Ilha da Madeira – Da levada das 25 fontes às piscinas naturais do Seixal

Para quem quer fazer um itinerário seguido pela Madeira, por exemplo Este – Norte – Oeste – Sul vai ficar um bocado confuso com o nosso. Porque acabou por não ser nada assim. E por duas razões – havia aviso de tempestade para a metade do penúltimo dia e para o último dia da nossa estadia. Portanto o que queríamos visitar que envolvesse caminhar ao ar livre tinha de ser feito antes da chegada da tempestade. A segunda razão foi o facto de termos ficado no mesmo hotel durante toda a nossa estadia. Se por um lado como disse logo de início achei que perdemos tempo a viajar para as diversas pontas da ilha, por outro lado deu-nos liberdade para escolhermos o nosso destino e alterarmos planos com o conviesse.

Uma paragem ao calhas e tem-se esta paisagem – Madeira, um miradouro constante

O nosso destino para hoje era uma das levadas mais escolhidas pelos turistas, pelos melhores motivos – a Levada das 25 fontes. Quando estivemos na Ponta de São Lourenço à conversa com o guia turístico ele, aconselhou-nos a deixar o carro no parque de estacionamento ao pé do túnel e fazer o percurso que inclui em parte de o trajeto passar por dentro de um túnel, uma vez que assim o caminho seria sempre a direito. Isto seria bem melhor em vez de deixar o carro onde todos deixam e depois andar por uma grande descida até ao trilho da levada e depois uma grande subida o que faz perder muito tempo. Pois fomos tão espertos que inicialmente tínhamos no GPS para o parque de estacionamento certo. Conclusão: mudámos o trajeto e fomos deixar o carro exatamente onde o senhor tinha dito para não o fazer. E sim, a descida é como o outro, agora subir aquilo tudo foi uma estafa. Então assim o que digo é deixem o carro no parque de estacionamento com a morada do Google Maps: ER211, 9370, Portugal e não no QV39+28, Calheta, Portugal. É um favor muito grande que vos estou a fazer. No entanto, se forem como nós e se enganaram também há a opção de pagar bilhetes para as carrinhas que fazem essa parte da travessia (subida/descida).

Levada das 25 fontes: vale a pena fazer este percurso?

Sabem que vou dizer que sim. Aliás este dia foi um dos melhores da viagem. No entanto, para o meu marido que tem medo de alturas foi bastante marcante e não pelas melhores razões. O trilho chama-se PR6 – Levada das 25 fontes e contem com cerca de 3-4 horas para completarem o percurso nos dois sentidos. Para cada lado são 4.3Km e a dificuldade é ‘moderada’. Eu adorei fazer o percurso que vos leva por dentro da floresta até o culminar da lagoa e da cascata das 25 fontes. Há alguns sítios para paisagens panorâmicas brutais da floresta Laurissilva. E não pensem que ter a oportunidade de entrar dentro desta floresta não é especial. A floresta Laurissilva é a floresta húmida subtropical da Madeira com cerca de 20 milhões de anos e que tal como um fóssil vivo, preserva as características de tempos tão remotos como por exemplo as árvores da família das Lauráceas. Esta floresta foi em 1999 considerado como Património da Humanidade pela UNESCO. A floresta Laurissilva ocupa cerca de 15 mil hectares, principalmente na parte Norte da ilha.

Devido à beleza indiscritível deste percurso este é um dos mais procurados por caminhantes. E talvez por isso também é palco de vários acidentes. Em algumas zonas o caminho torna-se bastante estreito, por vezes só dá para uma pessoa passar, e se não se tiver cuidado é possível escorregar para o penhasco numa descida mortal de mais de 50 metros. Se fizerem uma pesquisa rápida conseguem encontrar vários artigos sobre pessoas que escorregaram. Não é de forma alguma para desencorajar, apenas para respeitar a natureza. Principalmente a natureza numa forma tão crua como a desta floresta.

Depois desta grande aventura o resto do dia foi mais passear de carro. Fomos até ao Miradouro da Garganta Funda. Do estacionamento (ou melhor, meio da estrada) até ao Miradouro foram mais ou menos 15 minutos a andar. Este miradouro dá-vos uma paisagem que junta montanha, mar e uma cascata com 140 metros de altura.

