No último post falámos da nossa viagem pela costa, da cidade de Cetinje e da nossa tentativa de visitar o mausoléu de Njegos. No final falámos da nossa chegada a Kotor, de onde estacionar na cidade e onde arranjar algo rápido para comer. A nossa estadia em Kotor vai ser dividida em duas partes, a primeira a que se encontra neste post, sobre o apartamento onde ficámos na cidade velha, das igrejas que visitámos e do restaurante onde fomos jantar o que por sinal foi uma escolha óptima. Na segunda parte sobre Kotor, falaremos do dia seguinte, com a subida ao forte, a catedral de Trifão e o passeio pelas muralhas da cidade.
Kotor
Kotor e a sua baía são certamente as zonas mais conhecidas de Montenegro, e claro está para quem visita este país Kotor é de passagem obrigatória. Na verdade, para muitos Kotor é a única parte que ficarão a conhecer de Montenegro, especialmente se viajarem de cruzeiro. Porque em Kotor param diariamente cruzeiros turísticos no porto da cidade, e são essas pessoas que enchem as ruas durante o dia. E tendo eu mesmo passado um dia aqui reconheço que a fama de Kotor é-lhe merecida, sendo uma das mais bem conservadas cidades medievais do mediterrâneo.
Cidade medieval de Kotor
A cidade velha de Kotor faz parte do Património Mundial da UNESCO desde 1979, mas não só a cidade faz parte da UNESCO, toda a região de Kotor e a sua baía fazem parte do portfólio devido ao seu valor incontestável tanto natural, cultural como histórico.
Passado de Kotor
Kotor tem um passado bastante conturbado, como quase todas as cidades europeias, para dizer verdade, tendo sido palco de invasões, guerras e conquistas. Kotor esteve sob o domínio de vários povos e países como os romanos, sendo estes considerados os fundadores da cidade, seguidos pelos bizantinos, altura em que Kotor chamava-se Dekaderon. Mais tarde chegou a República de Veneza, o qual domínio foi voluntário da parte dos montenegrinos como estratégia defensiva contra os turcos, depois veio o império austríaco, o francês e mais recentemente a Iugoslávia seguida da União entre a Sérvia e Montenegro até à sua independência em 2006. Com tão diversificada afluência de povos é natural que certos costumes, gastronomias e culturas se tenham infiltrado e estabelecido na de Montenegro. O que torna a experiência em Kotor ainda mais única.
As duas versões da cidade
Chegámos a Kotor a meio da tarde e depois do check-in e mudanças de estacionamento a nossa visita à cidade começou já de noite cerrada. As primeiras impressões foi de uma cidade sossegada, talvez porque tivesse sido um dia de chuva. E quanto mais pela noite adentro entrávamos, mais deserta a cidade ficava. Depois do jantar, ainda demos uma volta pela praça principal e apenas encontrámos um punhado de pessoas. E foi esta a versão da cidade, mais intimista, até misteriosa que nos recebeu.
A versão mais intimista da cidade de Kotor
Tudo mudou no dia seguinte, a partir do meio da manhã. Logo de manhã quando começámos a subir a fortaleza de San Giovanni vimos um grande cruzeiro a entrar pela baía de Kotor e mais tarde a atracar no porto. Quando regressámos a cidade estava apinhada de gente, com várias excursões a passear pelas ruas e praças da cidade. Kotor tinha-se transformado completamente. Os restaurantes e cafés encheram-se, havia filas para entrar nas igrejas, uma cidade que parecia ter acordado de repente numa espécie de festa.
Pessoalmente prefiro a primeira versão, mais sossegada e sem caos. Mas reconheço que a cidade de Kotor precisa do financiamento económico que provém do turismo para manter o seu estado de preservação. Aconselho a se puderem passar uma noite em Kotor para ficarem a conhecer ambas as versões desta cidade.
Apartamento Palata Bizanti
Para passar a noite em Kotor quisemos ficar o mais próximo possível do centro da cidade medieval. Escolhemos o apartamento Palata Bizanti que ficava numa rua apertada bastante perto da catedral de São Trifão. Para entrar usámos os códigos que nos tinham sido enviados durante o dia, um para o portão que nos levava para dentro um pátio bastante pitoresco e outro para a porta do apartamento que era acedido através de umas escadas. Para quem tem problemas de mobilidade as escadas podem ser um problema, mas se não forem aconselho imenso a considerar este local como acomodação.
Sala do apartamento Palata Bizanti
O apartamento Palata Bizanti foi sem dúvida um dos locais mais marcantes da viagem, talvez o segundo melhor, ficando o de Zabljak (parque nacional de Durmitor) à frente pois fiquei enamorada pela lareira. Quanto a este apartamento o que o mais o caracteriza é o espaço – era enorme! O quarto era grande, a sala então nem se fala. Certamente uma das partes mais impressionantes do apartamento. A decoração e a limpeza não davam qualquer hipótese à crítica. E a localização não podia ser melhor, porque mesmo estando no coração da cidade, a separação da rua pelo pátio dava uma certa privacidade que foi bem-vinda. A estadia neste apartamento ficou-nos a 72 euros (sem contar com a taxa de turismo – 2 euros por pessoa) que pagámos no dia deixando o dinheiro à entrada do apartamento como nos foi pedido.
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Igrejas em Kotor
Depois da parte prática resolvida, isto é, de pormos as malas no apartamento e arrumarmos as nossas coisas estava na hora de sair e tentar aproveitar as últimas horas desta tarde. Decidimos para isso visitar as igrejas incluídas no nosso itinerário.
Igreja ortodoxa de São Pedro de Cetinje
Interior da igreja ortodoxa de São Pedro de Cetinje (na fotografia à esquerda) e fachada da igreja de São Lucas (na fotografia à direita)
A primeira igreja foi a igreja ortodoxa de Montenegro dedicada a São Pedro de Cetinje, a qual pode passar facilmente despercebida sendo a entrada feita por umas escadas estreitinhas. A igreja em si também é bastante modesta em termos de tamanho, apenas uma sala simples com um bonito altar.
Igrejas de São Lucas e São Nicolau
Em seguida fomos visitar a igreja de São Nicolau e depois a de São Lucas. As igrejas ficam em frente uma da outra apenas separadas por uma pequena praça. A igreja de São Nicolau talvez seja a mais notável devido às torres laterais à entrada da igreja. Deixo aqui a ressalva que a entrada para estas duas igrejas tal como para a igreja mencionada acima, é completamente gratuita. Primeiro fomos à igreja de São Nicolau, considerada como a igreja ortodoxa mais importante de Kotor construída no século XX sob as ruínas da igreja que ali existia antes e que foi destruída num incêndio no século XIX.
Igreja de São Nicolau
Apesar da igreja de São Nicolau ser a mais imponente foi em frente da igreja de São Lucas que encontrámos um pequeno aglomerado de pessoas todas com a mesma intenção, a de entrar dentro da igreja. Esta igreja está associada a uma espécie de guerra de poderes entre a religião católica e a ortodoxa. A igreja de São Lucas foi originalmente contruída para os católicos da cidade no século XVII. No entanto, durante e após a guerra com os turcos houve uma rápida e significativa subida no número de pessoas de crença ortodoxa a viver em Kotor, especialmente entre 1657 e 1812. Devido à pressão religiosa esta igreja tornou-se num templo ortodoxo, que até aos meados do século XIX partilhava dois altares, um católico e outro ortodoxo.
Muralhas da cidade
Ainda tentámos visitar a catedral de São Trifão, mas tivemos de deixá-la para o dia seguinte. Àquela hora, isto 6 e meia da tarde, a igreja já não se encontrava aberta ao público, apenas para os devotos que quisessem rezar. Acabámos por dar mais uma volta pelas ruas estreitas de Kotor antes de subirmos às muralhas da cidade pela entrada que fica perto do teatro de Napoleão. Apesar das muralhas darem a volta à cidade fizemos apenas o troço que segue junto ao rio. Estas muralhas fazem parte da fortaleza de San Giovanni que sobem pela colina acima. Subida essa que tínhamos agendada para o dia seguinte de manhã bem cedo.
Depois do breve passeio e já sem mais locais que pudéssemos visitar naquele dia voltámos para o apartamento para nos arranjarmos para jantar.
Restaurante La Catedral Pasta Bar
Para jantar havia várias opções, mas queríamos principalmente um restaurante que ficasse perto do apartamento e que não fosse muito caro (que os 30 euros da multa pagos no parque de estacionamento dos quais falei no último post ainda estavam bem frescos na nossa memória). Acabámos por escolher La Catedral Pasta Bar. Este é um daqueles restaurantes que está espalhado por todas as redes sociais, e apesar de normalmente evitar ir a esses lugares desta vez fomos ver se a fama tinha razão de ser.
Restaurante La Catedral Pasta Bar em Kotor
Chegámos ao restaurante, que na verdade é bastante pequeno apenas com mesas na parte exterior (penso que 8 mesas), numa zona coberta com aquecedores de pé alto e cobertores disponíveis para os mais friorentos. Eu que sou uma delas estive bastante confortável durante toda a refeição. Tal como o nome indica este restaurante especializa-se em pratos de massa, mas também oferece outras opções como saladas ou entradas como bruschetta. Nós escolhemos pratos de massa, ‘Sicilijana’ e ‘Pollo’ e posso dizer que foram os melhores pratos de massa que comi na vida. As porções eram enormes, muito saborosas e acabámos por dividir os dois pratos, o que permitiu ter uma experiência diferente de sabores. Os preços de cada prato variavam entre os 13 e os 15 euros os quais foram bastante razoáveis. Para além da comida, o serviço também foi rápido e atencioso. Sem dúvida, um dos locais ao qual voltaria em Kotor. Veredicto: a fama que tem nas redes sociais é merecida.
E até se pode dizer que a cozinha italiana faça de certa maneira parte da gastronomia de Montenegro devido aos laços históricos que une ambos os países.
Ruas típicas da cidade medieval de Kotor
Depois do jantar, completamente a abarrotar, fomos dar mais uma volta pela cidade. No entanto, não demorámos muito a voltar ao apartamento já que no dia seguinte teríamos de nos levantar bastante cedo para subir a fortaleza de Kotor.
Próximo post
A segunda parte da nossa experiência em Kotor ficará para o próximo post que contará com a subida à fortaleza, um passeio mais completo pelas muralhas da cidade, a catedral de São Trifão finalizando a visita com um bolo tradicional.
Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.
No último post focámo-nos na nossa experiência em Bar incluindo os pratos tradicionais que experimentámos. Isto depois da nossa aventura em Stari Bar e no lago Skadar. O post que se segue, o do segundo dia a explorar Montenegro, foi não UM mas O dia mais triste da viagem. Talvez não o mais triste, mas sim o mais murcho ou melancólico e tudo se deveu ao tempo já que esteve practicamente sempre a chover até ao final do dia. Mas como passámos por vários locais importantes em Montenegro mesmo com a chuva não poderíamos deixar de mencioná-los.
Sveti Stefan
Saímos de Bar ainda com o céu cinzento sem chuva, mas isso rapidamente mudou e o tempo foi piorando à medida que avançávamos pela costa de tal forma que quando chegámos à primeira paragem, Sveti Stefan, acabámos por passar muito pouco tempo aqui. Sveti Stefan é uma ilha onde se estabeleceu um resort de luxo, apenas permitida entrada aos hóspedes. A nossa ideia era então passear pela praia que fica de frente e assim ter acesso a várias paisagens desta ilha que é uma das mais fotografadas do mundo. No entanto, a chover a potes, apenas parámos o carro na berma da estrada para tirar uma fotografia rápida.
Sveti Stefan
Apesar de ter passado aqui apenas breves momentos, vou deixar um pouco da história fascinante da origem desta ilha e da sua comunidade. E vou começar pela lenda associada a Sveti Stefan. Para dizer a verdade a sua verdadeira história começa no século XV, pois até então a ilha era habitada por pescadores e as suas famílias. Segundo a lenda, a ilha de Sveti Stefan foi o local onde se estabeleceu as 12 tribos Paštrovići que ajudaram os residentes de Kotor a lutar contra o cerco feito pelos turcos a esta cidade. Durante esta expedição, os guerreiros Paštrovići descobriram navios turcos que não estavam devidamente protegidos e saquearam todas as riquezas que aqui estavam guardadas. Foi decidido que com este tesouro cada uma das 12 tribos contruiria a sua casa na ilha de Sveti Stefan e tornaria esta cidade fortificada para sua própria protecção. E assim nascia uma comunidade autónoma e privada.
A parte do tesouro não pode ser confirmada e daí tratar-se de uma lenda, mas é verdade que houve uma comunidade formada pelas tribos Paštrovići em Sveti Stefan. No século XV esta ilha pertencia à República de Veneza e por isso era uma zona autómata, uma espécie de ilha protegida dos ataques turcos pelos Venezianos sendo em troca um local importante de comércio e outras actividades marítimas para a República. Tornou-se numa comunidade privada e isolada que com o passar dos tempos sofreu uma descida agravada no número de residentes devido à saída destes para outras cidades e países à procura de mais e melhores oportunidades de trabalho. Especialmente porque a protecção oferecida foi dissolvida com a caída da República de Veneza em 1797.
Mais tarde, em 1940, quando a ilha estava practicamente deserta, decidiu-se construir aqui um resort o qual já ganhou vários prémios e contou com a presença de várias figuras internacionais da realeza e das artes. Este resort ganhou o prémio de La Pomme d’Or (a maçã dourada) condecorada pela Federação Mundial de Jornalistas e Escritores de Turismo (FIJET) em 1972. Este prémio é como uma espécie de Óscar para turismo e Sveti Stefan recebeu-o como sendo o resort mais exclusivo do mundo.
Mosteiro Praskvica
O mosteiro Praskvica fica a norte de Stevi Stefan e daqui pode-se ver a ilha e as muitas casas que nela se encontram. Quanto a este mosteiro crê-se que foi construído em 1050, mas apenas há evidência real da sua existência a partir de 1307 quando o rei sérvio Milutin visitou Kotor. O nome do mosteiro, Praskvica, tem origem numa das características particulares da água de uma das nascentes dali perto, pois diz-se que a água tem um cheiro curioso a pêssegos (praskva em montenegrino). No recinto do mosteiro encontra-se a igreja principal, edifício esse que foi construído no século XIX sobre as ruínas da igreja original do século XV e que protege no seu interior os frescos da antiga igreja. Para além da igreja também existe um edifício que era antigamente uma escola de monges, outro com alojamentos e mais acima na colina um cemitério e um edifício dedicado à Santíssima Trindade construído no século XVII.
No interior da igreja do mosteiro Praskvica
A visita ao mosteiro é gratuita tal como o estacionamento. Quando parámos aqui não A visita ao mosteiro é gratuita tal como o parque de estacionamento. Quando parámos aqui não tínhamos a certeza se o mosteiro estava aberto ao público, mas fomos tentar a nossa sorte. As primeiras pessoas que vimos foi perto da igreja onde três homens conversam entre si, sendo um claramente o padre pelas roupas que vestia. Depois de um breve cumprimento foi-nos confirmado que podíamos visitar a propriedade. No entanto, a cena que tínhamos acabado de presenciar, os dois homens em pé e o padre sentado completamente refastelado (como se diz na gíria ‘à patrão’) fez lembrar muitas cenas de filmes onde a religião tem o papel principal em vários negócios criminosos. E nem digo nada, porque o que vimos da religião em Montenegro tem muito que se diga, principalmente depois de visitarmos alguns dias mais tarde o Mosteiro de Ostrog.
Mosteiro Praskvica (paisagem do cemitério)
Quanto à nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde de facto Quanto a nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde se consegue avistar a ilha Sveti Stefan. Já quanto à nascente com cheiro a pêssegos, não vimos nenhuma. Felizmente enquanto visitámos o mosteiro, a chuva tinha feito uma pausa permitindo que fizéssemos a visita com calma.
Cetinje
A próxima paragem já era em direcção à parte interior de Montenegro, numa cidade chamada Cetinje antes de nos embrenharmos pelo parque nacional Lovćen. Foi mais difícil encontrar estacionamento em Cetinje do que o esperado, e tivemos de deixar o carro numa berma da estrada mesmo ao lado do mosteiro de Cetinje, o que até calhou bem porque era um dos locais que queríamos visitar e mais uma vez estava a chover e bem. E sim, peço desculpa, como se devem ter apercebido o mau tempo vai ser o tema do dia.
