Alasca (cruzeiro) – tudo o que precisa saber

A ideia de fazer um cruzeiro pelo Alasca começou em 2019, quando fizemos o nosso primeiro cruzeiro pela Noruega (ver aqui). O Alasca sendo um país remoto impede o fácil acesso (por vezes é impossível o acesso) de carro ou a pé a determinados pontos. Para se ter a inacreditável oportunidade de visitar estes lugares tem que se ir pela água ou pelo ar.

Em 2019 durante o cruzeiro pela Noruega, fizemos um pequeno depósito para um cruzeiro futuro que deveria ser marcado dentro de 2 anos. Com isto receberíamos algumas regalias como por exemplo um certo valor para gastarmos a bordo. Quando chegou outubro de 2021, a altura em que o depósito expirava decidimos que estava na altura de marcarmos o nosso cruzeiro pelo Alasca. E foi assim que marcámos pelo Princess Cruises um cruzeiro de 10 dias pela costa do Alasca em meados de setembro 2022.

Voámos de Heathrow (Inglaterra) para Vancouver (Canadá) onde apanhámos o barco. O nosso itinerário (imagem abaixo) permitiu-nos visitar 4 cidades/vilas do Alasca e ter a oportunidade única de ver 2 glaciares, um deles o maior glacier da América do Norte (Hubbard Glacier).

O Princess Cruises também tem viagens pelo Alasca que incluem uma parte de cruzeiro e uma parte de comboio (por terra), o que teria sido a minha opção. No entanto, os preços são bastante diferentes e assim ficámo-nos pelo itinerário pelo mar. Tivemos oportunidade de ver baleias, ursos, lontras, veados e conhecer a enorme mística que envolve as cidades que visitámos. Toda a viagem foi completamente deslumbrante, não há maneira de descrever o quanto bonito é o Alasca.

Não vou dizer que esta foi uma viagem barata, porque de facto não foi. Mas é uma experiência única.

Em valores arredondados, claro que vai depender da antecedência com que se faz as marcações e também a altura do ano, mas foi mais ou menos:

  • £600 pelos voos para Vancouver pela British Airways – marcados com 9 meses de antecedência de Londres para Vancouver
  • £130 por uma noite no Hotel Moda em Vancouver
  • £2200 pelo cruzeiro, incluindo os pacotes de internet ilimitada e bebidas
  • £800-£1000 por 3 excursões. 2 foram marcadas através do Princess Cruises (as mais baratas) e uma que só essa custou £500 que comprámos fora do barco quando saímos em Ketchikan

Como podem ver é uma viagem bastante dispendiosa, mas acomodação e comida fica logo tratado, o mesmo se pode dizer em termos de bebida – só em Ketchikan é que quisemos experimentar um bar em particular. É uma viagem para a vida e é algo que fica connosco para sempre. Mesmo que não tenha outra oportunidade de visitar o Alasca, as recordações que ficaram são completamente inesquecíveis.


1ª Paragem – Vancouver, Canadá

Conhecer a cidade

Nem eu nem o meu marido tínhamos estado fora da Europa, por isso foi uma experiência bastante interessante para ambos. Tivemos que tratar de vários preparativos antes de embarcar. Como aterrámos no Canadá e íamos embarcar em direção ao Alasca que faz parte dos Estados Unidos da América tivemos que tratar de dois vistos – o eTA (visa para o Canadá) e ESTA (visa para os Estados Unidos). Ambos os vistos têm dois anos de validade depois de serem aceites. O processo online é rápido e fácil: Confesso que eu estava um pouco receosa que nos pudessem recusar o visto por qualquer razão. Mas nada disso, super fácil e o preço também foi bastante amigável – 7 dólares para o eTA e 21 para o ESTA.  

Deixo aqui os links para a aplicação de ambos os visas:

https://etacanadaonline.com//?utm_source=econ

https://esta.cbp.dhs.gov/

Na altura que viajámos o Canadá ainda estava a pedir teste e prova de vacinação para entrar no país e puder embarcar no cruzeiro. No entanto, em outubro de 2022 as medidas foram retiradas.

O voo de 8 horas de Heathrow London para Vancouver foi longo e estava com um pouco receosa. Tantas horas dentro de um avião para quem sofre de claustrofobia pode resultar numa má experiência. Eu como nunca tinha voado sem ser por agências low cost achei que há muita comida – a cada meia hora a uma hora estão a dar comida. E podem imaginar o meu ar de espantada quando pedi duas cervejas, uma para o meu marido e outra para mim e dão-me duas cervejas para cada um e ainda perguntaram se queríamos mais alguma coisa – sim parecia mesmo que nunca tinha saído da terrinha sentada naquele avião. Se consegui dormir no avião? Claro que contava que sim, mas a resposta é não. Parece me que para a próxima tenho que aumentar na dose do álcool a ver se caio num sono profundo com bafo a álcool e numa posição merecedora de um torcicolo daqueles de uma semana para cima.

Aterrámos no final do dia (horário de Vancouver) e eis que faço o pecado mortal do viajante que só ainda esteve na Europa – ligo a net de dados. Foram os 15 minutos mais caros da minha vida, em que paguei 40 libras por esta duração de internet. Depois de rapidamente desligar a net de dados e de só ter a certeza que só a voltava a ligar quando chegasse a Inglaterra apanhámos um Uber para o nosso hotel – Moda Hotel. Marcámos o alojamento pelo Booking.com. Infelizmente tivemos um grande stress ainda antes de apanharmos o voo quando nos apercebemos que era preciso pagar um depósito de 100 dólares na altura do check-in, mas que tinha que ser pago com Mastercard – não aceitavam dinheiro, nem transferência bancária, nem cartão Visa. Depois de muitas mensagens trocadas entre nós e o hotel já nos estávamos a ver passar a nossa noite em Vancouver no meio da rua. Só se resolveu quando liguei para o hotel e falei com o gerente que aceitou que o nosso depósito fosse pago através dos nossos cartões Visa. Quando marcarem tenham atenção a isso, escusam de começar a vossa viagem de forma atribulada.

