deslizamentos de terras pela linha costeira de Yorkshire.

Praia de Robin Hood’s Bay

Quanto à nossa visita à vila de Robin Hood’s Bay, esta não se alongou por muito tempo, já que o tempo estava por esta altura bastante desagradável. Mas não nos fomos embora sem primeiro passear pelas pitorescas e estreitas ruas da vila que nos levaram até ao miradouro Mosaic Seal Wall. Aqui encontrámos um placard contendo informações sobre os esforços que se tem feito para reduzir o impacto da erosão em Robin Hood’s Bay. Descemos pela King Street até à praia e subimos depois pela New Road de regresso ao carro.

Ravenscar

De Robin Hood’s Bay até Ravenscar demorámos cerca de meia hora de carro. Também se pode fazer o trilho de 11 milhas (17 km) a pé entre estas duas vilas que é na verdade o trilho mais popular da região. Com o tempo como estava nem sequer chegámos a considerar essa opção. Estacionámos o carro em Raven Hall Road perto das casas de banho públicas. O parque de estacionamento junto à estrada nesta altura do ano é gratuito e perto de onde começa o trilho que desce pela falésia. Viemos até Ravenscar por uma razão, não para conhecer a vila, mas para ver a colónia de leões marinhos que vive na praia mesmo abaixo da falésia onde fica o hotel Grand Villa Heights.

Em Ravenscar

O percurso começa por atravessar campos verdejantes com pouca inclinação. No entanto, chegando a um cruzamento o caminho que desce a inclinada falésia até à praia torna-se muito mais irregular. Enquanto descemos por este caminho fomos encontrando placards com avisos e cuidados a ter ao nos aproximarmos da colónia. O principal é claro o de não disturbar a colónia de leões marinhos já que assustar estes animais pode levá-los a magoar-se ao tentar fugir por entre as rochas. A forma mais segura é mesmo levar binóculos e vê-los de uma distância de segurança para os animais e de certa forma para as pessoas. Nós descemos até à praia e ficámos numa zona afastada, quase escondida atrás das rochas. E ali estavam aqueles animais engraçados. O incrível era o barulho que faziam, quase como um cântico. E talvez por não ser esperado ou talvez por os leões marinhos estarem mais em grupo gostei ainda mais desta experiência do que a de Norfolk, sem querer tirar o brilho a nenhuma delas. Fomos muito sortudos poder ver estes animais no seu habitat natural e como eles interagem entre si.

Leões marinhos e os seus bebés em Ravenscar

Por outro lado, a paisagem que se estendia pela linha costeira era incrível mesmo não sendo um dia de sol, o que deve sem dúvida aumentar a beleza do local.

Uma das curiosidades sobre a vila de Ravenscar, que confesso acabámos por não visitar, tem origem no final da época vitoriana, altura em foram projectados planos para tornar Ravenscar em um grande resort que iria rivalizar com as cidades à volta como Scarborough e Whitby. Seguindo os planos, estradas foram pavimentadas, o sistema de esgotos instalado e até algumas casas construídas. No entanto, ‘Peak’, o nome do tal resort, acabou por nunca ser construído. E é por isso que hoje em dia o National Trust descreve Ravenscar como a ‘the town that never was’ (a cidade que nunca existiu).

Cidade de York

Quisemos chegar à cidade de York antes das 5 da tarde para irmos comer ao Shambles Market, o mercado da cidade. Nós já tínhamos vindo a York em janeiro de 2024, onde passámos um fim-de-semana grande a visitar a catedral, o que resta da fortaleza à volta da cidade, e até o museu, onde se encontra replicada uma rua típica da era vitoriana. Para além de toda a comida deliciosa que tínhamos experimentado em The House of Trembling Madness, Shambles Kitchen e Ambrosia Greek Food.

Os detalhes dessa viagem a York estão disponíveis na seguinte página deste blog: York

B+B York

Desta vez ficámos hospedados no B+B York, mas confesso que gostei mais do sítio onde ficámos da primeira vez, no The Crescent Guesthouse. No entanto, não foi um mau sítio, o nosso quarto era virado para a parte de trás por isso não tivemos o barulho do trânsito e era perto o suficiente para pudermos ir ao centro da cidade a pé.

Pequeno-almoço (eggs benedict) do B+B York

O espaço do quarto era adequado, talvez precisasse de alguns melhoramentos, e o pequeno-almoço também teve a qualidade esperada. Para além que oferecia estacionamento gratuito, o que pode ser um desafio em York.

Shambles

Depois do check-in feito e as malas postas no quarto fomos então em direcção ao mercado de Shambles (Shambles market). Chegámos perto das 4 e meia indo logo para a roulotte que tínhamos ambos em mente, a NaNa Noodle Bar. Este restaurante ambulante já nos tinha chamado a atenção na primeira vez que aqui viemos, mas na altura escolhemos o gyros da Ambrosia Greek Food que vos garanto também é uma óptima escolha.

No NaNa Noodle Bar escolhemos o pad thai e noodles com frango frito e molho agridoce. Como gostámos imenso de ambos os pratos, ainda fizemos um terceiro pedido antes do mercado de fechar: noodles com camarão tempura. Cada pedido vinha em grandes caixas de cartão e cada custou cerca de 9 libras.

Depois do mercado fechar às 5 da tarde, fomos dar uma volta pela cidade, passando pela zona dos Shambles, uma das zonas mais históricas de York, e entrando na igreja de todos os santos – Parish of All Saints, Pavement. Este passeio durou cerca de 1 hora até porque já tínhamos conhecido grande parte das lojas como a ‘The Shop that must not be named’ em referência ao Harry Potter e a The Society of Alchemists guardada pelo dragão que respira.

