A ilha de Capri é um daqueles locais tirados directamente de um filme, paisagens magníficas, vilas pitorescas, resorts de sonho e villas majestosas. Para muitos Capri é uma viagem de um dia, mas nós decidimos que a ilha merecia passarmos ali uma noite para a explorar um pouco mais. Nem imaginávamos o quanto esta decisão iria ter um impacto imenso naquilo que iríamos conseguir visitar! Em novembro não sendo esta época alta era esperado que o número de turistas fosse reduzido, mas se o número era de facto reduzido nem quero imaginar (nem presenciar) Capri em época alta.

Mas começando do início – como chegar a Capri e os nossos preparativos iniciais
Pode-se ‘facilmente’ chegar a Capri a partir de Nápoles, mas também a partir de Sorrento apanhando o ferry. A ilha de Capri fica a sul do Golfo de Nápoles, mesmo em frente a Sorrento. Os ferrys partem várias vezes por dia em ambas as direções. A viagem demora cerca de 50 minutos para cada lado, se partirem de Nápoles. Se partirem de Sorrento a viagem será mais rápida.

Os nossos preparativos iniciais foram três:
- Acomodação: Apesar da altura do ano, ou seja, mesmo em novembro a escolha não era muita ou melhor era mas não para o preço que estávamos dispostos a pagar. A ilha de Capri é composta por duas vilas principais, Capri, a que dá o nome à ilha (ou vice-versa) e a que fica mais perto do porto chamado de Marina Grande, e Anacapri que fica da outra ponta da ilha. E foi em Anacapri que decidimos ficar.E foi em Anacapri que decidimos ficar. O local escolhido foi Relais Villa Anna, e apesar de ser classificado como um estabelecimento de 3 estrelas aparenta ser melhor do que o padrão, incluindo piscina, quartos recentemente renovados num local calmo, bonito e sem barulho. Fica a mais ou menos 10 minutos a pé do centro de Anacapri. Nós marcámos através do trip.com como tínhamos cashback. Mas se também o fizerem lembrem-se antes do dia do check-in de confirmar se precisam de contactar o proprietário, porque o trip.com marca o quarto através de terceiros o que pode criar alguma confusão. Por exemplo quando chegámos e falámos com os proprietários disseram-nos que nos tinham tentado contactar, mas não tinham os nossos contactos e que até tinham contactado a Expedia. No entanto nós tínhamos feito a reserva através do trip.com e claro está que a Expedia não tinha os nossos contactos. Bem, um imbróglio, mas os proprietários foram 5 estrelas, puseram-nos à vontade e deram-nos várias indicações para restaurantes e como chegar a diversos pontos da ilha. O nosso quarto era espaçoso, limpo e o pequeno-almoço apesar de não ter sido como o de Pompeia (que também foi meios que exagerado) foi bastante bom.


- Visita de barco à volta da ilha: Uma das atrações principais, que não se pode perder na ilha de Capri é fazer uma tour à volta da ilha para conhecer as muitas grutas escavadas na rocha, as falésias imponentes e uma gruta em especial, chamada de gruta azul. É possível visitar o interior da gruta azul, mas apenas de barco. Só se pode comprar os bilhetes à entrada e podem não escolher ir numa tour e ir ao local da gruta azul e visitar apenas esta gruta. Nós como queríamos conhecer um pouco mais, marcámos uma tour à volta da ilha. Se vierem na altura menos procurada a compra adiantada dos bilhetes não é assim tão urgente, mas se vierem por exemplo nos meses de Verão comprem os bilhetes assim que marcarem a viagem ou poderão não ter oportunidade de o fazer. Nós comprámos os nossos bilhetes através deste website: https://www.capri.com/en/l/capri-boat-tours, onde podem escolher qual das excursões mais vos agrada.