A primeira impressão da cidade é que era apinhada – apinhada de pessoas, carros, edifícios. Muito a acontecer ao mesmo tempo e nós com um daqueles jet lag lixados. Chegámos ao hotel, fizemos o check-in e mal chegámos ao quarto foi tomar banho e dormir. O hotel não era nada de especial – a decoração um bocado aquém assim como a limpeza do quarto. Mas também era só por uma noite e tinha sido o mais barato que tínhamos encontrado. E serviu para o seu propósito – passar a primeira noite a dormir e preparar-nos para o dia seguinte, o dia em que finalmente iria começar o cruzeiro. E foi com muita espera, já andávamos a contar os dias desde outubro 2021.  

Tivemos que escolher a hora para embarcar no barco e escolhemos para as 13:30, eu já vos conto sobre o embarque – não é tão organizado como se possa pensar! E fomos na descoberta da cidade e de um sítio para o pequeno-almoço. Depois de uma pesquisa rápida vi que o Jam cafe era um dos lugares próximos e mais bem avaliados em Vancouver. O caminho durou cerca de 20 minutos já que fomos tirando fotografias de vários edifícios por onde íamos passando como o da biblioteca.

Chegámos ao Jam cafe por volta das 8 e meia e já havia uma fila considerável de pessoas à espera. Apesar dos nossos receios, a eficiência dos trabalhadores alinhado com o terem aberto a parte exterior fez com que a nossa espera fosse menos de meia hora (acreditem não é mau tempo de espera). E digo-vos que valeu bem a espera, a comida era deliciosa. Os ovos estavam no ponto, o molho holandaise delicioso. Mesmo o hasbrown que pela aparência não se da nada era muito bom. Fica aqui uma grande recomendação da nossa parte: Jam Cafe.

Eles não aceitam reservas por isso ficar na fila será quase uma certeza. Mas compensa e muito. Se tiverem o dia todo em Vancouver e já passando para o dia da nossa chegada, quando tivemos quase um dia inteiro para explorar a cidade, sugiro visitarem Stanley Park. Nós fizemos o caminho a pé da estacão do comboio no centro da cidade até Stanley Park. O parque consiste em 400 hectares de sítios magníficos para explorar. Principalmente se estiver bom tempo terão uma magnífica vista da cidade, montanhas e lago. Também nos perdemos pelo jardim das rosas e estátuas no trilho que seguíamos.

Se tiverem oportunidade como eu espero ter no futuro, visitem as montanhas em volta da cidade porque parece que a paisagem de lá de cima é espetacular. Apesar de não termos tido tempo para o fazer, já me foi sugerido por várias pessoas que vivem em Vancouver que o melhor é no meio da natureza. Uma viagem que já foi adicionada à lista de “viagens futuras”.


O Embarque

Apenas vou deixar aqui a experiência de embarque num cruzeiro. Se imaginam que tudo está completamente organizado, rápido e eficiente – pensem de novo. Apesar de no dia anterior termos escolhido a hora de embarque para evitar que todos os viajantes fosse à mesma hora tivemos quase duas horas em filas. Primeiro a fila para mostrar a reserva e os documentos todos. Foi nesta altura que viram vistos, prova de covid (vacinação e teste) mais identificação. Depois desta longa espera e confiantes que estava já feito eis que uma segunda fila nos esperava – a da fronteira – verificação de passaportes. E assim foi assim que duas horas passaram. Mas superámos e entrámos para o barco e foi neste momento que a verdadeira viagem começou.


2ª Paragem – Ketchikan & Misty Fjords

Ketchikan foi a nossa primeira paragem no Alasca. Esta cidade é o primeiro porto no Alasca para cruzeiros e barcos estaduais que vão para norte. Ketchikan fica na costa oeste da Ilha Revillagigedo perto do limite sul do Alasca.

Para este dia em Ketchikan não tínhamos comprado numa exercusão, a ideia era passear pela cidade, visitar um peculiar bar de que vos falarei mais à frente. No entanto, quando saímos do barco fomos atraídos pela exercusão de avioneta sobre os 2.3 milhões de acres do Monumento Nacional Misty Fjords. Foi a nossa exercursão mais cara mas valeu a pena. Assim com bilhetes para a excursão que estava marcada para as 2 da tarde fomos visitar Ketchikan. E deixo-vos um pouco da história desta cidade e depois sobre Misty Fjords.

  • Nome

O nome Ketchikan pensa-se que venha da palavra Tlingit “Kitschk-Hin” cujo significado é “asas trovejantes de uma águia”. Este nome é uma reminiscência do contorno de Ketchikan Creek visto de cima.

  • População

Dentro dos limites da cidade vivem 8.142 pessoas. Incluindo as áreas periféricas este número sobre para 13.686. Ketchikan é a sétima cidade mais populosa do Alasca.

  • História

Ketchikan é conhecida como a “Primeira Cidade” do Alaska porque foi aqui que se estabeleceu a primeira grande comunidade.
A abundância de salmão que havia nas águas em Ketchikan atraiu o povo Tlingit e fundaram Ketchikan como um acampamento de pesca de verão. Em 1883, um empresário de nome “Snow” (neve) abriu o primeiro salgueiro de salmão (salmão saltery) e assim nasceu uma vila pescatória.

No final do século XIX foram descobertos ouro e cobre nas montes circundantes e assim a necessidade de uma centro de abastecimento provocou um crescimento significativo de Ketchikan. Foi aqui que as indústrias de pesca e de madeira se estabeleceram e fizeram de Ketchikan a sétima maior cidade do Alaska.

  • Creek Street

O local mais conhecido da cidade é Creek Street. Esta é a rua mais fotografada em todo o Alasca. Actualmente encontram-se aqui muitas lojas e galerias de arte, mas era antes o Red Light District do Alasca, onde existiam mais de 30 bordéis.

