Em Montenegro: mausoléu de Njegoš em Lovćen e o pôr do sol em Budva

Índice desta página

  1. Do que já falámos sobre Montenegro
  2. Parque nacional de Lovćen
    1. Mausoléu de Njegoš
    2. Ponto panorâmico na estação de teleférico de Kotor
  3. Budva
  4. No próximo post

Do que já falámos sobre Montenegro

Estivemos uma semana a viajar em Montenegro, passando por várias zonas do país. Até então falámos dos preparativos e as peculiaridades de viajar em Montenegro, da nossa chegada a Podgorica, as várias paragens em redor do Lago Skadar e da visita às ruínas da cidade velha de Stari Bar. Mais recentemente temos estado a falar da costa de Montenegro, começando por Bar, passando por Sveti Stefan e por último em Kotor. Neste post, vamos falar do que fizemos depois de deixar Kotor, uma tarde que foi adicionada ao nosso itinerário como resultado do mau tempo do dia anterior. Foi por isso que voltámos ao mausoléu de Njegoš e acabámos a ver o pôr do sol em Budva.

Parque nacional de Lovćen

Deixando Kotor para trás, fomos tentar novamente a nossa sorte com o mausoléu de Njegoš tendo que para isso entrar novamente no parque nacional de Lovćen. Para chegarmos aqui desde Kotor tínhamos duas opções, ou subimos pela serpentina de Kotor onde tínhamos uma maior probabilidade de encontrar ou estar envolvidos num acidente como o do dia anterior ou então poderíamos ir pela costa até Budva e depois passar por Cetinje e aí entrar para o parque nacional. A diferença era não só no tipo de estrada, sendo sem dúvida o melhor caminho o da costa, mas também a distância. Enquanto indo pela serpentina de Kotor a distância era de 35Km com uma duração estimada de 1 hora, passando por Budva a distância subia drasticamente para 75Km com uma duração de 2 horas. Eu sei que pela lógica ir pela serpentina de Kotor era a melhor opção, mas depois de termos passado pela serpentina e estado 1 hora à espera que resolvessem o acidente no dia anterior, decidimos ir por Budva.

Bilhetes de entrada para o parque nacional de Lovćen

Desde o momento que passámos por Budva até entrarmos no parque nacional de Lovćen, o céu azul tornou-se cinzento e quando chegámos ao mausoléu o nevoeiro tinha chegado. Ao contrário do dia anterior, à entrada do parque nacional estava lá o guarda que nos cobrou os bilhetes de entrada, 3 euros a cada um que teve de ser pago a dinheiro. O mausoléu felizmente estava aberto, mas como estava nevoeiro a vista panorâmica era inacessível e por isso naquele dia a entrada era gratuita, o que nos fez poupar 16 euros (bilhete de entrada custa 8 euros por pessoa). Pelo menos não esteve tudo perdido.

Mausoléu de Njegoš

Deixámos o carro no mesmo sítio do dia anterior e fomos em direcção à entrada do mausoléu um pouco a medo, a perguntar-nos se teríamos gasto 2 horas de caminho para encontrar o mausoléu fechado. Mas hoje não havia nenhuma corrente a impedir a entrada. De nevoeiro cerrado à nossa volta começámos a subir a escadaria de 461 degraus. Ainda antes passámos pela entrada de um restaurante e de uma loja de recordações que penso ser onde se vendem os bilhetes para visitar o mausoléu.

Entrada para o mausoléu de Njegoš

O mausoléu fica a uns impressionantes 1660 metros acima do nível do mar sendo este o mausoléu mais alto de todo o mundo. O mausoléu em si tem dois andares, no primeiro encontra-se à entrada duas estátuas enormes de mulheres que alguns historiadores pensam ser a mãe e a irmã de Petar II Petrović-Njegoš. No interior encontra-se a estátua de Petar II, poeta e líder político de Montenegro e no piso inferior o túmulo onde os seus restos mortais repousam. Do mausoléu tem-se acesso a uma estrutura circular de pedra que em dias de bom tempo oferecem uma paisagem panorâmica de 360º podendo-se não só avistar a região envolvente, o lago Skadar e até as montanhas do parque nacional de Prokletije mas também a Albânia, as montanhas da Sérvia e a costa de Itália.