Mosteiro de Cetinje
E foi a chuva a maior razão para que a visita ao mosteiro fosse breve já que não iríamos explorar a parte exterior. Também a igreja não é muito grande, sendo outra das razões para a rápida visita.
A história do mosteiro de Cetinje começa em 1484 como cumprimento de uma promessa feita por Ivan Crnojević quando este esteve em exílio temporário em Itália. A promessa era de que se voltasse novamente à sua terra natal mandaria construir um mosteiro dedicado à Virgem Maria. E foi o que fez, nascendo este mosteiro, que contava com a tal igreja, e também uma capela, essa dedicada a São Pedro. Foram também construídos edifícios esses com efeitos administrativos e residenciais.
Pátio que dá acesso á igreja no mosteiro de Cetinje
Depois do mosteiro, a nossa ideia era a de ir visitar o museu nacional de Montenegro, também ele em Cetinje. Na verdade, o museu fica mesmo ao lado do mosteiro. No Google de acordo com as informações o museu estava aberto, de acordo com a página oficial do museu, ele estava aberto. Mas a realidade é que demos duas voltas ao museu e não encontrámos nem nenhuma porta aberta nem qualquer sinalização a indicar a entrada. Portanto depois das duas voltas e com a chuva a cair desistimos de dar uma terceira. Gostaria imenso de dizer como era o museu, mas infelizmente não o posso fazer.
Parque nacional Lovćen
Depois de Cetinje, a próxima paragem era dentro do parque nacional de Lovćen. Por esta altura a chuva caia intensamente e depois de entrarmos no parque nacional juntou-se-lhe um nevoeiro que se adensou enquanto subimos até ao Mausoléu de Njegos. Para entrar neste parque nacional é preciso pagar o que é feito à entrada do parque onde há uma pequena casinha para o guarda se abrigar. A entrada para o parque custa 3 euros por pessoa. Não só é preciso pagar para visitar este parque nacional como também o parque nacional de Durmitor, cujo bilhete teve um custo de 5 euros. Neste dia como o tempo estava tão mau nem sequer havia guarda e passámos sem ter de pagar. Pouco nos serviu de contentamento já que quando chegámos ao mausoléu encontrámo-lo fechado devido ao mau tempo. Resignámo-nos ao que estava destinado para aquele dia e voltámos para o carro decidindo que tentaríamos voltar aqui no dia seguinte.
Serpentina de Kotor
Para chegarmos a Kotor desde o parque nacional de Lovcen tínhamos de passar por uma estrada que desce pela colina, chamada a serpentina de Kotor. Como o nome indica esta estrada é formada por curvas e contracurvas muito apertadas e em sequência. Para ser mais precisa são 16 curvas apertadíssimas que percorrem uma distância de 8.3Km.
Na fila à espera de que a polícia chegasse à serpentina de Kotor
Nós estávamos mesmo a fazer a última curva quando encontrámos uma fila de carros completamente parados. É que mesmo na curva tinha havido um acidente entre dois carros, acabando com um deles enfiado na estrutura metálica que protege a berma da estrada. E em Montenegro quando há um acidente é preciso chamar e esperar pela polícia. Aliás esse foi um dos avisos da Europcar quando fomos buscar o carro: que em caso de acidente não saíssemos do local, nem movêssemos o carro até que a polícia chegasse. O que demorou perto de uma hora. A sorte é como estava a chover não tínhamos nada planeado para o resto do dia.
Mas claro que quando se espera há sempre um ‘chico-esperto’ que pensa que é mais inteligente do que os outros. Nesta situação, foi um carro que estava atrás de nós que começou a fazer inversão de marcha. Bem começar, começou, acabar é que não acabou. Ele fez aquele trabalho de tal maneira que não só acabou trancado no meio da estrada como ainda bateu contra a estrutura metálica que estava na berma da estrada. E esteve muito perto de bater noutro carro. Podia dizer que isto era só em Montenegro, mas eu bem sei que há artistas destes em todo o lado.
A chegada a Kotor
Depois de finalmente nos vermos livres do acidente e de passarmos o último trecho da serpentina chegámos a Kotor perto das 3 e meia da tarde. E vou começar por deixar a melhor dica em relação ao estacionamento – não procurem mais, ponham esta rua no GPS ou na aplicação que estiverem a usar – para estacionar o carro em Kotor e sem pagar é na rua NJEGOŠEVA. Ao estacionarem aqui estão a evitar stresses e o trânsito caótico da cidade.
Chegada a Kotor
E nós é que fomos parvos por não o ter feito logo à chegada. Na verdade, erámos para deixar o carro aqui, mas na rotunda enganámo-nos na saída e fomos em direcção ao centro de Kotor. Acabámos por estacionar em frente ao centro comercial Kamelija onde se pagava. Outra dica, que eu sei que vão dizer que sabem e que não é novidade nenhuma, mas eu também sei que acontece – se estacionarem aqui tenham a certeza de que tiram o bilhete que sai da máquina. Sim, sim é normal em todo o lado e todos sabem isso e mais não sei quê. Mas o meu marido está convencidíssimo que não saiu nenhum bilhete (eu penso mais que ele não reparou) e nem se pensou muito nisso já que estávamos mais focados em tirar as malas e ir fazer o check-in no apartamento onde iríamos passar a noite. O que levou a que tivéssemos de pagar uma multa quando estávamos mais tarde para sair com o carro e levá-lo para a rua Njegoševa.
Como podem ver este dia estava a melhorar a cada hora que passava. É também para verem que viajar não é sempre magnífico como se quer fazer crer. O guarda do parque de estacionamento acabou por ter pena de nós, mas não tanto que nos deixasse ir embora sem pagar. Mas em vez de pagarmos 50 euros que era o valor da multa, como informa o placard à saída do parque, ele desceu o preço para 30 se pagássemos a dinheiro.
Burek do supermercado iDEA (a fome era muita por isso descuçpem pela baixa qualidade das fotografias)
Antes desta história toda da multa se passar e depois de termos deixado as malas no apartamento Palata Bizanti onde iríamos ficar em Kotor, fui ao supermercado do centro comercial, o iDEA onde comprei 2 bureks já que a fome apertava por esta altura, um de queijo e outro de espinafres. Acabámos por comê-los no carro já depois da multa paga e de termos estacionado onde deveríamos ter feito logo quando chegámos. Por isso apesar da experiência mais azeda, a verdade é que os bureks nos souberam pela vida e posso dizer que foram os melhores da viagem (tanto que voltámos ao mesmo supermercado no dia seguinte, para comprar mais destes folhados).
Assim deixo aqui duas lições: primeiro que vejam bem as condições de estacionamento aonde quer que parem o carro e segundo que por vezes a melhor comida está no supermercado local.
Próximo post
Para o próximo post vamos falar da nossa estadia em Kotor, como por exemplo do apartamento onde ficámos, Palata Bizanti, um dos melhores da viagem, dos locais que visitámos na cidade medieval e da subida ao topo do forte. Tal como a nossa experiência gastronómica, que continuava a deixar-nos fãs deste país.
Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.
Nas últimas semanas temos estado a falar do nosso itinerário em Montenegro, começando pela nossa chegada a Podgorica, os vários pontos de paragem no lago Skadar e a nossa visita às ruínas em Stari Bar. Hoje continuamos, agora em Bar, a cidade escolhida para passar a segunda noite da viagem. No último post fechámos com a nossa opinião sobre o nosso quarto em Villa Kovacevik para o qual deixo aqui o link do booking.com: Villa Kovacevic em Bar (Booking.com).
Bar
Nota para quem viajar durante a época baixa
Desde o momento que chegámos a Bar que chovia a potes, mas o tempo melhorou com o cair da noite de tal forma que nos aventurámos a pé até ao restaurante que tínhamos escolhido para jantar perto do hotel, Domaca Trpeza. Enganados estávamos que a meio do caminho começa a cair aquela chuva miudinha irritante, mas fomos teimosos e não quisemos voltar para trás para ir de carro. Infelizmente quando chegámos ao restaurante as luzes estavam apagadas, não havia dúvida nenhuma que estava fechado. Apesar de dizer na internet, mesmo na página do restaurante no Instagram, indicar que estava aberto até às 11 da noite.
Zabljak, cidade no parque nacional de Durmitor onde muitos restaurantes fecham na época baixa
E não foi só em Bar, mas também em Zabljak e até em Kotor que encontrámos vários E não foi só em Bar, mas também em Zabljak e em Kotor que encontrámos vários restaurantes e atracções fechadas por ser época baixa. A primeira vez que tínhamos dado de caras com esta desvantagem de viajar fora da época turística foi nos Dolomitas em Itália e pelos vistos em Montenegro era igual; os locais aproveitam estes meses para férias ou renovações ou para uma merecida pausa. Em Bar rapidamente encontrámos outras opções disponíveis para jantar tal como durante a nossa estadia em Zabljak. No entanto, fiquei com bastante pena que o Kotor alpine coaster, uma espécie de montanha-russa exterior a norte de Kotor onde as paisagens são, ou pelo menos parecem ser, absolutamente espectaculares estivesse fechado desde o início de novembro. Eu confesso que estava bastante entusiasmada com a ideia de andar nestes carrinhos até que descobri que iria fechar uma semana antes de partimos e assim ficaria até abril. Parece ser fantástico, e até mesmo a viagem de teleférico parece valer a pena como podem ver nos vídeos disponíveis no Youtube: Kotor alpine coaster and cable car (Youtube)
Jantar em Banjalučki Ćevap
Como a primeira opção para jantar estava fora do baralho decidimos experimentar outro restaurante, o Banjalučki Ćevap. Era um pouco mais longe, mas pelo caminho fomos passando por alguns restaurantes que estavam abertos e que podiam ser opções se também encontrássemos a porta deste fechada. Contudo desta vez acertámos, não só estava aberto como havia mesas livres. O menu é bastante reduzido já que só há um prato e o que muda é apenas o tamanho, mas vale a pena vir aqui. O prato tradicional disponível é o cevapi, carne picada grelhada em forma de salsicha. Comemos cevapi em outros locais durante a viagem, mas o melhor foi daqui. Há 3 diferentes menus, um que traz 8 cevapi a 5 euros, ou 12 cevapi a 6.50 euros ou o maior com 16 cevapi a 7.50 euros. A carne vem acompanhada com couve branca picada, cebola roxa, um molho que penso ser sour cream e um pão que era absolutamente divinal.
Menu médio de cevapi no restaurante Banjalučki Ćevap
Nós pedimos o menu médio, com 12 cevapi, e cervejas para acompanhar. Acabou por este ser um dos pontos altos do dia especialmente depois dos momentos caricatos passados no lago Skadar e em Stari Bar. Fomos bem atendidos, a comida era deliciosa e a bom preço e no final acabámos a refeição com uma bebida tradicional Rakija (fotografia abaixo) que o empregado disse ser a ‘Sljvovica’ a preferida dele. Rakija revelou ser uma bebida bastante forte feita de ameixa, que lembra bastante o aguardente.
Bastou esta refeição para ficarmos logo bem mais satisfeitos e depois de uma noite bem dormida na Villa Kovacevik no dia a seguir de manhã estávamos prontíssimos para mais um dia. A manhã seguinte, depois de uma noite de chuva intensa, apresentava-se cinzenta, mas naquela altura sem chuva. No entanto este foi o dia mais murcho da viagem exactamente por causa do tempo, mas algum dia tinha de ganhar o prémio de ser o pior da semana.
Visita à igreja ortodoxa de St Jovan Vladimir
Antes de deixarmos Bar para trás quisemos fazer duas coisas, tomar o pequeno-almoço e visitar a igreja ortodoxa de St Jovan Vladimir de edifício imponente que nos tinha chamado a atenção no dia anterior. Saímos do nosso quarto eram 7 e meia e fomos logo para esta igreja que já tinha aberto há meia hora. A entrada para a visita é gratuita e mesmo àquela hora matinal já havia algum movimento.
Igreja ortodoxa St Jovan Vladimir
A primeira coisa que nos chamou a atenção foi o comportamento das pessoas quando chegavam à porta e depois no interior da igreja. À porta, ainda antes de entrar, benziam-se e davam um beijo e depois dentro da igreja faziam o mesmo ritual a cada estátua ou representação de santos. É obviamente uma religião que Deus protege porque não havia ali receios sobre COVID ou algo do género. E não pensem que é uma crítica, não é, talvez mais estranheza, já que em algumas das representações destes santos eram fotografias ou quadros cobertos por um vidro e neste vidro viam-se a marca de muitos lábios.
Quanto à catedral é tão ou mais bonita por dentro como por fora, as cores garridas de azul e de dourados são simplesmente espectaculares.
Interior da igreja ortodoxa St Jovan Vladimir
E esta catedral, igreja ou templo, como a queiram chamar tem uma história interessante por detrás da sua construção. A aprovação da catedral foi dada em 1991 depois de várias manifestações em Bar liderada pelo padre Bogić. Por entremeio, este padre lançou-se num protesto individual no qual passou três dias sem comer e sem beber. Agora o porquê destas manifestações? É que o primeiro pedido para a construção de um local de culto em Bar foi feito pouco depois do terramoto de 1979. No entanto naquela altura o governo de ideologia comunista não aceitou o pedido já que a religião era vista como um inimigo ideológico. Assim a igreja que hoje pode ser visitada é um símbolo de luta contra o estado, contra o sistema e importante símbolo de dedicação à religião ortodoxa em Bar. Há por isso muitas razões para incluir uma visita a esta igreja num itinerário em Montenegro.
Primeiro burek em Burekdzinica Fontana
Depois da visita à catedral estava na hora de irmos tomar o pequeno-almoço. Como em Montenegro ser-se montenegrino quisemos experimentar o pequeno-almoço tradicional, o famoso Burek. Burek é um folhado feito de massa filo que pode ter diferentes recheios, como queijo, carne, espinafres e até batata. E bureks foi talvez aquilo que acabámos por comer mais durante a viagem, de diferentes locais, em diferentes alturas do dia. Mas hoje íamos até ‘Burekdzinica Fontana’, um pequeno café junto ao mercado Zelena Pijaca que pelas muitas reviews era o melhor local para comer estes tais folhados.
Burek do Burekdzinica Fontana
Não tenho a certeza se este foi o melhor da viagem, mas a verdade é que enquanto aqui estivemos vimos locais a entrar, a sair, a sentar-se nas mesas, todos a comer o tal burek. Nós pedimos para beber limonada, já que não havia café, mas recusámos o iogurte. Contudo notámos rapidamente que é com o iogurte a forma mais tradicional de comer burek. No entanto, devo dizer que a limonada era deliciosa por isso não houve aqui qualquer arrependimento na escolha.
Próximo post
No próximo post vamos falar do que se sucedeu neste dia depois de deixarmos Bar e seguirmos pela costa com um desvio até ao parque nacional Lovćen e finalmente até à cidade mais conhecida de Montenegro, Kotor.
Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.
Na semana passada falámos da nossa chegada a Montenegro, da nossa recepção pela Europcar quando fomos buscar o carro e as várias paragens que fizemos à volta do lago Skadar. No post desta semana vamos continuar por este primeiro dia da viagem. Durante a tarde visitámos as ruínas da cidade velha de Stari Bar, parámos num dos muitos cafés da cidade e chegámos à nossa última localização do dia, Bar, a cidade junto à costa a sul de Stari Bar.
Stari Bar
Em Stari Bar iríamos centrar a nossa visita nas ruínas da cidade velha e ainda tentar avistar o aqueduto. Estacionámos a 10 minutos do centro da cidade, num parque de estacionamento ao lado de uma espécie de campo de futebol mesmo à entrada da rua Gretvanska Ulica. Decidimos parar o carro logo aqui para evitar qualquer complicação que já é esperada quando se tenta estacionar dentro de uma cidade, ou o estacionamento é extremamente caro ou está completamente lotado ou então é só caos.
Mesquita Škanjević
Para chegarmos ao centro de Stari Bar fomos subindo pela estrada até à mesquita Škanjević, mas só a podemos ver do lado de fora já que a mesquita, pelo menos àquela hora, estava fechada. Assim sendo, recuámos uns passos e passámos por debaixo de um arco de pedra para aquela que é uma das entradas para a cidade velha de Stari Bar. Pagámos os bilhetes que nos custou 5 euros a cada um e entrámos para aquele que é o maior local arqueológico medieval das Balcãs com mais de 600 edifícios em diferentes estados de conservação, que desde 2010 fazem parte do Património Cultural da UNESCO.
