Contéudo desta página
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- Fortaleza de Kotor (forte de San Giovanni)
- Catedral de São Trifão
- Os gatos de Kotor
- Pastelaria Senso Kotor e bolo Krempita
- Muralhas da cidade
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Visitar Kotor em Montenegro é uma experiência que não se deve perder. A baía e a cidade medieval de Kotor, parte da UNESCO, devem pertencer a qualquer itinerário nem que seja pelo seu valor natural, cultural e histórico. A cidade medieval é uma das cidades do tipo mais bem conservadas do mediterrâneo e é fácil ficar-se rapidamente apaixonado por Kotor; pelas suas ruas estreitas, bonitas igrejas e deliciosa comida. Foi sobre isto que nos debruçámos no último post. Hoje vamos falar da manhã do dia seguinte ainda em Kotor que começou com a subida à fortaleza e que acabou com o passeio completo pelas muralhas à volta da cidade. Ambos os percursos nos deram diferentes perspectivas de Kotor. E sim, esta foi uma das nossas cidades preferidas da viagem, tal como era esperado pela sua fama, sendo esta a cidade mais conhecida em Montenegro.
Fortaleza de Kotor (forte de San Giovanni)
Subir até ao topo do forte de San Giovanni é uma das actividades mais populares em Kotor. Aliás é impossível não sentir o apelo ao olhar pela colina acima. O topo da fortaleza fica a 280 metros acima do mar e sobe desde Kotor por uma série de lanços de escadas com um total de 1350 degraus. A paisagem do topo é espectacular, tal como se espera, mas as bonitas paisagens de cidade e da baía vão aparecendo pelo caminho onde há vários pontos para parar.

Para começar (e acabar) este percurso há três opções, sendo apenas uma delas gratuita. O que surpreendentemente não foi a nossa opção devido a restrições de tempo já que queríamos voltar ao mausoléu de Njegos que não pudemos visitar no dia anterior devido ao mau tempo. Mas voltemos ao início. Saímos do apartamento Palata Bizanti às 7 horas da manhã com um céu azul e sem nuvens para uma cidade practicamente deserta àquela hora matinal. Para começar a subida pela fortaleza seguimos a entrada II como indica no Google Maps ‘Entrance (II) to Fortress’ que tem uma cancela que àquela hora estava aberta. Isto porque a cancela e os pagamentos para o acesso à fortaleza começam às 8 da manhã. Nós pagámos os 15 euros de acesso à saída.


Começámos a subir com vagar, sempre parando depois de cada lanço de escadas tanto para ver a paisagem, como para tirar fotografias como para descansar. E acabou por não ser uma subida tão difícil como temíamos. A subida demorou cerca de 1 hora, e a descida levou practicamente o mesmo tempo porque queríamos mesmo aproveitar aquele passeio único. Durante a subida também parámos junto à igreja da Nossa Senhora dos Remédios que pelo menos quando passámos estava de portas fechadas. No topo encontrámos as ruínas do castelo de San Giovanni (São João em português) onde passámos algum tempo a explorar.
Agora aquilo que todos querem saber: como se faz este percurso sem pagar?
Há um caminho que começa nas traseiras do centro comercial Kamelija e que sobe pelo lado detrás da fortaleza sendo a paisagem mais virada para as montanhas do que para a cidade. A certo ponto vão encontrar uma escada que sobe para a fortaleza sendo a entrada feita por uma pequena abertura, uma espécie de janela. Depois para voltar para trás têm de fazer o mesmo caminho senão vão encontrar a cancela onde se faz o pagamento. Podem também fazer como nós, ou seja, começar a subida antes das 8 da manhã e depois voltar pelo trilho usando a tal escada. Enquanto pesquisava o que fazer em Kotor li em alguns locais que a escada tinha sido removida, mas eu vi a escada quando passei por aqui em novembro de 2025.

