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Já há muito tempo que queria visitar este parque nacional no norte de Portugal que ultrapassa a fronteira e entra por Espanha adentro tornando-se do lado de lá na Serra do Xurés. Parece até que já é outro parque, outra floresta, mas mesmo com um diferente nome, a floresta é a mesma. É a natureza a mostrar que as fronteiras erguidas pelos homens nada lhe interessam. Tinha algumas expectativas para esta viagem, afinal todos os que já lá foram garantiram-me que aquilo era realmente bonito. Nem sei porque as pessoas vão para fora quando têm algo assim mesmo no país delas! Cheguei eu a ouvir.

Por isso sim, tinha expectativas, mas mesmo com tantas seguranças dadas não tinha criado sonhos à volta desta viagem. Por vezes a antecipação é a melhor parte onde idealizamos e criamos expectativas, pois quando já estamos na viagem o tempo passa a correr, e mesmo que o tentemos agarrar, quando nos damos conta a viagem já acabou e o que nos fica são as memórias.

Fomos passar uma semana no Gerês e aproveitar para percorrer as várias partes do parque nacional. Não o percorremos todo, afinal tem cerca de 69,594 hectares ou seja, mais ou menos 695Km2. Mas conseguimos percorrer uma boa parte dele. No mapa abaixo está marcado as paragens onde dormimos e entre elas íamos parando pelo caminho para fazer os diversos trilhos que tínhamos escolhidos. Dos muitos que existem pelo Gerês. Como podem ver na imagem abaixo não visitámos a parte mais a Oeste do parque, algo que ficará para outra altura. Mas mesmo assim vimos imenso, foram 7 dias entre o incrível, o delicioso e o perigoso. E saio do Gerês a dizer que aquilo é bonito, sim senhor, mas não é feito para todos. Ainda estou para perceber se ele foi feito para nós ou melhor se nós fomos feitos para ele.

Das experiências que passámos, muitas das quais nunca pensei passar, vou falar ao longo dos próximos posts. No final fizemos 100Km a pé, muitos mais de carro, e aprendemos a respeitar a natureza em especial os animais. No final da viagem perceberão as minhas palavras.
Mas vamos aos factos práticos, os de preparação para a viagem assim como a forma como chegámos e nos deslocámos no Gerês.
Como chegar e cuidados a ter nas estradas no Gerês
1º – Avião ou comboio
Tanto se estiverem a vir do estrangeiro como de dentro de Portugal, a menos que vivam nas redondezas, têm duas opções sendo que a melhor vai depender do ponto de partida.
- Como vivemos em Inglaterra, para nós o mais fácil e barato foi apanhar o avião para o Porto a partir de London Stanstead, um voo de cerca de 2 horas e 20 pela companhia Ryanair. Este foi o voo mais barato e era mais barato voar para o Porto do que para Lisboa, o que tanto foi melhor já que aterrar em Lisboa nos deixaria bastante mais longe do Gerês.
- No entanto, se quiserem partir de Lisboa ou de uma parte mais a sul do país e não queiram apanhar o avião, podem apanhar o comboio que faz a travessia Lisboa-Porto várias vezes por dia. O meu conselho é que apanhem ou o comboio intercidades ou o alfa pendular. Não apanhem o regional senão demoram horas até chegar ao vosso destino! (CP comboios: https://www.cp.pt/passageiros/pt).
- Claro que também poderão ir de carro do vosso ponto de partida e não apanhar transportes públicos, mas provavelmente a viagem ficará muito mais cara e mais cansativa. Porque depois de chegarem ao Gerês é que a prova de condução começa.
2º- Alugar um carro
Para irmos do Porto para o Gerês alugámos um carro. E convém terem um carro devido não só à sua conveniência, mas também porque não creio que os transportes públicos dentro do Gerês sejam uma opção. Desta vez alugámos o nosso carro, depois de muita ponderação, com a Europcar, pois já eramos seus clientes. Como voámos para o aeroporto do Porto foi na loja do aeroporto onde fomos buscar o carro. A maior parte das reviews, não só desta companhia de aluguer de carros, mas da maioria senão de todas, são sempre as mesmas sendo elas à volta do facto da pessoa que os atendeu tentar vender mais uns quantos seguros e mais isto e aquilo assim como no final, quando entregaram o carro, os clientes foram obrigados a pagar por estragos que já lá estavam, ou acusados incorretamente de terem causado danos nos carros. Por isso já íamos preparados.