Na Cidade Velha de Stari Bar
Dentro das muralhas encontrámos igrejas, a citadela, a catedral de São Jorge ou o que resta dela, a torre do relógio que continua a ser um dos edifícios mais proeminentes desta cidade para além de outros locais mais da vida quotidiana como o ‘lapidário’ onde se cortava e manuseava a pedra. Apesar das primeiras evidências históricas serem do século X, calcula-se que a sua origem tenha sido por volta do século VI.
Stari Bar com destaque na cidade velha
O desenvolvimento da cidade de Stari Bar muito teve a ver com a sua localização a 151 metros acima do nível do mar e a 4km da costa. Não só os residentes de Stari Bar tinham uma boa visibilidade de quem quer que viesse na sua direcção como também uma das colinas a escondia da costa, protegendo-a de ataques de piratas. Estes factores associados a um clima ameno e fácil acesso a água doce contribuíram para que a cidade se desenvolvesse e se tornasse num local importante de comércio. Devido à distância da costa a sua actividade comercial não era associada à marítima, mas sim principalmente à da olivicultura. O azeite era o producto mais rentável, no entanto também os minerais como o chumbo, cobre, prata e outro extraídos das minas faziam parte deste comércio o que levou ao desenvolvimento e especialização do artesanato em Stari Bar.
Neste momento, devido ao seu estado de conservação, a cidade já não é habitável principalmente depois do forte terramoto de 1979 o qual provocou bastantes danos às estruturas da cidade velha. Felizmente desde então um projecto de conservação e reconstrução tem estado em curso de forma a preservar esta cidade.
Torre do relógio (à esquerda) e aqueduto (à direita)
Quanto a nós andámos bastante tempo pelas ruas empedradas da cidade a explorar vários edifícios havendo locais que nos prenderam mais a atenção como as ruínas da catedral de São Jorge construída no século XII e destruída numa explosão em 1881 quando esta fazia de mesquita e local de armazenamento de explosivos, a citadela onde pudemos ver o aqueduto através de uma das janelas e a torre do relógio. Esta torre tem um passado bastante conturbado que conta com ataques de canhão em 1877, a explosão de 1881 e três terramotos em 1905, 1968 e 1979.
Obsessão pela romã montenegrina
Durante a parte final da nossa visita à cidade velha tinha começado a chover e foi-se agravando de tal forma que quando saímos decidimos fazer uma pausa para beber qualquer coisa enquanto esperávamos que a chuva passasse. Mas digo-vos que há por vezes decisões que são mesmo mal tomadas, como foi a de escolher este local para ir tomar café. Fomos lá apenas porque à porta do estabelecimento Velja Vrata estava o dono que nos chamou para a rústica varanda coberta e acabámos por aceitar o convite.
Mas houve logo vários sinais de alarme que infelizmente ignorámos, o primeiro foi a cara de desapontamento quando o senhor se deu conta que afinal erámos estrangeiros o que se traduziu por uma mudança do tom de voz. Depois o meu marido pediu uma cerveja com sumo de romã que é bastante comum em Montenegro o que foi bem aceite, mas quando eu pedi um café foi óbvio que o pedido não foi do agrado do dono. Talvez fosse porque ele não sabia fazer o tal café já que esperou que a mulher chegasse à loja para ela o fazer.
Esplanada coberta (à esquerda) e a chávena de café (à direita) no Velja Vrata
Mas o pior foi que a cada 5 minutos ele vinha perguntar se eu queria sumo de romã, o que recusei de todas as vezes até que ele vem falar das romãs e eu puramente para fazer conversa estava para dizer que em Portugal as romãs fazem parte da tradição do Dia dos Reis, mas ele nem ouviu. Mal falei em Portugal cortou-me a palavra de forma bastante rude e começou a dizer que as romãs de Montenegro é que eram boas e que não queria saber das de Portugal ou das da Turquia. Bem depois deste episódio posso apenas dizer que não ficámos ali muito mais tempo. Mas ser rude deve fazer parte dele já que ele e a mulher também tiveram uma discussão bastante acesa enquanto ali estivemos. O meu conselho é que a menos que queiram beber sumo de romã não vão a este sítio. E ainda fiquei mais aborrecida quando depois de pagarmos os 6 euros pelo café e pela cerveja passarmos por bastante cafés e restaurantes com muito melhor aspecto.
Foi assim mais um episódio caricato neste dia em Montenegro depois do homem com a espingarda no lago Skadar (ler sobre este episódio aqui).
Bar
Quando chegámos a Bar, agora perto da costa e a sul de Stari Bar, chovia a potes. Com o tempo assim não havia nenhum programa melhor do que a de fazer o check-in em Villa Kovacevik onde iríamos passar a nossa segunda noite em Montenegro.
Check-in em Villa Kovacevik
Para estacionar havia duas opções, nós escolhemos a mais barata. Então as opções eram: ou pagava-se pelo estacionamento que fica dentro da propriedade ou não se pagava estacionamento e deixávamos o carro na rua mesmo ao lado. Para dizer a verdade arranjar estacionamento foi bastante fácil e o carro ficou a menos de 50 metros da entrada para a Villa Kovacevik. O estacionamento pago ficava a 7 euros por dia, mas penso que o preço depende da altura do ano.
Igreja de St Jovan Vladimir em Bar
O check-in foi feito através do uso de códigos que nos foram enviados no dia pela acomodação no booking.com, a plataforma pela qual tínhamos feito a reserva: Villa Kovacevic em Bar (Booking.com). De códigos na mão e depois de estacionarmos o carro e nos resignarmos ao facto da chuva não ir parar fomos quase a correr para o quarto.
Quarto em Villa Kovacevik
A Villa Kovacevik é daqueles locais que no final se fica com uma mistura de opiniões. As primeiras, segundas e terceiras impressões do quarto não foram boas, mas no final da viagem foi onde dormimos melhor. Portanto, ainda continuo com opiniões contrárias em relação ao nosso quarto. E porquê?
Quando entrámos reparámos que o quarto era bastante pequeno. Depois quando nos começámos a acomodar reparámos que o ar condicionado não funcionava, a persiana da janela estava a desfazer-se já meio descaída como se tivesse desistido de existir, e o acesso ao wi-fi era uma espécie de ilusão, ora vinha ora ia, ora parecia que vinha, mas afinal não. No entanto, este foi a acomodação mais barata da viagem e por 25 euros não se podia pedir muito mais. E afinal como disse, passámos uma boa noite de sono. Acho que será mais problemático quando houver mais pessoas hospedadas porque cada vez que alguém entrava era uma barulheira, mas felizmente naquela noite só aconteceu três vezes e quando ainda estávamos acordados.
O nosso quarto em Villa Kovacevik (já a fazer uso das instalações)
Para tomar banho também foi engraçado já que as toalhas de banho eram do tamanho de toalhas de mão. Mas o chuveiro tinha água quente que é um dos pontos mais importantes de qualquer sítio onde fique. Qualquer lugar que fique que me faça ou passar frio ou lavar-me com água fria perde-me de imediato.
Basicamente houve coisas boas e coisas más, mas em geral não digo para não ficarem aqui especialmente se estiverem a viajar com um baixo orçamento.
Saquetas de shampoo e gel de banho
Outra coisa da qual temos de falar é agora a mania de oferecerem shampoo e gel de banho em saquetas. Digo-vos já que não funciona, primeiro a quantidade de gel de banho não é suficiente para lavar o corpo todo. É suposto eu ter de decidir que metade do corpo vou lavar naquele dia? E segundo é que algumas destas saquetas são extremamente difíceis de abrir. Nada é mais triste e até vulnerável para um ser humano do que se ver todo nu dentro de um polibã à guerra com uma saqueta minúscula de shampoo.
É por já ter apanhado muitas destas, e até pior, que já tive em locais que gel de banho nem vê-lo que agora vou munida de shampoo, gel de banho, sabonete, creme de corpo e condicionador para o cabelo. Porque essa é outra, os shampoos dessas saquetas costumam tornar o cabelo numa espécie de esfregão de arame. Para não acabar cada viagem com falhas de cabelo agora vou munida com condicionador. E vá até vos deixem dizer que isto é coisas de mulheres, mas a verdade é que me senti muito presunçosa enquanto espalhava o creme de corpo que tinha trazido de casa depois de me limpar com uma toalha de mão. Se isto não é viver à grande também não sei o que é!
Próximo post
Acabo assim este post com esta frustração sobre tomar banho fora de casa. Na próxima semana vamos falar do que visitámos em Bar principalmente sobre a nossa introdução à culinária montenegrina😋
Vou também deixar aqui o link da angariação de fundos que está agora a decorrer para a organização SPCA International. Se puderem ajudem até porque a mais pequena quantia conta 🙏
Podem também doar dinheiro directamente a uma das organizações que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias espalhados pelo país como esta da qual agora sou doadora: Stray Aid Montenegro
No último post, o primeiro sobre Montenegro, falámos de algumas das particularidades que é visitar este país tal como de sugestões para melhor se estar preparado para ele. Neste post, começamos com a chegada a Montenegro e a primeira parte do primeiro dia desde o aeroporto de Podgorica onde fomos buscar o carro alugado – experiência essa da qual também vou falar – até ao Lago Skadar e as suas bonitas aldeias.
Em Podgorica
Aterrámos em Podgorica já depois das 9 da noite. Voámos com a Ryanair mas não à hora inicialmente marcada. A nossa ideia era chegar a Podgorica de manhã para aproveitarmos o dia, mas fomos informados pela Ryanair da mudança de horários umas semanas depois de marcarmos os bilhetes. Felizmente ainda não tínhamos marcado nenhum dos alojamentos ou esta alteração teria causado algum transtorno.
Aeroporto de Podgorica
O aeroporto de Podgorica é bastante pequeno e foi uma sorte não estar cheio quando chegámos. E muito menos encontrámos máquinas automáticas de leitura de passaportes. Recebemos o carimbo no passaporte à saída, o qual para nós foi uma surpresa, mas felizmente o processo passou-se sem grandes filas ou frustrações. Digo isto porque ainda antes de partir vi alguns vídeos de verdadeiro caos nos aeroportos de Montenegro durante o verão. O que pelo tamanho deste aeroporto é fácil de perceber o porquê.
Apartmentos Aerodrom
O alojamento daquela noite não ficava muito longe do aeroporto, mas como ainda era meia hora a andar e já era de noite cerrada para além do mais àquela hora não havia transportes públicos que nos valessem, aceitámos a proposta do alojamento – a de nos virem buscar ao aeroporto por 10 euros. Se foi caro, já que foi uma viagem de 5 minutos? Sim talvez foi, mas foi a melhor e mais rápida opção disponível.
Depois de fazermos o check-in e de ficarmos a saber que tínhamos pequeno-almoço incluído com a reserva, entrámos no nosso apartamento. O apartamento ficava num edifício individual com direito a uma pequena varanda e jardim. O apartamento era constituído por uma cozinha, uma casa-de-banho e pela cama na zona que fazia de quarto. Tudo muito limpo, remodelado, e bem decorado. Como tinha estado a chover, infelizmente não conseguimos dar um uso apropriado à zona exterior, mas da parte interior podemos dizer que era muito confortável. Esta é certamente uma das nossas recomendações para ficar em Podgorica.
Zona do quarto do apartamento (à esquerda) e pequeno-almoço no Aerodrom Apartments (à direita)
Durante a noite a única parte que não esteve do meu agrado foi o frigorífico que fazia um barulho ensurdecedor, o que se resolveu com uma rápida manobra que consistiu em tirar a ficha da tomada. De resto, não tive queixas e na manhã seguinte bem cedo estávamos prontos para o pequeno-almoço no edifício do restaurante onde tínhamos feito o check-in na noite anterior.
O pequeno-almoço seguiu uma dieta mediterrânea com um pratinho de azeitonas verdes e sumarentas, fatias de queijo de cabra e omeletes que eu pedi de queijo e o meu marido de vegetais que dividimos entre os dois.
Aluguel do carro
Depois do pequeno-almoço e antes do check-out fomos buscar o carro alugado ao aeroporto. Como partimos antes das 8 e meia conseguimos ir buscar o carro e voltar antes da hora do check-out às 11. Assim evitámos andar com as malas atrás, porque hoje sim íamos fazer o caminho entre o apartamento Aerodrom e o aeroporto a pé.
O nosso carro alugado através da Europcar
Agora sobre o carro. Decidimos alugar aquele que seria o nosso meio de transporte em Montenegro pela companhia Europcar. Já a tínhamos usado em outras viagens e vendo as classificações das companhias disponíveis foi esta a nossa escolha. Não fizemos a reserva directamente no website da Europcar, mas através da Trip.com. E desta vez, ao contrário do nosso usual, comprámos também um seguro contra todos os riscos (full protection) já que lendo sobre Montenegro uma das maiores aventuras é conduzir. Mas houve um erro da nossa parte, porque para este ser válido tínhamos de apresentar um cartão de crédito, o qual não tínhamos, e os cartões de débito não eram aceites. E sim, esse foi erro nosso, não lemos bem as condições deste seguro e em Montenegro é obrigatório ter-se um seguro. Agora o que não é obrigatório é que esse seguro seja contra todos os riscos, mas sim um seguro contra terceiros. No entanto, não foi isto que nos foi dito na Europcar, aliás nem houve opção – ou adquiríamos o full protection da Europcar ou então não havia carro. Sabem quanto é que esta brincadeira nos custou? Mais de 300 euros para além do depósito. É que não houve mais nenhuma opção de valores, de tipos de seguros, de nada. E esta foi a primeira vez que fomos enganados em Montenegro. Bem-vindos ao nosso mundo dos pagamentos desnecessários em Montenegro.
E o mais engraçado é que tivemos de pagar pelo estacionamento do carro no aeroporto. Deviam ver as nossas caras quando entregámos o papel que nos tinham dado na recepção da Europcar e nos pedirem 3 euros pelo estacionamento. E sim, perguntei quando entregámos o carro se esse era o procedimento para receber um sim e uma espécie de sorriso sarcástico do empregado da Europcar. A única coisa boa de tudo isto é que nos devolveram o depósito logo depois de entregarmos o carro. Mas provavelmente foi só porque tínhamos o seguro contra todos os riscos. E claro que este episódio fez com que a viagem começasse de uma maneira mais azeda.
No lago Skadar
Depois de voltarmos ao apartamento para ir buscar as malas e de check-out feito seguimos em direcção ao sul, ao lago Skadar que faz parte de 1 dos 5 parques nacionais de Montenegro. Este parque nacional, o parque nacional do lago Skadar, foi criado no final do século XX com o objectivo de preservar e proteger o habitat natural incluindo a fauna e a flora. Este lago é o maior das Balcãs e o segundo maior da Europa ocupando uma área que varia entre os 370 e os 530 km e faz parte de 2 países, Albânia e Montenegro, sendo que 2/3 do lago está do lado montenegrino. Este lago tem-se tornado cada vez mais procurado especialmente por amantes da observação de pássaros já que este é o habitat de cerca de 270 espécies algumas delas raras como é o caso do pelicano-caranguejo.
Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’ do lago Skadar
Em relação ao turismo, a actividade mais procurada nesta zona é a viagem de barco que explora as águas do lago. Nós decidimos não fazer esta viagem e sim foi uma decisão tomada depois de ser ponderada, discutida e mutualmente acordada. Achámos que poderíamos usar o dinheiro da viagem para outras experiências, e de qualquer das formas iríamos parar em vários miradouros onde teríamos diferentes paisagens do lago.
Os preços das viagens de barco variam bastante, mas pelos preços que vimos os valores rondam os 70-80 euros, o que não tenho a certeza se era por pessoa ou por barco. No entanto, se quiserem fazer esta viagem podem sempre procurar excursões no GetYourGuide que ficará muito mais em conta comparado com os valores que vimos nas duas vilas por onde passámos, Rijeka Crnojevića e Virpazar. Mas digo que não me arrependo de não ter feito a viagem de barco, apesar de acreditar que é uma experiência bonita.
Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’
Este foi o primeiro lugar onde parámos para ver o Lago Skadar. O ponto panorâmico fica mesmo em frente ao restaurante Konoba Ceklin. Neste ponto consegue-se ver as montanhas ao fundo e uma das muitas curvas deste lago com pequenas ilhotas a espreitarem nas águas calmas. Há aqui um pequeno parque de estacionamento gratuito não havendo qualquer razão para não parar aqui e desfrutar a paisagem.
Rijeka Crnojevića
Depois desta rápida paragem fomos visitar uma das pequenas vilas piscatórias deste parque nacional, Rijeka Crnojevića. Apesar de pequena, esta aldeia tem um valor histórico imenso. Devido ao seu clima ameno quase sempre sem vento, uma das mais famosas dinastias montenegrinas, Petrović-Njegoš, que governou o país entre 1697 e 1918, estabeleceu aqui uma das suas residências de Inverno. Esta zona era particularmente favorecida pelos príncipes Danilo e Nikola. O príncipe Danilo mandou construir a bonita ponte que atravessa o rio em 1853, um dos pontos que nos fez vir visitar esta aldeia, enquanto que o príncipe Nikola mandou construir a ponte que liga esta aldeia a Virpazar já mais tarde em 1905. Rijeka Crnojevića não era só um dos locais favoritos dos seus governantes como durante o século XIX e início do século XX era o local mais importante desta zona para o comércio tendo sido aqui aberta a primeira farmácia do país.
Rijeka Crnojevića (com a ponte de Danilo ao fundo)
Hoje em dia a aldeia pode ser visitada, mas talvez por virmos num dia de semana cedo e ainda por cima em meados de novembro, não podemos dizer que a vila estava movimentada, muito pelo contrário. Contudo isto fez com que estacionar dentro da aldeia fosse fácil e que pudéssemos andar pelo passadiço junto às águas e visitar a ponte velha (também conhecida como ponte de Danilo em memória ao príncipe) sem multidões. Na verdade, o que mais se viu foram as ofertas das tais viagens de barco. Em relação a estas pareceu-nos que os preços nesta aldeia eram mais elevados do que os de Virpazar talvez por Rijeka Crnojevića se localizar numa zona menos central do lago. Não obstante, para quem gosta de bonitas paisagens e pitorescas aldeias, Rijeka Crnojevića é um local perfeito para visitar no lago Skadar.
Rijeka Crnojevića
Foi em Rijeka Crnojevića que nos começámos a aperceber da grande quantidade de gatos abandonados nas ruas, apesar de nesta altura não sabermos bem se eram abandonados ou se tinham dono, mas eram deixados a andar livremente pela aldeia. Infelizmente depois da minha experiência em Montenegro a primeira opção é a mais provável.
Segundo ponto panorâmico (não o planeado)
O ponto panorâmico que tínhamos no nosso itinerário chama-se no Google Maps ‘Beautiful Panorama of Rijeka Crnojevića’. Quando estávamos prestes a chegar a este ponto encontrámos um sinal junto a uma casa de onde saiu um senhor. Então o que se passava? Para visitar o tal ponto panorâmico era preciso pagar. O senhor deu várias opções se não estou enganada era 2 euros para ir até ao ponto panorâmico e se quiséssemos um licor qualquer eram 5 euros. Ou qualquer coisa assim parecida, eu confesso que o meu cérebro desligou no momento em ele disse que tinha de pagar para ir a um ponto panorâmico. E acho que a minha cara traduzia isso mesmo já que no final o senhor acabou por me aconselhar voltar à estrada de onde tínhamos vindo e parar junto a um banco de madeira no cimo de um morro já que a paisagem dali seria semelhante.
Ponto panorâmico (junto ao banco de madeira) do lago Skadar
E foi exactamente isso que fizemos. Não há razão nenhuma para ter de pagar por um ponto panorâmico. Eu percebo que provavelmente o caminho atravessa propriedade privada, mas há outras opções, muitos lugares onde se pode parar pelo caminho para ver a paisagem sem ter de gastar dinheiro.
Para chegar ao ponto panorâmico onde fica o tal banco de madeira podem procurar:
Pelas coordenadas: 42.345700339198864, 19.047305618994525
Pelo endereço no Google Maps: 82WW+7VH, Municipality, Cetinje, Montenegro
A paisagem deste ponto panorâmico foi realmente uma das mais bonitas que vimos, por isso vale a pena parar aqui.
Terceiro ponto panorâmico (também não o planeado)
Esta foi uma das situações mais caricatas que tivemos em Montenegro. O ponto onde queríamos ir chama-se ‘Poselijani-vandfaldet’ onde supostamente há uma cascata, uma ponte antiga e algumas casas. Mas afinal a estrada para onde tínhamos de virar tinha o símbolo de trânsito proibido. Para decidirmos o que fazer a seguir parámos o carro junto ao ‘monumento ai caduti’.
Um dos muitos pontos panorâmicos do lago Skadar
Do outro lado deste monumento estava parado outro carro com um homem sentado ao volante a ouvir rádio. Estávamos prestes a sair do carro para irmos à tal cascata a pé (o que é preciso fazer de qualquer das formas) quando o homem desliga o rádio, sai lentamente do carro, vai à parte de trás e tira uma espingarda. Em seguida senta-se com ela ao colo no degrau do monumento. Realmente tínhamos passado por vários caçadores durante o caminho, muitos deles sentados à beira da estrada, e sendo o meu pai, o meu sogro e o meu avô caçadores de caça pequena sei bem que a caça em Portugal acontece aos domingos e às quintas-feiras. Suponho que o mesmo aconteça em Montenegro. Contudo, aquele movimento não nos pareceu muito amigável, aliás foi bastante ameaçador, o homem sentado ao nosso lado de espingarda no colo e não é preciso explicar porque nos fomos embora sem sequer sair do carro. Se aquilo era um aviso, o aviso tinha sido dado.
Acabámos por não visitar a cascata, parámos mais à frente numa bifurcação da estrada principal para ver a paisagem, tirar a fotografia obrigatória, e tentarmos perceber o que raio se tinha acabado de passar.
Virpazar
Chegámos a Virpazar por volta do meio-dia e esta seria a última paragem no lago Skadar antes de irmos para sul em direcção a Stari Bar. Virpazar é uma das aldeias/vilas mais conhecidas da zona. Até porque é normalmente de Virpazar que as pessoas apanham o barco para visitar o lago. No final, nós passámos aqui menos tempo do que o esperado. Apesar do movimento naquele dia ser reduzido pareceu-nos este ser um local bastante turístico com vários restaurantes, postos de turismo e barraquinhas a publicitar as tais viagens de barco. Isto apenas para dizer que não achei Virpazar nada de especial. Demos uma volta pelo centro onde se encontra o monumento que comemora a revolta dos montenegrinos que começou a 13 de julho de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, e que resultou na libertação da cidade em 12 dias.
Virpazar
Para além deste monumento também demos alguma atenção à paisagem sobre o lago onde várias canoas de madeira, algumas de aspecto mais rústico, pousavam nas suas águas. Como não havia muito mais para ver voltámos para o carro e subimos Virpazar até outro ponto panorâmico (viewpoint Skadarske Jezoro). Ainda tentámos visitar a fortaleza de Virpazar, Tvrđava Besac, mas como no seu interior encontra-se agora um restaurante e uma loja que penso ser de recordações é preciso pagar para visitar a fortaleza. Com um tom educado, agradecemos a senhora que nos recebeu, mas rejeitámos a visita. E aqui tenho a certeza de que não me arrependo ter poupado alguns euros.
E deixando Virpazar para trás acabava assim a nossa visita ao bonito parque nacional onde se encontra o lago Skadar. Para chegar a Stari Bar apanhámos a M2, a autoestrada, cujo troço teve um custo de 2.50 euros que foram pagos à saída das portagens. Há uma estrada regional sem portagens, mas quando nos demos conta já estávamos na autoestrada e deixámo-nos ficar. Assim o caminho também foi mais rápido e antes das 2 da tarde já andávamos a passear pelas ruínas da cidade velha de Stari Bar.
No próximo post
Depois das primeiras horas em Montenegro, horas essas onde muito se tinha passado, entrámos assim na segunda parte deste dia. Visitámos as ruínas de Stari Bar, tivemos um encontro um pouco desagrável com um aficionado por sumo de romã (sim, é mesmo isso) e fizemos o nosso check-in em Bar (Villa Kovacevik). Para acabar o dia fomos jantar a um restaurante bastante tradicional onde experimentámos ćevapi (uma espécie de salsicha feito com carne picada).
P.S. Durante as semanas em que estou a falar sobre a nossa viagem em Montenegro estou a angariar fundos para a SPCA International, uma das muitas organizações que fazem um trabalho maravilhoso em ajudar animais abandonados.
Alternativamente podem tornar-se membros da organização montenegrina Stray Aid Montenegro e doar para esta organização que tem o objectivo de ajudar animais abandonados e dar-lhes um lar em Montenegro: https://strayaidmontenegro.be/
Nos últimos anos Montenegro tem sido um dos países que tem ganho popularidade como destino de férias. É um país pequeno, sim, mas tem imenso para oferecer, desde praias, a cidades medievais, a parques nacionais que fazem lembrar os Dolomitas em Itália. A parte mais conhecida de Montenegro é Kotor, uma cidade onde vários navios de turismo param todos os dias, dando a conhecer aos seus hóspedes uma das cidades medievais mais bem conservadas do mundo e parte do Património Mundial da UNESCO. No entanto, nós quisemos mais, quisemos ficar a conhecer as várias partes do país e foi por isso que marcámos uma semana de férias – sábado a sábado – e alugámos um carro para nos deslocarmos à vontade por Montenegro.
Kotor
Decidimos ir em novembro, que é a altura do ano em que chove mais, mas mesmo assim só apanhámos um dia com chuva, tendo no último dia até andado de manga curta pelo meio das ruas da capital, Podgorica. Mas tivemos de tudo, desde chuva, a bom tempo, a temperaturas amenas a temperaturas negativas. Em cada parte do país foi uma espécie de miniférias dentro das férias, tal era a diferença de cada experiência. Montenegro revelou-se um país bem mais surpreendente do que aquilo que esperava, para os ambos os lados, tanto para o lado positivo como para o lado negativo. Uma semana foi o tempo certo para ficar a conhecer este país e apesar da probabilidade de mau tempo, vir em novembro foi uma das melhores decisões que fizemos, já que os vídeos que vimos dos aeroportos e estradas durante a altura do verão eram de desespero e frustração. E percebe-se porquê – um país tão pequeno e ainda em desenvolvimento tem que forçosamente apresentar certas dificuldades perante o turismo desmedido. Também tínhamos lido que os locais por vezes mostravam algum desdém pelos turistas, que alguns até tinham sido maltratados, e sim conhecemos pessoas um pouco mais carrancudas, mas também conhecemos pessoas muito, mas muito simpáticas.
Bolos que a senhoria em Žabljak nos deu quando chegámos ao nosso apartamento no final da tarde como agradecimento por termos limpo a salamandra naquela manhã
Passámos por algumas situações caricatas, das quais irei falar nas próximas semanas que tornou esta viagem ainda mais memorável. Eu suma, se aconselho a visitar Montenegro? A resposta é imediata: claro que sim, mas venham preparados para surpresas.
Particularidades do turismo
Aeroporto
O aeroporto mais conhecido de Montenegro é o de Tivat, devido à sua localização perto de Kotor e, portanto, da costa. Curiosamente, a partir de outubro, não há voos de Londres para Tivat e não tivemos outra escolha senão voar para Podgorica, a capital de Montenegro. Para nós, ter apenas uma escolha não teve nenhum impacto já que tínhamos flexibilidade para ajustar o nosso itinerário.
Chegada ao aeroporto de Podgorica
Para entrar no país foi preciso mostrar passaporte uma vez que Montenegro não pertence à União Europeia. E foi assim que tive pela primeira vez um carimbo no passaporte. Mesmo quando fui ao Alasca e a Vancouver não tive direito ao carimbo, por isso esta foi a primeira surpresa da viagem. Voar com apenas o cartão de identificação, como o cartão de cidadão, não é suficiente para visitar Montenegro, sendo mesmo necessário o passaporte.
Taxa de turismo
Só fiquei a saber sobre esta taxa quando já estávamos em Kotor, isto na terceira noite em Montenegro. Esta taxa é obrigatória e tem um custo de 1 euro por pessoa por dia ou 50 cêntimos se for uma criança até 12 anos. Em muitos dos locais esta taxa é chamada de ‘city tax’ e deve ser cobrada pelo alojamento. Tal como os donos do alojamento devem completar um documento com os dados pessoais dos hóspedes incluindo a duração da estadia e depois submeter este documento às autoridades. Se isto não acontecer o problema pode aparecer à saída do país na forma de uma multa. Há duas partes desta regra, a primeira é ser obrigatório avisar as autoridades até 48 horas depois de se entrar no país e a segunda é fazê-lo de cada vez que se muda de alojamento, o que para nós era basicamente todas as noites. Ao descobrirmos estas regras entrámos em contacto com os donos dos locais onde tínhamos ficado nas noites anteriores e felizmente estava tudo conforme a lei. Como fizemos as reservas no booking.com assumimos que estas burocracias tivessem sido feitas de acordo com o esperado, mas para quem faça as reservas através do Airbnb ou em caso de se ficar em casa de amigos ou familiares é preciso verificar qual o processo de forma a evitar problemas. Se isto não for feito pelo alojamento, aos olhos da lei a própria pessoa é responsável pelo pagamento desta taxa de turismo o que pode ser feito indo às autoridades ou a um balcão de turismo. Apesar de ter lido que as autoridades muitas vezes têm a atitude de não quererem saber e que na maioria das vezes isto não é verificado no aeroporto, é melhor prevenir do que pagar 200 euros no final da viagem. O que seria uma maneira desagradável de acabar as férias.
Multibancos
A verdade é que a maior parte dos restaurantes e dos locais que visitámos aceitavam pagamento com cartão de débito. No entanto, nos locais onde ficámos hospedados, em algumas padarias e nas entradas para os parques nacionais, os pagamentos tinham de ser feitos a dinheiro. O meu conselho é que tentem evitar fazer múltiplos levantamentos e quando o fazem levantem uma soma considerável que vos dê para grande parte da viagem. Isto porque os multibancos cobram uma taxa de levantamento que vai desde os 4.95 euros até aos 6-7 euros. E esta taxa é cobrada por cada levantamento. Acho que no total nós fizemos 3 levantamentos, um quando chegámos, outro em Kotor e outro já no penúltimo dia da viagem em Gusinje. E apesar de termos andado a ver qual era o multibanco que cobrava uma taxa menor, não vimos nenhum que não a cobrasse.
Língua
As origens da língua oficial de Montenegro, o montenegrino, estão intrinsecamente ligadas com a história do país. Montenegro ganhou a sua independência do estado Servo-montenegro depois do referendo de 2006, estado esse que se tinha formado quando a Iugoslávia se dissolveu em 1989. Curiosamente, Montenegro já tinha sido independente no século passado, mas em 1920 foi-lhe renegada a independência pelos países europeus e pelos Estados Unidos da América. Em 2006, o montenegrino passou a ser a língua oficial, esta que é quase como um dialecto do sérvio. Por isso para quem fala sérvio é perfeitamente entendido em Montenegro. Apesar de menos faladas, as seguintes línguas também são reconhecidas em Montenegro: o albanês, o bósnio e o croata.
Entrada para a cidade velha de Kotor, uma das zonas mais turísticas do país
Claro que eu não sei falar montenegrino, nem sérvio, e apesar de quase sempre puder usar o inglês como língua de comunicação houve algumas situações em que tivemos de usar o Google Tradutor para nos ajudar a comunicar. No entanto, tinha estudado um pouco de sérvio, apenas o básico tipo ‘bom dia’ ‘boa tarde’ ‘obrigado’ que apesar de ser pouco, acho que foi em algumas situações recebido de bom grado. Pelo menos tínhamos feito um pequeno esforço. Mas como disse, na maior parte dos sítios pudemos falar em inglês, principalmente nos restaurantes.
Para quem gosta também de aprender o pouco a língua local antes de viajar, para aprender sérvio usei a aplicação ‘Ling’ que para palavras e frases básicas o acesso é gratuito.