Uma das casas mais notórias é o número 20 Creek Street onde morou Beatrice Greene. Por meio século esta casa como tantas outras no Creek fazia parte do Red Light District em Ketchikan onde, como se dizia “peixes e homens vinham rio acima para desovar, os peixes uma vez, os homens repetidamente”. Beatrice Greene foi a residente mais famosa desta casa. Beatrice começou a exercer o seu ofício em 1947. Em 1954, quando as autoridade proibiram a prostituição em Creek Street, a maioria das mulheres deixou a cidade, aposentaram-se ou mudaram-se para outros bairros. Beatrice Greene como outras mulheres simplesmente esconderam-se. Beatrice fugia da policia, entretendo “cavalheiros” quando achava seguro e escondendo-se quando o cerco apertava.

  • Totens

Em Ketchikan encontra-se a maior colecção de totens de todo o mundo. Mais de 80 variedades estão exibidas em toda a cidade e são recordações das tradições e valores da cultura tribal e da arte nativa do Alasca. Os totens comemorativos são normalmente os maiores enquanto que os totens memorais celebram importantes membros da tribo. Os totens de linhagem familiar como o nome indicam são celebrações de uma família apenas.

Curiosidade: Apenas algumas partes do totem eram pintadas devido ao processo de criação da própria tinta, que era muito trabalhoso. Para criar a tinta as mulheres mastigavam e depois cuspiam ovas de salmão que servia de base para a tinta. A tinta era criada, misturando com pós coloridos. As quatro cores principais são o preto do carvão, vermelho do ferro, turquesa do óxido de cobre e branco das conchas.

  • Ketchikan é conhecida como a “capital mundial do salmão”

A única coisa mais onipresente do que totens em Ketchikan é o salmão. Cinco espécies diferentes de salmão selvagem do Pacífico são encontradas nas águas do Alasca ao redor da área.

  • Artic Bar

Este bar foi nos recomendado ainda antes de chegar a Ketchikan, durante uma palestra dada por Mark Harris, o naturalista e biólogo marinho que nos acompanhava no cruzeiro. O Artic Bar é o mais antigo de Ketchikan e famoso pela sua enorme estátua de dois ursos.


Misty Fjords

Os Monumento Nacional Misty Fjord é composto por 2.3 milhões de acres pertencentes à Florest Nacional de Tongass. Aqui encontra-se um dos maiores ecossistemas ainda intactos da floresta tropical do mundo. Em 1978, o presidente Jimmy Carter declarou Misty Fjords monumento nacional. Dois anos depois Alaska National Interest Lands Conservation Act (lei de conservação de terras de interesses nacioanl do Alasca) foi aprovada e desde então o serviço florestal tem protegido o valor intacto do Misty Fjords.

  • Nascimento dos fiordes

Há cerca de 2,5 milhões de anos, as camadas de gelo avançavam e recuavam em ciclos de entre 40,000 a 100,000 anos. O gelo ocupava as montanhas, vales de rios e prenchia as depressões naturais da terra. No seu auge, as camadas de gelo estendiam do Alasca pelo norte da América do Norte até Cape Cod em Massachusetts.

O último grande período de gelo ocorreu há cerca de 110,000 a 10,000 anos atigindo uma extensão máxima de 21,000 anos. O gelo enchia os fiordes e cobriu a maior partes dos cumes das montanhas. Quando o gelo recuou deixous os picos arredondados que se podem ver hoje. A maior parte dos fiordes está sem gelo há 13,000 anos. As massas de granito que outrora estavam enterraradas, foram esculpidas pelos gelo criandos as impressionantes paisagens que se podem ver actualmente.

  • Floresta temperada

Quando o gelo derreteu há 13,000 anos, as paredes de granito de Misty Fjords ficaram expostas. Lentamento a vegetação começou a colonizar estas superfícies rochosas. A rocha é primeiro colonizada por algas verdes-azuis, depois musgos e líquenes. Estas formas de vida mantêm o solo de forma a promover o cresciment de vida vegetal.

  • Vida Selvagem

Do oceano até ao topo das montanhas pode-se encontrar vida selvagem. Na água pode-se avistar a cabeça de uma foca ou lontra. Ocasionalmente, poder-se-á avistar um grupo de orcas ou mesmo uma baleia. Em terra, pode-se ver ursos castanhos ou pretos ou até mesmo cabras dos montes. Se tiverem interesse, pode-se identificar mais de 15 espécies de aves.

A nossa excursão demorou cerca de 2 horas com meia hora parados ao pé de um lago. Foi uma experiência magnífica.

Ketchikan foi a porta para o que o Alasca oferece – cultura e natureza. Uma mistura impossível de resistir.


3ª Paragem – Juneau

Juneau foi a nossa segunda paragem no Alasca. Apesar de ser uma cidade maior que Ketchikan, a cidade em si não é grande. Por isso deu tempo para a visitarmos numa volta rápida e parar para experimentar umas bebidas da marca Alaskan. Isto depois de concluída a nossa escolha de percurso em Juneau. Apesar de haver vários pontos de interesse na cidade de que falarei já em seguida, nós escolhemos aventurar-nos pela natureza e fazer um trilho guiado na floresta nacional Tongass onde poderíamos ver o primeiro glaciar desta viagem, o glaciar Mendenhall.

Juneau encontra-se num enclave no sudeste do Alasca. A cidade fica a 900 milhas a norte de Seattle e 600 milhas a sudeste de Anchorage. Cobre uma área total de 3081 milhas quadradas e é a única capital dos Estados Unidos sem acesso rodiviário. Sim – só se pode ir a Juneau pelo mar ou pelo ar!

