Índice deste post
- Trilho inesperado em San Cassiano
- Último serão em San Cassiano
- Último pequeno-almoço na Pensione Edelweiss
- Próximo post (Croda da Lago e Lago di Alleghe)
Trilho inesperado em San Cassiano
Depois de tantos dias seguidos a conduzir, queríamos passar a última tarde em que estaríamos em San Cassiano a explorar esta zona. Afinal a beleza de San Cassiano, La Villa Stern e outras vilas em redor não nos tinha passado despercebida. Portanto porque não fazer o último trilho exactamente aqui?

Como não tínhamos procurado antecipadamente por trilhos em San Cassiano fomos perguntar aos locais que conhecíamos, isto é, aos donos da Pensione Edelweiss. E sem demora foi nos entregue um mapa da zona onde estavam anotados os vários trilhos. Um mapa que deu imenso jeito devo dizer.

A nossa ideia era apenas de passear pelas vilas, talvez embrenharmo-nos um pouco na floresta seguindo junto ao riacho que ficava por detrás da pensão. Uma coisa simples e sem grandes desafios. Já se sabe o que vou dizer a seguir, não é? É que acabou por ser um dos trilhos mais difíceis e penso que até um dos mais longos da viagem. Sim, muito bonito, devo dizer que parar em San Cassiano mesmo que seja só de passagem deve ser feito, mas o percurso que acabámos por fazer não foi aquilo que esperávamos. Para além que este foi o único trilho onde apanhámos uma grande chuvada. No entanto, não nos pudemos queixar já que a previsão do tempo era de chuva e tempestade para toda a semana.
Um trilho de vários trilhos
O nosso trilho penso que teve uma distância de 11km ou por volta disso e inclui partes de vários trilhos, primeiro o 22, depois o 22A e por fim o 21. Uma parte do caminho no 22A nem sequer tinha um caminho marcado e por isso nem o Google Maps reconhece. Desta forma o mapa abaixo não representa bem a realidade já que nenhuma parte deste caminho foi feito em linha recta. No entanto, foi o melhor que se consegui fazer para representar o trilho completo.
Trilho 22 (do ponto A ao ponto C)
A primeira parte do trilho foi a mais longa, mas também a qual gostámos mais. Partimos da Pensione Edelweiss, descemos a rua que ia dar ao parque de estacionamento e atravessámos a ponte de madeira de maneira a começarmos o trilho junto ao riacho. Foi nesta ponte que encontrámos as primeiras placas a indicar os vários trilhos da zona. A placa que queríamos seguir ir era do trilho 22 ‘Piz Sorega’.
Seguimos junto ao pequeno riacho sempre a direito até chegarmos à estação de teleférico Piz Sorega, naquela altura fechado. Aqui apanhámos a estrada larga que seguia para cima. Nos primeiros quilómetros a subida não foi muito difícil, era subida depois um bocado a direito, depois outra vez uma subida e depois outra vez a direito. E nem estávamos sozinhos porque passaram por nós vários camiões das obras a subir e a descer pela estrada. Pelo caminho fomos tirando fotografias já que a paisagem era realmente bonita.

Mas quando chegámos ao ponto B marcado no mapa, o Rifugio Malga Saraghes, também ele fechado em inícios de junho a coisa começou a mudar. Primeiro depois de 3.5km já nos começávamos a fartar de tanto subir. O tempo também tinha mudado e foi aqui que começou a cair uma grande chuvada. Felizmente tínhamos connosco as nossas capas de chuva que são tudo menos atraentes, mas que ao menos protegem bem da chuva. No entanto, a subir com o tempo assim e sabendo que não estávamos nem a meio caminho já nos começávamos a arrepender de termos escolhido este trilho.
Trilho 22A
Apesar da chuva intensa, esta não demorou muito a parar e quando chegámos ao ponto C o tempo tinha acalmado. E este ponto C marca o cruzamento onde encontrámos a placa a indicar o trilho 22A. Mas mal andámos uns 5 minutos na direcção do trilho, depois de passarmos umas casas que à primeira vista pareciam vazias (e penso que estavam) o caminho acabou. Simplesmente não havia mais nenhum trilho. E teria sido OK, não teria havido qualquer problema se não tivesse sido a chuva. Olhámos à nossa volta e por um lado um dos possíveis caminhos estava feito em lama, no outro o campo de relva estava alagado. Tivemos aqui um bocado a discutir as nossas opções, já considerando a possibilidade de voltar para trás. No entanto, o caminho que tínhamos pela frente era mais curto do que aquele que já tínhamos feito.

No final decidimos subir pelo terreno inclinado indo pelo meio da relva molhada tentando não ficar atolados em alguma poça de água ou pior na lama. Claro que esta parte foi um bocado tentativa/erro e foi a pior subida de até então. Foram apenas uns metros, nem a meio quilómetro chegou, mas foram momentos intensos. Felizmente passando esta parte chegámos novamente à estrada larga em direcção ao Rifugio Piz Sorega, parte do trilho 21.
Trilho 21
Infelizmente a chuva recomeçou e caia de tal forma que quando estávamos a passar pelo Rifugio Piz Sorega até ponderei se não deveríamos ficar ali um bocado até o tempo melhorar. Era chuva forte, vento e um céu de meter medo. Mas a ideia não foi aceite pela equipa (aka o meu marido). Portanto foi entre episódios de chuva e ‘não chuva’ que descemos o trilho 21 até San Cassiano.