Primeiro foi o empregado a dizer-nos ou melhor a aconselha-nos um carro maior (ou seja, mais caro) porque se íamos para o Gerês o nosso carro era muito pequeno e baixo, se não queríamos um mais alto, maior, mais aconselhado para o tipo de estradas que existem no Gerês. Digam que não! Porque no final foi por termos um carro tão pequeno (Fiat 500) que não ficámos presos ou entalados em algumas das ruas dentro das aldeias do Gerês. E tirámos muitas fotografias ao carro quando este nos foi entregue, tantas que achámos que a pessoa que estava a ‘rever’ o carro antes de nos entregar não se esqueceu de marcar nenhum dano por mais insignificante no papel. O aluguer do carro ficou-nos a cerca de 100 euros pelos 7 dias com um depósito de 350 euros que nos foi devolvido depois de devolver o carro. Atenção quando alugam o carro, o valor pode ser bem menor que os 100 euros, mas confirmem o quanto pedem de depósito, nós chegámos a ver companhias a pedir 50 euros ou menos pelo aluguer, mas a requerer um depósito de 900 euros. Para chegar ao Gerês a partir do Porto é preciso conduzir por cerca de 1 hora e meia e atenção que passam por autoestradas com portagem.
Conduzir no Gerês
Conduzir no Gerês é uma completa aventura, não só há curvas e contracurvas a seguir umas às outras na maior parte das estradas para chegar ao ponto B a partir do ponto A, como as estradas são estreitas e mal dá para passar dois carros (às vezes dá mal até para passar um carro), como as pessoas conduzem no meio da estrada. Se não se sentirem confortáveis em conduzir, ou não tiverem muita experiência, talvez faça algum sentido pensarem em adquirir um seguro que vos permita ir mais descansados para o caso de haver algum azar. Por acaso na altura em que fomos, meio a finais de maio, não havia muitas pessoas nas estradas, talvez porque as férias dos miúdos ainda não tinham começado, mas imagino que em julho e agosto haja bastante mais movimento. Até porque mesmo nesta altura conseguimos ver a diferença entre o fim-de-semana e os dias de semana.

Outro ponto importante a ter em conta são os postos de gasolina. Dentro do Gerês não há muitas opções, por isso não deixem o carro chegar à reserva para depois começarem a procurar de uma opção. Tenham antes já um plano delineado. Por exemplo nós escolhemos uma tarde com menos coisas planeadas para irmos até à cidade de Montalegre e assim meter gasóleo e também repôr os níveis de bebida e comida.
Locais para dormir
No final dormimos em 6 locais diferentes, repetimos o hotel Adelaide na Vila do Gerês, uma noite na ida e depois uma noite na volta. E posso-vos dizer que todos onde ficámos foram bons locais, uns mais por umas razões outros por outras, mas não houve nenhum local que não tenha sido bom. Fizemos as nossas marcações através do site Booking.com com cerca de 2 meses de antecedência. Outra vez faço menção que não havia muitos turistas na altura em que fomos, aliás acho que na maior parte dos locais em que estivemos só nós estávamos hospedados para aquela noite, mas em alturas mais procuradas é capaz de ser mais complicado arranjarem bons lugares a bons preços.


