Trilho Adolf Munkel-Weg nos Dolomitas

Índice desta página

  1. Começo do quarto dia nos Dolomitas
  2. Trilho Adolf Munkel-Weg
    1. Mapa do trilho circular de 11km
    2. Geisleralm
  3. Igreja de San Giovanni
  4. Restaurante La Tor em La Villa Stern
  5. No próximo post (Tre Cime di Lavaredo)

Começo do quarto dia nos Dolomitas

Mais um dia nascia nos Dolomitas. E foi neste dia que começámos a sair mais tarde da Pensione Edelweiss e a aproveitar o pequeno-almoço como devia ser. E quanto ao pequeno-almoço, havia uma boa variedade com pão fresquíssimo e uns croissants de morrer e chorar por mais.

Apesar do trilho que guardámos para este dia ter sido um dos nossos preferidos, este foi o dia com pior tempo, com alguma chuva e muitas nuvens. Mas como se diz, não há mau tempo apenas má roupa (there is no bad weather, only bad clothes). E é por isso que uma viagem aos Dolomitas requer uma preparação que conte com todo o tipo de tempo.

Pequeno-almoço na Pensione Edelweiss

Mas não foi o tempo que fez o dia começar da pior maneira, mas sim ao acordar aperceber-me que tinha a cara inchada. Ao que parece a minha pele reagiu ao sol intenso que tínhamos apanhado em Seceda dois dias atrás. Ainda por cima nesse dia não tínhamos posto protector solar. Para tentar reduzir o inchaço ainda antes de sair do quarto andei a pôr toalhas ensopadas com água fria por cima da cara. O efeito não foi muito, mas felizmente o inchaço foi diminuindo à medida que o dia foi passando. E ficou muito melhor depois de pôr bastante creme, o qual tínhamos comprado no dia anterior. Isto que seja uma lição para todos especialmente para nós!

No final até deu jeito o tempo estar mais murcho, pois duvido que a minha pele aguentasse mais uma sessão de sol intenso.


Trilho Adolf Munkel-Weg

Tal como Seceda e Vallunga, também o trilho Adolf Munkel-Weg faz parte do parque nacional de Opuez-Odle, este na zona mais a noroeste. E este trilho quase não foi feito devido à opinião dos outros. A primeira vez que li sobre este trilho a review era de que Adolf Munkel-Weg era um dos trilhos mais fraquinhos já que se passava grande parte do tempo dentro da floresta e por isso a paisagem não era tão fascinante. E isto pode ser a opinião de alguém que andou pelos Dolomitas e é completamente válida, mas não é a nossa. Na verdade, ainda bem que decidimos incluí-lo no nosso itinerário.

Vista para as montanhas do parque de estacionamento Zanser Alm

Neste trilho tivemos oportunidade de andar pela floresta, ver as montanhas, as cascatas e até um veado. Também parámos no Rifugio Geisleralm para uma bebida e provar uma sobremesa austríaca tradicional chamada de Kaiserschmarrn.

Para quem vem de carro o melhor lugar para estacionar é em Zanser Alm/Malga Zannes de onde se pode ‘apanhar’ directamente o trilho Adolf Munkel-Weg. O parque de estacionamento é pago e em 2025 custa 10 libras pelo dia todo. Tal como em Alpe di Siusi apenas há uma tarifa no parque de estacionamento.

Na secção seguinte está explicado em mais detalhe o percurso que fizemos. Quero apenas mencionar que durante o caminho houve uma parte que não seguimos pelo trilho mais conhecido. No cruzamento antes de chegar a Geisleralm fizemos um pequeno desvio que nos levou a subir pela floresta (trilho 36 em vez do 36a). E se a subida no início nos pareceu desnecessária rapidamente mudámos de opinião.

Vista para as montanhas do topo do trilho 36 (o pequeno desvio que fizemos neste trilho)

Quando chegámos ao fim da subida pelo trilho 36, não só a vista para as montanhas foi das mais impressionantes de todo o caminho como de repente um veado apareceu-nos à frente. E este era bem mais robusto do que aquele que tínhamos visto em Vallunga, já que era mesmo um veado e não um cervo. Claro que foi um dos melhores momentos do trilho. Mas penso que apenas conseguimos ver este veado porque aquele pequeno desvio não sendo muito conhecido não tinha mais ninguém. Naquela altura só estávamos nós, a floresta, as montanhas e o veado. Duvido que com mais gente e mais barulho tivéssemos tido esta experiência.

Mapa do trilho circular de 11km

Aqui fica o percurso que fizemos em Adolf Munkel-Weg, com indicações dos números dos trilhos que seguimos. Estes números estão marcados nas placas que se vão encontrando pelo caminho. O percurso que fizemos foi de 11km e demorámos cerca de 5 horas a completá-lo.

