Este post inclui actividades e informações sobre o parque nacional de Glenveagh como:
O segundo dia desta viagem pela Irlanda acordava com um céu magnífico; azul, limpo e sem nuvens. Bastou ver o sol enquanto bebíamos o primeiro café da manhã para sabermos de imediato que aquele ia ser um dia bom.
Saímos do Airbnb por volta das 9 e meia da manhã, perto de Letterkenny, e seguimos para um dos principais locais desta viagem, o parque nacional de Glenveagh incluindo o seu castelo e jardins. Era a minha primeira vez nesta parte da Irlanda, mas para um dos meus companheiros de viagem, vir até aqui era a oportunidade única de recordar uma das suas viagens de infância com a família.
Parque nacional de Glenveagh
Como se pode descrever este parque nacional? A melhor palavra é beleza. Ficámos completamente abismados quando chegámos ao parque nacional de Glenveagh, um parque com uma extensão de 16.000 hectares mesmo no meio do coração do condado de Donegal. O lago Beagh rodeado pelas montanhas de Derryveagh formavam uma paisagem indiscritível.

1. Trilhos
Pelo parque nacional espalham-se vários trilhos de distâncias variáveis desde os 2Km aos 8Km. Nós acabámos por fazer o de 3.5Km, o Lakeside Walk (caminhada junto ao lago), que nos levou desde o parque de estacionamento, este gratuito, até ao castelo e jardins. A caminhada é fácil, sempre a direito, e ainda bem que a fizemos pois deu-nos a oportunidade de desfrutar com tempo a beleza da zona envolvente. Para chegar ao castelo ou se faz este trilho ou então apanha-se o autocarro no Visitor Centre (Centro de Visitas), onde fica o parque de estacionamento. O bilhete de autocarro custa 1.5 euros para cada lado (3 euros ir e vir).

A visita aos jardins do castelo é gratuita, no entanto para visitar o interior do castelo tem de se comprar o bilhete à entrada com um custo de 7 euros. Durante os meses de Verão (março a outubro) o castelo e os jardins estão abertos entre as 09:15 e as 17:15, enquanto que nos meses de Inverno (novembro a fevereiro) está aberto entre as 10:00 e as 17:15.
Outros trilhos que podem percorrer neste parque nacional, para além do Lakeside Walk, são os seguintes:
- Upper Glen Walk de 8Km que demora 2 horas
- Lough Insagh Walk de 7km que demora 1 hora e meia
- View Point Walk de 2Km que demora 30 minutos
- Nature Trail de 2Km que demora 30 minutos
O percurso de cada trilho pode ser visto no mapa abaixo, o qual podem adquiri no Visitor Center.

2. Castelo
Quando chegámos à zona do castelo quisemos ver tudo. E não só o castelo, mas também os vários jardins e até o café onde se vende almoços ligeiros, doces e bebidas. Também é nesta zona onde se encontra a loja de recordações e para questões mais prácticas, as casas de banho, que também estão disponíveis no Visitor Center.
O castelo foi construído entre 1867 e 1873 pelo arquitecto John Townsend Trench. Nessa altura a casa e propriedade em redor pertenciam a John George Adair. Adair ficou conhecido por accionar os despejos em Derryveagh no século XIX, altura em que mais de 240 pessoas tiveram de sair das terras arrendadas onde viviam.

Ao contrário do feitio do seu dono, a arquitectura da casa reflecte uma veia romântica vitoriana oposta à arquitectura conhecida dos castelos medievais. A toda à sua volta, encontram-se os jardins acompanhados pela paisagem avassaladora do lago contrastando com as altas montanhas.
A casa e os jardins passaram para o Estado Irlandês em 1979 em modo de doação por Henry Plumer Mcllhenny, o actual dono, apenas com o pedido de poder viver ali durante o resto da sua vida.
3. Personagens históricas
Nesta secção vou falar de algumas das pessoas que marcaram a história de Glenveagh.
John George Adair
John George Adair, oriundo do condado de Laois, visitou Glenvaegh pela primeira vez em 1857. Encantado com a beleza do local, dois anos depois, em 1859, compra a propriedade e grande parte dos terrenos em redor. No total, a propriedade tinha 11.300 hectares. A seu mando, o castelo é construído entre 1867 e 1873.

Desde o início que a relação de Adair com os seus arrendatários não era a melhor, especialmente quando Adair mandou construir um lago para impedir o trespasse de gado na sua propriedade. Para além disso, Adair cobrava regularmente multas quando encontrava animais perdidos na sua propriedade privada. Isto acontecia com frequência uma vez que os arrendatários não tinham dinheiro para construir vedações que impedissem o trespasse/invasão dos seus animais. A situação agravou-se quando Adair contratou funcionários de carácter duvidoso para cobrar essas multas. Um dos seus funcionários, James Murray, um homem particularmente cruel não só cobrava as dívidas como também esteve implicado no desaparecimento de várias ovelhas pertencentes aos arrendatários.
Em novembro de 1960, James Murray é assassinado. Nunca foi possível estabelecer quem foi o assassino. Devido a este episódio, Adair fica com medo que um destino semelhante lhe calhasse e decide despejar os seus arrendatários. E foi assim que em 1861, Adair despeja 46 famílias que viviam naquela zona. Em apenas três dias, 244 pessoas perderam o seu lar. Algumas destas pessoas conseguiram arranjar alojamento em casas de familiares, mas muitos acabaram por imigrarar para a Austrália à procura de uma melhor qualidade de vida. Felizmente, muitos encontraram aquilo que procuravam.
Em relação a Adair, este morre subitamente em 1885 durante uma viagem aos Estados Unidos, numa visita ao seu negócio de grande sucesso, o rancho JA no Texas.
Cornelia Wadsworth Ritchie