A meu ver o nevoeiro deu ao mausoléu uma dimensão de grande austeridade, criando uma atmosfera ainda mais impressionante principalmente à entrada onde se encontram as grandes estátuas como guardas do túmulo.  

Quem era Petar II Petrović-Njegoš?

A vida de Petar II Petrović-Njegoš é fascinante e vale certamente a pena conhecer um pouco sobre ela. Eu vou deixar aqui linhas muito breves como um simples apanhado de uma vida cheia.

Petar II Petrović-Njegoš foi o líder espiritual e político de Montenegro (um título designado por Vladika) entre 1830 e 1851 depois da morte de seu tio, Petar I. Apesar de Petar II ter ocupado o lugar de Vladika a verdade era que tal parecia improvável no início da sua vida tendo Petar II dois irmãos mais velhos que eram os herdeiros deste título. No entanto, o irmão mais velho morreu bastante cedo e o irmão ‘do meio’ quis ficar na Rússia quando este foi mandado para o país na intenção de receber a devida educação. Petar II, nome de nascença Radivoje, foi então enviado para o mosteiro de Cetinje para receber a educação apropriada como sucessor de Petar I. Quando o seu tio morreu este não tinha oficialmente nomeado o seu sucessor e muitos da região não concordavam que Radivoje fosse o herdeiro certo para o posto. No entanto Radivoje acabou por ser eleito pelas tribos da região e assim nasceu Petar II.

Petar II no contexto político

O reinado de Petar II Petrović-Njegoš ocupou um período da história que contou com distúrbios constantes, como a guerra entre as tribos da região e os turcos, a guerra com a Áustria e com a intervenção constante da Rússia que fez pressão para a criação do Senado Governante cujos membros eram escolhidos pelo governo russo. O objectivo do Senado Governante era o de limitar o poder de Vladika e influenciar nas decisões a favor da Rússia. É também preciso contextualizar Montenegro de 1830, uma sociedade primitiva formada por um aglomerado de tribos rivais.

Uma das medidas impostas por Petar II durante o seu reinado foram as taxas, tipo impostos, que claro não foram bem recebidas pelas tribos, muitas das quais recusaram em pagar-lhe. No entanto, a sua implementação foi para tentar diminuir a dependência financeira da Rússia e potenciar o crescimento de Montenegro.

Petar II como poeta

Apesar do seu lugar na política, Petar II ficou mais conhecido pelas suas obras literárias como poeta, sendo ele para a Sérvia como Skakespeare para Inglaterra. A sua maior obra, Gorski Vijenac (‘a coroa da montanha’ em português) foi alvo de uma popularidade incomparável a qualquer outra obra de um escritor desta parte do mundo. Gorski Vijenac foi traduzido em várias línguas, incluindo em inglês, o que foi feito em 1930.

Túmulo de Petar II Petrović-Njegoš

Quem introduziu Petar II à poesia e à arte de escrever foi Sima Milutinović que veio para Montenegro em 1827 como secretário de Petar I. Os horizontes literários de Petar II foram mais tarde alargados durante as suas viagens à Rússia e à Áustria onde teve contacto com vários escritores, poetas e outros artistas.

Breve história sobre o mausoléu de Njegoš

O mausoléu de Njegoš foi construído em 1971 onde antes existia uma igreja ortodoxa. Essa igreja tinha sido construída em 1845 a mando de Petar II dedicada a seu tio, Petar I. Era nesta igreja que Petar II desejava que os seus restos mortais fossem depositados.

Quando Petar II morreu em 1851 o seu corpo foi levado para o mosteiro de Cetinje. Mais tarde em 1855 foi movido para esta igreja no topo do parque nacional de Lovćen onde permaneceu até 1916. Durante a Primeira Guerra Mundial os seus restos mortais retornaram ao mosteiro de Cetinje como estratégia política por parte da frente Áustria-húngara. Mais tarde, já na Segunda Guerra Mundial, a igreja ortodoxa foi severamente danificada. Em seu lugar, construiu-se o mausoléu de Njegoš em 1971 e finalmente os restos mortais de Petar II foram tresladados para esta localização em 1974, ano em que o mausoléu de Njegoš foi oficialmente inaugurado.

