Índice desta página
- No último post
- Rota cénica (com mapa)
- De volta ao apartamento Duke
- Segundo jantar no restaurante O’ro
- Pequeno-almoço: mais díficil do que o esperado
- Zipline através do desfiladeiro Tara
- No próximo post
No último post
Nos últimos posts falámos sobre o parque nacional de Durmitor desde a chegada a Žabljak à nossa visita ao Crno Jezero (lago negro). Neste post vamos falar da rota cénica que fizemos de carro que foi uma das partes mais bonitas de toda a viagem a Montenegro e que absolutamente recomendo a fazerem.
Rota cénica (com mapa)
Depois de deixarmos o lago negro (crno jezero) voltámos ao apartamento Duke para uma rápida paragem. O que nos esperava era uma tarde de paisagens fantásticas e experiências inesquecíveis. A rota cénica que fizemos teve uma distância de cerca de 100km com 8 paragens. Passámos por desfiladeiros, pequenas aldeias e incríveis picos montanhosos.
Em baixo podem encontrar o mapa da rota cénica com as paragens que fizemos.
O ponto A e o ponto J no mapa representam a saída e a chegada ao nosso alojamento, o apartamento Duke em Žabljak.
Ćurevac (ponto B)

Ćurevac foi a primeira paragem e o primeiro miradouro deste percurso. Deixámos o carro no pequeno parque de estacionamento e subimos por um estreito carreiro de terra durante 10-15 minutos até ao miradouro para uma paisagem espectacular do desfiladeiro Tara.
Vidikovac Kanjon Tare (Ponto C)
O ponto C foi o segundo miradouro do mesmo desfiladeiro. Para chegar a este miradouro tivemos de passar perto de uma pequena aldeia, Mala Crna Gora, onde os campos eram pontados por pequenas casas. Se puderem parem aqui para tirar algumas fotografias porque ao chegarmos ao ponto C descobrimos que a paisagem perto da aldeia e durante a subida pela estrada que vai de Mala Crna Gora até ao miradouro era bastante mais bonita do que a do ponto panorâmico.
Nedajno-Susica canyon (Ponto D)

Este foi o terceiro miradouro para o desfiladeiro, no entanto já na outra margem. Para chegar do ponto C ao D tivemos de descer o desfiladeiro para depois o subir e digo-vos que a estrada não é das mais fáceis de conduzir. Para além de ser uma estrada com curvas e contracurvas e estreita, havia imensas pedras no meio da estrada algumas de tamanho razoável de tal forma que houve uma ou duas vezes que tive de sair do carro para as retirar e assim pudermos passar em segurança. Neste troço da viagem até chegarmos ao ponto D não encontrámos nem pessoas nem carros, sinal de que estávamos numa parte mais escondida e menos turísticas de Durmitor. Contudo, a paisagem do desfiladeiro deste ponto D, Nedajno-Susica canyon, foi a minha preferida.
Trsa (ponto E)

Trsa foi a única aldeia onde parámos durante este percurso. Subimos o pequeno monte até à igreja a pé onde de cada lado pontuavam pequenos aglomerados de casas. Para quem procura sossego, Trsa é certamente o lugar ideal. Se de um lado da estrada tínhamos a pequena aldeia do outro lado tínhamos campos e mais campos a perder de vista.
Pišče (Ponto F)
Pouco depois de passarmos Trsa parámos perto de outra pequena aldeia, Pišče. Não parámos bem na aldeia, mas sim um pouco mais à frente para tirarmos a fotografia com a paisagem em redor. Tal como Trsa, também Pišče é uma aldeia constituída por um pequeno aglomerado de casas e uma igreja. O mais incrível é que não vimos ninguém em nenhuma destas aldeias, nem a passear, nem a fazer compras; ambas as aldeias pareciam paradas no tempo.
Vodeni Do (Ponto G)

De Pišče a Vodeni Do entrámos na parte montanhosa de Durmitor. A partir daqui a paisagem mudou e por incrível que pareça para melhor. Parámos várias vezes ou conduzimos mais devagar apenas para puder ver a paisagem com mais tempo. E como não havia mais ninguém a fazer o mesmo percurso pudemos fazê-lo com o todo à vontade. Em Vodeni Do até havia um banco de madeira de frente para as montanhas ideal para interiorizar toda aquela paisagem de cortar a respiração.
Sedlo (Ponto H)

Em Sedlo também havia um banco de madeira e não há preço que pague pela experiência de estar ali sentada a beber café do termo enquanto via o pôr-do-sol. E esta é outra sugestão que deixo aqui, a de fazerem esta parte da viagem ao final da tarde. Acreditem que a luz dourada a bater nas montanhas adiciona uma outra camada de surreal à experiência. Quase como se estivéssemos sozinhos num outro planeta.
Picturesque viewpoint (Ponto I)
Picturesque viewpoint ou ponto panorâmico pitoresco é o nome que aparece no Google Maps para a nossa última paragem desta rota cénica, até porque por esta altura o sol desaparecia no horizonte. E confirmo que o nome deste ponto é-lhe bem atribuído.