Valhalla

Apesar da ideia inicial para esta noite era a de fazer um pouco pub crawl acabámos por terminá-la mais cedo do que o esperado. Como a gripe decidiu aparecer em força no final deste dia acabámos por voltar para o quarto bastante cedo. No entanto, ainda fizemos uma paragem no bar viking Valhalla. Já tínhamos vindo aqui durante a primeira viagem a York, aliás viemos várias vezes durante essa viagem, e hoje não poderíamos perder a oportunidade de vir até Valhalla mais uma vez.

O melhor deste bar são os hidroméis de diferentes sabores como o de framboesa, alperce, cereja e o esperado mel. A decoração do local também é bastante impressionante com crânios de animais e ossos, mas ao mesmo tempo tem uma atmosfera incrivelmente confortável.

E foi a bebericar um copo de hidromel e a ouvir música metal que acabámos a noite em York. De novo deixo aqui o link da página da nossa viagem a esta que é considerada uma das cidades mais assombradas de Inglaterra: York

Próximo post

O próximo post será o último desta road trip e será sobre a cidade de Leeds. Esta cidade foi incluída no itinerário por termos bilhetes para um concerto e já que cá estávamos aproveitámos para ficar a conhecer um pouco da zona. Todos os detalhes estarão brevemente disponíveis neste blog.

Em North York Moors, Inglaterra (parte II)

Índice deste post

  1. Posts anteriores sobre esta road trip
  2. Trilho circular entre Littlebeck e a cascata Falling Foss
  3. Visita a Goathland
    1. Trilho até à cascata Mallyan Spout
    2. Estação de comboios de Goathland
    3. Casa de chá em Goathland
  4. Visita a Grosmont
  5. Jantar no The Witching Post Inn
  6. No próximo post

Posts anteriores sobre esta road trip

Estamos prestes a entrar na segunda metade desta road trip. Até então visitámos Norfolk com o objectivo de ver os leões marinhos e os seus bebés. Objectivo esse realizado com sucesso. No dia seguinte partimos em direcção à costa de Yorkshire conhecer Sandsend e Whitby, onde tivemos o privilégio (por coincidência) de ver ao vivo como a cidade se transforma durante o famoso fim-de-semana gótico. E por último, aproveitámos o terceiro dia para explorar o parque nacional de North York Moors, fazendo dois trilhos, o Hole of Horcum e o Dalby Beck Yellow Trail, sem perder a oportunidade de visitar a lindíssima Thornton-le-Dale. Aqui, vamos falar do quarto e último dia no parque nacional de North York Moors. Neste dia completámos mais dois trilhos e visitámos duas vilas por razões muito específicas, acabando o dia a ter o melhor jantar de toda a viagem.

Trilho circular entre Littlebeck e a cascata Falling Foss

Este dia começou de forma bastante semelhante à do dia anterior – a tomar o pequeno-almoço no The Witching Post Inn enquanto dávamos dois dedos de conversa ao dono do pub. No final, ainda antes de sairmos marcámos mesa para jantar aqui, já que às terças-feiras há uma promoção de um dos pratos da casa. Mas do jantar falarei mais abaixo.

Segundo pequeno-almoço no pub The Witching Post Inn

O primeiro trilho de hoje era perto de Littlebeck, uma pequena vila do parque nacional, para fazer o percurso circular entre Littlebeck e a cascata Falling Foss, uma das cascatas mais bonitas de North York Moors. Em vez de começarmos o trilho em Littlebeck começámo-lo perto da cascata, deixando o carro no parque de estacionamento Sneaton Forest, um estacionamento pequeno, de terra e gratuito.

O trilho começou com uma descida mais ou menos acentuada até a uma ponte e um pequeno café que naquela altura estava fechado, o Falling Foss Tea Garden. Daqui já se conseguia ouvir a cascata de 9 metros, a Falling Foss. E foi para ela que nos dirigimos. Como disse, apesar de não ser muito alta, a cascata e a floresta envolvente formam um cenário encantador. No final, o percurso circular teve uma distância de 6km e demorámos cerca de 2 horas e meia até estarmos de volta ao carro. O trilho que fizemos pode ser acedido através do mapa baixo.

Durante o percurso tivemos a oportunidade de percorrer a floresta sempre perto do ribeiro Little Beck, um pequeno afluente do rio Esk. Pelo caminho passámos por uma espécie de caverna chamada The Hermitage (a ermida), que fazia antes parte de uma casa, a casa Newton. Quando chegámos a Littlebeck não sabíamos bem qual era o caminho para voltar para trás, que não fosse o mesmo por onde tínhamos vindo.  Depois de passarmos por alguns descampados onde apenas cabras e bodes pastavam lá o descobrimos regressando à cascata Falling Foss.

Visita a Goathland

Goathland começou a ganhar popularidade no século XIX quando foi construído aqui um spa levando a que homens de negócios de Yorkshire procurassem esta vila como um lugar de descanso e de férias. A sua popularidade cresceu ainda mais quando a vila se tornou palco de filmagens de uma série de televisão muito conhecida em Inglaterra, Heartbeat.

Trilho até à cascata Mallyan Spout

A nossa primeira paragem em Goathland foi junto ao hotel Mallyan Spout, o hotel com o mesmo nome da cascata que vínhamos visitar. Deixámos o carro num banco de terra na estrada principal já que assim o estacionamento seria gratuito e estávamos perto o suficiente do hotel onde começa o caminho que desce até à cascata.

