O carnaval de Veneza é para muitos uma daquelas experiênica do bucklist, uma experiência de uma vida. E há razões para o ser, é como presenciar um espectáculo ao ar livre. O carnaval em Veneza foi mencionado pela primeira vez em 1094, o mesmo ano em que o corpo de San Marco, o padroeiro da cidade, foi encontrado. O carnaval foi permitido pelo Doge Falier (o chefe do estado) para ser celebrado nos dias anteriores à Quaresma, o que significa que o carnival também tem uma conotação religiosa. E ainda o é hoje, por isso é que a terça-feira gorda começa antes da quarta-feira de cinzas quando se inicia a Quaresma. Mas em 1094, o carnaval estava nos seus primórdios. Foi só no século XIV que começou a tomar forma do que é hoje com o aparecimento da terça-feira gorda, por muitos conhecida como a terça-feira de carnaval, depois da guerra de Chioggia que acabou em 1381.


Até 1797, altura da dissolução da República de Veneza, as máscaras eram usadas muito mais frequentemente e fora da altura do Carnaval com o objectivo de manter o anonimato e a liberdade. pessoal. Hoje o Carnaval de Veneza é um acontecimento conhecido mundialmente com o uso de máscaras restrito ao Carnaval.
E o melhor é que qualquer um pode participar neste espectáculo. Com uma máscara, uma capa e luvas, foi assim que fomos experimentar o que é fazer parte deste evento. Andando pelas ruas muitas fotografias nos foram tiradas, pessoas a fingir que não o estavam a fazer (a fingir muito mal diga-se de passagem), pessoas a pedir para tirar fotografias conosco e até crianças a olharem e a apontarem para nós de olhos arregalados. E o melhor da experiência? O completo anonimato.


Continuámos a avançar na nossa lista de locais a explorar. Um detalhe que vou mencionar é que em muitos locais tais como igrejas e museus há restrições de entrada a mascarados, sendo como mínimo requisito entrar sem a máscara. Assim recomendo que se se quiserem mascarar que o façam durante a parte do dia em que não pensem visitar muitos lugares.
Scala Contarini del Bovolo
O primeiro lugar que fomos visitar foi a Scala Contarini del Bovolo, uma escadaria que faz parte de um palazzo do século XV. Pode-se subir esta escadaria por 8 euros, mas nós ficámo-nos pelo exterior. Uma das coisas interessantes deste local é que a escadaria foi adicionada ao edifício, uma vez que o dono, Pietro Contarini, queria embelezar a sua propriedade. E realmente não podemos discordar que a escadaria com os seus muitos arcos adiciona requinte aquele local.


Museo della Musica
Em seguida fomos até ao Museo della Musica onde encontrámos a primeira indicação sobre a restrição de entrada de máscaras, como mencionei acima. O museu encontra-se dentro da igreja de San Maurizio e em exposição existem vários instrumentos musicais com uma grande prominência nos instrumentos de cordas como os violinos. Existe até uma parte da coleção que pertenceu a Antonio Vivaldi. Neste museu poderão encontrar 300 anos de fabricação italiana de violinos com alguns dos mais magníficos instrumentos.
Squero di San Trovaso
Depois de voltarmos a pôr as nossas máscaras fomos até Squero di San Trovaso, ou melhor à Fondamenta Nani, a rua que fica do outro lado do canal em frente ao estaleiro histórico de San Trovaso. Este é um dos estaleiros ainda em operação onde são construídas e reparadas gôndolas, pequeno barcas e barcaças. Como fomos no Domingo não havia actividade naquele dia, mas é sempre valioso visitar um local que existe desde o século XVII e que continua a ter um papel importante nos dias de hoje.