  • O nascimento de Juneau

Tlingit foi o primeiro povo a ocupar esta área há milhares de anos depois de descobrir que havia salmão em quantidade abundante no Canal Gastineau. Foi no final do século XIX durante a febre à corrida do ouro que o desenvolvimento em Juneau cresceu exponencialmente. George Pilz, engenheiro e empreendedor, ofereceu recompensas a qualquer nativo que conseguisse encontrar ouro. O chefe Auk Tlingit Kowee encontrou uma pepita de tamanho considerável na zona do canal Gastineau, o que serviu como incentivo para que Pilz e os seus parceiros, Richard Harris e Joseph Juneau explorassem a área. Em 1880, Juneau tornou-se num campo de exploração mineira de ouro. Apesar de Richard Harris ter inicialmente dado o nome de Harrisburg à cidade, os locais mudaram-no para Juneau como prova da lealdade ao co-fundador da cidade, Joe Juneau.

Locais a não perder na cidade

  • Cozinha local

É em Juneau onde se encontra o Heritage Coffee, uma companhia internacional premiada na produção de café. Assim também existe Alaskan Brewing Company, que é uma das cervejarias mais famosos na América.

A nossa guia que nos levou pelo trilho na floresta nacional Tongass, nascida e criada em Juneau recomendou-nos o Historic Merchant’s Wharf onde há vários locais para comer e beber. Nós ficámo-nos pelas bebidas, onde tive oportunidade de experiementar pela primeira vez as bebidas do Alaskan. Há vários restaurantes no edifício mas apenas experimentámos o Hangar on the Wharf, um bar de estilo Americano com vista para o porto. Também nos foi aconselhado o fish and chips que se encontra no Merchant’s Wharf.

  • Red Dog Saloon

Red Dog Saloon é um dos locais a não perder em Juneau. Disfrute da cerveja artesanal enquanto toma atenção aos vários artefactos históricos que decoram o espaço. Talvez o mais impertinente é a arma de Wyatt Earp, um fora de lei, que diz a lenda tê-la perdida durante um jogo de poker.

Apesar de não termos tido oportunidade de visitar os locais da lista abaixo, estes eram os locais recomendados para visitar em Juneau:

Curiosidades em Juneau

  • O cão mais famoso de Juneau

“The Official Greet of Juneau, Alaska” (a saudação oficial de Juneau) é uma escultura de um bull terrier inglês de nome Patsy Ann. Patsy Ann chegou a Juneau em 1929 e rapidamente se tornou uma presença constante na cidade. Apesar de Patsy Ann ter nascido surda tinha a capacidade extraordinária de saber quando os navios a vapor se aproximavam da cidade e corria até ao porto para receber os recém-chegados. Hoje em dia há uma estátua em memória a Patsy Ann perto da biblioteca e os viajantes que chegam a Juneau são encorajados em dar uma festinhas na estátua para garantir que recebem a sua benção.

  • Pelicanos no Alaska?

À frente do edíficio da autoridade tributária de Juneau encontra-se uma fonte dramática feita de bronze de pelicanos. Agora porquê pelicanos, uma vez que estas aves não são certamente nativas do Alasca? Apenas porque a estátua que deveria ter sido entregue em Juneau, uma estátua majestosa de uma águia foi entregue ao estado da Florida por engano. E assim, Juneau ganhou uma estátua de pelicanos.

  • Peixe voador?

Dia 30 de março de 1987, o avião 737-200 da Alaska Airlines descolou de Juneau como normalmente. O que não foi normal foi o encontro que teve com uma águia que deixou cair o grande peixe que tinha nas garras acabando por este ir de encontro com o vidro da frente do avião.

Mas o melhor em Juneau…

Para os amantes de natureza, Juneau é uma paragem obrigatória. Para quem gosta de animais marinhos a zona de Juneau é conhecida por atrair baleias durante o verão. A sua presença é de tal forma frequente que existem tours a garantir o seu avistamento.

Para os amantes de pássaros, nas zonas envolventes existem mais de 300 espécies diferentes incluindo 10,000 águias. E assim se percebe que a história do peixe caído em cima do avião não é assim tão improvável, apesar de continuar a ser fascinante!

Agora a nossa experiência dentro da floresta nacional Tongass e o glaciar Mendenhall

Tongass nacional forest é a maior floresta dos Estados Unidos. A nossa excursão incluía percorrer um trilho pela floresta com vista para o glaciar Mendenhall. O trilho seria escolhido no dia pelo guia conforme as condições climatéricas, o número de pessoas do grupo e a sua condição física. Claro que se tiverem tempo, ou passarem mais de que um ou dois dias em Juneau podem percorrer os diferentes trilhos por conta própria. No entanto, uma das desvantagens de se viajar num cruzeiro é o tempo limitado em cada paragem. A duração da exercusão foi de 3 horas, 1 hora de viagem de autocarro (ir e vir) e 2 de trilho. Durante o trilho a guia foi apontando e explicando “provas” do nascimento da floresta depois do recuamento do glaciar tal como a vegetação que está a nascer e como a floresta ainda sendo recente se está a formar. A floresta Tongass é uma floresta tropical temperada e por isso o tipo de vegetação é bastante diferente do tipo que se vê por exemplo na Europa.

Nomeadamente, esta floresta é a casa de ursos castanhos. Só vimos ursos quando estávamos no navio, nas margens das praias no National Glacier Park mas sempre que íamos numa excursão no Alasca, o tema ursos vinha à baila. Sempre nos disseram se víssemos um para não fugirmos, não fazermos contacto visual directo e mantermos a calma – como se o modo automático de sobrevivência fosse mesmo isso!

No trilho que fizemos em Tongass haveria a possibilidade de avistar ursos, não o aconteceu, mas vimos algo maravilhoso – o glaciar Mendenhall. O glaciar Mendenhall fica apenas a 22 Km do centro de Juneau, localizado no vale Mendenhall. O glaciar mede 12 milhas em comprimento, meia milha em largura e 91 a 548 metros em profundidade. O glaciar tem vindo a recuar desde os meados de 1700. O glaciar foi formado durante a época chamada “Little Ice Age” há cerca de 3000 anos e é alimentada por um campo de gelo no Alto de Juneau. O glaciar tem conseguido sobreviver muito mais tempo do que outros glaciares na América do Norte devido à geografia e clima únicos específicos da região.