O trilho não é longo tanto que ir e vir teve uma distância de 2km e pouco. Contudo é preciso ter cuidado em algumas partes já que pelo caminho tem de se subir e passar por pedras soltas e molhadas havendo o perigo de se escorregar. Mas indo com cuidado faz-se o caminho sem azares. A cascata Mallyan Spout mede 21 metros e é alimentada pelo rio Esk. Levámos quase uma hora a ir e vir incluindo as paragens obrigatórias para tirar fotografias.

Estação de comboios de Goathland

Vou já confessar a razão para querer visitar esta estação de comboios; bem na verdade houve duas, mas a primeira foi o de esta estação ter sido palco de filmagens do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal. Foi esta estação a escolhida para representar a estação de Hogsmeade onde o comboio chega e parte de Hogwarts.

Estação de comboios de Goathland

A segunda razão teve um valor mais cultural. A linha ferroviária que liga Whitby a Pickering e passa por Goathland é uma das mais antigas de Yorkshire. Esta linha foi inaugurada em 1836 e esteve em serviço durante anos até ser encerrada pela British Rail em 1965. No entanto, o troço entre Grosmont e Pickering foi reaberto em 1973, resultado do esforço de um grupo de entusiastas que não quis ver a história daquela ferrovia acabar ali. Hoje em dia não só a linha ferroviária está em funcionamento como é a ferrovia histórica com mais passageiros no Reino Unido, transportando mais de 350,000 passageiros por ano. Portanto, é possível fazer esta viagem de comboio a vapor, ou como nós, ver o comboio passar pela linha ferroviária, razão pela qual fomos mais tarde até Grosmont. Isto porque nenhum comboio passaria por Goathland durante as horas seguintes.

O horário diário dos comboios a vapor pode ser acedido no final da seguinte página: North Yorkshire Moors Railway

Casa de chá em Goathland

Como o tempo começou a piorar, frio e cinzento com aquela chuva miudinha irritante e já que tínhamos mais de 1 hora até o comboio passar por Grosmont, fomos visitar o centro da vila de Goathland decidindo por entrar no Goathland Tea Rooms. Ao entrar, demos com uma casa de chá de decoração giríssima e, como o tempo assim próprio de Outono pedia uma bebida quente e uma fatia de bolo, foi isso mesmo que pedimos.

A casa de chá fazia ligação com a loja de recordações onde fomos tentados a comprar uma recordação antes de avançarmos com o nosso itinerário.

Visita a Grosmont

A viagem de carro entre Goathland e Grosmont foi de apenas 10 minutos. Estacionámos o carro já fora da vila na estrada perto do parque de estacionamento Grosmont Car & Couch Park. Assim não ficávamos longe da estação de comboios e mais uma vez não tínhamos de pagar estacionamento. Chegámos à estação a poucos minutos das 3 e meia onde o comboio a vapor acabava de parar com o fumo da locomotiva ainda a fumegar. Enquanto estivemos aqui pudemos ver como a parte da frente da locomotiva é mudada para o outro lado do comboio (tornando-se a parte de trás agora a parte da frente). E esta é uma das razões para Grosmont ser uma das melhores estações para ver o comboio a vapor pois é aqui que as carruagens são mudadas.  

Comboio a vapor na estação de Grosmont

No website oficial do North Yorkshire Moors Railway podem ser adquiridos diferentes tipos de bilhetes. Claro que mesmo o bilhete normal é mais caro do que um bilhete de comboio normal, já que não é um comboio normal. Para uma experiência ainda mais especial há a possibilidade de comprar o bilhete de comboio com refeição incluída podendo-se assim viajar através do parque nacional a saborear uma refeição de 3 pratos.

Comboio a vapor na estação de Grosmont

Quando voltávamos para o carro houve um episódio meio caricato pois de repente apareceu-nos várias galinhas no meio da estrada completamente alheias ao perigo de ali estarem. Supomos que elas tenham fugido de algum galinheiro, no entanto não vimos ninguém a vir atrás delas. Foi apenas estranho como elas apareceram ali do nada e ali ficaram.

Jantar no The Witching Post Inn

Depois de regressarmos a Egton pelas 4 da tarde demos um pequeno passeio por esta vila que incluiu a Igreja de Santa Hilda. A vila em si não é muito grande e como a noite chegou cedo, o jantar também começou mais cedo do que o normal. Às 6 e meia já estávamos sentados numa das mesas do pub prontos para começar. No entanto, ao contrário do esperado, o jantar não acabou cedo, aliás muito pelo contrário, a refeição acabou por se estender pela noite adentro. O ambiente e a conversa e talvez também um pouco o álcool fizeram com que assim fosse.

Na vila de Egton

Quanto à comida que experimentámos durante o jantar apenas posso dizer que estava tudo óptimo tendo sido esta uma das melhores refeições desde há muito tempo. Para entrada, pedimos para dividir peixinhos fritos com maionese de limão e pimenta (whitebait with lemon pepper mayo with brown buttered bread and lemon garnish). Eu que não costumo ser muito apreciadora deste tipo de comida, especialmente quando inclui peixes que se comem juntamente com as espinhas – gostei imenso deste prato. E o meu marido ainda mais já que ele adora este tipo de petiscos.

Peixinhos fritos como entrada no The Witching Post Inn

Para prato principal tivemos de pedir o frango à parmegiana já que era uma terça-feira e às terças-feiras este pub oferece a promoção de 2 pratos de frango à parmegiana pelo preço de 1. Para recheio escolhia-se entre manteiga de alho, pepperoni ou molho picante. Eu pedi o pepperoni e o meu marido a manteiga de alho. Só posso dizer que desde então temos falado desta refeição várias vezes e do quanto queremos voltar a Egton para pudermos comer outra vez neste pub.