Gastronomia local
Eu confesso que uma das razões que me faz adorar viajar é puder experimentar as diferentes gastronomias locais. E em Montenegro o meu lado mais‘foodie’ foi bastante apaparicado. Em cada região há diferentes pratos tradicionais; mais centrado em peixe e marisco na parte junto à costa e mais em carne e lacticínios na zona das montanhas.
Burek, o pequeno-almoço tradicional de Montenegro
E apesar de não termos experimentado tudo o que queríamos, a verdade é que aproveitámos cada refeição para comer pratos típicos de Montenegro. Para dizer a verdade, mesmo que os dias não corressem da melhor maneira, por uma ou outra razão, a verdade é que o jantar voltava a pôr tudo nos eixos. Desde burek (massa filo recheada com queijo, batata ou espinafres) a risoto de choco a sopa de veado a cevapi (carne picada em forma de espetada servida com pão, salada e sour cream), tudo foi delicioso. Houve também oportunidade de experimentar vários doces e bebidas regionais. E aliás, foi em Montenegro que comi o melhor prato de massa da minha vida – e já comi massa várias vezes em Itália!
Prato de massa do La Cathedral Pasta Bar em Kotor
Os preços das refeições também foram bastante razoáveis, os burek não foram mais do que 3 euros e os jantares variaram entre 16 a 50 euros para duas pessoas. A refeição mais cara foi no parque nacional de Durmitor onde comemos uma espécie de guisado de borrego seguido de sobremesa e aperitivos. Os pormenores de todos os restaurantes, padarias e pastelarias onde comemos serão mencionados à medida que vou escrevendo sobre os vários dias que passámos em Montenegro.
Condução
Parece que sem querer deixei as partes que tiveram um maior impacto para o fim da lista. E conduzir em Montenegro é realmente uma experiência, uma espécie de jogo de sobrevivência sem regras e sem nexo. As regras na estrada são sugestões, não obrigações – esta foi a frase que definiu a nossa experiência nas estradas de Montenegro. Desde inversão de marcha em cima de passadeiras, de carros a buzinarem a pessoas que atravessavam a passadeira com o sinal verde, de ultrapassagens que faziam os carros que vinham do sentido inverso terem de se desviar para a berma, tudo se viu. E nem vale a pena mencionar que os montenegrinos têm uma aversão a conduzir do lado deles da estrada – e mais, quando vêm um carro na direcção deles que está na faixa correcta nem sequer fazem um esforço para se desviarem – se os outros estão incomodados que se mudem eles.
Rota cénica no parque nacional de Durmitor
Em cada curva, cada estrada apertada era sempre uma expectativa – mas apesar de ter havido vários sustos a verdade é que felizmente não tivemos grandes problemas. E no final só vimos um acidente, na serpentina em Kotor, uma estrada que é feita de curvas e contracurvas umas atrás das outras bastante apertadas. Por isso suponho que a condução se chame de caos organizado, em que eles têm enraizados as suas próprias regras. Outra coisa a apontar é os sinais de velocidade, pode-se passar de 30km/h para 70km/h depois para 50km/h depois para 70km/h e depois para 20km/h em apenas um pequeno trecho de poucos metros. E até vimos numa das estradas dois sinais juntos um de 50km/h e outro de 70km/h. Suponho que a velocidade era à escolha do condutor. Vimos também muitas paragens stop da polícia e fomos avisados algumas vezes de que a polícia patrulhava aquela zona pelo sinal de luzes feitos pelos carros que vinham no sentido contrário. Um sinal mundialmente reconhecido. Ou seja, conduzir é Montenegro não é para todos e muito menos para quem tem pouca experiência. Pode levar a alguns ataques de coração.
Animais
Esta foi a parte que mais me traumatizou e a que ficou comigo até hoje e penso que vá ficar por muito mais tempo – o número de animais abandonados que encontrámos em todas as partes do país. Em Kotor, foram mais gatos abandonados, enquanto no resto do país foram cães. E para quem tem uma adoração por cães como nós, acreditem que vêm de coração partido. Montenegro sendo um país ainda em desenvolvimento está bastante atrasado em termos de protecção dos animais – não há canis e as organizações que há, vivem apenas de donativos, há uma aversão à esterilização dos animais, já que há uma cultura enraizada de que este processo vai contra a natureza, e não há qualquer punição para os donos que abandonem os seus animais. Há imenso trabalho a fazer nesta área e a quantidade de cães a sofrer e a passar fome é destruidora.
Um dos cães abandonados que nos acompanhou pelo parque nacional de Durmitor
Em alguns locais os cães vivem na rua em grandes grupos como vimos no parque nacional de Durmitor, mais especificamente no Lago Crno e depois em Gusinje no parque nacional de Prokletije. Mas pelo caminho, vimos muitos cães abandonados no meio do nada, vimos em Podgorica uma cadela com 3 pernas que tinha um pequenito escondido atrás de um caixote do lixo. E os cães que encontrámos eram todos tão meiguinhos, a pedir mimos, a pedir uma casa. Um dos episódios que mais me marcou foi em Durmitor quando um cão que veio pedir festas no início do caminho, quase nos saltou para o colo quando estávamos para ir embora, a agarrar os nossos braços com as patas e a ganir. A pedir para lhe darmos um lar. Acreditem que é difícil desiludir uma pessoa, mas agora desiludir um cão a sensação é muito, mas muito pior. Também em Gusinje conhecemos um cãozinho que andava atrás de nós. Aí tive mesmo de ir comprar comida para lhe dar, o meu coração não conseguia mais lidar com isto. Depois de voltar a Inglaterra contactei o dono do local onde tínhamos ficado em Gusinje para saber se havia alguma coisa que se pudesse fazer tal como doar comida, tentar encontrar uma casa para o cão. Felizmente o dono do sítio onde ficámos assegurou-me que ele próprio lhe dá comida 3 vezes ao dia e que na altura do inverno o cão dorme dentro de casa. Mas nem todos têm esta protecção.
População de gatos de rua em Kotor a serem alimentados por uma local
Também em Kotor ouvimos uma senhora a dizer enquanto dava comida aos gatos que ao contrário do que se pensa, as pessoas não cuidam nem alimentam os gatos abandonados. Apesar de estes animais serem uma ‘imagem’ da cidade, a verdade é que não há muitas pessoas a cuidar deles. Os gatos foram trazidos para Kotor para ajudar na eliminação de ratos, um problema que estava a assaltar a cidade, mas hoje em dia, há uma criação desmedida de gatos pela cidade, sem leis para os protegerem.
E é por isto que já comecei a doar dinheiro mensalmente para uma das organizações que tentam salvar o maior número de animais abandonados em Montenegro e dar-lhes uma casa. Se puderem, peço-vos que façam o mesmo, nesta ou em outra instituição: https://strayaidmontenegro.be/
E também é por isto que durante as semanas de que estarei a falar de Montenegro estarei a angariar dinheiro para SPCA international que ajuda também a organização em Montenegro. Se puderem dar nem que seja 1 euro, já estão a fazer a diferença. Para fazerem o vosso donativo vão ao meu perfil pessoal do Facebook: https://www.facebook.com/donate/1528104408407321/26285399937729841/
Eu farei um donativo por cada post que fizer sobre Montenegro neste blog para a SPCA international. Porque cada animal merece amor, respeito e uma vida sem medo de rejeição.
Itinerário de uma semana (com mapa)
Todos os detalhes da nossa viagem a Montenegro ficarão disponíveis nas próximas semanas. No entanto deixo aqui o mapa geral seguido do esqueleto do nosso itinerário.
Dia 1
Aterrar e dormir em Podgorica (check-in no Apartment Aerodrom)
Dia 2
Pequeno-almoço no Apartament Aerodrom
Explorar Lake Skadar – parámos em Rijeka Crnojevića e em Virpazar. Pelo caminho fomos também parando em certos locais panorâmicos (sugestões e dicas serão fornecidas no relevante post)
Visitar a cidade velha de Stari Bar
Dormir em Villa Kovacevik em Bar
Jantar em Banjalučki Ćevap
Dia 3
Visitar em Bar a igreja de St Jovan Vladimir
Pequeno-almoço em Burekdzinica Fontana (burek)
Visitar Sveti Stefan e o mosteiro Praskvica
Visitar o mosteiro em Cetinje e o mausoléu Njegoš (este último estava fechado devido ao mau tempo)
Check-in em Kotor (apartmento Palata Bizanti)
Visitar a cidade velha de Kotor (incluindo a igreja de São Nicolau, a igreja de São Lucas e a igreja de São Pedro de Cetinje)
Jantar no restaurante La Cathedral Pasta Bar
Dia 4
Subir a fortaleza de Kotor
Visitar a catedral de São Trifão em Kotor
Passear pelas ruas da cidade velha de Kotor
Parar na pastelaria Senso Kotor para provar o bolo tradicional – Krempita
Passear pelas muralhas de Kotor
Voltar ao parque nacional Lovcén para visitar o mausoléu Njegoš
Parar no ponto panorâmico Monte 1350 Bar
Visitar a cidade velha de Budva
Check-in em Perast (Apartments Jovanovic)
Jantar no restaurante Armonia
Dia 5
Pequeno-almoço no café Šijavoga
Visitar a ilha Lady of the Rocks (Senhora das Rochas)
Parar no ponto panorâmico do lago Slano
Visitar o mosteiro ortodoxo de Ostrog
Parar perto do lago Vražje (lago do diabo)
Check-in em Žabljak (apartamento Duke)
Jantar no restaurante O’ro
Dia 6
Pequeno-almoço de uma pequena padaria (Pekara) em Žabljak
Fazer o trilho à volta do lago Crno no parque nacional de Durmitor e explorar arredores
Subir o pequeno trilho para o ponto panorâmico de Ćurevac
Conduzir e parar em vários pontos da rota cénica (o anel de Durmitor) passando por Mala Crna Gora, o desfiladeiro Sušica, Nedajno, Trsa, Pišče, Sedlo e Žabljak
Jantar no restaurante O’ro em Žabljak
Dia 7
Pequeno-almoço da Pekara de Žabljak
Parar na ponte Tara e fazer o zipline que atravessa o desfiladeiro
Conduzir até à vila de Gusinje no parque nacional de Prokletije
Check-in no Kula Nekovica
Visitar as nascentes de Ali Pasha
Visitar a cascata Grja
Jantar no restaurante Alipašini izvori
Dia 8
Pequeno-almoço no Kula Nekovica
Conduzir até Podgorica
Visitar a cascata de Niagara e a zona em redor
Explorar o grande parque Gorica na cidade de Podgorica
Visitar o templo ortodoxo da Resurreição de Jesus
Passear pelo parque Kraljev
Jantar no Gyros by Rumi
Apanhar o avião de volta para casa no aeroporto de Podgorica
Espero que todos os pormenores da nossa viagem vos sejam úteis para preparar a vossa até Montenegro. Tudo neste blog durante as próximas semanas.
Ao chegar ao final de 2025, é tempo de rever as viagens que partilhámos neste blog ao longo dos últimos 12 meses. No total, escrevemos sobre 3 países e sobre 14 diferentes locais! Para 2026, só pedimos: mais viagens, mais experiências, mais memórias❤️✈️.
Um dos lugares que tinha ficado por visitar na área de Oxford era Blenheim Palace, parte do Património Mundial da UNESCO desde 1987. E em 2025, tive finalmente a oportunidade de vir até esta propriedade conhecer a casa e os seus jardins.
A forma mais fácil de chegar a Oxford, se a partida for de Londres, é apanhar o comboio em Paddington e em menos de uma hora chega-se ao destino. Se a viagem for feita de carro fica o aviso que estacionar no centro da cidade é bastante complicado. Tanto que quando nós visitámos a cidade de Oxford deixámos o carro no alojamento e fomos todos os dias de autocarro até ao centro. Por outro lado, para visitar Blenheim Palace a forma mais fácil é de carro, no entanto é possível chegar de transportes públicos a partir de Oxford apanhando um comboio e um autocarro (o comboio com destino a Great Malvern e depois o autocarro S7 em Hanborough) ou um autocarro (S3 gold) dependendo da hora de partida. A viagem entre Oxford e Blenheim Palace demora cerca de 45 minutos se for de transportes públicos e cerca de 25 minutos se for de carro.
Nós visitámos Oxford e Blenheim Palace em alturas diferentes, e partindo de Watford (norte de Londres) demorámos cerca de 1 hora e 20 minutos a chegar a Blenheim Palace. O estacionamento em Blenheim Palace está incluído no bilhete da entrada.
Bilhetes para visitar Blenheim Palace
Um pequeno pormenor que fez com que levasse tanto tempo a visitar Blenheim Palace foi o preço dos bilhetes. Não que não pense que o valor do bilhete não corresponda ao valor da propriedade e tudo o que está incluído na visita, no entanto continua a ser um preço que requer uma certa consideração. O bilhete de entrada que dá acesso à casa, aos jardins e aos campos da propriedade tem um custo mínimo de 41 libras por pessoa. É verdade que o bilhete tem uma validade de 12 meses, portanto é possível visitar Blenheim Palace no dia para que se marca quando se compra o bilhete e voltar durante os 12 meses seguintes. E com o bilhete pode-se visitar certos eventos como o festival de gastronomia ou o das flores.
Blenheim Palace
No entanto, há certos eventos como agora na altura do Natal que este bilhete não inclui. Estive a ver rapidamente no website os eventos especiais que estão agora a decorrer na altura do Natal e pode-se percorrer um trilho exterior iluminado com imensas luzes e decorações de Natal ou visitar o Palace of Oz que basicamente são os salões da casa ricamente decorados para a época. Os bilhetes combinados destes dois eventos – o trilho iluminado e o palácio de Oz custam 75 libras por pessoa.
Para comprar os bilhetes para Bleinhem Palace em qualquer altura que seja, independentemente se agora na altura do Natal ou quando não há nenhum evento especial a decorrer, vejam o website oficial: https://www.blenheimpalace.com/
Pequeno-almoço em Woodstock
Blenheim Palace fica na pequena vila de Woodstock, no condado de Oxfordshire. Depois de esperarmos cerca de 10 minutos para entrar e estacionar o carro em Blenheim Palace decidimos que primeiro íamos tomar o pequeno-almoço e depois voltar a entrar, agora a pé, para visitar a propriedade. Para estacionar foi apenas preciso mostrar os bilhetes, mas há um aviso nos bilhetes de que pode ser preciso mostrar identificação à entrada. Isto é para evitar que as pessoas partilhem o seu bilhete durante os 12 meses de validade, o que não é permitido.
Vila de Woodstock
Fomos assim explorar um pouco desta bonita vila de Woodstock com os seus edifícios cremes característicos de Inglaterra. Não posso dizer que tenha ficado a conhecer bem a vila já que fiquei apenas pela rua principal, onde ficavam os restaurantes e cafés, mas daquilo que vi gostei muito e gostaria de ter oportunidade de visitar Woodstock com mais tempo. Para o pequeno-almoço entrámos no Woodstock Coffee Shop onde encontrámos uma grande variedade de bolos, sandes e folhados. É exactamente o tipo de loja onde gosto de parar para beber café – pitoresca e aconchegante. Depois de fazermos os nossos pedidos sentámo-nos numa das mesas ao fundo da loja até porque àquela hora da manhã o café estava bastante cheio.
Para beber pedimos um latte (café com leite) e um cappuccino. Para comer pedimos um pain au chocolat (folhado recheado com chocolate), uma sandes de húmus com pimentos grelhados e um apple bun (um bolo seco de maçã). Confesso que a compra do apple bun fui eu a cair na tentação das escolhas que tinha à minha frente.
Apple bun e latte no Woodstock Coffee Shop
Eu gostei bastante da sandes e quem comeu o folhado de chocolate também ficou satisfeito. Agora o apple bun – confesso que esperava mais – o bolo era bastante seco e apesar do bom sabor, ficou aquém das expectativas. É para aprender a não cair nas tentações. Quanto ao café este sim era bom, e se vier a Woodstock e se houver a oportunidade volto de bom grado a este café. Apesar de tudo o que acabei de escrever, o apple bun parece ser um dos bolos mais pedidos neste café – se calhar fui eu que pedi demasiado deste bolo.
