Kotor (parte 1): acomodação, igrejas e pasta

Conteúdo deste post

  1. No último post
  2. Kotor
    1. Passado de Kotor
    2. As duas versões da cidade
    3. Apartamento Palata Bizanti
    4. Igrejas em Kotor
      1. Igreja ortodoxa de São Pedro de Cetinje
      2. Igrejas de São Lucas e São Nicolau
    5. Muralhas da cidade
    6. Restaurante La Catedral Pasta Bar
  3. Próximo post

No último post

No último post falámos da nossa viagem pela costa, da cidade de Cetinje e da nossa tentativa de visitar o mausoléu de Njegos. No final falámos da nossa chegada a Kotor, de onde estacionar na cidade e onde arranjar algo rápido para comer. A nossa estadia em Kotor vai ser dividida em duas partes, a primeira a que se encontra neste post, sobre o apartamento onde ficámos na cidade velha, das igrejas que visitámos e do restaurante onde fomos jantar o que por sinal foi uma escolha óptima. Na segunda parte sobre Kotor, falaremos do dia seguinte, com a subida ao forte, a catedral de Trifão e o passeio pelas muralhas da cidade.

Kotor

Kotor e a sua baía são certamente as zonas mais conhecidas de Montenegro, e claro está para quem visita este país Kotor é de passagem obrigatória. Na verdade, para muitos Kotor é a única parte que ficarão a conhecer de Montenegro, especialmente se viajarem de cruzeiro. Porque em Kotor param diariamente cruzeiros turísticos no porto da cidade, e são essas pessoas que enchem as ruas durante o dia. E tendo eu mesmo passado um dia aqui reconheço que a fama de Kotor é-lhe merecida, sendo uma das mais bem conservadas cidades medievais do mediterrâneo.

Cidade medieval de Kotor

A cidade velha de Kotor faz parte do Património Mundial da UNESCO desde 1979, mas não só a cidade faz parte da UNESCO, toda a região de Kotor e a sua baía fazem parte do portfólio devido ao seu valor incontestável tanto natural, cultural como histórico.

Passado de Kotor

Kotor tem um passado bastante conturbado, como quase todas as cidades europeias, para dizer verdade, tendo sido palco de invasões, guerras e conquistas. Kotor esteve sob o domínio de vários povos e países como os romanos, sendo estes considerados os fundadores da cidade, seguidos pelos bizantinos, altura em que Kotor chamava-se Dekaderon. Mais tarde chegou a República de Veneza, o qual domínio foi voluntário da parte dos montenegrinos como estratégia defensiva contra os turcos, depois veio o império austríaco, o francês e mais recentemente a Iugoslávia seguida da União entre a Sérvia e Montenegro até à sua independência em 2006. Com tão diversificada afluência de povos é natural que certos costumes, gastronomias e culturas se tenham infiltrado e estabelecido na de Montenegro. O que torna a experiência em Kotor ainda mais única.

As duas versões da cidade

Chegámos a Kotor a meio da tarde e depois do check-in e mudanças de estacionamento a nossa visita à cidade começou já de noite cerrada. As primeiras impressões foi de uma cidade sossegada, talvez porque tivesse sido um dia de chuva. E quanto mais pela noite adentro entrávamos, mais deserta a cidade ficava. Depois do jantar, ainda demos uma volta pela praça principal e apenas encontrámos um punhado de pessoas. E foi esta a versão da cidade, mais intimista, até misteriosa que nos recebeu.

A versão mais intimista da cidade de Kotor

Tudo mudou no dia seguinte, a partir do meio da manhã. Logo de manhã quando começámos a subir a fortaleza de San Giovanni vimos um grande cruzeiro a entrar pela baía de Kotor e mais tarde a atracar no porto. Quando regressámos a cidade estava apinhada de gente, com várias excursões a passear pelas ruas e praças da cidade. Kotor tinha-se transformado completamente. Os restaurantes e cafés encheram-se, havia filas para entrar nas igrejas, uma cidade que parecia ter acordado de repente numa espécie de festa.

Pessoalmente prefiro a primeira versão, mais sossegada e sem caos. Mas reconheço que a cidade de Kotor precisa do financiamento económico que provém do turismo para manter o seu estado de preservação. Aconselho a se puderem passar uma noite em Kotor para ficarem a conhecer ambas as versões desta cidade.

Apartamento Palata Bizanti

Para passar a noite em Kotor quisemos ficar o mais próximo possível do centro da cidade medieval. Escolhemos o apartamento Palata Bizanti que ficava numa rua apertada bastante perto da catedral de São Trifão. Para entrar usámos os códigos que nos tinham sido enviados durante o dia, um para o portão que nos levava para dentro um pátio bastante pitoresco e outro para a porta do apartamento que era acedido através de umas escadas. Para quem tem problemas de mobilidade as escadas podem ser um problema, mas se não forem aconselho imenso a considerar este local como acomodação.

O apartamento Palata Bizanti foi sem dúvida um dos locais mais marcantes da viagem, talvez o segundo melhor, ficando o de Zabljak (parque nacional de Durmitor) à frente pois fiquei enamorada pela lareira. Quanto a este apartamento o que o mais o caracteriza é o espaço – era enorme! O quarto era grande, a sala então nem se fala. Certamente uma das partes mais impressionantes do apartamento. A decoração e a limpeza não davam qualquer hipótese à crítica. E a localização não podia ser melhor, porque mesmo estando no coração da cidade, a separação da rua pelo pátio dava uma certa privacidade que foi bem-vinda. A estadia neste apartamento ficou-nos a 72 euros (sem contar com a taxa de turismo – 2 euros por pessoa) que pagámos no dia deixando o dinheiro à entrada do apartamento como nos foi pedido.