Bar alla Toletta e Pasticceria Toletta
Por esta altura chegava as 4 da tarde e depois de um dia com tanta actividade eis que era a hora de nos virarmos para a cozinha local. Depois de uma breve discussão decidimo-nos pelo distrito Dorsoduro. Na verdade, esta zona era a seguinte da lista pela ponte dell’Accademia de onde se tem uma das melhores vistas sobre o canal. Mas o maldito nevoeiro não se tinha levantado e sabíamos que continuaria connosco pela tarde e noite adentro. Resignados, entrámos dentro do Bar alla Toletta, um dos locais de renome para os tramezzini, as sandes locais tradicionais. Já tínhamos experimentado os tramezzini em Bassano del Grapa e como a fome já apertava acabámos por pedir umas baguettes acompanhadas pelo famoso aperol spritz. Foi em Veneza que descobri que os aperol spritz, os cocktails famosos de Itália, são mais bem servidos com uma azeitona verde dentro. O café estava cheíssimo, mas viemos cá duas vezes (neste e no dia seguinte) e conseguimos sempre encontrar mesa. É incrível como a fome pode começar a ‘matar’ o dia, mesmo que seja um dia em viagem. Depois de comer a vontade de explorar a cidade já era outra.


No entanto ainda quisemos parar na pastelaria do lado, com o mesmo nome do café, Pasticceria Toletta, onde comemos o melhor de toda a viagem, as frittelle, que são bolinhas de massa frita recheadas. As frittelle são doces tradicionais da altura do Carnaval e por isso não só eram deliciosas como ainda tinham um valor cultural enorme. Como recheio existem vários cremes, experimentámos as frittelle com creme de pistacchio, com creme Zabaione e com creme veneziane. O de zabaione venceu, mas todos eles eram muito bons. Não é por acaso que no dia seguinte não só viemos aos tramezzini mas também a mais uma rodada de frittelle. A pastelaria não tem sítio para se sentar, só assim um balcãozito, mas vale imensa a pena visitar.

E foi assim que muito mais satisfeitos fomos andando pelas ruas de Veneza, tirando fotografias com as nossas máscaras postas, passando pela piazza San Marco e aproveitando para tirar fotografias não só aos recantos lindíssimos da cidade mas também a outros mascarados.
Quando começou a anoitecer fomos até ao nosso hotel, afinal para jantar as máscaras e capas acabariam por não dar muito jeito.


Arcicchetti Bakaro
Para jantar quisemos experimentar outra iguaria local as cicchetti, que são pequenas tostas de pão com os mais variados condimentos. E foi assim que acabámos em Arcicchetti Bakaro. Há várias razões pelas quais se deve visitar este lugar. Primeiro porque as cicchetti custam 1 euro cada. Na maioria dos locais e atenção que se encontram por todo o lado, cada cicchetti custa de 2 euros a 3,5 euros. Por isso 1 euro é mesmo um óptimo valor. Existem várias variedades de cicchetti, com carne, com peixe, com os mais variados legumes e misturas. Nós quisemos experimentar pelo menos um de cada. Foi também aqui que encontrámos o melhor aperol spritz da viagem. De negativo só tenho a apontar duas coisas: não sendo um restaurante, não dá para sentar no interior, só há umas mesas de café espalhadas na parte exterior e claro se tiver frio como estava na altura que fomos, não se consegue ficar muito tempo sentado. Outra coisa é como não aceitam reservas (e com estes preços) a fila é enorme. De tal maneira que não pedimos mais exactamente para não estarmos na fila. O meu conselho é que peçam logo a mais quando forem atendidos. Como podem ver nas fotografias abaixo, pedimos 10 cicchetti, 5 para cada um, mas acho que teríamos comido um prato cada, se pudéssemos. No entanto não posso deixar de mencionar a qualidade dos cicchetti, houve alguns que gostámos mais do que outros, como por exemplo o de bacalhau e o dos tomates, mas todos eram muito bons. Tal como os outros locais que tenho mencionado neste post não se deixem intimidar pela fila que vale mesmo a pena a espera.


Ca’Macana Atelier
Para finalizar o dia, ou mellhor a noite, entrámos dentro de uma loja muito especial, principalmente nesta altura do ano – Ca’Macana Atelier, onde se fazem as mais bonitas máscaras de Carnaval (e outros afins) desde 1984. As máscaras são feitas à mão com uma perícia incrível. Este atelier faz também workshops para quem queira aprender ou melhor experienciar esta práctica. Porque para aprender é preciso muito tempo e muito treino. Explorar esta loja foi como entrar num mundo de fantasia, um mundo recheado de máscaras venezianas.

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