Frango à parmegiana do The Witching Post Inn

Das bebidas disponíveis, não resistimos a provar as cervejas e os gins, ambos de produção local. Mas não fomos só nós a prová-las também os outros clientes e empregados/dono do pub o fizeram. O que claro contribuiu para que a conversa se prolongasse pelo serão dentro.

No próximo post

No próximo post vamos falar do nosso último dia em Yorkshire, onde tivemos direito a mais uma oportunidade, desta vez inesperada, de ver os leões marinhos e os seus bebés! Depois de uma segunda visita à costa de Yorkshire fomos para York, uma cidade já conhecida e adorada por nós. E à qual voltaremos sempre que possamos.

Em North York Moors, Inglaterra (part I)

Índice deste post

  1. Posts anteriores sobre esta road trip
  2. Pequeno-almoço em The Witching Post Inn
  3. Trilho em Hole of Horcum
  4. Trilho em Dalby Forest
  5. Visita a Thornton-le-Dale
  6. Jantar no Magpie Café em Whitby
  7. Próximo post

Posts anteriores sobre esta road trip

Esta road trip de novembro começou em Norfolk, com a visita a Horsey Gap para ver os leões-marinhos e o segundo dia acabou no Gothic weekend em Whitby. Neste post vou falar-vos do terceiro dia da viagem, dia este em que percorremos vários trilhos no North York Moors.

Pequeno-almoço em The Witching Post Inn

O terceiro dia da viagem começou com o pequeno-almoço no pub onde tínhamos passado a noite, o The Witching Post Inn. Este local oferece pequeno-almoço cozinhado que inclui os vários componentes do famoso english breakfast. E para o primeiro dia foi isso mesmo que pedimos. Os pratos que nos chegaram à mesa para além de bem servidos eram deliciosos, desde a salsicha, aos feijões ao black pudding. Até da caneca eu gostei!

Pequeno-almoço no The Witching Post Inn

Ainda antes de sairmos, estivemos um bocado à conversa com o dono do pub, conversa essa que acabou por incluir os locais que queríamos visitar naquele dia, aos quais ele nos deu umas dicas. E depois deste pequeno-almoço considerável era altura de irmos fazer o primeiro trilho.

Trilho em Hole of Horcum

O trilho que estávamos prestes a começar em Hole of Horcum não era o nosso primeiro em North York Moors. Quando viemos conhecer a cidade de York pela primeira vez, no início de 2024, tínhamos feito o percurso à volta de Rosadale. E provavelmente teria sido um dos trilhos da lista para esta viagem se não o tivéssemos já feito.

Paisagem no início do nosso percurso em Hole of Horcum

Aliás a maior parte dos trilhos que fizemos em North York Moors foram sugeridos por uma das minhas colegas que é desta zona e por isso sabe melhor que ninguém quais são os melhores trilhos, qual a dificuldade de cada um e quais são as pequenas vilas que vale a pena visitar. Hole of Horcum, tal como Rosadale, foi um dos primeiros trilhos a serem sugeridos. Para fazer este percurso o melhor é estacionar o carro em Saltergate car park mesmo este não sendo gratuito. A viagem entre Egton, de onde partimos, até este parque de estacionamento foi de cerca de meia hora e às 9 e meia já estávamos prestes a começar este trilho.

Hole of Horcum é uma das secções do vale Levisham Beck e conhecido pelo ‘buraco’ em forma circular de 120 metros de profundidade, resultado da linha de nascentes que segue ao longo da fronteira entre duas camadas rochosas. Existe uma lenda associada a este ‘Hole’ e de como ele surgiu. De acordo com a história, este buraco foi criado por um gigante chamado Wade ao agarrar num pedaço de terra para atirar à sua mulher, Bell, durante uma discussão.

Quanto a nós, o percurso circular teve uma distância de quase 9 quilómetros (8.38km para ser mais precisa) e levou-nos cerca de 2 horas e meia a completá-lo. O mapa abaixo mostra os detalhes do nosso percurso de e até Saltergate car park.

No início do trilho escolhemos seguir pelo caminho que ia a direito deixando a subida para último. Apesar da subida final ter sido mais inclinada foi mais curta do que indo no sentido inverso.

Parte do trilho que atravessa a base do Hole of Horcum

Durante o caminho ainda encontrámos uma ou duas pessoas, mais já na parte final quando íamos junto ao riacho Levisham Beck. O que nos acompanhou durante todo o caminho foram as ovelhas que pastavam pelos campos. Infelizmente nada de vestígios de gigantes, mas as paisagens de campos a perder de vista alegraram as primeiras horas deste dia.

Trilho em Dalby Forest

O próximo local que estava agendado para aquele dia era a floresta de Dalby. Esta floresta conta com cerca de 240 km2 e por ela encontram-se imensos trilhos para caminhadas, corridas e até trilhos próprios para bicicleta.

Para visitar a floresta estacionámos o carro mesmo ao lado do Visitor Centre (centro de turismo) da floresta de Dalby. Tal como em Saltergate também aqui o parque de estacionamento é pago. Talvez tenha sido por o tempo estar meio murcho ou de ser meio da semana em novembro, ou talvez por ambas as razões, a verdade é que tanto o centro de turismo como a floresta estavam practicamente desertos. Não que isso fosse um problema, não de todo. Quando entrámos por uns momentos no Visitor Centre encontrámos um pequeno café aberto e uma coisa que costuma ser bastante importante para viajantes – casas-de-banho.