- Bilhetes de ferry: Claro que talvez o mais importante é comprarem os bilhetes do ferry. Nada será feito se não chegarem a Capri – talvez escolher uma excursão que vá a Capri a partir de Nápoles, mas o preço talvez não seja tão apetecível. Nós escolhemos a empresa Caremar, mas há várias que fazem o percurso entre portos. Vou deixar apenas o site aqui e vou já já de seguida falar da nossa experiência e vocês decidem se também querem ou não usar esta empresa. Nós comprámos os bilhetes por aqui: https://shop.caremar.it/en/. Mais uma vez, se forem em novembro provavelmente não terão problemas em termos de bilhetes esgotados, principalmente se tiverem alguma margem de manobra relativamente a horas de partida, mas durante o Verão aconselho vivamente a irem um bocadinho mais preparados, já com bilhetes na mão.
Agora a nossa experiência em Capri

Tal como aconteceu no Monte Vesúvio no último post, também em Capri encontrámos várias eventualidades com as quais não estávamos a contar. A primeira foi logo de manhã para apanhar o ferry em Nápoles. Uma grande tempestade era esperada para aquele dia e disseram-nos logo que não haveria NENHUM ferry a partir de Nápoles para Capri durante o dia. Tudo nos caiu, é que nem sequer tínhamos sítio para dormir naquela noite. Mas o que é preciso é ter cabeça fria. Fomos confirmar a um dos guichet e disseram-nos que ‘achavam‘ que o ferry tinha sido cancelado. Perguntámos o que podíamos fazer, disseram-nos para pedir o reembolso através do website do Caremar. Como não gostei do ‘achava‘ fomos ao local oficial onde iríamos apanhar o ferry. Ah, já agora é melhor mencionar que teve de ser um taxista a informar-nos que não era ali que se apanhava o ferry, mas na ‘Porta di Massa‘, que ficava a 5 minutos dali. Fomos então para o local correto onde havia ecrãs com os vários ferrys para os diferentes destinos. Não havia nada a confirmar que o nosso tinha sido cancelado, mas reparámos que nenhum dos ferrys tinha realmente saído do porto. Fomos ao guichet e aí é que começa a verdadeira experiência do atendimento ao cliente italiano. Atende-nos um homem sentado na cadeira com a posição de quem está antes no sofá a ver televisão. Diz-nos que está o ferry das nove da manhã (o ferry que tínhamos marcado) está cancelado, que o mar está demasiado revolto e que não sabia de mais nada. Para um reembolso contactar a empresa através do website (parece que ele não sabia que trabalhava para essa mesma empresa). Vimos então no ecrã que havia outros ferrys marcados para mais tarde, voltámos ao guichet para perguntar se podíamos voltar mais tarde e se algum dos próximos ferrys saísse se poderíamos usar os mesmos bilhetes. Desta vez atende-nos um rapaz mais novo que nos diz que com aqueles bilhetes não dava, que tinha que se pedir um reembolso, mas para ir verificando que talvez os próximos saíssem se o mar amainasse. Enquanto este rapaz nos está a dar alguma informação que se aproveite, o do lado, o primeiro que nos atendeu, começa a mandar vir com o rapaz a perguntar o que ele estava para ali a dizer. Jóia de homem.
Então até às 2 da tarde foi voltar à hora para qual estava marcado o próximo ferry e confirmar se esse partia ou não. Felizmente só havia ferry ao meio-dia e outro às 2. Enquanto esperávamos íamos visitando umas partes de Nápoles rente à costa. O do meio-dia não partiu, mas o das 2 sim. Felizes com os bilhetes da mão entrámos no ferry. Pensámos que chegaríamos antes das 4 e que ainda dava para fazer alguma coisa. Infelizmente estivemos mais de 1 hora dentro do barco antes de finalmente partir e já chegámos de noite à ilha. Mas o mar estava bravo. Em relação aos primeiros bilhetes já mandámos uns 5 e-mails e AINDA estamos à espera do reembolso. Mas pronto, sempre chegámos à ilha de Capri. E a viagem é bastante bonita, se não forem no ferry mais rápido, que esse é todo coberto, mas se forem no mais lento este tem uma parte a descoberto onde podem ir tirando fotografias à costa desde Nápoles a Sorrento. E a chegada a Capri é um sonho. Quando chegámos já estava lusco-fusco e apanhámos logo a primeira camioneta que saía para Anacapri. A paragem de autocarro fica mesmo ao lado do porto na Marina Grande.