A – Estacionámos no parque de estacionamento Malga Zannes. Daqui entrámos logo no trilho Adolf Munkel-Weg.

B – Para chegar ao ponto B seguimos o trilho número 6, que vai dar a uma ponte onde se podem ver as cascatas com as montanhas ao fundo.

C – Depois da ponte saímos da estrada principal e começámos a subir pela floresta entrando agora no trilho número 35. Durante este caminho passa-se por uma clareira, a Palestra di roccia Alta Via di Adolf Munkel onde uma placa de metal está colada a um grande pedregulho (ver fotografia abaixo).

Palestra di roccia Alta Via di Adolf Munkel-Weg

D – No cruzamento há duas opções; a primeira é seguir pelo trilho 36a que vai ter directamente a Geisleralm. Este é o trilho que quase toda a gente faz e é talvez o mais fácil. A segunda opção é seguir o trilho número 36, que foi o que fizemos, e que sobe pela encosta da montanha. Apesar da subida, esta parte do percurso vale a pena fazer principalmente pela paisagem. Seguindo por este caminho passa-se por outro rifugio, Malga Casnago (ponto D).

E -Parámos em Geisleralm para comer e beber qualquer coisa enquanto olhávamos para as montanhas que iam espreitando por entre as nuvens.

F – Depois da paragem no ponto E continuámos pelo trilho número 36 de volta ao parque de estacionamento.

Geisleralm

Depois de fazermos vários trilhos nos Dolomitas finalmente nos sentávamos numa destas casas de madeira, os chamados ‘Rifugio’. Quando chegámos a Geisleralm eu queria sentar-me nas mesas com a melhor vista para as montanhas, mas como estava imensa gente a comer e a beber nessas mesas, a única que estava livre era assim meio que escondida.

Rifugio Geisleralm

Geisleralm fica a mais ou menos a meio caminho do percurso circular e não é possível chegar aqui de carro, tem-se mesmo de vir a pé. O menu é bastante extenso, todo ele focado em pratos tradicionais da zona onde as influências da cultura austríaca estão bem presentes. Aliás ali sentados se nos dissessem que tínhamos atravessado a fronteira e chegado à Áustria não teríamos ficado minimamente espantados.

Eu já vinha com a ideia fixa do que queria comer. E sem hesitações foi o que pedimos acompanhado por cerveja, a minha com sumo de limão. A sobremesa que pedimos, Kaiserschmarrn, é uma espécie de crepes fritos cortados aos bocados polvilhados com açúcar em pó e acompanhados por puré de maçã, geleia e fruta.

Sobremesa tradicional austríaca Kaiserschmarrn

Devo dizer que as expectativas eram altas, mas o que nos chegou à mesa superou-as. A porção era grande de tal forma que dividimos entre os dois. Aliás acho que essa é mesmo a ideia já que o prato que é servido é demasiado para uma pessoa. E sim posso até dizer que o humor melhorou bastante aqui sentados à esplanada com aquela paisagem magnífica, a comer e a beber como turistas.

Para verem o website oficial de Geisleralm incluindo o menu cliquem em: https://www.geisleralm.com/it


Igreja de San Giovanni

Depois de completarmos o trilho, o que fizemos em cerca de 5 horas (11:00-16:00), contando com o intervalo em Geilseralm, tínhamos apenas mais um local para visitar antes de voltarmos para San Cassiano. Isto sem contar com a rápida paragem em Panchina Panoramica, na estrada Zanser, onde tirámos a fotografia abaixo.

Paisagem da Panchina Panoramica

O local que queríamos visitar é uma das igrejas mais conhecidas e faladas nas redes sociais, a igreja de San Giovanni. Talvez seja pelas montanhas como plano de fundo, a verdade é que em qualquer guia turístico esta igreja em Val di Funes é mencionada. No entanto, penso que esta igreja apenas é famosa, ou melhor apenas tanta gente a visita, exactamente pela sua presença nas redes sociais. Para mim não foi a mais bonita e é bastante óbvio que se tornou num turist trap (armadilha para turistas).

Igreja de San Giovanni em Val di Funes

Primeiro o pequeno parque de estacionamento é pago. Turist trap número 1. Foram os 4 euros mais mal gastos da viagem. Depois para se chegar perto da igreja é preciso passar por um portão de ferro o qual é pago. Turist trap número 2. É que nem fui ver quanto é que era. Com tantos pagamentos se havia alguma vontade de visitar esta igreja, por aquela altura esgotara-se. Ainda a vimos do ponto panorâmico que por agora é gratuito. E sim, a igreja é bonita por fora, pelo menos daquilo que conseguimos ver, mas as igrejas que visitámos no dia anterior, as igrejas de St Valentin e St Konstantin para mim são bastante mais bonitas, e a experiência mais em conta.