É possível visitar o glaciar Mendenhall tanto de canoa como, se forem mais aventurareiros, de helicóptero e ter a oportunidade de pisar o glaciar. Outro ponto bastante famoso da área é a cascata Nugget que desce de uma altura de 115 metros.


4ª Paragem – Skagway

De toda a viagem entre Londres e Alasca, foi no dia em que parámos em Skagway que encontrámos mau tempo. E devido ao mau tempo não visitámos a cidade em si. No entanto, em Skagway tínhamos reservado a tour mais conhecida da zona – uma viagem de comboio entre Skagway e Yukon. Yukon pertence ao Canadá e fica a cerca aproximadamente 20 milhas de Skagway. Ironicamente, Skagway é a cidade desta zona do Alasca onde chove menos (não confirmado pela nossa experiência). A viagem de comboio é considerada como “The Scenic Railway of the World” (a viagem ferroviária cênica do mundo) e apesar do mau tempo a beleza da viagem foi espetacular (imagino com bom tempo!)

Skagway foi o ponto de partida para a corrida ao ouro, onde milhares de pessoas vieram para Skagway e Yukon na esperança de ficarem ricos. A descoberta do ouro em 1896 por George Carmarck e os seus três companheiros Skookum Jim, Dawson Charlie e Kate Carmack foi o ponto inicial para a história dos caminhos de ferros de White Pass & Yukon. Embora tivessem sido apenas encontrados algumas pepitas isso foi suficiente para que a promessa da riqueza fizesse com que milhares de pessoas iniciassem a travessia entre Skagway a Klondike. Esta travessia mesmo que sendo a mais curta não era a mais fácil. Hoje em dia durante a viagem de comboio há um guia que vos vai apontando durante para o trilho que estes viajantes faziam e as condições difíceis porque passavam durante meses para chegar ao destino. Este caminho chamado de White Pass passava por entre as montanhas e o trilho, este chamado Chilkoot, era bastante inclinado e de difícil passagem. Muitos aspirantes a mineiros morreram enquanto tentavam atravessar o trilho Chilkoot.

Alguns pontos altos da viagem

Devido a corrida ao ouro, em 1898 Skagway era a maior cidade do Alasca com uma população que chegava aos 20,000 habitantes. Foi nesta altura que hotéis, salões, salões de dança e casas de jogo prosperam. Havia mais de 80 bares incluindo um dos mais famosos – o Red Onion Sallon – considerado como o bordel mais infame de Skagway. Também foi em 1898 que os caminhos de ferro White Pass & Yukon foram construídos. Em apenas 26 meses foi criado esta “ferrovia paga em ouro” atravessando as montanhas escarpadas.

No entanto quando o rendimento do ouro diminui em 1900 também a população diminui drasticamente com os mineiros a mudarem-se rapidamente para outros regiões mais rentáveis. Atualmente vivem cerca de 1000 pessoas em Skagway.

Curiosidades de Skagway

  • Hotel assombrado

Golden North Hotel é um dos hotéis mais antigos do Alasca. A moradora mais famosa do hotel, “Mary”, morreu de pneumonia no quarto número 23 enquanto esperava pelo regresso do seu noivo, um mineiro que tinha ido em busca do ouro. Algumas das pessoas que ficaram hospedadas neste hotel dizem ter acordado de repente com a sensação de estarem a sufocar.

  • A lenda do “Soapy” Smith

Durante o período de corrida ao ouro também foram atraídos a Skagway criminosos e vigaristas. Aproveitando que muitos mineiros estavam longe de casa abriram uma falsa empresa de telegrafia e cobravam $ 5.00 por cada telégrafo.

5 minutos na viagem de comboio

5ª Paragem – Icy Strait Point

Esta foi a nossa última paragem em terra antes de regressarmos ao Canadá, mas não a última paragem da viagem. Icy Strait, na nossa opinião ficou um bocadinho a desejar. Ficámos com a sensação que era uma paragem que podíamos ter “passado a frente” e não teríamos reparado. Não que não haja coisas interessantes para fazer, mas todas elas, digamos que têm um certo valor associado. O que nos pareceu o mais aliciante foi o ZipRider – uma descida de 1.5Km de uma altura de 396 metros. São 90 segundos a descer e chega a atingir uma velocidade máxima de 96 Km/hora. Foi logo a nossa escolha quando chegámos, no entanto, ao sabermos que seria 150 dólares por 90 segundos acabámos por desistir. No entanto, há outras coisas para fazer em Icy Strait Point.

Mas vamos comecar pelo início – como Icy Strait Point apareceu no mapa?

Em 1912, a Hoonah Packing Company construiu uma das fábricas mais produtivas de conservas do mundo exatamente nos arredores da cidade Hoonah. A fábrica mudou de gerência várias vezes até encerrar em 1953. Em 2004 a fábrica foi comprada por uma corporação de gerida por nativos de Hoonah e assim se procederam aos planos de criar um porto dinâmico nos arredores de Hoonah. E daqui Icy Strait Point tornou-se no único destino privados para cruzeiros na América. Para preservar a natureza da zona há limitações de escalas de cruzeiros realizadas neste porto.

Pois uma das formas de turismo que Icy Strait Point defende é o eco-turismo estando o ZipRider incluindo neste tipo de turismo. Há um grande esforço envolvido para preservar e conservar esta área.

Então o que se pode fazer em Icy Strait Point?