Nem todas as paragens que fizemos entre o ponto G e o ponto I estão aqui descritas pois foram muitas as paisagens que quisemos ter tempo de apreciar e reter na nossa memória. Certamente que esta parte da rota merece ser adicionada a qualquer viagem a Durmitor. Senão podem fazer os 100km pelos menos fazem o troço entre Vodeni Do e Sedlo.
De volta ao apartamento Duke
Quando estávamos a chegar a Žabljak comecei a sentir uma certa vontade de comer algo doce. Depois de uma pesquisa rápida no Google encontrei uma pastelaria bem avaliada em Žabljak que ainda por cima estava aberta, a Shambhala Bakery & Restaurant. E tentámos estacionar por perto mas para além de haver pouco estacionamento disponível o que havia era pago. Decidimos deixar a ideia do bolo e seguir para o nosso apartamento que o dia tinha sido longo e o cansaço ganhava.
Poucos minutos depois de chegarmos ao apartamento a mãe da senhoria veio bater-nos à porta com nem mais nem menos um prato na mão com 4 bolos. Era a sua forma de nos agradecer por termos limpo a lareira de manhã e a abastecido de lenha. Na verdade, quem o fez foi o meu marido enquanto eu me arranjava. Nem imaginam o quanto fiquei agradecida, afinal ia comer bolo e ainda para mais em frente à lareira que nesta altura já estava acesa. Acabou por ser bem melhor do que em qualquer pastelaria.

E ao contrário do que tinha lido – que os montenegrinos não gostavam de turistas – a verdade é que tanto em Durmitor como em Prokletije fomos imensamente bem recebidos.
Segundo jantar no restaurante O’ro
Para jantar nem tentámos encontrar outro restaurante diferente do dia anterior (ver aqui), iríamos voltar ao restaurante O’ro. Afinal era perto e podíamos ir a pé, a comida era deliciosa, o atendimento simpático e os preços não muito caros. E sabíamos exactamente o que íamos pedir, o Borrego de Durmitor e o Veado de Durmitor – uma espécie de guisado com carne e batata típico da gastronomia de Montenegro. No entanto, achei que para o preço (quase 20 euros cada) não era nada de especial tendo gostado muito mais da refeição do dia anterior. E aliás esta acabou por ser a refeição mais cara de toda a viagem, tendo ficado a 55 euros pelos dois com bebidas e sobremesa incluídas.

Ao contrário da noite anterior não pedimos entradas para termos espaço para a sobremesa. Da lista pedimos as panquecas recheadas que apesar de saborosas estavam um pouco secas tornando-se um pouco pesadas para final de refeição. Também se pediu Rakija como digestivo. Apesar de nos termos apaparicado um pouco mais com doce e bebida, preferimos a refeição da primeira noite.
Outra coisa que também foi diferente nesta noite foi a quantidade de clientes; enquanto no dia anterior o restaurante estava vazio hoje estava a abarrotar. Não sei qual a razão disto, mas parece-me que em alturas mais turísticas é aconselhável fazer-se reserva. Para mais informações sobre o restaurante deixo aqui o link da página oficial: Restaurante O’ro.