Ponto panorâmico na estação de teleférico de Kotor

Depois da visita ao mausoléu metemo-nos novamente no carro agora em direcção a Budva. Confesso que tenho alguma pena de não ter tido oportunidade de fazer um trilho ou outro no parque nacional de Lovćen, mas mesmo de carro a viagem foi bastante bonita. Pelo menos ainda houve oportunidade de tirar uma ou outra fotografia pelo caminho.

Parque nacional de Lovćen
Parque nacional de Lovćen

À saída deste parque nacional ainda parámos na estação de teleférico de Kotor, naquela altura infelizmente fechada, onde dizem ser um dos melhores pontos panorâmicos sobre Kotor. Contudo não tivemos muita sorte, mesmo com o nevoeiro dissipado as nuvens baixas não nos permitiram ver a cidade. Mas parece-me valer imenso a pena vir aqui especialmente quando o teleférico e o café Monte 1350 Bar estão abertos.

Sendo assim só nos restava ir para Budva e tentar ver o pôr do sol o que em novembro acontece às 4 e meia da tarde.

Budva

Budva estava no nosso itinerário com um ‘?’ sendo um daqueles lugares que iríamos se tivéssemos tempo. Pelo que lemos e depois confirmámos quando aqui estivemos, Budva tornou-se numa cidade de resorts mais virada para o turismo perdendo um pouco a sua alma local. Contudo, gostámos de passear pela cidade velha, como se estivéssemos entrado num mundo à parte. Pela sua atracção ao turismo estacionar em Budva pode ser bastante complicado e/ou caro por isso nem tentámos ir com o carro para o centro da cidade. Felizmente conseguimos parque de estacionamento gratuito ao pé do restaurante Vista Vidikovac. Há aqui um parque de estacionamento que é reservado apenas para os clientes do restaurante, mas pode-se estacionar livremente numa pequena faixa de terra. Não há é muito espaço, talvez dê para 8 carros no máximo e bem apertadinhos. Para alguns este parque de estacionamento não lhes vai agradar porque para chegar ao centro da cidade velha é preciso andar, primeiro a descer e depois no regresso a subir. Mas nós não nos importámos, já que o que nos interessava era arranjar lugar de uma maneira relativamente fácil. Não posso dizer que fiquei a conhecer bem Budva já que só passámos aqui duas horas, mas o que sei é que o pôr-do-sol que vimos foi lindíssimo.

De acordo com fontes históricas, a cidade medieval de Budva é uma das cidades mais antigas do Adriático contando com mais de 2500 anos, tendo sofrido vários danos durante os terramotos de 1667 e 1979. Dentro da cidade velha encontra-se a murada citadela cujos relatos colocam a sua existência desde o século V a.C.

Quanto à nossa visita passeámos pelas ruas bonitas, estreitas e empedradas da cidade velha até chegarmos perto da costa. Não fomos dentro da citadela já que era preciso pagar entrada e ficámos na praça rodeados pela igreja de São Sabba, o Santificado e pela igreja da Virgem Maria. Daqui também se podia avistar a igreja da Santíssima Trindade. Àquela hora o mar a bater nas rochas, o céu a pintar-se de rosa e a música tocada por uma guitarra tornaram aquele pôr-do-sol bastante especial.

Pôr do sol em Budva

Depois de estarmos aqui um bom bocado a vermos a paisagem começava a chegar a fome. Ainda voltámos às ruas de Budva mas ou não encontrámos nada que nos agradasse para petiscar ou os locais que queríamos estavam fechados. Já quase de noite subimos por escadas e rampas entre as casas de Budva, em vez de seguirmos pela estrada principal de regresso ao carro o que ofereceu uma experiência um pouco mais real da vida diária nesta cidade. Acabámos por ‘matar o bichinho’ já em Kotor com uma ida ao supermercado iDEA, em busca de bureks que tínhamos já experimentado no dia anterior e adorado.

No próximo post

A próxima cidade da qual vamos falar é de Perast. Ficámos aqui tanto para ‘fazer caminho’ já em direcção ao parque nacional de Durmitor como para visitarmos a ilha mais famosa da região, a ilha da Nossa Senhora das Rochas. Falaremos do nosso alojamento, do jantar, de mais uma sobremesa tradicional e da visita à ilha onde acabámos por ter uma tour guiada completamente gratuita. Afinal o entusiasmo de quem ama o seu trabalho fez esta visita bastante mais memorável. Todos os detalhes para a próxima.

Leave a comment