Na entrada do centro de turismo estivemos a estudar o mapa onde os vários trilhos estavam marcados. Tínhamos 5 à escolha todos de nível fácil, o que mudava era mesmo a distância:

  • Housedale Rigg Trail – 4.5km
  • Sneverdale Rigg Rabbit Run Trail – 3.8km
  • Ellerburn Trail – 5.5km
  • Dalby Beck Trail – 6.7km
  • Pexton Moor Trail – 2.7km

Nós escolhemos fazer o Dalby Beck Trail já que era o mais longo. Contudo sem querer fizemos um pequeno desvio a meio, pois em vez de irmos pelo trilho de caminhada, acabámos por ir parar a um trilho para bicicletas. E esta foi a parte mais difícil do percurso, com uma descida bastante acentuada. No entanto, foi a parte em que entrámos pela floresta adentro onde vários grupos de cogumelos engraçados cresciam. Por isso este desvio teve os seus prós e contras.

O percurso completo teve uma distância de 6.4km (menos 300 metros do que o trilho oficial devido ao tal desvio) e levou-nos cerca de 2 horas a percorrê-lo. Dalby forest foi uma óptima escolha principalmente para ver as cores outonais da época.

Qualquer itinerário a North York Moors deve incluir Dalby Forest tal como Hole of Horcum e Rosadale especialmente para quem gosta de fazer caminhadas. Para todas as informações tal como trilhos, actividades disponíveis, horários e preços cliquem em Dalby Forest (todas as informações).

Visita a Thornton-le-Dale

A vila de Thornton Dale ou Thornton-le-Dale fica a menos de 10 minutos do Dalby Forest Visitor Centre e foi a nossa última paragem antes de voltarmos para Egton, antes do jantar. Thornton Dale é considerada a vila mais pitoresca do North York Moors e, portanto, esta paragem é por muitos mencionada como obrigatória. E depois de a visitar, estou completamente de acordo.

Centro de Thornton-le-Dale

Conseguimos deixar o carro no centro da vila em frente a uma pastelaria, a Baldersons – Bakery & Sandwich Bar. Como já eram 3 da tarde e por esta altura o pequeno-almoço era apenas uma memória, entrámos nesta pastelaria para comprar uma das muitas tentações que estavam expostas na montra. Escolhemos uma das versões de Rocky Road, um bolo feito de bolacha, chocolate branco e marshmallow. E tal como é sugerido pelo nome ‘Rocky’ (rochoso), o bolo era bastante duro. O incrível é que era duríssimo, mas o sabor era delicioso. Se calhar esta dureza é propositada, para não se acabar o bolo numa só assentada. Mas talvez aconselhe a pedirem algo mais fácil de comer como uma tarte de Bakewell ou um flapjack. Bem, o que eu quero dizer é que há imensa escolha (como mostra a fotografia abaixo à esquerda) e se tiverem oportunidade visitem esta pastelaria que está aberta desde 1937 (website: Baldersons bakery).

Os Balderson, os donos desta pastelaria, é uma das famílias que vivem em Thornton-le-Dale há gerações. E facilmente nos apercebemos da presença importante desta família na vila uma vez que na mesma correnteza de lojas a seguir à pastelaria encontramos a loja de lembranças – Baldersons Gallery & Gifts e a gelataria – Balderson’s Ice Cream Parlour.

Mas uma visita a Thornton-le-Dale não é só para guloseimas. Na verdade, em Thornton-le-Dale é o Beck Isle Cottage, construído no século XVII, o edifício mais conhecido e mais fotografado na vila. A sua fama deve-se à sua arquitectura e à sua localização na curva do rio Thornton Beck criando um cenário pitoresquíssimo. Esta casinha de contos de fadas ou dos 7 anões foi já várias vezes restaurada sempre com o cuidado em manter o seu carácter histórico e hoje é símbolo da herança da vila de Thornton-le -Dale e da arquitectura rural.

Beck Isle Cottage em Thornton-le-Dale

Depois de visitarmos o cottage, andámos pelas várias ruas da vila, sem rumo certo e sem pressas. Saímos de Thorton-le-Dale por volta das 4 da tarde de regresso ao nosso quarto em Egton para um descanso merecido antes de voltarmos a sair para jantar.

Jantar no Magpie Café em Whitby

O jantar desta noite estava marcado no famoso Magpie Café. E assim estávamos de regresso a Whitby. Estacionar em Whitby pode por vezes ser um desafio especialmente durante o fim-de-semana e se o alvo for o centro da cidade. Mas numa segunda-feira perto das 7 da noite e depois do gothic weekend conseguimos encontrar facilmente estacionamento livre no West Cliff car park. Este parque é pago apenas de 1 de março a 31 de outubro. Ou seja, não só encontrámos estacionamento como ainda por cima era gratuito.

E assim enquanto andávamos em direcção ao Magpie Café tivemos de novo o privilégio de puder ver a paisagem sobre a cidade de Whitby e o cais. Quando chegámos ao Magpie Café, tendo reserva, fomos rapidamente levados até à nossa mesa. Mas devo dizer que mesmo sendo uma segunda-feira, o restaurante estava bastante cheio.

Amêijoas cozinhadas em molho de vinho, natas e alho no Magpie Café em Whitby

Afinal por que razão é este local assim tão procurado? Em suma há vários factores, começando pela sua presença na cidade desde 1750 especialmente numa zona tão próxima do cais. Magpie Café tem, portanto, uma longa ligação com a indústria piscatória e naval tendo começado a sua história na cidade como uma casa mercante e mais tarde tornando-se propriedade de um dos membros de uma família baleeira, os Scoresby. Por outro lado, a visita de vários críticos de comida e as suas óptimas reviews adicionado ao facto de este restaurante ter sido vencedor de alguns prémios, fizeram dele um dos mais procurados e famosos principalmente pelo prato da casa, o fish and chips.