Nós pagámos diferentes preços em cada local, mas tentámos ficar por volta dos 50 euros por noite. O mais caro foi cerca de 80 euros, mas não havia grande escolha na zona onde queríamos ficar (Fafião), e para dizer a verdade não foi dinheiro mal gasto já que no final foi um dos meus locais favoritos. Como sempre, tentámos ficar em locais com pequeno-almoço incluído e só em Pitões das Júnias (Casa d’Campo Ferreira) é que não tivemos pequeno-almoço, o que foi facilmente resolvidos já que foi no dia anterior que fomos até Montalegre meter gasóleo no carro.
Vou falar de cada local com mais detalhe à medida que for falando da viagem, mas para já fica a lista dos locais onde ficámos hospedados durante a nossa viagem ao Gerês.
| Local onde ficámos (ponto no mapa acima) | Website |
| Outeiro do moinho (A) | https://www.outeirodomoinho.com/ |
| Hotel Adelaide (B) | https://adelaidehotel.pt/ |
| AL Costa da Banga (C) | https://sites.google.com/view/al-costa-da-banga/inicio |
| Guest House Fojo dos Lobos (D) | https://www.fojodoslobos.pt/ |
| Hotel Bela Vista do Gerês (E) | https://www.vistabela.com/ |
| Casa d’Campo Ferreira (F) | https://www.booking.com/hotel/pt/casa-d-campo-ferreira.pt-pt.html |
| Hotel Adelaide (o mesmo do ponto B) | https://adelaidehotel.pt/ |
Trilhos
Preparação é tudo
O que têm de colocar na mala vai depender da altura do ano em que visitam o Gerês; se forem no Inverno, para a neve, o tipo de roupa que têm de levar é bastante diferente da que nós trouxemos. Penso, no entanto, que a altura em fomos vá de encontro com a maioria das pessoas que visita o Gerês, ou seja durante a altura de calor. Para quem vai fazer caminhadas e mesmo para quem não vai, mesmo quem queira só ir aos miradouros vai ter de andar, por isso levem uma mochila convosco com água (MUITA ÁGUA- nós levávamos cerca de 4,5L para os dois), snacks, lenços, telemóvel com GPS, protetor solar e claro um fato de banho e chinelos. Porque afinal vão ter oportunidade de nadar em vários, senão em todos, os trilhos. No entanto, a água está bem fria! Aconselho e não posso destacar isto o mais possível, a levarem calçado confortável para além da roupa, claro. Mas o calçado é indispensável, vão andar muitos quilómetros, o piso não é liso, nem nivelado, nem fácil de percorrer. Este é o maior conselho que posso dar a alguém que vá ao Gerês: Água e calçado confortável e já têm 90% chances de aquele ser um bom dia.

Trilhos no Gerês
O que há mais são trilhos no Gerês, o que é difícil é escolher os quais. Há trilhos com vários níveis de dificuldade, e tenho a dizer que mesmo os de nível fácil, não são assim tão fáceis. Mas talvez porque percorremos esses no meio da viagem quando os músculos doíam e os pés queixavam-se. No final da viagem o corpo já estava habituado, não havia dores que nos parasse! A maior parte dos trilhos no Gerês estão muito bem sinalizados, que poderá tornar a forma de placas a indicar a direção ou mais frequentemente com as linhas horizontais de cores amarela e vermelha a indicar que estão a percorrer o caminho certo (se for o trilho em amarelo e vermelho que estejam a percorrer). Passo a explicar, as marcas amarelas e vermelhas indicam trilhos PR, ou seja, Pequenas Rotas, sendo que cada PR é numerado. Por exemplo o PR1, o nosso primeiro trilho feito no Gerês, é o trilho da Calcedónia. Por outro lado, se virem marcas vermelhas e brancas, estas referem-se ao longo trilho os chamados GR (Grande Rota) sendo que no Gerês este é numerado como GR50 – Grande Rota Peneda-Gerês, que percorre uma distância total de 190Km com 19 paragens. Foi engraçado irmos encontrando os vários pontos deste trilho (GR50) ao longo do nosso percurso, apesar de o termos feito na sua maioria de carro. No entanto, acabámos por andar mais que 100Km, que mesmo assim, acreditem, não foi coisa pouca para nós. Em alguns dos trilhos também havia placas a marcar pontes de interesse como calçadas romanas ou abrigos de pastores.


Ajuda para os trilhos
Alguns dos trilhos que fizemos não se encontram tão bem assinalados. Para este usámos dois websites onde fizemos o download dos trilhos (na noite anterior) e deram-nos imenso jeito, para além que dão uma maior segurança do caminho que estávamos a percorrer. Os dois websites que usámos foram:
- https://www.vagamundos.pt/
- https://www.alltrails.com/pt-pt/parques/portugal/braga/parque-nacional-da-peneda-geres
E assim estão aqui os preparativos da nossa aventura para o Gerês, da qual vou escrever durante as próximas semanas. O Gerês é realmente um local lindíssimo, onde se come muito bem, mas também muito desafiador. Mas os detalhes ficam para os próximos capítulos.
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