Cornelia Wadsworth Ritchie foi a esposa de John Adair. Cornelia, uma viúva rica de Nova Iorque visitou pela primeira vez Glenvaegh em 1873, quatro anos depois de se casar com Adair. Enquanto Adair era vivo, Cornelia passou a maior parte do seu tempo na casa do seu marido em Bellegrove, no condado de Laios. No entanto em 1887, dois anos depois da morte de Adair, Cornelia começa a passar mais tempo em Glenvaegh, depois de um incêndio em Bellegrove. Em Glenvaegh, Cornelia torna-se numa anfitriã da sociedade de quem os locais gostavam muito. Durante a Primeira Guerra Mundial, Cornelia aloja um grupo de soldados feridos belgas no castelo. Como agradecimento, os soldados construem o Belgian Walk, que ainda faz hoje parte dos jardins do castelo.
Cornelia morre em 1921, em Londres, aos 83 anos.
Arthur Kingsley Porter
Arthur Porter adquiriu Glenvaegh em 1929. Arthur, professor de Belas Artes na Universidade de Harvard, tinha um grande interesse pela arquitectura medieval tendo também passado muitos anos a especializar-se na arquitectura e escultura italiana. Foi quando Arthur veio para a Irlanda juntamente com a sua mulher, Lucy Porter, que escreve a obra ‘The Crosses and Culture of Ireland’. Arthur fez parte de um dos grandes mistérios de Glenvaegh, ao desaparecer repentinamente em 1933 quando visitava a ilha de Inishbofin. Arthur nunca mais foi visto.
Henry Mcllhenny
Henry Mcllhenny compra Glenvaegh em 1937 depois de ter alugado este lugar durante vários anos a Lucy Porter. Durante os 46 anos seguintes, Henry usa este local como casa de Verão, permitindo-lhe escapar à sua vida agitada como colecionador de arte e como membro sócio do museu de arte na Filadélfia.


O avô de Henry, John Mcllhenny, oriundo do condado de Donegal, muda-se para a América com a sua família estabelecendo-se em Filadélfia. Aqui, a família Mcllhenny torna-se rica devido à invenção bem-sucedida de um dos primeiros contadores de gás que funcionavam com moedas. Esta riqueza permitiu ao pai de Henry de se envolver em grande força na coleção de arte e de antiguidades, paixão que passa mais tarde ao seu filho.
Em 1929, Henry estuda Belas Artes na Universidade de Harvard acabando por se juntar à equipa do museu de arte da Filadélfia. Como o seu trabalho permitia a Henry que tirasse grandes períodos de férias durante o verão, Henry escolhe Glenvaegh como lugar de eleição para descansar. Durante o seu tempo aqui, Henry dedica muito do seu tempo a restaurar e mobilar o castelo tal como a desenvolver os jardins envolventes. Durante esta altura, em Glenvaegh foram recebidas plantas de todo o mundo. Também uma piscina aquecida foi construída à beira do lago.
Eventualmente, Henry decide que as viagens de ida e volta à Irlanda lhe eram demasiado cansativas e vende a propriedade ao Office of Publick Works (gabinete das obras públicas) em 1975. Em 1984, Henry autoriza a criação de um parque nacional, o parque nacional de Glenveagh. Mais tarde, doa o castelo e os jardins como presente à nação. Henry morre inesperadamente em Filadélfia aos 75 anos.


4. Jardins
Os jardins à volta do castelo estão abertos ao público e ao percorrer os trilhos encontra-se uma grande diversidade de plantas assim como estátuas a embelezar o percurso. Como mencionado acima muito deste trabalho foi realizado por Henry Mcllhenny. Os jardins estão divididos em diferentes secções como:
- Belgian Walk (caminho belga)
- Italian Terrace (terraço italiano)
- Pleasure Grounds (solo do prazer)
- Walled Gardens (jardins murados)
- Swiss Walk (caminho suiço)
- Tuscan Garden (jardim tuscano)
Todas estas secções merecem o seu devido tempo com paragem obrigatória na casa do barco para uma paisagem magnífica. Actualmente já não existe uma piscina de água aquecida, mas a paisagem continua ali.

5. Café
Para não perdermos muito tempo porque ainda tínhamos um grande caminho a percorrer naquele dia, decidimos voltar para o parque de estacionamento de autocarro. Mas ainda havia algo a fazer, parar no café do castelo para comer. Nada como uma chávena de chá e uma fatia de bolo num ambiente encantador como Glenveagh Castle.

6. Mais informações
Para quem quiser mais informações sobre este parque nacional, visitem o website oficial: https://www.nationalparks.ie/glenveagh/. Claro que aconselhamos a visitá-lo assim que puder.