Quanto à nossa experiência, para começar a nossa refeição pedimos, como entrada, amêijoas cozinhadas num molho de vinho, natas e alho. E era absolutamente delicioso. Se nos tivessem dado aquele molho como sopa podem ter a certeza de que o teríamos comido com toda a satisfação. Para prato principal quisemos experimentar o famoso peixe frito com batatas fritas, já que é o prato especial e aclamado da casa. Infelizmente, ficou muito aquém das expectativas. Acho que na verdade em vez de ser um dos melhores que comi, foi talvez um dos mais fracos. E sim, as expectativas eram muito altas. Mas quanto às amêijoas, é um prato que recomendo vivamente a experimentar.

Fish (cod) and chips do Magpie Café em Whitby

Por outro lado, também achámos alguns preços um bocadinho puxados – quanto às amêijoas que custou 10 libras, acho que foi um valor justo. Afinal estamos a falar de marisco. Quanto ao prato principal cada um custou 16.95 libras o que para aquilo que comemos não foi um bom valor. Mas pronto, o jantar pode ser considerado como um ‘feito’ naquela que é a experiência gastronómica mais turística em Whitby. E afinal é certo que este lugar tem um valor histórico para a cidade. Para além de que há sempre a possibilidade de termos vindo num dia mau para este restaurante.

Para ver mais sobre este restaurante vejam o website oficial: Magpie Café.

Próximo post

Para o próximo post vamos falar do nosso quarto dia desta road trip que contou com mais dois trilhos em North York Moors e desta vez com cascatas pelo caminho. Também ficámos a conhecer a estação de comboios onde foi filmado Harry Potter com direito a uma pausa para uma bebida quente e uma fatia de bolo.

No meio do fim-de-semana gótico em Whitby

Índice deste post

  1. Último post em Norfolk
  2. Sandsend
  3. Whitby
    1. Whitby’s Abbey
    2. St Mary’s church e os 199 steps
    3. Gothic weekend
    4. Whitby Brewery
  4. Check-in no The Witching Post Inn em Egton
  5. Próximo post

Último post em Norfolk

O último post foi o primeiro da road trip que fizemos em novembro, altura em que visitámos três zonas de Inglaterra. Primeiro, falámos de Norfolk, mais em específico da costa onde se pode ver os leões marinhos no seu habitat natural durante todo o ano. No entanto é mais especial esta visita durante os meses de inverno, altura em que estes animais dão à costa para dar à luz. Só em 2024/2025 contou-se com mais de 3000 bebés leões marinhos a nascerem em Norfolk. Falámos também de St Mary’s Lodge Bed & Breakfast onde ficámos instalados por uma noite antes de irmos para Yorkshire. Hoje vamos falar da segunda parte da viagem, a costa de Yorkshire, visita essa que se revelou mais surpreendente do que esperávamos.

Sandsend

Chegámos a esta pequena vila pecuária depois de 4 horas a conduzir de King’s Lynn, perto de Norfolk. Estacionámos na estrada principal antes mesmo de chegar ao centro da vila, parque esse que durante os meses de inverno é gratuito. Viemos a Sandsend por duas razões, para ver a parte da praia e da falésia e para irmos até a um pub que me tinha sido aconselhado por um colega.

Praia de Sandsend

Sandsend fica a cerca de 5km da cidade mais próxima, Whitby, sendo possível fazer o caminho a pé entre ambas. O percurso pode ser feito pela praia, se a maré estiver baixa, ou então pela estrada. Se o tempo estivesse melhor talvez tivéssemos sido tentados a fazer pelo menos parte do caminho, mas como o tempo não estava grande coisa ficámo-nos por Sandsend. Andámos pela praia até junto à falésia, mas como a maré estava a encher decidimos ir para o pub, o The Hart Inn, e beber qualquer coisa. Ficámos um bocado à conversa sentados na esplanada, antes de seguirmos caminho até Whitby.

Sandsend, Yorkshire

Acabámos por não ficar muito tempo em Sandsend mas também é preciso ter em consideração que já tínhamos chegado a esta vila perto da 1 da tarde. Como ainda queríamos ir até Whitby e visitar a abadia não pudemos ficar aqui durante muito tempo.  No entanto, mesmo assim conseguimos ficar a conhecer um pouco desta pitoresca vila de pescadores.

Whitby

As ruínas da abadia de Whitby

Chegámos a Whitby perto das 3 horas da tarde. Estacionámos o carro ao pé da Whitby Abbey (abadia) para visitarmos tantos as ruínas como o museu. Não deixámos o carro no estacionamento oficial já que este era pago, deixámo-lo antes estacionado numa das ruas ali perto onde era gratuito. Para visitar as ruínas aconselho a comprarem o bilhete online já que assim têm um desconto de 15%. O website oficial da Whitby Abbey, onde se pode adquirir os bilhetes é o seguinte: Whitby Abbey

Whitby’s Abbey

Hoje em dia o mosteiro do século VII encontra-se em ruínas, mas não deixa de ser um majestoso lugar para visitar. A história desde mosteiro começa em 657 quando a abadessa Hild fundou o mosteiro nas terras doadas pelo Rei Oswiu. No ano de 664, os líderes da Igreja reuniram-se aqui para o Synod de Whitby, uma reunião organizada para decidir a data da Páscoa. Foi durante esta reunião que se determinou seguir as prácticas romanas em vez das célticas, o que moldou a direcção da igreja em Inglaterra pela história. A Abadessa Hild morreu em 680 e pouco depois começou a ser venerada como uma santa.