E se subir pode ser difícil descer ainda é mais. A descida em algumas partes era inclinada e com a chuva havia lama, pedrinhas que se soltavam e a última coisa que queríamos era cair e rebolar por ali abaixo. Porque se no mapa acima o caminho está assinalado como sendo a direito, desenganem-se porque o que encontrámos foram curvas e mais curvas até ao fundo da montanha. Acreditem que ficámos muito contentes quando avistámos ao longe a igreja de San Cassiano.
Demorámos no total 3 horas a completar este trilho. O melhor de tudo foi quando falámos desta experiência à Jo, a rapariga da Pensione Edelweiss, no dia seguinte de manhã e ela dizer-nos que fazia esses mesmos 10km todos os dias de manhã ainda por cima a correr. Nem imaginam as nossas caras, por um lado vergonha por outro impressionados. Talvez tenha havido um terceiro sentimento, o de horror ao pensar fazer aquilo todos os dias.

Mas vamos a ver, sim não estávamos mentalizados para um trilho tão longo e sim foi uma grande subida, mas se não tivesse sido a chuva este caminho tinha sido feito sem grandes problemas. E as paisagens do topo são magníficas mesmo em dias de chuva. Este trilho talvez não conste dos mais conhecidos nos Dolomitas, mas não fica atrás de nenhum dos outros que fizemos durante esta semana.
Último serão em San Cassiano
Quando finalmente chegámos à Pensione Edelweiss, com uma grande sensação de alívio devo-o dizer, começámos a pensar no jantar. Afinal começámos o trilho por volta das 2 e meia, mas só o completámos perto das 6. Mas também nos fomos arranjando com vagar e ainda antes comemos uma fatia da tarte que tinha sobrado do jantar do dia anterior como recompensa do trilho daquele dia. E por isso eram já quase 8 horas quando nos sentámos numa das mesas do restaurante La Tor. Como disse no primeiro dia em que visitámos este restaurante (ver post aqui), foi decidido que este seria o local ideal para o nosso último jantar antes de deixarmos San Cassiano.
Restaurante La Tor
Tal como aconteceu na primeira vez que visitámos este restaurante não tínhamos reservado mesa, mas no início de junho tal não era necessário. Para beber pedi para experimentar um Hugo Spritz e fiquei imediatamente fã. Muito melhor do que o Aperol Spritz e ninguém me avisava!


Não quisemos pedir entradas passando directamente aos pratos principais. Eu pedi o ‘Baked Maccheroni La Tor’ que descobri ser um dos pratos mais pedidos neste restaurante. O prato consiste em massa macarrão no forno com guisado de carne, speck (espécie de bacon/fiambre típico da região), salame, queijo, cogumelos e courgettes. Para mim foi a escolha ideal e veio uma boa quantidade de tal forma que acabei por dividir uma parte com o meu marido. Até porque ele tinha pedido um dos pratos especiais com produtos da estação que incluía aspargos brancos e salmão fumado. Apesar de ser um bom prato acho que a quantidade não foi a suficiente pelo menos considerando a pouca resistência que deu quando lhe ofereci parte do meu prato.
Para sobremesa pedi gelado de menta, que sabia exactamente ao chocolate After Eight. A sobremesa da outra vez, os frittelle, tinha sido mais substancial, mas o gelado foi o final perfeito para aquela refeição mais pesada. O meu marido preferiu acabar a sua refeição com um digestivo. Para tal pediu a opinião da empregada do restaurante que lhe trouxe um copo de grappa.
Bebidas no restaurante La Vita è Bella
Como era a nossa última noite por estes lados, com muita pena nossa devo dizê-lo, quando chegámos a San Cassiano ainda fomos ao restaurante que ficava ao lado da Pensione Edelweiss, La Vita è Bella. O restaurante tem uma parte mais formal, a parte do restaurante, e outra mais informal tipo café onde nos sentámos.

Enquanto aqui estivemos pedimos mais uns copos de grappa e cocktails. Infelizmente o Hugo Spritz deste restaurante não era grande coisa, tal como não era o Aperol Spritz, mas isso não diminui o sentimento de bem-estar de ali estarmos um bocado à conversa antes de fecharmos aquele dia.
Último pequeno-almoço na Pensione Edelweiss
Já tivemos oportunidade de visitar vários países, várias cidades e várias culturas. E sinto-me sortuda por ter a possibilidade de viajar e sinto-me grata por todos os locais onde já estive. Mas há locais que tocam mais do que outros e San Cassiano foi certamente um local onde deixei parte de mim. Ou talvez tenha trazido uma parte de San Cassiano comigo. Enquanto aqui estivemos foi-se criando como uma bolha protectora, onde saímos todos os dias para ver paisagens fantásticas, fizesse chuva ou sol, sabíamos que de uma forma ou de outra naquele dia haveria momentos em que ficaríamos maravilhados. E quando voltávamos à Pensione no final do dia era como voltar a um casulo de conforto. Foi com muita pena nossa que a última manhã chegou e que poucas horas restavam até fazermos o check-out.

Fomos tomar o pequeno-almoço um bocadinho mais tarde do que o normal e ainda ficámos à conversa com a Jo a quem tínhamos ficado a conhecer. Foi nesta última manhã que ela nos contou como é viver nos Dolomitas na perspectiva de um local, que aqueles 10km que tínhamos feito no dia anterior eram rotina para ela e que havia uma terceira língua específica naquela zona, o Ladin.

E chegou altura de nos despedirmos de San Cassiano, mas acreditem nisto – foi um adeus cheio de saudade.
Próximo post (Croda da Lago e Lago di Alleghe)
No dia que deixámos San Cassiano foi o último em que estivemos nos Dolomitas. Neste dia fizemos mais dois trilhos enquanto conduzíamos para sul. Estes foram dois trilhos bastante diferentes e com finais também bastante diferentes. Mas os detalhes já sabem, ficam para o próximo post.










































































