Veneza

Neste post vamos começar a explorar a cidade a começar de manhãzinha. Não vai ser o único post sobre Veneza pois tivemos 2 dias e meio para conhecer esta maravilhosa cidade. No post da semana passada, o primeiro sobre Veneza, falámos de como chegar à cidade, de onde ficar, e as primeiras impressões. Nos próximos posts sobre Veneza preparem-se para os constantes ‘e aqui parámos para tirar uma fotografia‘ e ‘é claro que tivemos que parar para uma fotografia‘ seguidas pelo ‘o cenário merecia uma fotografia’ e acabando com ‘e foi ainda melhor do que esperávamos’. E são estas frases que resumem a nossa viagem a Veneza, uma cidade muito melhor do que esperávamos com recantos pitorescos a cada esquina onde era impossível não parar e não tirar uma fotografia.

Pequeno-almoço

Depois da primeira noite passada no hotel Vecellio chegava a hora de tomar o pequeno-almoço. A sala de pequeno-almoços não é muito grande e é por isso que é preciso combinar uma hora na altura do check-in, senão há o perigo de não haver mesas para toda a gente. As sandes e as bebidas quentes são feitas na hora, mas o serviço é bastante rápido. Depois de comermos as nossas sandes, folhados, saladas de fruta acompanhados por cafés, chás e sumos eis que chegava a hora de sair e começar o nosso dia. Como tinha dito no último post, enquanto estivemos em Veneza o nevoeiro foi praticamente sempre uma constante e o dia de hoje não foi excepção, bem pelo contrário, foi desde manhã à noite, o que alterou alguns dos nossos planos de que falarei mais à frente.

Monumento a Vittoria Emanuele II

A primeira paragem da nossa lista era a igreja de São Zacarias (Chiesa di San Zaccaria) e logo aqui encontrámos o primeiro problema com o GPS, pois este indicava-nos que a igreja se encontrava ao pé da estação de vaporetto de San Zaccaria, mas quando chegámos ao tal ponto, de igreja nada, ou pelo menos não esta igreja. Vejam só que estava tanto nevoeiro que até ponderei se a igreja não estaria a entrar pelo rio adentro e assim escondida pelo nevoeiro. O ponto que o GPS indicava era em frente a uma estátua de ferro, o Monumento a Vittorio Emanuele II, onde no topo se encontra o rei Emanuele II montado num cavalo. Ao seu sopé na parte posterior do monumento encontra-se uma estátua de uma mulher derrotada ao lado de um leão, representando a perda da cidade de Veneza para a Áustria no período entre 1848 e 1849 (fotografia acima à direita).

Leão Alado

O leão alado (leão com asas) é o símbolo da cidade de Veneza e por isso encontrado em imensos lugares espalhados pela cidade em forma de escultura, pintura e em painéis. O leão alado representa San Marco, o padroeiro da cidade. Este leão pode ter um livro debaixo da pata onde se lê as palavras ‘Pax tibi Marce, evangelista meus, hic requiescat corpus tuum ” que significa algo como “Paz para ti Marcos, meu Evangelista, aqui descansa o teu corpo”. A lenda diz que este leão alado apareceu a San Marco quando este estava a chegar à cidade e que naquele momento San Marco soube que era este o seu lugar.

Chiesa de San Zaccaria

Em relação à igreja, para a encontrar é preciso entrar por uma ruazinha estreita perpendicular, a Campo San Zaccaria, e seguir por essa rua por uns minutinhos. A visita à igreja é gratuita. No século VII foi a primeira igreja construída naquele local, no entanto a igreja de hoje remonta ao século XV. Pensa-se que na mesma altura da primeira igreja, no século VII, também um convento beneditino foi construído formando um complexo juntamente com a igreja. O convento foi mais tarde fechado por Napoleão e hoje é um dos quartéis dos Carabinieri, o equivalente à GNR em Portugal. Dentro da igreja existem três capelas, a capella di Sant’Antanasio, a Cappella di San Tarasio e a Capella dell’Addolorata. Uma das particularidades desta igreja e a maior razão para ela visar na nossa lista de locais para visitar é a cripta românica cuja visita custa 3 euros. Esta cripta do século X encontra-se permanentemente submersa em água.

