Pádua é por vezes uma cidade negligenciada pelos turistas, uma cidade que não entra nas listas de paragens, especialmente quando se compara com grandes cidades italianas como Roma, Milão e Veneza. No entanto, Pádua é uma óptima cidade para visitar num dia. Ainda na região de Veneto, Pádua ou Padova em italiano, fica a meia hora de comboio de Veneza. E foi Pádua a nossa terceira e última cidade desta viagem. Começámos em Bassano del Grappa parámos em Veneza e agora Pádua.
Como chegar
Saímos de Veneza bastante cedo para apanhar o comboio para Pádua em Venezia Mestre. Comboios partem a partir de Veneza a cada 10 a 15 minutos para Pádua, mas atenção quando comprarem os bilhetes que enquanto o bilhete nos comboios regionais fica a 4.80 euros, há outras companhias como a Frecciarossa em que os bilhetes custam 20 euros. Verifiquem no website da trenitália os vários horários e preços para os diferentes comboios: https://www.trenitalia.com/en.html. Acho que a diferença de preço está relacionada com o tipo de bilhete, por exemplo se quiserem viagens ilimitadas durante o dia, o que pode ser aquilo que vos dê mais jeito. Nós nunca fizemos mais do que duas viagens de comboio no mesmo dia e fomos sempre pelos comboios regionais que têm o meu completo apreço. Também já tinha dito que os bilhetes de comboio podem ser comprados com antecedência, mas têm que comprar para uma determinada hora para a qual o bilhete é válido. Ou seja, se perderem o comboio precisam de comprar novos bilhetes. E se comprarem online não se esqueçam que têm de validar os bilhetes ou podem apanhar multa. Nós sempre comprámos nas máquinas porque preferimos evitar esse nível de stress acrescido por estarmos atrasados ou termos medo de perder o comboio.
A viagem entre Veneza e Pádua demorou cerca de 30 minutos e era pouco mais das 9 e meia quando saímos na estação de Pádua. Para quem vem com os olhos cheios de Veneza, com as suas milhentas paisagens pitorescas, Pádua pode parecer uma cidade pouco interessante, mas não se deixem enganar pelas aparências. Foi em Pádua que visitámos alguns dos mais impressionantes lugares da viagem.
Onde ficar
Já sabíamos que íamos chegar bastante cedo a Pádua e como não queríamos passar metade do dia com as malas às costas, tínhamos contactado a Casa Battisti, o local onde íamos passar a noite, para perguntar se podíamos deixar as nossas malas mesmo sabendo que seria muito mais cedo do que a hora do check-in. Mas acreditem que a recepção foi ainda melhor do que esperávamos. A senhora tinha-nos dito que não havia problema nenhum em deixar as malas e quando lá chegámos como o quarto já estava arranjado deixou-nos logo fazer o check-in. E isto eram apenas 10 da manhã. O atendimento foi mesmo 5 estrelas. O quarto era grande (a fotografia não faz justiça ao quanto espaçoso era) estava arrumado e limpo. A maneira como a senhora nos recebeu fez-nos logo querer gostar de Pádua.


Uma das particularidades deste alojamento, apesar de não ser talvez importante para os turistas, mas é o de ficar bastante perto do hospital, o Ospedale Giustinianeo. Para aqueles que tem familiares ou amigos internados no hospital e não vivam perto de Pádua podem ficar na Casa Battisti por alguns dias a valores mais reduzidos. Afinal tudo conta quando se fala em ajudar.
Centro de Pádua
Mais leves sem as malas, saímos da Casa Battisti e dirigimo-nos primeiro para o centro da cidade. Quando começámos a percorrer as ruas apercebemo-nos que Pádua era uma cidade bastante mais pacata comparada com Veneza, mas com a sua própria beleza. Um dos locais que eu gostava de ter visitado era a universidade de Pádua, a Università degli Studi di Padova. Esta é uma das universidades mais antigas do mundo, fundada em 1222. Grandes nomes constam da lista de estudantes e/ou professores que passaram nesta universidade como Galileu Galilei, Nicolau Copérnico e Cristovão Colombo. Palazzo Bo é o nome da sede da universidade e é possível visitá-la com um guia. Infelizmente naquele dia por alguma razão, provavelmente relacionada com alguma actividade universitária, não estavam a decorrer as tours. Passeámos pelas zonas públicas dentro da universidade mas acabámos por não visitar o seu interior.


