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Itinerário em Montenegro
Nas últimas semanas temos estado a falar do nosso itinerário em Montenegro, começando pela nossa chegada a Podgorica, os vários pontos de paragem no lago Skadar e a nossa visita às ruínas em Stari Bar. Hoje continuamos, agora em Bar, a cidade escolhida para passar a segunda noite da viagem. No último post fechámos com a nossa opinião sobre o nosso quarto em Villa Kovacevik para o qual deixo aqui o link do booking.com: Villa Kovacevic em Bar (Booking.com).
Bar
Nota para quem viajar durante a época baixa
Desde o momento que chegámos a Bar que chovia a potes, mas o tempo melhorou com o cair da noite de tal forma que nos aventurámos a pé até ao restaurante que tínhamos escolhido para jantar perto do hotel, Domaca Trpeza. Enganados estávamos que a meio do caminho começa a cair aquela chuva miudinha irritante, mas fomos teimosos e não quisemos voltar para trás para ir de carro. Infelizmente quando chegámos ao restaurante as luzes estavam apagadas, não havia dúvida nenhuma que estava fechado. Apesar de dizer na internet, mesmo na página do restaurante no Instagram, indicar que estava aberto até às 11 da noite.

E não foi só em Bar, mas também em Zabljak e até em Kotor que encontrámos vários E não foi só em Bar, mas também em Zabljak e em Kotor que encontrámos vários restaurantes e atracções fechadas por ser época baixa. A primeira vez que tínhamos dado de caras com esta desvantagem de viajar fora da época turística foi nos Dolomitas em Itália e pelos vistos em Montenegro era igual; os locais aproveitam estes meses para férias ou renovações ou para uma merecida pausa. Em Bar rapidamente encontrámos outras opções disponíveis para jantar tal como durante a nossa estadia em Zabljak. No entanto, fiquei com bastante pena que o Kotor alpine coaster, uma espécie de montanha-russa exterior a norte de Kotor onde as paisagens são, ou pelo menos parecem ser, absolutamente espectaculares estivesse fechado desde o início de novembro. Eu confesso que estava bastante entusiasmada com a ideia de andar nestes carrinhos até que descobri que iria fechar uma semana antes de partimos e assim ficaria até abril. Parece ser fantástico, e até mesmo a viagem de teleférico parece valer a pena como podem ver nos vídeos disponíveis no Youtube: Kotor alpine coaster and cable car (Youtube)
Jantar em Banjalučki Ćevap
Como a primeira opção para jantar estava fora do baralho decidimos experimentar outro restaurante, o Banjalučki Ćevap. Era um pouco mais longe, mas pelo caminho fomos passando por alguns restaurantes que estavam abertos e que podiam ser opções se também encontrássemos a porta deste fechada. Contudo desta vez acertámos, não só estava aberto como havia mesas livres. O menu é bastante reduzido já que só há um prato e o que muda é apenas o tamanho, mas vale a pena vir aqui. O prato tradicional disponível é o cevapi, carne picada grelhada em forma de salsicha. Comemos cevapi em outros locais durante a viagem, mas o melhor foi daqui. Há 3 diferentes menus, um que traz 8 cevapi a 5 euros, ou 12 cevapi a 6.50 euros ou o maior com 16 cevapi a 7.50 euros. A carne vem acompanhada com couve branca picada, cebola roxa, um molho que penso ser sour cream e um pão que era absolutamente divinal.

Nós pedimos o menu médio, com 12 cevapi, e cervejas para acompanhar. Acabou por este ser um dos pontos altos do dia especialmente depois dos momentos caricatos passados no lago Skadar e em Stari Bar. Fomos bem atendidos, a comida era deliciosa e a bom preço e no final acabámos a refeição com uma bebida tradicional Rakija (fotografia abaixo) que o empregado disse ser a ‘Sljvovica’ a preferida dele. Rakija revelou ser uma bebida bastante forte feita de ameixa, que lembra bastante o aguardente.