Whitby Abbey

Este mosteiro foi abandonado em meados do século IX até que Reinfrid, soldado normando, se estabeleceu aqui nas ruínas do mosteiro. Em 1109, a comunidade adoptou a Regra de St Benedict (São Bento). A nova igreja era dedicada tanto a St Peter como a St Hild. Os monges viveram aqui até a supressão da abadia pelo rei Henrique VIII em 1539.

Para além da visita às ruínas também se pode visitar o museu que fica no mesmo recinto da abadia onde vários objectos da história de Whitby estão em exposição como cruzes anglo-saxónicas, manuscritos dos tempo medievais e até uma cópia rara e assinada por Bram Stoker, o autor do famoso livro Drácula.

Uma das partes culturais importantes que moldaram a cidade de Whitby foram as lendas e mitos associados a ela. Um exemplo é a história de St Hild. De acordo com a história, St Hild conseguiu remover as cobras que assombravam as falésias de Whitby. Ao fazê-lo foi homenageada por gansos que voavam sobre a sua cabeça enquanto os sinos perdidos da abadia ressoavam no fundo do mar.

St Mary’s church e os 199 steps

Mesmo ao lado da abadia encontrámos a igreja de St Mary erguida em 1110 rodeada pelas campas antigas do cemitério. Ao passar por este local fomos de encontro a outro ponto de interesse em Whitby, a escadaria dos 199 degraus (199 steps) também conhecida como as escadas da igreja (church stairs). Acho que não vale a pena dizer que há mesmo 199 degraus e posso confirmá-la pois fiz o caminho tanto para baixo como para cima. Apesar de haver algum debate sobre quantos degraus de facto existem.

St Mary’s church (igreja de St Mary) em Whitby

Toda esta parte das ruínas da abadia sobre as falésias imponentes, mais a igreja rodeada pelas lápides antigas e degradadas formaram na mente de Bram Stoker o cenário perfeito para o seu livro, o Drácula. Algumas das lápides deste cemitério erguem-se sobre túmulos vazios assinalando pescadores cujos corpos não voltaram a terra depois de partirem nas suas viagens. Os nomes destes túmulos foram significativos para o livro incluindo ‘Swales’ nome esse que Bram usou para a primeira vítima do Drácula. Para quem quer ler um pouco mais sobre a experiência de Bram Stoker em Whitby e como esta cidade inspirou o livro cliquem em: Drácula em Whitby

Vista de Whitby do topo dos 199 degraus

Ao passarmos pela igreja e pelo cemitério foi quando começámos a falar abertamente sobre a forma como algumas pessoas estavam vestidas. Já tínhamos reparado que havia algo ‘fora do comum’ na abadia. Havia pessoas mascaradas, no entanto o que chamou mais a atenção foi que a maioria usava roupa e maquilhagem de estilo gótico. E isto intensificou-se quando estivemos perto do cemitério. Não pensem que comentámos em tom de crítica, mas sim de curiosidade pelo grande número de pessoas que assim estavam vestidas. E foi enquanto descíamos os 199 degraus depois de pararmos um pouco para apreciar a bonita vista da cidade que descobrimos que tínhamos vindo visitar Whitby exactamente a meio do Gothic weekend (fim-de-semana gótico). Foi sem querer, mas adorei a coincidência, porque já tinha ouvido falar deste evento e puder estar ali ao vivo era uma oportunidade fantástica.  

Gothic weekend

Para quem nunca ouviu falar, o Gothic weekend acontece duas vezes por ano, em abril e no fim de outubro/inícios de novembro. Exactamente no fim-de-semana em novembro que viemos a Whitby!

O Gothic weekend começou em 1994. O incrível é que isto começou com um anúncio numa revista de música, a New Musical Express, de formar a chamar pessoas que tivessem interesses comuns e fossem apaixonadas pela cultura gótica. Em vez de isto ser um encontro de 15 amigos que se comunicavam através de cartas, os chamados pen-friends, foi antes um encontro gigantesco que contou com cerca de 200 pessoas. A partir desse primeiro fim-de-semana, o Gothic weekend adquiriu enormes proporções e hoje para além de acontecer duas vezes por ano, a cidade recebe visitantes com imensos eventos musicais, culturais e artísticos. Sempre a celebrar o gótico. E é impossível escapar ao ambiente que transforma completamente a cidade. E eu sei isto porque voltei a Whitby nesta mesma viagem quando o fim-de-semana gótico tinha terminado e a vibe da cidade era completamente diferente. Se me perguntarem se é melhor vir em abril ou em novembro, eu pessoalmente como ‘turista’ e não aficionada do gótico diria novembro. Não só temos nesta altura a adição do Halloween como os dias são mais curtos e mais frios, criando um ambiente mais aberto à imaginação. Se também estiverem interessados em conhecer esta parte cultural de Whitby vejam: Website oficial do Gothic weekend.

Church Street em Whitby

Continuando com a nossa tarde em Whitby, depois de descermos os 199 degraus andámos pelas bonitas ruas empedradas da cidade acabando por passar a ponte sobre o rio Esk. A nossa ideia era ver se era possível jantar no famoso Magpie Café. No entanto, quando chegámos à porta estava uma grande fila por isso o nosso plano foi imediatamente alterado. Faríamos uma reserva para o dia seguinte no Magpie Café para comer o famoso fish and chips (peixe frito com batatas fritas). Para não me adiantar muito vou apenas dizer que apesar da fama do restaurante esta não foi a melhor refeição da viagem.