Fomos então passear pelas 3 praças principais que são marcos históricos da cidade, adjacentes umas às outras. Piazza della frutta e Piazza delle Erbe (praça da fruta e praça das ervas) são duas praças conhecidas por terem sido antigamente (e ainda hoje) o foco principal de comércio. Eram nestas duas praças que se encontravam os mercados mais importantes da cidade. O mais giro é que ainda hoje ali se fazem mercados com bancas de frutas, vegetais, comida, roupas e joalheria. A particularidade são as próprias bancas de madeira, as chamadas de “scariolanti”.
Passando por estas praças, chega-se à Piazza dei Signori onde o monumento mais notável é a Torre dell’Orologio (torre do relógio). A torre foi construída durante o século XIV e o primeiro relógio foi coloado em 1344. Neste relógio podia-se ver as horas, os meses, as fases da lua e os signos do zodíaco. Infelizmente a torre foi destruída quando os exércitos veneziano e milanês invadiram a cidade em 1390, para impedir o rápido crescimento de Pádua. Resultado destas invasões Pádua tornou-se uma cidade do domínio veneziano e em 1428 a torre foi reconstruída, tendo-lhe sido adicionada símbolos da República de Veneza tal como o famoso leão alado, o leão de San Marcos. O relógio astronómico tem várias parecenças com o de Veneza, apesar de o Pádua ter sido construído 70 anos antes. Não deixem de reparar nos bonitos pormenores deste relógio astronômico.


É também em redor destas três praças que se encontram vários restaurantes e por isso decidimos voltar aqui no final do dia para jantar.
Basilica di Sant’Antonio di Padova
Saímos do centro da cidade para explorar a parte mais a sul. A primeira paragem foi na Basilica di Sant’Antonio di Padova. Em vez de entrarmos directamente na basílica entrámos por um dos claustros, o chiostro della Magnolia. Entrámos por aqui devido a necessidades biológicas. Ainda passeámos em redor do claustro para ver o que podíamos visitar para além da basílica, mas os vários museus que fazem parte do complexo com a basílica encontram-se encerrados à segunda-feira. A basílica felizmente estava aberta e melhor ainda era de entrada gratuita. Logo à entrada e depois ao longo do seu interior há vários sinais a indicar que é proibido tirar fotografias, mas claro que as pessoas quando se tornam turistas ganham um novo estatuto de trogloditas e eram só telemóveis no ar a fazerem aquilo que lhes pediam para não fazer. Não pensem que isto mostra um comportamento corajoso, mas sim de desrespeitoso e rude. Esta ideia enraizada de que se não tiver uma fotografia da visita esta não aconteceu torna-se um bocado triste.

Mas a basílica é realmente qualquer coisa de especial. Foi um dos lugares mais espectaculares que tive oportunidade de visitar. Até há o risco de se ganhar um torcicolo a olhar para cima e para os lados e para o chão e outra vez para cima. Esta basílica é lindíssima.
Engraçado que esta basílica construída entre 1232 e 1310 tenha sido dedicada a Santo António de Pádua, o mesmo santo que é hoje o padroeiro de Lisboa. Santo António nasceu em 1195 em Lisboa, mas morreu em Pádua em 1231. O estilo artístico desta basílica foi altamente influenciado pelo da basílica de San Marcos em Veneza com uma arquitetura característica do Bizâncio, cidade que posteriormente se chamou Constantinopla e hoje chama-se Istambul. No entanto, esta basílica junta os estilos do meio oriente com o gótico. É completamente assombrante a beleza desta basílica. E foi uma completa surpresa em Pádua.