  • Excursões para observação de baleias

O parque nacional Glacier Bay é composto por 3.3 milhões de acres e faz parte do maior santuário marinho do mundo. Este parque nacional é internacionalmente protegido. O parque nacional está repleto de montanhas cobertas de neve, cascatas e fiordes. A única maneira de se poder visitar o parque nacional ou é de avioneta ou de barco. Apesar de me estar aqui a focar em Icy Strait Point, nós fizemos a travessia de cruzeiro pelo parque nacional Glacier Bay em direção a um dos glaciares e posso-vos garantir que foi o sítio mais bonito que já estive. No entanto, falarei mais no próximo post sobre Glacier Bay que será focado nos dois sítios que foram muitos especiais e que adorámos visitar neste cruzeiro pelo Alasca. Continuando… as águas em Icy Strait Point são riquíssimas em nutrientes e por isso existe uma enorme variedade de animais marinhos. Ente muitos pode-se nomear as orcas, baleias-jubarte, leões marinhos e focas. Por isso, uma destas excursões é certamente uma das melhores ideias para Icy Strait Point.

  • Excursões para observação de ursos castanhos

Icy Strait Point fica na ilha Chichagof. E esta ilha é muito especial, pois é aqui que existe o maior número de ursos castanhos por metros quadrado. A probabilidade de encontrar ursos nunca é maior que aqui! Nós não fomos numa excursão propriamente dita em procura de ursos. No entanto, como não tínhamos nenhuma excursão marcada fomos ao Wilderness Landing onde há um trilho entre a floresta ou onde se pode apanhar o teleférico. À chegada existe outro teleférico que vos leva ao topo da ilha. Os dois teleféricos ficou-nos por 50 dólares cada e podem andar em cada um deles as vezes que entenderem. No topo da ilha tem-se uma vista fantástica sobre os arredores, sendo possível ver tão longe como o oeste de Juneau, que fica a 30 milhas de distância.

O bilhete do teleférico também dava para uma pequena excursão. Esta excursão leva-os por um trilho e tem de ser com guia. E o guia tem de ir armado…não para as pessoas, mas para o caso de a coisa ficar feia com algum urso. Para proteger os visitantes na parte “pública” há várias fogueiras acesas para afugentar os ursos. E também há uma série de indicações a explicar que um encontro com um urso pode tornar-se rapidamente fatal.

  • Visitar Hoonah

Não quisemos de deixar de perder a oportunidade de visitar a cidade. Não me vou estender muito aqui, porque sou apologista que quando não tenho nada de bom para dizer é melhor não dizer nada. Deixo-vos apenas algumas imagens que tirámos na nossa curta visita a Hoonah.

Hoonah nasceu há mais de dois mil anos quando o povo Tlingit estabeleceu-se nesta zona. Isto devido ao gelo dos glaciers que os obrigou a “fugir” das suas casas. Hoonah é uma pequena vila de pescadores com poucas estradas pavimentadas e sem semáforos. Juntamente com o grande número de animais que habitam nas florestas em redor, 800 pessoas chamam a Hoonah a sua casa.

Na minha opinão, se estiverem a visitar Alasca por terra aproveitem para a observaão de baleias. Não imaginam a felicidade quando avistei a minha primeira baleia a sair de Icy Strait Point.

Avistamento de uma baleia à saída de Icy Strait Point

6ª e 7ª Paragens – Glaciares

Sabem quando estiveram num sítio tao espetacular que nem há palavras para o descrever? É mesmo assim que me sinto neste momento. Este post é sobre dois locais incríveis e a razão para termos escolhido este cruzeiro. Se por um lado as expectativas eram altas por ir ver algo único – glaciares – por outro lado nunca pensámos que fosse assim tão espetacular. Os dois glaciares que visitámos e de que estivemos bastante próximos foram em dias a bordo ou seja dias que não saímos do barco, mas foram os dias mais especiais.


Glacier Bay National Park

Primeiro local foi Glacier Bay National Park (parque nacional da baía glaciar em português). Glacier Bay cobre 3.3 milhões de acres e aqui encontra-se um mundo à parte de tudo o que até então conhecíamos. Montanhas, glaciares, floresta tropical temperada e fiordes, o Parque Nacional Glacier Bay é a jóia da Inside Passage do Alasca e por isso mesmo é uma área fortemente protegida.

E claro que um lugar assim tão especial é lar de muitos animais selvagens. Enquanto percorríamos as águas azuis e sedosas viam-se ursos nas suas margens. Glacier Bay é de uma beleza indescritível e completamente remota, dinâmica e intacta. Quem visita este local, tanto pelo mar ou pelo ar (não é possível por terra) tem que obrigatoriamente sentir-se uma pessoa muito sortuda.

Sendo este parque tão protegido, para o visitar, mesmo sendo por água, é necessária uma autorização especial. Também é preciso que um ranger entre no cruzeiro à entrada do parque que esteje presente durante toda a viagem até o barco voltar a sair da área. Isto, para garantir que o cruzeiro apenas navega por partes autorizadas e não se alonga na sua visita. Também é para garantir que o distúrbio do ecossistema é o mínimo possível. No Princess Cruises, os rangers que entram no cruzeiro estão disponíveis para dar mais informações sobre o parque nacional, ao mesmo tempo que vão dando uma pequena palestra que se ouve em todo o barco sobre a localização.

As fotografias não fazem justiça à beleza magnífica e às horas passadas sentados a olhar para todos os lados, maravilhados com a paisagem circundante.

Duas coisas que aprendemos sobre os glaciares: a água de origem glaciar não é límpida, mas sim uma cor azul-esverdeada e baça. Outra coisa que ouvimos é o chamado “trovão branco” (white thunder) que acontece quando um pedaço do glaciar cai sobre a água. O som demora algum tempo a chegar aos nossos ouvidos, por isso se não o ouvimos já não vale a pena olhar para lá. É um som diferente e uma experiência difícil de esquecer. Aquela massa branca de gelo dinâmica que avança e recua durante milhões de anos – nada igual.