Chegando a Anacapri fomos de seguida a pé até à Relais Villa Anna. Quando chegámos não sabíamos onde era entrada, nem vimos ninguém que nos pudesse receber, entregar as chaves do quarto, etc. E depois de um dia daqueles a paciência já não era muita. Ainda por cima o número de telefone que tínhamos na reserva não funcionava, mas se também vos acontecer verifiquem no website do Relais Villa Anna, que foi o que fiz e assim entrámos em contacto com o proprietário que nos recebeu de uma forma muito simpática. Ele tinha-nos tentado ligar pois não sabia se conseguiríamos chegar à ilha devido ao mau tempo. Aconselhou-nos dois restaurantes, Il Boccone e La Tablita, e mal nos repusemos decidimo-nos pelo ‘Il Boccone’ por ser o mais perto. Na verdade não fazia muita diferença, Anacapri é uma vila e o centro histórico é bastante pequeno. Os preços na ilha de Capri, não apenas em Anacapri, não se comparam àqueles que encontram em Nápoles ou em Pompeia. Mas o restaurante foi uma boa escolha, escolhemos pizzas e eram bastante boas. Acho que o dono do restaurante preferia que tivéssemos escolhido massas e pratos que aumentassem a conta no final, mas para o fim deste dia, as pizzas eram o que precisávamos.



Depois do jantar fomos dar uma volta por Anacapri, focando-nos mais na zona histórica. Afinal não teríamos muito tempo para vê-la durante o dia, mas senão tívessemos escolhido passar ali a noite provavelmente nunca teríamos visitado a ilha. Para além do mais tínhamos a tour de barco marcada para a manhã seguinte na Marina Grande. Mas deu para perceber que Anacapri é uma zona onde as pessoas vivem bem e onde se sente a característica vibe da bella vita italiana. Mesmo de noite gostei imenso de passar pelas ruazinhas.


No dia seguinte, depois de uma noite bem repousada, e de um bom pequeno-almoço, decidimos que para explorarmos um pouco da ilha íamos a pé de Anacapri até Marina Grande. Ainda se demora cerca de 1 hora e pouco de Anacapri mas tivemos assim oportunidade de parar em pontos panorâmicos e descer a famosa Scala Fenicia com os seus 921 degraus que até o século XIX era a única maneira de chegar a Anacapri por terra.



Já na Marina Grande entrámos no barco depois de encontrarmos a nossa excursão. Mas mais uma vez tivemos que engolir um sapo, a gruta azul estava fechada devido ao estado do mar. Apesar da tempestade do dia anterior ter passado e de o dia estar lindíssimo, o mar estava demasiado revolto para ser seguro entrar pela pequena passagem. Mesmo assim, valeu a pena a viagem pela costa, e tirámos imensas fotografias. No entanto, houve quem se sentisse mal e passasse a viagem toda a vomitar. Eu estive quase o caminho todo com um medo irracional (será que era assim tão irracional?) que a mulher largasse o saco com o vómito e este voasse pelo ar.





Como a gruta azul estava fechada a excursão acabou mais cedo e tivemos tempo para visitar a vila de Capri. Primeiro fomos até ao Giardini di Augusti, um pequeno jardim botânico com vista para o mar de entrada gratuita. Apesar de estarmos em Novembro havia várias flores e todo o ambiente era digno de um quadro.





Passámos por uma pequena banca e comprámos granita da qual tinha ouvido falar muito. Havia vários sabores, mas escolhemos a tradicional de limão e foi o que nos valeu enquanto explorávamos aquele bocadinho de ilha, pois o sol raiava com força e as lembranças da tempestade dissipavam-se a cada momento. Como ainda tínhamos tempo até o nosso ferry de volta a Nápoles fomos fazer um dos trilhos a Piazzetta delle Noci até à costa. Um trilho mergulhado nas ruas calmas da ilha. Pelo menos assim foi quando o percorremos.





No final, ficaram algumas coisas para ver daquilo que tínhamos pensado inicialmente como por exemplo as Villas Jovis e Lysis e o famoso teleférico até ao topo do Monte Solaro. Apesar de todas as inconveniências ficámos felizes por termos visitado Capri, uma ilha que na segunda metade do século XIX se tornou um popular refúgio a artistas, escritores e celebridades. Mas não foi só recentemente que Capri se tornou uma ilha procurada por muitos, também durante o Império Romano os Imperadores Augustus e Tiberius viverem neste pequeno pedaço de sonho guardado ao longe por Nápoles e Sorrento.
Próxima paragem: Nápoles
2 thoughts on “Os precalços de viajar em Itália em Novembro – 2ª parte, Ilha de Capri”