Bastou esta refeição para ficarmos logo bem mais satisfeitos e depois de uma noite bem dormida na Villa Kovacevik no dia a seguir de manhã estávamos prontíssimos para mais um dia. A manhã seguinte, depois de uma noite de chuva intensa, apresentava-se cinzenta, mas naquela altura sem chuva. No entanto este foi o dia mais murcho da viagem exactamente por causa do tempo, mas algum dia tinha de ganhar o prémio de ser o pior da semana.
Visita à igreja ortodoxa de St Jovan Vladimir
Antes de deixarmos Bar para trás quisemos fazer duas coisas, tomar o pequeno-almoço e visitar a igreja ortodoxa de St Jovan Vladimir de edifício imponente que nos tinha chamado a atenção no dia anterior. Saímos do nosso quarto eram 7 e meia e fomos logo para esta igreja que já tinha aberto há meia hora. A entrada para a visita é gratuita e mesmo àquela hora matinal já havia algum movimento.

A primeira coisa que nos chamou a atenção foi o comportamento das pessoas quando chegavam à porta e depois no interior da igreja. À porta, ainda antes de entrar, benziam-se e davam um beijo e depois dentro da igreja faziam o mesmo ritual a cada estátua ou representação de santos. É obviamente uma religião que Deus protege porque não havia ali receios sobre COVID ou algo do género. E não pensem que é uma crítica, não é, talvez mais estranheza, já que em algumas das representações destes santos eram fotografias ou quadros cobertos por um vidro e neste vidro viam-se a marca de muitos lábios.
Quanto à catedral é tão ou mais bonita por dentro como por fora, as cores garridas de azul e de dourados são simplesmente espectaculares.


E esta catedral, igreja ou templo, como a queiram chamar tem uma história interessante por detrás da sua construção. A aprovação da catedral foi dada em 1991 depois de várias manifestações em Bar liderada pelo padre Bogić. Por entremeio, este padre lançou-se num protesto individual no qual passou três dias sem comer e sem beber. Agora o porquê destas manifestações? É que o primeiro pedido para a construção de um local de culto em Bar foi feito pouco depois do terramoto de 1979. No entanto naquela altura o governo de ideologia comunista não aceitou o pedido já que a religião era vista como um inimigo ideológico. Assim a igreja que hoje pode ser visitada é um símbolo de luta contra o estado, contra o sistema e importante símbolo de dedicação à religião ortodoxa em Bar. Há por isso muitas razões para incluir uma visita a esta igreja num itinerário em Montenegro.
Primeiro burek em Burekdzinica Fontana
Depois da visita à catedral estava na hora de irmos tomar o pequeno-almoço. Como em Montenegro ser-se montenegrino quisemos experimentar o pequeno-almoço tradicional, o famoso Burek. Burek é um folhado feito de massa filo que pode ter diferentes recheios, como queijo, carne, espinafres e até batata. E bureks foi talvez aquilo que acabámos por comer mais durante a viagem, de diferentes locais, em diferentes alturas do dia. Mas hoje íamos até ‘Burekdzinica Fontana’, um pequeno café junto ao mercado Zelena Pijaca que pelas muitas reviews era o melhor local para comer estes tais folhados.

Não tenho a certeza se este foi o melhor da viagem, mas a verdade é que enquanto aqui estivemos vimos locais a entrar, a sair, a sentar-se nas mesas, todos a comer o tal burek. Nós pedimos para beber limonada, já que não havia café, mas recusámos o iogurte. Contudo notámos rapidamente que é com o iogurte a forma mais tradicional de comer burek. No entanto, devo dizer que a limonada era deliciosa por isso não houve aqui qualquer arrependimento na escolha.
Próximo post
No próximo post vamos falar do que se sucedeu neste dia depois de deixarmos Bar e seguirmos pela costa com um desvio até ao parque nacional Lovćen e finalmente até à cidade mais conhecida de Montenegro, Kotor.
Como nas últimas semanas deixo aqui um apelo para a angariação de doações que estou a organizar para a SPCA International: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/
Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.