A noite terminou como a anterior, sentados ao pé da lareira, a beber as cervejas artesanais que tínhamos comprado no dia anterior no supermercado. E foi uma das melhores maneiras de quase dizer adeus ao parque nacional de Durmitor.
Pequeno-almoço: mais díficil do que o esperado
No dia seguinte de manhã saímos cedo com a ideia de ir tomar o pequeno-almoço a qualquer lado antes de avançarmos com o nosso itinerário que mais uma vez incluía algumas horas a conduzir, agora até ao parque nacional de Prokletije. Havia ainda um prato tradicional que queria experimentar, Priganice, que são umas pequenas bolas de massa frita. Perguntámos à empregada de um café na rua principal de Žabljak que nos indicou o restaurante Ukus Durmitora. E eles realmente tinham Priganice no menu o que me deixou bastante contente. No entanto, depois de fazermos o pedido e de terem vindo as bebidas quentes esperámos mais de meia hora e nada. Já um bocado fartos de estar à espera o empregado veio pedir desculpa, mas infelizmente a massa tinha saído mal e não nos podiam servir os Priganice.
Como já estávamos atrasados de acordo com a nossa agenda dissemos que não podíamos esperar mais. O empregado foi impecável e as bebidas ficaram por conta do restaurante. Acabámos por ir à mesma Pekara do dia anterior comprar outro burek agora de queijo e espinafres já que não queríamos perder mais tempo. Não só não provámos os Priganice como este burek foi o pior de toda a viagem, bastante oleoso de tal forma que nos sentimos um pouco enjoados depois de comer. O dia não começava da melhor maneira. Mas também isso mudou rapidamente ao chegar à ponte Đurđevića.
Zipline através do desfiladeiro Tara
A nossa última paragem em Durmitor era a ponte Đurđevića que passa por cima do desfiladeiro do rio Tara. E a experiência seria inesquecível.
O desfiladeiro do rio Tara faz parte do Património Mundial da UNESCO e é conhecido como a ‘lágrima da Europa’ pelas suas águas cristalinas. Este desfiladeiro é o mais profundo da Europa e o segundo do mundo, sendo apenas ultrapassado pelo Grand Canyon nos Estados Unidos da América. O desfiladeiro Tara tem uma profundidade máxima de 1300 metros e estende-se por 82km. Uma das principais atracções associada a este desfiladeiro é a ponte Đurđevića construída entre 1937 e 1940 com 365 metros de comprimento e 172 metros de altura. Mais impressionante ainda por ter sido construída essencialmente à base de trabalho manual com reduzido suporte de maquinaria. Esta ponte é sem dúvida um feito incrível de engenharia daquele tempo. Na altura em que visitámos a ponte ela estava a ser reforçada e portanto havia vários trabalhos a decorrer.

Um facto curioso sobre esta ponte retrocede à Segunda Guerra Mundial quando os habitantes e tropas da região se viram obrigados a explodir com o arco central da ponte para impedir os avanços das tropas italianas, num gesto de bravura. A ponte foi reconstruída posteriormente e hoje em dia é uma importante via de passagem entre as duas margens do desfiladeiro.
Há várias actividades populares a fazer no rio Tara como o rafting (descer as águas do rio em botes de borracha) ou escalada. Eu decidi experimentar o zipline que atravessa o desfiladeiro de um lado ao outro. Já tínhamos discutido a possibilidade de fazer o zipline ainda antes de viajar, mas a decisão final só foi feita na hora. Se por um lado concordo que a experiência não é barata, já que custou 45 euros, por outro digo que vale a pena experimentar. Afinal o que é viajar se não experimentar coisas que não fazemos no nosso dia a dia? Não sei bem se havia apenas uma ou duas companhias abertas em novembro, mas nós fomos pela companhia Extreme Zipline que naquela altura do ano apenas tem um dos cabos a funcionar e claro era aquele que atinge uma maior velocidade.
Depois do pagamento feito e de ser levada de carro para o topo do zipline onde me foi colocado todo o equipamento vi-me numa viagem de cerca de 2 minutos a uma velocidade de 120km/hr a uma altura incrível sobre o desfiladeiro. A viagem de zipline começou depois de me serem explicadas todas as regras de segurança, como por exemplo como devia posicionar o corpo e do que fazer se não chegasse ao fim da linha. E também o que aconteceria quando chegasse ao final da viagem, o que seria muito simples já que haveria outro colega à minha espera para me ajudar a sair do zipline e a remover o equipamento. A viagem foi tão rápida, a experiência tão surreal que acho que o meu cérebro nem teve tempo de se ajustar ao momento. E aviso que a experiência é muito viciante.

Deixo aqui um grande louvor ao empregado que me explicou todo o procedimento, foi super simpático, respondeu a todas as minhas questões (que não foram poucas) e me tranquilizou até me sentir confiante a experimentar o zipline. Porque posso confessar que estava um pouco receosa. Mas não havia razões para preocupações, se fosse para mudar alguma coisa era que pudesse repetir a mesma viagem logo a seguir. Se tiverem oportunidade de o fazer, nem pensem duas vezes.
Para mais informações sobre o Extreme Zipline Tara vejam o seguinte link: https://www.montenegroadventure.travel/tour/extreme-zipline-tara/
E como dissse acima, a decisão foi feita na hora, ou seja não foi preciso marcar o zipline com antecedência, mas mais uma vez esta viagem foi em novembro.
No próximo post
Com o desfiladeiro do rio Tara deixámos assim o parque de nacional de Durmitor e seguimos em direcção a Gusinje no parque nacional de Prokletije. Neste parque nacional visitámos cascatas, montanhas e ficámos a conhecer um lado ainda mais rural de Montenegro. Os pormenores poderão ser encontrados no próximo post.




































































