Para mais informações sobre o Woodstock Coffee Shop vejam em Woodstock Coffe Shop
Visita a Blenheim Palace
Depois do pequeno-almoço que foi já a tocar no brunch voltámos para Blenheim Palace para visitar as várias partes da propriedade. E começámos pelo interior da casa. Deixo aqui um aviso de que não vou falar em pormenor de todas as zonas que visitámos dentro e fora da casa, porque a propriedade é enorme. Por isso vou apenas mencionar algumas das áreas que mais gostámos ou que foram mais memoráveis por uma ou outra razão.
Blenheim Palace
Se os detalhes das secções abaixo não forem suficientes vejam mais no website oficial: Blenheim Palace
Breve história da propriedade
A história de Blenheim Palace começa em 1701 quando John Churchill, o 1º duque de Malborough, vence aos franceses na Blenheim Battle, uma batalha que mudou o rumo da história da Europa. Foi nesta batalha que o exército francês perdeu pela primeira vez em 50 anos, impedindo assim de França conquistar Espanha. A rainha de Inglaterra da altura, Queen Anne, como prémio e agradecimento em nome da coroa oferece a John dinheiro e terras para a construção de Blenheim Palace no Parque Real de Woodstock. Esta vitória militar permitiu a que a John e Sarah, sua mulher e amiga de infância da Rainha Anne, subissem na sociedade.
Salão de Blenheim Palace onde se encontra o vestido usado pela duquesa de Malborough durante a coroação da rainha Elizabeth II
Mas a construção deste que seria a casa dos Duques de Malborough, seria tudo menos calma. Sarah ficou encarregue da propriedade enquanto o marido estava na guerra, e não escondia o seu descontentamento com o arquitecto que John tinha escolhido para a construção de Bleinhem Palace, Sir John Vanbrugh. Sarah achava que Vanbrugh para além de ser demasiado extravagante ignorava as suas instrucções. Para Sarah deveria ter sido escolhido Sir Christopher Wren, o arquitecto da catedral de St Paul em Londres, mas John não seguiu com a sugestão da mulher. Estas discussões entre o arquitecto e a duquesa eram tão acesas que Vanbrugh acabou por ser proibido de visitar Blenheim Palace.
Entretanto, também a relação de Sarah com a rainha Anne tornou-se atribulada devido a vários factores como as suas diferentes visões políticas e até rumores de ciúmes entre as duas. O que para muitos foi uma surpresa, não só porque as duas eram amigas de infância como Sarah tinha o papel de Guardiã da Bolsa Privada, ou seja, era Sarah quem controlava o orçamento da rainha Anne. No final, ambas cortaram relações o que levou a que os duques de Malborough perdessem os seus cargos reais e em 1712 se mudassem para a Antuérpia. Com isto, a rainha mandou cessar as obras em Blenheim Palace. O casal só voltou a Inglaterra em 1715, depois da morte da rainha, quando o governo do novo rei concordou em liquidar algumas das dívidas se John e Sarah pagassem o resto das obras em Blenheim Palace.
Sala green writing room em Blenheim Palace
Apesar do edifício nunca ter sido oficialmente completo, os trabalhos terminaram em 1733, 11 anos depois da morte de John. O custo total da construção de Blenheim Palace foi de 300,000 libras que corresponderia a 58 milhões de libras, se fosse construído hoje.
Winston Churchill
Winston Churchill é mais conhecido pelo seu papel como primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi primeiro-ministro como representante da parte política conservadora por duas vezes, a primeira de 1940 a 1945 e de novo em 1951 a 1955.
Quadro e estátua de Winston Churchill
Winston Churchill nasceu inesperadamente em Blenheim Palace a 30 de novembro de 1874, numa das visitas dos seus pais à propriedade. A infância de Winston foi passada essencialmente com a sua ama com quem criou uma forte relação, já que os seus pais levavam vidas ocupadas na alta sociedade, passando pouco tempo com Winston e com Jack, o filho mais novo do casal.
O interesse de Winston no exército começou bastante cedo levando-o a juntar-se à Royal Cavalry em 1895, apesar da sua mente estar centrada na política. Como procurava fama e dinheiro, Winston usou a influência da sua mãe na sociedade para ser destacado para lugares perigosos de onde escrevia as suas experiências. Winston foi baleado em Cuba, combateu na fronteira do Afeganistão e tornou-se prisioneiro de guerra na África do Sul. Foram os seus relatos vívidos sobre a sua captura e fuga dramatizados pela imprensa britânica que levaram que o seu estatuto e reputação como herói de guerra fossem consolidados quando Winston regressou a Inglaterra.
Estátua de Winston Churchill (à esquerda) e sala sobre a Segunda Guerra Mundial em Blenheim Palace (à direita)
Um dos pontos curiosos sobre Winston Churchill foi o Nobel da Literatura, prémio que lhe foi atribuído em 1953 pelos seus trabalhos publicados. Winston Churchill morreu em 1965 em Londres.
Muitos são os salões que se pode visitar em Blenheim Palace como quartos ricamente mobilados, salas faustosas onde manequins expõem diferentes roupas, como os vestidos de noiva usados pelas mulheres da família Malborough ao longo das gerações ou os vestidos usados durante a coroação da nova rainha de Inglaterra.
Vestida de noiva de uma das duquesas de Malborough (à esquerda) e sala dos criados (à direita)
Tapeçarias, quadros e mobílias são alguns dos itens que se encontram em exposição e que podem ser apreciados durante a passagem pelos diferentes salões. Vou apenas mencionar dois em específico começando pelo China Ante Room, onde se encontra a coleção de porcelana de Sèvres e Meissen, colecção essa oferecida ao 3º duque de Malborough pelo rei da Polónia em 1751 e o Green Writing Room, onde se encontram duas das primeiras tapeçarias adquiridas pelo 1º duque de Malborough para celebrar as suas vitórias militares.
Biblioteca
A biblioteca é o espaço onde se encontra a ‘Sunderland Library’ uma colecção que conta com mais de 20,000 livros e manuscritos que pertenciam ao 3º duque de Malborough. Para financiar o seu interesse pela ciência e botânica, o 8º duque de Malborough vendeu grande parte desta colecção que foi posteriormente readquirida pelo seu filho, o 9º duque de Malborough, usando parte do dote da sua mulher para o fazer.
Cavalariças
As cavalariças são uma parte importante para a família Malborough tendo sempre havido um grande amor e respeito pelos cavalos. Os cavalos fazem parte de Blenheim desde o grande momento em que John Churchill, o 1º duque de Malborough cavalgou pelo campo de batalha onde teve a sua grande vitória sobre o exército francês. As cavalariças foram também elas projectadas pelo arquitecto Vanbrugh com baías para mais de 60 cavalos.
Cavalariças (à esquerda) e entrada para Blenheim Palace (à direita)
Ao longo dos últimos 300 anos, a arquitectura e organização desta parte da propriedade foi mudando consoante os gostos e necessidades dos proprietários. Os cavalos tiveram sempre um papel importante na vida quotidiana em Blenheim, sendo usados para enviar mensagens, puxar carruagens e arear a terra como apreciados nas áreas do desporto e entretenimento. Estas cavalariças deixaram de ser usadas como tal em 2000 e por isso hoje quando se visita esta parte da propriedade não se vê aqui cavalos, estando estes animais agora alojados em Park Farm, que também faz parte da propriedade de Blenheim Palace.
Capela
A entrada para a capela encontra-se do lado exterior da casa principal. A capela também foi ela projectada pelo arquitecto Sir John Vanbrugh. No entanto, apesar do seu empenho na capela a verdade é que Vanbrugh foi demitido do seu cargo quando houve uma discussão entre ele e a duquesa Sarah pelo facto das suas paredes terem apenas um metro de altura.
Monumento memorial a John Churchill (à esquerda) e um dos quartos no interior de Blenheim Palace (à direita)
Depois da morte de John, Sarah contratou Michael Rysbrack para construir um enorme monumento em mármore em honra do seu falecido marido. Monumento esse que demorou 3 anos a ser completado e que ainda hoje faz parte da capela.
Os jardins de Blenheim Palace
Uma das partes mais impressionantes de Blenheim Palace é certamente os seus jardins que podemos dividir em duas secções, os ‘formal gardens’ (jardins formais) e os ‘walled gardens’ (jardins murados).
Formal Gardens
Os ‘formal gardens’ estão em duas localizações diferentes, uma que se entra pelas traseiras da casa e outra que fica entre o edifício da casa e os ‘walled gardens’. Na parte das traseiras da casa, ainda antes de chegar aos jardins encontram-se várias estátuas de pedra e uns bancos ideias para descansar, de onde se tem uma bonita paisagem da propriedade.
Nas traseiras da casa principal de Blenheim Palace
Nesta parte dos ‘formal gardens’ encontram-se vários pontos de interesse, tendo sido no jardim das rosas onde passámos mais tempo. Também avistámos a casa dos barcos (boathouse) e o templo de Diana com o jardim memorial de Churchill (Temple of Diana Churchill Memorial Garden). Na outra parte dos ‘formal gardens’ o que se destacou foi o ‘secret garden’ (jardim secreto) que visitámos depois de explorar os ‘walled gardens’.
Walled Gardens
Para chegarmos aos ‘walled gardens’ apanhámos um pequeno comboio que sai frequentemente da entrada principal de Blenheim Palace até aos jardins. A viagem de comboio custa 1 libra por pessoa e demora cerca de 5 a 10 minutos.
Borboletário que faz parte dos ‘walled gardens’ em Blenheim Palace
Os ‘walled gardens’ foi umas das partes mais memoráveis da visita, em especial o borboletário onde imensas espécies de borboletas voavam à nossa volta e o Malborough Hedge Maze, o labirinto verde, onde quase, quase nos perdemos. A nossa sorte foram umas pontes que ficavam acima do labirinto que nos levou a descobrir o caminho certo para sair.
Para mais pormenores sobre os locais de interesse tanto nos ‘formal gardens’ como nos ‘walled gardens’ vejam o mapa disponível no website oficial de Blenheim Palace: https://www.blenheimpalace.com/visitus/map/
Restauro do telhado
Em 2025 celebram-se 75 anos desde que Blenheim Palace abriu pela primeira vez as suas portas ao público. O objectivo inicial era o de angariar dinheiro para pagar as reparações necessárias ao tecto do edifício. No entanto, o tecto continua a precisar de reparações e desde setembro de 2023 que esta parte da casa tem sido o foco principal de um projecto de restauro que ainda hoje está em curso.
O que não perder na cidade de Oxford
Para quem vem até Blenheim Palace tem toda as desculpas para visitar também a cidade de Oxford. Na página abaixo encontram todos os detalhes da nossa viagem a esta que é conhecida como a cidade das ´Dreaming Spires’ (torres dos sonhos).
No último post desta road trip tínhamos ficado na cidade de York depois de passarmos o dia a explorar um pouco da costa norte de Yorkshire onde acabámos por ver leões marinhos. Voltámos à cidade de York para provar novas delícias culinárias e relembrar outras antes de acabarmos a noite. No post de hoje vamos falar do último dia da viagem, esta que foi uma road trip de 6 dias, desde Norfolk a Yorkshire, terminando em Leeds. A razão de virmos até Leeds foi o concerto dos Deep Purple, uma banda britânica de 1968 que ganhou grande fama durante os anos 70. Talvez não conheçam esta banda, mas talvez esta música, uma das mais conhecidas dos Deep Purple (ver em baixo).
Vídeo da página oficial de youtube da banda britânica Deep Purple
Chegar a Leeds
A localização de Leeds é óptima a partir de qualquer parte do país. Quem vem de Londres pode apanhar um comboio directo em King’s Cross que demora cerca de 2 horas e meia. Se vierem de carro contem com quase 4 horas, especialmente se estiver a chover ou se for numa sexta-feira à noite. Se não precisarem de carro, o comboio é a opção ideal. O mesmo tempo de viagem é estimado se o comboio partir de Birmingham, ou é apenas de 1 hora partindo de Manchester. Como disse, chegar a Leeds é bastante fácil.
Cidade de Leeds
Quanto a nós, que partíamos de York e de carro, demorámos cerca de 1 hora a chegar e pouco passava das 10 da manhã quando chegámos a Leeds. Estacionar na cidade pode não ser muito fácil, principalmente se a ideia for apanhar estacionamento gratuito. Como sabíamos que viríamos de carro, fizemos questão de marcar um hotel para aquela noite que incluísse estacionamento e foi por isso que marcámos o nosso quarto no Crowne Plaza.
Crowne Plaza Hotel Leeds by IHG
Como chegámos a Leeds ainda não eram 11 horas, fazer o check-in era impensável. O estacionamento do hotel é pago por cada 24 horas e por isso fomos à recepção apenas para informar que tínhamos já estacionado o carro já que contávamos sair no dia seguinte antes das 11. A recepcionista foi super simpática e disse que não havia problema nenhum e que só teríamos de pagar no acto do check-out. Apesar do estacionamento ainda nos ter custado 18.5 libras foi mesmo assim a melhor opção.
Antes de falar do que visitámos na cidade, vou já passar para o nosso quarto e a nossa experiência neste hotel. A Crowne Plaza pertence a uma rede de hotéis e eu já tinha ficado em diferentes Crowne Plaza em outras cidades, e tinha sempre gostado muito. E em Leeds não foi diferente. O quarto deste hotel de 4 estrelas era espaçoso, limpo e com alguns miminhos extra, como robes e chinelos.
Crowne Plaza Hotel em Leeds
Aproveitámos também entre a visita aos vários museus e o concerto para experimentar a piscina, o jacuzzi e a sauna. E foi uma das melhores escolhas porque depois deste tempo mais dedicado ao relaxamento não havia dúvida que estávamos prontos para o último capítulo da viagem, o concerto dos Deep Purple.
Também o pequeno-almoço do dia seguinte levou a um positivo desfecho desta road trip, com uma enorme escolha entre croissants, folhados, cereais, pães, queijos, iogurtes e claro está os vários elementos que formam o English Breakfast (o pequeno-almoço inglês). Esta é certamente uma das minhas redes de hotéis preferidas, apesar de por vezes ser um pouco cara para os meus recursos financeiros – uma das razões para não escolher sempre estes hotéis. Mas a experiência vale o sacrifício se for possível fazê-lo.
Para este dia em Leeds quisemos ficar mais ‘dentro de portas’, um tanto para fugir ao frio como para incutir alguma cultura sobre esta parte de Inglaterra no nosso itinerário. Depois de deixarmos o carro ao pé do hotel Crowne Plaza fomos a pé até ao centro da cidade onde ficam a maior parte dos museus e restaurantes. Começámos por entrar na galeria de arte de Leeds, entrada essa que é gratuita, e que fica num edifício colado à biblioteca, a qual também vale a pena visitar nem que seja pela sua arquitectura.
Leeds Art Gallery
A galeria tem várias exposições muitas delas temporárias que vão mudando durante o ano. Quanto às exposições permanentes, estas focam-se em obras de pintura e escultura britânicas dos séculos XIX e XX. E as colecções das quais fazem partes estas obras de arte são consideradas das mais importantes colecções a nível nacional. Das obras que pertencem hoje a esta galeria pode-se mencionar alguns dos artistas célebres como Dame Barbara Hepworth, Francis Bacon, Henry Moore e Sir Jacob Epstein. A galeria de arte de Leeds faz parte do grupo de museus e galerias de Leeds, nome original ‘Leeds Museums and Galleries’, e foi fundada em 1888 como uma galeria de arte cívica.
Como disse acima a entrada para a galeria é gratuita e está aberta todos os dias da semana, excepto à segunda-feira.
Este foi o segundo museu do dia que fica apenas a 5 minutos da galeria de arte. A entrada para este museu também é gratuita e tal como a galeria de arte está aberto todos os dias da semana excepto à segunda-feira.
Tal como a galeria de arte também o museu faz parte do grupo Leeds Museums and Galleries e também ele alberga exibições temporárias. Mas pessoalmente as exposições permanentes que podem ser visitadas em qualquer altura do ano são as mais interessantes.
Múmia Nesyamun que faz parte da exposição Ancient Worlds no Leeds City Museum
Pode-se por exemplo, ver a múmia de Nesyamun com mais de 3000 anos vinda do Egipto e que hoje se encontra na exposição Ancient Worlds, ou então conhecer a história da cidade de Leeds e como esta foi moldada desde os tempos primórdios até à actualidade. Outra exposição a não perder foca-se na Ásia onde não só se celebra a cultura asiática com mais de 6000 artefactos como também se fica a conhecer as ligações da Ásia com Leeds. Não menos importante é a exposição The Collectors Cabinet que nos conta a história sobre o coleccionismo em Leeds, desde 1700 e onde se encontra o esqueleto de Moa, uma das maiores aves que alguma vez habitaram a Terra, agora espécie extinta. Por último, a exposição Life on Earth (vida na terra) alberga cerca de 800,000 espécimes de animais, vegetais e minerais.