Librearia Acqua Alta

A nossa segunda paragem foi uma livraria, mas uma livraria pouco comum. Tal como foi demonstrado pela nossa visita à cripta, Veneza é uma pequena ilha cuja cidade é facilmente inundada com a subida das águas dos canais. Apesar do nevoeiro não apanhámos chuva e por isso não vimos, mas pela cidade há painéis que se levantam do chão para criar passagens pedonais quando as inundações acontecem. Em certas situações nem isso safa de ficar com os pés dentro de água. Para combater as inundações e impedir que os livros se estraguem, os livros na Libreria Acqua Alta, estão protegidos ao serem mantidos dentro de gôndolas, barcos e banheiras onde estão dispostos ao invés das tradicionais prateleiras. De forma mais original foram usados os livros que tinham como destino o lixo. Estes foram empilhados formando corredores de livros e até uma escada ao fundo da livraria, a qual podem subir para uma bonita paisagem do canal. E claro que visitar a livraria não custa nada, para além de que quem sabe, se não encontram um livro que vos agrade para ler durante a viagem?

Ponte dei Sospiri

A praça de San Marco é a praça principal de Veneza e onde se encontram os mais imponentes monumentos. É também onde se encontra o maior número de pessoas por metro quadrado. Como disse acima San Marco é o padroeiro da cidade e é nesta praça com o seu nome que se encontra a basílica di San Marco, um dos locais que visitámos. Mas já lá vamos. Primeiro para chegarmos à praça tivemos de passar por uma ponte, a Ponte della Paglia, que fica defronte a uma das mais conhecidas pontes de Veneza, a ponte dos suspiros (Ponte dei Sospiri). Alguns acreditam que esta é a ponte mais romântica da cidade, mas não se enganem pelo nome que a história que lhe é associada não tem nada de romântico. A ponte liga dois edifícios, a prisão, Prigioni Nuove, e o Palazzo Ducale. O nome ‘suspiros’ tem origem do que se ouviam dos prisioneiros que passavam da prisão para o tribunal dentro do palácio onde iam ser julgados. Os prisioneiros davam suspiros ao verem a última vez o exterior ao passarem por esta ponte, uma vez que julgados dentro do tribunal a morte certa os esperaria.

Palazzo Ducale

Ao contrário da nossa intenção desta viagem, o de ser uma viagem a baixo custo, acabámos por decidir visitar o Palazzo Ducale (palácio Ducal), também conhecido por palácio do Doge. E foi o nevoeiro que teve o seu papel nesta escolha, porque todos os locais que tínhamos para visitar eram ao ar livre e com o nevoeiro não íamos ver grande coisa. Assim, demos 30 euros para visitar o palácio (eu sei, até dói). Se comprarem o bilhete online com 30 dias de antecedência, fica a 25 euros (fica aqui a dica). Outra coisa que tivemos de fazer ainda antes de pagar bilhete foi estar na fila. Felizmente a fila não era muito grande e esperámos cerca de meia hora, o que pelo que ouvi dizer não é nada mau. E pelo que vi acredito que em alturas mais turísticas, a espera deva ser de horas. Mas apesar de tudo a espera não custou nada! Nesta altura foi quando começaram a aparecer mascarados a passar ao pé do palácio e sendo este o motivo da nossa visita, claro que a espera passou num ápice.

Agora sobre a nossa visita ao Palácio Ducal – Se doeu aqueles 30 euros? Sim. Mas vale a pena? Eu diria que sim. Passámos mais ou menos uma hora a vaguear pelas muitas salas com o risco de apanharmos um torcicolo, a olhar para os frescos magníficos nos tectos e nas várias paredes. Não só os frescos, os trabalhados, o relógio astrológico (fotografia abaixo à direita), um complexo de arte belíssima. Talvez a parte menos faustosa terá sido a parte da visita à prisão (fotografia mais abaixo à direita). O Palazzo Ducale foi construído entre 1309 e 1424 e foi palco da antiga sede do Doge de Veneza. Quem era o Doge? Era o título de chefe de estado vitalício eleito pela nobreza veneziana. Só vos digo que pela riqueza magnífica que se encontra dentro deste Palazzo, pode-se dizer com grande certeza que o Doge era uma pessoa de grande poder.