Cappella degli Scrovegni
Ainda tínhamos bastante para explorar nesta parte de Pádua, no entanto tivemos de voltar mais tarde. Isto porque tínhamos comprado os bilhetes no dia anterior para o local mais conhecido de Pádua, a Cappella degli Scrovegni. Em vários websites tínhamos lido que a compra antecipada dos bilhetes era recomendada. Mas nós decidimos só os marcar no dia anterior uma vez que quando verificámos pela primeira vez havia imensa disponibilidade para aquele dia. Talvez tenha sido porque visitámos Pádua no final de janeiro e como tal época baixa. Pelo menos para Pádua, não diria o mesmo para Veneza por exemplo, com o Carnaval a chegar rapidamente. Podíamos até ter comprado os bilhetes na altura, mas também não quisemos arriscar. O bilhete que comprámos dava acesso tanto para visitar a capela como os museus cívicos (Musei Civici degli Eremitani). O bilhete custou-nos 12 euros porque era segunda-feira e o Palazzo Zuckermann encontra-se fechado às segundas. Nos outros dia da semana incluindo também este Palazzo o bilhete fica a 16 euros. Pareceu-nos que segunda-feira é o dia errado da semana para visitar Pádua, mas também não ficámos muito chateados, uma vez que visitámos o que queríamos. Quando se compra os bilhetes para a visita à capela não só tem de se escolher a data, mas também a hora, uma vez que o número de pessoas que podem entrar por grupo dentro da capela é limitado (25 pessoas no máximo).


A capela é famosa porque é um dos trabalhos mais conhecidos e impressionantes de Giotto, famoso pintor e arquitecto italiano que viveu entre 1267 e 1337. Giotto é considerado como o percursor da pintura renascentista, o elo entre o renascimento e a pintura bizantina e quem introduziu a perspectiva na pintura. No entanto, a característica mais conhecida do seu trabalho é a representação de santos como pessoas de aparência comum.
Desde 2021 que esta capela faz parte do Património Mundial da UNESCO conhecida como ‘os ciclos de frescos do século XIV de Pádua’.
Há um processo bastante específico para visitar a sala dos frescos como forma de preservação dos mesmos. Primeiro entra-se para uma pequena sala fechada onde é mostrado um filme sobre a história e o significado dos frescos que se vai ver de seguida. Isto demora cerca de 15 minutos para estabilizar as condições de temperatura e humidade dentro da sala dos frescos, após a saída do grupo anterior. Depois dos 15 minutos visita-se a sala dos frescos por mais 15 minutos. Entre as passagens as portas automáticas fecham-se impedindo o mínimo de trocas de microclimas entre as salas. Dentro da sala dos frescos aproveitem bem aqueles 15 minutos. Tirem fotografias, sim tirem muitas, mas não se esqueçam de olhar, olhar com olhos de ver, e apreciem este lugar único com um valor incalculável. Não o vejam apenas através do ecrã do telemóvel ou da lente da câmara.


Quando a visita à capela termina entra-se para a zona dos museus cívicos incluindo o museu arqueológico e o museu de arte medieval e moderna. No total demora-se mais ou menos entre hora e meia a 2 horas a explorar tudo.
Uma paragem para o aperol spritz
Depois desta visita voltámos então para o sul da cidade, para o pé da basílica di Sant’Antonio. No entanto, a meio fizemos uma paragem para um aperol spritz. Fomos ao Fly Bar Pizzeria onde o aperol spritz custava 3 euros (a razão da escolha). A comida não era nada de especial, mas foi uma paragem bem merecida para recarregar as energias para o resto do dia. Mas para dizer a verdade não provámos as pizzas que eram o principal deste local, como sugerido pelo nome do restaurante. Este local é bastante procurado pelos estudantes exactamente pelos preços baixos.


A meu ver tanto a Basilica di Sant’Antonio di Padova como a Cappella dei Scrovegni são razões suficientes para valer a pena visitar Pádua. Locais únicos com um enorme valor histório.
No entanto o dia ainda não tinha acabado e para a semana será a vez de publicar o último post desta viagem com mais ideias e razões para explorar Pádua.
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