Algumas das relíquias expostas no Leeds City Museum
Portanto, o que quero dizer é que são muitas as razões para visitar este museu e muito poucas para não entrar neste edifício e explorar tudo o que há para ver.
Depois de visitarmos os museus era altura de irmos comer qualquer coisa. E um dos locais mais recomendados era o mercado de Leeds – Leeds Kirkgate Market, no centro da cidade. Este mercado é um dos maiores da Europa e aqui qualquer um pode deliciar-se não só com as várias bancas de comida e bebida, mas também com lojas de roupa, de joias, floristas e retrosarias. Este mercado, como normalmente acontece, faz parte da história da cidade com um papel bastante importante no seu desenvolvimento.
Área aberta com mesas e bancadas onde se pode comer no Leeds Kirkgate Market
O Leeds Kirgate Market abriu as suas portas em 1857 tornando-se assim o maior mercado coberto na Europa. No entanto, este mercado não se destacou apenas pelo seu tamanho, mas também por algumas das tecnologias inovadoras introduzidas tal como a área refrigerada onde os peixeiros podia manter o peixe fresco para venda. E o facto de ser coberto, dava uma maior protecção e uma melhor experiência tantos aos vendedores como aos compradores.
Foi também neste mercado onde nasceu uma das redes de supermercados Marks & Spencer que ainda hoje é popular no Reino Unido. E como marco histórico ainda hoje há uma banca dentro deste mercado da Marks & Spencer.
Marks & Spencer, uma presença histórica no Leeds Kikrgate Market
Adicionalmente é importante mencionar como este mercado se manteve firme durante a Segunda Guerra Mundial já que apesar dos bombardeamentos raramente encerrou portas. Já em 1975, este mercado foi palco de um grande incêndio que destrui cerca de 2/3 do mercado. Este incêndio acabou por ser mais devastador do que as bombas durante a guerra. Apesar das grandes perdas, um dos pavilhões que ficou intacto, o pavilhão de 1904, reabriu três dias após o desastre. Mais tarde, já em 2013, a câmara de Leeds lançou este mercado num projecto de renovação de 12 milhões de libras.
Quanto a nós, viemos a este mercado à procura de algo para comer, especialmente algo doce, mas no final das contas escolhemos o sítio errado. Decidimos experimentar a Karpaty Bakery já que todos os bolos na montra pareciam deliciosos. Acabámos por comprar dois para experimentar e fomos até à zona aberta do mercado onde havia várias cadeiras e mesas. Infelizmente os bolos não eram bons, um deles era muito seco e outro não tinha sabor.
Os bolos que experimentámos da pastelaria Karpaty
Se pudesse recomeçar e escolher outro lugar para experimentar tinha ido a um destes três, que estão muito mais bem avaliados:
Eu ainda cheguei a beber café do Teapot, mas não provei os bolos daqui. Este café tem uma enorme colecção de diferences cafés e chás provenientes de todo o mundo, sendo uma escolha perfeita para quem adora bebidas quentes. No entanto, parece-me que qualquer uma das opções acima teria sido melhor do que a nossa escolha, a Karpaty Bakery. Fica assim aqui a dica de onde não ir e algumas sugestões de onde ir no mercado Kirkgate de Leeds.
First Direct Arena (concerto)
O First Direct Arena é um dos lugares mais importantes em Leeds para assistir a concertos ao vivo, espectáculos de comédia ou de desporto. O First Direct Arena fica bastante perto do centro da cidade, o que é óptimo, pois não é preciso apanhar transportes públicos ou conduzir.
First Direct Arena
A sala de concertos é bastante grande com espaço para mais de 13 mil pessoas. Nós viemos a Leeds e não a Londres por dois motivos, primeiro por causa da data do concerto sendo que esta nos dava mais jeito e segundo por causa do preço, que era bastante mais em conta do que o de Londres. Como disse no início desta página, nós viemos ver os Deep Purple e dos nossos lugares tivemos boa visibilidade e bom som, dois pontos que infelizmente nem sempre vão de encontro às expectactivas.
Esta foi a primeira vez que estivemos nesta arena e se a oportunidade aparecer, voltaremos a vir aqui de bom grado.
O concerto foi arrebatador e, apesar de os membros da banda já terem alguma idade, a verdade é que os Deep Purple nos ofereceram um espetáculo fantástico que durou duas horas. Como o concerto terminou depois das 11 e àquela hora já não havia muitos restaurantes abertos acabámos por ir parar ao Burger King, por ser perto e conveniente. Fizemos essa escolha nós e muitas outras pessoas que vinham do concerto. Depois do jantar, seguimos em direção ao hotel, passando pelas ruas de Leeds, onde reparámos que grande parte dos edifícios que tínhamos visitado naquele dia se iluminava em diferentes cores.
Edifício da camâra municipal (city hall) de Leeds iluminado durante a noite
Aqui fica o final desta road trip, que consistiu em seis dias a explorar Inglaterra e, mais uma vez, a mostrar-nos que o país é muito mais do que Londres. Norfolk, Yorkshire e Leeds — locais que merecem ser visitados e que nos proporcionaram memórias inesquecíveis.
Birmingham é a segunda maior cidade de Inglaterra, sendo apenas Londres a que lhe passa à frente. Birmingham fica na zona de West Midlands e tanto o seu local geográfico como os bons acessos de transportes públicos fazem desta cidade um dos locais preferidos para reuniões, conferências e eventos. Birmingham é uma cidade que está sempre em movimento, desde manhã até à noite. Eu já visitei algumas vezes esta cidade, uma vez em lazer para visitar o mercado de Natal, um dos mais conhecidos do país, e outras quatro vezes em trabalho. A penúltima vez que vim até Birmingham foi em setembro de 2025, altura em que também consegui fazer ‘turismo’ e visitar alguns locais como a catedral e o museu nacional. Voltei mais uma vez a esta cidade ainda em 2025, agora no final novembro, tendo tido a oportunidade de visitar mais vez o mercado de Natal e de ver as ruas iluminadas com as decorações típicas da época. Também fiquei a conhecer outras partes do mercado de Natal como a pista de gelo e a ronda gigante. Esta página vai juntar todas as coisas que visitei, experimentei e conheci durantes as várias vezes que vim a Birmingham.
Museu e galeria de arte de Birmingham na praça Vitória
A meu ver um fim-de-semana chega para visitar a cidade, talvez um fim-de-semana prolongado para quem vem visitar Birmingham na altura do Natal.
Como chegar a Birmingham
Há várias maneiras de chegar a Birmingham, talvez conduzir seja a mais complicada até porque alguns carros precisam de pagar uma taxa se não forem de encontro com os níveis de poluição aceites. Uma opção possível para quem vem de fora é aterrar no aeroporto internacional de Birmingham o qual fica a uma estação de comboio do centro da cidade. Nunca parti nem aterrei de Birmingham, uma vez que o aeroporto fica longe e, portanto, não sei dizer se e aeroporto é bom ou não. No entanto a opção existe.
Estação de comboios Birmingham New Street que fica no centro da cidade
Para quem quer visitar ou vive perto de Londres a melhor maneira de chegar a Birmingham é de comboio. Eu normalmente apanho o comboio da companhia Avanti West Coast, já que no regional não dá para marcar lugar. O comboio que passa por Birmingham sai da estação de London Euston. É uma viagem confortável e a paisagem a partir de certo ponto é de campos a perder de vista. A viagem demora entre 1 hora e pouco a 2 horas dependendo do comboio para o qual compraram bilhete. O melhor é que a ligação entre Londres Euston e Birmingham é feita várias vezes por dia.
Os locais que visitei em Birmingham foram sempre de entrada gratuita. Contudo, há dois lugares que ainda não visitei é que tenho alguma curiosidade, mas como é preciso comprar bilhete a visita ainda não aconteceu. Um destes lugares é o Cadbury World, um lugar que pode ser definido como uma mistura de um parque temático e de uma fábrica de chocolate. Cadbury é uma famosa marca de chocolates em Inglaterra com imensa variedade e muito procurada. O bilhete de entrada em 2025 é de 25 libras. O segundo lugar é o National SEA LIFE Centre Birmingham, um jardim zoológico marinho, do género oceanário em Lisboa. O bilhete de entrada custa 24 libras. Talvez daqui a um ou dois anos volte a fazer um update desta página e aí inclua a minha visita a estes locais. Um outro local a visitar são os jardins botânicos, no entanto este lugar já não fica bem fica no centro da cidade e infelizmente por norma não tenho tempo para me aventurar para tão longe.
Agora vamos passar para os locais que visitei em Birmingham
Birmingham cathedral
Visitei a catedral ao final do dia quando o coro ensaiava. Como é proibido tirar fotografias do interior da catedral acabei por tirar imensas da parte de fora incluindo da estátua do bispo Charles Gore inaugurada em 1914 e do pequeno cemitério. Charles Gore foi o fundador do movimento Social Cristão e activista da reforma social. Foi também ele o primeiro bispo desta catedral em 1905.
Catedral de Birmingham
A catedral de Birmingham, também conhecida como a catedral de São Felipe (St. Philip), foi construída em 1715 pelo arquitecto Thomas Archer. A arquitectura desta catedral foi baseada na das igrejas de Roma em Itália. No interior da igreja a parte mais imponente são os vitrais, obras de Edward Burne-Jones. Os vitrais principais da igreja são o vitral da ‘Ascensão’, o vitral do ‘Nascimento’, o vitral da ‘Crucificação e por último o vitral do ‘Último Julgamento’. Dentro da igreja podem-se visitar estes vitrais e até estão disponíveis informações também em português com detalhes incluindo o seu significado.
Este é certamente o edifício mais imponente da cidade ficando no centro da praça principal, a praça Vitória. O museu tem várias salas e com a morte recente do famoso cantor Ozzy Osbourne há uma parte da exposição dedicada somente a ele. Afinal Ozzy era oriundo de Aston em Birmingham e por isso uma pessoa importante para esta região.
No entanto logo que se chega ao museu, não é o Ozzy que nos recebe, mas sim uma grande estátua de bronze de Jacob Epstein representando Lucifer. Esta estátua pesa 2 toneladas e dá o início à visita no museu.
Primeira sala de exposições que encontramos quando se entra no museu e galeria de arte de Birmingham
Depois de passarmos esta sala com a estátua do anjo caído e da exposição em homenagem a Ozzy Osbourne chegámos a uma exposição intitulada de ‘The elephant in the room’ (tradução: o elefante no quarto), expressão inglesa que representa uma situação ou tema constrangedor. Neste caso, esta era uma exposição de conscientização sobre a forma como certos artefactos de outras culturas vieram parar a Inglaterra. Em um dos placards da exposição lia-se o seguinte:
‘Os museus mencionam frequentemente o repatriamento, isto é a devolução de objectos culturais ou restos mortais humanos aos seus países ou comunidades de origem. E porque é que isso é importante?
O museu de Birmingham contém objectos de todo o mundo. A maioria dos artefactos foram doados, mas outros foram retirados do seu local de origem durante o Império Britânico, por vezes de forma violenta ou sem consentimento. A repatriação reconhece o dano feito e tem o objectivo de voltar a ligar as comunidades à sua herança.
Em 1913, este museu obteve restos mortais ancestrais aborígenes. Estes foram devolvidos à sua comunidade em 2016. Actualmente, o museu não exibe restos mortais humanos. Desde 2025, que o museu se encontra em negociações com as comunidades indígenas da América do Norte, Austrália e África, e a pesquisar as origens e a propriedade das colecções globais presentes neste museu. ‘
(Este texto foi traduzido para português e não representa directa transcrição do texto original)
Alguns dos objectos da exposição ‘The elephant in the room’
Nesta sala encontram-se então objectos oriundos de várias partes do global como por exemplo da Ásia e do Antigo Egipto.
Uma outra exposição focava-se na própria cidade de Birmingham. Começava pelas suas origens desde 1160 apesar de haver indícios de ocupação nesta zona desde a Idade de Pedra. Ainda antes de se tornar Birmingham, em 1086 a zona que se tornaria nesta cidade vibrante era uma das mais propriedades feudais mais pobres da região sendo nessa altura avaliada em 1 libra. Nesta altura a população era de cerca de 50 pessoas.
A mudança em Birmingham começou em 1166 quando o Senhor do Feudo, Pedro de Birmingham comprou estes terrenos em um mercado. Duzentos anos mais tarde, Birmingham tornou-se num dos centros comerciais mais prósperos do condado de Warwickshire.
Alguns dos objectos da exposição sobre a história de Birmingham
Esta exposição está dividida em 4 partes: as origens e a cidade de Birmingham até 1700, de 1700 a 1830, de 1830 a 1909 e finalmente de 1909 a 1945.
Nesta espécie de viagem no tempo vamo-nos apercebendo do enorme crescimento económico de Birmingham até à sua povoação excessiva levando à procura de habitação nos subúrbios. A minha parte preferida desta exposição foi a de 1830 a 1909 onde são mencionados vários trechos de guias de viagens com referências e sugestões escritos na época por pessoas que visitaram a cidade. Estes guias contém os locais a conhecer, locais onde comer e locais onde ficar. Birmingham ganhou de tal forma fama pelas suas indústrias que na época vitoriana qualquer casa de família rica tinha pelo menos um objecto vindo desta cidade. Com esta fama Birmingham começou a sofrer com o sobrepovoamento. Com a povoação excessiva as famílias começaram a procura de locais fora da cidade para morar, no entanto devido às pressões sociais havia famílias a escolher gastar o dinheiro em mobília em vez de em productos essenciais como comida.
Última sala do museu e galeria de arte de Birmingham
Recomendo imenso visitarem este museu e achei cada exposição superinteressante. Para além que a entrada é gratuita por isso não há nada a perder.
Apesar da praça Vitória ser uma das mais conhecidas, o Centenary Square é o mais impressionante. Na altura em que visitei a cidade de Birmingham tive de passar por aqui todos os dias e os edifícios desta praça nunca me deixaram de maravilhar.
Estátua dos Golden Boys no Centernary Square
De estátuas e memorais temos vários como o Hall of Memory (hall da memória), King Edward VII Memorial (memorial do rei Eduardo VII) e The Golden Boys (os rapazes de ouro). Esta última representa três homens que contribuíram para a indústria local e global – Matthew Boulton, William Murdoch e James Watt.
Também é nesta praça que se encontra o centro de conferências – the international convention centre, o teatro – Birmingham Repertory Theatre, e Symphony Hall, local conhecido pelos ilustres concertos que aqui acontecem. Mas de todos os edifícios e memoriais, o mais espectacular é o da biblioteca de Birmingham.
Library of Birmingham and Shakespeare Memorial Room
Biblioteca de Birmingham
Durante a última visita, no final de novembro de 2025, tive finalmente a oportunidade de visitar o interior da biblioteca de Birmingham, que abriu portas em 2013. O objectivo da visita era subir ao 9º piso para ficar a conhecer a sala memorial de Shakespeare. E o melhor é que esta sala está aberta ao público e a sua visita é gratuita.
A sala que hoje pode ser visitada abriu ao público em 1882, uma sala projectada pelo arquitecto local, John H Chamberlain, também ele um dos fundadores do clube ‘Our Shakespeare’. Os projectos para esta sala começaram em 1864, quando o clube ‘Our Shakespeare’ propôs a construção de uma biblioteca para comemorar o 300º aniversário de Shakespeare. Em vez de uma estátua de Shakespeare como memorial, o clube decidiu que seria mais adequado e relevante a construção de uma biblioteca que promoveria o progresso educacional e cultural em Birmingham.
Entrada para a sala memorial de Shakespeare
Como a coleção de Shakespeare foi aumentando esta sala tornou-se demasiado pequena para guardar todos os artigos da colecção para além que estas obras começaram a requerer condições de armazenamento estritas para manter o seu estado de conservação. Neste momento a colecção conta com mais 100,000 artigos que incluí livros, posters, fotografias, recortes e ilustrações. A maior parte da colecção veio de doadores locais e por isso há um sentimento de pertença a Birmingham.