Cais de Whitby

Antes de atravessarmos novamente a ponte e subir os 199 degraus ainda fomos a um pequeno jardim com uma belíssima vista sobre o cais de Whitby acompanhado no cimo da falésia pelas ruínas da abadia. Neste pequeno jardim também encontrámos outros dois pontos de interesse, os arcos feitos de osso de baleia (maxilar) – Whalebone Arch, e o Memorial ao Capitão Cook – Captain Cook Memorial.

Whitby Brewery

Como não íamos jantar ao Magpie Café decidimos comer qualquer coisa na Whitby Brewery (cervejaria de Whitby). Este local também tinha sido recomendado por um colega devido à variedade de cervejas que aqui são feitas. A Whitby Brewery fica no topo dos 199 degraus mesmo de frente às ruínas da abadia. Tanto é que sentados nas mesas do pátio podíamos continuar a admirá-las.

Whitby Brewery

Esta cervejaria é recente, tendo começado em 2013. Em 2016, devido à popularidade e crescimento da empresa mudaram-se para aqui, onde estão actualmente, uma vez que as dimensões da propriedade eram maiores. Quando chegámos à Whitby Brewery o local já estava bastante apinhado até porque estava para começar um concerto de música ao vivo. Não sei dizer se a música ao vivo é algo normal neste estabelecimento ou era apenas parte do Gothic weekend. Pedimos as nossas cervejas e não tendo sítio para nos sentarmos na parte interior viemos então para o pátio onde ainda havia várias mesas disponíveis.

Pizza e cerveja da cervejaria de Whitby

Para acompanhar a cerveja também pedimos uma pizza, a Prosciutto para dividir entre nós os dois. As pizzas do Whitby Brewery são feitas a forno de lenha e o serviço decorre todos os dias entre a 1 e as 7 da tarde. A única parte menos boa que talvez seja importante mencionar é que não há estacionamento nesta cervejaria, no entanto há estacionamento nas ruas ali à volta (que como disse acima foi a nossa opção quando chegámos para visitar a abadia). Estivemos por aqui durante cerca de 1 hora, até às 6 da tarde. Acabámos por não ficar mais tempo por duas razões; estava a arrefecer bastante para estarmos sentados na rua e ainda tínhamos de fazer o check-in em Egton, a vila onde íamos ficar nas próximas 3 noites.

Para visitar o website oficial da cervejaria cliquem em: Whitby brewery

Check-in no The Witching Post Inn em Egton

A distância entre Whitby e Egton é de 12km o que de carro leva cerca de 15 minutos. Para nós, Egton foi o ponto perfeito para a viagem, perto o suficiente da costa, mas já dentro do parque nacional, o qual queríamos explorar nos dias seguintes. Chegámos a este pub/pousada já era noite cerrada e fomos recebidos num ambiente bastante acolhedor. Recebemos as chaves do quarto que ficava no primeiro andar, acima do pub. Não tenho nada de mau a apontar sobre o nosso quarto, mas depois da experiência que tínhamos vivido em Whitby, se nos tivessem sugerido que o quarto era assombrado não tínhamos duvidado. Talvez um bocadinho. Mas nunca vimos nada durante a nossa estadia. A parte mais aterradora era mesmo a possibilidade de bater com a cabeça na rampa que subia para a casa-de-banho se não fôssemos com cuidado. No total The Witching Post Inn tem 3 quartos disponíveis para alugar, mas aviso que este lugar costuma estar lotado. E não é de admirar nós adorámos o local tanto devido à localização como a forma como fomos recebidos e tratados. No final já conhecíamos a história do dono, a história do pub, os problemas da vila e as practicalidades de viver em Egton. E mesmo depois de meses de termos feito esta viagem ainda falamos imenso em voltar a Egton, o que faremos assim que a oportunidade surja.

Como tínhamos comido a pizza na cervejaria em Whitby e não havia muita fome acabámos por fazer o mesmo para jantar, pedimos uma pizza do menu para partilhar. Das 4 opções disponíveis escolhemos a hotshot que se confirmou ser bastante picante (hot = picante). Durante o jantar verificámos que as primeiras aparências com que ficámos do The Witching Post Inn estavam certas – um pub local com um ambiente informal e acolhedor, onde todos se conhecem.

Antes de acabar este primeiro dia em Yorkshire, vou só falar da história deste pub: Em 1704 esta pousada fazia parte de uma quinta que incluía uma cervejaria. A cerveja que era aqui produzida tinha o objectivo de fornecer líquidos e calorias aos trabalhadores da quinta uma vez que o sistema de água era bastante abaixo dos padrões de higiene sanitária. Em 2012 a pousada que na altura se chamava Ye Old Horshoe encerrou e voltou a abrir em 2017 com um novo nome, The Witching Post Inn. Este nome foi escolhido devido ao ‘witch post’ (poste das bruxas) que se encontra à entrada do pub, o qual foi esculpido em madeira e posteriormente benzido por um padre.

Os ‘witch post’ são oriundos da época medieval e tradicionais desta zona do país, North York Moors, pois acreditava-se que estes postes protegiam as casas da entrada indesejada de bruxas. A história associada a este local por coincidência espelhou toda a experiência que estávamos a ter naquele dia com o fim-de-semana do Halloween (Dia das Bruxas) e da celebração gótica em Whitby.

O website oficial deste pub/pousada pode ser acedido em: The Witching Post Inn

Próximo post

Para a próxima semana vamos falar do pequeno-almoço que comemos no pub na manhã seguinte, dos dois primeiros trilhos que fizemos no parque nacional de North York Moors acabando o dia numa pitoresca vila com direito a experimentar um bolo típico.