Se voltasse a fazer o percurso seria certamente isso que faria, sairia cedo o suficiente para não pagar e depois voltaria pelo outro caminho não só para não ter de pagar mas também para ter um tipo de paisagem diferente.
Agora quanto ao trajecto que fizemos, quando vínhamos a descer houve outro episódio caricato para juntar a esta viagem. Mesmo quando estávamos a chegar ao fim da descida reparámos que havia outro caminho que ir dar ao pé da igreja de Santa Maria Collegiate e decidimos ir por esse caminho. No entanto, ao chegar à saída estava um homem que se dizia ser o guarda com uma conversa bastante estranha, que senão tínhamos bilhetes não podíamos passar por ali e que ele tinha lá estado desde as 7 da manhã. No final acabou por dizer que se não queríamos pagar teria de chamar a polícia, e continuou com esta conversa em tom de ameaça mesmo depois de termos dito que queríamos pagar. Bem no final voltámos para trás e seguimos pelo caminho por onde tínhamos começado o percurso. E imaginem que na cancela pagámos os 15 euros sem qualquer problema nem receber nenhuma ameaça. Parece-me que aquele homem era mais um maluquinho de Montenegro.

Fazendo então um achado da experiência, independentemente do caminho que se decida fazer, subir ao forte de San Giovanni é algo que recomendo para se ter a oportunidade de passar por aquela que foi a estrutura mais importante na estratégia defensiva da cidade e que mantém a sua forma original desde a altura que Kotor estava sob o domínio da República de Veneza.
Catedral de São Trifão
Quando chegámos de volta ao centro de Kotor a cidade estava completamente mudada ou melhor, apinhada. Era pessoas por todo o lado. Quando começámos a subida tínhamos reparado (difícil de não o fazer) num cruzeiro que entrava pela baía de Kotor e que mais tarde atracou no porto. Pois eram as pessoas que vinham nesse cruzeiro que agora enchiam as ruas da cidade.
Para não perder tempo fomos directamente para a catedral de São Trifão onde já várias excursões esperavam a sua vez para entrar. Nós pagámos o bilhete que nos custou 4 euros para visitar tanto a igreja como o museu.

O nome da catedral, São Trifão, deve-se às suas relíquias que estão guardadas aqui desde o século IX. Ou melhor guardadas aqui em Kotor, que esta não é a catedral original. A primeira igreja que ficava mesmo ao lado da actual foi construída no século IX e posteriormente destruída por um incêndio. Em seu lugar foi construída esta igreja de maiores dimensões em 1166. Apesar da catedral ainda estar ali de pé, a verdade é que já passou por vários terramotos como o do século XVI e o de 1979 que lhe causou diversos danos, tendo sido restaurada após cada evento.
No museu que fica na parte superior encontram-se várias peças de ouro e de prata, frescos e claro as relíquias de São Trifão. Há que ressalvar que o museu desta catedral é um dos mais antigos da Europa.
Os gatos de Kotor
Depois da visita à catedral fomos andando por Kotor enquanto nos decidíamos o que fazer a seguir, se ir explorar as muralhas ou ir tomar o pequeno-almoço. Neste nosso passeio passámos por um pequeno jardim, o ‘parque dos gatos’, onde vários gatos estavam a ser alimentados por uma senhora que pensamos ser uma local. Parámos por momentos e acabámos sem querer por ouvir a conversa entre esta senhora e uma turista. A turista naquele momento estava a agradecer à senhora por estar a alimentar os gatos. O mais surpreendente, ou talvez não seja assim tão surpreendente, talvez eu é que seja ingénua, respondeu que ao contrário do que se pensa nem todas as pessoas na cidade de Kotor tomam conta dos gatos, na medida que nem todas as pessoas alimentam e acarinham estes animais.

E são os gatos importantes na cidade de Kotor? E porque há assim tantos? Bem os gatos tornaram-se num símbolo não oficial da cidade, já que o símbolo oficial é o leão de Veneza (e o que é um gato senão um leão em tamanho mais pequenino?). E há muitos gatos, por toda a parte. Se gostam de gatos então vão gostar de Kotor. E todos eles são muito meiguinhos e de certa forma pareceram-nos bem tratados.
Inicialmente, os gatos foram trazidos pelos pescadores para combater os ratos que estavam a invadir Kotor. Na verdade, os pescadores tinham os gatos para apanhar os ratos e as cobras que andassem pelos seus barcos e quando atracavam eram depois trazidos para a cidade pela mesma razão. Com o aumento da população de gatos, estes tornaram-se um símbolo de boa sorte e fazem parte do folclore de Kotor como salvadores da cidade. Por exemplo diz-se que os gatos salvaram a cidade da peste negra. No entanto, o crescimento da população felina tornou-se incontrolável, mas felizmente neste momento há algumas organizações que tentam não só controlar o número de gatos abandonados através da infertilizarão como dar-lhes melhor qualidade de vida oferecendo cuidados de saúde.