Em seguida mais um miradouro com uma imensa vista para a costa, a Ponta do Tristão. Um outro ponto muito procurado (e com razão) são as piscinas naturais da Madeira. O local mais conhecido são as piscinas naturais de Porto Moniz. A entrada são 3 euros por cabeça para adultos e para crianças acima dos 3 anos. A entrada é gratuita para crianças com menos de 3 anos e metade do preço para estudantes ou adultos com mais de 65 anos.

Nós, no entanto, fomos para as piscinas naturais do Seixal. São gratuitas, menos conhecidas e por isso menos pessoas e ainda assim espetaculares. Adorámos nadar debaixo do arco de formação rochosa. O único cuidado é a entrar dentro da água – o chão é muito escorregadio. Todos os que entraram para a água enquanto lá estivemos (incluindo nós) fizeram um tipo de dança com o corpo e braços no ar e houve mesmo quem caísse de cu. Em seguida a paragem foi no Miradouro do Véu da Noiva. Deste miradouro vê-se uma elegante cascata.

E chegava a hora de jantar – ou melhor algo entre um almoço muito tardio e um jantar talvez cedo para a maioria. A 5 minutos de distância do Miradouro do Véu da Noiva em São Vicente fica o restaurante Caravela. Por sinal também é em São Vicente que se encontram as famosas grutas de São Vicente, mas encontram-se encerradas temporariamente. Ainda não sabíamos, mas foi neste restaurante foi onde tivemos a melhor refeição de toda a viagem.Começámos com um bolo do caco com manteiga e ervas e lapas grelhadas. Para acompanhar nada como uma brisa de maracujá, o sumo tradicional da ilha. Ambos tínhamos tido uma má experiência quando comemos lapas pela primeira vez nas ilha das Flores, nos Açores, e por isso estávamos reticentes. Mas sem medos. Neste restaurante passei a adorar este petisco. Também diria que foi aqui o nosso melhor bolo de caco.

Para prato principal escolhemos picadinho – e uma dose dá MUITO bem para duas pessoas. E ambas têm de comer bem para atacar aquela travessa. O picadinho é tradicionalmente com carne de vaca, mas também pode ser de frango, temperada com alhos e louro. Existem várias receitas e nós até voltámos a comer o picadinho noutro local e os sabores eram bastante diferentes. Este ganhou. Para acabar bem a refeição foi um semifrio de maracujá. Escolhemos sempre esta sobremesa nos restaurantes que fomos nos dias seguintes, mas este, deste restaurante, foi o melhor. Não tenho de voltar a dizer – adorámos este restaurante e saímos com grandes sorrisos…e barrigas cheias.

Em direção ao nosso hotel íamos passar por um local muito sugerido – a Taberna da Poncha. Fica numa rua a descer e estava cheíssimo. A poncha deste local, sim foi a melhor de toda a viagem, mas a grande descoberta foi a nikita. Uma bebida menos conhecida que a poncha, mas também ela tradicional da Madeira. Parece ser uma mistura estranha já que a nikita é feita essencialmente com cerveja (Coral) e gelado de ananás. Completamente perdida por esta bebida. E nós bebemos a nikita em vários locais, mas a melhor foi a da Taberna da Poncha. Neste momento podia voar até à Madeira e ir às praias do Seixal, jantar no restaurante Caravela e passar o serão na Taberna da Poncha a beber nikitas e seria uma pessoa realizada.

Como ainda tínhamos de conduzir até ao hotel não podemos apreciar muito da nikita ou da poncha. Voltámos para Santa Cruz, estacionámos o carro no hotel e fomos passar um bocado do serão ao restaurante Pizza Café com uma esplanada mesmo junto à costa. Já mais à noite acabámos o dia no restaurante snack bar, o Prego. Mais umas rodadas de Coral.

Mais uma paisagem enquanto se conduz pela Madeira

E o que tenho a dizer da Madeira depois deste dia? Que venha mais um…

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