Hubbard Glacier

O segundo sítio que merece destaque, e esta foi efetivamente a nossa última paragem antes de regressar ao Canadá – o Glaciar Hubbard. Hubbard Glacier é a maior massa de gelo junto à costa com 122 Km em comprimento e 11Km em largura. O glaciar começa em Monte Logan no território Yukon no Canadá e acaba no parque nacional Wrangell-St Elias. Atualmente o glaciar está estável depois do seu avanço nos últimos 100 anos. No entanto, o glaciar continua a adensar-se. De facto, no verão de 2002 o glacier Hubbard perto de Yakutat avançou de tal forma que do fiorde Russell deixou-se de ter acesso ao mar. No entanto, desde essa altura, o glaciar voltou a recuar e hoje em dia o fiorde Rusell reconectou-se ao mar circundante.

Este movimento constante de avanços e recuos é observada em vários glaciares não só no Alasca, mas em todo o mundo. Os avanços e os recuos são resultantes do equilíbrio entre a quantidade de gelo formada devido por exemplo à queda de neve e a quantidade de gelo que derrete. Claro está, que os avanços resultam quando se forma mais neve do que se perde, enquanto os recuos acontecem quando o glaciar perde mais neve do que se forma. De alguma maneira, o degelo criado pelo aquecimento global é apenas um fator parcial implicado no recuou dos glaciares que estão conectados com o mar, os chamados glaciares de maré, como é o caso do glaciar Hubbard. Os glaciares não perdem apenas gelo devido as condições climatéricas, mas também pelo despreendimento de icebergs no mar. Assim sendo, estes glaciares avançam e recuam não apenas pelo clima, mas em resposta à sua particular geometria na zona de contacto com o mar.

E se os “trovões brancos” que vos falei acima, na secção do Glacier Bay National Park, eram impressionantes muito mais comuns e fascinantes eram-no aqui.

Apesar de ser possível fazer uma excursão num barco de pequenas dimensões e chegar perto do glaciar Hubbard, nós decidimos ficar no cruzeiro. Como o tempo estava ameno nesse dia e o mar calmo, o comandante conseguiu chegar bastante perto do glaciar e pudemos vê-lo em grande plano. Um azul como não há outro, um mundo como não há outro, uma experiência sem comparação – assim foi o nosso cruzeiro pelo Alasca.


Dias de mar

Todos ou quase todos os cruzeiros especialmente os de longa distância incluem um ou outro dia no mar. No cruzeiro que escolhemos, de 10 dias pelo Alasca, passámos 3 dias no mar – o primeiro dia depois de sair de Vancouver e 2 dias no regresso ao Canadá. A escolha deste cruzeiro em particular foi exatamente porque havia menos dias no mar. Nós preferimos aproveitar uma viagem a um determinado país para o visitar o mais possível desse país e não termos estes dias “perdidos” em viagem pelo mar.

Atenção eu digo “perdidos” desta forma porque são dias que não vamos exatamente visitar uma parte do destino que escolhemos, no entanto há sempre imensos eventos a decorrer durante todo o dia dentro do cruzeiro.

Mas vou começar primeiro pelo tipo de quartos que há no Majestic Princess, o navio desta viagem, e depois vou explicando como os eventos estão organizados tal como os vários locais de interesse pelo barco.

Se tiverem disponibilidade financeira, aconselho a escolherem um quarto com varanda, especialmente em destinos onde se espera ter paisagens magníficas. No cruzeiro pela Noruega sendo a nossa lua-de-mel escolhemos uma mini suite, mas rapidamente nos apercebemos que não precisamos de tanto espaço uma vez que somos só nós os dois e não passamos assim tanto tempo dentro do quarto para por exemplo requerer um sofá e duas televisões. Por isso desta vez escolhemos o quarto “Balcony“, um quarto bem mais pequeno (e mais barato) com varanda. Digo que a varanda é um bonus porque por vezes o barco nas zonas exteriores fica apinhado nas zonas de interesse ou zonas paisagísticas e se vocês tiverem uma varanda podem desfrutar estes momentos de uma forma mais sossegada.

Os quartos mais baratos são os chamados quartos interiores e são aqueles que não têm janela. No entanto, mais vale pagar um quarto interior e ir no cruzeiro do que não ir no cruzeiro de todo porque não se tem possibilidades financeiras para pagar um quarto com varanda. A varanda é mesmo só um luxo, uma vez que se não se tem varanda no quarto pudesse ir para a parte exterior do barco e ter a mesma paisagem que da varanda.Todos os quartos têm casa de banho privativa, um armário de arrumação e mesas de cabeceira. O nosso quarto tinha também uma secretária, uma cadeira e uma pequena cómoda. Cada quarto também tem um cofre para colocar os pertences de valor, a cama (muito confortável) e uma televisão enorme.Cada secção do barco está atribuída a um empregado que limpa os quartos duas vezes por dia. O empregado será sempre o mesmo durante toda a viagem. Também é da sua responsabilidade deixar em cada quarto este tipo de panfletos como mostram aas imagens abaixo.

Em cada panfleto encontra-se o calendário da viagem incluindo as paragens e a hora de chegada e partida em cada porto. Também vos diz quando são as noites formais, normalmente organizadas para os dias em que o barco não pára em nenhuma cidade. E como podem ver tem a agenda de todos os eventos que vão acontecer durante o dia. Também há eventos a acontecer mesmo quando o barco está atracado para aqueles que preferem ficar dentro do barco.

Durante o dia há uma grande mistura de eventos que vai desde aulas de zumba, a palestras normalmente sobre assuntos relacionados com o destino do cruzeiro, muita música ao vivo em diferentes locais e diferentes experiências como por exemplo massagens de 5 minutos, jogos e concursos.

No final do dia é quando decorrem os considerados grandes eventos como shows de comédia e musicais. Normalmente estes eventos ao final do dia estão organizados em duas sessões, uma às 7 e outra às 9 da noite para as pessoas puderem jantar na altura que lhe for mais apetecível e não perderem o espectáculo. Nos shows de comédia tivemos dois dias o Buddy Fitzpatrick e outros dois Steve Moris. As palestras sobre o Alasca foram dadas pelo naturalista e biólogo marinho Mark Harris. Mark Harris tem uma página https://markharrisnaturalist.com/homepage/, onde fala um pouco da sua vasta experiência como biólogo marinho.