Portanto, não é na sala memorial onde se encontra a colecção. No entanto, a colecção está de facto guardada nesta biblioteca e os estudantes e investigadores que o desejarem podem pedir uma autorização especial para ter acesso a determinadas obras. Apesar da colecção não estar aberto ao público a visita à sala memorial tem um valor cultural enorme para a cidade.
Vista para o Centenary Square do observatório da biblioteca de Birmingham no 9º andar
Depois da visita à sala memorial que fica no mesmo piso do observatório que oferece uma das melhores vistas sobre a cidade, ainda visitámos o ‘Secret Garden’ (jardim secreto) no 7º andar. A minha sugestão é que visitem este lugar durante o dia para puderem ver o jardim como deve ser.
Birmingham é conhecida por muitos como a Veneza de Inglaterra. Isto deve-se aos imensos canais de água que atravessam a cidade formando bonitas paisagens urbanas. Já tive a oportunidade de passear por esta parte da cidade até porque há aqui imensos restaurantes, alguns dos quais tive a oportunidade de experimentar, e dos quais falo mais abaixo.
Paisagem urbana na zona dos canais de água em Birmingham
Uma curiosidade sobre estes canais é que fazem ligação a Londres. O canal principal, o Grand Union Canal, permite viajar de barco entre estas duas cidades. Do Grand Union Canal já falei várias vezes neste blog, por exemplo na página sobre Chiltern Hills: https://viajarcozinharedietar.com/chiltern-hills/
Frankfurt Christmas Market
Visitámos este famoso mercado de Natal em 2021 quando ainda estavam bem presentes as restrições do COVID. Esta parte já pertencia à versão anterior da página sobre Birmingham neste blog. A informação abaixo não foi alterada em relação à do post original.
Em 2021 como passámos o Natal a trabalhar decidimos visitar um dos melhores mercados de Natal do Reino Unido. Entre os melhores conta-se também com o de Manchester, o de Edimburgo e claro o de Londres. Aliás o famoso Winter Wonderland é uma das grandes atracções da cidade londrina apesar de ter sido exactamente a partir de 2021 que começou a ser paga a entrada. Escolhemos Birmingham porque é onde se encontra o mais bem avaliado e maior mercado de Natal do estilo alemão: o Birmingham Frankfurt Christmas Market na praça Vitória. A oferta de salsichas de 1 metro, cervejas enormes e decorações de Natal formam um conjunto que tem tudo para garantir sentirmos o espírito da época. O meu conselho é que cheguem antes das 9 da noite porque pela minha experiência o mercado fecha às 9 em ponto.
Mercado de natal em Birmingham
Neste mercado de Natal encontrámos as típicas barraquinhas com enfeites de Natal, espetadas de morangos cobertos com chocolate e outros doces pecaminosos. E claro – música que como dita a norma tem de incluir ‘Sweet Caroline’ de Neil Diamond, onde todos mesmo aqueles que não conhecem bem a música gritam a uma só voz ‘oh oh oh’. E este género de companheirismo social não acontece apenas neste mercado de Natal, mas em qualquer sítio onde a música passe – desconhecidos gritam a pulmões e sorriem entre si.
Claro que nós a primeira coisa que fizemos foi atacar nas salsichas de 1 metro. E em seguida foi na cerveja. A cerveja mais procurada ali é a do tipo alemã, afinal há que manter o tema do evento, mas também há outras escolhas como o mulled wine, vinho normalmente tinto aquecido com especiarias. O mulled wine passou a ser a minha bebida natalícia preferida desde que me mudei para Inglaterra. E não, não é sangria quente!
Update 2025: Em 2025 voltei a este mercado de Natal e até fiquei a conhecer outras partes deste evento como a famosa roda gigante e a pista de gelo que ficam no Centenary Square. No entanto, acho que fica mais barato ir até ao observatório da biblioteca de Birmingham do que pagar pelo bilhete da roda gigante. Para além que a vista sobre a cidade é melhor no observatório.
Roda gigante e pista de gelo no Centenary Square, parte do mercado de Natal de Birmingham
O mercado de Natal continua a ter as várias barraquinhas pitorescas e enfeitadas com todo o tipo de parafernália desde renas a pais natais. Tal como em 2021, nestas barraquinhas vendem-se vários tipos de doces, salsichas de 1 metro, bebidas alcoólicas como vinho quente e chocolate quente com baileys, objectos artesanais e enfeites de Natal. O difícil é mesmo não cair na tentação já que alguns preços são quase proibitivos. Como é costume num mercado de Natal. Este ano a única coisa que se experimentei foi o vinho quente que vinha numa caneca muito gira (ver imagem abaixo). Mas claro que a caneca não é de graça, bem pelo contrário.
Vinho quente (mulled wine) em bonitas canecas de natal
O preço do vinho quente com a caneca fica a 11.50 libras, 6.50 pelo vinho e 5 pela caneca. Para quem não quer ficar com a caneca na compra da bebida recebe-se um token que se devolve juntamente com a caneca para assim receber as 5 libras de volta. Esta devolução pode ser feita em qualquer umas das barraquinhas do mercado de Natal que esteja a vender bebidas.
Para todas as informações sobre o mercado de Natal em Birmingham vejam: https://thebfcm.co.uk/.
Restaurantes
Todos os restaurantes que figuram nesta lista excepto o Pho Birmingham e o Nando’s ficam junto aos canais de água que atravessam a cidade criando pequenos recantos pitorescos e tornando a refeição, qualquer que seja, mais especial.
Noel’s Bar & Restaurant
De todos os restaurantes desta lista este é sem dúvida o mais elegante, sem ser extremamente formal. O ambiente pode ser traduzido como requintado e relaxante. Este restaurante oferece comida mediterrânea e cada prato chega à mesa com uma apresentação delicada.
O ‘The Brasshouse’ e o ‘Box Brindleyplace’ ficam mesmo ao lado um do outro, numa zona super animada bastante perto do Centenary Square. A comida daqui é típica de pub o que faz desta uma óptima oportunidade para se ter uma refeição tipicamente inglesa mesmo no centro dos bares da cidade. E claro que a experiência não será completa sem beber uma pint ou duas.
Este foi um dos locais que experimentei em 2025. Apesar de quando vim a comida ter sido servida em formato de buffet, uma vez que fazia parte dos eventos sociais da conferência, gostei imenso das pizzas e dos hambúrgueres. Mas tudo o que experimentei era bastante bom como as batatas fritas, as bolinhas fritas de massa macarrão e queijo (o famoso mac and cheese) e os pedaços de frango fritos com molhos diversos. A única coisa que não gostei muito foi de um hambúrguer de beterraba que era bastante seco. Este local não é bem um restaurante, mas mais um bar desportivo sendo o local ideal para quem quer ver uma partida de futebol num ambiente animadíssimo.
O The Botanist fica praticamente em frente ao Centenary Square. Como vim visitar este local durante uma conferência com entrada aberta para todos os que estavam a participar no evento, este lugar estava cheíssimo. Por isso não consegui apreciar como deve ser a decoração das várias salas deste restaurante. Aliás dentro deste restaurante é suposto sentirmos que estamos a entrar numa espécie de floresta ou jardim botânico tropical, o que não foi de todo o que senti ao entrar e principalmente ao estar meia hora à espera para comer. Mas a minha experiência foi moldada pelo evento de trabalho, em dias normais deve ser completamente diferente. Para mim este é um lugar ideal para tomar uma bebida à esplanada junto ao canal mais do que para comer. No entanto, recomendo as espetadas de halloumi frito e os scotch eggs (ovos panados) para petiscar.
Quando cheguei a Birmingham quis uma coisa que fosse perto da estação de comboios, mas também do meu hotel. Foi por isso que acabei por escolher um restaurante no centro comercial Bullring. E já vamos um pouco à história do centro comercial. O restaurante que escolhi foi o Pho Birmingham que oferece um menu variado de pratos vietnamitas.
Curry Noodle Soup do Pho Birmingham
Para comeracabei por escolher o Curry Noodle Soup – um prato que junta o clássico caril vietnamita e a sopa de noodles. Posso afirmar que era muito bom e não pensem que uma sopa não vos chega, porque a tigela de sopa vem com imensos noodles e vegetais. Eu escolhi a que vem com carne de vaca desfiada, mas há outras opções como com frango ou tofu e cogumelos ou camarões. Se estiverem por estes lados recomendo este restaurante, a zona pode não ser tão bonita como junto aos canais, mas o Bullring shopping center é uma visita cultural que deve ser feita. Se estiverem por Londres também podem ter a mesma experiência, uma vez que esta franchise está espalhada por algumas cidades de Inglaterra.
Este local começou como mercado em 1166 quando Pedro de Birmingham comprou a cidade (mencionado acima na secção do museu e galeria de arte). Para quem não sabe ‘Bullring’ significa praça de touros. O nome foi dado a este local como memórias das lutas de touros que aconteciam aqui durante o século XVI para manter a animação na praça do mercado.
Estátua do centro comercial Bullring
Avançando rapidamente para 2003, este centro comercial abriu as portas depois de passar por uma remodelação drástica que custou 500 milhões de libras. Aliás este local é tão importante para a cidade que a inauguração teve a presença da rainha Elizabeth II. E não há como perder a grande estátua de bronze de seis toneladas que figura no piso do rés-do-chão do centro comercial.
Nando’s
Fui jantar a um dos restaurantes da franchise Nando’s como podia ter ido a qualquer outro lado. Porque na New Street o que se encontra mais por esta rua são restaurantes, principalmente das conhecidas franchises de fast-food. O que não falta é escolha. E não só esta estrada pedonal ideal para comer, mas também para fazer compras.
Refeição no Nando’s em Birmingham
Eu escolhi o Nando’s – e não, não é português, como ouvi várias vezes dizer, mas sim sul africano com algumas influências da cozinha portuguesa. Sem dúvida que esta rede de restaurantes é famosa pelo frango grelhado e eu confesso que gosto bastante. E há pelo um destes restaurantes em qualquer cidade de Inglaterra. Por exemplo aqui na cidade onde vivo há dois. Esta é muitas vezes a minha escolha quando procuro uma refeição deliciosa e simples. E podem ter a certeza que todos em Inglaterra conhecem ou pelo menos já ouviram falar do Nando’s.
Nós visitámos este bar depois do mercado de Natal fechar. Escolhemos este lugar por oferecer uma grande variedade de cervejas incluindo cervejas belgas (as nossas preferidas) e mesmo portuguesas. Para além das cervejas aconselho a experimentaram os cocktails. O ambiente estava super animado quando aqui viemos e é um dos locais que nos deixou com vontade de voltar.
Isto vai parecer um bocado rally tascas – mas viemos a este bar irlandês depois do Head of Steam fechar às 11 da noite. Não só acabámos a noite a beber o famoso shot ‘baby Guinness’ como o karaoke da noite nos levou a cantar de novo o Sweet Caroline – a escolha de alguém que estava a sentir-se muito corajoso (ou muito bêbado).
Vou agora falar dos quatro hotéis onde fiquei hospedada em Birmingham. No entanto, também fiquei hospedada num Airbnb quando vim visitar o mercado de Natal, mas não me lembro de onde foi. Mas pelo menos sabem que a opção de Airbnb também está sobre a mesa. A minha sugestão é que fiquem perto do Centenary Square, a zona parece ser mais segura, para além que é muito mais bonita. Dito isto, também já fiquei no Ibis New Street Station perto da Chinatown, ou seja, na direcção oposta da cidade e não tenho nada de horrível a apontar. E para opções mais económicas este hotel é uma opção a considerar.
Ibis Birmingham New Street Station
Ibis Birmingham New Street Station é um hotel de 3 estrelas bem no centro da Chinatown (bairro chinês) de Birmingham. Eu passei três noites neste hotel e só tenho duas coisas a apontar, embora nada de drástico. A primeira era o tamanho do quarto. Como estava sozinha o espaço chegava perfeitamente, mas se fosse para mais pessoas podia ser considerado quase que claustrofóbico. A segunda coisa a apontar era o sistema de ar condicionado ou de aquecimento (nem sei bem) que fazia barulho durante toda a noite e não dava para desligar a origem do som.
Quarto no Ibis Birmingham New Street Station
Também a janela do meu quarto dava quase de frente para a do vizinho, mas isso não incomodou a minha estadia neste hotel. O pequeno-almoço tinha a qualidade esperada para um hotel de 3 estrelas; tinha todos os elementos do pequeno-almoço inglês e algumas opções do pequeno-almoço continental como torradas, manteiga, queijo e fiambre. Este hotel fica a cerca de 20 minutos da praça Vitória e 10 da estação de comboios.
Este foi o último hotel onde fiquei hospedada em Birmingham. Para quem viaja de comboio a localização do hotel é óptima já que fica a menos de 5 minutos a pé. Passar uma noite neste hotel não é tão económico como no Ibis, do qual falei acima, já que a noite que passei neste hotel custou mais de 120 libras (confesso que como não fui eu a pagar, não fiquei muito preocupada com o preço). O Holiday Inn Birmingham New Centre é um hotel de 4 estrelas e a qualidade é bastante boa desde os quartos até ao serviço incluindo opequeno-almoço.
Aliás neste hotel até tive direito a dois quartos – ambos com bom espaço e de decoração agradável. O problema com o meu primeiro quarto era o ar condicionado que não estava a funcionar e por isso o quarto estava um gelo, o que no final de novembro não é a melhor experiência para se ter. Mas o serviço do hotel foi fantástico, bastou ligar para a recepção que passado 5 minutos ligaram-me de volta a dizer que tinham feito um upgrade à minha reserva e para ir buscar a chave do novo quarto à recepção quando quisesse. O novo quarto era maior, mas a diferença era mesmo a casa de banho. A cama era confortável e para quem não costuma dormir grande coisa em quartos de hotel, especialmente quando estou sozinha, de manhã não queria sair da cama. A única coisa que talvez apontasse era as fronhas das almofadas que de um dos lados tinham umas pequenas manchas. E para quem quer saber destas coisas (como eu) apesar do shampoo ser uma porcaria (que, diga-se de passagem, é normal nos hotéis), o condicionador para o cabelo era, no entanto muito bom. Sei que nem toda a gente quer saber disto, mas para outras é bastante útil ter esta informação.
Vista do quarto no 7º piso no Holiday Inn Birmingham City Centre
Também o pequeno-almoço oferecia uma variedade bastante boa, não só se podia comer o famoso pequeno-almoço inglês como havia uma escolha diversa de pão, cereais e frutas. Também croissants e outros produtos de pastelaria estavam disponíveis.
Para mim esta é a opção ideal para quem quer ficar perto da estação de comboios e não se importa muito com o preço. Claro que não está numa localização como o Centenary Square, mas o hotel acaba por ficar perto de tudo, a cerca de 10 minutos a pé do centro de Birmingham.
Fiquei neste hotel em 2022 e confesso que as minhas memórias são muito poucas. Mas se não foi memorável normalmente é porque não foi mau. Este hotel fica mais perto da praça Vitória do que o Ibis e apesar de ser um hotel de 2 estrelas é uma opção económica a considerar como alojamento em Birmingham.
Se não for preciso escolher um hotel económico como alojamento aconselho a ficar nos hotéis que ficam perto do canal como o Crowne Plaza ou o Hyatt Regency.
Hilton Birmingham Metropole
Este hotel não fica no centro da cidade de Birmingham, mas sim perto do aeroporto. É uma óptima opção para quem vem visitar Birmingham de avião e ou chega tarde ou sai de manhã cedo. Ou mesmo para aqueles que queiram fazer uma pausa do congestionamento do centro da cidade. Fiquei neste hotel em julho de 2025 e desde o quarto ao pequeno-almoço, tudo foi de boa qualidade e bom gosto. Se gostarem desta rede de hotéis também podem-na escolher como alojamento no centro de Birmingham.
Espero que encontrem este post bem mais informativo do que o anteriormente publicado. Birmingham é uma cidade com imenso para fazer e fica numa localização que permite juntar esta cidade a uma viagem mais longa a Inglaterra, estando perto de Oxford e de Manchester. O mercado de Natal é o evento a não perder para quem vem na altura natalícia, mas Birmingham tem muito mais para oferecer para além disso e durante todo o ano.