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Hotel Vista Bela do Gerês
Para o nosso 5º alojamento no Gerês escolhemos o Hotel Vista Bela do Gerês, um hotel de 3 estrelas com vista para a Barragem de Paradela, ao pé da aldeia do Outeiro, a mais ou menos 1Km de distância. Tal como o nome indica, a paisagem circundante é o ponto alto deste hotel com o brilhante espelho de água envolvido por picos montanhosos.

Confesso que estávamos um pouco apreensivos com o que iríamos encontrar neste hotel, já que online tínhamos lido uma mistura de boas e más reviews, que incluíam o facto de não haver acesso ao WiFi nos quartos, o hotel ser velho e ter um aspeto acabado, gritando por urgentes remodelações. Por isso, apesar de positivos, as nossas expectativas eram conservadoras.
Para entrar dentro do hotel de carro é preciso passar por uma cancela que depois de aberta leva para o parque de estacionamento que fica na parte frontal do hotel onde se encontra o restaurante. Fizemos o check-in, disseram-nos que se quiséssemos jantar ali para dizer os pratos principais até às 7 da noite, e deram-nos as chaves do nosso quarto que ficava no piso térreo.
Quarto
O nosso quarto era enorme e sim rústico tal como o hotel, mas com carácter, oferecendo uma experiência própria de uma casa de campo portuguesa. E da varanda do nosso quarto tínhamos aquela paisagem que poderíamos admirar por horas. Portanto acabámos por gostar imenso do hotel e sim, não havia acesso à internet no quarto, mas já vínhamos a contar com isso. Talvez o que possa ter de menos bom a dizer é da iluminação do quarto que era bastante fraca.


Depois do check-in e de pormos as nossas malas no quarto demos uma volta pelo hotel, que é bastante grande, passando pela convidativa piscina da qual acabámos por não experimentar, mas que está disponível aos hóspedes do hotel.

No fim de tarde, quando o sol começava a baixar, aproveitámos o bocadinho que tínhamos até à hora de jantar para nos sentarmos na varanda quando apareceu uma gata. A gata era muito meiguinha e não demorou muito tempo até a termos no nosso colo a ronronar. Ficámos a saber mais tarde que a gata pertence aos donos do hotel e que é seu costume meter-se nos quartos dos hóspedes que ao encontrarem uma gata tão meiga, acabam por lhe dar comida e atenção. Por a gata ser tão meiga os donos já receberam diversos pedidos dos hóspedes para ficarem com ela. Os quais o dono sempre recusou.

Ela foi a nossa companhia no final da tarde do primeiro dia e durante o pequeno-almoço do dia seguinte.
Restaurante
Na zona do Outeiro não há muitas escolhas para jantar e por facilidade decidimos jantar no hotel. O restaurante abre às 8 da noite e no dia em que aqui estivemos só nós estávamos hospedados no hotel e a tirar vantagem do restaurante.
Os pratos disponíveis são de comida tradicional local desde carne de vaca, a chamada posta, até à truta, peixe que apanham na barragem de Paradela. Como disse acima nós tivemos de fazer ‘a reserva’ dos pratos que queríamos atempadamente e escolhemos o salmão grelhado e a truta recheada com presunto, sendo este prato típico da região.

O restaurante não é muito grande, mas a paisagem é indiscritível. Ainda antes dos nossos pratos de peixe, pedimos também entradas, alheira e chouriça assadas. A alheira era caseira como nos foi dito e tanto um enchido como o outro eram de boa qualidade.

Ambos os pratos de peixe vierem acompanhados com batata cozida, feijão verde e brócolos também estes cozidos. Para nós o melhor foi o salmão, mas a truta também era bastante boa, apenas achámos que o presunto era desnecessário. No entanto, eu que não sou muito apreciadora de peixes com espinhas fiquei muito contente com a escolha feita.
No final da refeição não tivemos sobremesa, mas sim uma aguardente de café e uma aguardente simples, ambas de fabricação caseira, oferta do dono do hotel. Apesar de ambas as bebidas serem bastante fortes, acabei por gostar bastante da de café. E acabámos por ficar à conversa com o dono do hotel, já que sendo os únicos hóspedes tínhamos a sua atenção. Falou-nos de como é viver na região, de como o Gerês é muito procurado durante o Inverno quando começa a nevar. Contou-nos também a trágica morte da rapariga nas cascatas Tahiti da qual já mencionei (ver post aqui) e foi ele quem nos explicou o que eram os canastros, para que serviam e como se lhe davam um diferente nome, o de espigueiros, em outras zonas do Gerês. Foi um jantar muito agradável, boa comida, boa conversa e uma vista especial.


Já no quarto, sem internet, acabámos por ficar a ver um bocado de televisão antes de adormecermos. Sem barulho e numa cama confortável, acabou por ser uma das noites em que ser dormiu melhor no Gerês.
No dia seguinte, fomos recebidos pela cozinheira, pelo dono do hotel e pela gata na sala de pequenos-almoços. Tivemos direito a uns ovos mexidos com bacon e ao normal pequeno-almoço continental. Como os pequenos-almoços são servidos no restaurante aquela vista que já começávamos a conhecer estava ali como companhia.

Em geral, gostámos muito do hotel. Sim, não havia WiFi no quarto, mas não foi por isso que a experiência se tornou horrível. Muito pelo contrário, até porque fomos recebidos e tratados de uma forma calorosa durante toda a nossa estadia.


Outeiro
Depois de fazermos o check-in e da volta inicial pelo hotel como ainda era cedo, mas não querendo voltar a sair com o carro, decidimos ir a pé até à aldeia do Outeiro. Ao descer a estrada apercebemo-nos que aqui é uma das paragens do trilho GR50 indicando que é um local de interesse. Antes de chegar à aldeia, passámos por um pastor num trator seguido por uma manada de bois que estava a ser controlado por um cão-pastor. Eu depois das experiências dos últimos dias com bois e bodes já todos os animais me assustavam e passei o mais longe possível deles.

No Outeiro, fomos recebidos por uma bonita igreja paroquial com uma torre sineira erguida no adro em frente à fachada da igreja. Esta igreja de pedra escura dava-nos entrada para uma aldeia de arquitectura característica da região; casas de pedra escura tal como a calçada. Fomos passeando pelas ruas da aldeia sem destino concreto, encontrando pelo caminho os tradicionais canastros (ou espigueiros) sempre acompanhados por uma paisagem lindíssima, um conjunto harmonioso do lençol de água da barragem, colinas verdejantes e picos montanhosos altíssimos.


Antes de voltarmos para o hotel, ainda no Outeiro, passámos por um galinheiro onde patos grasnavam ferozmente e ouvimos à distância o barulho de gado que nunca chegámos a ver.
No Outeiro, apesar da contraditória vida do campo, dura mas de ritmo lânguido, a vista da barragem de Paradela nunca nos deixou. A construção da barragem, em funcionamento desde 1956, alterou a paisagem envolvente, resultando num microclima local, que hoje está presente. Esta barragem tem uma arquitectura peculiar, quando se compara esta com as outras barragens da região, sendo a de Paredela uma barragem de enrocamento constituída por rochas acumuladas a granel. A barragem de Paradela é considerada como a maior obra de engenharia da Europa dentro deste tipo de tipologia.