Música ao vivo no plaza

Diariamente há algo chamado “Movie under the stars” – onde se pode ver em cada dia um filme diferente no grande ecrã na zona exterior. É uma bonita experiência puder ver um filme no exterior sobre as estrelas e o negro profundo do céu. Sim porque no meio do mar a escuridão é algo bem presente pois como podem imaginar não há postes de iluminação nem qualquer fonte de luz sem ser o próprio barco. Para os mais ativos há um ginásio aberto 24 horas bastante bem equipado, enquanto para aqueles que procuram o lazer há um spa com vários tratamentos, cada com o seu devido preço. Para os que procuram livrar-se de algum dinheiro têm sempre o casino – e está quase sempre cheio!

Show de luzes na fonte localizada na zona exterior em frente ao grande ecrã

Sítios para comer – há imensos alguns deles abertos 24 horas. Alguns dos restaurantes não fazem parte do pacote de viagem e por isso se decidirem jantar em algum deles terão de pagar exatamente como se fossem a um restaurante fora do barco. Nós nunca tivemos curiosidade uma vez que existem tantas mais opções essas incluídas já no pagamento feito pela reserva da viagem.

Os nomes dos restaurantes mudam de barco para barco, mas a oferta é a mesma. Por exemplo o buffet está aberto das 5 da manhã até às 10 e meia da noite. E neste período há sempre comida. O buffet é o lugar menos formal e é o sítio onde no mesmo prato se pode juntar noodles, pizza e batatas assadas. A oferta é imensa desde sopas a sobremesas e a qualidade da comida não é assim tão inferior à dos restaurantes mais formais. O nome do buffet no Majestic Princess (o nome do navio) chamava-e World Fresh Marketplace em vez de buffett. Mas o princípio é o mesmo. As imagens abaixo mostram alguns dos nossos pequeno-almoços/almoços no buffet.

Depois na, chamaremos praça principal, encontramos o café internacional aberto 24 horas e outros restaurantes como a pizzaria Alfredo que foi onde comi uma das melhores calzones. Na zona exterior do barco, onde se encontram as piscinas e o grande ecrã de cinema podem-se encontrar pequenas bancas de comida – uma com gelados, uma com noodles que no cruzeiro para a Noruega (Sapphire Princess) era uma pizzeria e um com hambúrgueres. Estes locais estão abertos dependendo do tempo, uma vez que estão localizados na parte exterior do barco. O horário de funcionamento se o tempo estiver bom é das 11 da manhã às 11 da noite. Neste cruzeiro acho que estiveram abertos todos os dias, mas no cruzeiro na Noruega houve dias que teve fechado devido ao mau tempo.


E depois no Majestic tínhamos outros restaurantes, estes mais formais, o Concerto e o Allegro. Aqui o menu é mais formal composto por 3 pratos – entrada, prato principal e sobremesa – cada prato com 3 ou 4 escolhas diferentes. Nestes restaurantes é recomendado um dressing code de formal, mas casual, exceto nas noites formais. E assim passo para um dos grandes eventos num cruzeiro – as noites formais. Não são obrigatórias e não é preciso gastar fortunas em vestidos de quase toque real. Mas é uma oportunidade para se pôr uma roupa mais bonita, arranjarmo-nos um pouco mais e experienciar um pouco de glamour. A maior parte das pessoas participa nas noites formais e vê se por todo o cruzeiro homens em smoking e mulheres em vestidos maravilhosos. E nestas noites para jantar nestes restaurantes, no Concerto e no Allegro, é preciso vestir-se a rigor.


O barco sendo quase uma pequena cidade móvel tem outros entretenimentos como uma galeria de arte, piscinas exteriores e interiores, jacuzzis e muitos bares. Em quase cada canto há um bar diferente. E se tiverem o pacote de bebidas alcoólicas não deixarão de experimentar cada bar. É também nestes bares que a maior parte dos pequenos eventos decorrem como o karaoke e competições imitando o The Voice. Uma dica para o melhor cocktail do cruzeiro – loco coco ( a imagem em baixo à esquerda) – se eu vos mostrasse todas as fotos que temos dentro do barco podem ter a certeza de que em pelos menos metade delas encontrariam o tal cocktail ao nosso lado.


Para quem está mais interessado em ficar no quarto, há serviço de quarto disponível 24 horas. Para além que o Princess fez umas melhorias ao seu serviço e agora com uma aplicação no telemóvel é possível fazer pedidos de comida, bebida, marcação de mesa em restaurantes e consultar a agenda através do telemóvel. A aplicação é muito útil para saber o que é gratuito e o que vem com um valor acrescido. Mas aviso, quando uma pessoa se habitua é difícil desabituar. É que as vezes nem havia fome, mas era só carregar num botão eis que um hambúrguer aparecia à porta. Sim, aconselho a levarem roupa mais larga para o final do cruzeiro, provavelmente já não estará assim tão larga.

Mais, os pedidos podiam ser feitos em qualquer lugar no cruzeiro porque associado a essa mudança do sistema foi introduzido medalhões que tínhamos que os ter connosco durante toda a viagem – era com estes medalhões que entravámos e saímos do barco, abríamos a porta do quarto e os empregados nos localizavam para entregar os nossos pedidos. E assim está aberta a porta para o descalabro em que até os mais introvertidos acabam por beber cocktails ao pequeno-almoço sem embaraços no processo de pedir. Um descalabro total, mas um descalabro bom e muito bem recebido.

E assim se passa o tempo dentro do barco, entre shows e comida, lojas e bebida – tempo que pensamos que não vai passar acaba por passar tao rápido como se apenas de um instante se tratasse. E talvez por isso no último dia deste cruzeiro um novo depósito para o próximo foi efetuado – na esperança que daqui a dois anos voltemos a ser viajantes do mar.


Palavras? Não há!!

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