Eu creio que em regra geral pela aparência dos gatos e pelo seu comportamento que estes são bem tratados não só pelos locais, mas também pelos turistas. Mas acredito que este esforço seja parte da caridade e carinho que os residentes de Kotor têm pelos gatos e que talvez nem todos façam o mesmo esforço daí o comentário da senhora que os alimentava. Também há em Kotor o museu do gato, o qual gostaria de ter visitado, mas infelizmente o museu fecha durante a época baixa. Quem estiver em Kotor entre 1 de maio e 31 de outubro não deixe de visitar este museu.
Página oficial do museu do gato em Kotor: https://www.catsmuseum.org/
Pastelaria Senso Kotor e bolo Krempita
Ainda subimos às muralhas no mesmo sítio do dia anterior, mas logo decidimos que estava na hora de irmos comer qualquer coisa. No dia anterior tínhamos passado por uma pastelaria que nos tinha chamado a atenção especialmente o placard à entrada sobre um bolo tradicional em Kotor de nome Krempita. Pois bem, foi mesmo aí que fomos parar, na pastelaria Senso Kotor.
A pastelaria em si é bastante pequena, mas conseguimos arranjar os únicos dois lugares disponíveis naquele estabelecimento. Para além de Krempitas há também croissants, potes de iogurte e muesli e os famosos burek. Havia também na montra outros folhados em forma de argola que penso ser de maçã. Para mim tinha de ser um latte e um bolo krempita. Confesso que quando vi os tais bolos pensei, ‘mas isto é um mil folhas’ e é o que parece, e certamente o sabor também é bastante parecido. Mas não me arrependo nada de vir experimentar o Krempita, o creme de baunilha não era muito doce e combinava perfeitamente com as três camadas de massa folhada, o que parece ser uma das diferenças deste bolo com outros do género.


Em baixo podem encontrar a tradução da informação sobre o bolo Krempita que está à entrada da pastelaria Senso Kotor:
‘Kotor Krempita
Esta deliciosa massa folhada recheada com creme, conhecida localmente como Kotorska Krempita, é uma sobremesa tradicional muito apreciada na cidade velha de Kotor. Acredita-se que foi introduzida há séculos e tem sido preparada com carinho por gerações de famílias locais. O que torna a Kotorska Krempita única são as suas três camadas de massa leve e folhada recheadas com um creme de baunilha rico e sedoso – uma versão luxuosa em comparação com a clássica de duas camadas encontrada noutros locais. Ganhou fama em meados do século XX, quando era vendida na famosa padaria ‘Zdravljak’, na cidade velha de Kotor. Após o terramoto de 1979, continuou o seu doce legado perto da Praça de São Trifão, onde habilidosos padeiros transmitiram a receita original. Embora originalmente se chamasse Kotorska Pašta, a sobremesa ficou mais conhecida como Kotorska Krempita – um nome hoje reconhecido em toda a região.‘
Pode-se até pensar que o bolo Krempita não se distingue o suficiente dos outros mais conhecidos para vir até a esta pastelaria. O que é completamente errado. Para mim este pequeno-almoço não teve nada de mau e tudo de bom. Café e bolo, o quê mais se quer para se ser feliz?
Instagram da pastelaria Senso Kotor: https://www.instagram.com/sensokotor/
Muralhas da cidade
Antes de deixarmos Kotor fomos passear pelas muralhas da cidade agora entrando pelo lado oposto ao do dia anterior onde fica o bastião de Gurdić. O troço entre esta entrada e a torre de Kampana tem uma distância de cerca de 700 metros e passa por detrás de Kotor dando uma perspectiva da vida diária na cidade, talvez não tão glamorosa, mas mais real. Neste curto passeio vimos imensos gatos deitados ao sol ou também eles a fazerem este percurso dentro das muralhas, quem sabe se há procura ou à caça de um rato.


E foi aqui nestas muralhas que acabámos a nossa visita a Kotor. Uma cidade que certamente marcou a nossa viagem em Montenegro.
No próximo post
No próximo post irei falar da segunda parte deste dia depois de sairmos de Kotor, na esperança de termos uma melhor experiência no parque nacional de Lovćen voltando para isso ao mausoléu de Njegoš e acabando o dia com um maravilhoso pôr do sol na cidade velha de Budva.