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Igrejas em Kotor

Depois da parte prática resolvida, isto é, de pormos as malas no apartamento e arrumarmos as nossas coisas estava na hora de sair e tentar aproveitar as últimas horas desta tarde. Decidimos para isso visitar as igrejas incluídas no nosso itinerário.

Igreja ortodoxa de São Pedro de Cetinje

A primeira igreja foi a igreja ortodoxa de Montenegro dedicada a São Pedro de Cetinje, a qual pode passar facilmente despercebida sendo a entrada feita por umas escadas estreitinhas. A igreja em si também é bastante modesta em termos de tamanho, apenas uma sala simples com um bonito altar.

Igrejas de São Lucas e São Nicolau

Em seguida fomos visitar a igreja de São Nicolau e depois a de São Lucas. As igrejas ficam em frente uma da outra apenas separadas por uma pequena praça. A igreja de São Nicolau talvez seja a mais notável devido às torres laterais à entrada da igreja. Deixo aqui a ressalva que a entrada para estas duas igrejas tal como para a igreja mencionada acima, é completamente gratuita. Primeiro fomos à igreja de São Nicolau, considerada como a igreja ortodoxa mais importante de Kotor construída no século XX sob as ruínas da igreja que ali existia antes e que foi destruída num incêndio no século XIX.

Apesar da igreja de São Nicolau ser a mais imponente foi em frente da igreja de São Lucas que encontrámos um pequeno aglomerado de pessoas todas com a mesma intenção, a de entrar dentro da igreja. Esta igreja está associada a uma espécie de guerra de poderes entre a religião católica e a ortodoxa. A igreja de São Lucas foi originalmente contruída para os católicos da cidade no século XVII. No entanto, durante e após a guerra com os turcos houve uma rápida e significativa subida no número de pessoas de crença ortodoxa a viver em Kotor, especialmente entre 1657 e 1812. Devido à pressão religiosa esta igreja tornou-se num templo ortodoxo, que até aos meados do século XIX partilhava dois altares, um católico e outro ortodoxo.

Muralhas da cidade

Ainda tentámos visitar a catedral de São Trifão, mas tivemos de deixá-la para o dia seguinte. Àquela hora, isto 6 e meia da tarde, a igreja já não se encontrava aberta ao público, apenas para os devotos que quisessem rezar. Acabámos por dar mais uma volta pelas ruas estreitas de Kotor antes de subirmos às muralhas da cidade pela entrada que fica perto do teatro de Napoleão. Apesar das muralhas darem a volta à cidade fizemos apenas o troço que segue junto ao rio. Estas muralhas fazem parte da fortaleza de San Giovanni que sobem pela colina acima. Subida essa que tínhamos agendada para o dia seguinte de manhã bem cedo.

Depois do breve passeio e já sem mais locais que pudéssemos visitar naquele dia voltámos para o apartamento para nos arranjarmos para jantar.

Restaurante La Catedral Pasta Bar

Para jantar havia várias opções, mas queríamos principalmente um restaurante que ficasse perto do apartamento e que não fosse muito caro (que os 30 euros da multa pagos no parque de estacionamento dos quais falei no último post ainda estavam bem frescos na nossa memória). Acabámos por escolher La Catedral Pasta Bar. Este é um daqueles restaurantes que está espalhado por todas as redes sociais, e apesar de normalmente evitar ir a esses lugares desta vez fomos ver se a fama tinha razão de ser.

Chegámos ao restaurante, que na verdade é bastante pequeno apenas com mesas na parte exterior (penso que 8 mesas), numa zona coberta com aquecedores de pé alto e cobertores disponíveis para os mais friorentos. Eu que sou uma delas estive bastante confortável durante toda a refeição. Tal como o nome indica este restaurante especializa-se em pratos de massa, mas também oferece outras opções como saladas ou entradas como bruschetta. Nós escolhemos pratos de massa, ‘Sicilijana’ e ‘Pollo’ e posso dizer que foram os melhores pratos de massa que comi na vida. As porções eram enormes, muito saborosas e acabámos por dividir os dois pratos, o que permitiu ter uma experiência diferente de sabores. Os preços de cada prato variavam entre os 13 e os 15 euros os quais foram bastante razoáveis. Para além da comida, o serviço também foi rápido e atencioso. Sem dúvida, um dos locais ao qual voltaria em Kotor. Veredicto: a fama que tem nas redes sociais é merecida.

Instagram da La Catedral Pasta Bar: https://www.instagram.com/lacatedralkotor/

E até se pode dizer que a cozinha italiana faça de certa maneira parte da gastronomia de Montenegro devido aos laços históricos que une ambos os países.

Depois do jantar, completamente a abarrotar, fomos dar mais uma volta pela cidade. No entanto, não demorámos muito a voltar ao apartamento já que no dia seguinte teríamos de nos levantar bastante cedo para subir a fortaleza de Kotor.

Próximo post

A segunda parte da nossa experiência em Kotor ficará para o próximo post que contará com a subida à fortaleza, um passeio mais completo pelas muralhas da cidade, a catedral de São Trifão finalizando a visita com um bolo tradicional.

Ajudem se puderem:

Tal como nas últimas semanas deixo aqui um apelo a doações para a SPCA International: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/

Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.

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