Basilica di San Marco

Depois de sairmos do Palazzo Ducale era altura de visitarmos a Basílica di San Marco, outro monumento importante de Veneza, e digo-vos que foi muito diferente do que esperávamos. Pela positiva, claro. Depois da espera para entrar no Palazzo Ducale estavámos com menos paciência para estarmos na fila para entrar dentro na basílica. E a fila ainda era bem maior do que para entrar no palácio. Assim sendo fomos ao website oficial e comprámos os bilhetes que nos ficou a 6 euros cada. O mau? É que se tiverem na fila à espera a visita à basílica é gratuita. O bom? É que por 6 euros entram logo e escusam de perder horas de vida. Apesar de tudo, acho que os 6 euros foram bem dados.

Entre os bilhetes disponíveis, se forem comprados online tem-se a escolha de visita à basílica que custa 6 euros, ou então à basílica e Pala d’Ouro que custa 12 euros ou à basílica, Pala d’Ouro e museu Loggia Cavalli que custa 20 euros. Nós só visitámos a basílica por isso não sei se vale a pena visitar os outros sítios, mas sei que a basílica deve ser um dos locais a constar na lista obrigatória de visita. Como disse acima a basílica foi uma surpresa, pois ao contrário da arquitectura gótica encontrámos uma basílica de arquitectura com traços do Bizâncio, o nome da cidade antiga onde hoje é Istambul. Também aqui dentro a cor dourada do ouro prevalece como no Palazzo Ducale, mas de tal forma diferente que quase nos transporta para o meio oriente, mesmo ali no centro da Europa.

Como era indicado pelas filas para entrar em ambos os locais, havia imensas pessoas, principalmente na basílica, de tal maneira que era difícil movimentarmo-nos pelos corredores. E assim acabámos no meio da praça de San Marco em frente à basílica. Edifícios importantes de notar conta com a Torre dell’Orologio (Torre do Relógio) onde na fachada principal encontra-se um grande e bonito relógio vigiado pelo famoso leão alado. No topo da torre ao bater da hora as duas estátuas de bronze, chamadas de mouros, devido à sua cor, torcem o torço para ‘bater’ no sino. A torre do relógio pode ser visitada com um guia, custando 14 euros o bilhete.Outro edifício importante e este ainda mais difícil de passar despercebido é o Campanário, Campanile di San Marco, medindo 99 metros de altura e que se pensa ter sido construído inicialmente para efeitos de torre de vigia no século XII. A torre foi destruída, reconstruída e remodelada, muitas vezes pela acção de raios, e hoje pode-se subir até ao topo para uma maravilhosa vista da cidade. Claro que para nós, o nevoeiro impedia que esta subida fosse atraente. E aqui também vos deixo uma alternativa mais barata. O centro comercial Fondaco dei Tedeschi tem um terraço no topo que é possível visitar gratuitamente. Apenas têm de reservar os vossos 15 minutos com alguma antecedência através do link: https://www.dfs.com/en/venice/service/rooftop-terrace. Eu soube deste lugar 1 semana e meia antes da viagem e já não fui a tempo para reservar bilhetes, estando tudo já esgotado. E vi os bilhetes agora e já só há para dia 10 de abril, por isso aconselho a que seja uma das primeiras coisas a fazer mal decidam visitar a cidade.

Enquanto caminhávamos pela praça de San Marco mais e mais mascarados apareciam e assim chegava a altura de irmos até ao nosso quarto pôr as nossas máscaras, luvas e capas e juntarmo-nos à festa. E é aqui, a avançar pelas ruas de Cannaregio para o nosso hotel que acabo este post. No próximo falarei da experiência que é ‘fazer parte’ do Carnaval de Veneza e onde explorámos a comida local, em alguns dos melhores restaurantes da viagem.

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