Infelizmente este foi daqueles locais que perderam o interesse ao serem espremidos ao máximo como forma de ganhar dinheiro. Mas se acharem que é algo que gostariam de visitar, mesmo que seja só para ver ao longe, como nós, sim façam-no. Mas na minha opinião vir aqui de propósito não vale a pena. Especialmente num dia nublado com aquele onde não se viam as montanhas.

Iglesia di San Giovanni

Concluindo, sim a igreja é bonita, mas há outras igrejas tão ou mais bonitas nos Dolomitas. A lição aqui é que nem sempre o que está nas redes sociais é o melhor.


Restaurante La Tor em La Villa Stern

Regressámos a San Cassiano por volta das 6 e meia. A rotina foi a mesma dos outros dias; tomar banho, arranjar-nos para jantar e escolher o restaurante. Mas hoje foi o dia em que realmente tivemos problemas em encontrar um restaurante aberto. Quando falei das vantagens e desvantagens de visitar os Dolomitas no início de junho (ver aqui), mencionei que uma das coisas negativas a apontar era o facto de muitos restaurantes ainda estarem fechados nesta altura. Infelizmente, o Google não dá a informação correcta pois neste caso indicava que os restaurantes estavam abertos quando na verdade não estavam. E aliás até nos websites oficiais dos restaurantes não havia nenhuma indicação de que estivessem fechados. Mas a verdade é que só depois de 4 tentativas é que conseguimos encontrar um restaurante aberto que não fosse nenhum daqueles onde já tivéssemos ido.

Pizza 4 estações do restaurante La Tor em La Villa Stern

Primeiro fomos ao ‘Restaurant & Pizzeria Sass Dlacia’, entre San Cassiano e Paso Valparola, mas o restaurante estava fechado. Na verdade, já ali tínhamos ido no dia anterior, mas pensámos que estava fechado por ser feriado. Afinal só abriria dali a duas semanas. Depois tentámos o restaurante Tiac em San Cassiano. No Google dizia que estava aberto, mas não estava. Depois disto decidimos ir para La Villa Stern enquanto ligava para vários restaurantes a tentar descobrir um que estivesse aberto nas vilas mais próximas. Até houve um restaurante que estava aberto, o restaurante La Ciano, mas quando chegámos à entrada o ambiente não nos agradou muito. Para mais o restaurante não estava muito bem avaliado. E por coincidência quando íamos a caminho deste restaurante, passámos por outro, o restaurante La Tor, que por sinal estava aberto e que nos pareceu ter melhor aspecto. Para além que as reviews no Google eram bastante melhores.

E a mudança de planos foi a escolha acertada. Apesar de quando chegámos o restaurante La Tor ter já bastante clientela felizmente havia uma mesa livre para nós. E o serviço foi óptimo, a comida deliciosa, nada de negativo a apontar.

Sobremesa Frittelle di Miele do restaurante La Tor

Acabámos por escolher pizza para jantar, eu pedi a ‘Quattro Stagioni’ com cogumelos, pepperoni, fiambre e alcachofras e para beber mais um aperol spritz. A pizza era bastante boa, mesmo assim gostei mais da do restaurante L’Fana. Contudo esta segue rapidamente em segundo lugar. Quanto aos cocktails este restaurante ganhou. Como no final da refeição ainda havia espaço escolhemos os Frittelle di Miele, uma espécie de donuts de maçã fritos para dividir.

Tanto gostámos deste restaurante que decidimos naquele dia que este seria o local certo para o nosso último jantar, antes de deixarmos San Cassiano. E para mim o segundo jantar ainda foi melhor do que o primeiro. Por isso talvez tenhamos tido sorte em termos encontrados os primeiros restaurantes fechados, senão poderíamos nunca ter vindo ao restaurante La Tor.

Website oficial do restaurante La Tor: https://www.dolomit.it/en/la-tor.asp


No próximo post (Tre Cime di Lavaredo)

Para o próximo post vamos falar de um dos lugares mais conhecidos nos Dolomitas, senão o mais conhecido, Tre Cime di Lavaredo. Em 2025, um novo sistema online para marcação do estacionamento foi implementado e no próximo post vamos falar de como se pode marcar o estacionamento, quando e quais são as condições. E claro vamos falar do trilho que fizemos e daquilo que vimos. Este trilho ganhou lugar nos três top trilhos favoritos da viagem: 1° Seceda, 2° Adolf Munkel-Weg 3° Tre Cime di Lavaredo. Se já falámos dos dois primeiros, falta agora o terceiro.

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